Catolicismo Negro no Brasil: Santos e Minkisi, uma reflexão sobre miscigenação

Marina de Mello e Souza

(Professora do Departamento de História FFLCH/USP)

Os estudos sobre a inserção dos africanos escravizados e seus descendentes nas Américas têm sido um campo fértil para a reflexão acerca dos processos de sincretismo, aculturação, transculturação, encontro de culturas, miscigenação cultural, entre várias outras noções que buscam dar conta de situações nas quais novas culturas surgem a partir do contato entre povos diferentes. Desde Nina Rodrigues, pesquisador pioneiro dessa área, e principalmente a partir de Melville Herskovits, que muito contribuiu para a reflexão teórica acerca dos processos de aculturação, tem sido destacada a importância de se conhecer as sociedades e culturas de onde vieram os africanos traficados para as Américas, para uma melhor compreensão das chamadas culturas afro-americanas.1 Herskovits é peça central no debate sobre a existência de “africanismos” nas sociedades americanas. Seu livro The myth of the negro past é de 1941, mas nos Estados Unidos seus trabalhos só foram valorizados a partir da década de 1960. No Brasil, depois do pioneirismo de Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Edison Carneiro, Roger Bastide e Pierre Verger foram autores que pensaram sobre o negro na sociedade brasileira.2

Nos anos 1970 Sidney Mintz e Richard Price, fundamentados em suas pesquisas de campo no Caribe e no Suriname, escreveram juntos um ensaio que influenciou toda uma geração de estudiosos da cultura afro-americana.3 A idéia de crioulização é o pano de fundo de suas reflexões, nas quais ocupa primeiro plano a preocupação com a chegada do africano no Novo Mundo, com a formação de novas comunidades e novas culturas. Mesmo priorizando os processos de transformação, os autores aceitam que eles se dão a partir de bases pré-existentes e retomam uma idéia esboçada por Herskovits, de que as culturas têm uma gramática própria que serve de elemento organizador das novas construções, sociais e culturais. Nas Américas, estas construções resultaram da interação entre grupos de escravos pertencentes a etnias diversas, unidos pelos mecanismos do tráfico e pela escravização, e grupos de colonizadores europeus, detentores dos instrumentos de poder.

Do final dos anos 1970 para cá, os sistemas sociais e religiosos criados pelas comunidades negras nas Américas têm atraído a atenção dos pesquisadores e são cada vez mais analisados de uma perspectiva que busca fazer conexões entre as culturas de origem dos escravos trazidos para as Américas e as culturas produzidas nas novas situações. A reflexão aqui proposta se enquadra nessa perspectiva de abordagem da religiosidade das comunidades afrodescendentes, tomando como foco não os chamados cultos afro-brasileiros e sim o catolicismo exercido por algumas dessas comunidades.

Um dos muitos resultados da diáspora africana é a presença de reis negros nas Américas, representantes de grupos étnicos específicos, presentes no interior de quilombos e de irmandades católicas. O estudo das situações em que existiram esses reis ilumina a compreensão de como africanos e europeus interagiram no contexto da colonização americana, sob um regime escravista. Em trabalho anterior sugeri algumas interpretações sobre esses reis, voltando atenção especial para a adoção do catolicismo, ou de alguns de seus elementos, por parte tanto de comunidades na África como de afrodescendentes nas Américas.4 Foram os estudos de John Thornton que me abriram os olhos para a importância do catolicismo na África Centro-ocidental nos séculos XVI, XVII e XVIII, e a partir deles pude perceber o lugar nada desprezível do catolicismo na relação que os africanos e afrodescendentes brasileiros mantinham com as terras de seus antepassados.5 Segundo a análise desenvolvida em meu trabalho, seguindo pistas por ele indicadas, no Brasil em algumas ocasiões o catolicismo, por estar presente na região do antigo reino do Congo desde o final do século XV, serviu de ligação com um passado africano que era importante elemento na composição das novas identidades das comunidades afrodescendentes no contexto da diáspora. Ao estudar os festejos em torno da coroação de reis do Congo que aconteciam no Brasil desde o século XVII, entendi que estas eram manifestações percebidas de formas diferentes pelos que as realizavam, membros da comunidade negra, e por aqueles identificados com a sociedade senhorial, de origem lusitana, que viam aquelas festas acontecerem mantendo atitudes ora condescendentes, ora repressoras. Enquanto para uns as festas em torno de reis remetiam a chefias africanas, a ritos de entronização, à prestação de fidelidades, para outros elas se associavam à noção de um império, que se estendia pelos quatro cantos do mundo: Europa, África, América e Ásia, e que tinha a experiência da catequese na região do antigo reino do Congo como um dos momentos emblemáticos do empenho evangelizador de Portugal.6 No meu entender, a penetração dessa festa entre muitas comunidades negras do Brasil, principalmente do final do século XVIII a meados do XIX, deu-se devido a uma combinação de fatores que fizeram com que as comemorações em torno de um rei congo tivessem significados importantes tanto para a comunidade negra como para o grupo senhorial, que detinha o poder de permitir ou reprimir as manifestações dos negros.7

Ao serem arrancados de seus lugares de origem e escravizados, ao deixarem de pertencer a um grupo social no qual construíam suas identidades, ao viverem experiências de grande potencial traumático, tanto físico como psicológico, ao transporem a grande água e terem que se dobrar ao jugo dos senhores americanos, os africanos eram compelidos a se integrarem, de uma forma ou de outra, às terras às quais chegavam. Novas alianças eram feitas, novas identificações eram percebidas, novas identidades eram construídas sobre bases diversas: de aproximação étnica, religiosa, da esfera do trabalho, da moradia. Assim, reagrupamentos étnicos compuseram “nações”, pescadores e carregadores se organizaram em torno das atividades que exerciam, vizinhos consolidaram laços de compadrio e se juntaram cultuadores dos orixás, os que faziam oferendas aos antepassados e recebiam entidades sobrenaturais sob o toque de tambores. Nesse contexto, os reis negros, presentes em quilombos e grupos de trabalho, mas principalmente em irmandades católicas, serviram de importantes catalisadores de algumas comunidades e foram centrais na construção de suas novas identidades.

Enquanto algumas atividades exercidas por comunidades negras eram proibidas e perseguidas pela administração senhorial e demonizadas pelo discurso cristão (mesmo que delas participassem também brancos católicos e às vezes até mesmo padres), outras eram em grande parte aceitas pelos agentes da administração colonial, pois adotavam formas ibéricas e católicas, ou que por estes eram assim percebidas. No primeiro caso estão os calundus, nos quais ritos eram realizados em torno de altares que abrigavam objetos mágico-religiosos, havendo a oferenda de sangue de animais, bebida e comida, ao som de tambores e com a possessão de algumas pessoas por entidades sobrenaturais.8 No segundo caso estão os cortejos e danças que acompanhavam a coroação de um rei negro pelo padre, por ocasião de festas em torno dos santos padroeiros de irmandades nas quais a comunidade negra se agrupava. Enquanto os primeiros eram no geral seriamente perseguidos, assim como os quilombos e as tentativas de rebelião, os segundos eram quase sempre aceitos e muitas vezes estimulados, uma vez que eram vistos como formas de integração do negro na sociedade colonial escravista. Entretanto, a repressão ou permissão de uns ou outros desses ritos variava em função das posições de cada agente colonial, assim como em função da conjuntura do momento.9

Danças que podem ser associadas aos calundus são descritas pelo conde de Povolide em carta de 1780, na qual explica a diferença entre as “danças supersticiosas” e as “danças que ainda que não sejam as mais santas” não eram por ele consideradas “dignas de uma total reprovação”. Essas últimas eram danças que no século XIX e início do XX eram chamadas de batuques e que ainda existem no seio de algumas comunidades negras, muitas vezes conhecidas como jongos. Nos conta o conde de Povolide que nessa ocasião “os pretos se dividiam em nações e com instrumentos próprios de cada uma, dançam e fazem voltas como arlequins, e outros dançam com diversos movimentos do corpo, que ainda que não sejam as mais inocentes são como fandangos de Castela, e fofas de Portugal, e os lundus dos brancos e pardos daquele país”. Quanto às primeiras, que chamou de “supersticiosas”, deveriam ser proibidas. Explicando a diferença entre as duas danças ele escreve:

Os bailes que entendo serem de uma total reprovação são aqueles que os pretos da costa da Mina fazem às escondidas, ou em casas ou roças, com uma preta mestra com altar de ídolos, adorando bodes vivos e outros feitos de barro, untando seus corpos com diversos óleos, sangue de galo, dando a comer bolos de milho depois de diversas bênçãos supersticiosas, fazendo crer aos rústicos que naquelas unções de pão dão fortuna, fazem querer bem mulheres a homens e homens a mulheres.10

Antes do conde de Povolide, Antonil, jesuíta italiano que viveu no Brasil de 1681 até sua morte em 1716, já havia defendido uma posição de tolerância com relação a certas festas das comunidades negras. Escrevendo para os senhores sobre os escravos diz que:

Negar-lhes totalmente os seus folguedos, que são o único alívio do seu cativeiro, é querê-los desconsolados e melancólicos, de pouca vida e saúde. Portanto, não lhes estranhem os senhores o criarem seus reis, cantar e bailar por algumas horas honestamente, em alguns dias do ano, e o alegrarem-se inocentemente à tarde depois de terem feito pela manhã suas festas de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e do orago da capela do engenho.11

Essas posições de administradores e pensadores ligados ao governo colonial português na América mostram que havia uma tolerância com relação a manifestações de origem africana quando estas se aproximavam ou se combinavam com elementos da comunidade senhorial, de origem lusitana. Mas muitas das motivações que levavam as pessoas a se envolverem em certas festividades, a se unirem em torno de um rei simbólico, de festa, não eram percebidas por aqueles que não partilhavam as mesmas estruturas culturais. Dessa forma, era desprezada a autoridade que o rei tinha sobre o grupo e a união deste não era vista como ameaçadora, principalmente porque se dava no interior de irmandades de culto a determinados santos, aprovadas pela Igreja e vigiadas pelos senhores e pelo pároco local. O mesmo não se dava com os ritos religiosos de origem africana que mantiveram maior grau de autonomia cultural e organizacional e só deixaram de ser abertamente perseguidos no século XX.

Mas mesmo em celebrações católicas as comunidades negras produziam elementos que chocavam e incomodavam o grupo senhorial e principalmente alguns observadores estrangeiros, que não estavam acostumados com as mestiçagens que se iniciaram com os primeiros contatos, ainda na África, e se intensificaram na sociedade colonial americana. Esse é o caso, por exemplo, das imagens religiosas que madame Otille Coudreau encontrou num povoado de negros, à beira do rio Pacoval, no Pará, na região da floresta amazônica brasileira.

Ao registrar o levantamento hidrográfico que fez no interior da Amazônia no início do século XX, a cientista francesa expressou os mais estereotipados preconceitos contra as populações afrodescendentes, imputando-lhes um estado de selvageria e barbárie, acusando-os de mentirosos e preguiçosos, achando-os fisicamente degenerados. Desaprovou como a vila era construída, com as cabanas jogadas aqui e ali à beira do rio, sem alinhamento e delimitações, uns plantando na porta dos outros. Nessa aldeia de cerca de 15 casas cobertas de palha, que não conhecia a propriedade privada da terra, a qual era usada coletivamente pela comunidade, havia uma pequena igreja, de chão de terra batida e paredes de barro, coberta de telha e com uma cruz de madeira à frente.

O que chamou a atenção da francesa foram os santos multicoloridos dispostos ao redor da igreja, ela não diz se em altares ou não, mas sim que alguns eram brancos, outros morenos e muitos negros, “todos de figura abominável”, que lhe evocaram uma reunião de Quasímodos. Segundo ela, estavam vestidos com restos de saiotes velhos, pedaços de tecidos de cores vistosas, e tinham ao redor do pescoço colares de contas de vidro ou de sementes. Na sua opinião, era um sacrilégio que cada uma dessas criaturas tivesse o nome de um santo, São Pedro, São Benedito, Santa Luzia, Santa Rosa, Santa Sebastiana e uma Nossa Senhora negra. Coudreau conta ainda que teve vontade de destruir todos “aqueles horrores tão pouco artísticos”, estátuas que refletiam os costumes daquela gente, “rebaixada ao menor nível na escala social”.12

Contribuindo ainda mais para a alteração de tradições católicas e sensibilidades estéticas européias, os mocambeiros acompanhavam sempre suas rezas e festas religiosas com danças realizadas em uma construção ao lado da igreja – presente em todos os mocambos que a pesquisadora francesa conheceu na região.13 Essa combinação de ritos religiosos e danças ditas profanas é o padrão da maioria das festas religiosas populares brasileiras, formadas a partir da colonização portuguesa do território, onde os colonos encontraram indígenas e para onde trouxeram africanos. Nesse encontro de povos, culturas, religiões, formas de lidar com as coisas deste e do outro mundo, uma variedade enorme de combinações ocorreram. As festas em torno de reis negros, entre as quais estão as realizadas no Pacoval, são fruto dessas combinações, presentes também na confecção de objetos mágico-religiosos, como as imagens de santos que Coudreau achou um sacrilégio serem assim chamadas.

Assim como elegiam reis no seio de irmandades católicas e realizavam calundus e candomblés em recintos afastados do universo senhorial, comunidades negras também confeccionaram objetos, usados em uns e outros ritos, nos quais incorporaram elementos de suas culturas tradicionais. Os santos, comparados a Quasímodos, certamente foram esculpidos a partir de técnicas e escolhas estéticas próprias dos mocambeiros, que Eurípedes Funes nos ensinou serem descendentes de escravos vindos da África Centro-Ocidental, da região próxima do antigo reino do Congo e de Angola.14 As imagens descritas por Coudreau e chamadas de santos pelos mocambeiros eram componentes de um catolicismo negro e podem ser associadas aos minkisi, objetos usados em cerimônias mágico-religiosas de povos dessa mesma região de onde veio a maioria dos antepassados dos habitantes das margens do rio Curuá.

No mocambo do Pacoval, em que Otille Coudreau encontrou as imagens que a fizeram lembrar de uma figura monstruosa de sua própria cultura, Eurípedes Funes, 95 anos depois, assistiu e documentou uma festa realizada em homenagem a São Benedito, na qual danças, chamadas de Cordão do Marambiré, seguiam as cerimônias realizadas no interior da igreja. Seus constituintes formam uma corte em torno do rei do Congo, composta por rainhas auxiliares, valsares e contramestres, que desempenham papéis específicos na condução das coreografias que regem as danças. A autoridade máxima é a do rei do Congo, podendo essa dança ser associada às congadas. Sua roupa se distingue das outras e ele traz uma coroa na cabeça, feita de papelão, fibra natural ou lata, e uma vara, símbolo do seu poder. As rainhas e valsares têm capacetes feitos dos mesmos materiais e enfeitados com flores de papel colorido. Penas de arara também enfeitam a coroa do rei e os capacetes dos valsares. Uma fotografia tirada por Eurípedes Funes nos mostra uma imagem de São Benedito paramentada com um capacete semelhante ao dos valsares, encimado por penas.

Enfeites de penas em adereços de cabeça também são apontados por observadores das congadas feitas no século XIX em vários lugares do Brasil, principalmente em Minas Gerais. Veja-se, por exemplo, parte da descrição feita por Francis de Castelnau de uma congada que assistiu em Minas Gerais, em 1843:

A corte, em cujo traje se misturam todas as cores e os enfeites mais extravagantes, senta-se de cada lado do casal de reis; vem depois uma infinidade de outros personagens, os mais consideráveis dos quais eram sem dúvida grandes capitães, guerreiros famosos ou embaixadores de potências longínquas, todos paramentados à moda dos selvagens do Brasil, com grandes topetes de penas, sabres de cavalaria ao lado, e escudo no braço.15

Imagem de madeira de São Benedito fotografada por Eurípedes Antônio Funes, em “Nasci nas matas, nunca tive Senhor. História e memória dos mocambos do Baixo Amazonas”, tese de doutoramento apresentada ao departamento de História – FFLCH/USP, 1995, vol 1, Fig 9.

Mesmo que o cônsul francês tivesse percebido corretamente e “os selvagens do Brasil” tenham dado sua contribuição à festa negra, é muito mais plausível acreditar que a presença de penas na cabeça fosse contribuição dos africanos, considerando-se as informações a seguir.

Uma fotografia tirada em Angola ou no Congo belga antes de 1922 nos mostra um nganga, ou sacerdote, com uma imponente coroa de penas. Minkisi, objetos mágico-religiosos utilizados em amplas áreas da África Central, onde recebem nomes diversos dependendo da região, também freqüentemente traziam penas na cabeça. Como nos ensina Zdenka Volavkova, a confecção de um nkisi passava por dois momentos: aquele em que a madeira era esculpida, feita por um artesão, e um outro, no qual o nganga, especialista religioso, tornava a escultura portadora de forças sobrenaturais, nela inserindo, conforme ritos específicos, uma série de substâncias do mundo vegetal, animal e mineral, por meio das quais as forças sobrenaturais agiam.16 Era nesse momento, no qual a um objeto eram atribuídos poderes mágico-religiosos, que as penas eram colocadas nas cabeças das esculturas. Théophile Obenga diz que as penas ornamentando o penteado de algumas figuras com funções religiosas significavam que o objeto havia sido consagrado por um nganga.17 Segundo John Janzen, o uso de penas no alto da cabeça ou saindo fora de uma cabaça ou vasilha (muitos minkisi não eram figuras esculpidas mas recipientes que continham as substâncias que lhes davam os poderes sobrenaturais) é o indicador mais comum de uma aproximação com o mundo dos espíritos. Ainda segundo ele, muitos médiuns usam adereços de penas na cabeça para representar sua ligação com os espíritos.18 Também Wyatt MacGaffey informa que algumas vezes os minkisi eram equipados com penas que formavam um adereço de cabeça semelhante ao que o nganga podia usar, pois forças espirituais eram associadas a pássaros.19 Dessa forma, é evidente o lugar de destaque que as penas têm na confecção de objetos que ajudam a comunicação deste com o outro mundo no âmbito do universo cultural de povos bantos da África CentroOcidental, que engloba também o atual Camarões, já no limite com a região habitada por povos iorubás. Daí uma requintada veste usada em ritos religiosos divinatórios, composta de tecido azul anil arrematado com fios de fibra e enfeitada com conchas e búzios, à qual acompanha uma máscara de crocodilo encimada por uma tiara de penas.20

no130 (1988), p. 3.

Nganga, Angola ou Congo Belga, antes de 1922, em Wyatt Mac Gaffey “The eyes of understanding, Kongo minkisi”, Astonishment and Power (Washington, National Museum of African Art, The Smithsonian Intitution Press, 1993), p. 56.

Uma figura usada em ritos divinatórios entre os senufos, da atual Costa do Marfim, “coroada com uma carreira de penas”, indica que não só na área cultural banto as penas compõem objetos mágico-religiosos. As penas são, em muitas regiões da África, presença constante em ritos que permitem que o mundo dos homens e o dos espíritos se comuniquem. Nessa relação os chefes têm lugar importante, sendo a idéia de realeza sagrada disseminada por toda África sub-saariana. No golfo do Benim, em áreas nas quais predominavam grupos iorubás, como os chamamos agora, pássaros são insígnias de poder bastante freqüentes, estando presentes em telhados de moradias de chefes, em bastões de mando, em adereços de cabeça usados pelos chefes.21

Se lembrarmos ainda a presença constante de penas em cocares e outros adereços ameríndios, também associados a posições de poder temporal e religioso, e ainda a presença de plumas em chapéus de nobres e reis europeus (objetos altamente apreciados pelos chefes africanos e com lugar quase obrigatório nas negociações comerciais entre estes e os europeus), podemos pensar que estas penas, por estarem presentes em lugares equivalentes em diferentes culturas, tendem a manter um espaço na nova cultura que se forma a partir dos contatos encetados.22 Mas como a análise aqui proposta busca apenas fazer conexões entre a comunidade do Pacoval com os povos aos quais pertenceram seus antepassados, fixo meus olhos no mundo banto centro-ocidental, de onde veio, segundo Eurípedes Funes, a maioria dos africanos escravizados que ali se aquilombaram.

Nkisi Mbumba Maza, coletado em Cabinda antes de 1933, acervo do Museu do Homem de Paris. A escultura de madeira contém ingredientes ocultos na barriga e na cabeça, e outros ingredientes nela pendurados, como cabaça, pele de cobra, tiras de tecido, conchas, sementes, garras, chifre, fibra trançada. Cada um desses ingredientes tem uma função mágica que atribui ao nkisi sua força sobrenatural. Em Astonishment and Power, p. 70.

Nksi Nduda, coletado na área bacongo antes de 1893, acervo do Staatliches Museum für Völkerkunde, Munique, Alemanha. A escultura de madeira está coberta por tiras de peles de diversos animais, traz no pescoço uma fieira de pequenas bolsas de pano contendo ingredientes específicos e um adereço de penas atado à cabeça por uma tira de tecido. In Astonishment and Power, p. 72.

Pieu, amuleto da região dos Yakas, em Angola. In Sculpture Angolaise. Mémorial de cultures, Lisboa, Museu Nacional de Etnologia, Electa, 1994, p. 104.

Depois desse passeio por algumas regiões da África percebemos nos panos, cordões, contas e penas adicionadas às imagens encontradas no Pacoval por Otille Coudreau no início do século XX, e por Eurípedes Funes no fim do mesmo século, a expressão do encontro entre o catolicismo e as religiões bantos tradicionais. Se em 1901 as imagens da igreja do Pacoval foram comparadas a Quasímodos pela cientista francesa, o que a fotografia tirada no final do século XX nos mostra é um santo entalhado em madeira por mãos de artistas populares, como uma infini-ade de outros o foram, tendo como traço diferenciador o tufo de penas que enfeita seu capacete, semelhante ao dos valsares. Certamente ao longo dos anos novecentos a comunidade do Pacoval assumiu mais e mais feições brasileiras, distanciando-se de um passado africano que fora mais preservado enquanto o grupo evitou contatos muito intensos com a sociedade circundante, para a qual eram descendentes de escravos fugidos. Hoje em dia o que se destaca na religiosidade afro-católica dos moradores do Pacoval são as danças que acompanham as celebrações dos santos, e que não se restringem às comunidades negras, pois são característica marcante do catolicismo colonial conforme vivido na América portuguesa. Mas específicos das danças realizadas pelas comunidades afrodescendentes são os elementos africanos nelas presentes, como os ritmos, os passos, as letras das músicas, permeadas de palavras de origem africana, e símbolos que mesmo transformados remetem às suas raízes, como as penas na cabeça indicando uma ligação com o mundo do além.

O tema da dominação não pode deixar de estar presente quando falamos de sociedades afrodescendentes nas Américas, e certamente as atitudes dos representantes da sociedade senhorial, entre eles os agentes da Igreja, tiveram um papel fundamental nos processos de constituição de novas identidades e novas formas culturais a partir da diáspora africana. Mas foram os ajustes e opções empreendidos pelos africanos recém-chegados e pelos seus descendentes que definiram as feições das novas culturas que se criaram nas Américas. Nesse processo os santos, imagens do culto católico, absorveram sentidos e papéis das imagens e objetos usados nas religiões bantos tradicionais, o que já havia ocorrido na própria África, a partir da ação de missionários católicos romanos e da conversão ao catolicismo da elite dirigente do antigo reino do Congo, no final do século XV. Com a ocupação portuguesa de algumas áreas do território que ficou conhecido como Angola, missionários continuaram a agir naquelas regiões, sendo alguns dos elementos por eles introduzidos, com destaque para objetos usados em cultos religiosos, incorporados pelas populações nativas, que a eles acoplaram significados pertinentes às suas próprias tradições.

Kafigeledjo, oráculo usado em ritos divinatórios da etnia senufo, Costa do Marfim, final do século XIX, início do XX, acervo do Metropolitan Museum of Art, New York. A escultura de madeira é coberta por um tecido, alguns ingredientes pendem amarrados na altura do pescoço, um gancho de ferro e um osso de pássaro pendurados em parte do pano fazem as vezes de braços e mãos e a cabeça está coroada por penas e espinhos de porco-espinho. In Alisa LaGamma, Art and Oracle. African Art and Rituals of Divination, New York, Metropolitan Museum of Art, 2000, p. 27.

Se em territórios africanos, nos quais era pequeno o espaço ocupado pelos portugueses e seus agentes (entre eles os missionários), o catolicismo deixou discretos vestígios no período pré-colonial, na América portuguesa os africanos muitas vezes a ele se renderam, não sem recheá-lo de contribuições de suas religiões tradicionais. Na América eles eram obrigados pela violência, pela condição de escravos e de estrangeiros, a se sujeitarem às normas dos que mandavam – a administração colonial portuguesa, para a qual a religião católica era importante meio de dominação. Várias foram as formas pelas quais o catolicismo foi adotado por comunidades afrodescendentes, mas essa área de estudos recebeu, no geral, menos atenção do que os cultos religiosos derivados de tradições africanas. Nina Rodrigues e Arthur Ramos tratam com mais vagar das religiões afro-brasileiras e do conjunto cultural iorubano; Roger Bastide, quando aborda o catolicismo negro, é de maneira superficial, ignorando as motivações das comunidades negras e tomando o catolicismo apenas como uma imposição do universo senhorial, incorporada geralmente para servir de disfarce a ritos de origem africana. Também Pierre Verger, por focar apenas a Bahia e a África Ocidental, na qual a penetração das religiões cristãs só se deu após o término do tráfico de escravos, não aborda o cristianismo negro e suas relações com o catolicismo africano dos bantos da África Centro-Ocidental. Só Robert Slenes, mais recentemente, tem se aprofundado no estudo dos povos desta região e chamado a atenção para o fato de que muitos escravos que de lá vieram já tinham incorporado elementos de um catolicismo africano, termo cunhado por John Thornton.23 Eu mesma, seguindo as trilhas abertas principalmente por esses dois autores, venho pensando acerca de alguns aspectos do catolicismo africano e do catolicismo afro-brasileiro.24

É essa preocupação que me faz prestar atenção no espanto e repulsa de Otille Coudreau diante das imagens que viu na igreja do mocambo à beira do rio Curuá, associadas a Quasímodos, aberrações que feriam sua sensibilidade estética educada na Europa, com a qual se orientava no mundo. Bem antes de ela viver essa experiência na Amazônia brasileira, outros europeus tinham tido reações muito parecidas diante dos minkisi, que chamavam de “fetiches”, ou de “imagens demoníacas”, como a essas figuras se referiu Olfer Dapper (cujo livro foi publicado em 1676), “rudemente esculpidas em madeira e cobertas de trapos sujos”, como disse J. K. Tuckey em 1816, e com aparência feroz, no entender de H. M. Stanley, em 1895. O tenente Tuckey comparou essas imagens com espantalhos, e missionários católicos e batistas do final do século XIX chamaram-nas de indecentes e francamente obscenas.25

Um século depois de Coudreau, no Brasil, e de alguns missionários que viveram na África Centro-Ocidental terem tomado conhecimento dessas imagens, podemos tentar nos despir do etnocentrismo existente em todas as culturas e tempos e buscar entender as motivações prováveis por trás das opções feitas pelos grupos e pelas pessoas. Nesse sentido, os estudos sobre os minkisi centro-africanos lançam novas luzes sobre os santos envoltos em panos gastos, com colares de contas e sementes e adereços de penas na cabeça. À maneira das penas colocadas na cabeça dos baganga (plural de nganga) e dos minkisi, o adereço de cabeça do São Benedito fotografado no mocambo do Pacoval reforça a conexão entre este mundo e o outro, a relação dos homens com o além, permitida pelo objeto mágico-religioso, seja ele um santo católico, um nkisi, ou um produto mestiço do encontro entre as diferentes culturas. Na virada do século XIX para o XX, as imagens dos santos católicos cultuados por comunidades afrodescendentes que viviam num grau significativo de isolamento, mantendo tradições e maneiras de pensar e sentir próximas das de suas culturas de origem, deviam guardar mais proximidade dos minkisi do que hoje em dia.

Considerando que desde o século XVI missionários católicos viviam entre povos da região do antigo reino do Congo e de Angola, onde se desenvolveram formas africanas de catolicismo e houve a incorporação de objetos do culto cristão às religiões tradicionais, percebemos que as mestiçagens culturais nas quais o catolicismo é o elemento dominante podiam estar em curso antes da escravização e da travessia do Atlântico. Com isso em mente, não é difícil aceitar que os panos e colares que envolviam os santos dispostos ao redor da igreja do mocambo visitado por Coudreau estavam mais próximos dos elementos equivalentes que compunham os minkisi, atribuindo-lhes certos poderes, do que das vestes e jóias que envolviam os santos que habitavam os altares dos senhores, que por sua vez também se inseriam no pensamento mágico que permeava a vida cotidiana da Europa pré-iluminista. Santos e minkisi eram objetos de ligação com o mundo do além, de onde vinha a solução para os problemas deste mundo.

Enquanto na cultura popular ibérica, na qual o catolicismo se misturou a tradições pagãs, os santos eram invocados para afastar epidemias de peste e pragas das plantações, trazer chuva e curar as pessoas, os minkisi, divididos em várias categorias e com especializações próprias, eram chamados a identificar malfeitores, curar ou provocar doenças, garantir a fertilidade da terra e das mulheres. Constituídos por esculturas, vasilhames ou amarrações, recebiam em ritos conduzidos pelos baganga ingredientes que os tornavam portadores de poderes próprios dos espíritos da natureza ou dos antepassados. A eles os santos católicos levados para a África pelos missionários foram associados. Na América, ao reconstituir suas formas de organização e relação com as coisas do mundo terreno e sobrenatural, os africanos e seus descendentes recorreram aos santos católicos para neles imprimir elementos de suas crenças tradicionais, utilizando-se dos espaços permitidos pela sociedade escravista, tal como fizeram com os festejos em torno de um rei negro.

Ao terem que construir novas instituições, os grupos heterogêneos de africanos escravizados recorreram não apenas aos saberes trazidos por determinados indivíduos, mas também ao que havia de comum aos sistemas cognitivos das pessoas pertencentes a grupos étnicos diversos. Nessa dinâmica entre uma “gramática da cultura” que serviu de base às novas formações e à ação de pessoas particulares, portadoras de conhecimentos adquiridos em suas terras natais, as penas muitas vezes foram mantidas como veículos de ligação entre este mundo e o além. Por outro lado, ao terem que se inserir numa sociedade dominada pelo colonizador cristão, que impunha sua religião, traduziram-na para seus próprios termos, atribuindo aos santos significados inacessíveis àqueles que não partilhavam seus códigos culturais. Dessa forma, os elementos da cultura dominante de origem européia, ao serem incorporados pelas comunidades afrodescendentes, receberam sentidos por elas criados. O caso aqui analisado é exemplo de como o estranhamento pode ser uma boa pista para se alcançar significados não evidentes, como nos ensinou Carlo Ginzburg.

Notas:

1 Nina Rodrigues, Os africanos no Brasil, 3a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1945; Melville Herskovits, The myth of the negro past, Boston, Beacon Press, 1990.

2   Roger Bastide, Les réligions africaines au Brésil, Paris, Presses Universitaires de France, 1960; e As Américas negras, as civilizações africanas no Novo Mundo, São Paulo, Difel, Editora da Universidade de São Paulo, 1974; Artur Ramos, Introdução à Antropologia Brasileira, Rio de Janeiro, Edição da Casa do Estudante do Brasil, 1943, e As culturas negras no Novo Mundo, 4a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1979; Edison Carneiro, Antologia do negro brasileiro, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, 1962; Pierre Verger, Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo de Benin e a Bahia de Todos os Santos, São Paulo, Corrupio, 1987.

3 Sidney Mintz e Richard Price, The birth of African-American culture, an anthropological perspective, Boston, Beacon Press, 1992.

 

4   Marina de Mello e Souza, Reis negros no Brasil escravista, história da festa de coroação de rei congo, Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002.

5 John Thornton é um pesquisador que tem dado contribuição decisiva para o estudo do catolicismo na África Centro-Ocidental. Suas posições, freqüentemente iluminadoras, podem ser conhecidas em diversos artigos e livros sobre o tema como “The development of an African Catholic Church in the Kingdom of Kongo, 1491-1750”, Journal of African History, no 25 (1984), pp. 147-167; “Early Kongo-Portuguese relations: a new interpretation”, in David Henige (org.), History in Africa, a journal of method, nº 8 (1981), pp. 183-204; e Africa and Africans in the Making of the Atlantic World, 1400-1680, Cambridge, Cambridge University Press, 1992.

6 Silvia Lara, em “Significados cruzados: as embaixadas de congos na Bahia setecentista”, in Maria Clementina P. Cunha (org.), Carnavais e outras f(r)estas, (Campinas, Cecult/Editora Unicamp, 2001), pp. 71-100, faz uma análise nessa direção, servindo de guia em alguns aspectos da minha interpretação das festas de reis congos em geral.

7 No livro mencionado eu utilizo a noção de “rei congo” como de um elemento aglutinador de diferentes grupos africanos e afrodescendentes no âmbito do processo de constituição de novas identidades. Manifestação que ganha vigor entre os grupos bantos, os festejos de reis do Congo traziam para os africanos a memória da terra natal, mitificada, e para os colonizadores a lembrança de um império que dominou os mares, o comércio, e que se empenhou em disseminar a palavra de Cristo.

8   Ver entre outros textos, de João José Reis, “Magia jeje na Bahia: a invasão do Calundu do Pasto de Cachoeira, 1785”, Revista Brasileira de História, v. 8, no16 (1988), pp. 57-81, e “Nas malhas do poder escravista: a invasão do candomblé do Accu”, in João José Reis e Eduardo Silva, Negociação e conflito, a resistência negra no Brasil escravista, São Paulo, Companhia das Letras, 1989, pp 32-61; de Luis Mott, “Acotundá: raízes setecentistas do sincretismo afro-brasileiro”, in Escravidão, homossexualidade e demonologia, São Paulo, Ícone Editora, 1988, pp. 87-114; “O calundu-angola de Luzia Pinta: Sabará, 1739”, Revista IAC, no1 (1994), pp.73-82; de Laura de Mello e Souza, “Revisitando o calundu”, in Lina Gorenstein e Maria Luiza Tucci Carneiro (orgs.), Ensaios sobre a intolerância, inquisição, marranismo e anti-semitismo (homenagem a Anita Novinski) (São Paulo, Humanitas, Fapesp, 2002), pp. 293-317.

9 João José Reis é autor que tem pensado sobre o tema da tensão existente entre a permissão e a repressão de práticas das comunidades negras no Brasil em momentos diferentes e sob o mando de administradores com posições diversas, como por exemplo em “Nas malhas do poder escravista”.

10 A carta do conde de Povolide, José da Cunha Grã Ataíde e Mello (1734-1792), está transcrita em nota do artigo de Robert C. Smith, “Décadas do Rosário dos Pretos. Documentos da irmandade”, Arquivos, no 1-2 (1945-1951), sendo que o autor o confunde com Martinho de Mello e Castro (1716-1795), estadista português que sucedeu a Pombal e nunca foi governador de Pernambuco. Atualizei a grafia e pontuação da carta.

11 João Antonio Andreoni (André João Antonil), Cultura e opulência do Brasil, 2a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1966, p. 164.

12 Otille Coudreau, Voyage au Rio Curua, 20 nov. 1900 7 mars 1901, Paris, A. Lahure ImprimeurEditeur, 1903, p. 19.

13 Aqui mocambo é uma aldeia de negros, geralmente remanescente de quilombos, que também eram conhecidos como mocambos. Para o caso específico do mocambo do Pacoval ver o estudo de Eurípedes Antonio Funes, “‘Nasci nas matas nunca tive senhor’. História dos mocambos do baixo Amazonas” (Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, 1995); e artigo com o mesmo título in João José Reis e Flávio dos Santos Gomes (orgs.), Liberdade por um fio, história dos quilombos no Brasil (São Paulo, Companhia das Letras, 1966), pp. 467-497.

14 Conforme Funes, “‘Nasci nas matas nunca tive senhor’”, p. 34.

15 Francis de Castelnau, Expedição às regiões centrais da América do Sul, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1949, p. 172.

16 Ver Zdenka Volavkova, “Nkisi figures of the Lower Congo”, African Arts, no 5 (2) (1972), p. 56. Para uma explicação sobre os minkisi, ver Wyatt MacGaffey, “The eyes of understanding Kongo minkisi”, in Astonishment and Power (Washington, National Museum of African Art, The Smithsonian Institution Press, 1993), p. 56, e An Anthology of Kongo Religion: primary texts from lower Zaire, Lawrence, University of Kansas, 1974.

17 Théophile Obenga, “Sculpture et société dans l’ancien Congo”, Dossiers Histoire et Arqueologie

18 John M. Janzen, “14 Figure (nkisi)”, in Expressions of Belief, New York, Rizzoli, 1988.

19 Wyatt MacGaffey, “Complexity, astonishment and power: the visual vocabulary of Kongo minkisi”, Journal of Southern African Studies, vol. 14, no 2 (1988), p.193.

20 A roupa está num museu em Dresden e pode ser vista no livro de Alisa LaGamma, Art and Oracle. African Art and Rituals of Divination, New York, Metropolitan Museum of Art, 2000, p. 57.

21 Ver Suzanne Preston Blier, Royal Arts of Africa. The majesty of form, London, Laurence King Publishing, Calman & King, 1998.

 

22 Um dos muitos pontos para os quais o parecerista anônimo da Afro-Ásia abriu meus olhos foi este, relativo à abrangência da presença de penas e pássaros em insígnias de poder.

23 Principalmente em Africa and Africans in the making of the Atlantic World.

24 Em Reis negros no Brasil escravista. História da festa de coroação de rei congo; “Santo Antonio de nó-de-pinho e o catolicismo afro-brasileiro”, Tempo, vol. 6, no 11, (2001) pp. 171188; e “História, mito e identidade nas festas de reis negros no Brasil séculos XVIII e XIX”, in István Jancsó e Iris Kantor (orgs.) Festa. Cultura a sociabilidade na América portuguesa (São Paulo, Hucitec / Edusp, 2001), pp. 249-260.

25 Conforme Volavkova, “Nkisi figures of the Lower Congo”, p. 52.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/catolicismo-negro-no-brasil-santos-e-minkisi-uma-reflexao-sobre-miscigenacao-cultural/

Introdução à Psiônica: Meditação Focal e Cineses

Meditação Focal

Meditação é fundamental para a prática psiônica. O controle significativo de suas habilidades psi só virá através da meditação constante e regular.

Existem duas classes principais de meditação: meditação no vazio e meditação focal. Meditação no Vazio é uma supressão prolongada da mente, em que se tenta não ter nenhum pensamento e nenhuma consciência a fim de limpar a mente e abrir-se para um novo entendimento. Meditação Focal é uma profunda concentração da mente, em que se tenta concentrar todo o pensamento e consciência sobre uma única coisa, um objeto ou um conceito.

Para efeitos psiônicos, a meditação focal é a forma de meditação que é de interesse primordial. Psiônica utiliza a meditação focal para ganhar a profundidade interior e auto-controle necessário para alcançar clareza nas capacidades de detecção e controle das habilidades psíquicas.

É plenamente possível realizar um ato psiônico sem qualquer meditação. É ainda possível a realização de um ato psiônico completamente por acidente. Mas qualquer um psion (aquele que treina psiônica) que deseja ganhar o controle consistente e profundo das habilidades psi deve usar a meditação focal para o conseguir.

A meditação focal mais básica é consiste simplesmente em selecionar um objeto e olhar para esse objeto, concentrando todos os seus pensamentos e consciência sobre esse objeto. Qualquer objeto vai servir para isso, ele pode ser tão simples como um ponto na parede ou um ponto desenhado no papel. Os melhores objetos para selecionar são os que ajudam a chamar a sua atenção. Um exemplo de um objeto que faz isso para muitas pessoas é um cristal. No entanto, o melhor objeto de meditação focal em psi parece ser a chama da vela.

Meditação da Vela

O exercício a seguir será descrito em termos de uma chama da vela. Você deve procurar uma vela e fazer isso com uma chama de vela real, como a chama faz um excelente trabalho de tirar sua atenção e prepará-lo para trabalho em psi. Se você é incapaz de fazer isso, substituir a chama na seguinte descrição para o objeto focal de sua escolha.

Pegue uma vela. Em um quarto escuro e silencioso, coloque-a em algum lugar livre da desordem, assim você não se distrai facilmente enquanto medita. Acenda a vela e, em seguida, sente-se confortavelmente a um ou dois metros de distância da vela.

Relaxe o corpo e a mente, tanto quanto possível, e veja a chama da vela. Não forçar seus olhos enquanto se concentra na chama da vela, pois o foco é feito em sua mente e não em seus olhos. Limpar todos os seus pensamentos e concentrá-los apenas na chama. Quando os pensamentos vêm a sua mente, ser passivo para com os seus pensamentos, permitindo-lhes passar sobre você e através de você, mas não reconhecer os pensamentos. Mantenha a totalidade de sua consciência apenas na chama da vela.

Continuar a concentrar-se na chama da vela por cerca de 45-60 minutos consecutivamente. Se você estiver distraído e perder o foco, simplesmente corrija o seu foco e volte a consciência para a chama da vela, continuando a sua prática. Com a prática, a meditação focal se tornará mais fácil, e você será capaz de chegar a estados de meditação profunda muito mais rapidamente.

Meditação Profunda

Depois de meditar com foco total no chama da vela por um tempo, você vai começar a entrar em estados meditativos mais profundos. A meditação focal primeiramente vai levá-lo em direção a um estado de calma e tranquilidade, seguido mais tarde pela obtenção de um foco mais profundo. Quando o foco se torna mais completo e você entra em estados mais profundos de meditação, você vai começar a sentir formigamento, zumbido, ou sensação de vibrações, que também será seguido por sentimentos de desapego. Quando estas sensações ocorrem, não se assuste com elas, mas sim aceite essas sensações e receba-as. Permita que aquelas sensações faça-o crescer muito mais enquanto você cai em estados mais profundos de meditação.

Relaxando depois da Meditação

Quando terminar de meditar, você deve retornar gradualmente a um estado normal de espírito. Primeiro comece por relaxar a sua mente, para que outros pensamentos possam entrar. Então você deve calma e lentamente inspirar e expirar, de modo a quando você inspirar a sua consciência voltará para dentro, e quando expirar leve sua consciência para fora, colocando qualquer excesso de energia em você para o chão. Quando terminar de inspirar e expirar algumas vezes, volte sua atenção para o seu ambiente normal e volte ao seu dia.

Benefícios adicionais da Meditação Focal

Psions usam a meditação focal para aprender o domínio de psi, mas os benefícios da meditação focal pode fluir durante a maior parte da vida da Psion. A prática regular da meditação focal produz maior foco mental em outras atividades cognitivas. Ele também ensina uma maior disciplina mental e auto-controle diante das lutas diárias. Meditação traz uma profundidade focal de confiança e de conscientização sobre si mesmo, o que aumenta a interação com os outros. E, finalmente, a meditação focal é o começo da filosofia psi, mudar algo no mundo externo começa sempre por mudar algo dentro de si mesmo.

Cineses

Meditação Focal, e que você praticou com sucesso, atingindo estados de meditação profunda.

Cinese é a categoria de habilidades psi que envolvem fazer uma mudança no mundo físico. Isso inclui mudanças “diretas”, como fazer um objeto se mover, e inclui efeitos “indiretos”, como curar alguém, onde o efeito é provocado, sem especificar o mecanismo direto.

“Cinese” (ou “kinesis”) é a palavra usada para descrever a verdadeira causa de tal efeito, e “Cinético” para descrever aquele que está utilizando Cinese.

Existem muitas palavras que foram criadas para tentar descrever Cinese. Uma delas é “macropsicocinese”, aquilo que causa uma alteração directa, e “micropsicocinese”, o que causa uma alteração indirecta. Outro conjunto de termos, mais ilimitado, é formado pelas tentativas de categorizar Cinese pelo alvo sobre o qual está sendo formado. Este conjunto inclui termos como “biocinese”, para a realização de cinese sobre os organismos vivos, e “pirocinese”, para a realização de cinese sobre fogo. No entanto, cada um desses conjuntos de classificações é completamente desnecessária. A escolha do alvo para cinese não tem nenhum efeito sobre a forma como ele é, na verdade, “cinetizado”.

A classificação de Cinese por tipo de alteração ou mudança (direta ou indireta) tanto é algo fundamental para como a Cinese é realizada quanto é também um tanto desnecessária, tal como a um nível fundamental, toda Cinese é realizada da mesma maneira. Mas pode ser conceitualmente mais fácil de aprender e falar sobre Cinese em termos de Cinese Direta ou Indireta.

O Papel da Alma nas Cineses

Há muitas pessoas que se sentem desconfortáveis com a ideia da alma desempenhando um papel na Psiônica. Para essas pessoas, a alma é uma ideia científica, ou uma ideia que está culturalmente associada a ideias religiosas que eles preferem evitar. Os preocupados com as implicações científicas de uma alma invocam frequentemente descrições físicas de Psi que estão diretamente contraditadas pela evidência e experiência de Psi. Os preocupados com suas associações religiosas ou espirituais muitas vezes criam condições mais complicadas para evitar nomeá-la diretamente, como “o eu não físico” ou “a expressão da vontade interna”.

Mas, apesar dessas preocupações e independentemente de renomeação, a Alma é a parte central do eu que é a única parte de nós mesmos capaz de realizar Psi e que faz todo Psi. O termo ”alma” aqui utilizado é entendido como a parte de nós que executa Psi, que se separa do corpo durante experiências fora do corpo, e que continua a existir depois da morte do corpo físico. A frase “será”, no sentido de realizar psi é essencialmente a expressão da ação da alma. A expressão “auto-consciência”, no sentido de Psi refere-se à consciência da alma.

Cinese pode ser realizada e pode ocorrer sem qualquer consciência da alma. Ela pode até mesmo ocorrer sem consciência de que nada está sendo realizado. Mas, nestas condições, a confiabilidade e precisão será tipicamente muito baixa, e a capacidade de desenvolver as tarefas mais complicadas será restrita. Por isso, é essencial para o progresso na Cinese e na Psi que a consciência da alma seja desenvolvida.

A Meditação Focal é um componente valioso de Psi porque a alma é a parte de você que é revelada quando não há consciência de pensamento. A alma é o “você sob o cérebro”. A verdadeira consciência da alma e da compreensão da alma é o melhor obtida através da experiência, e isso é melhor obtido através da meditação e prática de psi. Praticar Meditação Focal vai abrir a porta que lhe permitirá um contato mais direto com a sua alma. Então praticando Cinese pela expressão da alma lhe permitirá ganhar uma consciência experiencial e compreensão de onde e o que a alma realmente é.

Executando Cineses

O procedimento para a realização de Cinese controlada é essencialmente o mesmo para todo o resultado desejado de Cinese.

O primeiro passo deve ser sempre realizar a Meditação Focal, pois isso coloca você no estado mental adequado para exercer o controle focalizado. Quando você está em um estado de meditação profunda, saia do meio objetivo e foque-se em sua alma.

Suas intenções devem estar unica e exclusivamente voltadas para o objeto a ser alvo da Cinese, de tal forma que a sua auto-consciência está centrada no objeto alvo. Quando sua alma muda o seu foco de acordo com sua intenção, ela poderá realizar a Cinese.

Em seguida, você deve formular a intenção de que você vai Cinetizar formulando o resultado desejado. Então, finalmente, você energiza e atualiza o resultado em sua alma, de modo que ele ocorra neste exato momento.

Todo ato cinético é um reflexo da alma. É uma expressão do Eu Interior sendo refletida sobre o mundo exterior. Quando você quer que algo ocorra, você deve voltar-se para dentro de si mesmo e mudar a natureza da realidade dentro de si mesmo, de modo que por sua vez isto reflita na realidade. O ato de expectativa profunda e completa que atualiza uma cinese é realizado mudando inicialmente as suas expectativas internas de modo que elas representam uma expectativa de que o comportamento natural do objeto será o de cumprir o resultado de sua intenção.

Aprender como fazer essas mudanças internas através de suas expectativas interiores não é de todo uma tarefa fácil, e para fazê-lo de forma eficaz e consistente requer que você desenvolva a consciência profunda e auto-controle profundo, o que pode ser desenvolvido com a Meditação Focal e prática de Cinese. Esse nível de consciência e auto-controle vai refletir sobre muitas coisas de sua vida, e que também irá capacitá-lo com a capacidade de Cinético com razoável confiabilidade e consistência. Para começar no caminho para o desenvolvimento desta consciência e auto-controle, você pode praticar de forma bastante eficaz de aprender a usar cinese para inclinar a chama da vela.

Controlando a Chama

Aprender a controlar a chama da vela é um exercício prático e perspicaz para aprender os princípios da Cinese. A chama da vela pode fornecer feedback direto e imediato para mostrar quando você está acessando e utilizando com sucesso a sua alma para controlar as chamas.

Comece como você fez antes, limpando sua mente com a Meditação Focal na chama de uma vela. Medite sobre a chama da vela até que tenha chegado a um estado de meditação profunda, onde você pode começar a se tornar consciente de sua alma. Quando você está focado em que parte de você que está presente em profunda meditação, veja a chama da vela com a sua alma de tal forma que você sinta o seu centro de percepção e consciência estar no mesmo local que o chama, como se você fosse realmente a vela. Praticar apenas esta parte do exercício até que você esteja confortável com isso.

Em seguida, visualize a chama da vela estabilizar na posição vertical, sem cintilação, e espere que ela tome e manter esta forma. Sinta a sua alma no local da chama da vela, formando a forma da chama que você está visualizando, e espere que a chama tome esta forma. Este ato de “expectativa” é crítico. Você deve acreditar completamente e esperar que ela vai trabalhar no preciso momento em que você está tentando fazer isso funcionar. Mantenha a chama vertical e estável desta forma por um tempo.

Depois de ter conseguido estabilizar a chama, você deve visualizá-la inclinando para a esquerda. Molde a sua forma com a sua alma, e espere que isto funcione neste momento, assim como você fez antes. Não empurre a chama, mas module a forma e perceba, no fundo, com a expectativa, de que a chama da vela já está tomando a forma. Isto pode ser útil para alcançar dentro de si mesmo e mudar sua expectativa interior para que a forma nova que a chama irá ter  é a forma “natural” que a chama da vela possui, enquanto permanecer relaxado e confiante de que isso já aconteceu.

Depois de um tempo, torne a inclinação da chama à direita da mesma maneira. Primeiramente, incline a chama um pouco em cada sentido, então, conforme sua confiança vai aumentando, incline-a mais e mais para o lado que você escolheu. Quando você tentar inclinar a chama e ela ficar “piscando”, tente estabilizá-la em uma inclinação mais suave e controlada e quando ela estabilizar novamente, conclua a inclinação para o lado escolhido. Continuar praticando isso até que você seja capaz de inclinar a chama longe para cada lado escolhido e mantê-la estável nesse local.

Pode levar algum tempo para se controlar isso, porque pode ser difícil ir a níveis profundos de si mesmo, ganhar consciência de sua alma, dirigi-la, controlar suas expectativas internas ao que deseja e refleti-las sobre a realidade presente. Mas se você praticar com foco profundo e passos graduais, você vai dominar tal prática e isto vai abrir uma janela de conhecimento para o restante da Psiônica.

Texto do Veritas. Traduzido por Jeff Alves.

 Desejo a todos vocês um Feliz Natal (atrasado, né?), Boas Festas e um Próspero Ano Novo!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-psi%C3%B4nica-medita%C3%A7%C3%A3o-focal-e-cineses

Os Alquimistas e a Ciência

Com a ramificação, deteriorização e alienação dos conhecimentos da fonte, muitas coisas foram  levadas ao extremo do egoísmo, fazendo com que essas verdades fossem encobertas por fantasias daqueles que não queriam procurar a legitima essência a partir de analógias precisas.

Eis que conseqüentemente surgiu uma manifestação predominante da razão sectária credológica. Nisto, em muitos dos casos, aos leigos principalmente, foi imposta uma lei de aceitação inquestionável das teses teogônicas, onde a primordial ciência tinha sido subjugada pelos dogmas das formalizadas instituições que assumiram o termo de religião.

Com o ocorrido, muitos se revoltaram e, consequentemente, problematizaram e elaboraram uma base de estudos separados do sagrado e espiritual; confundiram a essência do saber com as cascas dogmáticas e fantasiosas dos credos ideológico. Com isso, essas pessoas voltaram-se para uma razão e supervalorização de uma lógica empírica, materialista e, em determinados caos, fanática.

Então, eis que surgiu a era da critica da razão pura, o iluminismo e o apreço há um materialismo que naquele momento (e em outros) mostrava mais coisas óbvias e palpáveis do que a religiosidade que oprimia, condenava, e matava em nome de um deus.

A ciência que surgia nesse período foi se formulando e tornando-se mais separada ainda do meio transcendente. Nessas transformações, de um lado prevaleceu a lógica material, e de outro ficou em seu canto a razão espiritual.

Com a repercussão dessa cisão, predominou as partes palpáveis e quantificáveis dessa ciência, ocorrendo isso com a astrologia que deu nascimento a astronomia (provavelmente com sua cisão no século XVII) e da alquimia que gerou a química. Hoje boa parte, com algumas exceções, das ditas ciências estudadas nas academias e escolas são de cunho limitados aos aspectos fatídicos do dia a dia.

Dentro desse contexto e, levando em conta a figura do Alquimista ou estudante de Alquimia, temos que ele é, em sua natureza, um cientista, pois o mesmo precisa entender o processo de transmutação física/química e elemental para que com isso venha tirar proveito desse conhecimento e utilizar isto em seu processo de transmutação interior para a tão almejada obtenção da Grande Obra, que só poderá ser obtida através da harmonia entre o que esta em cima (O interior, logos superior) com o que esta embaixo (O exterior, o mundo fatídico e a natureza).

Já o cientista, quando somente se reporta à dita ciência limitada, é somente um cientista, pois ao aceitar o limite cientifico, e somente seu caráter positivista, estará se tornando apenas um físico ou um químico, geneticista, etc. Mas, se o mesmo é aderente a essa união que antes era inseparável, ele se enquadra há uma condição de estudante ou ao nível dos assim chamados alquimistas adeptos.

Temos como exemplo de Alquimista cientista o célebre Isaac Newton. O mesmo transitou pelas ditas ciências ocultas, mas com objetivos bem pragmáticos e com instrumental digno de um pesquisador sério. Suas investidas pela alquimia levaram a importantes descobertas para a química moderna. Mas tudo que foi apresentado por Newton foi exposto sob um ponto de vista lógico em seus resultados mas não deixam de ser conteúdos embasados em teorias alquímicas e transcendentais. Porém, a ciência dita limitada de hoje, em muito dos casos, teve (tem) a intenção de somente expor aquilo que pode ser usado como algo de valor desde que possa ser separada de seus aspectos mau compreendido pelas massas.

Newton, em seus estudos da astrologia, reconheceu o seu valor e auxílio em relação a capacidade de enxergar o universo de forma mais aberta, culminando em conclusões importantes para a astronomia.

Em parte, sofremos a influencia do iluminismo de Voltaire (que segundo alguns era ligado ao  Rosacrucianismo), que nos deu em destaque e visibilidade somente o teor racionalista de Isaac  Newton. O outro lado da questão é devido à ultra-especialização de nossa cultura – o físico  detém-se apenas à sua formação para compreender Newton, o químico idem, já o estudante ou  o próprio alquimista sabe que para compreender a verdadeira forma de como obter a Magnus  Opus é priori se impor acima de todas essas bases e unificá-las juntamente com o  Transcendental, desde que esse não seja em totalidade algo dogmático.

 Por isso que em muitos círculos Herméticos onde o Mestre instruía seu discípulo nas artes  Alquímicas prevalecia a seguinte prelazia:

“ORA, LEGE, LEGE, RELEGE, LABORA ET INVENIER”

(ORE, LÊ, LÊ, RELÊ, TRABALHE E ENCONTRARÁS) 

Podemos conferir em pesquisas que grandes cientistas foram exímios alquimistas, e que suas descobertas por terem tido uma grande importância para a evolução da ciência moderna, só foram expostas e reconhecidas em aspectos e funções que condiziam com ao que era aceito pela massa cientifica e limitada.

Dentre esses sábios, temos não somente Newton, mas também…

Santo Alberto Magno: 1193 – 1280 – conseguiu preparar o hidróxido de potássio e descreveu a composição química de diversos compostos, como o cinábrio, o alvaiade e o mínio;

Paracelso: 1493 – 1541- o primeiro a se referir a luz astral nos meios alquímicos, chegou a identificar o zinco como um novo metal, com propriedades diferentes das até então conhecidas, pioneiro na utilização medicinal dos compostos químicos e, além disso, descobriu varias formas de tratar doenças que assolavam a Europa no século XVI;

Roger Bacon: 1214 – 1294 – Pioneiro em enfatizar a possibilidade de utilização de lentes ópticas para aumentar objetos pequenos;

Raimundo Lúlio: 1233- 1316 – Alquimista que com maestria preparou o bicarbonato de potássio;

Giambattista della Porta: 1535- 1615 – preparou o óxido de estanho II

Abu Musa Jabir ibn Hayyan: 721– 815 – também conhecido pelo nome latino Geber, o primeiro a desenvolver um processo de destilação perfeito, alquimista islâmico proeminente, além de farmacêutico, filósofo, astrônomo, e físico. Ele também foi chamado de “o pai de química árabe” pelos europeus.

Maria, a Judia (ou Maria, a Profetisa): uma antiga filósofa grega e famosa alquimista que viveu no Egito por volta do ano 273 a.C.. dizem que viveu na época de Aristóteles (384–322 a.C.); suposta criadora do banho-maria;

Carl Gustav Jung: 1875 – 1961 – Incorporou os conceitos e simbologia da alquimia a psicologia analítica, comprovando a relação entre a arte da transmutação com a constituição da psique humana, através de seus arquétipos em interação com um inconsciente coletivo.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-alquimistas-e-a-ci%C3%AAncia

Os Novos Planetas e a Kabbalah

Olá crianças,

Nesta semana, muitos têm me escrito perguntando como ficará a estrutura da Árvore da Vida ou a Astrologia e os Mapas Astrais com a descoberta dos novos planetas no Sistema Solar. Muitos debates na internet e diversas opiniões em conflito, mas a resposta para esta pergunta é muito simples:

A Árvore da Vida não muda em absolutamente NADA. A descoberta de novos lagos na Antártida não faz com que o mapa da cidade de São Paulo mude. Todo o conhecimento dentro da Árvore da Vida cresce de acordo com que evoluímos nossa consciência. Durante muitos anos, Daath esteve associado ao Planeta Saturno, que representava os limites daquilo que conhecemos. Acima de Daath ficavam o “Zodíaco” e o ” Prime Mobile”, as estrelas fixas… originalmente observado por Hiparco em 128 DC, e oficialmente reconhecido em 1783, Urano passou a representar Binah como o limite;

Quando Galileu previu a existência de Netuno, em 1612, este passou a representar os limites do conhecimento na magia, coincidindo com a organização e estruturação do Método Científico como conhecemos hoje. Oficialmente reconhecido em 1846, por muito tempo Netuno representou esse abismo final entre o Conhecimento (Urano) e a espiritualidade (Netuno). Em 1930, o Planeta Plutão foi observado por Clyde Tombaugh e incorporado primeiramente como o limite extremo da Árvore (quem segue os estudos de Aleister Crowley verá que ele coloca Plutão em Kether) até ser colocado corretamente como Daath, onde está sua correspondência até os dias atuais.

E os Novos Planetas?
Além da esfera de Netuno (Kether) existe um segundo cinturão de Asteróides, chamado de Cinturão de Kuiper. Este cinturão é cerca de 20 a 200 vezes maior que o cinturão de asteróides que temos entre Marte e Júpiter e contém inúmeros planetas menores (entre eles Ixion, Orcus, Haumea, Makemake, Quaoar, Varuna, Eris e Sedna) e, agora em 2016, um planeta novo recém descoberto com 10 vezes o tamanho da Terra.
Plutão tem um período orbital de 248 anos; Ixion 249; Orcus 245 anos; Varuna 281 anos; Haumea 284 anos; Quaoar 285 anos; Makemake 309 anos, Eris 509 anos e Sedna aproximadamente 11.400 anos (sim, onze MIL anos!)

Por isso, podem ficar tranquilos que a Astronomia ainda deve descobrir dezenas, talvez centenas de novos planetas no próximo século, mas nenhum deles trará absolutamente nada de novo para os estudos da Árvore da Vida neste planeta. Invencionices esquisotéricas não faltarão, especialmente em relação a estes novos planetas, embora volto a lembrar que NENHUM deles passa pelo nosso plano zodiacal, portanto, é impossível dizer algo do tipo “Ixion em Gêmeos” ou “Sedna em Capricórnio”… simplesmente para quem tem o mínimo do mínimo de estudos, não faz o menor sentido!

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Homens de Preto – A Realidade por trás da Ficção

“Queimando discos, queimando livros, Soldados sagrados, visual nazista” – Holy Smoke, Iron Maiden

 “Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber.” – Mateus 10:26

Homens de preto e Ufologia

 

Milhões de pessoas ao redor do mundo assistiram ao filme “Homens de Preto” e suas sequências, mas poucas sabem de onde foi tirada a inspiração para fazê-los. Como muitos filmes, ele foi baseado numa HQ, e esta num livro escrito em 1956 pelo estadunidense Gray Barker, intitulado “Eles Sabiam Demais sobre Discos Voadores” . Livro este no qual pela primeira vez o mundo ouve falar dos Homens de Preto, um grupo que “sugere” a indivíduos silenciar sobre suas incomuns experiências. Sua alcunha deve-se não apenas a cor que trajam, mas a seu estranho e total anonimato: não revelariam seus nomes, de onde vieram ou por quem foram enviados, daí nenhuma outra forma de referir-se a eles ou descrevê-los. Os carros que dirigem, contudo, teriam aparência oficial.

Antes de escrever este que foi seu primeiro livro, Barker já escrevia artigos do gênero para a revista Space Review, publicada por Albert K. Bender e seu Escritório Internacional de Discos Voadores. Em 1953, Bender abruptamente dissolveu sua organização, alegando que não poderia continuar a escrever sobre OVNIs devido a “ordens de fonte superior”. Após ser pressionado por Barker a revelar maiores detalhes, Bender relatou seus supostos encontros com os Homens de Preto, o que teria motivado Barker a escrever seu livro. É claro que tudo pode não ter passado de um conluio entre os dois, dizem até que o próprio Barker não acreditava no que escrevia, só queria ganhar dinheiro. Mas isto também pode não passar de um boato forjado e espalhado pelos Homens de Preto.

Seja qual for a verdade, isto foi no meio do século passado, época onde a informação sobre tais assuntos deveria ser escassa em relação a hoje, e a Internet apenas uma utopia para a população global. Então, se os Homens de Preto queriam ocultar da humanidade este tipo de relato, podemos dizer que neste âmbito falharam miseravelmente, pois hoje abundam livros e sites sobre o tema. Perante este fato, é claro que muitos vão pensar algo do tipo: “Bem, se isso aconteceu, estes Homens de Preto não devem existir, pois não teriam permitido.” Mas, ora, se existissem, não seria exatamente isto que iriam querer que você pensasse?

Uma hipótese que não podemos esquecer é que a coisa pode não ter acontecido com a permissão deles; talvez eles simplesmente não puderam controlá-la. Eles podem ser poderosos, mas não invencíveis – e certamente teriam alguns inimigos. Isso sem falar que, entre aqueles que conhecem um segredo, às vezes há os que querem revelá-lo. Além disso, como se pode deduzir o trabalho deles teria sido fácil por muito tempo, portanto talvez não estivessem preparados para enfrentar as novas armas na difusão do conhecimento que surgiram junto com os tempos modernos: a invenção da imprensa[1], fotografia (pois esta também reproduz texto), a já citada Internet, etc. Para não falar na TV, é claro. Ao redor de todo o globo, muitos telejornais e diversos programas já apresentaram relatos de avistamentos, abduções, etc. Mas não se pode hipnotizar, drogar ou matar praticamente um país inteiro (pois através da hipnose ou drogas pode-se causar amnésia, mas logicamente não de modo seguro e matematicamente exato como o prático flash do filme).

Então, perante este quadro, nada restaria aos Homens de Preto e seus superiores senão negar e ridicularizar tais testemunhos, esperando assim desacreditá-los – pois uma das coisas que o homem comum mais teme, além da morte, é cair no ridículo, a opinião alheia importa-lhe mais que a própria. Ademais, o governo e a Aeronáutica dos países onde OVNIs são avistados só poderiam negar mesmo, seria grande ingenuidade esperar que admitissem tal coisa. Que governo assumiria ser incapaz de proteger sua população de incontroláveis e desconhecidos invasores? Afinal, boa parte dos impostos pagos destina-se exatamente a este fim. A única razão de existir da Aeronáutica é proteger o espaço aéreo de seu respectivo país, então ela não pode assumir que não consegue cumprir sua tarefa plenamente, que há invasores contra os quais nada pode fazer. Seria como o zelador de um prédio dizer que há um tipo especial de pessoa a qual ele não pode impedir de entrar e sair ao seu bel-prazer. Também não podemos esquecer a hipótese dos OVNIs não serem nada mais que aeronaves ultra-sofisticadas de determinados países. Qualquer um sabe, por exemplo, que os EUA gastam zilhões de dólares em tecnologia militar, então não seria nenhuma surpresa se eles tivessem coisas que nem imaginamos nesse campo (e tudo indica que tenham, vide Área 51). Nesse caso, alguns se perguntariam por que manter secreta a existência destas fabulosas armas e, ao mesmo tempo, algo com que poderia-se inclusive lucrar muito. Bem, a resposta é simples: para que seus vizinhos não sintam-se ameaçados e tentem desenvolver coisa parecida. Não é preciso ser Maquiavel ou Sun Tzu para perceber que só se deve permitir o acesso a uma arma quando já se dispõe de uma arma superior. E no caso dos OVNIs serem aeronaves comandadas por humanos, admitir uma invasão contra a qual nada pode se fazer seria ainda mais vergonhoso – para ambas as partes.

Portanto, apesar de tantos mistérios e dúvidas, um fato ergue-se e permanece indiscutível: os OVNIs, seja lá o que forem, realmente existem. Aliás, vários pilotos de avião já relataram tê-los avistado. Desnecessário dizer, estes são pessoas instruídas que deveriam saber identificar qualquer coisa que surja nos céus (e astrônomos mais ainda). Alguns destes relatos, é claro, permanecem confidenciais, pois são de pilotos militares. Falando nisso, a edição de setembro de 2013 da revista Super Interessante traz uma matéria de capa sobre a abertura de arquivos no Brasil. Então, já sabemos que OVNIs existem, mas não o que são (ou não teriam esse nome, afinal). A pergunta que fica é: Existirá alguém querendo impedir que saibamos o que são? No caso deles terem origem humana, como na hipótese recém explanada acima, obviamente que sim. E se sua origem não for humana, restam-nos duas hipóteses: ou o homem ainda é simplesmente incapaz de descobrir e explicar o que são os OVNIs, ou alguns descobriram mas não quiseram (ou foram impedidos de) revelar ao mundo.

Quanto a extraterrestres, talvez uma pergunta interessante a ser feita seja: Se eles existem, será que iriam querer que soubéssemos? Provavelmente não, ou já teríamos provas disso.

Mas agora vamos mudar de assunto, pois essa é  só a ponta do iceberg.

 

Escondendo mais do que você imagina… Homens de Preto e outros Segredos

“Existe uma história escrita para gente comum, e outra invisível aos olhos do povo, escrita por nós, que fizemos a história acontecer. Assim é a vida, assim somos nós e vocês: os que fazem a história e os que a aprendem com obediência, como nós desejamos.” – Serrano Suner em “A Fórmula da Eterna Juventude e outros Experimentos Nazistas”, de Carlos Nápoli

“Somente os pequenos segredos precisam ser guardados; os grandes, ninguém acredita.” – Herbert Marshall

De qualquer forma, quer extraterrestres existam ou não, não se pode, como nos mostra a própria História, negar a existência de grupos – interligados ou não – cujo objetivo é suprimir e/ou monopolizar o conhecimento (este, definitivamente, ainda não é e nunca foi livre). Assim, extraterrestres podem até não existir, mas creio que o mesmo não pode ser dito, como veremos a seguir, dos Homens de Preto. “Mas então, o que eles escondem de nós?” Bem, se eu soubesse seria um deles, mas não é preciso ter uma imaginação de Julio Verne para fazer algumas suposições.

Só para citar alguns exemplos, Mussolini assim como Hitler tinha seus conselheiros místicos, e sob ordens de dois deles, em 1944 foram queimados 80.000 (sim, 80 mil, mas espere até ler sobre Alexandria) livros e manuscritos da Sociedade Real do Saber de Nápoles, visando impedir que documentos mágicos importantes caíssem nas mãos dos Aliados. Entre eles, encontravam-se manuscritos inéditos de Leonardo Da Vinci, como também documentos apreendidos de Aleister Crowley na sua abadia em Cefalu, Sicília. Todos já ouviram falar da famosa Biblioteca de Alexandria, segundo a Wikipédia “ela continha praticamente todo o saber da Antiguidade em cerca de 700.000 rolos de papiros e pergaminhos” – também não é para menos, pois seu lema era “adquirir um exemplar de cada manuscrito existente na face da Terra”. Mas ao contrário do que tantos pensam, ela não foi destruída por acidente em decorrência de batalhas. Ela continha inúmeros documentos alquímicos que foram roubados ou destruídos, não só pela cobiça e avareza como também pelo fanatismo religioso dos arábes, que seguiam as absurdas máximas “não há necessidade de outros livros senão O Livro (Alcorão)” e “o livro de Deus é-nos suficiente”. Mas isto, é claro, pode ter sido apenas um pretexto. Afinal, é fácil entender o medo, ou mesmo desespero, dos poderosos perante a Alquimia. Se todos pudessem fabricar ouro em casa, obviamente ele perderia o seu valor e, assim, impérios ruiriam. Portanto, não é difícil entender por que a Igreja Católica combateu tão fortemente a Alquimia. (Sobre a Magia de modo geral, poderia-se dizer que ela supostamente permitiria ao homem comandar a Natureza e seu próprio destino, e às vezes o dos outros também, assim “brincando de deus”.) Em 1897, herdeiros de Stanislas de Guaita foram ameaçados de morte se não destruíssem quatro manuscritos inéditos do autor que versavam sobre “Magia negra”, assim como todo seu arquivo. A instrução foi cumprida.

Em 1971, um russo radicado na França, Jacques Bergier[2] escreveu “Os Livros Malditos”, no qual relata não só os casos acima descritos como também outros semelhantes, e diz estar convencido da existência de uma antiga sociedade secreta destinada a ocultar certos conhecimentos da humanidade. Bergier refere-se a ela como – adivinhe? – “os Homens de Preto”. De sua existência (ou, pelo menos, de algo parecido) há muitos indícios e estou inclinado a concordar com Bergier. A História está cheia de exemplos de livros ou documentos que são censurados ou mesmo avidamente procurados, e a cujos proprietários às vezes acontecem estranhos acidentes – daí também o adjetivo “malditos” para descrever os livros que Bergier aborda em cada capítulo. Parafraseando o próprio, é preciso ler “Os Livros Malditos”, assim, não me estenderei muito sobre seu conteúdo aqui.

Num mundo ignorante como o nosso, certamente será taxado de paranóico ou esquizofrênico quem alegue existir um grupo de homens cujo principal objetivo é esconder certas coisas da humanidade. Mas há uma enorme prova, a qual todos conhecem só não se apercebem, de que um tal grupo, pelo menos, existiu: A Inquisição. E infelizmente, não se pode negar que ainda existe coisa semelhante, pois é bem sabido que os Arquivos do Vaticano contém inúmeros documentos secretos e únicos. E tal supressão do conhecimento é ainda mais evidente em certos cantos mais atrasados do mundo, que parecem continuar na Idade das Trevas ou coisa até pior, chegando ao extremo de proibir as mulheres de aprender a escrever e estudar – às vezes, até de falar. Perante estes fatos, é difícil refutar a existência de uma espécie de “fraternidade negra” inimiga da luz do conhecimento – os místicos e ocultistas chamam-na “a loja negra”. Mas, num mundo feito de cegos, aqueles que enxergam são taxados de loucos.

Veja onde o homem chegou, já querem enviar pessoas a Marte – o que não muito tempo atrás, também seria loucura. Agora considere, por um momento, que nossa civilização tenha sido de alguma forma aniquilada, mas alguns poucos tiveram a sorte – ou o azar, pelas condições em que o mundo se encontraria – de sobreviver (sim, exatamente como naquela imbecil dinâmica de grupo. Aliás qual não é?) Suponha que, com alguma sorte e muito sexo, estes poucos remanescentes tenham conseguido dar continuidade à raça humana. Seus descendentes nasceriam num mundo devastado, onde as coisas que consideramos mais triviais tornariam-se as mais incríveis lendas: televisores, automóveis, aviões, computadores, telefones, armas de fogo e qualquer outro tipo de máquina ou tecnologia. Os primeiros, os que sobreviveram à catástrofe, saberiam que tais coisas um dia existiram e contariam a seus filhos, dos quais talvez alguns acreditariam, outros não. E se ninguém fosse capaz de recriar estas coisas um dia (ou se fossem recriadas mas mantidas em segredo), tais “lendas” passariam de geração em geração tornando-se cada vez mais desacreditadas, podendo até mesmo caírem no esquecimento. E se eles encontrassem qualquer um de nossos “misteriosos artefatos”, não saberiam como nem para que foram feitos – hei, isso não parece familiar? Tal descrição se aplica, por exemplo, aos Crânios de Cristal

Então, quem pode nos garantir que já não aconteceu coisa semelhante?

Ou melhor, e se eu lhe disser que há provas de que existiu uma prodigiosa ciência perdida?

Provas estas, aliás, muito grandes e concretas que todos conhecem.

Do que eu estou falando?

Das Pirâmides do Egito. (Não disse que eram grandes e concretas?)

Mas por que as Pirâmides do Egito seriam provas de que um dia houve uma ciência perdida?

Ora, por uma razão muito simples: curiosamente é um fato pouco divulgado, mas ao menos por enquanto é impossível reproduzí-las com perfeita exatidão. Ainda mais pelo mesmo método, qualquer que tenha sido. Existem variadas teorias sobre como foram construídas as pirâmides, mas nenhuma delas plenamente satisfatória – não à toa, não há nem sombra de consenso. Ou seja, atualmente, o homem é incapaz de repetir um feito de milhares de anos atrás, porque o conhecimento necessário para tal se perdeu (ou foi preservado em segredo). Como se isso não bastasse, também não se sabe POR QUE elas foram construídas, isto é, sua verdadeira finalidade. Não, não foi para servirem de tumba ou cofre de tesouros, como surpreendentemente veremos a seguir. Àqueles interessados em maiores detalhes, recomendo a leitura dos textos de Marcelo Del Debbio sobre o assunto (além daqueles citados aqui, o divertido “A Pirâmide do Faraó Del Debbio I”). Todavia, alguns destes detalhes são tão impressionantes que não poderei deixar de citá-los. É bem conhecida e justificada a predileção dos mais céticos por números, então vamos a eles:

(Dentro das aspas, coloquei meus comentários ou cortes do texto entre colchetes, aqueles entre parênteses são do próprio Del Debbio)

“A base da pirâmide [de Queops] é perfeitamente plana, com desnível de apenas 0,075cm/100m (para quem não é arquiteto ou engenheiro esses números não dizem muita coisa, mas para ter uma idéia comparativa do quão preciso foi o nivelamento das pirâmides, basta dizer que edifícios modernos de alta tecnologia chegam a 15-20cm/100m em desnível). As 3 pirâmides alinham-se com a constelação de Órion [3 Marias] com margem de erro de 0,001% quando comparadas com a posição destas estrelas no céu em 10.500 AC.” – Extraído do texto “Pirâmides, Pirâmides… – parte II”

“Assim como são ‘coincidências’ […] as pirâmides encontradas na China alinharem perfeitamente com a constelação de Gêmeos, os Templos astecas de Tecnochtitlan estarem alinhados com a constelação de Urso, Angkor Wat (aqueles templos que a Lara Croft explora no Cambodja) estarem alinhados com a constelação do Dragão e assim por diante…” – Extraído do texto “Pirâmides Submersas no Japão – parte 1”

“E eu nem comecei ainda a falar sobre a Câmara do Rei, cuja configuração e proporção das pedras do chão refletem as medidas/translações dos seis primeiros planetas do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno). […] apesar de todo este cuidado milimétrico de projeto da pirâmide, o ‘sarcófago’ é PEQUENO DEMAIS para caber uma pessoa deitada dentro dele. […] As otoridades egípcias afirmam que a pirâmide é a tumba de um faraó. Embora NUNCA se tenha encontrado sequer uma múmia em NENHUMA das 111 pirâmides catalogadas. Também nunca foram encontrados NENHUM tesouro de faraó algum. Todas as múmias foram encontradas em cemitérios localizados aos pés das pirâmides ou em templos adequados para tal (Mastabas). Todos os tesouros encontrados estavam nos templos e antecâmaras, mas nunca dentro das estruturas. A explicação oficial é que ‘ladrões de tumbas’ saquearam todos os tesouros e as múmias. Embora, voltando a Khufu [nome egípcio de Queops], os exploradores tiveram de DINAMITAR a passagem para entrar, e nada encontraram lá dentro. Ou seja, se houvessem ‘ladrões de tumba’ eles entraram, levaram TUDO (tudo tudo tudo) e ainda tiveram a paciência de recolocar todas as pedras na entrada de modo a deixá-la do mesmo modo que ela estava antes deles chegarem, com direito a mesma precisão milimétrica dos encaixes.” – Extraído do texto “Pirâmides, Pirâmides… – parte II”

“As medidas internas oficiais [do sarcófago] são 1,68m x 68,1cm x 87,4cm. A menos que o faraó fosse bem anãozinho, não poderia ser colocado junto com seu ‘chapéu de faraó’ e ‘ornamentos de faraó’ dentro de um sarcófago tão pequeno. Teriam nossos amigos escravos egípcios, que empurraram tantas pedras tão pesadas ladeira acima e construíram uma pirâmide com erro de 58mm em 230m, errado tão idiotamente logo no ‘coração’ da tumba?” – Extraído do texto “Pirâmides parte III – A Câmara dos Reis”

Embora o complexo de templos Abu Simbel não tenha nada a ver com as pirâmides, eu também não poderia deixar de citar o estranho caso de sua “mudança” aqui, pois talvez o método usado no transporte de seus blocos tenha sido o mesmo das pirâmides. Se você acha que as coisas não podem ficar mais estranhas, prepare-se para o gran finale:

“…existia um enorme complexo de templos chamados Abu Simbel no Egito. As otoridades precisavam construir uma grande barragem e uma mega-hiper operação mundial foi organizada para desmontar e transportar o templo de Abu Simbel para uma montanha a salvo das águas da barragem. Pois bem. A grande maioria das pedras esculpidas no templo de Ramsés II foi retirada das pedreiras de Assuã, distantes cerca de 120km do templo, incluindo a cabeça do faraó, que foi transportada e esculpida em UM ÙNICO bloco de pedra. Quando os técnicos e engenheiros suíços e alemães foram transportar estes blocos para o local seguro, apesar dos GUINDASTES e HELICÓPTEROS envolvidos na operação, tiveram de fragmentar diversas estátuas e blocos de construção do templo para transportá-los. Vamos escrever mais devagar para os que não entenderam: blocos de pedra que os egípcios (os ‘escravos seminus de 6.000 anos atrás’ haviam conseguido manobrar, esculpir e encaixar intactos) tiveram que ser divididos, pois a tecnologia do século XX não conseguiu repetir o feito.” – Extraído do texto “Dilúvio, Pirâmides e Stonehenge”

As implicações disto são tão óbvias quanto espantosas: ou eles dispunham de guindastes e helicópteros de maior capacidade que os atuais, ou… ou o quê? Que dizer diante disto?

Perante estes fatos, a introdução do misterioso “Livro da Perdição” da O.A.I. já não parece mais tão fantástica:

“1.1. Eons atrás, muito antes da humanidade vagar por este planeta, existe uma irmandade de feiticeiros.

1.2. Eles são mestres em sabedoria, ciência e conhecimento até então ignorado pela história da humanidade.”

Para os mais céticos, é claro que a palavra “feiticeiros” pode ser substituída por “cientistas”. Afinal, que é a ciência aos olhos da ignorância, senão feitiçaria? A Igreja Católica que o diga. “Feitiçaria”, “Magia” e etc. nada mais são do que palavras inventadas para descrever aquilo que não conseguimos compreender COMO e POR QUE acontece, entretanto todo efeito tem sua causa, mesmo que oculta e ignorada. Um homem primitivo, ao ver você apertar uma tecla e acender uma lâmpada consideraria isto Magia, porque ele não compreende e ignora o porquê da lâmpada acender-se. Assim é com todas as coisas. Para produzir determinado efeito, é preciso saber como causá-lo, e os que não sabem consideram-no “mágico” por parecer inexplicável. Mas como todo efeito tem sua causa, não existe NADA realmente inexplicável, apenas coisas cuja explicação desconhecemos.

Laurence Gardner, em seu instigante livro “Os Segredos Perdidos da Arca Sagrada – Revelações Surpreendentes sobre o Incrível Poder do Ouro” alega que o ouro monoatômico, um pó extraído do ouro, possibilita tornar objetos mais leves, dentre outras propriedades especiais, e seria a verdadeira Pedra Filosofal. (No filme Alone In The Dark, é dito que a humanidade já não se lembra mais do real motivo que torna o ouro tão valioso. Ao contrário do que se comumente pensa ele até tem utilidade prática, não só ornamental, mas nada que justifique seu exacerbado valor aos olhos do bom senso. Outros metais, muito mais úteis e necessários, não deveriam valer mais?)

Antes de prosseguirmos, uma incômoda e desconcertante questão merece ser posta:

Se não há uma espécie de conspiração destinada a esconder estes surpreendentes fatos sobre as pirâmides, por que eles são tão pouco divulgados? Se eles não forem dignos de menção, então eu não sei o que é. Não é o tipo de coisa que deveria inclusive ser ensinado nas escolas?

Somos ensinados que aqueles que habitaram o globo antes de nós eram primitivos, selvagens e ignorantes. Mas este parece ser apenas um lado da História – o que querem que conheçamos. Afinal, nada impede que dois ou mais grupos com diferentes graus de evolução (tanto científica como moral) co-habitem o planeta. Ficou complicado? Não tem problema, Tamosauskas descomplica em “A Improvável História do Macaco que Virou Gente”:

“Quando os Tasmanianos foram contatados pelos europeus no século XVI eles não tinham descoberto o fogo, não tinham escrita, crenças, nem qualquer conceito de música. Era cerca de 1600 depois de Cristo, mas isolados do resto do mundo eles não tinham sequer desenvolvido ferramentas feitas de pedras. E eles tinham o mesmo cérebro e corpo que o nosso e muitas, muitas pedras.”

Este tipo de situação discrepante é uma realidade ainda hoje. Da mesma forma, alguns dos antigos poderiam ser muito evoluídos, mais do que podemos imaginar, e tudo indica que tenham sido mesmo. Aparentemente, e em alguns casos comprovadamente, eles já sabiam de coisas que o homem só descobriu recentemente, ou nem descobriu ainda. No capítulo de “Os Livros Malditos” que aborda o livro “A Dupla Hélice”, Bergier nos chama a atenção para uma coincidência que, não considero exagero descrever como espantosa: A grande semelhança entre a molécula do DNA e o caducéu de Hermes, antigo símbolo da Medicina (anterior ao bastão de Asclépio).

 

(Interessante lembrar que a descoberta do DNA possibilita a engenharia genética, motivo pelo qual segundo algumas lendas Atlântida foi castigada. Alguns chegam a dizer que o porco, animal muito semelhante ao ser humano, foi resultado de experiências deste tipo. Isto também explicaria, é claro, quaisquer seres híbridos da mitologia.)

As duas serpentes representam as forças opostas (embora eu prefira o termo complementares) do Universo em equilíbrio. Afinal, uma pilha com dois pólos positivos ou negativos não funciona, sem vida não haveria morte e sem morte não haveria vida, sem trevas não haveria luz e assim por diante. Não obstante, alguns devem estar se perguntando por que tal figura foi adotada como símbolo da Medicina. A estes respondo com outra pergunta: Não poderíamos dizer que saúde é, numa palavra, equilíbrio?

No caso, o equilíbrio dos elementos presentes em nosso corpo.

Ainda, devido ao fato de trocar de pele, a serpente era considerada um símbolo do rejuvenescimento e saúde. Como as coisas mudam, não? De símbolo da saúde a símbolo do mal, infelizmente parece que Goebbels estava certo: “Uma mentira contada mil vezes torna-se verdade.” Por isso devemos sempre nos questionar e procurar conhecer a verdade por nós mesmos, ao invés de aceitar tudo que nos empurram goela abaixo como verdadeiro. Claro que isto pode soar paranóico, mas talvez a paranóia ainda seja preferível à ignorância. Aliás, não é exatamente isto que os formadores de opinião desejam que se pense? Ainda sobre a injustiçada serpente, é engraçado como não enxergamos o que está bem embaixo de nosso nariz; poucos notam, mas a serpente é também o símbolo de um famosíssimo herói bastante vigoroso e, digamos, com uma “saúde de aço”:

Alguns podem ter se lembrado da Kundalini, a energia adormecida no chakra mais baixo que, se despertada eleva-se como uma serpente ao longo da coluna vertebral e concederia poderes paranormais ao Iniciado. Talvez isso explique por que os Faraós eram considerados deuses e tinham a cabeça adornada por uma serpente.

E falando nisso, é também extremamente semelhante à molécula do DNA a posição dos canais Ida e Pingala, presentes em nosso corpo sutil segundo a sabedoria oriental:

 

A também extrema semelhança entre o caducéu de Hermes – uma representação do equilíbrio universal – e os três principais nadis, como são chamados estes canais da ilustração, lembra-nos da máxima “o que está acima é como o que está abaixo”. E também da afirmação de que o homem foi criado “à imagem e semelhança de deus”, sendo deus, neste caso, apenas outra palavra para designar o Universo.

Outra coisa que suscita a existência de um antigo saber são os chamados “ooparts”, sigla de Out Of Place Artifacts, artefatos fora de lugar ou época. Há bastante controvérsia sobre eles, mas talvez possamos dizer que o mais famoso e legítimo seja a Máquina de Anticítera (ilha grega), capaz de prever com precisão o movimento de astros e apontada como o primeiro computador do mundo. Sua datação foi estimada em 87 a.C.. Utilizando-se tal máquina, seria possível prever eclipses, então não é preciso muita imaginação para perceber que ela poderia ser usada pela classe dominante para convencer o povo de que ela “conversa com os deuses”. O fato de só ter sido encontrado até hoje apenas UM exemplar da Máquina de Anticítera torna a questão ainda mais embaraçosa. O que eu disse antes sobre Ciência e Magia se aplica muito bem aqui. Enquanto ignoramos como se dá determinado processo, ele permanece (na verdade aparenta ser) simplesmente mágico. Uma arma de fogo, por exemplo, certamente também seria vista como “mágica” por um homem de outra época, ainda mais porque ninguém é capaz de enxergar uma bala percorrendo o ar no momento do disparo. Então você pode imaginar a reação e espanto das pessoas. Você não seria visto como um grande feiticeiro… seria visto como um DEUS. Afinal, como alguém poderia inflingir dor ou mesmo matar alguém a metros de distância sem nem tocá-lo?! Na verdade, poderia alguma coisa ser mais espantosa, assustadora e mágica do que isso? Quem sabe um Theremin, um instrumento musical que emite som sem que seja necessário contato físico direto com ele. Não, você não entendeu errado:

“Obra do Diabo!” Podemos rir da ignorância de nossos antepassados, mas provavelmente também rirão de nós daqui alguns milhares de anos, ou talvez menos. Provavelmente temos “certezas” tão erradas como a de que a Terra era plana.

Mas o exemplo recém exposto nos leva à uma conclusão curiosa, e talvez a própria razão da existência dos Homens de Preto. Quando o conhecimento é compartilhado (no caso o conhecimento de como fabricar e usar uma arma), advém a igualdade. Mas quem disse que a igualdade é sempre boa? Imagine um mundo onde todos tivessem uma arma, e estou falando de uma arma igual (e com munição infinita, para tornar o jogo mais divertido). Será que nesse mundo haveria mais respeito pelo próximo ou mais violência e caos? Disto concluímos algo simples e evidente: A manutenção da ordem depende da desigualdade de poder, esta infelizmente parece ser um mal necessário. Mas aqui nos deparamos com outro sério problema. Se para manter a ordem é preciso que o poder esteja nas mãos de uns em detrimento de outros, o ideal seria que apenas os bons e justos detivessem o poder. Mas são estes que governam o mundo? Ninguém é estúpido o suficiente para crer nisso. Os detentores do poder deveriam usá-lo para defender os desprotegidos que não o possuem, fazer justiça e manter a ordem. Entretanto, o que mais vemos é ele ser usado apenas em benefício próprio, escravizando os mais fracos – às vezes sutilmente, como no caso do dinheiro, a mais poderosa arma de dominação em massa projetada pela mente humana. Disto não há maior exemplo do que o próprio capitalismo, pois seu único objetivo é o aumento do próprio poder, o que não pode ser feito sem tirar de outrem. Para que uns tenham mais, é preciso que outros tenham menos, para um lado da balança subir o outro tem que descer. Talvez até possa ser dito que Cristo profetizou o capitalismo ao dizer que “os ricos ficarão mais ricos e os pobres mais pobres”. A palavra “capital” deriva do latim “caput” que significa “cabeça”, ou seja, capital é aquilo que comanda todo o resto. E como sabemos, capital é apenas um eufemismo para dinheiro, ou seja, o dinheiro comanda o mundo, isto é, aqueles que o possuem em maior quantidade. O que move este mundo é o dinheiro – literalmente, se não fosse por ele as pessoas não sairiam de casa todos os dias para ir ao trabalho. Como diria David Icke com toda razão, a melhor tirania é a invisível, a menos que ela queira ser derrubada.

De qualquer forma, infelizmente alguns seres humanos só respeitam o que temem, o que pode lhes causar dano e é mais poderoso do que eles. Enquanto isto continuar, a desigualdade de poder também continuará extremamente necessária para o bem geral, pois os maus nada respeitam senão a ameaça de uma força maior. Mas o que fazer quando os maus estão no poder? Uma luta desigual vale a pena ser lutada?

Mas dilemas morais à parte, se houve um saber antigo em alguns aspectos igual ou mesmo superior ao atual, como ele se perdeu?

Bem, temos de admitir que nem só de mentiras é feita a Bíblia; pois já foram encontradas o que podemos chamar de provas que o dilúvio, se não total então parcial, realmente aconteceu. Já foram encontradas pirâmides submersas no Japão e próximas à Cuba. Lembremos que certas profundidades do oceano, devido à alta pressão, ainda são inacessíveis para o homem ou qualquer máquina, então talvez ainda haja muito mais lá – Cthullu, você está aí? Veja só como somos ignorantes, não conhecemos nem nossa própria casa por completo. Mas como se isto não bastasse, lembremos que o dilúvio está presente na “mitologia” de muitos povos que nunca tiveram nenhum contato entre si. A Wikipédia nos fornece até mesmo uma “lista de dilúvios”:

  • Dilúvio sumério
  • Dilúvio africano
  • Dilúvio hindu
  • Dilúvio grego
  • Dilúvio mapuche
  • Dilúvio pascuenses
  • Dilúvio maia
  • Dilúvio asteca
  • Dilúvio inca
  • Dilúvio uro

Esqueceram de incluir também o dilúvio nórdico, no qual todas as criaturas choram pela morte do mais amado e belo dos deuses, Balder (ou Baldur). Ainda segundo a Wikipédia:

“Antropólogos dizem que há mais de 1.000.000 (isso mesmo, um milhão!) de narrativas do dilúvio em povos e culturas diferentes do mundo e todas elas, coincidentemente ou não, são no início destas civilizações.”

Agora, se houve uma Ciência de alguma forma superior à nossa, terá ela se perdido por completo ou tido alguns resquícios preservados? Vejamos o que nos diz Del Debbio:

“…a Bíblia deve ser lida de maneira alegórica. Quando escrevemos que Noé levou dentro da Arca dois elefantes, queremos dizer que ‘os conhecimentos da civilização hindu foram preservados’, quando escrevemos que ele levou duas girafas, quer dizer que ‘os conhecimentos da civilização africana’ foram preservados e assim por diante. Não existe e nem nunca existiu barquinho algum. A ‘Arca’ de Noé é a mesma ‘Arca’ da Aliança, a fuga das águas e a fuga do Egito são apenas metáforas diferentes para a mesma situação: a preservação do conhecimento oculto.” – Extraído do texto “Dilúvio, Pirâmides e Stonehenge”

Ainda segundo ele:

“…o ato de imergir o corpo do candidato dentro de um rio ou banheira com água em uma iniciação (‘Baptizem’ em grego) representa simbolicamente que, apesar das águas terem coberto toda a civilização antiga e destruído tudo, sempre haverá alguém – o iniciado – para guardar e proteger estes segredos. Além disto, está ligado intimamente aos ritos de morte e renascimento (as doutrinas da reencarnação)…”

Mas… por que guardar esse conhecimento em segredo?

Como explanarei a seguir, suspeito de outras nem tão nobres, mas Bergier aponta-nos a possibilidade de uma boa razão:

“…se outras civilizações existiram antes da nossa e foram destruídas por abusos dos poderes da ciência e da técnica, a lembrança delas e de sua morte podem inspirar uma conspiração que visaria evitar que tais catástrofes tornassem a reproduzir-se. Uma ideologia dessa natureza pode, talvez, ser encontrada sem dificuldade nos escritos de Joseph de Maistre, Saint-Yves d’Alveydre ou René Guénon. Tal ideologia consiste em admitir a existência de uma Tradição mais antiga que a História, de centros detentores dessa Tradição e poderosamente protegidos; para ela, a ciência, as técnicas e os conhecimentos de toda natureza constituem um perigo permanente.”

Conclusão – As Duas Faces da Moeda

“…loucos jogam com palavras e fazem todos dançarem sua música
Afinada com milhões de famintos, para criar um tipo melhor de arma
(…) Enquanto os responsáveis pelo massacre cortam sua carne e lambem o molho
Lubrificamos os dentes da máquina de guerra e a alimentamos com nossos filhos” – 2 Minutes To Midnight, Iron Maiden

“Estou persuadido de que é possível escrever cinco linhas apenas que bastariam para destruir a civilização.” – Fred Hoyle, Os Homens e as Galáxias

Portanto, apesar de todos os pesares, devemos enxergar o quadro todo, isto é, ser imparciais e até mesmo fazer o papel de “advogado do Diabo” ou, no caso, dos Homens de Preto. Pois o conhecimento por si só não é mau nem perigoso, mas as pessoas que se apoderam dele podem sê-lo, assim como seu uso ou abuso. Infelizmente, podemos dizer que Hoyle estava certo: é possível “varrer” todo o planeta com armas nucleares, e o número de armas nucleares existentes já é suficiente para fazer isso até mais de uma vez. Então, dizer que o homem pode deflagar o Apocalipse[3] não é uma afirmação simbólica ou exagerada. Isto demonstra o lamentável grau de evolução em que o homem se encontra: ele já inventou algo capaz de fazer o mal a todos, mas ainda não inventou nada que possa beneficiar toda a humanidade (será que um dia inventará?). Mas mais assustador e preocupante do que o fato do homem ter desenvolvido uma arma capaz de aniquilar a si mesmo, é o fato de que ele tende, mais ou cedo ou mais tarde, a utilizar as armas que desenvolve. Uma civilização cujo grau de evolução científica é muito superior a seu grau de evolução moral talvez esteja fadada à auto-destruição. O ideal seria que caminhassem juntas, mas não é o que vemos. A corrida armamentista é um perigoso círculo vicioso onde, uma vez dado o pontapé inicial, não há mais volta. Uma vez que seu semelhante tenha desenvolvido determinada arma, é preciso pelo menos ficar em pé de igualdade para defender-se e não ser subjugado. E quando o conhecimento é usado para subjugar ao invés de beneficiar a todos, talvez ele deva mesmo ser proibido. Bergier também aborda esta importante questão em “Os Livros Malditos”:

“…o problema da aplicação das ciências e das técnicas para a guerra continua. A maior parte dos congressos científicos chegam cada vez mais à conclusão de que é preciso esconder certas descobertas e adotar atitude semelhante a dos antigos alquimistas; senão o mundo perecerá.” (Lembrem-se que isto foi escrito em 1971.)

Logo a seguir, ele vai ainda mais longe:

“Do mesmo modo, é evidente que os segredos da Alquimia não possam ser divulgados. Se é possível fabricar uma bomba de hidrogênio em um forno a gás, o que creio possível, pessoalmente, é preferível que o processo de fabricação não seja dado a público. (…) Não esqueçamos que em nossos dias qualquer um pode, com investimentos mínimos, construir um laboratório que Curie ou Pasteur teriam invejado. Pessoas já fabricam, em suas casas, o LSD ou a fenilciclidina, droga ainda mais perigosa. Se qualquer um, hoje, conhecesse o segredo de Filippov, poderia certamente encontrar no comércio todas as peças necessárias para construir o aparelho e, sem nenhum risco pessoal, fazer explodir, a muitos quilômetros de distância, pessoas (ou coisas) que lhe desagradassem.”

Cientista russo, em 1903 Filippov foi “encontrado morto em seu laboratório. (…) A polícia apreendeu todos os trabalhos do sábio, notadamente o manuscrito de um livro que deveria ser sua 301ª publicação. O Imperador Nicolau II examinou, ele mesmo, o processo, depois o laboratório foi completamente destruído e os papéis queimados.”

Então, quando nos lembramos do quão maligno o homem pode ser (ou, no fundo, é) fica difícil não dar pelo menos um pouco de razão aos Homens de Preto. O que é uma lástima, pois diz-se que tudo tem dois lados, e o conhecimento/poder também é uma faca de dois gumes: pode ser usado em prol do bem geral, ou para escravizar. O mesmo se aplicaria à descoberta de Filippov:

“Gorki publicou uma entrevista que teve com Filippov, e o que marcou o escritor foi a possibilidade de transmitir a energia à distância e industrializar, dessa forma, mais depressa o país que precisasse disso. Glenn Seaborg, presidente da comissão americana de energia atômica, evocou, o ano passado (1970), possibilidades análogas: uma energia que viria do céu sobre um feixe de ondas e que permitiria industrializar quase instantaneamente um país em vias de desenvolvimento, isto sem criar nenhuma poluição.”

Mas, se o conhecimento é uma faca de dois gumes, seu ocultamento também o é. O que nos deixa com a pergunta:

Através da ocultação do conhecimento somos mais protegidos ou dominados? Serão os Homens de Preto protetores da humanidade ou tiranos inescrupulosos que visam o monopólio do conhecimento e, assim, do poder? Talvez um pouco de cada, pois, parafraseando um amigo de Bergier, a porcentagem de cretinos talvez seja a mesma em todos os lugares.

A questão acima lembra-nos do significado de um famoso símbolo frequentemente mal interpretado como “satânico”, o Olho na Pirâmide. Como nos ensina o sábio Sr. Meias: “O cume é a elite, esclarecida pelo olho da consciência que tudo vê, e domina uma base cega feita de tijolos idênticos, que seria a população.” (O que também lembra-nos, é claro, de uma famosa canção de rock progressivo.)

Quem guardará os guardiões?

Para finalizar, é importante deixar claro que o termo “Homens de Preto” não refere-se a um grupo específico, mas é absolutamente genérico designando qualquer grupo cujo objetivo seja suprimir qualquer conhecimento. E agora tome cuidado, porque o Sr. J e o Sr. K podem bater à sua porta. E como nos ensina o Teste de Fidelidade, não confie em ninguém.

Notas:

[1] Na verdade a imprensa (máquina) é mais antiga do que muitos imaginam: segundo a Wikipédia, foi inventada em 1439 pelo alemão Gutenberg. Contudo, a impressão em escala industrial só surgiu no séc. XIX, possibilitada pela substituição da imprensa operada manualmente por prensas rotativas inicialmente movidas a vapor.

[2] Nascido Yakov Mikhailovich Berger, Bergier é mais conhecido por sua obra em parceria com Louis Pauwels, “O Despertar dos Magos”.

[3] Para outras possibilidades apocalípticas, leia “Projeto HAARP: A Máquina do Apocalipse”

Por Fenix Konstant

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/homens-de-preto-a-realidade-por-tras-da-ficcao/

Movimentos Messiânicos: Os Messias Judeus

O trabalho de Messias não é nada fácil. Nunca foi. Claro que se formos totalmente honestos sobre o assunto, o currículo requerido de alguém que deseja assumir para si este papel não é lá muito exigente, de acordo com a tradição ele deve cumprir cinco requisitos:

1- Ele deve descender do Rei Davi;
2- Deve se tornar soberano sobre o povo de Israel;
3- Deve conseguir reunir os judeus dos quatro cantos do mundo;
4- Uma vez reunidos, deve restaurar sobre eles a total observância da lei da Torah;

e por último, mas não menos importante:

5-Deve trazer a paz para o mundo!

E com isto em mente surge a questão: por que diabos alguém desejaria se tornar um Messias? Se olharmos o exemplo mais famoso isso significava, de forma resumida, fazer afirmações que deixariam o seu povo puto e desconfiado, então sair vagando e conversando com desconhecidos, e nem todos seriam gentis. Eventualmente teria convencido muita gente que você falava sério, e teria deixado muita gente importante puta com você, isso significa que se fosse muito longe se tornaria uma pedra no sapato de gente poderosa, e se isso acontecesse esses poderosos iriam atrás de você e não apenas para te jogar na cadeia ou te matar. Eles te usariam de exemplo, te desmembrariam ou crucificariam depois de um circo público e então iriam atrás de sua família, filhos e herdeiros. Algo nada agradável como você pode supor.

Então porque alguém desejaria se tornar um Messias?

Antes de mais nada um pouco de história. A palavra Messias tem origem judaica, Messias ou מָשִׁיַח ‎[mâshıyach] deriva de משׁח [mâshach], מָשַׁח [maw-shakh] uma raiz linguística primitiva que significa: esfregar com óleo, ungir, pintar. מָשִׁיַח, Mashíach por extenção significa o ungido, aquele é esfregado com óleos. Para compreender o que realmente isso significa devemos procurar no livro do Êxodo as conversas que “EU SOU O DEUS DE ABRAHÃO” tinha com Moisés. Quando Moisés libertou o povo Judeu da escravidão do Egito, além de finalmente dar sossego para o Faraó e o povo dele, que haviam caído vítimas das brincadeiras do Divino que “endurecia o coração de Faraó” apenas para continuar com o desfile de pragas e finalizando com a morte por afogamento de grande parte do exército dele com o objetivo de se exibir para Seu povo [1], também recebeu de Deus as novas leis e regras que deveriam ser observadas e seguidas. No capítulo 30 do livro Êxodo, nos versículos 23 a 25, encontramos uma receita, passada por Deus diretamente a seu servo de como fazer um “um óleo sagrado para unções, um perfume composto segundo a arte do perfumista; este será o óleo sagrado para unções.” (Ex. 30:25). Este óleo tinha uma função muito especial, era o óleo utilizado para se ungir aquilo que era sagrado, as coisas apontadas por Deus. Este óleo então era utilizado pelos sacerdotes, também apontados por Deus, para consagrar algo, ou seja dedicar, tornar sagrado. Como isto é interessante, vamos repetir: algo que era ungido era algo que havia sido escolhido e apontado pelo próprio Deus. A seriedade disso era tanta que O Próprio afirma que “O homem que compuser um perfume como este, ou que com ele ungir a um estranho, será extirpado do seu povo.” (Ex. 30:30), e por extirpado do seu povo podemos ler: “se tornará seu inimigo” – você iria descobrir o que a expressão “estar no sal” significa.

Ser o Ungido, como vimos, simplesmente queria dizer que a pessoa, no caso um líder Judeu, havia recebido a atenção especial de Deus. Aarão foi ungido (Ex. 29:4-8), Salomão (1 Cr 29:22), etc. Mas ao contrário do que pode parecer o ritual da unção não foi criado pelos judeus, esse costume já era muito antigo no Oriente Médio. Na Babilônia e na Assíria, óleo de gergelim era derramado sobre a cabeça de noivas, de pessoas que realizavam certas negociações comerciais e de escravos que haviam sido liberdados. Havia os pašîšû, que eram sacerdotes ungidos, e mesmo a arca no épico Gilgamesh é ungida antes do dilúvio chegar. Mas aparentemente o costume de ungir reis era títipo dos judeus. Um detalhe interessante, que vale a pena ser notado, é que nunca houve uma distinção clara entre sacerdotes, reis e profetas; lembre-se que na antiguidade não havia pessoas votando no próximo rei, muito pelo contrário: a realeza era ligada à religião. Por isso não é surpresa lermos sobre o rei Davi agindo como sacerdote em 2Samuel 6:12-19 ou prevendo o futuro em 2Samuel 23:1-7. Da mesma forma os sumo-sacerdotes podiam se comportar como reis, o exemplo mais famoso é Melquisedeque, que preparou a ceia para Abrahão e lhe serviu pão e vinho em Gênesis 14:18, e a partir de 152 a.C. quando os sumo-sacerdotes eram a mais alta autoridade, combinando autoridade real e sacerdotal.

Mas isso não responde nossa pergunta do porquê alguém gostaria de vestir essa carapuça e para respondê-la nós temos que olhar para dois fatos reais e inegáveis:

1- Embora grande parte dos textos sagrados comentem sobre reis e profetas que foram Ungidos (receberam a atenção do Divino), haviam passagens que falavam de um governante diferente, idealizado, com uma missão maior do que todos os outros goverantes. Por exemplo o Salmo 2:2-9:

“Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós suas algemas. Ri-se aquele que habita os céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamei o decreto do Senhor: Ele me disse ‘Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro’”

Outras passagens também se referem a um ungido idealizado que destruiria os inimigos de Israel em nome da justiça e em várias passagens, como no Salmo 2, ele é chamado de “filho de Deus”, apesar de textos deste tipo não serem raros naquela região (os faraós egípcios afirmavam descender do Deus Ra e se gabavam de ser capazes de destruir qualquer inimigo com a ajuda dos deuses; os persas possuem a história de como Darius I foi escolhido pelo deus Ahuramazda para destronar o usurpador Gaumâta em 522 a.C).

2- O mundo chegava cada vez mais perto de seu fim. Deus havia criado tudo, e tudo terminaria. A contagem começara com Adão e Eva, e a idéia é que acabaria 6000 anos depois disso. E no século VI a.C. quando o mundo tinha já aproximadamente 4.400 anos, começam as especulações de que o governante especial, aquele que seria conhecido como filho de Deus deveria estar chegando.

E como chegaram a estas conclusões? Simples!

De acordo com o que se acreditava nos séculos I a.C. e I d.C o mundo havia chegado à idade de 5000 anos. O judaismo sempre acreditou que a Tanak era muito mais do um livro resgistrando a história dos judeus e as crenças de seus antepassados, eles “sabiam” que aqueles livros eram o registro feito por Deus sobre a sua criação (o universo, os anjos, o mundo e tudo o que existe nele, incluindo a raça humana) e a Sua relação com o povo escolhido (os próprios judeus). Os livros não apenas são um registro, mas está permeado de informações e “dicas” escondidas no próprio texto, por isso desenvolveram métodos de extrair as informações que não estavam explicitas, com técnicas de gematria, Notaricon e Temurá era possível ao estudar o texto sagrado, palavra por palavra, encontrar relações, significados ocultos e indicações da vontade do Criador. Era como viver em um prédio e estudando a composição de suas paredes, as fiações e encanamentos conseguir recriar a planta usada para construí-lo e com isso não apenas compreender sua estrutura mas prever seu comportamento e descobrir o destino que lhe aguardava, por exemplo ao descobrir que ele era feito de concreto e gesso avaliar sua vida útil, saber que se os encanamentos fossem de metal prever quando eles deveriam ser substituídos e desta forma quando as águas que saíssem das tornerias se tornassem turvas deveriam chamar um encanador para trocar os canos por novos.

Assim, Gematria é uma metatesis da palavra grega Grammateia. É baseada no relativo valor numérico das palavras. As palavras de valores numéricos similares supostamente são interpretadas mutuamente, e esta teoria se estende às orações e frases completas. Notaricon é uma palavra derivada do latim que significa Notario. Do Notaricon derivam duas formas. Na primeira, cada letra de uma palavra é tomada como abreviação de outra palavra, assim, com as letras de uma palavra é construída uma frase, A segunda forma do Notaricon é exatamente o contrário da primeira. Qualquer das letras que formam uma frase podem dar origem a uma palavra ou a outra frase. E a Temurá é a permutação. De acordo com certas regras uma letra pode ser substituída por outra que a anteceda ou que a preceda no alfabeto, e desta maneira dar forma a uma nova palavra.

Um exemplo de exercício para isso é o seguinte: pode-se destacar que as três primeiras letras das primeira palavra da Bíblia, BRAShITH – no princípio -, ou seja, BRA, são as iniciais dos nomes que constituem a Trindade: BN, Ben, o Filho; RVCh, Ruach, o Espírito e AB, Ab, o Pai. Mas ainda, a primeira letra do Antigo Testamento é B, inicial de BRKH, Berakhah, bendição, e não A, que é a inicial de ARR, Arar, condena. O valor numérico da palavra Berashith, em sua máxima expressão, nos indica os anos de medida entre a Criação e o Nascimento de Cristo: B=2000, R=200, A=1000, Sh=300, I=10, Th=400, total=3910 anos em números redondos. Picus de Mirandola fez o seguinte trabalho com Berashith: unindo a terceira letra A, com a primeira B, obteve AB, Ab, o Pai. A primeira letra repetida B, mais a segunda R, dão BBR, Bebar, Através do Filho. Tomando-se todas as letras, tirando a primeira, temos RAShITH, Rashith, o Princípio. Conectando a lera Sh com a primeira B e a última Th, temos ShBTh, Shebeth, o Fim ou o Resto.

Com as três primeiras obtemos BRA, Bera, Criado. Omitindo a primeira e pegando as três seguintes temos RASh, Rash, Cabeça. Se omitimos as duas primeiras e tomamos apenas as duas seguintes temos Ash, Ash, Fogo. Tomando a quarta e a última temos ShTh, Sheth, fundação. Pegando a segunda e colocando-a anteposta a primeira temos RB, Rab, Grande. Colocando antes da terceira colocamos a quinta e a quarta, temos AISh, Aish, Homem. Juntando as duas primeiras com as duas últimas temos ThB, Theb, que comumente é utilizada como TVB, Thob, Bom. [2]

Desta forma ao analisar o livro da Gênesis utilizando estas ferramentas, ficou claro para os estudiosos que se Deus havia criado o mundo em 6 dias, consagrando o último a Si Mesmo, então o mundo duraria 6.000 anos, um período equivalente a 1000 anos para cada dia que levou para ser criado. Isso lhes deixava com apenas mais mil anos de existência. Além disso a crença era de que surgiria um Messias que reinaria por mil anos antes que o mundo acabasse. A matemática era simples, o Messias deveria estar batendo à porta a qualquer instante.

Mas de onde surgiu essa crença? Como vimos, existem algumas menções a um salvador nos textos bíblicos, era tudo uma questão de saber quando ele surgiria.

Uma das tentativas mais intrigantes de datar a vinda exata do prometido pode ser encontrada no Primeiro Livro de Enoque, um texto complexo, organizado em cinco livros que foi composto entre o terceiro século a.C. de  a primeira metade do primeiro século d.C. A primeira parte, conhecida como O Livro das Sentinelas (os anjos que observam), foi escrita no século III a.C. e relata uma descrição da visão que o Patriarca Enoque teve dos céus. No capítulo 10 o autor escreve:

“Quando todos [os anjos caídos e] seus filhos se tiverem matado uns aos outros, e quando eles virem a destruição de seus queridos, aprisiona-os por setenta gerações, sob os montes da terra, até o dia de seu julgamento e de seu fim, até que o julgamento, que é por toda a eternidade, seja consumado.” [1 Enoque 10.12]

Isto implica que existiriam setenta gerações desde Enoque até o Dia do Julgamento (ou setenta e sete gerações desde a criação, já que Enoque é um membro da sexta geração desde Adão). O Primeiro Livro de Enoque era bem conhecido dos judeus, chegando a ser aludido na Epístola de Judas 14: “E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos;”

Acredita-se hoje que o texto que serviu de modelo para esta passagem foi o texto de Daniel 9:24-27, que menciona a vinda do Messias, do príncipe (nasi), sete “semanas” (de sete anos cada) após a ordem de Deus de restaurar Jerusalém. De acordo com Jeremias 30:18, esta ordem foi dada em 586 a.C. e como consequência disso podemos identificar o Messias com Ciro, o rei da Pérsia.

“24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. 25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. 26 E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. 27 E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.” Daniel 9:24-27

O restante da profecia permanece ainda mais difícil de ser interpretada, mas vários estudiosos chegaram a identificar o segundo Messias com Onias, um sumo sacerdote que foi morto em 171 a.C., isso nos mostra um aspecto constante em uma caça de Messias, textos proféticos confusos sendo combinado com fatos históricos, mas de uma forma que contorne alguns “detalhes”, já que se Onias fosse o segundo Messias a destruição do segundo santuário teria que ser associada com a perseguição liderada por Antíoco IV Epifânio, que de fato durou “meia semana” (três anos e meio), mas que tem que ignorar o fato de que entre o retorno do exílio babilônico e a morte de Onias não se passaram “sessenta e duas semanas”.

Então a reposta para a pergunta: “por que diabos alguém desejaria se tornar um Messias?” se torna simples, criou-se a espectativa de um salvador, um enviado. A cada dia que passavam todos se encontravam a um dia mais próximos do fim e por isso a um dia mais próximos da chegada do salvador. E essa espera começou a gerar uma enorme expectativa, e isso começou a pirar muita gente. Era um cargo aberto esperando que algúem o reclamasse, o Messianismo se tornou então, para várias pessoas uma questão de oportunidade, “por que não eu?”. Logo, por que alguém desejaria se tornar um Messias? Simples, porque com alguma ginástica matemática e genealógica qualquer um poderia ser um messias, a resposta se torna: “porque eu posso!”

O povo Judeu sempre teve aqueles que o reunia e o libertava e que restauravam a todos a observância da Torah. Podemos inclusive resumir, sem nenhuma pretensão ou falta de respeito, o Antigo Testamento da seguinte forma: o povo está espalhado. Surge um Patriarca que os une, tem filhos e estabelece a observação das leis, ele é seguido e consegue terras e prosperidade pra seu povo. O tempo passa e o povo se torna desregrado e adota novos deuses, vem a miséria e a servidão. Surge um novo líder que os reúne, lhes mostra que devem seguir ao Senhor, restaura a observância da Lei, todos prosperam e ganham uma terra. O tempo passa, eles deixam os costumes e práticas religiosas de lado e ai se tornam escravos de alguém assumindo as crenças dos captores que os maltratam de forma abusiva; o povo se lamenta, surge um novo líder que o reúne, lhe restitui a observação, o liberta, e uma vez que todos voltam às práticas antigas são guiados para uma nova terra onde prosperam. Esse “loop” é a constante que move os judeus do Antigo Testamento. Mas o tempo está passando e o povo está inquieto. Desde o nascimento de Abrahão os judeus foram cativos no Egito, foram levados para a Babilônia, caíram sob o domínio dos Persas, dos macedônios, dos ptolomeus, dos selêucidas. Conforme os ponteiros do Grande Relógio se aproximam do momento do Grande Fim, o povo clama por sossego, por poder voltar para a terra santa e viver em paz até o fim dos dias, afinal eles são os escolhidos, ou não?

E assim torna-se claro como passagens sobre alguém que seria filho de Deus, seria enviado por Ele para liberar a todos e conquistar os inimigos começam a se tornar populares.

Um reflexo disso fica claro quando nos atentamos para o uso do termo “ungido” aplicado a várias pessoas como os Reis de Israel, os Juízes e mesmo o Sumo Sacerdote, até os patriarcas eram considerados “ungidos” – mesmo antes de Moisés receber a receita o Óleo Sagrado e o ritual de unção. Este termo era bem próximo do termo Messias, mas não era exatamente a mesma coisa. Apesar de “ungido” surgir várias vezes e ser atribuído a várias pessoas (inclusive àlgumas que viveram antes do ritual de unção) o termo específico “Messias” aparece apenas duas vezes no Antigo Testamento, no livro de Daniel, capítulo 9 versículos 25 e 26:

“25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. 26 E depois das sessenta e duas semanas será abatido o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.”

Diferente do que muitos possam imaginar o conceito do Messias não faz parte do judaísmo bíblico e se desenvolveu como um folclore informal que possui muitas variantes e pode ser compreendido de diferentes formas. O Messias é personagem de inúmeros contos folclóricos e músicas hassídicas (Hassídico ou Chassídico é um dos movimentos dentro do Judaísmo que existiu praticamente desde sempre na história judaica). Um dos conceitos do Messias pode ser encontrado nos comentários de Maimonides, como era conhecido o Rabi Moshe ben Maimon, escritos no século XII sobre o Talmude Babilônico:

“A era Messiânica será quando os judeus ganharem novamente sua independência e todos retornarem à terra de Israel. O Messias será um grande rei, ele alcançará grande fama e sua reputação entre as nações gentis será ainda maior do que a do Rei Salomão. Sua bondade, sobriedade e as maravilhas que realizará farão com que todas as pessoas estabeleçam a paz com ele, e todas as terras o servirão… Entretanto nada mudará na era Messiânica, a não ser os judeus que ganharão novamente sua independência. Ricos e pobres, fortes e fracos ainda existirão. Entretanto será muito fácil para as pessoas ganharem a vida e com muito pouco esforço serão capazes de realizar muito… será um tempo quando o número de homens sábios crescerá… não haverá mais guerras e as nações não erguerão mais suas espadas umas contra as outras… A era Messiânica será marcada por uma comunidade formada pelos corretos e dominada pela bondade e sabedoria. Ela será governada pelo Messias, um rei correto e honesto, que se sobressairá através de sua sabedoria e será muito próximo a Deus. Não pense que o mundo ou as leis da natureza mudarão, isto não é verdade. O mundo continuará como é. O profeta Isaias predisse: “o lobo viverá com a ovelha, o leopardo se acomodará aos pés das crianças”. Isto, é claro, não passa de uma alegoria que mostra que os judeus viverão em segurança, mesmo convivendo com nações que outrora foram cruéis. Todas as nações se voltarão para a religião verdadeira (o monoteísmo, mas não necessariamente o judaísmo) e não mais roubarão ou oprimirão. Note que todas as profecias a respeito do Messias são alegóricas – Apenas na era Messiânica nós compreenderemos o significado de cada alegoria e o que virá nos ensinar. Nossos sábios e profetas não esperam pela era Messiânica para reinar sobre o mundo ou dominar os gentis… a única coisa que desejavam era que os judeus fossem livres para se envolver com a Torah e a sabedoria que ela traz.”

É claro que esse não é o consenso geral dentro do judaísmo, um século mais tarde, Maimonides foi contestado por Nachmanides, que rejeitava o nacionalismo do primeiro e afirmava que Isaias estava sendo literal: que quando chegasse a Era Messiânica até mesmo os animais selvagens se tornariam criaturas domésticas de temperamento doce. Outro Judeu, nosso contemporâneo, Woody Allen, complementou essa visão dizendo que: “as ovelhas e os lobos viverão juntos, mas as ovelhas não conseguirão pregar os olhos à noite.”

Agora, nos tempos bíblicos a idéia da restauração de Israel e o fim dos problemas por que passavam ganhava muitos adeptos sempre que a situação ficava preta, e se lembrarmos o nosso resumo do Antigo Testamento podemos ver que o povo hebreu poderia ser comparado a um cardume que sempre nadou dentro de um balde de piche. Quando se tornaram cativos da Babilônia (séc VI a.C.), dos Romanos (séc II a.C.), quando houve o reinado de Hadrianus (séc. I e II), durante a conquista árabe (séc. VII d.C.) e durante mais ou menos toda a Idade Média (séc V ao XV), para citar alguns momentos. E com um agravante, conforme o prazo de validade estipulado para as velhas profecias vencia, surgiam novas idéias para explicar porque o Salvador não havia surgido ainda e para adaptar a influência do Messias e suas características aos novos tempos. Lembre-se que já no século VI a.C. o Filho de Deus era esperado, um erro de alguns séculos poderia ser esperado, afinal não haviam indicações precisas de quando ele viria, mas conforme os séculos passavam a aflição pela espera e a grandiosidade dos seus atos cresciam. Muitos começaram a crer que com o seu surgimento os mortos ressuscitariam, que ele marcaria o início dos Fins dos Tempos e tudo resultaria na supremacia do judaísmo. Com o tempo surgem diferentes categorias de Messias, como o Messias Efraínico, descendente de Efraim que surgiria antes do Messias Davídico, descendente de Davi, para anunciar sua chegada.

Desta forma, criou-se visão sobre-humana daquele que assumiria o papel de Messias no Judaísmo dando-lhe características quase divinas. Lhe atribuíram milagres e maravilhas, a capacidade de converter todos a uma única religião, a criação de paz mundial – esses feitos, ironicamente, posteriormente foram associados ao Anti-Cristo no texto canônico da Revelação de São João, conhecida também como o Apocalipse.

Isso fez com que muitos judeus se tornassem cautelosos em relação ao advento Messiânico e mesmo céticos e cínicos em relação àqueles que o anunciam. O sábio Rabban Yochanan ben Zakkai chegou a dizer no primeiro século: “Se por acaso você estiver com uma muda de planta em sua mão e lhe disserem que o Messias chegou, primeiro plante a muda e então vá para as ruas e saúde o Messias”. Uma velha história judaica também fala de um Judeu russo que recebia um rublo por mês do conselho municipal para aguardar do lado de fora da cidade para que fosse a primeira pessoa a saudar o Messias quando este chegasse. Quando um amigo lhe perguntou por que fazia aquilo já que “o salário era tão baixo” o homem respondeu: “é verdade, mas o trabalho é permanente”.

E com isso chegamos a um grande problema, na verdade um impasse: mesmo com a ironia, as anedotas e o ceticismo, a crença no Messias e na era Messiânica está entranhada no judaísmo. Como então reagir diante destas crenças? O Messias de fato virá? Como reconhecê-lo? Como agir?

A resposta mais simples é: todos os atos atribuídos ao Messias podem apenas ser julgados depois de realizados, não podemos afirmar hoje, diante da presença de alguém que tenha esse status, que ele trará a paz e reunirá o povo de Israel, é apenas com o tempo que veremos se essas coisas de fato aconteceram graças a ele e ai sim afirmar que o papel foi cumprido. No momento presente as pessoas tem apenas a própria crença, ou seja isso se torna uma questão de fé. E é essa crença pessoal, esta fé,  que pode levar uma pessoa a acreditar que alguém, em determinado momento é o Messias fazendo-a seguir essa pessoa, mas não pode servir como afirmação de que aquela pessoa de fato é o prometido. É como dizer que o Messias, por exemplo, será seguido por multidões, mas nem todo aquele que de fato conseguir se seguido por multidões será o Messias, a reação do povo e as ações que ele realizar podem ser um termômetro, mas nunca uma prova final de sua natureza.

O maior exemplo disso tiramos da própria história, nos últimos quatro mil anos o nome “Israel” foi usado para designar não apenas a Terra de Israel como toda a nação judaica. O artefato arqueológico mais antigo a mencionar Israel não como um simples nome vem de uma estela egípcia documentando campanhas militares em Canaã, datada do XIII século a.C. onde se refere a um povo, às pessoas que habitavam aquela terra. A Terra de Israel, Eretz Yisrael, é um local sagrado para os judeus desde a época bíblica, já que foi prometida aos três patriarcas por Deus, para se tornar seu lar. Durante o período dos reinados israelitas e o século das conquistas muçulmanas, séc VII d.C., a Terra de Israel foi conquistada e dominada pelos Assírios, Babilônios, Persas, Gregos, Romanos, Sassânios e Bizantinos. A presença judaica na região diminuiu drasticamente após o fracasso da revolta de Bar Kokhba contra o império romano em 132 d.C. e do massacre conduzido pelo imperador Heraclitus em 628 e 629. Depois de perder a terra para os Muçulmanos em 636 d.C. o domínio da região mudou de mão em mão entre os Omíadas, os Abássidas, os cruzados, os Cosméricos e os Mongóis por mais de seis séculos, até cair nas mãos do sultanato Mameluco em 1260. Em 1516 a Terra de Israel se torna parte do império Otomano que dominou a região até o século XX.

Durante todo este tempo os judeus da diáspora desejavam retornar ao Sião e à Terra Prometida, mas a primeira grande onda de imigração, conhecida como a primeira Aliyah só teve início em 1881. Três anos depois, em 1884 o governo Turco-Otomano emite o documento que ficou conhecido como Édito de Tolerância, permitindo que os judeus retornassem à Terra Santa. A segunda Aliyah ocorreu entre 1904 e 1914 quando mais de 40.000 judeus ocuparam a Palestina e entre 1919 e 1929 ocorreram a terceira e quarta Aliyah, levando mais de 100.000 imigrantes para a região; esta época coincide com o mandato concedido sobre a região da Palestina pela Liga das Nações à Inglaterra, a partir de 1921 a Inglaterra cria cotas de imigração para os judeus. Em 1930 o surgimento do Nazismo acabou criando a quinta Aliyah e um influxo de mais de 250.000 judeus para a Terra Prometida, o que causou a revolta árabe de 1936 a 1939 e fez com que a Inglaterra proibisse as imigrações. Como países ao redor do mundo começaram a não aceitar e a denunciar fugitivos do holocausto teve início um movimento conhecido como Aliyah Bet para levar clandestinamente judeus para a Palestina, com o fim da Segunda Guerra os judeus formavam mais de 33% da população da Palestina. Nesta mesma época o Reino Unido entrou em um conflito violento com os judeus, e chegou à conclusão, em 1947, de que era incapaz de criar uma solução aceitável tanto para os árabes quanto para os judeus, foi então que a recém criada Nações Unidas estabelece em novembro de 1947 a divisão do país em dois estados um para cada povo que habitava a região. A comunidade judaica aceitou a idéia, mas os árabes não. Dois dias após a criação dos estados, os árabes começam a realizar ataques a alvos judeus, e assim teve início uma guerra civil na região. Na década de 1950 começam os conflitos na Faixa de Gaza e a batalha pela conquista do Canal de Suez. Em 1967 o Egito, a Síria e a Jordânia enviaram tropas para fechar todas as fronteiras Israelitas. No período de 1969 a 1970 Israel esteve em guerra contra o Egito. Seguindo esses eventos podemos destacar ainda o ataque Egípcio/Sírio no Yom Kippur em 1973. Em 1981 e 1982 Israel interveio na guerra civil Libanesa. Em 1987 surge a primeira Intifada, um levante Palestino contra Israel; com a guerra do golfo em 1991 muitos Palestinos apoiaram Saddam Hussein e o Iraque fez vários ataques com mísseis a Israel. Em 2006 um grupo de artilharia do Hezbollah realizou ataques contra israelitas.

… e durante toda esta bagunça surgiram várias pessoas que se proclamaram ou foram proclamados Ungidas, as Escolhidas por Deus e que chegaram a atrair multidões.

Com isso podemos ver que mesmo que muitos dos Messias que surgiram tenham afirmado descender do Rei David, embora muitos tenham sido reconhecidos como líderes do povo de Israel, ao menos por parcelas dele, e ainda tenham conseguido, em certos momentos, causar uma imigração de judeus para se reunirem e tenham também afirmado a importância da total observância da lei da Torah, até hoje não temos um que tenha conseguido trazer a paz ao mundo, seja ela uma paz mundial ou simplesmente um sossego para o Povo Escolhido, nem mesmo um consenso entre os vários ramos surgidos dentro do judaísmo, e assim a própria história mostra que nenhum dos Messias conseguiu levar o cargo até o fim, cumprindo os 5 requisitos.

É por esta dificuldade, a de apenas observar e julgar um ato depois dele ter acontecido, aliada à ansiedade que o povo judeu teve por vezes acreditando que o Messias estava a um passo de suas portas, que encontramos inúmeros Messias na história, pessoas que, por um motivo ou por outro, ganhavam a simpatia e confiança de inúmeros seguidores que acreditavam nele e tinham esperanças de estar diante daquele que surgiu para cumprir as profecias, lendas e contos folclóricos.

Como vimos, durante o séc. VI a.C. os judeus exilados na babilônia criaram expectativas sobre um Ungido que os libertariam e os lideraria de volta para seu lar, inúmeras profecias se realizaram quando o rei Persa Ciro o Grande permitiu que eles retornassem a sua terra de origem. No séc. II a.C. os judeus novamente sofreram repressão e as antigas profecias se tornaram relevantes novamente. Algumas pessoas esperavam por um líder militar que derrotaria os inimigos romanos e criaria o reino judaico, outros, como os autores dos Salmos de Salomão, diziam que o Messias seria um professor carismático que ensinaria a todos a interpretação correta da Lei Mosaica, restauraria Israel e julgaria a humanidade.

Graças aos pergaminhos e textos encontrados nas cavernas de Qumran, conhecidos como os manuscritos do Mar Morto, chegou até nós uma cultura messiânica muito rica, nos mostrando inúmeras teorias sobre quem seria o Messias vindouro. No Manuscrito da Guerra o Messias é um profeta e não toma parte na guerra entre “os filhos da luz” contra “os filhos das trevas”, ele seria identificado como “o príndipe da comunidade”. Em outros textos o Messias surge como um senhor da guerra. Isto por si já deixa claro que haviam muita confusão quanto a natureza do Messias esperado.

Ainda existem vários textos atribuídos hoje aos membros da seita de Qumran como, por exemplo, o Documento de Damasco e a Regra Messiânica. Os textos da seita são interessantes porque nos mostram que seus membros não esperavam a vinda de um Messias, mas de dois. Isto pode ser o reflexo de um povo tentando compreender todas as divergências sobre a figura que viria libertá-los.

A origem desta idéia é possivelmente o texto deixado em Zacarias 6:12-13:

“12 E fala-lhe, dizendo: Assim fala e diz o SENHOR dos Exércitos: Eis aqui o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar e edificará o templo do SENHOR. 13 Mesmo edificará o templo do SENHOR, e levará a glória, e assentar-se-á, e dominará no seu trono, e será sacerdote no seu trono, e conselho de paz haverá entre ambos.”

Apesar deste texto se referir ao príncipe Zerubbabel e ao alto-sacerdote Joshua ele poderia ser compreendido como uma profecia Messiânica no início do período Hasmoneu, como vemos nas passagens do texto Testamentos dos doze patriarcas:

“Minhas crianças, sejam obedientes a Levi e a Judá. Não se exaltem acima destas duas tribos, pois dentra elas surgirá o Salvador enviado por Deus. Pois o Senhor irá erguer de Levi um sumo sacerdote e de Judá um rei. Ele salvará todos os gentis e a tribo de Israel.” (Testamento de Simeão 7:1-2)

“A mim [Judá] Deus entregou um reinado, e para ele [Levi] um sacerdócio. E ele sujeitou o reinado ao sacerdócio. A mim Ele entregou os assuntos terrenos e para Levi os assuntos celestiais. Assim como o céu está acima da terra, o sacerdócio de Deus está acima do reino da terra. (Testamento de Judá 21:2-4a)

Apesar da palavra “Messias” não ser usada, os membros da seita esperavam por um Messias de Israel e um Messias de Davi, que cumprissem a descendência real e sacerdotal de Judá e Levi.

O primeiro texto ao qual daremos atenção é o documento de Damasco, que como acontece com a maioria dos achados de Qumran, é uma combinação de textos. A primeira parte é uma história teológica que prova que a seita, identificada por muitos como os Essênios, é o povo verdadeiro de Israel e que Deus recompensará o fiel; então segue um trecho de lei com uma código penal adicionado como apêndice. A primeira parte não menciona o Messias, mas pode ser interpretada como um texto de tradição Messiânica, já que faz alusão à profecia de Balaão:

“E a estrela é aquele que busca a lei, que veio para Damasco; como está escrito A estrela partiu de sua jornada de Jacó e um cetro de ergue de Israel. O cetro é o Príncipe de toda a congregação, e com sua chegada ele porá por terra todos os filhos de Set.” (Documento de Damasco 7:18-21)

E assim temos a crença em dois Messias vindouros, um o líder militar o outro um sábio, se nos atentarmos ao termo “aquele que busca a lei” encontramos similaridades com o Mestre da Retidão (título dado ao fundador da seita de Qumran), o fato deste título ser usado para apontar o Messias indica a crença da seita de que seu fundador retornaria um dia.

Na primeira citação a palavra “Messias” não é utilizada, mas o documento de Damasco às vezes se mostra mais explícito:

“[…] e durante o período de trevas até o surgimento do Messias de Aarão e Israel […]”(Documento de Damasco 12:23-13:1)

“Este é a afirmação exata das ordenanças que serão seguidas por eles até o Messias de Aarão e Israel apareça e expie sua iniquidade.” (Documento de Damasco 14:18-19)

“Aqueles que atentarem a Ele serão os humildes do rebanho; eles serão salvos no tempo de Sua visitação. Mas os outros serão entregues à espada quando vier o Messias de Aarão e Israel.” (Documento de Damasco 19:33-20.1)

E em pelo menos um texto encontramos um terceiro personagem na Era Messiânica: o profeta. Ele é mencionado no Manual de disciplina. Este texto é curioso por usar o termo plural “os Messias de Aarão e Israel” ao invés de “o Messias de Aarão e Israel” como no Documento de Damasco, com isso temos a crença em pelo menos dois e talvez três Messias:

“E eles não partirão de nenhum concelho da lei para caminhar com teimosia em seus corações, mas serão governados pelas primeiras ordenanças nas quais os membros da comunidade iniciaram suas instruções, até a vinda do profeta e dos ungidos de Aarão e Israel.” (Manual de disciplina 9:9b-11)

Assim como o Messias rei de Israel e o Messias sacerdote de Aarão, o profeta é um personagem Messiânico e não é difícil imaginar que a biblioteca de Qumran possuísse textos de cunho messiânico que defendessem a vinda de três Messias. Afinal de contas reis, sacerdotes e profetas eram os únicos que podiam ser ungidos.

Mas o texto mais interessante de todos pode ser encontrado na Regra Messiânica, também chamada de Regra da congregação. Ele descreve a arrumação da mesa durante uma refeição messiânica sagrada. Uma das particularidades do texto é a hierarquia entre os dois Messias. Esta é a posição dos homens de renome chamados para a assembléia do conselho da comunidade quando Deus lhes enviar o Messias.

“O Sacerdote entra liderando toda a congregação de Israel, então entram todos os líderes dos filhos de Aarão, os sacerdotes, chamados para a assembleia e homens de renome. E eles deverão se sentar diante dele, cada um de acordo com sua posição.”

“Então o Messias de Israel deve entrar, os chefes das tribos de Israel devem se sentar diante dele, cada um de acordo com sua posição nos campos e durante suas marchas, e então todos os líderes das famílias da congregação, juntamente com os sábios, devem se sentar diante deles, todos de acordo com sua posição.”

“E eles devem se reunir na mesa comunal ou para beber o vinho e preparar a mesa e misturar o vinho para o consumo, que ninguém toque o pão ou o vinho antes do Sacerdote. pois é ele que deve abençoar o pão e o vinho. E então o Messias de Israel deve tocar o pão. E então toda a congregação deve abençoar cada um de acordo com sua posição.” (1Q28a 2.11-21)

Vale ressaltar que a idéia de múltiplos Messias não desapareceu com a seita (que teve seu fim durante a guerra entre os judeus e os Romanos entre 66 e 70).

Flávio Joséfo, o historiador e apologista judaico-romano que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., relata em seu Antiguidades Judaicas que no primeiro século antes da destruição do Templo, alguns Messias surgiram, prometendo o alívio da opressão romana e tendo encontrado seguidores:

“Outro corpo de homens malvados também se levantou, mais limpos nas suas mãos, mas mais malvados nas suas intenções, que destruíram a paz da cidade, não menos do que o fizeram estes assassinos os Sicarii. Porque eles eram impostores e enganadores do povo, e, sob a pretensa iluminação divina, eram pela inovação e por mudanças, e conseguiram convencer a multidão a agir como loucos, e caminharam em frente deles pelo descampado, afirmando que Deus lhes iria ali mostrar sinais de liberdade”.

Vamos ver então quem foram esses outros Messias que durante a história do Judaísmo tentaram vestir as sandálias do Salvador.

Judas o Galileu

Um deles foi Judas, o Galileu. Surgiu nos dias do recenseamento, pregando contra a dominação de Roma, criticando a subserviência dos governantes ao Império Romano e incitando o povo a se rebelar, se recusando a pagar tributos, dizendo que a carga tributária cobrada pelo Império era o mesmo que a escravidão, ele conquistou milhares de seguidores. Percorria os vilarejos da Galiléia denunciando as arbitrariedades (e atrocidades) praticadas pelo exército romano contra homens, mulheres e crianças, pressionando todos a lutar pela liberdade política, econômica e administrativa.

Sobre ele Josefo escreve: “[tratava-se de um revolucionário], pois, censurava a população por esta pagar impostos aos romanos e a incitava ao levante, à luta armada”.

Citado pelo rabino Gamaliel I, neto do grande educador judeu Hillel, o Ancião, líder dentre as autoridades do Sinédrio no meio do século I, reconhecido mestre e Doutor da Lei, em um discurso enquanto defendia Pedro, o Pescador e Paulo de Tarso disse: “(…) levantou-se Judas, o Galileu, [contra o Império Romano] nos dias do alistamento, e levou muito povo após si”.

Judas e um fariseu chamado Saduc lideraram várias ações contra o Império, inclusive executando os publicanos, judeus contratados por Roma para cobrar os impostos, que eram chamados de infiéis e traidores. Criaram um grupo que ficou conhecido como Zelotes (significa literalmente alguém que é ciumento em nome de Deus, ou seja, alguém que demonstra excesso de zelo) e os Sicários (por causa de um punhal, chamado “sica”, que usavam), e realizaram inúmeros ataques de sucesso, que só fizeram aumentar a simpatia popular com a sua causa. Foram talvez os pioneiros em táticas de terrorismo e guerrilha na Palestina.

Um dos recursos do qual faziam uso como forma de intimidação era o graffiti. Em vários lugares, em especial nas muralhas e nos arcos das pontes sobre o Tiropeon, grafitavam frases provocadoras contra os romanos. A mais comum delas era “Poncio cattivo” (Pôncio o mau), parodiando o insulto que os habitantes de Cápri dirigiam ao maligno imperador então reinante: Tibério. Outras frases comuns eram “Pôncio, o escravo de Segano”; “Soldado, tua vida vale dez asses?” se referindo ao salário diário de um legionário, fixada por Júlio César de 225 denários anuais ou o equivalente a dez asses por dia.

Ná no séc. V d.C. os Zelotes assumiam o porte de um exército de guerrilheiros contando inclusive com uma facção encarregada de execuções de autoridades romanas e judeus ricos simpatizantes dos romanos. Mas a revolução mudou quando pessoas comuns, comerciantes donas de casas e até crianças se tornaram vítimas desses assassinos tendo inicio assim uma época de medo e terror nas ruas da Palestina, especialmente na região leste.

Os romanos por fim conseguiram sufocar a revolta e crucificaram Judas, os membros de sua família, seus seguidores conservaram vivo o espírito de resistência aos Romanos. Dois de seus filhos foram crucificados pelo procurador Alexandre (c. 46 d.C.), enquanto que um terceiro filho, Manaém, foi o líder da Primeira Rebelião Judaica (66-70 d.C.). O último baluarte Zelote, Massada, caiu em Maio de 73 d.C., mas, mesmo depois, o seu espírito não foi extinto. Os zelotes continuaram a opor-se aos romanos, argumentando que Israel pertencia apenas a um rei judaico descendente do Rei Davi.

Simão, filho de José

Foi um ex escravo de Herodes o Grande se rebelou, e foi morto no ano 4 a.C. Ele foi identificado como o Messias da Revelação de Gabriel, um tablete de pedra de um metro de comprimento contendo uma coleção de profecias curtas, escritas na primeira pessoa e datada do século I a.C.

Conta a história, que Simão de Paraea se corou como rei, afirmando ser o redentor de Israel, o Messias. Ele comandou uma rebelião contra Roma no ano 4 a.C., antes da Páscoa, e ateou fogo a um dos palácios de Herodes e a várias de suas residências reais. Logo após este episódio, Simão foi capturado em um desfiladeiro e então decaptado. Seu corpo foi abandonado para apodrecer entre as pedras, já que para os judeus da época não ter o corpo queimado era uma das maiores humilhações pela qual alguém poderia passar. Depois de sua morte, inúmeros seguidores foram caçados e crucificados.

A seu respeito Flavius Josefus escreveu:

“Também houve Simão, que foi escravo do Rei Herodes, mas que de outra forma era uma pessoa de feições atraentes de corpo alto e robusto; ele era uma pessoa muito superior em relação às outras de sua classe, e tinha muitas responsabilidades. Este homem foi levado a um turbilhão de coisas e foi corajoso o suficiente para colocar em sua própria cabeça um diadema, quando um certo número de pessoas estava em sua presença e por elas foi declarado rei, e ele se considerou mais merecedor daquela dignidade do que qualquer outro.

Ele queimou até a sfundações o palácio de Jericó, e saqueou o que restou nele. Ele ateou fogo também a muitas outras casas do rei em vários lugares do país, as destruindo totalmente, e permitiu que aquilo que sobrasse fosse feito presa por aqueles que o seguiam. Ele teria feito muitas coisas grandiosas, mas foram tomadas medidas para o reprimir imediatamente. (O comandante da infantaria de Herodes) Gratus, se uniu a alguns soldados romanos, e reunindo suas forças foi de encontro a Simão. E após uma longa e grandiosa luta, um grande número daqueles que vieram de Perasea (um grupo desordenado de homens, brigando mais com coragem do que com técnica) foi destruído. E apesar de Simão ter se salvado, fugindo por um vale, foi encontrado por Gratus e então decaptado.”

Athronges

Foi o lider de uma rebelião, seguido por seus quatro irmãos, contra Herodes Arquelaus e os romanos, depois de se proclamar o Messias. Ele e seus irmãos foram eventualmente vencidos.

Assim como Simão, filho de José, Athronges não era uma pessoa eminente, não possuía nenhum antepassado importante nem tinha posses, era um simples pastor desconhecido, mas por ser um homem alto e mais forte do que todos que conhecia ele decidiu se declarar rei. Também se dedicou, com a ajuda de seus irmãos, a atacar os romanos, e os relatos dizem que embora a princípio ele fosse um homem gentil e justo, começou a se tornar violento, não apenas com os romanos, mas com todos.

E assim como Simão acabou tendo seu fim nas mãos de Gratus.

Theudas

Por volta de 44 d.C., surge um homem chamado Theudas, ou Teudas, que afirmava ser um profeta, encorajando que as pessoas o seguissem até o Jordão, que seria dividido por ele para seus seguidores.

Isto é digno de nota, pois apesar de não se declarar o Messias a idéia de profetas também é importante. Um profeta ou profetisa é uma pessoa capaz de predizer o futuro. Antes de receberem o nome de profetas essas pessoas eram chamadas de videntes, como nos mostra o livro I Samuel 9:9. Os profetas eram aqueles que falavam por inspiração divina ou em nome de Deus, e é sempre bom ter em mente que isso acontecia em uma comunidade que levava Deus muito a sério, tanto que de acordo com a Lei Mosaica uma pessoa acusada de ser um falso profeta recebia a pena de morte, e  naquela época não havia câmaras de gás, injeções letais nem nada que transformasse a morte em algo rápido e indolor.

Enquanto o Messias era alguém sagrado por Deus e enviado, o profeta era alguém escolhido por Deus para ser seu porta voz, como vemos na história, assim como onde há fumaça há fogo, Messias e Profetas nunca estiveram muito longe um do outro como veremos adiante.

Com o tempo Theudas conseguiu arrebanhar para si mais de 400 pessoas, todas perseguidas por Cuspius Fadus, que enviou homens a cavalo em perseguição ao  bando e a seu líder. Muitos deles foram mortos e outros foram tomados como cativos, juntamente com o seu líder, que foi decapitado.

Messias Egípcio

Ainda de acordo com Josefo, no séc. I surge um Messias egípcio que supostamente conseguiu agregar mais de 30 000 seguidores. Segundo Flávio Josefo, esse personagem se proclamava um “enviado de Deus”, e apareceu na Judéia no tempo do governador Marco Antônio Félix, arrebanhando um grande número de pessoas, e as levando para o Monte das Oliveiras, onde haveriam de presenciar um milagre: as muralhas de Jerusalém se desmantelariam, abrindo um caminho para a entrada triunfal de Yahweh, que viria para estabelecer seu reino na Terra. Isso, se de fato acontecesse, realizaria a profecia do profeta Zacarias, sobre a proximidade do Dia do Senhor: “Nesse dia, os seus pés [de Yahweh] pousarão sobre o Monte das Oliveiras, que fica em frente e a leste de Jerusalém; e o Monte das Oliveiras vai rachar-se ao meio, formando um vale enorme no sentido do nascente para o poente (…) Então virá Yahweh e todos os santos com ele” (Zc 14,4). Ele também é citado em Atos, no episódio em que Paulo se encontra com um tribuno, nos degraus da Fortaleza Antônia, e este lhe pergunta: “Por acaso você não é o egípcio que, dias atrás, subverteu e arrastou ao deserto quatro mil sicários?” (At 21,38). O governador Félix mandou uma tropa atacar a multidão e muitos foram mortos pelos legionários, mas o egípcio escapou durante a luta e nunca mais foi visto.

Dois outros Messias

Josefo ainda nos fala do surgimento de mais dois Messias naquela época: Um que prometeu ao povo “a libertação das suas misérias” se eles o seguissem até ao descampado. O líder e seus seguidores foram mortos pelas tropas de Festus, o procurador romano.

E outro surgido quando Jerusalém já estava sendo destruída pelos Romanos, um profeta subornado pelos defensores em uma tentativa para evitar que as pessoas desertassem, anunciou que Deus os comandava para virem ao Templo, onde receberiam sinais milagrosos da sua libertação. Ao invés de libertação os seguidores encontraram a a própria morte nas chamas.

Menahem ben Judah

Ao contrário daqueles Messias, que esperavam conseguir a libertação do seu povo através de intervenção divina, surge Menahem ben Judah, o filho de Judas da Galileia, e neto de Hezequiel, o líder dos Zelotes, que tinham irritado o Rei Herodes. Ele era um guerreiro e quando começou a guerra, atacou Masada com o seu grupo, armou os seus seguidores com as armas ali armazenadas, e partiu para Jerusalém, onde capturou a fortaleza Antónia, derrotando as tropas de Agripa II. Encorajado por este sucesso, ele comportou-se como Rei e clamou a liderança de todas as tropas. Espoletou por isso a oposição de Eleazar, outro líder Zelota que alguns historiadores acreditam ser irmão de Menahem, tendo sido assassinado como resultado de uma conspiração. Ele será provavelmente a mesma pessoa mencionada como Menahem ben Hezekiah no Talmud e ali chamado de “provedor de conforto que deverá aliviar”.

Nos Pergaminhos do Mar Morto lemos sobre um Messias que teria existido antes do primeiro século chamado Menahem, o essênio, que morreu em circunstâncias semelhantes às atribuídas a Jesus.

Bar Kochba

Com a destruição do Segundo Templo de Jerusalém em 70 d.C., temos uma pausa com a aparição de Messias. Foi uma época em que os judeus começaram a se espalhar pelo globo em busca de um lugar para viver. Mas sessenta anos mais tarde, um movimento político-messiânico de grandes proporções teve lugar, com Shimeon Bar Kochba (também Bar Kosiba) como líder. Este líder da revolta contra Roma foi saudado como o Rei-Messias pelo Rabi Aquiva, que se referiu a ele, como: “Uma quarta estrela de Jacob virá e o ceptro irá erguer-se fora de Israel, e irá golpear pelos cantos do Reino de Moab,”, e Hag. ii. 21, 22; “Eu irei sacudir os céus e a terra e destronar reinados…”. Apesar de alguns terem duvidado que fosse o Messias, ele parece ter conseguido o apoio generalizado na nação.

A revolta de Bar Kochba , de 133 a 135 d.C., que fez frente ao poder de Roma foi a terceira maior rebelião dos judeus que habitavam a província Iudaea (Judéia) e a última das guerras contra os romanos. A revolta estabeleceu um Estado Judeu sobre algumas regiões da Judéia por dois anos e meio. A função de administrador público foi assumida por Shimeon Bar Kochba, que assumiu o título de Nasi Israel (Governante, ou Príncipe de Israel). A “Era da redenção de Israel” foi anunciada, se criaram contratos e se cunharam moedas. O Rabi Akiva presidia a Sanhedrin e os rituais religiosos eram observados e os sacrifícios (korbanot) era realizados no altar.

Shimeon foi morto perto das muralhas de Bethar. O seu movimento messiânico acabou em derrota e na miséria dos sobreviventes. Em 135, a revolta foi esmagada pelo imperador romano Adriano. De acordo com Cassius Dio, 580,000 judeus foram mortos e 50 cidades fortificadas e mais de 980 vilas foram massacradas. Os sobreviventes dispersaram-se pela diáspora ou foram feitos escravos. Adriano decretou a expulsão de todos os judeus de Jerusalém, autorizando o seu retorno apenas por um dia ao ano, em Tisha Be’av, para demonstrar luto pela destruição do Templo. Após esta tremenda derrota dos judeus, a cidade de Jerusalém seria reconstruída pelos Romanos, tendo o imperador Adriano ordenado a mudança do nome de Jerusalém para Aelia Capitolina, e o nome da Judéia para Síria Palestina, para evitar qualquer associação judaica e com a terra de Israel.

O ocorrido marcou também uma nova etapa do cristianismo. Até então, os cristãos eram sobretudo judeus. A partir de aqui foram obrigados a dispersar-se para outras zonas. Se até então a psicologia dos líderes cristãos tinha uma perspectiva judaica, depois do ano 135 a maioria dos cristãos seriam gentios, e adquiririam uma perspectiva diferente, de pessoas que vivem na Grécia, ou então romanos e que mais facilmente adotariam posições antijudaicas.

Com a derrota de Bar Kochba passam-se alguns séculos em que não temos o registro de novos Messias.

A derrota da guerra de Bar Kochba foi um desastre que afetou negativamente o surgimento de Messias nos séculos seguintes, mas a esperança é a última que morre e de acordo com cálculos baseados no Talmude, o Messias seria esperado no ano 440. Esta expectativa, em ligação com os distúrbios no Império Romano em face das invasões, podem ter levado a incentivar o Messias que apareceu nesta época em Creta e que angariou o apoio da população judaica para o seu movimento.

Moisés de Creta

Em 448 eis que surge o autodenominado Moisés, prometendo liderar o seu povo, como o antigo Moisés, de volta à Palestina. Ele percorreu as comunidades judaicas da ilha anunciando que iria repetir “seu” feito de séculos passados – fazer o mar se abrir para dar passagem aos israelitas -, de maneira a conduzir os judeus cretenses de volta à Terra Prometida. Conseguiu arrebanhar muitos seguidores e os levou até o mar. Os seguidores, que haviam sido convencidos por ele a deixaram para trás suas possessões, aguardavam ansiosos pelo dia prometido, e quando este chegou, sob o  comando do Messias, muitos se lançaram ao mar. Alguns morreram, outros foram salvos. O “Salvador” desapareceu sem deixar rastros.

Após o afogamento em massa de centenas de judeus os Messias que se seguiram surgiram todos no Oriente e eram por vezes reformadores religiosos cujo trabalho influenciaria o Caraismo, uma das ramificações do Judaísmo que defende unicamente a autoridade das Escrituras Hebraicas como fonte de Revelação Divina, defendem a Crença Única e Absoluta em Deus e que sua Revelação Única foi dada através de Moshê (Moisés) na Torá (que não admite adições ou subtrações) e nos profetas da Tanakh. Confiam na Providência divina e esperam a vinda do Messias e a Ressureição dos Mortos. Seguem um calendário baseado no Abib e com ínicio de mês na lua nova vísivel, rejeitam o judaísmo rabínico como por exemplo o Talmud e a Mishná. Não seguem costumes judaicos rabínicos como o uso de kipá, peiot, tefilin e afins.

Ishak da Pérsia

No final do século VII, surgiu na Pérsia Ishak ben Ya’kub Obadiah Abu ‘Isa al-Isfahani de Ispahan. Ele viveu no reino do Califa Omíada Abd al-Malik ibn Marwan (684-705). Afirmou ser o último dos cinco precursores do Messias e ter sido nomeado por Deus para libertar Israel. De acordo com alguns, ele era o próprio Messias. Tendo reunido um grande número de seguidores, ele revoltou-se contra o califa, mas foi derrotado e assassinado em Rai. Os seus seguidores disseram que ele fora inspirado por Deus e mostraram como prova o fato de ter escrito livros apesar de ser analfabeto. Ele fundou a primeira seita a ter surgido do Judaísmo após a destruição do Templo.

O seu discípulo Yudghan, chamado Al-Ra’i (o pastor do rebanho do seu povo), que viveu na primeira metade do século VIII, declarou ser um profeta e foi visto pelos seus discípulos como um Messias. Ele era de Hamadã e ensinava doutrinas que afirmava ter recebido através da profecia. De acordo com Shahristani, ele opôs-se à crença do antropomorfismo, ensinou a doutrina da vontade livre, e sustentou que a Torah tinha um sentido alegórico em adição ao sentido literal. Ele preconizava que os seus seguidores levassem uma vida ascética, se abstivessem de carne e de vinho, e que rezassem e jejuassem frequentemente, seguindo nisto o seu mestre Abu ‘Isa. Ele afirmava que a observância do Shabat e de festividades era meramente uma questão de memorial. Após a sua morte, os seus seguidores formaram uma seita, os Iudghanitas, que acreditavam que o seu Messias não tinha morrido, mas sim que iria regressar.

Serene

Entre 720 e 723 um Sírio conhecido como Serene (o seu nome aparece em várias fontes como Sherini, Sheria, Serenus, Zonoria, Saüra) apareceu como o Messias, no reinado de Yazid II. Seu nome é uma forma latina (Serenus) de Shaáre Zedek; aparece também como Severus na obra Chronicon Syriacum de Gregorius bar Hebraeus.

A ocasião imediata para a sua aparição pode ter sido a restrição das liberdades dos judeus pelo Califa Omar II (717-720) e seus esforços de proselitismo. De uma perspectiva política, este Messias prometia a expulsão dos Muçulmanos e a restauração dos judeus na Terra Santa, de acordo com Isidoro Pacensis, muitos judeus na espanha abandonaram bens e propriedades para se juntarem a Serene. Como Abu ‘Isa e Yudghan, Serene foi também um reformador religioso. Ele era hostil ao Judaísmo Rabínico. Os seus seguidores não observavam as leis da alimentação, as preces instituídas por rabinos e a proibição contra o “vinho de libação”. Eles trabalhavam no segundo dia das festividades, não escreviam documentos para registrar casamentos e divórcios tal como as prescrições do Talmud, e não aceitaram as proibições do Talmud em relação ao incesto.

Serene foi preso e questionado pelo Califa Yazid II sobre suas qualidades messiânicas, não conseguindo responder às questões declarou que nunca teve nenhum plano real contra o Califa e que apenas desejava tirar um sarro dos judeus, aos quais foi entregue posteriormente para ser castigo. Os seus seguidores foram recebidos de volta a suas comunidades religiosas, graças a Natronai Gaon, após terem renunciado à heresia.

Inflamados com as chamas de Allah, após a morte de Maomé em 632 d.C., o exército árabe lançou-se com renovado fervor contra os povos que os dominavam. Após a vitória sobre os bizantinos e os persas, os muçulmanos recebem uma parte da Síria, a Palestina, o Egito e o norte da África, e então seguem para a Índia, ilhas mediterrâneas o sul da Itália e a Penísnula Ibérica. Os muçulmanos criam então um império gigante, marcado pelo desenvolvimento intelectual e artístico que entre em declínio durante o século IX. O domínio dos turcos sobre a Terra Santa já incomodava os cristãos do ocidente como uma ameaça que reprimia as peregrinações e os cristãos que viviam no oriente. Então em 1095, no concílio de Clermont, o papa Urbano II declara que um dos novos objetivos da Cristandade, como forma de penitência para ter deixado a Terra Santa cair nas mãos de muçulmanos, é tomá-la de volta. A multidão presente aceita a tarefa e inflamada pelo fogo do espírito santo monta um pequeno exército, identificado pela cruz vermelha pintada sobre suas roupas, o que lhes deu o nome de cruzados.

Um dos efeitos colaterais das cruzadas foi o aumento do números de Messias que surgiram. Maiomonides em suas cartas aos judeus Iemenitas (Iggeret Teman – אגרת תימן – ou epístola ao Iemen) cita três deles. Em 1087 surge um na França para ser assassinado pelos franceses, outro em 1117 na Província de Córdova e mais um em Fez em 1127.

Menahem

Em 1160 surge um novo movimento Messiânico na Pérsia, liderado por David Alroy.

Nascido em Amadia, no Curdistão, Alroy (também citado como Alrui) se tornou um estudioso da Bíblia e do Talmud, estudando os livros com Hisdai, o Príncipe do Exílio e Ali, o acadêmico chefe em Bagda. Ele era versado em literatura muçulmana e era conhecido por praticar magia.

Graças às cruzadas, o poder do Sultão da Ásia Menor e da Pérsia foi minado, e Alroy aproveitou as condições do Califado para assumir o nome “Menahem” e se declara o Messias enviado por Deus para libertar os judeus da opressão islâmica e levá-los de volta para Jerusalém, onde se tornaria Rei e todos viveriam em liberdade. Em todas as partes da região surgiam líderes muçulmanos criando novos estados independentes, desafiando a liderança do Califa. O surgimento de novas taxas abusivas criadas para serem pagas por todos os judeus homens com mais de 15 anos também foi um fator decisivo, usado por Alroy para fomentar a revolta. Agitando um grupo de judeus guerreiros que viviam nas montanhas de Chaftan no distrito vizinho de Adherbaijan, começou a formar seu grupo, conseguiu o apoio de seus correligionários em Mosul e Bagdá. Seu primeiro alvo foi um forte que existia em sua cidade natal.  A partir deste momento as lendas falam mais alto do que a história. Os pesquisadores da vida de Alroy dão, cada um, uma versão diferente do ocorrido, mas o resultado do ataque foi a derrota dele e de seus seguidores. O seu movimento falhou, e diz-se que teria sido assassinado, enquanto dormia, pelo seu próprio sogro. Mas a sua morte não chegou a destruir a crença em sua missão divina de redenção para o povo Judeu.

Logo após a morte de Alroy surgiram dois impostores, vindo de Bagdá, anunciando que traziam notícias do falecido Messias, que ele havia dito que em determinada noite seus seguidores deveriam se erguer nos ares e voar de Bagdá até Jerusalém e que no meio tempo deveriam entregar aos dois mensageiros suas propriedades. Esta fraude obteve um certo sucesso, mas podemos imaginar como terminou, e mesmo assim muitos seguidores continuaram surgindo em Khof, Salmas, Tauris, e Maragha, dando origem a uma seita conhecida como Menahemistas, para continuar reverenciando a memória do Messias de Amadia.

Doze anos após o surgimento e morte de David Alroy, em 1172, surge um suposto precursor do Messias apareceu no Iêmen. Nesta época os Muçulmanos estavam realizando certos esforços para converter os judeus que ali viviam. Ele declarou que as desgraças deste tempo eram um prognóstico da vinda do Reino Messiânico, e ordenava aos judeus que dividissem a sua propriedade com os pobres. Este pseudo-Messias foi tematizado pelo “Iggeret Teman” de Maimónides. Ele continuou com suas atividades por um ano, tendo depois sido preso pelas autoridades muçulmanas e decapitado após a sua própria sugestão, diz-se, de forma a poder provar a verdade da sua missão ao retornar à vida.

Abraão ben Samuel Abulafia

Com a chegada do século XIII os movimentos Messiânicos ganham uma nova ferramenta que antes não era muito utilizada, a Cabala. Em 1240 nasce na Espanha Abraão ben Samuel Abulafia, cabalista estudioso que, graças aos próprios estudos, acaba acreditando que é um profeta, e, em um livro profético publicado em Urbino em 1279, declara que Deus havia falado com ele. Foi para Messina, na ilha da Sicília, onde foi bem recebido e ganhou discípulos e em um trabalho que publicou em novembro de 1284 se declara o Messias, e anuncia 1290 como o ano do início da Era Messiânica. As pessoas, confusas apelam a Solomon ben Adret para analisar as afirmações de Abulafia, e tem como veredito a condenação do Messias, que passa a ser perseguido na Sicília por algumas congregações tendo que fugir para a ilha de Comino, próxima a Malta, em 1288, ainda convencido por seus estudos que estava em uma missão Messiânica. Dois dos seus discípulos, José Gikatilla e Samuel, ambos de Medinaceli, declararam mais tarde serem profetas e milagreiros. Samuel ficou famoso por profetizar em linguagem mística em Ayllon em Segóvia o advento do Messias.

Nissim bem Abraham

Um outro pretenso profeta foi Nissim ben Abraham, que viveu em Ávila, ele não chegou a se declarar o Messias, mas previu sua chegada. Seus seguidores diziam a seu respeito que apesar de ignorante e analfabeto, tinha sido iluminado subitamente por um anjo, e com o poder que recebeu, escreveu um livro místico “A maravilha da Sabedoria”. Novamente Solomon ben Adret é chamado para dar seu parecer sobre o novo profeta e novamente seu parecer é desfavorável e ele aconselha uma investigação cuidadosa. Nissim continuou com suas atividades e fixou até o último dia do quarto mês, Tammuz, 1295, como a data da vinda do Messias. Os crentes prepararam-se para o evento jejuando e dando para a caridade, e reuniram-se no dia designado. Mas em vez de encontrarem o Messias, encontraram pequenas cruzes presas aos seus vestimentos, talvez colocadas por descrentes para ridicularizar o movimento. Na sua decepção, alguns dos seguidores de Nissim ter-se-iam convertido ao Cristianismo. Não se sabe o que aconteceu ao profeta.

Moisés Botarel

Após o lapso de um século aparece um novo Messias. De acordo com Grätz o nome dele era Moisés Botarel de Cisneros, que teve como um de seus simpatizantes Hascai Crescas. A relação dos dois é discutida por Jerónimo da Santa Fé, o rabino Joshua Harloqui convertido por São Vicente Ferrer e que foi responsável pela Disputa de Tortosa em 1413 onde converteu muitos de seus correligionários.

Asher Lemmlein

Em 1502 surge um novo profeta predizendo a vinda do Messias, desta vez um profeta alemão. Asher Lemmlein (Lämmlein) apareceu em Ístria, perto de Veneza e anunciou a vinda do Messias para aquele mesmo ano, desde que os judeus fossem penitentes e praticassem a caridade, e então um pilar de nuvens e fumaça iria preceder os judeus no seu regresso a Jerusalém. Ele conquistou a simpatia e credibilidade de muitos seguidores, existem inclusive registro de muitos cristãos que acreditaram em suas profecias messiânicas. O cronista Ganz nos deixa o relato de seu avô destruindo um forno que era utilizado para se cozer o Matsá, pão ázimo sem levedura, o único que os judeus podem comer durante os oito dias de Pessah, por acreditar que na próxima celebração ele estaria em companhia do Messias na Palestina. Asher conseguiu reunir muitos seguidores na Itália e na Alemanha, vários deles cristãos. Por onde quer que ele passasse as pessoas jejuavam, rezavam e faziam caridade, aquele ficou conhecido como o “ano da penitência”. E então ele simplesmente desapareceu, e a agitação chegou a um fim.

David Reuveni e Salomão Molko

Em nossa lista de candidatos a Messias não podemos deixar de fora David Reuveni e Salomão Molko. O primeiro afirmou ser o embaixador e irmão do Rei de Khaibar. Khaibar era uma cidade no distrito de Hejaz, se encontrava a quatro dias de caminhada de Medina. Na época de Maomé o nome Khaibar era usado por toda a província e era habitada por inúmeras tribos judaicas, onde os descendentes das “tribos perdidas” de Rubem e Gad supostamente viviam.

Existem inúmeras tradições sobre a fundação da cidade pelos judeus, uma delas afirma que eles chegaram no local na época de Moisés (o patriarca, não o Messias grego), outra afirma que foi na époce de Saulo, que foi enviado para exterminar os Amalekitas), na época de Davi, quando ele fugiou diante de seu filho Absalon, mas a suposiçõa mais provável é a de Rapoport, que os judeus de Haibar são os descendentes de Jonadab b. Rachab, que os fez viver uma vida nômade.

David Reuvani ainda fez um apelo ao Papa e aos países europeus que lhe enviassem canhões e armas de fogo para iniciar uma guerra contra os muçulmanos, que impediam que os judeus que viviam em margens opostas do mar vermelho se reunissem. É interessante frisar que ele mesmo sempre negou veementemente ser um profeta ou um Messias, afirmava a todos que era apenas um guerreiro, mas a boa vontade com que foi acolhido pelo Papa em 1524 e a audiência que lhe foi concedida nas cortes portuguesas em 1525 (a convite do Rei D. João III), onde recebeu pela primeira vez a promessa de ajuda e a pausa temporária na perseguição aos Marranos, fez com que os Marranos Portugueses e Espanhóis acreditassem era aquele que anunciaria a vinda do Messias. Isso fez com que Selaya, o inquiridor de Badajoz, se queixasse ao Rei de Portugal que um Judeu vindo do Oriente vinha suscitando aos Marranos espanhóis a esperança de que o Messias chegaria e iria liderar os filhos de Israel de todas as suas terras de volta à Palestina, e que tinha mesmo encorajado que realizassem manifestações públicas. Um espírito de expectativa cresceu durante a estadia de Reuveni em Portugal. Uma mulher marrana da região de Herara, em Puebla de Alcocer declarou ser uma profeta, teve visões, e prometeu liderar os seus correligionários para a Terra Santa. Como era o costume na época, ela recebeu o tratamento que mulheres que diziam ter visões e causavam agitação recebiam: foi queimada viva, juntamente com quem acreditava nela.

Apesar disso o evento mais importante causado pela presença de Reuvani foi a conversão de Marano Diogo Pires (b. c. 1501; d. 1532) ao judaísmo. Marano nasceu cristão e Portugal, e recebeu o nome de batismo de Diogo Pires. Ele tinha o cargo de secretário em uma das cortes mais importantes em seu pais natal. Quando David Reuvani surgiu, vindo da África para Portugal, em sua missão política, Marano decidiu se unir a ele, e foi rejeitado. Ele então se circuncisou, o que não o fez cair nas graças de Reuvani, e emigrou para a Turquia, com um patrocínio farto. Adotou o nome de Salomão Molko. Era um visionário e acreditava em sonhos, estudou cabala com Joseph Taytazak e conheceu Joseph Caro. Ele então vagou como pregador através da Palestina onde conseguiu uma grande reputação e anunciou que o reino Messiânico chegaria em 1540. Em 1529 Molko publicou alguns de seus sermões sob o título e Derashot – ou Sefer ha-Mefo’ar. Quando rumou para a Itália encontrou a oposição de vários judeus proeminentes que temiam que ele confundisse seus correligionários, mas ele consegue o apoio do Papa Clemente VII, e de alguns cardeais anti-semitas em Roma. Muitos afirmam que ele previu para o Papa uma inundação que atingiu Roma e vários outros lugares.

Graças a seus estudos que envolviam a Cabala e outros tópicos estranhos, Molko sentiu que nada seria mais justo do que se proclamar o Messias, ou ao menos seu precursor. Acompanhado por David Reubeni, que ele conheceu na Itália, rumou para Ratisbon, em 1532 onde o imperador Charles V se encontrava realizando uma dieta. Nesta ocasião Molko carregou uma bandeira com a inscrição מכבי, uma abreviação do versículo 11 do décimo quinto capítulo do livro do Êxodo: O SENHOR, quem é como tu entre os deuses? (em hebraico a tradução desta passagem seria: Quem dentre os poderosos é como Deus?). O imperador aprisionou Molko e Reubeni, e os levou consigo de volta para a Itália. Em Mantua, uma corte eclesiástica sentenciou Molko à morte na fogueira. Quando estava amarrado no tronco o emperador ofereceu o perdão a ele, com a condição de retornar para a igreja, mas Molko recusou, pedindo pela morte de um Mártir.

Isaac Luria,  Hayyim Vital Calabrese e Abraão Shalom

Isaac Luria (Isaac ben Solomon Ashkenazi Luria), juntamente com Ḥayyim Vital Calabrese, seu maior discípulo e sucessor) foi o fundador da escola moderna da Cabala. Luria ensinava em seu sistema místico a transmigração e superfetação (Concepção de novo feto, quando já existe outro no útero) das almas, e acreditava ele próprio possuir a alma do Messias da casa de José e ter como missão apressar a vinda do Messias da linha de David através da evolução mística das almas. Tendo desenvolvido o seu sistema Cabalístico no Egito, sem no entanto conseguir ali muitos seguidores, ele foi para Safed, Israel, por volta de 1569. Foi ali que conheceu Hayyim Vital Calabrese, a quem revelou os seus segredos e através de quem assegurou muitos seguidores. A estes ensinou secretamente o seu messianismo, acreditando que a era messiânica teria início no princípio da segunda metade do segundo dia (do ano 1000) após a destruição do templo de Jerusalém, ou seja, em 1568.

Com a morte de Luria em 1572, Hayyim Vital Calabrese reivindicou ser o Messias Efraíta e pregou o breve advento da era Messiânica. Em 1574, Abraão Shalom, um pretendente a Messias Davídico, enviou um comunicado a Vital, dizendo que ele (Shalom) era o Messias da casa de Davi, enquanto que Vital era o Messias da casa de José. Ele pediu a Vital que fosse a Jerusalém e que ali ficasse pelo menos dois anos, com o que o espírito divino iria chegar-lhe. Shalom ainda disse a Vital, por fim, que não receasse a morte, o destino do Messias Efraíta, já que ele iria tentar salvá-lo dessa perdição.

Após quatro décadas encontramos um registro no “De Pseudo-Messiis”, no capítulo iv, parágrafo 15, outro Messias que teria aparecido em Coromandel em 1615.

Sabbatai Zevi e os Messias Cabalísticos

Um dos movimentos Messiânicos mais importantes surgiu na metade do século VII e em alguns lugares chegou a persistir por mais de 100 anos. Sabbatai Zevi nasceu no nono dia de Ab (dia 23 de julho de 1626), descendente de espanhóis, em Smyrna, e morreu dia trinta de setembro de 1676 em Duleigno, uma pequena cidade da Albânia.

De acordo com os costumes dos judeus orientais da época, Sabbatai deveria se tornar um estudioso do Talmude, quando jovem atendeu o yeshibah sob o tutelado do rabi veterano Joseph Escapa, mas ele nunca demonstrou muito interesse por esses estudos. Ele era fascinado pela Cabala e o sistema desenvolvido por Isaac Luria, especialmente pela Cabala prática com seu ascetismo e mortificação do corpo, práticas que, de acordo com seus praticantes, tornavam possível um contato com Deus e com os anjos, predizer o futuro e realizar todo o tipo de milagre. Ele teve uma infância solitária e de acordo com o costume da época se casou muito jovem, mas se recusou a realizar o ato sexual com sua esposa, de forma que ela pediu um divórcio e ele de boa vontade o garantiu. O mesmo aconteceu com sua segunda mulher. Quando começou a estudar mais profundamente a Cabala começou a se mortificar, a jejuar dia após dia e a viver em um constante estado de êxtase.

Paralelamente um outro fenônemo estava surgindo, desta vez graças aos cristãos. Durante a primeira metade do século XVII teve início a crença sobre a aproximação da Era Messiânica e a da redenção dos judeus e seu retorno a Jerusalém. Essa crença era difundida cada vez mais não apenas por judeus, mas por cristãos também, que acreditavam que o ano do apocalipse seria o de 1666. A crença era tão difundida e aceita que Manasseh ben Israel escreveu uma carta para Cromwell e para o Parlamento Inglês urgindo a readmissão dos judeus na Inglaterra, afirmando que “a opinião de muitos cristãos assim como a minha concordam aqui que ambos acreditamos que o tempo de restauração de nossa nação em seu pais nativo está muito próxima e à mão”. Além disso existe uma passagem muito popular entre os judeus no Zohar, que quando interpolada da maneira correta afirma que o ano da redenção de Israel pelo Messias seria o de 1648.

Esse conjunto de fatos e crenças teve um efeito muito forte na mente extasiada de Sabbatai e o levou à conclusão mais lógica que ele poderia chegar: ele era o Messias esperado por todos. E então com apenas 22 anos, em 1648, ele se revelou em Smyrna para aqueles que, impressionados com seus trabalhos com Cabala, carisma e atos fora do comum, o seguiam como o Redentor Messiânico enviado por Deus para acabar com os governos das nações e liderar Israel de volta para Jerusalém. O método que escolheu para se revelar foi pronunciar o Tetragrammaton em hebreu, um ato que só podia ser realizado pelo sumo sacerdote na Santuário no dia do Yom Kippur, o dia mais sagrado para os judeus. Apesar de sua ousadia a sua pouca idade não lhe garantiu muitos seguidores, mas dentre os primeiros que simpatizaram com sua empreitada estavam Isaac Silveyra and Moses Pinheiro. Sabbatai continuou em Smyrna por alguns anos, levando uma vida pia, mística e com certos atritos com a comunidade, mas quando suas pretensões messiânicas se tornaram muito evidentes o colégio dos Rabinos o baniu junto com seus seguidores.

O que se seguiu não é muito claro, em 1653 ou 1658 ele esteve em Constantinopla, onde conheceu Abraham ha-Yakini (um discípulo de Joseph di Trani, um homem de grande inteligência e reputação), que confirmou as declarações de Sabbatai. Neste época surgiu um documento entitulado “A Grande Sabedoria de Salomão”, que atestava o messianismo de Sabbatai, dizendo:

“Eu, Abrahão, fui confinado em uma caverna por quarenta anos, e ponderei muito sobre o tempo dos milagres, que não havia chegado ainda. Então uma voz se fez ouvir, proclamando: ‘Um filho nascerá no ano de 5386 (1626) para Mordecai Zevi; e ele será chamado de Shabbatai. Ele vencerá o grande dragão;… ele, o verdadeiro Messias, se sentará sobre o trono (de meu Deus).”

Munido deste documento, tido por muitos como uma revelação real, Shabbatai escolheu Salonica, na época um ponto de encontro de Cabalistas, como o seu campo de operações. Ali ele se proclamou novamente como o Messias, e ganhou muitos seguidores. Como consequência os Rabinos de Salonica o baniram da cidade, e ele segue seu caminho passando por Alexandria, Atenas, Constantinopla, Jerusalém, Smyrna e outros lugares, finalmente após uma longa jornada ele chega ao Cairo onde viveu por dois anos. Mas aparentemente Shabbatai não achava que o Egito era o local ideal para os acontecimentos que previa, o ano apocalíptico 1666 se aproximava e algo definitivo deveria ser feito para estabelecer que ele era o Messias sem deixar quaisquer sombras de dúvidas. Ele então deixa o Egito e ruma para Jerusalém, esperando que na cidade santa algum milagre acontecesse e confirmasse seu destino para todos. Chegando lá ele começa a meditar, jejuar, realizar atos de caridade para crianças e passa as noites cantando Salmos, isso faz com que ganhe a simpatia de muitas pessoas. Neste ponto um incidente inesperado o leva de volta ao Cairo, com a missão de arrecadar uma grande soma em dinheiro para reparar uma calamidade engendrada contra  Jerusalém por oficiais turcos. Shabbatai consegue arrecadar o dinheiro, o que lhe garantiu um prestígio ainda maior.

Carregado com o dinheiro e com uma esposa que encontrou no caminho (e um número crescente de seguidores) ele volta triunfante para a Palestina, atravessando a cidade de Gaza ele encontra Nathan Ghazzati, que se torna seu o braço direito e afirmava ser o Elijah, aquele que tomaria o lugar do Messias. Em 1665 Ghazzati proferiu que a Era Messiânica teria inicio no ano seguinte. Essa revelação surgiu com grandes detalhes, ele afirmava que o mundo seria conquistado por ele, O Elijah, sem derramamento de sangue, que então o Messias lideraria para a Terra Santa as dez tribos, “montado em um leão com sete cabeças de dragão em suas mandíbulas”. Tudo isso, é claro, foi aceito por todos. Finalmente no outono de 1665 Shabbatai ele é aclamado como Messias por todos.

No início de 1666 ele se dirige novamente para Constantinopla, esperando pelo milagre que realizasse a profecia de Ghazzati que dizia que Shabbatai colocaria a coroa do Sultão em sua própria cabeça. Tão logo colocou o pé na cidade foi preso ao comando do Grão Vizir, Ahmad Koprilli e foi jogado, acorrentado, na prisão. Seu aprisionamento, entretanto, não teve nenhum efeito negativo, nem para ele, nem para seus seguidores. Ao contrário o tratamento tolerante que recebeu apenas confirmou a fé de todos de que ele era o Messias. Após dois meses de encarceramento em Constantinopla, Shabbadai foi levado à prisão estadual no castelo de Abydos, onde recebeu um tratamento ainda mais condescendente e alguns de seus amigos ainda puderam acompanhá-lo. Em consequência disso os Shabbateanos deram à fortaleza o nome de Migdal ‘Oz (Torre da Força). No dia que foi levado para Abydos abateu um cordeiro para si e seus amigos, já que era o dia antes do Páscoa e o comeu com a gordura, o que era uma violação da Lei, e antes de comer o animal ele pronunciou: “Bendito seja Deus, que fez limpo o que era abominação”. Nesta época acontece um incidente que contribuiria com a queda de Shabbatai, que até o momento estava vivendo como um príncipe na fortaleza.

Dois estudiosos do Talmud, poloneses de Lemberg, que estiveram entre os visitantes de Shabbatai em Abydos, o informaram sobre um profeta originário de Lemberg, Nehemia ha-Kohen, que havia anunciado a vinda do Messias. Shabbatai ordenou que trouxessem o profeta à sua presença. Nehemia obedeceu, e chegou a Abydos em setembro de 1666 e a conferência entre ambos terminou com a insatisfação mútua e dizem que os Shabbateanos fizeram planos de assassinar o profeta rival.

Nehemiah, entretanto, escapou para Constantinopla, onde se converteu, tornando-se maometano e traiu Shabbatai. O Sultão Mohammed IV, foi tirado de Abydos e levado a Adrianopla, onde o médico do Sultão informou a Shabbatai que ele deveria abraçar o Islã como única maneira de se salvar. No dia 16 de Setembro de 1666 ele foi levado diante do sultão onde se desfez de suas vestes judaicas e colocou na cabeça um turbante, se convertendo. O sultão ficou muito satisfeito, e deu a Shabbatai o cargo de Effendi, e o contratou pagando um alto salário. A esposa de Shabbatai e alguns de seus seguidores também se converteram, e alguns dias após sua conversão ele escreveu para Smyrna: “Deus me tornou um ismaelita, Ele comandou e foi feito. O nono dia da minha regeneração”.

Os efeitos da conversão do Messias foram devastadores na comunidade judaica, rabinos proeminentes que era seguidores de Shabbatai se prostravam em vergonha. Entre as massas uma grande confusão reinou.

Por um tempo Shabbatai permaneceu fazendo um jogo duplo, em março afirmando ter sido tomado pelo Espirito Santo disse ter recebido uma revelação. Ele, ou um de seus seguidores, publicou um trabalho místico endereçado para os judeus afirmando entre outras coisas que ele era o Redentor, apesar de sua conversão, cujo objetivo real era converter para o judaísmo milhares de muçulmanos. Para o sultão ele dizia que suas atividades com os judeus eram para convertê-los ao islamismo. Esse jogo duplo entre judeus e muçulmanos não poderia durar muito e pouco tempo depois ele foi deprivado de seu salário e banido. Terminou seus dias em obscuridade em Dulcigno, um lugarejo na Albânia.

Após a morte de Shabbatai seguiu-se uma linha hereditária de Messias. Jacob Querido, filho de Joseph Filosof, e irmão da quarta mulher de Sabbatai, tornou-se líder dos Shabbatheanos em Salônica, sendo visto como a encarnação de Shabbethai. Ele afirmava-se filho de Sabbatai e adotou o nome Jacob Tzvi. Com 400 seguidores converteu-se ao Islã por volta de 1687, formando uma seita chamada Dönmeh. Ele próprio chegou mesmo a peregrinar a Meca (c. 1690). Após a sua morte, o seu filho Berechiah ou Berokia sucedeu-o (c. 1695-1740).

Vários seguidores de Shabbatai declararam-se eles próprios Messias. Miguel Abraham Cardoso (1630 – 1706), nascido de pais marranos, pode ter sido iniciado no movimento Shabbatheano por Moisés Pinheiro em Livorno. Ele tornou-se um profeta do Messias, e quando o último se converteu ao Islão, ele chamou-o de traidor, dizendo que é necessário que o Messias se conte entre os pecadores por forma a expiar a idolatria de Israel.

Ele aplicou a passagem de Isaías LIII a Sabbatai, e enviou epístolas que provariam que ele era o verdadeiro Messias, chegando mesmo a sofrer a perseguição por defender a sua causa. Mais tarde, considerou-se um Messias Efraíta, argumentando com alegadas marcas no seu corpo que o provariam. Pregou e escreveu sobre vinda em breve do Messias, marcando datas diferentes, até que acabou por morrer.

Outro seguidor de Shabbatai que lhe permaneceu fiel, Mordecai Mokia, ou Mordekay Mokiah (“o admoestador”) de Eisenstadt, que também afirmou ser um Messias. O seu período de atividade foi de 1678 a 1682 ou 1683.

Defendeu inicialmente que Shabbatai era o verdadeiro Messias e que a sua conversão tinha sido necessária por motivos místicos. Pregava que este não morrera mas que se iria revelar dentro de três anos após a sua suposta morte, e apontou para as perseguições de judeus em Oran (Espanha), na Áustria, e em França, e a pestilência na Alemanha como presságios da sua vinda.

Encontrou seguidores entre judeus da Hungria, Morávia e da Bohemia. Dando ainda um passo a mais, ele se declarou como o Messias Davídico. Shabbatai, de acordo com ele, passou apenas a ser o Messias Efraíta. Como tinha sido rico, significava que não poderia executar a redenção de Israel. Ele, Mordecai, sendo pobre, era o Messias verdadeiro e ao mesmo tempo a encarnação da alma do Messias Efraíta.

Judeus italianos, ouvindo falar dele, convidaram-no a ir até Itália. Viajou para lá por volta de 1680, tendo sido bem recebido em Reggio e Modena. Falou das preparações messiânicas que teria que fazer em Roma e deu a entender que talvez adotasse o Cristianismo exteriormente. Denunciado à Inquisição ou aconselhado a deixar a Itália, ele regressou à Bohemia, onde se diz que se tornou demente. A partir deste tempo, uma seita começou a tomar forma ali, e persistiu até à era Mendelsoniana.

Judas Leib (Leibele) (Löbele) Prossnitz foi um cabalista nascido no fim do século XVII em Brodi, na Galícia. Ele deixou sua cidade natal e seguiu para Prossnitz, na Morávia, onde se casou. Ele era extremamente pobre, vivendo em uma cabana abandonada, tida como mal assombrada por muitos e em uma noite ele afirmou que iria evocar Shekiná e fazê-la aparecer diante de uma multidão.

Shekiná, שכינה em hebraico, é no judaísmo a faceta da revelação divina aos homens, a “Divina Presença”, sendo também considerada a face “feminina” e “materna” dela. O vocábulo “shechiná” não aparece na Bíblia Judaica nem no Novo Testamento, de acordo com a concepção cabalística e do ramo hassidísmo do judaísmo, a Shechiná é uma energia cósmica poderosíssima em si mesma, que habita no “interior” do Universo e vivifíca-o, sendo a sua “alma” ou “espírito”. Apesar de não constar nas escrituras a Shekiná é uma idéia concreta na literatura rabínica. E para se entender a grandiosidade da promessa de Judas, esta faceta da divindade é o meio comunicativo entre o homem e Deus.

Para realizar o feito, Judas colocou uma cortina, atravessando seu quarto de ponta a ponta, atrás dela ele acendeu uma mistura de de álcool e querosene. Então, vestindo um manto branco ele ficou atrás da cortina e a luz atrás dele fazia a imagem das letras do tetragrammaton, que ele havia dependurado no peito, brilharem. Os espectadores se agitaram, estando na presença de um milagre, até que um dos presentes arrancou a cortina do lugar e revelou a fraude. Judas foi excomungado pelos rabinos da Morávia.

Apesar de tudo, Judas encontrou muitos seguidores dentre os Shabbateanos, ele se autoproclamou o Messias ben Joseph (Messias filho de José) e assinava seu nome como Joseph ben Jacob (José, filho de Jacó) e pregava que desde o surgimento de Shabbatai Zevi, Deus havia dado a ele a missão de guiar o mundo, quando ascendeu aos céus a missão foi passada a Jonathan Eybeschütz e finalmente caia nas mãos de Judas. Perambulou de cidade a cidade na Austria e Alemanha, onde arrecadava dinheiro de muitas pessoas. Em 1725 sua excomunhão foi renovada e ele se mudou para a Hungria. A história registra que ele morreu lá entre os não judeus.

Outro, Isaías Hasid (um cunhado do Shabbatheano Judah Hasid), que vivia em Mannheim, afirmou secretamente ser o Messias ressuscitado apesar de ter publicamente abjurado de quaisquer crenças Shabbatheanas.

Jacob Frank, fundador dos Franquistas, também afirmou ser o Messias. Na sua juventude tinha tido contato com o Dönmeh. Ele ensinava que era uma reencarnação de Shabbatai e do Rei Davi. Tendo conseguido alguns seguidores entre os judeus da Turquia e de Valáquia (na atual Romênia), ele veio em 1755 até a Podolia, onde os Shabbatheanos necessitavam de um líder, e revelou-se como a reencarnação da alma de Berechiah.

Enfatizou a ideia do “rei sagrado” que seria ao mesmo tempo Messias, tendo-se denominado apropriadamente de “santo señor”. Os seus seguidores afirmam que realizou milagres, tendo chegado mesmo a rezar para ele.

O seu objetivo (e o da sua seita) era o de acabar com uma vez por todas com o judaísmo rabínico. Foi forçado a deixar Podolia; e seus seguidores foram perseguidos.

Regressando em 1759, aconselhou os seus seguidores a converterem-se ao cristianismo. Cerca de 1000 deles converteram-se, tornando-se polacos gentios com origens judaicas. Ele próprio converteu-se em Varsóvia em Novembro de 1759.

Mais tarde a sua falta de sinceridade foi exposta e foi emprisionado por heresia, permanecendo no entanto, mesmo encarcerado, o líder de sua seita.

Moises Hayyim Luzzatto, o poeta, também acreditou ser o Messias. Ele havia sido iniciado na Cabala e, desiludido com a sua ocupação com o Zohar e influenciado pela atmosfera Cabalista em que vivia, ele acreditava que um espírito divino lhe havia dado uma iluminação nos mistérios e terminou acreditando que estaria destinado a redimir Israel graças ao “Segundo Zohar” que ele mesmo escreveu. Sua Cabala foi mantida, num primeiro momento, em um círculo fechado de discípulos, mas quando o segredo foi revelado Luzzato fez um juramento de que ele não escreveria, publicaria ou ensinaria mais suas doutrinas a não ser que fosse para a Palestina. Ele retornou com suas atividades Cabalistas e foi excomungado várias vezes. Mais ou menos em 1744 ele foi para a Palestina, onde poderia seguir com seus estudos sem ser incomodado, ou para realizar seu destino de Messias. Ele morreu lá.

Shukr Kuhayl

Shukr ben Salim Kuhayl I também conhecido como Mari (Mestre) foi um Messias do Iemem. Ele se revelou primeiro em San’a em 1861, como um mensageiro do Messias, em uma época que havia uma grande expectativa por parte do povo do surgimento do Prometido. Se divorciando de sua esposa ele deu início a uma vida de pregador intinerante para ter uma vida de pobreza e exortar a todos que se arrependessem. ENo Sabbath de maio de 1861 ele declarou que “Eu venho para avisar a todos e lembrá-los do arrependimento e da redenção”.

Ele aparentemente era um indivíduo pio, asceta e humilde, que se trajava com retalhos e vivia em solidão no Monte Tiyal, mas em algum momento ele começou a dar a entender que não era mais o mensageiro do Messias e sim o próprio. Ele escrevia fórmulas messiânicas em suas mãos e corrigia os textos sagrados, inserindo a si mesmo nas narrativas bíblicas. Um viajante judeu chamado Jacob Saphir registrou que quase todos os judeus do Iemem naquela época acreditavam nas proclamações messiânicas de Shur Kuhayl I.

Kuhayl morreu pouco depois disso, morto por árabes em 1865, supostamente a mando do imã que controlava a capital de San’a e que enxergava uma ameaça em Kuhayl, mas mesmo assim muitos de seus seguidores não aceitaram o seu fim e esperavam que ele retornasse em breve. E essa espera foi recompensada em pouco tempo com o surgimento de Judah ben Shalom, que afirmou a todos ser o mesmo Shur Kuhayl que havia sido morto e estava retornando.

Judah ben Shalom era um artesão de San’a e como seus antecessores era um cabalista. Em março de 1868 ele anunciou que era de fato Shukr Kuhayl I, que havia sido morto e decapitado por árabes três anos antes e ressuscitado por Elias.

O novo Shur Kuhayl continuou pregando as mensagens de arrependimento com que todos já estavam acostumados. Para os Judeus ele proclamava ser o Messias enviado para libertá-los, para os árabes ele anunciava ser um muçulmano enviado para anunciar a chegada do Mahdi. Realizar milagres não fazia parte de seu repertório, e ele chegou a notar isso em algumas de suas correspondências, mas acreditava que a principal causa para isso era que Deus ainda não havia liberado a permissão para a realização de milagres porque aguardava o momento em que todos os judeus se unissem e o aceitassem como seu Messias.

Diferente de sua primeira encarnação, Judah ben Shalom não era um pregador intinerante, ele chegou a desenvolver uma estrutura muito bem organizada que incluia centenas de funcionários, de seu quartel general ele mantinha vasta correspondência com líderes judeus em várias comunidades, principalmente com o propósito de angariar fundos.

Apesar de sua aceitação, Shukr Kuhayl II encontrou resistência de certas pessoas, especialmente aquelas que conhecial o primeiro Shukr e afirmavam que o seu novo estilo de vida cheio de luxos era incompatível com sua vida prévia.

Eventualmente foi Jacob Saphir, que refutou as alegações messiânicas de Judah e contou com apoio de vários rabinos de jerusalem para acabarem com o status de Kuhayl II perante os líderes das comunidades judias que o mantinham financeiramente. Quano o dinheiro parou de chegar ele foi obrigado a fazer empréstimos com os árabes e, por não conseguir pagar esses empréstimos, terminou na cadeia. Liberado depois de um tempo nunca mais foi capaz de reunir seguidores e morreu em estado de pobreza em 1878.

Uma das principais consequências desses movimentos messiânicos causados por Shabbatai e seus seguidores foi o da marginalização da Cabala. Aparente qualquer um que desejasse provar que era um profeta ou mesmo o Messias, com algum conhecimento desta ferramenta, poderia chegar a “provas” de que era legítimo. Depois desta época os estudos da Cabala foram ridicularizados pela maioria das pessoas e ela até hoje é tida como superstição dentre a maioria das comunidades judaicas.

Menachem Mendel Schneerson

Dentro do movimento Chabad Lubavitch do Judaísmo chassídico houve um crescente fervor messiânico nos finais da década de 1980 e princípios da década de 1990, devido à crença que o seu líder, Menachem Mendel Schneerson estaria prestes a revelar-se como o Messias.

Menachem Mendel Schneersohn, nascido em 1902, ficou conhecido por seus seguidores como O Rebe , foi um rabino ortodoxo, o sétimo e último Rebe do movimento Chabad Lubavitch. Em 1950, com a morte de seu sogro, o Rabbi Yosef Yitzchok Schneersohn,  ele recebe a visita de uma delegação de chassidim idosos com uma petição aceitando-o como seu Rebe, ele então colocou a cabeça entre as mãos e começou a chorar. “Por favor, me deixem” – suplicou ele. “Isso nada tem a ver comigo.” Após um ano de episódios como esse, finalmente aceitou o cargo. Assim mesmo, havia uma condição. “Eu ajudarei” – anunciou o Rebe – “mas cada um de vocês terá de cumprir sua própria missão. Não esperem ficar pendurados nas franjas de meu talit.” Desta forma ele assume a liderança do movimento Lubavitchiano até sua morte em 1994.

Em 1991 ele declarou a seus seguidores que: “Eu fiz tudo o que podia (para trazer o Messias), e agora estou passando para vocês (esta missão, façam tudo o que puderem para trazer o Messias.” Tem início então a uma campanha para que a era Messiânica tivesse início através de “atos de bondade e gentileza”.

Pouco antes de sua morte um número considerável de Chabad Hasidim acreditavam que ele logo se manifestaria como o Messias. Segundo seus seguidores, Rav. Menachem Mendel Schneersohn era dotado de grande sensibilidade, o que fazia com que fosse consultado por milhares de pessoas todos os anos, em busca de conselhos para suas vidas pessoais. Muitos destes conselhos e suas consequências acabaram por serem vistos como “milagres” por aqueles que os buscavam.

Surge então um movimento que acreditava ter a missão de convencer o mundo de que o Rebe era de fato o Messias e que assim que todos aceitassem isso ele seria levado à revelação de seu papel. Aqueles que aderiam a esse movimento eram chamados de Meshichistas, e era comum cantarem: “Yechi Adoneinu Moreinu v’Rabbeinu Melech haMoshiach l’olom vo’ed!” (“Vida longa a nosso mestre, professor e Rabi, o Rei Ungido, para sempre e sempre) quando estavam na sua presença.

A morte de Schneerson em 1994 abateu um pouco este sentimento, apesar de muitos seguidores de Schneerson ainda acreditarem que ele é o Messias e que irá regressar em devido tempo.

 

Notas:

[1] Êxodo capítulo 14

Versículo 4 – E eu endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, e saberão os egípcios que eu sou o SENHOR. E eles fizeram assim.

Versículo 8 – Porque o SENHOR endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, para que perseguisse aos filhos de Israel; porém os filhos de Israel saíram com alta mão.

Versículo 17 – E eis que endurecerei o coração dos egípcios, e estes entrarão atrás deles; e eu serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavaleiros,

Versículo 18 – E os egípcios saberão que eu sou o SENHOR, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavaleiros.

Versículo 26 – E disse o SENHOR a Moisés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros.

Versículo 28 – Porque as águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nenhum deles ficou.

Versículo 29 -Mas os filhos de Israel foram pelo meio do mar seco; e as águas foram-lhes como muro à sua mão direita e à sua esquerda.

Versículo 30 -Assim o SENHOR salvou Israel naquele dia da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar.

Versículo 31 -E viu Israel a grande mão que o SENHOR mostrara aos egípcios; e temeu o povo ao SENHOR, e creu no SENHOR e em Moisés, seu servo.

E nós podemos ouvir as vozes perguntando: Por que, Senhor? Eles já estavam livres? Afogar aquela gente toda a troco de que?

[2] Aleister Crowley LIBER LVIII, GEMATRIA UM ARTIGO SOBRE QABALAH – THE EQUINOX I(5)

por Rev. Obito

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/movimentos-messianicos-os-messias-judeus/

As Aventuras Reais de um Espião Psíquico

“O Universo não é apenas mais estranho do que imaginamos, ele é mais estranho do que nós podemos imaginar.”

Um ex-militar da Inteligência, o visualizador remoto David Morehouse compartilha suas visões de dentro da realidade multi-dimensional e revela detalhes perturbadores da queda do vôo 800 da TWA.


Por Dentro dos Programas de “Guerra Mental” Militar dos EUA

Em uma localidade altamente secreta em uma base do exército do EUA, homens e mulheres trabalhando para a CIA preparam-se para “cair” dentro da quarta dimensão. Estão em uma sala de paredes cinzas, com carpete, móveis, tudo. Uma música barroca toca enquanto eles se reclinam, relaxando e se preparando para entrar em um estado alterado de consciência. O que eles estão para fazer é acessar o contínuo espaço-tempo, em uma técnica conhecida como “visão remota”. Quando o cérebro registra o estado de onda tetha no equipamento de monitoração, eles estão prontos para “saltar para dentro do éter”, nas palavras de David Morehouse, autor de Psychic Warrior: Inside the CIA’s Stargate Program (Guerreiro Psíquico: Por Dentro do Programa Portão Estelar da CIA) [veja uma resenha em NEXUS 4/02].

Ficção científica? Não exatamente. Esta é uma tecnologia avançada, desenvolvida inicialmente por cientistas e físicos altamente considerados com especialização em laser, tais como o dr. Targ e o dr. Puthoff, e o Instituto de Pesquisas de Stanford (Stanford Research Institute), nos anos 70.

Mais recentemente, o programa foi desenvolvido pela Agência Central de Inteligência do EUA (CIA) e a Agência de Inteligência de Defesa do Pentágono (DIA). Este programa altamente secreto de guerra psíquica foi denominado Projeto Scangate, depois Operação Sun Streak, depois Operação Stargate. Os controladores de Morehouse eufemisticamente o descreviam como um “método de coleta de inteligência”.

Sobrepondo-se à burocracia interna e à supervisão do Congresso, eles eram chamados “Programas Especiais de Acesso” ou “SAPs” (Special Access Programs) – uma abordagem celular e uma organização e compartimentação de todas as atividades que poderiam atrair uma atenção não desejada para o Pentágono, bem como prover uma negação “plausível e racional”.

MAPEANDO O CONTÍNUO ESPAÇO-TEMPO

A habilidade para acessar os mundos “celestes” e outras dimensões foram um presente para a vida de David Morehouse. Igualmente, tem sido sua ruína e maldição. Por que? Porque ele também tem a habilidade de acessar o que poderia ser acuradamente chamado de “inferno”: um mundo infernal contendo os mais sórdidos episódios da história da humanidade.

Por exemplo, como um exercício de treinamento, Morehouse foi enviado de volta para os campos de morte de Dachau, na Alemanha nazista dos anos 40. Imagine-se como era aquilo. Morehouse tem que viver com os mais vívidos pormenores e com as impressões sentidas em suas experiências, por meses depois disso.

Então, como a visão remota funciona? Como você penetra dentro da mente inconsciente, no contínuo espaço-tempo? De acordo com David Morehouse, a visão remota é uma descrição de ” … viajar da dimensão física até o alvo, onde quer que ele esteja, no tempo ou no espaço. Se você está retornando no tempo, se você está viajando através do éter, você está realmente confinado à mente inconsciente, então você está indo para trás ou para a frente. Sempre me refiro a isto como o contínuo espaço-tempo, que é essencialmente parte de, ou o mesmo que o éter”.

¾ Então o éter é o meio através do qual você viaja?

“Não. Esta é uma designação incorreta”, continua Morehouse. “Você não está realmente viajando. É como se o espaço se dobrasse. Você está viajando, mas não está se movendo. Isto faz algum sentido”?

¾ Bem, não realmente. Alguma coisa está indo para algum lugar, você pensaria.

Morehouse tenta explicar outra vez. “Se você tem acesso à mente inconsciente, alcança facilmente o contínuo espaço-tempo. Ele liga toda a humanidade, ou o universo inteiro, ou talvez outros universos e outras dimensões. Ao mesmo tempo, isto tem um aspecto individual, no que é a vontade e o desejo de uma conexão com a mente consciente.

Um dos maiores problemas em comunicar esta experiência parece ser a relativa inadequação da linguagem. Em outra palavras, como você expressa conceitos, experiências e fenômeno em 4D (em quatro dimensões), em uma linguagem 3D? Obviamente, uma nova nomenclatura é necessária, para representar uma realidade que está além do âmbito da realidade consensual das três dimensões comuns.

¾ Daí, então, qual é a diferença entre um estado “alterado” e o assim chamado estado “normal?.

“Nós estamos conversando no estado beta”, diz Morehouse. “Quando você vai dormir à noite, você cai no estado alfa. Em seguida, cai em um estado de ondas tetha. Nesse estado, parece que os canais se abrem É o chamado “estado de incubação de pensamento”, um momento quando aquele “limiar” que separa a mente consciente da mente inconsciente torna-se mais delgado. O “limiar” é somente uma palavra para descrever um plano, ou um separador ou divisão entre estados, mas ninguém sabe o que a mente inconsciente é.

“O estado alterado é um estado estendido de ondas tetha, significando o estágio onde o limiar torna-se transparente”, continua Morehouse. “Outro modo de descrever isto é que portas ou canais começam a se abrir. A dificuldade não é abrir os canais. Isto, em retrospecto, torna-se relativamente fácil. A dificuldade está em ensinar a mente consciente a interpretar, sem análise ou dados. A mente inconsciente, assumindo o papel do eu individual que é a sua personalidade, leva para dentro dados da mente inconsciente coletiva, e começa a lançá-los para dentro, porque quer estabelecer uma conexão com a mente consciente para toda a espécie de dados relevantes para o contínuo espaço-tempo”.

¾ Isto soa caótico e aleatório.

“É caótico e aleatório porque a mente inconsciente deseja estabelecer esta conexão com a mente consciente”, diz Morehouse. “É a mente consciente que focaliza para baixo, para o físico. Eu descobri que o contínuo espaço-tempo tem uma existência em quatro dimensões, enquanto que a mente consciente está em uma existência tridimensional.

“O mundo em quatro dimensões é algo que não posso sequer começar a descrever. É uma omnisciência, uma onipotência, uma onipresença, uma existência que tudo vê e tudo sabe. Se você existe em um mundo de quatro dimensões, então você verdadeiramente torna-se como Deus”.

¾ Conversar sobre estas experiências é como tentar agarrar o que não pode ser agarrado.

“Nós estamos todos – você, eu, minha esposa, meus filhos, todos nós – conectados no inconsciente, em um nível que não podemos ver”, diz Morehouse, falando cada vez mais como um místico. “Quando estava crescendo, lembro as vezes que ia à igreja, e os ouvia dizendo a respeito de Deus, como estando em todos os lugares e em todos os tempos, morando em seu coração e observando cada um; omnisciente, onipotente, onipresente. Como isto acontecia? – eu sempre me perguntava. É impossível. Isto não acontece na dimensão física. Acontece no mundo em quatro dimensões”.

VISÃO REMOTA: UM GUIA DE COMO FAZER

¾ Então, como os visualizadores remotos acessam a quarta dimensão?

“A metodologia – à qual nos referimos como ‘o processo de acalmar-se’ – é qualquer maneira pela qual você possa entrar no estado de ondas tetha”, diz Morehouse. “Nós ensinávamos a ir para um lugar que chamamos ‘santuário’. Era um lugar onde você iria para encontrar os seus propósitos, para aclimatar-se. Cada visualizador individual cria o seu próprio santuário. Para alguns deles, era como uma espécie de jardim, ou uma casa ou um lugar seguro.

“Para mim, era uma caixa transparente no espaço”, continua Morehouse. “Na total escuridão do espaço, com estrelas por todo lado. Quando eu estava lá, nada podia ferir-me”.

¾ O que você visualizava naquela caixa?

“Minha mente consciente; o que eu projetava para fora. Visualizava isto como uma aparição do eu, um fantasma de mim mesmo. Parecia como uma forma humana, somente com uma luz radiante, um eu transparente. Então começaria o que chamo de ‘descer para dentro da área alvo’, e que tornou-se uma nomenclatura que era largamente usada por todo lado”.

¾ E isto é o que era chamado “caindo dentro do éter”, ou “saltando dentro do éter”?

“Eu saía do santuário, e saltava para dentro de um vórtice”, diz Morehouse. “Um túnel de luz começava vagarosamente a se materializar, enquanto eu me preparava no centro do piso do santuário. E quando estava pronto, saltava para dentro do vórtice, e caía. Eu acelerava mais e mais e mais e mais rápido, até atingir uma espécie de membrana. E então eu a atravessava, para dentro da área alvo. Tinha vertigens freqüentemente. Eu lançava primeiro a cabeça, com os braços de fora, e acelerava até que “bum!”, tinha atravessado”.

¾ E o que acontecia na sala cinza, neste momento?

“Eles estavam monitorando os sinais biológicos. Eles gravavam as sessões. Tinham microfones e câmaras. Gravavam tudo em vídeo-tape. Eles queriam saber tudo o que estava acontecendo”.

¾ E você podia manter uma conversação?

“Você podia falar com eles, e eles podiam falar com você”, diz Morehouse. “Uma visão remota coordenada era um regime muito bem disciplinado e estruturado. Você pode estar em um estado de ondas tetha, mas estaria bem consciente. Você poderia desenhar, ou escrever as suas percepções. Você poderia responder ao monitorador.

“Em uma visão remota prolongada, você iria iniciar da mesma maneira. Sua tarefa poderia ser: ‘acesse o alvo e descreva o que acontece lá’. Mas você tem as coordenadas encriptadas. Muitos visualizadores remotos declaram gastar de uma hora a uma hora e meia. Sessões prolongadas gastam duas ou três horas”.

¾ Então, o que realmente acontecia quando Morehouse ‘caía’ dentro do éter; quando ele não estava ‘no controle’, parando ao lado de uma rodovia enquanto dirige, por exemplo?

“Minha análise é que uma vez que você abra o canal, é como tentar fechar as comportas de uma represa. Ela sempre transborda. Existe sempre algo que nunca fecha completamente. Eu acho que há um número de canais que nunca fecham. Quando está normalmente sob controle, você tem a habilidade de reconhecer o que está acontecendo, e você pode verificá-la imediatamente; então você está bem. Mel Riley [outro visualizador remoto e um antigo colega de Morehouse] foi entrevistado na televisão, e disse: ‘Eu sempre tenho canais abertos. Sempre’.

“Uma maneira de descrever isto é que um visualizador remoto tem sempre um pé na matriz consciente da mente, e outro pé na matriz inconsciente, e que, onde e como ele percebe o mundo à sua volta depende de em qual pé ele esteja. E você pode saltar de um pé para outro e voltar, quase sempre sem saber. Mel era hábil em manter o seu equilíbrio porque ele cresceu com isto. Sua primeira experiência ocorreu quando ele tinha 11 anos, então ele cresceu com isto. Assim também Ingo Swann. Eu não tive esta habilidade desde o início. Eu não a queria. Um ferimento por bala fez isto acontecer”.

¾ E o que pode fazer com que o canais fiquem fechados?

“Há um remédio fisiológico para isto”, diz Morehouse. “É chamado Haldol ou Loxitanea. Nós temos montes de camisas-de-força mentais. Então você caminha sobre uma nuvem, e não sabe o seu próprio nome, mas não tem uma doença psicológica dissociativa. E você não pula para dentro do éter contra a sua vontade.

“Eu penso que há um monte de pessoas que são diagnosticadas esquizofrênicas, e que essencialmente possuem canais abertos para dentro do inconsciente. As informações flutuam aleatoriamente até eles, sem que eles saibam de onde elas vêm. E eles ouvem vozes. Estão penetrando em outra dimensão. Só Deus sabe”.

¾ Mas então, como as drogas alucinógenas se relacionam com este fenômeno? Afinal de contas, tomar drogas tem sido descrito como “tomar os céus à força”.

“A indução química de um estado alterado é, em minha opinião, simplesmente a abertura química dos canais”, diz Morehouse. “O problema é que você nunca aprende a fazer isto sem ajuda. Jamais aprende coisa alguma disso porque nunca tem qualquer controle enquanto está acontecendo. Você não possui a habilidade para conduzir isto. Está apenas em um passeio agradável. No entanto, eu acho que a mecânica é a mesma, e que você parte para um passeio mágico e misterioso”.

O MODELO HOLOGRÁFICO DA REALIDADE

Novos modelos de realidade tem sido apresentados afim de correlacionar a evidência recolhida por visualizadores remotos e aquela de outros extraordinários fenômenos.

Por exemplo, de acordo com o teórico da ciência alternativa Bruce Cathie, “… uma analogia grosseira da existência física pode ser feita fazendo referência à fita de um filme. Cada quadro ou figura estática do filme pode ser comparada a um pulso simples de existência física. A divisão entre um quadro e o próximo representa um quadro de anti-matéria. Quando enxergado como uma fita completa, cada quadro poderia ser visto como a dita pintura estática, o primeiro e o último da fita – então, o passado e o futuro poderiam ser visto simultaneamente.

“Contudo, quando o filme é passado no projetor, nós temos a ilusão de movimento e da passagem do tempo. As divisões entre os quadros estáticos não são detectadas por nossos sentidos devido à freqüência ou velocidade da projeção na tela. Mas, acelerando ou retardando o projetor, podemos alterar a razão de tempo aparente da ação mostrada pelo filme…”.

Nos anos 70, uma radicalmente nova teoria da consciência foi proposta pelo neurofisiólogo de Stanford, Karl Pribram, e por um físico da Universidade de Londres, David Bohm, um ex-protegido de Einstein e um mundialmente conhecido físico qüântico. Falando brevemente, eles chegaram à conclusão que o universo em si pode ser estruturado como um holograma – uma espécie de imagem ou construto criado pelo menos em parte pela mente humana.

Como descrito no livro de Michael Talbot, O Universo Holográfico (The Holographic Universe), eles consideram outra forma de olhar para o mundo: “Nossas mentes matemáticas constróem a realidade objetiva interpretando freqüências que são as projeções últimas de uma outra dimensão, uma ordem mais profunda de existência que está além do tempo e do espaço. O cérebro é um holograma envolvido por um universo holográfico”.

O livro de Talbot é uma valiosa introdução ao paradigma. Este modelo também mostra o entrelaçamento entre os assim chamados mundos físico e metafísico, e como vários fenômenos não-físicos e estados de consciência, estados de consciência mística, experiências fora-do-corpo e experiências de quase-morte podem existir e interagir um com o outro.

Mesmo profetizar ou prever o futuro pode ser descrito através deste modelo, confrontando as experiências de visão remota pré-cognitiva de Puthoff e Targ; em outras palavras, “uma visão do futuro como um holograma que é bastante substancial para que possamos percebê-lo, mas maleável o bastante para ser susceptível de mudança. Ingo Swann fala do futuro como “a cristalização das possibilidades”.

Referindo-se à descrição de Morehouse de acessar a quarta dimensão através da visão remota, o falecido Itzhak Bentov, autor de Stalking the Wild Pendulum, diz que o relacionamento entre os estados de consciência normal versus expandida como um constante processo de “liga-desliga” gasto pelo tempo em nossa realidade “sólida”, em oposição às outras realidades, é como fazer uma sintonia fina na freqüência da consciência.

OUTROS MODELOS DE PERCEPÇÃO EXTRASENSORIAL

A descrição de Morehouse da visão remota também se correlaciona com os termos sânscritos siddhis, ou poderes, os quais incluem clariaudiência, clarividência, ou a precipitação da matéria do éter. Os cristãos os chamam “dons espirituais do Espírito Santo” – dons espirituais dados pela graça de Deus.

“Sim, eu não discordo”, ele diz. “É um dom, mas por isso mesmo penso que deve haver uma razão pela qual nós não nascemos com ele.

“Alguns cristãos discordam de minha posição de defender o ensino das técnicas de visão remota. “A posição deles é de que estou ensinando as artes negras, e que não deveríamos fazer este tipo de coisa”, diz Morehouse. “Eu não discordo que isto tenha um lado negro, mas no próximo milênio eventualmente iremos estar em algumas dificuldades terríveis. Iremos ser confrontados com escolhas muito difíceis. Se você sabe que as pessoas de sua relação são boas pessoas, não gostaria que elas se aliassem aos guerreiros que servem a Deus, como você? Você não gostaria que elas tivessem tais poderes?”.

¾ Então, outros assim chamados poderes extra-sensoriais, tais como clarividência ou telepatia, vêm juntas com esta habilidade de visão remota?

Morehouse replica que “… o que acontece é que todas elas são palavras que descrevem a percepção dos indivíduos, que tiveram os seus canais abertos. A coisa mais difícil para a mente consciente é desenvolver esta habilidade. É uma coisa aprendida ou praticada, interpretar os dados apresentados a ela pela mente inconsciente. Como a mente inconsciente viaja para a frente e para trás no contínuo espaço-tempo, ela lança de volta dados brutos, sem análise. Ela quer desenvolver um diálogo, mas o desenvolvimento do diálogo tem de vir da mente consciente. Temos que interpretar conscientemente, não analisar, o que nos está sendo dado pela mente inconsciente. É aprender como viver com aquela silenciosa, pequenina voz dentro de si, e como interpretá-la corretamente”.

¾ E o que é isto, “silenciosa, pequenina voz”? É a voz de Deus? Ou a voz do Espírito Santo?

“Você tem de aprender como interpretá-la, como falar esta linguagem”, diz Morehouse. “Sua mente consciente pode, com verdadeiro êxito, excluir o Espírito Santo”.

Isto poderia ser o que os cristãos chama de “mente carnal”, a mente racional e lógica, contraposta à sensibilidade intuitiva. ¾ E qual é a diferença entre as experiências fora-do-corpo e as técnicas de visão remota?

“Nós tentamos fazer uma experiência fora-do-corpo”, diz Morehouse. “Havia realmente uma experimentação sendo feita, para desenvolver protocolos, para desenvolver a visão remota do OOBE (out-of-the-body). Visão remota é apenas abrir canais, e fora-do-corpo é uma real separação entre o corpo espiritual e o corpo físico. E isto não acontece na visão remota.

“Quando você arranca o corpo espiritual do corpo físico, o que isto quer dizer? É perigoso. Isto significa que você deixa o corpo físico aberto, permitindo que o que quer que seja venha habitá-lo, que queira saltar para dentro dele, porque o corpo espiritual se foi. Não estamos falando acerca de níveis de consciência. Estamos falando sobre separação espiritual. O corpo espiritual fica vagueando, e não há nenhum controle. É como um balão flutuando em uma brisa quente. Ele vai para onde a brisa levá-lo, e somente Deus sabe o que faz esta brisa”.

¾ Que tal a idéia que este corpo espiritual é responsabilidade de cada indivíduo, que o carma pode ser criado, e que coisas destrutivas podem ser realizadas, porque o corpo não está no controle?

“De todo coração eu concordo com isso”, diz Morehouse. “De fato, sei que é verdade. O corpo físico nunca é deixado na visão remota. Há sempre contato, mas o corpo físico começa a manifestar os sinais fisiológicos do que a consciência projetada está experimentando na área alvo”.

¾ Então, qual é o termo para esta projeção da consciência para dentro da área alvo, se não é um corpo?

Morehouse diz, “é chamado bilocação. É uma dobradura do espaço, uma dobradura do tempo e espaço. É como trazer o evento até você sem ir até ele, se você penetra dentro dele. Está onipresente, enquanto atravessa para lá e para cá no contínuo espaço-tempo. O que significa isto? Significa que você está em todo lugar, ao mesmo tempo. Então, a única explicação de você poder estar em todo lugar ao mesmo tempo, é porque tudo está onde você está. Então, a dobradura espacial é a melhor analogia. Posso imaginar isso – como um acordeon que se dobra em si mesmo, onde você não se move. Eu era levado a acreditar que isto era como as páginas de um livro, de uma enciclopédia. Há planos que são separados, ainda que eles estejam conectados pela lombada do livro. A lombada do livro corresponde ao inconsciente”.

PARTES DA REALIDADE (TEMPO)

Em seu livro Psychic Warrior (Guerreiro Psíquico), Morehouse escreveu que “o passado estava trancado, e o futuro era um esguicho ilimitado e tremulante de fogo, constantemente mudando”.

¾ Então pode o tempo passado ser mudado para afetar o tempo futuro?

“Se você volta para observá-lo, é como fazer parar aquele evento como se fosse um slide, e andar dentro dele, revivendo-o. Você fica em uma forma de aparição, mas não está ali realmente, de todo. O que você está experimentando é a temperatura, o som, as visões, os cheiros. Mas você leva isto um passo além na mente inconsciente, em tudo que é intangível, o impacto estético, o impacto emocional. Você sente a dor das pessoas. Sente todas as coisas. Por que? Porque você está observando isto de uma perspectiva de quatro-dimensões, e traduzindo tão rápido quanto a mente pode operar, de volta à consciência física, pondo isto em termos físicos. Então, você está experimentando-o, e isto pode cobrar direitos de você.

“Por exemplo, vá até 1945 e salte para dentro de Hiroshima, sobre o solo. Você pode parar aquele evento e saltar para dentro dele, e todo o tormento das almas sendo arrancadas de seus corpos, todo o horror relevante para aquele evento está vivo. Você pode saltar de volta lá, e experimentá-lo”.

¾ Então este é um registro que permanece para todo o sempre?

“O passado permanece, mas está trancado na parte do contínuo espaço-tempo”, explica Morehouse. “Você pode saltar dentro dele e experimentá-lo, mas não poderia ir lá e chutar alguém na canela, ou fazer que Adolf Hitler tropece para fora da plataforma e quebre o pescoço. Você não pode afetar nada. Você não pode fazer coisa alguma, exceto estar lá, observar e recolher informação”.

ACESSANDO O BANCO DE MEMÓRIA CÓSMICA

Aqui é onde a física e a metafísica se chocam. A descrição de Morehouse da visão remota soa muito similar a acessar o que tem sido chamado de “registros akáshicos”. Akasha é um palavra sânscrita que significa “substância primordial”.

De acordo com os autores de Supermemory, Ostrander e Schroeder, “… este banco cósmico da totalidade dos acontecimentos universais foi definido com sendo um registro em um “éter sutil”, uma espécie de meio invisível que permeia tudo, e através da qual o ‘kasha’, ou luz visível, passa através do espaço como uma manifestação da vibração”.

Em outras palavras, como uma filmadora cósmica 4D, o registro holográfico de cada instante no contínuo espaço-tempo é capturado e mantido lá para sempre.

Um livro intitulado The Human Aura (A Aura Humana) traz uma muito competente descrição deste fenômeno, e que claramente combina com as descrições de Morehouse:

“É da máxima importância que o estudante compreenda que há um processo pelo qual cada observação de seus cinco sentidos é transmitida automaticamente para os níveis subconscientes dentro de si, onde, de modo misterioso, eventos que ele testemunhou ou matérias que estudou são registradas; portanto, a transmissão inteira de dados do mundo externo para o interno jaz nos registros akáshicos de seu próprio corpo.

“O processo de lembrar, de um ponto-de-vista técnico, é quase instantâneo. Fora do depósito da memória, o homem pode evocar bastante facilmente os tesouros do ser. Desafortunadamente, nem todos os eventos são benignos; nem todas as recordações são exemplos de perfeição”.

Os registros akáshicos, então, descrevem “… tudo que acontece na matéria é registrado no akasha – energia etérica vibratória a uma certa freqüência, a fim de assimilar, ou registrar, todas as impressões da vida”.

Aqui está uma outra definição dos registros akáshicos: “os registros de tudo que acontece no mundo do indivíduo são escritos por anjos, que os escrevem sobre uma substância conhecida como akasha”.

“Akasha é uma substância primária; a mais sutil, além dos sentidos, etérea substância que preenche a totalidade do espaço; energia vibrante a uma certa freqüência a fim de assimilar, ou registrar, todas as impressões da vida. Estes registros podem ser lidos por aqueles cujas faculdades da alma foram desenvolvidas”.

Diz-se que Edgar Cayce, “o Profeta Adormecido”, podia entrar em contato com estes registros, quando ele dormia, para buscar informações surpreendentemente precisas sobre o passado, incluindo detalhes históricos relacionados com pessoas e eventos durante a época de Jesus, por exemplo.

Em seu trabalho, Cayce não só receitava prescrições específicas para doenças, como também as razões para elas. Os autores Ostrander e Schroeder escrevem que o mais espantoso dom de Cayce “… ofuscava o fato impressionante de que ele podia tão facilmente mergulhar em um banco de informação invisível, e trazer de volta dados demonstráveis”.

É plausível supor que detalhes históricos podem ser acessados, em uma tentativa de descobrir o que realmente aconteceu – especialmente em eventos de conspiração criminal, negligência e o subsequente acobertamento.

Como, por exemplo, o que realmente aconteceu ao vôo 800 da TWA…

O VÔO 800 DA TWA: UMA PRÁTICA DE TIRO QUE DEU ERRADO

“Foi como colocar um 747 dentro de um forno de microondas”.

É assim que David Morehouse explica o que aconteceu vôo 800 da TWA, depois que ele entregou um relato de visão remota para a CBS News – uma reportagem que jamais foi ao ar.

“Nós originalmente começamos a pedido de um produtor da CBS, que pediu para trabalharmos junto com eles para investigar a queda do vôo 800”, explica Morehouse.

“Nós usamos uma equipe de seis visualizadores remotos. Depois de voltar no tempo e observar o evento, cinco deles não disseram que um míssil foi lançado contra o avião, mas sim que era um raio de energia ou um raio de luz, e que o avião explodiu. Havia um raio de luz que não podia ser visto pelo olho humano. Eram microondas de alta potência.

“Nós fizemos um relatório de 32 páginas sobre isso para a CBS; uma investigação completa. Utilizamos um oficial de ligação, que era um policial aposentado. Eu estava lidando com Ph.D.s que possuíam patentes de cabos de fibra óptica.

“Isto vai direto de volta para aquela coisa do CBW (chemical and biological warfare – guerra química e biológica) da Guerra do Golfo [o acobertamento da guerra químico-biológica pelo Pentágono]. A primeira coisa que veio da Marinha foi, ‘Não temos nenhum exercício em andamento, qualquer que seja’. Eu vi a mensagem do Ministério da Marinha para a FAA [Federal Aviation Administration – Administração Federal de Aviação], que dizia que entre dois momentos específicos – que incluíam a hora da partida do vôo 800 – nenhum exercício foi realizado.

“A microondas que pensamos foi construída pelos Laboratórios Phillips. É do tamanho aproximado de um caminhão basculante Ryder, um basculante móvel daquele tamanho, o qual produz 1,4 gigawatts, um bilhão de watts de potência em um raio concentrado de elétrons, que era orientado por um campo eletromagnético auto-gerado. O foco do raio pode variado à vontade. Eles podem estreitá-lo ou aumentá-lo. Eles podem mudá-lo para ter a largura de uma bola de futebol, ou expandi-lo até ter a largura de um campo de futebol. É claro que, quanto mais você dispersar os elétrons, menos eficaz é o raio, mas mesmo assim ele continua bastante ofensivo”.

Morehouse, claro, tinha que lidar com as negativas usuais. “Os executivos da CBS disseram, ‘Não temos nada que tenha este alcance’. É como o engenheiro que instalou antenas de microondas em toda Nova Iorque e New Jersey, que nos disse que, quando os rapazes que trabalhavam no edifício Empire State subiam em uma plataforma para mudar as luzes de Natal, eles levavam lâmpadas de flash em seus bolsos. A razão para isto estava na energia de todas aquelas antenas de microondas montadas no prédio. Quando eles se aproximavam muito delas, isto fazia estourar os bulbos de flash. É isso, toda aquela energia radiante ambiente que é emitida por aquelas antenas. Se você espetar um frango congelado na ponta de uma vareta de fibra de vidro e colocá-lo em frente de uma antena de microondas, mais rápido do que você poderia piscar o seu olho, ele ficará torrado.

“Devido a todas as antenas de microondas, o prédio próximo ao World Trade Center tinha os 20 andares mais altos recoberto com um filme especial revestindo as janelas, para refletir a energia de microondas. Todos os empregados no edifício estavam se queixando de ouvir sons agudos e de dores de cabeça.

“Nós fomos do começo ao fim desta análise. Nós olhamos o tráfego de mensagens. Existem sete áreas militares operacionais ou áreas de aviso fora da costa de Long Island. Daquelas áreas operacionais militares, três, de quatro delas, estavam ativas. Elas estavam ligadas juntas a uma área operacional que tinha o nome de código ‘Tango Billy’, no Ministério da Marinha. Esta era uma mensagem aberta, sem censura – a Marinha só informou à FAA que aquelas áreas de aviso estavam fora da costa. Quando aquelas áreas de aviso estão ativas, a Marinha avisa a FAA. A FAA estabelece o que é chamado de ‘Corredor de Vôo Betty’.

“Entrevistei pelo menos uma meia dúzia de pilotos da TWA, que disseram, ‘Sim, está certo; tenho voado muitas vezes através de Betty’. Eles vão para um VOR [VHF Omni-directional Radio range – faixa de Rádio VHF Omni-Direcional] em New Jersey. Eles fazem uma curva difícil para a esquerda e voam tomando uma radial sainte, e pegam uma radial entrante VOR na ilha de Nantucket. Eles atingem o VOR em Nantucket e viram à direita e para a frente, para o espaço europeu. Mas eles voam através de um túnel invisível no ar, chamado ‘corredor de vôo’. Supõe-se que seja um corredor seguro, e eles amontoam as aeronaves neste corredor – aviões indo do norte para o sul, e aviões indo do sul para o norte.

“Então o vôo 800 estava no Corredor de Vôo Betty. Estava atrasado. A FAA não notificou a Marinha que ‘Nós temos uma aeronave atrasada para aterrissar’, ou qualquer coisa assim. Havia também o navio USS Normandie, a 35 milhas náuticas além desta área chamada Tango Billy, 10 ou 15 milhas fora da costa de Long Island.

“Existe também o Laboratório Nacional de Brookhaven (Brookhaven National Labs), que foi criado no início do século 20 por Nikola Tesla. É uma versão em miniatura de Los Alamos. Há pessoas lá com autorizações (clearances) Gamma. Há uma usina nuclear, e partículas colidem lá. O governador de Nova Iorque está tentando fechá-la, devido ao vazamento da radiação para a água, que está envenenando o povo. Presume-se que a costa leste possui os mais altos índices de câncer.

“E há também uma área super-secreta de teste de armas naval, ao lado dos Brookhaven National Labs. Eles possuem um muro em comum. Há um campo naval que parece fechado, um aeródromo sem aviões, porque todos eles estão fechados nos hangares. À noite, eles são rolados para fora e são testados, o que quer que eles sejam.

“De lá, eles ficam tentando atirar sobre a água, dentro da área de Tango Billy. Com uma arma de microondas de alta potência, tentam explodir um míssil teleguiado Tomahawk de teste, que é disparado do convés do USS Normandie. Quando o míssil foi disparado, o que todo mundo viu foi um teleguiado ascendendo, nivelando e voando rumo a Tango Billy.

“Mas o que aconteceu foi que o míssil ascendeu, e colocou o vôo 800 da TWA entre ele e a arma. O vôo 800 da TWA ficou na linha de tiro.

“Quando você está testando armas, há um dispositivo que mira o alvo automaticamente, ou, o que é pior, manualmente.

“Então, ele procura por um blip na tela do radar, sabendo que só terá um ‘lançamento’ a partir do USS Normandie. Ele vê aquele blip, o qual agora é realmente dois blips – o míssil Tomahawk e o vôo 800. Ele pressiona um botão, o qual dispara uma arma de microondas de alta potência.

“Nós apresentamos todos os fatos e evidências. Tínhamos imagens de satélite adquiridos dos franceses. Tínhamos dados de autópsia dos franceses, testemunhos dos médicos legistas da municipalidade de Suffolk, onde os rapazes tinham inadvertidamente revelado o fato de que eles tinham visto uma comissária de bordo que tinha uma peça de metal fundida no dorso. Isto não resulta de uma explosão; resulta de uma arma de microondas de alta energia, a qual superaquece o metal e o derrete para dentro do tecido humano. Ele o funde. Havia cavidades cranianas abertas; havia cérebros removidos; havia cavidades oculares ocas. Ele faz tudo isso, porque um raio de microondas em humanos atinge primeiro toda a rede neural ocular. Ele frita o cérebro e frita os olhos. Ele afeta o fluído espinhal, o sangue e a medula. Ele ferve o sangue. Ele realmente transforma o sangue em gel. Isto soa muito repulsivo, mas acontece tão rápido que o cérebro não tem tempo de registrar a dor. Você morre instantaneamente”.

“Ele atingiu todo mundo no avião? Não. O que aconteceu, nós achamos, foi que ele atingiu o centro de massa, que estaria sob a asa esquerda, diretamente para dentro do tanque de combustível na barriga do avião, bem próximo à cozinha. Torrou todo o circuito elétrico da aeronave, porque as armas de microondas de alta potência provocam um pulso eletromagnético, o que significa que ele queima todos os circuitos transistorizados. Tudo que estava funcionando na cabina do 747 era alimentado pelos circuitos elétricos, então todos os mostradores digitais na cabina pararam ao mesmo tempo. E é por isto que as caixas pretas que foram recuperadas não tinham nada que se pudesse ler. Todas as gravações foram apagadas, como se tivessem sido zeradas. É por isso que eles não conseguiram nada das caixa pretas. Lá havia apenas ruído branco (chiado).

“Quando um avião cai por perda de velocidade, como o que caiu no pântano da Flórida, nós podíamos ouvir o que o piloto disse exatamente no ponto acima do solo sobre o qual ele caiu”.

“Por que isto deveria ser acobertado? Se um míssil tivesse derrubado um avião, seguramente o Departamento de Defesa teria dito, ‘Oh Deus, lamentamos muito; fizemos um teste de míssil’ e teriam indenizado os membros da família. Eles teriam se desculpado.

“Mas o que aconteceu foi que, Les Aspin, como parte da atual administração Clinton, disse para o povo americano: ‘Nós estamos agora no fim da era da Guerra nas Estrelas’. Esta é uma citação direta dele. O que ele estava dizendo é que vocês não necessitam mais desta defesa – e com isto encerrou o longo debate de dez anos sobre se seria esperto, seguro ou exeqüível para nós colocar plataforma espaciais com armas, laser de microondas ou outra coisa, em órbita em volta de nosso planeta.

“Mas ele estava mentindo para nós, porque gastamos US$358 bilhões trabalhando em armamentos dessa natureza: tecnologia de Guerra nas Estrelas.

“O que aconteceria dali a quatro meses da queda do vôo 800? As eleições de novembro, com o presidente disputando seu segundo mandato. Seria como levar uma facada nas costas, se as pessoas erradas o pegassem. Eles teriam dito: ‘Você nos disse em 93, quando tomou posse; você mentiu, ao dizer que não estava mais fazendo isto. Mas agora está fazendo; sempre fez isto’.

“Então, depois das eleições de novembro de 96, nas páginas de Jornal Internacional das Forças Armadas (Armed Forces Journal International), nós orgulhosamente exibimos um 747-400 equipado com o novo sistema laser aéreo, o qual é um laser químico a iodo/oxigênio. Toda a primeira classe possui um sistema de rastreamento e mira. E agora vamos construir sete deles, então poderemos voar a 55.000 pés, ter um alcance de 480 milhas náuticas, e poderemos abrir um buraco no que quer que seja – a cabeça de alguém, um tanque de guerra, um aeroplano. Alega-se que seria para proteger-nos de mísseis balísticos intercontinentais dirigidos contra nós, na fase inicial ou final de lançamentos.

“Viu alguns deles voando por aí, ultimamente?”.

psychic-spies.jpgNão apenas um whistleblower (agente que denuncia as tramas da agência para a qual trabalha) comum, David Morehouse, autor de of Psychic Warrior: Inside the CIA’s Stargate Program (Guerreiro Psíquico: Por Dentro do Programa Portão Estelar da CIA), é um profissional realizado, com uma folha de distintos serviços prestados. Um altamente condecorado e respeitado oficial de terceira geração do Exército, Morehouse possui um grau de M.A. em arte e ciência militar, como também um Ph.D. da Universidade LaSalle.

Comissionado como um segundo-tenente da infantaria, ele veio da escola para oficiais do Panamá, onde ele era um líder de pelotão e atingiu a patente de major. Após passar algum tempo nos Rangers, ele os deixou em 1987 para uma série de altamente classificados programas especiais de acesso (special access programs, SAPs) no Comando de Apoio da Inteligência do Exército dos EUA (US Army Intelligence Support Command, INSCOM).

Quando estava na Jordânia, em uma operação de treinamento de rotina, Morehouse foi acidentalmente atingido na cabeça, ou mais especificamente, no capacete. Suas habilidades extra-sensoriais foram abertas, e isto pareceu precipitar episódios recorrentes que poderiam ser chamados “psíquicos”. Ele então tornou-se o principal candidato a ser introduzido à super-secreta Operação Stargate (Portão Estelar), um programa conjunto DIA/CIA no Forte Meade, o qual utilizava a “visão remota” como uma operação de “inteligência”.

Durante a sua carreira militar, Morehouse ganhou numerosas medalhas e comendas por serviços meritórios, como também asas de pára-quedista (condecorações) de seis países estrangeiros. Depois que ele deixou o programa de visão remota em 1991, ele foi designado como oficial executivo de batalhão do Segundo Batalhão do 5065º. Regimento de Infantaria Pára-quedista da 82ª. Divisão Aerotransportada.

Logo depois, Morehouse decidiu expor a operação Stargate e sua tecnologia, com a esperança de que o seu potencial benéfico e uso pacífico pudessem ser levados ao público. Contudo, ele logo percebeu que sair de uma operação secreta não era tão fácil quanto entrar. De fato, sair vivo dela tornou-se seu último exercício de sobrevivência.

O que aconteceu? A fim de desacreditá-lo, e ao seu escrito, o Exército tentou levá-lo à Corte Marcial com manobras fraudulentas. Em dezembro de 1994, Morehouse renunciou a seu comissionamento.

A VIDA DE UM WHISTLEBLOWER

Então, o que acontece aos whistleblowers, no governo dos EUA?

No caso de David Morehouse, falsas acusações foram lançadas contra ele. Os pneus de seu carro foram “furados” para estourar, cortado para causar um acidente na rodovia. Ele e a sua família foram hostilizados por telefonemas anônimos, suas conversações telefônicas foram gravadas. Sua casa teve vazamento de gás e quase explodiu; sua filha quase morreu com a fumaça. A história da vida de Morehouse tomou um rumo estranho, que ele descreve em suas próprias palavras:

“Quando eu estava no hospital, recebi uma chamada telefônica de uma médica agradecendo-me por ter entrado em sua vida. Ela disse que por minha causa, ela fora forçada a deixar o serviço no governo, mas que estava feliz por tê-lo feito. Era uma médica com 18 anos de serviço.

“Eles lhe ordenaram que me diagnosticasse como paranóico esquizofrênico com delírio de perseguição. Ela recusou-se a fazê-lo. ‘Então diagnostique-o como um malingerer (alguém que finge estar doente para não cumprir o seu dever)’, eles disseram. Ela recusou. Ela era uma psiquiatra tenaz, chefe do hospital.

“Ela estava lá no dia em que eles me ataram com correias em uma maca e me colocaram em um avião, que levou-me seis horas distante de minha família, direto ao Forte Bragg, onde fui colocado em uma instituição para viciados em álcool. Então tive que freqüentar turmas de viciados em álcool, embora eu não fosse um deles, e tive que tomar um copo de medicamentos duas vezes por dia, para manter-me quieto e mudo.

“Eles finalmente me tiraram de meu grupo de apoio. Tinham me levado para longe de minha família, porque agora, ao invés de minha esposa dirigir apenas 15 minutos para vir ao hospital, eu estava em Forte Bragg, na Carolina do Norte. Eles me vestiram, drogaram-me e levaram-me para uma audiência na Corte, acusado de infringir o artigo 805, e onde mal consegui ficar de pé. Eu nem podia ouvir nada. Era como ficar de pé em um tanque de água vazio, e ficar ouvindo as pessoas conversando. E eles fizeram-me sofrer tudo aquilo. O golpe de misericórdia final veio quando eles me exoneraram, e me pediram para escrever o Manual de Compreensão Familiar”.

Então, uma campanha orquestrada para desacreditar Morehouse foi iniciada, com cartas anônimas sendo enviadas ao público leitor e à companhia produtora que comprou os direitos de seu livro, Psychic Warrior.

CIA – AÇÕES HOSTIS E DESINFORMAÇÃO

Depois de sua decisão de vir a público, David Morehouse foi submetido a muita hostilidade e a uma campanha de difamação pela CIA. Ele diz que um dos principais responsáveis por esta campanha era um homem de nome John Alexander, objeto de uma entusiasmada reportagem na revista Wired, em 1995.

“Dependendo de com quem você converse, John Alexander tornou-se, muito cedo em sua carreira, um oficial das Forças Especiais no Vietnã”, diz Morehouse. “Ele comandou um batalhão de montanheses vietnamitas (Montagnard battalion), o que significa essencialmente que ele era o seu conselheiro. Algum outro poderia dizer que ele era um membro do Projeto Fênix no Vietnã [o notório programa de assassínio da CIA].

“Quando veio embora, ele trabalhou com a comunidade de inteligência, a qual nunca deixou. Assim, este é um cara que parece ter saído das páginas de ficção científica, o qual veio para a inteligência, e nunca a deixou. Você tem um cara que tem estado ligado à Companhia [a CIA] por um tempo enorme.

“Eu o encontrei através de Ed Dames, que era seu amigo. John Alexander costumava encontrar-se com Ed Dames em Santa Fé, Novo México. Ed Dames estava convencido que havia alienígenas em subterrâneos no Novo México. E então começou um desperdício de dinheiro público – compra de passagens de avião para Albuquerque, sempre que ele quisesse.

“Ed Dames fazia parte da Torn Image, e iria voar para lá. Ele se encontraria com John Alexander, o qual iria passar-lhe uma fotografia, e tentaria fazer uma experiência de visão remota.

“Com a exceção de Jim Schnabel e Ed Dames, John Alexander não tinha amigos na comunidade de visualizadores remotos. Muitos achavam que ele era um crápula, exceto por gente como Russell Targ e Hal Puthoff, que ainda recebiam cheques de pagamento do governo. Ambos eram físicos de laser, que primeiro aceitaram dinheiro da Agência Central de Inteligência (CIA) para os projetos de visão remota.

“Três caras invocaram a Lei de Liberdade de Informação (Freedom of Information Act) antes de meu livro sair: John Alexander, o ex-coronel que ainda trabalhava para a CIA, Jim Schnabel, e Joe McMoneagle. Exceto por Joe, eles passaram a me perseguir. Colocaram meu nome e meu número da Seguridade Social na Internet. Chamaram-me publicamente de criminoso, levando alegações não-fundamentadas do governo e postando-as na Internet”.

– Eles já tinham feito isto com outra pessoa antes?

“Nunca”, diz Morehouse.

INTELIGÊNCIA MILITAR: UM OXÍMORO

“Há resmas e resmas de documentos que mostram que este fenômeno [a VR] existe”, diz Morehouse. “Muitos deles são classificados (secretos). Ed May afirma que tem todos eles. Ele é o físico que chefiava os Laboratórios de Pesquisa de Ciências Cognitivas (Cognitive Sciences Research Laboratories). Esta é uma instituição de pesquisas de visão remota e outros fenômenos paranormais, os quais estudam a mente. Ele afirma que não está na folha de pagamento do governo, mas ainda carrega uma autorização de alta segurança”.

Continuando a hostilidade orquestrada pela CIA, Ed May brandiu documentos contra Morehouse, antes do início de um talkshow no qual ambos apareceriam. Ele ameaçou Morehouse de ter seu caso de corte marcial reaberto, dizendo que o levariam a uma Corte Federal e o processariam por violação da segurança.

Morehouse poderia também ter dito que, “Há pessoas lá que podem fazer isto com você”.

“Este é o caso com todos aqueles caras: Jim Schnabel, John Alexander e Ed May”, diz Morehouse. “Ed May trabalha para a CIA. Ele disse no show de Gordon Elliott que era o responsável pelo programa militar de treinamento de visão remota. Eu nunca vi este cara ou ouvi o seu nome enquanto estive trabalhando lá”.

UMA BATALHA DE NERVOS

– Então, por que eles tornaram isto tão pessoal?

“Você tem uma terceira geração de oficiais do Exército com credibilidade, de cujos oficiais superiores se dizia estarem ‘destinados a usar estrelas’ (serem promovidos a generais), alguém que veio de um batalhão de Rangers e chegou até a comunidade de inteligência”, diz Morehouse, referindo claramente a si mesmo.

– Para arruinar a sua credibilidade?

“Sim, inventando histórias contra mim e minha esposa, por exemplo”, continua Morehouse. “Não há nenhum autor por aí que gaste dias, literalmente dias, postando mensagens para user groups. Schnabel fez centenas de postagens. Então John Alexander entrou na briga, e começou a fazer a mesma coisa. Eles começaram a escrever cartas anônimas para a Interscope, que comprou os direitos de filmagem do livro, e para a Saint Martin’s Press, a editora.

“E há também Paul Smith. Ele realmente falou isto a um repórter: ‘O que eu disse ao Dave foi que, se ele parasse de falar sobre a unidade, nós conseguiríamos para ele uma dispensa médica’. Paul Smith era um visualizadores remotos da unidade que ainda trabalham para a DIA”.

– Então, porque eles levaram isto tão longe, para Morehouse desistir?

“Eu penso que estava enfrentando os desafios e vencendo-os”, ele diz. “Nós olhamos tudo que o governo tinha. Eu não sabia que receberíamos traiçoeiramente outras acusações. Foi quando recebi uma chamada telefônica à noite, de um coronel-brigadeiro amigo meu, que disse, ‘Você ainda tem amigos. Estamos mantendo a porta aberta, mas não podemos mantê-la aberta para sempre. Isto é maior do que nós. É melhor você desistir disso’.

“Este foi o primeiro indício que eu tive sobre o esquema deles. Nenhum dos investigadores estava a meu favor. Toda a Divisão de Investigações Criminais veio atrás de mim. Eles investigaram cada fragmento do meu passado. Entrevistaram cada pessoa que eles achavam ter me conhecido. Por que? Porque eu estava me preparando para contar uma história sobre uma organização governamental super-secreta”.

TENDO UMA VISÃO REMOTA DO ARCO DA ALIANÇA

Psychic Warrior detalha muitos dos encontros de Morehouse com eventos lendários e históricos. Por exemplo, quando ele descreve a visão remota do Arco da Aliança, ele chama a relíquia em si mesma de “abertura dimensional”.

“Quando voltei, expliquei o que havia visto para o diretor do programa”, diz Morehouse. “Ele me falou sobre o cenário teológico por trás do Arco da Aliança. O meu amigo Mel me disse que ele era uma parte do Templo, e havia sido trazido através do deserto que havia sido atravessado pelos Israelitas. Eles colocaram o Arco da Aliança no santuário interior do Santo dos Santos. Aqueles que entravam no interior do santuário, os altos sacerdotes, realmente eram amarrados pelos tornozelos, de modo que pudessem ser puxados de volta.

“A conclusão da comunidade de visualizadores remotos foi que ele era, de fato, um condutor ou propagador (convector) de alguma espécie. Era alguma coisa que canalizava energia para formar uma espécie de portal ou abertura para um mundo de quatro dimensões, que é onde o Criador mora. O alto sacerdote era levado através do portal para dentro do mundo da quarta dimensão”.

MAIOR DO QUE A VIDA EM SI

– E que tal passear livremente na quarta dimensão?

“Esta era uma pesquisa aberta, onde lhe era dito para ir onde o sinal o levasse. Seria análogo a permanecer de pé em uma plataforma na Penn Station em Manhattan, e saltar em qualquer trem que venha estrondeando, e ir para onde ele for. Você não sabe para onde está indo, ou onde vai parar. Algumas vezes é muito apavorante; algumas é instrutivo; algumas vezes é só divertido”.

– Morehouse viu algumas coisa de significativo?

“Só a percepção de que não estamos sós”, ele diz. “Eu nunca vi Deus, Cristo ou Buda. Mas posso dizer-lhe que há outros mundos, outras civilizações e planetas. Estão lá, em outras dimensões. E não apenas em nossa dimensão física, em nosso universo físico. Há outros portais que levam a outros universos, e há universos sobre universos. E é ilimitado, infinito. É de dar vertigens!”.

– Há um engano comum, de que a visão remota tem vínculos com a projeção ou viagem astral.

“Estivemos tentando desenvolver a visão remota fora-do-corpo (OBE-RV, out-of-body remote viewing)”, diz Morehouse. “O que encontramos foi que perdemos a habilidade de fazer a separação ocorrer à vontade, e controlar o corpo separado.

“A visão remota não é baseada na obra de Robert Monroe. Ela se baseou em um protocolo muito disciplinado desenvolvido no SRI, em parte sob a direção de Ingo Swann, Pat Price e Uri Geller. Uri Geller esteve fortemente envolvido no desenvolvimento destes protocolos no SRI. Ele nunca adquiriu realmente crédito por isto. Ele era provavelmente o melhor que eles tinham lá, em minha opinião”.

– Se este dom vem de Deus, então quem está tentando controlá-lo e usá-lo para propósitos negativos, ou seja, o seu abuso pelas agências militares e de inteligência?

“Eu remoía esta questão todo dia”, diz Morehouse. “Eu não sei se o complexo industrial-militar está fazendo isto sem um propósito definido – se eles tropeçando como um cão sem rumo numa loja chinesa – ou se eles o faziam por um motivo oculto, que os fazia desejar esta habilidade para manipular a humanidade.

“A única evidência que tenho é que sei que há algum enigma lá fora. Sei que há alguma coisa maior do que a vida em si, que a domina e controla. Assim, se eu encontrar as respostas, irei falar sobre elas, porque esta é a minha vocação…”.

ENCONTROS COM SERES DE LUZ

– Morehouse encontrou o que se poderia chamar de “seres de luz”?

“Eu tive minhas experiências com o que chamo meu ‘anjo’. Também tive experiências com seres de outros mundos, que tinham consciência de Cristo. Eu nunca vi Jesus Cristo ou Buda. Eles eram muito benevolentes, amorosos, iluminados, indivíduos radiantes. Enquanto permanece em sua presença, você não sente nada além de bondade e cordialidade. Eles reconhecem ou admitem sua presença, mas eles nunca interagem com você. Eles nunca guiam ou dirigem você.

“O monitor diria: “Aproxime-se deles; tente conversar com eles; faça-lhes perguntas; pergunte-lhes quem são’. Eles só sorriam polidamente e iam embora. Eles nos admitiam como intrusos, ainda que inofensivos.

“Este anjo zelava por meu pai, e foi meu pai quem disse para a minha esposa, ‘Dei a David o meu anjo’. Meu pai nunca havia falado comigo sobre isto antes”.

DEMÔNIOS DA QUARTA DIMENSÃO

– Houve ocasiões em que Morehouse sentiu-se ameaçado, ou pensou que ia morrer?

“Sinto que houve várias ocasiões nas quais encontrei o que chamo de seres inferiores, ou demônios”, respondeu Morehouse. “Eles são pessoas que se parecem conosco. São muito amigáveis, e sorriem sempre. Eles querem entrar em uma conversa com você, mas no instante em que você percebe o que eles são, eles o atacam. Em um incidente descrito em meu livro, fui segurado de cabeça para baixo pelos meus tornozelos, e eu pensei que eles iriam me matar. Eles me agarraram e puxaram de volta no círculo. Eu estava gritando a plenos pulmões.

“A próxima coisa de que me lembro, foi que o monitor que me observava estava me chamando de volta, trazendo-me de volta para o físico, mas eu temia pela minha vida. Acho que houve um perigo real neste ataque no nível da quarta dimensão. Eles sabem o que apavora você, e eles amplificam os seus medos. Acho que há elementos do lado escuro que existem com o propósito expresso de tentar habitar o físico. Eles querem se apossar do corpo físico, tomando conta de você por algum tempo”.

O MEIO NÃO É A MENSAGEM

– E que tal a canalização? Ela significa que entidades podem se apossar dos corpos físicos?

“Qualquer canalizador – por exemplo, J. Z. Knight, lhe dirá que Ramtha se apossa de seu corpo físico”, diz Morehouse. “Por outro lado, se você é um médium, tem a habilidade de ouvir além do limiar e traduzir a mensagem.

“Com relação à canalização e às cartas tarot, a atitude na CIA parecia ser, ‘Observe o que eles estão fazendo!’. Quem sou eu para dizer que isto não tem mérito?”.

De fato, Morehouse diz que “o cientista-chefe da CIA, o dr. Jack Verona, um físico, costumava vir duas vezes por mês para fazer leituras pessoais”. Pense só: ele podia ter economizado todo aquele dinheiro de impostos se ele tivesse chamado a Linha Direta Psíquica! (Psychic Hotline).

VISÃO REMOTA DOS CRIMES DA GUERRA DO GOLFO

Um dos mais dramáticos e chocantes episódios de Psychic Warrior é uma ‘missão’ de visão remota que Morehouse fez perto do fim da Guerra do Golfo Pérsico. Na época, três visualizadores remotos independente, incluindo Morehouse, foram ‘enviados’ ao Golfo.

Morehouse recebeu uma ordem para mover-se para uma elevação de cerca de 1700 metros de altura, 32 km ao norte de onde ele tinha ‘aterissado’. Cerca de uma hora mais tarde, em meio à intensa fumaça e fogo próximo aos poços de petróleo, Morehouse localizou “um pequeno objeto prateado na areia”, e observou, “… acho que vejo alguma coisa pouco comum – um pequeno filtro de máscara de gás; parece-se com aço inoxidável”.

Morehouse escreve: “De repente, tudo ficou claro para mim. A DIA queria ter certeza de que um agente químico ou biológico tinha sido lançado nas tropas do EUA, mas eles não queriam que alguém mais soubesse… Uma vez que o uso destas armas não-convencionais fosse confirmado, a DIA podia começar o seu acobertamento, de modo que o povo americano nunca descobrisse isto”.

O historiador Antony Sutton, autor de America’s Secret Establishment (O Estabelecimento Secreto da América) e The Best Enemy Money Can Buy (O Melhor Inimigo Que o Dinheiro Pode Comprar), escreveu em sua revista mensal, Phoenix Letter: “… alguém precisa ler estas páginas [do livro de Morehouse] cuidadosamente. Parece que a DIA sabia onde os filtros seriam colocados. Isto confirma o relato de que a CBW [chemical/biological warfare – guerra químico-biológica] era uma operação conjunta EUA-Iraque dirigida contra as tropas dos EUA”.

Sutton também ressalta que: “… não somente o Iraque fez uso de guerra químico-biológica contra as tropas dos EUA e aliadas, mas o equipamento foi fornecido com o conhecimento, assistência e financiamento do Ocidente.

“O que o Pentágono estava encobrindo era que os agentes da CBW foram legalmente exportados para o Iraque pela administração Bush. A licença foi concedida pelo Departamento de Comércio para o Antrax e um agente desconhecido chamado Micoplasma. O Micoplasma foi fabricado na Flórida e Texas, e testado nos prisioneiros condenados à morte no Texas. Isto foi relatado para a imprensa pelo senador Donald Riegle, de Michigan, e ignorado pela CNN e outras redes (9 de fevereiro de 1994)”.

Morehouse concorda. “Descobri muito cedo o quanto você não pode confiar em que as redes de mídia nos Estados Unidos digam a verdade. Eles são parte do problema, porque pertencem aos contratantes da defesa por uma razão – é que os US$900 bilhões da indústria global de defesa está controlando aqueles que podem fazer-lhes maior dano. Eles sabem que a mídia pode afundá-los, então o que eles fazem? Eles se apropriam dela”.

Sutton continua sua análise para concluir: “… o escândalo e o acobertamento é devido ao fato de que o fornecimento de armas CBW para o Iraque implicava a administração Bush, tanto quanto Prescott Bush, pai de George Bush, estava implicado, através do Union Bank, na ascensão de Hitler nos anos 30”.

Tal pai, tal filho. Ambos traidores.

O ACOBERTAMENTO GOVERNAMENTAL DOS CRIMES DA GUERRA DO GOLFO

Antony Sutton pergunta: “Por que o acobertamento? Morehouse acredita que o governo dos EUA não quer se responsabilizar pelas milhares de baixas militares. Nós sugerimos uma outra razão. Temos um relato de que os EUA permitiram intencionalmente a exportação destes agentes para o Iraque, e que mesmo alguns membros no governo tinham investimentos na firma que os fabricava para o Iraque.

“Lembrem que nenhum inimigo verossímil é deixado de lado pelo complexo industrial-militar, do qual o general Eisenhower nos preveniu que usariam como uma desculpa para fazer grandes gastos com a defesa. Então o quadro inteiro começa a aparecer… Então você vê porque Psychic Warrior é uma peça chave no quebra-cabeças da Tempestade no Deserto. Uma guerra artificial contra um inimigo artificial. Por que? Porque você não pode ter um orçamento de defesa, a menos que tenha um inimigo verossímil. Se não existe nenhum inimigo, você faz um”.

Rodney Stich confirma estas alegações em sua monumental enciclopédia dos crimes e acobertamentos do governo dos EUA, intitulado Defrauding America (Fraudando a América). Ele escreve em grandes detalhes (um capítulo inteiro, intitulado “Bank of Lavoro and Iraqgate”) abordando o escândalo no qual a Banca Nazionale del Lavoro (BNL), através da sua filial de Atlanta, foi usado para enviar mais de US$5 bilhões para o Iraque, um pouco antes da Guerra do Golfo.

Stich escreve: “… em novembro de 1989, oficiais da Casa Branca garantiram o pagamento de empréstimos ao Iraque feito por bancos, para esse comprar cereais dos EUA, sob um programa mantido pelo US Agriculture Department’s Commodity Credit Corporation (Corporação de Crédito e Mercadorias do Ministério da Agricultura dos EUA). A aprovação estipulava que os contribuintes americanos indenizariam os bancos que mandaram dinheiro para que o Iraque comprasse alimentos dos EUA, se este não quitasse os empréstimos feitos…

“Estes empréstimos deram capacidade militar para o Iraque invadir o Kuwait. Com efeito, os contribuintes americanos, através de seus líderes, tornaram possível o terrível banho de sangue da Guerra do Golfo… Um pouco do dinheiro fornecido pelos Estados Unidos foi usado para adquirir o gás venenoso que foi usado nas cidades curdas do Iraque, muito dele comprado através das Cardoen Industries no Chile, uma fachada da CIA. A Cardoen forneceu grande quantidade de material de guerra para o Iraque, sob a orientação da CIA”.

Com relação aos poços de petróleo incendiados, Morehouse escreve: “… cada soldado exposto às emanações vindas das chamas deve ter inalado o bacilo, ou que aquilo fosse”.

As implicações são claras. A assim chamada Síndrome da Guerra do Golfo (Gulf War syndrome – GWS) é um resultado direto desta exposição. O Departamento de Defesa (Department of Defense – DoD) sabia disto, e continua mentindo para os milhares de veteranos contaminados por esta guerra químico-biológica.

– E o que Morehouse pensa sobre isto agora?

“Penso sobre isto todo dia”, ele diz, com voz vacilante. “Nós sabemos que estamos sendo manipulados para (1) podermos confirmar, mas, ao mesmo tempo, (2) não podermos fazê-lo baseados em qualquer registro a que alguém pudesse ter acesso. Eles negaram isto. Eles disseram que isto nunca aconteceu.

“Primeiro, eles disseram que havia alguma coisa assim. Então, nós explodimos o depósito químico. Daí, eles disseram que havia dois depósitos químicos. O problema, é que o povo americano continua a esquecer este tipo de traição. Eles ignoram isto, e por isto se esquecem, e assim permitem que aconteça outra vez.

“Eles ficaram lá, todos os que sabiam, e com a maior cara de pau mentiram para nós, dizendo que isto nunca aconteceu. O general Powell foi perante o Congresso e negou fervorosamente que tivesse qualquer conhecimento ou qualquer evidência disto, o que é outra vez uma “negação plausível”, porque ele não estava sob juramento.

“A CIA estava mantendo registro de todas as cartas de vento pertinentes a este teatro de operações. Deixe-me dizer-lhe algo. Em 18 anos de vida militar, eu nunca passei para a CIA relatórios sobre o tempo. Então, por que a CIA está nos dizendo que elas mostravam isto ou aquilo? Somos tão estúpidos que não podemos ver que aqueles caras estavam preocupados com o que as cartas revelariam, que saltaram lá para dirigir a coisa toda? Eles estão lá dentro enganando e mentindo para todos, dia após dia”.

Antony Sutton elogia abertamente Morehouse e seu livro. Ele escreveu que, “Psychic Warrior é um livro que você deveria ler. Não somente abriria os seus olhos para a nova e estranha tecnologia lá esboçada, mas o deixaria também desgostoso com o Pentágono, cujo principal interesse parece ser manter em Washington generais na luxúria e em cursos de golfe, que nem sequer podem manter seus aviões no ar. E o DoD (Departamento da Defesa) ainda tem tempo para perseguir um oficial que verdadeiramente serviu os Estados Unidos”.

O ATENTADO CONTRA KING E O BODE EXPIATÓRIO

O bode expiatório James Earl Ray foi sentenciado a viver na prisão pelo assassinato do famoso líder dos direitos civis, Martin Luther King, Jr.

O advogado de Ray, William Pepper, autor de Orders to Kill (Ordens para Matar), irá apresentar novas evidências na Corte: dados de visão remota apresentados por David Morehouse, do assassínio do ícone dos anos 60.

– Então, quem matou King?

Morehouse diz: “… eram rufiões contratados, os agentes operacionais de baixo nível da CIA que fizeram isto. Eles eram das Forças Especiais dos EUA, uma equipe de franco-atiradores que veio de uma escola de assassinos. Eles eram distribuídos em áreas onde estivessem ocorrendo motins, ou onde se esperava que ocorressem. Eles tinham uma lista de alvos, uma lista seqüencial de pessoas que eram alvos a serem eliminados. Isto era uma coisa comum nos anos 60.

“Cada vez que havia um distúrbio civil, esta equipe de franco-atiradores eram posicionados e recebiam ordens cifradas que lhes diziam quem, e o que. Eles tinham uma lista permanente de pessoas visadas. Eles receberiam uma informação que diria, ‘Faça isto’, ou ‘Não faça isto’. E se o fizessem, eles tinham uma rota de fuga para sair dali; ou um ‘potted plant’ – alguém que os levaria dali com segurança.

“Os soldados convocados observaram indivíduos como Martin Luther King e outros, que provocavam motins e agitação nos campus universitários contra o governo americano – como inimigos do Estado”.

– Então o que pode o promotor William Pepper fazer com o relatório de visão remota de Morehouse?

“Ele vai levá-lo para a Corte como evidência e usá-lo”, diz Morehouse. “O seu argumento é que o governo dos EUA tem usado isto como um instrumento para coleta de informação por 20 anos. Irá admiti-lo como evidência, verificando a metodologia de recuperação da informação. Ele irá dizer. ‘Vejam, um visualizador remoto militar tem trazido toda esta informação utilizando tecnologia militar’. Pepper telefonou, e agradeceu por todo aquele trabalho”.

Morehouse admite, contudo, que “o que ele [Pepper] está tentando fazer é lutar uma batalha perdida”.

“NÃO-LETALIDADE” – O FUTURO DOS COMBATES

O novo livro de Morehouse tem o nome de Non-Lethal Weapons: War Without Death (Armas Não Letais: Guerra Sem Morte). De acordo com Morehouse, “… o armamento convencional foi projetado para matar. O novo armamento convencional híbrido é projetado para mutilar. Armamento não-letal, por esta definição, deve ser anti-material, e não anti-pessoas.

“O livro faz uma verdadeira abordagem filosófica do conceito de não-letalidade. Ele fala sobre o que as armas convencionais fizeram neste século: tiraram a vida de 170 milhões de seres humanos inocentes. Doutores, advogados, professores, donas-de-casa, crianças, nenhum deles guerreiros – 80 milhões deles foram sumariamente executados por sua recusa em participar, e que o número continua a crescer exponencialmente. Menos de 250.000 destas vidas foram eliminadas através de armas nucleares.

“Na era pós-Guerra Fria, o complexo industrial-militar tem gasto um tempo enorme no desarmamento e abolição do arsenal nuclear desativando cinco ogivas nucleares, de modo a nos congratularmos por isto, dizendo-nos que grande trabalho fizemos, enquanto que, ao mesmo tempo, gastamos US$900 bilhões extras no último ano, para construir e armazenar armas mortais destrutivas. Então este é um jogo viciado.

“A conclusão é de que estamos em uma encruzilhada, nesta nova era estratégica da história humana. Temos de tomar uma decisão. Iremos continuar a construir armas em uma escala sempre crescente? Ou iremos evoluir para uma era na qual iremos re-equipar toda a indústria de defesa para aparelhar-nos com armas que preservam a vida humana mas destróem a máquina de guerra de um inimigo beligerante, incapacitando-o para a guerra?

“Nós temos aquela tecnologia para destruir os tanques. Isto já é sabido. A natureza do homem nunca mudará, assim também a natureza da guerra. Só o modo como elas serão lutadas é que mudará. Toda a assim chamada tecnologia de ‘Guerra nas Estrelas’, a arma de pulsos eletromagnéticos, são letais, e são um armamento convencional de alta tecnologia. E isto é tudo”.

Morehouse continua com a sua análise, dizendo que o livro “… toma 12 tecnologias não letais verdadeiras, e modela-as sobre cenários fictícios construídos sobre eventos mundiais reais – na Bósnia, Somália, etc”.

– Então o complexo industrial-militar tem que ser chamado para prestar contas?

“Exatamente. Isto é o que deveria acontecer”, diz Morehouse. “Temos de nos tornar mais informados sobre estas questões. É por isto que o livro cria esta visão. Aqui está o cenário com armas convencionais, e aqui o que acontece se introduzimos uma forma não letal de tecnologia.

“Vi isto sendo testado nos Campos de Provas de Dugway, em Utah. É chamado de ‘rajada de mortalha anti-tanque’. Alguns milisegundos antes de seu impacto, ele envia um jato de plasma a altíssima temperatura que perfura um buraco através da blindagem mais rapidamente do que o som, e derrama metal derretido para o interior do tanque, transformando tudo dentro dele em gelatina. Foi assim que os tanques do Iraque foram destruídos no deserto.

“O que esta rajada faz é que, milisegundos antes de atingir o alvo, um filme polimerizado de fio reforçado envolve o tanque, tal como um polvo envolve e incapacita a sua vítima. Este polímero cobre tudo e se contrai instantaneamente. Eles o chamam de ‘shrink-wrap round – rajada embrulha-e-contrái’. A resistência total do polímero é suficiente para arrebentar as engrenagens hidráulicas de um tanque M-60, assim que ele tenta mover sua torreta. Ele sela e tranca todas as tampas, e os seus fios impedem as comunicações”.

– Mas por que eles não fizeram alarde disso?

“Porque”, explica Morehouse, “o complexo industrial-militar de US$900 bilhões por ano, estes ambiciosos fomentadores de guerra que fabricam e armazenam armas para os países do Terceiro Mundo, não o querem porque é muito barato. E mais, se você começar a salvar vidas e destruir equipamentos, então você força a diplomacia a tomar o seu lugar de direito para solucionar os conflitos no novo milênio, e começa a desmanchar este mercado perpétuo de morte e destruição.

“Nós agora temos membros do Congresso que retiram dinheiro de impostos destinados ao bem-estar, para os fabricantes de armas. Assim, quando um fabricante as vende para algum tirano do Terceiro-Mundo, que não permite comprar leite em pó para as crianças esfomeadas de seu país, mas compra 12 jatos os quais não precisa, quem paga por elas? O contribuinte dos EUA. Nós agora pagamos aos fabricantes e aos negociantes de armas, e pagamos os empréstimos que os tiranos não pagam”.

Morehouse acentua que este modus-operandi tem certamente funcionado em todos os conflitos militares no século 20. A Guerra do Golfo foi somente a última fraude para gerar lucros torrenciais para os fabricantes de armas e os banqueiros, como também se livrar de excesso de população, i. é, “buchas de canhão” (pessoal militar) e “bocas inúteis” (pessoas não produtivas, que vivem à custa do salário-desemprego).

VISÃO REMOTA COMO UM SERVIÇO PÚBLICO

– Então, qual é o futuro para o “guerreiro psíquico” David Morehouse?

“Tenho estado trabalhando na Remote Viewing Technologies (Tecnologias de Visão Remota), uma companhia privada envolvida em informação e seminários de treinamento para técnicas de visão remota”, responde Morehouse. “Não temos ensinado ninguém do setor privado; somente pessoas na área de comércio e policial. Temos treinado oficiais de polícia em visão remota, porque eles podem fazer prontamente a transição. Olhar por hora e meia nos olhos de um homem morto não perturba um policial ou homem da lei. Oficiais de polícia, de qualquer modo, parecem ter uma visão preconceituosa do mundo. Se estão trabalhando nos detalhes de um homicídio, eles têm uma tendência a não querer nada separado ou desordenado”.

– Então, o que está sendo feito com esta tecnologia como um serviço público, por assim dizer?

“Provavelmente os dois pioneiros somos Lin Buchanan e eu mesmo. Criei uma companhia chamada Remote Viewing Technologies, com oficiais de polícia. Lin tem o que chamo de Assigned Witness Program (Programa de Testemunhas Designadas).

“A Remote Viewing Technologies tem trabalhado em vários casos em New Jersey e em Baltimore. Estamos prontos para treinar um grande número de oficiais em New Jersey, e já treinamos sete oficiais de polícia em Minnesota. As delegacias, os chefes-de-polícia, os detetives – cada um tem aderido ao treinamento de braços abertos. Logo eles compreendem que devem manter uma perspectiva dela e saber que as três regras cardeais da visão remota devem sempre prevalecer:

“Um: ela não é 100% acurada; nunca foi e nunca será.

“Dois: você não pode nunca acreditar nos resultados de um único visualizador remoto operando independentemente de outros; portanto, você não pode trabalhar sozinho. Este é o problema com o qual Courtney Brown e Ed Dames toparam. Eles se restringiram. Courtney Brown senta-se e diz ‘Siga o objeto Hale-Bopp. Descreva-o’. Isto viola todas as regras da visão remota. Não é um estudo feito às cegas. Se você trabalha sozinho, você pode perder seu senso analítico, ou deixar voar sua imaginação. É a mesma violação de protocolo na qual Ed Dames caiu.

“Três: a visão remota não é um empreendimento isolado. Na comunidade de inteligência, é sempre usada em consonância com outras ‘plataformas de coleta’. Na polícia, é sempre usada com outros métodos de investigação”.

NOVAS HABILIDADES PARA O PRÓXIMO MILÊNIO

David Morehouse, autor de Guerreiro Psíquico, deveria ser condecorado por sua coragem em expor estes segredos do mundo da quarta dimensão, e trazer a visão remota para fora do âmbito restrito da inteligência.

Ser um whistleblower pode ser o último desafio. Com grande sacrifício para sua família e para a sua vida, ele tem sofrido inimagináveis processos, atribulações e hostilidade pela CIA e seus patetas. E, apesar de uma bem organizada campanha contra o seu trabalho, ele tem resistido com sucesso a esta barragem de calúnias e ataques pessoais.

A importância da visão remota não deveria ser subestimada. Assim como através da Internet se pode conseguir informação mais rapidamente e mais fácil do que ir à livraria, assim também a visão remota tem o potencial para revolucionar o acesso aos registro históricos e outros que são inacessíveis aos cinco sentidos.

O século 21 irá requerer novos talentos. A visão remota e sua auxiliar, a assim chamada ‘percepção extra-sensorial’ (PES) ou poderes paranormais, podem ser cruciais à sobrevivência e evolução da raça humana.

Sobre o Autor:

Uri Dowbenko é um escritor, fotógrafo e um colunista não sindicalizado. Ele pode ser contatado através da revista NEXUS.

Referências:

–  Bentov, Itzhak, Stalking the Wild Pendulum: On the Mechanics of Consciousness, E. P. Dutton, New York, NY, USA, 1977.

–  Braden, Gregg, Awakening to Zero Point: The Collective Initiation, LL Productions, PO Box 3010, Bellevue, WA 98009, USA, phone 1800 243 1438 (toll-free in USA).

–  Cathie, Bruce L., The Harmonic Conquest of Space, NEXUS Magazine, Mapleton, Qld, Australia, 1994-95.

–  Constantine, Alex, Psychic Dictatorship in the USA, Feral House, Portland, Oregon, USA, 1995. (See especially chapter 2, “Blue Smoke & Lasers: SDI as a Cover Story for the R&D of Electromagnetic/Cybernetic Mind Control Technology”.)

–  King, Godfre Ray, Unveiled Mysteries, Saint Germain Press, 1120 Stonehedge Drive, Schaumburg, Illinois 60194, USA.

–  Langley, Noel, Edgar Cayce on Reincarnation, Warner Books, NY.

–  McMasters, R. E., Jr, The Christ Within, A. N. International, PO Box 84901, Phoenix, Arizona 85071, USA, phone 1800 528 0559 (toll-free).

–  Morehouse, David, Psychic Warrior, St Martin’s Press, New York, 1996; Michael Joseph Ltd, London, UK, 1996. (See pp. 167-71 for reference to DIA Gulf War remote-viewing ‘mission’.)
–  Ostrander, Sheila and Schroeder Lynn, Supermemory: The Revolution, Carroll & Graf Publishers, New York, 1991.

–  Prophet, Mark L., The Human Aura, Summit University Press, Box 5000, Corwin Springs, Montana 59030, USA.

–  Roerich, Nicholas, Brotherhood, Agni Yoga Society, 319 West 107th Street, New York, NY 10025, USA.

–  Stich, Rodney, Defrauding America, Diablo Western Press, PO Box 5, Alamo, California 94507, USA, phone 1800 247 7389.

–  Sutton, Antony C., America’s Secret Establishment, Liberty House Press, Billings, Montana, USA.
–  Sutton, Antony C. (Ed.), Phoenix Letter, 1517 14th Street #216C, Billings, Montana 59102, USA.

–  Talbot, Michael, The Holographic Universe, HarperCollins Publishers, New York, 1991.

Texto com Copyright. Reservados os direitos sobre a tradução. O texto não pode ser reproduzido comercialmente sem licença de Nexus Magazine.

(Texto traduzido por LGA).

Sobre o Autor:

Uri Dowbenko é um escritor, fotógrafo e colunista não sindicalizado. Ele pode ser contatado através de NEXUS Magazine.

Texto com Copyright. Reservados os direitos sobre a tradução. O texto não pode ser reproduzido comercialmente sem licença de Nexus Magazine.

(Texto traduzido por LGA).
Extraído de Nexus Magazine, Volume 4, #5 (Agosto-Setembro de 1997).
PO Box 30, Mapleton Qld 4560 Austrália. nexus@peg.apc.org
Telefone: ; Fax: +61 (0)7 5442 9381
De nossa web page em: http://www.peg.apc.org/~nexus/
©1997 Todos os Direitos Reservados
por Uri Dowbenko
Uma Entrevista com David Morehouse
Remote Viewing Technologies
64 Whitman Street, Suite 1A
Carteret, NJ 07008, USA
E-mail: remviewtec@aol.com

Por Uri Dowbenko

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/as-aventuras-reais-de-um-espiao-psiquico/

Ordem Demolay

Salve,

A Ordem DeMolay é a maior organização juvenil do mundo, de fins filosóficos, filantrópicos, e sem fins lucrativos, já tendo iniciado desde de sua origem, mais de 2,5 milhões de jovens. Trabalha alicerçada na máxima de que “educando-se o jovem estaremos nos eximindo da tarefa de ter que castigar o adulto”. Fundada em 18 de março de 1919 em Kansas City, Missouri, EUA, tem como objetivo formar jovens de 12 à 21 anos de idade, melhores cidadãos e líderes através do desenvolvimento e fortalecimento da personalidade e enfatizando virtudes indispensáveis para a boa conduta social.

Como as pessoas envelhecem e a Ordem Demolay é para estudantes até os 21 anos de idade (depois disto, tornam-se “Senior Demolays”), todos os anos precisamos buscar por novos iniciáticos para repor nossas fileiras. O Capítulo Arcanum Arcanorum está à procura de novos candidatos.

Se você é homem, tem entre 13 e 20 anos, mora em São Paulo e gosta de Kabbalah, Hermetismo, Alquimia, Cavalaria e outros temas abordados aqui no Teoria da Conspiração, ou conhece alguém que esteja nestas condições, entre em contato comigo no email marcelo@daemon.com.br que passarei os dados dos coordenadores do Capítulo para os testes de seleção.

PS: Se você não for de São Paulo, mas gostaria de participar, entre em contato que eu procuro algum Capítulo na sua cidade.

#Demolay #Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-demolay

Medicina Tradicional Chinesa

O que se entende normalmente por Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é uma ciência que incorpora cinco áreas principais:

Acupuntura e Moxabustão – terapias muito antigas, onde a primeira usa agulhas introduzidas em pontos específicos do corpo humano e induzem ao equilíbrio energético, e a segunda usa o calor da queima de ervas nos pontos de acupuntura.

Fitoterapia – uma complexa gama de conhecimentos utilizando-se ervas, extratos e preparados vegetais

Tui-Ná– milenar técnica chinesa de massagem

Exercícios Terapêuticos – possuem vários tipos, incluindo o Chi Kung e o Tao-In;

Dieta – a alimentação correta é muito importante para os chineses e faz parte de sua medicina.

É importante notar que a MTC trabalha com uma espécie de energia vital que os chineses chamam de Chi. Todas as técnicas envolvidas utilizam-se desta energia, procurando atingir o equilíbrio energético no paciente, fortalecendo seu organismo e tratando dessa forma o mal que o acomete. A MTC não trabalha diretamente com órgãos e sistemas do corpo como a medicina ocidental, mas sim com o Chi de cada órgão, suas variações e manifestações. Sendo assim, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), multi-milenar, não possui qualquer relação com a medicina alopática ocidental e seus princípios.

Pequena História da MTC e Acupuntura

A MTC é realmente muito antiga, com resquícios de instrumentos de pedra datando de períodos anteriores a 4.000 a.C. As técnicas de acupuntura se desenvolveram mais no leste da China, lugar mais ameno, enquanto o norte, normalmente muito frio, favoreceu o desenvolvimento de técnicas quentes como a moxabustão.

O grande livro de base da MTC é o Livro do Imperador Amarelo (Huang Di Nei Ching), atribuído à figura lendária de Huang Di (2.697-2597 a.C.). Nele, o Imperador Amarelo confabula com conselheiros sobre os vários métodos para atingir a plena saúde e a longevidade. É considerado o livro básico da acupuntura e MTC.

Por volta de 1.000 a.C. surgiram os primeiros ideogramas identificando as ciências da acupuntura e da moxabustão, demonstrando o grau de maturidade dessas técnicas já nessa época remota. Mesmo depois da difusão do uso de metais como o bronze e a confecção de agulhas desse metal, os instrumentos principais de tratamento ainda eram feitos de pedra. Nesse período começaram a ser aplicadas as teorias do Yin/Yang e Cinco Movimentos (elementos) no tratamento de enfermidades.

Entre o Período dos Estados Guerreiros (475 a.C.-221 a.C.) e a Dinastia Han do Oeste (206 a.C.-24 d.C.), a MTC e em particular a acupuntura, tiveram grande desenvolvimento. Foi um período de guerras e revoltas, culminando na primeira unificação do Império chinês através da Dinastia Qin. Agulhas de metal finalmente suplantaram sua similares de pedra e as técnicas médicas tiveram um notável avanço nos vários campos de batalha. Foram desenvolvidas agulhas com metais diferentes, como prata e ouro, para diferentes aplicações. Ao todo, havia cerca de 9 tipos de agulhas diferentes.

A escavação de um túmulo de 113 a.C. na província de Hebei, em 1968, revelou um conjunto de agulhas de ouro e um outro de prata, mostrando que já naquela época havia especialização nos instrumentos da acupuntura. Uma outra tumba descoberta nessa mesma época nos revelou os trajetos dos meridianos principais e colaterais, escritos em seda no século III a.C. Dessa dinastia também aparecem os primeiros livros versando sobre a MTC, incluindo já o uso de ervas. Uma das mais antigas formas de tratamento de enfermidades, o uso de ervas, atingiu notável sofisticação na velha China, ao ponto de Hua To, um célebre médico do Período dos Três Reinos (220-265), usar um composto de ervas como analgésico, em conjunto com a acupuntura, e realizar operações cirúrgicas.

Na Dinastia Jin e nas Dinastias do Norte e do Sul (265- 581) apareceram os primeiros diagramas esquemáticos com os meridianos completos e pontos de acupuntura. Durante as Dinastias Sui (581-618) e Tang (618-907), a cultura e as artes tiveram um notável desenvolvimento, levando consigo grandes avanços na já sistematizada Medicina Chinesa. Na Dinastia Tang houve também uma completa reformulação e reavaliação de todo o material referente a MTC e acupuntura, iniciativa do próprio governo imperial, além da redação de novos e importantes tratados, especialmente sobre a moxabustão.

À partir do século X a prática da MTC foi grandemente impulsionada pelo uso constante da imprensa, que permitiu grandes tiragens dos livros anteriormente escritos à mão, um por um. À partir da Dinastia Ming (1368-1644) a acupuntura entra definitivamente para o ramo das ciências, com escolas organizadas e sistemas de tratamento mais complexos, com base nos 14 meridianos, Yin/Yang, Cinco Movimentos (Elementos), Zang-Fu (órgãos e vísceras) e outros conceitos que conhecemos e aplicamos hoje na MTC. A Dinastia Qing (1644-1912) promoveu uma regressão nesses valores, com uma grande ênfase na fitoterapia e uma diminuição no status da acupuntura e moxabustão, até aproximadamente a Guerra do Ópio (1840), quando essas terapias retornaram com toda a sua força, embora sem chegarem à importância anterior. Até hoje, na china, a Fitoterapia é a terapêutica principal nos tratamentos pela MTC.

Em 1899 tem início a moderna acupuntura, com a publicação de “Acupuntura em Modelos de Bronze com Referências na Medicina Moderna” (Zhong Xi Hui Can Tong Ren Tu Shuo), de Liu Zhongheng, a primeira obra a relacionar a MTC com a anatomia e fisiologia médicas ocidentais. À partir da Revolução de 1949, a MTC e Acupuntura se tornam o grande aliado do governo na ampliação da saúde de uma população superior a 1 bilhão de pessoas. Em 1951 é fundado o Instituto Experimental de Terapia por Acupuntura, vinculado ao Ministério da Saúde. Depois disso a prática da MTC foi se espalhando por universidades e centros de estudo por toda a China, promovendo saúde e bem-estar para toda a sua população.

Em novembro de 1987 é fundada a World Federation of Acupuncture-Moxibustion Societies (WFAS), uma entidade que visa promover o entendimento e cooperação mútua sobre Acupuntura e Moxabustão entre grupos espalhados por todos os cantos do mundo e desenvolver a ciência da Acupuntura-Moxabustão, contribuindo para a saúde de toda a humanidade através de uma prática ética e de alto nível técnico.

Hoje a Acupuntura e a MTC estão difundidos por todo o planeta, trazendo muitos benefícios para milhões de pessoas e tendo seu uso homologado pela Organização Mundial de Saúde, órgão da ONU de âmbito mundial.

Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Acupuntor, Terapeuta e Escritor, estudando cultura e filosofia oriental desde 1977. Como Taoísta, se preocupa em divulgar a filosofia e as artes taoístas, como I Ching, Feng Shui e Qigong, para melhoria da qualidade de vida das pessoas. Veja mais textos do autor em Taoismo.org

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#Medicina

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Platão e o Conhecimento Inato

Segundo Platão, conhecer é recordar verdades que já existem em nós – teoria que pode ser atestada sempre que nos deixamos guiar pela voz do inconsciente.

Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você o sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você

Essa máxima, extraída do livro Ilusões, de Richard Bach, sintetiza o inatismo de Platão, doutrina filosófica segundo a qual aprendemos devido a um processo natural de descobertas, capaz de desentranhar conhecimentos racionais e idéias verdadeiras que se encontram, a priori, latentes, guardados em nosso mundo interior.

Platão nasceu em 428-7 a.C., na cidade-estado de Atenas, onde viveu a época de seu apogeu político. Por volta dos 40 anos, o mais importante discípulo de Sócrates fundou sua Academia, dirigindo-a até o fim de seus dias, em 348-7 a.C. Um de seus célebres pupilos foi Aristóteles, que aos 18 anos ingressou na Academia, bebendo da fonte platônica durante as últimas duas décadas de vida de seu mestre. A Academia estenderia seu funcionamento por 900 anos, até hoje a mais longa existência registrada na história das instituições educacionais do Ocidente.

Nascido em berço abastado, numa família que detinha importantes relacionamentos políticos, Platão, após cumprir o serviço militar, pôde aventurar-se pela Magna Grécia. Além de conhecer Euclides em Megara e estudar a matemática de Teodoro em Cirene, estendeu viagem ao Egito, inspirado pelos passos esotéricos de Pitágoras. Ao retornar a Atenas, já tendo escolhido o caminho da ascese espiritual, dedicou-se à poesia, ao teatro e à leitura dos textos clássicos. Aproximou-se dos filósofos e, aos 25 anos, conheceu Sócrates. Acercou-se dele intensamente e com profunda admiração, permitindo que em seu espírito se processasse uma revolução completa ao longo dos três anos seguintes, os quais antecederam a condenação de Sócrates à morte por cicuta.

Platão recebeu notável influência dos grandes pensadores de sua época e soube sintetizar magistralmente suas doutrinas num sistema próprio de compreensão do homem e do universo. De Pitágoras herdou, por exemplo, a vocação para a pedagogia, o amor pela matemática e pela música, assim como o caráter transcendente de sua teoria das idéias e os alicerces órficos de sua filosofia, caso da crença na imortalidade da alma, na metempsicose (teoria que aceita a passagem da alma de um corpo para o outro) e na existência do outro mundo.

De Heráclito aceitou a idéia de que tudo é mudança nesta vida, ao menos neste “mundo sensível” em que vivemos, cercados de ilusões e aparências da verdade, onde nada é permanente. De Parmênides assimilou a crença numa realidade perene e atemporal. Platão situou essa realidade em seu “mundo inteligível”, distinto deste, compreendendo que, para além das realidades ilusórias, a alma (o ser) é una, imutável e permanente.

De Sócrates absorveu o costume de refletir sobre o homem e seus problemas éticos, e apreendeu uma conduta impecável. Dele ainda recebeu a maiêutica (arte de dar à luz a verdade por meio de seguidas perguntas), instrumento valioso para a tese do inatismo. Tal teoria, de que todo conhecimento é reminiscência, assumiu melhores passagens em dois de seus 29 livros: Fédon e Mênon. Neste último diálogo, Sócrates, personagem central do livro, interpela um jovem escravo sem estudos e se põe a fazer-lhe perguntas de crescente complexidade sobre geometria. Por meio de questões precisas, o filósofo extrai respostas claras do rapaz, que consegue espontaneamente resolver um cálculo de área, razoavelmente difícil para alguém ignorante. Ou seja, conforme Sócrates vai dialogando com o escravo no sentido de fazê-lo raciocinar corretamente, as verdades matemáticas vão surgindo na sua mente. Tanto no Fédon quanto no Mênon, chega-se à conclusão de que o conhecimento da alma provém de existências anteriores.

Na República (Livro X), Platão procura fundamentar a teoria da reminiscência por meio da alegoria de Er, um pastor da Panfília que, morto em batalha, após dez dias é encontrado com seu corpo intacto entre centenas de cadáveres putrefatos. Levado para casa a fim de que se cumprissem os ritos funerários, já estendido sobre a pira de cremação, no décimo segundo dia após sua morte, Er acorda, levanta-se e põe-se a narrar o que viu no além. O pastor havia estado entre os juízes que separavam as almas boas das ruins, dando-lhes as sentenças conforme haviam vivido seus dias encarnados. Er estivera entre almas de sábios, heróis, antepassados e amigos. Os juízes o haviam escolhido para que, vendo e ouvindo tudo o que ali se passava, pudesse retornar à Terra e contar aos homens o destino que nos reserva o além. Er aprende que as almas renascem indefinidamente para purificar-se de seus erros passados até que não mais precisem reencarnar, quando então passam a residir na eternidade. Compreende ainda que a morte, mero intervalo entre as existências terrenas, é o período em que as almas podem contemplar o conhecimento verdadeiro e ao menos vislumbrar o mundo perfeito das idéias, proposto pela teoria de Platão. Antes de regressarem à nova encarnação, porém, cabe às almas escolherem o que desejam experimentar entre uma infinidade de sortes ou modelos de vida, que lhes são apresentados por Látesis, uma das três deusas do destino. Há vidas de rei, de guerreiro, de artista, de escravo etc., todas à disposição para que sejam tomadas conforme as necessidades compensatórias do futuro aprendizado.

As almas devem ainda escolher seu próximo sexo e local de nascimento, e se querem retornar feito mineral, vegetal, animal ou ser humano. Em seu caminho de volta, porém, elas atravessam vasta planície desértica, sob calor abrasador, que as força beber das águas de Lethé (“esquecimento” em grego), o rio da despreocupação. Quanto mais bebem, mais esquecem suas vidas anteriores, até que sejam encaminhadas ao local escolhido para o novo nascimento.

Platão se vale dessa metáfora (que até hoje influencia o kardecismo, o rosacrucionismo e várias outras correntes religiosas) para explicar como o conhecimento pode preexistir de modo latente em nossas almas, fadados que estamos a viver esquecidos de nosso caráter divino e das verdades puras contempladas.

Concordamos, porém, com Bertrand Russel (1872-1970), que diz que o argumento platônico de nada vale se aplicado ao conhecimento empírico. O rapaz escravo não saberia “recordar” – nem mesmo com ajuda da indução de Sócrates – quando se deu, por exemplo, a construção das pirâmides, ou o cerco à Tróia. Contra a teoria da reminiscência, considere-se ainda qualquer descoberta no campo científico, como a disseminação de doenças por meio de microorganismos atestada pelas experiências de Pasteur. Um completo ignorante dificilmente chegaria a essas conclusões se levado a pensar no problema pelo método de perguntas e respostas.

Somente o conhecimento que se denomina apriorístico, inato – como as intuições lógicas e matemáticas -, é que pode existir dentro de nós sem qualquer prévia experiência. De fato, o conhecimento a priori é o único que Platão admite como verdadeiro, além das revelações místicas às quais nossas almas estão sempre sujeitas.

Independentemente da crença na reencarnação professada pelo filósofo, podemos indagar: de onde teria vindo o saber do escravo se este não tivesse nascido já dotado dos princípios da racionalidade? O inatismo de Platão aqui se atesta: conhecer é recordar a verdade que já trazemos em nós, inerente ao aparato racional e intuitivo de que somos desde o nascimento dotados. Nesse sentido, aprender é mesmo descobrir o que já sabemos.

Aos defensores do inatismo, como vimos, contrapõem-se os empiristas, que afirmam que a verdade e a razão só podem ser adquiridas por meio da experiência. O empirismo entende a razão como uma “folha em branco”, ou uma tábua rasa, sobre a qual vão sendo gravadas as experiências de vida que agregam conteúdo a nosso saber. Freud, por exemplo, enxergava dessa forma nosso mundo inconsciente. A essa visão reducionista da psicanálise contrapôs-se Jung, para quem o inconsciente não é somente dinâmico, mas dotado de autonomia própria, estando ligado à fonte original do saber inconsciente universal. Sendo assim, ele é capaz de nos antecipar verdades que em tempo oportuno se tornarão conscientes, ou de nos levar a passar por experiências significativas, necessárias à nossa evolução pessoal, que Jung chamou de “sincronicidades”. Portanto, no que se refere à sua maneira de compreender o psiquismo, poderíamos dizer que a psicologia analítica é de natureza iminentemente platônica, já que valoriza as percepções intuitivas em detrimento do saber estritamente racional.

Cumpre lembrar que a história das descobertas (mesmo as científicas) está repleta de casos assim. O químico Friedrich Kekulé, por exemplo, adormeceu em frente de sua lareira, sonhou com uma serpente que mordia o próprio rabo e despertou com a exata noção de que o anel de benzeno tinha estrutura espacial hexagonal fechada em si mesma, o que lhe resolveu um problema que o atormentava havia anos. Famosa também é a história do físico Isaac Newton, que teria derivado a equação da gravitação universal num insight que lhe ocorreu ao observar a queda de maçãs maduras no pomar de Woolsthorpe, onde ele costumava passar suas tardes orando e meditando. Mozart também contou com humor que os temas de suas peças eram-lhe antecipados em sonho, sempre mais sublimes do que ele conseguia compor depois!

Gênios iluminados à parte, nossa vida cotidiana acha-se igualmente tomada de exemplos de descobertas espontâneas pessoais. Basta conferir nossa história biográfica, ou mesmo perguntar aos amigos sobre isso. Não resta dúvida: sempre que nos deixamos levar pelas vozes do inconsciente, descobrimos coisas novas, encontramos verdades escondidas, percebemos virtudes e potenciais a serem trabalhados. Admitindo primeiramente nossa virtual ignorância, e buscando intuitivamente por nossos caminhos, estamos exercitando a nobre arte que une a filosofia ao misticismo em favor do autoconhecimento. Importa, sobretudo, abrir nossos canais às lições dos verdadeiros mestres que habitam esferas transcendentes de nossa realidade interior. Conhecermo-nos a nós mesmos é, pois, nossa humilde obrigação, só assim descobriremos os segredos dos deuses e dos homens. Ao menos é o que nos quer ensinar a grande máxima, que repercute a nos lembrar que ninguém é melhor por saber muito, senão que aprendemos descobrindo que sabemos tanto quanto os outros – um quase nada diante dos mistérios realmente imponderáveis.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/plat%C3%A3o-e-o-conhecimento-inato