A Função do Ogã e da Música na Umbanda – com Severino Sena

Bate-Papo Mayhem 161 – gravado dia 13/04/2021 (Terça) Marcelo Del debbio bate papo com Severino Sena – A Função do Ogã e da Música na Umbanda

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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A Natureza da Quimbanda Brasileira

por T.Q.M.B.E.P.N.

A Quimbanda Brasileira, por ser uma Tradição que durante muitos anos resguardou-se através dos ensinamentos orais, ocultou sua verdadeira natureza para poucos iniciados. Esses, por sua vez, em sua grande maioria saíram do ‘Caminho de Maioral’ por não suportarem a pressão que é impingida aos adeptos ao longo de seu processo de alquimia interna. Os poucos que resistiram moldaram a Quimbanda segundo expressões e perspectivas particulares, por isso existe uma grande pluralidade na forma com que o Culto é desenvolvido no Brasil.

Independente de como o Culto foi desenvolvido, deixando de lado o regionalismo e a formação dos zeladores, a Quimbanda Brasileira tem características particulares que devem ser levadas em consideração. A Natureza da Verdadeira Quimbanda, ao contrário das demais religiões e cultos, não está associada ao desenvolvimento de uma conduta moral e ética refinada e nem é influenciada pelas empenhas do período evolutivo da sociedade humana. Também não é um meio ao qual os adeptos sentirão a satisfação espiritual enquanto estiverem na matéria, pois o intuito da Quimbanda não é gerar satisfação e sim libertação, pois satisfação desprovida de libertação é ilusória.

A Quimbanda Brasileira está associada ao processo que ocorre entre a consciência e a inconsciência. É o árduo caminho de aprendizado que tem como intuito o conhecimento sobre si próprio e principalmente sobre a relação do “Eu” com o Sistema vigente mostrando as relações que existem entre o corpo, corpo astral e espírito e a escalada evolutiva ou escravista que esse Ser escolhe.

Os sentimentos são mecanismos que devem ser lapidados por todo adepto da Quimbanda. Diferente de outras expressões religiosas, a Quimbanda Brasileira entende que cada adepto é um Ser individual e tem a liberdade de formar seus parâmetros sem imposições sobre “Bem X Mal”. O mais interessante é que os Exus mostram-nos que existe uma corrente invisível que prende-nos a valores positivos e negativos, pois não compreender o que sentimos em relação a tudo é o mesmo que nos prender em teias invisíveis onde os fios da moral nos sufocam. Se o sentimento é inevitável, que seja formado com múltiplas visões, dotado de discernimento e não esteja atrelado aos conceitos de moral e ética da massa vigente. Exu é a semente que estoura a terra e rompe a vida e não uma árvore que já nasce com frutas.

Todo esse processo de autoconhecimento visa dominar e entender os sentimentos e emoções para formar os pensamentos adequados que irão ser a forma mais verdadeira de comunicação com o mundo espiritual. Para alcançar esse nível o adepto deverá vivenciar em variadas situações, experiências profundas e por vezes doloridas. Até que o adepto entenda que tudo que ele vibra e sente pode interferir em sua jornada e que a mente é mediadora entre o “Eu” e o Caminho de Exu, pode encontrar inúmeras dificuldades. A Quimbanda não deseja adeptos perfeitos, mas almas livres, mentes que transcendem as formas limitadoras e vão além dos conceitos morais e éticos.

Quimbanda e o Instinto Predador

O homem iluminado pela Luz da Quimbanda, que é um dos raios da Luz de Lúcifer, luta internamente contra as amarras do Sistema Cíclico Escravista (reencarnação e cumprimento de Carma). Para vencer esses entraves, o espírito deve ser constantemente alimentado através da fonte espiritual (Sabedoria) e, ao mesmo tempo, seus instintos devem ser incitados para que ajam como predadores. A Sabedoria não confronta o ato predatório, apenas concede ao adepto o discernimento de quando, como e com que intensidade essa voracidade deve aflorar. Não se trata de restringir, mas de adequar e adaptar nossos instintos à realidade que vivenciamos.

O adepto cria em seu “Eu” uma aversão à fraqueza e limitações que existem na sociedade. Um predador não chora em cima de sua presa, tampouco, dispende energia em perseguições infrutíferas. O verdadeiro predador não tende errar porque é alicerçado pela sabedoria e principalmente pelo autoconhecimento. Um adepto avançado sabe seus limites e limitações.

O homem é condicionado ao instinto de autopreservação. Luta incessantemente pela vida e pela integridade. Esse mecanismo é regulado pela dor e pelo medo, ou seja, o homem se mantem vivo porque cultua ambos. O medo libera a adrenalina que aumenta a força física e expande os sentidos tais como audição, olfato e visão e pode fazer com que o homem vá ao combate ou fuja do mesmo. O adepto da Quimbanda aprende que avançar ou recuar nas batalhas não é uma decisão motivada pelos sentimentos ou sensações; sim pelo instinto predatório frio, agudo e incisivo. O Quimbandeiro não é refém do medo, tampouco, da dor, pois entende sua natureza e a dos espíritos que o ministram.

Exu é um espírito com a capacidade de ‘andar’ em nossa linha temporal (passado, presente e futuro). Como se encontra no plano astral, essa linha de tempo não se restringe apenas a existência material ao qual temos consciência, ou seja, Exu pode vagar em nossas existências passadas e interferir, de maneira construtiva, na nossa vida material presente. Assim, Exu pode fazer com que fobias desenvolvidas em vidas anteriores sejam vencidas nessa existência. Todo esse processo visa fortalecer o instinto predador que é desperto nos verdadeiros adeptos.

O Homem de Fogo x Homem de Água

O mundo, cíclico e rotativo, proporciona mudanças perceptíveis e imperceptíveis a todo o momento. Entendemos que o mundo é o “espaço-cativeiro” onde almas diversas encontram-se em estado bruto/solidificado/material. Toda mudança do mundo acarreta mudanças em seu rebanho, ou seja, por mais imperceptível que seja a ação certamente atingirá os humanos. O ritmo dessas mudanças pode ser variável e atingir o coletivo e o individual em estágios diferentes fazendo com que todos sejam obrigados a passar pelos processos de adaptação necessários.

Obviamente que existem teorias sobre o comportamento fixo ou maleável do homem no seu processo de evolução, porém, existe algo importante de salientarmos: A Vontade e o Desejo. Através desses impulsos, aflora a atitude de dinamismo e ostracismo no comportamento humano. Esse é dividido em estágios, porém, no contexto desse ensaio destacamos duas marcas: Furioso e Passivo.

O comportamento furioso é dotado de fogo, auto cobrança, evolução e agressividade que capacita o homem enxergar as mudanças do mundo, suas consequências e criar uma multiplicidade de ações para conviver com elas. Homens de comportamento furioso compreendem rapidamente as ações exteriores e criam ambientes capazes de se estabilizarem nas incertezas deixando de serem ferramentas mecanistas que efetuam a prevenção e conserto do Sistema. Os dotados com esse comportamento conseguem aprender com os erros, mas nunca deixam de promover sua subjetividade, desejos, frustrações e aspirações como parte integrante dos sistemas e das organizações.

O comportamento passivo é como água parada que procura estabilidade e proteção contra as ações agressivas da natureza. Geralmente criam suas identidades baseados em contatos visuais e estruturas que consolidam suas aspirações. Possuí medo em diversos níveis e destaca-se o medo à rejeição da sociedade. Alimenta os traumas e as percas tornando-os obstáculos que estorvam as mudanças. Não suporta um ambiente competitivo e inovador, possui hábitos lineares e tem dificuldade com aspectos e mudanças inovadoras. Foi preparado para ser mão de obra, para ter um chefe mandando o que fazer.

Ambos os comportamentos coexistem na sociedade. Possuem família, amigos, dívidas e sonhos. Convivem com os mesmos problemas, crises e toda complexidade da sociedade. Disputam o mesmo espaço e estão suscetíveis as mudanças no mundo, sejam perceptíveis ou não. O homem de comportamento furioso e o homem de comportamento passivo podem, em algum momento, aproximarem-se do Culto de Exu. Os motivos que os levam a tal decisão são praticamente os mesmo, afinal, não são todas as pessoas que se aproximam do Culto em busca de revelações e evolução espiritual, sejam elas furiosas ou passivas. Inseridos no Culto, ambos passarão pelos mesmos estágios e nesse exato momento diferenciam-se.

Imaginemos que Exu interfira na linha temporal de ambos os comportamentos de forma agressiva. Essa agressividade, sob olhos atentos, capacitará mudanças significativas em suas vidas materiais, mas ao mesmo tempo impingirá pressão e confusão até estabilizar um “novo caminho”.

O homem de comportamento furioso certamente suportará essa pressão, pois rapidamente criará uma nova forma de adaptação e enxergará através das ‘brechas’ deixadas por Exu. Aproveitará ao máximo a oportunidade e não permitirá que as frustações o atinjam, porque construiu sua fé com subjetividade. Ele se regenerará nas formas sagradas que os Espíritos emitem e não no que seus sentimentos grosseiros tentam formar.

O homem de comportamento passivo entrará em colapso vendo sua estrutura protecional ruir. Lamentará por não ter seguido conselhos repelentes ao Culto e deixará os traumas tomarem-no de forma literal. Não suportará a pressão do novo e ruirá em pedaços grosseiros.

Exu, na sua imensa sabedoria e com sua gargalhada caótica que bane a inércia, pegará os dois comportamentos e colocará em sua peneira. O homem de comportamento furioso ruirá por inteiro tornando-se um pó sagrado apto a promover a ressurreição de seus antepassados obscuros, já o homem de comportamento passivo ficará sendo balançado em grosseiros pedaços até que Exu jogue-o em algum canto por não servir aos seus propósitos.

Todo esse ensaio mostra aos adeptos porque muitas pessoas que se aventuram nos caminhos de Exu deixam o Culto de forma inesperada e se tornam inimigos dessas forças. São passivos, inertes e esperam que as mudanças venham de forma linear, calma e protecionista. Essas pessoas acabam se escondendo em outros caminhos religiosos que propagam a sutileza, amor, compaixão e caridade. Esperam que Exu plante uma ‘Árvore do Dinheiro’ ou ‘tragam a pessoa amada em três dias’ porque tais situações corroborarão com seus queridos estados letárgicos e anti-evolucionistas.

Lembremos que Exu é constante movimento e nunca carregará fardos. ‘Exu não dá o peixe para quem não sabe pescar!’. Exu nos ensina a agirmos como catalisadores de ações!

O Instinto Predador e o Ego

O Ego é a defesa da personalidade, estrutura do aparelho psíquico que nos conduz pela realidade. O Ego é ‘defensor do medo’ e coíbe todos os instintos predatórios que possuímos.

Compreender nossos instintos predatórios não é o mesmo que coibi-los. Coibir significa reprimir, expressar claramente uma negativa. A compreensão é a aceitação e entendimento do impulso para que o mesmo seja desperto quando necessário. A coibição gera insatisfação, traumas e o ódio. Esses sentimentos, dentro desse contexto, são atrativos de Carma e elos das algemas do Sistema Escravista do Falso Deus. A compreensão dos impulsos é parte da libertação e do próprio autoconhecimento.

fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/natureza-quimbanda

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-natureza-da-quimbanda-brasileira/

Simbolismo e a Liberdade Religiosa

Por Hamal

Os ensinamentos da Ordem DeMolay e da Maçonaria são transmitidos através de símbolos. Mas sabemos realmente a importância dessa afirmação?

Muitos dizem que os ensinamentos são transmitidos em forma de símbolos para se velarem ao entendimento profano. Essa afirmação é verdadeira, mas quem é profano? Aquele não iniciado nas Ordens ou aquele iniciado que não pratica o conhecimento que lhe é transmitido?

O símbolo esconde seu segredo somente aqueles que não procuram conhece-lo, sendo iniciado ou não. O símbolo é como uma pedra bruta que oculta seu formato a quem não sabe manusear as ferramentas. Basta estudar e trabalhar sobre um símbolo que ele se revela trazendo algo de oculto consigo.

É fundamental esclarecer a importância do simbolismo e da liberdade religiosa antes de analisarmos o que se encontra além das aparências simbólicas, pois necessitamos retirar o empecilho dogmático e tabus existentes em torno desses símbolos.

O SÍMBOLO

Nós usamos diversas maneiras para nos comunicar e expressar, seja a palavra falada, escrita ou em imagens. Isso é o que chamamos de sinais, cujo entendimento vêm através do aprendizado consciente e ali permanece, sem nenhum reflexo inconsciente.

Já o símbolo é diferente, é a ponte entre a consciência e o inconsciente, aquilo que vai além do seu significado aparente. Quando nos propomos a conhecer o domínio dos símbolos entramos em um mundo além da lógica e razão, pois adentramos no lado escuro da mente. Dessa maneira, é a conexão entre o visível e o invisível, são pelos símbolos que acessamos a egrégora e as energias do ritual.

O homem não inventa símbolos, assim como não inventa as Leis Físicas, ele apenas observa a vida e o universo ao seu redor e identifica os símbolos correspondentes a cada acontecimento ou fato existente.

Por exemplo, a vida e a morte são um fato do Universo e não só dos homens. De estrelas que explodem, à natureza que morre no inverno e os homens que vão ao Oriente Eterno. A morte é um destino certo a tudo que existe, e pode ser representado simbolicamente por uma caveira. Mas tudo está em evolução e crescimento, e da morte (que não significa “fim”) também surge a vida. Novas estrelas surgem do pó das antigas, novas folhas e frutos nascem na natureza e uma nova geração surge entre os homens. É o ciclo da vida e da morte que todos teremos que passar.

O ciclo da vida e da morte nos ensinam que nessa vida nada é eterno, tudo um dia acabará. Faz parte da evolução e do nosso crescimento. Como a serpente que solta a pele antiga para poder crescer, deixando o antigo para trás e renascendo como um novo ser. A serpente que morde o próprio rabo é o ouroboros dos alquimistas, e representa esse eterno ciclo do universo da morte e ressurreição.

Esses símbolos representam a evolução, a morte do profano e o renascimento de um ser espiritual. O objetivo das iniciações.

É a observação do universo que fornece ao homem os símbolos, portanto o esoterismo reconhece o mesmo princípio nos símbolos utilizados por culturas e religiões diferentes. A Lua do Brasão da Ordem DeMolay é a mesma Lua na cabeça de Shiva, como também é a da deusa Ísis. A jornada, provas e fases da Iniciação Maçônica e DeMolay representam as mesmas provas que os mitos relatam daqueles que se tornam um “herói”, como as provas enfrentadas por Jesus, Buda ou Krishna. Mesma jornada que representa o andar do Sol no Céu e a vida de um homem, do nascer ao ocaso.

Percebam a importância do Princípio da Correspondência no simbolismo vista no texto Esoterismo na Ordem DeMolay e o exemplo dos símbolos da Maçonaria no Esoterismo na Maçonaria.

LIBERDADE RELIGIOSA

O hermetismo reforça a ideia de liberdade religiosa e de pensamento, pois tudo que provêm da obra de Deus é sagrado e existe um símbolo que pode revelar segredos transcendentes a nós. Não devemos desprezar nenhum conhecimento.

Dessa maneira o DeMolay e o Maçom devem aprender a enxergar além do senso comum, além do dogma e do separacionismo religioso. Reconhecendo que os símbolos religiosos são sagrados, é nosso dever respeitá-los assim como respeitar a decisão do outro em ser seguir ou não um dogma ou religião.

A respeito da Liberdade Religiosa e Maçonaria podemos ler na Constituição de Anderson, escrita em 1723, o seguinte trecho:

“Da mesma maneira que, nos tempos passados, os maçons eram obrigados, em cada país, a professar a religião de sua pátria ou nação, qualquer que ela fosse, nos tempos atuais nos pareceu mais adequado não obrigar além dessa religião na qual todos os homens estão de acordo, deixando cada um livre para ter sua opinião própria.

(…)

De onde segue que a Maçonaria é o Centro de União e o meio de suscitar a verdadeira amizade entre as pessoas. Sem ela, permaneceriam em um perpétuo distanciamento“.

E sobre esse assunto na Ordem DeMolay vemos em sua Cerimonia Branca:

“Nós abrimos a Bíblia Sagrada, fonte de nossa fé em dias eternos, sobre o Altar, como símbolo da liberdade religiosa, que é direito de primogenitura de todos os povos. Sobre este Altar, não está o emblema de qualquer credo, ou o depósito de qualquer sistema de teologia, mas sim a palavra do único e verdadeiro Deus, cuja paternidade universal nos ensina a lição inevitável da fraternidade de todos os seus filhos. Sem a oportunidade de venerar a um Deus de acordo com as instituições de nossa própria consciência, nossa liberdade seria sem sentido, portanto, com fundamento, colocamos a Bíblia Sagrada sobre nosso Altar.”

Chega a um ponto em nossos estudos que se formos presos por dogmas religiosos estaremos muito limitados e não progrediremos no esoterismo. Isso será muito importante, pois aqui não vamos poupar interpretações simbólicas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/simbolismo-e-a-liberdade-religiosa

Como entender e ler o I-Ching

Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito
e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio.

CONTEÚDO:

O I Ching [pronuncia-se “I Jing”] ou Livro das Mutações é um poderoso oráculo que usa as imagens do Céu, da Terra, dos elementos e da natureza para prever as mudanças do tempo na vida dos humanos, e um livro de sabedoria chinês muito difundido entre os orientais, onde o consultante utiliza-se de moedas ou varetas, que são jogadas enquanto faz uma pergunta, formando um Hexagrama* – figuras formadas pelas combinações de 6 linhas inteiras ou partidas superpostas – para ser consultado em um livro, onde a resposta à pergunta é respondida.

Um Hexagrama é composto pela combinação de dois Trigramas (figuras formadas pelas combinações de 3 linhas inteiras ou partidas superpostas), um sobreposto ao outro.

12º Hexagrama do I Ching = Pi (Estagnação)
Formado por dois Trigramas:
1. Abaixo Trigrama K’um (três linhas Yin)
2. Acima Trigrama Chi’em (três linhas Yang)

O I Ching é um dos mais antigos e um dos únicos textos antigos chineses que chegaram até nossos dias. A parte principal dos textos tem pelo menos 3.000 anos de existência. Antes era chamado apenas “I”, cujo ideograma é traduzido de muitas formas, e no século XX ficou conhecido no ocidente como “mudança” ou “mutação”; Ching, significa “clássico”, foi o nome dado por Confúcio (nome latinizado de King Fu Tze – século VI a. C.) à sua edição dos antigos livros.

O livro é um texto clássico chinês composto de várias camadas, sobrepostas ao longo do tempo, e traz 64 Hexagramas, acompanhados de seus respectivos textos explicativos. Cada um dos textos está dividido em várias partes:

1 – a Sentença – é a interpretação do Hexagrama como um todo, atribuída ao Rei Wen.
2 – o Comentário – é uma explicação das Sentenças (ou Julgamentos) do Rei Wen, atribuída a Confúcio.
3 – a Imagem – é o simbolismo maior ou a idéia do Hexagrama, também atribuído a Confúcio. Refere-se às imagens associadas aos Trigramas.
4 – as Linhas – com duas subdivisões: a primeira é a explicação dada pelo Duque de Chou, e a segunda são as observações de Confúcio, sobre esta explicação, ou o simbolismo menor.

Como fonte que alimentou diversas religiões e filosofias orientais, ele tem sido usado desde as mais remotas épocas até os tempos atuais, nos países cuja cultura tem forte influência chinesa, como Japão, Coréia e Vietnã. No Japão, até a época da Reforma Meiji, um século atrás, mesmo as táticas militares eram baseadas em configurações inspiradas por este livro extraordinário. Muitos japoneses acreditam que as vitórias navais que conseguiram na primeira parte da Guerra do Pacífico se deveram ao fato de serem os livros de estratégia baseados no “Livro das Mutações”. Nas universidades japonesas, a obra ainda retém parte de seu papel tradicional; na verdade, entre os povos do Extremo Oriente, o livro conserva um número incontável de admiradores em todas as camadas populares.

Na China, tradicionalmente, se utiliza o I Ching em todos os momentos, especialmente para a tomada de grandes decisões e definições de impasses. Decide caminhos políticos e econômicos do governo, auxilia empresários em suas definições, orienta famílias inteiras com relação à mudanças, casamentos, auxilia indivíduos a escolher os melhores lugares para construir suas residências, e ainda prevê as possíveis transformações na vida particular e coletiva das pessoas, oferecendo a oportunidade de que se decida qual o melhor rumo a tomar, sem sofrer conseqüências desagradáveis.

TRADUÇÕES E EDIÇÕES INDICADAS

Várias tentativas de transpô-lo para os idiomas ocidentais foram feitas, destacando-se a do sinólogo Richard Wilhelm, considerada a melhor existente em idioma ocidental, que aliou a sua compreensão do pensamento chinês (incluindo a concepção básica de que as situações por que passamos são, em essência, as mesmas) a uma refinada tradução: após verter o texto original para o alemão, passou-o novamente para o chinês, a fim de se garantir contra eventuais erros que comprometessem o sentido dos Hexagramas.

Richard Wilhelm traduziu o I Ching para o alemão ao longo dos anos em que viveu na China, inclusive durante a invasão japonesa, quando a cidade em que estava foi cercada. Teve o apoio de um velho e sábio mestre, Lao Nai Suan, que morreu ao ser concluída a tradução. Wilhelm traduziu também outro clássico chinês, o “Tao Te Ching”.

No Brasil, a melhor tradução do I Ching é a do monge budista Gustavo Alberto Corrêa Pinto, feita com Alayde Mutzenbercher, a partir da edição feita pelo sinólogo alemão Richard Wilhelm, publicada em 1923. Seguindo a tendência histórica do livro, a tradução para o português custou três anos de trabalho.

TEORIA DA SINCRONICIDADE

Foi baseando-se no I Ching que Jung elaborou sua “Teoria da Sincronicidade”, segundo a qual tudo o que acontece em um dado momento está legado à situação universal daquele instante.

O psicanalista suíço Carl Gustav Jung, que escreveu o prólogo da tradução inglesa da versão alemã de Richard Wilhelm, sugeriu que o efeito dos textos oraculares do “Livro das Mutações” é extrair do inconsciente para a superfície da consciência os elementos necessários à compreensão de determinado problema. E foi baseando-se no I Ching que Jung elaborou sua teoria da sincronicidade, segundo a qual tudo o que acontece em um dado momento está ligado à situação universal daquele instante.

A definição da tradição hermética, fonte primordial do ocultismo ocidental, ajuda a entender esta concepção de acaso significativo: “Toda a Causa tem seus Efeito, todo o Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei” (O Caibalion, Três Iniciados, Ed. Pensamento, São Paulo, 1985).

ORIGEM DO I CHING

A origem do I Ching é amplamente discutida, mas de qualquer forma, ela é cercada de mistérios e misticismo. Ele surgiu antes da dinastia Chou (1150-249 a.C.) e era um conjunto de oito Kua, figuras formadas por três e seis linhas sobrepostas. Na tradição chinesa, o I Ching foi usado para adivinhação na dinastia Shang.

Dizem que este oráculo sagrado foi escrito na China há cerca de 3.000 anos por Fu Hsi, o criador mítico chinês, conhecido como o pai da civilização, e até a dinastia Chou eles formavam o “I”. Conta a lenda que um dia, quando em suas meditações diárias, ele avistou uma tartaruga emergindo da água de um rio. Analisando o casco desta tartaruga, Fu Hsi concebeu que todo o universo estava representado em pequenas marcas, dispostas ordenadamente no casco. Estes oito símbolos, cada um com certas características, receberam no Ocidente o nome de Trigramas [James Legge, em sua tradução para o inglês (1882), chamou de Trigrama o conjunto de três linhas e Hexagrama o de seis, para distingui-los entre si. Os oito Trigramas têm nomes não encontrados em chinês, sua origem é pré-literária.]. Com a combinação destes oito Trigramas em todas as variações possíveis, tem-se 64 Hexagramas (composto por 6 linhas), ou seja, todo o I Ching.

O tempo obscureceu a compreensão das linhas, e no começo da dinastia Chou surgiram dois anexos: o Julgamento, atribuído pela tradição ao Rei Wên, e as Linhas Móveis, atribuídas a seu filho, o Duque de Chou, ambos fundadores desta dinastia. Essa era a forma do livro quando Confúcio o encontrou. Mais tarde, mesmo o significado destes textos começou a ficar obscuro, e no século VI a.C. foram acrescentadas as Dez Asas, que a tradição atribui a Confúcio, embora seja claro que a maioria delas não pode ser de sua autoria. O nome “I Ching” é dado ao conjunto dos textos posteriores. Dizem que Lao-Tsé também contribuiu com sua sabedoria ao I Ching.

Um fato célebre ocorreu ao “Livro das Mutações”: no ano de 213 a.C., Ch’in Shih Huang Ti, um tirano conhecido como “o Grande Unificador” (foi o construtor de parte da Grande Muralha e o unificador das províncias chinesas), ordenou a queima de todos os livros existentes, exceto os dos arquivos imperiais. Verdadeiro desastre para a maior parte da velha literatura chinesa: entre os livros clássicos que deveriam ser lançados às chamas, foi feita uma exceção àqueles que tratassem de “medicina, adivinhação e agricultura”. Como nessa época o I Ching era considerado livro de adivinhação, escapou a esta tragédia.

A doutrina do yin-yang foi sobreposta ao texto.

O QUADRADO MÁGICO DE LO SHU – Literalmente: Diagrama do Rio Lo.

Existe uma lenda que diz que este quadrado apareceu magicamente às margens do Rio Lo, afluente do Rio Amarelo, no centro da China, cinco mil anos atrás, inscrito no osso peitoral de uma tartaruga gigante que saiu do rio durante os trabalhos de irrigação, e lhe são atribuídas poderes mágicos.

As marcas no casco dela formavam um quadrado mágico perfeito, com nove ideogramas de números, que estavam organizados de tal maneira que, quando 3 números fossem somados, seja no sentido horizontal, vertical ou diagonal, o resultado era sempre 15, e foi interpretado como revelação da geometria secreta do universo, que está por trás de todas as coisas, origem do seu nome “quadrado mágico”. Em alguns lugares é chamado de “Chi das Nove Estrelas” porque reflete a posição de Vega, Polaris e as sete estrelas da Ursa Maior no céu.

Todos os sábios da época se interessaram por esse evento, resultando disso a criação do I Ching, do Feng Shui, e da Astrologia Chinesa. Esse “Quadro Mágico” também indicava 8 direções (sendo 1 o Norte e 9 o Sul), que representavam diferentes aspectos da vida da pessoa.

A INFLUÊNCIA DE CONFÚCIO

Confúcio (King Fu Tze) passou a se dedicar intensamente ao estudo do I Ching, escrevendo explicações relativas ao texto e transmitindo-as oralmente a seus discípulos. Por isso, considera-se como altamente provável, mas não absolutamente certo, que a parte denominada “Comentário” (Tuan Chuna) seja da autoria do famoso filósofo, assim como as explicações sobre as “Imagens”. Confúcio disse certa vez que poderia dar sábios conselhos apenas após ter estudado com profundidade o I Ching.

Lao Tse inspirou-se no I Ching para escrever os aforismos mais profundos do seu Tao Te King (traduzido no Ocidente como “Caminho Perfeito”), obra clássica do Taoísmo.

COMO CONSULTAR O ORÁCULO

Como todo oráculo, exige a aproximação correta: a meditação prévia, o ritual, e a formulação precisa da pergunta.

A consulta oracular é tradicionalmente feita com 50 varetas (originalmente de mil-folhas, uma planta sagrada), das quais uma é separada e as outras 49 manuseadas, seguindo seis vezes a mesma operação matemática, para a obtenção da resposta.

O I Ching, por ser um livro sagrado, e as varetas usadas na consulta, eram guardados em uma caixa de madeira virgem, embrulhados em seda também virgem.

No Japão, a consulta é feita com o uso de três moedas. Esta prática encurta a consulta, e aí reside seu defeito: nem sempre cria a disposição interior necessária à consulta.

Aqui, vamos ensinar o método das 3 moedas:

Você vai precisar de uma edição do livro do “I Ching“.

Usam-se 3 moedas, que serão lançadas juntas por 3 vezes. Consiste basicamente em jogar moedas e registrar o resultado (cara ou coroa) e daí consultar um padrão já definido de conselhos e/ou orientações no manual ou livro.

Você poderá procurar em casas de produtos esotéricos as “Moedas Chinesas do Feng Shui”, ou poderá usar pequenas moedas antigas (iguais, ou seja do mesmo tamanho e valor), de preferência moedas que não tenham mais valor comercial; costuma-se dar propriedade às moedas de cobre. Separe, limpe, purifique e consagre três moedas. Primeiramente, lave-as, e ponhas ao Sol (se puder depois as enterre na terra ou em um vaso com sal grosso, deixando-as por 3 dias, e por último torne a lavá-las).

As moedas chinesas têm um furo quadrado no centro, que representa a Terra (que os chineses antigos acreditavam ser quadrada); a forma circular da moeda representa o céu. Na moeda chinesa um lado é Yang (descrito por quatro caracteres), o outro o lado Yin (dois caracteres).

Se usar uma moeda comum, dê à sua face “cara” (Yang) o valor 3 e à face “coroa” (Yin) o valor 2.

1 – Pense no caso para o qual precisa de orientação.

2- Junte as mãos em concha e sacuda delicadamente as moedas na concavidade formada pelas palmas das mãos. Quando achar que sacudiu as moedas o suficiente para mistura-las, deixe-as cair suavemente sobre uma superfície plana (tradicionalmente usa-se um diagrama com os 8 Trigramas distribuídos ao redor da figura do símbolo do Tao).

3 – Quando elas pararem, examine quais caíram com a face “cara” e quais caíram com a face “coroa” (ou se caíram todas com a mesma gravura), contando o número total de pontos (“cara” = 3, “coroa” = 2). Há somente quatro possibilidades, pois não importa a ordem em que as moedas sejam examinadas. Por conseguinte, os números que podem ser obtidos pelas combinações cara-coroa do lançamento das três moedas, em cada uma das 6 jogadas, são: 6 (3 coroas – “Grande Yin”), 7 (2 coroas e 1 cara), 8 (2 caras e 1 coroa) e 9 (3 caras – “Grande Yang”). O primeiro lançamento formará a linha inferior do Hexagrama de seis linhas que você está construindo. O Hexagrama é produzido de baixo para cima, de forma que o resultado da primeira jogada determina a linha inferior ou primeira; o da segunda, a segunda linha, e assim por diante. Se o lançamento deu o número 6 (três coroas) ou 8 (duas caras e uma coroa), trace uma linha partida assim , e coloque o número obtido ao lado da linha. Se o lançamento deu o número 7 (duas coroas e uma cara) ou 9 (três caras), trace uma linha contínua, assim , e coloque o número obtido ao lado da linha.

4 – Para completar o Hexagrama, sacuda novamente as mãos e repita o lançamento das moedas, com os mesmos pensamentos em mente, e desenhe a linha apropriada (números pares = linhas interrompidas; linhas ímpares = linhas contínuas), estruturando o seu Hexagrama da linha de baixo (a primeira) para a de cima (a sexta).

A numeração ao lado indica apenas a seqüência das linhas, e não os números obtidos pelas jogadasdas moedas, que produzem as lin

Consulte a tabela abaixo. A coluna da esquerda traz 8 Trigramas, onde você irá procurar o “Trigrama inferior” do seu Hexagrama. Na coluna horizontal superior, você encontrará o seu “Trigrama superior”. Do cruzamento desses dois você terá o Hexagrama da questão consultada. Anote o número e nome dele e procure-o no manual ou livro.

NOTA: Ficou claro que as três moedas devem ser jogadas jutas seis vezes, sucessivas. O Hexagrama é formado de baixo para cima, ou seja, a primeira vez que você jogar as moedas estará formando a linha de baixo. E assim vai até a sexta linha – a última, ou linha de cima. Há somente sessenta e quatro (64) possibilidades de arranjo das linhas.

Preste atenção no pequeno número que aparece ao lado de cada linha. Se tiver algum 6 (3 coroas – “Grande Yin”) ou 9 (3 caras – “Grande Yang”), essas linhas estão com excesso do principio ativo ou passivo, e tendem a se transformar na sua oposta, ou complementar, de onde vem a fama do I Ching como “Livro das Mutações”. Estas Linhas têm significado próprio (há um comentário para as “Linhas Móveis” no texto que fala do primeiro Hexagrama obtido). Se não há nenhuma linha 6 ou 9 (linhas mutantes) no Hexagrama original, não haverá um segundo Hexagrama, geralmente dito “Hexagrama Futuro”.

O primeiro Hexagrama refere-se ao presente ou ao passado recente; já o segundo indica as mudanças necessárias para que o objetivo seja atingido. Se numa consulta o Hexagrama resultante não contêm nenhuma linha móvel, a situação que ele simboliza é constante e firme.

COMO INTERPRETAR

A linguagem do I Ching é, para a nós ocidentais do século XXI, um tanto quanto cifrada. Devemos sempre ter em mente que o I Ching é um intermediário entre o nosso “EU” interior, o nosso inconsciente, nosso Mestre Interior e o ambiente; dessa forma, nós o utilizamos para obter as respostas que temos dentro de nós.

A primeira linha representaria a sensação, chamada de “a causa externa”; a segunda o pensamento, a terceira o sentimento, a quarta o corpo, a quinta a alma e a sexta o espírito; que é o “resultado”. Esta sexta linha, como a primeira também não depende de sua consciência. A segunda linha é o “oficial”; a quinta “o príncipe”; a terceira é “a sua motivação” que o levará à quarta linha que é o “Karma”.

Cada Hexagrama tem uma ou mais linhas diretrizes, uma das quais normalmente ocupa o quinto lugar. As linhas 1 e 6 são extremidades da situação principal, e por isso, são as menos importantes. A linha 6 freqüentemente representa um sábio afastado da vida ativa.

EXPRESSÕES MAIS USADAS NOS TEXTOS

Há algumas expressões mais utilizadas pelo I Ching que para quem está começando a utilizá-lo podem parecer herméticas. Aqui seguem algumas dicas do que elas costumam significar:

  • A perseverança traz boa sorte: podemos dar prosseguimento aos nossos planos.
  • A perseverança traz desgraça: É melhor desistir dos nossos planos.
  • Arrependimento: consciência de nossos erros.
  • Boa fortuna – O céu está de acordo com a nossa vontade
  • Desgraça: acontecimentos ruins aos olhos dos outros e aos nossos próprios olhos.
  • É favorável atravessar a grande água: podemos empreender alguma coisa difícil ou viajar.
  • É favorável ver o grande homem – Seremos recompensados se buscarmos conselho e assistência de alguma pessoa de alto valor moral
  • É propício ter um objetivo em vista: desde que tenhamos um objetivo determinado, podemos seguir adiante.
  • É propício ver o grande homem: seremos recompensados se buscarmos conselho e assistência de alguma pessoa de alto valor moral.
  • Êxito Supremo: o Céu está de acordo com a nossa vontade.
  • Homem superior, nobre ou santo sábio: homem de grande valor moral, capaz de resistir firme e serenamente a forças que transformariam outros homens (os homens inferiores) em joguetes. Invulnerável à glória e à derrota, não gasta suas energias tentando o impossível. “Os tolos o consideram ainda mais tolo; os sábios, um sábio incomparável”. Invulnerável à glória e à derrota, não gasta suas energias tentando o impossível. Com freqüência designa o melhor de nós mesmos, nosso lado mais elevado, sábio, ético e nobre. Eventualmente pode designar pessoas em posição superior ou de poder.
  • Infortúnio – Acontecimento ruim aos olhos dos outros e aos nossos próprios olhos.
  • Nenhuma culpa – Se os resultados não são bons, devem-se a circunstâncias alheias à nossa vontade.
  • Sem erro ou culpa: se os resultados não são bons, devem-se à circunstâncias alheias à nossa vontade.

FILOSOFIA CHINESA

O I Ching é considerado um sistema operacional vazio, que independe do objeto e pode ser aplicado em diversas áreas, tornado-se a espinha dorsal de todas as ciências clássicas chinesas, como a Acunpuntura, o Feng Shui, etc. Para o pesquisador Ion Freitas Filho, seus símbolos são como uma álgebra, um código de barras. De fato, o próprio criador do cálculo binário, o filósofo e matemático alemão Leibniz (1646-1716) deve ao I Ching o “insight” para terminar seu estudo que possibilitou o surgimento da informática. “Ao contemplar a mudança de um símbolo em outro na seqüência circular dos 64 Hexagramas do I Ching, ele associou as linhas Yin e Yang a zero e 1, formulando o cálculo binário, que é a linguagem dos computadores modernos”, explica Ion . Portanto, não é nada exagerado dizer que o I Ching é o avô da informática.

As oito figuras que formam o I Ching estão na base da cultura que se desenvolveu na China durante milênios. Para os chineses a ordem do mundo depende de se dar o nome correto às coisas, portanto o significado de “I” sempre foi objeto de discussão.

A idéia básica do I Ching é o conceito de mutação, a eterna lei que rege todo o Universo. Entre os chineses, esta lei era chamada de Tao (que pode ser imperfeitamente traduzido com diversos significados: o Caminho, o curso dos acontecimentos) e se manifesta através do “Grande Princípio Primordial” (Tai Ch’i), cuja representação é um círculo dividido em escuridão e luz: Yin e Yang.

Para o pensamento chinês, não há o que mude, há apenas o mudar. A mutação seria o caráter mesmo do mundo. Mas a mutação é, em si mesma, invariável, ela sempre existe. Portanto, “I” significa mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do Universo, uma “simplicidade” que consiste nos princípios que estão por trás de todos os ciclos. Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio. Tudo está em movimento e mutação constante, pois só a mudança é permanente. Aquele que reconhece a mutação não mais se detém sobre as coisas particulares, mas dirige-se à eterna lei imutável presente em toda mutação. Esta lei é o Tao.

O Tao representa o aspecto funcional do Absoluto e não deve ser confundido com o T’ai Chi, embora em muitos aspectos se assemelhe a este. Para cada coisa ou cada indivíduo existe um sentido próprio, um caminho.

Não há um homem que possa banhar-se duas vezes no mesmo rio”, dizia o filósofo grego Heráclito, “porque nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem”. Este sentido de transitoriedade para nossa cultura é algo terrível, mas para o pensamento chinês tradicional é a própria essência da mudança e da mutação. As coisas são transitórias porque mudam constantemente, mas não mudam por mudar, mudam constantemente porque tem um sentido, um TAO. Compreender que as coisas acontecem e se desvanecem é, então, compreender o movimento para adiante. Tudo na natureza muda e nunca é estável, lembrando o símbolo que representa o Yin e Yang.

Tanto o Taoísmo como o Confucionismo, as duas linhas da filosofia chinesa, beberam da fonte do I Ching. A ênfase no aspecto oracular variou com o tempo. No século VI a.C. era visto mais como livro de filosofia, ao passo que na dinastia Han, quando a magia teve grande papel, era visto como oráculo. No ocidente, infelizmente, seu uso como livro de sabedoria tem papel irrelevante.

O I Ching tem o conceito de uma família, cada pessoa representada por um Trigrama. Assim, temos o Pai e a Mãe, e mais três filhas e três filhos. O Trigrama do Pai, por exemplo, compreende três linhas inteiras. Também chamado “O Criativo”, e associado com o pai, o líder, o homem. Seu nome chinês é Chien . Simboliza o céu, o firmamento e a perseverança. Todos os outros Trigramas têm características próprias.

A cada Trigrama corresponde um ponto cardeal e uma direção na bússola; também representam os Elementos e, como vimos, sintetizam um determinado membro da família.

NOTA AUXILIAR AO USO DO I CHING:

Para descobrir a dinâmica do Trigrama é melhor analisar suas linhas.

 

O 1o Trigrama (linhas 1-2-3) contém assuntos pessoais e humanos. O 2o segundo Trigrama (linhas 4-5-6) contém assuntos universais. As linhas 1 e 6 estão nas extremidades do Hexagrama e por isso são as menos importantes. Os Trigramas (e os Hexagramas) são sempre lidos de baixo para cima.

ESTUDO DOS TRIGRAMAS

Os 8 Trigramas e seus principais significados:

BIOGRAFIA

 

I Ching, tradução do chinês para o alemão por Richard Wilhelm, 1923. Edição brasileira, 1982, traduzida do alemão por Alayde Mutzenbecher e Gustavo Corrêa Pinto; traz o prefácio de C.G.Jung à tradução inglesa.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/como-entender-e-ler-o-i-ching/

A Psicologia das Religiões – Com Maycon Rodrigo Torres

Bate-Papo Mayhem 124 – Com Maycon Rodrigo Torres – A Psicologia das Religiões.

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/IT3yqtqj6lY

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-psicologia-das-religi%C3%B5es-com-maycon-rodrigo-torres

Pobres Cavaleiros de Cristo

No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos “infiéis” muçulmanos a glória dos atos de bravura e consagração, viajaram à Palestina. Eram os Soldados do Cristianismo, disputando a golpes de espada as relíquias sagradas que os fanáticos retinham e profanavam. Balduíno II reinava em Jerusalém, os acolheu, e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde as ruínas compostas de blocos de mármore e de granito, indicavam as ruínas de um Grande Templo.

Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo em que o gênio artístico dos fenícios se revelava. Destruído pelos caldeus, reconstruído por Zorobabel e ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo. Arrasado novamente pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Foi neste Templo que se originou a tragédia de Hiran?, cuja lenda a Maçonaria incorporou. Exteriormente, antes da destruição pelos romanos no ano 70 de nossa era, o Templo era circundado por dois extensos corredores excêntricos, ocupando um gigantesco quadrilátero em direção ao Nascente, a esquerda ficava o átrio dos Gentios e à direita o dos Israelitas, além das estâncias reservadas às mulheres, e aos magos sacerdotes, a que se seguia o Santuário propriamente dito, tendo ao centro o Altar dos Holocaustos.

Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela inspiração divina e sensação do mistério que pairava sobre estas ruínas, passaram a explora-las, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Cabala. Entraram numa extensa galeria que os conduziu até junto de uma porta chapeada de ouro por detrás da qual poderia estar o que durante dois milênios se constituíra no maior Segredo da Humanidade. Uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS.

Os “infiéis do Crescente” eram seres vivos e contra eles, Os Templários, com a cruz e a espada realizavam prodígios de valentia. Ali dentro, porém, não era a vida que palpitava, e sim os aspectos da Morte, talvez deuses sanguinários ou potestades desconhecidos contra as quais a força humana era impotente, isto os fez estremecer. Hugo de Paynes, afoito, bateu com o punho da espada na porta e bradou em alta voz: – EM NOME DE CRISTO, ABRI!! E o eco das suas palavras se fez ouvir: EM NOME DE CRISTO…enquanto a enorme porta começou abrir, ninguém a estava abrindo, era como se um ser invisível a estivesse movendo e se escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de estranhas figuras, umas delicadas e outras, aos seus olhos monstruosas, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD.

Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão. A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica e Teogâmica a KABBALAH.

Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ele é o emblema da Força Criadora e da Matéria Cósmica. É a Tríade que representa a Alma Solar, a Alma do Mundo e a Vida. é a Unidade Perfeita. Um raio de Luz intensa ilumina então àqueles espíritos obscecados pela idéia da luta, devotados à supressão da vida de seres humanos que não comungassem com os mesmos princípios religiosos que os levou à Terra Santa. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Jetzira propõe ao entendimento humano. Simbolizando o Absoluto, o Triângulo representa o Infinito, Corpo, Alma, e Espírito. Fogo Luz e Vida. Uma nova concepção que pouco a pouco dilui e destrói a teoria exclusivista da discriminação das divindades se apossa daqueles espíritos até então mergulhados em ódios e rancores religiosos e os conclama à Tolerância, ao Amor e a Fratenidade entre todos os seres humanos.

A Teosofia da Kabbalah exposta sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dá aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE? Entre as figuras, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura monstruosa, e atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas. Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já a concepção dos Templários acerca da idéia de Deus não era muito católica.

A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência a inicial que no centro do Triângulo simbolizava a unidade perfeita: YOD. Cavaleiros francos, normandos, germânicos, portugueses e italianos acudiram a engrossar as fileiras da Ordem que dentro em pouco se convertia na mais poderosa Ordem do século XII. Mas a Ordem tornara-se tão opulenta de riquezas, tão influente nos domínios da cristandade que o Rei de França Felipe o Belo decretou ao Papa para expedir uma Bula confiscando todas suas riquezas e enviar seus Cavaleiros para as “Santas” fogueiras da Inquisição. Felipe estava atento. E não o preocupava as interpretações heréticas, o gnosticismo. Não foram portanto, a mistagogia que geraram a cólera do Rei de França e deram causa ao monstruoso processo contra os Templários.

Foi a rapacidade de um monarca falido para quem a religião era um meio e a riqueza um fim. Malograda a posse da Palestina pelos Cruzados, pelo retraimento da Europa Cristã e pela supremacia dos turcos muçulmanos, os Templários regressam ao Ocidente aureolados pela glória obtidas nas batalhas de Ascalão, Tiberíade e Mansorah. Essas batalhas, se não consolidaram o domínio dos Cristãos na Terra Santa, provocaram, contudo, a admiração das aguerridas hostes do Islam (muçulmanos), influindo sobre a moral dos Mouros que ocupavam parte da Espanha. Iniciam entre os Templários o culto de um gnosticismo eclético que admite e harmoniza os princípios de várias religiões, conciliando o politeísmo em sua essência com os mistérios mais profundos do cristianismo. São instituídas regras iniciáticas que se estendem por sete graus, que vieram a ser adotados pela Franco Maçonaria Universal (três elementares, três filosóficos e um cabalístico), denominados “Adepto”, “Companheiro”, “Mestre Perfeito”, “Cavaleiro da Cruz”, “Intendente da Caverna Sagrada”, “Cavaleiro do Oriente”e “Grande Pontífice da Montanha Sagrada”.

A Caverna Sagrada era o lugar Santo onde se reuniam os cavaleiros iniciados. Tinha a forma de um quadrilátero (quadrado) perfeito. O ORIENTE representava a Primavera, o Ar, Infância e a Madrugada.O MEIO DIA (Sul), o Estio, o Fogo e a Idade adulta. O OCIDENTE, o Outono, a Água, o Anoitecer. O NORTE, a Terra, o Inverno, a Noite. Eram as quatro fases da existência. O Fogo no MEIO DIA simbolizava a verdadeira iniciação, a regeneração, a renovação, a chama que consumia todas as misérias humanas e das cinzas, purificadas, retirava uma nova matéria isenta de impurezas e imperfeições. No ORIENTE, o Ar da Madrugada vivificando a nova matéria, dava-lhe o clima da Primavera em que a Natureza desabrochava em florações luxuriantes, magníficas acariciando a Infância. Vinha depois o OUTONO, o Anoitecer, o amortecer da vida, a que a Água no OCIDENTE alimentava os últimos vestígios desta existência. O NORTE, marca o ocaso da Vida. A Terra varrida pelas tempestades e cobertas pela neve que desolam e que matam, é o Inverno que imobiliza, que entorpece e que conduz à Noite caliginosa e fria a que não resiste a debilidade física, a que sucumbe a fragilidade humana.

E é no contraste entre o Norte e o Meio Dia que os Templários baseiam o seu esoterismo, alertando os iniciados da existência de uma segunda vida. Nada se perde: Tudo se Transforma. …Vai ser iniciado um “Cavaleiro da Cruz”. O Grande Pontífice da Montanha Sagrada empunha a Espada da Sabedoria, e toma lugar no Oriente. Ao centro do Templo, um pedestal que se eleva por três degraus, está a grande estátua de Baphomet, símbolo da reunião de todas as forças e de todos os princípios (Masculino e Feminino, A Luz e as Trevas, etc…) como no Livro da Criação, a Sepher-Jetzira Livro mor da Cabala. No peito amplo da estranha e colossal figura, a Cruz, sangrando,imprime à Rosa Branca um róseo alaranjado que pouco a poco toma a cor de sangue. É a vida que brota da união dos princípios opostos.

Por cima da Cruz, a letra “G”. O iniciado, Mestre Perfeito, já conhece muito bem o significado dessa letra que na mudez relativa desafia a que a interpretação na sua nova posição, junto ao Tríplice Falus, na sua junção com a Rosa-Cruz mística. “A Catequese Cristã é apenas, como o leite materno, uma primeira alimentação da Alma; o sólido banquete é a Contemplação dos Iniciados, carne e sangue do Verbo, a compreensão do Poder e da Quintessência divina.” “O Gnóstico é a Verdadeira Iniciação; e a Gnose é a firme compreensão da Verdade Universal que, por meio de razões invariáveis nos leva ao conecimento da Causa…” “Não é a Fé, mas sim a Fé unida as Ciências, a que sabe discernir a verdadeira da falsa doutrina. Fiéis são os que apenas literalmente crêem nas escrituras. Gnósticos, são os que, profundando-les o sentido interior, conhecem a verdade inteira.” “Só o Gnóstico é por essência, piedoso.” “O homem não adquire a verdadeira sabedoria senão quando escuta os conselhos duma voz profética que lhe revela a maneira porqur foi, é, e será tudo quanto existe.” O Gnosticismo dos Templários é uma nova mística que ilumina os Evangelhos e os interpreta à Luz da Razão Humana.

* * * …O Mestre Perfeito entra de olhos vendados, até chegar ao pedestal de Baphomet. Ajoelha e faz sua prece: “Grande Arquiteto do Universo Infinito, que lês em nossos corações, que conheces os nossos pensamentos mais íntimos, que nos dá o livre arbítrio para que escolhamos entre a estrada da Luz e das Trevas.” “Recebe a minha prece e ilumina a minha alma para que não caia no erro, para que não desagrade à vossa soberana vontade” “Guiai-me pelo caminho da Virtude e fazei de mim um ser útil à Humanidade”. Acabada a prece, o candidato levanta-se e aguarda as provas rituais que hão de conduzí-lo a meta da Verdade. …O GRANDE PONTÍFICE TEMPLÁRIO interroga o candidato a “Cavaleiro da Cruz”em tom afetivo e paternal: “Meu Irmão, a nossa Ordem nasceu e cresceu para corrigir toda espécie de imperfeição humana”. “A nossa consciência é que é o juiz das nossas ações. A ignorância é o verdadeiro pecado. O inferno é uma hipótese, o céu uma esperança”. “Chegou o momento de trocarmos as arma homicidas pelos instrumentos da Paz entre os Homens.

A missão do Cavaleiro da Cruz é amar ao próximo como a si mesmo. As guerras de religião são monstruosidades causadas pela ignorância, geradas pelo fanatismo. As energias ativas devemos orientá-las no sentido do Amor e da Beleza; mas não se edifica uma obra de linhas esbeltas sem um sentimento estético apolíneo que só se adquire pelo estudo que conduz ao aperfeiçoamento moral e espiritual”. “O homem precisa Crer em algo. Os primitivos cultuavam os Manes. Os Manes eram as almas humanas desprendidas pela morte da matéria e que continuavam em uma nova vida”. “Onde iriam os primitivos beber a idéia da alma? Repondei-me, se sois um Mestre Perfeito Templário”. “- Nos fenômenos psíquicos que propiciam aparições, nas ilações tiradas dos sonhos, e na percepção”. “-Acreditais que os mortos se podem manifestar aos vivos?” “- Sim. Acredito que a Alma liberta do invólucro físico sobe a um plano superior, se sublima, e volve ao mundo para rever os que lhe são simpáticos, segundo a lei das afinidades”. “- Acreditais na ressurreição física de Cristo?” “- Não.” “- Acreditais na Metempsicose (Lei de Transmigração das Almas)?” “- Sim. A semelhança das ações, dos sentimentos, dos gestos e das atitudes que podemos observar em determinados seres não resultam apenas da educação mas da transmigração das almas. Essa transmigração não se opera em razão hereditária”. “- Acreditai que a morte legal absolve o assassino? Que o Soldado não é responsável pelo sangue que derrama”? “- Não acredito”. ” – Atentai agora nas palavras do Cavaleiro do Ocidente que vos dirá os sentidos que imprimimos no ao Grau de Cavaleiro da Cruz”. “A Ordem do Templo criou uma doutrina e adquiriu uma noção da moral humana que nem sempre se harmoniza com as concepções teológicas cristãs apresentadas como verdades indiscutíveis.

Por isso nos encontramos aqui, em caráter secreto, para nos concentrarmos nos estudos transcendentes por meio do qual chegaremos à Verdadeira Harmonia.” “As boas obras dependem das boas inclinações da vontade que nos pode conduzir à realização das boas ações. A intuição é que leva os homens a empreender as boas ações. Quando o Grande Pontífice vos falou do culto dos primitivos, ele definiu a existência de uma intuição comum a todos os seres humanos.” “Assim como por detrás das crenças dos Atlantes havia a intuição que indicava a existência de um Ser Supremo, o Grande Arquiteto responsável pela construção do Universo, também existia nesses povos um sentimento inato do Bem e do Belo, e um instinto de justiça que era a base de sua Moral.” “A Ciência nos deu meios de podermos aperfeiçoar a Moral dos antigos, mas a inteligência nos diz que além da Ciência existe a Harmonia Divina”. “Das ações humanas, segundo Platão, deverá o homem passar à Sabedoria para lhe contemplar a Beleza; e, lançado nesse oceano,procriará com uma inesgotável fecundidade as melhores idéias filosóficas, até que forte e firme seu espírito, por esta sublime contemplação, não percebe mais do que uma ciência: a do Belo”. Estavam findas as provas de iniciação.

O iniciado dirigia-se então para o Altar dos Holocaustos, onde o Sacrificador lhe imprime a Fogo, sobre o coração, o emblema dos Cavaleiro do Templo. …Foi nessa intervenção indébita de Roma que influiu poderosamente para que a “Divina Comédia” de Dante Alighieri fosse o que realmente é – uma alegoria metafísico-esotérica onde se retratam as provas iniciáticas dos Templários em relação à imortalidade. Na DIVINA COMÉDIA cada Céu representa um Grau de iniciação Templário. Em contraste com o Inferno, que significa o mundo profano, o verdadeiro Purgatório onde devem lapidar-se as imperfeições humanas, vem o Último Céu a que só ascendem os espíritos não maculados pela maldade, isentos de paixões mesquinhas, dedicados à obra do Amor, da Beleza e da Bondade. É lá o zênite da Inteligência e do Amor. A doutrína Iniciática da Ordem do Templo compreende a síntese de todas as tradições iniciáticas, gnósticas, pitagóricas, árabes, hindus, cabires, onde perpassam, numa visão Cosmorâmica todos os símbolos dos Grandes e Pequenos mistérios e das Ciências Herméticas: A Cruz e a Rosa, o Ovo e a Águia, as Artes e as Ciências, sobretudo a Cruz, que para os Templários, assim como para os Maçons seus verdadeiros sucessores, era o símbolo da redenção humana. Dante Alighieri e sua Grande Obra: A Divina Comédia, foi o cronista literário da Ordem dos Cavaleiros do Templo. Os Templários receberam da Ordem do Santo Graal o esquema iniciático e a base esotérica que serviu de base para seu sistema gnóstico.

Pois o que era a Cavalaria Oculta de Santo Graal senão um sistema legitimamente Maçônico ainda mal definido, mas já adaptado aos princípios da Universalização da Fraternidade Humana? O Santo Graal significava a taça de que serviu Jesus Cristo na ceia com os discípulos, e na qual José de Arimathéa teria aparado o sangue que jorrava da ferida de Cristo produzida pela lança do centurião romano. Era a Taça Sagrada que figurava em todas as cerimônias iniciáticas das antigas Ordens de Cavaleiros que possuiam graus e símbolos misteriosos, e que a Maçonaria moderna incorporou em seus ritos, por ser fatal aos perjuros.

Os Templários adotavam-na na iniciação dos Adeptos e dos Cavaleiros do Oriente, mas ela já aparece nas lendas do Rei Arthur, nos romances dos Cavaleiros da Távola Redonda, que eram de origem céltica, e que a própria Igreja Católica a introduziu no ritual do cálice que serve no sacrifício da missa. No Grau de Cavaleiro do Oriente,os Templários figuram um herói: Titurel, Cavaleiro da Távola Redonda, que desejando construir um Templo onde depositar o Cálice Sagrado, engcarregara da construção o profeta Merlin, que idealizou um labirintocomposto de doze salas ligadas por um sistema de corredores que se cruzavam e recruzavam, como no labirinto de Creta onde o Rei Minos escondia o Minotauro(Mit.Grega).

O Postulante Templário tinha de entrar em todas as salas, uma só vez, para receber a palavra de passe, e só no fim dessa viagem podia ascender ao grau que buscava. Mas se em Creta, Theseu tivera o fio de ouro de Ariadne, para chegar ao Minotauro, no Templo dos Cavaleiros do Oriente, o candidato apenas podia se orientar por uma chave criptográfica composta de oitenta e uma combinações (9×9) o que demandava muito esforço de raciocínio e profundos conhecimentos em matemática. A Ciência dos Números tinha para os Templários um significado profundo.

Os Grandes Iniciados, comos os Filósofos do Oriente, descobriram os mais íntimos segredos da natureza por meio dos números, que consideravam agradáveis aos Deuses. Mas tinha grande aversão aos números pares. O Grande Alquimista Paracelso dizia que os números continham a razão de todas as coisas. Eles estavam na voz, na Alma, na razão, nas proporções e nas coisas divinas. A Ordem dos Cavaleiros do Templo, cultuava a Ciência dos Números no Grau de Cavaleiro do Oriente, ensinando que a Filosofia Hermética contava com TRÊS mundos: o elementar, o celeste e o intelectual. Que no Universo havia o espaço, a matéria e o movimento. Que a medida do tempo era o passado, o presente e o futuro; e que a natureza dispunha de três reinos: animal, vegetal e mineral; que o homem dispunha de três poderes harmônicos: o gênio, a memória e a vontade. Que o Universo operava sobre a eternidade e a imensidade movida pela onipotência. A sua concepção em relação à Deus, o Grande Arquiteto do Universo, era Sabedoria, Força e Beleza.

A Maçonaria criou uma expressão própria para os Altos Graus: Sabedoria, Estabilidade e Poder. Tudo isto provinha do Santo Graal, a que os Templários juntavam que, em política, a grandeza e a duração e a prosperidade das nações se baseavam em três pontos primordiais: Justiça dos Governos, Sabedoria das Leis e Pureza dos Costumes. Era nisso que consistia a arte de governar os povos. As oitenta e uma combinações que levavam o candidato ao Templo de Cavaleiro do Oriente tinha por base o sagrado numero Três, sagrado em todas as corporações de caráter iniciático.

O Triângulo encontrado no Templo de Salomão era uma figura geométrica constituída pela junção de Três linhas e a letra YOD no centro significava a sua origem divina. Todas as grandes religiões também têm como número sagrado o Três. A Católica, exprimindo-o nas pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) nos dias que Cristo passou no sepulcro, nos Reis Magos, e nas vezes que São Pedro negou o mestre. Nos Grandes Mistérios Egípcios, temos a Grande Trindade formada por Ísis, Osíris e Hórus. Entre os Hindus temos a Trimurti, constituída de Brahama, Shiva e Vishnu personificando a Criação, a Conservação e a Destruição. Em todas elas, como no racionalismo, nós encontramos como elementos vitais a Terra, a Água e o Sol.

Foi, portanto, baseada nas grandes Religiões e no Gnosticismo dos Templários, que por sua vez se inspirou no da Cavalaria Oculta do Santo Graal, que a Maçonaria adotou como símbolo numerológico de vários graus o número três, que se vai se multiplicando na vida maçônica dos iniciados até a conquista da Sabedoria, da Força e da Beleza. …Os Graus na Ordem do Templo eram Sete, como o é na Maçonaria Moderna Universal. Este número era também, junto com o Três, estremamente sagrado para os antigos. Era considerado o Número dos Números. Ele representava os Sete Gênios que assistiam o Grande Mitra, Deus dos Persas, e figurava igualmente os Sete pilotos de Osíris. Os Egípcios o consideravam o símbolo da Vida. Haviam Sete Planetas e são Sete as fases da Lua. Sete foram os casais encerrados na arca de Noé, que parou sete meses depois do dilúvio, e a pomba enviada por Noé só recolheu depois de sete dias de ausência. Foram sete as pragas que assolaram o Egito e o povo hebraico chorou sete sias a morte de Jacob, a quem Esaú saudara por sete vezes. A Igrja Católica reconhece Sete pecados capitais e instituiu os sete sacramentos. Para os muçulmanos existem sete céus. Deus descansou ao sétimo dia da criação. Sete eram as Ciências que os Templários transmitiam nos sete graus iniciáticos: A Gramática, a Retórica, a Lógica, a Aritmética, a Geometria , a Música e a Astronomia. Sete eram também os Sabios da Grécia. Apollo nasceu no dia sete do mes sete e sete era seu número sagrado. … Harmonizando todas as Doutrinas, os Templários fugiam ao sentido fúnebre e superficial do catolicismo para se refugiarem em outros mistérios que entoavam Hinos à Vida.

O argumento para a iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada foram buscá-lo à velha Frígia , Grécia, aos Mistérios dos Sabázios. Para os Gregos, Demeter (ou Ceres para os romanos) deu à luz a Perséfone, a quem Zeus (ou Júpiter) viola, e para isso se transforma em serpente. O Deus, atravessando o seio é a fórmula usada nos mistérios dos Sabázios: assim se chama a serpente que escorrega entre os vestígios dos iniciádos como para lembrar a impudicícia de Zeus. Perséfone dá a Luz a um filho com face de touro. O culto dos Sabázios que servia de tema às iniciações Templárias de Quinto Grau, impressionara o gênio grego mas era um intruso em sua religião, e contra ele se levantaram Aristóphanes e Plutarco. Era um Culto Orgíaco, mas não era disso que se queixavam os gregos, que também tinham o culto de Cybele e arvoravam em divindades as suas formosas hetairas (prostitutas sagradas do Templo) como o demonstra no túmulo da hetaira Tryphera: “Aqui jaz o corpo delicado de Tryphera, pequena borboleta, flor das voluptuosas hetairas, que brilhava no santuário de Cybele, e nas suas festas ruidosas, suas falas e gestos eram cheios de encantos” A iniciação dos Intendentes da Caverna Sagrada realizava-se no mês de Maio, o mês das flores, com o Templo dedicado à natureza, porque o Quinto Grau de Iniciação Templária era um hino à renovação periódica da vida, dentro do Princípio Alquímico que admitia a Transmutação das substâncias e a renovação das células por um sistema circular periódico, vivificante, em que tudo volta ao ponto de partida, OUROBOROS.

O Grande Pontífice da Montanha Sagrada encarnava o papel do Sabázio, o Deus Frígio que figurava as forças da natureza e as movia no sentido da renovação e da regeneração humana. A seus pés, de aspecto ameaçador estava a Serpente Sagrada, símbolo da regeneração e renovação pela mudança periódica de pele. À esquerda, coroada de flores e folhas verdes, cabelos soltos saindo de um emblema de estrelas, tendo ao peito nu, uma trança de papoulas, símbolo da fecundidade, nas orelhas brincos de três rubis e no braço esquerdo arqueado, o crivo místico das festividades de Elêusis, que três serpentes aladas acariciavam, a Grande Estátua de Deméter, personificação da Terra, e das forças produtoras da natureza. À direita, envergando uma cumprida túnica, severa e majestosa, Hera(ou Juno) a imponente Deusa do Olimpo, Esposa de Zeus, estende aos postulantes a taça do vinho celeste que contém em si o espírito da força indomável do sado com a reflexão e com a temperança. As provas, neste Grau, dirigiam-se no sentido da imortalidade da alma, e também no rejuvenescimento físico. Deméter estendia a sua graça sobre o gênero humano para que os iniciados compreendessem que as forças da natureza reuniam a própria essência da Divindade.

Eram elas que impulsionavam a vida, que renovavam as substâncias nos ciclos mais críticos e que podiam levar o homem à Imortalidade. Hera velava do Olimpo e Sabázio conduzia o fogo sagrado. Apenas os profundamente convictos, isentos de dúvidas e fortes em sua crença de que acima da natureza só existia a própria natureza evoluída é que recebiam a consagração da investidura do Grau. “A natureza mortal procura o quanto pode para se tornar imortal. Não há, porém, outro processo senão o do renascimento que substitui um novo indivíduo a um indivíduo acabado.” “Com efeito, apesar de dizer do homem que vive do nascimento até a morte, e que é o mesmo durante a vida , a verdade é que não o é, nem se conserva no mesmo estado, nem o compõe a mesma matéria.” “Morre e nasce sem cessar, nos cabelos, na carne, nos ossos, no sangue, numa palavra: em todo seu corpo e ainda em sua alma.” “Hábitos, opiniões, costumes, desejos, prazeres, jamais se conservam os mesmos. Nascem e morrem continuamente.” “Assim se conservam os seres mortais. Não são constantemente os mesmos, comos os seres divinos e imortais. E aquele que acaba, deixa em seu lugar um outro semelhante.” “Todos os mortais participam da imortalidade, no corpo e em tudo o mais.

Por Paulo Benelli

#Maçonaria #Templários

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A psicologia das Religiões

Bate-Papo Mayhem 124 – gravado dia 22/12/2020 (terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Maycon Rodrigo Torres – A psicologia das Religiões

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Enciclopedia de Mitologia na Daemon

Consegui uma pausa de dez minutos aqui para agradecer a todos os pedidos da Enciclopédia que chegaram até a editora. Estou autografando desde ontem e, pelo visto, ainda ficarei mais um ou dois dias até terminar todo o processo.

Foram pedidos de todo o Brasil, além de Portugal, Alemanha, Inglaterra e vários outros países onde temos leitores. Não poderia ter recebido um presente de aniversário melhor.

A Enciclopédia de Mitologia é um trabalho que tenho desenvolvido desde 1998, reunindo e compilando histórias, personagens, deuses, objetos, locais e demônios de diversas mitologias ao redor do planeta. A partir do estudo comparado destas mitologias, cheguei em um banco de dados muito interessante sobre as principais mitologias e religiões do planeta, cujos símbolos me inspiraram para o estudo da Árvore da Vida como a apresento na palestra “A Kabbalah e os deuses de todas as Mitologias“.

Traz elementos da mitologia grega, romana, egípcia, indiana, árabe, chinesa, japonesa, celta, nórdica, européia, polinésia, sul americana, norte-americana, azteca, maia, inca, goécia e bíblica.

Seu lançamento foi feito na Bienal do Livro de 2008, no Stand da Daemon Editora. A Enciclopédia possui 640 páginas, trata de 7.159 verbetes e 994 ilustrações. Esta nova impressão apenas corrigiu pequenos erros de digitação/texto, portanto, se você já possui a Enciclopédia, não vai precisar da nova edição (mas pode comprá-la para dar de presente para alguém que você goste!).

Você pode baixar uma preview das 10 primeiras páginas AQUI.

Para os leitores do Blog, a Enciclopédia de Mitologia estará em preço promocional e autografada na Loja de RPG. Coloque o nome da pessoa para qual o livro será dedicado no campo “observação” da compra.

#Arte #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/enciclopedia-de-mitologia-na-daemon

A Corrupção Moderna da Magia

Eu me identifiquei muito com o autor do texto. Ao longo destes 30 anos estudando ocultismo, presenciei praticamente os mesmos problemas que o “Prophecy” (autor do texto original). Atualmente, graças à internet, tenho visto tomos e mais tomos de magias disponíveis em pdf, e gente que se acha mago e thelemitas de facebook só porque leram meia dúzia de livros, mas que se você for ver, não sabem nem ao menos fazer os rituais mais básicos do Pentagrama ou um banimento simples.

Magia é como kung fu ou natação: você pode ler todos os livros do mundo a respeito, mas não vai saber fazer a não ser que tenha a parte prática.

Esta será uma lição longa, portanto, ao trabalho. Não pule partes por causa de seu tamanho. Leia cada palavra, e tome notas diligentemente.

A predominante abordagem à magia, nos dias atuais, deve ser abolida. O processo iniciatório dos maçons do passado e a ideia do avanço espiritual através apenas do conhecimento devem ser deixados como relíquias do passado. Como a Jnana Yoga atesta, e como Francis Bacon declara, existe, certamente, poder no conhecimento. Porém, o melhor poder é aquele adquirido da prática e, consequentemente, da experiência. Um pouco de prática vale muitos livros. Esta deve ser a ideia predominante dos anos vindouros, se a humanidade quiser reviver a irmandade de magos no mundo e redistribuir a carga de trabalho espiritual que, no momento, cai quase inteiramente nos ombros de iogues.

A incompreensão da magia legítima criou uma ameaçadora carência de adeptos ocidentais iluminados. Esses adeptos mestres, reais Deuses-Homens do passado, estão raramente reencarnando. Parece, portanto, que, no geral, existem poucos grandes magos disponíveis. O número deles se tornou escasso; seu nível, baixo. Nos meus tempos de garoto, antes de minhas memórias retornarem, eu procurei aqui e ali alguma faísca de sabedoria, estudei muitos sistemas de magia e de xamanismo, e, no fim, me senti como Abraão, o Judeu, depois de seus anos de procura pela Ciência Divina, antes de ser abençoado por seu guru, Abramelin. Em lugar algum, eu pude encontrar alguém que merecesse o título de professor da ciência divina. Fraudes e charlatãos eram numerosos, e pessoas pensavam que eles eram magos só porque nunca conheceram um mago verdadeiro. Hoje, essas mesmas pragas ainda infectam bastante as buscas de jovens aspirantes ao redor do mundo.

Existe um número de razões para a escassez atual de sábios na tradição oculta ocidental. Eu me esforçarei aqui para compartilhar com vocês algumas das razões que as minhas experiências com aspirantes esperançosos, os ensinamentos de várias ordens e paradigmas, e meu tempo com as “vítimas” de vários movimentos new age, me levaram a classificar como causas para o problema. Eu baseei essas conclusões nas súplicas de aspirantes esperançosos buscando iniciação, e nos meus encontros pessoais com alguns dos ditos adeptos de vários grupos e ordens. Ao fazê-lo, eu compreendo totalmente que falar com alguns estudantes e alguns membros superiores nunca pode dar uma representação compreensiva. Porém, eu também compreendo que, não importa quão ideais as condições internas de uma ordem possam ou não ser, ela não deveria levar seus estudantes externos à procrastinação ou a um treinamento inadequado.

Eu identifiquei dez problemas principais na magia de hoje. O primeiro é que o treinamento proposto por certas ordens nos últimos 200 anos ou mais era incompleto, e por eles terem ditado a regra para as ordens de hoje, os problemas continuaram. O segundo é que os materiais originais e manuscritos para certos sistemas são atribuídos com mais valor do que o que eles realmente possuem. O terceiro é que a mente ocidental transformou a magia em algo feito para se realizar os desejos materiais. A quarta razão para o problema presente é que, na medida em que nossa cultura propaga a concessão à preguiça, a abordagem ocidental à magia se torna mais e mais preguiçosa. A quinta razão é a tendência peculiar da mente ocidental de se tornar altamente investida em sua própria personalidade. A sexta razão é a destruição da sucessão de mestre e discípulo, a causa que é a raiz para muitos outros problemas. A sétima razão, que é um verdadeiro veneno para a evolução, é o movimento presente, na magia ocidental, de se tentar remover a ideia essencial de Deus e o valor da moralidade da magia. A oitava razão é a popularidade crescente de charlatãos, e seu poder sobre as massas ignorantes. A nona razão é a tendência de magos legitimamente treinados permanecerem silenciosos, aceitarem poucos estudantes e escreverem pouco ou nada. A décima e última razão que discutiremos é a atenção dada, no Ocidente, ao desenvolvimento dos poderes mágicos em vez do desenvolvimento de estados elevados de consciência. Essas dez razões primárias bastarão para nossa consideração, embora mais razões pudessem ser listadas.

A Primeira Razão

Treinamento Inadequado em Ordens Modernas

Entre aproximadamente 1850 e 1920, o mundo ocultista presenciou a formação de várias ordens que se ergueram no mundo como realizações gloriosas. De seus ensinamentos, vieram muitos dos livros influentes que agora são considerados clássicos do ocultismo, e os quais agora muitos estudantes otimistas estudam. Infelizmente, essas ordens não eram tão ideais quanto tentavam parecer. A maioria delas usava como fonte manuscritos desatualizados, sobre os quais falaremos mais daqui a um momento, e o resto usava métodos que se baseavam inteiramente sobre estimulação intelectual ou emocional, e muito pouco sobre a consciência da alma.

Essas ordens iludidas criaram muitos iniciados igualmente ou até mais iludidos. Um número considerável deles publicou livros, muitos dos quais agora são considerados clássicos do oculto no mundo da literatura ocidental ocultista. Em alguns casos, esses livros tinham riqueza de informação teórica, mas a maioria deles não tinha quase um momento de percepção prática. O aspirante esperançoso é levado a folhear um livro de centenas de páginas, para perceber que ele não absorveu nada dele além de filosofia. Até mesmo os livros chamados de “teoria e prática” deveriam ser renomeados para “teoria e possível aplicação ritual”.

Isso pode parecer uma afirmação iconoclástica. Ela é, e com razão, porque a iconologia da magia está falhando gravemente. Portanto, o que não produz resultados deve ser jogado de lado. “E agora também o machado é enterrado nas raízes das árvores: desse modo, qualquer árvore que não traga bons frutos é cortada, e jogada no fogo. (Mateus 3:10)”. A série de ações à qual a magia ocidental foi levada não trouxe muitos frutos. Essas ações produziram pseudoiniciados que conseguem executar truques de salão, que eles, erradamente, chamam de magia. Enquanto magos de cadeira estiveram gastando seu tempo, exercitando suas mentes com teorias e filosofias, o trabalho prático que realmente cria um mago esteve apodrecendo. Quem pode culpá-los, quando cada livro que lêem diz que precisam saber essa ou essa outra palavra hebraica ou magia simbólica para serem efetivos? Tudo isso compõe as armadilhas postas para o teste de iniciados, testes nos quais essas “autoridades” não passaram.

Um indivíduo pode memorizar sigilos do sol, kameas planetários, selos e talismãs salomônicos, e compreender intelectualmente os muitos processos que compõem a Maquinaria Universal. Ainda assim, ele não será um mago nos olhos de iniciados verdadeiros. Eu conheci pessoas que poderiam ser chamadas de enciclopédias de filosofia oculta, e, ainda assim, não possuem rotina diária de prática estabelecida, e nenhuma faculdade mágica de qualquer tipo. Eles estão presos à ilusão de Maya do mesmo modo que os homens comuns também o estão. A única diferença é que eles sabem que existe uma ilusão, enquanto a maioria nem se apercebe disso. Pessoas assim gostam de falar muito, porque, ao se ouvirem, tentam apoiar sua abordagem à magia, psicologicamente, para si mesmos. Tais pessoas sempre terão uma opinião, sempre parecerão ter respostas prontas, e esse tipo de “aspirante em potencial” torna-se particularmente perigoso aos buscadores genuínos da verdade. Você não pode construir uma base confiável somente nas palavras! Ao mago treinado, aos irmãos e irmãs de minha Ordem (N.T.: Fraternidade Rosa-Cruz), e os verdadeiros mestres reinantes deste mundo, essas pessoas estão mais enganadas do que o mais cru dos iniciantes neste caminho. O grupo deles é o pior, e, infelizmente, não é sempre a culpa deles. Para essas pessoas, eu farei muito esforço para desligar suas mentes e abrir seus corações para receber instrução prática. É por isso que eu aconselho a todos não se tornarem ligados demais a livros. Eu já li todos esses livros, e extraí seus pontos importantes em artigos no fórum do Veritas para o benefício de todos.

Isso não significa que a informação teórica é ruim. Um conhecimento sólido da filosofia oculta é necessário para que o mago compreenda tudo que faz. Ele deveria se orgulhar de conhecer todas as operações em funcionamento quando ele manipula um tipo de energia, e, quando uma operação mágica se manifesta, ele deveria ser capaz de explicar perfeitamente os mecanismos envolvidos. De fato, ele deve ser um cientista. Contudo, mais e mais pessoas se contentam apenas com o conhecimento da filosofia e o “como fazer”, sem nunca colocarem nada na prática, e, normalmente, sem terem ideia de como fazê-lo. Em muitas ocasiões, estudantes vieram a mim e disseram, “Eu li todos os livros que as pessoas me recomendaram, mas não tenho idéia alguma de como começar o caminho.” Isso acontece porque a estimulação intelectual somente não faz de alguém um mago, e, lá no fundo, o estudante inteligente sabe isso. A mente procura por fórmulas e símbolos; a alma busca por prática e experiência.

Que utilidade há em se conhecer como as estrelas afetam as nossas atividades, e não ser capaz de meditar por nem dez minutos? Que utilidade há em se conhecer todas as filosofias sobre quem Deus é, sem nunca experimentar Deus diretamente? Essas pessoas nunca se tornam nada na verdade, mas sim só aparentam ser magos. Você não pode alcançar o Reino através de inquisição intelectual somente. Você precisa viajar até lá.

O ponto ao qual eu quero chegar aqui é que o estudo intenso da Tábua de Bembine de Ísis, ou do selo da Rosa-Cruz, ou do dodecaedro mágico, etc, é incorreto. Eu não estou sugerindo que, por exemplo, a investigação das fórmulas do Etz Chaim e dos Nomes Divinos é inútil. Eu não estou dizendo que uma pessoa não deveria compreender os usos mágicos do pentagrama e do hexagrama. Do contrário, eu sou um forte defensor de tudo isso. Porém, tudo deve ser aprendido no tempo certo! Um aspirante não tem razão alguma para estudar os pentagramas, hexagramas, etc. Ele não deveria passar seus dias praticando magia ritual. Sim, com o passar do tempo isso gerará resultados no termo de crescimento de poder, mas afetará muito pouco a consciência e a realização geral do mago, depois, em sua carreira mágica. Por, pelo menos, os dois ou três anos iniciais, dependendo da aptidão do estudante, o foco deveria ser colocado no treinamento da mente, do corpo material, e do corpo astral para a verdadeira execução da magia. Uma vez que o estudante se preparou dessa maneira, e criou uma excelente base em sua consciência, então ele pode continuar, a fim de compreender e apreciar totalmente o poder de tal conhecimento e do simbolismo oculto.

A razão pela qual esses autores, embora não intencionalmente, cobriram o mundo ocultista ocidental em filosofia, é a de que eles nunca receberam o treinamento correto que deveria dá-los a base da experiência espiritual autêntica. Eles serviam como enciclopédias que regurgitavam o que eles foram ensinados. Juntos, eles criaram uma imagem contraprodutiva de que a prática diária não era necessária para se tornar um adepto. Eles se referiam a pessoas que nem tinham conquistado suas emoções primitivas e desejos como adeptos! Desse modo, eles baixaram muito o nível para as gerações seguintes, que seriam forçadas a olhar os ensinamentos dessas pessoass se quisessem saber alguma coisa sobre magia. Agora que o nível está tão baixo, as pessoas em geral são incapazes de alcançar grandeza espiritual. Portanto, esse nível deve ser elevado novamente, certo?

O que exatamente essas ordens estão fazendo de errado? Seus dois problemas principais foram que eles tentaram ensinar aos iniciados a correr antes de mostrá-los como engatinhar e andar, e eles não incluíram o desenvolvimento do caráter como parte de seu treinamento. O aspirante egoísta, glutão, e de pavio curto, entraria na ordem como neófito, e sairia como um “adepto” ainda contendo essas falhas de caráter. Eles são todos capazes de pequenos feitos de magia, e pelo fato de o nível ser baixo, pensam que são adeptos.

Muitas vezes o aspirante começaria a trabalhar com ritual e forças espirituais muito antes de ter aprendido a como sensibilizar seu corpo astral ou desenvolver suas faculdades mágicas. Através de repetição contínua, alguma proficiência poderia ser alcançada, talvez algumas pancadas fantasmais durante uma evocação ou coisa do tipo, mas o resto de seu ser nunca era desenvolvido. O caminho para a evocação deveria ser um caminho longo e frutífero, que preparasse o estudante de modo que, pela primeira vez que ele execute um ritual, ele receba a total experiência, por causa de seu treinamento e as faculdades que ele já desenvolveu. Pessoas que entram na sala ritual para evocar sem tal treinamento estão apenas enganando a si mesmas. Elas irão, é claro, ser as primeiras a te contar que são magas bem-sucedidas, e que elas conversam regularmente com esse ou aquele espírito. Eles dirão que “sentiram” isso ou aquilo, ou receberam essa ou aquela “impressão”, e desse modo “sabiam” que um espírito estava presente. Deixe essas pessoas continuarem desse modo em suas práticas. Na verdade, o que você pode experimentar em uma evocação real não são “sensações” ou “impressões”, mas fenômenos muito reais!

Quantos aspirantes perdidos pensam que executar o Ritual Menor do Pentagrama cem vezes por dia os levará às alturas espirituais? Até mesmo o mago aspirante que medita somente 10 minutos por dia para controle e foco mental fará um progresso em um ano que o outro estudante fará em cinqüenta!

A Segunda Razão

Manuscritos originais Sobrestimados

Um número das ordens populares que surgiram no século 19 estilizou uma parte de suas práticas e rituais, baseando-se em coisas que não continham, na verdade, o valor atribuído a elas. Desses manuscritos, talvez aquele que foi mais usado (e abusado) foi o Livro Egípcio dos Mortos. Embora seja uma bela série de rituais e de invocações, os fundadores de uma pretensa ordem oculta não deveriam precisar de se basear em antigos pergaminhos empoeirados e da interpretação de seus hieróglifos para serem capazes de ensinar magia! Se a fonte deles para muitas de suas práticas e filosofias vem de tais coisas, então isso só serve para demonstrar que eles não tinham experiência prática real através da qual organizavam seus ensinamentos, e não eram treinados por adeptos verdadeiros que podiam iniciá-los numa linha de sucessão de mestre e discípulo. Simplesmente o fato de se ler algo que está disponível num Museu de História Egípcia nunca poderia ser o suficiente para permitir que alguém iniciasse uma ordem ocultista.

O Livro Egípcio dos Mortos não foi a única coisa atacada pela ignorância dos autoproclamados adeptos, no entanto. Sua hostilidade os levou também ao coração de Jerusalém, onde eles se uniram, com suas facas, para despejar terror sobre a Cabala. Usando dois ou três textos hebraicos pobremente traduzidos, eles presumiram ter diante deles informação cabalística suficiente para uma compreensão do sistema inteiro. Assim sendo, eles roubaram uma pequena parte desse sistema glorioso de misticismo e a levaram de volta a suas ordens, onde eles tentaram ao máximo fazer com que um fragmento se parecesse com algo completo.

A Cabala ocidental moderna, frequentemente chamada de Cabala Rosacruz (erradamente), se tornou apenas uma fina camada de manteiga espalhada em muito pão. Interpretações e mais interpretações bombardearam o sistema, e o tornaram inteiramente sujeito aos caprichos filosóficos de intelectuais e estudantes de simbolismo. Agora, reconhecidamente, a beleza da Cabala é a de que ela é um sistema universal, cuja ideia pode ser aplicada fora do esquema judaico. Porém, tudo deve ter seus limites razoáveis, e esses limites foram ultrapassados há muito tempo atrás pela maioria dos autores desse assunto. Se você quiser relacionar a esse esquema os deuses de outras religiões, os nomes divinos judaicos, plantas, animais, ações, planetas etc, tudo bem com isso, mas essas relações deveriam fazer ao menos sentido!

A mais infeliz destruição da Cabala não ocorreu em relação ao simbolismo empregado ou a seu papel como um método de categorização conveniente. Embora essas duas coisas tenham saído do controle, elas não são a jóia da Cabala. A jóia, o verdadeiro tesouro, é sua real aplicação prática na ciência da magia. Essa jóia tem sido quase inteiramente esquecida por ordens modernas e autores, que proclamam que a aplicação prática da Cabala reside somente em se conhecer quais nomes divinos ou cartas de tarô correspondem a quais sephiroth e a quais caminhos. Esse é um dos usos da Cabala, mas não é a verdadeira essência da Cabala prática posta em execução. Em sua raiz, anterior a todas as culturas, num nível muito mais profundo do que qualquer associação religiosa, a Cabala é uma bela síntese de forma, de som e de virtude. Isso pode ser dito de outra maneira, ao se afirmar que a Cabala combina, numa maneira prática, os três pilares primários de quantidade, vibração e qualidade. Isso se torna aplicado tangivelmente como luz, som e vibração. Quando isso é compreendido pelo iniciado, então, muitas portas são abertas a ele, e o uso prático da Cabala é entendido. Então, em vez de passar horas num devaneio espiritual, tentando fazer “pathworking” de uma esfera para outra, o adepto consegue absorver praticamente as autoridades e poderes daquela esfera e conquistá-los diretamente, de uma maneira mágica. Não apenas tal abordagem é muito mais eficiente, mas, por causa do maior número de habilidades conseguidas, artigos de sabedoria que se tornam compreensíveis, e por causa de mais trabalho meticuloso em todos os três reinos, é, dessa maneira, uma experiência mais significativa. Passar tempo se contemplando os símbolos de uma esfera pode ser uma prática útil, mas torná-la o curso principal é um erro. A consciência se expande mais quando todo o ser se torna imergido nas energias através de suas utilizações, não apenas através de sua contemplação.

A Cabala e sua aplicação apropriada devem ser, necessariamente, reservadas para um trabalho posterior em minha vida, mas é importante para o estudante sincero da magia de hoje compreender que uma das pedras angulares da magia ocidental moderna foi enormemente corrompida, e que ela não é tudo que as pessoas tentam fazê-la parecer. É meu conselho ao aspirante, se ele deseja aprender a Cabala, que espere até que um professor apropriado seja conseguido. Deixo que o estudante avançado contemple, nesse meio tempo, o significado da sabedoria de Poimandres a Hermes Trismegisto, quando ele disse, “A vida é união da palavra e mente.” O estudante que consegue entender isso, mais especialmente em conexão à formula Abracadabra, começará a pegar a essência da Cabala prática.

Portanto, acontece que os fundadores das ordens mágicas eram, simplesmente, intelectuais. No início, eles só eram mais avançados que o homem comum, em vista de sua compreensão superior de linguística e sua vontade de visitar frequentemente os museus. Por causa de sua habilidade de apenas traduzir, não por sua proeza mágica, tais homens eram tratados como adeptos. Embora houvesse alguns raros, como MacGregor Mathers, que eventualmente se tornou um adepto por um curto tempo, em essência, a maioria deles era simplesmente de intelectuais. Intelectuais podem treinar intelectuais, mas eles não têm nem uma ideia de como criar magos.

A Terceira Razão

A Corrupção da Magia para a Realização de Desejos Pessoais

Quando se folheia livros sobre espiritualidade, e até livros que, supostamente, ensinam a evolução espiritual, descobre-se que a maioria dos ensinamentos espirituais se adequou à satisfação de paixões e desejos mundanos. Ironia peculiar, porque o indivíduo iluminado compreende que essas duas coisas (evolução espiritual e desejos materiais) não podem vir juntos, porque um é contraprodutivo à consumação do outro. Eu não consigo deixar de rir alto ao ler títulos tais como “Tornando-se um Mestre Ascencionado: Como Materializar Todos os Seus Desejos”. Seria igual a intitular um livro de “Tornando-se Elevado: Como ser Inferior.”

A poluição da tecnologia espiritual foi uma inevitabilidade quando alguns relances das leis espirituais foram obtidos pelas massas indisciplinadas. O homem normal, abatido pela tristeza, procura um caminho fácil de sair dela, e erradamente acredita que ele encontrou a alegria dentro dos salões da espiritualidade. Realmente, nada poderia ser mais distante da verdade. Essas pessoas, desejando modos de alcançarem facilmente todos os seus desejos mundanos e terem sucesso, glória, honra, riquezas etc, se trancam ao pequeno número de leis espirituais que foi publicado, nas esperanças de usá-las para seus próprios fins egoísticos. Eles lêem um livro que discute alguns dos pequenos mistérios, e então corrompem essas chaves para fins egoísticos. Se eles tiverem algum sucesso, eles ficam cheios de excitação e, ansiosamente, escrevem livros ou criam websites que pregam os bons ensinamentos do egoísmo. Desse modo, em apenas poucas décadas, a vasta maioria de livros “ocultistas” se tornou livros que prometem ao homem fraco e egoísta um caminho fácil, ao se usar leis ocultas básicas para abastecerem seu animalismo. As pérolas foram jogadas aos porcos, e, tão certo quanto o sol deva nascer e se pôr novamente, também os porcos pisaram sobre essas pérolas, aprofundando-as na lama.

Muito mais perigosos do que o homem de negócios ambicioso desejando modos de aumentar seu portfólio, ou do que aquelas pessoas em sofrimento que procuram por um modo fácil de sair dele, são aqueles que perseguem seriamente a magia prática e ainda assim a corrompem numa arte egoística. Eles proclamam, ignorantemente, “A Magia é uma ferramenta do homem, e deixemos o homem usá-la para conseguir tudo que ele deseja!”. Eles gritam orgulhosamente, “Faça como quiser, tudo é caos mesmo, e não existem repercussões negativas”. Tais pessoas cegaram a si mesmas a até a mais básica das operações, observada até na própria natureza. Elas são tão cegas, contudo, que nem percebem que suas “realizações” não são realmente mágicas. Elas são egoístas e egoísticas, e, realmente, executam apenas truques de salão. Elas ficam tão presas em suas ilusões de sucesso por terem sido capazes de ganhar um aumento de salário ou seduzir alguém que não percebem quão fracos e inferiores esses pequenos truques são. Quando essas pessoas, iludidas como são, passam para os mundos espirituais depois da morte física, eles percebem imediatamente o tempo que gastaram, e depois de servirem o seu tempo, voltam ao mundo para levarem uma vida mais frutífera. Por eles nunca terem buscado uma realização imortal, e não “construíram seu tesouro no céu”, eles não estão mais distantes no caminho supremo do que o homem mediano. Esse é um ponto importante, que todos aqui deveriam dedicar à memória: você NÃO CARREGA poderes mágicos com você para a sua próxima encarnação. Até que você alcance henosis, que é a deificação e a imortalidade do corpo astral, a única coisa que continuará a crescer e expandir, de uma vida a outra, é a sua consciência. Isso irá, naturalmente, carregar algumas siddhis, que são poderes inerentes, mas não os frutos de uma grande parte de seu treinamento mágico. O corpo astral cresce e evolui de uma vida a outra, como resultado de treinamento mágico, e discutiremos isso mais no futuro.

Por causa da obsessão com os pequenos mistérios, que podem ser aprendidos até antes de alguém ter alcançado um caráter iluminado, as pessoas se tornaram satisfeitas com o aperitivo e esqueceram até que a entrada principal exista. O resultado disso é que o termo “magia” tomou um significado ambíguo, que nunca pretendeu de ter: na mão esquerda, refere-se simplesmente à mudança de acordo com a vontade, e, na mão direita, significa a perseguição da evolução espiritual. Se o mundo fosse um lugar bom e o último significado de magia o mais bem conhecido, todos compreenderiam que a magia é uma maneira de se buscar Deus. Esse não é o caso, contudo, e o mundo é um lugar predominantemente egoístico. Assim, a mais comum compreensão do quê magia significa é fenomenalmente egoísta e corrompida. Através da graça de Deus, o século por vir verá uma evolução acontecer dentro do mundo da magia, no qual esse grande e glorioso caminho será exaltado à sua altura correta em seu mérito espiritual.

A Quarta Razão

Preguiça

Na medida em que a tecnologia avança e o mundo material se torna mais e mais uma parte do ser de alguém, as pessoas têm se tornado mais e mais preguiçosas. A preguiça, é claro, é um instinto diretamente conectado ao egoísmo, o qual vimos acima como um desejo dominante no modo com o qual as pessoas abordam a magia. Assim, a preguiça também é inerente na maioria das abordagens das pessoas à magia.

Hoje, as pessoas se acostumaram a ter tudo em suas mãos. O sucesso se tornou definido como se fazer o mínimo possível para alcançar alguma coisa. Pessoas ao redor do mundo, todos os dias, prefeririam passar dez minutos em busca de um controle remoto do que levantarem e ligarem ou desligarem a televisão em poucos segundos de esforço físico. Essas pessoas abordam a magia do mesmo modo. Querem saber onde o controle remoto para a evolução espiritual está, de modo que eles possam se ligar em Samadhi quando não estão muito ocupados para Deus, e então o desligam novamente quando eles têm coisas “melhores” para fazer. Do mesmo modo que se procura por um controle remoto, eles gastarão uma hora numa livraria procurando por um livro “torne-se um mago rapidamente”, quando o fato de se gastar até mesmo dez minutos daquela hora em meditação teria sido muito mais benéfico.

A profundidade do egoísmo da pessoa comum nunca cessa de me impressionar. Eu falo a eles sobre magia, e sobre se procurar Deus e evolução espiritual, e eles desistem porque soa como “muito trabalhoso”. As mesmas pessoas que não jogarão nem dez dólares para um dízimo também não darão a Deus nem dez minutos de seu dia. “Eu dou a Ele uma hora por semana todo domingo”, dizem para si mesmos. “Se isso não é bom o bastante para Ele, Ele precisa superar isso. Eu estou ocupado.”

A falta de habilidade de se perturbar a rotina usual de preguiça por até poucos minutos, por Deus, é precisamente o que muitos autores e os chamados professores pregam hoje. Eles ganham centenas de milhares de dólares ao escreverem livros especificamente criados para esse tipo de pessoa, dizendo a ela “É normal ser preguiçoso”. Nos olhos desse autor, é claro que é normal. Essas pessoas irão torná-lo rico!

Formas de magia que estão surgindo hoje estão refletindo essa preguiça. As pessoas estão tentando convencer outras de que a magia pode ser um esporte de um tipo fácil, e que tudo estará bem. O que eles estão ganhando? Eles estão convencendo pessoas de que magia não é real, porque, depois de tentarem essas tentativas preguiçosas e não verem nenhum resultado, proclamam que, uma vez, tentaram fazer magia e descobriram que era tudo mentira. Nunca diriam que talvez eles só estivessem sendo preguiçosos. O homem comum se levanta orgulhosamente e grita, “Eu, com certeza, não sou o problema!”.

Não espere ter uma boa colheita sem primeiro trabalhar o solo e cultivar as plantas com cuidado. Não espere ter uma boa refeição sem primeiro cozinhá-la. Não espere chegar a um lugar distante sem viajar até lá. O universo não é mau; mas ele não atenderá à sua egoística letargia.

A Quinta Razão

Egomania

A quinta razão que eu observei como fonte dos problemas de hoje na magia, é a egomania geral que infesta o mundo ocidental. No mundo de hoje, somos constantemente ensinados a sermos individuais, que ser único é o sonho humano, que você é especial e diferente de todo mundo, e que tudo isso é bom e verdadeiro. Infelizmente, o incorreto nessas autoafirmações é uma ligação fenomenalmente resistente à falsa percepção de quem se é. As pessoas se tornaram absolutamente investidas em suas cascas de ego que permeiam a parte mais externa de sua personalidade, e a defendem selvagemente.

Um dos medos mais comuns que as pessoas têm no que diz respeito à evolução espiritual é a perda de autoidentidade. Esse medo é baseado sobre duas percepções inteiramente falsas: a falsa percepção do que a iluminação é, e a falsa percepção de si mesmo. Quando esses dois se unem, um medo intrínseco surge, colocando muralhas entre a mente e a ideia de realização espiritual. Em algum ponto, as pessoas colocaram em suas cabeças que a destruição do ego é a destruição de sua personalidade, de seu caráter, e isso é, simplesmente, não verdadeiro. É, na realidade, simplesmente, a purificação do seu caráter, de modo que se eliminem os vícios e defeitos maiores, removendo-se assim o desequilíbrio espiritual. O problema real surge quando alguém é tão defensivo de sua personalidade que defenderá até mesmo seus vícios. Eles dirão coisas como “Claro, eu sou um mentiroso crônico, mas isso é quem eu sou, é assim que Deus me fez”. Tal ideia é inteiramente sem fundamento. Você não é um mentiroso crônico, porque, em sua essência, você é Deus. Apenas sua casca de ego mais externa é mentirosa, e não foi porque Deus o fez, mas por causa de suas ações que você, conscientemente, escolheu perseguir. Contudo, as pessoas não aceitarão isso.

Isso cai novamente no quarto problema, o da preguiça. As pessoas desejam tudo por nada, ou, se elas investem dez dólares, querem instantaneamente cem dólares de volta. Elas não acreditam que um relacionamento com Deus é um relacionamento recíproco, mas sim que é um relacionamento de “servidão”, onde Deus dá tudo, enquanto nós recebemos. Não funciona dessa maneira; nunca funcionou, nunca funcionará. Deus é um pai melhor que isso. Infelizmente, as pessoas prefeririam se apegar a seus vícios do que oferecerem seus aspectos negativos ao fogo alquímico para que sejam destruídos. A uma pessoa assim, o “ser único” é sempre mais importante que a Divindade. Existe esperança para tal pessoa? Você não pode ajudar alguém que não ajuda a si mesmo.

A falta de desejo de se sacrificar as falhas pecaminosas de caráter resultou não apenas na corrupção da magia, mas contribuiu grandemente à queda de um grande número de ordens ocultistas. No campo geral da magia, autores não treinados, que não são mais maduros do que uma criancinha de um ponto de vista mágico estão lançando livros que são absolutamente corrompidos por suas falhas pessoais. No campo das ordens ocultistas, os “adeptos superiores” são ainda crianças egoístas que tramarão vários dramas dentro da ordem, normalmente a fim de abolirem a autoridade do Grão-Mestre, de modo que possam competir com esse poder. Uma ordem ocultista genuína consiste de adeptos que ultrapassaram tais simples preocupações, e que nunca tentarão se elevar para prejudicar outras pessoas ou ao risco de prejudicarem um bem maior. Quando pessoas são permitidas a carregarem todas as suas falhas mundanas para uma posição de, supostamente, autoridade divina, o caos deve, necessariamente, resultar. Precisa-se meramente olhar a história do Papa para ver as evidências.

Deveria ser suficiente, nesse meio tempo, enfatizar que aspirantes nunca são postos em algum programa de lavagem cerebral que faz com que eles pensem e ajam de um modo determinado. Isso não poderia ser mais verdadeiro. Cada pessoa tem uma personalidade absolutamente única, e essa personalidade é uma expressão muito real do próprio Deus. Desse modo, todos são um avatar, uma manifestação de uma Personalidade Divina. A diferença entre uma pessoa comum e um santo realizado, porém, é a de que a pessoa comum turvou e sujou sua personalidade divina com uma lama imunda, enquanto o santo realizado poliu sua alma de modo que sua verdadeira personalidade pudesse brilhar. Você não é quem pensa que é! As pessoas acreditam que são tão velhas quanto seus corpos físicos, mas, na verdade, você é muito mais velho. Pelo fato de que a única personalidade que você pode lembrar é aquela em seu presente corpo, que tem apenas alguns anos de idade, você pensa que é você. A verdade é que você tem uma personalidade universal, uma personalidade muito única, sendo a única expressão total de Deus em essa forma exata, que esteve por aí por muito mais tempo do que o seu corpo. Deslocar a sua identidade de si mesmo da falsa percepção de seu corpo, para o supremo local de sua alma, é a meta da Grande Obra, a Verdadeira Alquimia. Para fazer isso, você deve remover gradualmente a lama que se acumulou como um grosso muco sobre sua alma, de modo que você se torne o você verdadeiro, em vez de esse você mortal e temporário. A personalidade que você tem neste momento tem todas as virtudes positivas da sua alma, mas você adicionou a elas os vários vícios e defeitos que você adquiriu nesta e nas últimas encarnações. A sua personalidade pode ser vista como uma parede cheia de buracos. A luz que brilha através desses buracos é sua personalidade real, enquanto o resto da parede é a imundície e o muco com o qual você se cobriu. A meta da sublimação pessoal é fazer com que o seu inteiro ser brilhe com pura luz.

Isso é, como muitos assuntos do oculto são, uma coisa difícil de ser explicada se usando a linguagem humana. Até com a explicação acima, será difícil, até para os mais inteligentes leitores, absorverem exatamente o que eu estou tentando dizer, até se pensam que compreendem. É algo que deve ser experimentado individualmente para saber, e, portanto, eu evitarei qualquer discussão compreensiva sobre isso.

A Sexta Razão

A Destruição da Sucessão de Mestre e Discípulo

A sexta maior razão para o deplorável estado da magia moderna é a destruição de uma linha de sucessão entre o guru e chela, mestre e discípulo. Quanto mais pessoas lançaram vários livros contendo os Pequenos Mistérios, mais pessoas começaram a, lentamente, substituir o mestre pela estante. Eles colocam em suas cabeças que, desde que consigam ler muito, nunca precisarão de um professor. Não é preciso dizer que essa abordagem raramente encontra sucesso. Por razões que já foram clarificadas, a vasta maioria dos livros de hoje é quase inteiramente inútil para alguém que esteja procurando por um meio prático e eficiente de autoavanço. Seu conhecimento pode crescer, mas sua alma normalmente não.

Uma razão para essa substituição, que deveria agora ser óbvia ao leitor, é o fato de que as pessoas hoje simplesmente não gostam da ideia de um professor, de um guru. Um mentor é, às vezes, bem recebido, mas apenas sob a exigência de que o mentor não seja saudado com muita apreciação, e a de que ele possa ser facilmente afastado. O ego da maioria das pessoas as leva a odiar a ideia de serem subservientes a um verdadeiro professor, por até mesmo pouco tempo, para assegurarem sua evolução espiritual. Isso as faria sentir menos sagradas que o guru, o que, de fato, elas são, e isso machucaria demais os seus egos. Dessa forma, elas não tolerarão isso.

Isso tudo fez com que muitos autores de hoje não tenham recebido treinamento legítimo de um professor verdadeiro. O conhecimento que eles apresentam em seus livros é, simplesmente, a mesma informação reprocessada que qualquer um poderia armazenar com tempo suficiente numa biblioteca, e eles, portanto, não se tornaram melhores que seus predecessores uma centena de anos atrás, os quais pensavam ser adeptos simplesmente por causa de sua habilidade de compilar a informação disponível. Tais autores, assim, começaram uma tendência que infectará totalmente os autores do amanhã, e, dessa maneira, solidificará essa tendência infeliz e autodestrutiva. Eu rezo seriamente para que, no futuro, mais adeptos que tenham passado por treinamento real nas mãos de um professor treinado dêem um passo à frente e passem os ensinamentos de seus mestres para o mundo. Até se isso acontecesse, cada livro deveria dizer dentro de suas páginas o que eu estou precisamente para dizer: embora o conhecimento ajude e ilumine a mente, a iluminação da alma deve ser recebida de um bom professor.

Por que você não pode fazer tudo sozinho? Por que você não pode ser aquele “lobo solitário” sobre o qual você ouviu falar? Aquele lobo solitário e durão que nunca precisa da ajuda de ninguém? Supere você mesmo. Você não pode fazer isso sozinho porque você nem sabe o que fazer ou onde começar, e se você soubesse, você não entenderia como fazê-lo mesmo assim. Se você pode derrotar o seu ego o suficiente para admitir isso, então você pode ainda ter esperança para o Reino de Deus. Se não, então você está muito mais interessado em si mesmo do que em Deus. Um livro pode sugerir lugares para começar, pode fornecer fórmulas e técnicas práticas (embora poucos, muito poucos o fazem) e podem até suprir uma rotina de treinamento completa. Até se você tenha esses livros memorizados, a quem você se voltaria quando um obstáculo surgisse que você não pudesse superar intelectual ou espiritualmente? Se você, embora com treinamento rigoroso, não visse resultados, como adivinharia o porquê disso? De qual lugar você receberia a informação que nunca foi antes publicada? Além disso, você seria forçado a aceitar a legitimidade de qualquer sistema de treinamento ou séries de informação, baseado inteiramente sobre a sua própria crença. Quando você tem um bom professor que está lhe iniciando diretamente, numa linha de mestre e discípulo, na magia genuína, então você tem alguém para se referir como um modelo e um exemplo. Você consegue ver quão efetiva essa abordagem à magia é, toda vez que você vê o seu professor. Através das ações dele, você pode decidir se o sistema é válido ou não. Dessa forma, o professor destruirá níveis de dúvida que, frequentemente, infectam pessoas que se submetem ao que agora é popularmente chamado de “autoiniciação”.

Neste ponto, nós dificilmente poderíamos continuar sem uma rápida consideração de uma jóia em particular, o livro O Caminho do Adepto, pelo Mestre Arion, Grande Iniciador Rosacruz, o S.F.C.R. (Sagrado Frater Christian Rosencreutz), que vocês conhecem pelo nome de Franz Bardon. Essa grande alma, um dos doze maiores adeptos mestres na inteira Fraternidade Branca, que governa particularmente sobre a iniciação, veio ao mundo em total Nirvikalpa Samadhi, na glória de seu corpo astral imortal, por toda a humanidade. Houve um grande sacrifício nisto.

Urgaya o invocou e ordenou que, enquanto estivesse aqui, ele lançasse ao mundo os primeiros três dos vinte e dois estágios de iniciação da Fraternidade Branca. Ele o fez, mas, do mesmo modo que Veos e eu fizemos, ele suavizou o sistema consideravelmente, para alcançar e ajudar o maior número possível de pessoas, enquanto tomava como estudantes pessoais aqueles poucos que estavam prontos para os ensinamentos mais sérios. O resultado desse serviço altruísta foram os três livros que ele escreveu, que foram feitos para levar o estudante até o ponto em que ele atraia um mestre espiritual que o inicie nos Grandes Mistérios. Embora essa trilogia seja excelente, particularmente seu primeiro livro, O Caminho do Adepto, eles ainda contém todas as inibições que um livro traz. Você não pode perguntar questões ao livro, não pode receber experiências espirituais dele, não pode chorar nos seus ombros quando o mundo parece ter se voltado contra você. O livro não irá assumir o seu karma para te ajudar, não limpará suas nadis e trabalhar nos seus chakras, não imergirá você, amavelmente, em sua própria aura. Acima de tudo, não servirá como um canal de mediação entre sua Kundalini pequena e a Kundalini Cósmica superior.

É minha convicção, baseada na experiência, que existe somente um tipo de pessoa que pode se submeter à autoiniciação com sucesso sem nunca ter tido um professor. Deve ser um adepto reencarnado que está simplesmente recapitulando seu desenvolvimento mágico de vidas passadas. Para tal pessoa, na medida em que ele aprende até apenas técnicas básicas, suas memórias mágicas começarão a, quietamente, voltar a ele, na forma de intuição acurada sobre como certas coisas deveriam ser executadas. Essa intuição mágica guiará suas ações, e sua alma guiará a consciência aos lugares corretos. Essa pessoa não precisa de um professor. Porém, a um tempo atrás ele certamente teve um, e se não tivesse sido pelo professor, ele nunca teria se tornado o adepto que se tornou.

A Sétima Razão

A Remoção de Deus da Situação

Na medida em que o mundo se torna, gradualmente, mais materialista, uma escuridão começa a envolver o intelecto de pessoas inteligentes. É um tipo de doença que dá a uma pessoa cegueira e a torna surda; de fato, deixa-a quase completamente insensível a qualquer estímulo. O nome dessa aflição, que paralisa e torna mudos todos os três corpos, é chamado Ateísmo. Quando algumas pessoas são afligidas por ele, tornam-se totalmente desafiantes contra todos os impulsos espirituais que sugiram a existência de Deus. Eles são uma ninhada de pessoas peculiar, sendo ignorantes ao grau de se tornarem engraçados aos olhos do iniciado.

Existe uma ninhada particular de ateístas que é mais divertida que todas as outras. É uma ninhada relativamente nova, que apareceu apenas neste século passado. Esse tipo de pessoa é um ateísta que acredita que fenômenos espirituais são, na verdade, fenômenos físicos num nível altamente refinado, e dessa forma buscam explicações para as coisas espirituais. Eles não negarão que as energias dos elementos, por exemplo, existem. Eles simplesmente pensarão em alguma teoria absurda e estúpida de como essas energias são apenas divisões de uma substância mental física, mas enormemente refinada, e que suas qualidades atribuídas são algum tipo de ilusão. Eles dirão que espíritos são as expressões externas de arquétipos subconscientes na psique, e sugerem que, quando eles são conjurados à aparência visível, tudo que está ocorrendo é autohipnotismo. Essa estranha espécie de pessoa fará tudo pelo motivo de ser capaz de sugerir que Deus não existe, que mundos espirituais não são reais, que não existe alma, etc, etc.

É óbvio ao iniciado que qualquer pessoa que se submeta ao treinamento adequado possa provar a si mesma além de qualquer possibilidade de dúvida que espíritos não são arquétipos pessoais, que mundos espirituais existem, que existem energias externas diferenciadas, que a alma é real e imortal, e que Deus é uma verdade eterna. Qualquer pessoa que sugere ao contrário está fazendo-o do ponto de vista da teoria e especulação somente, e não tem base prática na magia. Embora o iniciado devesse sempre mostrar respeito sobre a opinião da outra pessoa, de modo a não causar conflito imediato e desconforto, ele não deveria permitir ser persuadido por tais argumentos. Frequentemente, essas pessoas são ótimas em argumentar e debater, mas não podem fazer quase nada a esse respeito com magia verdadeira. Dessa forma, deixe-os falarem a si mesmos enquanto você quietamente volta a sua mente à meditação sagrada.

Isso precisa que consideremos um ponto importante, contudo. Apenas você, no fim, pode provar a si mesmo a realidade de todas essas coisas. Apesar de todos os meus poderes e siddhis, eu não posso fazê-lo. A mente animal duvidará da sua escolha de perseguir esse caminho a cada virada, e, acima de tudo, também tentará me fazer duvidar, não importa o que eu faça. Alguns exemplos podem ilustrar bem este ponto. Ano passado, quando eu estava morando com um grupo de oito aprendizes (com mais cinco visitando regularmente) num belo lote de 5 acres firmado entre árvores e invisível a todos os vizinhos ou à estrada, uma grande tempestade apareceu sobre nós. O vento uivava ferozmente, a chuva parou por um momento, e, então, no pátio próximo a nós, um tornado começou a descer. Os aprendizes, até Veos (até hoje eu brinco com ele sobre isso!) ficaram muito assustados. Na verdade, eu estaria assustado também, apesar da minha confiança para lidar com a situação, se eu não tivesse aberto meus olhos de uma maravilhosa hora de meditação profunda no momento em que o tornado começou a surgir. A mim, naquele estado elevado de felicidade, o tornado era apenas uma demonstração da natureza para ser amada e reverenciada. Apesar disso, eu me esforcei o suficiente para me convencer de que o tornado, tão próximo à casa, era uma coisa ruim. Eu me coloquei na direção da tempestade, com Veos ao meu lado e ajudando, e nós dois elevamos o tornado de volta ao céu e redirigimos a direção da tempestade para longe da casa. Isso foi feito com todos os estudantes assistindo. Em outra ocasião, apenas quatro semanas antes, eu usei um sigilo para criar uma chama sólida e negra no coração de um grande fogo ritual que todos viram e cuja realidade de sua presença atestaram. No momento em que começou a chover, por ele ser um importante ritual do fogo, eu chamei um espírito que me serve para nos proteger da chuva. A chuva parou, mas os estudantes logo notaram que estava chovendo em todos os lugares da propriedade, menos no lugar onde estávamos!

Eu estou relembrando essas coisas não para glorificar a mim mesmo, mas para ajudar a ilustrar este assunto. Embora eu demonstrasse essas aparentemente “maravilhosas” ocorrências, sem pouco esforço meu, eu rudemente exibia a magia aos meus estudantes como um prêmio por sua devoção duradoura aos meus ensinamentos, e, mesmo assim, essas coisas não preveniam suas mentes de, às vezes, duvidar que magia não existia. Pouco menos de um mês depois do incidente com o tornado, um dos meus estudantes melancolicamente veio a mim e confessou que ele estava tendo de lutar com a dúvida, porque ele nunca tinha visto antes um poder mágico. Numa classe do Veritas quatro anos atrás, eu tive um estudante para o qual, um dia, eu mandei uma mensagem e informei que ele estava desenvolvendo uma infecção de sinus. Sendo alguém que duvida por natureza, ele decidiu não tomar nenhum remédio. Quatro dias depois, ele pegou uma infecção de sinus, e, num instante, eu o curei da infecção completamente. Eu não consegui mais informações desse estudante, que terminou aquela classe como um estudante de magia muito devotado, por um longo tempo depois que a classe terminou. Eu descobri, poucos meses atrás, que, pouco depois da minha classe terminar, ele decidiu que eu era uma fraude e um mentiroso, e que eu não tinha habilidade mágica ou consciência elevada, e que ele estava convencido de que magia em si pudesse nem ser real.

Essas, e outras experiências parecidas, me convenceram de que não é o dever do professor fazer o estudante acreditar em magia, e, realmente, que o professor não é capaz de fazê-lo, não importa quais habilidades ele possa ter demonstrado. No final, a última evidência convincente que o estudante será capaz de usar para conquistar a dúvida de seu ser inferior é a evidência que surge de suas próprias práticas continuadas, as recompensas de sua fé douradoura em seu caminho.

Mas, voltando ao assunto à mão, é uma grande má sorte ao mundo dos aspirantes sinceros que esses mesmos ateístas estão realmente se juntando para formar sistemas de “magia” juntos, embora esses, na realidade, sejam feitiçaria astral no máximo. Ao fazê-lo, eles estão apelando aos lados animalistas e mundanos da consciência do ego que governa sobre os não iniciados antes de alma ter uma chance de se agarrar a algo significativo. Por tais sistemas de feitiçaria não terem nenhuma ênfase real na moral, por eles não terem ideia nenhuma de Deus ou de avanço espiritual, as pessoas estão se unindo para achar uma desculpa para praticar o que eles pensam que é magia sem ter de desistir de seus modos pecaminosos de viver. Tais pessoas adoram se ostentar, dizendo “Eu descobri que magia é tão efetiva sem o componente espiritual desnecessário”. Eu juro a todos vocês, pelo meu grande amor por essa ciência, que, nos meus anos de magia, eu nunca encontrei, nunca mesmo, nenhum estudante dessa escola de feitiçaria que poderia produzir até a mais simples das demonstrações mágicas. Eu nunca descobri um estudante dessa escola que possuísse alguma das faculdades mágicas a um grau demonstrável ou talvez significativo. Por quê? Porque eles estão praticando ideias, não verdades. Eles estão tentando fazer com que o universo satisfaça os seus próprios desejos egoísticos, em vez de quererem sacrificar qualquer coisa que seja para se tornarem magos reais.

A Oitava Razão

Charlatãos

À luz de todas as razões previamente mencionadas, deveria se tornar óbvio que charlatãos e fraudes naturalmente surgiriam. A falta quase total de iniciados verdadeiros e adeptos conhecidos às pessoas comuns tornou impossível se comparar uma fraude contra a coisa real. Os fraudadores, é claro, saberão isso, e usam isso ao seu favor. O fato de que existam tantos enganadores que se tornaram muito bem-sucedidos não sugere em momento algum que eles tenham alguma habilidade, mas, em vez disso, simplesmente mostra o quão mal informada e enganada a pessoa comum é nesses assuntos.

Bem como fizeram no início dos anos 1900, médiuns começaram a ir e vir e a escreverem pilhas de lixo para encherem as estantes das livrarias modernas. Essas pessoas, que são normalmente tão boas em enganar a si mesmas quanto a enganar os outros, lançam livro após livro. Eles escrevem centenas de páginas, e ainda, de alguma forma, não dizem nada nelas. Eles citam seres espirituais como a fonte de sua sabedoria, ou guias espirituais, ou animais totem, ou trevos de quatro folhas e tal nonsense. Embora eu ainda não o tenha encontrado, eu estou certo de que exista um médium por aí que alega receber instruções místicas de seu sanduíche de presunto. Não seria mais absurdo que as alegações anteriores. Embora, é claro, uma vez, eu tive uma conversa muito reveladora com uma garrafa de coca-cola, e um espírito decidiu, por uma razão qualquer, falar comigo numa voz audível que até os não iniciados poderiam ter ouvido.

Se tais médiuns estão de fato conversando com seres espirituais, então esses espíritos são muito misteriosos ou são muito estúpidos. Se esses médiuns estão conversando com guias espirituais, eles devem estar precisando despedir seus guias e encontrar novos. Em minhas experiências com seres espirituais, animais totem e guias espirituais, nenhum deles era tão mal informado quanto os desses médiuns. Dessa forma, podemos concluir que é muito provável que eles não estejam falando com nenhum dos acima, mas, em vez disso, que eu estou terrivelmente enganado, e que todos estão, na verdade, conversando com sanduíches de presunto. Se eles estivessem conversando com garrafas de coca, então, baseado na experiência, eu seria levado a acreditar que seus livros poderiam ter sido melhores.

Nada disso implica que todos os médiuns são fraudes. É, porém, um infeliz fato que a vasta maioria de fraudadores alegue ser médium, e, se o resto da comunidade de bons médiuns não quiser ser associada com esses charlatãos, então eles deveriam aparecer e lutar contra eles. Eu conheci vários bons médiuns em meu tempo, alguns deles naturais e outros treinados, portanto, essas declarações, de modo algum, se aplicam a esses tipos de pessoa. O leitor observador, porém, será capaz de fazer uma caminhada, achar uma estante de New Age numa livraria popular e ser capaz de ver precisamente de quais autores eu estou falando.

O grupo de médiuns impostores é apenas uma das duas maiores categorias de fraudadores na comunidade ocultista. Para a pessoa firmada em pensamento racional e com pelo menos alguma educação em literatura ocultista, os médiuns impostores são comparativamente fáceis de serem reconhecidos. Embora eles agarrem um número entristecedor de otimistas da New Age, os mais eruditos tendem a ficar longe deles. É, portanto, minha opinião que o mais perigoso dos dois grupos não é o médium impostor, mas o sim mago impostor.

O mago impostor é muito mais difícil de distinguir, e apenas alguém que é firmemente enraizado na experiência prática pode descobrir o disfarce. Existem autores que escrevem livros que fascinam seus leitores sobre simbolismo oculto, aparente conhecimento da Cabala, algumas correspodências ocultas etc, e mostram isso como se a experiência os tivesse levado a acreditar nessas coisas. Eu não estou falando aqui de meros ocultistas. Um ocultista é um filósofo, portanto ele se preocupa com as várias cosmogonias filosóficas, em vez de experimentar o lado prático da espiritualidade. Desse modo, é perfeitamente normal para um ocultista falar num nível puramente intelectual, igual ao filósofo. Não, eu não estou me referindo a esses autores, mas aos autores que criam um véu de suposto conhecimento experimental. Essas pessoas são geralmente indivíduos que aprenderam e, subsequentemente, praticaram apenas duas ou três técnicas básicas, e, então, se consideraram a si mesmos grandes magos. Eles escrevem livros sob esse propósito, e prescrevem ridículos regimes de treinamento para seus leitores.

Tudo isso naturalmente resultou numa situação na qual pessoas que queiram aprender magia, queiram comprar um livro e, por causa da probabilidade, pegarão um livro escrito por um autor fraudulento. Percebendo como pessoas que são completamente novas à magia não são tão sábias, elas acreditam em muito do que é dito, e assim a corrupção começa. Muitos desses aspirantes promissores vieram à minha casa por um curto tempo, e eu descobri que, depois de alguns anos de encherem suas mentes com tal lixo, eles se tornaram ligados demais a esses mundos ilusórios para serem salvos pela luz da experiência prática. Espero que, nas próximas vidas deles, suas almas levarão suas mentes a buscarem algo mais elevado.

A Nona Razão

O Silêncio dos Adeptos

Durante o período do Renascimento, e por um tempo após, houve um número de adeptos que escrevia. O advento do aparecimento público dos rosacruzes na Europa, por um pouco tempo, gerou informação suficiente para os autores discutirem por muitos anos. Pessoas como Paracelso, Agrippa e Francis Bacon forneceram suficientemente os Pequenos Mistérios às pessoas. Autores rosacruzes como Francis Bacon promoviam a iluminação intelectual das pessoas, como a Ordem Exterior Rosacruz (que eventualmente gerou a Maçonaria), focada primariamente no avanço espiritual através de conhecimento e de sabedoria em vez da prática. As práticas estavam presentes, mas eram normalmente ritualísticas e reservadas para dias especiais. Os exercícios mágicos verdadeiros eram mantidos para o próximo nível de iniciados.

Autores como esses forneciam tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. De um lado, as pessoas estavam engajando suas mentes, pela primeira vez, no feijão-e-arroz da magia teórica. Em vez de lerem sobre demônios e feitiços mágicos, eles podiam aprender sobre o magnetismo espiritual, o archeus, os éteres, a lei de atração, a lei do microcosmo, e por aí vai. Alguns dos Pequenos Mistérios mais básicos tinham finalmente se tornado disponíveis às pessoas. Isso permitiu que leitores da época checassem duas vezes os escritos de pessoas sobre ocultismo contra autoridades conhecidas. Embora fraudes e charlatãos estivessem ainda rampantes, eles não estavam se focando tanto nas contribuições literárias ao ocultismo e assim não deixaram uma impressão duradoura sobre aspirantes das gerações futuras.

Por outro lado, a explosão de informação intelectual sem uma fundação de trabalho prático levaria gerações futuras ao engajamento somente na filosofia, em vez de na magia verdadeira. Isso permitiria a todos que tivessem lido alguns livros a regurgitarem a informação em novos livros e chamá-los seus. Acima de tudo, deixaria muitas questões sem resposta nas mentes de muitos aspirantes sinceros, sobre onde começar e como avançar na magia. A tendência de alguns dos grandes magos do passado de não aceitarem discípulos diretos resultou numa falta de sucessão de mestre e discípulo, como foi falado anteriormente, e o fato de nenhum manual real de avanço na magia ter sido publicado resultaria em autores lançando livros em assuntos puramente teóricos, em vez de terem investigado praticamente suas ideias.

Nos últimos cinqüenta anos, quase não houve adeptos escritores, e até aqueles que escreveram algo normalmente não forneceram uma base prática para os leitores. Toda uma geração surgiu e desapareceu sem ter quase informação publicada confiável sobre magia. É claro, tudo isso aconteceu de acordo com a Providência Divina, e há razões exatas para os períodos históricos de silêncio que os adeptos escritores assumiram e assumem. Ainda assim, é importante considerar os efeitos desses períodos.

Os poucos adeptos que ainda estão por aí no hemisfério ocidental têm permanecido silenciosos, e talvez por razão, porque o dom de expressar ideias na linguagem escrita não pertence a todas as pessoas. Pelo fato de existirem tão poucos adeptos, existem poucos autores entre eles. Eu espero honestamente que, num futuro próximo, isso comece a mudar.

A Décima Razão

A Falta de Expansão da Consciência

A natureza incompleta das deploráveis desculpas de muitas ordens modernas para rotinas de treinamento resultou na quase extinção da real expansão de consciência entre os chamados iniciados. Seus estudantes recebem complicado “pathworking” e várias invocações para executarem, mas esses são meios tão indiretos de progresso que uma inteira vida de prática renderia pouco sucesso. Infelizmente, a lavagem cerebral de muitos aspirantes hoje os convenceu de que um conhecimento simplesmente experimental dos símbolos das esferas elevadas, e até seu funcionamento, é a realização de modos superiores de consciência. Isso simplesmente não é verdadeiro. Até se você colocar sua mente regularmente na contemplação de reinos nos quais vibrações são muito mais elevadas e puras que as suas, nunca se produzirão os mesmos resultados se você tivesse elevado sistematicamente sua consciência a esse nível. Isso dá um bom suplemento, mas não deveria ser a completa abordagem.

Existem duas principais maneiras de se expandir a consciência:

1) Imergir-se em energias, como em invocação ou viagem esférica.

2) A ascensão gradativa da Kundalini psicossexual da base da espinha e órgãos sexuais até o córtex cerebral.

Nenhum desses métodos resultará necessariamente na realização do outro. A ativação dos seis maiores centros inteiros da consciência na espinha não resultará no aumento de vibração no seu corpo astral, para se adequar às vibrações das esferas elevadas, e passar tempo em esferas mais elevadas não despertará automaticamente a Schechinah-Kundalini e despertar as fortalezas, de modo que ela possa entrar e estar com Elohim-Siva. No mago, ambos deveriam ser realizados. O primeiro é a deificação de si de fora para dentro, e o segundo de dentro para fora.

Até os sistemas de treinamento que utilizam pelo menos o primeiro método de ascensão da consciência, sendo o mais comum no mundo ocidental hoje, não prestam tanta atenção a ele quanto deveriam. Muito frequentemente, ênfase excessiva é dada sobre as habilidades mágicas, ou pelo professor ou na mente do estudante. A meta da magia se torna o poder, em vez da evolução da consciência pessoal. Quando nenhuma habilidade é conseguida, ou uma vez que a curiosidade científica do estudante seja satisfeita, o caminho para. É por essa razão que as escrituras orientais advertem tão ferozmente que poderes mágicos devam ser rejeitados, e não porque tais poderes são inerentemente maus. Os iniciados do Oriente compreendiam simplesmente que, se o estudante acreditasse, do primeiro dia de seu treinamento, que habilidades mágicas eram ruins, ele provavelmente não sacrificaria depois sua evolução espiritual por causa da tentação dessas siddhis. Ele não se distrairia. Na realidade, isso não é ruim, e o estudante é altamente encorajado a adquirir várias habilidades mágicas para manifestar a Vontade Divina mais efetivamente no mundo, mas isso deve ser abordado muito metodicamente e apenas de uma base muito bem estabelecida, com os motivos corretos.

“Pathworking” se tornou, infelizmente, o modo principal com o qual as escolas ocidentais tentam fazer com que seus estudantes expandam sua consciência, mas existem muitas desvantagens nisso. O estudante consegue captar uma compreensão intuitiva de esferas superiores ao elevar suas vibrações às delas diretamente. Quando ele tem um flash e uma visão de Tzaphqiel, ele percebe o simbolismo de Luna e de Hécate, e compreende o tridente e os quatro minotauros índigo que cercam o Templo da Deusa de Três Faces e o Homem Nu, e começa a acreditar que ele realmente elevou seu status espiritual à esfera de Yesod. A iluminação intelectual sobre simbolismo universal é confundida com realização espiritual legítima. O resultado é que o tolo que consegue superar as imagens do Demônio de Face de Cachorro e o Portador do Vinho no limiar do abismo intelectual acredita ter fatualmente cruzado esse abismo e emergido no outro lado como “Magister Templi” ou qualquer cargo sua facção possa ter designado para essa realização. A direção do simbolismo, e a natural habilidade da mente de entrar num modo de resolução de problemas, quando confrontada com a diversidade, levou, neste caso, a mente racional a uma série de equações lineares, resultando na compreensão de certos símbolos ocultos. Embora essa compreensão tenha um efeito positivo sobre o espírito, é quase uma blasfêmia dizer que essa estimulação intelectual sozinha pode ser considerada como uma cruzada do Abismo. Quando a respiração cessa, quando a pele se torna gelada e as suturas entre os ossos parietal e occipital do crânio ficam quentes, quando visões de anjos e personificações de Deus aparecem no olho da mente, quando todas as escrituras se tornam instantaneamente compreendidas, quando os joelhos de cada anjo e arcanjo se dobram em reverência, quando a aura se estende para encompassar um inteiro vale, quando a palavra se torna universalmente criativa, então saiba que o abismo foi cruzado. Procure o homem com o inteiro universo em seus olhos; ele é um deus.

Isso deve bastar por agora. O estudante terá agora uma sólida compreensão dos problemas no modo com o qual a magia é frequentemente praticada hoje, e, com esse conhecimento, ele pode escolher começar seu caminho com uma compreensão correta e a salvação resultante desta bela ciência. Eu forneci nesta aula meras linhas de direção pelas quais o estudante pode checar a si e àqueles que se chamam gurus. Busque o homem que fala da autoridade da experiência, e não da autoridade dos livros.

#Magia #Pessoal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-corrup%C3%A7%C3%A3o-moderna-da-magia

Hierarquia, Dualismo e Evolução Espiritual

Eu não acho que exista um problema no dualismo ou na hierarquia em si, como ideia. São meras sistematizações. Há muitos exemplos em que se pode utilizar esses sistemas com sucesso e inclusive eles ajudam para a organização.

Meu ponto é que pode ser que em alguns casos essa ideia traga problemas. Por exemplo, como se tornou recorrente citar Platão desde o lançamento de “Epoch: The Esotericon & The Portals of Chaos”, seu “Mundo das Ideias” deu origem a um tipo de idealismo que dividiu o mundo em dois: um mundo espiritual e melhor, e outro material e pior; uma alma superior e um corpo inferior, etc.

Um dos problemas é que o universo criado por Platão é estático, em que tudo tem o seu lugar determinado. Essa ideia era inclusive usada para reforçar o sistema de castas e a escravidão. Claro que seria um pouco precipitado culpar a hierarquia e os dualismos por causa disso, considerando-os fadados ao conservadorismo e preconceitos. Eu não acho que seja esse o caminho.

Essa reflexão serve para alertar o magista sobre o seguinte: caso ele opte por utilizar um sistema idealista e dualista, derivado das tradições neoplatônicas (isso resume praticamente todo o ocultismo tradicional, especialmente os sistemas derivados das religiões judaico-cristãs como a cabala), ele deve ficar atento para não cair nas armadilhas que o dualismo pode gerar.

Evidentemente, cada sistema tem suas armadilhas, pontos fracos e problemas. O próprio caoísmo não é isento disso. Quem é caoísta pode cair na armadilha de confundir a imaginação com o mundo dos sentidos, de acreditar que tem superpoderes realmente extraordinários a ponto de comandar o universo, dentre outras conclusões precipitadas.

Não há respostas definitivas para essas questões, mas para concluir até onde pode ir, o caoísta deve testar: no seu dia a dia, a sua imaginação é tão poderosa a ponto de transformar completamente a realidade lá fora? E até que ponto a imaginação pode alterar suas emoções? Ele é realmente o rei do universo?

Há outras problemáticas em jogo. O magista não é somente mente; ele é corpo. O seu corpo possui aspectos fisiológicos que não devem ser ignorados. Os hormônios influenciam diretamente em suas emoções, não importa o quão forte seja sua mente. Ele precisa de comida, precisa de coisas materiais. Não irá transformar o mundo somente com o poder da mente. Esse poder existe, mas deve ser aliado ao próprio corpo e à realidade material lá fora.

Corpo e mente, mente e espírito, todas essas coisas estão tão conectadas que é difícil separá-las. Elas devem ser vistas e transformadas em sua totalidade. A magia deve ser realizada de forma holística e não pela metade.

Muitos sistemas de magia neoplatônicos que clamam ser o espírito superior à matéria não estão “errados”. Eles são verdadeiros, mas somente dentro de seus modelos. Lá eles funcionam, contanto que se enxergue esse dualismo somente como uma sistematização.

A própria Magia do Caos, ao falar de “caos” não está realmente clamando que não existem padrões na natureza e que eles são somente inventados pela mente. Nós não sabemos se há padrões, falta de padrões ou uma mistura dos dois. Porém, como não é possível viver ou fazer magia fora de um modelo, os caoístas geralmente optam por modelos que mostram uma realidade mais caótica, pois abre um universo de possibilidades. Em suma, cada modelo tem seus altos e baixos.

Claro que quando eu digo que não é possível fazer magia fora de um modelo, nem mesmo isso deve ser visto como uma afirmação absoluta. Eu uso até mesmo essa colocação meta-paradigmática como um paradigma.

Mas você não precisa ficar louco ao estudar teoria da magia, tentando entender o que realmente é a magia e como ela atua. Isso é difícil de descobrir, por isso no caoísmo nós optamos por ser pragmáticos: use a teoria ou a prática que te gere resultados interessantes.

O que é um resultado interessante? Isso cada magista deve descobrir. Cada um é livre para usar magia para o que bem entender. Sempre há os moralistas defendendo que magia só deve ser usada para A e não para B. Algumas vezes pode ser que eles estejam certos, mas os magistas também merecem a liberdade de explorar um pouco o que funciona até chegarem em suas próprias respostas.

E aqui nós caímos novamente na questão da hierarquia. Um sistema hierárquico já te deu estas respostas e já te colocou num ranking. Esse sistema te indicou o caminho que você deve seguir para “evoluir espiritualmente”, seguindo um passo a passo mais ou menos determinado. Isso é válido. Esse sistema pode ser usado com sucesso. Mas não é a única forma de fazer as coisas. Provavelmente não é a melhor, pois o que é melhor pode variar de pessoa para pessoa.

Eu particularmente não me sinto tão à vontade ao pensar em termos de melhor ou pior na magia. Para mim, a Magia do Caos permite descobertas, transformações e sobretudo autoconhecimento. Para alguns (note, não para todos!), é difícil haver autoconhecimento quando você já tem tudo pronto numa cartilha e não tem a liberdade de refletir, de questionar e de construir suas perguntas e respostas. Porém, cada pessoa é diferente e cada um tem a liberdade de conhecer a si mesmo da forma que bem entender e não precisa dar satisfações.

Acredito que a maior parte dos desentendimentos que existem no ocultismo é porque cada magista clama ter encontrado a forma “melhor” de fazer magia. A meu ver, não há uma forma melhor, pois cada indivíduo é único. Ou se realmente existe um caminho melhor, é difícil definir o que ele realmente seja através de nossa razão e de nossos sentidos. Essa primeira falha inerente à natureza humana é chamada de “ídolos da tribo” por Francis Bacon: tanto o intelecto quanto as percepções sensoriais estão sujeitos a enganos.

Alguns magistas podem dizer: “Eu li mais livros” ou “Consigo mover objetos com a mente” ou “Meus feitiços sempre funcionam” ou “Sou iniciado em dez Ordens diferentes” ou “Faço mais doações para instituições” ou “Sou ativo politicamente”.

Todas essas coisas são ótimas, mas eu acredito que não é nada disso que defina em absoluto o nível de magia, nível espiritual ou mesmo o caráter de uma pessoa. Simplesmente porque eu prefiro tentar olhar para a realidade como, por natureza, isenta de hierarquias. Para mim, pelo menos a maior parte dessas hierarquias foram artificialmente inventadas por nós.

Alguém pode clamar: “O certo e o errado, o bem e o mal, eles são absolutos, não são construções históricas e sociais”. Existe uma chance de isso ser verdade. Mas mesmo se for, quem realmente consegue diferenciar essas coisas se a mente e o mundo são tão complexos e existem tantos ídolos distorcendo nosso entendimento?

Vamos supor que, na maior parte das situações, sejamos capazes de diferenciar o bem e o mal. E provavelmente nós somos. Mas quem disse que isso é uma competição?

Há essa mania de competir, seja no mundo ou na magia. E isso não me surpreende. Somos incentivados a competir desde o colégio, com as notas. Na universidade, no trabalho. E os sistemas e teorias da magia foram construídos no interior de um mundo competitivo, que funciona como um jogo.

O jogo da magia é: “vamos evoluir espiritualmente. Vamos ver quem ganha. Vejamos quem é o mais bondoso e o mais poderoso”. Eu não sou contra competições saudáveis. Porém, como eu já mencionei antes, pode haver o risco de transformar uma boa intenção em algo perigoso, como a ideia de que existem os “escolhidos ou iniciados sábios” e a “massa ou o gado ignorante”. Um dualismo, a meu ver, bastante negativo. Em vez de desejar destruir a dualidade, queremos fazer parte dos “sábios” e manter a dicotomia. Como disse Paulo Freire, o sonho do escravo não é acabar com a escravidão, mas tornar-se um senhor que possui escravos.

Acho que cada pessoa deve ser livre para explorar a magia no seu ritmo. Ir descobrindo a si e ao mundo pouco a pouco, de forma natural e divertida. O magista não precisa sacrificar a si mesmo pelo bem do mundo (pode ajudar os outros, mas sem prejudicar a si) ou treinar meditações ou feitiços horas por dia pelo desejo de se tornar “mais poderoso”.

Claro, como foi dito, na magia queremos ganhar o jogo: ser o mais sábio, o mais poderoso, o mais bonzinho, o mais qualquer coisa, contanto que seja “o mais”. Vamos ver quem leu mais livros, quem ganha as discussões, quem dobra o mundo material a seus pés com a magia ou quem é o redentor do mundo, para se tornar um herói e receber a aprovação dos outros.

Evidentemente, quem se diverte jogando o jogo, pode continuar, principalmente se os resultados forem positivos. Se a competição estimula o magista a estudar, praticar ou até a ser mais gentil, que legal! Então use a hierarquia de forma positiva. Isso é possível.

No entanto, devo dizer que eu, particularmente, prefiro tentar não jogar tanto o jogo da hierarquia. Não acho que “os fins justificam os meios”. Não acredito que seja justificável fazer as coisas certas pelos motivos errados (considerando o que é “certo” e “errado” dentro desse modelo).

Ainda acho mais válido simplesmente dizer: que tal deixarmos de lado a ideia de evolução espiritual? Para mim essa é uma ideia de Darwin que faz sentido na biologia (e até mesmo na biologia ela não é absoluta). A evolução não necessariamente se aplica tão bem ao ocultismo. A propósito, no livro “A Origem das Espécies” Darwin deixa claro que aplicou a teoria de Malthus (que posteriormente se mostrou incorreta) para desenvolver a ideia de luta pela sobrevivência. Não sei porque muitos colocam um status quase divino nas ideias de cientistas como Darwin e Einstein, já que a história nos mostra que tais teorias irão eventualmente se mostrar não tão corretas no futuro ou serão no mínimo complementadas por outras. São hipóteses verificadas pela experiência, mas que não descrevem de forma absoluta a realidade. Não há nenhuma razão, tampouco, para aplicar as teorias atualmente aceitas (que são temporais) para o que ocorreria ao nosso espírito, que, segundo se costuma dizer, seria atemporal.(Só abrindo um parênteses: isso não significa que devemos deixar de dar crédito à ciência.

Devemos considerá-la como divulgadora de verdades provisórias até que surjam teorias melhores. O método científico não é perfeito, mas é bom o bastante para confiarmos nele, com os devidos cuidados. É algo vivo e em constante transformação, sempre desafiando a si mesmo).

Não acho que devemos desesperadamente tentar fazer o bem para outras pessoas a custa de nossa saúde e sanidade ou estudar magia loucamente e sem parar para “estar na frente dos outros”. Deve haver um equilíbrio. Eu acho que os magistas formam um grupo múltiplo, vejo beleza na diversidade. Ninguém é melhor, mais poderoso, mais sábio ou mais “espiritualmente avançado” do que ninguém. As pessoas são apenas diferentes.

Claro que sempre podemos melhorar a nós mesmos, mas até essa ideia de “melhorar” a si não precisa ser vista de forma absoluta ou fatalista. Nós estamos sempre aprendendo, mas também desaprendendo. Acho duvidosa essa ideia de que gradativamente nos tornamos cada vez melhores. Até a evolução na biologia frequentemente atua de forma aleatória. Uma mutação pode até extinguir uma espécie. O nosso cérebro é seletivo, deleta informações o tempo todo, esquece coisas. Nossa memória engana. E um dia ela vai desaparecer.

Pode existir coisas como karma e alma imortal, mas não sabemos direito como isso funciona. O que sabemos é que, aparentemente, nosso corpo está vivo, nosso cérebro aprende e esquece coisas, passa os genes adiante e morre. Enquanto isso podemos criar, destruir, aprender coisas e esquecer. A magia entra aí no meio num contexto histórico e cultural, no meio da arte e da espiritualidade.

Nós criamos sentido para as coisas, inventamos padrões e hierarquias. Outros nós descobrimos, sem ter certeza se é uma ilusão ou a verdade. O padrão parece funcionar por um instante. Em outros momentos pode não funcionar mais, pois a realidade e a mente são dinâmicas.

A magia pode trazer grandes momentos de diversão, deleite e descobertas. Aprendizados e esquecimentos, que não são lineares. Para mim, não existe uma escadinha que marque uma evolução espiritual e que te faça subir até o céu. E se existir, ela pode ser tão diferente do que imaginamos que poderia se assemelhar mais a uma espiral ou a algo que aos nossos olhos pareceria um grande caos.

Portanto, a ideia de que estamos realmente “avançando” no entendimento da magia e do mundo ou “evoluindo”… será que faz sentido? A partir do Iluminismo muitos começaram a falar na ideia de progresso (criticada por Rousseau) e na supremacia da razão humana, no domínio sobre a matéria através da ciência. Até que estouraram as Grandes Guerras. Se estamos sempre progredindo, por que o sistema heliocêntrico de Aristarco de Samos foi retomado somente muitos séculos depois?

É bem aceito na biologia que o ser humano não é mais evoluído do que outros animais, mesmo possuindo a razão. Alguns animais voam, outros respiram embaixo d’água; existe a ideia de um ser mais adaptado ao ambiente em que vive e não um animal mais evoluído que todos, de forma absoluta. E se o ser humano não está mais evoluído que outro animal, por que um ser humano estaria mais evoluído que outro? Se isso faz sentido do ponto de vista biológico, faria ainda mais do ponto de vista espiritual, que seria mais subjetivo.

Para alguns a ideia de evolução espiritual pode soar simpática. Para outros, pode haver soluções melhores. Aconselho usar a visão que mais te agrada, que mais faz seu coração bater forte e seguir experimentando e compartilhando suas descobertas. Não somente por desejo de ser melhor ou de evoluir, mas pela alegria de se divertir com os amigos. No final, pode ser que todos esqueçam de tudo, seja ainda em vida ou na morte, mas ainda assim terá valido a pena.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hierarquia-dualismo-e-evolu%C3%A7%C3%A3o-espiritual