A aurora de Malévola (parte final)

« continuando da parte 1

Face a face

O período em que Aurora cresce em meio a floresta encantada, sendo cuidada, de forma oculta, por Malévola e seu corvo fiel, é na minha opinião o ponto alto do filme. Elas chegam a se encontrar quando Aurora ainda é criança, mas é na cena em que Malévola se revela, ainda que de forma relutante, para Aurora, que chegamos a um dos grandes momentos da história.

Malévola está escondida nas sombras dentre as árvores, enquanto Aurora está sob a luz que penetra mesmo naquele canto sombrio da floresta. Lembremos aqui que a própria floresta vai se tornando sombria na medida em que Malévola, sem suas asas e nutrindo o seu ódio pelo rei larápio, vai se tornando mais e mais reclusa. Ora, a única coisa que impede que Malévola se torne definitivamente a bruxa má, e deixe de ser uma fada, é a presença de Aurora, a quem ela chama de “peste” mas, ainda assim, nutre uma afeição crescente e verdadeira.

Neste encontro entre as duas, Malévola supõe que seria Aurora quem teria medo dela, mas é Aurora quem indaga se Malévola tinha receio em se revelar, e em seguida diz, “Eu sei quem é você, você é a sombra que sempre esteve por perto, cuidando de mim, você é a minha fada madrinha”. Para compreender a profundidade deste encontro, devemos lembrar do que dizia Joseph Campbell, grande estudioso de mitologia do século XX [1]:

Há uma velha história que ainda é válida. A história da busca. Da busca espiritual… Que serve para encontrar aquela coisa interior que você basicamente é. Todos os símbolos da mitologia se referem a você. Você enfrentou o seu monstro interior? Você renasceu? Você morreu para a sua natureza animal e voltou à vida como uma encarnação humana?

Ora, sob este ponto de vista podemos notar que Aurora assume um papel duplo na história. Enquanto numa camada mais superficial ela continua sendo a Bela Adormecida, numa camada mais profunda desta releitura do mito, ela é a própria Malévola; ou melhor, ela é a essência mais pura, a alma de fada de Malévola, enquanto que a bruxa má é a sombra ressentida, a carcaça do ego que se afundou no ódio ao mundo que a violentou.

E por que Malévola tinha ao mesmo tempo, tanto amor e tanta raiva de Aurora, tanto ódio e tanto medo? Para compreender, nada melhor do que ouvir as palavras do grande Alan Moore, ocultista e roteirista de quadrinhos britânico [2]:

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com “E” maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é, particularmente, a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura?

Creio que isto explica muito bem todo o medo que Malévola tinha de encarar sua alma, sua aurora, face a face. Mas este é o tortuoso caminho que todos nós temos de percorrer, sejamos fadas, duendes ou seres humanos, pois que é somente ao nos reconciliarmos com nossa essência mais íntima que poderemos enfim transformar o mundo – primeiro dentro de nós, e em seguida, também lá fora.

Voltando a história…

A história do filme prossegue, e Aurora está prestes a completar 16 anos e sucumbir a terrível maldição, quando encontra um cavaleiro que passava pela floresta encantada, perdido e procurando o caminho para o castelo do rei larápio.

Aurora, que nunca havia saído da floresta, mesmo assim aponta o caminho correto, e os dois combinam de um dia se reencontrar… É preciso lembrar que este jovem cavaleiro é o único ser humano (não faérico) além de Aurora a perambular pela terra das fadas. Como ele poderia estar lá, se não fosse por se tratar de uma alma pura, como a própria Aurora?

Neste momento fica subentendido que seria este jovem aquele quem daria o “beijo de amor verdadeiro” para livrar Aurora da maldição, mas esta releitura do mito transcorrerá de forma bem mais interessante…

A fuga de Aurora

Por um descuido das “tias fadas”, Aurora acaba sabendo que, na realidade, era filha do rei larápio. Nesta altura, o desejo dela era morar “para sempre” na floresta encantada, então ela vai encontrar mais uma vez com Malévola, quando acaba descobrindo que ela era quem havia proferido a terrível maldição que selaria o seu destino. Aurora e Malévola brigam e a jovem foge para as terras do rei larápio, buscando se apresentar como sua filha.

É preciso lembrar que antes desta briga Malévola chega a tentar desfazer a sua maldição. Porém, como ela “não poderia ser desfeita por nenhum poder na terra, além do beijo de amor verdadeiro”, ela acaba falhando.

Ao encontrar sua filha, o rei larápio, já paranoico e extremamente insensível, apenas manda que a deixem trancada nalguma torre do castelo. Ele planeja atacar a floresta encantada com todo o seu exército.

Enquanto isso, o jovem cavaleiro acaba retornando a terra de Malévola, em busca de Aurora. Ao se aperceber disso, o corvo de Malévola a convence a tentar levar o rapaz até o castelo, para desfazer a maldição com o seu aguardado beijo. Prontamente, Malévola faz o rapaz dormir com um feitiço e começa a jornada até o castelo do rei.

O misterioso amor verdadeiro

Pouco antes de adentrarem o castelo, Malévola sente que a maldição profetizada havia se consumado: Aurora havia encontrado “todos os teares do reino” escondidos nos calabouços do castelo e, quase que hipnotizada pela maldição, espeta seu dedo num fuso e cai em seu sono infindável. Esta cena demonstra a inevitabilidade do seu destino, o que é muito comum em se tratando de contos de fadas.

Então chegamos a outra cena grandiosa do filme. Malévola consegue adentrar sorrateira, com o corvo e o jovem cavaleiro em seu sono enfeitiçado, aos aposentos onde se encontra a Bela Adormecida em seu sono sepulcral. A seguir, Malévola e o corvo se escondem num canto e ela desfaz o feitiço, permitindo que o jovem acordasse bem em frente ao leito de Aurora.

No entanto o jovem, muito sabiamente, pergunta se “não seria errado beijar uma jovem em seu sono”… Mas uma das “tias fadas”, que “velavam” a Bela Adormecida, diz algo como, “Vai, pode beijar!”, e o cavaleiro arrisca o seu beijo de amor verdadeiro. E não ocorre absolutamente nada!

Malévola aparece e faz o rapaz dormir novamente, então lamenta profundamente que a sua própria maldição não possa ser desfeita, visto que, como ela imaginava, “não existe o amor verdadeiro”. Ela dá então um beijo na testa da Bela Adormecida e, quando já se preparava para ir embora, Aurora desperta e diz, “Oi, fada madrinha”.

Quão misterioso é, afinal, o amor verdadeiro! Não algo que pode surgir do nada, de um encontro casual entre dois jovens, por mais puros que sejam; não algo que surja a primeira vista, mas algo que pulsa e pulsa, em nosso interior mais íntimo, nos recônditos da eternidade!

Reencontrar o amor verdadeiro faz com que Malévola se reconcilie com sua alma e com seu passado, e deixe definitivamente de ser a bruxa má, para voltar a ser a fada. Agora, não mais uma fada inocente e inexperiente, mas uma fada que viu o quão grosseiro pode ser o mundo fora de sua floresta encantada, e que ainda assim consegue manter a conexão com a sua essência eterna.

O retorno das asas

Na sequencia da história, enquanto tentavam fugir do castelo sem serem vistas, Malévola é pega numa armadilha com uma rede de ferro (o contato com o ferro fere gravemente as fadas – a alquimia explica), e então precisa combater o rei larápio e os seus guardas.

A batalha ia muito mal para Malévola (mesmo com seu corvo transformado num assombroso dragão), mas é então que Aurora, em sua fuga da batalha, acaba encontrando as asas trancafiadas de Malévola. Ela derruba a caixa de vidro onde elas estavam, e elas saem voando em direção a Malévola, unindo-se novamente ao seu corpo.

A essa altura já deve ter ficado clara a simbologia de toda a cena: as asas retornam quando Malévola consegue se reconciliar com sua essência, e transformar o seu ódio novamente em amor pelo mundo. Mas ainda faltava o rei larápio…

Ao tentar fugir voando, o antigo amigo de Malévola consegue se engalfinhar em suas pernas com o auxílio de uma arma de corrente, e os dois acabam lutando no topo de uma das torres do castelo. Em dado momento, Malévola poderia o ter enforcado até a morte; mas ela desiste, e diz, “Acabou!”.

De fato, para ela havia acabado o ódio, ela finalmente o havia perdoado. Perdoar não significa relevar o ocorrido, nem exatamente esquecer, mas reconhecer que o ódio e o ressentimento são apenas represas para o amor, e o amor, o amor verdadeiro, uma vez encontrado, deseja romper todas as represas, deseja inundar o mundo todo… Não há ressentimento que resista a tamanho milagre!

Infelizmente não foi a conclusão a qual o rei larápio chegou… Tentando atingi-la por trás, ele acaba caindo da torre e morrendo.

Depois, no final do filme, ficamos sabendo que Aurora e o jovem cavaleiro iriam se casar, e que a floresta encantada voltara a ser como era antes, na infância de Malévola. E assim, todos viveram felizes para sempre.

Joseph Campbell também dizia que “o mito é algo que não existe, mas que existe sempre”. Os mitos são, afinal, os fatos da alma e da mente humana encenados no mundo externo. Por isso são atemporais, pois os assuntos da alma residem na eternidade, e embora não existam na realidade mundana, existem na realidade da imaginação. A única forma de viver feliz para sempre é viver neste caminho que leva a nossa essência mais íntima, a nossa aurora.

***

[1] Trecho de O Poder do Mito.

[2] Trecho de The Mindscape of Alan Moore.

Crédito da imagem: Malévola – O filme (Divulgação)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

***

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

» Veja também nossa página no Facebook

#Cinema #contosdefadas #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-aurora-de-mal%C3%A9vola-parte-final

A Historia cultural dos Vampiros

A crença em criaturas vampíricas provavelmente remonta às experiências humanas muito antes do advento da palavra escrita. Tanto um temor respeitoso em relação aos mortos como uma crença nas propriedades mágicas do sangue podem ser encontradas em culturas do mundo todo. Contos modernos e antigos sobre chupadores de sangue , voadores noctívagos e sobrenaturais, tais como a Lamia (Bruxa, na mitologia grega) , são caracterizadas, sob muitas formas, em várias culturas mundiais.

O conceito específico dos mortos retornando para atacar e alimentar-se do sangue dos vivos encontrou sua maior expressão na Europa cristã. No século XII, o historiador William de Newburgh relatou diversos casos de mortos retornando para aterrorizar, atacar e matar durante a noite. Identificou esse tipo de espírito maligno com o termo latino sanguisuga. Na maioria dos casos sobre os quais escreveu, a única solução permanente era desenterrar e queimar o corpo do assaltante acusado.

Embora nenhuma crença prolongada nesses seres tenha continuado entre os ingleses, a onda de relatos virtualmente idênticos varreu grandes áreas da Europa oriental, do século XVI ao século XVIII. Uma grande variedade de termos foi desenvolvida para designar esses seres, tais como variações do termo sérvio vulkodlak (extraído da palavra que designa o lobisomem). Outros termos usados na Sérvia , vampir (de origem questionável) e palavras relacionadas (como a palavra russa upyr), também se desseminaram.

Ao longo do tempo , esses relatos sobre vampirismo se infiltraram na Europa ocidental, onde se tornaram foco de discussão intelectual. Em 7 de janeiro de 1732, um relatório oficial foi assinado pelo cirurgião do regimento de campanha Johannes Fluckinger, do governo austríaco (e três de seis assistentes), detalhando suas investigações sobre vampirismo na Sérvia. O relatório indicava diversas mortes na vila de Meduegna cinco anos antes, cuja culpa recaíra sobre um homem chamado Arnold (Paole) Paul, que alegara ter sido mordido certa vez por um vampiro e subseqüentemente morrido. Alguns acreditaram que ele tinha voltado do mundo dos mortos e os estava atormentando. Seu corpo, quando exumado, parecia estar em bom estado, mas o sangue escorria de sua cabeça e mais sangue espirrou quando foi açoitado. O cirurgião de campanha e seus assistentes estavam investigando uma nova onda de ataques alegadamente vampíricos na área quando examinaram outros supostos vampiros, que foram desenterrados. Oito, cuja aparência foi considerada extraordinariamente fresca, foram queimados.

Dom Augustin Calmet, um abate beneditino e renomado estudioso da Bíblia, publicou um tratado sobre os vampiros em 1746, no qual narrou, entre outros relatos, a história de Arnould Paul. Apresentou várias explicações racionais, mas também deixou em aberto a possibilidade de que algo sobrenatural poderia estar ocorrendo.

Vampira de MunchUm jovem escritor e médico do século XIX que pode ter se familiarizado com as teorias de Calmet sobre os vampiros foi John Polidori, um imigrante italiano residente na Inglaterra. Em 1816, durante um certo período, Polidori foi companheiro de viajem do aclamado poeta e escritor Lord Byron. Enquanto estava com Byron e um pequeno grupo de pessoas hospedadas na Villa Diodati, nas cercanias de Genebra, Polidori se juntou aos que, por sugestão de Byron, inventavam histórias de fantasmas para seu mútuo entretenimento. Uma das presentes era Mary Shelley, cuja história se transformou mais tarde no clássico romance de horror Frankesntein. A história de Byron era sobre um homem à beira da morte, que fazia seu companheiro de viagem jurar que não revelaria sua morte a ninguém. Anos mais tarde, Polidori juntou a idéia básica de Byron com um motivo vampírico. Usando Byron como modelo, criou o vampiro Lord Ruthven, um aristocrata viajante que atraía e matava mulheres inocentes a fim de se alimentar de seu sangue. Sua historia inspirou diversas peças de teatro e outras obras de criação durante o século XIX.

Em 1872, uma imagem mais inovadora para o vampiro foi apresentada pelo escritor irlandês Sheridam Le Fanu, com o lançamento de seu conto “Carmilla”, que incorpora as crenças vampíricas a uma ambientação gótica. A historia gira em torno de uma vampira que desenvolve uma longa ligação com uma vítima do sexo feminino. Insinuações eróticas nesse estranho e sinistro vínculo entre vampira e vítima ecoam ao longo de toda a história.

Em fins de século XIX, o romance Dracula, de Bram Stoker, iniciou a era da ficção que continua até hoje. Dracula criou o vampiro vilão definitivo, utilizando elementos dos trabalhos de Polidori e Le Fanu para produzir um pano de fundo gótico para a história de um predador aristocrático profano saído do túmulo, que hipnotiza, corrompe e se alimenta das lindas jovens que mata. Stoker revelou todo o impacto das conotações psicossexuais envolvidas no relacionamento entre vampiro e vítima, mostrando a notável semelhança entre ânsia de sangue dos mortos-vivos e a sensualidade reprimida dos simples mortais. Um elo psíquico ainda mais profundo está indicado quando uma vítima do sexo feminino é forçada a beber o sangue de Drácula como parte de sua transformação em vampira.

Após o lançamento do extraordinário romance Dracula, em 1897, poucos romances foram publicados durante mais de meio século, e os que foram não eram dignos de nota. Porém na primeira metade do século XX novos romances e contos do gênero horror injetaram sangue novo ao tema. Particularmente em revistas de produção precária do tipo “horror”, como Weird Tales.

Cinema e TV

Todavia, uma grande influência sobre a percepção pública do vampiro veio de filmes exibidos para grandes audiências. Boa parte dos primeiros filmes não conseguiu atrair o público no lançamento. O filme mudo alemão de 1922, Nosferatu, Eine Symphonie des Garuens, dirigido por F.W. Murnau, retratou com sucesso um vampiro de aparência mórbida e revoltante. Outros se seguiram a este como London After Midnight, em 1927.

Bela LugosiVampiro (1932) é um rigoroso e sombrio espetáculo de morbidez orquestrado pelo diretor Carl Dreyer, um dos nomes mais importantes da história do cinema. Porém os filmes das décadas de 1920, 1930 e 1940 consagraram alguns atores como lendas vivas do mito do vampiro , como o filme Drácula da Universal , estrelado por Bela Lugosi, Ao contrário do que muita gente pensa, o ator austro-húngaro Bela Lugosi interpretou Drácula nas telas em apenas duas ocasiões. Drácula (1931), da Universal, e Às Voltas com Fantasmas (1948), ao lado da dupla cômica Abbott & Costello. Entretanto o papel lhe marcou de forma tão definitiva que Bela chegou a ser enterrado vestido com os trajes de vampiro.

Outros como Christopher Lee chegaram a fazem um verdadeiro PHD de vampiro, de tanto que interpretaram o papel, ele fez simplesmente sete filmes como o conde Drácula, de Vampiro da Noite (1958) até Os Ritos Satânicos de Drácula (1973). Detestava a imagem do vampiro, mas retornou ao papel em Conde Drácula (1970), Uma Dupla em Sinuca (1970) e Drácula, Pai e Filho (1977). Filmes de vampiros sempre foram um grande sucesso a exemplo de “Bram Stoker`s Dracula”, (Copolla, 1992) ou “Entrevista com o Vampiro” (Neil Jordan, 1994). Não podemos esquecer também das várias séries de TV sobre o tema que pipocaram durante várias décadas.

Alguns anos após o término de uma cultuada série de TV sobre vampirismo conhecida como Dark Shadows, em 1971, apareceu um romance que retratava o vampiro tanto como herói trágico como anti-herói. Interview with a Vampire, de Anne Rice , publicado em 1976, faz uma apreciação altamente introspectiva da vida de um vampiro chamado Louis. A autora pinta um retrato macabro de uma pessoa altamente erudita e sensível que é atirada, sem saber , no fantasmagórico mundo dos vampiros. Louis é forçado a lidar com sua imortalidade enquanto procura algum sentido de identidade em sua existência de assassino movido a sangue.
Em 1980, para brindar as sessões da tarde criam-se diversas versões adolescentes e de terror explícito do mito do vampiro. A Hora do Espanto (1985) é a visão moderna do vampiro no sucesso que revigorou o gênero em plena década de 1980, com humor corrosivo, cenas escabrosas que abusam de sangue e gosma cenográficos e efeitos visuais espetaculares.

Cena de Drácula de Bram StokerOs anos 90 lideraram uma verdadeira explosão de interesse pelos vampiros. A revolução da TV a cabo e do vídeo cassete e posteriormente do DVD tornou acessíveis quase todos os numerosos filmes sobre o tema, muitos desses estavam inclusive fora de catálogo e foram relançados em formato digital. Uma torrente sem fim de romances vampíricos foi lançada. Um crescimento contínuo de romances sobre vampirismo em forma de seriados alcançou números sem precedentes para um único personagem do amplo universo do terror.
O aclamado Drácula de Bram Stoker (Copolla, 1992) traz uma adaptação fiel do livro de Bram Stoker, mostrando a busca do Conde Drácula pela reencarnação de sua amada. No século XV, um líder e guerreiro dos Cárpatos renega a Igreja quando esta se recusa a enterrar em solo sagrado a mulher que amava, pois ela se matou acreditando que ele estava morto. Assim, perambula através dos séculos como um morto-vivo e, ao contratar um advogado, descobre que a noiva deste é a reencarnação da sua amada. Deste modo, o deixa preso com suas “noivas” e vai para a Londres da Inglaterra vitoriana, no intuito de encontrar a mulher que sempre amou através dos séculos.

Cena de Entrevista com o Vampiro Entrevista com o Vampiro (1994), baseado no romance de Anne Rice é uma releitura do mito, carregada de ambigüidades sexuais. Em pleno século XX, um vampiro concede uma entrevista a um jovem repórter, contando como foi transformado em uma criatura das trevas pelo vampiro Lestat, na Nova Orleans do século XVIII. Uma curiosidade do filme é que Anne Rice ficou terrivelmente surpresa com a escolha de Tom Cruise para o papel de Lestat, entretanto ao ver a atuação de Cruise ela chegou a fazer um pedido de desculpas público em virtude do bom desempenho do ator.

 

Assim aparecem filmes como “Um drink no inferno” (1996, Tarantino) que teve continuações, e retrata vampiros como bestas assassinas e sedentas de sangue, num clima de roadie movie com terror escatológico.

‘Blade – O Caçador de Vampiros (1998), surgiu baseado em um herói dos quadrinhos da Marvel, um ser metade humano e metade vampiro, movido pelo desejo de vingança contra aquele que o transformou nesse ser híbrido ao atacar sua mãe antes mesmo dele nascer. O filme rendeu mais uma seqüência, e a terceira parte está para estrear nos cinemas. O filme é violento e mostra vampiros brigando pelo poder como se fossem uma espécie de máfia, não faltam efeitos especiais, cenas de luta e parafernália eletrônica.

A Sombra do Vampiro No século XXI a moda dos vampiros permanece e ganhou até um folego extra. A Sombra do Vampiro (2000, Merhige), filme de ficção sobre os bastidores do clássico alemão, sugere que Schreck era um vampiro real contratado pelo diretor F.W. Murnau para dar maior realismo à história. Outro filme recente sobre o tema é Drácula 2000, de diretor Patrick Lussier, uma adaptação para os tempos atuais da clássica história do Conde Drácula. Em 2002 mais um livro de Anne Rice é adaptado para o cinema (mas sem o apuro da anterior), A Rainha dos Condenados (Rymer), baseado no terceiro livro de Rice sobre o tema, continua contando a história do vampiro Lestat, agora transformado em uma estrela do rock. Sua música acaba despertando a rainha de todos os vampiros, que tem por objetivo destruir a Terra. Para combatê-la, os demais vampiros imortais também despertam de seu sono. Recentemente foi lançado, Underworld (2003), um filme de vampiros com uma estética copiada da trilogia de ficção científica, Matrix, que mostra Vampiros e Lobisomens numa guerra sem fim, e como outros filmes do gênero já promete uma seqüência. Pelo visto o cinema é um campo bastante propício para o vampirismo.

Histórias em Quadrinhos:

Os vampiros retornaram nas HQs. Entre outros encontros, Drácula confrontou Batman em Chuva Rubra (1992) e o mascarado Zorro numa HQ de 1993. O livro de Stoker ganhou inúmeras adaptações em quadrinhos, incluindo álbuns do genial Guido Crepax. Blade o Caçador de Vampiros, a exemplo do que aconteceu com vários heróis dos quadrinhos, chegou as telas dos cinemas, e já promete a terceira seqüência em filme. Não podemos esquecer da importância hoje dos quadrinhos japoneses, os famosos mangás, neste gênero se destaca a presença de Vampire Princess Miyu e Vampire Hunter D. Produzido em 1988, “Vampire Princess Miyu” é uma série de quatro OVA’s (disponíveis nos EUA), quatro volumes de quadrinhos (também disponíveis nos EUA) e seis histórias no fomato de rádio-novela, para CD (esses, só no Japão). Miyu é a vampira mais poderosa do mundo, sendo imune às armas tradicionais contra vampiros: cruz, alho, água benta e Sol. As histórias de Miyu apresentam um clima dramático e denso, sem contudo apelar para a violência explícita, tudo é muito sutil. O que impressiona na série é o forte apelo erótico sugerido apenas pelo olhar de Miyu e as mortes bastante cruéis dos Shimas. O roteiro é bem estruturando, renovando o tema vampiro de um maneira muito criativa.

A narrativa destes desenhos é feita por Kimiko, uma médium que não aparece nos mangás originais. Ela originariamente queria matar Miyu, mas convenceu-se de que as intenções da menina-vampiro não eram malignas. E surge uma estranha aliança entre ambas.
O autor de “Vampire Princess Miyu” é Narumi Kakinuchi. Nascido em Osaka, seu primeiro trabalho foi “Ideon Runaway” (Densetsu Kyo Shin Ideon). Outros trabalhos são as séries “Dangaioh”, “Iczer” e “Vampire Yui”, entre outros.

Quanto à Vampire Hunter D, é ambientado em um mundo futurista onde há uma nova Idade Média, Numa pequena vila, uma garota, Dóris, foi mordida por um vampiro. E não por qualquer vampiro. Pelo Conde Magnus Lee, que há séculos é o senhor daquele local. O conde pretende desposá-la. Mas Dóris não deseja se tornar uma vampira. E na cidade, lhe recusam ajuda, o merceeiro recusa-se mesmo a vender-lhe as mercadorias de que necessita. Falam em exilá-la para um antigo campo de párias, o que somente não fazem por medo: o Conde Magnus matou diversas pessoas da cidade da última vez que fizeram isso com uma das suas escolhidas. Dóris tem uma única esperança. D.

D é um caçador de vampiros. Deve ser bastante famoso, Dóris o encontra na estrada sabendo quem ele é, sem que nenhuma explicação seja dada. D é também um pouco mais que um caçador de vampiros.

Video Games

A saga de Drácula foi transportada para o universo dos games em Drácula: A Ressurreição e Drácula 2: O Último Santuário, aventuras em 3-D lançadas pela Infogames. O jogador assume o papel de Jonathan Harker e precisa desvendar enigmas, interagindo com dezenas de personagens.

Para algumas pessoas, isso vai além da mera simpatia pelo gênero para se tornar parte de um estilo de vida. Um exemplo disso está no cenário moderno da música gótica, no qual o gosto pelos vampiros e uma aparência vampírica estilizada são muito comuns.
Em resumo: Os vampiros são eternos.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-cultural-dos-vampiros/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/a-historia-cultural-dos-vampiros/

Quando Israel era menino, parte final

« continuando da parte 1

Texto de Mircea Eliade em “História das crenças e das ideias religiosas, vol. I” (Ed. Zahar) – trechos das pgs. 165 a 167. Tradução de Roberto Cortes de Lacerda. Algumas das notas ao final são minhas.

O jardim do Éden, com o seu rio que se dividia em quatro afluentes e levava a vida às quatro regiões da Terra, e as suas árvores que Adão devia guardar e cultivar, lembra o imaginário mesopotâmico. É provável que, também nesse caso, o relato bíblico utilize certa tradição babilônica. Mas o mito de um paraíso original, habitado pelo homem primordial, e o mito de um lugar “paradisíaco” dificilmente acessível aos seres humanos eram conhecidos além do Eufrates e do Mediterrâneo. Como todos os “paraíso”, o Éden [1] encontra-se no centro do mundo, onde emerge o rio de quatro afluentes. No meio do jardim elevavam-se a árvore da vida e a árvore da ciência do bem e do mal (Gênese II:9). Javé deu ao homem o seguinte mandamento: “Podes comer de todas as árvores de jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás de morrer” (II:16-17). Uma ideia, aliás desconhecida, destaca-se dessa proibição: o valor existencial do conhecimento. Em outros termos, a ciência pode modificar radicalmente a estrutura da existência humana [2].

Entretanto, a serpente conseguiu tentar Eva. “Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal” (III:4-5). Esse episódio deveras misterioso deu lugar a inúmeras interpretações. O cenário lembra um símbolo mitológico muito conhecido: a deusa nua, a árvore milagrosa e seu guardião, a serpente [3]. Mas, em vez de um herói que triunfa e se apodera do símbolo da vida (fruto milagrosos, fonte da juventude, tesouro, etc.), o relato bíblico apresenta Adão como vítima ingênua da perfídia da serpente.

Temos, em síntese, uma “imortalização” malograda, como a de Gilgamesh [4]. Pois, uma vez onisciente, tal como os “deuses”, Adão podia descobrir a árvore da vida (da qual Javé não lhe havia falado) e tornar-se imortal. O texto é claro e categórico: “Depois disse Javé: ‘Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!’” (III:22) E Deus pôs o casal para fora do paraíso e condenou-os a trabalhar para viver [5].

Voltando ao enredo evocado há pouco – a deusa nua e a árvore milagrosa guardada por um dragão –, a serpente do Gênese afinal teve sucesso no seu papel de “guardiã” de um símbolo de vida ou de juventude. Mas esse mito arcaico foi radicalmente modificado pelo narrador bíblico [6]. O “fracasso iniciatório” de Adão foi reinterpretado como uma punição amplamente justificada: sua desobediência denunciava seu orgulho luciferino, o desejo de assemelhar-se a Deus. Era o maior pecado que a criatura podia cometer contra seu Criador [7]. Era o “pecado original”, noção prenhe de consequências para as teologias hebraica e cristã. Essa visão da “queda” somente podia impor numa religião centralizada na onipotência e no ciúme de Deus. Da forma como nos foi transmitido, o relato bíblico indica a crescente autoridade do monoteísmo javista [8].

Segundo os autores dos capítulos IV-VII do Gênese, esse primeiro pecado não só acarretou a perda do paraíso e a transformação da condição humana, mas tornou-se de algum modo a fonte de todas as desventuras que se abateram sobre a humanidade [9]. Eva deu à luz Caim, que “cultivava o solo”, e Abel, “pastor de ovelhas”. Quando os irmãos ofereceram o sacrifício da gratidão – Caim, produtos do solo, e Abel, as primícias do seu rebanho –, Javé acolheu a oferenda de Abel, mas não a de Caim [10]. Irado, ele “se lançou sobre seu irmão e o matou” (IV:8). Agora, sentenciou Javé, “és maldito e expulso do solo fértil (…) Ainda que cultives o solo, ele não te dará mais seu produto: serás um fugitivo errante sobre a Terra” (IV:11-12)

Pode-se ver nesse episódio a oposição entre lavradores e pastores, e, implicitamente, a apologia destes últimos [11]. […] A tradição conservada no relato bíblico reflete a idealização da existência “simples e pura” dos pastores nômades, e a resistência contra a vida sedentária dos agricultores e dos habitantes de cidades. Caim “tornou-se um construtor de cidade” (IV:17) [12] […] O primeiro assassinato é portanto cometido por aquele que, de alguma forma, encarna o símbolo da tecnologia [13] e da civilização urbana. Implicitamente, todas as técnicas são suspeitas de “magia” [14].

***
[1] Nota do autor: Essa palavra foi relacionada pelos hebreus ao vocábulo é’dén, “delícias”. O termo paraíso, de origem iraniana (pairi-daeza), é mais tardio. Imagens paralelas, familiares sobretudo no Oriente Próximo e no mundo egeu, apresentam uma grande deusa ao lado de uma árvore da vida e de uma fonte vivificante, ou uma árvore da vida guardada por monstros e grifos.
Meu complemento: É interessante como ainda hoje, nas práticas de “mentalizações de cenários naturais”, tanto na umbanda quanto no espiritualismo em geral, ainda seja tão comum imaginarmos um jardim paradisíaco – isto é, como qualquer outro jardim onde haja apenas paz –, por onde passa um rio que flui de uma cachoeira – a fonte vivificante. Este tal jardim pode mesmo ter vindo da magia africana, ainda mais antiga do que Israel ou a tradição babilônica, ou mesmo de um lugar ainda mais arcaico, ancestral: nossa própria mente, a mente humana. Por isso, quando Joseph Campbell diz que “o Éden não foi e nem será, o Éden é”, ele realmente está falando sério, muito sério!
[2] O filósofo brasileiro, Mario Sergio Cortella, diz que “o homem é o único animal mortal”. Isto, pois, todos os outros animais (tirando, quem sabe, os elefantes) não tem a ciência da própria mortalidade. Somente o homem, que adquiriu tais conhecimentos (e muitos outros, pois que “conhece o bem e o mal”, isto é, possui razão), é “condenado” a mortalidade – pois sabe que irá morrer um dia.
[3] No processo de “demonização” da Deusa Mãe, e da magia antiga, associou-se Eva ao “pecado original”, e a serpente (o pobre bode expiatório), ao “Demônio”. É sempre interessante lembrar que por toda a mitologia dos povos arcaicos (bem mais antigos que Israel), a serpente é, pelo contrário, um grande símbolo de sabedoria. Aqui, novamente, recomendo consultarem o artigo Serpentes.
[4] Herói e rei sumério semilendário, retratado na Epopéia de Gilgamesh, texto central das mitologias suméria e babilônica.
[5] Eis que o próprio Antigo Testamento já atesta, desde seu início, aquilo que Jesus viria a dizer muito depois: “vós sois deuses”. Mas nem na época da elaboração do AT esta era uma ideia nova, no Antigo Egito já se conhecia, ao menos entre os iniciados, esta frase ancestral: “eu também sou da raça dos deuses”. Porém, seria Javé injusto por haver afastado Adão e Eva do paraíso, e da imortalidade concedida pela árvore da vida? Ou não seria uma justiça ainda maior que desse a oportunidade para que o homem e a mulher alcancem a ciência da árvore da vida por seu próprio mérito? “O Reino está espalhado pela Terra, mas os homens não o veem”.
[6] Antes de condenar o “narrador bíblico”, é preciso lembrar que a principal característica da elaboração de uma nova cultura para um “novo povo” é a supressão da cultura alheia. Nesse sentido, era “função” do “narrador bíblico” exatamente modificar radicalmente alguns mitos antigos, porém sem lhes desviar inteiramente da essência. Pois que os escritores eram suficientemente sábios e cultos para compreender que certas essências mitológicas não podem ser inteiramente suprimidas – pertencem ao espírito humano, e “existem sempre”.
[7] Paradoxalmente, era também exatamente o “pecado” que o Criador já esperava de sua criatura, como fica muito claro em qualquer mitologia sobre o tema.
[8] Nota do autor: O mito da “queda” nem sempre foi entendido de acordo com a interpretação bíblica. Principalmente a partir da época helenística e até os tempos do Iluminismo, inúmeras especulações tentaram elaborar uma mitologia adâmica mais audaciosa e muitas vezes mais original.
[9] De fato, como no mito onde Prometeu rouba o fogo divino e com ele cria a humanidade, o “pecado original” deu origem a própria humanidade, pois sem a ciência da própria nudez, dificilmente Adão e Eva nalgum dia teriam um filho.
[10] Teriam os cristãos radicais, críticos ferozes dos ritos do Candomblé, lido este trecho do Gênese?
[11] Ao menos a quem tem olhos para ver, quase todas as mitologias antigas trazem, num “código meio cifrado”, a própria história dos povos arcaicos. O embate dos caçadores-coletores errantes, ou grandes povos nômades, contra os primeiros agricultores, ou mesmo as primeiras grandes aldeias onde se estocavam grãos, é tema corriqueiro dos mitos de “pós-criação”. Em nosso artigo sobre a mitologia do deus Odin, falamos sobre a guerra entre os vanir (sedentários, agricultores) e os æsir (nômades, caçadores), que essencialmente trata do mesmo tema, só que na região do norte europeu. Enquanto a mitologia nórdica “privilegia” os caçadores nômades (pois foi elaborada por eles), no relato bíblico, da mesma forma, os pastores nômades são exaltados, enquanto que os cultivadores sedentários (representados por Caim) são “banidos”. Nota-se que, neste caso, os pastores hebreus provavelmente entravam em conflito com os agricultores das terras por onde passavam com seu rebanho. A diferença é que os nórdicos æsir venceram a guerra, enquanto que a vida dos pastores hebreus deve ter sido bem mais difícil (de certa forma, o é até hoje: a própria existência do estado de Israel é questionada pelos povos em seu entorno até os dias modernos).
[12] Resta saber qual deus criou a mulher que Caim conheceu na terra de Node (IV:16-17).
[13] Caim também pode significar “ferreiro”. Na época antiga, os ferreiros eram considerados “senhores do fogo”, com o conhecimento de poderes mágicos temíveis. Um dos descendentes de Caim é Tubalcaim, “o pai de todos os laminadores em cobre e ferro”.
[14] “Qualquer tecnologia suficientemente avançada não se distingue de magia” (Arthur C. Clarke)

***

Crédito da foto: Robert Recker/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

***

» Ver todos os posts da coluna Textos para Reflexão no TdC

» Veja também nossa página no Facebook

#história #Religião #Mitologia #Judaismo #MirceaEliade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quando-israel-era-menino-parte-final

A Conspiração do Silêncio

Houston, Texas, USA, um jovem presidente é assassinado. Seu nome, JOHN F. KENNEDY. Até hoje os motivos verdadeiros deste crime não foram descobertos, mas segundo “A Fonte” a morte de Kennedy estaria intimamente relacionada à divulgação de um relatório secreto de codinome “Octopode”, no qual relata a existência de um governo oculto que governa o mundo, que dita a economia, controlando as bolsas de valores, dizendo quando vai ocorrer uma “alta” ou uma “baixa”, beneficiando um grupo econômico e derrubando outro.

Eles controlariam as notícias, como, por exemplo, no caso Rosewell, em 1947, sobre a queda de um OVNI nos Estados Unidos, e no caso do ET de Varginha. Neste último, “A Fonte” afirma que o que foi noticiado não passou de uma cortina de fumaça para ocultar um evento de maior proporção que ocorreu, e que era necessário tempo para descaracterizar o local, ocultar provas e desanimar pessoas a testemunhar sobre o fato, desviando a atenção de alguns curiosos, que se autodenominam ufólogos, da área real de evento. Afirma-se que onde realmente ocorreu um acidente em uma área próxima a um centro populacional foi na cidade de Neola, no estado do Kansas, EUA, em 1º Abril de 1948, onde a queda de uma nave alielígena foi vista por um grande número de testemunhas, mas o “governo” negou o ocorrido e “abafou” a notícia. Após ridicularizar e desacreditar o fato e aqueles que o pesquisam; é mais fácil trabalhar sem perigo de exposição. Quer uma prova? Qual foi a emissora que noticiou o evento de Varginha com exclusividade?

Atualmente, esta Agência não-oficial estaria envolvida em um projeto conhecido como PROMETEU, em alusão à mitologia grega onde o Fogo Do Conhecimento é roubado do céu e levado à humanidade, que teria como finalidade pesquisar e extrair o máximo de informações de qualquer evento alienígena.

Esta Agência Secreta não só controla os eventos relacionados aos OVNIS, mas também a todo tipo de pessoas que se interessam por um conhecimento que escapa ao “normal”, como o saber transmitido pelos chamados Livros Proibidos. A estas pessoas é feito o possível para desestimular a sua busca pela Verdade, desde que é uma estudante, quando o seu tipo de compreensão do mundo não se encaixa no contexto das crianças de sua idade. A televisão rádio, jornais, revistas e inclusive internet, são controladas, e são ingênuos os que pensam que os provedores manterão o sigilo de seus clientes, segundo a “A Fonte”.

E há o Projeto MAJESTIC-12, uma das prioridades dos Homens de Negro. Teoricamente, o nome deste projeto não é real, mas apenas uma pista falsa para acobertar a Operação PROMETEU. No entanto, vamos especular sobre o Magistic-12. O número doze seria o do número de membros que dirigem o projeto, mas sabe-se que existe um décimo-terceiro, conhecido na comunidade de inteligência como O AVALIADOR, que seria quem realmente dita as decisões – este, na denúncia apresentada na série de televisão Arquivo X, seria o personagem chamado O Canceroso. A missão principal do grupo seria esconder e destruir qualquer prova da existência de vida alielígena e da visita destes seres no passado da humanidade. Teoricamente, este grupo foi criado a partir de 1947, com uma prioridade e agenda de eventos acima e sem conhecimento do presidente dos Estados Unidos. Eles controlam a Área 51, uma base secreta dos Estados Unidos do tamanho do estado de Sergipe, que oficialmente não existe, e que provavelmente contém o Hangar 18, onde supõe-se está uma ou várias naves alielígenas. Segundo “A Fonte” existem três hipóteses sobre este Grupo de Trabalho Paralelo, que são as seguintes:

Primeira: Este grupo trabalha sem conhecimento e verba oficial, e com a intenção de cooperar com a integração destes seres em nosso mundo em troca de tecnologia e poder, no momento da chamada “Revelação”, que seria o momento de divulgar a presença “deles” em nossa sociedade há muito tempo. Os membros do grupo seriam os futuros representantes de nossa raça no intercâmbio de informações, sem necessidade de voto popular, sendo a indicação indireta a única escolha.

Segunda: Este grupo não possui apoio oficial, e a identidade e número de seus membros é ignorada, e “eles” na realidade não têm conhecimento da origem e intenções destes “visitantes”. Por essa razão seu trabalho é secreto, e tão logo consigam responder a estas questões o Líder do Grupo, entrará pela Sala Oval, da Casa Branca, se apresentará ao presidente e revelará todo o contexto de existência do Grupo.

Terceira : Este grupo trabalha com conhecimento e verba não oficial, sem o conhecimento do presidente dos EUA, e com a intenção de cooperar com a integração destes seres em nosso mundo em troca de tecnologia e poder, no momento da chamada “Revelação”, que seria o momento de divulgar a presença “deles” em nossa sociedade há muito tempo.

O que parece que ninguém sabe é que a Alemanha Nazista já possuia uma nave alielígena capturada antes dos americanos, pelas tropas SS, no Tibet em 1935. Por isso que os nazistas foram os primeiros ocidentais a documentar este “protetorado” da China, na época invadida pelo Japão, que viria a ser membro do Eixo Alemanha-Itália-Japão. Contam que esta foi uma das fontes de conhecimento superior que ajudaram, nas origens secretas do nazismo, a ter tanta tecnologia superior aos futuros aliados.

Ao contrário do que muitos pensam, muitas mensagens na Internet são falsas, principalmente as relacionadas ao Druidismo, Wicca e Ordens Secretas, e muitas são manipuladas por este Grupo de Trabalho. O conhecimento real é como ouro, não é encontrado na rua ou nas livrarias como best-sellers, mas sim no submundo das informações. Até hoje a verdade é maldita, é proibida, mas vale a pena arriscar. Vale porque sempre existirão aqueles que buscam a Verdade, são os que não apenas ouvem, mas escutam, não só vêem, mas enxergam. São por esses que os sinos dobram e a Liberdade é uma realidade concreta.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-conspiracao-do-silencio/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/a-conspiracao-do-silencio/

A Cabala e o Tarot na Capela Sistina – Rosa Maria Bastos

Bate-Papo Mayhem 186 – 08/06/2021 (Terça) Com Rosa Maria Bastos – A Cabala e o Tarot na Capela Sistina

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Editora Hércules: https://editorahercules.com.br/

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-cabala-e-o-tarot-na-capela-sistina-rosa-maria-bastos

A Árvore da Vida Rectificada

 “Ait: Ego vox clamantis in deserto: dirigite viam Domini, sicut dixit Isaias propheta.” –
Johannes I, 23

Na vigésima-primeira lâmina do terceiro capítulo do Livro da Lei encontramos uma alusão cifrada ao esquema de polaridades da Árvore da Vida o qual, uma vez aplicado, permite obter-se o posicionamento correto dos Arcanos Maiores ou Trunfos do Tarot em relação aos Caminhos (Anexo I). Ei-la:

AL III, 73: “Paste the sheets from right to left and from top to bottom: then behold !”
(AL III, 73 : “Prendei as lâminas da direita para a esquerda e do cimo para o fundo: então vê !”)

Para que tal Operação seja coroada de êxito, faz-se inicialmente necessário reparar que cada Sephirah é ativa em relação à(s) seguinte(s) e que esta predominância se dá na razão inversa de seu grau de afastamento do Princípio (“from top to bottom”). De forma bastante análoga, deve-se considerar que o Pilar Direito ou Pilar da Misericórdia (Mercy) é ativo em relação ao Pilar Esquerdo ou Pilar da Retidão (Righteousness). Assinalemos brevemente que é esta predominância de Jachin sobre Boaz (“from right to left”) que permite encarar a “existência” enquanto “puro gozo” e as “tristezas” enquanto “sombras” (AL II, 9). Haveremos de retomar tais aplicações particulares em uma futura oportunidade. No presente trabalho, limitar-nos-emos a desdobrar algumas considerações que visam sobretudo demonstrar a validade do modelo em questão, pelo menos, naquilo que concerne à estrutura do Livro da Lei.

Como já tivemos oportunidade de discutir em uma ocasião pretérita (1), a Fórmula de HELL representa o acróstico dos Três Graus mencionados em AL I, 40. São eles:

1. o Eremita (“the Hermit”);
2. o Amante (“the Lover”);
3. o homem da Terra (“the man of Earth”).

Dentre os Graus acima transcritos os dois primeiros remetem de forma bastante evidente aos Arcanos Maiores homônimos. A única dificuldade que se poderia encontrar neste passo seria a correta identificação do homem da Terra ao seu Arcano específico. Diremos, portanto, sem mais rodeios, que esta expressão se refere ao Arcano Maior designado como O Carro (The Chariot). Esta informação por si só é bastante significativa e merece uma breve disgressão.

O Caminho entre Kether e Tiphaereth é tradicionalmente associado ao Arcano denominado A Alta Sacerdotisa ou A Sumo-Sacerdotisa (The High Priestess), associada à letra Hebraica Ghimel e à Lua. O Carro, por sua vez, corresponde à letra Hebraica Cheth e ao signo astrológico de Câncer. Se realizarmos a guematria das denominações das letras, valendo-nos, para tanto, de um sistema por nós desenvolvido (2), obteremos os seguintes valores:

1. GHIMEL = 3+5+10+40+5+30 = 93;
2. ChETH = 8+5+400+5 = 418.

Que se encontram, diga-se de passagem, em perfeita concordância para com os valores obtidos com o sistema hebraico:

1. gymyl = 3+10+40+10+30 = 93;
2. hyt = 8+10+400 = 418.

Ora, sabe-se que a maneira correta de equacionar estes dois valores tem sido inutilmente buscada pelos mais diversos autores desde a recepção da Lei. Ei-la aqui exposta de forma clara e sem a necessidade de recorrer a aproximações forçadas e inteiramente desviadas da pureza da Ciência. No entanto, mais importante que a conversão numérica em si, é a mudança de orientação que ela exprime e que coincide com o fenômeno tecnicamente designado como Equinócio dos Deuses. Este evento encontra-se particularmente descrito pelo versículo abaixo:

AL I, 50: “There is a word to say about the Hierophantic task.  Behold!  there are three ordeals in one, and it may be given in three ways.  The gross must pass through fire; let the fine be tried in intellect, and the lofty chosen ones in the highest;  Thus ye have star & star, system & system; let not one know well the other!”

(AL I, 50: “Existe uma palavra a dizer acerca da tarefa Hierophântica. Vede! existem três ordálios em um, e poderá ser dado em três caminhos. O grosseiro deve passar pelo fogo: possa o sutil ser testado em intelecto, e os eleitos escolhidos no altíssimo: assim vós tendes estrela & estrela, sistema & sistema; que um não conheça bem o outro!”)

Se repararmos na disposição nos Caminhos da Árvore dos Três Graus que compõe o acróstico HELL, teremos:

1. o Eremita (“the Hermit”) une Tiphaereth à Binah;
2. o Amante (“the Lover”) une Tiphaereth à Geburah;
3. o homem da Terra (“the man of Earth”) une Tiphaereth à Kether.

Torna-se por demais evidente, a qualquer um que possua os rudimentos da Ciência Cabalística, que:

1. “intelecto” (“intelect”) refere-se à Binah;
2. “fogo” (“fire”) refere-se à Geburah;
3. “o altíssimo” (“the highest”) corresponde à Kether.

Para uma consideração mais aprofundada destas correspondências, recomenda-se recorrer às linhas respectivas do 777, bem como aos manuais de Cabala tradicionais.

Existe ainda um último ajuste a se fazer para que o Templo se encontre perfeitamente fundamentado e que se possa de fato prosseguir na “tarefa Hierophântica” (“Hierophantic task”) aludida (3). Este deverá ser, possivelmente, o tema de nosso próximo trabalho, se as circunstâncias o forem favoráveis.

Notas :

(1) Cf. a este respeito o nosso Artigo “A Fórmula de H.E.L.L.“.

(2) Comprometemo-nos a descrever em detalhes o método aqui empregado em um trabalho especialmente consagrado a este fim. Adiantamos, porém, que não se trata aqui de nada que se possa apressadamente rotular como “guematria inglesa” (“english guematria”) – ou ainda “Cabala inglesa” (“english Qabalah”). Em nossa opinião, jamais houve ou haverá tal coisa, e as tentativas que se tem feito a este respeito firmam-se tão-somente em uma interpretação anglocêntrica de AL II, 55: “Thou shalt obtain the order & value of the English Alphabet; thou shalt find new symbols to attribute them unto.” Ora, o Alfabeto Inglês (English Alphabet), ao que saibamos, nada mais é do que o próprio Alfabeto Latino, propriedade comum a vários idiomas mortos e vivos, incluindo-se, entre estes, o Português. Haveremos de retornar oportunamente a este tema, mas por enquanto contentamo-nos, a guisa de arremate, em recordar que a palavra grega para “Latino”,  LATEINOS (LATEINOS), tem o valor de 666 [30+1+300+5+10+50+70+200].

(3) Este ajuste, que foi o Tema de nosso “A Partícula ME”, corresponde à Troca de posição entre as letras Tzadi e Mem (sendo a solução ao Enigma proposto em AL I, 57).

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-arvore-da-vida-rectificada/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-arvore-da-vida-rectificada/

Mapa Astral de Samuel Colt

Associou-se com o inventor Samuel F. B. Morse, o do telégrafo, e passou a investir em armas de guerra e cabos de telégrafo submarino. A pistola de culatra rotativa dele ficou tão popular que a palavra “Colt” às vezes era usada como um termo genérico para o revólver. E a partir daí a empresa foi incorporando e comprando outras concorrentes, tornando seu fundador em um dos mais poderosos homens de negócios dos Estados Unidos.

Mapa Astral

O Mapa de Samuel Colt possui Sol em Câncer-Leão (Cavaleiro de Bastões); Lua em Leão-Virgem (Rei de Ouros); Mercúrio e Marte em Leão; Vênus em Gêmeos; Júpiter em Virgem e Saturno em Capricórnio-Aquário (Cavaleiro de Espadas). Saturno é seu planeta mais forte, com 5 Aspectações fortes.

A energia do Cavaleiro de Espadas traz a união das energias de Capricórnio e aquário e pode ser resumida como “aquele que conhece bem todas as regras e disciplinas o suficiente para poder quebrá-las e transcendê-las”. Acho que isso resume bem o que Colt fez com a indústria de armas.

Seu Júpiter em Virgem é um facilitador de enxergar padrões, engrenagens e componentes. Muito encontrado em engenheiros, coordenadores de linha de produção e pessoas que conseguem enxergar como os mecanismos dentro de determinado processo funcionam (em desequilíbrio, é uma das causas do TOC). O Sol de Col está no Cavaleiro de Bastões, aquele que carrega a bandeira e motiva as tropas ao redor. Combinado com a lua no Rei de Ouros, “O rei-trabalhador”, foi o condutor para que conseguisse estabelecer sua empresa e suas energias em leão o auxiliaram com criatividade acima da média no marketing de vendas: Sabiamente usava uma tática política para conseguir mercados internacionais: Presenteava chefes de estado com produções fora de série, entre eles os Czares Nicolau I e Alexandre II da Rússia, o rei Frederick VII da Dinamarca e Charles XV da Suécia.

O estudo deste mapa também nos mostra que um Mapa não faz julgamentos de caráter. Mostra apenas como é a potencialidade daquele momento no tempo-espaço. Uma pessoa com muita energia em gêmeos pode ser um excelente repórter ou um grande estelionatário; o mapa apenas dirá que ela possui facilidade para manipular palavras. Um grande inventor criativo pode desenvolver novos medicamentos ou novos armamentos. Esse é um dos maiores erros dos pseudo-céticos em pré-julgar a Astrologia, querendo que ela se encaixe em fórmulas de “previsão” ou deterministas.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-samuel-colt

A Fé Baha’i – Em Busca da União Mundial

A Fé Baha’i não é uma seita do Islã, mas é um ramo da religião Babi, um grupo na Pérsia (hoje Irã) que se separou do ramo xiita do Islã em 1844. O líder dos Babis foi Mirza ‘Ali Mohammad de Shiraz, que se proclamou o Bab (“o Portão”) e o imam-mahdi (“líder corretamente guiado”) da linha de Muhammad. Ele foi executado pelas autoridades persas em 1850. Em 1863, Mirza Hoseyn Ali Nuri, um membro proeminente do grupo Babi, “declarou-o a si mesmo como ‘Aquele que Deus fará manifesto’, a quem o Bab tinha predito”. Ele também tomou o nome de Baha’ Ullah (“Glória de Deus”) e formou uma nova religião, a fé Baha’i.

Baha’ Ullah foi banido da Pérsia e foi eventualmente aprisionado em Acco (hoje Acre, Israel). Lá ele escreveu sua obra principal, al-Kitab al- Aqdas (O Livro Santíssimo), e desenvolveu a doutrina da fé Baha’i em um ensinamento compreensivo. Na morte de Baha’ UIlah, a liderança da religião recém-fundada passou para seu filho ‘Abd ol-Baha’, depois para seu bisneto, Shoghi Effendi Rabbani, e em 1963 para um órgão administrativo eleito conhecido como a Casa Universal de Justiça.

Os Baha’is acreditam que Deus se revelou ao homem por meio de “Manifestações Divinas”, incluindo Abraão, Moisés, Krishna, Zoroastro, Buda, Jesus, Muhammad, o Bab, e Baha’ UIlah. Eles acreditam que estes mensageiros foram fornecidos para guiar a humanidade através de um processo evolutivo no qual o aparecimento do Bab iniciou uma nova era para a humanidade. Os Baha’is dizem que até hoje sua mensagem é a mais completa revelação da vontade de Deus e que é o principal instrumento dado por Deus que tornará possível a unidade do mundo.

Um dos preceitos básicos dos Baha’is é “que todos as grandes religiões do mundo são de origem divina, que seus princípios básicos estão em completo harmonia”. Eles “diferem apenas nos aspectos não essenciais de suas doutrinas”.

As crenças da Fé Baha’i incluem a unicidade de Deus, a imortalidade da alma, e a evolução (biológica, espiritual, e social) da humanidade. Por outro lado, eles rejeitam o conceito comum de anjos. Eles também rejeitam a Trindade, o ensinamento da reencarnação do hinduísmo, a queda do homem da perfeição e do resgate subsequente através do sangue de Jesus Cristo.

A irmandade dos homens e a igualdade das mulheres são características importantes da crença Baha’i. Os Baha’is praticam a monogamia. Pelo menos uma vez por dia, eles rezam qualquer uma das três orações reveladas por Baha’ Ullah. Elas praticam o jejum do nascer ao pôr-do-sol durante os 19 dias do mês Baha’i de ‘Ala, que cai em março. (O calendário Baha’i consiste de 19 meses, cada um tendo 19 dias, com certos dias intercalares).

A fé Baha’i não tem muitos rituais definidos, nem tem clero. Qualquer pessoa que professa fé em Baha’ Ullah e aceita seus ensinamentos pode ser inscrita como membro. Eles se reúnem para adoração no primeiro dia de cada mês Baha’i.

Os Baha’is veem a si mesmos como tendo a missão da conquista espiritual do planeta. Eles tentam difundir sua fé através de conversas, exemplos, participação em projetos comunitários e campanhas de informação. Eles acreditam na obediência absoluta às leis do país em que residem e, apesar de votarem, se abstêm de participar da política. Eles preferem deveres como não-combatentes nas forças armadas quando possível, mas não são opositores de consciência.

Como religião missionária, a Fé Baha’i têm experimentado um rápido crescimento nos últimos anos. Os Baha’is estimam que existem quase 8.000.000 de crentes no mundo inteiro, embora a matrícula real de adultos na fé seja atualmente um pouco mais de 3.800.000.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-fe-bahai-em-busca-da-uniao-mundial/

O Mito da Terra Plana

Por Widson Porto Reis

No livro “Aristóteles em 90 minutos”, parte de uma coleção da Jorge Zahar Editora que traz a cada volume a biografia de um grande filósofo da história, pode-se ler o seguinte trecho:

“Ao declarar que as obras de Aristóteles eram como a Sagrada Escritura, a Igreja se viu numa encruzilhada (e no caso, nos confins de uma Terra plana). O conflito que se avizinhava entre a Igreja e a descoberta científica era inevitável”. (pag. 48-49)

O autor, Paul Strathern, professor universitário e autor de romances, biografias e livros de viagens, mas não historiador nem filósofo, é apenas mais um a propagar o mito de que na Idade Média, sob a influência dogmática da Igreja Católica, acreditava-se que a Terra era plana. A ele somam-se filmes (“1492 – A Conquista do Paraíso”), músicas (“Flat Earth Society” – Bad Religion), desenhos animados (tantos que não seria possível citá-los todos), e o pior: livros escolares. Todos mostram Cristovão Colombo como um visionário – o único a acreditar que a Terra fosse redonda – lutando contra religiosos ortodoxos que, citando suas escrituras sagradas, acreditavam que o navio de Colombo cairia da borda da Terra ao atingir o horizonte.

Os gregos já sabiam!

A despeito do que você possa ter aprendido na escola nas suas aulas de História (talvez como o autor deste artigo), os gregos já sabiam mais de 2000 anos antes de Colombo que a Terra era redonda. O grego Erastótenes (276-194 a.C.) chegou mesmo a calcular geometricamente o diâmetro da Terra com uma precisão muito boa, medindo em passos a distância entre as cidades de Alexandria e Siene e conhecendo o tamanho das sombras projetadas por uma estaca nas duas cidades.

Mas você poderia perguntar: “E daí que os gregos já sabiam?” Afinal, diversas outras civilizações da mesma época, como a chinesa, realmente pensavam que a Terra era plana e continuaram pensando assim por muito tempo (os chineses só começaram a discutir a hipótese da Terra redonda no início do século XVII). Outro povo, os hebreus, usaram nos seus textos sagrados, que hoje fazem parte da Bíblia, diversas figuras de linguagem que levam estudiosos a crer que também acreditavam que a Terra fosse plana, como menções aos “quatro cantos da Terra”, por exemplo (embora também haja passagens que são usadas para provar o contrário). A diferença do pensamento grego para os outros povos é que ele influenciou enormemente a forma de pensar do ocidente e em praticamente todas as áreas do conhecimento: política, ética, ciência, lógica, filosofia, arte e muito mais, incluindo aí a toda poderosa religião Cristã.

Mas nenhum filósofo grego influenciou mais o pensamento medieval do que Aristóteles (384-322 a.C.). Aristóteles acreditava que todas as coisas eram formadas por combinações de quatro elementos: terra, água, fogo e ar, e que cada um deles possuía no universo um “lugar natural”. O lugar natural do elemento “terra”, sendo mais pesado do que todos os outros, seria o centro do universo. Uma vez que todas as coisas sólidas eram formadas por este elemento e como todas tinham igual tendência em estar o mais próximo possível do seu lugar natural, Aristóteles concluiu que a forma da Terra deveria ser esférica (note-se que esse raciocínio também exigia que a Terra estivesse no centro do Universo). Em seu livro “Sobre os Céus”, depois de longa argumentação, Aristóteles encerra a questão assim:

“Sobre a posição da Terra e da maneira de seu repouso ou movimento nossa discussão pode aqui terminar. Sua forma deve necessariamente ser esférica.”

A prova da esfericidade da Terra, segundo Aristóteles, publicado em uma edição do livro De sphaere do século XVI.

Platão, mestre de Aristóteles, também acreditava na forma esférica da Terra; ele diz em seu diálogo “Fédon”: “Minha convicção é de que a Terra é um corpo circular no centro dos céus”. Embora Platão não tenha sido tão importante quanto seu pupilo para o pensamento científico medieval, uma versão um pouco modificada de sua filosofia, conhecida por neoplatonismo, influenciou fortemente os primeiros filósofos religiosos, especialmente aquele que foi um dos maiores teólogos cristãos: Santo Agostinho (354-430). Quanto à forma da Terra, Agostinho não parecia duvidar de que ela fosse esférica, embora se mostrasse um tanto pertubado com a idéia de pessoas de ponta cabeça habitando terras do outro lado do mundo. No seu livro “A Cidade de Deus” (De Civitate Dei) ele escreveu:

“Apesar de estar supostamente ou cientificamente provado que a Terra tem a forma esférica, disto não decorre que o outro lado do mundo seja desprovido de mares, nem decorre imediatamente que, sendo desprovido de mares, seja habitado.”

Mas alguém realmente acreditava que a Terra era plana?

Enquanto a filosofia de Platão (sob a forma levemente adulterada do neoplatonismo) continuou, durante os primeiros séculos da Idade Média, a ser cultivada pelos cristãos desejosos em dar um estofo filósofico a sua nova religião, os livros de Aristóteles e boa parte do restante do conhecimento grego se perderam depois do esfacelamento do Império Romano no século VII. Durante este período, conhecido por “Idade das Trevas” (período medieval que costuma ser definido como indo do ano 600 ao ano 1000 D.C), alguns membros da Igreja publicaram de fato trabalhos que defendiam a idéia de uma Terra plana. Um deles foi o monge Cosmas Indicopleustes. Cosmas, um ex-mercador que trocou o comércio pelo hábito, escreveu no ano de 547 o livro chamado “Topografia Cristã” no qual expunha sua visão geográfica do mundo baseada em interpretações literais da Bíblia. Cosmas imaginava a Terra como um grande baú, sendo o firmamento a “tampa” deste baú, e ridicularizava a crença pagã numa Terra redonda com os velhos argumentos de pessoas de ponta cabeça, chuva caindo para cima, etc. Outro defensor da Terra plana foi o padre Lactâncio (265-345) e seus argumentos eram igualmente baseados em interpretações literais de metáforas bíblicas. Além destes sabe-se que, Severian de Gabala (380), e possivelmente Theodoro de Mopsuestia (350-430) e Deodoro de Tarsus (394) defenderam ideais de uma Terra plana.

Sobre estes autores no entanto, a maioria dos historiadores modernos concorda que foram praticamente ignorados em suas épocas ou no mínimo encarados com pouca seriedade nos círculos intelectuais; Cosmas por exemplo foi considerado um tolo ignorante pelo filósofo grego cristão John Philoponus.

Porque a Igreja adotou a Teoria da Terra Redonda?

No século XIII a Europa começou a reerguer-se do obscurantismo em que havia mergulhado e as obras gregas começaram finalmente a ser redescobertas, trazidas pelos árabes. Assim que tiveram contato com as obras de Aristóteles, os intelectuais cristãos imediatamente se encantaram com a complexidade e sofisticação filosófica do corpus aristotélico. Aristóteles não escrevia somente sobre o mundo natural, mas sobre ética, teatro, política, matemática, e muito mais com uma profundidade e um rigor lógico sem par na era medieval (a reverência por Aristóteles era tamanha que ele era chamado simplesmente por “O Filósofo”). Mas foi São Tomás de Aquino (1225-1274), um dos expoentes da teologia cristã, o grande responsável por embutir a ciência, a filosofia e a cosmologia de Aristóteles no cristianismo. Tomás transformou Aristóteles no suporte filosófico de toda a doutrina cristã. A partir daí, questioná-lo era o mesmo que questionar a própria existência de Deus.

Podemos agora voltar ao trecho do livro da Jorge Zahar Editor que abriu este artigo:

“Ao declarar que as obras de Aristóteles eram como a Sagrada Escritura, a Igreja se viu numa encruzilhada (e no caso, nos confins de uma Terra plana). O conflito que se avizinhava entre a Igreja e a descoberta científica era inevitável”.

Podemos entender que autor confundiu algumas coisas. Confundiu “Terra Plana” com “Geocentrismo”. Como se viu, o mesmo raciocínio Aristotélico que concluía pela redondeza da Terra também exigia que ela fosse o centro do universo, e isto sim causou o conflito entre ciência e a religião, mencionado pelo autor, que se viu com Giordano Bruno, Copérnico e Galileu.

Outras evidências pré-Colombianas

John Holywood (isso mesmo), monge inglês que também atendia pelo nome latinizado de Joanes de Sacrobosco era contemporâneo de Tomás de Aquino. Professor de Astronomia na Universidade de Paris, Sacrobosco foi o autor do livro astronômico com o maior número de edições até hoje, o “Tractatus de Sphaera Mundi”, publicado pela primeira vez em 1473. O “Sphaera” era um manual de astronomia e geografia muito utilizado pelos portugueses durante a era das grandes explorações e não deixa dúvidas aos historiadores modernos (a começar pelo nome), de que a esfericidade da Terra fosse um fato bem reconhecido na época.

Um dos mais fascinantes livros medievais é o “Liber Chronicarum” (“Crônicas de Nuremberg”). Com mais de 1800 ilustrações e 600 páginas, este volumoso livro contava a história ilustrada do mundo desde o Genêsis até aquela data e foi publicado originalmente em maio de 1493 antes que a descoberta da América fosse conhecida. A reprodução do “Universo Ptolomaico” (abaixo), representando o universo com suas esferas concêntricas ocupadas pelos planetas conhecidos (incluindo a Lua e o Sol) é bastante clara: a esfericidade da Terra era um fato tão bem estabelecido quanto o geocentrismo.

Encontrando os culpados pelo mito

Se a esfericidade da Terra não era questionada nos círculos eruditos da Idade Média então quem inventou o mito da Terra plana? (ou mais apropriadamente: o mito de que as pessoas acreditavam que a Terra fosse plana). O historiador J. B. Russel, no livro “Inventing the Flat Earth” (“Inventando a Terra Plana” – 1991), procurou os responsáveis pela propagação do mito e descobriu dois culpados: o francês Antoine-Jean Letronne (1787-1848) e o americano Washington Irving (1783-1859). Letrone, um historiador muito respeitado mas com um grande preconceito religioso, foi responsável por atribuir ao “Topografia Cristã” de Cosmas Indicopleustes uma importância histórica que ele nunca teve, concluindo que todos na Idade Média acreditavam que a Terra era plana. Seria como se daqui a mil anos alguém encontrasse um obscuro trabalho científico questionando a evolução e afirmasse que os cientistas do século XXI não acreditavam na evolução. Segundo Russel, devido ao enorme prestígio e reputação de Letrone, esta interpretação particular dos fatos não foi questionada pelos historiadores posteriores e passou a circular como verdade nos meios intelectuais.

Washington Irving, por outro lado, era antes de nada mais um romancista. Você na certa o conhece como o autor do conto que já virou desenho e filme: “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”. Como historiador entretanto, costumava levar sua habilidade de escrever ficção para suas biografias, romanceando fatos que nunca aconteceram. Segundo o pesquisador Owen Gingerich, em seu artigo “Astronomy in the Age of Columbus” (“Astronomia no Tempo de Colombo”; Scientific American, novembro de 1992) logo após a revolução americana Irving estava procurando por um herói não inglês para contrapor ao famoso explorador inglês Sebastian Calbot, o primeiro homem a chegar ao Polo Norte, e enxergou em Colombo a pessoa certa.

Na biografia de Cristovão Colombo, “Columbus”, publicada em 1828, Irving descreve um episódio real – o Conselho de Salamanca em que Colombo apresenta seu projeto a um grupo de religiosos e leigos – porém “enriquece” a narrativa afirmando que Colombo foi acusado de heresia por sustentar que a Terra fosse redonda, o que supostamente seria contrário às Escrituras. É verdade que Colombo sofreu sérias objeções das autoridades presentes, mas a questão nunca foi se a Terra era redonda ou não, e sim o tamanho desta. Colombo supunha que a Terra fosse muito menor do que é na realidade (considerava-a com apenas 20% de seu tamanho real) enquanto seus opositores diziam ser impossível chegar às Índias percorrendo uma distância que consideravam muito maior (os opositores de Colombo estavam certos; se a América não estivesse no meio do caminho de Colombo ele e sua tripulação teriam morrido à míngua de recursos). A narrativa conforme floreada por Irving transformou o debate de Salamanca em um símbolo da luta entre o campeão da liberdade científica e o dogmatismo teólogico, e caiu no gosto popular.

Letrone deu ao mito da Terra plana sua base história, Irving sua carga emocional. Mas o mito realmente ganhou a força que tem até hoje quando John Draper (1811-1882), um físico violentamente anti-católico, publicou em 1873 o livro “A História do conflito entre a Ciência e a Religião” utilizando o mito da Terra plana como exemplo de como as crenças religiosas eram estúpidas e atrasadas e necessariamente se opunham ao progresso da ciência. Através de Draper o mito da Terra plana chegou como verdade absoluta até o início do século XX, e só nos anos 20 começou a ser questionado.

Referências:

“Astronomy in the Age of Columbus”; Scientific American; Novembro de 1992

“Pilares do tempo ? Ciência e Religião na Plenitude da Vida”, Sthepen Jay Gould, Ed. Rocco

“História do Pensamento Ocidental”, Bertrand Russel, Ed. Ediouro

“A Epopéia do Pensamento Ocidental”, Richard Tarnas, Ed. Bertrand Brasil

“A Mensuração da Realidade”, Alfred W. Crosby, Ed. Unesp

“Geographical Background of the First Voyage of Columbus”, Clarence B. Odell, Dale Edward Case

“History of the Conflict between Religion and Science”, John William Draper.

#Ciência

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-da-terra-plana

‘Os Rituais Satânicos

Anton Szandor LaVey

Tradução Fenix Konstant

Os Ritos de Lúcifer

No altar do Diabo acima é abaixo, prazer é dor, escuridão é luz, escravidão é liberdade, e loucura é sanidade. A câmara do ritual satânico é o lugar ideal para a manifestação de intenções secretas ou para ser um verdadeiro palácio de perversidade.

Agora um dos mais devotados discípulos do Diabo apresenta detalhadamente todos os rituais satânicos tradicionais. Aqui estão os verdadeiros textos de ritos proibidos tais como a Missa Negra e o Batismo Satânico, tanto para adultos como para crianças.

“O único efeito de proteger o homem dos efeitos da tolice é encher o mundo de tolos.” – Herbert Spencer

Índice

Prefácio da versão em português

Introdução

Concernente aos Rituais

Le Messe Noir: O Psicodrama Original

Le Messe Noir (O Ritual)

L’air Epais: A Cerimônia da Atmosfera Sufocante

L’air Epais (O Ritual)

Das Tierdrama – A Sétima Declaração Satânica

Das Tierdrama (O Ritual)

Die Elektrischen Vorspiele: A Lei do Trapezóide

Die Elektrischen Vorspiele (O Ritual)

Homenagem a Tchort: uma noite na montanha

Homenagem a Tchort (O Ritual)

Peregrinos da Era do Fogo

Al-Jilwah (O Ritual)

Metafísica Lovecraftiana

A Cerimônia dos Nove Ângulos

A Invocação de Cthulhu

Os Batismos Satânicos

O “Batismo” Satânico – Rito Adulto

O “Batismo” Satânico – Cerimônia para Crianças

O Conhecimento Desconhecido

Ritual de Auto-Iniciação Satânica

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/os-rituais-satanicos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/os-rituais-satanicos/