Resultados da Hospitalaria – Agosto 2009

Ao todo, em Agosto, foram 27 mapas e 17 sigilos. Em especial, eu queria agradecer e parabenizar a Hospitalaria da ARLS Madras, 3359, por ter feito a doação de uma cadeira de rodas especial (no valor de 2.500,00) para uma criança da AACD cuja família é extremamente carente. Em um único dia de tronco de beneficência (convocado especialmente para este fim), recolhemos quase R$ 1.800,00 em doações dos maçons (e dos leitores do blog). São irmãos como estes que me deixam extremamente feliz em fazer este trabalho de estudos e pesquisa aqui no Blog do TdC.

Entidades auxiliadas este mês:

– Grupo Espírita Amor ao Próximo, em Recife/Jaboatão

Localizado à Rua Zelindo Marafante, 45 – Piedade – Jaboatão dos Guararapes – Pernambuco , telefones (81)3462.1785 e (81)3341.5859

– Asilo Vivência Feliz, em SP (fraldas geriátricas)
http://www.vivenciafeliz.org.br/index.htm

– Grupo de assistência à criança com câncer (GAAC) – São José dos Campos
http://www.gaac.com.br

– Instituição “Asas Brancas”
http://www.asasbrancas.com.br

– Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da Loja Madras, 3359

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

Se vocês puderem ajudar divulgando o blog e o projeto, eu agradeço.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-agosto-2009

A Sophia de Jesus Cristo

A chamada “Sophia” teve seu texto encontrado na Biblioteca de Nag Hammadi (em duas cópias, III,3 e V,1), descoberta em 1945 no alto Egito, e também presente no Códex de Berlim – encontrado no séc. XIX. Foi dirigido a uma assembléia que já conhecia o gnosticismo. Este texto foi reelaborado no séc. II d.C., na Escola de Valentino, a partir de ‘Epístola de Eugnostos’, que tem um conteúdo de gnosticismo mais egípcio. Esta última – séc. I a.C. – é uma carta formal, mais curta e direta, escrita por um Instrutor a seus discípulos, também encontrada em Nag Hammadi (III,4)

As passagens colocadas entre colchetes [ ] em itálico fazem parte da ‘Epístola de Eugnostos’ e foram aqui acrescentadas quando a diferença entre os dois textos é expressiva. Entre parênteses () a numeraç]ão das notas explicativas ao final do documento. O texto ‘A Sophia de Jesus, o Cristo de Deus’ é apresentado na forma de diálogos, enquanto na epístola os discípulos não são nominados, mas apenas as instruções.)

O TEXTO

Após ele ressurgir de entre os mortos, seus doze discípulos e sete mulheres (1) continuaram a ser seus seguidores e foram para a Galileia, até a montanha chamada ‘Presságio e Alegria’ (2).

Quando se reuniram, estavam perplexos, confusos sobre a realidade subjacente do universo, o plano, a sagrada(3) providência e os poderes das autoridades (4) e sobre tudo que o Salvador estava fazendo com eles no segredo (5) do plano sagrado.

Então, o Salvador apareceu, não em sua forma anterior, mas como um espírito invisível. E sua aparência assemelhava-se a um grande anjo de luz. Mas não devo descrever a sua aparência. Nenhum corpo mortal poderia suportá-la (6), somente um corpo físico puro e perfeito, como aquele sobre o qual ele nos ensinou na Galileia, no monte chamado ‘das Oliveiras’ (7).

E ele disse: “A paz esteja com vocês! Minha paz eu lhes dou!” E todos eles ficaram maravilhados e apreensivos.

O Salvador riu e disse a eles: “O que vocês estão pensando? Porque estão perplexos? O que estão procurando (entender)?”

Filipe respondeu: “A respeito da realidade subjacente do universo e do plano”.

O Salvador disse a eles: “Quero que saibam que todos os homens nascidos na terra, desde a fundação do mundo até agora, sendo pó, apesar de terem inquirido sobre Deus, quem ele é e como é ele, não o encontraram. Ora, os mais sábios entre eles especularam sobre o ordenamento (8) do mundo e seus movimentos. Mas sua especulação não alcançou a verdade. Pois, é dito por todos filósofos que o ordenamento é direcionado de três maneiras e por isso não há concordância entre eles.

Alguns deles dizem que o mundo é dirigido por si mesmo. Outros que é a providência (que o dirige). E outros, que é o destino. Mas não é nenhum desses. Novamente, das três explanações que há pouco mencionei, nenhuma está próxima da verdade e elas são dos homens.

Mas eu, que vim da Luz Infinita. Estou aqui – por conhecê-la – para que possa (9) falar-lhes a respeito da natureza precisa da verdade. Tudo quanto seja de si mesmo é uma vida contaminada, pois é auto-gerado. A providência não possui sabedoria nela. E o destino não discerne.

[Pois tudo quanto seja de si mesmo é vazio de vida, é auto-gerado. A providência é tola. E o destino é algo sem discernimento.]

Mas a vocês é dado conhecer. E quem quer que seja merecedor do conhecimento, (o) receberá, aquele que não tenha sido gerado pelo relacionamento impuro (10), mas pelo Primeiro Que Foi Enviado, pois ele é imortal em meio aos homens mortais.”

[Então, quem quer que seja capaz de se libertar destas três opiniões que há pouco mencionei e vir, por meio de outra explanação, a reconhecer o Deus da verdade e concordar em tudo concernente a ele, esse é imortal, habitando em meio aos homens mortais.]

Mateus disse-lhe: “Senhor, ninguém pode encontrar a verdade exceto através do senhor. Portanto, ensina-nos a verdade”.

O Salvador falou: “Aquele QUE É é inefável. Nenhum princípio o conhece, nenhuma autoridade, nem dependência, nem qualquer criatura desde a fundação do mundo até agora, com exceção (11) dele mesmo e daqueles a quem ele queira revelar-se, através daquele que é da Primeira Luz. De agora em diante eu sou o Grande Salvador. Pois ele é imortal e eterno.

Ora, ele é eterno, não tendo nascido, pois todo aquele que nasce, perecerá. Ele não foi gerado, não tendo princípio, pois tudo que tem um princípio, tem um fim. Já que (12) ninguém o governa, ele não tem nome, pois quem quer que tenha um nome é a criação de um outro (13). Ele é inominável, não tem forma humana, pois todo aquele que tem forma humana é a criação de um outro. Ele tem a aparência de si mesmo (14) – não como aquela que vocês viram e receberam, mas uma aparência estranha que supera todas as coisas e é superior ao universo.

Ele olha para todos os lados e vê a si próprio a partir de si mesmo. Como é infinito, é eternamente incompreensível. É imperecível e não tem semelhança (a qualquer coisa). Ele é o imutável bem. É sem falhas. Eterno. Abençoado. Apesar de ser incognoscível, sempre conhece a si mesmo. Ele é imensurável. Insondável. É perfeito, não tendo defeito. Ele é imperecivelmente abençoado. É chamado ‘Pai do Universo’.”

Filipe disse: “Senhor, como, então, ele apareceu aos perfeitos?”

O Salvador perfeito respondeu-lhe: “Antes que qualquer coisa seja visível, dentre aquelas que são visíveis, a majestade e a autoridade estão nele, visto que ele abarca inteiramente as totalidades, enquanto que nada o abarca. Pois ele é todo mente. E é pensamento, consideração, reflexão, racionalidade e poder. Todos são poderes iguais. São a fonte das totalidades. E todas as raças, desde a primeira até a última, estavam em sua previsão, aquela do Pai Não-gerado e infinito.”

[E todas as raças (desde a primeira) até a última, estão previstas pelo Não-gerado, pois (15) ele ainda não surgiu à visibilidade.]

Tomé falou-lhe: “Porque esses surgiram e porque foram revelados?”

O perfeito Salvador respondeu: “Eu vim do Infinito, para que eu possa dizer-lhes todas as coisas. O Espírito QUE É foi o progenitor, que tem o poder (de) um progenitor e a natureza de (dar) forma, para que a grande fartura que estava oculta nele pudesse ser revelada. Por causa de sua compaixão e de seu amor ele desejava dar fruto por si mesmo, para que ele não (gozasse) sua benevolência sozinho, mas (que) outros espíritos da Geração Resoluta pudessem dar corpo e fruto, glória e honra na imperecibilidade e em sua graça infinita; para que seu tesouro pudesse ser revelado pelo Deus Auto-Gerado, o pai de toda imperecibilidade e daqueles que apareceram mais tarde. Mas eles não haviam alcançado ainda a visibilidade.  Porém existe uma grande diferença entre os imperecíveis.”

Porém existia uma diferença entre os eons imperecíveis. Vamos, então, refletir (sobre isto) desta forma.

Ele exclamou dizendo: “Quem tem ouvidos para ouvir a respeito das infinidades, que ouça”, e “Dirigi-me àqueles que estão despertos.”

E ele continuou ainda, dizendo: “Tudo que veio do perecível, perecerá, já que veio do perecível. Mas tudo o que veio da imperecibilidade, não perecerá, mas se tornará imperecível (BG 89, 16-17 acrescenta: pois se origina da imperecibilidade). Portanto, muitos homens se perderam porque eles não conheciam esta diferença e morreram.”

Maria disse a ele: “Senhor, como vamos então conhecer isto?”

O Salvador perfeito disse:

Porém isto é suficiente, pois é impossível para alguém disputar a natureza das palavras que acabei de falar sobre Deus verdadeiro, bem-aventurado e imperecível.

Mas, se alguém quiser acreditar nas palavras (aqui) determinadas, que ele vá do que está oculto até o fim do que está visível, e este Pensamento lhe instruirá sobre como a fé nas coisas que não são visíveis foi encontrada no que é visível. Este é um princípio de conhecimento.

“Venham das coisas invisíveis até o fim das que são visíveis, e a própria emanação do Pensamento lhe revelará como a fé nas coisas que não são visíveis foi encontrada naquelas que são visíveis, aquelas que pertencem ao Pai Não-Gerado. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

O Senhor do Universo não é chamado ‘Pai’, mas ‘Antepassado’. (Porque o Pai é) o início (ou princípio) daqueles que vão aparecer, mas ele (o Senhor) é (o) Antepassado sem início. Olhando-se dentro de si mesmo num espelho, ele se parece com sua própria semelhança, porém sua aparência parecia como seu Próprio-Pai Divino e (como) Confrontador ‘daqueles confrontados’, o Primeiro Pai Existente Não-Gerado. Ele na verdade tem a mesma idade da Luz que veio antes dele, mas não é igual a ela em poder.

“E a seguir foi revelada uma grande multidão de seres auto-gerados confrontadores, iguais em idade e poder, estando na glória (e) sem número, cuja raça é chamada ‘A Geração sobre a Qual Não Há Reino’ ‘daquele em quem vocês mesmos apareceram destes homens.’ E toda esta multidão sobre a qual não há reino é chamada ‘Filhos do Pai Não-Gerado, Deus, Salvador, Filho de Deus,’ cuja semelhança está consigo. Porém, ele é o Incognoscível, que está sempre pleno de glória imperecível e de alegria inefável. Eles todos descansam nele, sempre se regozijam em alegria inefável na sua glória imutável e sua jubilação imensurável. Isto nunca foi ouvido ou conhecido entre todos os eons e seus mundos até agora.”

Mateus disse a ele: “Senhor, Salvador, como o Homem foi revelado?”

O Salvador perfeito disse: “Quero que vocês saibam que aquele que apareceu antes do universo no infinito, o Pai construído e desenvolvido por Si Mesmo, sendo pleno de luz brilhante e inefável, no princípio, quando ele decidiu que sua semelhança (deveria) se tornar um grande poder, imediatamente o princípio (ou início) daquela Luz apareceu como Homem Andrógino e Imortal. Isto, para que por meio daquele Homem Imortal eles pudessem alcançar a sua salvação e despertar do esquecimento por meio do intérprete que foi enviado, que estará com vocês até o fim da pobreza dos ladrões.

Seu nome masculino é “Mente Perfeita Gerada”. E seu nome feminino (é) “Toda-sábia Sophia Geradora.” Também é dito que ela se parece com seu irmão e consorte. Ela é a verdade incontestada; porque abaixo daqui o erro, que existe com a verdade, a contesta.

“E seu consorte é a Grande Sophia, que deste o princípio lhe foi destinada para união pelo Pai Auto-Gerado, do Homem Imortal ‘que apareceu como Primeiro, divindade e reino,’ pois o Pai, que é chamado ‘Homem, Pai-Próprio,’ revelou isto. E ele criou um grande eon, cujo nome é Ogdoad, para sua própria majestade.

“Ele recebeu grande autoridade, e governou sobre a criação da pobreza. e governou sobre todas as criações. Ele criou deuses, anjos (e) arcanjos, miríades sem número para o acompanhamento daquela Luz e do Espírito masculino-tríplice, que é o de Sophia, seu consorte. Pois deste Deus por meio deste Homem originou-se a divindade e o reino. Portanto, ele foi chamado ‘Deus dos deuses,’ ‘Rei dos reis.’

“O Primeiro Homem tem sua mente singular, interior, e o pensamento – assim como ele é isto (pensamento) – (e) a consideração, a reflexão, a racionalidade, o poder. Todos os atributos que existem são perfeitos e imortais. Com relação a imperecibilidade, eles são na verdade iguais. (Porém) com respeito ao poder, eles são diferentes, como a diferença entre pai e filho, (e filho) e pensamento, e o pensamento e o resto.

“Como eu disse antes, entre as coisas que foram criadas, a mônada é a primeira. A díada segue-a, e a tríada, até as décimas. As décimas, porém, governam as centésimas; as centésimas governam as milésimas; as milésimas governam as décima-milésimas. Esta é a seqüência (entre os) imortais. O Primeiro Homem é desta forma: Sua Mônada.

(As páginas 79 e 80 estão faltando. Elas foram substituidas pela seção correspondente de Eugnostos – Código V, cujo começo é algo diferente da frase parcial final de III 78.

Mais uma vez, esta é a seqüência (que) existe entre os imortais: a mônada e o pensamento são as coisas que pertencem ao Homem Imortal. Os pensamentos (são) as dezenas, e as centenas são (os ensinamentos), (e os milhares) são os conselheiros, (e) os dez mils (são) os poderes. Porém aqueles que vêm do … existem com seus ( … ) (em) cada eon ( … ) ( … No princípio, o pensamento) e os pensamentos (apareceram da) mente, (então) os ensinamentos dos pensamentos, os conselhos (dos ensinamentos), (e) o poder (dos ) (conselhos).

E depois de tudo isto, tudo o que foi revelado apareceu de seu poder. E do que foi criado, tudo o que foi moldado apareceu. Do que foi moldado apareceu o que foi formado. Do que foi formado, o que recebeu nome. Assim surgiu a diferença entre os não-gerados do começo ao fim.”

O que recebeu nome apareceu do que foi formado, enquanto a diferença entre as coisas geradas apareceu do que recebeu (nome), do começo ao fim, pelo poder de todos os eons. Porém o Homem Imortal está pleno de toda glória imperecível e de todo contentamento inefável. Todo seu reino se regozija em júbilo eterno, aqueles que nunca foram ouvidos ou conhecidos em qualquer eon que (vieram) depois (deles e de seus) mundos.

Então Bartolomeu disse a ele: “Como (é que ele) foi designado no Evangelho ‘Homem’ e ‘Filho do Homem’? A qual deles, então, é este Filho relacionado?” O Ser Divino disse a ele:

“Quero que vocês saibam que o Primeiro Homem é chamado ‘Gerador, Mente Auto-aperfeiçoada’. Ele refletiu com a Grande Sophia, sua consorte, e revelou seu unigênito, o filho andrógino. Seu nome masculino é designado ‘Primeiro Gerador Filho de Deus; seu nome feminino, ‘Primeira Geradora Sophia, Mãe do Universo.’ Alguns a chamam ‘Amor’. Porém, o Unigênito é chamado ‘Cristo’. Como ele tem autoridade de seu pai, ele criou uma multidão infindável de anjos como comitiva do Espírito e da Luz.”

Em seguida (outro) (princípio) veio do (Homem) Imortal, que é (chamado) (Gerador) “Auto-aperfeiçoado”. (Quando ele recebeu o consentimento) de seu (consorte), (a Grande Sophia, ele) revelou (que o andrógino unigênito), (é chamado) “(Filho) Unigênito (de Deus).” Seu aspecto feminino (é) Sophia (a Primeira)-gerada, (Mãe do Universo)”, que alguns chamam “Amor”. Ora, o Unigênito, como ele deriva (sua) autoridade de seu (pai), Ele criou anjos, infindáveis miríades, como comitiva. Toda esta multidão de anjos é chamada “Assembléia dos Divinos, as Luzes Sem Sombra”. Quando estes se cumprimentam, seus abraços tornam-se anjos como eles.

Seus discípulos disseram a ele: “Senhor, revela-nos a respeito daquele chamado ‘Homem’ para que nós também possamos conhecer exatamente a sua glória.”

O Salvador perfeito disse: “Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça. O Primeiro Pai Gerador é chamado ‘Adão, Olho da Luz,’ porque ele veio da Luz brilhante, (e) seus anjos sagrados, que são inefáveis (e) sem sombras, sempre se regozijam com júbilo em suas reflexões, que eles receberam de seu Pai. Todo o reino do Filho do Homem, que é chamado ‘Filho de Deus,’ está cheio de alegria inefável e sem sombra, um imutável júbilo, (com eles) se regozijando a propósito de sua glória imperecível, que nunca foi ouvida até agora, nem foi revelada nos eons que vieram depois com seus mundos. Eu vim do Auto-Gerado e da Primeira Luz Infinita para que eu possa revelar tudo a vocês.”

Mais uma vez seus discípulos disseram: “Diga-nos claramente como (aconteceu) que eles desceram das invisibilidades, do (reino) imortal para o mundo que morre?”

O Salvador perfeito disse: “O Filho do Homem consentiu com Sophia, sua consorte, e revelou uma grande luz andrógina. Seu nome masculino é designado como ‘Salvador, Gerador de Todas as Coisas.’ Seu nome feminino é designado como “Sophia a Geradora de Tudo.’ Alguns chamam-na de ‘Pistis’.

Então o Salvador consentiu com sua consorte, Pistis Sophia, e revelou seis seres espirituais andróginos que são do tipo daqueles que os precederam. Seus nomes masculinos são estes: primeiro, “Não-gerado”; segundo, “Auto-Gerado”; terceiro, “Gerador”; quarto, “Primeiro Gerador”; quinto, “Gerador de Tudo”; sexto, “Arqui-Gerador”. Os nomes femininos também são estes: primeiro, “Sophia Totalmente Sábia”; segundo, “Sophia Mãe de Tudo”; terceiro, “Sophia Geradora de Tudo”; quarto, “Sophia, a Primeira Geradora”; quinto, “Sophia Amor”; sexto, “Pistis Sophia”.

(A partir) do consentimento daqueles que acabei de mencionar, apareceram pensamentos nos eons que existem. Dos pensamentos, reflexões; das reflexões, considerações; das considerações, racionalizações; das racionalizações, vontades; das vontades, palavras.

Então os doze poderes que acabo de discutir, consentiram uns com os outros. (Seis) machos (de cada um) (e) (seis) fêmeas (de cada uma) foram reveladas, de tal forma que existem setenta e dois poderes. Cada um dos setenta e dois revelou cinco (poderes) espirituais que (juntos) são os trezentos e sessenta poderes. A união de todos eles é a vontade.

Portanto, nosso eon surgiu como a espécie de Homem Imortal. O tempo surgiu como a classe de Primeiro Gerador, seu filho. (O ano) surgiu como o exemplo de (Salvador. Os) doze meses surgiram como o símbolo dos doze poderes. Os trezentos e sessenta dias do ano surgiram como a classe dos trezentos e sessenta poderes que apareceram do Salvador. Suas horas e momentos surgiram como os tipos de anjos que deles vieram (os trezentos e sessenta poderes) (e) que são inumeráveis.

Todos os que vieram ao mundo, como uma gota da Luz, são enviados por ele ao mundo do Todo-Poderoso, para que possam ser protegidos por ele. E o vínculo de seu esquecimento o atou à vontade de Sophia, para que a matéria pudesse ser (revelada) por meio dele a todo o mundo em pobreza com relação à sua arrogância e cegueira (do Todo-Poderoso) e a ignorância com que foi designado.

Porém eu vim das localidades acima, pela vontade da grande Luz, que escapou daquele vínculo. Eu interrompi o trabalho dos ladrões. Despertei aquela gota que foi enviada de Sophia, para que ela possa dar muitos frutos por meu intermédio e ser aperfeiçoada e não mais ser defeituosa. E para que possa (se juntar) por meu intermédio, o Grande Salvador, para que sua glória possa ser revelada e que assim Sophia possa ser justificada também com relação àquele defeito, para que seus filhos não se tornem outra vez defeituosos, mas que possam alcançar a honra e a glória, subir a seu Pai e conhecer as palavras da Luz masculina.

E vocês foram enviados pelo Filho, que foi enviado para que vocês pudessem receber a Luz e se removerem do esquecimento das autoridades, e para que isto não possa mais ocorrer por sua causa, ou seja, o relacionamento impuro que vem do fogo terrível que se origina de sua parte carnal. Pise sobre a sua intenção maliciosa.

Então Tomas disse a (ele): “Senhor Salvador, quantos são os eons que ultrapassam os céus?”

O Salvador perfeito disse: “Louvo vocês porque perguntam a respeito dos grandes eons, pois suas raízes estão nos infinitos. Ora, quando aqueles sobre os quais eu discuti anteriormente foram revelados, ele (ofereceu)

(As páginas 109 e 110 estão faltando. Elas foram substituidas neste texto com a seção correspondente do Código Gnóstico de Berlim (nº 8502), cujo início é um pouco diferente da frase parcial final de III 108.)

Ora, quando aqueles sobre os quais eu discuti anteriormente foram revelados, o Pai Auto-Gerado muito em breve criou doze eons como comitiva para os doze anjos.

E em cada eon haviam seis (céus), e assim haviam setenta e dois céus dos setenta e dois poderes que surgiram dele. E em cada um dos céus haviam cinco firmamentos, portanto existem (ao todo) trezentos e sessenta (firmamentos) dos trezentos e sessenta poderes que surgiram deles.

Quando os firmamentos estavam completos, foram chamados “Os Trezentos e Sessenta Céus”, de acordo com o nome dos céus que estavam diante deles. E todos estes eram perfeitos e bons. E desta forma o defeito da feminilidade apareceu.

E (Tomas) disse a ele: “Quantos são os eons dos imortais, começando das infinidades?”

O Salvador perfeito disse: “Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça. O primeiro eon é o do Filho do Homem, que é chamado de ‘Primeiro Gerador’, que é chamado ‘Salvador’, que apareceu. O segundo eon (é) o do Homem, que é chamado ‘Adão, Olho da Luz’. O terceiro é o do filho do Filho do Homem, que é chamado de ‘Salvador’.

Aquilo que abraça estes é o eon sobre o qual não há reino, (o eon) do Deus Infinito Eterno, o Auto-Gerado eon dos eons que estão nele, (os eons) dos imortais, que eu descrevi anteriormente, (os eons) acima do Sétimo, que apareceu de Sophia, que é o primeiro eon.

Ora, o Homem Imortal revelou eons, poderes e reinos, e deu autoridade a todos que aparecem nele para que possam exercitar seus desejos até as últimas coisas que estão acima do caos. Pois estes consentiram uns com os outros e revelaram toda a magnificência, até mesmo do espírito, luzes numerosas que são gloriosas e sem número. Estas foram chamadas no princípio, isto é, o primeiro eon, (o) segundo e (o terceiro). O primeiro (é) chamado Unidade e Descanso.’ Cada um tem seu (próprio) nome. O (terceiro) eon foi designado ‘Assembléia’ devido ao grande número que apareceu: como um, uma multidão se revelou.

Ora, como as multidões se reúnem e chegam a unidade, (BG 111, 2-5 acrescenta aqui: portanto, (eles) são chamados ‘Assembléia’, devido àquela Assembléia que ultrapassa o céu) chamamos a elas de ‘Assembléia’ do Oitavo.’ Apareceu como andrógina e foi chamada parcialmente como macho e parcialmente como fêmea. O macho é chamado ‘Assembléia’, enquanto que a fêmea é chamada ‘Vida’, para que possa ser demonstrado que de uma fêmea veio a vida para todos os eons. E cada nome foi recebido, começando do princípio.

“Pois desta concordância com seu pensamento, em breve apareceram os poderes que eram chamados ‘deuses’. E (os) deuses dos deuses, por sua sabedoria revelaram deuses. (E os deuses) por sua sabedoria revelaram senhores. E os senhores dos senhores, por seu pensamento revelaram senhores. E os senhores, por seu poder revelaram arcanjos. Os arcanjos, por suas palavras revelaram anjos; destes, apareceram semelhanças com estrutura, forma e nome para todos os eons e seus mundos.

“E os imortais, que acabo de descrever, todos eles têm autoridade do Homem Imortal, ‘que é chamado ‘Silêncio’, porque ao refletir sem falar toda sua majestade foi aperfeiçoada.’ Pois desde o momento que os imperecíveis tiveram autoridade, cada qual criou um grande reino no Oitavo bem como tronos, templos (e) firmamentos para sua própria majestade. Pois todos estes surgiram pela vontade da Mãe do Universo.

Então os Santos Apóstolos disseram a ele: “Senhor, Salvador, fale-nos a respeito daqueles que estão nos eons, pois é necessário que perguntemos a respeito deles.” O Salvador perfeito disse: “Se vocês perguntarem a respeito de qualquer coisa, Eu lhes direi. Eles criaram hostes de anjos, números infindáveis para seu acompanhamento e sua glória. Eles criaram espíritos virgens, as luzes inefáveis e imutáveis. Pois elas não têm nenhuma doença nem fraqueza, mas simplesmente vontade. (BG 115,14 acrescenta aqui: E elas apareceram num instante.)

“Desta forma os eons foram completados rapidamente com os céus e os firmamentos na glória do Homem Imortal e de Sophia, sua consorte: (que são) a área da qual cada eon, o mundo e aqueles que vieram após, tiraram (seu) modelo para sua criação de semelhança nos céus do caos e de seus mundos. E todas as naturezas, começando da revelação do caos, estão na Luz que brilha sem sombra, no contentamento que não pode ser descrito e no júbilo impronunciável. Eles se deleitam para sempre em virtude de sua glória imutável e do descanso imensurável, que não pode ser descrito, entre todos os eons que apareceram depois e todos seus poderes. Ora, tudo o que acabo de dizer a vocês, disse para que vocês possam brilhar mais do que eles na Luz.”

Mas isto é suficiente. Tudo o que acabo de dizer a vocês, disse de uma forma que vocês possam aceitar, até que aquele que não precisa ser ensinado apareça entre vocês. Ele falará todas estas coisas a vocês com alegria e no conhecimento puro.

Maria disse a ele: “Santo Senhor, de onde vieram seus discípulos, para onde vão e (o que) eles deveriam fazer aqui?”

O Salvador perfeito disse a eles: “Quero que vocês saibam que Sophia, a Mãe do Universo e o consorte, desejou por si só trazer todos estes à existência sem seu (consorte) macho. Mas, pela vontade do Pai do Universo, para que sua bondade inimaginável possa ser revelada, ele criou aquela cortina entre os imortais e aqueles que vieram depois, para que a consequência pudesse acompanhar cada eon e o caos, e assim o defeito da fêmea pudesse (aparecer), e o Erro viesse a lutar com ela. E esta tornou-se a cortina do espírito.

(As páginas 115 e 116 estão faltando. Elas foram substituidas aqui pela seção correspondente do Código Gnóstico de Berlim , nº 8502.)

 

os eons acima das emanações da Luz, como já disse, uma gota da Luz e do Espírito desceram às regiões inferiores do Todo Poderoso no caos, para que suas formas moldadas pudessem aparecer daquela gota, pois isto é um julgamento sobre o Arqui-Gerador, que é chamado Yaldabaoth.’ Aquela gota revelou suas formas moldadas por meio do alento (sopro), como uma alma viva. Ela definhou e dormiu na ignorância da alma. Quando ela se tornou quente com o alento (sopro) da Grande Luz do Macho, e tomou pensamento, (então) nomes foram recebidos por todos os que estão no mundo do caos e por todas as coisas que estão nele por meio daquele Ser Imortal, quando o alento soprou dentro dele.

Mas quando isto ocorreu, pela vontade da Mãe Sophia para que o Homem Imortal pudesse ajuntar ali as vestes para um julgamento a respeito dos ladrões (ele) então recebeu com agrado o sopro daquele alento. Mas como ele era semelhante à alma, não foi capaz de tomar aquele poder para si mesmo até que o número do caos estivesse completo, (isto é,) quando o tempo determinado pelo grande anjo estiver completo.

Ora, lhes ensinei a respeito do Homem Imortal e soltei as amarras dos ladrões dele. Quebrei os portões dos impiedosos na presença deles. Humilhei a intenção maliciosa deles, e eles foram todos envergonhados e se elevaram de sua ignorância. Por causa disto, então, vim aqui para que eles possam ser unidos com aquele Espírito e Alento, aquele ( ….. ) e Alento, e que possam tornar-se de dois um, da mesma forma como do primeiro, para que vocês possam dar muito fruto e subir a Ele Que É desde o Princípio, em alegria e glória inefável, e (honra e) graça do (Pai do Universo).

“Quem conhece, (então), (o Pai em pura) gnosis (partirá) para o Pai (e repousará no) (Pai) Não-Gerado. Mas (quem o conhece) (de forma defeituosa) partirá (para o defeito e para o resto (do Oitavo. Ora,) quem conhece o (Espírito) Imortal de Luz no silêncio, por meio da reflexão e do consentimento na verdade, que me traga sinais do Ser Invisível, e ele se tornará uma luz no Espírito do Silêncio. Quem conhece o Filho do Homem na gnosis e no amor, que me traga um sinal do Filho do Homem, para que ele possa partir para os lugares de moradia com aqueles no Oitavo.

“Vejam, eu revelei a vocês o nome do Ser Perfeito, toda a vontade da Mãe dos Anjos Sagrados, para que a (multidão) masculina possa ser completada aqui, para que (possa aparecer nos eons,) (as infinidades e) aqueles que (surgiram na) insondável (riqueza do Grande Espírito) Invisível, (para que) todos (possam receber de sua bondade), mesmo a riqueza (de seu descanso) que não tem (reino sobre ele). Eu vim (do Primeiro) Que Foi Enviado, para que eu pudesse revelar a vocês Aquele Que É desde o Princípio, por causa da arrogância do Arqui-Gerador e de seus anjos, já que eles que são deuses. E eu vim para removê-los de sua cegueira para que possam dizer a todos a respeito do Deus que está acima do universo. Portanto, pisem sobre seus túmulos, humilhem sua intenção maliciosa, e destruam o seu jugo e assumam o meu. Dei autoridade a vocês sobre todas as coisas como Filhos da Luz, para que vocês possam pisar sobre o poder deles com (seus) pés.”

Estas são as coisas (que o) bem aventurado Salvador (disse), (e ele desapareceu) do meio deles. Então, (todos os discípulos) ficaram numa (grande alegria inefável) no (espírito) daquele dia em diante. (E seus discípulos) começaram a pregar (o) Evangelho de Deus, (o Espírito) eterno imperecível. Amem.

 

Notas explcativas para estudo deste Texto

 

(1)    Provável referência a doze que são mais íntimos, mais ‘fortes’, do núcleo mais interno – incluindo mulheres – e mais outros sete seguidores do círculo não tão íntimo, como um grupo intermediário, incluindo homens

(2)    Poder ser uma referência a um local físico, de encontro, ou a um estado de consciência no qual os discípulos se encontrassem para um aprofundamento nestas temáticas e que lhes tornava possível a presença do Senhor e sua percepção.

(3)    Ou ‘divina’.

(4)    Provavelmente uma alusão às potestades.

(5)    No oculto, o nível interno, nos planos mais sutis onde ele se encontrava. Este, provavelmente, não é o primeiro encontro que têm após a morte do Senhor.

(6)    No sentido de lhe dar sustento, geração, de mantê-la.

(7)    Referência ao estado de consciência elevado específico em que eram ministradas as instruções mais reservadas.

(8)    Como o universo passa do Caos à ordem.

(9)    Ele tem esta capacidade, este poder

(10)Outra tradução: ‘pela (semeadura ou) disseminação do atrito impuro’. Pode referir-se à geração carnal em oposição à regeneração espiritual, ou à contaminação pelo contato (atrito) com as idéias impuras.

(11)No Eugnosto a frase termina aqui com ‘exceto só ele’.

(12) No Eugnosto não há esta relação de dependência entre estas duas orações. Diz: ‘Ninguém o determina. Ele não tem nome’.

(13) Sobre este ponto, veja-se o Evangelho da Verdade atribuído a Valentino (séc II d.C.).

(14) No Eugnosto, ‘Ele tem sua própria aparência’.

(15) Esta parte se encontra, no texto SJC, na resposta a Tomé

Fonte e tradução: Raul Branco (Membro da Sociedade Teosófica pela Loja Brasília, de Brasília-DF)

 

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[…] NHC III, 2 — O Evangelho dos Egípcios  NHC III, 3 — Eugnostos, o abençoado NHC III, 4 — Sofia de Jesus Cristo NHC III, 5 — Diálogo do […]

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[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-sophia-de-jesus-cristo/ […]

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Arcano 2 – Gimmel – A Sacerdotisa

A Sacerdotisa - Marselha Grimaud (1760)

Uma mulher sentada, com um livro aberto sobre a saia e uma coroa tripla na cabeça.

Olha para a esquerda e veste uma túnica vermelha sobre a qual se desdobra um manto azul (em algumas versões as cores são opostas). Duas partes da sua tiara estão ornadas de florões, mas a parte superior é uma simples abóbada. Um véu, que lhe cai sobre os ombros, cobre totalmente os seus cabelos; na mesma altura desse véu, por trás, aparece uma cortina cujos pontos de fixação não são visíveis. Tampouco se podem ver os pés da mulher, assim como a base do trono.

Fato curioso, que é reencontrado somente no arcano XXI, é que a figura ultrapassa a margem superior do quadro: o extremo da tiara supera a linha negra, um pouco à direita do número II.

Significados simbólicos

A Sabedoria, a Gnose, a Casa de Deus e do homem, o santuário, a lei, a Cabala, a igreja oculta, a reflexão.

Fala também do binário, do princípio feminino, receptivo, materno.

Mistério. Intuição. Piedade. Paciência, influência saturnina passiva.

Interpretações usuais na cartomancia

Reserva, discrição, silêncio, meditação, fé, confiança atenta. Paciência, sentimento religioso, resignação. Favorável às coisas ocultas.

Mental: Grande riqueza de ideias. Responde a problemas concretos melhor do que a questões vagas.

Emocional: É amistosa, recebe bem. Mas não é afetuosa.

Físico: Situação garantida, poder sobre os acontecimentos, revelação de coisas ocultas, segurança de triunfo sobre o mal. Boa saúde, mas com um ritmo físico lento.

Sentido negativo: Dissimulação, hipocrisia, intenções secretas. Mesquinharia, inação, preguiça. beatice. Rancor, disposição hostil ou indiferença. Misticismo absorvente, fanático. Peso, passividade, carga. As intuições que traz invertem seu sentido e se tornam falsas. Atraso, lentidão nas realizações.

História e iconografia

A tradução exata do nome que o Tarô de Marselha dá a este arcano (La Papesse) é A Papisa. Outras versões, como A Sacerdotisa ou A Alta Sacerdotisa, vêm do nome que lhe é dado em inglês (The High Priestess).

A figura da Papisa faz alusão a um fato histórico, ou melhor, lendário, que ocupa um lugar notável na literatura da Idade Média: a pretensa existência de um Papa do sexo feminino. A tradição popular diz que uma mulher ocupou a cadeira de São Pedro durante alguns anos sob o nome de João VIII.

Várias versões aparecem, mas o mais antigo testemunho que chegou até nós é bastante posterior à data de seu suposto reinado.

De qualquer modo, para o estudo tradicional e iconográfico do Tarô, não importa estabelecer alguma fidelidade histórica. Embelezada com o correr do tempo, uma de suas versões combina admiravelmente com o simbolismo maternal que se atribui à estampa: segundo tal versão, a papisa teria ficado grávida de um dos seus familiares e, como não se recolheu à época do parto, o acontecimento teria se dado em plena rua, durante uma procissão entre a igreja de São Clemente e o palácio de Latrão.

Com a dramática descoberta do embuste, o enfurecido séquito papal teria assassinado Joana e seu filho. Antigas tradições romanas asseguram que, no lugar do homicídio, permaneceu durante séculos um túmulo ornado por seis letras P, que podiam ser lidas de três maneiras diferentes (jogando com a inicial comum a Papa, Pedro, pai e parto).

Ainda com relação a essa lenda, deve-se assinalar um fato notável: na célebre Bíblia ilustrada alemã do ano de 1533, a grande prostituta do Apocalipse está representada com uma tiara na cabeça, A tradição afirma que foi desenhada deste modo por desejo expresso e sugestão de Martinho Lutero.

Enquanto o Mágico não poderia permanecer em repouso (numa unidade andrógina onde tudo é impulso e estímulo), a Sacerdotisa é o próprio repouso: sentada, majestosa, receptiva, seu reino é binário, uma etapa na distinção da polaridade do universo. Se o binário equivale a conflito, no sentido de rompimento da unidade, de abandono do caos essencial onde não existem as magnitudes nem os nomes, é também a primeira etapa dolorosa e imprescindível das vias iniciáticas, o começo da busca da identidade.

A Sacerdotisa representa a submissão majestosa às exigências dessa iniciação, o equilíbrio que a repartição elementar de forcas produz no conflito.

O que o Arcano I era para a encarnação das energias espirituais o Arcano II o é quanto à aceitação dessa metamorfose: o reconhecimento prévio da luta entre os princípios branco-negro, dia-noite, Yang-Yin.

Alguns autores veem na Sacerdotisa a representação de Isis, com todas as suas conotações noturnas e ocultas. Também a associam a Cassiopéia, a rainha negra da Etiópia e mãe da constelação Andrômeda, e a Belkis, a belíssima rainha de Sabá, para quem Salomão teria composto o Cântico dos Cânticos. Essa relação da Sacerdotisa com deusas e rainhas negras (ou escuras) não parece casual e acentua a contrapartida com a carta a seguir: o simbolismo branco, luminoso e diurno do Arcano III (A Imperatriz), com quem a Sacerdotisa forma a dupla oposta e complementar da feminilidade.

Este símbolo subterrâneo, que se refere ao aspecto esotérico da revelação, teria passado para o cristianismo sob a forma das virgens negras, cujo ritual se realiza com frequência numa cripta ou num lugar inacessível.

Mãe, esposa celeste, senhora do saber esotérico, a Papisa ou Sacerdotisa ocupa na estrutura do Tarô o lugar da porta, da passagem entre o exterior e o interior, do ponto imóvel e comum entre a Casa e a rua.

Por Constantino K. Riemma

http://www.clubedotaro.com.br/

#Kabbalah #Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-2-gimmel-a-sacerdotisa

Corpo e Chakra

Paulo Jacobina

O Corpo é o veículo utilizado pelo Eu para passar pelas situações no Orbe ou Mundo de Existência, capazes de gerar a experiência necessária para o deslocamento na Consciência. Sua criação também ocorre pela ação do Agente Modelador, que o brutaliza e, assim como acontece com o Mundo de Existência, o Corpo também pode ser subdividido infinitamente, conforme a sua região de sutileza, nos Corpos Existenciais.

Tal divisão tem apenas caráter explicativo, haja vista que, embora possam parecer distintos, todos os Corpos Existenciais são apenas o Corpo, da mesma forma com que ocorre numa paleta de tons de uma cor. Aparentemente o “azul celeste” e o “azul índigo” são distintos, mas ambos continuam sendo “azul”, assim como o Corpo Físico e o Corpo Átmico, que parecem distintos, mas ambos continuam sendo o Corpo.

Apesar de a ocorrência de Corpos Existenciais ser infinita, o de maior compreensão do Eu, que se encontra encarnado neste planeta em decorrência do seu estado de Consciência, é o Corpo Físico, que é aquele utilizado pelo Eu para passar pelas situações que ocorrem no Mundo Material.

Obviamente, existem infinitos Corpos Existenciais mais brutos do que o Corpo Físico, mas que dificilmente são percebidos pelo Eu que está encarnado neste planeta, tendo em conta que o Eu, mesmo se encontrando em um estágio considerado grosseiro, também está em um estágio mais sutil do que o desses outros Corpos Existenciais.

Ao sofrer a ação do Agente Modelador, o Corpo passa a apresentar características mais segregadas e, a espelho do que foi apresentado no Mundo Existencial, pode ser subdividido, à medida que se torna mais grosseiro, em Corpo Átmico, Corpo Búdico, Corpo Mental Abstrato, Corpo Mental Concreto, Corpo Emocional, Corpo Energético e Corpo Físico.

Como a divisão ocorre de maneira artificial e, tendo como base o grau de compreensão daquele Eu que aqui se encontra encarnado, cada um desses Corpos Existenciais pode ser subdividido infinitamente em outros Corpos Existenciais, de acordo com o grau de sutileza. Por isso que, por ter a sua compreensão ainda muito ligada aos assuntos do Mundo Material, o Eu entende o Corpo Energético como um Corpo Existencial (não um “intermediário” entre o Material e o Emocional), mas ainda não compreende o corpo no qual se vislumbra o “cordão de ouro” como um Corpo Existencial, apenas o percebendo como um agente “intermediário” entre o Emocional e o Mental Inferior. Tal fato ocorre em função da atuação do Agente Modelador, que causa a ilusão da separatividade e faz o Eu pouco compreender sobre aquilo que ele acredita estar distante.

Tendo em vista que o Corpo é um veículo, sobre ele recaem não só as influências do Eu, mas também as do Agente Modelador, fornecendo ao Corpo tanto o poder do Amor, quanto o do Ódio, além dos demais atributos do Eu e do Agente Modelador.

Corpo Átmico

Também chamado de Atmam, Yechida, Atmú e de Espírito Divino. É o “primeiro” Corpo Existencial a ser formado e o mais distante da compreensão do Eu que aqui se encontra encarnado e, por isso, muitos o confundem com o próprio Eu em função do seu estado de sutileza e por se esquecerem da ocorrência do plano Anupádaka e do Ádi.

Sua composição é predominantemente de elementos contidos no Grande Plano Átmico e possui três atributos: a Existência ou Sat, responsável pela irradiação da Vitalidade que alimenta os demais Corpos Existenciais; a Consciência ou Chit; e a Felicidade Inefável ou Ananda.

É neste Corpo Existencial que a individualidade é criada.

Corpo Búdico

Também chamado de Buddhi, Búddhico, Shayah, Putah, Anandamaya Kosha, Corpo Intuicional e por Espírito de Vida, o Corpo Búdico é aquele utilizado pelo Eu para interagir no Mundo Búdico, o estado de sutileza inferior ao apresentado no Mundo Átmico.

Neste Corpo Existencial se encontra registrada a experiência do Eu, o seu Akasha.

Aqui, a ilusão do tempo ainda não foi criada pelo Agente Modelador e, consequentemente, só existe o agora.

Por se encontrar plenamente no agora e possuir um único “núcleo de consciência”, o Eu compreende tudo o que lhe ocorre com o uso da Intuição, um de seus atributos.

À medida que se desloca para outros Corpos Existenciais pela ação brutalizante, a compreensão começa a se separar por ser analisada em “diferentes” mentes, em “diferentes” momentos etc, fazendo com que a experiência passe a ser vista como o que o Eu faz com o que lhe acontece.

Sua composição ainda é de elementos pertencentes ao Grande Plano Átmico.

Corpo Mental Abstrato

Em um estado mais bruto do que o apresentado pelo Corpo Búdico, encontra-se o Corpo Mental Abstrato, também conhecido por Corpo Mental Superior, Manas Arrupa, Nechamah, Sab, Espírito Humano, Corpo Causal e Vijnanamaya Kosha.

Sua sutileza já se encontra modificada em relação ao Corpo Búdico pelo aumento da proporção de elementos constitutivos pertencentes ao Plano da Mente Hominal, que já passa a contar com todos os seus subplanos integrando o Corpo Mental Superior.

Por possuir elementos integrantes do Grande Plano Mental, o Corpo Mental Abstrato já começa a apresentar atuação densificadora, haja vista que a densidade é um atributo do Grande Plano Físico decorrente da ação originária do Grande Plano Mental.

Em função de já possuir elementos de todos os subplanos do Plano da Mente Hominal, a esse Corpo Existencial também se dá o nome de Corpo Causal, numa alusão à origem de todos os fenômenos no Grande Plano Físico experimentado pelo homem.

Nesse Corpo Existencial ocorre a primeira divisão da Mente, deixando a unidade apresentada no Corpo Búdico (o Núcleo de Consciência) e passando a se manifestar na dualidade do que se chama de Mente Espiritual ou Super-Consciente e Mente Intelectiva ou Consciente.

A Mente Espiritual é a responsável pela Vontade no Plano Mental do Eu. Com a brutalização provocada pelo deslocamento para os Corpos Existenciais posteriores, o desejo começa a se separar da Vontade.

A Mente Intelectiva é a responsável pelo Raciocínio, isto é, o estabelecimento de relação entre as coisas. À medida que se brutaliza, deslocando-se para outros Corpos Existenciais, o raciocínio se torna menos depurado, dificultando a correlação entre as coisas.

No Corpo Mental Abstrato, a Intuição vinda do Corpo Búdico já sofreu a ação brutalizadora do Agente Modelador, fazendo surgir as ideias de bem e mal, certo e errado.

Corpo Mental Concreto

Também chamado de Corpo Mental Inferior, Manas Rupa, Ruach, Akbú, Mente, Manomaya Kosha, o Corpo Mental Concreto é o Corpo Existencial responsável pelo processo cognitivo e onde uma nova mente surge, a Mente Instintiva ou Inconsciente, que é a responsável pela criação das formas físicas e dos desejos.

A Mente Instintiva está associada aos sentidos externos, às emoções, e é onde fica registrado o condicionamento decorrente das experiências pretéritas, tendo em vista que a ilusão do tempo já se encontra atuante no Mundo Mental Inferior.

Por se encontrar em um estágio menos sutil do que o do Corpo Mental Abstrato, é no Corpo Mental Concreto que as emoções surgem dos sentimentos e os desejos da vontade.

Com o surgimento das emoções, a ilusão do tempo se torna mais atuante, tendo em vista que a ilusão do tempo decorre do estado emocional e da compreensão por intermédio das formas.

A proporção de elementos constitutivos desse Corpo Existencial já possui todos os subplanos do Grande Plano Mental, embora seja proporcionalmente ínfima a presença dos elementos contidos a partir do Plano da Mente Animal.

A partir deste Corpo Existencial, os elementos constitutivos do Grande Plano Físico passam a fazer parte da sua composição e, à medida que o Corpo continua a se brutalizar, mais os elementos do Grande Plano Físico se tornam preponderantes.

É no Corpo Mental Concreto que as formas concretas surgem, inclusive o próprio Corpo Mental Concreto assume uma forma concreta arredondada. Com o aparecimento dos próximos Corpos Existenciais menos sutis, pela ação da densidade desses Corpos, o Corpo Mental Concreto sofre uma leve modificação em sua forma, passando a apresentar um aspecto mais ovalado.

Corpo Emocional

Também chamado de Kama Shárira, Nephesch, Khabá, Corpo dos Desejos, Corpo Astral, Psicossoma, Corpo Espiritual, Perispírito e Kamamaya Kosha. É o Corpo Existencial no qual ocorrem as interações no Mundo Emocional. É o palco das emoções e dos desejos e, por isso, tem os seus atributos[1] influenciados por eles.

Em decorrência desta preponderância de elementos do Grande Plano Físico e, consequentemente, da ocorrência de densidade, torna-se possível, de acordo com o nível desse atributo, subdividir artificialmente o Corpo Emocional em sete níveis, a espelho do que se fez com o Corpo e o Mundo Existencial.

Corpo Energético

Também chamado por Corpo Vital, Corpo Etérico, Linga Shárira, Kusch há Guf, Bah, Duplo Etérico e Pranamaya Kosha.

O Corpo Energético basicamente é a porção do Chakra que une o Corpo Emocional ao Corpo Físico.

Composto por elementos do Grande Plano Físico, o Corpo Energético, como o próprio nome sugere, é a parte mais sutil do Corpo Físico, tendo em vista que ambos são feitos de energia, porém em níveis de sutileza distintos, sendo o Corpo Físico composto, basicamente, por energia densa, chamada corriqueiramente de matéria; e, o Corpo Energético, por energia mais sutil.

Corpo Físico

Também chamado por Stulo Shárira, Guf, Kha, Corpo Denso, Annamaya Kosha.

O Corpo Físico é aquele amplamente estudado pela ciência terrena e responsável pelas interações do Mundo Material.

Esse Corpo Existencial compõe-se de elementos químico-biológicos decorrentes da ação direta das Formas-Pensamento existentes no Grande Plano Mental e adquiridos no processo de alimentação. Por exemplo, ao se analisar a composição química do Corpo Físico, encontra-se a presença de elementos que são formados pela atuação direta do Plano da Mente Mineral. Esta presença pode ser maior, caso se analise uma rocha, ou menor, no caso de se analisar o corpo humano.

Contudo, todo Corpo Físico possui, em maior ou menor quantidade, a ação das formas-pensamento do Plano da Mente Mineral e, à medida que se torna mais complexo, passa a receber a ação das formas-pensamentos decorrentes dos outros planos que integram o Grande Plano Mental.

Ao se deslocar na Consciência enquanto está no Corpo Físico, o Eu passa por acontecimentos que são típicos de cada um desses estados, experimentando o físico no mineral, as sensações no vegetal, as emoções no animal e, por fim, o intelecto no hominal. Esse caminho de sutilização é percebido quando se verifica que o Eu ali contido começa a experimentar acontecimentos típicos dos próximos estados de sutilização, como um mineral que já começa a captar as sensações como ocorre com o vegetal; uma planta que já começa a experimentar o emocional como o animal; e um animal que já começa a experimentar o pensar como o homem.

Como ocorre com todos os Corpos Existenciais, a composição do Corpo Físico decorre da união da Vitalidade emanada pelo Corpo Átmico com os elementos existentes no Mundo Existencial no qual se encontra. Contudo, enquanto nos outros Corpos Existenciais a utilização dos elementos do Mundo Existencial no qual se encontra decorre da absorção direta do meio, no Corpo Físico utilizado no Reino Animal ocorre o fenômeno conhecido por alimentação.

CHAKRA

Chakra é uma palavra de origem sânscrita que significa “roda”, no sentido de círculo, e seu nome foi dado em função da sua visão em um corte frontal. É através dele que os atributos irradiados pelo Corpo Átmico percorrem e alimentam todos os demais Corpos Existenciais, animando-os.

Além de servir de meio pelo qual os atributos do Corpo Átmico se deslocam entre os Corpos Existenciais, também é por intermédio do Chakra que ocorre a comunicação entre os Corpos Existenciais, fazendo com que as vivências em cada Corpo Existencial sejam transferidas entre eles.

Entretanto, tal troca de vivências não ocorre de maneira livre, existindo, ao longo do Chakra, uma série de “filtros”, sendo o supostamente mais conhecido chamado por muitos de “Tela Etérica” ou de “Tela Búdica”, que fica localizado no Corpo Energético, e é responsável por filtrar a comunicação de determinadas sensações, impressões, vivências etc. entre o Corpo Físico e o Corpo Emocional.

Por mais que seu nome em sânscrito signifique “roda”, o formato do Chakra, mais se assemelha ao de um duto por meio do qual, principalmente, a vitalidade se desloca.

À medida que percorre os demais Corpos Existenciais e sofre a ação do Agente Modelador, o Chakra se subdivide infinitamente de maneira a conectar todos os elementos constitutivos dos Corpos Existenciais, permanecendo unido, nos Corpos Existenciais, por outros Chakra denominados nadi[2].

Esta subdivisão faz com que a porção do Chakra “localizado” em um Corpo Existencial menos sutil seja menor do que a sua porção localizada em um Corpo Existencial mais sutil, dando-lhe um aspecto cônico e, consequentemente, resultando em que uma quantidade menor de vitalidade e de outros atributos superiores se encontre presente no Corpo Existencial menos sutil.

Tendo em vista essa rede de vitalidade propiciada pelo Chakra, seja pelos chakra que unem os Corpos Existenciais entre si, seja pelas nadi que unem os Corpos Existenciais correspectivamente, é possível se estabelecer que os Corpos Existenciais são formados ao seu redor e se nutrem da Vitalidade que transita pelo Chakra.

No Corpo Energético, onde supostamente é mais conhecido, o Chakra se apresenta como uma miríade de chakra e nadi.

Os chakra são agrupados e classificados no Corpo Energético de acordo com a sua capacidade de transmissão e, consequentemente, função, em chakra mínimos, menores, maiores, secundários, principais e primordiais.

Os chamados de primordiais estão reunidos em dez grupos: o Muladhara ou Adhara ou Fundamental; o Svadhishthana ou Adhishthana ou Shaddala ou Genésico ou Sexual; o Manipura ou Manipuraka ou Nabhi ou Umbilical; o Esplênico; Gástrico ou Solar; o Anahata ou Hritpankaja ou Rirupana ou Cardíaco; o Vishuddha ou Kantha Padma ou Shodasha Dala ou Laríngeo; o Ajna ou Bhru Madhya ou Dvidala Padma; o Soma ou Amrita ou Indu ou Cerebral ou Frontal; e o Sahasrara ou Shunya ou Niralambapuri ou Coronário.

Enquanto as nadi também apresentam subdivisões de acordo com o seu fluxo de energia, as chamadas de principais são em número de quatorze: Sushumna; Ida; Pingala; Gandhari; Hastajihva; Yashasvini; Pusha; Alambusha; Kahu; Shankhini; Sarasviti; Payasvini; Varuni; e Vishvodara.

Ao se localizar no Corpo Físico, pela ação do Agente Modelador, o Chakra se torna menos sutil e se manifesta na forma de sistemas.

A exemplo do que ocorre no Corpo Energético, que possui “Tela Etérica” ou “Tela Búdica” como “filtros”, o Corpo Físico possui o sistema imunológico e o linfático, que desempenham a mesma função. As nadi se manifestam como os sistemas cardiovascular, o digestório, o nervoso, o esquelético, o endócrino e o muscular. Já os sistemas sensorial, excretor, urinário e reprodutor[3] atuam como os chakra que unem o Corpo Físico ao próximo Corpo Existencial mais denso, o Planeta.

O Planeta, por sua vez, também possui suas nadi (que recebem o nome de Linhas Ley), e seus chakra (que recebem o nome de Nodos ou Mecas), que unem os Corpos Existenciais do Planeta e auxiliam na sua jornada de sutilização, na qual o Planeta se liberta de seus Corpos Existenciais mais densos, mantendo os mais sutis[4].

Notas:

[1] Costuma-se estabelecer que o Corpo Emocional possui, dentre outros, os seguintes atributos: a plasticidade, a densidade, a ponderabilidade, a luminosidade, a penetrabilidade, a visibilidade, a expansibilidade, a bicorporeidade, a tangibilidade, a sensibilidade global, a sensibilidade magnética, a unicidade, a mutabilidade, a capacidade refletora, o odor e a temperatura. Estes atributos também podem ser encontrados em outros Corpos Existenciais.

[2] A palavra nadi tem a raiz sânscrita nad que significa “movimento”, dando a ideia de “correnteza”.

[3] O sistema reprodutor também tem atuação de chakra, pois, por intermédio do sistema reprodutor é que outro Eu pode se manifestar no Planeta, contribuindo não só com a sua jornada existencial, mas também com a do Eu que está encarnado no Planeta.

[4] Tal processo de sutilização do Planeta é conhecido por alguns como “transição planetária” e faz com que o Eu “encarnado” no Planeta comece a se tornar mais consciente de que ele é parte integrante de um todo, do seu Sistema Planetário, aproximando-o, cada vez mais e à medida que se sutiliza, dos outros Planetas, incluindo da Estrela em torno da qual orbita, tendo em vista que esta também é um Planeta, porém em estado bem mais sutilizado do seu grupo.

À medida que o Sistema Planetário se sutiliza, ele também passa por transformações, transmutando-se infinitamente em outros corpos mais sutis, como os observados pelos astrônomos modernos em sua classificação da evolução estelar, que culmina em um Buraco Negro, um chakra que une esse Corpo Existencial ao estágio no qual o Eu será submetido às experiências vivenciadas no Reino Mineral “encarnado” diretamente em um corpo mineral; depois no mineral que se encontra dentro do reino vegetal; depois no mineral que se encontra dentro de um corpo do reino animal; depois no mineral que se encontra dentro de um corpo do reino hominal; para então vivenciar as experiências diretamente no Reino Vegetal; depois um aspecto vegetal dentro do reino animal; depois no aspecto vegetal dentro do reino hominal e assim sucessivamente, passando, inclusive, pelo aspecto hominal dentro do reino angelical, na Senda Infinida, no eterno e natural caminho sem começo e sem fim, no Sanatana-Dharma.

Assim, no interior de cada Corpo Existencial, habitam infindáveis Eus, que veem aquele Corpo Existencial como o Absoluto, como Aquele que É, como Deus, pois “vós sois deuses”.

~ Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalista.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/corpo-e-chackra/

Para ser feliz (parte 1)

No Taiti, uma das belíssimas ilhas da Polinésia Francesa, Everaldo Pato está içando as velas do seu barco com a ajuda do amigo, da esposa e da filha. O cenário é deslumbrante e, logo após, o barco começa a velejar por um mar cristalino, num clima paradisíaco. Isso tudo filmado e registrado para o novo programa do Canal OFF, da TV a cabo, chamado Nalu a Bordo.

Everaldo é surfista profissional e já rodou as mais belas praias do mundo atrás da dança que o oceano faz quando encontra a praia. Como tantos outros surfistas do circuito profissional que envelhecem e têm filhos, ele poderia simplesmente voltar ao Brasil e criar Nalu, sua filhinha, de maneira convencional, numa escola erguida no seu país natal, e não numa ilha estrangeira, mas para ser feliz, para realmente ser feliz, Everaldo sabia que precisava continuar bailando com o mar pelo maior tempo possível.

Não foi da noite para o dia que o seu sonho se tornou possível. Foram anos de preparação. Nalu, a filha pequena, precisou estudar anos no Havaí para poder se adequar totalmente ao inglês, uma vez que teria de continuar seus estudos online, direto do barco. Fabiana, a esposa e cinegrafista do programa, precisou acompanhar a ambos na aventura, e abandonar as comodidades de poder viver e criar uma filha pequena numa cidade relativamente grande, abastecida de escolas, parques e shoppings…

Mas em busca dessa tal felicidade que escorre pelos dedos como a areia das praias do Taiti, eles se sacrificaram, e ninguém poderá dizer que não merecem a felicidade que conquistaram. No entanto, é até estranho de se pensar, mas mesmo velejando na Polinésia, distantes das notícias de guerras, de terrorismo, de corrupção e crises econômicas, mesmo nesse paraíso, nenhum deles parece conseguir ser inteiramente feliz todo o tempo. Claro, Everaldo mostra estar em êxtase quando desce as ondas em sua prancha, e sua mulher é a cara da felicidade quando contempla sua filha crescer, literalmente, conhecendo o mundo. Mas eles são adultos, e adultos dificilmente estão felizes todo o tempo.

Com a filha, Nalu, já não é o caso. Como tantas outras crianças que cresceram com pais amorosos e carinhosos (e não apenas as que velejam o mundo), ela parece ter chegado a este mundo com um manual de como ser feliz todo o tempo. Mas, como infelizmente sabemos, tal manual, um dia conhecido por tantos de nós, também será esquecido…

Não é que Nalu não passe por momentos de dor e tristeza, mas é que eles parecem ser raros, e bem compreendidos pelo que de fato são – algo passageiro, pois há sempre outra brincadeira mais adiante. Em As Leis, sua obra mais extensa, e que deixou inacabada, Platão nos esclarece muito bem tal questão:

Quando crianças as primeiras sensações pueris a serem experimentadas são o prazer e a dor, e é sob essa forma que a virtude e o vício surgem primeiramente na alma; mas no que concerne à sabedoria e às opiniões verdadeiras [aletheia], um ser humano será feliz se estas o alcançam mesmo na velhice, e aquele que é detentor dessas bênçãos, e de tudo que abarcam, é de fato um homem perfeito. [1]

O filósofo grego acreditava nisso que nossa intuição tenta nos mostrar todos os dias desde que aqui desembarcamos, isto é, que na experiência imaculada das crianças tanto o prazer quanto a dor são melhor discernidos do que na vida adulta, pois que, de alguma forma, a sua percepção da verdade [aletheia] ainda não foi esquecida, ocultada, perdida, como ocorre com a maior parte dos que vivem por muitos anos nesse mundo brutal que entorpece os sentidos, engana a alma, e por vezes nos faz confundir o que é dor e o que é prazer. Assim, nos perdemos do que poderia nos conduzir a virtude, ou seja, saber discernir o prazer da dor, e poder, como as crianças,  optar por ser feliz todo o tempo.

Everaldo Pato não é filósofo e muito menos um homem perfeito, mas quando desce as ondas com sua tábua de resina, e baila com o próprio oceano, ele não está mais preocupado com a audiência do programa, com as notas da filha, ou com a sua conta bancária. Por breves momentos, sob o sol do Taiti, Everaldo se lembra do que é verdade: para ser feliz, basta estar no mundo, basta abrir os olhos, a alma, e dançar com o próprio momento, basta ser.

Logo depois, a onda passa, o sol se põe, e Everaldo esquece tudo de novo. E assim é com todos nós…

Segundo o filósofo Mario Sérgio Cortella, “a felicidade é uma vibração intensa, um momento em que sentimos a plenitude da vida dentro de nós, e desejamos que isto se eternize. É a capacidade de ser inundado por uma alegria imensa por um instante”, e prossegue: “Aliás, felicidade não é um estado contínuo, mas uma ocorrência eventual, sempre episódica. Você sentir a vida vibrando, seja num abraço, seja na realização de uma obra, seja numa situação em que seu time vence, ou algo que você fez deu certo, ou ouviu algo que queria ouvir, é claro que isso não tem perenidade. Ora, a felicidade marcada pela perenidade seria impossível, afinal de contas nós só temos a noção de felicidade pela sua carência. Se fosse contínua, não seria percebida. Nós só sentimos felicidade porque ela não acontece o tempo todo.”

Essa aparente contradição com o que estávamos dizendo ocorre precisamente porque estamos imersos num mundo de linguagem, que nos possibilita viver mais integrados a uma sociedade global, mas que também nos confunde, pois os termos, as palavras, os conceitos, são inteiramente incapazes de abarcar as sensações, a experiência, a verdade de se estar aqui, existindo.

Assim, se a felicidade não dura por ser o oposto da tristeza, e se o prazer não dura por ser o oposto da dor, é preciso tentarmos ir além do próprio termo, “felicidade”, descascá-lo para tentar encontrar o sentimento que reside ali, e que vive além do tempo. Por isso mesmo, quando falamos que as crianças são felizes todo o tempo, é porque elas não estão preocupadas em “serem felizes”, de fato elas não estão nem aí para a própria definição do que seja “a felicidade”. A sua alegria eternizada, o seu contentamento perene ante a vida, nasce justamente daquela antiga intuição, daquela verdade que nasceu com elas, e foi lentamente, dia a dia, sendo esquecida. Até que algum adulto veio e lhes perguntou, “Você está feliz? Você é feliz?”, e elas caíram na armadilha de tentar responder.

***

Nessa pequena introdução a um tema tão simples, porém coberto por complexidade, e tão essencial, porém envolto em superficialidade, tentei transparecer de alguma forma de qual “felicidade” estamos falando aqui: uma felicidade que não é o oposto da tristeza, que não é ganha para ser perdida e nem perdida para ser ganha, mas que, de alguma forma, sempre esteve conosco, sempre esteve aqui, mais próxima de nós do que nossos olhos, pulsando tanto em nosso coração quanto junto às brisas do mar, e arrebentando nas praias de todo o mundo, neste exato momento, em todos os momentos.

E, se são somente as crianças que brincam de pega-pega por essas areias úmidas, para tentarmos descobrir o que é isso que nós adultos chamamos “felicidade”, mas que de fato não tem nome, nós teremos de tentar relembrar daquilo que sabíamos, mas que a linguagem soterrou em conceitos, e a vida adulta desmembrou em momentos distintos, nos confundindo… Para ser feliz, é necessário tentar resolver tal confusão.

» Na próxima parte, o manual para a vida…

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[1] Trecho de As Leis, Edipro, pág. 103 (tradução de Edson Bini).

Crédito das imagens: [topo] Nalu a Bordo/Canal OFF/Divulgação; [ao longo] GoPro/Divulgação

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do .

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Espiritualidade #Felicidade #Filosofia #Vida

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/para-ser-feliz-parte-1

A’Ano’Nin: O Diabo é uma Mulher de Vermelho

© Linda Falorio 1993.

No Tarô das Sombras, a carta de A’Ano’Nin fala com o lado negro de Atu XV, O Diabo dos tarôs tradicionais. O Diabo, conhecido nos ensinamentos esotéricos da Golden Dawn (Aurora Dourada) como O Senhor dos Portais da Matéria, e O Filho das Forças do Tempo, cai astrologicamente sob a égide do planeta Saturno, Cronos, Guardião do Tempo, a oitava superior da Lua em seu papel de significante dos ritmos lentos e inexoráveis ​da natureza. Alquimicamente, Saturno relaciona-se com as qualidades do chumbo, com a densidade e o peso da matéria, a solidez da Terra, a atração da gravidade que nos mantém no planeta, bem como o núcleo derretido do planeta.

Saturno, o planeta mais externo conhecido nos tempos antigos, definiu os limites do cosmos então conhecido e também define nossos limites e vulnerabilidades pessoais, tanto físicas quanto psicológicas. Onde a Lua, o brilhante satélite da Terra, nutre a vida terrena, o escuro e distante Saturno define as limitações inerentes à estrutura e forma da vida. Frio e escuro, Saturno nos remete ao Norte geofísico, a direção de onde a energia orgone flui para nossa teia de vida, discernível como a aurora pulsante da aurora boreal. Saturno, portanto, também está associado ao inverno, dezembro no Hemisfério Norte, quando o Sol entra em Capricórnio, o signo nativo de Saturno.

No Tarô das Sombras, O Diabo, embora na maioria das vezes pensado como tipicamente masculino, em vez disso, vira um rosto feminino para nós como Set, deus egípcio dos desertos com cabeça de burro, Shaitan dos Yezidis que moram no deserto, cujos devotos adoravam voltados para o norte. Nesta carta encontramos a alma em escravidão aos sentidos e à terra: a matéria governando o espírito. No entanto, onde no tarô tradicional a ideia da matéria dominando o espírito foi vista como má, no Tarô das Sombras experimentamos isso como uma condição a ser buscada. O feminino há muito tem sido caluniado, mas há verdade nisso, pois se a existência terrena é vista como um mal a ser suportado a caminho de algum paraíso celestial, o feminino tem apenas dois papéis possíveis: o de psicopompo virginal, guiando a alma a Deus, como Beatrice fez para o poeta Dante Alighieri, ou a de sedutora, levando a alma de Deus, ligando o homem à terra como a porta física para o mundo material da sensualidade e satisfação do desejo animal através do sutil trabalho feromonal de seu corpo. De fato, a matéria (matter) é igual à mãe (mother), pois é ela que veste todas as coisas com forma, ela que mantém o feto em desenvolvimento em seu corpo, assim ela mantém nossos limites e nos mantém na realidade.

A’Ano’Nin nos chama para a dança luxuriosa do espírito revestido de forma. A alma é puxada para a encarnação pelo desejo. Encantados pelo arrebatamento dos sentidos, a miragem lançada sobre nós por nosso adorável planeta nos liga às bênçãos da terra, caímos no Tempo para que possamos nos deleitar com a alegria da existência física.

No pentagrama – a estrela de cinco pontas – vemos um antigo selo de proteção. Representa os quatro elementos dos Antigos — fogo, água, ar e terra — cujas infinitas combinações constituem o universo manifestado coroado pelo quinto elemento do espírito ao qual a humanidade aspira. Invertido, o pentagrama torna-se o signo de Pater Pan: “Pamphage, Pangenitor, o pai de todos, o progenitor de todos”. Ele representa o espírito gerador da terra fértil, o Deus dos Pés de Bode, Cernunnos, Capricórnio, Saturno – O Diabo, se você preferir – ninguém menos que o deus que “tem uma força espiral”, o espírito de A’Ano’Nin, que nos une a todos à vida.

Na carta de A’Ano’Nin, Set, o asno ruivo que passou a representar a paixão corporal e a luxúria, aparece como a sedutora Mulher Escarlate, ou Suvasini – “mulher de aroma doce” – seu corpo exalando poderosas essências feromoniais. Estes afetam as áreas límbicas do cérebro dos mamíferos primitivos que regulam os níveis mais básicos do comportamento instintivo. Há muito se sabe que as mulheres que vivem e trabalham juntas tendem a menstruar durante o mesmo período. Isso se deve à liberação de feromônios que desencadeiam hormônios em certas fases do ciclo menstrual, a biologia de uma mulher desencadeia a de outra, tudo ocorrendo inteiramente abaixo do nível de percepção consciente.

Nesta carta, as emoções intensificadas e a intensificação dos sentidos causadas por essa estimulação do antigo rinencéfalo, ou “cérebro do nariz“, através do olfato primitivo, são representadas graficamente. Sátiros e faunos são encontrados saltitando na bem-aventurança priápica engendrada, em uma selvagem Saturnália de paixão e desejo à qual Set dá o sinal de bênção. Este carnaval pagão (do L. carnem levare, “tirar a carne”, como alimento) da Saturnália era celebrado no final de dezembro, mês de Capricórnio, durante os sete dias anteriores ao Solstício de Inverno. Este festival, geralmente começando no dia quinze de dezembro, uma ocorrência interessante em que 15 é também o número dos arcanos maiores do DiaboAtu XV – comemorado o governo de Saturno, rei etrusco beneficente na lendária Idade de Ouro da paz, prosperidade , e felicidade universal, em que a ganância era desconhecida, nem havia escravidão ou propriedade privada, pois os cidadãos tinham todas as coisas em comum. A festa da Saturnália era marcada pela festa, folia e busca louca do prazer, em que os senhores trocavam de lugar com seus escravos, e todos comiam em uma mesa comum, mantendo viva a ideia de igualdade. Além disso, a guerra não pôde ser declarada e as execuções foram adiadas. Esta temporada, então como agora, era hora de dar e receber presentes.

Mas havia um lado mais sombrio na Saturnália romana. Foi também um período de licença, quando as restrições costumeiras da lei e da moral foram deixadas de lado, quando todos se entregaram ao prazer, e as paixões mais sombrias foram liberadas nunca permitidas no curso sério e sóbrio da vida comum. A personalidade humana foi autorizada a se dissolver na loucura, alimentando-se do mundo sombrio dos sentidos enquanto as mênades (também conhecidas como as bacantes) se banqueteavam com suas vítimas, despedaçadas na adoração extática de seus deuses.

A Saturnália, embora seja um festival antigo, tem uma semelhança impressionante com as práticas nativas atuais daqueles que vivem no alto das montanhas andinas do Peru. Em certas épocas do ano, esses nativos organizam festas selvagens acompanhadas de muita mastigação de folhas de coca. Durante o festival eles tocam flautas e tambores, se envolvem em ritos eróticos públicos e se entregam a lutas sangrentas, bebendo cerveja de milho e conhaque durante a noite até atingir o estupor.

O Diabo, sempre uma carta difícil de interpretar, muitas vezes tem sido explicado como a alma ou espírito em escravidão aos sentidos e à terra. Quando esta carta está ativa em nossas vidas, estão envolvidas questões de poder e controle, escravidão e submissão. A competição entra em jogo, alimentada pela ganância material e pela ambição de chegar ao topo. Os métodos podem ser encobertos, envolvendo manipulação sutil e “jogar política” para ganhar o jogo. Assim, o Diabo, Capricórnio, pode ser visto como o homem organizacional arquetípico. Ele acredita na hierarquia, no trabalho duro e na tradição, acredita no controle das paixões e emoções animais, no autocontrole e na submissão à autoridade, no sacrifício de sua individualidade em favor do bem comum. Isso, em sua mais alta expressão, apoia a criação de uma sociedade na qual o espírito humano possa ser sustentado e nutrido.

Como cada ideia contém a semente de seu próprio oposto, o Diabo como A’Ano’nin torna-se aquele selvagem, indomável espírito animal luxurioso dentro de nós, aquela força extática cega da natureza que é uma expressão da fertilidade e abundância da terra. No entanto, essa expressão livre e alegre do espírito humano é temida como arrogância (hubris) que constitui um perigo social, ameaçando as próprias ideias de hierarquia, estrutura, autoridade e controle sobre as quais as sociedades se baseiam. Portanto, para funcionar e sobreviver, uma sociedade descobre que deve colocar limites ao comportamento individual definido como perturbador para o bem comum do grupo. Além disso, para que não se transforme em anarquia e caos, deve haver um consenso de significado, um acordo sobre o que constitui sua razão de existência, seus propósitos e planos.

O indivíduo, uma vez que se tornou um perigo para o status quo, despertando a ansiedade de que o universo humano possa desmoronar no caos e a incerteza deve ser reprimido e colocado sob controle social. A sociedade, para justificar suas ações na preservação de sua estrutura de poder, apela aos estabelecimentos combinados de igreja, estado e medicina para definir tais indivíduos como “pecadores”, como “criminosos” ou “loucos” no velho jogo de “culpe a vítima”, ou bode expiatório.

A submissão a uma hierarquia morta que deixou de fornecer pouco significado ou contexto social além do imperativo ideológico de preservar sua própria capacidade de perseguir ganância e ambição materiais, gera pobreza de espírito, desesperança, desamparo e depressão, que podem eventualmente explodir em violência, raiva e agressão, ameaçando a estrutura de poder com a própria incerteza e caos que tanto teme.

Não deveria surpreender que tal liberação de energia reprimida, como encontramos na antiga Saturnália, ou nos modernos ritos peruanos, muitas vezes degenerou em orgias selvagens de luxúria e crime, nas quais talvez possamos identificar um tipo antigo de prática corrente perturbadora conhecida como “selvageria“. No entanto, a louca onda de violência e agressão antissocial aleatória de gangues conhecida como selvageria, também pode ser vista como resultado da repressão do indivíduo por uma sociedade que dá pouco significado além da busca de ganância e ambição materiais, que, em vez de nutrir o espírito humano livre permite poucas oportunidades para sua expressão, gerando violência, raiva e agressão.

Quando nos encontramos presos a um sistema tão repressivo, em vez de seguir com o ciclo de repressão – depressão – raiva – violência, precisamos encontrar a capacidade de ver além da sabedoria convencional que nos adverte a observar silenciosamente o status quo, precisamos enxergar além das limitações sociais artificiais impostas ao comportamento. Em vez de explodir de raiva de nossos repressores, podemos então nos libertar com alegria para seguir o caminho com o coração, o ditame de nosso espírito e nossa Vontade.

Em Uma Leitura:

Quando usamos esta carta para meditação, ou quando a vemos em uma leitura, somos lembrados de viver através dos sentidos. É hora de voltar a entrar em contato com os ciclos da terra, de nos sintonizarmos com os vastos ritmos da natureza e com a sabedoria atemporal de nossos corpos. Precisamos ter tempo para voltar ao básico, perceber o mundano, apreciar e apreciar aqueles que nos rodeiam, com todas as suas falhas e falhas, na medida em que são expressões únicas das fases e ciclos que afetam a vida humana.

Às vezes, todos nos sentimos presos e estressados, frustrados pela sujeição a regras e regulamentos sem sentido. Encontramo-nos curvados à pressão social para nos conformarmos a padrões que achamos desprovidos de significado. Temos momentos em que tememos estar em perigo de nos tornarmos Mirmidões para a analidade corporativa e patriarcal, que sacrificamos obedientemente o melhor em nós, nossa vitalidade e juventude, às demandas da eficiência industrial em nossa busca por “avançar”.

Essa pressão social e excesso de trabalho tendem a bloquear as energias orgonômicas de nossos corpos, e podemos experimentar depressão, impotência sexual ou sentimentos vagos de ansiedade e culpa quando nos permitimos experimentar o prazer sensual. Ficamos nos sentindo isolados, presos, controlados, deprimidos e alienados da natureza e do corpo. Desejando escapar, podemos nos sentir atraídos por religiões ou outras visões de mundo que validam a negação do prazer sensual no aqui e agora, prometendo libertação através da transcendência do mundo material e do mundo dos sentidos. Por outro lado, quando buscamos nos libertar das sanções sociais e expressar nossa liberdade e prazer dos sentidos, podemos encontrar aqueles que, dando vazão a um senso de justiça vingativa baseada no medo, procuram impor sua moralidade sexual restritiva sobre outros — o que Wilhelm Reich chamou de “praga emocional“.

Esteja Aqui Agora“, permanecer no momento é o segredo de A’Ano’Nin, pois em sintonia com o mundo natural, encontramos a capacidade de extrair energia de cura e vitalidade do contato direto com a terra como o grego Tellus, derivou sua força. Um com a terra, somos capazes de encontrar pontos de poder e de “aterrar” forças potencialmente disruptivas, canalizando-as de volta para a terra que tudo aceita. Em nossa sintonia com a natureza, em nosso amor e aceitação da base da vida, em nossos próprios instintos naturais e humanidade, encontramos a capacidade de contatar todos os tipos de fadas, gnomos, silfos, ondinas e devas dos reinos da terra. , e se comunicar com todas as formas de vida. Sentindo-se uno com a expressão da vida, à vontade em um mundo holístico do qual a humanidade é uma parte natural, onde os instintos não são maus, onde tudo/todos/todo ato é aceitável como um desdobramento necessário da Sem Face, Hécate, La Belle Dame Sans Merci (A Bela Senhora Sem Misericórdia) – a Grande Deusa Insondável – ganhamos a capacidade de materializar o desejo no Aqui e Agora.

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A’Ano’Nin: The Devil Is A Woman Dressed In Red.

© AnandaZone 1998 – 2019. All articles and art © Linda Falorio unless otherwise noted.

Linda Falorio / Fred Fowler Pittsburgh, PA 15224 USA

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.


Participe do financiamento O Tarô das Sombras, de Linda Falorio

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/aanonin-o-diabo-e-uma-mulher-vestida-de-vermelho/

Daemon reimprime livros Clássicos de RPG

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A Daemon Editora lançou uma nova impressão de seus títulos clássicos de RPGs, para os colecionadores que queiram completar suas coleções e também para os novos RPGistas conhecerem aqueles que foram os mais importantes RPGs Nacionais da era de Ouro dos RPGs no Brasil.

– Anjos: A Cidade de Prata, um RPG onde os personagens são Anjos trabalhando para as Castas Celestiais da Cidade de Prata. Anjos explica detalhadamente as cinco castas que habitam a Cidade de Prata: Corpore, os Anjos da Guarda; Protetore, os anjos cabalísticos; Captare, os caçadores de demônios; Recípere, os negociantes de almas e Nimbus, os governantes celestiais para serem utilizados como personagens ou NPCs em sua campanha.

– Demônios: A Divina Comédia faz um passeio completo pelos nove círculos do Inferno, lar dos Demônios, Anjos Caídos e Perdedores na Guerra Celestial. Totalmente baseado nos livros A Divina Comédia e Paraíso Perdido, Demônios mantém-se fiel ao texto e às descrições de Allighieri e Milton.

– Vampiros Mitológicos. Totalmente baseado em culturas e lendas reais, traz a descrição completa das principais raças de vampiros, originárias das diferentes culturas e civilizações antigas.

– Spiritum: O Reino dos Mortos traz a explicação detalhada dos Planos Espirituais, Umbrais, Etéreos e Astrais; suas regras, suas criaturas, seus anjos, fantasmas e demônios.

– Abismo, provavelmente o mais macabro e pesado título da linha Arkanun/Trevas até agora, que vai fazer a alegria dos fãs de RPGs de horror. Escrito por Antônio Augusto Shaftiel, autor de Jyhad e a trilogia das Lanças de Christos, Abismo traz a descrição detalhada do Abismo, lar dos mais maléficos, distorcidos e pervertidos demônios de Infernun e Tenebras que assolam a Orbe Terrena. Descrições dos demônios mais importantes já citados nos livros da linha Arkanun (Magnus Petraak, Luvithy, Pyros…), seus poderes, influências e serviçais.

– Jyhad: Guerra Santa. Escrito por Antônio Augusto Shaftiel, o autor com o maior número de romances de RPG publicados no Brasil, com a capa espetacular de Vitor Ishimura (desenhista do RPG Conan, da Moongoose) e ilustrado por Ronaldo Barata, Ig e Eduardo Ferrara, Jyhad: Guerra Santa traz a descrição detalhada dos Anjos Judeus e Muçulmanos; suas relações com os Anjos Católicos e a Guerra Celestial no Oriente Médio, ampliada após os ataques de 11 de Setembro.

– ARKANUN, o RPG de horror na Idade das Trevas, possui toda a ambientação da Europa Medieval do século XIV onde você poderá jogar com Alquimistas, Rosacruzes, Cabalistas, Templários e Magos em meio a Anjos, Demônios e Inquisidores. Seus suplementos INQUISIÇÃO e TEMPLÁRIOS trazem regras para se jogar com duas das mais poderosas forças da Idade Média, os Cavaleiros do Templo de um dos lados e as Forças da Santa Inquisição do outro!

Além destes, Clássicos como CÃES DE GUERRA, um RPG ambientado na Segunda Guerra Mundial; ANIMERPG, um RPG com todas as regras que você precisa para adaptar qualquer tipo de Anime ou Mangá para RPGs. Escrito por Luka Chan, é o único RPG Brasileiro escrito por uma mulher e também um dos mais vendidos de todos os tempos! SUPERS-RPG traz regras completas para jogar campanhas de super heróis com um tom mais realista. E Maytreia, o RPG baseado nos textos esotéricos da Eubiose.

Finalmente, NEOKOSMOS traz um RPG baseado na Mitologia Grega, com seus heróis, monstros, deuses e criaturas sobrenaturais.

RPGQUEST
Para esquentar os motores na preparação do Boardgame RPGQuest – A Jornada do Herói, a Daemon traz de volta o Módulo Básico do RPGQuest; Se você nunca jogou RPG antes, sugerimos começar as aventuras pelo Módulo Básico, que é o maior e mais completo livro de RPG já publicado no Brasil. Ele possui 80 raças, 110 Classes, 200 habilidades, 100 armas, 120 deuses em 13 panteões, Magias, Psiônicos, Animais Familiares, veículos, 56 Mundos de Jogo e tudo mais que você precisa para criar aventuras em QUALQUER tipo de cenário. Também reimprimiu o GUIA DE MONSTROS, que traz mais de 680 monstros diferentes para colocar em ação nas suas campanhas, passando por dragões, demônios, mortos-vivos, trolls, abissais, asuras, goblinóides, dinossauros, fantasmas, aberrações, vampiros, monstros marinhos e gigantes, com mais de 440 ilustrações.

Você pode encontrar todos os RPGs da Daemon, junto com o Livro de Kabbalah Hermética, Enciclopédia de Mitologia, Tarot hermético e os Livros das Aventuras Mitológicas de Lilith, Isis e Hércules na Loja de RPG.

#Blogosfera #Jogos #RPG

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/daemon-reimprime-livros-cl%C3%A1ssicos-de-rpg

Do Enoque bíblico à gênese da Magia Enoquiana

Donald Tyson

A magia enoquiana é um sistema de teurgia, ou magia angelical, transmitida psiquicamente ao alquimista e vidente elizabetano Edward Kelley por um grupo de espíritos que veio a ser chamado de anjos enoquianos. Ao longo dos anos 1582-1587, os espíritos ditaram várias partes dessa magia para Kelley, ou a apresentaram na forma de visões enquanto Kelley olhava para uma bola de cristal.

Kelley repetia as palavras dos espíritos e descrevia as visões para seu amigo e empregador, o grande matemático, geógrafo e astrólogo Dr. John Dee. Dee sentou-se ao lado de Kelley durante as sessões de vidência com uma caneta na mão e papéis espalhados diante de si. Tudo o que Kelley dizia, Dee registrava literalmente. Graças ao método cuidadoso de Dee, as comunicações dos espíritos foram preservadas com a precisão de uma transcrição do tribunal.

Os anjos se identificaram para Kelley como os mesmos anjos que instruíram o patriarca Enoque na linguagem angélica e na sabedoria de Deus. Enoque foi o único patriarca do Antigo Testamento a ser elevado ao céu enquanto ainda estava vivo – pelo menos, esta foi a interpretação dos rabinos e cabalistas judeus de Gênesis 5:24: “E Enoque andou com Deus: e não se viu mais; porque Deus para si o tomou.” Todos os outros descendentes de Adão até Noé mencionado na Bíblia são explicitamente declarados mortos, mas não Enoque.

Ao longo dos séculos, uma tradição de sabedoria cresceu em torno de Enoque. Junto com Adão, Noé, Salomão e alguns outros, ele teria sido um dos responsáveis ​​por transmitir os ensinamentos primordiais dos anjos à humanidade. O livro apócrifo de Enoque surgiu dessa tradição. O evento-chave neste livro é uma descrição de como os anjos rebeldes, cobiçando as filhas dos homens, desceram à Terra e ensinaram à humanidade todas as artes e ciências do adorno, magia e guerra que semeiam conflitos em todo o mundo.

TEURGIA E GOETIA

De acordo com o anjo Ave, esses anjos maus foram autorizados a descer sobre a Terra e espalhar ensinamentos falsos e destrutivos porque os reis da Terra se tornaram arrogantes através do uso da sabedoria legada a eles por Enoque. Como punição, Deus enviou anjos falsos e enganadores para ensinar o que hoje é conhecido como magia negra. Desta forma, Deus permitiu que a humanidade fosse o instrumento de sua própria punição. No entanto, Ave diz a Kelley, Deus decidiu permitir que a verdadeira sabedoria de Enoque, como preservada em seus livros celestiais, seja novamente conhecida na Terra. Dee e Kelley deveriam ser os instrumentos de sua disseminação:

“O Senhor apareceu a Enoque, e foi misericordioso com ele, abriu seus olhos para que ele pudesse ver e julgar a terra, que era desconhecida de seus pais, por causa de sua queda; porque o Senhor disse: Mostremos a Enoque, o uso da terra: E eis que Enoque era sábio e cheio do espírito de sabedoria.”

E ele disse ao Senhor: Que haja lembrança da tua misericórdia, e que aqueles que te amam provem disto depois de mim: Oh, não seja esquecida a tua misericórdia. E o Senhor se agradou. E depois de 50 dias Enoque escreveu: e este foi o título de seus livros, aqueles que temem a Deus, e são dignos de serem lidos.

Mas eis que o povo se tornou perverso e se tornou injusto, e o espírito do Senhor estava longe e se afastou deles. De modo que aqueles que eram indignos começaram a ler. E os reis da terra disseram assim contra o Senhor: O que é que não podemos fazer? Ou quem é ele, que pode resistir a nós? E o Senhor se aborreceu, e enviou entre eles cento e cinqüenta leões, e espíritos de maldade, erro e engano; e eles apareceram para eles. Porque o Senhor os colocou entre os anjos bons aqueles que são maus. E eles começaram a falsificar as obras de Deus e seu poder, pois eles tinham poder dado a eles para fazê-lo de modo que a memória de Enoque se apagou e os espíritos do erro começaram a ensinar-lhes Doutrinas: que de tempos em tempos até esta era e até hoje, se espalhou por todas as partes do mundo, e é a habilidade e astúcia dos maus.

Assim eles falam com os demônios: não porque eles têm poder sobre os demônios, mas porque eles são unidos a eles na liga e disciplina de sua própria doutrina.

Pois eis que, como o conhecimento das figuras místicas e o uso de sua presença é o dom de Deus entregue a Enoque, e por Enoque aos fiéis, para que assim eles possam ter o verdadeiro uso das criaturas de Deus e do terra em que habitam: Assim o diabo entregou aos ímpios os sinais e sinais de seu erro e ódio para com Deus; condenação eterna.

A estes chamados caracteres são uma coisa lamentável. Pois por destes, muitas Almas pereceram.

Agora aprouve a Deus libertar esta Doutrina novamente das trevas e cumprir sua promessa contigo, para os livros de Enoque: A quem ele diz como disse a Enoque.

Que aqueles que são dignos entendam isso por ti, para que seja uma testemunha da minha promessa para contigo.”

Deus promete diretamente a John Dee, por meio de seu mensageiro, o anjo Ave, e por meio do vidente de Dee, Edward Kelley, que o sistema de magia que está sendo revelado a Dee é a sabedoria genuína de Enoque pela qual pode ser obtido “o uso da terra”. Os cento e cinquenta leões, “espíritos de maldade, erro e engano” são os mesmos anjos caídos que, no Livro de Enoque, pecam com mulheres mortais e ensinam ciências corruptoras à humanidade. De acordo com Ave, esse falso ensinamento consistia principalmente em magia demoníaca, ou goetia.

É comum que os proponentes de um sistema de religião, filosofia ou magia afirmem que a sua é a única prática legítima e que todos os métodos que diferem dela são corruptores e falsos. Ao caluniar outras formas de magia, os anjos esperam elevar seus próprios ensinamentos e dar-lhes uma importância maior aos olhos de Dee.

Kelley, que antes de sua associação com Dee tinha um conhecimento considerável em primeira mão de necromancia e outras formas de magia negra, diz a Ave que a sabedoria de Enoque parece muito com magia comum para ele, mas Ave garante a Kelley. “Não, todos eles apenas brincaram com isso”, significando que todas as formas de magia, exceto a magia enoquiana, são meros brinquedos de que a magia enoquiana é a única teurgia verdadeira aprovada por Deus e aceita pelos anjos do céu.

OS PORTÕES E AS CHAVES

É importante entender que a magia enoquiana se preocupa apenas com a convocação ritual e o comando de anjos e espíritos inferiores. Ao falar sobre as evocações formais enoquianas conhecidas como Chamadas ou Chaves, o anjo Mapsama diz a Dee:

“Esses Chamados tocam todas as partes do Mundo. O Mundo pode ser tratado em todas as suas partes; Portanto, você pode fazer qualquer coisa. Esses Chamados são as chaves para os Portões e Cidades da sabedoria. Tais portões não podem ser abertos senão com aparição visível.”

Os portões para as cidades da sabedoria são quarenta e nove em número. No entanto, um dos portões é sagrado demais para ser aberto, então as chaves reais são quarenta e oito. As cidades da sabedoria são reinos espirituais habitados por diferentes hierarquias de anjos com funções distintas na terra. Essas cidades celestiais são representadas por quarenta e nove quadrados de números/letras extremamente complexos que contêm quarenta e nove linhas e quarenta e nove colunas. Tomados em conjunto, os anjos referem-se a esses quadrados como o Livro de Enoque. Um dos quadrados está representado em uma placa no início de Uma Relação Verdadeira e Fiel, de Meric Casaubon. Sobre esses quadrados mágicos, Nalvage diz a Dee:

Você tem 49 Tábuas: Nessas Tábuas estão contidas as vozes místicas e sagradas dos Anjos: as dignas e as em estado desgraça e encharcadas de confusão  que perfuram o Céu e olham para o Centro da Terra: a própria linguagem e fala das Crianças e Inocentes, que engrandecem o nome de Deus e são puras”.

As tábua servem como o solo caótico de onde as palavras das Chaves são extraídas letra por letra tortuosa durante as sessões de vidência. Kelley observava no cristal enquanto um anjo apontava para uma parte ou outra da tábua em questão e então mostrava a posição para Dee, que então procurava em sua cópia da tabua e escrevia a letra que era encontrada lá. As Chaves Enoquianas foram extraídas das tábuas e entregues desta forma, de trás para a frente e uma letra de cada vez.

As energias ocultas dessas tábuas são incorporadas coletivamente em uma única tábua de letras com quatro quadrantes chamada de Grande Tábua. É um diagrama esquemático mágico de todo universo enoquiano. Cada quadrante da Grande Mesa é conhecido como Torre de Vigia. As Chaves abrem os portões para as cidades dos anjos cujos nomes estão escritos nas Torres de Vigia e os chamam, junto com seus numerosos servos. Juntas, as quarenta e oito Chaves Enoquianas e a Grande Mesa das quatro torres de vigia formam o coração da magia enoquiana.

O LIVRO DAS FOLHAS PRATEADAS

Há outro livro falado pelos anjos que está indubitavelmente ligado ao livro dos quadrados mágicos. Dee é instruído a construí-lo com folhas em branco em preparação para receber a O Livro dos Espíritos já era uma prática comum da magia angelical na idade média. Eles continham os nomes, sigilos e, ocasionalmente, imagens dos espíritos que estão vinculados ao serviço do mago – geralmente após um trabalho ritual intenso e envolvente até alcançar a evocação inicial dos espíritos. Os próprios espíritos escreviam o livro, assinam-no com suas marcas e assinaturas, ou pelo menos juram obediência a ele. É claro que os espíritos não são realmente capazes de escrever no livro. Isso é realizado possuindo o mago sem sua consciência e usando o corpo do mago para escrever ou assinar o Livro dos Espíritos.

No caso de Dee, os anjos das quarenta e oito cidades espirituais que podem ser abertas pelas Chaves foram representados por símbolos ocultos que provavelmente continham combinações de letras e números. No entanto, nunca saberemos o que o Livro das Folhas Prateadas deveria conter, já que a cópia de Dee não sobreviveu. Esses sinais misteriosos deveriam ser inscritos em pergaminho prateado pela poderosa Mãe de muitos dos anjos enoquianos, um ser tão exaltado que ela se identifica apenas com o título EU SOU, que é equivalente ao nome hebraico de Deus, Eheich. Ela parece ser o mesmo anjo que é a Rainha do Céu de Apocalipse 12:1.

O TRABALHO ENOQUIANO

A inscrição do Livro das Folhas Prateadas de Dee ocorreria após um período de dezoito dias de trabalho ritual durante o qual uma evocação original composta por Dee e Kelley deveria ser dita a cada dia. Nos primeiros quatro dias de trabalho, Dee foi instruído por Ave a dirigir sua evocação apenas aos nomes de Deus; para após quatorze dias, Dee  evocar as hierarquias dos anjos pelos nomes específicos de Deus que regem cada um:

“Quatro dias… você deve invocar apenas esses nomes de Deus, ou o Deus dos Exércitos, nesses nomes: E 14 dias depois de você (neste, ou em algum lugar conveniente) deve Chamar os Anjos por Petição, e peloo nome de Deus, ao qual são obedientes.”

No 15º dia vocês se revestirão, em vestes feitas de linho branco: e assim terão a aparição, uso e prática das Criaturas. Pois, não é um trabalho de anos, nem de muitos dias.

As Criaturas às quais Ave se refere parecem ser os anjos dos Trinta Aethers ou Airs, que são representados pelas últimas trinta Chaves Enoquianas. Essas chaves são realmente uma única chamada ou convocação para trinta diferentes zonas ou esferas angélicas chamadas Aethers. Apenas os nomes dos Éteres mudam nas últimas trinta Chaves – eles são idênticos. Por esta razão, a décima nona Chave é conhecida como a Chave dos Trinta Aethers. Os Príncipes dos Aethers governam os espíritos menores das regiões ou reinos do mundo. Eram esses espíritos geográficos que Dee mais queria controlar.

Sobre as vestes e o livro usado durante este trabalho, Ave diz: “Você nunca deve usar o Garment depois, mas apenas uma vez, nem o livro.” Kelley objeta com bastante razão: “Para que fim o livro é feito então, se não for para ser usado depois.” Dee um tanto irritado escuta de Kelley: “É feito para ser usado naquele dia apenas..”

Há alguma ambiguidade aqui sobre qual livro está sendo discutido. Kelley parace falar do livro de nomes e invocações que ele e Dee são ordenados a criar. Sobre este livro de exercícios, que chamarei de Livro dos Espíritos de Dee, Ave diz a Dee: “O Livro consiste de Invocação dos nomes de Deus, e invocação dos Anjos e pelos nomes de Deus seus ofícios são manifestados”. Essa parece ter sido a função de todos o os dezoito dias de trabalho, e talvez de trabalho posterior. Dee realmente criou um modelo para este Livro dos Espíritos invocando os nomes de Deus e dos anjos. Estes formam o manuscrito de Dee Liber Scientiae Auxilii e Victoriae Terrestris, que ainda existe e é mantida na Biblioteca Britânica.

Já o anjo Ave provavelmente fala do livro de folhas em branco e prateadas que deve ser inscrito sobrenaturalmente por sua mãe. Este Livro de Prata seria usado apenas no único dia em que os anjos jurassem obediência a Dee. O prateamento das folhas sugere que a Mãe dos anjos é uma deusa lunar, e que a magia enoquiana é de natureza lunar. Segunda-feira (o dia da Lua) parece ser o sábado enoquiano.”

MAGIA ENOQUIANA PROIBIDA PARA DEE E KELLEY

Não há evidência de que Dee e Kelley alguma vez tenham conduzido este trabalho para usar o o poder dos anjos enoquianos. Eles estavam esperando a permissão dos anjos para fazê-lo, mas essa permissão nunca foi concedida.

Mapsama: Você pediu sabedoria, Deus abriu para você, seu julgamento: Ele entregou a você as chaves, para que você possa entrar; Mas seja humilde. Entre não de presunção, mas de permissão. Não entre precipitadamente; Mas seja trazido de bom grado: pois muitos subiram, mas poucos entraram. No domingo você terá todas as coisas que precisam ser ensinadas; então (conforme a ocasião servir) você pode praticar o tempo todo. Mas você está sendo chamado por Deus, e para um bom propósito.

Dee: Como devemos entender este Chamado de Deus?

Mapsama: Deus cala minha boca, não te responderei mais.”

É evidente para mim, a partir de um estudo minucioso das transcrições enoquianas, que os anjos pretendiam que Dee tivesse o sistema de magia enoquiana, mas nunca pretendiam permitir que ele realmente o usasse. Dee e Kelley serviram como instrumentos humanos através dos quais os anjos foram capazes de transmitir a magia enoquiana à raça humana. Gabriel diz a Dee e Kelley: “Mas em vocês dois está a hora de chegar.” Os anjos garantem a Dee e Kelley que eles continuarão a prosperar e a serem seguros enquanto permanecerem juntos, porque são duas partes de um único todo. “O Vidente deixe-o ver, e cuide do que ele vê, pois você é apenas um corpo nesta obra.”

Kelley recebeu o dom da segunda visão apenas para que ele pudesse ajudar Dee a receber a magia enoquiana.

Um vendedor obscuro poderia se gabar de sua beleza só porque recebe luz e clareza, por uma vela trazida ou brilhando nela? Não mais podes tu, (E.K.) para o amadurecimento de tua inteligência e  compreensão é através da nossa presença, e nossa iluminação. Mas se partirmos, você se tornará um vendedor obscuro e pensará muito bem de si mesmo em vão.”

Em outro lugar, o anjo Uriel, falando na voz de Deus, diz a Kelley: “Farei de ti um grande Vidente: Aquele que julgará o Círculo das coisas na natureza. Mas o entendimento celestial e o conhecimento espiritual serão selados de ti neste mundo.” Kelley é considerado pelos anjos como pouco mais do que um telefone psíquico através do qual eles podem alcançar a mente consciente de John Dee. Os anjos pouco toleram suas suspeitas e abuso verbal. Eles sabem que Kelley os detesta e os considera enganadores.

Os anjos respeitam Dee por sua grande piedade e sabedoria, mas mesmo ele não terá permissão para atingir a plena compreensão da magia enoquiana. O anjo Gabriel diz isso a Dee e faz mais referência à necessidade de Dee e Kelley permanecerem juntos como uma unidade orgânica (mesmo ao ponto de compartilhar suas esposas em comum, um evento futuro prefigurado aqui):

“Nunca conhecereis os mistérios de todas as coisas que foram ditas. Se vocês amarem juntos, e habitarem juntos, e em um só Deus, então o mesmo Deus se compadecerá de vós, que vos abençoará, vos consolará e fortalecerá  vocês até o fim.”

Dee e Kelley eram duas metades de uma máquina humana para receber e registrar os mistérios das comunicações angélicas. Kelley tinha a habilidade de perceber os anjos e seus ensinamentos. Dee teve a inteligência para entendê-los e transcrevê-los com precisão e corrigir quaisquer erros que ocorressem durante sua transmissão. Nenhum homem poderia ter gerado o sistema de magia enoquiana sozinho. Cada um atuou como um catalisador para o outro.

*Excerto da obra Magia Enoquiana para Iniciantes

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/do-enoque-biblico-a-genese-da-magia-enoquiana/

Não procure seu EU na mente

Os problemas da mente não podem ser solucionados ao nível da mente. Depois de ter compreendido a disfunção básica, não há muito mais a aprender ou a compreender. Estudar as complexidades da mente poderá fazer de você um bom psicólogo, mas isso não o levará para além da mente, tal como o estudo da loucura não basta para criar saúde mental. Já compreendeu o mecanismo básico do estado inconsciente: a identificação com a mente, a qual cria um falso eu, o ego, como substituto para o seu eu verdadeiro enraizado no Ser. Você torna-se como que um “ramo cortado da árvore”, como disse Jesus.

As necessidades do ego são inúmeras. Ele sente-se vulnerável e ameaçado e por isso vive num estado de medo e de carência. A partir do momento em que você compreende os mecanismo da disfunção básica, deixa de ser preciso explorar todas as inúmeras manifestações do ego, de fazer dele um problema pessoal complexo. É evidente que o ego adoraria isso. Andando sempre à procura de alguma coisa a que se agarrar, a fim de sustentar e fortalecer a sua ilusória sensação de identidade, o ego prontamente se agarrara aos seus problemas. É por isso que uma grande parte da sensação de identidade de tantas pessoas está intimamente ligada aos seus problemas e a última coisa que essas pessoas querem é livrar-se deles; porque isso representaria a perda do “eu”. Inconscientemente, o ego investe muito na dor e no sofrimento. Portanto, ao reconhecer que a raiz da inconsciência é a identificação com a mente, o que evidentemente inclui as emoções, você sai dela. Torna-se presente. Quando está presente, você pode permitir que a mente seja aquilo que é sem se enredar nela. A mente em si não é disfuncional. É um instrumento maravilhoso. A disfunção instala-se quando você procura nela o seu eu e faz dela a sua identidade. Torna-se então a mente egóica e dirige toda a sua vida.

Enquanto você estiver identificado com a sua mente, o ego dirigirá a sua vida, e uma parte intrínseca da mente egóica é uma sensação profundamente enraizada de falta de algo, ou de não estar completo, de não ser total. Em algumas pessoas, é uma sensação consciente, noutras inconsciente. Quando é consciente, manifesta-se na forma de um inquietante e constante sentimento de não ser digno ou suficientemente bom. Quando é inconsciente, só se sente indiretamente, sob a forma de uma intensa ânsia de possuir, de uma carência, de um precisar de qualquer coisa. Em qualquer dos casos, as pessoas começam muitas vezes a tentar satisfazer o ego de forma compulsiva e a procurar coisas com as quais se possam identificar, a fim de preencherem o vazio que sentem dentro de si. E lançam-se atrás de bens materiais, dinheiro, sucesso, poder, prestígio, ou um relacionamento especial, basicamente para se sentirem melhores consigo próprias, para se sentirem mais completas. Mas depois de alcançarem todas essas coisas, descobrem rapidamente que o vazio continua a existir, que ele não tem fim. É então que começam os problemas a sério, porque elas não se conseguem iludir mais a si próprias. Bem, na verdade conseguem, e até o fazem, mas torna-se muito mais difícil.

Já que o ego é uma sensação derivada do eu, precisa de se identificar com coisas exteriores. Precisa de ser defendido e alimentado constantemente. As identificações mais comuns do ego têm a ver com bens materiais, com o trabalho que você faz, o seu estatuto e prestígio social, os seus conhecimentos e educação, a sua aparência física, os seus relacionamentos, aptidões especiais, historial pessoal e familiar, convicções – incluindo as convicções políticas, nacionalistas, raciais, religiosas e outras identificações coletivas. Nada disso é você próprio.

NADA EXISTE FORA DO AGORA

Já algum dia experimentou, ou fez, ou pensou, ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Pensa que algum dia isso acontecerá? Acha que é possível que alguma coisa aconteça ou seja fora do Agora? A resposta é óbvia, não é verdade?

Nunca nada aconteceu no passado; acontece no Agora.

Nunca nada acontecerá no futuro; acontece no Agora.

Aquilo que você considera o passado é uma memória, armazenada na mente, de um antigo Agora. Quando relembra o passado, você reativa uma memória – é o que você está a fazer agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente. Quando o futuro chega, chega como Agora. Quando pensa no futuro, você está a pensar agora. E óbvio que o passado e o futuro não possuem uma realidade que Lhes seja própria. Tal como a Lua não tem luz própria, mas só pode refletir a luz do Sol, também o passado e o futuro não passam de pálidos reflexos da luz, do poder e da realidade do sempiterno presente. A sua realidade é “pedida emprestada” ao Agora.

A essência do que lhe estou a dizer aqui não pode ser entendida pela mente. No momento em que você entender o seu significado, há uma mudança na consciência da mente para o Ser, do tempo para a presença. De repente, tudo parecerá vivo, irradiará energia, emanará o Ser.

A CHAVE PARA A DIMENSÃO ESPIRITUAL

Em situações de emergência, em que a vida é ameaçada, uma mudança na consciência, do tempo para a presença, acontece por vezes naturalmente. A personalidade, que possui um passado e um futuro, recua momentaneamente e é substituída por uma intensa presença consciente, muito serena, mas ao mesmo tempo muito vigilante. Seja qual for a resposta necessária, ela surgirá então desse estado de consciência.

A razão pela qual algumas pessoas gostam de se lançar em atividades perigosas, como por exemplo montanhismo, corridas de automóveis, ou outras parecidas, muito embora o possam desconhecer; é porque assim se sentem forçadas a entrar no Agora – esse estado intensamente vivo onde não há tempo, não há problemas, não há pensamento, não há o fardo da personalidade. Se esquecerem do momento presente, nem que seja por um segundo, poderão pôr em risco as suas vidas. Infelizmente, acabam por se tornar dependentes de uma determinada atividade para entrarem nesse estado. Mas você não precisa de escalar a face norte do Eiger. Pode entrar nesse estado agora.

Desde os tempos antigos que os mestres espirituais de todas as tradições apontam para o Agora como sendo a chave para a dimensão espiritual. Não obstante, parece que tal continua a ser um segredo. Não é de certeza ensinado nas igrejas nem nos templos. Se você freqüentar uma igreja, poderá ouvir leituras dos Evangelhos tais como “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo (Mat 6:34)”, ou “Ninguém que ponha as mãos no arado e olhe para trás é digno do Reino de Deus (Luc 9:62)”. Ou poderá ouvir a passagem sobre os lírios do campo que não se mostram ansiosos pelo amanhã, mas vivem à vontade no Agora intemporal e dos quais Deus toma conta. A profundidade e a natureza radical desses ensinamentos não são reconhecidas. Ninguém parece compreender que se destinam a ser vividas e a proporcionar assim uma transformação interior.

Toda a essência do Zen consiste em caminhar ao longo do fio da navalha do Agora – estar tão absolutamente e tão completamente presente que nenhum problema, nenhum sofrimento, nada que não seja quem você é na sua essência possa sobreviver em si. No Agora, na ausência do tempo, todos os seus problemas se desfazem. O sofrimento precisa do tempo; não pode sobreviver no Agora. Muitas vezes, para afastar do tempo a atenção dos seus estudantes, o grande mestre Zen, Rinzai, costumava levantar um dedo e perguntar lentamente: “O que é que está faltando neste momento?” Uma pergunta extraordinária que não exige uma resposta ao nível da mente. Destina-se a atrair fortemente a sua atenção para o Agora. Uma outra pergunta semelhante na tradição Zen é a seguinte: “Se não agora, quando?”

O Agora também é essencial nos ensinamentos Sufis, o ramo místico do Islão. Os Sufis têm um ditado: “O Sufi é filho do tempo presente”.
E Rumi, grande poeta e mestre Sufi, declara: “O passado e o futuro impedem-nos de ver Deus; queima-os a ambos com fogo”.
Mestre Eckhart, um mestre espiritual do século XIII, resume tudo de uma forma muito bela: “O tempo é aquilo que impede a luz de nos alcançar. Não há maior obstáculo para alcançar Deus do que o tempo.”

Fonte: O poder do Agora; Eckhart Tolle

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/n%C3%A3o-procure-seu-eu-na-mente

A Origem territorial dos Espíritos da Quimbanda Brasileira

Esse tópico é deveras controverso, afinal, existem certas particularidades dentro do Culto de Exu e Pombagira que esbarram no “Ego” de alguns seguidores. Portanto, essa é uma visão da Corrente 49 e cabe-nos apresentar ao público como forma de demonstrar nossas engrenagens espirituais e a forma que construímos nossas atividades.

Todos que já frequentaram alguma casa/templo/terreiro de qualquer segmento religioso que professa Exu e Pombagira já se depararam com seguidores/filhos/adeptos incorporados com tais espíritos. Não é difícil que dentre tais contatos (Homens X Espíritos) algumas histórias (estórias) tenham sido relatas -através das pessoas incorporadas- acerca da origem dos mesmos. Acreditamos que esses momentos sejam os grandes responsáveis pela disseminação de um dos maiores erros da Quimbanda Brasileira: As Origens de Exu e Pombagira.

Não é incomum vermos pessoas incorporadas com espíritos vindos de todas as partes do mundo, com relatos incríveis e até históricos. Ciganas da Espanha, cavaleiros templários, bruxos celtas, índios norte-americanos, egípcios, sumérios, gladiadores, samurais e até (pasmem) elementais. Quando nos deparamos com essas “personalidades espirituais” começamos a nos indagar acerca da veracidade contidas nas histórias desses Mestres, bem como da estrutura energética motivadora que os fez rasgar os véus do tempo/espaço fazendo-os se adaptar a uma nova “roupagem”.

A grande questão é: Você realmente conhece seu Mestre (a) espiritual? Sabe o que serve?

Em primeiro lugar, cabe-nos explicar algo simples e real para iniciarmos essa longa explanação: O que nasceu no Brasil derivou-se de homens e mulheres que aqui habitaram à época dos fatos e dos ancestrais espirituais que os acompanharam ao longo dessa trajetória. A Quimbanda foi composta de três troncos básicos: Brancos (europeus), Nativos Ameríndios e Africanos. Obviamente que cada um desses povos tinha um legado espiritual próprio e a mistura dos mesmos gerou uma nova ancestralidade, bem como adaptou e modificou costumes e crenças tradicionais. Isso é História.

Mesclar etnias faz com que não exista uma regência, ou seja, nenhum desses povos é condutor da espiritualidade conseguinte. Assim sendo, ocorreram diversas manifestações espirituais no território nacional onde a mesma força energética foi denominada com nomes diversos. Devido a esse FATO é que a Quimbanda é tão plural no que diz respeito à sua atuação, regência, número de legiões e tronos. Mas mesmo diante tantas diferenças, algo realmente importante nos aponta a origem territorial de todos os Mestres Quimbandeiros: A língua falada.

No Brasil, todos os Exus e Pombagiras se comunicam em língua portuguesa. Alguns mestres mesclam palavras, expressões e outras figuras de linguagem como forma de demonstrar sua origem, entretanto, a língua portuguesa (ora – brasileira) é oficial dentro do Culto da Quimbanda Brasileira. Muitas vezes constatamos que a língua falada pelos espíritos (quando incorporados) possui uma gramática muito similar à língua portuguesa mais remota; o que demonstra a temporalidade e a Legião ao qual esse espírito pertence aponta-nos, através das palavras e trejeitos, qual região esse espírito pertenceu. Se conversarmos com um Exu Pantera Negra claramente veremos uma Língua Portuguesa mesclada a alguma língua nativa (ameríndia), mas ao conversarmos com um Exu Sete da Lira constataremos o uso de uma linguagem menos coloquial acrescida de palavras e termos estrangeiros (muito presentes no Reino da Lira). Nesse exato ponto podemos começar a traçar Exu e Pombagira como espíritos oriundos de um determinado local, ou melhor, que estiveram materialmente vivos em uma determinada época e dentro de um território específico.

Todos nós temos uma ancestralidade sanguínea. Se seguirmos pelos galhos de nossas ‘Árvores Genealógicas’ chegaremos à ancestrais estrangeiros. Uns possuem ancestrais próximos, enquanto outros em muitas gerações passadas. Essa ancestralidade direta não é responsável pela formação do enredo espiritual da Quimbanda (e que isso fique claro). Os espíritos formadores da LTJ 49 nos ensinaram que existe a manifestação da ancestralidade através da incorporação verdadeira e a manifestação das “memórias ocultas” que nada mais é do que um acontecimento anímico. Um sonambulo (que não está incorporado) pode ser capaz de falar em línguas estrangeiras e até se portar de forma diferente da usual.

Assim como em outras vertentes espirituais, a Quimbanda compreende e crê na reencarnação. Se todos nós já reencarnamos, obviamente que vivemos em diferentes épocas, sob a pressão de culturas, línguas e religiosidade diversa à contemporânea. Apesar de nossas memórias superficiais serem completamente adaptadas (apagadas) a um novo momento (nova reencarnação), nosso subconsciente pode acessar essas memórias a qualquer momento (mesmo que involuntariamente). Toda essa explicação mostra que algumas pessoas que acreditam incorporar um espírito estrangeiro podem estar atrelados ao próprio subconsciente e não ter ligação espiritual alguma. Não somos especialistas na área, mas podemos supor que falar com sotaques estrangeiros pode ser até um sinal de distúrbio cerebral (vide síndrome do sotaque estrangeiro). Se falar nos ‘golpes espirituais’.

Todo caso é um erro? DEFINITIVAMENTE NÃO! Alguns espíritos que viveram em terras brasileiras vieram da Europa e da África com trejeitos próprios e mal falavam a língua portuguesa corretamente. Quando iniciam o processo de compartilhamento sentem enorme dificuldade de se comunicar e levam anos para reaprender a língua falada. Mas esses espíritos necessariamente devem ter vivido e morrido (materialmente) em um determinado espaço. No nosso caso: O Brasil.

Não adianta a pessoa crer que seu Exu/Pombagira tenha sido egípcio (por exemplo) na encarnação anterior, pois isso não corresponde à realidade. O espírito pode até ter vivido em tal tempo/espaço, mas para estar se manifestando sob os códigos da Quimbanda a última encarnação deve ter sido na terra correspondente ao código. Seguindo esse exemplo, o fato da pessoa falar palavras em egípcio, reconhecer papiros, sentir-se atraído pela cultura e até se reconhecer como parte dela nada simboliza para a Quimbanda. Tudo isso é ‘memória ancestral’ e não contato com espíritos egípcios. O verdadeiro Exu dessa pessoa pode ter sido um cafetão que vivia disputando territórios em uma vila abandonada nos recônditos brasileiros.

A língua portuguesa é a chave para compreendermos a ação desses espíritos. Não estamos limitando-os a um código, afinal, esse foi feito pelos próprios espíritos. Estamos olhando nossos mestres sem o ego, sem nenhum tipo de preconceito, sem nenhuma limitação. Exus e Pombagiras são grandes fontes de conhecimento e sabedoria, podem usar conhecimento de todas as épocas em suas explanações, conseguem manipular diversos tipos de energia, mas tudo isso dentro dos padrões que reconhecemos. Um Exu pode falar sobre todos os aspectos cabalísticos, pois na formação da Quimbanda existiram centenas de judeus “neo-convertidos” exilados às nossas terras através do ‘Santo Oficio’, entretanto, quando começamos compara-los com os espíritos estrangeiros estamos errando grosseiramente. Exus e Pombagiras são espíritos que estiveram em situações similares as nossas, reconhecem nossas fraquezas porque um dia padeceram delas.

O aspecto mais importante, talvez o mais fundamental de toda Quimbanda é conhecer seus Mestres e saber enxergar a verdade por trás da ‘máscara de Exu’. Quando um adepto reconhece que seu Mestre é a personificação de um caminho onde suas fraquezas serão vencidas, torna-se o próprio MESTRE. Sem isso, sem entender que a complexidade do Culto Brasileiro está justamente na trajetória humana que se transformou no caminho de fogo que Exu percorre, não existe quimbandeiro e sim adorador de si próprio e de seu ego deformado. Exu usa suas alcunhas como apontamentos de suas origens energéticas e seu campo de ação. A falta de um nome próprio é prova de que esses espíritos se conectam compartilhando, doando ou extraindo (vampirizando) energias. Como dito anteriormente, se você não sabe quem é seu Mestre, está totalmente a mercê dele.

Jamais, sob hipótese alguma, acredite em histórias de Exus e Pombagiras que morreram em terras longínquas, em outras culturas e vieram atraídos pela caridade e amor para sanar suas pendencias espirituais. ISSO É A MENTIRA QUE OS MANIPULADORES IMPLEMENTAM A ANOS! Até a História da Rainha Padilha esses miseráveis tentam manipular, como se a própria Rainha tivesse vindo ao Brasil. Pense: Se não fosse as bruxas exiladas (que cultuavam a Rainha Maria Padilha) será que a Quimbanda a cultuaria? Obviamente que não! O compromisso de um adepto de Exu e Pombagira é estar em constante evolução! Evoluir é aprender na teoria e na prática, afinal, pratica cega é mecânica e teoria sem prática é filosofia. Um Exu falando deve ser respeitado porque são as palavras de um Mestre, um grande espírito que sabe exatamente o que vivemos (ele viveu também), porém, não podemos esquecer que muitos fazem mal-uso desse conhecimento, entorpecem as pessoas com falácias e teatro. Mas não cabe a nós apontarmos “fulano ou beltrano” como expoentes. Cada um de nós é responsável por aquilo que crê!

“Conheça seu Mestre e torne-se o próprio! ” Exu Caveira – 2001

Fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/origem-dos-espiritos

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-origem-territorial-dos-espiritos-da-quimbanda-brasileira/