Podcast sobre Maçonaria

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Alvo de rumores e segredos, a Maçonaria é um dos grupos mais conhecidos entre aqueles que costumam ocultar seus segredos e ritos. Quem são? Quais seus símbolos? Revelamos finalmente uma das sociedades que mais geram curiosidades entre as pessoas.

O investigador Andrei convida o ocultista e pesquisador Marcelo Del Debbio para bater um papo sobre a Maçonaria no Mundo Freak Confidencial!

#Maçonaria #Podcast

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/podcast-sobre-ma%C3%A7onaria

A Dinâmica da Estupidez

Robert Anton Wilson

A perspectiva evolucionária sugere que as seguintes proposições possam ser verdadeiras, ou possam servir de princípios de trabalho plausíveis, até que compreendamos melhor o nosso cérebro: A estupidez é parcialmente genética e parcialmente adquirida  A porção genética da estupidez está programada em todos nós e consiste no “comportamento mamífero típico”, o que quer dizer: uma boa porção do sistema nervoso humano está numa espécie de “piloto automático”, tal como no sistema nervoso do chimpanzé‚ que se assemelha ao nosso, ou então para com o sistema nervoso mais distantemente relacionado, da vaca.

Os programas de territorialidade, hierarquia no bando e outros, representam estratégias evolucionárias estáveis e, portanto, funcionam de maneira mecânica, sem a interferência do pensamento racional. Esses sucessos evolucionários relativos se tornaram programas genéticos devido ao fato deles funcionarem suficientemente bem para o mamífero ordinário nos assuntos ordinários dos mamíferos. Eles se transformam em estupidez nos seres humanos, onde os centros-corticais superiores foram desenvolvidos como um sistema de monitoração para injetar técnicas de sobrevivência mais sofisticadas, e para corrigirem os programas estereotipados com outros mais flexíveis.

Em resumo, enquanto um ser humano obedecer aos programas genéticos e do bando primata, sem respeitar ou receber qualquer retorno da córtex, aquele humano está agindo como um macaco, e ainda não encontrou meios de utilizar o novo cérebro.

A porção adquirida da estupidez é o resultado da enculturação, que é o processo pelo qual o sistema nervoso humano, flexível, polivalente, sofre um processo de lavagem cerebral para abandonar a sua flexibilidade, e convencido a imitar (mímica comportamentos estereotipados, crenças, valores, etc…, da tribo a qual ele pertence.

O comportamento primata somente se modifica sob o impacto de uma nova tecnologia.

Um bando de chimpanzés irá repetir roboticamente os mesmos comportamentos por milênios ou mais; se alguém os ensinar como usar paus para obteralimento ou então uma linguagem de sinais simples, eles irão imediatamente modificar o seu comportamento sob o “choque” dessa nova tecnologia. As sociedades humanas (por exemplo: China, Bizâncio) podem também permanecer estáticas e repetitivas por longos períodos de tempo, até que novas tecnologias desencadeiem novos comportamentos.

Primatas domesticados (humanos) mudaram mais nos últimos cem anos do que em toda a história anteriormente, debaixo do impacto de uma “acelerada aceleração de tecnologias”. Os irmãos Wright, Edison, Einstein, Ford, etc…, desencadearam mais modificações de comportamentos do que todos os outros revolucionários políticos deste século, sejam da direita ou esquerda.

Dos pontos anteriores segue-se que a forma mais rápida de modificar o comportamento primata‚ é introduzindo uma nova tecnologia, e que a tecnologia‚ é o remédio mais forte que pode ser administrado para curar a estupidez, ou pelo menos no sentido de aliviá-la um pouco.

O comportamento genético se modifica com muito maior velocidade do que o comportamento adquirido quando uma tecnologia nova é introduzida, porque o código genético contém aquilo que Lorenz denomina de “buracos”, ou pontos de vulnerabilidade de Imprint, onde novos imprints (redes de novos circuitosneuro-genéticos) podem ser formados. O choque e a confusão, que são dois subprodutosde uma nova tecnologia, podem disparar este tipo de vulnerabilidade de imprint (vide ‘Exo-ps Cholog’ de Thimothy Leary e ‘How real is real’ de Paul Watzlawick. A inteligência superior é a habilidade de receber integrar e transmitir novos sinais rapidamente. Isto segue a definição de Wiener em ‘Cibernetics’, onde para “viver deforma eficiente temos de viver com a informação adequada”, e também da ‘Teoria Matemática da Comunicação’ de Shannon.

A estupidez é um bloqueio na habilidade de receber, integrar e transmitir novos sinais rapidamente. Programas genéticos, se não forem corrigidos por novos imprints podem gerar este tipo de “cegueira aos sinais de informação”: o comportamento genético‚ mecânico, inconsciente, não é passível de ser corrigido pelos circuitos de retro-alimentação dos centros nervosos superiores. A enculturação (se identificar osmapas de realidade tribais com a realidade) pode também gerar esta cegueira aos sinais: os sinais não consistentes com a mitologia tribal são reprimidos, ignorados,recobertos com projeções ou distorções, até que se amoldem aos mitos locais, ou simplesmente são esquecidos muito rapidamente.

Os primatas domesticados, como os selvagens, desejam principalmente que um MACHO ALFA os liderem. Quanto mais esta figura vier a se aproximar do arquétipo primordial, isto é: o babuíno mais mal encarado e mais temperamental do bando – mais fervorosamente os outros primatas o seguirão. Isto explica a aparentemente inexplicável ascensão ao poder dos tipos evidentemente sub-humanos de Mussolini, Nixon, Stalin, Hitler. A lógica primata é: “se ele é assim tão ruim” no sentido em que a palavra “ruim” significa poderoso como em alguns bairros pobres ou favelas, “ele irá fazer os bandos de primatas competidores fugirem com os rabos entre as pernas.

Depois de encontrarem um macho alfa para liderá-los, os primatas domesticados então buscam um bode expiatório a quem culpar pelos seus problemas. Eles agem desta maneira porque a resolução de problemas exige inteligência, e existe muito mais estupidez do que inteligência neste planeta. Os primatas domesticados não são otimistas no que se refere a resolverem os seus problemas, que lhes parecem insolúveis no seu estado confuso atual, situados como estão entre os reflexos mamíferos e a consciência objetiva. É mais fácil para uma mente estúpida culpar alguém pelos seus problemas.

A função principal do macho alfa num bando de primatas domesticados é a de encontrar denunciar e liderar a perseguição de tais bodes expiatórios, sejam eles internos ou externos.

Para os primatas selvagens, assim como para os outros mamíferos, as emoções funcionam como sinais de emergência, mobilizando a energia para as situações de “ameaça”, ou seja, aquelas que desafiam a territorialidade ou o “status” na hierarquia do bando.

Para os primatas domesticados, as emoções servem tanto para desempenharem as funções acima, como também para as duas novas funções tornadas possíveis pela existência do novo cérebro, e pelas suas capacidades de simbolização. Estas duas novas funções, são:

1. Combater o Tédio;

2. Ganhar Status ou Poder;

Primatas selvagens, assim como os outros mamíferos não possuem defesas contra o tédio. Eles simplesmente vão dormir quando nada estimulante está acontecendo. Isso também funciona como uma estratégia evolucionária interessante na medida em quem impede que o animal se meta em complicações: você se torna muito menos visível a um predador quando está imóvel do que quando em movimento; você tem menor probabilidade de enfiar as suas patas ou focinho num vespeiro, etc. Os primatas domesticados aprendem a imitar os seus parentes, uma habilidade que foi transmitida pelos hominídeos ao longo de milênios, como usar as emoções para fugirem ao tédio.

A única outra maneira de espantar o tédio num complexo primata tal como a humanidade é a de aumentar a consciência e a inteligência. Isto parece não entusiasmar muito o primata ordinário, que prefere inventar jogos emocionais (novelas, grandes espetáculos dramáticos), para manter a vida estimulante. Os escritos de Eric Berne e os dos Analistas Transacionais estão dedicados principalmente ao estudo e catalogação destes jogos emocionais ou “chupetas”.

Entre os primatas domesticados, as emoções também conferem status e poder. Isto quer dizer que a pessoa mais emocional num bando “domina” todas as demais: os outros devem reagir de acordo com as emoções dele ou dela ou então fugir, retirando-se completamente do local.

Quase todas as crianças começam a aprender esses jogos emocionais estereotipados ou “chupetas” de parentes ou irmãos mais velhos, a partir da idade de dois anos. Elas então experimentam com estas táticas de poder (política mamífera), até que tenham aprendido como ganhar vantagens (vitórias simbólicas) pelo método da chantagem emocional. Muito poucas crianças aprendem, dos parentes, professores ou de alguém mais, as técnicas da solução racional dos problemas.

Dos itens 18 e 19 se conclui que neste planeta primitivo a maioria das pessoas irá tentar lidar com os seus problemas de forma simbólica, pelo jogo das emoções, e relativamente poucas pessoas irão saber como resolver os seus problemas de modo racional.

A estupidez sendo parcialmente genética e parcialmente adquirida pela enculturação parcialmente pela imitação de jogos emocionais para a aquisição de status, é altamente contagiosa. O elemento mais estúpido de um grupo inevitavelmente arrasta todos os demais para o seu nível. Tentar discutir com uma pessoa emocional é frustrante porque é inútil; a única maneira de “negociar” com elas, além de escapar da situação, é desafiar o seu jogo emocional com um contra-jogo ainda mais forte. Normalmente este novo jogo é denominado de “culpa”.

Uma vez que o comportamento primata pode ser modificado por nova tecnologia, a única cura para a espécie humana deve ser uma tecnologia que em si mesma aumente a inteligência de maneira imediata e permanente.

Tal tecnologia de aumento da inteligência deve ser hedônica, isto é, deve oferecer um maior prazer aos seus fregueses do que as demais do mercado senão corre o risco de não se espalhar de forma rápida. Quando um tal aparelho de elevação hedônica da inteligência for inventado, os mandantes da sociedade tentarão suprimi-lo, como uma ameaça à estabilidade.

Se um tal aparelho elevador hedônico da inteligência já foi inventado, ele deve ter sido reprimido. Os pesquisadores devem ter sido aprisionados ou intimidados; os seus distribuidores devem ter sido perseguidos com maior vigor do que o seriam assassinos ou ladrões; o próprio aparelho seria denunciado como algo terrível e perigoso em todos os meios de comunicação da massa.

Até que a existência de um aparelho hedônico de aumento da inteligência seja provada deforma totalmente não-ambígua, certas medidas podem ser tomadas para tentarmos minar a estupidez pelo menos um pouco.

A estupidez da biosobrevivência está “imprintada” quase que imediatamente após o nascimento, e é gerada pelo pavor traumático (devido às nossas práticas primitivas de cuidados ao recém-nascido) e assume a forma de uma ansiedade crônica. Esta é epidêmica na nossa sociedade: uma pesquisa feita pelos Serviços de Saúde Pública dos Estados Unidos em 1986 mostrou que 85% da população apresenta algum sintoma de ansiedade crônica, sejam palpitações cardíacas, pesadelos freqüentes ao dormir, tonturas cansaço fácil, etc. Isto geralmente acompanhado por uma depressão crônica. Nas suas formas mais extremas podemos encontrar o autismo ou a catatonia, que são “decisões biopsíquicas ou celulares de que os seres humano são demasiadamente desagradáveis para que valha a pena se relacionar com eles, ou então, podemos encontrar a paranóia, aarte sutil de encontrar inimigos em todos os lugares, principalmente entre os nossos melhores amigos.

A estupidez da biosobrevivência causa tanto stress no organismo e tanta alienação dos demais seres humanos, que ela cria a estupidez em todos os outros circuitos igualmente e portanto, previne o desenvolvimento de um alto nível de inteligência em qualquer circuito.

A estupidez da biosobrevivência pode ser aliviada pela prática de vários tipos de artes marciais (aikidô, karate, kung-fu, etc.), pela prática de “asanas”, a técnica iogue de manutenção postural por longos períodos de tempo todos os dias; pelos “movimentos Gurdjeffianos” ou então por alguma psicoterapia eficiente. A prática do “asana” e as psicoterapias demoram mais tempo para surtirem efeitos, porém podem ser necessárias nos casos mais agudos.

A Estupidez Emocional‚ “imprintada” quando a criança está aprendendo as “políticas familiares” pela primeira vez (jogos de hierarquia mamífera). Tipicamente, a vítima é confrontada com todas as situações problemáticas possíveis de serem resolvidos nas relações inter-pessoais com algum jogo emocional estereotipado, por exemplo: um mau humor prolongado, uma explosão emocional, “depressões”, uma tendência ao alcoolismo ameaças de suicídio, gritos, berros, quebrar coisas na tradicional coreografia de um primata frustrado, e muito mais. Um ou outro desses reflexos emocionais robóticos podem ser reconhecidos em cerca de 99% da população.

A estupidez emocional pode ser aliviada pela respiração iogue, conhecida como “pranayama” ou pelas técnicas de Gurdjieff de estabelecimento de um “Observador” que monitora os reflexos emocionais, isto é: os torna “conscientes” ao invés de “mecânico”. As técnicas de “pranayama” produzem resultados mais rápidos, enquanto que as técnicas Gurjeffianas produzem resultados mais permanentes.

A Estupidez Semântica‚ “imprintada” quando a criança mais velha começa a lidar com palavras e (artefatos abstratos produzidos pelos centros cerebrais superiores depois que a linhagem se separou da espécie dos primatas). A forma mais persistente de estupidez semântica consiste na confusão do mapa de realidade local (tribal) com o todo da Realidade. O Dogmatismo, sistemas ideológicos rígidos e mapas bizarros da realidade(esquizofrenias ideacionais) também abundam. A cegueira simbólica, que vai desde o analfabetismo até ao analfabetismo matemático ou artístico, é também muito comum e frequentemente encontrada naqueles que são extremamente habilidosos em algum campo estreito de símbolos (especialista), por exemplo: o pintor que não sabe sequer o que é uma equação quadrática ou o cientista que não consegue ou não se motiva a ler poesia, etc.

A Estupidez Semântica pode ser aliviada por uma dieta rica em lecitina e proteína, por cursos de atualização e reciclagem em leituras, e no método científico e pela prática da Semântica Geral.

A Estupidez Sócio-sexual‚ imprintada quando o DNA desencadeia a mutação em direção à puberdade. Ela consiste na repetição robótica de um papel sexual estereotipado, geralmente acompanhado por uma firme e profundamente enraizada convicção de que todos os outros demais papéis sexuais são anormais (“loucos” ou”maus) O único alívio para a estupidez sócio- sexual que temos atualmente à disposição são as várias formas de psicoterapia, sendo que as formas de psicoterapia de grupo ou dos Encontros são as mais eficientes.

O alívio ou a cura total destes quatro tipos de estupidez produziria seres humanos que se aproximariam da definição idealística dada por Robert Heinlein no seu “Tempo Suficiente para o Amor”:

“Um ser humano deve ser capaz de trocar uma fralda, de planejar uma invasão esquartejar um porco, projetar um edifício, manobrar um navio, escrever um soneto equilibrar orçamentos, construir um muro, reduzir uma fratura, confortar os agonizantes, cumprir ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações analisar um novo problema, revolver estrume, programar um computador, preparar uma refeição saborosa, lutar eficientemente e morrer galantemente”.

Grosseiramente falando, se você puder desempenhar 14 dos 21 programas de Heinlein você liberou 2/3 da sua inteligência potencial e, portanto é 2/3 de um ser humano. Se você pode apenas lidar com sete delas, você é apenas 1/3 do ser humano. Resultados acima de14 significam que você provalvemente é um gênio e certamente sabe disso, enquanto que resultados abaixo de 7 significam que você provavelmente é um imbecil e que certamente não sabe disso (isto é, que você está convencido de que não é um imbecil, que o mundo na realidade é um lugar terrível para se viver e a sua inabilidade em lidar com a realidade é fruto mais da malignidade do mundo do que devido … sua própria estupidez

Uma forma rápida de testar a inteligência, e que também indica a trajetória do seu desenvolvimento, é “Se o mundo lhe parece estar cada vez maior e mais divertido a cada momento que passa, então o seu quociente de inteligência está aumentando sistematicamente”se o mundo lhe parece estar cada vez menor e cada vez mais ameaçador, a sua estupidez está aumentando sistematicamente.

Lembre-se do provérbio Sufi “Existe Conforto Na Estupidez”.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-dinamica-da-estupidez/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-dinamica-da-estupidez/

Exercícios Práticos – Música e Respirações

Um outro exemplo da aplicação da música no ocultismo e vice-versa é o Ritual Gnóstico do Pentagrama. Esta é uma das práticas essenciais e básicas da IOT (Illuminates of Thanateros) e é uma adaptação dos tão já conhecidos Ritual Menor do Pentagrama / Ritual do Pilar do Meio (Golden Dawn/OTO)… No RGP primeiramente a intenção é a libertação de qualquer simbolismo pré-existente, afim de que o magista possa entrar em contato com o Self e assim obter o sucesso desejado em qualquer operação mágica.

Ele se inicia com a respiração profunda e mentalização de radiâncias em cinco centros vitais de nosso corpo (relacionados completamente com os chakras citados anteriormente). Cada radiância é acompanhada com a vibração de uma vogal e deve causar uma sensação específica no momento de sua entoação. As vogais são vibradas como mantras no momento da exalação (técnica conhecida como pranayama) Conforme descrito em sua concepção “. O corpo deve ser tocado como um instrumento musical, com cada parte ressonando de acordo com um tom.”

Realizado tal processo, deve-se traçar em sentido horário um pentagrama para cada um dos quatro cantos (leste, sul, oeste, norte). Ao concluí-los, deve-se novamente voltar ao início e entoar novamente as vogais.Segue o procedimento do ritual:

1) De pé, para qualquer direção que prefira.

2) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som “I”, enquanto visualiza uma energia radiante na região da cabeça.

3) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som “E”, enquanto visualiza uma energia radiante na região da garganta.

4) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som “A”, enquanto visualiza uma energia radiante na região do coração e dos pulmões, que se espalha para os membros.

5) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som “O”, enquanto visualiza uma energia radiante na região da barriga.

6) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som “U”, enquanto visualiza uma energia radiante na região entre a genitália e o ânus.

7) Repita o 6). Então o 5), 4), 3), 2), repetindo de trás para frente, até chegar à cabeça.

8) Inspire profundamente. Exale lentamente, repetindo o mantra IEAOU, enquanto desenha o pentagrama no ar, com o braço direito. O pentagrama deve ser visualizado com muita nitidez.

9) Vire para o próximo quadrante e repita o 8), então, desenhe os pentagramas restantes com os mantras e as visualizações, até chegar ao ponto de partida.

10) Repita os números 2) até o 7), inclusive.

#Chakras #Exercícios #Música

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A Deusa Mãe

Para entendermos corretamente quem é esta Divindade, temos que voltar até os primeiros povos da Terra.

Quando os povos primitivos identificaram a mulher com a Terra e associaram a existência da Terra a poderes divinos, consideraram que o poder que conspirou para que o Universo fosse criado era feminino. Como só as mulheres têm o poder de dar a vida a outros seres, nossos ancestrais começaram a acreditar que tudo tinha sido gerado por uma Deusa.

Os povos de neolítico e do paleolítico não conheciam Deuses masculinos. O conceito do ato sexual como fator de fecundação inexistia, pois eles acreditavam que as mulheres engravidavam deitadas ao luar, através do poder da Grande Deusa manifestada como a Lua.

Em diversas partes do mundo a Grande Deusa Mãe é associada à Lua, já que existia um poder maior que agia entre a mulher e a Lua.

Todas as religiões primais viam no poder feminino a chave para o Mito da Criação e assim o Universo era identificado como uma Grande Deusa, criadora de tudo aquilo que existia e que existiu. Nada mais lógico para uma sociedade em processo de evolução, pois não é do ventre da mulher que todos nós saímos? O culto a Grande Deusa remonta a Era de Touro. Nesta época o respeito ao feminino e o culto aos mistérios da procriação eram muitos difundidos. Nas culturas primitivas a mulher era tida como a única fonte da vida, tanto que os lugares onde ocorriam os partos eram considerados sagrados e foram nestes lugares que surgiram diversos templos de veneração à Deusa.

Com o avanço da agricultura, a importância do sólo passou a ser primordial e a Grande Mãe Terra(a Deusa) se tornou o centro de culto das tribos primitvas. As mulheres eram consideradas responsáveis pela fartura das colheitas, pois eram elas que conheciam os mistérios da criação.

As várias estatuetas femininas como as Vênus de Willendorf, de Menton e Lespugne, representam a sacralidade feminina e os poderes mágicos e religiosos atribuídos à Deusa nas época do Paleolítico e Neolítico.

Ela esteve presente em todas as partes do mundo sob diversos nomes e aspectos: Kali na India, Ishtar na Mesopotâmia, Pallas na Grécia, Sekhmet no Egito, Bellona em Roma e assim sucessivamente. As Grandes Deusas da Antiguidade exerciam o domínio tanto sobre o amor como sobre a guerra.

O símboloda Grande Deusa é o caldeirão, que representa o mundo que ela criou e carrega em seu ventre. Este objeto é associado à Deusa porque a criaçºao se parece com oque se pode realizar no interior do mesmo. O mundo é uma maravilhosa obra alquímica que a Deusa criou e comanda através das manobras e poções realizadas em seu caldeirão, o lugar onde nasce a vida.

A Deusa é a energia Geradora do Universo, é associada aos poderes noturnos,a Lua, a intuição, aos lado inconsciente , à tudo aquilo que deve ser desvendado, daí o mito da eterna Ísis com o véu que jamais deve ser desvelado.

A Lua jamais morre, mas muda de fase à cada 7 dias, representando os mistérios da eternidade e mutação. Por isso a Deusa é chamada de a “DEUSA TRÍPLICE DO CÍRCULO DO RENASCIMENTO”, pois também muda de face, assim como a Lua, e se mostra aos homens de três diferentes formas como: A VIRGEM, A MÃE e A ANCIÃ. Isso não difícil de se entender, pois dentro de Wicca todos os vários Deuses e as multiplas faces e aspectos da Deusa, nada mais são do que a personificação e atributos da Grande Divindade Universal.

A Grande Deusa desempenha inúmeros papéis e funções e para isso usa nomes e atributos diferentes, oque os seres humanos para simplificar chamaram de Deuses. Para a Bruxaria todos os Deuses Antigos são a Grande Deusa Mãe multipersonificada. Quando você invoca o nome de um determinado Deus, libera um tipo de energia específica que não consegue ser liberada quando se invoca outra Divindade que desempenha papéis e funções diferentes.

Na Tradição o aspecto Jovem da Deusa recebe o nome de RHIANON. ela está associada à adivinhação, aos rios mágicos, à clarividência e aos encantamentos. Seus rituais e invocações são realizados na Lua Crescente. Sua cor é o brancoe por isso rece o título de ALBEDO(Senhora da Alvorada). Rhianon é a caçadora, segura em suas mãos a trompa de vaca ou touro em forma de meia lua. É a deusa da fartura e é ela a quem devemos reverenciar quando queremos garantir êxito no trabalho. Seus poderes são os da compaixão, sabedoria e compreensão.

O aspecto de Mãe recebe o nome de BRIGIT, a antiga Deusa Celta do fogo.Ela esta associada a fertilidade, sexualidade e ao parto. Seus rituais e invocações são realizados na Lua Cheia. Sua cor é o vermelho e por isso recebe o título de RUBEDO(Senhora do entardecer ou do rubi). Brigit é a mãe que o possui no ventre o poder de dar a luz uma nova vida. É a rainha da colheita, a mãe do milho e derrama sua abundância por toda a terra. Segura em suas mãos um recipiente com labaredas de fogo, o qual tem o poder de realizar os desejos daqueles que a cultuam. É a Deusa do amor e seus poderes são os da paixão, agilidade e rapidez.

O aspecto de Anciã recebe o nome de CERIDWEN, a Grande Deusa Mãe que conhece todos os segredos do Universo. Ela está relacionada ao renascimento e a ligação com os outros mundo. Seus rituais de invocação são realizados na Lua Minguante, que é o seu símbolo. Sua cor é o negro e por isso recebe o título de NIGREDO(Senhora da noite). Ceridwen é a mãe que conserva todos os poderes da sabedoria e conhecimento. É ao mesmo tempo Deusa parteira e dos mortos, pois o poder que leva as almas para a morte e o mesmo que traz a vida. Do seu ventre parte toda a vida e da vida provém a morte. Segura em suas mãos um caldeirão e das misturas feitas em seu interior ela comanda a sincronicidade de todo o Universo e intervém nos assuntos humanos para auxiliar seus seguidores. Devido ao aspecto de velha é esta a personificação que representa o conhecimento de todos os mistérios que só a experiência pode proporcionar. É a Deusa da sabedoria do bem e do mal. É ela a quem devemos recorrer e reverenciar nos momentos de dificuldades e anulação de qualquer tipo de malefício. Ela é a Deusa da paz e do caos. Da harmonia e da desarmonia. Ceridwen já passou pela jovialidade de Rhianon, pela maturidade e entusiasmo de Brigit.Acumulou toda a experiência, que só o tempo pode proporcionar, e distribui a sabedoria por todo o mundo.

A Deusa já foi reverenciada em todas as partes do mundo sobre diferentes nomes e aspectos. Seu nome varia, mas sempre foi venerada como o princípio feminino eterno e estático que está presente em tudo e incluso no nada. Ela é o poder do feminino que dá vida ao mundoe fertiliza a terra.

A Deusa não está ligada somente às manifestaçõesda terra, pois ela representa as forças celestes. Ela é a dona do céu noturno , guardiã dos sentimentos, do interior da alma humana e do destino do homem. Ela é uma presençacontínua que está além do tempo e do espaço.

Por Maria Cristina

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-deusa-mae/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-deusa-mae/

O Simbolismo Alquímico do Fogo: As Cinzas do Rei

Come on baby, light my fire

– The Doors

Quimicamente a operação da calcinação é referente ao aquecimento intenso de um sólido, com a intensão de remover a água e outros elementos ‘impuros’. Podemos entender, portanto, que é uma operação psíquica que visa a eliminação das impurezas da personalidade através da força espiritual do fogo simbólico. Vamos realizar alguns paralelos simbólicos desta operação, analisando alguns textos e pranchas alquímicas. Vamos começar com uma receita da calcinato encontrada em “the Twelve Keys” de Basil Valentine, alquimista alemão do Séc. XV:

“Toma um feroz lobo cinzento, que… é encontrado nos e nas montanhas do mundo, nos quais uiva, quase selvagem, de fome. Dá-lhe o corpo do rei e, quando ele tiver devorado, queima-o totalmente, até torna-lo cinzas, numa grande fogueira. Por este processo, o rei será libertado; e quando isso tiver sido realizado por três vezes, o leão terá suplantado (superado) o lobo e nada encontrará nele para devorar. E assim nosso corpo terá se tornado apropriado para o primeiro estágio do nosso trabalho”

Calcinato do rei. O lobo como prima materia, devorando o rei. Maier, Atalanta Fugens (1618)
Lembrando que para os alquimistas, a realidade externa (processos químicos) é análoga a realidade interna (processos psíquicos). Então para interpretar esta passagem devemos considerar que ela também retrata um processo químico. O elemento antimônio é conhecido como o ‘lobo dos metais’ e é utilizado na purificação de ouro fundido, já que ele se une, ou ‘devora’, todos os metais com exceção do ouro: remove-lhe as impurezas.

“O antimônio também é conhecido como “balneum regis” ou “o banho do rei”. Esta passagem seria a uma referência a tal operação química, que para ser executada deveria ser realizada três vezes. No entanto, como já sabemos, há muito conteúdo psíquico projetado nesta simbologia” (EDINGER, p.38)

Quando o texto fala sobre o corpo do rei, presume-se que este já esteja morto, logo, já passou pelo processo da mortificatio. Todo simbolismo de morte na alquimia geralmente indica a morte do ego, a abdicação da condição original e a entrega para um força superior, o Self. Podemos entender a morte do rei com ‘um tempo de crise e transição’, que psicologicamente representa a morte do princípio egoico que rege a consciência. Sobre a substância a ser calcinada ou ‘o lobo voraz’, Edinger conlui:

” […] a calcinato é efetuada no lado primitivo da sombra, que acolhe o desejo faminto e instintivo e é contaminado pelo inconsciente. O fogo para o processo vem da frustração desses mesmos desejos instintivos. Uma tal provação de desejo frustrado é um aspecto característico do processo de desenvolvimento”. (EDINGER, p.42)

O número três representa, entre outras coisas, a consumação temporal. Por exemplo, repetir algo três vezes para dar certo, dar ‘três pulinhos’ para São Longuinho ou falar três vezes Beetlejuice (ou noiva do banheiro!). O rei serve de alimento para o lobo, ou seja, o desejo faminto, animal, primitivo. Mas em seguida o lobo alimenta o fogo, que também é desejo, mas de esferas superiores, o fogo da consciência, do espírito. Podemos entender que o desejo consome a si mesmo, “depois de uma descida ao inferno, o ego (rei) renasce, à feição da fênix, num estado ´purificado” (EDINGER, p.39)

Vemos que existem diversos nomes e simbolismos para a substância que deve ser calcinada, mas todas representam simbolicamente a mesma coisa: a vontade superior deve transmutar e ampliar a consciência do ego. Voltamos a receita de Valantine: Dá-lhe o corpo do rei e, quando ele tiver devorado, queima-o totalmente, até torna-lo cinzas. A fênix se mostra, portanto, um símbolo pertinente da nova consciência que renasce após ser inflamada pela consciência do espírito, por isso, as cinzas são, também, um símbolo da purificação.

E parece que Jorge Vercílio manja dos paranauês, em sua música Fênix, encontramos o seguinte:

Agoniza virgem Fênix
O amor!
Entre cinzas arco-íris
Esplendor!
Por viver às juras
De satisfazer o ego mortal…

Coisa pequenina
Centelha divina
Renasceu das cinzas
Onde foi ruína
Pássaro ferido
Hoje é paraíso…

Luz da minha vida
Pedra de alquimia
Tudo o que eu queria
Renascer das cinzas…

Imagens:

Calcinato do rei. O lobo como prima materia, devorando o rei. Maier, Atalanta Fugens (1618)
Imagem encontrada na internet
Imagem encontrada na internet

Referências Bibliográficas:

EDINGER. Edward. Anatomia da Psique. SP: Cultrix, 1990.

#Alquimia #Psicologia

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Os Gêmeos

Quando conheci os gêmeos, John e Michael, em 1966, em um hospital psiquiátrico, eles já eram célebres. Haviam se apresentado no rádio e na televisão e haviam sido tema de minuciosos informes científicos e populares. Eu desconfiava que eles tinham inclusive penetrado na ficção científica, um tanto ”ficcionalizados” mas essencialmente conforme haviam sido retratados nas descrições publicadas.

 

Os gêmeos, que na época estavam com 26 anos, viviam em asilos desde os sete anos de idade, sob diagnósticos variados, como autistas, psicóticos ou gravemente retardados. A maioria dos informes concluía que, em se tratando de ”idiotas sábios”, nada havia de ”muito especial” neles — exceto por sua notável memória ”documental” para os mínimos detalhes de sua própria experiência e seu uso de um algoritmo inconsciente de calendário que lhes permitia dizer de imediato em que dia da semana cairia uma data no futuro ou passado distante. Essa é a opinião de Steven Smith em seu livro abrangente e imaginativo, The great mental calculators (1983). Pelo que eu saiba, não houve outros estudos sobre os gêmeos depois de meados dos anos 60, sendo o breve interesse que despertaram dissipado pela aparente ”solução” dos problemas que apresentavam.

 

Mas isso, a meu ver, é um equívoco, talvez natural considerando a abordagem estereotipada, o formato fixo das questões, a concentração em uma ou outra ”tarefa” presentes nas primeiras investigações sobre os gêmeos, que os reduziam — sua psicologia, seus métodos, sua vida — a quase nada.

 

A realidade é muito mais estranha, muito mais complexa, muito menos explicável do que sugere qualquer um desses estudos, porém é impossível até mesmo vislumbrá-la por meio de ”testes” formais dinâmicos ou pela usual entrevista dos gêmeos no estilo 60 Minutes.

 

Não que qualquer um desses estudos, ou apresentações na tevê, esteja ”errado”. Eles são muito aceitáveis, com freqüência informativos, no que se propõem a fazer, porém restringem-se à ”superfície” óbvia e passível de ser testada, não se aprofundando — e nem mesmo dando a entender, ou talvez supondo, que existe algo além.

 

De fato, não obtemos indício algum de haver algo mais profundo, a menos que deixemos de testar os gêmeos, de considerá-los “sujeitos de experiência”. É preciso pôr de lado o impulso de limitar e testar e gradualmente travar conhecimento com os gêmeos — observá-los, abertamente, com serenidade, sem pressuposições, porém com uma total e compreensiva receptividade fenomenológica, enquanto eles vivem, pensam e interagem tranqüilamente, tratando da própria vida, com espontaneidade, em sua maneira singular. Descobrimos então que existe algo extraordinariamente misterioso em ação, poderes e intensidades de um tipo talvez fundamental, os quais não fui capaz de ”desvendar” ao longo desses dezoito anos em que os conheço.

 

De fato, eles nada têm de extraordinário à primeira vista — são uma espécie de Tweedledum e Tweedledee (os gêmeos de Alice no país das maravilhas), grotescos, impossíveis de distinguir, reflexos no espelho, idênticos no rosto, nos movimentos corporais, na personalidade, na mente, idênticos também em seu estigma de dano cerebral e tecidual. Têm estatura muito baixa, cabeça e mãos tremendamente desproporcionais, palato e pés muito arqueados, voz esganiçada e monótona, uma profusão de tiques e maneirismos muito peculiares e uma fortíssima miopia degenerativa, requerendo óculos tão grossos que faz seus olhos parecerem distorcidos e lhes dá a aparência de absurdos professorzinhos, examinando de perto e apontando, com uma concentração mal dirigida, obsessiva e absurda. E essa impressão é fortalecida assim que os questionamos — ou lhes permitimos começar espontaneamente, o que tendem a fazer, como marionetes de pantomima, uma de suas ”rotinas”.

 

Esse é o quadro que tem sido apresentado nos artigos publicados e no palco—eles tendem a ser ”apresentados” no show anual do hospital em que trabalho — e em suas não raras, e muito embaraçosas, aparições na tevê.

 

Os ”fatos”, nessas circunstâncias, são demonstrados até se tornarem monótonos. Os gêmeos pedem: ”Digam-nos uma data — qualquer data nos últimos ou próximos 40 mil anos”. Uma data é mencionada e, quase instantaneamente, eles informam em que dia da semana ela cairá. ”Outra data!”, bradam eles, e a proeza se repete. Eles também dizem a data da Páscoa durante o mesmo período de 80 mil anos. Podemos observar, embora isso não seja normalmente mencionado nos relatórios, que seus olhos movem-se e se fixam de maneira singular quando se dedicam a essa operação — como se estivessem desenrolando, ou examinando minuciosamente, uma paisagem interior, um calendário mental. Parecem estar ”vendo”, visualizando intensamente, apesar de ter sido concluído que se tratava de puro cálculo.

 

Sua memória para algarismos é notável — e possivelmente ilimitada. Eles repetem um número de três dígitos, de trinta dígitos, de trezentos dígitos com a mesma facilidade. Também isso foi atribuído a um ”método”.

 

Mas quando alguém testa sua habilidade para calcular—a típica especialidade de prodígios em aritmética e ”calculadores mentais” — seus resultados são espantosamente ruins, tão ruins quanto seu QI de sessenta nos faria imaginar. Eles são incapazes de fazer corretamente adições ou subtrações simples, e nem sequer conseguem compreender o que significa multiplicação ou divisão. O que é isto: ”calculadores” que não sabem calcular e não têm nem mesmo as mais rudimentares habilidades aritméticas?

 

E, no entanto eles são chamados de ”calculadores de calendário” — e tem sido inferido ou aceito, praticamente sem fundamentos, que não se trata absolutamente da memória em ação, mas do uso de um algoritmo inconsciente para cálculos de calendário. Quando lembramos que até Carl Friedrich Gauss, ao mesmo tempo um dos maiores matemáticos e peritos em cálculo, teve enorme dificuldade para descobrir um algoritmo para a data da Páscoa, torna-se impossível acreditar que esses gêmeos, incapazes até mesmo dos mais simples métodos aritméticos, poderiam ter inferido, descoberto e empregado um algoritmo desses. E verdade que muitos ”calculadores” possuem um repertório mais amplo de métodos e algoritmos que descobriram para uso próprio, e talvez isso tenha predisposto W. A. Horwitz et al. a concluir que isso valia também para os gêmeos. Steven Smith, interpretando ao pé da letra esses estudos iniciais, comentou:

 

Algo misterioso, embora banal, está em ação aqui — a misteriosa habilidade humana para formar algoritmos inconscientes com base em exemplos.

 

Se isso fosse tudo, eles de fato poderiam ser vistos como banais, e não como um mistério — pois o cálculo de algoritmos, que uma máquina pode fazer com precisão, é essencialmente mecânico e pertence à esfera dos ”problemas”, mas não dos ”mistérios”.

 

Contudo, mesmo em algumas das ”apresentações” dos gêmeos, em seus ”truques” há uma qualidade que espanta. Eles são capazes de dizer como estava o tempo e quais foram os eventos de qualquer dia de suas vidas — qualquer dia a partir de seus quatro anos de idade. Sua maneira de falar — bem descrita por Robert Silverberg em seu retrato do personagem Melangio — é ao mesmo tempo infantil, detalhada e desprovida de emoção. Ao lhes ser dita uma data, eles reviram os olhos por um momento, depois os fixam, e com uma voz apática e monótona informam o tempo, enunciam superficialmente os eventos políticos de que ouviram falar e os eventos de suas próprias vidas — estes últimos incluindo, com freqüência, as dolorosas e comoventes angústias da infância, o desprezo, a zombaria, as mortificações que sofreram, mas tudo recitado em um tom uniforme, invariável, sem o menor indício de inflexão pessoal ou emoção. Aqui, claramente, trata-se de lembranças que parecem ser de um tipo ”documental”, nas quais não existem referências pessoais, relações pessoais, absolutamente nenhum centro vivo.

 

Poderíamos afirmar que o envolvimento pessoal, a emoção, foram apagados dessas lembranças, no modo defensivo que podemos observar em tipos obsessivos ou esquizóides (e os gêmeos sem dúvida devem ser considerados obsessivos e esquizóides). Mas poderíamos afirmar, igualmente, e na verdade com mais plausibilidade, que lembranças desse tipo nunca tiveram um caráter pessoal, pois isso é, de fato, uma característica fundamental de uma memória eidética como a deles.

 

Mas o que precisa ser ressaltado — e que é insuficientemente salientado por quem os estudou, embora perfeitamente óbvio para um ouvinte ingênuo disposto a se maravilhar — é a magnitude da memória dos gêmeos, sua extensão aparentemente ilimitada (ainda que infantil e banal) e, com ela, o modo como as lembranças são recuperadas. E se lhes perguntamos como é que conseguem reter tanto na mente — um número com trezentos dígitos ou os trilhões de eventos de quatro décadas—eles dizem, simplesmente: ”Nós vemos tudo isso”. E ”ver” — ”visualizar” — com extraordinária intensidade, alcance ilimitado e perfeita fidelidade, parece ser a chave de tudo. Parece ser uma capacidade fisiológica inata de suas mentes, de um modo que guarda certas analogias com a maneira como o famoso paciente de A. R. Luria, descrito em The mindofa mnemonist, ”via”, embora talvez aos gêmeos falte a rica sinestesia e organização consciente das lembranças do mnemonista. Mas não resta dúvida, pelo menos a meu ver, de que os gêmeos têm à sua disposição um prodigioso panorama, uma espécie de paisagem ou fisionomia, de tudo o que já ouviram, viram, pensaram ou fizeram, e que, num piscar de olhos, externamente óbvio quando eles os reviram brevemente e depois os fixam, eles são capazes (com os ”olhos da mente”) de recuperar e ”ver” quase qualquer coisa que esteja nessa vasta paisagem.

 

Tais poderes de memória são raríssimos, porém não únicos. Pouco ou nada sabemos das razões por que os gêmeos ou qualquer outra pessoa os têm. Haverá, então, alguma coisa nos gêmeos que seja de um interesse mais profundo, como vim insinuando? Acredito que sim.

 

Conta-se que sir Herbert Oakley, o professor oitocentista de música em Edimburgo, ao ser levado a uma fazenda e ouvir um porco guinchar, bradou no mesmo instante: ”Sol sustenido!”. Alguém correu para o piano, e era sol sustenido mesmo. Minha primeira impressão das capacidades ”naturais” e do modo ”natural” dos gêmeos veio de maneira semelhante, espontânea e (não pude deixar de sentir) bastante cômica.

 

Uma caixa de fósforos que estava em cima da mesa caiu e o conteúdo espalhou-se no chão: ”111”, gritaram os gêmeos simultaneamente; a seguir, John disse baixinho: ”37”. Michael repetiu esse número, John disse-o pela terceira vez e parou. Contei os fósforos — demorei um pouco — e havia 111.

 

”Como conseguiram contar os fósforos tão depressa?”, perguntei. ”Não contamos”, eles responderam. ”Nós vimos os 111”.

 

Histórias semelhantes contam-se a respeito de Zacharias Dase, o prodígio dos números, que declarava instantaneamente ”183” ou ”79” quando se derramava um punhado de ervilhas e indicava do melhor modo possível — ele também era deficiente mental — que não tinha contado as ervilhas, mas apenas ”visto” o número delas, num todo, de relance.

 

”E por que vocês murmuraram ’37’ e repetiram isso três vezes?”, perguntei aos gêmeos. Eles responderam em uníssono ”37,37,37,111”.

 

E isso eu achei ainda mais intrigante, se possível. O fato de eles verem 111 — a ”condição de 111” — em um lampejo era extraordinário, mas talvez não mais extraordinário que o ”sol sustenido” de Oakley — uma espécie de ”tom absoluto” para números, por assim dizer. Mas eles em seguida ”fatoraram” o número 111 — sem contar com nenhum método, sem mesmo ”conhecer” (da maneira usual) o que significavam fatores. Pois eu já não observara que eles eram incapazes de fazer os mais simples cálculos e não ”entendiam” (ou não pareciam entender) o que era multiplicação ou divisão? E no entanto, ali, espontaneamente, eles haviam dividido um número composto em três partes iguais.

 

”Como foi que vocês calcularam isso?”, perguntei, ardendo de curiosidade. Eles indicaram, do melhor modo que puderam, em termos pobres, insuficientes — mas talvez não haja palavras que correspondam a coisas assim — que não tinham ”calculado”, apenas ”visto” aquilo, num lampejo. John fez um gesto com dois dedos esticados e o polegar, o que parecia sugerir que eles haviam espontaneamente dividido o número em três partes ou que o número ”dividira-se” por conta própria nessas três partes iguais, por uma espécie de ”fissão” numérica espontânea. Eles pareciam surpresos diante de minha surpresa — como se eu fosse cego de alguma forma; e o gesto de John transmitiu um extraordinário senso de realidade imediata, sentida. Será possível, pensei comigo, que eles possam de algum modo ”ver” as propriedades, não da maneira conceitual, abstrata, mas como qualidades sentidas, sensíveis, de algum modo imediato, concreto? E não simplesmente qualidades isoladas — como a ”qualidade de 111” — mas qualidades de relações? Talvez mais ou menos do mesmo modo como sir Herbert Oakley teria dito ”uma terça” ou ”uma quinta”

 

Eu já chegara à idéia, com base na ”visão” de eventos e datas pelos gêmeos, de que eles podiam reter na mente, que haviam retido, uma imensa tapeçaria mnemónica, uma vasta (ou possivelmente infinita) paisagem na qual tudo podia ser visto, isoladamente ou em relação. Era o isolamento, em vez de um senso de relação, que era primordialmente exibido quando eles despejavam seu implacável ”documentário” desordenado. Mas não poderiam esses prodigiosos poderes de visualização — poderes essencialmente concretos e muito distintos da capacidade de conceituar — dar-lhes o potencial de ver relações, relações formais, relações de forma, arbitrárias ou significativas? Se eles podiam ”ver” a ”qualidade de 111” em um lampejo (se podiam ver toda uma ”constelação” de números), não poderiam também ”ver”, num lampejo—ver, reconhecer, relacionar e comparar, de um modo inteiramente sensitivo e não intelectual —, formações e constelações de números enormemente complexas? Uma habilidade ridícula, até mesmo incapacitante Pensei no ”Funes” de Borges

 

Nós, de relance, podemos perceber três copos em uma mesa, Funes, todas as folhas, gavinhas e frutos que compõem uma videira [ ] Um circulo desenhado no quadro-negro, um ângulo reto, um losango — todas estas são formas que podemos entender intuitivamente e por completo, Ireneo podia fazer o mesmo com a emaranhada erma de um pônei, com uma manada de gado na colma [ ] não sei quantas estrelas ele era capaz de enxergar no céu

 

Poderiam os gêmeos, que pareciam ter uma singular paixão pelos números e ”domínio” dos mesmos — poderiam eles, que tinham visto a ”qualidade de 111” num relance, talvez ver em suas mentes uma ”videira” numérica, com todas as folhas-números, gavinhas-números, frutas-números que a compunham? Uma idéia estranha, talvez absurda, quase impossível — mas o que eles já me haviam mostrado era tão estranho que quase não se prestava à compreensão E, pelo que eu soubesse, aquilo era tão-somente um indicio mínimo do que eles podiam fazer

 

Refleti sobre o assunto, mas ele quase não permitia reflexão. Depois, deixei-o de lado. Esqueci-o até que deparei, totalmente por acaso, com uma segunda cena espontânea, uma cena mágica.

 

Nessa segunda vez, eles estavam sentados juntos em um canto, com um sorriso misterioso, secreto, um sorriso que eu nunca tinha visto antes, desfrutando o estranho prazer e paz que agora pareciam ter. Furtivamente, para não os perturbar, eu me aproximei. Pareciam absortos em uma conversa singular, puramente numérica. John dizia um número — um número de seis dígitos. Michael ouvia, assentia com a cabeça, sorria e parecia saborear o número. Em seguida, ele próprio dizia um número de seis dígitos, e dessa vez era John quem o recebia e apreciava com prazer. À primeira vista, lembravam dois connoisseurs provando vinho, compartilhando gostos raros, raras apreciações. Sentei-me quieto, sem que eles me vissem, hipnotizado, perplexo.

 

O que eles estavam fazendo? Que diabos estava acontecendo? Eu não conseguia entender. Talvez se tratasse de algum tipo de jogo, mas tinha uma gravidade e intensidade, uma espécie de intensidade serena, meditativa e quase sagrada, que eu nunca vira em nenhum jogo comum e que certamente nunca vira antes nos gêmeos, normalmente tão agitados e distraídos. Contentei-me com anotar os números que eles diziam — números que manifestamente lhes proporcionavam tanto prazer e que eles ”contemplavam”, saboreavam, compartilhavam em comunhão.

 

Teriam aqueles números algum significado, perguntei-me a caminho de casa, teriam algum sentido ”real” ou universal, ou (se é que tinham algum) apenas um sentido estapafúrdio ou particular, como as ”línguas” secretas e tolas que irmãos e irmãs às vezes inventam para si mesmos? E, dirigindo na volta para casa, pensei nas gêmeas de Luria — Liosha e Yura, gêmeas idênticas com dano no cérebro e na fala—e em como elas brincavam e tagarelavam entre si em uma língua própria, primitiva, balbuciante (Luria e Yudovich, 1959). John e Michael nem sequer estavam usando palavras ou meias palavras — simplesmente jogavam números um para o outro. Seriam números ”borgenses” ou ”funesianos”, meras videiras numéricas, crinas de pônei ou constelações, formas numéricas privadas — uma espécie de jargão numérica, conhecida apenas pelos gêmeos?

 

Assim que cheguei, fui buscar tabelas de potências, fatores, logaritmos e números primos—lembranças e relíquias de um período singular e isolado de minha infância, quando eu também fora uma espécie de ruminante de números, um ”vidente” de números, nutrindo por estes uma paixão peculiar. Eu já tinha um palpite — e então o confirmei. Todos os números, os números de seis dígitos que os gêmeos tinham compartilhado, eram primos — ou seja, números que só podem ser divididos em partes iguais por eles mesmos ou por um. Teriam os gêmeos, de algum modo, visto ou possuído algum livro como o meu — ou estariam, de algum modo inimaginável, ”vendo” números primos, mais ou menos da mesma forma que tinham ”visto” a qualidade de 111 ou a triplicidade de 37? Sem dúvida não poderiam tê-los calculado — não eram capazes de fazer cálculo algum.

 

Voltei à enfermaria no dia seguinte, levando comigo o precioso livro dos números primos. Novamente os encontrei encerrados em sua comunhão numérica, mas dessa vez, sem nada dizer, juntei-me a eles de mansinho. De início ficaram surpresos, mas, vendo que eu não os interrompia, retomaram seu ”jogo” de números primos de seis dígitos. Após alguns minutos, decidi tomar parte e arrisquei dizer um número, um número primo de oito dígitos. Ambos se voltaram para mim, e subitamente ficaram quietos, com uma expressão de concentração intensa e talvez espanto. Houve uma longa pausa—a mais longa que eu já os vira fazer, deve ter durado meio minuto ou mais — e então, de súbito, simultaneamente, os dois abriram um sorriso.

 

Depois de algum inimaginável processo de teste, eles de repente haviam visto meu número de oito dígitos como um número primo — e isso manifestamente era para eles um grande prazer, um duplo prazer; primeiro, porque eu introduzira um delicioso brinquedo novo, um número primo de uma ordem que eles nunca haviam encontrado antes, e segundo porque era evidente que eu tinha visto o que eles estavam fazendo, que tinha gostado, que admirava e era capaz de participar também.

 

Os dois se afastaram ligeiramente um do outro, dando lugar para mim, um novo colega de brincadeiras numéricas, um terceiro em seu mundo. Em seguida, John, que sempre saía na frente, pensou por um tempo muito longo — deve ter sido pelo menos cinco minutos, embora eu não ousasse me mexer e mal respirasse — e enunciou um número de nove dígitos; depois de um tempo semelhante, seu irmão gêmeo, Michael, respondeu com um número do mesmo tipo.

 

E então, eu, na minha vez, depois de olhar furtivamente o livro, acrescentei minha própria e desonesta contribuição, um número primo de dez dígitos.

 

Fez-se novamente, e por um tempo ainda mais longo, um silêncio repleto de fascinação e quietude; em seguida, John, depois de uma prodigiosa contemplação interna, saiu-se com um número de doze dígitos. Esse eu não tinha como verificar, e assim não pude responder à altura, pois meu livro — que, pelo que eu sabia, era o único de seu gênero — não ia além dos números primos de dez dígitos. Mas Michael mostrou-se apto para o desafio, embora demorasse cinco minutos — e uma hora mais tarde os gêmeos estavam trocando números primos de vinte dígitos, ou pelo menos supus que fosse isso, pois não havia meio de comprovar. Também não existia uma maneira fácil, em 1966, sem ter à disposição um computador sofisticado. E, mesmo então, teria sido difícil, pois quer usemos o crivo de Erastótenes ou qualquer outro algoritmo, não existe um método simples de calcular números primos. Não existe um método simples para os números primos dessa ordem — e, no entanto os gêmeos os estavam descobrindo. (Ver, porém, o pós-escrito.)

 

Novamente pensei em Dase, sobre quem eu tinha lido anos antes, no fascinante livro Human personality, de F. W. H. Myers (l 903).

 

Sabemos que Dase (talvez o mais bem-sucedido desses prodígios) era singularmente desprovido de compreensão matemática […] Apesar disso, em doze anos ele produziu tabelas de fatores e números primos para o sétimo e quase todo o oitavo milhão — uma tarefa que poucos homens poderiam ter realizado, sem auxílio mecânico, ao longo de todo um período normal de vida.

 

Portanto, concluiu Myers, ele pode ser considerado o único homem a ter prestado um valioso serviço à matemática sem ser capaz de entender os conceitos matemáticos mais simples.

 

O que Myers não esclarece, e que talvez não estivesse claro, era se Dase possuía algum método para produzir as tabelas ou se, como sugerido por seus simples experimentos de ”ver números”, ele de algum modo ”via” aqueles grandes números primos, como aparentemente os gêmeos viam.

 

Observando-os discretamente — isso era fácil de fazer, pois eu tinha uma sala na enfermaria onde os gêmeos estavam alojados —, vi-os em inúmeros outros tipos de jogos numéricos ou comunhão numérica, cuja natureza não pude apurar ou mesmo supor.

 

Mas parece provável, ou certo, que eles estejam lidando com propriedades ou qualidades ”reais” — pois o arbitrário, como os números aleatórios, não lhes dá prazer, ou lhes dá muito pouco. Está claro que eles precisam ter ”sentido” em seus números — do mesmo modo, talvez, como um músico precisa ter harmonia. De fato, eu me surpreendi comparando-os a músicos — ou a Martin, também retardado, que encontrava na serena e magnífica arquitetônica de Bach uma manifestação sensível da suprema harmonia e ordem do inundo, inacessível para ele conceitualmente devido às suas limitações intelectuais.

 

”Todo aquele que é composto harmonicamente”, escreve sir Thomas Browne, ”deleita-se com a harmonia [ ] e uma profunda contemplação do primeiro compositor. Há nela algo da divindade mais do que descobre o ouvido, é uma hieroglífica e obscurecida lição sobre todo o mundo [ ] uma pequenina seção da harmonia que soa intelectualmente nos ouvidos de Deus […] A alma […] é harmônica e tem sua afinidade mais estreita com a música ”

 

Richard Wollheim, em The thread ofhfe (1984), faz uma distinção absoluta entre cálculos e o que ele denomina estados mentais ”icônicos”, e antevê uma possível objeção a tal distinção

 

Alguém poderia contestar o fato de que todos os cálculos são não icônicos alegando que, quando a pessoa calcula, as vezes o faz visualizando o calculo em uma pagina. Mas isso não constitui um contra exemplo. Pois o que esta representado em tais casos não é o cálculo em si, mas uma representação do mesmo, os números e que são calculados, mas o que se visualiza são os numerais, que representam números

 

Leibmz, por outro lado, apresentou uma instigante analogia entre números e música ”O prazer que obtemos da música vem de contar, mas contar inconscientemente A música nada mais é do que aritmética inconsciente”

 

Até onde podemos apurar, qual é a situação dos gêmeos, e talvez de outros? O compositor Ernst Toch — contou-me seu neto, Lawrence Weschler — conseguia prontamente reter na memória, depois de ouvir uma única vez, uma série muito longa de números, mas fazia isso ”convertendo” a série de números em uma melodia (que ele próprio criava, ”correspondendo” aos números). Jedediah Buxton, calculador dos menos elegantes, mas dos mais tenazes de todos os tempos, que tinha uma grande, até mesmo patológica, paixão por cálculos e cômputos (ele ficava, em suas próprias palavras, ”bêbado de contar”), ”convertia” música e drama em números. Segundo um relato contemporâneo sobre ele, escrito em 1754: ”Durante a dança, ele fixava a atenção no número de passos; depois de um belo trecho musical, declarava que os inúmeros sons produzidos pela música o haviam deixado imensamente perplexo, e ia até mesmo assistir às peças do sr. Garrick só para contar as palavras que este proferia, no que afirmava ter pleno êxito”.

 

Eis um belo, ainda que extremo, par de exemplos — o músico que transforma números em música e o perito em contar que transforma a música em números. Fica-se com a impressão de que é impossível encontrar tipos de mentes mais opostos ou, pelo menos, estilos mentais mais opostos.

 

A meu ver, os gêmeos, que têm uma ”sensibilidade” extraordinária para números, sem serem capazes de calcular coisa alguma, têm nesse aspecto uma afinidade não com Buxton, mas com Toch. Exceto — e isto nós, pessoas comuns, achamos dificílimo imaginar — pelo fato de que eles não ”convertem” números em música, mas realmente sentem os números, em si mesmos, como ”formas”, como ”tons”, como as numerosíssimas formas que compõem a própria natureza. Eles não são calculadores, e sua habilidade numérica é ”icônica”. Eles convocam, habitam estranhos cenários numéricos; perambulam livremente por vastas paisagens de números, criam dramaturgicamente todo um mundo feito de números. Eles têm, creio, uma imaginação extremamente singular — da qual a singularidade maior é o fato de que ela só pode imaginar números. Não parecem ”operar” com números, de um modo ”não icônico”, como um calculador; eles os ”vêem”, diretamente, como um vasto cenário natural.

 

E se nos perguntarmos ”existem analogias, pelo menos, com uma iconicidade assim?”, nós as descobriremos, acredito, em certas mentes científicas. Dmitri Mendeleev, por exemplo, carregou consigo, escritas em cartões, as propriedades numéricas dos elementos até que elas se tornaram totalmente ”familiares” para ele — tão familiares que ele não mais pensava nelas como agregados de propriedades, mas (segundo ele próprio afirmou) ”como rostos conhecidos”. Ele passou a ver os elementos, iconicamente, fisionomicamente, como ”rostos” — rostos que se relacionavam, como membros de uma família, e que compunham, in totó, periodicamente organizados, todo o rosto formal do universo. Uma mente científica assim é essencialmente ”icônica” e ”vê” toda a natureza como rostos e cenas, talvez também como música. Essa ”visão”, essa visão interna, envolta pelo fenomênico, tem ainda assim uma relação integral como físico, e devolvê-la do psíquico para o físico constitui o trabalho secundário, ou externo, dessa ciência. (”O filósofo procura ouvir dentro de si os ecos da sinfonia do mundo”, escreveu Nietzsche, ”e volta a projetá-los na forma de conceitos.”) Os gêmeos, embora deficientes mentais, ouvem a sinfonia do mundo, imagino, mas a ouvem inteiramente em forma numérica.

 

A alma é ”harmônica” seja qual for o Qi da pessoa, e para alguns, como os cientistas físicos e os matemáticos, o senso de harmonia, talvez, é primordialmente intelectual. No entanto, não consigo pensar em algo intelectual que não seja, de algum modo, também sensível — de fato, a própria palavra ”senso” tem sempre essa dupla conotação. Sensível e, de certo modo, também ”pessoal”, pois é impossível alguém sentir alguma coisa, julgar uma coisa ”sensível” sem que ela seja, de algum modo, relacionada ou passível de relacionar-se com a pessoa. Assim, a imponente arquitetônica de Bach proporciona, como fazia para Martin A., ”uma hieroglífica e obscurecida lição sobre todo o mundo”, mas ela também é, reconhecível, única e afetuosamente Bach; e isso também era sentido, comoventemente, por Martin A., e por ele relacionado ao amor que sentia pelo pai.

 

Os gêmeos, a meu ver, não possuem apenas uma estranha ”faculdade” — mas uma sensibilidade, uma sensibilidade harmônica, talvez afim à musical. Poderíamos chamá-la, com muita propriedade, de sensibilidade ”pitagórica” — e o singular não é sua existência, mas sua evidente raridade. A alma da pessoa é ”harmônica” seja qual for o seu QI, e talvez a necessidade de encontrar ou sentir alguma harmonia ou ordem suprema seja um universal da mente, independentemente das capacidades desta ou da forma que ela assuma. A matemática sempre foi considerada a ”rainha das ciências”, e os matemáticos sempre viram o número como o grande mistério e o mundo como sendo organizado, misteriosamente, pelo poder do número. Isso é expresso com primor no prólogo à autobiografia de Bertrand Russell:

 

Com igual paixão tenho buscado o conhecimento. Desejo compreender o coração dos homens. Desejo saber por que as estrelas brilham. E tento entender o poder pitagóríco pelo qual os números têm influência sobre o fluxo.

 

É estranho comparar esses gêmeos deficientes mentais a um intelecto, um espírito como o de Bertrand Russell. E, no entanto, em minha opinião, não é tão absurdo. Os gêmeos vivem exclusivamente em um mundo de pensamentos numéricos. Não têm interesse pelas estrelas que brilham nem pelos corações dos homens. Mas acredito que para eles os números não são ”apenas” números, mas significâncias, significantes cujo ”significando” é o mundo.

 

Eles não lidam com os números levianamente, como faz a maioria dos calculadores. Não estão interessados em cálculos, não têm capacidade para os mesmos e não são capazes de compreendê-los. São, antes, serenos contempladores do número — e lidam com os números com um senso de reverência e pasmo. Os números, para eles, são sagrados, repletos de significação. Essa é a sua maneira — como a música é a maneira de Martin — de entender o primeiro compositor.

 

Mas os números não são apenas impressionantes para eles, são também amigos — talvez os únicos amigos que eles já tiveram em sua vida isolada de autistas. Esse é um sentimento muito comum nas pessoas que têm um dom para os números — e Steven Smith, embora considerasse o ”método” o mais importante, fornece muitos exemplos fascinantes disso: George Parker Bidder, que escreveu sobre sua primeira infância numérica: ”Adquiri total familiaridade com os números até cem; eles se tornaram, por assim dizer, meus amigos, e eu conhecia todos os parentes e conhecidos”; ou o contemporâneo Shyam Marathe, da índia: ”Quando digo que os números são meus amigos, quero dizer que em alguma época passada lidei com aquele número específico de várias maneiras e, em muitas ocasiões, descobri novas e fascinantes qualidades nele ocultas […] Assim, se em um cálculo deparo com um número conhecido, imediatamente o vejo como um amigo”.

 

Hermann von Helmholtz, discorrendo sobre a percepção musical, afirma que, embora tons compostos possam ser analisados e divididos em seus componentes, eles são normalmente ouvidos como qualidades, qualidades únicas de tom, todos indivisíveis. Ele fala, nesse sentido, de uma ”percepção sintética” que transcende a análise e é a essência, impossível de analisar, de todo senso musical. Compara esses tons a rostos, e reflete que podemos reconhecê-los mais ou menos da mesma maneira pessoal. Em suma, parece sugerir que os tons musicais, e certamente as melodias, são de fato ”rostos” para os ouvidos e são reconhecidos, sentidos, imediatamente como ”pessoas” (ou como tendo ”qualidade de pessoa”), um reconhecimento que implica afeto, emoção, relação pessoal.

 

Isso parece ocorrer com os que amam os números. Estes também se tornam reconhecíveis como tais — em um único, intuitivo, pessoal: ”Eu conheço você!”.20 O matemático Wim Klein expressou isso muito bem: ”Os números são amigos para mim, mais ou menos. Para você, 3844 não significa o mesmo, não é? Para você, é apenas um três, um oito, um quatro e outro quatro. Mas eu digo: ’Olá, 62 ao quadrado!’”.

 

Acredito que os gêmeos, aparentemente tão isolados, vivem num mundo cheio de amigos, tendo milhões, bilhões de números aos quais dizem ”Olá!” e que, tenho certeza, respondem ”Olá!” para eles. Mas nenhum dos números é arbitrário — como 62 ao quadrado — nem (e este é o mistério) se chega a ele por algum dos métodos usuais, ou por qualquer método que eu consiga discernir. Os gêmeos parecem empregar uma cognição direta — como anjos. Eles vêem, diretamente, um universo e um céu de números. E isso, embora singular, embora bizarro — mas que direito temos de chamá-lo ”patológico”? —, proporciona uma singular auto-suficiência e serenidade às suas vidas, e poderia ser trágico interferir nelas ou destruí-las.

 

Essa serenidade foi, de fato, interrompida e destruída dez anos mais tarde, quando se julgou que os gêmeos deviam ser separados – ”para seu próprio bem”, a fim de prevenir sua ”prejudicial comunicação entre si” e que pudessem ”sair e enfrentar o mundo […] de um modo adequado, socialmente aceitável” (segundo explicado pelo jargão médico e sociológico). Assim, foram separados em 1977, com resultados que podem ser considerados tanto gratificantes como calamitosos. Ambos foram transferidos para ”semiinternatos” e executam trabalhos simples e subalternos em troca de um pagamento mínimo, sob estrita supervisão. Eles são capazes de tomar ônibus, se forem cuidadosamente orientados e receberem um passe para pagar a condução, e de se manterem moderadamente apresentáveis e limpos, embora seu caráter de retardados mentais e psicóticos ainda seja reconhecível à primeira vista.

 

Esse é o lado positivo — mas também há um lado negativo (não mencionado em suas fichas, pois antes de mais nada nunca foi reconhecido). Privados da ”comunhão” numérica entre si e de tempo e oportunidade para qualquer ”contemplação” ou ”comunhão” — sempre sendo apressados e empurrados de uma tarefa para outra — , eles parecem ter perdido sua estranha capacidade numérica e, com ela, o principal prazer e sentido de suas vidas. Mas isso é considerado um pequeno preço a ser pago, sem dúvida, por se terem tornado semi-independentes e ”socialmente aceitáveis”.

 

Isso nos lembra um pouco o tratamento dado a Nadia—criança autista com um dom fenomenal para o desenho. Nadia também foi submetida a um regime terapêutico ”para encontrar maneiras nas quais suas potencialidades em outras direções poderiam ser maximizadas”. O efeito líquido foi que ela começou a falar — e parou de desenhar. Nigel Dennis comenta: ”Ficamos com um gênio que teve seu gênio removido, nada restando além de uma deficiência generalizada. O que devemos pensar de uma cura assim tão curiosa?”.

 

Cabe acrescentar — este é um aspecto ressaltado por F. W. H. Myers, cuja reflexão sobre os prodígios numéricos abre seu capítulo sobre ”Gênios” — que essa faculdade é ”estranha” e pode desaparecer espontaneamente, embora com a mesma freqüência seja vitalícia. No caso dos gêmeos, obviamente, não se tratava apenas de uma ”faculdade”, mas do centro pessoal e emocional de suas vidas. E agora que eles estão separados, agora que ela desapareceu, já não há mais um sentido ou um centro em suas vidas

 

PÓS-ESCRITO

 

Quando Israel Rosenfield leu o original deste texto, salientou que existem outras aritméticas, superiores e mais simples do que a aritmética ”convencional” das operações, e aventou a possibilidade de as singulares capacidades (e limitações) dos gêmeos refletirem o uso, por eles, de uma aritmética ”modular” desse tipo. Em um bilhete que me escreveu, ele sugeriu que os algoritmos modulares, do tipo descrito por lan Stewart em Concepts of Modern mathematics (1975), poderiam explicar as habilidades dos gêmeos como calendário:

 

Sua habilidade para determinar os dias da semana ao longo de um período de 80 mil anos sugere um algoritmo bastante simples. Divide-se o número total de dias entre o ”agora” e o ”então” por sete Se não houver resto, a data cai no mesmo dia que ”agora”, se o resto for um, a data cairá um dia mais tarde e assim por diante Observe que a aritmética modular é cíclica- ela consiste em padrões repetitivos. Talvez os gêmeos estivessem visualizando esses padrões, seja na forma de tabelas fáceis de construir, seja na de algum tipo de ”paisagem” como a espiral de inteiros mostrada na página 30 do livro de Stewart

 

Isso não responde por que os gêmeos comunicavam-se com números primos. Mas a aritmética do calendário requer o sete, que é primo E quando se pensa em aritmética modular em geral, a divisão modular produzirá padrões cíclicos distintos apenas se forem usados números primos. Como o número primo sete ajuda os gêmeos a identificar datas e, conseqüentemente, os eventos de dias específicos de suas vidas, eles podem ter descoberto que outros números primos produzem padrões semelhantes àqueles que são tão importantes para seus atos de recordação. (Observemos que, quando a caixa de fósforos caiu e eles disseram ”111 — 37 três vezes”, eles estavam tomando o número primo 37 e multiplicando por três.) De fato, apenas os padrões de números primos podiam ser ”visualizados”. Os diferentes padrões produzidos pelos diferentes números primos (por exemplo, tabelas de multiplicação) podem ser os elementos de informação visual que eles estão comunicando um ao outro quando repetem um dado número primo. Em suma, a aritmética modular pode ajudá-los a recuperar seu passado e, em conseqüência, os padrões criados para usar esses cálculos (que só ocorrem com números primos) podem assumir uma importância particular para os gêmeos.

 

Com o uso de uma aritmética modular como essa, ressalta Stewart, pode-se chegar com rapidez a uma solução única que não se presta a nenhuma aritmética ”ordinária” — em especial visando exatamente (pelo chamado pigeon-hole principie, o princípio da classificação sistemática) números primos extremamente grandes e incomputáveis (por métodos convencionais).

 

Se tais métodos, tais visualizações, são vistos como algoritmos, eles são algoritmos de um tipo muito singular — organizados não algebricamente, mas espacialmente, como árvores, espirais, arquiteturas, ”paisagens de pensamentos”—, configurações em um espaço mental formal e contudo quase sensorial. Os comentários de Israel Rosenfíeld e as exposições de lan Stewart sobre aritmética ”superior” (e especialmente modular) empolgaram-me, pois parecem prometer, se não uma ”solução”, pelo menos uma grande chance de se chegar à compreensão de capacidades de outra forma inexplicáveis como as dos gêmeos.

 

Essas aritméticas superiores ou mais profundas foram concebidas, em princípio, por Gauss em Disquisitiones arithmeticae, em 1801, mas só receberam aplicações práticas em anos recentes. Não se pode deixar de pensar que talvez exista uma aritmética ”convencional” (ou seja, uma aritmética de operações) — muitas vezes irritante para o professor e para o aluno, ”antinatural” e difícil de aprender—e também uma aritmética íntima do tipo descrito por Gauss, que pode ser verdadeiramente inata ao cérebro, tão inata quanto a gramática sintática e gerativa ”íntima” de Chomsky. Uma aritmética dessas, em mentes como as dos gêmeos, poderia ser dinâmica e quase viva — aglomerados globulares e nebulosas de números turbilhonando e evoluindo em um céu mental sempre em expansão.

 

Como já mencionei, depois da publicação de ”Os gêmeos” recebi uma vasta correspondência, tanto pessoal como científica. Algumas cartas tratavam dos temas específicos de ”ver” ou apreender números, outras do sentido ou importância que pode haver nesse fenômeno, outras ainda do caráter geral de inclinações e sensibilidades autistas e como elas podem ser incentivadas ou inibidas, e finalmente outras da questão dos gêmeos idênticos. Especialmente interessantes foram as cartas de pais de crianças desse tipo, as mais raras e notáveis provenientes de pais que tinham sido, eles próprios, forçados a refletir e pesquisar e que haviam conseguido combinar o mais profundo sentimento e envolvimento com uma acentuada objetividade. Nessa categoria estavam os Park, pais muito inteligentes de uma criança muito talentosa, porém autista (ver C. C. Park, 1967, e D. Park, 1974, pp. 313-23). A filha dos Park, ”Ella”, era uma exímia desenhista e também muito habilidosa com números, especialmente quando bem pequena. Ella fascinava-se com a ”ordem” dos números, especialmente os primos. Esse sentimento singular pelos números primos evidentemente não é raro. C. C. Park escreveu-me sobre uma outra criança autista que ela conhecia, a qual enchia folhas de papel com números escritos ”compulsivamente”. Todos eram primos, observou ela, e acrescentou: ”São janelas para um outro mundo”. Posteriormente, ela mencionou uma experiência recente com um jovem autista que também sentia fascinação por fatores e números primos e que os percebia instantaneamente como ”especiais”. De fato, a palavra ”especial” precisava ser usada para provocar uma reação:

 

”Há alguma coisa de especial, Joe, nesse número (4875)?”

 

Joe: ”Só é divisível por 13 e 25”.

 

Sobre outro (7241): ”É divisível por 13 e 557”.

 

E sobre 8741: ”É um número primo”.

 

Park comenta: ”Ninguém na família dele incentiva seus números primos; eles são um prazer solitário”.

 

Não está claro, nesses casos, o modo como se chega às respostas quase instantaneamente: se elas são ”pensadas”, ”conhecidas” (lembradas) ou — de alguma forma — apenas ”vistas”. O que está claro é o singular senso de prazer e significação ligado aos números primos. Parte disso parece dever-se a um senso de beleza formal e simetria, mas uma outra parte, também, a um singular ”significado” ou ”potencial” associativo. Isso com freqüência foi considerado ”mágico” no caso de Ella: números, especialmente os primos, evocavam pensamentos, imagens, sentimentos, relações especiais — alguns quase ”especiais” ou ”mágicos” demais para serem mencionados. Isso é bem descrito no artigo de David Park (op. cit).

 

Kurt Gõdel, de uma maneira muito abrangente, expôs como os números, em especial os primos, podem servir como ”marcadores” — para idéias, pessoas, lugares, qualquer coisa; e esse marcador gõdeliano abriria caminho para uma ”aritmetização” ou ”numeralização” do mundo (ver E. Nagel e J. R. Newman, 1958). Se isso realmente ocorre, é possível que os gêmeos, e outros como eles, não meramente vivam em um mundo de números, mas em um mundo, no mundo, como números, sendo sua meditação ou brincadeira numérica uma espécie de meditação existencial e, se for possível alguém entendê-la, ou encontrar a chave (como David Park às vezes consegue), também uma estranha e precisa comunicação.

por Oliver Sacks

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/os-gemeos/

Palhaços, Tricksters, Bobos e Xamãs com Wellington Nogueira

Bate-Papo Mayhem #094 – gravado dia 24/10/2020 (Sabado) Marcelo Del Debbio bate papo com Wellington Nogueira – Palhaços, Tricksters, Bobos e Xamãs

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Babalon e Therion

As Palavras de Babalon

Deverá se prostar diante de minha estrela e invocando o Caos, iniciará a operação. ‘Glorioso és, CHAOS, Pai de toda vida, em tuas sete cabeças, em toda teu esplendor; torne-me cada vez mais forte e brilhante’.Toda força reside em teu tesão, portanto eleve-o ao máximo. Dedicar-se ao celibato dias antes de se deleitar em minha taça, será, teu sacrificio.

E beijarás, o próprio corpo, ou o corpo de teu consorte inteiramente. Ele é o líquido que inflamará, e tu é a chama. E embriagado de ansia pela penetração, deverás me chamar – ‘Bela És, Prostituta da Babilônia, que teu corpo, seja morada do meu prazer nesse momento. Eu Te louvo, BABALON’ E assim possua ou se deixe possuir.

Eu O levarei aos Infernos e te darei todos os prazeres que nele contem, haverás em ti, apenas a minha Chama e o Corpo de outrem será teu combustivel – deverá dissolver sua substancia, e arder dentro do líquido inflamavel. O dois juntos trarão um novo Inferno para Terra. E tua mente, é a terra fértil de todos os demônios, nela criarás, uma idéia, de algo que deseja trazer.

O incendio causado e a consumação dele deverão estar alinhados á Essa Vontade. Pois não há, outra magia além dessa – ela é o Todo, de tudo aquilo que outros feiticeiros retiram partes. E se entregando as profanas artes, deverá fazer do coito uma arma de guerra – com mente afiada, mentalizará o que deseja com ardor, como se aquilo já fosse uma realidade. E assim o extase virá, e tu se entregarás, deixando aquilo que mentalizou em teu orgasmo, tomar o rumo pra manifestar sobre a realidade.Deixando livre, sem tentar prende-lo com tua mente.

E por fim, invoque-me, trazendo teu pedido qualquer que seja,diferente daquilo ao qual você direcionou tua energia anteriormente.

Eu o Louvarei ao fim da operação, quando retirares os fluidos e dedica-los á mim, peça-me o que desejar que trarei – Seja a morte de um inimigo, a vitória, a prosperidade ou o amor de uma pessoa. Em todos os desejos, eu formo vida, pois sou, a Mãe de todas as Coisas manifestadas, a Terra, e toda Santa Imundicie que nela habita.

As Palavras de Therion

Atente as minhas palavras, pois eu sou o CAOS, o consorte daquela que á Todos servem e a todos Regem, e de minha união, surge todo espaço-tempo. E de minha mente, surge os homens e deuses. Aos quais, através de meu falo, dou vida e força.

Invoque-me pelo nome de Therion, e dedique uma chama á mim, pedindo o meu poder criativo e minha força.

E em tua mente, una em Mim, criarás um novo ser. Darás a eles vida, e forma igual os deuses antigos fizeram do homem. E o nomearás com a palavra que achar adequada, e sua forma, eu deixo sua imaginação reger. E com esse novo ser completo, em tua alma, firmarás no nome dele, e em sua cópula deverás firmar seu pensamento-serpente sobre este ovo. Sobre este nome. O orgasmo deve vir com todo teu poder, e direcionado á preencher uma nova forma de vida, que habitará as regiões astrais, e dali, poderá ser comandada. Visualizando ela com sua força, deverás dar comandos, para que aja em teu nome, assim como Jeová fez com Adão.

E a cada orgasmo, fixe teu poder no nome de teu ser, para que ele se alimente e cresça, assim como a propria vida do homem, ele deverá nascer, crescer , viver para servir ao teu Deus e morrer.  E teu adão astral, deverá seguir as suas ordens, de modo que ele viverá para cumprir a tua vontade.
E como o proprio mistério de vida e morte, tu darás aordem a morte dele – como um ente astral, e você como seu criador, deverás visualiza-lo e em seguida, absorve-lo, imaginando a energia desse ser fluido de volta para ti. E quando desejar, encarnar outro ser, com a mesma energia. Pois este é o misterio dos mistérios, A vida que renasce da morte, o homem que um dia foi oriental renasce ocidental – A criação que Eu faço, Eu destruo, Eu reconstruo. Pois sou THERION e minha palavra é a lei no espaço infinito de Nuit. E Eu estou em você, assim como todos os outros Deuses e Homens.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/babalon-e-therion/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/babalon-e-therion/

O Mago dos Jogos

Eu duvido da tua vida e da tua graça

É a morte a bênção mais linda desse mundo

Achas que por sorte tornou-te tão profundo

Mas sequer aprendeste a amar tua desgraça

JOGOS: Chamam-me Mago dos Jogos. Porque sei jogar, rir e fazer fogos. Queima, queima, coração em chamas! Tu amas somente a mim.

OLHO: Eu não te amo. Sequer te conheço, ó, palhaço trambiqueiro!

JOGOS: Oh! Por isso repudias a Dama Morte? É ela uma eterna desconhecida que te chama e seduz. Por que trocas as trevas pela luz? Assim, tão fácil, desististe de arrancar seu véu, sem titubear? Se amas a terra e o mar, quererás também o despertar e o sono, como mensageiros do céu.

OLHO: Eu quero o poder, a glória e a eternidade de meu corpo de carne, de minha alma de marfim e de meu espírito invencível!

JOGOS: Que tal um chá para acompanhar? Biscoitos para molhar?

OLHO: Um Mago dos Jogos para degolar! Que sabes tu, paspalho trovador, da vida e da morte?

JOGOS: O Olho deseja o poder, mas se esqueceu de rir. Agora só sabe cair e se perder. No meio do caminho derrubou seu sorriso. Jogo de crueldade e saudade do amanhã.

OLHO: Controlas tu também o tempo? Que ousadia sem medida! Doce mentira. Sou eu o mestre das cartas e lâminas arcanas! Comando eu a carta d’ O Mundo!

JOGOS: Não há mundo para aquele que vive somente pela vida. Deverás morrer enquanto vives e viver enquanto morres. Se quiseres tocar o céu, terás que cair. Como poderá levantar aquele que não colocou-se de joelhos? Abraça teu assassino e torna-te também um assassino. Não teme o bem, não teme o mal. Transcende todas as condições e descobrirás a grande mentira: “eu quero viver”.

O Mago dos Jogos lançou seus dados e com eles chamou gigantescas entidades de acordo com o sigilo da face que caía: magníficos servidores coloridos e brilhantes, que gritavam, cantavam e esperneavam.

O Olho tentou matá-lo, do outro lado do abismo, pois não suportava mais o patife bufão. Evocou alguns demônios com hálito de enxofre e cheios de deformidades através de seus selos geometricamente perfeitos.

Jogos sentou-se para meditar e tomar chá enquanto os demônios rasgavam sua alma. Até fez amizade com um deles e os dois foram de mãos dadas visitar os anjos.

Olho bradou orgulhoso:

– Eu o matei! Uma, duas, três vezes. Não contei.

Mas por que Jogos atravessou o abismo e ele não?

E a mentira venceu a verdade.

Olho da Loucura contorcia-se ensandecido ano após ano; década após década. Não importava quantos matasse ou quantos salvasse. Não era capaz de dar um passo adiante na vida ou na morte.

E a doença apoderou-se dele. Amou-o, beijou-o, tornou-se sua mimosa prostituta.

Ficou tão enjoado com Doença, que vomitou o mundo, a lua e as estrelas que antes tinha engolido. Do vômito caíram folhas amassadas de grimórios, símbolos, arcanos de tarot, mel, abelhas, a pedra filosofal e até mesmo alguns deuses enrolados com o feijão do almoço.

– Eu não desejo mais O Mundo. Eu não o desejo mais…

“Olho está velho. Olho está tão doente”. Ele foi Um Mago. Casou Seis vezes. Morreu Treze mortes repletas de bolhas de sabão. Quando finalmente conquistou O Mundo, brincou com ele em suas mãos e pensou que essa jornada era tudo que existia.

Velhinho, velhinho, não sentia mais sabores. Doente, doente, renegou a graça do mundo. E entendeu. Finalmente, conseguiu gargalhar com sua boca banguela.

Gargalhou até que todos os seus dentes caíssem. Esvaziou o saco pesado que levava nas costas, com o resto de um sol e de uma roda. O Olho estava leve e livre e finalmente enxergava algum resquício do universo.

Pela primeira vez, conseguiu dançar. Sapateou como o Mago dos Jogos, à beira do abismo, sem medo de cair. De tão feliz e serelepe atirou-se lá dentro. Como prêmio, ganhou asas.

O mundo converteu-se em loucura; e a loucura converteu-se em mago.

Era a magia: a insanidade.

Jogos apareceu voando numa estrela de oito pontas e gritou:

– Vamos jogar cartas, amigo?

E Olho chorou. Não tinha mais boca para sorrir. Não encontrava mais seu corpo de carne. Onde ele estava?

Jogos deu um sopro e destruiu o espaço. Noutro sopro quebrou o tempo.

Olho foi parar numa carta. Num dado. Num grimório. Numa flor.

Conquistou o que sempre cobiçou: O Mundo inteiro; somente quando o perdeu.

E o Mago dos Jogos? Não vê graça em histórias e filosofias, pois é muito brincalhão. Ele não leva a vida a sério. Não leva a morte a sério.

Guardou o Mundo de Mel e Abelhas de volta em sua carta. Agora construiria um novo mundo chamado Terra. E com ele brincaria de sorrir e chorar.

Isso é um jogo.

Isso não é um jogo.

KAOS.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mago-dos-jogos

Co-herdeiros do Caos

H. P. Lovecraft através de seus sonhos pode ter tido acesso ao universo paralelo que o permitiu relcthulhudesenho.jpgatar profecias a cerca da destruição do nosso mundo através de forças advindas do Caos. As perguntas a cerca das datas relacionadas a esse terror cósmico foram feitas desde sua morte em 1937. – Com isso, passou a existir duas escolas da filosofia de “lovecraft” – Uma entende as obras de H.P. Lovecraft como ficções de terror e consequentemente Lovecraft como um talentoso mestre das palavras – a outra, um corpo selecionado de pessoas que vêem Lovecraft como um conhecedor de verdades cósmicas ocultas, considerando-o como um receptor, um profeta involuntário do Caos.

Ainda que estranha, há uma evidência admissível para ambos os lados; Lovecraft sofria com estranhos sonhos relacionados a esses deuses antigos que representariam o próprio Caos. Alguns especialistas comparam essa estranha situação referente à Lovecraft e consideram que essa era uma situação que poderia ser chamada de dissonância cognitiva.

Ou seja, todos possuem modelos mentais de como as coisas são ou deveriam ser; isso inclui valores referentes a emoções, crenças, opiniões e etc. De forma que geralmente esses valores não possuem qualquer relação entre si, mas mantêm uma relação de concordância, ou seja, consonância. Agora o problema se inicia a partir do momento em que surge uma nova informação onde essa informação entra em choque com o modelo mental existente, e isso é a dissonância cognitiva, pois as pessoas não se sentem bem com esse tipo de incoerência entre modelos. – Isso levando em conta a aflição de Lovecraft com algo que dizia respeito à lei natural das coisas… Que o universo tendia ao Caos. – Essa evidencia foi suficiente pra alguns, mas para muitos não passou de especulação, principalmente para aqueles que viam Lovecraft como um profeta involuntário do Chaos; suas obras eram claras e muito do que era escrito se encaixava perfeitamente sobre os trabalhos místicos realizados na época.

H.P. Lovecraft então tomou seus sonhos como fonte de suas obras, transformando seus sonhos em arte, transformando-os nos mitos de Cthulhu. – Lovecraft atingiu o receio das pessoas através de seus contos; um universo unidimensional onde habitam seres tão antigos e poderosos e etc. – Isso causou grande polemica.

Kenneth Grant indiretamente sugeriu que H. P. Lovecraft era semelhante a uma lente defeituosa que recebia imagens distorcidas; neste caso, distorcidas por medos pessoais e pela rejeição consciente produzida por sua mente por causa dos sonhos. Grant compara os trabalhos de Lovecraft com os de Crowley fazendo conexões explicitas das entidades comentadas por Crowley e as comentadas por Lovecraft;

Lovecraft fala a cerca dos Antigos em muitos dos seus trabalhos; de forma que essas forças viriam de uma dimensão externa, não conhecida pelo homem, e que essa passagem se daria como uma fusão entre os mundos e isso teria sido iniciado por pequenas brechas entre as dimensões causadas pelos crimes do ser humano contra a criação. Fala, também, a cerca do alinhamento das estrelas. O que nos faz pensar em um tema atual – O grande Tsunami que devastou a costa da Ásia matando milhares de pessoas e deslocando o Eixo do planeta em alguns centímetros – Certo, os cientistas disseram que isso não causaria dano ao planeta Terra, mas lembrando da teoria de Lorenz acerca do “Efeito Borboleta” onde pequenas modificações poderiam alterar completamente a forma final de determinadas situações… Creio que devemos levar em consideração que essa pequena alteração no Eixo da Terra pode provocar modificações no Universo; alinhamento de estrelas que nunca deveriam se alinhar e outras coisas mais.

O homem gerou o Caos parcial ao cometer crimes contra a criação, contra a vida esse Caos buscou por sua fonte original; O núcleo do Caos… Onde habitam os Sete deuses antigos e não revelados. – Esse conceito de não revelados se deu referente aos trabalhos ministrados por sacerdotes do Antigo Egito; sacerdotes que em segredo trabalhavam com forças relacionadas ao Caos Inicial, as forças originadas do Duat – espaço inferior onde às estrelas se perdem; no texto é tratado como o núcleo do Caos – porém esses trabalhos foram proibidos e esses deuses relacionados ao Duat, foram considerados deuses negros e ‘banidos’ – não revelados.

Os Antigos sempre foram cultuados; em cada Era e em cada povo por um nome diferente; mas nunca estiveram tão presentes como agora. – Porém existe uma visão negativa a cerca desta força contida no Chaos; mas devemos analisar que a vida como à conhecemos se origina do Caos e tende a retornar ao Caos – enquanto ausência de ordem – Porém se essa força for controlada ele pode se tornar algo de grande valor; é como um jardim que com o auxilio do jardineiro fica belo e receptivo, porém sem o jardineiro as plantas tendem a desordem… Se tornando um lugar repulsivo. – Do mesmo modo é o trabalho realizado junto aos Antigos enquanto pórticos de acesso ao Núcleo do Caos… Se essa força for trabalhada adequadamente, se torna algo incomparável. – É por isso que muitos nos enviam e-mails para se informarem de como se tornam membros do Círculo Iniciático dos Sete Caos e nós sempre respondemos que o sistema trabalhado se baseia em capacidade e não em conhecimento; e os testes realizados são baseados na capacidade de trabalhar com a força contida no Caos; É o sistema que escolhe e não o candidato que se faz escolhido – Logo sendo radical… Ao se trabalhar com a força contida no Centro do Caos só duas coisas podem acontecer;

1) Ou você se torna parte dele, pois é capacitado e se torna não um magista, mas parte da magia através da força contida neste núcleo caótico. – de forma a controlar todo essa força.

Ou

2) Fica louco por não suportar uma verdade primitiva e que sempre esteve ao nosso alcance. – Essa loucura vem não da força contida no Caos, mas da mente que tenta não acreditar em algo tão presente – da mente que se limita em paradigmas e dogmas.

O ser humano precisa entender que nós enquanto criação somos uma derivada do Caos; isso é constatado em todos os seguimentos e filosofias; pelos egípcios, hebreus e etc. – E se o homem e toda a criação é derivada deste Chaos… Porque não buscar as verdades contidas nele. – Somos co-herdeiros do Caos.

E como co-herdeiros; estamos ligados ao Caos como um todo; ao Universo como um todo; a Criação e consequentemente aos Antigos que são a representação desta força contida no Caos.

Sejamos parte dessa magia… E através desta força… Sejamos uma das faces do Caos; do Universo.

Frater AhaZeD. Baseado no artigo ‘profeta relutante’ de Stephen Sennitt

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/co-herdeiros-do-caos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/co-herdeiros-do-caos/