Kujata

Segundo um mito islâmico, Kujata é um grande touro dotado de quatro mil olhos, de quatro mil orelhas, de quatro mil ventas, de quatro mil bocas, de quatro mil línguas e de quatro mil pés. Para ir de um a outro olho, ou de uma orelha a outra bastam quinhentos anos. Quem sustenta Kujata é o peixe Bahamut; sobre o lombo do touro há uma rocha de rubi, sobre a rocha um anjo e sobre o anjo nossa terra.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/kujata/

Afinal de contas, de onde vêm as 72 virgens?

Supondo que a religião islâmica realmente assegure 72 virgens aos que morrem em nome de Alah, será que esta graça está reservada aos mártires ou é estendida a todos os fiéis que adentram o paraíso? E de onde vêm 72 mulheres virgens para cada homem do reino dos céus? São as almas das mulheres que morreram imaculadas que vão ao céu servir os mártires? Se não, o que reserva o céu às mulheres mártires? maridos perfeitos que nunca se esquecem de abaixar a tampa da privada? Pensando em todas estas questões decidi pesquisar um pouco mais sobre o paraíso islâmico.

Comecei pelo Alcorão. O livro máximo da religião islâmica não deixa dúvidas de que o paraíso islâmico é um lugar bastante sensual, mas nada é dito sobre a quantidade de virgens que aguarda os eleitos.

“E se deitarão sobre leitos incrustados com pedras preciosas, frente a frente, onde lhes servirão jovens de frescores imortais com taças e jarras cheias de vinho que não lhes provocará dores de cabeça nem intoxicação, e frutas de sua predileção, e carne das aves que desejarem. E deles serão as huris [virgens] de olhos escuros, castas como pérolas bem guardadas, em recompensa por tudo quanto houverem feito. (…) Sabei que criamos as huris para eles, e as fizemos virgens, companheiras amorosas para os justos.”

Alcorão, surata 56, versículos 12-40.

(todas as traduções deste texto foram feitas a partir do inglês)

São inúmeras as passagens como esta que mencionam a existência no paraíso de jóias, criados jovens e cheirosos, vinho (uma extravagância, já que o islã proíbe consumir bebidas alcoólicas em vida), rios de leite, rios de mel, rios de água (que costuma ser coisa preciosa nos países muçulmanos), frutas abundantes e moçoilas virgens para fazer “companhia” aos justos… Comparado ao paraíso cristão, com seus anjos assexuados de aparência andrógina tocando harpa e entoando cânticos (quando não estão em missão para destruir alguma cidade ou coisa assim), o céu islâmico parece o Club Med dos paraísos.

Só que diferentemente da Bíblia, que é a única fonte autenticada pela Igreja das palavras de Deus, na religião islâmica o Alcorão é complementado pelos hadiths, uma coletânea de histórias sobre tudo o que supostamente disse ou fez o profeta Maomé durante sua vida, que circularam no boca a boca por mais de um século até serem redigidas em sua forma atual. É aí, nessa barafunda de textos, às vezes antagônicos, que vamos encontrar mais detalhes sobre o paraíso islâmico, incluindo o número de virgens com que os eleitos são agraciados:

“A menor recompensa para aqueles que se encontram no paraíso é um átrio com 80.000 servos e 72 esposas, sobre o qual repousa um domo decorado com pérolas, aquamarinas e rubis, tão largo quanto a distância entre Al-Jabiyyah (hoje na cidade de Damasco) e Sana’a (hoje o Iemem)”

Hadith 2687 (Livro de Sunan, volume IV).

Se esta é a menor recompensa que aguarda os felizardos no paraíso, então é certo que os servos e as virgens não foram parar lá por mérito. Quem sabe fossem candidatos ao inferno (não dizem que “é melhor reinar no inferno que servir no paraíso”?). No caso das virgens isto faria todo o sentido, já que a rotina delas no céu não é moleza; sobre isso escreveu Al-Suyuti, um renomado comentador do Alcorão e estudioso dos hadith, no século XV:

“Cada vez que se dorme com uma huri descobre-se que ela continua virgem. Além disso o pênis dos eleitos nunca amolece. A ereção é eterna. A sensação que se sente cada vez que se faz amor é mais do que deliciosa e se você a experimentasse neste mundo você desmaiaria. Cada escolhido se casa com setenta huris, além das mulheres com que se casou na terra, e todas têm sexos apetitosos.”

Para as virgens o paraíso islâmico é mais ou menos como uma versão pornô do mito de Prometheus (aquele do titã que tinha seu fígado devorado todos os dias por uma águia), só que é o hímen das jovens donzelas, e não o fígado do titã, que se regenera perpetuamente.

Se você tem uma ereção permanente e o resto da eternidade nas mãos algumas dezenas de virgens não devem bastar, por isso o paraíso islâmico conta ainda com um local que, cá embaixo seria chamado de “bordel”, mas que no paraíso islâmico chamam de “mercado”. Segundo os hadith, Maomé teria dito:

“Existe no paraíso um mercado onde não há compra ou venda, mas homens e mulheres. Quando um homem deseja uma mulher ele vai até lá e tem relações sexuais com ela.”

Al Hadis, Vol. 4, p. 172, No. 34

Os cristãos, a quem devemos a noção agostiniana de que o mundo físico é impuro, gostam muito de apontar o dedo na cara dos muçulmanos e dizer que o paraíso deles é “liberal” demais. Aí, é a vez dos muçulmanos dizerem aos cristãos que se eles querem mesmo falar sobre sacanagem em livros sagrados é bom que se lembrem que têm teto de vidro. É impressionante quanta energia é gasta na internet nesta troca de citações porno-sacras entre cristãos e muçulmanos; eu imagino que jovens beatos de ambas as religiões aprendam bastante sobre estupro, pedofilia e prostituição nestes sites.

Bem, na defesa dos muçulmanos é justo dizer que como os hadith foram escritos muito tempo depois da morte de Maomé, nem todos eles são considerados genuínos pelos estudiosos islâmicos (segundo eles, por exemplo, o trecho acima é falso). Só que mesmo as passagens consideradas verdadeiras podem ser bastante embaraçosas; em algumas delas o constrangimento dos tradutores fez com que a formosura das virgens fosse minguando até que seus detalhes anatômicos desaparecessem por completo. Eis um bom exemplo:

Versão 1 – por Arberry

Para os tementes aguardam um lugar seguro, jardins, vinhedos, donzelas de seios arredondados (maduros) e um copo transbordante de vinho.

Versão 2 – por Yusuf Ali

Para os justos haverá a satisfação dos desejos em seu coração, jardins e vinhedos, companheiras da mesma idade e um copo cheio de vinho.

Versão 3 – por Rashad Khalifa

Os justos merecerão uma recompensa. Jardins e uvas. Esposas magníficas. Drinques deliciosos.

Surah an-Naba’ (78:31-34)

Mas existe uma boa chance de que os tradutores islâmicos nunca mais precisem dissimular a exuberância das virgens. Um livro publicado recentemente na Alemanha e muito bem recebido pela comunidade científica, “Die Syro-Aramaische Lesart des Koran” (“Uma Leitura Sírio-Aramaica do Alcorão”), do professor de línguas antigas Christoph Luxenberg, defende a tese de que muita coisa faria mais sentido nos textos sagrados se os tradutores levassem em conta que o Alcorão não foi escrito apenas em árabe, mas num mix de antigos dialetos aramaicos. Por exemplo, a palavra “hur”, que em árabe quer dizer “virgem”, em sírio significa “branca”. Assim, segundo Luxenberg, as “castas huris de olhos castanhos” descritas no Alcorão seriam na verdade “uvas brancas secas” de “clareza cristalina”, uma iguaria bastante apreciada naquela época. Dá para imaginar a decepção dos mártires? Deve ser como comprar uma passagem para um cruzeiro de solteiros e ao embarcar descobrir que não vai ter mulher…

No final o problema das virgens vai ser resolvido com a troca de uma única palavrinha. Nenhum candidato a homem-bomba vai ficar mesmo muito entusiasmado em abandonar esta vida quando souber que sua recompensa por morrer abraçado em dinamite será um suprimento vitalício de passas.

Mas é claro que esta não deveria ser a solução. A continuidade da civilização como a conhecemos não deveria depender da tradução de uma palavra num livro sagrado, ou de distinguir o que de fato disse um homem denominado profeta das fantasias eróticas de um bando de velhos babões. Melhor seria se não houvesse pessoas no mundo dispostas a acreditar literalmente em histórias escritas há milhares de anos, numa época em que a maioria das pessoas sabia tanto sobre o mundo natural quanto provavelmente sabe hoje uma criança da sétima série, e tinha os mesmos temores e superstições infantis de uma criança da quinta série.

Retirado de: http://dragaodagaragem.blogspot.com/

#Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afinal-de-contas-de-onde-v%C3%AAm-as-72-virgens

Adam Kadmon – O Mundo Primordial

Por Moshe Miller

Caos e o Primordial – Um nível tão sublime que é quase imperceptível.

O mais alto, ou mais exaltado, dos cinco mundos é chamado Adam Kadmon. Adam significa “à semelhança de” ou “à imagem de”, da palavra hebraica domeh. Kadmon significa “primordial”, ou “primário”, da raiz hebraica kadam. Assim, Adam Kadmon é o mundo primordial que é “à semelhança” da Luz Infinita que o precedeu e que foi ocultada no processo de criação. Isso significa que, embora Adam Kadmon seja um mundo, o que significa que ele surge através da ocultação da Luz Infinita, é um plano de realidade tão elevado que é “à semelhança” da Luz Infinita (que, por natureza, , “precede” o mundo de Adam Kadmon).

Assim, embora o mundo de Adam Kadmon seja um mundo, é um nível tão sublime, puro e transcendente que é quase imperceptível. Ele se apega e espelha a Luz Infinita original.

Na Cabalá, o mundo de Adam Kadmon representa a vontade transcendente de D’us. O desejo de D’us pela Criação e como ele se manifesta são planejados em uma visão ampla e abrangente, sem separação em detalhes específicos. Isso é chamado de machshava kedumah, ou “pensamento primordial” de Adam Kadmon. O pensamento primordial funciona como o modelo para toda a Criação.

No mundo de Adam Kadmon tudo é visto em uma ampla visão geral, mas os detalhes exatos ainda não estão separados e ordenados nas categorias da realidade. Todos os detalhes da Criação, do início do espaço ao fim do espaço e do início do tempo ao fim do tempo, estão todos sobrepostos neste único pensamento, pois, em Adam Kadmon, não há conceito de espaço e tempo. de jeito nenhum. Ainda não há dentro nem fora, nem sobe nem desce, nem antes nem depois. Há apenas um potencial para essas limitações. Tudo é indefinido, unificado e simultâneo. Aqui reside a raiz e a fonte de todos os outros planos de realidade, que descendem de Adam Kadmon.

É claro que os níveis sucessivos da Criação, ou seja, a série de mundos que descendem de Adam Kadmon, particularmente o mundo inferior, não podem existir dentro dos parâmetros da existência de Adam Kadmon. Tudo em Adam Kadmon é indefinido, unificado e simultâneo, superposto em um único pensamento primordial, que contraria a própria ideia de mundos no sentido que os entendemos, como ser limitado que pressupõe separação e divisão. Subjetivamente, em termos de nossa consciência de D’us, o mundo de Adam Kadmon é paralelo à mais alta fonte de consciência no homem. É a consciência da unidade total com a Luz Infinita.

O primeiro passo para trazer a separação e divisão necessária para criar os mundos inferiores é “quebrar” a unidade da luz como é em Adam Kadmon. À medida que a luz desce de Adam Kadmon, ela se divide em dez qualidades ou atributos individuais (sefirot, sefira no singular), que atuam como pontos de luz independentes e separados. Cada um desses pontos é uma concentração de luz extremamente poderosa que desce de Adam Kadmon. Estas são chamadas de sefirot de Tohu, que significa “caos” ou “desordem”. O mundo de Tohu não está incluído no esquema dos cinco mundos mencionados anteriormente, em virtude do fato de que se despedaçou e não existe como um plano estável de realidade.

As Sefirot de Tohu:

Será explicado mais tarde que as sefirot geralmente constituem a estrutura interna de cada um dos mundos, um pouco como os ossos dão forma e forma ao corpo; no entanto, em Tohu (“caos” em hebraico) isso é precisamente o que está ausente. As sefirot de Tohu são absolutamente independentes umas das outras e não formam inter-relações entre si. Assim, não há ordem nem estrutura. Além disso, cada sefirá em Tohu é a manifestação de apenas um aspecto absoluto e quintessencial da luz de Adam Kadmon e, portanto, não interage com as outras sefirot, pois não têm nada em comum.

Uma consequência dessa falta de interação é que nenhuma das sefirot de Tohu é capaz de limitar a atividade e expansão de qualquer uma das outras sefirot a um nível em que todas as sefirot possam funcionar juntas. Portanto, nenhuma das sefirot pode suportar a atividade de qualquer uma das outras sefirot. Isso resulta na desintegração, ou “quebra” das sefirot de Tohu.

As Escrituras sugerem esse processo ao descrever os reis sucessivos de Edom:

“Estes são os reis que governaram na terra de Edom antes de qualquer rei governar os israelitas [representando a retificação de Tohu como será explicado em breve]. Bela filho de Beor tornou-se rei … morreu e foi sucedido como rei por Yoav … Yoav morreu , e ele foi sucedido como rei por Chusham….Chusham morreu, e ele foi sucedido…” (Gn 36:31-39)

O rabino Yitzchak Luria explica que isso se refere às sefirot de Tohu, cada uma das quais governa exclusivamente, e depois se despedaça e “morre”.

No entanto, a quebra das sefirot de Tohu não é coincidência, nem significa uma falha no processo criativo. Pelo contrário, serve a um propósito muito específico e importante: provocar um estado de separação ou divisão da luz em qualidades e atributos distintos e, assim, introduzir diversidade na criação. No entanto, porque o propósito final da criação não é permanecer em um estado de separação e diversidade, mas sim alcançar unidade e harmonia, a separação provocada pela quebra de Tohu é retificada em Tikun, significando “retificação”, “restituição”, ou “reforma”. Tikun significa a síntese e reunificação da diversidade e fragmentação introduzidas pela quebra dos vasos de Tohu. A natureza e as especificidades da retificação que ocorre em Tikun serão discutidas mais detalhadamente em outros textos.

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Fonte:

Chaos and the Primordial – A level so sublime that it is almost imperceptible, by Moshe Miller.

https://www.chabad.org/kabbalah/article_cdo/aid/431123/jewish/Chaos-and-the-Primordial.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/adam-kadmon-o-mundo-primordial/

Mapa Astral de Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27 de junho de 1908 — Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967), foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata.

Os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais que, somados à erudição do autor, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas.

Mapa Astral

O mapa Astral de Guimarães Rosa mostra energias fortíssimas cancerianas; Com Sol, Mercúrio, Vênus, Marte, Netuno e Caput draconis em Câncer; Lua e Plutão em Gêmeos; Ascendente em Libra, Júpiter em Leão; Saturno em Áries e Urano em Capricórnio. Netuno em Câncer é o seu planeta mais forte, com 6 Aspectações.

Câncer é a energia da Água Cardinal, ou seja, as emoções voltadas para o espírito. Como já falei algumas vezes, é a energia que guia desde enfermeiras de berçário até serial killers pedófilos, passando por artistas, médicos e maestros; namorados doentes de ciúmes e mães judias e italianas… desde que a vida e as emoções das outras pessoas estejam nas mãos deles.

Conhecemos mais estas energias pelas oitavas baixas do nosso Planeta: novelas com dramalhão rasteiro, apelo ao emocional baixo e chantagens emocionais baratas, ciúmes, controle e posse das emoções dos outros, mas quando bem direcionadas, estas energias influenciam os melhores e maiores poetas, maestros, cineastas e compositores; os melhores e mais cuidadosos médicos/as e enfermeiros/as.

Guimarães Rosa era um enfermeiro das palavras: da combinação entre sua Lua em Gêmeos (a “Lua dos curiosos”) que facilita trabalhar com palavras, códigos e símbolos, aliada a uma capacidade muito acima da média de trabalhar com emoções resultou em uma obra que mexe com os sentimentos dos leitores a cada parágrafo.

A soma dos aspectos cancerianos (“cuidar dos outros”) e do Ascendente em Libra (“justiça, diplomacia”) foi combinada nas profissões de Médico e Diplomata que ele exerceu. Sua capacidade para compreender e estudar línguas lhe ajudou a compreender a fundo o sentimento e as emoções das pessoas ao seu redor.

Realismo mágico, regionalismo, liberdades e invenções linguísticas e neologismos são algumas das características fundamentais de sua literatura. Guimarães Rosa prova o quão importante é ter a linguagem a serviço das emoções, e vice-versa, uma potencializando a outra. Nesse sentido, o escritor mineiro inaugura uma metamorfose no regionalismo brasileiro que o traria de novo ao centro da ficção brasileira.

#Astrologia #Biografias

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Charles Webster Leadbeater

Assim como Madame H. P. Blavatsky é tida como uma das maiores ocultistas do século XIX, Charles Webster Leadbeater é considerado um dos grandes ocultistas do século XX. Não apenas isso, mas para muitas pessoas ele é o autor responsável por tornar a obra de Blavatsky mais clara e compreensível. Quem quer que tenha tentado ler a Doutrina Secreta ou Ísis sem Véu sabe que as referências usadas e a cultura erudita de Blavatsky tornam sua leitura bastante dificil. Leadbeater por outro lado fornece um rosto simpático à teosofia com sua forma clara e didática de escrever. Mas esta é apenas uma de suas características.

Leadbeater nasceu em Stockport, Cheshire, Inglaterra em 1854, filho único de Charles e Emma. Aos sete anos sua família se mudou para Londres, onde seu pai trabalho como balconista ferroviário, vindo a falecer dois anos depois. O começo da vida de Leadbeter foi difícil não apenas por ser orfão, mas também porque o banco onde estavam as economias da família faliu deixando-os na pobreza completa. Sem dinheiro para os estudos Leadbeter começou a trabalhar bem cedo para prover o próprio sustento e o de sua mãe. De manhã prestava serviços clericais a Igreja Anglicana, e de tarde estudava por conta própria. Assim aprendeu Francês, Latim, Grego e em determinada altura da juventude comprou um telescópio para estudar astronomia. Seu tio  William Wolfe Capes, sacerdote da Igreja Anglicana influenciou Leadbeater a ser ordenado como padre em 1879 na cidade de Winchester. Em 1881 morava com sua mãe em Bramshott em uma choupana construída por seu tio e vivia como professor e ministro da Igreja.

Em meados da década de 1880 começou a ler e se interessar por espiritualismo e mediunidade, inicialmente por meio da obra de Daniel Dunglas Home. Ele entrou na Sociedade teosófica dia 21 de novembro de 1883 onde conquistou o afeto de  H. P. Blavatsky. Em uma cópia autografada pata Leadbeater de Voz e Silêncio, H.P.B. se refere a ele como “Meu sinceramente apreciado e amado irmão e amigo.” e em uma dedicatória de “A chave da Teosofia” ela escreve: “Ao meu velho e bem amado amigo.”. Estas pequenas notas servem para indicar a afeição de Blavatsky por Leadbeater e talvez seu conhecimento futuro sobre seu importante papel na socieadade que ela fundou seguindo a orientação dos Mestres. De fato em 1884 ambos viajaram juntos para a Índia.

Acesso aos Arquivos Akáshicos

A parte mais importante desta viagem é que nela Leadbeater foi treinado pelos Mestres por trás da Sociedade Teosófica para desenvolver suas habilidades em clarividência.  Por meio de um treinamento árduo que prosseguiu para o resto de sua vida ele passou a ter acesso aos arquivos akashicos, uma espécie de registro no próprio tecido da realidade descrito pela teosofia e tradições orientais como contendo toda experiência humana independente de tempo ou espaço. Os registros akashicos as vezes são descritos como “A Mente de Deus” outras como um supercomputador universal.  Interpretações a parte, o fato é que Leadbeater demonstrava um conhecimento do mundo de uma forma que poucos seres humanos poderiam igualar.

Este Conhecimento Direto mostrou-se tão espetacular que alguns de  seus discipulos o confundiam com Onisciência. Não era este o caso, Leadbeater em pessoa foi quem disse: “Não é porque eu digo que as coisas são assim que vocês devem acreditar; mas se vocês aceitá-las é porque as consideram razoáveis.” Mary Lutyens descreveu este tipo de conhecimento como “uma investigação oculta direta do cosmos, da aurora da humanidade e da constituição dos elementos assim como visitas frequêntes aos mestres por meio de seu corpo astral.” O resultado disso foram cerca de 50 livros escritos e diversos artigos publicados regularmente na revista “Theosophist”.

Conhecimentos a frente de sua época

Desde muito cedo os teosofistas perceberam que ficariam em grande débito com ele, pois se destacou como autor de livros inegavelmente lúcidos e compreensíveis do que os escritos sobre tais assuntos até então. Ele expôs a sabedoria antiga com uma linguagem clara, tornando-a menos misteriosa. Sua clareza foi inclusive responsável por torná-lo um alvo fácil dos detratores durante toda sua vida. Em seu livro “O Homem, de Onde e Como Veio e Para Onde Vai” ele previa por exemplo que, entre outras coisas, no futuro os jornais acabariam desparecendo e que seriam substituídos por “caixas” através das quais as notícias seriam lidas nas residências.

Outro exemplo ainda mais impactante pode ser lido em seu livro momunental “Química Oculta” com co-autoria de Annie Besant que foi amplamente criticado por cerca de 100 anos. Apenas hoje em, dia com a física de particulas começando a descobrir a validade de suas afirmações sobre a estrutura subatômica que ele começou a receber a devida atenção. Segundo alguns autores “Química Oculta” não apenas começou a ser respeitado, mas é , ele mesmo a origem ou “inspiração” de boa parte do conhecimento da química atual que a Ciência ordinária toma para sí. Sobre isso  o físico de particulas Stephen M. Phillips, Ph. D. declarou:

“Ter demonstrar conhecimento de alguns aspectos supra-sensorial do mundo que só agora são confirmados pelos avanços da ciência, muitos anos depois é, sem dúvida, o tipo mais convincente de percepção extra-sensorial. Isso porque esta circunstância não dá ao cético espaço para dúvida ou racionalização quanto as correlações entre os fatos científicos e as observações psíquicas tão numerosas e precisas ou para que considere a possibilidade como um mero golpe de sorte. O trabalho de Leadbeater é um exemplo raro deste tipo de percepção, como mostra as ostensivas, descrições paranormais de átomos e partículas subatômicas publicado há mais de um século e que acabaram por ser confirmada pelos fatos da física nuclear.”

Um de seus alunos, Geoffrey Hodson, comentou os ataques contra a “Química Oculta” de C. W. Leadbeater nos seguintes termos:

“Depois de H.P Blavatsky, dois grandes líderes A. Besant e C. W. Leadbeater, tem desempenhado um importante e nobre papel no processo de desvelar o oculto. O desprezo do mundo era inevitável. Nós os honramos como entre os maiores servidores da Irmandade. Seu azar não foi tanto os erros que cometeram quando as pessoas com quem eles estavam associados, e sobre quem parte do seus planos dependiam. Várias vezes  as canetas humanos – com a qual, em nome da Irmandade, eles tentaram escrever – quebrou como gravetos secos em suas mãos. Mas eles trabalharam incansavelmente, formando Centros ocultos nos modelos ancestrais e deram o melhor de si treinando quem podiam sentarem-se aos seus pés. O mundo ignorante, cego e cruel não reconhece a estatura daqueles que sobrepujava por tanto os grandes homens e mulheres de seu tempo…A dificuldade que os grande ocultistas do mundo devem enfrentar é que seus poderes reais não podem ser revelados. Suas faculdades iniciáticas só pode mostradas em seu trabalho e não em si mesmos. H.P.B. foi concedida a permissão, ou melhor a ordem, para usar suas habilidades para atrair as mentes humanas para a Teosofia e Sociedade Teosófica. Mas a variação na regra só foi um sucesso parcial e assim os seus sucessores escondem seus poderes e deixam o mundo interpretá-los mal quando muitas vezes por um simples ato de vontade eles poderiam alarmar seus críticos mais cruéis…. ”

Pederastia ou Educação Sexual?

Em 1906 Leadbeater enfrentou o momento mais problemático de sua vida ao ser acusado de pederastia, uma palavra que na época trazia a tona os mesmos sentimentos de revolta social que o que chamamos de pedofilia. A verdade é que o conhecimento claro do mundo que o rodeava colocou-o em conflito direto com uma sociedade sexualmente reprimida. Em seu livro sobre Krishnamurti,  Mary Lutyens se refere a este episódio:

Quando voltou para a Inglaterra em 1906, o filho de 14 anos do secretário da seção esotérica de Chicago confessou aos seus pais que Leadbeater o encorajava ao hábito da masturbação. Na mesma época o filho de outro oficial teosófico de Chicago fez a mesma acusação sem nunca ter tido contato com o primeiro garoto.  Foi criada uma comissão na seção Americana para avaliar o assunto, mas Leadbeater desvinculou-se da Sociedade Teosófica para, segundo “salva-la do embaraço.”

A verdade é que Leadbeater vivia na era Vitoriana, mas ainda assim mostrava uma lucidez que só hoje em dia pode ser apreciada. Sobre o assunto ele escreveu em carta a Annie Besant:

“… Então quando os rapazes ficaram sobre meus cuidados, Eu mencionei o assunto [da masturbação], entre outras coisas, sempre tentando evitar todo tipo de falsa vergonha, e fazer parecer algo tão natural e simples quanto possível.”

Leadbeater argumentou posteriormente que a pressão natural e vontades sexuais dos rapazes poderiam levá-los a buscar alívio com prostitutas ou entre si. Demonstrando um conhecimento avançado para a época em termos de educação sexual ele apontou que ao descarregar esta pressão em intervalos regulares por meio da masturbação os rapazes poderiam evitar consequências kármicas e morais muito mais sérias. “Se eles sentirem este tipo de acúmulo, deveriam se aliviar.” e ainda “Esta função natural existe, e por si só não é mais errada do que a vontade de comer e beber.”

Quando Annie Besant se tornou presidente da Sociedade teosófica em 1908 foi novamente admitido como membro.

 

A Igreja Católica Liberal

Em 1906 durante uma missa em que participava Leadbeater, por meio de sua clarevidência testemunhou as energias escondidas por trás dos sacramentos Cristãos. Por outro lado, esta mesma clarividência tornava para ele muito clara toda história de deturpação e controle social dentro da cristandade.  Mas a solução era igualmente clara para ele: revisar toda Liturgia Católica de modo a melhorar o desempenho destas energias.

Esta tarefa ele desempenhou em conjunto com seu amigo e Bispo Wedgwood que foi também quem o consagrou ao Episcopado. Nasceu assim a Igreja católica Liberal, uma igreja que administra todos os sete sacramentos tradicionais instituídos por Cristo, mas que defende também a liberdade intelectual e individual buscando cultivar assim um equilíbrio entre os aspectos cerimoniais, devocionais, científicos e místicos. Para Leadbeater abandonar o poder dos sacramentos por causa da atual situação da Igreja Católica é como jogar o bebê fora junto com a água suja do banho.

Após vários meses de trabalho intenso, a primeira versão da Liturgia foi publicada, mas a primeira celebraçaão pública só aconteceu em 6 de abril de 1917 em Sydney, Austrália. Um Oratório foi instalado no Edifício Penzance, local que desde então serviu de moradia a Leadbeater. A partir deste momento o trabalho com a Igreja Católica Liberal se tornou a principal atividade de sua vida, embora seu trabalho com a Sociedade Teosófica tenha continuada até o fim de sua vida. Além disso continuou sempre organizando palestras informais na casa de seus alunos.

Um ponto importante é que Bispo Leadbeater nunca reinvindicou infalibilidade para si ou a Igreja Católica Liberal.  Nunca impôs seu ponto de vista e sempre deixou seus discípulos todos completamente livres. De fato, muitos de seus ensinamentos (como o vegetarianismo) eram controversos dentro da igreja, mesmo os sacerdotes sentiam-se a vontade para discordar de alguns ensinamentos. Para Leadbeater as forças invisíveis por trás dos sacramentos eram muito mais importantes.

E quanto a nós?

É fácil criticarmos a química do século XIX, a sexualidade vitoriana, ou os dogmas da Igreja Católica hoje em dia. Mas quanto de nossa própria cultura e educação não são também à sua maneira primitivas. É facil aceitar as visões de Charles Webster Leadbeater quando o que ele diz confirma as coisas que sabemos ou acreditamos saber. Mas e quando isso não é verdade, somos diferentes de um católico conservador ou de um moralista vitoriano? Leadbeater disse por exemplo que não só há vida fora da Terra, mas que há vida em absolutamente todos os corpos celestes. Não há planeta inabitado. Ele descreveu civilizações na Lua e em Marte que hoje simplesmente não aceitamos porque o governo e as instituições nos garantem que elas não estão lá.

Esta provocação serve, por si só, de convite à leitura da imensa obra deixada por Leadbeater. Seja em termos de saúde, religião ou física Leadbeater se mostrou a frente de seu tempo. Seu talento em ver as coisas como elas realmente são e sua vontade em transformá-las como realmente deveriam nos deixa em dúvida sobre quanto do mundo moderno na verdade não é também uma quimera.

Charles Webster Leadbeater morreu em 1934 em Perth aos exatos oitenta anos de idade.

1847 – 1934

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/charles-webster-leadbeater/

Dia de Nanã

“ HOJE É DIA DE FESTA…

O TERREIRO TODO ENFEITADO,

COM FLORES DE MANACÁ, VIOLETAS, ROSAS

OLHO PRO CÉU.

CAI UMA CHUVA GOSTOSA E MIUDA.

A CHUVA ACONCHEGANTE E ACOLHEDORA,

A CHUVA DE NANÃ

CONFIRMANDO SEUS FILHOS…

QUE COISA TÃO LINDA!

QUE COISA TÃO BELA!

VER NANÃ …

ELA É A MÃE MAIS VELHA,

NOS ABENÇOE MINHA VELHA…

SALUBÁ NANÃ,

SALUBÁ NANÃ BURUKÊ ”

#Candomblé #Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dia-de-nan%C3%A3

Os Axiomas de Zurique

Os Axiomas de Zurique

A Suíça é um país curioso. Não tem grandes riquezas minerais nem capacidade de cultivo e tem uma área menor que a do Rio de Janeiro.  Mesmo assim os suíços estão entre os povos mais ricos do mundo. Em renda per capita se comparam  aos norte-americanos, alemães e japoneses. Como isso pode ser possível? O livro “Os Axiomas de Zurique” ensina que isso acontece porque, mais do que qualquer outro povo, os suíços sabem como investir. A Suíça possui sólidas instituições financeiras e os suíços são ótimos especuladores e jogadores. Em outras palavras eles sabem como fazer uma boa aposta.

Os “Axiomas de Zurique” é um livro sobre como calcular riscos. Mas você não vai precisar ser um matemático para entender. Ele traz axiomas, regras criadas por um clube de investidores suíços, que fizeram a história de Wall Street.

O livro ensina como especular o seu dinheiro. Mas assim como outro clássico, “A Arte da Guerra”, seus princípios podem ser levados para outras áreas, como sua vida pessoal, carreira e até relacionamentos. Para ter qualquer espécie de ganho você tem que se arriscar. E este livro vai ajudar você a fazer as melhores apostas possíveis.

Primeiro Axioma: O Risco

Quem não arrisca não petisca. Para conquistar grandes coisas é preciso se arriscar. Riscos, é claro, trazem preocupações, mas preocupações não são necessariamente algo ruim. Elas nos impulsionam e nos fazem ficar atentos ao que fazemos. As pessoas agarram-se à segurança como se fosse a coisa mais importante do mundo. Elas gostam da sensação de tranquilidade. Mas a filosofia dos Axiomas de Zurique ensina o oposto. Nos casos de amor, por exemplo, quem tem medo de se expor ou de se comprometer jamais encontrará seu par. Outro exemplo são os esportes, área em que tanto os atletas como seus torcedores se expõem a riscos de perder em troca do sentimento de aventura pela vitória.

Realmente precisamos de momentos de tranquilidade, mas deixemos isso para o descanso e para quando formos dormir.  Para o especulador é a aventura que dá sabor à vida e ela só acontece quando nos expomos a riscos. Os mais célebres operadores de Wall Street nunca esconderam que um estado de constante preocupação é parte do seus estilos de vida. Eles gostam e buscam isso. A verdade é que não existe investimento sem riscos e não existem riscos sem preocupações.

Só aposte no que vale a pena

A única maneira de derrotar o sistema é apostar quantias que valham a pena. Se você apostar pouco vai ganhar pouco. Isso não significa apostar somas que se perdidas levariam você a falência, mas sim que você deve superar o medo de se machucar.  Se a quantia for tão pequena que sua perda não apresenta grandes diferenças  provavelmente os ganhos também serão insignificantes. Você pode começar disposto a se ferir pelo menos um pouquinho e, à medida que ganhar experiência, vá aumentando a sua dosagem de preocupação.

Resista a tentação das diversificações

Gerentes de banco sabem que as pessoas são geralmente avessas a perdas. Por isso, sugerem o  clichê de “colocar seus ovos em várias cestas”. A diversificação reduz os riscos mas também reduz qualquer esperança de ficar rico. Ao diversificar você cria uma situação e em que perdas e ganhos acabam se cancelam. Além disso, quanto mais investimentos simultâneos você tem mais difícil e confuso será gerênciá-los.  Um pouco de diversificação não fará mal, mas o autor sugere três ou menos investimentos ao mesmo tempo. Se possível, coloque todos os seus ovos no mesmo cesto e tome conta desse cesto.

Segundo Axioma: Realize o lucro sempre cedo demais

Não é fácil parar quando se está ganhando. Sempre queremos mais e essa ganância, muitas vezes, pode nos fazer perder tudo o que conquistamos. Não podemos saber de antemão quanto tempo nosso período de sorte vai continuar. Pode durar muito, mas pode durar muito pouco. Dessa forma, a melhor estratégia é presumir que qualquer conjunto de eventos lucrativos terá breve duração. Assim que estiver com um bom lucro caia fora.

Não force sua sorte tentando espremer até o último centavo e não tenha medo de se arrepender. Não olhe para trás. De vez em quando você realmente lamentará ter saído. É uma experiência deprimente ver que seus lucros poderiam ter sido maiores. Mas a cada duas ou três decisões erradas haverá dúzias de acertos. Na maior parte das vezes sair será a melhor opção.

Defina sua meta de chegada

Em uma negociação tenha claro quais concessões quer conquistar antes de começar a conversa. Não force o relacionamento pedindo mais do que queria no começo. A melhor hora para definir a linha de chegada é antes de a corrida começar, afinal, não existe gongo ou pessoas batendo palma na vida real. Você mesmo é que precisa definir sozinho quando o lucro é razoável e o melhor momento para fazer isso é antes de começar o investimento. Ao chegar lá, caia fora. Uma boa maneira de reforçar essa sensação final é estabelecendo alguma premiação para si próprio quando o objetivo inicial for conquistado. Reduzir a ganância é lucrativo a longo prazo.

Terceiro Axioma: Quando o barco começar a afundar abandone-o.

Tenha certeza que mais da metade das suas operações especulativas irão pro brejo antes da linha de chegada. Metade das suas esperanças está condenada a não se realizar. A maneira sugerida pelos Axiomas de Zurique para lidar com isso é abandonar o barco assim que ele começar a afundar. Não espere que até metade esteja submersa. Não reze nem cubra seus olhos. Calma e decididamente saia antes que o pânico se instaure.

Saber aceitar as pequenas perdas é o segredo para se proteger das grandes. E não se engane, isso vai doer.  É provável que algumas vezes as coisas melhorem depois de você sair e o sentimento de arrependimento se instaurar. Mas, novamente, não olhe para trás. Com frequência uma situação ruim permanece ruim antes de voltar a melhorar. Nesse meio tempo seu dinheiro poderia estar rendendo mais em outros lugares.

Os bons jogadores de poker conhecem bem esse fenômeno. Por essa razão, o autor sugere que você, se possível, organize alguns jogos entre seus amigos. Há muito a se aprender neste jogo – sobre especulações e sobre si mesmo.

 

Aceite pequenas perdas

Conte incorrer em várias perdas pequenas enquanto espera um grande ganho. Se uma operação não está funcionando, caia fora e procure outra.  Existe um mecanismo na bolsa de valores conhecido como stop-loss. Com ele seus papéis são automaticamente vendidos assim que um determinado nível de perdas seja atingido. Isso é bom porque poupa você da angústia de decidir quando vender. Mas o autor sugere que você use sua própria capacidade de decisão e visite pessoalmente o fundo do poço. Isso fará você, aos poucos, entender que perdas são apenas fatos desagradáveis da vida, assim como impostos e contas a pagar. Superar o apego e a falsa esperança e admitir seus próprios erros são lições valiosas que você pode levar para a vida toda.

Quarto Axioma: O futuro não pode ser conhecido

O comportamento do ser humano não é previsível. Esqueça todos os prognósticos. Sempre que o fator humano está presente, como no caso da economia, ninguém tem a remota ideia do que acontecerá. Por mais que tentem nos convencer do contrário ninguém sabe o que vai acontecer no ano que vem, semana que vem ou sequer amanhã. Por essa razão os axiomas enfatizam que devemos largar o vício de prestar atenção em previsões. Às vezes, os oráculos financeiros, economistas e especialistas de mercado estão certos, mas é justamente por isso que são tão perigosos. Depois de passar anos bancando um profeta qualquer um consegue exibir meia dúzia de palpites que se realizaram. O que nunca aparece na publicidade dos profetas são as vezes em que ele errou.

Economistas tendem a tratar assuntos econômicos como se fossem eventos físicos. A economia, no entanto, é resultado do comportamento humano e não existe nada capaz de prever eventos humanos. As altas e baixas da bolsa de valores, por exemplo, são resultado das emoções de homens e mulheres que estão reagindo uns aos outros. O mesmo ocorre com índices e números com os quais  os especialistas gostam de brincar, tais como PNB, nível da construção civil e taxas de inflação. Recessões, recuperações, bolhas, altas e baixas de mercado, tudo isso é causado por pessoas. Ao explicarem porque uma previsão falhou os oráculos vão sempre alegar “fatores imprevisíveis” . Mas é exatamente esse o problema. Os fatores imprevisíveis superam, em muito, os fatores que podem ser previstos.

 

Os especuladores de sucesso não baseiam suas jogadas no que vai acontecer. Eles reagem ao que realmente acontece. Trace seu projeto especulativo em reações rápidas a eventos que você vê acontecendo à sua frente e, quando atingir seu objetivo pré-determinado ou quando as coisas começarem a dar errado, caia fora.

Quinto Axioma: Até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso

Devemos sempre buscar apostas vantajosas e investimentos promissores. Quando topar com algo que pareça bom, aposte. Mas não se deixe hipnotizar pela ilusão da ordem.  É improvável que seus estudos tenham criado uma situação “certa” de lucro. Ainda mais improvável é que tenha encontrado alguma fórmula de como o mercado funciona. Todos gostariam de ter esta fórmula. Infelizmente ela não existe.

O mundo é uma desordem sem padrões confiáveis, um absoluto caos. O mundo do dinheiro é um reflexo disso. De vez em quando padrões ou desenhos parecem se formar mas são tão efêmeros como as imagens que vemos nas nuvens. Não existe, por exemplo, nenhum especialista de arte que possa dizer qual o próximo artista obscuro que entrará na moda. Conselheiros econômicos e especialistas financeiros geralmente apresentam algum tipo de “ilusão de ordem” e acham que descobriram como as peças se encaixam. Elas não se encaixam.

Cuidado com a Armadilha do Historiador

Uma suposta fórmula que deu certo no passado não vai, obrigatoriamente, dar certo da próxima vez. É fácil acreditar que a repetição ordenada da história pode fazer previsões corretas. Mas a história nunca se repete exatamente do mesmo jeito e, na maioria das vezes, não se repete de modo algum.

Cuidado com a ilusão do grafista

Um gráfico tem sempre um ar confortável de ordem, mas por trás dele esconde-se o caos.  Além disso, os gráficos raramente se repetem e quando o fazem nunca é de forma confiável.  Fazer gráficos dos preços das ações é como fazer gráficos da espuma do mar.

Cuidado com a ilusão da causalidade

A mente racional  busca sempre relações de causa e efeito. O problema é que quando não as encontramos  acabamos inventando algumas. Na busca por ordem a mente humana  refugia-se em um mundo de fantasias. Quando ocorrem dois eventos pertos um do outro vamos logo costurando elos causais entre eles para o nosso próprio conforto. E uma vez que uma ligação causal seja inventada e estabelecida ela é capaz de fazer com que um fenômeno pareça mais ordenado do que realmente é. Assim, ao menos que você realmente constate uma causa operando, considere sempre todas as relações causais com o maior dos ceticismos.

Cuidado com a falácia do jogador

Outra espécie de ilusão de ordem é aquela que se volta para a própria pessoa. Quando alguém diz que está “em um dia de sorte” ou numa “maré de sucesso”. Na realidade, o que  pessoa está dizendo é que se encontra, temporariamente, em um estado de acasos favoráveis. Jogue uma moeda um número suficiente de vezes  e não demorará para conseguir uma  sequência de caras. O problema é que não dá para saber com antecedência quando essa sequência vai começar nem o quanto durará. A falácia do jogador é perigosa porque vende uma sensação temporária de invencibilidade, e ninguém é invencível.

Sexto Axioma: Evite lançar raízes

Raízes tolhem seu movimento. Preserve sua mobilidade e jamais se apegue ou crie um investimento de estimação. Sentimentos de lealdade a algum investimento são prejudiciais e você deve estar sempre pronto para pular fora quando surgir alguma oportunidade melhor. Isso não quer dizer que você tenha que ficar pulando sem parar e sem motivo. Seus movimentos devem ser antecedidos por cuidadosa avaliação dos prós e dos contras. Mas quando aparecer algo mais promissor corte as raízes e siga em frente.

Numa operação que não deu certo não se deixe apanhar por sentimentos como lealdade ou saudade. Há momentos em que você  terá que escolher entre raízes e dinheiro. Lembre de ser fiel a pessoas e não às coisas sem personalidade como investimentos e especulações. Não caia na armadilha de que um investimento ainda deve algo para você ou, ainda pior, que você deva algo ao investimento. Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer.

Apegar-se prejudica sua mobilidade e rapidez quando as circunstâncias exigem. Ter raízes em empresas, imóveis ou ações prejudica demais sua eficiência de especulador. Esteja sempre atento sobre onde estão suas melhores chances e então corra atrás.

Sétimo Axioma: Só se pode confiar em um palpite que possa ser explicado

Intuições e palpites são eventos mentais em que sabemos algo mas não sabemos como sabemos. Em geral, as pessoas têm duas posturas diante da intuição. Ou desprezam completamente ou confiam cegamente nesses lampejos. O método dos Axiomas de Zurique é entendê-los e separar os palpites que têm valor dos que não valem nada.

Para isso é importante saber de onde vem nossa intuição. Diariamente, absorvemos quantidades colossais de informações, muito mais do que somos capazes de arquivar conscientemente. A maior parte de tudo o que captamos vai para algum reservatório do inconsciente.

Assim, quando ocorrer um palpite você deve sempre se perguntar se em seu arquivo inconsciente há informações grandes o suficiente para justificá-lo. É por isso que a intuição de especialistas geralmente acerta dentro de seus campos de atuação. É também por isso que a intuição materna não deve ser desprezada, afinal, toda mãe é uma especialista em seus filhos. Se seu palpite é sobre um mercado pergunte-se. Você tem um banco de dados grande o suficiente sobre esse mercado? Se é sobre uma pessoa,  você a conhece o suficiente?  Submeter os palpites a esses critérios rigorosos é importante para separar os palpites que vêm de algum lugar daqueles que não levam a lugar nenhum. Não tendo o banco de dados, descarte o palpite.

Além disso, jamais confunda palpite com esperança. Quando você quer muito alguma coisa é fácil acreditar que aquilo acontecerá. Esse axioma ensina que quando temos um palpite de alguma coisa que queremos que ocorra devemos manter um alto nível de ceticismo. Em contrapartida, quando a intuição diz que algo que não queremos vai ocorrer ela é um pouco mais confiável. Tenha cuidado especial com lampejos que confirmam algo que você quer muito.

Oitavo Grande Axioma: Cuidado com o sobrenatural

É improvável que entre os desígnios de Deus para o Universo se inclua o de fazer você ficar rico. Dinheiro e sobrenatural são uma mistura perigosa.  É melhor manter esses dois mundos separados sob o risco de perder tanto seu dinheiro como sua fé. Se Deus existe – questão sobre a qual os Axiomas não têm opinião – não existe nada que prove que Ele se importe se você morrerá rico ou pobre. Deus, ou qualquer outra força ou entidade sobrenatural, não deve ter nenhum papel a desempenhar em seu comportamento como especulador. Apoiar-se no sobrenatural  tem o mesmo efeito de apoiar-se em previsões ou ilusões de ordem e pode fazer com que você seja atraído para um estado perigosamente despreocupado. Especule partindo do princípio de que você está absolutamente só e apoie-se, exclusivamente, em seus próprios talentos.

Se Astrologia funcionasse, todos os astrólogos seriam ricos

Os Axiomas de Zurique criticam o uso da Astrologia, mas isso apenas porque é uma crença sobrenatural muito popular. De toda forma, o cuidado serve para qualquer outra doutrina mística de profecia ou clarividência. O mesmo se aplica ao tarô, poderes da mente ou sistemas místicos, pseudocientíficos ou religiosos, no que se refere a dinheiro.

Você entretanto não precisa exorcizar todas as suas superstições. Como vimos, esse tipo de crença pode representar um risco ao seu patrimônio. Mas não há problema em acreditar em algumas desde que essas crenças tenham um papel menor, trivial  e que elas sejam usadas na hora e do jeito certo. O jeito certo é fazê-lo é rindo e a hora certa é quando se está em uma situação que não se presta a nenhum tipo de análise racional. Se tudo o que você tem é um número apostado na loteria não faz mal algum cruzar os dedos.

Nono Axioma: Cuidado com o otimismo

Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como lidar com o pior. Jamais faça um jogada por otimismo apenas. O otimismo é da nossa natureza, sem ele é impossível começar qualquer especulação. O próprio ato de se arriscar em um especulação é uma afirmação de otimismo. O paradoxo está no fato de que otimismo demais pode nos levar à catástrofe. Quando se sentir otimista examine se essa sensação gostosa se justifica nos fatos. Tenha sempre um plano de como sair do negócio e do que fazer no caso de as coisas começarem a dar errado.  O uso construtivo do pessimismo vai te dar mais do que apenas otimismo, vai te dar confiança.

Décimo Axioma: Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada

Com frequência a melhor hora para comprar alguma coisa é quando ninguém quer. ” A melhor hora para comprar é quando todo mundo está gritando “quero vender!”. A melhor hora de vender é quando todo mundo está gritando “quero comprar!”. Mas é difícil pensar quando todo mundo está gritando.

Em nossa era democrática tendemos a aceitar sem críticas a opinião da maioria. Temos também a tendência psicológica em concordar com as pessoas ao nosso redor. Essa humildade pode ter sua importância em outros aspectos da vida, mas pode, também, ter efeitos perversos em sua saúde financeira. Basta observar que a maioria das pessoas não é rica. Isso não significa que a opinião da maioria esteja automaticamente errada.  Algumas vezes a maioria acerta. O truque aqui é não cair na ilusão de ordem e esquecer que a realidade não é democrática.

Não se deve ir, automaticamente, nem contra nem a favor da maioria. Em vez disso os Axiomas nos estimulam a pensar por nós mesmos. Cada caso é um caso e você tem que aprender a pensar com a própria cabeça antes de envolver-se em riscos calculados. Jamais embarque cegamente nas especulações da moda.

Décimo Primeiro Axioma: Cuidado com a teimosia

Ser teimoso e perseverante pode ser algo bom em diversas situações da vida, mas em termos de especulações precisamos traçar um limite para que não nos leve à ruína. Nada mais prejudicial do que insistir em algo que está dando errado. O maior erro é imaginar que um investimento que fez você perder dinheiro de alguma forma tem o dever de lhe pagar de volta. Também nunca engula a ideia de que é sempre possível melhorar uma situação ruim. Você precisa superar sua tendência à teimosia sempre que a perseverança o estiver levando para o buraco.

Não caia na armadilha do preço médio

Jamais tente salvar um mau investimento fazendo o “preço médio”. Essa armadilha funciona assim. Imagine que você comprou 100 ações de uma empresa pagando 100 dólares por ação, ou seja 10.000 dólares. Mas as coisas vão mal e o preço da ação cai para 50 dólares fazendo você perder metade do investimento. A armadilha do “preço médio” diz que se você comprar mais 100 ações terá agora 15000 e o preço médio das suas ações agora será de 75 dólares. Parece mágica, mas é ilusão. Você só parece ter mais dinheiro porque colocou mais dinheiro na roleta. Para fugir dessa armadilha pergunte-se sempre: se eu já não tivesse essas ações estaria comprando-as agora?

Décimo Segundo Axioma: Cuidado com o planejamento de longo prazo

Planejamentos de longo prazo saem sempre do pressuposto de que sabemos como o mundo será no futuro. Como vimos, ninguém conhece o futuro e um planejamento de longo prazo cria a perigosa crença de que o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a sério os seus planos de longo prazo nem os de quem quer que seja.

Em vez de se iludir com planos longínquos foque em  sua rapidez de resposta. Aprenda a realizar alterações necessárias de acordo com as mudanças que forem ocorrendo. Ponha seu dinheiro, tempo, atenção e esforços nas oportunidades conforme elas se apresentem e tire-as dos riscos assim que os riscos aparecerem. Valorize sua mobilidade e jamais assine qualquer papel que comprometa sua liberdade.

Investimentos de longo prazo apresentam muitos encantos. O maior deles é que você só precisa tomar a decisão uma vez. Isso traz um alívio das tensões que muitas pessoas abominam e atrai os preguiçosos e os covardes. Eles pensam: “Compro isso e esqueço”. Raramente essas pessoas pensam no custo de oportunidade, aquele dinheiro que você não vai ganhar porque trancou seu capital em algum investimento de longo prazo. A única coisa que podemos dizer sobre o futuro é que, quando chegar, chegou. Não dá para ver a cara que terá, mas você pode ao menos se preparar para reagir às oportunidades e acasos. Na verdade, o único planejamento que você deve fazer no longo prazo é o de ficar rico. Mas como chegar lá é algo que você deve repensar a todo momento.

Notas Finais

  • Aprenda a correr riscos. Quem aposta pouco ganha pouco.
  • Defina o quanto quer ganhar antes de começar a investir e quando chegar lá pule fora.
  • Pequenas perdas podem proteger-lhe das grandes. Saia do barco assim que as coisas começarem a dar errado.
  • Não caia nas ilusões de ordem: ninguém realmente sabe comos será o futuro.
  • Seus investimentos não são pessoas. Eles não devem nada a você nem você a eles.
  • Confie na sua intuição apenas se você tiver experiência na área.
  • Cuidado com planos de longo prazo. Valorize sua capacidade de reagir a mudanças.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/os-axiomas-de-zurique/

Fatos e Mitos sobre a Verdadeira Vontade

Por IAO131, traduzido por Psilax

O conceito de “Verdadeira Vontade”, ou simplesmente “Vontade”, é fundamental para a Lei de Thelema desde que nosso princípio central é “Faça o que tu queres será o todo da Lei” (AL I:40), juntamente com “Tu não tens direitos senão fazer a tua Vontade” (AL I:42) e “Não há lei além de faze o que tu queres” (AL III:60). Thelema, apesar de tudo, significa “Vontade”.

Por ser Vontade um conceito central em Thelema há muitos equívocos sobre isso que limitam nosso entendimento assim como limitam nosso potencial para realizar e manifestar as nossas Vontades. Muitos desses mitos e equívocos estão altamente correlacionados, mas eles também são diferentes em sua ênfase e abordagem. A lista não pretende ser exaustiva ou completa, mas espero que possa levar a uma reflexão e clareza sobre a noção de Vontade. Mais fundamentalmente essa é uma lista curta destinada a desafiar alguns equívocos comuns sobre a Vontade, a fim de que possamos conhecer e realizar nossas Vontades mais livremente e com alegria.

1) A Verdadeira Vontade é encontrada num determinado momento.

O primeiro mito é que a Verdadeira Vontade é descoberta durante um evento distinto, num certo ponto da história. Isso significa que você não sabe qual é a sua Vontade, mas que num futuro você saberá, ao ter algum insight ou experiência, você de repente conhecerá sua Vontade. Em contraste, Crowley nos informou que “A Vontade é apenas o aspecto dinâmico do Eu…” (Liber II). Neste sentido, a Vontade é apenas a expressão de nossa Natureza. Entretanto de uma maneira pobre e incompleta nossa Natureza não pode deixar de se expressar de alguma maneira, o que quer dizer que: nós estamos sempre fazendo nossas Vontades até certo ponto, mas poderíamos fazer sempre um pouco “melhor”, no sentido de fazê-la mais completamente e com mais consciência. Mesmo se temos uma visão súbita ou que muda completamente a Natureza de nossas Vontades, isso não significa que esse entendimento não precisará mudar ou ser revisado no futuro.

2) A Verdadeira Vontade é algo para ser encontrado num futuro distante.

Relacionada ao primeiro mito é a noção de que Verdadeira Vontade não pode ser encontrada no presente, mas em algum ponto do futuro. Ou seja, se pensa “Eu não sei qual minha Vontade agora, mas espero que eu saiba no futuro”. Agora, é perfeitamente razoável acreditar que o conhecimento e entendimento da Vontade podem aumentar no futuro, mas, novamente, nós estamos sempre fazendo nossas Vontades até certo ponto. Isto é, a Vontade não é “encontrada”, mas nossa consciência e entendimento dela podem melhorar. Visualizando a Vontade como algo que se encontra no futuro, exclui o nosso potencial para fazermos nosso melhor para fazer nossa Vontade no momento presente. Podemos lamentar as nossas circunstâncias, acreditando que tudo ficaria bem se “conhecêssemos nossas Vontades”, ao invés de trabalhar em nós mesmos no momento presente para nos tornar mais conscientes e alegres com o que já está acontecendo. Isto é, nossos próprios conceitos sobre o que é Vontade nos impedem de ver o que já está aqui: todos nós somos estrelas (AL I:3) e Hadit, a chama de nossas Vontades, está sempre no centro de nosso Ser (AL II:6). É nosso trabalho ou dever descobrir como trabalhar com nós mesmos e nosso ambiente a fim de tornar a Verdade dentro de nós mais manifesta do que inerente.

3) Você está fazendo sua Vontade ou você não está fazendo.

A linguagem usada ao redor da Vontade é frequentemente “digital” no senso em que falamos sobre isso em “on ou off” (ligar ou desligar). Eu acredito que é mais efetivo e adequado pensar em Vontade em termos “análogos”, ou seja, que estamos fazendo nossa Vontade até certo ponto. A linguagem de “Verdadeira Vontade” implica esse tipo de dicotomia digital de verdadeiro ou falso. Por outro lado, a ideia de “Vontade Pura” é uma questão de graus. A totalidade “pura” da Vontade é 100% Vontade com nenhuma mistura ou contaminantes, assim como um suco puro é 100% suco – não há qualquer conotação moral. Podemos (por questão de explicação) dizer que podemos não estar fazendo 100% de nossa Vontade, mas podemos estar fazendo 30% ou 80% de nosso potencial até o momento. Isso coloca a responsabilidade em nós mesmos para tentar aprovar nossa Vontade ao máximo, na forma mais “pura” possível. Isso significa também que nós não precisamos pensar nos outros em termos deles estarem ou não fazendo suas Vontades; ao contrário, todos estão fazendo suas Vontade até certo ponto ou outro, e tudo o que temos de fazer é tentar nos esforçar intencionalmente para chegarmos ao ideal de Vontade 100%.

4) Verdadeira Vontade é uma coisa única e imutável.

A linguagem usada ao redor de Vontade implica que Vontade é algo único, por exemplo, “é minha Vontade ser um médico”. Na verdade, a ideia de Vontade ser certa carreira em particular é um dos mais comuns exemplos de equívocos. Um exemplo é Crowley falando neste sentido quando ele escreve: “virá o conhecimento de sua vontade finita, através da qual um é poeta, outro profeta, outro ferreiro, outro escultor.” (De Lege Libellum). O erro está em pegar a ideia de “Vontade = a carreira certa” literalmente do que metaforicamente. Ou seja, uma carreira é uma metáfora para o que você faz com a sua vida, acreditando ser adequado para as suas tendências, talentos e aspirações. Obviamente a Vontade não está confinada a uma simples carreira – especialmente nos dias de hoje em que a maioria das pessoas tem várias carreiras ao longo da vida – como aparentou ser a vida do próprio Crowley. Não seria correto dizer que era a Vontade de Crowley ser poeta porque iria negligenciar que ele era um mago, não seria correto dizer que foi a Vontade de Crowley ser um alpinista porque iria negligenciar que ele era um jogador de xadrez, etc. Na verdade, a Vontade é – como já mencionado – “o aspecto dinâmico do Self…” (Liber II). E dinâmico, ou seja, em constante movimento. Crowley reforça isso quando ele escreve que a Verdadeira natureza do Eu é mover-se continuamente, deve ser entendido não como algo estático, mas como dinâmico, e não como um substantivo, mas como um verbo” (Dever). Esta natureza dinâmica da Vontade é ainda implícita na linguagem que a descreve como “Movimento” como quando Crowley escreve que a Vontade é “o verdadeiro Movimento do teu ser mais íntimo” (Liber Aleph, capítulo 9).

5) Verdadeira Vontade pode ser encapsulada completamente em uma frase.

Conectada com os equívocos anteriores é a noção que Vontade pode ser completamente encapsulada numa frase. Uma vez que a Vontade é dinâmica, a sua natureza é de “Ir”, nenhuma frase pode sempre encapsulá-la completamente. Existem, certamente, benefícios por se encapsular a vontade numa frase como tendo um padrão conscientemente articulado pelo qual se pode julgar se um determinado curso de ação é expressivo ou impeditivo da Vontade. Por exemplo, pode-se formular a Vontade como “É minha Vontade que meu corpo seja saudável”, que pode atuar como um padrão pelo qual você vai determinar que comer junk food (comida que não é saudável) não faz parte da sua vontade (para todos os efeitos práticos). Dito isto, deve haver um entendimento de que a Vontade está, em ultima instancia, além da articulação verbal. Como se diz: “Também razão é uma mentira, pois há um fator infinito e desconhecido; & todas as suas palavras são meandros” (AL II:32). A Vontade é suprarracional na medida em que não pode ser descrita com precisão ou completamente descrita pela faculdade da razão e do pensamento. Como Crowley disse: “[A mente] deve ser uma máquina perfeita, um aparelho para representar o universo de forma precisa e imparcial ao seu mestre. O Eu, a sua Vontade, e sua apreensão, deve estar totalmente além dela.” (Novo Comentário para AL II:28). A mente com seus pensamentos e razão é simplesmente uma parte do seu ser, a vontade é o Verbo de todo o nosso ser, então, naturalmente, uma pequena parte não pode inteiramente compreender e abranger o Todo.

6) Verdadeira Vontade requer uma experiência mística.

Em conexão com o Mito #2, existe a tendência em acreditar que o conhecimento da Vontade virá apenas com algum tipo de experiência mística, se o acredita (ou concebe) como o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, iluminação, a travessia do Abismo, ou qualquer outra coisa. Embora possamos dizer que o Conhecimento e Conversação (ou outras experiências místicas) podem ajudar a esclarecer a Vontade ou se livrar de seus obstáculos, tais como o egoísmo excessivo, a Vontade pode ser tanto sempre presente ou trabalhada até certo ponto. A noção de que só pode se conhecer a Vontade através de experiências místicas negligencia o fato de que há muito modos simples, diretos e até mesmo “mundanos” nos quais podemos trabalhar em nós mesmos para fazer melhor e mais completamente a nossa Vontade. Por exemplo, alguém pode perceber que certo relacionamento não está mais funcionando, então ele se agita, sofre, se amargura e ressente. Pode-se então perceber que a fim de realizar a Vontade mais plenamente, é preciso terminar o relacionamento. “Oh amante, se tu queres, partes!” (AL I:41). Há muitas coisas em nossas vidas que sabemos, em algum nível, que podem ser alterados para decretar mais plenamente nossas Vontades, como se livrar de certos hábitos que já são conhecidos por serem problemáticos. Se isto é tão simples como “assistir menos televisão”, ou concreto como “largar os opiáceos”, ou mais sutil como “ser menos ligado às expectativas”, ou mais geral como “tornar-se mais consciente e menos reativo emocionalmente”, existem muitas maneiras de trabalhar em nós mesmos que estão disponíveis para todos, sem a menor experiência ou inclinação para experiências místicas. Ainda mais preocupante é “acreditar que apenas alguma experiência mística no futuro” pode ser usada como uma desculpa ou um “desvio espiritual” para evitar lidar com estas questões mais “mundanas”, como as emoções não processadas ou hábitos indesejáveis.

7) Todos devem alcançar a Vontade.

A crença geral difundida entre Thelemitas é que há certo tipo de “verdadeiro Thelemita” ou “Thelemita ideal”. Outro ensaio explica mais detalhadamente por que isso é um equívoco, mas, em suma ele depende de ter preconceitos sobre o que é “certo” e “errado” para a Vontade dos outros, quando toda a fundação de Thelema repousa sobre a noção de que cada indivíduo é único. Uma manifestação desse preconceito sobre o que é “certo” é a noção de que todos devem estar se esforçando para “atingir”, significando alcançar algum tipo de gnose mística ou iluminação. Na verdade, o Livro da Lei diz na mesma linha que seu lema central: “Quem nos chama Thelemitas não cometerá erro, se ele apenas observar bem de perto a palavra. Pois dentro dela existem Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o homem da Terra. Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei” (AL I:40). Isto é explicado em A Visão e A Voz quando se diz: “O homem da terra é o devoto. O amante dá a sua vida para trabalhar entre os homens. O eremita caminha solitário dando aos homens apenas a sua luz.”. Não é inerentemente a Vontade de todos se tornarem um eremita e alcançar as alturas da iluminação espiritual. – Pode muito bem ser a vontade de alguém viver a sua vida sem se preocupar com essas coisas. Mais claramente o Livro da Lei diz que “a lei é para todos” (AL I:34). Essa insistência de que todos têm que “atingir” pode facilmente se transformar em forma de auto-superioridade espiritual que é contrário ao espírito da liberdade que permeia a lei.

8) Sua Vontade não tem nada a ver com as outras pessoas.

É típico conceber a Vontade como algo inerente ao individuo e que não tem nada a ver com as outras pessoas e suas circunstâncias. Eu acredito que isto é simplesmente uma falha de linguagem usada para descrever Vontade do que uma realidade. Nós todos somos incorporados em uma interconexão complexa de forças – somos todos estrelas na teia do Espaço Infinito – e ambos afetam e são afetados por tudo que nos rodeia: “Suas ações afetam não apenas o que ele chamou a si mesmo, mas também todo o universo.” (Liber Librae). Vendo como a Vontade é o aspecto dinâmico da nossa natureza, deve inerentemente se adaptar à situação ou circunstância em que se encontra. Crowley fala isso quando ele escreve que a vontade é “a nossa verdadeira órbita, como demarcada pela natureza de nossa posição, a lei do nosso crescimento, o impulso de nossas experiências passadas.” (Introdução ao Liber AL). A nossa “posição” muda constantemente e a Vontade é “marcada” em parte pela natureza de nossa posição. A nossa “posição” envolve o meio ambiente e as pessoas ao nosso redor. Praticamente qualquer tipo de articulação da Vontade – por mais que provisória ou experimental – deve incluir o meio ambiente ou outras pessoas de alguma forma. Para dizer “é minha vontade comer menos” envolve a comida em seu ambiente, dizendo “é minha vontade ser gentil” envolve a sua bondade para com outras pessoas, dizer “é minha vontade promulgar a Lei de Thelema” envolve aqueles a quem você irá promulgar etc. Mesmo dizer “é minha Vontade alcançar o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião” necessariamente requer que você crie adequadamente o ambiente propício para atingir esse objetivo. Na verdade algumas das melhores lições vêm de estar em sintonia com o seu ambiente e aqueles ao seu redor ao invés de ignorar a sua importância ou impacto. Se você estiver recebendo mensagens constantes na forma de dificuldades desnecessárias de quaisquer naturezas, talvez seja uma lição para alterar a forma como você está se adaptando ao seu ambiente, em vez de insistir mais fortemente no curso de seu caminho e apenas intimidando aos outros.

9) Verdadeira Vontade significa que você estará livre do sofrimento.

A ideia de Verdadeira Vontade, muitas vezes leva a noções utópicas e irrealistas quanto ao que Vontade vai realmente parecer. A ideia de que fazer a Vontade liberta do sofrimento é irrealista em vários níveis. Em primeiro lugar, o sofrimento é inerente à existência de alguma forma ou de outra, na medida em que todos nós ficamos doentes, sofremos perdas, envelhecemos, sofremos prejuízos e morremos. Nós sempre vamos encontrar algum tipo de resistência ou dificuldade em nossas vidas. Isso não deve ser visto como uma espécie de marca de fracasso em sua tentativa de fazer a tua Vontade, mas sim, essas ocorrências inevitáveis de sofrimento, resistência e dificuldade são os meios pelos quais nós aprendemos e crescemos. Como se diz, “Tu então que tens provas e problemas, regozija-te por causa deles, pois neles está a Força e por meio deles é aberta uma trilha àquela Luz… pois quando maior for tua prova, maior o teu triunfo” (Liber Librae). Essa ideia de que “fazer a sua Vontade = sem sofrimento” também depende da noção de que a Vontade seja “on” ou “off”, como mencionado no Mito n°3: mesmo que estejamos no modo de “Vontade 100%” por um tempo, todos nós, inevitavelmente, erramos, encontramos dificuldades imprevistas, ou simplesmente “escorregamos” e não fazemos o melhor que podemos. Além disso, o próprio desejo de ser livre do sofrimento é, em certo sentido, uma ideia do Antigo Aeon: Thelemitas não procuram transcender o mundo material, se isentar do Samsara, ou até mesmo evitar o sofrimento. Reconhecemos a realidade como ela é, sem insistir em estar de acordo com os nossos ideais a priori assim como ao “como o mundo deveria ser”. Nós aceitamos o sofrimento e as dificuldades da vida como “molho picante ao prato do Prazer” (Liber Aleph, capítulo 59). Eu acredito que é mais correto dizer que fazer a própria Vontade significa que você vai estar livre de uma grande dose de sofrimento desnecessário. Uma grande parte do nosso sofrimento não é de fato inerente ou necessária, mas nós, através dos nossos vários hábitos e pobres equívocos, nos sujeitamos à dificuldade que pode ser evitada em grande parte ou totalmente, se nos tornarmos mais conscientes e em sintonia com as nossas Vontades.

10) Verdadeira Vontade significa estar livre de conflito.

Conectada ao mito anterior é a noção de que fazer a própria Verdadeira Vontade significa que estará livre de todos os conflitos. Isso geralmente é baseado ao fato de que o Livro da Lei diz: “tu não tens direito senão fazer a tua Vontade. Faça isso e nenhum outro dirá não” (AL I:42 – 43) e Crowley escreveu que “[a lei] parece implicar uma teoria que, se cada homem e cada mulher fizesse a sua Vontade – a Verdadeira Vontade – não haveria conflito” (Liber II). Realisticamente, sempre haverá pessoas que “dizem não”, independentemente do grau em que você está fazendo a sua Vontade, e sempre será “conflitante”. A questão real vem de uma compreensão do “confronto”. Se confronto significa conflito interpessoal na forma de desacordo ou argumento, nunca haverá um fim a este a menos que todos nós nos tornamos autômatos, irrefletidos – o qual certamente não é o objetivo da Lei da Liberdade. Semelhante ao mito anterior, eu acredito que é mais correto dizer que fazer a própria vontade significa que você estará livre de uma grande quantidade de conflitos desnecessários. Grande parte do nosso conflito com os outros dependem da nossa insistência em saber o que é “certo” para os outros, as nossas próprias expectativas e normas impostas aos outros, insistindo em manter uma posição baseada numa autoestima do ego e identidade que está amarrada com a nossa posição e muitos outros erros que se afastam naturalmente na medida em que nos concentramos em nossa Vontade ao invés de discutir. Talvez essa seja a razão para sermos ensinados a “não discutir, não converter; não falar em demasia” (AL III:42).

Novamente é um tipo de fantasia do Velho Aeon o mundo ou a vida de alguém ser livre de conflitos. Eu acredito que a aceitação e o envolvimento com o conflito é uma marca distintiva de uma pessoa que tem uma mentalidade do Novo Aeon, ao invés do Velho Aeon. Como Crowley escreveu, “O combate estimula a energia viril ou criativa” (Dever). Mesmo as formas mais triviais e mundanas de conflito, como equipes rivais em esportes ou pontos de vistas opostos em um debate, permitem que a diversão do jogo esteja em primeiro lugar. Ao invés de procurar ser livre de conflitos, podemos fazer melhor examinando os conflitos em nossas vidas e determinando até que ponto eles são o resultado da nossa incapacidade de concretizar plenamente a nossa Vontade, a fim de viver mais plenamente e com alegria.

O que todos esses 10 mitos implicam é uma visão da Vontade como algo sempre presente até certo ponto, sempre dinâmico e mutável, sempre capaz de ser trabalhado, e, trabalhado independentemente de ter experiências místicas ou não, embutido dentro do contexto do nosso ambiente e outros indivíduos, e aceitar o sofrimento e o conflito como coisas inerentes a existência, coisas mais para serem trabalhadas do que evitadas. Esta lista não é exaustiva de qualquer maneira, e há, obviamente, muitas nuances para a ideia de Vontade e muitas outras maneiras de compreendê-la. No entanto, espero que desafiar algumas dessas ideias como mitos ou equívocos possa libertar o nosso pensamento a fim de tornar-se consciente do grande potencial em cada momento de decretar e regozijar em nossas Vontades.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/fatos-e-mitos-sobre-a-verdadeira-vontade

Maldição japonesa pelo Método da raposa – 狐涎の法

Por Robson Bélli

Este método visava matar uma pessoa ou então deformar a mesma de maneira irreversível.

Basicamente se colocava um pão dentro de um vaso enterrado na terra com a boca do vaso aberto para fora, de forma com que a raposa não consegui-se alcança-lo e saliva-se sobre o mesmo tentando pega-lo, no dia seguinte se retirava o pão e deixava secar, ralava o pão.

O uso mortal era colocar este pó de pão como um tempero especial na comida de alguém, assim a pessoa morreria e o espirito da raposa tomaria o seu lugar em um corpo de zumbi, maluco, sim talvez.

A segunda forma era colocar esse pó de pão com saliva na agua onde a pessoa lavaria o rosto ou tomaria banho, caso a pessoa lava-se apenas metade do rosto ela ficaria apenas com metade do rosto deformado, e ficando assim deformada para sempre.

O método da raposa era popular muito popular na parte sudeste da China na dinastia Song, mas depois foi introduzida na parte noroeste do Japão. Evidências sugerem que uma bruxa em Shaanxi foi executada durante os anos de 1161-1187 por esconder e comercializar a saliva de uma raposa, de sua posse foi encontrado um jarro cheio deste liquido.

Uma variação deste feitiço era o uso de saliva de cão, mas as vezes dava certo e em outras vezes não.

[Nota do Editor: Apesar de tradicional e histórico este procedimento é inaceitável hoje em dia. Maltratar animais é crime no Brasil previsto pela lei nº 9.605/98. Nem o autor nem o portal incentivam ou apoia quaisquer atos criminosos.]


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/maldicao-japonesa-pelo-metodo-da-raposa-%e7%8b%90%e6%b6%8e%e3%81%ae%e6%b3%95/

Restauração Maçônica

A formalidade e restrições do traje maçônico: quase todas as Lojas tem funcionamento na noite dos dias úteis, o que obriga o maçom a, muitas vezes, ir direto do seu trabalho para a Loja. A obrigatoriedade do terno preto com camisa branca e gravata preta ou outra cor conforme rito acaba por atrapalhar a rotina de muitos membros, principalmente aqueles que não adotam traje social em seus locais de trabalho ou utilizam uniformes em suas profissões. Muitas vezes, um maçom deixa de realizar visitas espontâneas a outras Lojas por conta da vestimenta não adequada.

As reuniões semanais e exigência de presença: para eles, reuniões semanais são um excesso na sociedade em que vivemos, em que um maçom geralmente tem várias outras atividades e compromissos sociais, profissionais, educacionais, intelectuais, religiosos, políticos, filantrópicos e familiares a atender. Por isso, defendem uma periodicidade quinzenal ou mensal. Além disso, a obrigatoriedade de presença mínima com punição prevista por descumprimento acaba por afastar muitos maçons voluntaria ou involuntariamente. Às vezes se perde valorosos membros que, por serem muitos atuantes na sociedade, não conseguem se fazer presentes em Loja o quanto se exige.

Os poucos membros iniciados: enquanto que muitos membros abandonam a Maçonaria por conta dos mais diversos fatores, as Lojas têm feito cada vez menos iniciações e de menos candidatos, o que tem esvaziado os templos e desmotivado ainda mais os maçons remanescentes. Vê-se então um verdadeiro “déficit maçônico”. Isso enfraquece a Maçonaria e a torna mais velha e, muitas vezes, retrógrada.

A cultura de Lojas pequenas: quando uma Loja no Brasil consegue romper a barreira da inércia e crescer, muitos Irmãos começam a defender a criação de uma Loja nova com parte de seus membros, até com a desculpa de evitar disputas eleitorais e de fazer a Maçonaria crescer (pelo menos em número de Lojas). Já os críticos acreditam que quanto maior uma Loja for, melhor. Uma Loja com muitos membros tem mais condições financeiras para filantropia, pode exercer maior “barganha social” junto às autoridades locais e enfrenta menos dificuldades de funcionamento.

Com tais argumentos, esses maçons defendem uma mudança na Maçonaria Brasileira de forma a torná-la mais flexível com os critérios de vestimenta, periodicidade, presença e seleção de membros. Uma Maçonaria maior e menos rigorosa, mais “adequada” aos dias atuais.

Em contrapartida, um grupo de maçons norte-americanos pensa exatamente o contrário. Vivendo uma Maçonaria nos moldes da desejada pelos seus antagônicos brasileiros, sem rigidez na vestimenta e com reuniões quinzenais ou mensais em Lojas que possuem centenas de membros, mas que contam com presença de apenas uma dúzia por sessão, eles desejam mudanças.

Em 2001 eles criaram nos EUA a “Fundação da Restauração Maçônica”, com o objetivo de promover o que eles chamam de “Observância Tradicional”, que é exatamente a implementação em Lojas Regulares de características encontradas na Maçonaria Latino-Americana, como: vestimenta social uniforme; Câmara das Reflexões; mais reuniões; exigência de presença; iniciação de um candidato por vez; Lojas pequenas e com foco na instrução de seus membros. As Lojas continuam filiadas à Grande Loja Estadual e trabalhando no Rito de York (Monitor de Webb), apenas adotando algumas dessas mudanças em seu “modus operandi”.

Apesar de 10 anos de existência, o movimento americano tem apresentado pouco desenvolvimento: até agora, apenas umas 30 Lojas em todo os EUA adotaram o modelo sugerido.  Para se ter uma ideia, o Real Arco, um ilustre representante do modelo maçônico norte-americano em terras brasileiras, cresceu no Brasil quase 3 vezes mais nesse mesmo período, e nossa Maçonaria corresponde a apenas 1/7 do tamanho da Maçonaria dos EUA.

De qualquer forma, é importante destacar que os pontos em questão são em geral de cunho administrativo, e independente se rígidos ou flexíveis, nada impactam no Rito praticado, na qualidade ritualística, no respeito aos Landmarks, ou mesmo na filiação à Obediência. Como prova disso, pode-se observar que nos EUA, onde há uma maior flexibilidade administrativa e menor quantidade de reuniões, os Oficiais das Lojas exercem suas funções ritualísticas de memória e as regras de conduta são muito mais rígidas. Enfim, não há modelo melhor ou pior. A questão é na verdade sociocultural, e sendo sociocultural, é sim mutável.

Nesse contexto, cada Loja deveria ter a liberdade e soberania para funcionar como acreditar ser melhor, e mudar quando achar conveniente. Porque, na verdade, não importa se é uma Loja de 10 ou de 100 membros, se tem reuniões toda semana ou uma vez por mês, se inicia 1 ou 100 candidatos por ano, se os membros usam jeans ou smoking. O que importa é se é uma Loja Justa e Perfeita, onde se ensina o homem livre e de bons costumes a ser um maçom, um construtor de uma sociedade melhor e mais feliz. O conhecimento, a excelência ritualística e a preservação das tradições maçônicas não dependem da roupa que se veste, da quantidade de irmãos e de reuniões ou do tamanho da Loja. Depende, apenas, do trabalho sobre a pedra bruta que somos.

De tudo isso, tira-se uma importante lição para a Maçonaria Brasileira: as Obediências deveriam se preocupar menos com a regulamentação do funcionamento das Lojas e mais com a produção de material de estudo de qualidade para as mesmas, enquanto que os maçons deveriam se preocupar menos com a cor da camisa do outro e mais com o conteúdo das reuniões.

Antes de procurar mudar “como” a Maçonaria funciona, deve-se procurar compreender “o que é” a Maçonaria e “porque” ela existe. Então talvez optemos pela “restauração”, mas não da forma, e sim dos valores.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/restaura%C3%A7%C3%A3o-ma%C3%A7%C3%B4nica