Arcano 6 – Zain – Os Enamorados

Um homem, entre duas mulheres, é visado por uma flecha que parece pronta para ser disparada por um anjo, Cupido, à frente de um disco solar. O homem, no centro do grupo, olha para a mulher da esquerda. Ele tem cabelos louros, as pernas descobertas, e sua vestimenta é uma túnica de listas verticais, com mangas e um cinto amarelo. Vê-se apenas uma das suas mãos, a direita, à altura do cinto.

A mulher da direita, com os cabelos louros soltos sobre os ombros, tem um rosto jovem, fino. A mão esquerda está pousada sobre o peito do homem, enquanto a direita aponta para baixo, de modo que os braços estão cruzados.

A outra mulher, a da esquerda, está representada de costas, mas o rosto aparece de perfil. Tem cabelos que escapam livremente de um curioso chapéu. Dirige a mão direita para a terra e pousa a esquerda sobre o ombro do jovem.

O anjo, de cabelos louros e asas azuis, segura uma flecha branca com uma das mãos enquanto com a outra segura um arco da mesma cor.

Do disco solar surgem 24 raios pontiagudos, um dos quais é superposto pela asa do anjo.

Significados simbólicos

Sentimento. Livre arbítrio. Maioridade. Prova. Escolha.

Encadeamento, enredo, abraço, luta, antagonismo, combinação, equilíbrio.

Matrimônio, ligação, união. Integração de ambos os sexos ao poder gerador do universo.

Interpretações usuais na cartomancia

Decisão voluntária, eleição. Votos, aspirações, desejos. Exame, deliberações, responsabilidades. Afetos.

Mental: Amor pelas belas formas e pelas artes plásticas.

Emocional: Dedicação e sacrifícios.

Físico: Os desejos, o amor, o sacrifício pela pátria ou pelos ideais sociais, assim como todos os sentimentos manifestados fortemente no plano físico.

É a carta da união e do matrimônio. Representa para os consulentes de ambos os sexos, também, a infidelidade; em certos casos, a iminência de uma escolha a ser realizada.

Sentido negativo: Ruptura, separação, corte, desordem. Divórcio. Prova a ser suportada. Dúvida, falta de resolução. Tentação perigosa, risco de ser seduzido. Má conduta, libertinagem. Debilidade, falta de heroísmo.

Infidelidade, maus relacionamentos, indecisão e impotência.

História e iconografia

Em vasos e quadros da época romana, encontra-se com freqüência a imagem de um casal de namorados ante uma terceira pessoa ou elemento (em geral um Cupido).

O Arcano VI parece referir-se de forma alegórica a uma idéia diferente: a famosa parábola de Hércules na encruzilhada entre a Virtude e o Vicio, tal como conta Xenofonte nas suas lembranças de Sócrates. É bem provável que esta parábola – e suas variantes, como a de Luciano, o Jovem, disputado pela Arte e pela Ciência, entre as mais conhecidas – tenha sido popular na Idade Média, visto que é citada por vários autores dessa época (Cícero, no Tratado dos Deveres; São Basílio, no seu Discurso aos Jovens).

A idéia fundamental deste tema – ou seja, a necessidade de escolha entre dois caminhos – encontra-se igualmente em muitas imagens cristãs. Pode-se citar como exemplo uma miniatura bizantina do século X, onde Davi está representado entre duas mulheres que simbolizam a Sabedoria e a Profecia: a pomba que pousa sobre a cabeça do rei lembra em muito o Cupido do Arcano VI.

A antiguidade desta parábola é indiscutível, mesmo que as suas representações gráficas mais remotas não tenham chegado até nos. Na vida de Apolônio de Tiana, narrada por Filostrates no final do século II, há uma curiosa passagem em que um sábio egípcio diz a Apolônio:

Davi, entre a Sabedoria e a Profecia

“Tu conheces, nos livros de imagens, a representação de Hércules em que ele, jovem, ainda não escolheu o seu caminho. O Vício e a Virtude o rodeiam, tentam atraí-lo, cada um o quer para si…”

É preciso remontar mais uma vez aos pitagóricos para encontrar o simbolismo gráfico do tema, representado entre eles pela letra Y, emblema da escolha vital que todo homem realiza no final da infância.

O traço da metade inferior da letra Y representaria precisamente a infância, isenta de vícios ou virtudes; os braços que partem da bifurcação da letra representariam cada uma dessas tendências, enquanto que o ponto onde a bifurcação se produz seria o momento exato em que a puberdade se manifesta.

É comum encontrar nos manuscritos medievais esta referência à letra Y: “bifurcação, ou letra de Pitágoras”. Não é casual, assim, que alguns desenhos modernos do Tarô mencionem esta lâmina como A Dúvida ou A Prova.

Esse mesmo significado é mencionado no Antigo Testamento – no Deuteronômio, no primeiro dos Salmos, e mais explicitamente ainda em Jeremias. A idéia não reaparece no Novo Testamento, mas sim no começo dos Ensinamentos dos Doze Apóstolos, texto não canônico, presumivelmente composto por volta do século II: “Dois são os caminhos; um leva à Vida e outro à Morte”.

Uma interpretação totalmente diferente vê nessa estampa o ato do compromisso matrimonial dos noivos diante do sacerdote. Alguns dos célebres pintores renascentistas – Rafael, Perugino – deram testemunho dessa cerimônia na vida da Virgem.

Wirth vê no Enamorado a primeira fase individual da trajetória iniciática, quando o homem terminou a sua formação, mas não começou ainda o seu trabalho.

Outra vertente de interpretação menciona o simbolismo sexual do “senário”, partindo do sentido literal do nome da Carta.

“Entre os pitagóricos – disse Clemente de Alexandria – o seis é um numero sexual, chamando-se por esta razão O Matrimônio”.

Nas analogias geométricas, o Enamorado se identifica ao selo de Salomão, ou seja, tem claro vínculo com cópula dos triângulos entrelaçados.

Do ponto do vista psicológico, é sem dúvida a metáfora mais transparente do caminho para a identidade, que só se realiza no conflito e no intercâmbio com o mundo e com os outros.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-6-zain-os-enamorados

Blessed are the Sick, Morbid Angel

O Morbid Angel ficará para sempre soando nos ouvidos de Satan como uma banda que conseguiu ser crítica em relação a religião sem ser óbvia nem pedante destoando com estilo da grande maioria de metaleiros que viviam de plagiar o Venom e o Black Sabbath.

Seu álbum Altars of Madness de 1989 foi o primeiro a abandonar a fixação do death metal a começar a substituir a simples agressão sangrenta por uma postura abertamente satânica.  Muitas das músicas de Altars of Madness  estão repletas de referências a magia negra, cânticos sinistros e orações tenebrosas. Covenant é outra obra prima: da arte da capa até o vídeo de God of Emptiness (reproduz um antigo ritual católico em que sacerdotes invocam santos para práticas de bruxaria).

Mas o destaque fica para Blessed are the Sick, lançado em 1991 e digno de nota por conter em suas letras além das referências demoníacas medievais também referências a nomes estranhos como Yog Sothoth e Shub Niggurath – criaturas dos mitos de Cthuhu reveladas por H.P. Lovecraft. Com o amadurecimento da banda ficou  claro que muito da perspectiva satânica  deles é derivada diretamente do Necronomicon, o livro maldito tido como a verdadeira Bíblia do Mal por alguns e como farsa literária por outros mas ainda assim a fonte predileta de inpirações e rituais macabros de quase todos os adeptos da magia do caos com tendência satânicas.

Unholy Blasphemies

 

Rise through the gate, Iak Sakkath

From depths beyond the sky

The realm of evil gods

Painful… They eat your mind

 

Evil undisguised

Breathe in pain

Blackened souls remain

 

Ghouls who pray the death of god

Destroy Jehovah’s church

Vomit upon the cross

And burn the book of lies

 

Yog sothoth evil one

Come forth and taste the blood

Infant entrails

Are hung upon the twisted cross

Tradução e Unholy Blasphemies
(Blasfémias Profanas)

Erga-se pelo portão Iak Sakkath

Dos abismos além do céu

O reino dos deuses do mal

Dolorido… eles comem nossa mente

Mal sem disfarce

Respiração em dor

As almas permanecem enegrecidas

Ghouls que oram a morte de deus

Destruam a igreja de Joehovah

Vomitem sobre a cruz

E queimem seu livro de mentiras

Yog sothoth, o perverso

Venha e prove do sangue

das entranhas da criança

penduradas na pervetida cruz

 

Nº 56 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/blessed-are-the-sick-morbid-angel/

VI Simpósio Brasileiro de Hermetismo

Hermes é a figura associada à divulgação das Ciências Ocultas. Quer seja histórico, quer seja mitológico, sua influência foi tão grande que até hoje as ciências ocultas são chamadas de Hermetismo.

N’A Tábua Esmeralda, Hermes avoca o título de Trimegistos, o Três Vezes Grande, por possuir as três partes da Filosofia Universal, que receberam, dentre outros, os nomes de Magia, que é a arte de causar a mudança de acordo com a Vontade, Misticismo, que é o estudo da(s) divindade(s) e das leis que aproximam o ser humano dela(s), e a Alquimia, que é o estudo da natureza humana e sua transformação.

De Magos mitológicos, capazes de controlar os elementos, o clima e os animais, aos Alquimistas com seus fornos, capazes de transformar chumbo em ouro, passando por aqueles aptos a ver a face da(s) divindade(s), conhecer seus nomes e invocá-las, o Hermetismo chegou aos nossos dias imerso em um véu de mistério.

Sem a pretensão de solucionar esses mistérios (Seria o Nome de Deus uma Palavra? A transformação do chumbo em ouro é literal? É possível viver para sempre e eternamente jovem?) o Hermetismo fala sobre a Mudança: Mudar o Mundo, Mudar a Si Mesmo e a Mudança em direção ao Divino.

Nada mais coerente, portanto, que se debruçar sobre as mudanças que o Hermetismo proporciona aos seus praticantes.

E é com essa proposta que a Associação Educacional Sirius-Gaia (AESG) tem a alegria de apresentar o VI Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas: O Hermetismo como Instrumento da Transformação do Ser.

Nos dias 11 e 12 de novembro poderemos ouvir alguns daqueles que, de uma forma ou de outra, trilhando o caminho das ciências ocultas, puderam observar em sua vida a mudança que lhes aproximou um pouco mais de sua Verdade Individual.

O local escolhido é o Century Plaza, na Rua Teixeira da Silva, 647, próximo a avenida Paulista.

Inscrições:

As inscrições são efetuadas somente pelo site do Simpósio e valem para assistir todas as palestras nos dias 11 e 12 de novembro de 2017. O valor da inscrição no momento é de R$ 180,00.

O calendário das inscrições segue a seguinte progressão:

Inscrições realizadas de 21/05 a 10/06 – R$ 180,00

Inscrições realizadas de 11/06 a 10/07 – R$ 200,00

Inscrições realizadas de 11/07 a 10/08 – R$ 225,00

Inscrições realizadas de 11/08 a 10/09 – R$ 250,00

Inscrições realizadas de 11/09 a 10/10 – R$ 275,00

Inscrições realizadas de 11/10 a 09/11 – R$ 300,00

Esteja atento aos prazos e antecipe sua inscrição!

http://simposiohermetismo.com.br/

#Blogosfera #Simpósio

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vi-simp%C3%B3sio-brasileiro-de-hermetismo

A Monada Hieroglifica de John Dee

Uma das cifras mais poderosas em toda história da alquimia é um glifo obscuro de aparência bastante estranha. Há quem diga, entre eles seu criador, que este e é o símbolo da Pedra Filosofal, não apenas simbolicamente, mas que incorpora alguns dos poderes da Pedra sempre que é desenhada. Em outras palavras, acredita-se que a cifra carrega seu próprio espírito ou inteligência, que é evocada toda vez que é escrita ou construída. Este não é um espírito qualquer, mas a própria Alma do Mundo.

O nome dessa cifra é Mônada Hieroglífica, e foi criada pelo Dr. John Dee , o grande sistematizador da magia enochiana.

Sobre John Dee

Dee foi um verdadeiro homem da Renascença que alcançou renome mundial como matemático, cartógrafo, criptógrafo, mágico, filósofo,  astrólogo e alquimista. Entre suas qualidades estava a da obstinação.

“Eu estava tão decidido a estudar”, disse Dee sobre seu tempo em Cambridge, “que durante esses anos eu mantive inviolavelmente esta ordem: apenas dormir quatro horas todas as noites; permitir que me encontrem, comam e bebam comigo duas horas por dia; e das outras dezoito seriam todas gastas em meus estudos e aprendizado.”

Com uma intensa pureza de intenção e motivo, Dee embarcou em um plano sistemático para descobrir a Pedra Filosofal. Ele a via tanto como uma filosofia quanto como um objeto físico. Em sua opinião, a Pedra era “a força por trás da evolução da vida e o poder universal que une mentes e almas em uma unidade humana”.

Enquanto a maioria dos alquimistas de seu tempo procuravam a Pedra por sua capacidade de transmutar metais básicos em ouro, Dee queria possuí-la como fonte de transmutação espiritual também.

Em pouco tempo, o Dr. Dee percebeu que poderia representar todos os poderes e características da Pedra Filosofal em um símbolo mágico matematicamente corrente. Após sete anos de intenso estudo de símbolos alquímicos, ele encontrou o que procurava. Em apenas 13 dias em janeiro de 1564, Dee entrou em um estado de profunda concentração e completou uma prova matemática passo a passo chamada Monas Hieroglyphica (Mônada Hieroglífica).

Sobre a Mônada

Segundo o filósofo grego Pitágoras, a Mônada foi a primeira coisa que veio a existir no universo. Pode ser descrito como o átomo ou ovo espiritual que deu origem a todo o cosmos. Para os filósofos gnósticos, a Mônada era o único ser espiritual superior (a Mente Única) que criou todos os deuses menores e poderes elementais. Em termos junguianos, é o primeiro arquétipo que contém todos os outros arquétipos. Hoje podemos vê-lo como um mega computador que contém todo o software do universo.

Quando os alquimistas representavam a Mônada, costumavam acrescentar a legenda latina In Hoc Signo Vinces (Neste signo você vencerá). Todas as cifras codificadas dos alquimistas eram consideradas peças da Mônada Hieroglífica e, como veremos, a partir de John Dee isso tornou-se geometricamente verdadeiro.

Teria dito Dee que esta prova “revolucionaria a astronomia, a alquimia, a matemática, a linguística, a mecânica, a música, a ótica, a magia e o adepto”. Ele até pediu aos astrônomos que parassem de espiar através de seus telescópios tentando entender os céus e, em vez disso, passassem o tempo meditando em sua Mônada.

Dee acreditava que sua cifra era a verdadeira Pedra Filosofal. O frontispício de sua Mônada Hieroglífica é uma explicação sucinta da própria cifra, e o frontispício foi considerado tão importante nos tempos elisabetanos que ficou conhecido em todo o mundo como o Grande Selo de Londres.

No centro do frontispício está a cifra da Mônada dentro de um ovo invertido cheio de fluido embrionário e conhecido como Ovo Hermético. O fluido representava a Primeira Matéria; a gema é representada como um círculo e aponta para o centro da figura. O círculo com um ponto central é a cifra do ouro e do sol.

O símbolo do crescente lunar da lua cruza a parte superior da gema amarela do sol. Assim, o sol e a lua estão unidos em ouro neste nível, que representa a perfeição ou o fim da Grande Obra. Dentro da moldura ao redor da Mônada encontram-se os Quatro Elementos e os Três Essenciais do Enxofre (o sol no pilar esquerdo), Sal (a lua no pilar direito) e Mercúrio (o símbolo central).

Dois crescentes lunares arredondados ou ondas representando o Elemento Água estão na parte inferior da Mônada. Eles se juntam para formar os chifres de carneiro do signo de Áries, que significa Fogo. Áries, o primeiro signo do zodíaco, está associado à explosão de força vital na primavera, quando começa a Grande Obra. “Para começar o Trabalho desta Mônada”, escreveu Dee, “é necessário o auxílio do Fogo”.

Uma cruz, conhecida como a Cruz dos Elementos, conecta a parte inferior e a parte superior da cifra. Aqui se desenrola o funcionamento da realidade manifestada. Nesta seção da Mônada, todos os glifos dos cinco planetas visíveis, juntamente com os símbolos do sol e da lua, se cruzam. Os metais também são indicados, pois na alquimia, as cifras para o planeta e seu metal são os mesmos (Saturno/Chumbo, Júpiter/Estanho, Marte/Ferro, Vênus/Cobre, Mercúrio/Mercúrio, Lua/Prata e o Sol/Ouro). Ao traçar as linhas e arcos de conexão de diferentes maneiras, pode-se localizar todos os símbolos dos planetas e seus metais e, assim, revelar as forças invisíveis por trás da Natureza.

As cifras planetárias fundidas são organizadas da esquerda para a direita e de cima para baixo ao redor da Cruz dos Elementos. De acordo com Dee, ao colocar as cifras planetárias em seu relacionamento adequado, os símbolos astronômicos são imbuídos de uma “vida imortal”, permitindo que seu significado codificado seja expresso “de maneira mais eloquente em qualquer língua e qualquer nação”. Nesse arranjo, o sol é o único símbolo que é sempre o mesmo e, nesse sentido, incorruptível como o ouro. Não importa para que lado a Mônada seja virada – de cabeça para baixo, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda ou sua imagem espelhada – a cifra do sol e do ouro é sempre exatamente a mesma.

O coração da Mônada e a cifra que engloba todas as outras é Mercúrio. Na alquimia, Mercúrio representa o próprio princípio da transformação. Assim como descrito na Mônada, Mercúrio faz parte de todos os metais e Elementos da alquimia e funde-os juntos como um. Dee incorporou o espírito de Mercúrio no coração de seu símbolo mestre e acreditava ter capturado com sucesso as essências de todos os elementos e metais arquetípicos.

Dee acreditava que sua Mônada carregava o segredo da transformação de qualquer coisa no universo, mas nunca falou de abertamente de seu significado publicamente porque achava que a Mônada era poderosa demais para ser compartilhada com os não iniciados. Ele disse a outros alquimistas em particular que seu símbolo não apenas descrevia a inter-relação precisa das energias planetárias, mas também mostrava o caminho para a transmutação dos metais, bem como a transformação espiritual do alquimista.

Dee teve a palavra final, no entanto. “Aquele que se dedica sinceramente a esses mistérios”, disse ele, “verá claramente que nada pode existir sem a virtude de nossa Mônada Hieroglífica”. E deu este conselho a quem quisesse ler a sua prova: “Quem não entende deve aprender ou calar-se”.

~ Denis Wiliam Hauck

Α

Mônada Hieroglífica

John Dee, Antuérpia, 1564

Teorema I

E pela linha reta e pelo círculo que o primeiro e mais simples exemplo e representação de todas as coisas devem ser demonstrados, sejam essas coisas inexistentes, sejam apenas ocultas sob o véu da Natureza.

Teorema II

Não podem ser produzidos artificialmente nem o círculo sem a linha, tampouco a linha sem o ponto. E, portanto, pela virtude do ponto e da Mônada que todas as coisas começam a emergir a princípio. Aquilo que é afetado na periferia, não importando quão grande seja, não pode de forma alguma carecer do suporte do ponto central.

Teorema III

Por conseguinte, o ponto central que vemos no centro da Mônada produz a Terra, em torno da qual o Sol, a Lua e os outros planetas seguem seus respectivos caminhos. O Sol tem a suprema dignidade, e nós o representamos como um círculo que possui um centro visível.

Teorema IV

Embora o semicírculo da Lua esteja disposto sobre o círculo do Sol e podendo parecer superior, não obstante sabemos que o Sol é Rei e senhor. Vemos que a Lua, com sua forma e sua proximidade, rivaliza como Sol em sua grandeza, que é aparente ao homem ordinário; porém, sua face, ou uma semiesfera da Lua, sempre reflete a luz do Sol. Ela deseja tão intensamente ser impregnada com os raios solares e assim transformar-se em Sol que por vezes desaparece completamente dos céus e alguns dias depois reaparece, e nós a representamos pela figura dos Cornos (Cornucópia).

Teorema V

E, de fato, eu concluí a ideia do círculo solar adicionando um semicírculo à Lua, pois a manhã e o entardecer foram o primeiro dia, e foi, portanto, no primeiro (dia) que a Luz dos Filósofos foi feita (ou produzida).

Teorema VI

Notamos aqui que o Sol e a Lua são sustentados pela Cruz retangular. Esta Cruz pode significar muito profundamente, e com razões suficientes em nosso hieróglifo, tanto o Ternário quanto o Quartenário. O Ternário é composto pelas duas linhas retas tendo um centro copulativo.

O Quartenário é produzido pelas quatro linhas retas encerrando quatro ângulos retos. Qualquer um destes elementos, as linhas ou os ângulos retos, repetidos duas vezes, consequentemente, fornecem-nos da maneira mais secreta a Octada, a qual eu não creio ter sido conhecida por nossos predecessores, os Magi, e a qual deveis estudar com grande atenção. A magia tripla dos primeiros Patriarcas e dos sábios consistia em Corpo, Alma e Espírito. Portanto, temos aqui o primeiro Setenário manifesto, ou seja, duas linhas retas com um ponto comum, os quais são três, e as quatro linhas que convergem para formar o ponto central separando as duas primeiras.

Teorema VII

Quando os Elementos estão distantes de seus locais familiares, as partes homogêneas são deslocadas, e isto um homem aprende pela experiência, pois é ao longo das linhas retas que eles retornam natural e efetivamente a esses mesmos locais. Portanto, não será absurdo representar o mistério dos quatro Elementos, no qual e possível reduzir cada um a sua forma elemental, por quatro linhas retas estendendo-se em quatro direções contrárias a partir de um ponto comum e indivisível. Aqui notareis particularmente que os geômetras ensinam que uma linha é produzida pelo deslocamento de um ponto: nós notificamos que deve ocorrer algo semelhante aqui, e por uma razão similar, porque nossas linhas elementares são produzidas por uma contínua cascata de gotículas como um fluxo no mecanismo de nossa magia.

Teorema VIII

Além disso, a extensão cabalística do Quartenário, de acordo com a fórmula comum de notação (porquanto dizemos um, dois, três e quatro), é uma fórmula abreviada ou reduzida a Década. Isto ocorre porque Pitágoras tinha o hábito de dizer: l +2 + 3 + 4 fazem 10. Não é por acaso que a cruz de ângulo reto, ou seja, a vigésima primeira letra do alfabeto romano, a qual considerava-se como sendo formada por quatro linhas retas, foi usada pelos mais antigos dos Filósofos romanos para representar a Década. Posteriormente, eles definiram o ponto em que o Ternário conduz sua forca até o Setenário.

Teorema IX

Vemos que tudo isto está perfeitamente de acordo com o Sol e a Lua de nossa Mônada, porque, pela magia dos quatro Elementos, deve ser feita uma separação exata em suas linhas originais; em seguida, a conjunção circulatória no complemento solar pelas periferias dessas mesmas linhas é realizada, pois não importa quão longa uma dada linha possa ser, é possível descrever um círculo passando por seus extremos, seguindo as leis dos geômetras. Portanto, não podemos negar quão úteis o Sol e a Lua são para nossa Mônada, em conjunção com a proporção decimal da Cruz.

Teorema X

A seguinte figura do signo de Áries, em uso entre os astrônomos, é a mesma para todo o mundo (um tipo de ereção ao mesmo tempo cortante e pontuda), e entende-se que ela indica a origem da triplicidade ígnea naquela parte do céu. Portanto, adicionamos o signo astronômico de Áries para indicar que na prática desta Mônada o uso do fogo é requerido.

Terminamos a breve consideração Hieroglífica de nossa Mônada, a qual somamos em um único contexto hieroglífico:

O Sol e a Lua desta Mônada desejam que os Elementos, nos quais a décima proporção florescerá, sejam separados, e isto é feito pela aplicação do Fogo.

Teorema XI

O signo do Carneiro, composto de dois semicírculos conectados por um ponto comum, e justamente muito atribuído ao lugar do nictêmero equinocial, porque o período de 24 horas dividido pelo equinócio denota as mais secretas proporções.

Isto eu tenho dito em respeito a Terra.

Teorema XII

Os antiquíssimos sábios e Magi transmitiram-nos cinco signos hieroglíficos dos planetas, todos os quais são compostos pelos sinais usados para a Lua e para o Sol, com o signo dos Elementos e do signo hieroglífico de Áries, o Carneiro, o qual se tornara óbvio para aqueles que examinarem essas figuras:


Não será difícil explicar cada um desses signos de acordo com a maneira Hieroglífica em vista de nossos princípios fundamentais, já colocados. Para começar, falaremos em paráfrases dos que possuem as características da Lua; em seguida, dos que possuem caráter solar. Quando nossa natureza lunar, pela ciência dos Elementos, tiver completado a primeira revolução ao redor da Terra, então ela foi chamada, misticamente, Saturno. Depois, na revolução seguinte, foi chamada Júpiter, e possui uma figura muito secreta. Então a Lua, desenvolvida por ainda mais uma Jornada, foi mais uma vez representada muito obscuramente pela figura que se costumava chamar Mercúrio. Vê-se como neste ciclo Lunar que ela deve ser conduzida por meio de uma quarta revolução, e não é algo contrário a nosso desenho secreto, não importa o que certos sábios possam dizer. Dessa maneira o puro espírito mágico, por sua virtude espiritual, realizará a obra de albificação no lugar da Lua; apenas para nos e como estava no meio de um dia natural ele falará hieroglificamente sem palavras, introduzindo e imprimindo estas quatro figuras geogênicas da pura Terra muito simplesmente preparada por nós.


Esta última figura estando no meio de todas as outras.


Teorema XIII

Agora falemos sobre a característica mística de Marte. Não é ele formado pelos hieróglifos do Sol e de Áries, o magistério dos Elementos intervindo parcialmente? E o de Vênus — eu gostaria de saber —, não é ele produzido pelo do Sol e dos Elementos de acordo com os melhores expoentes? Portanto, os planetas tornam-se para a periferia solar e para a obra de revivificação.

Na progressão notaremos que este outro Mercúrio aparecerá e é verdadeiramente o irmão gêmeo do segundo: pois, pela magia Lunar e Solar completa dos Elementos, o Hieróglifo desse Mensageiro fala-nos muito distintamente, e deveríamos examiná-lo cuidadosamente e escutar o que ele diz. E (pela vontade de Deus) ele é o Mercúrio dos Filósofos, o grandemente celebrado microcosmo e ADÃO. Portanto, alguns dos mais experientes inclinaram-se a colocá-lo em uma posição e dar-lhe um grau de distinção igual ao do próprio Sol. Isto nós não podemos fazer na presente época, a menos que adicionemos a esta obra de cristal coralíneo uma certa ALMA separada do corpo por uma arte pirofágica. É muito difícil conseguir isso e também muito perigoso por causa da fragrância que o fogo e o enxofre contém. Mas certamente esta ALMA pode realizar coisas maravilhosas. Por exemplo, junte-a, por meio de amarras inseparáveis, ao disco da Lua (ou ao de Mercúrio) por Lúcifer e pelo Fogo. Em terceiro lugar, é necessário que mostremos (a fim de demonstrar nosso número Setenário) que este é o próprio Sol dos Filósofos. Vós observareis a exatidão, bem como a clareza com a qual esta anatomia da Mônada Hieroglífica corresponde àquilo que é o significado do arcano destes dois teoremas.

Teorema XIV

Está portanto claramente confirmado que todo o magistério depende do Sol e da Lua. O Grandiosíssimo Hermes disse-nos isso repetidamente afirmando que o Sol é o pai e a Lua a mãe, e nos sabemos de fato que a terra vermelha (terra lemnia) é nutrida pelos raios da Lua e do Sol, os quais exercem uma influência singular sobre ela.

Os princípios da Astronomia inferior, mostrados na anatomia de nossa Mônada.

Teorema XV

Sugerimos, portanto, que os Filósofos considerem a ação do Sol e da Lua sobre a Terra. Eles notarão que, quando a luz do Sol entra em Áries, a Lua, quando entra no próximo signo, ou seja, Touro, recebe uma nova dignidade na luz e é exaltada naquele signo em relação às suas virtudes naturais. Os Antigos explicavam esta proximidade dos astros — a mais notável de todas — por um certo signo místico sob o nome do Touro. É muito provável que seja a exaltação da Lua, a qual os astrônomos dos tempos mais remotos testemunham em seus tratados. Este mistério pode ser compreendido apenas por aqueles que se tornaram os Pontífices Absolutos dos Mistérios. Pela mesma razão eles disseram que Touro é a casa de Vênus, ou seja, do amor conjugal, casto e prolífico, pois a natureza regozija-se na natureza, como o grande Ostanes ocultou em seus mistérios mais secretos. Estas exaltações são adquiridas pelo Sol, porque ele próprio, após ter sofrido muitos eclipses de sua luz, recebeu a força de Marte, e é dito como exaltado nesta mesma casa de Marte, que é o nosso Carneiro (Áries).

Este mistério secretíssimo é claro e perfeitamente mostrado em nossa Mônada pela figura Hieroglífica de Touro, o qual é aqui representado, e pela de Marte, que indicamos no Teorema XII e Teorema XIII pelo Sol unido a uma linha reta na direção do signo de Áries. Nesta teoria oferece-se outra análise cabalística de nossa Mônada, pois eis a real e engenhosa explicação: as exaltações da Lua e do Sol são feitas por meio da ciência dos Elementos.

Nota: Há duas coisas que devem ser particularmente observadas; primeiro, que a figura Hieroglífica de Touro é a mesma do ditongo dos gregos, o qual era sempre usado na terminação do singular; segundo, que por uma simples transposição de lugar mostramos a letra alfa duas vezes, por um circulo e um semicírculo, sendo simples tangentes que tocam uma a outra, como mostrado.

Teorema XVIora, tendo em vista nosso tema, filosofar brevemente a respeito da Cruz. Nossa Cruz pode ser formada por duas linhas retas (como dissemos) que são iguais, ou seja, não podemos separar as linhas, exceto partindo-as de modo que se consigam comprimentos iguais. Mas na distribuição mística dos componentes de nossa Cruz, queremos usar partes que sejam tanto iguais como desiguais. Estas partes mostram que uma virtude está oculta sob o poder da divisão da (Cruz Equilateral em duas partes, pois elas são de igual grandeza. Em geral, a Cruz deve ser composta de ângulos retos, já que a natureza da justiça exige a perfeita igualdade das linhas usadas na interseção. De acordo com essa justiça, propomos um exame cuidadoso do que segue a respeito da Cruz Equilateral (a qual corresponde à vigésima primeira letra do alfabeto latino).

 


Se, por meio do ponto comum no qual os ângulos opostos se encontram em nossa Cruz Retilínea, Retangular e Equilateral, imaginarmos uma linha reta dividindo-a em duas partes, então em cada lado da linha assim transversa notamos que as partes são perfeitamente iguais e similares.

E essas partes são similares em forma aquela letra dos romanos que corresponde a quinta vogal e que era frequentemente usada pelos mais antigos Filósofos Latinos para representar o numero V. Isso, suponho, não era feito por eles sem uma boa razão, pois é de fato a metade exata de nossa Década. Dessas partes da figura, assim duplicadas pela divisão hipotética da Cruz, podemos concluir que é razoável que cada parte represente o quinário, embora uma esteja de pé e a outra ao contrário, a semelhança da multiplicação da raiz quadrada que entra aqui de maneira maravilhosa como o número circular, ou seja, o quinário, do qual notamos que o numero 25 é produzido (porquanto esta letra é a vigésima do alfabeto e a quinta das vogais).


Consideraremos agora outro aspecto desta mesma Cruz Equilateral — o seguinte é baseado na posição mostrada em nossa Cruz Monádica. Suponhamos que uma divisão similar da Cruz em duas partes seja feita como no desenho. Agora vemos a forma germinante de outra letra do alfabeto latino — uma de pé e a outra ao contrário. Esta letra é usada (segundo o antigo costume dos latinos) para representar o número 50. Dai, parece-me, estabelecemos nossa Década da Cruz, pois é colocada no topo de todos os mistérios, e segue-se que esta Cruz é o signo hieroglífico da perfeição. Portanto, incluso na forma do quinário está o poder da Década, de onde provém o número 50 como seu próprio produto.

Ó, meu Deus, quão profundos são estes mistérios! E o nome ELE (EL) é dado a esta letra! E por esta mesma razão, vemos que esta responde a virtude decimal da Cruz, porque, começando da primeira letra do alfabeto, L é a décima letra, e contando de trás para frente, com base na letra X, descobrimos que ele cai no décimo lugar, e desde que mostramos que há duas partes da Cruz, e considerando agora sua virtude numérica, fica bem claro como o número cem é produzido. E se pela lei dos quadrados essas duas partes forem multiplicadas, elas resultam num produto igual a 2.500. Este quadrado, comparado com o quadrado do primeiro número circular e aplicado a ele, resulta numa diferença de cem, que é a própria Cruz explicada pelo quadrado de sua Década, e é reconhecida como cem. Portanto, como isto está contido na figura da Cruz, também representa a unidade. Pelo estudo destas teorias da Cruz, a mais digna de todas, somos assim induzidos a utilizar esta progressão, a saber: um-dez-um-cem, e esta é a proporção decimal da Cruz como se apresenta a nós.

Teorema XVII

Após um estudo apropriado do sexto teorema é lógico proceder para uma consideração dos quatro ângulos retos da Cruz, para cada qual, como mostramos no teorema precedente, atribuímos o significado do quinário de acordo com a primeira em que estão colocados, e transpondo-os para uma nova posição, o mesmo teorema mostra que eles tornam-se signos hieroglíficos do numero 50. É muito evidente que a Cruz é vulgarmente usada para indicar o número 10, e também é a vigésima primeira letra, seguindo a ordem do alfabeto latino, e é por esta razão que os sábios entre os Mecubales designaram o numero 21 pela mesma letra. De fato, podemos fazer uma consideração muito simples deste signo para descobrir que outras virtudes qualitativas e quantitativas ele possui. Baseados em todos estes fatos vemos que podemos seguramente concluir, pela melhor das computações cabalísticas, que nossa Cruz, por uma maravilhosa metamorfose, pode significar 252 para os Iniciados. Por conseguinte: quatro vezes cinco, quatro vezes cinquenta, dez, 21, os quais somados resultam em 252. Podemos extrair este número mediante dois outros métodos, como já mostramos anteriormente; recomendamos aos cabalistas, que ainda não fizeram experimentos para produzi-lo, não apenas estudá-lo em sua concisão, mas também formar um julgamento digno de filósofos a respeito das várias permutações e engenhosas produções que surgem do magistério deste número. E não esconderei de vós outra memorável mistagogia: considerai que nossa Cruz, contendo tantas ideias, oculte duas outras letras se examinarmos cuidadosamente suas virtudes numéricas depois de uma certa maneira, de modo que, por um método paralelo seguindo sua força verbal com esta mesma Cruz, reconheçamos com suprema admiração que é daqui que a LUZ é derivada (LUX), a palavra final do magistério, pela união e conjunção do Ternário dentro da unidade da Palavra.

Teorema XVIII

Dos nossos Teoremas XII e XIII pode-se inferir que a astronomia celestial é a fonte e o guia da astronomia inferior. Antes de elevarmos nossos olhos ao céu, cabalisticamente iluminados pela contemplação destes mistérios, devemos perceber com exatidão a construção de nossa Mônada, como é mostrada para nós não apenas na LUZ, mas também na vida e na natureza, pois ela revela explicitamente, por seu movimento interno, os mais secretos mistérios desta análise física. Contemplamos as funções celestiais e divinas deste Mensageiro celestial, e aplicamos agora esta coordenação à figura do ovo.

É bem sabido que todos os astrólogos ensinam que a forma da órbita traçada por um planeta é circular, é porque os sábios deveriam entender como uma simples alusão, é assim que o interpretamos no hieróglifo mostrado, o que concorda em cada detalhe com aquilo que já foi dito. Aqui vós notareis que os miseráveis alquimistas devem aprender a reconhecer seus numerosos erros e entender o que é a água da clara do ovo, o que é o óleo da gema do ovo e o que queremos dizer com cascas de ovos calcinadas. Esses impostores inexperientes devem aprender em seu desespero a compreender o que realmente querem dizer estas e muitas outras expressões similares. Aqui nos mostramos praticamente todas as proporções que correspondem à própria Natureza. Este é o mesmo Ovo de Águia que o escaravelho quebrou anteriormente por causa da injúria que a crueldade e a violência deste pássaro causaram aos tímidos homens primitivos, pois este pássaro perseguiu alguns deles que estavam entrando na caverna onde o escaravelho habitava para implorar por seu auxílio. O escaravelho ponderou como poderia ele sozinho vingar tamanha insolência e, possuindo caráter veemente, preparou-se para levar a cabo seu propósito por meio de constância e determinação, pois não lhe faltavam nem poder nem inteligência. O escaravelho perseguiu a águia resolutamente e fez uso desta, extremamente perspicaz: ele derramou seu excremento no seio de Júpiter onde o ovo estava depositado, fazendo com que o Deus, ao tentar livrar-se dele, lançasse o ovo ao chão, onde ele se quebrou. O escaravelho teria, desta maneira, exterminado toda a família das águias da Terra não fosse Júpiter, a fim de evitar tamanha calamidade, resolver que, durante aquela parte do ano, quando as águias chocavam seus ovos, nenhum escaravelho deveria voar próximo a eles. Portanto, aconselho aqueles que forem maltratados pela crueldade deste pássaro que aprendam a utilíssima arte destes insetos solares (Heliocantharis) que vivem ocultos e escondidos por longos períodos de tempo. Por estas indicações e sinais, pelas quais deveriam ser muito gratos, eles próprios serão capazes de obter vingança contra seus inimigos. E eu afirmo (ó Rei!) que não é Esopo, mas Edipo quem me vem à lembrança, pois ele apresentou estas coisas a almas valorosas e aventurou-se pela primeira vez a falar desses mistérios supremos da Natureza. Eu sei perfeitamente que houve certos homens que, pela arte do escaravelho, dissolveram o ovo da águia e sua casca em puro albume e fizeram desse modo uma mistura de tudo; subsequentemente eles reduziram esta mistura a um líquido amarelo, por um processo notável, a saber: por uma incessante circulação, assim como os escaravelhos rolam suas bolotas de terra. Por este meio a grande metamorfose do ovo foi alcançada; o albume foi absorvido durante muitas revoluções ao redor das órbitas heliocêntricas, e foi envolvido no mesmo líquido amarelo. A figura Hieroglífica mostrada aqui, desta arte, não desagradará os que são familiarizados com a Natureza.


Lemos que, durante os primeiros séculos, essa arte foi muito celebrada entre os mais sérios e antigos Filósofos como certa e proveitosa. Anaxágoras realizou o magistério e extraiu dai uma excelente medicina, como podeis ler em seu livro Sobre a Natureza.

Aquele que se devota sinceramente a esses mistérios verá claramente que nada é capaz de existir sem a virtude de nossa Mônada Hieroglífica.

Teorema XIX

O Sol e a Lua irradiam sua força corpórea sobre os corpos dos Elementos inferiores muito mais do que todos os outros planetas. É este fato que mostra, com efeito, que na análise pirognômica todos os metais perdem o humor aquoso da Lua, assim como a solução ígnea do Sol, pelas quais todas as coisas corpóreas, terrestres e mortais são sustentadas.

Teorema XX

Mostramos suficientemente que por razões muito boas os Elementos são representados por linhas retas em nosso Hieróglifo, portanto damos uma conjetura bastante exata a respeito do ponto que colocamos no centro de nossa Cruz. Este ponto não pode de maneira alguma ser subtraído de nosso Ternário. Se qualquer pessoa que ignore esta sabedoria divina disser que nesta posição de nosso Binário o ponto pode ser ausente, nós responderemos que ele pode supô-lo ausente, mas aquele que permanecer sem ele certamente não será nosso Binário; pois o Quartenário é imediatamente manifesto porque, removendo o ponto, descontinuamos a unidade das linhas. Agora, nosso adversário pode supor que por este argumento reconstruímos nosso Binário; que de fato nosso Binário e nosso Quartenário são uma e a mesma coisa, de acordo com essa consideração, o que é manifestadamente impossível. O ponto precisa necessariamente estar presente, pois com o Binário constitui nosso Ternário, e não há nada que possa substituí-lo. Entretanto, ele não pode dividir a propriedade hipostática de nosso Binário sem anular uma parte integrante deste. Assim demonstra-se que ele não pode ser dividido. Todas as partes de uma linha são linhas. Isto é um ponto, e isto confirma nossa hipótese. Portanto, o ponto não forma parte de nosso Binário e, entretanto, forma parte integrante de nosso Binário. Segue-se que devemos tomar nota de tudo que esta oculto na forma hipostática e compreender que não há nada supérfluo na dimensão linear de nosso Binário. Mas porque vemos que essas dimensões são comuns a ambas as linhas, considera-se que elas recebam uma certa imagem secreta deste Binário. Dessa maneira, demonstramos aqui que o Quartenário está oculto no Ternário. Ó Deus, perdoa-me se pequei contra Tua Majestade revelando tão grande mistério em meus escritos que devem ser lidos por todos, mas creio que apenas os que são realmente dignos o compreenderão.

Continuamos, portanto, a expor o Quartenário de nossa Cruz como temos indicado. Procure diligentemente descobrir se o ponto pode ser removido da posição na qual primeiramente o encontramos. Os matemáticos ensinam que ele pode ser deslocado com muita facilidade. No momento em que é separado o Quartenário permanece, e torna-se muito mais claro e distinto aos olhos de todos.

Esta não é uma parte de suas proporções substanciais, mas apenas o ponto confuso e supérfluo que é rejeitado e removido.

Ó Divina Majestade Onipotente, como nós Mortais somos constrangidos a confessar quão grande Sabedoria e inefáveis mistérios residem na Lei que Tu fizeste! Por todos estes pontos e letras os segredos mais sublimes, e mistérios arcanos terrestres, assim como as múltiplas revelações deste ponto único, agora colocadas na Luz e examinadas por mim, podem ser fielmente demonstradas e explicadas. Este ponto não é supérfluo dentro da Divina Trindade, ainda quando considerado, por outro lado, dentro do Reino dos quatro Elementos onde ele é negro, portanto corruptível e insípido. É quatro vezes felicíssimo, o homem que atinge este ponto (quase copulativo) no Ternário, e rejeita e remove aquela parte sombria e supérflua do Quartenário, a fonte de vagas sombras. Assim, após algum esforço, obtemos as vestes brancas brilhantes como a neve.

Ó, Maximiliano, que Deus, por meio dessa mistagogia, faça de você ou de algum outro descendente da Casa da Aústria o mais poderoso de todos quando me chegar a hora de repousar tranquilo em Cristo, afim de que a honra de Seu formidável nome possa ser restaurada nas abomináveis e intoleráveis sombras que pairam sobre a Terra. E agora, por temor de que eu próprio possa dizer demais, devo retornar imediatamente ao fardo de minha tarefa, e porque ja terminei meu discurso para aqueles cujo olhar está centrado no coração, é agora necessário traduzir minhas palavras para aqueles cujo coração esta centrado nos olhos.

Aqui, portanto, podemos representar em alguma medida na figura da Cruz o que já dissemos. Duas linhas iguais são igual e desigualmente cruzadas a partir do ponto de necessidade que se vê em A. As quatro linhas retas, como em B, produzem um tipo de vácuo em que são retiradas do ponto central, que era sua condição comum, em cujo estado não eram prejudiciais, de uma para a outra. Este é o caminho pelo qual nossa Mônada, progredindo pelo Binário e Ternário no Quartenário purificado, é reconstituída dentro de si mesma, unida em proporções iguais, e que agora mostra que o todo é igual a suas partes combinadas, pois durante o tempo em que isto ocorre nossa Mônada não admitirá outras unidades ou números, porque é autossuficiente, e assim exatamente dentro de si mesma; absoluta em todos os números na amplitude da qual está difusa, não apenas magicamente, mas também por um processo um tanto vulgar empregado pelo artista, que produz grandes resultados de dignidade e poder dentro desta mesma Mônada, que é resumida à sua própria primeira matéria; enquanto o que é estranho a sua natureza e às suas proporções naturais hereditárias é segregado com a máxima cautela e diligência e rejeitado para sempre entre as impurezas.

Teorema XXI

Se o que está oculto nas profundezas de nossa Mônada for trazido à luz, ou, ao contrário, se as partes primárias que são exteriores em nossa Mônada forem fechadas no centro, vós vereis até onde a transformação filosófica pode ser produzida. Exporemo-vós agora outra comutação local de nossa Mônada mística, usando as partes dos caracteres hieroglíficos dos planetas superiores que são imediatamente oferecidas a nós. Cada um dos outros planetas por este motivo e, por sua vez, elevado a uma posição que lhes foi frequentemente apontada por Platão; portanto, se eles forem convenientemente tornados nesta posição e neste ponto em Áries, Saturno e Júpiter estão em conjunção. Descendo, a Cruz representa Vênus e Mercúrio, seguidos pelo próprio Sol com a Lua abaixo. Isto será refutado em outros círculos; entretanto, como não queremos esconder o tesouro filosófico de nossa Mônada, resolvemos dar uma razão para que a posição da Mônada seja dessa maneira deslocada. Mas veja! Ouça estes outros grandes segredos que conheço e revelarei para assisti-los no que concerne a esta posição, que posso explicar em poucas palavras. Distribuímos nossa Mônada, agora vista de um aspecto diferente e analisada de uma maneira diferente, como visto em B, D, C. Neste novo Ternário as figuras C e D são conhecidas por todos os homens, mas a figura designada por B não é de fácil compreensão.

É necessário dar cuidadosa atenção as conhecidas formas D e C, que mostram que as essências estão separadas e distintas da figura B: também vemos que os Cornos da figura C estão virados para baixo em direção a Terra. A parte de D que ilumina C esta também direcionada à Terra, ou seja, para baixo, no centro da qual o solitário ponto visível é em verdade a Terra; finalmente, estas duas figuras D e C viradas em direção a extremidade inferior dão uma indicação Hieroglífica da Terra. Portanto, a Terra é feita para representar, hieroglificamente, estabilidade e fixação. Deixo para vós julgardes o que se quer dizer com C e D: do que vós notareis um grande segredo. Todas as qualidades que primeiramente atribuímos ao Sol e a Lua podem ter aqui uma interpretação perfeita e muito necessária, estas duas estrelas até agora tendo sido colocadas na posição superior com os cornos da Lua virados para cima; porém, já falamos a este respeito.

Examinaremos agora, de acordo com os fundamentos de nossa Arte Hieroglífica, a natureza desta terceira figura B. Primeiro, carregamos a Coroa o crescente duplo da Lua que é nosso Áries, convertido de uma maneira mística. Então se segue o signo hieroglífico dos Elementos, que está anexado a ele. O porque de usarmos a Lua dupla pode ser explicado que isto está de acordo com a matéria, o que requer uma quantidade em dobro da Lua. Falamos destes graus dos quais os Filósofos em seus experimentos puderam encontrar apenas quatro, entre todas as substancias criadas, ou seja, ser, viver, sentir e compreender (esse, vivere, sentire et entelligere). Dizendo que os dois primeiros destes Elementos são encontrados aqui, dizemos que eles são chamados argent vive (lunas existens, viva), princípios de movimento. A Cruz que está anexa implica que neste artífice os Elementos são requisitados. Nós lhes dissemos muitas vezes que em nossa teoria o hieróglifo da Lua é como um semicírculo, e pelo contrário o círculo completo significa o Sol, enquanto aqui temos dois semicírculos separados, mas tocando-se em um ponto comum; se estes estão combinados, como o podem ser por uma certa arte, o produto pode resultar na plenitude circular do Sol. De todas estas coisas que consideramos, o resultado é que podemos resumir e, em uma forma Hieroglífica, oferecer o seguinte:

Argent vive, que deve ser desenvolvido pelo magistério dos Elementos, possui o poder da força solar pela unificação destes dois semicírculos unificados por uma arte secreta.

O círculo, o qual falamos e que designamos na figura pela letra E, é assim realizado e formado. Vós lembrareis que dissemos que o grau solar não nos é entregue prontamente em mão pela Natureza, mas que é artificial e não produzido pela Natureza, estando-nos disponível em seu primeiro aspecto de acordo com sua própria natureza (como em B) em duas partes separadas e dissolvidas, e não solidamente unido o corpo solar. De fato, o semidiâmetro destes semicírculos não é igual ao semidiâmetro de D e C, mas muito menor. Todos podem perceber isto pela forma como os desenhamos no diagrama, onde está claro que este mesmo B não tem uma amplitude tão grande quanto D e C. As proporções na figura confirmam isto, sendo desta maneira transformada num círculo de B a E. Portanto, aparece ali diante de nossos olhos apenas o signo de Vênus. Já demonstramos por estes silogismos hieroglíficos que de B não podemos obter o verdadeiro D, e que o verdadeiro C não é e não pode estar completamente dentro da natureza de B; portanto, ele por si mesmo não é capaz de tornar-se o verdadeiro Argent Vive. Vós podeis duvidar do sujeito desta vida e deste movimento, se é que é possível, de fato, possuí-lo naturalmente ou não. Todavia, como já explicamos aos sábios, todas as coisas que são ditas a respeito de B, de maneira similar serão pelo menos analógicas, e tudo o que ensinamos brevemente a respeito de C e D pode ser muito bem aplicado, por analogia, a este mesmo B acompanhado pelos Elementos.

De fato, o que anexamos à natureza de Áries deveria servir perfeitamente para este caso, pois ele carrega esta figura B, embora ao contrário, em seu ápice, é o que está anexado a figura B e a figura mística dos Elementos. Portanto, vemos por meio desta anatomia que apenas do corpo de nossa Mônada, separado desta maneira por nossa Arte, este novo Ternário é formado.

Disto não podemos ter dúvidas, pois os membros que a compõem reagrupam-se e formam entre si por sua própria vontade uma união e simpatia monádica que é absoluta. Por este meio descobrimos entre estes membros uma força que é tanto magnética como ativa.

Finalmente penso ser bom notar aqui, por recreação, que este mesmo B apresenta muito claramente as mesmas proporções na mal formada e rústica letra na qual carrega pontos visíveis em direção ao topo e na frente, e que estas letras são três em número, de outro modo seriam em número de seis, sumariando três vezes três: elas são brutas e mal-formadas, instáveis e inconstantes, feitas de tal maneira que parecem ser formadas por uma serie de semicírculos. Mas o método de tornar estas letras mais estáveis e firmes está na mão dos peritos literários. Eu coloquei aqui diante de vossos olhos uma infinitude de mistérios: introduzo um jogo, mas para interromper a teoria. Entretanto, não compreendo o esforço de certas pessoas em levantarem-se contra mim. Nossa Mônada sendo reconstituída em sua primeira posição mística e cada uma de suas partes sendo ordenada pela Arte, eu os advirto e exorto a buscarem com zelo pelo fogo de Áries na primeira triplicidade, que é nosso fogo equinocial e que é a causa pela qual nosso Sol deve ser elevado acima de sua qualidade vulgar. Muitas outras coisas excelentes deveriam ser estudadas também em felizes e sabias meditações.


Agora passaremos a outro assunto; queremos apontar o caminho, de maneira não apenas amigável, mas também fiel, para os outros segredos sobre os quais devemos insistir, antes que caíamos em silêncio e os quais, como dissemos, compreendem uma notável infinitude de outros mistérios.

Teorema XXII

Será prontamente entendido que os mistérios de nossa Mônada não podem ser extraídos, a menos que se esteja inclinado a farmácia da mesma Mônada, e que estes mistérios não sejam revelados a não ser aos Iniciados. Eu ofereço aqui para a contemplação de vossa Serena Alteza os vasos da Arte Sagrada que são verdadeira e completamente cabalísticos. Todas as linhas que unem as diversas partes de nossa Mônada são muito sabiamente separadas; nós atribuímos a cada uma delas uma letra especial, a fim de distingui-las umas das outras, como vereis no diagrama.

Informamos-vos que em A é encontrado um certo vaso artificial, formado por A e B com a linha M. O diâmetro exterior é comum a ambos, A e B, e este não é diferente, como vemos, desta primeira letra do alfabeto grego, exceto por uma única transposição das partes.

Ensinamos a verdadeira simpatia mística primeiro pela linha, o círculo e o semicírculo, e, como dissemos anteriormente, esta simetria pode apenas ser formada com base no círculo e no semicírculo, que estão sempre juntos pelo mesmo propósito

mas de outros vasos. Ou seja, X  é feito de vidro e 8 é feito de terra (cerâmica ou argila). Em segundo lugar, X  e 8 podem lembrar-nos do Pilão e do Almofariz que devem ser feitos como a substantia adequada, nos quais pérolas imperfuráveis artificias, lamelas de cristal e berilo, crisólita, rubis preciosos, carbúnculos e outras pedras artificiais raras podem ser transformadas em pó.

Por fim, o indicado pela letra w é um pequeno vaso contendo os mistérios, que nunca está distante desta última letra do alfabeto grego agora restaurada a sua mistagogia primitiva, e que é feita de uma única transposição de suas partes componentes, consistindo de dois meio-círculos de tamanho igual. A respeito dos objetos e necessidades vulgares que são requeridos em adição aos vasos, e o material dos quais eles devem ser moldados, seria inútil tratar disso aqui. Entretanto, deve ser considerado como buscar pela ocasião para realizar sua função por uma circulação espiral muito secreta e rápida e um sal incorruptível pelo qual o primeiro princípio das coisas seja preservado, ou melhor, que a substantia que flutua no vitríolo após sua dissolução mostre ao aprendiz uma espécie primordial, mas muito transitória de nossa obra, e se ele for atento, uma maneira muito sutil e mais efetiva de preparar a obra ser-lhe-á revelada. Dentro de X, o vaso de vidro, durante o exercício desta função particular, todo o ar deve ser excluído ou será extremamente prejudicial. O corolário de w é o homem agradável, ativo e bem disposto o tempo todo. Quem, então, não está agora apto a procurar os frutos doces e salutares desta Ciência, que, digo, cresce do mistério destas duas letras?

Alguns dos que os afastariam de nosso Jardim de Hespérides, e nos fariam ver isto um pouco mais próximo como num espelho, dizem que está estabelecido que este não é formado a não ser por nossa Mônada.

Mas a linha reta que aparece em Alfa e homologa aquela que, na separação da análise final de nossa Cruz, já foi designada pela letra M. Pode-se descobrir desta maneira de onde as outras foram produzidas. Veja o esquema delineado a seguir.

Nestas poucas palavras, eu sei que dou não só os princípios, mas também a demonstração ao aos que podem ver neles como fortificar o vigor ígneo e a origem celestial, de modo que possam emprestar uma orelha ao grande Demócrito, certos de que não é um dogma mítico e sim místico e secreto, de acordo como qual está a medicina da lama, a libertadora de todo o sofrimento, e está preparado para os que o desejam e como ele ensinou; deve ser buscado na Voz do Criador do Universo, de maneira que os homens, inspirados por Deus e gerados novamente, aprendam pela perfeita disposição das línguas místicas.

Teorema XXIII

Apresentamos agora de forma diagramática as proporções já observadas por nós na construção de nossa Mônada, as quais devem ser vistas por aqueles que desejam gravá-las sobre seus selos e anéis, ou para utilizá-las de qualquer outra maneira. Em nome de Jesus Cristo crucificado sobre a Cruz, eu digo que o Espírito escreve estas coisas rapidamente por meu intermédio; eu espero e creio que eu seja apenas a pena que traça esses caracteres. O Espírito impele-nos agora para nossa Cruz dos Elementos, com todas as medidas seguintes que devem igualmente ser obtidas por um processo de raciocínio, de acordo com o tema que for proposto para discussão. Tudo que existe abaixo do céu da Lua contém o princípio de sua própria geração em si mesmo e é formado pela coagulação dos quatro Elementos, a menos que seja a própria substancia primária, e isto de várias maneiras não é conhecido pelos vulgares, não havendo nada no mundo criado em que os Elementos existam em igual proporção ou igual força. Mas, por meio de nossa Arte, eles podem ser restituídos à igualdade em certos aspectos, como bem sabem os sábios; portanto, em nossa Cruz, tornamos as partes iguais e desiguais.


Outra razão é que podemos promulgar tanto a similitude quanto a diversidade, a unidade ou a pluralidade, ao afirmarmos as propriedades secretas da Cruz equilateral, como foi dito anteriormente.

Se tivéssemos de expor todas as razões que conhecemos, para as proporções estarem estabelecidas desta maneira, ou se tivéssemos que demonstrar as causas por meio de outros métodos que ainda não tenhamos usado, embora tenhamos feito o suficiente para os sábios, deveríamos transcender os limites da obscuridade que temos prescrito, não sem razão, em nosso discurso.

Tome um ponto qualquer, o ponto A, por exemplo; desenhe uma linha reta passando por ele em ambas as direções, como CAK. Divida a linha CK em A comum a linha formando ângulos retos, a qual chamaremos DAE. Agora selecione um ponto qualquer na linha AK, que seja ele o ponto B, e obtém-se assim a medida primária de AB, a qual será a medida comum de nossa obra. Tome três vezes o tamanho de AB e marque a linha central de A a C, que será AC. Agora tome duas vezes a distância entre AB e marque-a na linha DAE na altura do ponto E e novamente em D, de maneira que a distancia entre D e E seja quatro vezes a distância entre A e B. Assim forma-se nossa Cruz dos quatro Elementos, ou seja, o Quartenário formado pelas linhas AB, AC, AD, AE. Agora na linha BK tome uma distância igual a AD na linha central ate o ponto I. Tendo o ponto I como centro e IB como o raio, descreva um círculo que corte a linha AK em R: do ponto R em direção ao ponto K marque uma distância igual a AB, que sera RK. Do ponto K desenhe uma linha formando ângulos retos na linha central, formando um ângulo em cada lado de AK, que será PFK. Do ponto K meça na direção de F uma distância igual a AD, que será KF: agora com K como centro e KF como raio descreva um semicírculo FLP, de forma que FKP seja o diametro. Finalmente, no ponto C desenhe uma linha formando ângulos retos em AC suficientemente longa em ambas as direções para formar OCQ. Agora na linha CO medimos a partir de C uma distância igual a AB, que é CM, e tendo M como centro e MC como raio descrevemos um semicírculo CHO. E da mesma maneira em CQ, do ponto C mediremos uma distância igual a AB que será CN, e do centro N com CN como raio, traçamos um semicírculo CGQ, do qual CNQ é o diâmetro. Agora afirmamos, com base nisso, que todas as medidas requeridas foram explicadas e descritas em nossa Mônada.

Seria bom notar, vós que conheceis as distâncias de nosso mecanismo, que toda a linha CK é composta de nove partes, das quais uma nós é fundamental, e que de outra maneira é capaz de contribuir para a perfeição de nossa obra; então, mais uma vez, todos os diâmetros e semidiâmetros devem ser designados aqui por linhas hipotéticas escondidas ou ocultas, como dizem os geômetras. Não é necessário deixar nenhum centro visível, com exceção do centro solar, que aqui é marcado pela letra I, onde é desnecessário adicionar qualquer letra. Entretanto, os que são adeptos de nosso mecanismo podem adicionar algo à periferia solar, como ornamento, e não por virtude de qualquer necessidade mística; por esta razão esta possibilidade não foi anteriormente por nós considerada. Este algo é um anel fronteiriço, necessariamente uma linha paralela à periferia original. A distância entre estas paralelas pode ser fixada em um quarto ou um quinto da distância AB. Pode-se também dar ao crescente da Lua uma forma que é frequentemente assumida por este planeta no céu, após sua conjunção com o Sol — ou seja, na forma de Cornos, que você obterá se, do ponto K na direção do ponto R, medir a distância mencionada; a quarta ou quinta parte da linha AB, e se do ponto assim obtido, como um centro, traçar com o raio lunar original a segunda parte do crescente lunar, a qual junta-se nas extremidades ao final do primeiro semicírculo. É possível realizar uma operação similar com respeito às posições M e N quando se eleva a perpendicular até cada um destes pontos centrais; podemos usar a sexta parte de AB ou um pouco menos, de cada ponto, como o centro, descrevemos dois outros semicírculos, usando o raio dos dois primeiros, MC e NC.

Nosso Cânone de Transposição

Tome a mesma proporção que é mostrada em números quando escritos na ordem natural, após a primeira Mônada; então, do primeiro ao último, faça uma multiplicação contínua, ou seja, o primeiro pelo segundo, o produto destes dois pelo terceiro, e este produto pelo quarto, e assim por diante, até o último; o produto final determina todas as Metastáses possíveis, com respeito a proporção no espaço, e pela mesma razão em proporção a diversos objetos de acordo com o que desejares.

Eu te digo, ó Rei, esta operação será útil para ti em muitas circunstâncias, seja no estudo da Natureza, seja nos afazeres do governo dos homens; pois é ela que eu costumo usar com enorme prazer no Tziraph ou Themura dos hebreus.

Eu sei que muitos outros números poderosos podem ser produzidos com base em nosso Quartenário, pela virtude da aritmética e do poder dos números. Ainda assim aquele que não entende que uma grande obscuridade foi por este método iluminada por aqueles números que eu tracei, os quais tem natureza e distinção entre uma infinidade, não será capaz de estimar seu significado, o qual é obscuro e não óbvio. Quantos encontrarão em nossos números a autoridade que prometemos pelo valor dos Elementos, pelas afirmações a respeito das medidas do tempo e pela certeza das proporções que podem ser atribuídas aos poderes e as forças das coisas? Tudo isso vós deveis estudar nos dois diagramas precedentes.

Pode-se deduzir muitas coisas dos diagramas que, preferivelmente, devem ser estudadas silenciosamente em vez de divulgadas abertamente por meio de palavras. Entretanto, vos informaremos de uma coisa, entre muitas outras, reveladas agora para nós pela primeira vez, em relação a esta nova Arte; por entendimento, estabelecemos aqui uma causa racional por virtude da qual o Quartenário com a Década, de certa maneira, terminam a série numérica. Afirmamos que esta causa não é exatamente a que foi descrita pelos Mestres que nos precederam, mas é exatamente como começamos aqui. Esta Mônada foi restaurada integral e fisicamente a si mesma, ou seja, ela é realmente a Mônada Unitíssima, a unidade comprovada das imagens; e não está contida no poder da Natureza, nem tampouco podemos por qualquer arte promover nela qualquer movimento ou progressão, a menos que por meio de quatro ciclos ou revoluções supra celestiais, e desta Mônada é gerado o que gostaríamos de denominar como a maneira e o curso de sua eminência; e por esta razão, não há no mundo elemental, nem nos mundos celestial ou supra celestial, qualquer poder ou influencia criado que não possa ser absolutamente por ela favorecido ou enriquecido.

Foi por causa do verdadeiro efeito disto que quatro homens ilustres, amigos da Filosofia, estiveram juntos na grande obra em uma ocasião.

Um dia eles foram surpreendidos por um grande milagre neste assunto, e, após isso, passaram a dedicar-se a cantar encômios a Deus e a orar ao Todo Poderoso porque Ele havia lhes conferido tamanha sabedoria e poder e um grande Império sobre todas as criaturas.

Teorema XXIV

Da mesma forma que iniciamos o primeiro teorema deste pequeno livro com o ponto, a linha reta e o círculo, e os estendemos do ponto Monádico ao efluxo extremamente linear dos Elementos em um círculo, quase análogo ao equinocial onde faz uma revolução em 24 horas, assim agora por fim nós consumamos e terminamos a metamorfose e a metástase de todos os conteúdos possíveis do Quartenário definido pelo número 24 em nosso presente vigésimo quarto teorema, para a honra e Glória dEle, como testemunhado por João, o Arquiprior dos Mistérios Divinos, no quarto e no último capítulo do Apocalipse, o qual está sentado em Seu Trono, ao redor e em frente de quatro animais, cada um com seis asas, que cantam noite e dia sem repouso: “Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus Onipotente, o qual foi, é e virá a ser”, assim como os 24 anciões nos 24 assentos colocados no círculo o adoram e prostram-se, tendo derribado por terra suas Coroas de ouro, dizendo: “Digno es Tu, ó Deus, de receber Glória, Honra e Virtude, porque Tu criaste todas as coisas, e por Tua Vontade foram elas criadas”.

Amem.

Diga a quarta letra.

Aquele a quem Deus conferiu a vontade e a habilidade de saber neste caminho o mistério Divino por meio dos monumentos eternos da literatura e acabar com grande tranquilidade esta obra no dia 25 de janeiro, tendo encetando-a no dia 13 do mesmo mês.

Ano de 1564, Antuérpia.

CONTRACTUS AD PUNCITUM

Aqui os olhos vulgares hão de enxergar apenas a Obscuridade e desesperar-se-ão consideravelmente.

Ω

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-monada-hieroglifa-de-john-dee/

Marcelo Del Debbio no Astrotheme

Salve,

Descobri hoje que, por conta da repercussão do Relançamento da Enciclopédia de Mitologia e o seu reconhecimento como uma das mais importantes fontes de pesquisa do gênero em língua portuguesa, meu perfil foi colocado no Astrotheme, junto com todas as outras celebridades do site rsrsrsrs.

Assim como o TdC, o Astrotheme disponibiliza todos os dias os perfis que se destacam nas artes, cinema, televisão, música, teatro, política e literatura. Aliás, eu recomendo que os fãs de Astrologia se cadastrem, pois ele permite que você possa armazenar cerca de 600 mapas para consulta e estudos.

Se você se registrar, não esqueça de me colocar nos seus favoritos!

– Marcelo Del Debbio

E, como eu sou chique, tenho perfil em Francês também hauahauahaua

#Astrologia #Blogosfera #Pessoal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/marcelo-del-debbio-no-astrotheme

Anarco-Magick: Objeções a Estrutura Hierárquica na Magia

Objeções Práticas e Filosóficas as Estruturas Hierárquicas na Magia

Minha experiência para escrever estas (necessariamente generalizadas) anotações vem de duas áreas bem diferentes. Primeiro do ponto de vista de um professor que já pode ensinar dois tipos bem diferentes de adultos – em um caso adultos cuja educação formal é quase nula – em outro alunos com duas ou mais faculdades ou uma qualificação profissional acima do primeiro grau primário. Em segundo lugar, do ponto de vista de um magista que teve o privilégio de trabalhar com um grupo sem nome de magos extremamente comprometidos durante os últimos anos.

(A razão desta nota introdutória ficará clara conforme a linha de raciocínio se desenvolver.)

A história recente na magia é dominada por três princípios:

1. ênfase na técnica
2. negação do dogma
3. negação de super-organizações

Os mais evidentes efeitos destes princípios quando postos em prática é que:

a) Indivíduos começam a experimentar com base em suas próprias ideias e entusiasmo no lugar de seguir estruturas de treinamento traçadas por ‘experts’. Não confinados por uma estrutura, as pessoas têm a liberdade de escolher seus próprios métodos, metas e objetivos e muitas novas ideias podem vir a luz que de outra forma não receberiam nenhuma atenção.

b) A ênfase na técnica eleva o poder magico do magista regular, portanto tira o poder ‘político’ do amontoado de magos velhos que não tentaram nada de novo nos últimos cinquenta anos.

c) A negação do dogma significa que as pessoas examinaram as ideias que previamente tinham como verdadeiras e descobriram que muito do corpo de conhecimento das antigas doutrinas mágicas podiam ser descartadas com vantagens. Algumas pessoas foram implacáveis na análise de suas próprias visões de mundo e no entusiasmo criativo na síntese de novos mundos. Uma visão de mundo feita sob medida para as inclinações e intenções de cada um é, obviamente, mais favorável à possibilidade de um bom desempenho em magia do que uma visão de mundo que o obriga o mago a se encaixar nele.

Estruturas hierárquicas lideradas a partir de um topo, a menos que seja cuidadosamente construída, e mesmo se for criado com todas as boas intenções são eminentemente corruptíveis e, inevitavelmente, corruptas por razões de poder ou ganho pessoal. A queda da república romana é um exemplo disso em grande escala – o imperialismo, introduzido com a melhor das boas intenções rapidamente permitiu uma situação onde loucos, como Calígula e Nero poderiam governar quase todo o mundo conhecido a seu bel prazer, simplesmente por nascerem no lugar certo.

Hierarquias são abertas ao abuso e qualquer um que duvide disso deveria estudar a história de ordens hierarquizadas dos Rosacruz em diante. Mesmo no evento de uma hierarquia ser próspera, uma vez que a liderança passe por sucessão ela é interrompida e a estrutura começa a falhar, como exemplificado pela OTO após a morte de Karl Germer.

Um dos problemas que confronta a magicka do século vinte em diante é o isolamento. Magistas, especialmente os iniciantes, acham difícil fazer contato com pessoas em suas regiões e como consequência disso são atraídos por ordens mágicas geralmente como último recurso. Esta situação é manipulada pelas as ordens hierarquizadas. A última coisa que elas querem é que as pessoas falem uma com as outras. Comunicação entre magistas individuais não apenas significaria menos candidatos. Também significaria que seus métodos podem ser discutidos e questionados e seu glamour afetado.

Uma rede genuína de magistas sem a pesada estrutura e organização das antigas ordens e que não tivesse manchas a esconder seria muito impopular com algumas das instituições magickas de hoje. Seria uma ameaça a própria existência, para as que não tem nada a oferecer senão informação que hoje é comum.

Uma distinção deve ser feita aqui entre ordens mágicas e grupos mágicos. Membros de ordens mágicas seguem, na maior parte das vezes, um caminho solitário (e desde que estejam satisfeitos com o progresso que estão tendo e não os desencorajaria de segui-lo). Membros de grupos mágicos por outro lado estão em um ambiente mágico muito mais imediato. Grupos podem ser mais facilmente administrados na base do consenso do que ordens, e há benefícios no consenso que de longe justificam a aversão pela liderança. Em um trabalho de grupos todos os membros são considerados iguais, em discussões profundas toda sugestão pode ser levada em conta, especialmente o planejamento de rituais que sejam filosoficamente ou tecnicamente complexos, é valioso para o processo de aprendizagem, reforça o que já foi aprendido e permite os membros do grupo  conhecerem uns aos outros de uma maneira que poucas pessoas tem a chance de conhecer. Este entendimento mútuo cria uma ligação inestimável aos rituais feitos em grupo.

Trabalhar com base no consenso significa que indivíduos não estão lá competindo uns com os outros como é estimulado em uma estrutura hierárquica, passando a perna uns nos outros por títulos e privilégios e forma que o status tem precedência sobre a magia e sobre o que outras pessoas têm a dizer. A emissão de certificados, no pior dos casos, é simplesmente uma extensão disso – desejosos de poder em busca de reconhecimento do grupo em vez de seres individuais.

No começo deste texto eu me referi aos dois tipos de adultos.

O primeiro tipo, sem qualquer instrução forma, precisa ser guiado em uma estrutural formal de ensino para se desenvolver. Como professor, me vi envolvido com adultos cujo melhor curso de ação era a execução de tal programa. Para os recém-chegados à magia que ainda não se acostumaram com os rigores do treinamento esta é provavelmente a rota mais eficiente a proficiência mágica. O segundo tipo de aluno que me referi, já é melhor educados e auto-motivado, não precisava de tal programa. São suficientemente conscientes de que eles precisavam aprender e como eles podem me usar para aprender, como professor, eu simplesmente forneço informações factuais as estruturas e alguns exemplos para ajudá-los a compreender as informações recém-adquiridas. Esta é uma maneira muito mais viva e fecunda de aprendizagem, desde que as competências básicas tenham sido bem aprendidas de antemão, e é o método naturalmente escolhido entre os magos do Caos. Sob o risco de uma digressão vale a pena ressaltar de novo que Magia do Caos não é para os inexperientes, nem uma maneira fácil para desleixados. Suas disciplinas são tão difíceis e exigentes como as praticados por qualquer outra forma de magia, e as disciplinas básica são essenciais para o desempenho da magia do caos em seu sentido mais amplo e eclético. (Fim da digressão)

Pessoalmente, eu acho impossível trabalhar com alguém que não me considera um igual. Em rituais mágicos todos os elementos precisam ser perfeitos – a invocação, as armas, as runas, etc.. – não devemos esperar menos dos outros participantes. Se você não pode contar com eles para trabalhar senão em um padrão em que eles não causem interferência (ou obstáculos), então eles poderiam muito bem nem estar lá.

Por sua própria natureza de um grupo mágico é muito mais capaz de escolher os novos membros com sucesso do que aceitar filiações de fora para dentro, que é a forma mais comum de crescimento dos mesmos, que os torna restritos mais aos afins do que aos conhecidos.

Em face disto, a minha abordagem é um algo elitista. Embora eu não possa negar isso, ela não é elitista por um motivo hierárquico, nem elitista em favor de alguma política em particular. É pragmática, porque esse grupo não anuncia por novos membros e não descarta os candidatos que não gosta. Ao não aceitar filiações o grupo pode usar seu tempo para se aproximar de pessoas que acha que podem ser úteis ao grupo e para quem o grupo pode oferecer benefícios, o que permitirá colher os benefícios desta discriminação positiva. Só desta forma um grupo pode ser criado de modo que todo o trabalho mágico seja realizado com base na igualdade e no qual todos os membros possam aproveitar a companhia um dos outros. Estes pontos são, na prática, os pré-requisitos para um agrupamento mágico sucesso.

Existem muitas outras áreas onde a hierarquia apresenta desvantagens que não existem em grupos consensuais. Destes o deve notável é que da Política. Na escolha de seus membros, um partido poderia garantir que apenas pessoas que compartilham de seus ideais políticos/sociais tornem-se membros da mesma. Para ilustrar isso: eu acharia impossível para mim trabalhar dentro de um grupo com pensadores de direita. Eu também acho muito difícil trabalhar com um grupo cujos membros não pensem, como eu, que o futuro da planeta é o problema mais importante a ser abordado. Esta atitude não impede a formação de grupos de direita, desde que todos os seus membros sejam de direita, nem exclui a formação de grupos que não poderia dar a mínima paro planeta é o estrangulem de ganância humana. O importante é que a política em geral (seja ela expressa ou implícita) deve ser compartilhada por unanimidade pelas pessoas que estão trabalhando juntos. Hierarquias, por uma série de razões, incluindo o lucro, burocracia,  ênfase excessiva em números, e incapacidade de agir o contrário, tendem a negligenciar as estratégias globais e, como consequência, quando as pessoas veem de fora elas se descobrem incompatíveis.

Muitas mulheres não são atraídas por hierarquias, provavelmente por alguma das razões que coloquei aqui. As mulheres pensam e agem de forma bastante diferente dos homens, e por isso é tão importante que elas desempenhem em pé de igualdade as atividades e o planeamento mágico. Por muito tempo o ocultismo se arrastou pelo caminho Apolínio, patriarcal que não pode ser contornado apenas por homens que fingem fidelidade a alguma deusa ou mesmo que se esforcem em não ser patriarcais.

Eu sou o que sou, e a este respeito é muito difícil mudar sem pressão externa de fora da minha esfera de entendimento, ou seja, das mulheres, cuja abordagem tende enfatizar imaginação, intuição e sentimento. Não estou dizendo que isso seja justo e igualitário. Na verdade, parto de um ponto que é ao mesmo tempo pragmático e egoísta. Eu quero aprender e experimentar o princípio feminino como ele é, não apenas como eu imagino que seja ou como eu gostaria que fosse. Hierarquias falham nisso. Oferecem pouco para as mulheres e portanto pouco do princípio feminino para seus membros do sexo masculino. Sem as mulheres a magia mulher perde 50% do seu potencial, ainda que as hierarquias, apesar da disparidade de seu números,, não saibam nem se preocupam o que estão fazendo.

As notas acima são necessariamente generalizações uma vez que dispenderia muito mais espaço para tratar este assunto de maneira definitiva. Obviamente algumas hierarquias funcionam para algumas pessoas, e neste caso um argumento razoável basta para colocá-la para trabalhar a seu favor.

Excerto de “The Book of the results de Ray Sherwin.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anarco-magick-objecoes-a-estrutura-hierarquica-na-magia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anarco-magick-objecoes-a-estrutura-hierarquica-na-magia/

O Suicídio pela visão Reencarnacionista

O suicídio é a interrupção da vida (óbvio). Mas nesta frase se encontra a chave de todo o drama que o suicida passa após a morte. Assim como o mais avançado dos robôs, ou simples um radinho de pilha, o corpo também tem sua bateria, e um tempo de vida útil baseado nesta carga. De acordo com nossos planos (traçados do “outro lado”) teremos uma carga X de energia, que pode ser ampliada, se assim for necessário. Então, um atentado contra a vida não é um atentado exatamente contra Deus, mas contra todos os seus amigos, mentores ou engenheiros espirituais que planejaram sua encarnação nos mínimos detalhes, e contra a própria energia Divina que foi “emprestada” para animar seu veículo físico de manifestação: seu corpo. Equivale aos EUA gastar bilhões pra mandar um homem a Marte, e quando ele estivesse lá resolvesse voltar porque ficou com medo ou sentiu saudades de casa. Todos os cientistas envolvidos na missão ficarão P da vida, e com razão. Afinal, quando ele se candidatou para a missão estava assumindo todos os riscos, com todos os ônus e bônus decorrentes de um empreendimento deste tamanho. Quando esse astronauta voltar à Terra vai ter trabalho até pra conseguir emprego de gari. É mais ou menos assim no plano espiritual. Um suicida nunca volta pra Terra em condições melhores do que estava antes de cometer o autocídio.

Segundo Allan Kardec, codificador do espiritismo, “Há as conseqüências que são comuns a todos os casos de morte violenta; as que decorrem da interrupção brusca da vida. Observa-se a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito ao corpo, porque este laço está quase sempre em todo o vigor no momento em que foi rompido (Na morte natural ele enfraquece gradualmente e, às vezes, se desata antes mesmo da extinção completa da vida). As conseqüências desse estado de coisas são o prolongamento do estado de perturbação, seguido da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no mundo dos vivos. A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de recuperação do estado do corpo sobre o Espírito (ou seja, o espírito ainda sente, de certa forma, as ações que o corpo sofre), que assim se ressente dos efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústias e de horror. Este estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida.

Assim é que certos Espíritos, que foram muito desgraçados na Terra, disseram ter-se suicidado na existência precedente e submetido voluntariamente a novas provas, para tentarem suportá-las com mais resignação. Em alguns, verifica-se uma espécie de ligação à matéria, de que inutilmente procuram desembaraçar-se, a fim de voarem para mundos melhores, cujo acesso, porém, se lhes conserva interditado. A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois que só decepções encontram.”

Algumas máximas do espiritismo para o caso de suicídio:

As penas são proporcionais à consciência que o culpado tem das faltas que comete.

Não se pode chamar de suicida aquele que devidamente se expõe à morte para salvar o seu semelhante.

O louco que se mata não sabe o que faz.

As mulheres que, em certos países, voluntariamente se matam sobre os corpos de seus maridos, obedecem a um preconceito, e geralmente o fazem mais pela força do que pela própria vontade. Acreditam cumprir um dever, o que não é característica do suicídio. Encontram desculpa na nulidade moral que as caracteriza, em a sua maioria, e na ignorância em que se acham.

Os que hajam conduzido/induzido alguém a se matar terão de responder por assassinato, perante as Leis de Deus.

Aquele que se suicida vítima das paixões é um suicida moral, duplamente culpado, pois há nele falta de coragem e bestialidade, acrescidas do esquecimento de Deus.

O suicídio mais severamente punido é aquele que é o resultado do desespero, que visa a redenção das misérias terrenas.

Pergunta – É tão reprovável, como o que tem por causa o desespero, o suicídio daquele que procura escapar à vergonha de uma ação má?

Resposta dos espíritos – O suicídio não apaga a falta. Ao contrário, em vez de uma, haverá duas. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso ter-se a de lhe sofrer as conseqüências.

Será desculpável o suicídio, quando tenha por fim impedir a que a vergonha caia sobre os filhos, ou sobre a família?

O que assim procede não faz bem. Mas, como pensa que o faz, isso é levado em conta, pois que é uma expiação que ele se impõe a si mesmo. A intenção lhe atenua a falta; entretanto, nem por isso deixa de haver falta. Aquele que tira de si mesmo a vida, para fugir à vergonha de uma ação má, prova que dá mais apreço à estima dos homens do que à de Deus, visto que volta para a vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado dos meios de repará-los aqui na Terra. O arrependimento sincero e o esforço desinteressado são o melhor caminho para a reparação. O suicídio nada repara.

Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor?

Outra loucura! Que faça ele o bem, e mais cedo irá lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa.

Não é, às vezes, meritório o sacrifício da vida, quando aquele que o faz visa salvar a de outrem, ou ser útil aos seus semelhantes?

Isso é sublime, conforme a intenção, e, em tal caso, o sacrifício da vida não constitui suicídio. É contrária às Leis kármicas todo sacrifício inútil, principalmente se for motivada por qualquer traço de orgulho. Somente o desinteresse completo torna meritório o sacrifício e, não raro, quem o faz guarda oculto um pensamento, que lhe diminui o valor aos olhos de Deus. Todo sacrifício que o homem faça à custa da sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório, porque resulta da prática da lei de caridade. Mas, antes de cumprir tal sacrifício, deveria refletir sobre se sua vida não será mais útil do que sua morte.

Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?

É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. Não há culpabilidade, entretanto, se não houver intenção, ou consciência perfeita da prática do mal.

Conseguem seu intento aqueles que, não podendo conformar-se com a perda de pessoas que lhes eram caras, se matam na esperança de ir juntar-se a eles?

Muito ao contrário. Em vez de se reunirem ao que era objeto de suas afeições, dele se afastam por longo tempo.

Fonte:

Livro dos espíritos (com algumas alterações)

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Alguns exemplos de efeitos de suicídios na nova vida, como constam no livro As vidas de Chico Xavier:

– Chico, minha filha, de 5 anos, é portadora de mongolismo, mas eu acho que ela está sendo assediada por espíritos.

Chico descartava a hipótese “espiritual” e encaminhava mãe e filha à fila de passes. Elas viravam as costas, e ele confidenciava a um amigo:

– Os espíritos estão me dizendo que essa menina, em vida anterior recente, suicidou-se atirando-se de um lugar muito alto.

Outra mãe se aproximava e reclamava do filho, também de 5 anos:

– Ele é perturbado. Fala muito pouco e não memoriza mais que 5 minutos qualquer coisa que nós ensinamos.

Quando os dois estavam a caminho da sala de passes, Chico confidenciava:

– Na última encarnação, esse menino deu um tiro fatal na própria cabeça.

Outro caso, ainda mais chocante:

– Meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele.

Chico pensava numa resposta, quando ouviu o vozeirão de Emmanuel:

– Explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente. Agora que está aproximadamente com cinco anos de idade, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise que os médicos estão com a razão. As duas pernas dele serão amputadas, em seu próprio benefício.

#Espiritismo #kardecismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-suic%C3%ADdio-pela-vis%C3%A3o-reencarnacionista

Presentes do Dia dos Namorados por Signo

Por Olivia.

É o sonho de todo amante que o romance do Dia dos Namorados dure para sempre. Claro, ter um dia dos namorados ao lado do seu amante à luz de uma vela enquanto recebe beijos suaves na nuca, ajuda a criar a ilusão de uma eternidade. Mas para fazer essa magia realmente acontecer, você tem que tecer sua própria magia.

Em meu livro Love After Sex (O Amor Depois do Sexo), falo para aqueles que já foram seduzidos com alegria e estão prontos para embarcar em sua próxima aventura de parar o coração: morarem juntos. Se você está apenas imaginando acordar para o amor da sua vida diariamente, ou se você já é um veterano de um relacionamento comprometido, neste Dia dos Namorados, não dê simplesmente um presente de apenas uma caixa em forma de coração, isso é muito fácil. Em vez disso, faça uma pequena compra em seu próprio coração e veja o quão cheio de amor ele é. Você vê, cada signo do zodíaco tem necessidades emocionais específicas que você simplesmente não encontrará em um catálogo da Neiman Marcus ou de uma Renner. Então, se você tem um rico suprimento de amor e compromisso, dê ao seu amante um presente que realmente continuará dando.

ÁRIES:

Você vai precisar de uma caixa de presente para Áries grande o suficiente para conter muita emoção. A espontaneidade faz com que esse amante se sinta vivo e desejado. Então, quando você sentir o desejo selvagem de fazer amor, emocione seu parceiro quebrando esses mesmos velhos padrões. Por que esperar para fazer amor na mesma velha hora, na mesma velha posição na mesma velha cama? Não é hora de você fazer amor sem David Letterman ou Danilo Gentili olhando de soslaio do aparelho de televisão? Faça isso agora! Onde? Use sua imaginação. É um presente de Dia dos Namorados que seu Áries pedirá ano após ano.

TOURO:

Quando você dá de coração a Touro, faça-o sensual. Se você acha que só ir a um restaurante caro é romântico, pense novamente. Os taurinos também amam sua casa e se você bancar o chef, ele ou ela ficará ainda mais feliz em ficar lá. Lembre-se, você escolheu um amante muito tátil e sensível, então que tal ativar seus sentidos jogando uma manta de pele de vison falsa sobre aquela colcha sem graça? Ou lençóis de cetim? Delicie-se com os óleos quentes e prometo que a magia deve durar até à Páscoa!

GÊMEOS:

O melhor presente para Gêmeos vem em um emocionante pacote de variedades. O limite do tédio do seu amante está a cerca de meio metro do chão, e ele adora ser estimulado. Sim, claro que assim, mas Gêmeos também gosta de ser estimulado de forma intelectual. Fale, provoque e seduza com o pensamento. Brincar com a mente do seu amante significa jogar jogos mentais? Não! Significa simplesmente estimular a mente de Gêmeos antes de estimular qualquer outra coisa. Um fato de amor de Olivia: a mente é a zona mais erógena de todas.

CÂNCER:

Certifique-se de que seu presente para o Filho da Lua esteja bem embrulhado. Sim, seu amante de Câncer anseia por uma sensação de segurança e é algo que todo o dinheiro do mundo não pode comprar. Quando você faz esse amante se sentir seguro com expressões de amor total incondicional, isso evita que ele se torne muito apegado (você sabe, quando ele fica realmente carente e ameaça cortar seu suprimento de oxigênio!) realmente precisa: beijos e carinhos e votos de amor que vêm direto do coração.

LEÃO:

Seja qual for o presente para Leão, envolva-o em camadas de estima. Embora seu amante aja como o ser humano mais confiante do mundo, lembre-se de que um grande ato precisa de um grande público. Leão quer sentir um senso de importância e ele ou ela procura essa validação de você. Se você quer ver a mágica acontecer diante de seus olhos, acaricie o ego do seu amante de uma forma totalmente sem vergonha e pronto! Leo se transforma no amante ideal: romântico, divertido e generoso, criativo, dinâmico, brincalhão. . .e você pode preencher seus próprios adjetivos mais tarde.

VIRGEM:

O presente perfeito para Virgem permite que seu amante desfrute da cura. Virgem é muitas vezes analítico a uma falha, mas eles só procuram problemas simplesmente para poder corrigi-los! Então, ofereça ao seu amante a história uma velha ferida que ainda não cicatrizou (lembra daquele coração partido?) Ou peça conselhos sobre uma promessa quebrada (você saiu daquela dieta de novo, certo?) Seja qual for o problema, o remédio do amor de Virgem é garantido para curar. Lembre-se em um caso de amor com Virgem, que precisa ser necessário, seria apenas um erro não cometer nenhum!

LIBRA:

Obtenha uma caixa de presente de grife para Libra e encha-a até o topo com harmonia. Este signo precisa de um senso de harmonia em suas vidas, e eles o encontram na beleza da arte e da natureza. No entanto, eles também precisam de harmonia em seus relacionamentos. Para conseguir isso, Libra é habilidoso em ser cooperativo e disposto a se comprometer. Por esses traços magníficos, ele ou ela merece uma viagem de dia dos namorados para recordar. Apenas coloque os dois em uma bolha mágica cheia de beleza, harmonia e amor. . .decole e deixe o mundo para trás.

ESCORPIÃO:

Não há melhor presente para Escorpião do que uma paixão. Não que Escorpião precise de mais paixão, mas ele ou ela precisa liberá-la, compartilhá-la e fundir-se com sua amada. Se você pode explorar as profundezas da intimidade com seu amante e dar-lhe um presente de liberação apaixonada, então você tem uma união que pode transcender a realidade. Claro que, para atingir essa intensidade, você precisa de total confiança e isso leva tempo. Se este é o seu primeiro Dia dos Namorados juntos, seja paciente. Basta pensar o que você tem que olhar para a frente!

SAGITÁRIO:

Um presente do seu coração para Sagitário é um presente de fé. Você vê, seu amante é um buscador espiritual e a jornada é sempre mais emocionante do que o destino. Claro, ele ou ela fantasia sobre fazer amor com você em um acampamento base no fundo do Himalaia, mas sua jornada também pode se voltar para dentro e então seu Sagitário estará em uma longa aventura do espírito: explorando religiões, filosofias, e o fascínio da própria vida. Tudo o que Sagitário precisa é do seu otimismo para fazer companhia a eles e sua fé na visão deles para manter o amor vivo.

CAPRICÓRNIO:

Como você nunca pode dar a Capricórnio o presente da perfeição que eles desejam (é como comprar o sonho impossível!), você ainda pode dar-lhes incentivo amoroso enquanto buscam a carreira perfeita, o sucesso perfeito e o status perfeito. Lembre-se, seu capricorniano está com você porque você também é a ideia dele de perfeição. Portanto, é importante manter-se a criatura sexy e inteligente pela qual Capricórnio se apaixonou em primeiro lugar. Mantenha sua cintura fina e seu intelecto em expansão. Como você consegue isso? Perfeitamente, claro.

AQUÁRIO:

Seu amante de Aquário precisa de liberdade psíquica como outros humanos precisam de ar. Este signo é inovador, radical, prospera na mudança e adora experimentar. Como eu disse em Love After Sex (O Amor Depois do Sexo), quando um amante de Aquário pergunta se você está com vontade de experimentar algo diferente, tenha certeza de que não será molho de creme azedo Wasabi. Bem, pensando bem, pode ser, mas não será no seu peixe-espada! O dom da liberdade que você traz para o seu relacionamento é simplesmente deixar seu amante ser a pessoa que ele é. É o único presente que não tem preço.

PEIXES:

Uma vez que você der a Peixes o amor místico que eles desejam, eles o valorizarão pelo presente raro que é. Seu amante é um verdadeiro romântico, que pode transportá-lo para reinos místicos onde o amor é uma verdadeira felicidade. Peixes realmente tem a criatividade e a imaginação para tornar realidade o que sonham. Mas quando é o contrário – e a realidade ameaça seus sonhos – o que você faz? Incentive-os com uma de suas mãos segurando a deles, e a outra colocada firme e amorosamente na parte inferior das costas.

Fonte: Valentine’s Day Gifts by Sun Sign, by Olivia.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/presentes-do-dia-dos-namorados-por-signo/

Chidagni: a Deusa como o Fogo da Consciência

Por Yogini Shambhavi.

Ma (Mãe) Kali suavemente cuidou das brasas de meus fogos interiores, agitando as chamas de Agni para manifestar cada cor mágica, permeando a própria spanda ou pulsação criativa que ressoava por todo o meu ser. Em um nível mais profundo, Agni é o fogo da consciência, Chidagni, é a consciência do supremo Brahman, a última Existência em si mesma. Chidjyoti, a ‘luz da consciência’, é o poder por trás da mente que ilumina tanto os objetos sensoriais quanto nossos padrões de pensamento, banhando-os com a beleza de seu brilho eterno.

O universo tece uma tapeçaria divina de luz e energia, que tem sido explorada por nossos antigos Rishis e por Guias Nativos de todo o mundo ressonando com a bem-aventurança da natureza. Os Videntes perceberam as vibrações sutis, a ‘vivacidade’ da luz, permeando os Tanmatras ou essências de raiz da visão, som, gosto, tato ou cheiro, bem como a percepção intuitiva interior do sexto sentido do Ser. Nossa fusão com toda a luz penetrante nos permite experimentar um estado puro de iluminação dentro e fora, conduzindo-nos através da porta de entrada da consciência superior.

Shakti prevalece em todos os níveis, desde o supremo Brahman até o mais minucioso organismo vivo. Cada forma de luz tem seu próprio shakti, desde os raios do Sol até a luminescência da luz da Lua. Brahma Shakti é chit shakti, o poder da consciência existente como um só com o princípio Shiva. Ishvara como o mundo cósmico é o poder ou a vontade de Deus para transformar e nutrir todo ser vivo. Todas as forças da natureza representam Shakti, desdobrando as deusas lila ou brincadeiras. A luz de Durga nos protege e nos envolve com seu poder divino. Kali é a energia pulsante, estimulante e implacável.

Ma Kali e Agni:

Como o espírito de fogo, Agni personifica Jyoti ou luz como percepção. O dom da visão é o poder do fogo, pois ver é nossa forma de conhecer a luz. A clareza de ver revela a essência de tudo o que observamos. Kali é Charunetra, a ‘Devi com belos olhos’, vendo todo o jogo cósmico através de seu fogo de consciência. Ela destrói toda ilusão em seu papel de Bhrama-nasini, ‘aquele que destrói toda confusão’, encarnando os três estados de Criação – Preservação – Destruição como Brahma, Vishnu e Shiva.

No altar do sacrifício, Kali é Agni, ecoando seu brilho, assobiando sua magia ardente, mas tendendo ao calor de suas brasas moribundas. O fogo é um sacrifício para si mesmo, um sentimento de misticismo que envolve seus poderes. No altar do fogo é colocado nosso próprio sacrifício, tanto da natureza interior quanto exterior, mantendo uma profunda reverência em seu ato sacrifical.

Cultivar o fogo da consciência em todos os níveis permite experimentar a pura Ananda ou bem-aventurança. Na Yoga interior, Agni reflete a força ardente da Kundalini que habita no Muladhara, segurando todas as qualidades mais profundas da terra. Este ‘fogo raiz’ expressa o poder de nossas aspirações, subindo de baixo e ascendendo ao céu.

Nossas fogueiras interiores devem ser tratadas com muito cuidado e com uma suave ventilação, para manter suas forças em movimento em todo o nosso ser. É preciso preparar o terreno para a magnífica ascensão do fogo através do corpo, da mente e da alma. Não há atalhos para revelações superiores. A busca da luz iluminadora deve começar dentro de si mesmo. Estas agitações internas se manifestam quando silenciamos todo o ruído exterior, silenciando toda a distração mundana.

Quando a orientação flui do coração, sua pureza vence os questionamentos perturbados de uma mente em dúvida. O fluxo amoroso da confiança na capacidade do coração de manifestar pensamentos mais elevados criará o espaço para a sátira ou pura aspiração. A calma suave da alma despertará uma inteligência interior, guiando a mente a ler as nuances sutis da alma.

Kali abre as portas para o coração espiritual com suas bênçãos. Ela representa a mais alta chama do fogo que nos leva das profundezas do nosso ser para as câmaras mais secretas do coração. Sua é a força que acende o fogo para atravessar seu caminho ardente, buscando a chama azul dentro do coração espiritual.

Hridaya, o coração espiritual, é o lar criativo e único de Agni, que consome tudo em sua natureza mais pura. A pequena chama de Agni supremo repousa no ventre do coração. O coração carrega as tensões de todo o universo como a morada final tanto dos Devatas como da alma. A Deusa Kali reside em nossa sexta-feira, manifestando todo o tempo, espaço, aspirações e experiências.

Este pequeno espaço etérico percebido dentro do coração através da sadhana é chamado de Hridayaksha, o ‘espaço do coração’ ou ‘dahara akasha’, ‘o pequeno espaço’. Ma Kali senta-se entronizada neste diminuto espaço dentro do coração na chama inextinguível de Agni. A visão do universo dentro dele é a eterna oferta da Soma de alegria sem fim! A graça de Kali se desdobra como Siddhida, ‘o doador de siddhis’, poderes superiores e rendições místicas.

Agni é representado por um triângulo voltado para cima, indicando o esforço das aspirações da alma para verdades superiores. Familiarizando-me com a jornada da vida, jungido por minha sadana, aprendi a nutrir a ferocidade de Agni, sustentando sua chama ardente de concentração, consciência, percepção e discernimento.

A forma triangular de Kali de Agni foi realizada através da meditação, seus matizes variados e calor tempestuoso purificando minhas energias inferiores através da queima de suas samskaras, as “impressões sutis de minhas ações passadas”. Como um triângulo apontando para cima, a pessoa busca seu poder de fala, a própria língua da deusa, a língua do fogo! Como um triângulo apontando para baixo, experimenta-se seu fluxo de graça, através do ventre da imortalidade!

O silêncio sem idade dos antigos Himalaias orientou minha mente para um suave fluxo de Autoinvestigação, trazendo em seu rastro uma corrente mais profunda de graça interior. Ondas de Bhakti Yoga ou pura devoção encheram meu ser com um doce Soma, o néctar divino. Rendição ao Divino consagrou minha vida com uma onda de bênçãos, guiando-me a experimentar o êxtase de seu deleite espiritual.

Rakta Kali:

Como Rakta Kali, suas correntes de sangue (rakta) fluem através de tudo. A busca do fluxo de sangue compreende sua natureza mais profunda. Não há nada através do qual suas poderosas correntes não fluem; contudo, seu objetivo não é consumir nosso sangue, mas direcionar seu curso de volta à nossa alma, da qual ela é a mãe. É o próprio sangue da vida que ela nos traz, o prana ou força vital cósmica que sustenta a vontade mais primordial de toda a vida – viver para sempre.

O fluxo da força vital através da graça de Kali desperta a Shakti, sua força elétrica, fornecendo-nos energia espiritual implacável para nossa sadhana. Kriya Shakti de Ma Kali, seu poder de transformação ióguica, nos guia através de todos os impedimentos da ilusão, do carma e de nossa mentalidade limitada. Suas energias vibrantes liberam uma força relâmpago como uma espada, cortando toda a negatividade, limpando o caminho para a ascensão do fogo da Kundalini.

O fio fino da espada de Kali energiza as armas celestes dos Devatas, a sadana do Yogin e o Prana de toda a vida. Sua espada não é de negação; ela nos permite visualizar uma inversão, revelando a beleza da eternidade cortando cada momento transitório. Ela ataca a inércia da ignorância e da morte a fim de liberar a luz dentro de nós. O dinamismo de Kali alimenta a chama de Chidagni dentro dos recintos do coração espiritual, permitindo que seu fogo eleve nossos níveis vibracionais, criando um espaço sagrado para o florescimento de todos os nossos lótus sagrados.

A Deusa das Trevas me agraciou com uma proficiência inata no uso da chama interior ardente, elevando minha energia a planos superiores, queimando a vulnerabilidade debilitante do corpo e da mente, dissolvendo as sombras da escuridão na luminescência de Seu amor espiritual e Luz.

Jai Ma Kali! Jagatadhatri!

Vitória para a Mãe que é a Sustentadora de todos os mundos!

Yogini Shambhavi

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Fonte:

FRAULEY, David. Chidagni: the Goddess as the Fire of Consciousness. Vedanet, 2020. Disponível em: <https://www.vedanet.com/chidagni-the-goddess-as-the-fire-of-consciousness/>. Acesso em 11 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/chidagni-a-deusa-como-o-fogo-da-consciencia/

Mapa Astral de Nelson Mandela

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Nascido numa família de nobreza tribal, numa pequena aldeia do interior onde possivelmente viria a ocupar cargo de chefia, recusou esse destino aos 23 anos ao seguir para a capital, Joanesburgo, e iniciar sua atuação política. Passando do interior rural para uma vida rebelde na faculdade, transformou-se em jovem advogado na capital e líder da resistência não-violenta da juventude, acabando como réu em um infame julgamento por traição. Foragido, tornou-se depois o prisioneiro mais famoso do mundo e, finalmente, o político mais galardoado em vida, responsável pela refundação do seu país, como uma sociedade multiétnica.

Mandela passou 27 anos na prisão – inicialmente em Robben Island e, mais tarde, nas prisões de Pollsmoor e Victor Verster. Depois de uma campanha internacional, ele foi libertado em 1990, quando recrudescia a guerra civil em seu país. Em dezembro de 2013, foi revelado pelo The New York Times que a CIA americana foi a força decisiva para a prisão de Mandela em 1962, quando agentes americanos foram empregados para auxiliar as forças de segurança da África do Sul e para localizá-lo. Até 2009, ele havia dedicado 67 anos de sua vida à causa que defendeu como advogado dos direitos humanos e pela qual se tornou prisioneiro de um regime de segregação racial, até ser eleito o primeiro presidente da África do Sul livre. Em sua homenagem, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia de seu nascimento, 18 de julho, como forma de valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia.

Mapa Astral

Nelson Mandela possui Sol em Cavaleiro de Bastões (Cancer-Leão) na Casa 8, Ascendente e Caput Draconis em Sagitário, Lua em Escorpião na Casa 12, Mercúrio, Saturno e Netuno em Leão na Casa 9; Vênus em Gêmeos; Júpiter em Rainha de Taças (Gemeos-Cancer) e Urano em Aquário na Casa 3. Seu Planeta mais forte é a Lua em Escorpião na Casa 12. Os aspectos de Lua em escorpião com Ascendente em Sagitário indicam uma facilidade muito acima da média para a política e legislação, voltado principalmente para a área da espiritualidade/filosofia/caridade; some-se a isso um Marte forte em Libra, indicativo da Vontade gasta na área de diplomacia e os três planetas mais fortes de seu mapa indicam uma tendência natural para a politica/diplomacia. Sua essência de líder por aclamação e emocional (Cavaleiro de Bastões) e nada menos do que três planetas em Leão lhe conduziram rapidamente para posições de liderança (seu intelecto em Mercúrio, sua responsabilidade em Saturno e os Ideais espirituais de uma nação em Urano). Uma curiosidade é a conjunção de seu ascendente com o Caput Draconis em Sagitário, ambos levando Mandela inegavelmente para um líder filosófico acima de uma liderança política, em dois momentos de sua vida: Em uma primeira instância como líder de nobreza tribal e, após dominar sua Verdadeira Vontade, ao sair da prisão, retorna para o papel de líder político/espiritual.

Seu carisma é tão grande que conquistou o Prêmio Nobel por seus resultados; Mandela poderia ter se tornado facilmente um líder religioso (no sentido de dirigente-espiritual) mas ao invés disso abraçou a causa política contra o Apartheid. No dizer de Ali Abdessalam Treki, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, “um dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo”.

A análise de um mapa como este é muito interessante, pois mostra como a vida de Mandela caminhou entre estas energias, e podemos ver em diversos pontos onde ele teve a oportunidade de resolver diversos débitos de vidas passadas, nascendo negro na África do Sul; passando parte da vida na prisão e mesmo assim continuando firme em sua Grande Obra. Como vemos todos os dias no estudo do Hermetismo, as Ordálias que aparecem quando a pessoa decide trilhar a Verdadeira Vontade são muito pesadas (e proporcionais ao desafio), mas para quem se torna um Mago, são apenas partes indissolúveis do caminho a ser trilhado, sem esforço, e colher os frutos do resultado da Grande Obra no final.

Não nos resta dúvidas que Mandela conseguiu transformar seu chumbo em ouro e realizar sua essência divina no planeta, unindo a filosofia, liderança e instinto político e social.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-nelson-mandela