Arquivo de Fontes Morte Súbita Inc.

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Símbolos sempre fizeram parte do ocultismo, desde os primeiros alquimistas aos viciados em criptologia medieval. Línguas antigas ou estrangeiras, línguas criadas ou recebidas por ocultistas vitorianos, línguas mortas, línguas fictícias; aparentemente a cada geração alguém criava uma forma de complicar tudo.

Por anos esses símbolos e letras características eram exclusividade de livros, para ter acesso a elas era preciso gastar algum tempo estudando-as e aprendendo a desenhá-las, isso quando se tinha acesso a elas, já que livros eram objetos caros e as livrarias não possuíam uma diversidade deles. Com a internet isso mudou, o acesso a cópias deste material ficou mais fácil, mas a reprodução dele não, os símbolos ainda estavam na forma de páginas escaneadas muitas vezes com uma resolução baixa que deixava muito a desejar; até que algumas pessoas começaram a reproduzir tudo isto na forma de fontes, uma forma muito mais fácil de usar esses símbolos, inclusive para publicar materiais, criar amuletos, lamens e armas mágicas. Não era mais necessário gastar horas desenhando letras enoquianas ou gregas em um sigilo, tentando manter a fidelidade, agora bastava digitar, mesmo assim ainda era, e é, difícil, encontrar fontes específicas em um único lugar, e não é raro mais da metade dos sites onde elas estavam hospedadas estarem já fora do ar, a internet acaba se tornando um mar de links quebrados.

É por isso que a Morte Súbita Inc. reuniu em um arquivo mais de 25 tipos diferentes de fontes, e cada uma com algumas variantes. Agora basta fazer o download do arquivo e instalar as fontes que queira na máquina para conseguir incrementar textos e tratados, criar sigilos ou o que precisar. Além disso elas são muito úteis para pessoas que simplesmente gostem de fontes e simbolos diferentes assim como para jogadores de RPG que desejem criar um material com aparência mais real, antiga e maldita para suas sessões.

Mas nós não simplesmente juntamos fontes e largamos aqui para que você pegue e intale em sua máquina, vamos deixar um breve histórico sobre cada uma delas para servir como guia ou base de estudos também.

O Alfabeto Magi

Foi criado por Theophrastus Bombastus von Hohenheim – também conhecido como Paracelso – no século XVI. Ele usava estes caracteres para gravar o nome dos anjos em talismãs que eram usados para tratar doenças e trazer proteção para aquele que o usasse.

Ele provavelmente foi influenciado em sua criação pelos vários outros alfabetos mágicos que existiam na época e eram utilizados por outros pesquisadores e praticantes do ocultismo. Uma influência óbvia também é o alfabeto hebraico, já que muitos textos mágicos e grimórios, influenciados pelos cabalistas, traziam estudos e sigilos desenvolvidos com o alfabeto dos hebreus.

Símbolos Alquímicos

Há muito pouca coisa que se possa dizer sobre a alquimia que já não se tenha sido dito em algum lugar. Sua origem já foi associada com o Egito, com a China, com Atlântida e mesmo com extra-terrestres, mas como todo estudioso sabe a sua origem é apenas um fato alegórico, já que ela é uma arte prática e não simplesmente especulativa. Desde tratados como O Segredo da Flor de Ouro a compêndios medievais atribuídos a magos que haviam alcançado a imortalidade vemos a busca de homens não por riquezas ou poder, mas evolução pessoal – tanto mental quanto espiritual. A busca pela sabedoria que a natureza escondia em cada elemento que a constitui e dos processos de descobrir essas segredos ocultos, como transmutar elementos, como criar novos e mais importante como tudo se relaciona. É por isso que diferente de outras práticas mágicas a alquimia recebe o título de “proto ciência” já que não parava apenas no aspecto especulativo da vida e não se focava apenas na mente das pessoas mas combinava elementos da química, física, astrologia, arte, filosofia, metalurgia, medicina, ocultismo e religião.

Com o tempo aqueles atraídos por esta prática chegaram a uma espécie de consenso em como registrar seus trabalhos não apenas criando símbolos que agilizassem sua leitura – imagine escrever enxofre a cada vez que usasse este elemento, depois distinguindo os três, quatro tipos que surgissem e compare isso a simplesmente desenhar o símbolo deste elemento ou de uma de suas derivações – como também a esconde-se dos olhos profanos – lembre-se que eles não apenas buscavam um modo de tranformar metais inferiores em ouro, mas lidavam com ácidos, explosivos, materiais tóxicos… era uma forma de evitar que alguém resolvesse brincar com pólvora porque leu por acaso que isso era parte do processo de ficar imortal ou podre de rico.

A simbologia Alquímica se tornou tão rica que seria praticamente impossível se reproduzir cada símbolo já usado, mas aqui apresentamos uma compilação de alguns dos mais populares e usados e não apenas símbolos de elementos, mas processos alquímicos, aparatos e elementos.

Escrita Angelical

Foi criada por Heinrich Cornelius Agrippa, também durante o século XVI, também conhecido como alfabeto Celestial este foi dos dos vários alfabetos criados por este que foi um dos ocultistas mais conhecidos em sua época e até hoje influencia muitos dos praticantes da Arte.

Os alfabetos que Agrippa criou possuiam similaridades entre si em termos de formas e estilo, todos traziam serifas pouco comuns na forma de círculos e eram muito semelhantes aos caracteres gregos e hebraicos, mas apesar das semelhanças temos que nos contentar apenas com uma análise superficial entre os alfabetos de Agrippa e os já existentes já que não existe um material que descreva o processo usado para se criá-los.

Este alfabeto era usado para se comunicar com anjos.

Aramaico

Aramaico é a designação que recebem os diferentes dialetos de um idioma com alfabeto próprio e com uma história de mais de três mil anos, utilizado por povos que habitavam o Oriente Médio. Foi a língua administrativa e religiosa de diversos impérios da Antiguidade, além de ser o idioma original de muitas partes dos livros bíblicos de Daniel e Esdras, assim como do Talmude.

Pertencendo à família de línguas afro-asiáticas, é classificada no subgrupo das línguas semíticas, à qual também pertencem o árabe e o hebraico.

Muitos acreditam que o Aramaico foi a língua falada por Jesus e até os dias de hoje é falada por algumas comunidades no Oriente Médio principalmente no interior da Síria. Sua longevidade se deve ao fato de ser escrito e falado pelos aldeões que durante milênios habitavam as cidades ao norte de Damasco, capital da Síria, entre elas reconhecidamente os vilarejos de Maalula e Yabrud,  além dessas outras aldeias da Mesopotâmia como Tur’Abdin ao sul da Turquia.

No início do século passado, devido a perseguições políticas e religiosas, milhares de pessoas que tinham o Aramaico como língua nativa fugiram para o ocidente onde ainda hoje restam poucas centenas, vivendo nos Estados Unidos da América, na Europa e na América do Sul e que curiosamente falam e escrevem fluentemente o idioma.

A história do aramaico pode ser dividida em três períodos:

– Arcaico 1100 a.C.–200 D.C.), incluindo:
O aramaico bíblico, do hebraico.
O aramaico de Jesus.
O aramaico dos Targum.

– Aramaico Médio (200–1200), incluindo:
Língua siríaca literária.
O aramaico do Talmude e dos Midrashim.

– Aramaico moderno (1200–presente)

Símbolos Astrológicos

Hoje a astrologia é vista por muitos simplesmente como uma superstição ou a crença de que planetas podem reger a personalidade das pessoas ou prever o futuro mas isso está muito longe da verdade. A astrologia foi a primeira ciência a estudar os corpos celestes.

Os documentos mais antigos encontrados hoje sugerem que o estudo dos astros já acontecia três milênios antes da nossa era e já naquela época, mesmo sem a tecnologia que temos hoje, haviam mapas celestes surpreendentes, que registravam posições de planetas, mapeamento de estrelas e constelações, relações de fenômenos físicos como a ligação entre a maré e os ânimos das pessoas com os astros e o registro de cometas, o surgimento de super novas, etc.

A parte deste estudo que se popularizou foi o uso dele para tentar prever o futuro, o que não chega a ser algo absurdo, se levarmos em conta que cada planeta e estrela possuiu sua órbita, seus atributos como gravidade, luminosidade e todos estão relacionados, como uma grande engrenagem cósmica, tornando possível relacionar a posição da lua e de estrelas como Sírius como grandes secas ou cheias de rios, o avanço das marés, as estações do ano e as coisas relacionadas a elas como migração de animais, resultado de colheitas e não apenas da terra mas de outros astros como as estações do sol – relacionadas com as quandidades de manchas solares, a ligação com tempestades e muitas outras coisas. Relegar a astrologia à simples superstição é o mesmo que associar as ollimpíadas a uma simples entrega de medalhas para que os países celebrem quem tem o melhor saltador de vara. Para se ter uma idéia da influência desses estudos, fora do brasil muitos paises de lingua saxônica e espanhola ainda tem os dias da semana nomeados graças ao astro que estava relacionado a eles:

Segunda-Feira

em inglês: Monday
em espanhol: Lunes
em catalão: Dilluns
em norueguês: Mandag
em francês: Lundi
em Italiano: Lunedi
em japonês: 月曜日 (Getsuyôbi)
em alemão: Montag

todos esses querem dizer: dia da Lua, assim ocorrem com os outros dias, associados a planetas, estrelas ou deuses que tinham sua contraparte celeste.

Os símbolos astrológicos, assim como os alquímicos, serviam para que se pudesse ter acesso rápido a informações, ao invés de tabelas e mais tabelas com nomes encontramos símbolos que representam os planetas e o sol, as estações, os elementos, já que o Sol por exemplo não era apenas uma estrela, mas estava relacionado com estações do ano, com Deuses, com obrigações, com a hora do dia, etc. o símbolo trazia não apenas uma forma rápida de se registrar a informação, mas também uma forma de se condensá-la.

Temos aqui não apenas os símbolos astrológicos, mas também os símbolos associados ao zodíaco.

Cuneiforme Persa

Escrita cuneiforme foi desenvolvida pelos sumérios e é a designação geral dada a certos tipos de escrita feitas com auxílio de objetos em formato de cunha. É, juntamente com os hieróglifos egípcios, o mais antigo tipo conhecido de escrita, tendo sido criado pelos sumérios por volta de 3500 a.C. Inicialmente a escrita representava formas do mundo (pictogramas), mas por praticidade as formas foram se tornando mais simples e abstratas.

Os primeiros pictogramas eram gravados em tabuletas de argila, em sequências verticais de escrita, e com um estilete feito de cana que gravava traços verticais, horizontais e oblíquos. Então duas novidades tornaram o processo mais rápido e mais fácil: as pessoas começaram a escrever em sequências horizontais (rotacionando os pictogramas no processo), e um novo estilete em cunha inclinada passou a ser usado para empurrar o barro, enquanto produzia sinais em forma de cunha. Ajustando a posição relativa da tabuleta ao estilete, o escritor poderia usar uma única ferramenta para fazer uma grande variedade de signos.

A escrita cuneiforme foi adotada subsequentemente pelos acadianos, babilônicos, elamitas, hititas e assírios e adaptada para escrever em seus próprios idiomas; foi extensamente usada na Mesopotâmia durante aproximadamente 3 mil anos.

Nós escolhemos liberar a versão persa do alfabeto cuneiforme porque o primeiro registro escrito sobre os persas se encontra numa inscrição assíria de 834 a.C., que menciona tanto Parsua (“persas”) quanto Muddai (“medos”), este termo utilizado pelos assírios, Parsua, era uma designação especial utilizada para se referir às tribos iranianas do sudoeste (que referiam-se a si próprios como ‘arianos’), e vinha do persa antigo Pârsâ. Os gregos (que até então utilizavam nomes relacionados a Média e aos medos) começou, a partir do século V a.C., a utilizar adjetivos como Perses, Persica ou Persis para se referir ao império de Ciro, o Grande.

Enoquiano

O enoquiano foi uma línguagem divulgada pelo astrólogo e mago da corte victoriana Dr. John Dee, que junto com seu assistente Edward Kelley, a recebeu dos anjos no século XVI.

O Alfabeto é usado na prática da Magia Enoquiana e comunicação com os anjos.

Para se aprofundar na magia Enoquiana você pode visitar a nossa sessão dedicada ao assunto, clicando aqui. Este link contem uma sessão de downloads onde é possível conseguir o programa visual enochian, para PC’s, que permite trabalhar com as tabelas e chamadas enoquianas com caracteres enoquianos e latinos.

As versões do alfabeto enoquiano aqui trazem os mesmo caracteres com apenas algumas mudanças no estilo. Temos também duas versões deles que trazem os caracteres simples e a versão acentada dele que apaerecem no Loagaeth.

Etrusco

Os Etruscos eram um aglomerado de povos que viveram na península Itálica na região a sul do rio Arno e a norte do Tibre, então denominada Etrúria e mais ou menos equivalente à atual Toscana, com partes no Lácio e a Úmbria. Eram chamados Τυρσηνοί, tyrsenoi, ou Τυρρηνοί, tyrrhenoi, pelos gregos e tusci, ou depois etrusci, pelos romanos; eles auto-denominavam-se rasena ou rašna.

Até hoje a história dos Etruscos permanece uma colcha de especulações, não se sabe ao certo quando eles se instalaram na região, mas foi provavelmente entre os anos 1200 e 700 a.C.. Nos tempos antigos, o historiador Heródoto acreditava que os Etruscos eram originários da Ásia Menor, mas outros escritores posteriores consideram-nos italianos.

A Etrúria era composta por cerca de uma dúzia de cidades-estados (Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veio, Tarquinia, Fescênia, etc.), cidades muito civilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. A Fescênia, próxima a Roma, ficou conhecida como um local de devassidão. Versos populares licenciosos, na época muito cultivados entre os romanos, ficaram conhecidos como versos fesceninos (obscenos). Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos.

A sua língua, que utilizava um alfabeto semelhante ao grego, era diferente de todas as outras e ainda não foi decifrada, aparentemente não era aparentada com as línguas indo-européias. Sua fonética é completamente diferente da do grego ou do latim. O etrusco utilizava a variante calcídica do alfabeto grego, pelo qual pode ser lido sem dificuldade, embora não compreendido. Deste alfabeto grego básico, algumas das letras não eram utilizadas em etrusco e ademais acrescentavam um grafema para /f/ e a digamma grega utilizava-se para o fonema /v/ inexistente em grego.

As principais evidências da língua etrusca são epigráficas, que vão desde o século VII a.C. (diz-se que os etruscos começaram a escrever no século VII a.C., mas a sua gramática e seu vocabulário diferem de qualquer outro conhecido do mundo antigo) até princípios da era cristã. São conhecidas cerca de 10.000 destas inscrições, que são sobretudo breves e repetitivos epitáfios ou fórmulas votivas ou que assinalam o nome do proprietário de certos objetos. Além deste material, existem alguns outros testemunhos mais valiosos:

1. O Liber Linteus ou texto de Agram é o texto etrusco mais extenso com 281 linhas e mais de 1.300 palavras. Escrito num rolo de linho, posteriormente foi cortado a tiras e utilizado no Egito para envolver o cadáver mumificado de uma mulher nova; conserva-se atualmente no museu de Zagrebe (provavelmente quando isto sucedeu considerava-se que tinha mais valor o rolo de linho que o próprio texto, que paradoxalmente hoje é nosso melhor testemunho da língua; talvez se não tivesse sido conservado como envoltura nem sequer teria chegado até nós).

2. Alguns textos sobre materiais não perecíveis como uma tabela de argila encontrada perto de Cápua de cerca de 250 palavras, o cipo de Perugia (ver foto) escrito por duas caras e com 46 linhas e cerca de 125 palavras, um modelo de bronze de um fígado encontrado em Piacenza (cerca de 45 palavras).

3. Além destes testemunhos temos duas mais inscrições interessantíssimas: a primeira delas é a inscrição de Pyrgi, encontrada em 1964, sobre lâminas de ouro que apresenta a peculiaridade de ser um texto bilíngüe em etrusco e púnico-fenício e que ampliou consideravelmente nosso conhecimento da língua. A segunda das inscrições resulta algo intrigante, já que foi encontrada na ilha de Lenos (N. do mar Egeu, Grécia). Composta de 34 palavras, parece escrita num dialeto diferente dos encontrados na Itália, quer seja sintomático da presença de colônias etruscas em outros pontos do mediterrâneo, quer de uma língua irmã do etrusco, o lénio, embora se acredite que a presença de uma só inscrição não aclara grande coisa.

Seguramente a inscrição de Pyrgi é a única inscrição etrusca razoavelmente longa que podemos traduzir ou interpretar convenientemente graças a que o texto púnico, que parece ser uma tradução quase exata do texto etrusco, é perfeitamente traduzível. Quanto ao acesso às inscrições: a maioria de inscrições etruscas conhecidas e publicadas encontram-se recolhidas no corpus inscriptionum etruscarum (CIE).

Fenício

A Língua fenícia era falada originalmente na região do litoral do Mediterrâneo oriental conhecida como Fenícia pelos gregos e latinos, como Pūt pelos Egípcios antigos, como Canaan no próprio Fenício, em hebreu e em aramaico; é uma das Línguas semíticas Ocidentais, Centrais, do Noroeste, do subgrupo das Canaanitas; o Hebreu é, dentra as línguas vivas, a mais próxima ao fenício. A região onde se falava o fenício é aquela onde ficam hoje o Líbano, o litoral da Síria, o norte de Israel, Malta.

A Língua Fenícia foi sendo conhecida por inscrições encontradas no sarcófago de Ahiram (rei de Biblos), nos túmulos de Kilamuwa e de Yehawmilk em Biblos, também em notas ocasionais em obras escritas em outras línguas. Autores romanos como Salústio citam certos livros escritos em Púnico, mas nenhum dessas obras sobreviveu, exceto algumas poucas traduções (Ex, um tratado de Mago) ou em pequenos trechos (Ex. nas peças de Plauto). Na Estela Funerária dita de Melqart descoberta em 1694 havia inscrições em grego antigo e em Cartaginês (Púnica) e isso permitiu ao estudioso francês decifrar e reconstruir o alfabeto Cartaginês e as mais antigas inscrições conhecidas em Fenício vieram de Biblos e datam cerca de 1000 AC. Inscrições Púnicas e Fenícias foram encontradas no Líbano, Síria, Israel, Chipre, Sardenha, Tunísia, Marrocos, Argélia e até na Península Ibérica, até os primeiros séculos da Era Cristã.

Uma curiosidade para os Brasileiros que se relaciona com os fenícios é a Pedra da Gavea, no Rio de Janeiro. Entre os bairros da Barra da Tijuca e São Conrado, no Rio de Janeiro, e a 842 metros acima do nível do mar existe uma montanha com a face de um gigante desconhecido. Seu nome Gávea, remonta à época do descobrimento, quando os portugueses que aqui chegaram notaram que ela era um observatório perfeito das caravelas que chegavam. A face que vemos quando olhamos para ela parece uma figura esculpida e existem inscrições antigas em um de seus lados.

No século XIX algumas “marcas” na rocha chamaram a atenção do Imperador D. Pedro I, apesar de seu pai, D. João VI, rei de Portugal, já ter recebido um relatório de um padre falando sobre as marcas estranhas, as quais foram datadas de antes de 1500. Até 1839, pesquisas oficiais foram conduzidas e no dia 23 de março, em sua oitava seção extraordinária, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil decidiu que a Pedra da Gávea deveria ser extensamente analisada, ordenando então o estudo do local e suas inscrições. Uma pequena comissão foi formada para estudar a rocha. 130 anos mais tarde o jornal O Globo questionou tal comissão, querendo saber se eles realmente escalaram a rocha, ou se simplesmente estudaram-na usando binóculos. O relatório fornecido pelo grupo de pesquisa diz que eles “viram as inscrições e também algumas depressões feitas pela natureza.” No entanto, qualquer um que veja estas marcas de perto irá concordar que nenhum fenômeno natural poderia ser responsável por elas.

Após o primeiro relatório, ninguém voltou a falar oficialmente sobre a Pedra até 1931, quando um grupo de excursionistas formou uma expedição para achar a tumba de um rei fenício que subiu ao trono em 856 a.C. Algumas escavações amadoras foram feitas sem sucesso. Dois anos depois, em 1933, um grupo de escaladas do Rio de Janeiro organizou uma expedição gigantesca com 85 membros, o qual teve a participação do professor Alfredo dos Anjos, um historiador que deu uma palestra “in loco” sobre a “Cabeça do Imperador” e suas origens.

Em 20 de janeiro de 1937, este mesmo clube organizou outra expedição, desta vez com um número ainda maior de participantes, com o objetivo de explorar a face e os olhos da cabeça até o topo, usando cordas. Esta foi a primeira vez que alguém explorava aquela parte da rocha depois dos fenícios, se a lenda está correta.

Segundo um artigo escrito em 1956, em 1946 o Centro de Excursionismo Brasileiro conquistou a orelha direita da cabeça, a qual está localizada a uma inclinação de 80 graus do chão e em lugar muito difícil de chegar. Qualquer erro e seria uma queda fatal de 20 metros de altura para todos os exploradores. Esta primeira escalada no lado oeste, apesar de quase vertical, foi feita virtualmente a “unha”. Ali, na orelha, há a entrada para uma gruta que leva a uma longa e estreita caverna interna que vai até ao outro lado da pedra.

Em 1972, escaladores da Equipe Neblina escalaram o “Paredão do Escaravelho” – a parede do lado leste da cabeça – e cruzaram com as inscrições que estão a 30 metros abaixo do topo, em lugar de acesso muito difícil. Apesar do Rio ter uma taxa anual de chuvas muito alta, as inscrições ainda conservavam-se quase intactas.

Em 1963 um arqueólogo e professor de habilidade científica chamado Bernardo A. Silva Ramos traduziu-as como:

LAABHTEJBARRIZDABNAISINEOFRUZT

Que lidas ao contrário:

TZUR FOENISIAN BADZIR RAB JETHBAAL

Ou:

TIRO, FENÍCIA, BADEZIR PRIMOGÊNITO DE JETHBAAL

Além disso existem alguns outros fatos interessantes relacionados com a pedra:

– A grande cabeça com dois olhos (não muito profundos e sem ligação entre eles) e as orelhas;

– As enormes pedras no topo da cabeça a qual lembra um tipo de coroa ou adorno;

– Uma enorme cavidade na forma de um portal na parte nordeste da cabeça que tem 15 metros de altura e 7 metros de largura e 2 metros de profundidade;

– Um observatório na parte sudeste como um dolmen, contendo algumas marcas;

– Um ponto culminante como uma pequena pirâmide feita de um único bloco de pedra no topo da cabeça;

– As famosas e controversas inscrições no lado da rocha;

– Algumas outras inscrições lembrando cobras, raios-solares, etc, espalhados pelo topo da montanha;

– O local de um suposto nariz, que teria caído há muito tempo atrás

Roldão Pires Brandão, o presidente da Associação Brasileira de Espeleologia e Pesquisas Arqueológicas no Rio afirmou: “É uma esfinge gravada em granito pelos fenícios, a qual tem a face de um homem e o corpo de um animal deitado. A cauda deve ter caído por causa da ação do tempo. A rocha, vista de longe, tem a grandeza dos monumentos faraônicos e reproduz, em um de seus lados, a face severa de um patriarca”. (O GLOBO)

Hoje já se sabe que em 856 a.C., Badezir tomou o lugar de seu pai no trono real de Tiro, isso fez com que muitos acreditassem que a Pedra da Gávea poderia ser o túmulo deste rei.

Segundo consta, outros túmulos fenícios que foram encontrados em Niterói, Campos e Tijuca sugerem que esse povo realmente esteve aqui. Em uma ilha na costa do Estado da Paraíba, pedras ciclope e ruínas de um castelo antigo com quartos enormes e diversos corredores e passagens foi encontrado. De acordo com alguns especialistas, o castelo seria uma relíquia deixada pelos fenícios, apesar de haver pessoas que contextem essa teoria.

Alfabeto dos Gênios

Também conhecido como Alfabeto da Linguagem Celestial, Alfabeto dos Anjos ou Escrita Celestial.

Cada símbolo deste alfabeto está relacionado com um gênio específico. Os valores fonéticos de cada um deles é derivado do nome do gênio específico. Além disso cada um dos símbolos possui associação com os sinais utilizados na geomancia como vemos no gráfico abaixo:

os nomes dos símbolos são:

Agiel – Belah – Chemor – Din – Elim – Fabas – Graphiel – Hecadoth – Iah – Kne – Labed – Mehod – Nebak – Odonel – Paimel – Quedbaschemod – Relah – Schethalim – Tiriel – Vabam – Wasboga – Xoblah – Yshiel – Zelah

Gênio é a tradução usual em português para o termo árabe jinn, mas não é a forma aportuguesada da palavra árabe, como geralmente se pensa. A palavra em português vem do Latim genius, que significa uma espécie de espírito guardião ou tutelar do qual se pensava serem designados para cada pessoa quando do seu nascimento. A palavra latina tomou o lugar da palavra árabe, com a qual não está relacionada. O termo parece ter entrado em uso no português através das traduções francesas d’As Mil e Uma Noites, que usavam a palavra génie como tradução de jinni, visto que era similar ao termo árabe em som e significado, uso que acabou se estendendo também para o português.

Entre os arqueólogos lidando com antigas culturas do Oriente Médio, qualquer espírito mitológico inferior a um deus é freqüentemente referenciado como um “gênio”, especialmente quando descrevem relevos em pedra e outras formas de arte. Esta prática se inspira no sentido original do termo “gênio” como sendo simplesmente um espírito de algum tipo.

Fonte Grega

O alfabeto utilizado para escrever a língua grega teve o seu desenvolvimento por volta do século IX a.C. e é usado até os nossos dias. Anteriormente, o alfabeto grego foi escrito mediante um silabário, utilizado em Creta e zonas da Grécia continental como Micenas ou Pilos entre os séculos XVI a.C. e XII a.C. O Grego que reproduz parece uma versão primitiva dos dialectos Arcado-cipriota e Jónico-ático e é conhecido habitualmente como Micénico.

Crê-se que o alfabeto grego deriva duma variante do semítico, introduzido na Grécia por mercadores fenícios. Dado que o alfabeto semítico não necessita de notar as vogais, ao contrário da língua grega e outras da família indo-europeia, como o latim e em consequência o português, os gregos adaptaram alguns símbolos fenícios sem valor fonético em grego para representar as vogais. Este facto pode considerar-se fundamental e tornou possível a transcrição fonética satisfatória das línguas Europeias.

Por ter sido considerado durante séculos como uma língua culta muitos estudos filosóficos e mágicos foram feitos e registrados nesta língua, inclusive em séculos recentes como podemos ver em livros de Eliphas Levi, Francis Barret e outros.

Dentro da pasta de fontes gregas estamos disponibilizando também a fonte Apollonian, uma fonte baseada no grego que surgiu no período da baixa Idade Média e era tida pelos ocultistas como um alfabeto secreto criado por Apolônio de Tiana.

Fonte Hebraica

Enquanto o termo “hebreu”, refere-se a uma nacionalidade, ou seja especificamente aos antigos israelitas, a língua hebraica clássica, uma das mais antigas do mundo, pode ser considerada como abrangendo também os idiomas falados por povos vizinhos, como os fenícios e os cananeus. De facto, o hebraico e o moabita são considerados por muitos, dialectos da mesma língua.

O hebraico assemelha-se fortemente ao aramaico e, embora menos, ao árabe e seus diversos dialetos, partilhando muitas características linguísticas com eles.

O hebraico também mudou. A diferença entre o hebraico de hoje e o de três mil anos atrás é que o antigo era um abjad ou seja, não possuía vogais para formar sílabas. As vogais foram os sinais diacríticos inventados pelos rabinos para facilitar na pronúncia de textos muito antigos e posteriormente desativados, nos meios de comunicação atuais.

Não existe um estudioso ou praticante sério de magia que nunca tenha cruzado com o hebraico. Durante a idade média o estudo da cabala e o desenvolvimento mágico da cultura dos judeus influenciou praticamente todos os grandes magos dos quais já ouvimos falar. De livros que exaltam a grandiosidade de Deus a tratados que ensina a chamar demônios de forma que se manifestem e obedeçam ao operador o hebraico se tornou a base para a confecção de sêlos e sigilos mágicos, círculos de evocação, amuletos de proteção e muito mais.

É uma língua que se torna indispensável para o estudioso da magia medieval, da cabala e da demonologia. E com esta fonte se torna muito mais fácil se criar novos amuletos e sigilos sem a necessidade de um domínio completo da grafia original das letras.


Hieróglifos Egípcios

Hieróglifo ou Hieroglifo é cada um dos sinais da escrita de antigas civilizações, tais como os egípcios, os hititas, e os maias. Também se aplica, depreciativamente, a qualquer escrita de difícil interpretação, ou que seja enigmática. Originário duas palavras gregas: ἱερός (hierós) “sagrado”, e γλύφειν (glýphein) “escrita”. Apenas os sacerdotes, membros da realeza, altos cargos, e escribas conheciam a arte de ler e escrever esses sinais “sagrados”.

A escrita hieroglífica constitui provavelmente o mais antigo sistema organizado de escrita no mundo e era vocacionada principalmente para inscrições formais nas paredes de templos e túmulos. Com o tempo evoluiu para formas mais simplificadas, como o hierático, uma variante mais cursiva que se podia pintar em papiros ou placas de barro e, ainda mais tarde, com a influência grega crescente no Oriente Próximo a escrita evoluiu para o demótico, fase em que os hieróglifos iniciais ficaram bastante estilizados havendo mesmo a inclusão de alguns sinais gregos na escrita.

Os hieróglifos foram usados durante um período de 3500 anos para escrever a antiga língua do povo egípcio. Existem inscrições desde antes de 3000 a.C. até 24 de Agosto de 394, data aparente da última inscrição hieroglífica, numa parede no templo de Ilha de Filae. Constituíam uma escrita monumental e religiosa, já que eram usados nas paredes dos templos, túmulos, etc. havendo poucas evidências de outras utilizações. Durante os mais de três milênios em que foram usados, os egípcios inventaram cerca de 6900 sinais. Um texto escrito nas épocas dinásticas não continha mais do que 700 sinais, mas no final desta civilização já eram usados milhares de hieróglifos, o que complicava muito a leitura, sendo isso mais um dos fatores que tornavam impraticável o seu uso e levaram ao seu desaparecimento.

O arquivo que estamos disponibilizando traz os hieróglifos do chamado “alfabeto” egípcio. São estes os sinais hieroglíficos que mantiveram o seu valor fonético praticamente inalterado durante mais de 3000 anos, desde os tempos pré-dinásticos até ao século 5 d.C.

Alfabeto Kemético

Kemet era o nome do antigo egito, (kṃt), ou “terra negra” (de kem, “negro”). Como vimos, as formas mais antigas de hieróglifos era pictogramas mas com o tempo eles evoluiram para um sistema escrito muito similar ao chines, onde cada caracter representava tanto sílabas quanto palavras.

E assim se desenvolveu um alfabeto que apesar de se manter sofisticado como os pictogramas anteriores – por exemplo a letra que significava boca podia ser seguida por um determinativo (um tipo especial de caracter que servia para indicar o sentido de letras individuais) que determinasse se a boca estava relacionada com o ato de comer ou de conversar.

Com o passar do tempo este alfabeto evoluiu ainda mais, onde cada simbolo se
torna uma letra que indicava o primeiro som da palavra e se cria um sistema que indicava se o símbolo deveria ser interpretado como uma palavra completa ou apenas como uma letra.

As fontes apresentadas aqui não são simples transcrições do alfabeto latino, algumas letras não possuiam relações com as nossas modernas algumas faltavam, outras eram adições, e o sistema numérico está mais próximo do romano do que do árabe. Aqui temos duas versões desta fonta a cursiva e uma com ângulos que era a forma como ela era gravada em pedra, metais ou madeira.

Malachim

Outra das escritas criadas por Agrippa. Ela foi derivada também dos alfabetos grego e hebraico e até hoje é usada, em certo grau, por maçons modernos. Esta versão foi feita em cima da que aparece no Biblioteca Magna Rabbinica de Bartolozzi editado em 1675.

Travessia do Rio

Mais uma fonte de Agripa, também conhecida como Passage de Fleuve. Este alfabeto foi derivado do alfabeto hebraico. Este alfabeto era usado para se escrever de forma que aquilo registrado não pudesse ser compreendido e também em sigios e selos mágicos.

Runas

As runas são um conjunto de alfabetos relacionados que usam letras características (também chamadas de runas) e eram usadas para escrever as línguas germânicas, principalmente na Escandinávia e nas ilhas Britânicas.

Em todas as suas variedades, as runas podem ser consideradas como uma antiga forma de escrita da Europa do Norte.

As inscrições rúnicas mais antigas datam de cerca do ano 150, e o alfabeto foi substituído pelo alfabeto latino com a cristianização, por volta do século VI na Europa central e no século XI na Escandinávia.

Elas também eram usadas como oráculos, ou Runemal como era chamada a esta arte pelos iniciados.

Contam as lendas vikings que os deuses moravam em Asgard, um lugar localizado no topo de Yggdrasil, a Árvore que sustenta os nove mundos. Nesta árvore, o deus Odin conheceu a sua maior provação e descobriu o mistério da sabedoria: as Runas. Alguns versos do Edda Maior, um livro de poemas compostos entre os séculos IX e XIII, cantam esta aventura de Odin em algumas de suas estrofes:

“Sei que fiquei pendurado naquela árvore fustigada pelo vento,
Lá balancei por nove longas noites,
Ferido por minha própria lâmina, sacrificado a Odin,
Eu em oferenda a mim mesmo:
Amarrado à árvore
De raízes desconhecidas.

Ninguém me deu pão,
Ninguém me deu de beber.

Meus olhos se voltaram para as mais entranháveis profundezas,
Até que vi as Runas.

Com um grito ensurdecedor peguei-as,
E, então, tão fraco estava que caí.

Ganhei bem-estar
E sabedoria também.

Uma palavra, e depois a seguinte,
conduziram-me à terceira,
De um feito para outro feito.”

Esta é a criação mítica das Runas, na qual o sacrifício de Odin (que logo depois foi ressucitado por magia) trouxe para a humanidade essa escrita alfabética antiga, cujas letras possuiam nomes significativos e sons também significativos, e que eram utilizadas na poesia, nas inscrições e nas adivinhações, mas que nunca chegaram a ser uma língua falada.

Graças a estas crenças as runas sempre tiveram um significado que ia além da simples função de uma letra ou um simples alfabeto. E aqui disponibilizamos alguns tipos diferentes de runas:

Runas Futhark

A forma rúnica mais antiga usada pelas tribos germânicas, ela aparece em inscrições em artefatos como jóias, amuletos, ferramentas, armas e pedras. Mais tarde foi simplificada na Escandinávia e depois alterada pelos anglo-saxões e Frisões, mas diferente dessas novas versões que permanece em uso até os dias de hoje, a sabedoria do Futhark antigo foi perdida e apenas em 1865 pode ser novamente decifrada pelo estudioso noruegues Sophus Bugge.

Runas Germânicas

Uma outra versão das Runas Futhark

Runas Inglesas

Conhecidas como Futhorc, a versão desenvolvida pelos anglo saxões das 24 runas Futhark originais, que continha entre 26 e 33 caracteres. Teve seu uso iniciado no século V.

Runas de Cthulhu

Contém três tipos diferentes de caracteres, os hieroglifosde Cthulhu, pictogramas que trazem símbolos que fazem parte do universo lovecraftiano. As Runas de Cthulhu, caracteres desenvolvidos com o mesmo princípio das runas. O afabeto de Nug-Soth, como mostrado no necronomicon.

Apesar de apenas o alfabeto de Nug-Soth ter um valor “histórico” por aparecer em uma das primeiras versões do Necronomicon, os outros dois alfabetos se tornaram populares entre alguns praticantes de magia negra e magia do caos e são muito utilizados em trabalhos que envolvam o Mito Lovecraftiano ou belíssimas reproduções de novas versões (ou versões antigas, como preferir) do tomo escrito por Abdul Al-Hazred.

Sânscrito

A língua sânscrita, ou simplesmente sânscrito, (संस्कृत; em devanāgarī, pronuncia-se saṃskṛta) é uma língua da Índia, com uso litúrgico no Hinduísmo, Budismo, Jainismo. O sânscrito faz parte do conjunto das 23 línguas oficiais da Índia.

Com relação à sua origem, a língua sânscrita é uma das línguas indo-européias, pertencendo, portanto, ao mesmo tronco lingüístico de grande parte dos idiomas falados na Europa. Um dos sistemas de escrita tradicionais do sânscrito é o devanāgarī, uma escrita silábica cujo nome é um composto nominal formado pelas palavras deva (“deus”, “sacerdote”) e nāgarī (“urbano(a)”), que significa “[escrita] urbana dos deuses”. O sânscrito foi registrado ao longo de sua história sob diversas escritas, visto que cada região da Índia possui uma escrita e uma tradição cultural particularmente diferenciada. A escrita devanágari (seu nome, em português, é acentuado como proparoxítona) acabou-se tornando a mais conhecida devido a ser a mais utilizada em edições impressas de textos originais.

É uma das línguas mais antigas da família Indo-Européia. Sua posição nas culturas do sul e sudeste asiático é comparável ao latim e o grego na Europa e foi uma proto-língua, pois influenciou diversas outras línguas modernas. Ela aparece em forma pré-clássica como o sânscrito védico, sendo o idioma do Rigveda o seu estado mais antigo preservado, desenvolvido em torno de 1500 a.C.[1]; de fato, o sânscrito rigvédico é uma das mais antigas línguas indo-iranianas registradas, e um dos membros mais antigos registrados da família de línguas indo-européias[2]. O sânscrito é também o ancestral das linguagens praticadas da Índia, como o Pali e a Ardhamgadhi. Pesquisadores descobriram e preservam mais documentos em sânscrito do que documentos em latim e grego. Os textos védicos foram escritos em uma forma de sânscrito.

Alfabeto Tebano

As origens do alfabeto Tebano se perderam há muito tempo, ele é conhecido como as Runas de Honório – já que muitos atribuem sua criação a Honório de Thebas, mas durante a idade média ficou conhecido também como o alfabeto das bruxas.

Este alfabeto é notável por não possuir nenhuma correspondência com o alfabeto latino, à excessão das letras j e u (ou I e V). Ele surgiu a primeira vez na publicação Polygraphia de Johannes Trithemius, de 1518. Enquanto Trithemius o atribuia a Honório, seu estudante mais conhecido, Agrippa, o atribuiu a Pietro d’Abano.

Hoje em dia este alfabeto é muito usado por praticantes de Wicca e outras formas mais antigas de paganismo. Alguns o chamam também de Escrita Angélica(l) e é usada também como forma de comunicação com anjos já que muitos crêem que caso se queira pedir algo para um anjo a chance de ser agraciado com um resultado positivo é muito maior caso se use esta escrita.

Alfabeto das Adagas

Este alfabeto é uma cifra baseada no alfabeto latino e é usado para propósitos mágicos, como desenvolver imagens, selos ou mesmo textos inteiros. Existem inclusive cartas como as de taro e peças como as de dominó que usam esses símbolos como formas divinatórias, ele aparece a primeira vez no livro A Visão e A Voz de Aleister Crowley.


BÔNUS

Além das fontes de símbolos, nós coletamos algumas fontes desenvolvidas pela Howard Philips Lovecraft Historical Society para fins mais lúdicos. Inspirada pelos contos do autor essas fontes reproduzem os meios de comunicação de época de forma extremamente fiel. Estas fontes podem ser usadas por pessoas que desejem dar uma aparência antiga e real para documentos, tratados e mesmo panfletos e livros.

HPLHS-OldStyle1, PLHS-OldStyle Italic, HPLHS-OldStyle Small Caps,  são fontes digitalizadas diretamente do catálogo Linotype da década de 1930.

HPLHS-Blackletter é uma fonte texturizada e irregular que simula uma letra escrita à mão inspirada no engravador frances Charles Demengeot. É o tipo de letra usada para se escrever tomos de ocultismo que parecem ter sido escritos por monges loucos.

HPLHS-WW2Blackletter foi baseada em documentos alemães reais da década de 1930. Existe em duas versões: uma com ornamentos e outra sem.

HPLHS-Telegram é uma réplica detalhada das fontes usadas em telegramas reais da Western Union nas décadas de 1920 e 1930.

HPLHS-Headline One é uma réplica das letras usadas em cabeçalhos de jornais da época.

HPLHS-Headline Two é uma adaptação mais rústica da fonte Erbar, usada nas máquinas de linotipo usadas para o corpo das notícias em jornais das décadas de 1920 e 1930.

HPLHS-SlabSerif é um alfabeto condensado baseado nas letras esculpidas em madeira, era muito usado em subtítulos em notícias de jornais, posteres de procurados e outras coisas do tipo.

NOTA

É importante notar que todas as fontes aqui apresentadas tem como o objetivo complementar trabalhos mágicos. Muitas delas faziam partes de sistemas que possuem uma gramática própria enquanto outras eram apenas transliterações. Caso você não tenha conhecimento dos sistemas em que elas são utilizadas elas ainda servem como curiosidade. Mas as fontes e caracteres por sí próprios não possuem muito valor, é necessario um estudo para saber como utilizá-los da maneira correta.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/arquivo-de-fontes-morte-subita-inc/

Anjos Fósseis

Considere o mundo da magia. Uma diversidade de ordens ocultas que, quando não tentam refutar a procedência da outra, ou ficam criogenicamente suspensas na sua raiz ritual, seu jogo de Aiwaz diz, ou então parecem perdidas em alguma expansão canalizada por spam do Dungeons & Dragons, fora do mapa, em algum novo universo injustificável e completamente sem valor, até que eles demonstrem que é como um adesivo preto de unhas colado sobre o antigo. Autoconscientes de estranhas transmissões vindas de entidades com síndrome de Touret, martelando um glossário de horrores. Paralisados olhando bolas de cristal que de alguma forma, recebem trailers do canal Sci-Fi. Muito longe dos chefes secretos, e, no mesmo contexto, muito longe também dos índios secretos.

Além disso, os que passam pelos portões rangentes das sociedades ilustres, são os cinquentões babacas que começam com planos de ingressar no palácio celestial, mas inevitavelmente acabam no Bates Motel, e fora disso estão as massas. Os videntes. Um eco incoerente do nosso superlotado circulo hermético, os Akashicos, Anoraks, os autoproclamados Wiccans e o templo dos quarentões- qualquer- coisa, convencendo pré-adolescentes, para mais tarde vender a eles uma franquia do reino das fadas, o famigerado reino de Potersville.

Exatamente como isso confirmaria um aeon de Hórus, esse aeon de nada exceto mais aparências, consumismo, status de gangster, a pedra filosofal do materialismo¿ Como pode uma aquiescência instintiva a ideias conservadoras ser um sinal de Thelema¿ Cthulhu esta voltando á qualquer momento, há maldições bárbaras das trevas que alguns iluministas tentam encontrar com suas lanternas¿ O ocultismo ocidental contemporâneo não possui nenhum talento em mensurar resultados além de truques de salão¿ A magia tem algum uso definido para a raça humana, fora oferecer a oportunidade de se vestir bem¿

Iguarias tântricas e sacerdotes em noites temáticas thelemicas. Pentagramas em seus olhos. “Esta noite Matthew, eu sou o logos do Aeon”. A magia tem demonstrado um proposito, justificando sua existência da mesma forma que a arte, ou a ciência, ou a agricultura se justificam¿ Resumindo, alguém tem alguma pista do que estamos fazendo, ou precisamente pra que estamos fazendo isso¿.

Certamente, a magia nem sempre foi tão aparentemente separada de toda a função humana básica. Suas origens xamânicas no Paleolítico certamente representaram, naquele momento, os únicos meios humanos de mediação com um universo em grande parte hostil sobre o qual ainda havia muito pouca compreensão ou controle. Dentro de tais circunstâncias, é fácil de conceber a magia como representando originalmente uma realidade, um ponto de apoio, uma visão de mundo em que todas as outras vertentes da nossa existência… a caça, a procriação, elementos com os quais lidam as pinturas nas paredes das cavernas… eram fundidos. A ciência do todo, a sua relevância para as preocupações dos mamíferos comuns eram tanto óbvias, como inegáveis.

Este papel, de uma “filosofia natural” incluída no todo, obtido ao longo do surgimento da civilização clássica podia ainda ser ainda ser vista, de forma mais furtiva, até o final do século 16, quando as ciências ocultas e mundanas não eram tão distinguíveis como são hoje. Seria surpreendente, por exemplo, que John Dee não permitisse que seu conhecimento da astrologia desse contribuições inestimáveis para a arte da navegação, ou vice-versa. Não até a Idade da Razão, que gradualmente limitou a nossa crença e, assim, entrar em contato com os deuses que tinham sustentado nossos antepassados, fariam nosso senso incipiente de racionalidade identificar o sobrenatural como um mero órgão vestigial no corpo humano, obsoleto e, possivelmente, falecido, melhor então que fosse retirado rapidamente.

A Ciência cresceu fora da magia, embora fosse descendente dela, a sua aplicação era mais prática e, portanto, materialmente rentável, muito em breve decidiu-se que o ritual e toda a matéria simbólica da sua cultura-mãe, a alquimia era redundante, um estorvo e um atraso. Orgulhosa em seu novo jaleco branco, usando canetas como medalhas no peito, a ciência veio a ter vergonha de seus companheiros (história, geografia, P.E) não queria se pega fazendo compras com a mamãe, resmungando e cantando. Seu terceiro mamilo. Melhor então que ela fosse escondida em algum local seguro, um asilo para de paradigmas idosos e decadentes.

O abismo que isso causou na família humana das ideias parecia intransponivell, com duas partes do que tinha sido um único organismo, substituído pelo reducionismo, uma “ciência do todo” inclusive ao tornarem-se dois pontos de vista, cada um, aparentemente, em amarga e feroz oposição ao outro. A Ciência, no processo deste divórcio amargo, pode, eventualmente, ter perdido o contato com a sua componente ética, com a base moral necessária para evitar a reprodução de monstros. A Magia, por outro lado, perdeu toda sua utilidade e finalidade comprovada, como acontece com muitos pais quando o bebe cresceu e deixou o ninho. Como preencher o vazio? A resposta é, se estamos falando de magia e do mundo deprimido de mães e pais com ninhos vazios, é, com toda a probabilidade, “com o ritual e nostalgia”.

O ressurgimento da magia no século XIX, com a sua natureza retrospectiva e essencialmente romântica, parece ter sido abençoada com esses dois fatores em abundância. Enquanto é difícil exagerar as contribuições feitas á magia como um campo por, digamos, Eliphas Levi ou os vários magistas da Golden Dawn, é tão difícil argumentar que essas contribuições não foram esmagadoramente sintéticas, na medida em que aspiravam criar uma síntese do conhecimento já existente, para formalizar as sabedorias variadas dos antigos.

Não podemos menosprezar esta realização considerável se observarmos que a magia, durante essas décadas, beirava uma proposital corrida pela caracterização pioneira, como por exemplo, nos trabalhos de Dee e de Kelly. Em seu desenvolvimento do sistema Enochiano, a magia renascentista apareceria com uma urgência criativa e experimental, voltada para o futuro. Em compensação, os ocultistas do século XIX também parecem quase ter-se deslocado no tempo para reverenciar a magia do passado, fazendo uma exposição de museu, criando um acervo, um arquivo, onde cada qual era um curador individual.

Todos os robes e as insígnias, com o seu ar da reencenação histórica para multidões, as sociedades ultra secretas, apenas uma engrenagem fracionada para os menos imbecis verem. O consenso preocupante sobre os valores de direita e o número de vítimas confusas tropeçando umas nas outras do outro lado, provavelmente teria sido idêntica. Os ritos das ordens mágicas, também são semelhantes às bandas de cromwell exaltando homicidas bêbados, a alegria da gravidez se opondo ao sombrio rodízio, implacável frente á realidade industrial. Varinhas lindamente pintadas, obsessivamente levantam piquetes autênticos, contra o avanço sombrio das chaminés. Quanto disto pode ser descrito com mais precisão como fantasias compensatórias para a era das máquinas? role-playing games que só servem para sublinhar o fato brutal que essas atividades não têm relevância humana contemporânea. Uma recriação melancólica de momentos eróticos pela mente de um impotente.

Outra distinção clara entre os magistas do século XVI e os do século XIX encontra-se em sua relação com a ficção de sua época. Os irmãos do inicio da Golden Dawn parecem ser inspirados mais pelo puro romance da magia do que por qualquer outro aspecto, com S.L McGregor Mathers atraído para a arte pelo seu desejo de viver a fantasia de Bulwer-Lytton Zanoni. Incentivando Moina para se referir a ele como “Zan”, alegadamente. Woodford e Westcott, por outro lado, ansiosos para estar dentro de uma ordem que tinha ainda mais parafernália do que Rosacruz e a Maçonaria, e de alguma forma adquirir um contato nas (literalmente)   lendárias fileiras de the Geltische Dammerung, o que significa algo como “a sagrada hora do chá”. Eles esperam para receber seus diplomas vindos de Nárnia, em fila atrás do armário. Como Alex Crowley, irritantemente tentando persuadir seus colegas de escola a se referir a ele como Alastor de Shelley, como alguns que se acham os góticos de Nottingham, um cara chamado Dave insistindo que seu nome vampiro é Armand. Ou, um pouco mais tarde, todos os antigos cultos de bruxas, todos os clãs de linha de sangue brotando como pétalas de dentes do dragão, onde quer que escritos de Gerald Gardner estivessem disponíveis. Os ocultistas do século XIX e início do século XX pareciam todos quererem ser o gênio de Aladdin, de alguma pantomima interminável. Para viver o sonho.

John Dee, por outro lado, era talvez mais consciente do que qualquer outra pessoa de sua época. Mais focado no propósito. Ele não precisou procurar por antecedentes nas ficções e mitologias disponíveis, porque John Dee não estava em nenhum sentido fingindo, não estava jogando jogos. Ele inspirou, ao invés de ser inspirado pelas grandes ficções mágicas de seu tempo. Prospero de Shakespeare. Fausto de Marlow. Ben Johnson foram todos molhados com o mijo do Alquimista. A magia de Dee era uma força inteiramente viva e progressiva de seu tempo, ao contrario de algumas que eram exemplares empalhados de coisas extintas, já não existiam salvo em histórias ou contos de fadas.  A sua era, um capítulo novo, escrito inteiramente no tempo presente, uma aventura mágica em curso. Em comparação, aos ocultistas que se seguiram cerca de três séculos  abaixo na linha do tempo, onde mostram apenas um apêndice elaborado, ou talvez uma bibliografia, após o fato. A liga da preservação, dublando rituais de mortos. versões cover.  Magos de karaoke . A Magia, tendo desistido ou usurpado a sua função social, tendo perdido a razão de ser, por sua vez, tentando arrastar multidões, encontrou apenas o teatro vazio, as cortinas misteriosas e empoeiradas, cabides de vestidos esquecidos, adereços insondáveis de dramas cancelados. Na falta de um papel definido, cresceu incerta de suas motivações, a magia parece não ter economizado nenhum recurso para furar obstinadamente o roteiro estabelecido, consagrando cada última tosse e gesto, tendo um desempenho oco e liofilizado, devidamente embalado; artisticamente enlatada para o Património Inglês.

Como foi infeliz este momento na história da magia, com o conteúdo e função perdidos sob um verniz ritual muito detalhado, calças boca-de sino, sobre as quais as ordens posteriores escolheram se a cristalizar. Sem um objetivo ou missão facilmente perceptível, que não fosse produzir uma mercadoria comercializável, o ocultista do século XIX parece derramar uma quantidade excessiva de sua atenção sobre o papel de embrulho, a fantasia. Possivelmente incapaz de conceber qualquer grupo não estruturado na forma hierárquica das lojas que estavam acostumados, Mathers e Westcott obedientemente importado todas as antigas heranças maçônicas quando vieram a fornecer sua ordem incipiente. Apenas roupas, qualificações e implementos. A mentalidade de uma sociedade secreta de elite. Crowley, naturalmente, pegou toda esta bagagem cara e pesada, e levou com ele quando pulou fora do barco para criar a sua OTO, e todas as ordens, desde então, até os empreendimentos supostamente iconoclastas, como, digamos, a IOT, parecem finalmente ter adotado o mesmo modelo da alta sociedade vitoriana. Armadilhas do drama, teorias complicadas o suficiente para chamar a atenção, e esconder o que a faltava em caridade, e como podem perceber, a falta de qualquer resultado prático, qualquer efeito sobre a condição humana.

O número XIV (e talvez final?) Da estimável revista KAOS de Joel Biroco contou com a reprodução de uma pintura, uma obra surpreendente e assombrosamente bela, o retrato de Marjorie Cameron, ruiva assustadora, Dennis Hopper e seu companheiro de casa Dean Stockwell, retratavam a suposta Mulher Escarlate, Pilar Thelêmico. Quase tão intrigante quanto o trabalho em si, no entanto, é o título: Fóssil de anjo, com suas conjuras contraditórias de algo maravilhoso, inefável e transitório, combinado com aquilo que é, por definição, morto, inerte e petrificado. Existe uma metáfora para nós nisso, tanto decepcionante quanto instrutiva? Não é possível, que todas as ordens mágicas, com suas doutrinas e seus dogmas, interpretaram erroneamente como restos calcificados e inertes de algo que uma vez foi imaterial e cheio de graça, vivo e mutável? Como energias, como inspirações e ideias que dançavam de mente para mente, evoluindo até que, finalmente o gotejamento de calcário do ritual e da repetição congelou-os em seus caminhos, obstruindo-os, deixando-os para sempre no meio do caminho, o final inalcançável, um gesto incompleto? Iluminações, tribulações. Anjos fósseis.

Algo imperfeito e etéreo uma vez desceu rapidamente, quicando como uma pedra na superfície da nossa cultura, deixando a sua fraca impressão tênue no barro humano, uma pegada que nós deixamos endurecer no concreto e, aparentemente, permanecemos ajoelhados perante ela durante décadas, séculos, milênios. Recitar os encantamentos, como canções de ninar familiares e calmantes palavra por palavra, em seguida, resgatando cuidadosamente os velhos e amados dramas, talvez faça algo acontecer, como fez antes.  Colocando bobinas de papel alumínio e palitos de algodão doce em que a caixa de papelão, para que se pareça vagamente com um rádio e então talvez John Frum venha, trazendo os helicópteros de volta? A ordem oculta, inundada de fetiches, um concurso para alguns, há meio século, sentan-se como Miss Haversham e se perguntam se os besouros do bolo de casamento de alguma forma confirmam Liber Al vel Legis.

Mais uma vez, nada disso tem a intenção de negar a contribuição que as várias ordens e suas obras fizeram a magia como um campo, mas apenas observar que essa contribuição reconhecidamente considerável é, em grande parte, uma privação de liberdade em sua natural preservação do folclore passado e ritual, ou então que a sua elegante síntese de ensinamentos diferentes é a sua principal ( e talvez única) conquista. Além dessas realizações, no entanto, o legado duradouro da cultura ocultista do século XIX parece principalmente, a antítese da saudável e continuada evolução, a proliferação contínua viável da magia, que, como uma tecnologia, certamente superou á muito tempo essa ornamentação do final da era vitoriana e tem extrema necessidade de mudança. Toda a mobília maçônica importada por Westcott e Mathers, basicamente, por incapacidade de imaginar qualquer outra estrutura válida, é hoje, pelas características da atualidade, uma limitação e impedimento para a promoção da magia.  Gerando engodos jamais vistos, linhas cerimoniais demasiado restritas que condicionam todo o crescimento, restringem todo o pensamento, ao limitar as maneiras em que nós concebemos ou podemos conceber a magia. Imitar-se as construções do passado, pensando em termos de hoje, não é necessariamente aplicável – talvez nunca realmente fosse – o que parece ter tornado o ocultismo moderno totalmente incapaz de enxergar diferentes métodos pelos quais possa organizar-se; incapaz de imaginar qualquer progresso, qualquer evolução, qualquer futuro, o que provavelmente é uma forma perfeita de garantir que ele não tenha um.

Se a Golden Dawn é muitas vezes apontada como um modelo, um exemplar radiante da ordem perfeita e bem sucedida, isto acontece quase certamente porque suas fileiras incluíam muitos escritores conhecidos de capacidade comprovada, cuja adesão emprestava a sociedade mais credibilidade, que ela nunca teria como pagar a eles. O brilhante John Coulthart sugeriu que a Golden Dawn pode ser caridosamente considerada uma sociedade literária, onde escribas renomados procuravam uma magia que poderiam ter encontrado demonstrável e evidente, já viva e funcionando em seus próprios trabalhos, eles não eram cegados pelo brilho de toda aquela cerimônia, pelo kit fantástico. Um autor que claramente contribuiu com algo que era de valor real mágico para o mundo através de sua própria ficção, muito mais do que através de quaisquer operações na loja foi Arthur Machen. Embora admitindo ter grande prazer em todo o mistério e maravilha das cerimônias secretas da ordem, Machen se sentiu compelido a adicionar ao escrever sobre a Golden Dawn em sua autobiografia, Coisas do tipo “como qualquer coisa vital na ordem secreta, por qualquer coisa não tinha mais importância que dois pedaços de palha para qualquer ser razoável, não havia nada nela, e às vezes menos do que nada”… a sociedade como uma sociedade era pura loucura preocupada com o impotente e imbecil abracadabra. Eles não sabiam nada sobre qualquer coisa e ocultavam o fato debaixo de um ritual impressionante e uma fraseologia sonora. Astutamente, Machen observa a relação aparentemente inversa entre o conteúdo genuíno e inventado, dos elaborados formulário que caracterizavam as ordens desta natureza, uma crítica tão relevante hoje, como era em 1923.

O território de magia, em grande parte abandonada como demasiado perigosos desde o período de Dee e Kelly, foi demarcado e recuperado (quando isso se tornou seguro) por entusiastas do ocultismo do século XIX, por suburbanos de classe média que transformaram a relva ressecada e negligenciada em uma série de requintados jardins ornamentais.  Inventando elementos decorativos, estátuas e adereços de grande complexidade, a imitação de um passado imaginado por sacerdotes hiperativos. Deuses terminais entre as camas arrumadas com azaleias.

O problema é que os jardineiros, por vezes brigavam. Disputas de fronteira. Vinganças e despejos de inquilinos lunáticos. Propriedades invejáveis estão fechadas, são muitas vezes ocupadas por novas famílias problemáticas, novos clas. Apegando-se a antiga placa de identificação, mantendo o mesmo endereço, e permitindo que seus fundamentos caíssem em estado de abandono. Lesmas nojentas e ervas-daninhas espalhando-se entre as rosas de vinte e duas pétalas. Nos anos noventa, a paisagem cansada do jardim da magia se tornou uma expansão mal conservada de loteamentos baratos, com infiltrações e pintura descascada, as casas de veraneio agora se tornam meros galpões onde paranoicos vigilantes se sentaram acordados a noite toda, com suas espingardas esperando vândalos adolescentes. Não há nenhum produto que vale a pena mencionar. As flores perderam o perfume e não mais conseguem encantar. Sabe, eram todos lamens extravagantes e xadrez Enoquiano por aqui , e agora ao olhar para ele, as sebes de topiaria Gótica estão ressecadas como estopa, a podridão toma conta desse gazebo Rosacruz, as madeiras estão secas. Este lugar agora só serve para receber o seguro quando pegar fogo.

Não, é sério. Terra queimada. É tudo o que dá para recomendar. Pense como ficaria quando todos os mantos e estandartes fossem capturados. Pode até mesmo ser que toda mente, corpo e Espírito monstruoso do vento vá na direção certa. Perda de vidas e meios de subsistência seria, evidentemente, inevitável, alguns danos colaterais no setor empresarial, mas com certeza seria muito bonito. As vigas do templo desmoronando em meio às faíscas. “Esqueça-me! Salve os manuscritos cifrados!” Entre as inúmeras missas gnósticas, juramentos, conjuras e banimentos, o que os levou a esquecer de seu péssimo treinamento contra incêndios? Ninguém está completamente certo sobre como eles devem evacuar o circulo interno, nem sei quantos ainda podem estar lá. “Finalmente, surgirão historias de cortar o coração sobre a bravura individual.” E-Ele voltou para resgatar o desenho LAM, e nós não pudemos impedi-lo. “Após um momento de lágrimas, para aconselhamento”. Enterrar os mortos, nomear sucessores. Abrir o selo do Himeneu Gamma. Lançar um olhar triste as nossas terras enegrecidas. Viver um dia de cada vez, Santo Deus. Assoar nossos narizes, nos recompor. De alguma forma, nós vamos superar.

E então? Terra queimada, é claro, é rica em nitratos e fornece uma base para a agricultura de corte e queima. Em terra carbonizada, aparecem os pontos verdes da recuperação. A vida revolve-se indiscriminadamente, agitando a terra preta. Poderíamos sacrificar esses gramados outrora imponentes e terraços á sua volta para o deserto. Por que não? Pense nisso como o ambientalismo astral, a recuperação de um cinturão verde psíquico debaixo da pavimentação, oculto pelas lajes vitorianas rachadas, como um incentivo para o aumento da biodiversidade metafísica. Considerado como um princípio organizador para o trabalho de mágica, a estrutura fractal complexa e autogerada de uma selva parece tão viável como toda a ordem do tabuleiro de xadrez imposta e espúria de um piso preto e branco; parece, de fato, consideravelmente mais natural e vital. Afinal de contas, o tráfego de ideias é que é a essência e a alma de magia é mais naturalmente transacionado nos dias de hoje pelo trafego de informações de um tipo ou outro, em vez de segredos como rituais solenemente alcançados após longos anos de cursinhos em Hogwarts. Não tem sido este jeitão de floresta tropical, de fato, a configuração padrão do ocultismo ocidental prático há algum tempo? Por que não sair e admitir isso, destruir todos estes clubinhos que não são tem mais qualquer utilidade nem beleza, e abraçar a lógica de lianas? Dinamitar as barragens, enfrentar a inundação, permitir a nova vida florescer nos habitats onde anteriormente estava moribunda e ameaçada de extinção.

Em termos de cultura oculta, nova vida equivale a novas ideias. Frescas e se contorcendo nas sombras, possivelmente girinos conceituais venenosos, essas pragas de cores vivas devem ser estimuladas em nosso novo ecossistema imaterial, para que ele floresça e permaneça em saúde. Vamos atrair as pequenas e frágeis ideias que brilham como néon, e as mais resistentes e grandes ideias muito mais fortes, que se alimentam delas. Se tivermos sorte, o frenesi alimentar pode chamar a atenção dos grandes paradigmas-raptor, que atropelarão tudo e agitarão a terra. Lutas ferozes, da mais minúscula bactéria ao incrivelmente grande e feio monstro, todos travando uma luta gloriosa e sangrenta, sem supervisão, pela sobrevivência, uma bagunça darwiniana espetacular.

Doutrinas esfarrapadas encontram-se incapazes de superar o argumento assassino, elegante e cheio de dentes. Dogmas Mastodontes e velhos vão escorregando para baixo na cadeia alimentar, e entrando em colapso sob seu próprio peso servindo de refeição para os carniceiros, virando historia, e em algum lugar há o zum-zum-zum do bate-papo na sala das moscas que colocam seus ovos. Trufas miméticas crescidas a partir da decomposição dos Aeons. Revelações vivas surgiram como um foguete em Londres, do seu meio natural, a expansão bombástica e desordenada. Pânico em Arcádia, cheia de abelhas assassinas. Seleção sobrenatural. Os mais fortes teoremas, os melhores adaptados estão autorizados a prosperar e se propagar, os fracos são sushi. Certamente esta é Thelema hardcore em ação, além de representar uma old-school produtiva e autêntica, o caos que deve aquecer o coração de qualquer um. De tal aplicação vigorosa do processo evolutivo, é difícil ver como a magia que é um campo de conhecimento poderia colher benefícios ao fazer o contrário.

Por outro lado, ao aceitar um meio menos cultivado, menos refinado onde a concorrência pode ser feroz e barulhenta, magia estaria fazendo não mais do que expor-se às mesmas condições que dizem respeito aos seus parentes mais socialmente aceitos, a ciência e a arte. Apresentar uma nova teoria para explicar a massa faltante do universo, ao apresentar alguma instalação conceitual difícil para o Prêmio Turner, é preciso aceitar sem dúvida que a sua ideia vai ser submetida ao escrutínio intenso, em grande parte hostil e proveniente de algum campo rival. Cada partícula de pensamento que desempenhar um papel na construção de sua teoria será desmembrada e examinada. Apenas se nenhuma falha for encontrada o seu trabalho será recebido no cânone cultural. Em toda a probabilidade, mais cedo ou mais tarde o seu projeto de estimação, a sua teoria de estimação vai acabar obsoleta e só servira para decorar as paredes manchadas dessas velhas, arenas públicas impiedosas. Assim é como deve ser. Suas ideias são transformadas e atropeladas, mas o próprio campo é reforçado e melhorado por este teste incessante. Ele avança e sofre mutações. Se o nosso objetivo é verdadeiramente o avanço da visão de mundo mágica (em vez de avanço de nós mesmos como seus instrutores), como alguém poderia opor-se a tal processo?

A menos, claro, que o avanço desta natureza não seja realmente o nosso objetivo, o que nos traz de volta às nossas perguntas de abertura: o que exatamente estamos fazendo e por que estamos fazendo isso? Sem dúvida, alguns de nós estão envolvidos na busca legítima de entendimento, mas isso levanta a questão de como fazemos isso. Temos a intenção de usar essa informação de alguma maneira, ou apenas de acumular conhecimento exclusivamente para seu próprio bem, para nossa satisfação particular? Será que desejamos, talvez, ser vistos como sábios, ou melhorar nossas personalidades sem brilho com notas de conhecimento secreto? Buscamos algum status que pode ser alcançado mais facilmente por uma perseguição do ocultismo, onde convenientemente, não existem padrões mensuráveis para que possamos ser julgados? Ou será que nós nos alinhamos com a definição de Crowley das artes mágicas como trazer mudanças de acordo com a sua vontade, o que quer dizer alcançar alguma medida de poder sobre a realidade?

Esta última, suponho que seria o motivo atualmente mais popular. O crescimento da Magia do Caos na década de 1980 centrado em uma série de promessas que o promoveram, como o mais notável, entre elas a entrega de um sistema de magia baseado em resultados que era prático e fácil de usar. O desenvolvimento único e altamente pessoal de Austin Spare da magia com sigilos, foi-nos dito, poderia ser adaptado para aplicação quase universal, iria fornecer um simples, infalível meio pelo qual o desejo do coração de alguém poderia ser tanto fácil e como imediatamente cumprido. Pondo de lado a questão “Isso é verdade?” (E a resposta gritante “Se for, então por que todos os seus defensores Ainda mantem seus dias de trabalho, em um mundo globalizado, certamente cada vez mais longe dos desejos do coração a cada semana que passa?”), talvez devêssemos perguntar se a prossecução desta atitude pragmática, causal com trabalho oculto é realmente um uso digno de magia.

 

Se formos honestos, a maior parte da feitiçaria causal como é praticado provavelmente é feita na esperança de realizar alguma mudança desejada em nossas duras circunstâncias materiais. Em termos reais, isso provavelmente envolve pedidos de dinheiro (mesmo Dee e Kelly não estavam acima chamando os anjos por um centavo de vez em quando), os pedidos de alguma forma de gratificação emocional ou sexual, ou talvez em algumas ocasiões um pedido para que aqueles que sentimos ter nos menosprezado ou ofendido sejam punidos. Nesses casos, mesmo em um cenário menos cínico, onde o propósito da magia é, digamos, ajudar um amigo em sua recuperação de uma doença, podemos alcançar nossos objetivos muito mais, certa e honestamente, bastando cuidar dessas coisas em um plano material não divino?

Se, por exemplo, é o dinheiro que exigem, por que não imitar o verdadeiro exemplo dado por Austin Spare (quase o único entre os magos que aparentemente viu o uso da magia para atrair mera riqueza como uma anátema) em relação a tais preocupações? Se quisermos dinheiro, então por que não podemos magicamente levantar nossas bundas gordas, e executar magicamente algum trabalho pela primeira vez em nossas vidas mágicas sedentárias, e ver se as moedas solicitadas não são magicamente algum tempo depois somadas as nossas contas bancárias? Se for o afeto de algum objeto de amor não correspondido que estamos buscando, a solução é mais simples ainda: sorrateiramente esperá-la em alguma esquina, e então estuprá-la. Afinal, a miséria moral de que você fez não será pior, e pelo menos você não vai ter arrastado o transcendental j, pedindo que os espíritos a segurem para você. Ou se há alguém a quem você realmente vê como merecedor de alguma retribuição terrível, ao invés de colocar seu nome embaixo de uma clavícula de Salomão porque não avançar direto sobre ele, como um cão pegando um osso, cortando-o com uma navalha do Frankie ou do Big Stan. O capanga contratado representa a decisão ética de escolha quando comparado com o uso de anjos caídos para com o trabalho sujo (isto é assumindo que o que vai volta para casa do cara que mandou, e talvez mesmo, você sabe, ficando com ele e seguindo em frente, não são opções viáveis). Mesmo o exemplo do amigo doente citado anteriormente: basta ir lá e visitá-lo. Apoiá-lo com o seu tempo, o seu amor, o seu dinheiro ou a sua conversa. Cristo! Enviar-lhe um cartão com um coelho de aparência triste dos desenhos animados na parte dianteira só fara você se sentir melhor, não ele. Magia intencional e causal poderia muitas vezes parecer ser sobre a realização de um fim bastante comum sem fazer o trabalho normal associado a ele. Podemos muito bem fazer melhor ao afirmar, como Crowley, que as nossas melhores e mais puras ações são aquelas realizadas “sem ânsia de resultado”.

Talvez sua máxima famosa, onde ele defende que nós devemos procurar “o objetivo da religião” utilizando “o método da ciência”, por mais bem intencionada que pareça, poderia ter levado a comunidade mágica (como é) a esses erros fundamentais. Afinal, o objetivo da religião, se examinarmos as origens latinas da palavra em religare (a raiz compartilhada com outras palavras como “ligamento” e “ligadura”), parece implicar que é melhor que todo mundo esteja “preso em uma crença”. Este impulso à evangelização e conversão deve, em qualquer aplicação no mundo real, chegar a um ponto onde aqueles vinculados por uma ligação virem para cima e contra aqueles ligados a outro conceito. Neste ponto, inevitavelmente, e historicamente, ambas as facções irão prosseguir a sua vontade programando-se para vincular e engolir a outra em sua única e verdadeira crença. Então nós vamos massacrar os taigs, os aguilhões, os goys, os Yids, os kuffirs e os ragheads. E quando isso historicamente e, inevitavelmente, não funciona, nós sentamos e pensamos sobre as coisas por um ou dois séculos, nós deixamos um intervalo decente, e então nós fazemos tudo de novo, o mesmo que antes. O objetivo da religião, enquanto claramente benigno, parece errar o alvo por uma ou duas milhas, lançada pelo recuo. O alvo, a coisa que eles estavam querendo acertar, fica lá ilesa, e as únicas coisas atingidas são Omagh ou Cabul, Hebron, Gaza, Manhattan, Bagdá, Kashmir, Deansgate, e assim por diante, e assim por diante, e assim por diante, para sempre.

A noção de unir está na raiz etimológica da religião é também, de forma reveladora, encontrada no ícone simbólico de varas amarradas, na aparência, o que gera o fascismo á longo prazo. O fascismo, com base em conceitos místicos como sangue e ‘volk’, é mais apropriadamente visto como religião do que como uma postura política, política supostamente baseada em alguma forma de razão, no entanto equivocada e brutal. A ideia compartilhada de presos a uma fé, uma crença; que na unidade (assim, inevitavelmente, na uniformidade) existem linhas de força, parece antitético à magia, que de alguma forma, é certamente pessoal, subjetiva e pertencente ao indivíduo, à responsabilidade de cada criatura sensível por chegar ao seu próprio entendimento, e assim, fazer a sua própria paz com Deus, o universo e tudo mais. Então, se a religião pode ser usada para encontrar um equivalente político próximo no fascismo, pode ser dito que a magia tem como equivalente politico mais natural à anarquia, o oposto do fascismo (decorrente de archon ou “nenhum líder”)? Que, naturalmente, nos leva de volta aos templos queimados e postos a baixo, despossuídos e sem espaço para os cabeças de ordem, a terra queimada e a abordagem anárquica e desértica natural à magia, como sugerido anteriormente.

A outra metade da máxima de Crowley, em que ele promove a metodologia da ciência também parece ter suas falhas, mais uma vez, por mais bem intencionada. Baseando-se nos resultados materiais, a ciência é talvez o modelo que levou as artes mágicas a sua causal decadência, como descrito acima. Além disto, se aceitarmos os caminhos da ciência como um ideal processual a que nossos trabalhos de magia podem aspirar, não caímos no perigo de também adotar uma mentalidade materialista e científica no que diz respeito às inúmeras e diferentes forças que preocupam o ocultista? Um cientista que trabalha com eletricidade, por exemplo, irá justamente considerar a energia como um valor neutro, um poder irracional que pode ser facilmente usado para executar os trabalhos de um hospital, ou acender um lava-lamp, ou para fritar um negro com mentalidade de nove anos de idade, no Texas. Magia, por outro lado, na experiência pessoal, não parece ser neutra em sua natureza moral, nem parece sem sentido. Pelo contrário, ao que parece, é um modo de estar ciente e ativamente inteligente, viva, em vez de viver em cima do muro. Ao contrário da eletricidade, há a sugestão de uma personalidade complexa, com características quase humanas, tais como, por exemplo, um aparente senso de humor. Ainda bem, quando se considera o desfile de truques pomposos de entretenimento que tem sido realizados e tolerados ao longo dos séculos. Magia, em suma, não parece estar lá apenas para ativar sigilos, que são versões astrais do gadget economizando o trabalho ou o aparelho. Ao contrário da eletricidade, pode se pensar que tem a sua própria agenda.

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Fossil Angels foi escrito por Alan Moore em dezembro de 2002, para ser publicado na KAOS # 15. KAOS # 15, na verdade nunca foi publicado, e o artigo ficou sem espaço desde então. (Mais informações sobre KAOS e por que não foi publicado estão neste artigo no Bleeding Cool.) Eu tive a sorte de receber vários textos de Alan Moore do próprio Alan, há alguns anos, e este estava entre eles. Perguntei se poderia publicá-lo e, quando apareceu outra publicação interessada nele, Alan me disse que eu estava livre para ir em frente. Então, eu tenho muito orgulho de ser autorizados a apresentar este artigo aqui na Glycon para a sua primeira publicação.  Foi escrito em duas partes, com um link para a segunda, no final desta página. Este artigo é e continua sendo, de propriedade exclusiva, com todos os direitos autorais pertencentes ao seu criador, Alan Moore.

Texto de Alan Moore. Tradução Giuliana Ricomini

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anjos-fosseis/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anjos-fosseis/

Teoria e Prática: o Livro e a Espada

Seja na magia do caos, na magia tradicional ou em qualquer área do conhecimento, fala-se muito da importância de aprofundar-se tanto na teoria quanto na prática. Conforme a época, o lugar e a área do saber, essas concepções mudam. Às vezes valoriza-se mais a teoria ou mais a prática, devido a motivos culturais, políticos, econômicos, dentre outros.

Na magia atual, vejo muitas críticas aos chamados “magistas de poltrona” (armchair magicians), que “só estudam e não praticam”. Eu conheço uma prática em que se fica sentado “sem fazer nada”, que segundo os relatos levaram muitos à iluminação: ela se chama meditação. Para magistas que apreciam ficar sentados em suas poltronas essa seria uma boa ideia. Mas brincadeiras à parte, será que teoria e prática são assim tão separadas? Algumas sistematizações são mais úteis que outras. Qual seria o caso aqui?

Na Idade Antiga, como na Grécia, trabalhos manuais costumavam ser pouco valorizados e os trabalhos intelectuais eram exaltados (como aqueles dos filósofos). Tanto que a palavra “escola” vem do grego “scholé”, que significa “lugar do ócio”, significado que se busca resgatar, no sentido de “ócio criativo”, que leva ao surgimento de novas ideias, e consequentemente novos paradigmas. Na Idade Média, os médicos aprendiam a teoria e quem realizava as cirurgias eram os barbeiros-cirurgiões, que recebiam pouquíssimo treinamento teórico, sendo considerada uma profissão inferior.

Hoje, o médico cirurgião com destreza manual é algo apreciado.

Na época em que vivemos, um diploma universitário costuma ter mais status do que fazer um curso técnico, sugerindo a maior valorização da teoria em relação à prática. Por outro lado, ter feito cursos técnicos de certas áreas às vezes proporciona um salário mais alto (seja a curto ou longo prazo) do que ter feito certos cursos universitários. E também há aqueles cursos universitários valorizados no mercado de trabalho por harmonizarem teoria e prática no currículo. Existem bolsas tanto para pesquisas quanto para estágios em universidades, mas é comum que a verba para muitas pesquisas importantes seja negligenciada, valorizando-se mais aquilo que tenha aplicação prática direta.

Disso tudo concluímos que não existe nenhuma verdade universal que defina a supremacia da teoria em relação à prática ou vice-versa. As duas são importantes e uma pode prevalecer sobre outra dependendo da área, do momento e de muitos outros fatores.

O que é o ser humano e o que ele busca? Ele é corpo, mas também é mente. Também é alma, é espírito, acrescentariam alguns. Nós não passamos nossa existência apenas no mundo da prática, ou no mundo material. Passamos boa parte dela dormindo, sonhando, imaginando, pensando, planejando. Pensar é teoria, certo? Mas imaginar é teoria ou prática? Se eu faço uma visualização eu estou realizando um exercício teórico ou prático? Uma visualização no interior de uma meditação que tenha como objetivo lançar um sigilo (gnose inibitória) já é definida como prática, certo? Em que ponto será que a fronteira entre teoria e prática se quebra? E será que ela é quebrada realmente em algum momento ou é só nossa mente sistemática que separa o instante em que o estudo teórico acabou e a prática começou?

Quando iniciamos um ritual de magia cerimonial, nós costumamos colocar nossa mente em modo de prática. Vestimos um robe, agitamos uma espada e anunciamos para o universo, seja em voz alta ou em silêncio, que a magia começou. Talvez você até toque um sininho ou uma trombeta para se certificar de que os espíritos entenderam.

No momento da leitura, entramos em modo de “teoria” e intencionalmente acionamos uma área do cérebro diferente. Mas será que não é possível praticar enquanto se estuda e vice-versa? Uma prática pode gerar um grande aprendizado teórico e uma leitura pode ativar fortemente as emoções e gerar um resultado. Num retiro que fiz no início desse ano, a monja me deu a seguinte sugestão: usar um livro que eu estava lendo para meditar. Fomos juntas para a capela e conforme eu lia o livro em voz baixa, entoava em voz alta certos trechos que ressoaram fortemente em mim. Ela prosseguia entoando de volta outras frases que completavam as minhas. Isso gerou um tipo de ritual sagrado (eram ao mesmo tempo entoações dirigidas para Deus alternadas por uma sessão de leitura silenciosa), que fez surgir em mim muitas emoções e foi bastante poderoso. Pude aplicar a energia residual daquele momento em outras práticas que realizei logo a seguir.

Eu honestamente acho que essa briga de qual é mais importante, teoria ou prática, é desnecessária. Ambas são importantes e possuem seu lugar e seu momento na nossa vivência espiritual. Alguns se focam mais na teoria, outros mais na prática (assim como é o caso de nossas profissões), por variados motivos: por exemplo, porque se sentem inspirados em ir mais a fundo em uma delas naquele momento e simplesmente seguem essa intuição. E em outras épocas da vida isso pode mudar, de forma completamente natural.

Acredito que exista um sentido na divisão entre teoria e prática. Não sou contra sistematizações e não critico a forma com que a linguagem atrapalha na comunicação, já que sou da posição de que os benefícios superam os malefícios nesse caso. É aceitável que um magista que julgue estar lendo demais tente separar um tempo para a prática, ou que alguém que passe o dia lançando sigilos e erre muitos deles julgue que um maior aprofundamento na teoria possa levá-lo a uma solução original para melhorar a eficácia de sua magia. Entretanto, o ritmo e o estilo de cada um  deve ser respeitado.

Não é só porque eu (ou outra pessoa) leio muito, ou pratico muito, e isso funcione muito bem para mim que irá funcionar para todo mundo. É preciso reconhecer a importância de se chegar a uma harmonia entre ambos, mas que é uma harmonia para mim e para você? A magia do caos dá muita importância à magia prática (e rápida), mas também existem centenas de livros de caoísmo. Julian Vayne propôs o movimento do “slow chaos” como uma alternativa à magia rápida (como sigilos) dos caoístas. De forma análoga, pode existir um sistema na magia (e eles de fato existem) com foco intensamente teórico. Cada paradigma tem suas vantagens e desvantagens. É melhor ou pior ter mais teoria ou mais prática? Depende de seus objetivos.

Na magia do caos não devemos nos prender a regras e fórmulas prontas. Se você está cansado de escutar: “Pare de estudar e pratique”, mas você está muito feliz atualmente na sua vida espiritual, pessoal e profissional, além de as poucas magias que você faz funcionarem muito bem, qual é o problema? E o contrário também é verdadeiro: vamos supor que você faça muitos rituais, use vários servidores e faça magias de muitos tipos, mas raramente leia, pouco sabe de teoria da magia. E é criticado por ser ignorante, por não saber o que está fazendo, por seguir superstições sem base teórica.

Da mesma forma que pessoas simples, que não sabem ler ou escrever, mas mantém uma prática fenomenal em suas religiões, indo na igreja todo dia, rezando o terço diariamente, etc, são criticadas por não conhecerem alta teologia. Se você está feliz, se as coisas estão dando certo, há algo errado? Ou será que há algo errado na pessoa que te criticou, que não aceita a diversidade da magia e a existência de diferentes caminhos para objetivos semelhantes?

Conselhos possuem seu valor. Pondere o conselho de seu amigo sobre estudar mais ou praticar mais. Porém, no final, a decisão cabe a você, que é aquele que mais sabe do que você precisa nesse momento para ir adiante. As pessoas não precisam necessariamente das mesmas coisas e não existe uma fórmula mágica para todo mundo. Sim, tente equilibrar entre teoria e prática. Mas a medida desse equilíbrio é você quem decide, e sempre lembrando que as duas não são antagônicas e nem são assim tão separadas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/teoria-e-pr%C3%A1tica-o-livro-e-a-espada

Resultados da Hospitalaria – Junho 2009

Ao todo, em Junho, foram 23 mapas e 19 sigilos. Fiquei feliz que as pessoas que fizeram seus mapas estão indicando outras pessoas de fora do círculo de leitores do blog.

Entidades auxiliadas este mês:

– Grupo de assistência à criança com câncer (GAAC) – São José dos Campos
http://www.gaac.com.br

– COELCE – Juazeiro do Norte (ainda auxílio aos desabrigados).

– Poiesis, de Santos, que provê suporte para crianças em situação de risco nos cortiços da área portuária. É uma população total estimada em quase dez mil pessoas. Seu blog é http://ongpoiesis.blogspot.com/.

– Lar dos Desamparados

(rod. Marechal Rondon, km332 – Agudos)

– Vila São Cotolengo (Goiânia)

– Instituto Beneficiente “Viva a Vida”.

– Educandário Lar do Caminho

Via de Acesso Professor Paulo Donato Castellani, s/n- Jaboticabal-SP

– Federação de Resistênciade da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da 5a regional GOSP
http://www.redecolmeia.com.br/mason/beneficencia.htm

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-junho-2009

Resultados da Hospitalaria – Novembro 2009

Ao todo, em Novembro, foram 24 mapas e 19 sigilos.

Entidades auxiliadas este mês:

– APAE da cidade de Sumaré

– GAACC (Grupo de Apoio à Criança com Câncer)
http://www.gaaccrn.org.br

– Hospital do Câncer Alfredo Abraão

– AIESEC Norge (AIESEC na Noruega)

– Federação Espírita Brasileira (SP)

– Instituição “Asas Brancas”
http://www.asasbrancas.com.br

– Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da Loja Madras, 3359

– Hospitalaria da Loja Aleister Crowley, 3632

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

Se vocês puderem ajudar divulgando o blog e o projeto, eu agradeço.

Quem quiser pedir o mapa ou Sigilo para dar de presente de Natal, eu recomendo que façam os pedidos até o dia 12, pois depois começa o Hannukah (12-19) e eu acho que será mais complicado encontrar o pessoal que faz a transliteração dos nomes.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-novembro-2009

A postura da morte: uma instrução definitiva

Por Alan Chapman*

*membro da iot londrina e autor de Advanced Magick for Beginners

 

A Postura da Morte de Austin Spare tem sido difundida em círculos mágicos do caos recentemente e é amplamente mal compreendida. Provavelmente é a técnica mágica mais incompreendida do mundo.

A técnica é descrita em O Livro do Prazer  e, portanto, simpatizo com qualquer confusão inicial que os leitores possam ter sobre a postura; afinal. A escrita de Spare é delirante. (Nota do tradutor: neste artigo usaremos aqui a magistral tradução da Oficina Palimpsestus)

No entanto, uma simples releitura da página em questão deve ser suficiente para dissipar a confusão. Só posso supor, com base no lixo absoluto apresentado em muitos livros, revistas e sites, como “a postura da morte” se deve ao fato de que a maioria das pessoas não se dá ao trabalho de ler com atenção.

O Ritual e a Doutrina

A instrução é dada em três parágrafos. Veja como eles são impressos:

“Deitado confortavelmente de costas, permita que o corpo expresse a condição de um bocejo, suspirando enquanto concebe pelo sorriso – essa é a ideia da postura. Esqueça o tempo e todas as coisas que antes eram essenciais e agora refletem a própria insignificância. Este momento está além do tempo, e sua virtude já aconteceu.

De pé na ponta dos dedos, com as mãos entrelaçadas atrás do corpo e os braços rígidos, estique-se ao máximo, inclusive o pescoço, e respire profunda e espasmodicamente, até sentir em ondas uma mistura de êxtase e leve vertigem – isso gera a exaurição e a preparação para o passo anterior.

Olhe para o seu reflexo até que a imagem fique indistinta e você não se reconheça. Feche os olhos (isso costuma acontecer involuntariamente) e visualize. Atenha-se à luz que vai surgir (sempre na forma de X em curiosas evoluções) e mantenha-se firme até que não seja mais um esforço. Isso gera uma sensação de imensidão.. cujo limite é impossível alcançar. Esse passo deve ser praticado antes de realizar o passo anterior. A emoção sentida é o conhecimento que lhe diz o porquê.” (pág 234-235)

É óbvio, não é? A própria postura da morte está completamente aberta à interpretação. Não há ‘uma’ postura em vez disso, varia desde prender a respiração até desmaiar e se olhar no espelho. E pode ser usado para ‘carregar’ sigilos, certo? Na verdade não! Nada disso. Essa é uma besteira gorda e cabeluda!

Se relermos esses três parágrafos, veremos que o parágrafo dois (“De pé na ponta dos dedos…”), gera ” gera a exaurição e a preparação para o passo anterior.” Ou seja, é um exercício preliminar à instrução dada no primeiro parágrafo (“Deitado confortavelmente de costas…”). Quanto ao exercício dado no parágrafo três (“Olhe para o seu reflexo…”), somos informados: “Esse passo deve ser praticado antes de realizar o passo anterior. ”

O parágrafo três é, portanto, um exercício preliminar a ser praticado antes das instruções dadas nos parágrafos um e dois. A postura de morte adequada é, portanto, dada no parágrafo um. Então, para esclarecer:

1 – Pratique olhar fixamente para seus olhos no espelho, até que seu reflexo pareça bizarro. Entendo que não ajuda neste ponto quando Spare lhe diz para fechar os olhos e visualizar, e então passa a descrever algo que você deveria ver (“sempre na forma de X em curiosas evoluções”), que eu proponho que use a imagem deixada na retina – na verdade, é muito semelhante a um exercício budista), mas o ponto é que você se concentra em algo, nunca deixando ir, até atingir “uma sensação de imensidão.. cujo limite é impossível alcançar.”

Spare é bastante explícito quando diz que isso deve ser experimentado antes de praticar a postura de morte adequada. Em outras palavras, você deve ter um certo grau de proficiência em concentração. Conhecendo o histórico mágico de Spare, acredito que ele está aqui descrevendo dhyana (estados de absorção).

Deve-se notar que não há nada de especial neste exercício de concentração, como Spare explica um pouco mais tarde: “Existem muitos exercícios preliminares, tão ​​quanto há pecados, fúteis por si sós, mas que conduzem aos mesmos meios” (pág 235).. Uma vez que Dhyana seja alcançada, podemos passar para a própria postura da morte.

2 – A postura da morte requer um certo grau de relaxamento e, para obtê-lo, primeiro você pode esticar todo o corpo e hiperventilar. Claro, você também pode correr ou levantar alguns pesos – o objetivo é ficar relaxado para a prática da postura adequada. Só para ser explícito: prender a respiração até desmaiar não é a postura da morte.

3 – Assim, uma vez que um grau de competência em concentração seja alcançado (ou seja, você pode entrar em um estado de dhyana, ou transe), você pode agora praticar a postura adequada descrita no primeiro parágrafo.

Eu acredito que a maior dificuldade em entender a postura da morte está no fato de que Spare parece estar nos dizendo para deitar, bocejar, sorrir e ‘deixar ir’ todas as nossas preocupações. Mas isso não está correto. A postura é realmente deitada de costas, relaxado, sem  preocupação do mundo. No entanto, se você acha que ele está defendendo o relaxamento pelo relaxamento, você está perdendo o ponto. Se dermos uma olhada no próximo parágrafo. Spare diz:

“… saiba que isso é a negação de toda fé ao simplesmente vivê-la, é o fim da dualidade da consciência… Eis a postura da morte e sua realidade na aniquilação da lei – uma ascensão que se afasta da dualidade.”(pág 235)

O objetivo da postura da morte não é alcançar a “gnose” para “carregar” um sigilo, mas experimentar o não-dual. Spare está falando sobre samadhi, ou a experiência do que ele chamou de Kia.

Spare elabora a prática:

“Não se atinge a vacuidade primordial (da crença) pelo exercício de concentrar a mente na negação de todas as coisas concebíveis, identidade entre unidades e dualidade, caos e uniformidade, etc, mas só ao fazer isso agora, não depois. Perceba e sinta sem necessidade de um oposto, mas pelo que há de relacionado. Perceba a luz sem sombra como contraste, mas pela própria cor, evocando emoção do riso no momento do êxtase em união,  e também pela prática até que a emoção se torne sutil e duradoura. A lei da reação é anulada pela inclusão… Pratique diariamente, portanto, até chegar ao centro do desejo, e assim terá arremedado o grande propósito. Desse modo, todas as emoções encontrarão um equilíbrio no momento em que emanarem até se tornarem uma. Assim, ao bloquear a crença e o sêmen da concepção, elas se tornam simples e cósmicas.” (pág 235-236)

A ‘vacuidade primordial’, ou Kia, é alcançada cultivando a consciência da sensação imediata. Por exemplo, em vez de experimentar uma sensação e entendê-la como “apertada”, simplesmente experimente a sensação. A atitude mental correta é aquela que você experimenta quando você ri; você aceita toda experiência e sensação (incluindo a sensação de pensamentos) sem resistência.

Se essa atitude de consciência inclusiva for cultivada pela prática diária, você acabará por experimentar um estado de não dualidade e bem-aventurança.

Os paralelos entre as instruções de Spare e as de Buda são bastante impressionantes. A postura da morte facilita a mesma consciência que a “prática do insight” ou vipassana, que só pode ser praticada com competência quando um grau de proficiência em concentração é alcançado.

Um Resumo Prático

1. Pratique exercícios de concentração até sentir dhyana.

2. Pratique estar ciente de todas as sensações e experiências à medida que surgem, sem fixar sua atenção ou se identificar com qualquer coisa. (A atitude correta pode ser engendrada sorrindo ou mesmo rindo.) Isso é mais fácil de fazer quando está relaxado, portanto, praticar após o exercício físico é o ideal. Alternativamente, a prática de insight, vipassana ou meditação taoísta obterá o mesmo resultado.

O ensino fundamental

Dos dezesseis capítulos do Livro do Prazer, oito tratam exclusivamente do não-dual ou Kia, expondo as virtudes da busca do não-dual, fornecendo instruções para alcançar o não-dual, ou detalhando o estado resultante uma vez que o o não dual é alcançado e se torna habitual (o que Spare chama de ‘Amor de si’).

Spare está essencialmente preocupado com o hedonismo. (Acho que o título do livro revela isso.) Se você deseja o máximo de êxtase e prazer possível, se deseja o maior grau de satisfação, deve se preocupar com o não-dual:

“Aquele que busca o prazer sabiamente, ao perceber que eles são “diferentes graus do desejo” e nunca desejáveis, renuncia tanto ao vício quanto a virtude e se torna um kiaísta. Montado no tubarão de seu desejo, ele cruza o oceano da dualidade e se lanã no amor-de-si.” (pag 211)

O amor-de-si é o estado que resulta da experiência habitual do não dual, obtido praticando a postura da morte todos os dias. É liberdade de desejo. Agora me diga, o que traz o maior prazer: usar sigilos para adquirir um efeito mágico ou a transcendência de todos os desejos?

Por muito tempo Spare foi homenageado como o pai da “Magia do Caos” e o inventor da Magia dos Sigilos. Mas sua maior conquista mágica, o ensinamento central do Livro dos Prazeres, ou foi mal interpretado como um componente arbitrário da magia de sigilos, ou completamente ignorado como divagações de um místico.

Com sua postura de morte Spare conseguiu condensar a essência de toda prática meditativa em um método muito simples, fácil e agradável de genuína realização mágica, e não por qualquer propósito espiritual elevado, mas simplesmente por causa do prazer.

Se você ainda acha que a magia não tem nada a ver com misticismo, ou está preocupada apenas com a manifestação de resultados materiais, considere o título do livro responsável por ‘começar tudo’O Livro do Prazer (Amor de si): A Psicologia da Êxtase.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-uma-instrucao-definitiva/

Resultados da Hospitalaria – Setembro 2009

Ao todo, em Setembro, foram 23 mapas e 12 sigilos.

Entidades auxiliadas este mês:

– Associação Lar Missionários do Amor

Praia da Bandeira, 475 – Ilha -Tel.: 3366-3828 Rj-RJ

– Núcleo Espírita Investigadores da Luz – NEIL

Rua Boa Esperança, 91/93 Recife – PE – Brasil (81) 30830973
http://www.investigadoresdaluz.blogspot.com

– Instituto de Prevenção à Desnutrição e à Excepcionalidade

– Asilo Vivência Feliz, em SP (fraldas geriátricas)
http://www.vivenciafeliz.org.br/index.htm

– Instituição “Asas Brancas”
http://www.asasbrancas.com.br

– Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da Loja Madras, 3359

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

Se vocês puderem ajudar divulgando o blog e o projeto, eu agradeço.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-setembro-2009

A Postura da Morte & a Nova Sexualidade

Desde tempos imemoriais, a partir do culto místico à múmia no Antigo Egito até o ritual da assunção de formas divinas praticado na Aurora Dourada (Golden Dawn), quando o Adepto Chefe (Sumo Sacerdote) simulava o papel de Christian Rosenkreutz e se deitava no túmulo (pastos), pronto para a ressurreição, o conceito de morte tem sido inseparável do de sexo.

A ilustração intitulada “A Postura da Morte” (ver ao lado), que forma o fronstispício do “Livro do Prazer”, de Austin Osman Spare, contém, numa forma alegórica, a doutrina completa da Nova Sexualidade.

A figura de Zos (o nome Zos não apenas é o nome mágico de Austin Osman Spare, como ele também considera no “Livro do Prazer” que “o corpo considerado como um todo eu o chamo de Zos”) está sentada à uma mesa circular repleta de imagens estranhas. Sua mão direita está pousada em seu rosto, selando a boca e impedindo o fluxo de ar (força vital) através das narinas; seus olhos se concentram com intensidade fixa em VOCÊ – a testemunha. Com sua mão esquerda ele escreve os caracteres místicos que materializam seus desejos sob a forma de “sigilos”. A identidade da mão com a serpente (isto é, phallus) é inequívoca. Ao redor desta figura, encontram-se as inumeráveis imagens de desejos passados, disfarçados sob formas humanas ou bestiais, elementares ou incomuns, algumas delas transfixadas pelo metal do ódio, outras elevadas pela sua mão direita ao local do amor, outras tantas em atitudes de entrega feliz, contemplativa ou sedutora, uma outra brilha através duma máscara impenetrável de êxtase interior, transcendendo a dualidade por um tipo de prazer além da compreensão. Diante de Zos, acima dele e à sua esquerda, encontram-se os crânios dos mortos. O crânio, emblema da morte, está colocado em lugar de destaque, envolto em seus cabelos desalinhados. A idéia é a de que a morte domina o pensamento ou, mais exatamente, todo pensamento é morto, totalmente nulo, e um nada intensamente hipnótico emana de seus olhos fixos no além; e, sob estes olhos, a mão sustenta a cabeça da mesma forma que um pedestal a um cálice.

Os dois instrumentos mágicos, o Olho e a Mão, estão submissos à morte; eles cumpriram seu objetivo único e encontraram a apoteose na aniquilação. Nenhuma respiração (princípio vital, prana) faz com que as formas imóveis à sua volta se mexam. Está implícito um estado de suspensão animada que simula a Morte (qhe, thané). A Morte ou thané é o motto (nome mágico ou iniciático) de Zos (Austin Osman Spare), cujo nome mágico completo era Zos vel Thanatos. Ele diz, em seu “Inferno Terrestre” escrito em 1905, que “a Morte é Tudo”.

Todas as religiões e cultos mágicos da antiguidade enfatizavam a idéia de morte, que era interpretada como um nascimento num outro plano da existência. Túmulo e útero eram termos intercambiáveis que denotavam as idas e vindas do ego em vários níveis ou planos da realidade, com o objetivo de fazer cumprir as leis do karma decretado pelo destino. A Morte é “a vinda daquilo que foi reprimido; o tornar-se pelo ir além, a grande chance: uma aventura na Vontade que se traduz no corpo”. Esta é a chave para a Postura da Morte, na verdade uma impostura, uma simulação de morte com o objetivo de permitir que o sonho reprimido emerja e se corporifique, se transforme em realidade.
Entretanto, a Postura da Morte é mais que uma simulação ritual da Morte, do mesmo modo que no ritual supremo da Maçonaria há (ou deveria haver) uma verdadeira ressurreição nascida da ressurreição teatral ensaiada com o objetivo de externar a verdade interior.

No “Alfabeto dos Símbolos Sensoriais” que Spare idealizou para formar a base de sua Linguagem do Desejo, um símbolo representa o Ego, ou princípio da dualidade, enquanto outro representa a “Postura da Morte”, a dissolução da dualidade no estado sem forma da Consciência Absoluta.

A “sensação preliminar” da Postura da Morte (conforme “O Livro do Prazer”) é um ótimo exemplo da habilidade de Spare de “visualizar a sensação”). A figura está curvada sobre si mesma num “estado de graça” de concentração interior e a “Estrela da Vontade” brilha em seu coração nas suas seis cores; a mão direita cinge uma arma invisível. A mão simboliza a Vontade Criativa e os Olhos, que simbolizam tanto desejo quanto imaginação, estão fechados ou cobertos. É fácil interpretar a gravura em questão como significativa de um intenso poder preso dentro do corpo que será liberado através de uma explosão que tomará uma forma desejada. É através da união entre vida e morte, entre a corrente ativa da Vontade e a corrente passiva da Imaginação, a união de Mão e Olho, que nasce o conceito da Nova Sexualidade. A compreensão plena da Postura da Morte leva à plena compreensão da sexualidade primal, irrestrita e “nova” (no sentido de “revigorante”).

Spare descreve a Postura da Morte como “uma simulação da morte através da negação absoluta do pensamento, isto é, a prevenção da transformação do desejo em crença manipulada por aquele, e a canalização de toda a consciência através da sexualidade”. “Pela Postura da Morte, permitimos que o corpo se manifeste espontâneamente, impedindo a ação arbitrária, causada pelo pensamento. Só os que estão inconscientes de suas ações têm coragem para ir além do bem e do mal, em sua sabedoria pura de sono profundo”.

Para se assumir corretamente esta postura é necessário “re-lembrar-se” (em inglês, um jogo de palavras com re-member, isto é, lembrar-se para transformar outra vez em membro ou parte integrante) daquela parte distante da memória subconsciente onde o conhecimento se transforma em instinto e, daí, em curso forçado, ou lei. Neste momento, que é o momento da geração do Grande Desejo, a inspiração flui da fonte do sexo, da Deusa primordial que existe no coração da matéria. “A inspiração sempre acontece num instante de esvaziamento da mente e a maioria das grandes descobertas é acidental, acontecendo geralmente após uma exaustão mental”, isto é, quando o “conhecimento” consciente foi descartado e a percepção puramente instintiva tomou o seu lugar.

A Postura da Morte é o somatório de quatro gestos (mudras) principais que constituem os sortilégios mágicos de Zos. Vontade, Desejo e Crença constituem uma unidade tripartite capaz de estremecer o subconsciente, forçando-o a ceder o seu potencial criativo. Este varia de acordo com a natureza do desejo e da quantidade de crença “livre” que o sigilo contem. Os métodos de energização da crença variam, mas a imaginação sugere o melhor deles. Em outras palavras, seja espontâneo, não dê espaço ao pensamento. Para reificar (transformar em algo real) o sonho ou desejo, Spare utiliza a mão e o olho. A nostalgia intensa faz com que se retorne a remotos caminhos passados e o desejo ardente se mistura com todos os outros, o Ser com o Não-Ser, de modo que um “espírito” familiar há muito esquecido acabe se tornando uma obsessão para a mente consciente; então, e só então, a experiência ancestral é revivida e se corporifica.

A corporificação de entidades mentais “ressuscitadas”, evocadas pelo desejo ardente de se entrar novamente em contato com elas, acaba se tornando “real” tanto para o olho quanto para a mão. Deste modo, o “corpo” é ressuscitado, não como um sonho enevoado, mas palpável ao toque e visível ao olho. “Do Passado chega este novo ser”.
A “ressurreição do corpo” está sempre acontecendo, inclusive no quotidiano, mas é uma ressurreição involuntária, freqüentemente anacrônica e, portanto, indesejada. Através do uso da teurgia auto-erótica de Zos é possível viver todas as “mentiras” e encarnar todos os sonhos agora, neste mesmo instante. No “Grimório de Zos“, Spare afirma que “a identidade é uma obsessão, um composto de múltiplas personalidades, cada uma delas sabotando a outra; um ego multifacetado, um cemitério ressurgente onde os demiurgos fantasmagóricos buscam em nós a realidade deles”.

Através da Postura da Morte, a nossa consciência sobre algo se identifica com a consciência dos que chamamos de outros; uma qualidade que, em si mesma, é uma não-qualidade, uma vez que ela não é isto nem aquilo. E, pela apreensão de Kia (Ser) como “nem isto, nem aquilo” (neither-neither, ou neti-neti dos budistas), nasce a nova estética ou percepção da sexualidade, que é a nossa percepção individual das coisas vista sob uma nova ótica, que também é a fonte de todas as percepções dos outros que nós freqüentemente “projetamos” como se fossem corpos femininos.

Isto nos leva ao estranho conceito de sexualidade que Spare utilizou como a base de sua teurgia. Todas as mulheres são vistas como formas de nossos desejos; elas são desejos sigilizados e, por causa da qualidade condicionada de nossas crenças, elas estão condicionadas e sujeitas a mudanças, surgindo em nossas mentes como a realidade dos outros que deseja unir-se à nossa realidade. “Feliz é o que absorve estes ‘corpos femininos’ – sempre projetados – pois ele adquire a percepção da verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

Spare não restringe o significado da palavra “corpo” ao corpo físico; se este fosse o caso, não haveria qualquer sentido na sua declaração de que “a Morte é Tudo”, nem na glorificação da simulação de uma condição que decreta o fim do organismo físico. A frase “a verdadeira extensão de seu próprio corpo” envolve a percepção de um estado sensorial do qual o organismo físico é apenas uma reificação ou ressurreição (isto é, nosso próprio corpo é muito mais do que apenas seu limite físico nos faz crer, embora este possa “encarnar” sua verdadeira dimensão através da Postura da Morte). A doutrina de Spare, em última instância, prega a unificação de todos os estados sensoriais em todos os planos simultâneamente, de modo que o ego possa estar plenamente consciente de suas múltiplas entidades e identidades num “aqui” e “agora” que seja eterno. Este é o significado de “adquirir a percepção da verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

No “Grimório” ele nos diz que: “nunca estamos completamente conscientes das coisas a não ser pelo influxo do desejo sexual que nos desperta esta percepção”, e a Postura da Morte concentra todas as sensações e as devolve a seu sentido primal, isto é, sexual, que confere ao corpo a percepção total de todos os planos simultâneamente. Sem o conhecimento de como assumir a Postura da Morte, “o ser existe simultâneamente em muitas unidades, sem a consciência de que o Ego é uma só carne. Que miséria maior que esta pode haver?”

No mesmo livro, Spare pergunta: “por que razão ocorre esta perda de memória através destas surpreendentes refrações da imagem original um dia percebida por mim?” A Postura da Morte contém a resposta a esta pergunta, pois, pela união da crença vital (i.e., desejo orgânico) com a vontade dinâmica se chega à “verdadeira extensão de seu próprio corpo”.

Êxtase, auto-amor perfeito (deve-se notar que a expressão ‘Self-love’ em Inglês também é um jogo de palavras com ‘Self’, auto e Ser Superior ou Eu Superior, e ‘love’ amor, significando também “amor pelo Eu Superior” além de ‘auto-amor’) contém sua apoteose na Postura da Morte, pois “quando o êxtase é transcendido pelo êxtase, o ‘Eu’ se torna atmosférico e não há lugar para que objetos sensuais reajam ou criem diferentemente”.

E assim se chega ao ponto focal do Culto de Zos Kia, que é implícito pela sigilização do desejo através de uma figura que não conserva qualquer semelhança gráfica com a natureza do desejo. De modo a escapar do ciclo de renascimentos ou reencarnações, devemos livrar-nos do ciclo transmigratório da crença, pois não devemos acreditar numa determinada coisa por nenhum período de tempo. Assim, através do paciente esvaziamento da energia contida em nossas crenças e pelo direcionamento da nova energia que desta forma é liberada para um auto-amor (Self-love) não-reacionário e sem necessidades, chegamos à negação do karma (causa e efeito) e alcançamos o universo de Kia (o ‘Eu’ Atmosférico). O verdadeiro autocontrole é conseguido “deixando os acontecimentos em nossas vidas seguirem seu curso natural. Quanto mais interferimos neles, mais nos tornamos identificados com o seu desejo e, portanto, sujeitos a eles.”

Esta doutrina se assemelha à filosofia de Advaita Vedanta, ou não-dualidade, embora não sejam exatamente idênticas. Spare acrescenta as seguintes palavras: “enquanto persistir a noção de que existe ‘uma força compulsória’ no mundo, ou mesmo nos sonhos, esta força se torna real. Devemos eliminar as noções de Escravidão e de Liberdade em qualquer situação através da meditação da Liberdade sobre a Liberdade pelo ‘nem isto, nem aquilo’ (neither-neither). E acrescenta: “não há necessidade de crucifixão.”

Desta forma, para se poder apreciar adequadamente a idéia da Nova Sexualidade, é necessário que a mente se dissolva no Kia e que não haja stress na consciência (i.e., pensamento), pois os pensamentos modificam a consciência e criam a ilusão absurda de que o indivíduo ‘possui’ a consciência.

O conceito da Mulher Universal, Aquela com quem Zos “caminhou na senda perfeita”, leva-nos à transcendência da dualidade. Ela é o glifo da polaridade perfeita que, em última instância, nos remete ao Nada. No culto de Crowley ela é Nuit, cuja fórmula mística é 0 = 2. A Consciência Absoluta (Kia, o Eu Superior), como o Espaço Infinito (Nuit), não tem limites; ela é o vazio-pleno, ou vazio fértil, sem forma e sem localização definida, significando coisa alguma, embora ela seja a única Realidade!

Nos recônditos mais ocultos do subconsciente, esta realidade se assemelha ao relâmpago, ou a uma luz faiscante de brilho intenso. Ela é o hieroglifo do desejo potencial, sempre pronta para penetrar numa forma e se transformar na “concretização de nosso último Deus”, i.e., a corporificação de nossa crença mais recente.
Este desejo primal, esta sexualidade ‘nova’ ou imemorial, é o unico sentido verdadeiro. Ele é o fator constante em nossa mutabilidade. Quanto mais este sentido puder ser ampliado de modo a abranger todas as coisas, tanto mais o Eu Superior (Self) poderá realizar-Se, fazer-Se entender, fazer-Se conhecer e, finalmente, ser Ele mesmo, integralmente, eternamente e sem necessidades. “A nova lei será o segredo do provérbio místico ‘nada importa – nada precisa ser’; não existe nenhuma necessidade, que sua crença seja simplesmente ‘viver o prazer’ (a Crença, sempre buscando sua negação, é mantida livre pela sua retenção neste estado de espírito)”. Isto é muito parecido com o credo de Crowley “faze o que queres”, embora haja uma diferença. O Caminho Negativo do Taoísmo e o Caminho Positivo do hinduísmo tradicional se relacionam da mesma forma que o Auto-amor e o Culto de Zos Kia e a Lei de Thelema e “amor sob vontade”.
Para Spare, a mulher simboliza o desejo de se unir com “todas as outras coisas” como Eu Superior (Self); não as manifestações individuais da mulher, mas a mulher primordial ou primitiva da qual todas as mulheres mortais são fragmentos de imagens refletidas.

Podemos chamar este conceito inconcebível de sexo, desejo ou emoção; ou ainda, personificá-lo como a Deusa, a Bruxa, a Mulher Primitiva, que é a cifra de toda intertemporalidade, o êxtase alusivo ao caminho do relâmpago que Zos chamava de “o precário caminho do prazer ambulante”. Para adorar a esta mulher primitiva não se pode aprisioná-la numa forma efêmera e limitá-la a isto ou aquilo, mas se deve transcender o isto ou aquilo de todas as coisas e experienciá-la na unidade do auto-amor (Self-love).
Spare não a materializou arbitrariamente como Astarté, Ísis, Cibele ou Nuit (embora ele freqüentemente a desenhasse nestas formas divinas), pois limitá-la é sair do caminho e idealizar o ídolo, o que é falso porque é parcial, e irreal porque não é eterno. “Os possessivos personalizam, idolatram o amor, daí seu despertar mórbido…” (‘O Grimório de Zos’). A utilização de tais ídolos não apenas é permitida como desejável, com o objetivo de armazenar crenças livres durante um período inativo ou não-criativo, quando a energia não é necessária. Entretanto, a principal objeção ao uso continuado de ídolos é que ‘o que é familiar nos induz ao cansaço e este nos leva à indiferença; que coisa alguma seja vista desta maneira. Que possamos ver de modo visionário: cada visão, uma revelação. O cansaço desaparece quando esta é a atitude constante’, i.e., quando a imagem é sempre nova e a sexualidade, portanto, constantemente estimulada através de novas inspirações.

Por não permitir que a crença livre seja aprisionada numa forma divina específica, o impacto da visão como revelação pode ser facilmente incutido, acabando-se com a esterilidade. Uma das máximas fundamentais de Spare é a de que “o que é comum é sempre estéril” (‘O Grimório de Zos’), pois não se pode criar a partir de imagens comuns ou familiares. Esta familiaridade conduz à desvitalização, preguiça e atitudes convencionais, o caminho mais fácil para se evitar os obstáculos. “Se eu superar este cansaço indesejado, transformar-me-ei num Deus”. A mente deve estar treinada para conseguir enxergar de modo sempre renovado e a fórmula de Spare para conseguir isto é “provocar a consciência pelo toque e o êxtase pela visão… Permita que sua maior virtude seja a o Desejo Insaciável, a corajosa auto-indulgência e a sexualidade primal”.

A chave para a sexualidade primal, ou Nova Sexualidade, é dada no livro The Focus of Life (“O Objetivo da Vida”) onde Zos exclama: “livre-se de todos os meios para atingir um fim”. É o caminho do imediatismo em contraste com o do adiamento da realidade numa simulação desenergizada: “faça agora, não daqui a pouco…pois o desejo só é realizável pela ação” (esta é, sem dúvida, uma crítica direta que Spare faz das pomposas técnicas ritualísticas praticadas na Aurora Dourada, da qual ele foi membro em 1910).  Continua ele: “o objetivo final é alcançado não pela mera pronúncia das palavras ‘eu sou o que eu sou’, nem pela simulação, mas pelo ato vivo. Não pretenda ser o ‘eu’ apenas, seja o ‘Eu’ absoluto, completo e real, agora.”

Esta é a teurgia da transformação da Palavra em carne. No “Livro do Prazer”, ele pergunta: “porque vestir robes e máscaras cerimoniais e simular posturas divinas? Não é preciso repetir gestos ou fazer imitações teatrais. Você está vivo!” Este é o motivo pelo qual Spare rejeitava as práticas de seus colegas magos e daqueles que simplesmente “ensaiam” a realidade, em detrimento da sua verdadeira vitalidade e desejo, através de uma simulação que, em última instância, acaba negando a própria realidade! Spare alega que a magia simplesmente destrói a realidade por ser praticada num momento em que o Eu Superior não é real nem vital, em que Ele não é todas as coisas ou em que o poder para se transformar em tudo não está presente. As pessoas “prezam magia cerimonial ou ritual e o palco mágico acaba cheio de fãs. Será através de mera representação que nos transformaremos naquilo que estamos representando? Se eu me coroar Rei, transformar-me-ei num? Mais certamente, transformar-me-ei num objeto de piedade ou desgosto.”

Estes ensinamentos, desenvolvidos por Spare antes da I Guerra Mundial, estão muito próximos das doutrinas da Escola Ch’an de Budismo, cujos textos principais apenas recentemente foram colocados à disposição do público em geral.

Livrar-se de todos os meios para atingir um fim é simples de se dizer, mas não tão simples de se fazer. Um desenvolvimento pleno do senso estético é necessário, pois sem este não é possível aceitar nem entender a doutrina da Nova Sexualidade, seja intelectual ou simbolicamente. Isto pode ser conseguido pela saturação do complexo corpo-mente nas emanações sutis do Culto de Zos Kia, através do acompanhamento do trabalho de Spare em direção às células iluminadas do subconsciente; pela aquisição de uma percepção ultra-sensível para as situações do quotidiano, como se elas não estivessem distanciadas do Eu Superior. Spare compreende a Natureza inteira (o universo objetivo) como o somatório de nosso passado, simbolizado, aparentemente cristalizado fora de nós mesmos. Apenas o potencial, naquele exato instante meteórico de sua manifestação, deve ser agarrado e tornado vivo num segundo de êxtase, pois “quando o êxtase é transcendido pelo êxtase, o ‘Eu’ se torna Atmosférico (Superior) e deixa de haver espaço para que os objetos sensuais criem de modo diverso…”

Contudo, não se consegue localizar a Crença Suprema na Natureza porque, tão logo a Palavra tenha sido pronunciada, sua realidade se transforma em passado, já não é mais uma realidade agora, podendo apenas reviver pela ressurreição quando recriada em carne; entretanto, o que confere realidade a esta Crença não é aquele que pronuncia a Palavra, nem a pronúncia Dela em si, mas uma sutil e vaga intertemporalidade que ocorre numa fração de segundo de êxtase. “Não existe verdade falada que não seja passada, sábiamente esquecida” (‘O Anátema de Zos’). No ‘Grimório’, Spare ainda nos diz que “esta fração de segundo é o caminho que deve ser aberto…” Este caminho e o caminho do relâmpago são sinônimos e descrevem um estado indescritível que é não-conceitual: Neither-Neither (‘nem isto, nem aquilo’), Self-love (‘Auto-amor’ ou ‘Amor pelo Eu Superior’), Kia, ou a Nova Sexualidade.

A arte de Spare não é conhecida do grande público nem recebeu o merecido reconhecimento, e seu sistema intensamente pessoal de bruxaria ainda não abriu seu caminho na estrutura do ocultismo moderno. Entretanto, existem indícios de que não será preciso muito tempo mais para que sua magia verdadeira receba um poderoso estímulo da corrente mágica deste final de século, pois se houve alguém no início deste que antecipou e interpretou corretamente tal corrente, este alguém certamente foi Austin Osman Spare.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-a-nova-sexualidade/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-a-nova-sexualidade/

Resultados da Hospitalaria – Maio 2009

Ao todo, em Maio, foram 15 mapas e 10 sigilos.

– Os 7 sigilos/mapas que foram depositados em dinheiro foram destinados para a Cruz Vermelha, para o auxílio às vítimas das Enchentes. Não resisti e completei a doação com uma doação minha de 36,00, totalizando R$ 666,00 em doações.

Além disto, confira abaixo as Entidades auxiliadas este mês:

– Lar dos Desamparados

(rod. Marechal Rondon, km332 – Agudos)

– Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, em São José dos Campos

– Vila São Cotolengo (Goiânia)

– Educandário Lar do Caminho

Via de Acesso Professor Paulo Donato Castellani, s/n- Jaboticabal-SP

–Associação das Mães Solteiras da Vila Papirus da Cidade de Goiás – Estado de Goiás.

– Federação de Cultura Afro-Brasileira (FECAB)

– Hospitalaria da 5a regional GOSP
http://www.redecolmeia.com.br/mason/beneficencia.htm

Anunciamos que a campanha vai continuar enquanto tivermos gente disposta a ajudar, e quem quiser ainda pode ter o seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-maio-2009

Resultados da Hospitalaria – Agosto 2009

Ao todo, em Agosto, foram 27 mapas e 17 sigilos. Em especial, eu queria agradecer e parabenizar a Hospitalaria da ARLS Madras, 3359, por ter feito a doação de uma cadeira de rodas especial (no valor de 2.500,00) para uma criança da AACD cuja família é extremamente carente. Em um único dia de tronco de beneficência (convocado especialmente para este fim), recolhemos quase R$ 1.800,00 em doações dos maçons (e dos leitores do blog). São irmãos como estes que me deixam extremamente feliz em fazer este trabalho de estudos e pesquisa aqui no Blog do TdC.

Entidades auxiliadas este mês:

– Grupo Espírita Amor ao Próximo, em Recife/Jaboatão

Localizado à Rua Zelindo Marafante, 45 – Piedade – Jaboatão dos Guararapes – Pernambuco , telefones (81)3462.1785 e (81)3341.5859

– Asilo Vivência Feliz, em SP (fraldas geriátricas)
http://www.vivenciafeliz.org.br/index.htm

– Grupo de assistência à criança com câncer (GAAC) – São José dos Campos
http://www.gaac.com.br

– Instituição “Asas Brancas”
http://www.asasbrancas.com.br

– Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da Loja Madras, 3359

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

Se vocês puderem ajudar divulgando o blog e o projeto, eu agradeço.

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