A Natureza da Quimbanda Brasileira

por T.Q.M.B.E.P.N.

A Quimbanda Brasileira, por ser uma Tradição que durante muitos anos resguardou-se através dos ensinamentos orais, ocultou sua verdadeira natureza para poucos iniciados. Esses, por sua vez, em sua grande maioria saíram do ‘Caminho de Maioral’ por não suportarem a pressão que é impingida aos adeptos ao longo de seu processo de alquimia interna. Os poucos que resistiram moldaram a Quimbanda segundo expressões e perspectivas particulares, por isso existe uma grande pluralidade na forma com que o Culto é desenvolvido no Brasil.

Independente de como o Culto foi desenvolvido, deixando de lado o regionalismo e a formação dos zeladores, a Quimbanda Brasileira tem características particulares que devem ser levadas em consideração. A Natureza da Verdadeira Quimbanda, ao contrário das demais religiões e cultos, não está associada ao desenvolvimento de uma conduta moral e ética refinada e nem é influenciada pelas empenhas do período evolutivo da sociedade humana. Também não é um meio ao qual os adeptos sentirão a satisfação espiritual enquanto estiverem na matéria, pois o intuito da Quimbanda não é gerar satisfação e sim libertação, pois satisfação desprovida de libertação é ilusória.

A Quimbanda Brasileira está associada ao processo que ocorre entre a consciência e a inconsciência. É o árduo caminho de aprendizado que tem como intuito o conhecimento sobre si próprio e principalmente sobre a relação do “Eu” com o Sistema vigente mostrando as relações que existem entre o corpo, corpo astral e espírito e a escalada evolutiva ou escravista que esse Ser escolhe.

Os sentimentos são mecanismos que devem ser lapidados por todo adepto da Quimbanda. Diferente de outras expressões religiosas, a Quimbanda Brasileira entende que cada adepto é um Ser individual e tem a liberdade de formar seus parâmetros sem imposições sobre “Bem X Mal”. O mais interessante é que os Exus mostram-nos que existe uma corrente invisível que prende-nos a valores positivos e negativos, pois não compreender o que sentimos em relação a tudo é o mesmo que nos prender em teias invisíveis onde os fios da moral nos sufocam. Se o sentimento é inevitável, que seja formado com múltiplas visões, dotado de discernimento e não esteja atrelado aos conceitos de moral e ética da massa vigente. Exu é a semente que estoura a terra e rompe a vida e não uma árvore que já nasce com frutas.

Todo esse processo de autoconhecimento visa dominar e entender os sentimentos e emoções para formar os pensamentos adequados que irão ser a forma mais verdadeira de comunicação com o mundo espiritual. Para alcançar esse nível o adepto deverá vivenciar em variadas situações, experiências profundas e por vezes doloridas. Até que o adepto entenda que tudo que ele vibra e sente pode interferir em sua jornada e que a mente é mediadora entre o “Eu” e o Caminho de Exu, pode encontrar inúmeras dificuldades. A Quimbanda não deseja adeptos perfeitos, mas almas livres, mentes que transcendem as formas limitadoras e vão além dos conceitos morais e éticos.

Quimbanda e o Instinto Predador

O homem iluminado pela Luz da Quimbanda, que é um dos raios da Luz de Lúcifer, luta internamente contra as amarras do Sistema Cíclico Escravista (reencarnação e cumprimento de Carma). Para vencer esses entraves, o espírito deve ser constantemente alimentado através da fonte espiritual (Sabedoria) e, ao mesmo tempo, seus instintos devem ser incitados para que ajam como predadores. A Sabedoria não confronta o ato predatório, apenas concede ao adepto o discernimento de quando, como e com que intensidade essa voracidade deve aflorar. Não se trata de restringir, mas de adequar e adaptar nossos instintos à realidade que vivenciamos.

O adepto cria em seu “Eu” uma aversão à fraqueza e limitações que existem na sociedade. Um predador não chora em cima de sua presa, tampouco, dispende energia em perseguições infrutíferas. O verdadeiro predador não tende errar porque é alicerçado pela sabedoria e principalmente pelo autoconhecimento. Um adepto avançado sabe seus limites e limitações.

O homem é condicionado ao instinto de autopreservação. Luta incessantemente pela vida e pela integridade. Esse mecanismo é regulado pela dor e pelo medo, ou seja, o homem se mantem vivo porque cultua ambos. O medo libera a adrenalina que aumenta a força física e expande os sentidos tais como audição, olfato e visão e pode fazer com que o homem vá ao combate ou fuja do mesmo. O adepto da Quimbanda aprende que avançar ou recuar nas batalhas não é uma decisão motivada pelos sentimentos ou sensações; sim pelo instinto predatório frio, agudo e incisivo. O Quimbandeiro não é refém do medo, tampouco, da dor, pois entende sua natureza e a dos espíritos que o ministram.

Exu é um espírito com a capacidade de ‘andar’ em nossa linha temporal (passado, presente e futuro). Como se encontra no plano astral, essa linha de tempo não se restringe apenas a existência material ao qual temos consciência, ou seja, Exu pode vagar em nossas existências passadas e interferir, de maneira construtiva, na nossa vida material presente. Assim, Exu pode fazer com que fobias desenvolvidas em vidas anteriores sejam vencidas nessa existência. Todo esse processo visa fortalecer o instinto predador que é desperto nos verdadeiros adeptos.

O Homem de Fogo x Homem de Água

O mundo, cíclico e rotativo, proporciona mudanças perceptíveis e imperceptíveis a todo o momento. Entendemos que o mundo é o “espaço-cativeiro” onde almas diversas encontram-se em estado bruto/solidificado/material. Toda mudança do mundo acarreta mudanças em seu rebanho, ou seja, por mais imperceptível que seja a ação certamente atingirá os humanos. O ritmo dessas mudanças pode ser variável e atingir o coletivo e o individual em estágios diferentes fazendo com que todos sejam obrigados a passar pelos processos de adaptação necessários.

Obviamente que existem teorias sobre o comportamento fixo ou maleável do homem no seu processo de evolução, porém, existe algo importante de salientarmos: A Vontade e o Desejo. Através desses impulsos, aflora a atitude de dinamismo e ostracismo no comportamento humano. Esse é dividido em estágios, porém, no contexto desse ensaio destacamos duas marcas: Furioso e Passivo.

O comportamento furioso é dotado de fogo, auto cobrança, evolução e agressividade que capacita o homem enxergar as mudanças do mundo, suas consequências e criar uma multiplicidade de ações para conviver com elas. Homens de comportamento furioso compreendem rapidamente as ações exteriores e criam ambientes capazes de se estabilizarem nas incertezas deixando de serem ferramentas mecanistas que efetuam a prevenção e conserto do Sistema. Os dotados com esse comportamento conseguem aprender com os erros, mas nunca deixam de promover sua subjetividade, desejos, frustrações e aspirações como parte integrante dos sistemas e das organizações.

O comportamento passivo é como água parada que procura estabilidade e proteção contra as ações agressivas da natureza. Geralmente criam suas identidades baseados em contatos visuais e estruturas que consolidam suas aspirações. Possuí medo em diversos níveis e destaca-se o medo à rejeição da sociedade. Alimenta os traumas e as percas tornando-os obstáculos que estorvam as mudanças. Não suporta um ambiente competitivo e inovador, possui hábitos lineares e tem dificuldade com aspectos e mudanças inovadoras. Foi preparado para ser mão de obra, para ter um chefe mandando o que fazer.

Ambos os comportamentos coexistem na sociedade. Possuem família, amigos, dívidas e sonhos. Convivem com os mesmos problemas, crises e toda complexidade da sociedade. Disputam o mesmo espaço e estão suscetíveis as mudanças no mundo, sejam perceptíveis ou não. O homem de comportamento furioso e o homem de comportamento passivo podem, em algum momento, aproximarem-se do Culto de Exu. Os motivos que os levam a tal decisão são praticamente os mesmo, afinal, não são todas as pessoas que se aproximam do Culto em busca de revelações e evolução espiritual, sejam elas furiosas ou passivas. Inseridos no Culto, ambos passarão pelos mesmos estágios e nesse exato momento diferenciam-se.

Imaginemos que Exu interfira na linha temporal de ambos os comportamentos de forma agressiva. Essa agressividade, sob olhos atentos, capacitará mudanças significativas em suas vidas materiais, mas ao mesmo tempo impingirá pressão e confusão até estabilizar um “novo caminho”.

O homem de comportamento furioso certamente suportará essa pressão, pois rapidamente criará uma nova forma de adaptação e enxergará através das ‘brechas’ deixadas por Exu. Aproveitará ao máximo a oportunidade e não permitirá que as frustações o atinjam, porque construiu sua fé com subjetividade. Ele se regenerará nas formas sagradas que os Espíritos emitem e não no que seus sentimentos grosseiros tentam formar.

O homem de comportamento passivo entrará em colapso vendo sua estrutura protecional ruir. Lamentará por não ter seguido conselhos repelentes ao Culto e deixará os traumas tomarem-no de forma literal. Não suportará a pressão do novo e ruirá em pedaços grosseiros.

Exu, na sua imensa sabedoria e com sua gargalhada caótica que bane a inércia, pegará os dois comportamentos e colocará em sua peneira. O homem de comportamento furioso ruirá por inteiro tornando-se um pó sagrado apto a promover a ressurreição de seus antepassados obscuros, já o homem de comportamento passivo ficará sendo balançado em grosseiros pedaços até que Exu jogue-o em algum canto por não servir aos seus propósitos.

Todo esse ensaio mostra aos adeptos porque muitas pessoas que se aventuram nos caminhos de Exu deixam o Culto de forma inesperada e se tornam inimigos dessas forças. São passivos, inertes e esperam que as mudanças venham de forma linear, calma e protecionista. Essas pessoas acabam se escondendo em outros caminhos religiosos que propagam a sutileza, amor, compaixão e caridade. Esperam que Exu plante uma ‘Árvore do Dinheiro’ ou ‘tragam a pessoa amada em três dias’ porque tais situações corroborarão com seus queridos estados letárgicos e anti-evolucionistas.

Lembremos que Exu é constante movimento e nunca carregará fardos. ‘Exu não dá o peixe para quem não sabe pescar!’. Exu nos ensina a agirmos como catalisadores de ações!

O Instinto Predador e o Ego

O Ego é a defesa da personalidade, estrutura do aparelho psíquico que nos conduz pela realidade. O Ego é ‘defensor do medo’ e coíbe todos os instintos predatórios que possuímos.

Compreender nossos instintos predatórios não é o mesmo que coibi-los. Coibir significa reprimir, expressar claramente uma negativa. A compreensão é a aceitação e entendimento do impulso para que o mesmo seja desperto quando necessário. A coibição gera insatisfação, traumas e o ódio. Esses sentimentos, dentro desse contexto, são atrativos de Carma e elos das algemas do Sistema Escravista do Falso Deus. A compreensão dos impulsos é parte da libertação e do próprio autoconhecimento.

fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/natureza-quimbanda

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-natureza-da-quimbanda-brasileira/

A Glória do Mundo

A Tábua de Esmeralda:

É verdade, sem nenhum erro, e é a soma da verdade; o que está acima é também o que está abaixo, para a realização das maravilhas de uma determinada coisa, e como todas as coisas surgem de uma única Pedra, assim também foram geradas a partir de uma Substância comum, que inclui os quatro elementos criados por Deus. E entre outros milagres, a dita Pedra nasce da Primeira Matéria. O Sol é seu Pai, a Lua sua Mãe, o vento a carrega em seu ventre e é alimentada pela terra. Ele mesmo é o Pai de toda a Terra, e de toda a sua potência. Se ela for transmutada em terra, então a terra separa do fogo o que é mais sutil do que o que é duro, operando suavemente e com grande artifício. Então a Pedra sobe da terra para o céu, e novamente desce do céu para a terra, e recebe as mais variadas influências, tanto do céu como da terra. Se você pode realizar isto, você tem a glória do mundo, e é capaz de colocar em voo todas as doenças, e transmutar todos os metais. Ele vence o Mercúrio, que é sutil, e penetra em todos os corpos duros e sólidos. Portanto, é comparado com o mundo. Por isso me chamo Hermes, tendo as três partes de todo o mundo da filosofia.

Explicação da Tábua de Esmeralda de Hermes:

Hermes está certo ao dizer que nossa Arte é verdadeira, e foi corretamente transmitida pelos Sábios; todas as dúvidas a respeito dela surgiram através de uma falsa interpretação da linguagem mística dos filósofos. Mas, uma vez que eles são traços para confessar sua própria ignorância, seus leitores preferem dizer que as palavras dos sábios são impostura e falsidade. A culpa é realmente do leitor ignorante, que não entende o estilo dos Filósofos. Se, na interpretação de nossos livros, eles sofressem para serem guiados pelos ensinamentos da Natureza, ao invés de suas próprias noções tolas, eles não perderiam a marca tão desesperadamente. Pelas palavras que se seguem: “O que está acima é também o que está abaixo”, ele descreve a Matéria de nossa Arte, que, embora uma, está dividida em duas coisas, a água volátil que sobe, e a terra que está no fundo, e que se fixa. Mas quando a reunião acontece, o corpo se torna espírito, e o espírito se torna corpo, a terra se transforma em água e se torna volátil, a água se transmuta em corpo, e se fixa. Quando os corpos se tornam espíritos, e os corpos espirituais, seu trabalho está terminado, pois então o que sobe e o que desce se torna um só corpo. Portanto, o Sábio diz que o que está acima é o que está abaixo, o que significa que, após terem sido separados em duas substâncias (de ser uma substância), eles são novamente unidos em uma substância, ou seja, uma união que nunca pode ser dissolvida, e possui tal virtude e eficácia que pode fazer em um momento o que o Sol não pode realizar em mil anos. E este milagre é feito por uma coisa que é desprezada e rejeitada pela multidão. Novamente, o Sábio nos diz que todas as coisas foram criadas, e ainda são geradas, a partir de uma primeira substância e consistem no mesmo material elementar; e nesta primeira substância Deus designou os quatro elementos, que representam um material comum, no qual talvez seja possível resolver todas as coisas. Seu desenvolvimento é provocado pela destilação do Sol e da Lua. Pois ela é operada pelo calor natural da Lua do Sol, que agita sua ação interna, e multiplica cada coisa após sua espécie, conferindo à substância uma forma específica. A alma, ou princípio nutritivo, é a terra que recebe os raios do Sol e da Lua, e com isso alimenta seus filhos como com o leite materno. Assim, o Sol é o pai, a Lua é a mãe, a terra é a enfermeira – e nesta substância é o que necessitamos. Aquele que pode tomá-la e prepará-la é verdadeiramente invejado. Ela é separada pelo Sol e pela Lua na forma de um vapor, e coletada no local onde é encontrada. Quando Hermes acrescenta que “o ar a leva em seu ventre, a terra é sua enfermeira, o mundo inteiro é seu Pai”, ele quer dizer que quando a substância de nossa Pedra é dissolvida, então o vento a leva em seu ventre, ou seja, o ar leva a substância em forma de água, na qual está escondido o fogo, a alma da Pedra, e o fogo é o Pai do mundo inteiro. Assim, a substância volátil sobe, enquanto aquela que permanece na base, é o “mundo inteiro” (visto que nossa Arte é comparada a um “mundo pequeno”). Assim Hermes chama o fogo de pai do mundo inteiro, porque é o Sol de nossa Arte, e o ar, a Lua e a água ascendem dele; a terra é a enfermeira da Pedra, ou seja, quando a terra recebe os raios do Sol e da Lua, nasce um novo corpo, como um novo feto no ventre da mãe. A terra recebe e digere a luz do Sol e da Lua, e dá alimento a seu feto dia após dia, até se tornar grande e forte, e afasta sua escuridão e impureza, e é mudada para uma cor diferente. Esta “criança”, que é chamada de “nossa filha”, representa nossa Pedra, que nasce de novo do Sol e da Lua, como você pode ver facilmente, quando o espírito, ou a água que ascendeu, é gradualmente transmutada no corpo, e o corpo nasce de novo, e cresce e aumenta de tamanho como o feto no ventre da mãe. Assim, a Pedra é gerada a partir da primeira substância, que contém os quatro elementos; ela é gerada por duas coisas, o corpo e o espírito; o vento a carrega em seu ventre, pois ela carrega a Pedra para cima, da terra para o céu, e novamente para baixo, do céu para a terra. Assim a Pedra recebe o crescimento de cima e de baixo, e nasce uma segunda vez, assim como qualquer outro feto é gerado no útero materno; como todas as coisas criadas geram seus filhotes, assim também o ar, ou o vento, geram nossa Pedra. Quando Hermes acrescenta: “Seu poder, ou virtude, é inteiro, quando é transmutado na terra”, ele significa que quando o espírito é transmutado no corpo, ele recebe toda sua força e virtude. Pois até agora o espírito é volátil, e não fixo, ou permanente. Para que ele seja fixo, devemos proceder como o padeiro no cozimento do pão. Devemos transmitir apenas um pouco do espírito ao corpo de cada vez, assim como o padeiro apenas coloca um pouco de fermento em sua refeição, e com ele fermenta todo o caroço. O espírito, que é nosso fermento, da mesma forma que o fermento, transmuta todo o corpo em sua própria substância. Portanto, o corpo deve ser fermentado uma e outra vez, até que todo o caroço esteja completamente impregnado com o poder do fermento. Em nossa Arte, o corpo fermenta o espírito, e o espírito fermenta o corpo, e o espírito fermenta o corpo, e o transmuta em um espírito, e os dois, quando se tornam um só, recebem o poder de fermentar todas as coisas, nas quais são injetados, com sua própria virtude.

O Sábio continua: “Se você separar suavemente a terra da água, a sutil da dura, a Pedra sobe da terra ao céu, e novamente desce do céu à terra, e recebe sua virtude de cima e de baixo”. Por este processo você obtém a glória e o brilho do mundo inteiro”. Com ela você pode fugir da pobreza, das doenças e do cansaço; pois ela supera o mercúrio sutil e penetra em todos os corpos duros e firmes”. Ele quer dizer que todos os que realizariam esta tarefa devem separar o úmido do seco, a água da terra. A água, ou fogo, sendo sutil, sobe, enquanto o corpo é duro, e permanece onde está. A separação deve ser feita pelo calor suave, ou seja, no banho temperado dos sábios, que age lentamente, e não é muito quente nem muito frio. Então a Pedra sobe ao céu, e novamente desce do céu para a terra. O espírito e o corpo são primeiro separados, depois novamente unidos por uma suave cocção, de uma temperatura parecida com a que uma galinha eclode seus ovos. Tal é a preparação da substância, que vale o mundo inteiro, de onde também é chamada de “pequeno mundo”. A posse da Pedra lhe proporcionará o maior deleite e um conforto indizível e precioso. Ela também lhe proporcionará de uma forma típica a criação do mundo. Ela permitirá que você expulse todas as doenças do corpo humano, afaste a pobreza e tenha uma boa compreensão dos segredos da Natureza. A Pedra tem a virtude de transmutar o mercúrio em ouro e prata, e de penetrar em todos os corpos duros e firmes, tais como pedras e metais preciosos. Não se pode pedir um presente melhor de Deus do que este presente, que é maior do que todos os outros presentes. Por isso Hermes pode justamente se chamar pelo orgulhoso título de “Hermes Trismegisto, que detém as três partes de todo o mundo da sabedoria”.

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Fonte: https://www.sacred-texts.com/alc/emerglor.htm

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-gloria-do-mundo/

A Alquimia da Magia

Magia não é um objeto de estudo acadêmico – é essencialmente prático. Também requer auto-disciplina e treino – adquirir habilidades. Nenhum livro ou professor pode lhe ensinar magia, ela só pode ser aprendida na prática, pela tentativa e erro vindo da experiencia. O máximo que todos os livros e professores podem fazer é guiar rumo a experiencia relevantes e oferecer algumas explicações para a causa, efeito e o que está além do causal.

Similarmente, a auto-expressão intencional será na maioria das vezes contra-produtiva. O que é requerido do noviço e Iniciado é uma auto-disciplina e o insight que surge da conquista e adversidade. Entretanto, a vida moderna, fez essas coisas difíceis. É fácil ser presunçoso, aceitar os confortos da vida moderna e a falta de auto-disciplina, tal como os “métodos” modernos e “idéias” sobre “magia” fazem parecer que a compreensão e a realização em magia são fáceis: tudo que é necessário são livros/manuais de graus/informações relevantes e uma mente/atitude/abordagem caótica

Não há e nunca irá haver um substituto para o auto-aprendizado através da experiencia. O verdadeiro aprendizado em magia, ocorre somente pelo noviço individual: trabalho em grupo e experiencia em grupo meramente confirma o aprendizado e ampliam as técnicas, as formas que são usadas. Isso é porque a verdadeira magia é interna – uma alquimia de mudança psíquica. As técnicas são externas. Por exemplo, magia sexual é uma técnica de magia – não é magia ou “mágico” por si só – da mesma maneira que um ritual cerimonial é uma técnica. Todas as técnicas são formas que estão dormentes – elas precisar ser animadas, trazidas a vida: elas necessitam serem inspiradas com o ‘sopro da vida’. Essa vivificação da magia e sua realização é individual, ou seja, não se baseia na forma – nos mínimos detalhes da performance ou técnica. Algumas vezes essa vivificação é compartilhada – ex: entre dois indivíduos realizando um rito sexual ou um grupo se reunindo para uma cerimonia.

Por um longo período as técnicas foram consideras mágicas por si só, guiando a um desentendimento completo da magia – como, por exemplo, por Crowley e seus seguidores e por adeptos das técnicas de “caos” recentes. Magia está além da técnica – técnicas e formas meramente presenciam a magia no causal, e para acessar as energias mágicas, certas habilidades são necessárias. Algumas vezes, essa habilidade é interna e pode ser como uma atitude mental. É “mover com” as energias mágicas como essas energias são, em si – não é uma abordagem indireta e frouxa, uma aceitação caótica, mas uma direção equilibrada e fina: não uma perda de percepção consciente/entendimento, mas um novo tipo de percepção. É como correr longas distancias: a habilidade inata pode ajudar, mas requer treino, uma percepção das limitações nascidas das experiencias prévias, uma auto-disciplina para alcançar a distancia no tempo delimitado – e então o correr, que quando bem sucedido é um ‘fluir’ com o corpo e a mente…

Na magia, o desejo faz a energia – uma vez acessada pelo individuo – presenciada na forma/técnica escolhida. Esse desejo é geralmente intencionado – ou seja, tem um certo objetivo causal (como por exemplo uma magia externa). A forma ou técnica escolhida pode estimular em algum alcance a produção de energias mágicas – mas é o individuo que deve abrir o portal (ou nexion) e dirigir as energias que residem além dele. O que as formas e as técnicas geralmente fazem é parecer o nexion real e acessível – geralmente ‘provocando’ dentro do individuo a consciência necessária para abrir o nexion e presenciar as energias.

Por causa disso, os rituais cerimoniais (ou qualquer ritual onde dois ou mais estão presentes e envolvidos) precisam de direção ou controle – das imagens/formas/padrões invocados e o presenciar de tal no causal. Essa direção é sempre para o causal (isso é, para um objetivo especifico ou na psique de um individuo ou indivíduos) por causa da natureza das energias – sempre há um ‘fluxo’. Se nenhum controle é realizado (ou a direção está confusa por que mais que uma tentativa para controlar o fluxo – talvez inconscientemente) então uma mudança causal irá ocorrer (e deve ocorrer) através de vias provavelmente desapercebidas pelos envolvidos – isso é o que geralmente acontece quando alguns indivíduos reúnem e tentam um ato de magia – e geralmente resulta no rompimento psíquico de um ou mais desses indivíduos.

A alquimia da magia é um aprendizado em controlar o acesso as energias, e sendo capaz de produzir mudanças através de presenciar o que é acessado: internamente (dentro de da própria psique), externamente (em outros e nas coisas do dia-a-dia) e aeonicamente (dentro e além dos confins de aeonica). Há portanto um aprendizado sobre os vários tipos de energias mágicas (que podem ser ditas ou diferenciadas por como eles presenciam o causal) – e seus usos. Em resumo, a obtenção de habilidades individuais e compreensão. Para alcançar isso, certas maneiras – certas guias devem ser seguidas. Há um compromisso sério – não um hobby, não uma reunião de algumas pessoas de mesma mentalidade como e quando em um agradável gratificação do ego pesquisando ‘o oculto’, e certamente não para ‘rizadas’ ou entretenimento. Há uma intensidade, uma auto-disciplina, algumas vez até mesmo dificuldade – e esses prazeres que estão além dos meros mortais. Em resumo, novas maneiras de viver.

Por mais que a alquimia da magia esteja agora acessível a todos (devido a obras como “Naos”), é improvável que muitos irão renunciar as suas fáceis formas de viver atuais por um desafio.

Tradução de AShTarot Cognatus

Fonte: PanDaemonAeon

– Ordem dos Nove Ângulos –

ONA (Retirado do Hostia I, 1991eh)


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[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-alquimia-da-magia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-alquimia-da-magia/

O Pentagrama

Saudações nobres companheiros, caros ir.: e demais viajantes da senda, é com grande alegria que inicio uma das novas categorias do Blog Hermetic Rose: Símbolos, neste artigo e nos subsequentes tratarei de símbolos, signos, sinais e seus significados, usos, costumes e origens, de forma a desmistificar muito do que se propaga como informação por aí. Para brindar o início deste que é um caminho tão vasto e muitas vezes mal interpretado, trago este que é um dos, se não o símbolo mais conhecido, difundido e mal interpretado de todos: o Pentagrama. Espero com estes pequenos ensaios elucidar um pouco mais sobre o verdadeiro valor dos velhos conhecimentos, trazendo à tona a chama do conhecimento, mantida acesa por sábios ao longo dos aeons. Bom, vamos ao que interessa:

O Pentagrama –

Segundo o dicionário: “Um pentagrama é uma figura de uma estrela composta por 5 retas e que possui 5 pontas. Também significa uma palavra de 5 letras. Em música são as 5 linhas paralelas que compõem a partitura”.

Pode apresentar duas formas: pentagonal ou estrelada (com 10 ângulos), o pentagrama possui simbologia multipla, mas sempre se fundamenta no número cinco, a união dos desiguais, a união do princípio feminino (2), com o princípiomasculino (3), sendo assim uma representação do microcosmo. Simboliza a androginia e da síntese de forças complementares.

Para os pitagóricos era simbolo de saúde e conhecimento, sendo para eles uma forma de reconhecimento mútuo. É uma das chaves da Alta Ciência: abre a via do segredo. O pentagrama pitagórico – que se tornou, na europa, o do Hermes gnóstico – é, além de um simbolo de conhecimento, um meio de conjurar e adquirir o poder. Figuras de pentagramas eram utilizados pelos magos para exercer seu poder de várias formas: utilizando a base da figura da estrela de cinco pontas como base de seus sigilos e rituais.

Simboliza o casamento, a felicidade, a realização. Considerado pelos antigos como um símbolo da idéia do perfeito.

Na ciência propriamente dita a estrela pentagrama é um interessante diagrama que descreve várias leis matemáticas: se encontra como representante nos logarítmos, na sucessão de Fibonacci, a espiral logarítmica e por isto também nos fractais, etc.

O pentagrama sob a forma de estrela foi chamado, na tradição maçonica, de Estrela Flamejante. J. Boucher cita, entretanto com reservas, esta intrepretação de Ragon: Ela era (a estrela flamejante) entre os egipcios, a imagem do filho de Isis e do Sol, autor das estações e emblema do movimento; desse Hórus, simbolo dessa matéria primeira, fonte inesgotável de vida, dessa fagulha do fogo sagrado, semente universal de todos os seres. Ela é, para os maçons, o emblema doGênioque eleva a alma a grandes coisas. O autor lembra que o pentagrama era o símbolo favorito dos pitagóricos… Eles traçavam esse simbolo sobre suas cartas como forma de saudação, o que equivalia à palavra latinavale*: passe bem. O Pentagrama era ainda chamdo de higia (de Higia ou Higéia, deusa da saúde)e as colocadas em cada uma das suas pontas.

O Pentagrama como representação do Homem em relação ao Universo, como no Homem Vitruviano de Da Vinci, simboliza o domínio da alma divina do homem sobre os elementos, sendo em cada ponta a representação dos elementos coroados pelo espírito (a quintessência dos Alquimistas e Gnósticos), simbolizando assim o domínio do homem sobre o seu mundo, o homem cumpridor de sua Verdadeira Vontade.

O pentagrama Invertido, ou de ponta para baixo, de forma análoga representa o Homem subjugado pelos 4 elementos, vencido por seus vícíos mundanos. Este por sinal, não é em si um símbolo das forças negativas, ou mesmo simbolo de seitas satanistas, é, por associação uma oposição ao simbolo original (o pentagrama de ponta para cima), representando a dualidade, a contrariedade ao que é propagado pelo simbolo primeiro, adotado por Anton LaVey como emblema da Igreja de Satanás, e antes por Gerald Gardner como simbolo Wicca, viu-se a reação da igreja, considerando o pentagrama, invertido ou não, como simbolo do Diabo, conceito esse difundido entre os cristãos.

Com Eliphas Levi, o pentagrama pela primeira vez, através de uma ilustração, foi associado ao conceito do bem e do mal. Ele ilustra o pentagrama Microcósmico ao lado de um pentagrama invertido (formando a cabeça do bode, Baphomet).

Sua relação com seitas satânicas é tardia, sendo este, em um primeiro momento a quebra de vinculo com as idéias veiculadas pelos clérigos.

Num dos mais antigos significados do pentagrama, os Hebreus designavam como a Verdade, para os cinco livros do Pentateuco (os cinco livros do Velho Testamento, atribuídos a Moisés).

O pentagrama também é encontrado na cultura chinesa representando o ciclo da destruição, que é a base filosófica de sua medicina tradicional. Neste caso, cada extremidade do pentagrama simboliza um elemento específico: Terra, Água, Fogo, Madeira e Metal. Cada elemento é gerado por outro, (a Madeira é gerada pela Terra), o que dará origem a um ciclo de geração ou criação. Para que exista equilíbrio é necessário um elemento inibidor, que neste caso é o oposto (a Água inibe o Fogo).

Este é o pentagrama, e alguns de seus usos, listar todos eles em um primeiro momento seria enfadonho e seria longo demais para o formato do blog, falaremos a respeito de seus outros aspectos nos posts que virão, considero aqui o inicio, que estes breves ensaios sejam a porta de abertura para pesquisas maiores, em fontes que posso por algum motivo ter ignorado. Nas próximas postagens novos símbolos, mistérios e conceitos revelados.

Aqui me despeço, com votos de verdadeira fraternidade, e que vá em paz, seja quem for, e para onde for. Que os ventos do destino cruzem nossos caminhos novamente. Obrigado, e até breve.

*vale – Saudação na lingua latina, que deu origem ao moderno ‘salve’ e suas variações.

Referencia:

CHEVALIER, Jean, Dicionário de Símbolos, 22ª ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 2008

Ocultura

Wikipédia

Dicionário de Símbolos

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O Invisível – ou – O Recomeço

A Valsa das Flores Mortas

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-pentagrama

Aleister Crowley

1875 – 1947
“Faça o que quiseres pois é tudo da Lei.
O amor é a lei, amor sob a vontade.”

Edward Alexander (Aleister) Crowley nasceu dia 12 de Outubro de 1875, em Leamington Spa, Inglaterra. Seus pais eram membros do Plymouth Brethren, uma seita cristã muito estrita. Como resultado, Aleister cresceu com uma educação cristã muito forte, assim como um desdém muito forte pelo cristianismo.

Ele atendeu ao colégio de Trinity na Universidade de Cambridge, abandonando os estudos pouco antes de se formar. Pouco tempo depois ele foi apresentado a George Cecil Jones, que era membro da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (Hermetic Order of the Goldew Dawn). A Golden Dawn era uma sociedade oculta liderada por S. L. MacGregor Mathers, que ensinava magia (magick), cabala (qabalah), alquimia, taro, astrologia e outras matérias de interesse hermético. A ordem possuía muitos membros notáveis (entre eles A. E. Waite, Dion Fortune e W. B. Yeats), e sua influência no desenvolvimento do ocultismo ocidental moderno foi profunda.

Crowley foi iniciado na Golden Dawn em 1898, e iniciou muito rapidamente sua escalada através dos níveis de desenvolvimento. Mas em 1900 a ordem foi desmembrada pela separação dos membros em grupos que possuiam filosofias divergentes, e Crowley então abandonou a Inglaterra para viajar extensivamente através do Leste. Foi então, nessas viagens, que ele aprendeu e praticou disciplinas mentais de Yoga, suplementando seus conhecimentos de magia ritual de estilo ocidental, com métodos de misticismo Oriental.

Em 1903, Crowley se casou com Rose Kelly e então seguiu para o Egito para a lua-de-mel. Ao retornar ao Cairo, em meados de 1904, Rose (que até esse ponto não havia demonstrado nenhum interesse ou familiaridade com o oculto) passou a experienciar estados de transe e a dizer ao marido que o deus Horus estava tentando entrar em contato com ele. Finalmente Crowley levou Rose ao Museu Boulak e pediu a ela para mostrar a ele a imagem de Horus. Ela passou por inúmeras imagens conhecidas de do deus e levou Aleister diretamente a um tablete funerário de madeira da 26a dinastia, mostrando Horus recebendo o sacrifício dos mortos, de um sacerdote chamado Ankh-f-n-khonsu. Crowley ficou especialmente impressionado pelo fato dessa peça ter sido marcada pelo museu pelo número 666, um número com o qual ele se identificava desde a infância.

O resultado foi que ele começou a ouvir Rose, e, seguindo suas instruções, nos três dias consecutivos, a partir de 8 de Abril de 1904, ele entrou em seu estúdio e escreveu o que lhe foi ditado por uma presença envolta em sombras que permanecia atrás dele. O resultado foram os três capítulos conhecidos como Liber AL vel Legis, ou O Livro da Lei. Esse livro foi o mensageiro do despertar da nova era de Horus, que seria governada pela Lei de Thelema. “Thelema” é a palavra grega que significa “vontade”, e a Lei de Thelema é comumente citada como: “Faça o que for da sua vontade”. Como profeta desta nova era Crowley passou o resto de sua vida desenvolvendo e estabelecendo a filosofia Thelêmica.

Em 1906 Crowley reencontrou George Cecil Jones na Inglaterra, onde juntos iniciaram a tarefa de criar uma ordem mágica para continuar de onde a Golden Dawn havia parado. Eles chamaram essa ordem de A.’. A.’. (Astron Argon ou Astrum Argentium ou Estrela de Prata), e ela se tornou o principal veículo de transmissão do sistema de treinamento mágico baseado nos princípios do Thelema de Crowley.

Então em 1910 Crowley foi contatado por Theodore Reuss, o líder de uma organização de base na Alemanha chamada Ordo Templi Orientis (O.T.O.). Esse grupo, composto de maçons dos altos níveis, clamava ser o descobridor do segredo supremo da magia prática, que era ensinado em seu mais alto grau. Aparentemente Crowley concordou, se tornando membro da O.T.O. e eventualmente tomando o lugar como líder quando Reuss morreu em 1921. Crowley reformulou os rituais da O.T.O. para adaptá-los à Lei do Thelema, e investiu à organização o propósito maior de estabelecer o Thelema no mundo. A ordem se tornou independente da Maçonaria (apesar de terem sido mantidos os mesmos padrões) e permitiu a associação de mulheres e homens que não estivessem ligados à Maçonaria.

Aleister Crowley morreu em Hastings, Inglaterra, no dia 1 de Dezembro de 1947. Mas seu legado ainda vive na Lei do Thelema trazida por ele à humanidade (juntamente com dúzias de livros e escrituras em magia e outros assuntos místicos), e nas ordens A.’. A.’. e O.T.O. que continuam a seguir e desenvolver os princípios do Thelema até os dias de hoje.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aleister-crowley/

O Tarot no Século XIV

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É para a Europa, especificamente o norte da Itália, que devemos nos voltar para encontrar as primeiras manifestações do jogo do 78 cartas que hoje conhecemos pelo nome de Tarot. E, a julgar pelos mais antigos exemplares conservados, as mudanças sofridas ao longo do tempo foram muito menores do que se poderia esperar: os quatro naipes conhecidos hoje são os mesmos dos jogos italianos desde sempre: Copas, Espadas, Paus e Ouros. Além das dez cartas numéricas, as figuras são em número de quatro, para cada naipe: um rei, uma rainha (ou dama), um cavaleiro e um valete.

Restam ainda 22 cartas especiais que, de certo modo, formariam um quinto naipe e que os documentos italianos denominam de trionfi (trunfos) e, os franceses, atouts, com o mesmo sentido de trunfo, ou seja, de cartas que se sobrepõem às demais. Cada um dos vinte e dois arcanos maiores do Tarô permitem paralelos com Alquimia,

Astrologia, Sufismo, Cabala, Mística Cristã…

Restaram inúmeras cartas de tarô pintadas à mão, do século XV. São os mais antigos legados históricos, que estão sob guarda de museus ou em posse de colecionadores.

Registros concretos

Não se sabe ao certo a origem das cartas do baralho tradicional. Nem se pode afirmar, com certeza, se o conjunto dos 22 trunfos ou Arcanos Maiores – com seus desenhos emblemáticos – e as muito bem conhecidas 56 cartas dos chamados Arcanos Menores – com seus quatro naipes – foram criados separadamente e mais tarde combinados num único baralho, ou se, desde seu nascimento, tiveram a forma de um baralho de setenta e oito cartas.

Tudo indica que as 56 cartas do baralho comum foram copiadas do jogo difundido entre os guerreiros mamelucos. Os autores da adição das 22 cartas, hoje denominadas “arcanos maiores” entre os tarólogos, permanecem desconhecidos.

Existe, no entanto, um ponto de concordância entre a maior parte dos estudiosos: raros imaginam que se trataria de alguma manifestação ingênua de “cultura popular” ou de “folclore”. Ao contrário, a abstração das 40 cartas numeradas, bem como as evocações simbólicas dos trunfos, permitem associações surpreendentes com inúmeras outras linguagens simbólicas. Sugerem uma produção muito bem elaborada, um trabalho de Escola.

A maior parte dos estudiosos considera os 22 trunfos – atualmente denominados “arcanos maiores” – uma criação do norte da Itália, como atestam as cartas do Tarot Visconti Sforza.

Já as dúvidas aparecem quando se trata do conjunto das cartas numeradas – atualmente conhecidas por “arcanos menores” ou “baralho comum” –, que teriam sido levadas pelos gurreiros mamelucos à Europa durante a Idade Média. Existem menções às “cartas sarracenas” em registros do séc. 14.

Anteriores às lâminas apresentadas acima, encontramos apenas referências a um “jogo de cartas”. É bastante citado, nos estudos de Tarô, o relato de Johannes, monge alemão de Brefeld, Suíça: “um jogo chamado jogo de cartas (ludus cartarum) chegou até nós neste ano de 1377”, mas declara expressamente não saber “em que época, onde e por quem esse jogo havia sido inventado”. Sobre as cartas utilizadas, diz que os homens “pintam as cartas de maneiras diferentes, e jogam com elas de um modo ou de outro. Quanto à forma comum, e ao modo como chegaram até nós, quatro reis são pintados em quatro cartas, cada um deles sentado num trono real e segurando um símbolo em sua mão”.

Há outra menção, ainda no século XIV, embora não tenha restado exemplar algum das referidas cartas: nos livros de contabilidade de Charles Poupart, tesoureiro de Carlos IV, da França, existe uma passagem que declara que três baralhos em dourado e variegadamente ornamentados foram pintados por Jacquemin Gringonneur, em 1392, para divertimento do rei da França.

Variantes

Numa composição diferente, com 50 cartas divididas em 5 séries de 10 cartas cada, existem vários exemplares do jogo chamado Carte di Baldini (c. 1465), também conhecido como Tarocchi de Mantegna, nome de um um importante pintor do norte da Itália no séc. XV.

Alem de estruturas diferentes, exemplificada com o Tarô de Mantegna, existem inúmeros exemplos posteriores de acréscimo de cartas – como é o caso do I Tarocchi Classici – e também de cortes e supressões que acabaram por originar jogos reduzidos que se tornaram populares: Baralho Petit Lenormand, também conhecido como Baralho Cigano.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-tarot-no-s%C3%A9culo-xiv

A Gênese Alquímica

KAMALA JNANA
Trad. Rubellus Petrinus

PRIMEIRO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Minério dos Filósofos.

-O enxofre e o mercúrio dos filósofos (não os vulgares) são colocados num vaso de vidro. Estas matérias informes, não amalgamadas naturalmente, são inertes e frias, embora algumas delas contenham no seu seio um fogo interno. Neste estado nenhuma proporção é feita pela mão do homem.

-O sal ou Espírito ígneo, ou elemento transformável pela vontade desta trindade, é colocado então em contacto com a terra sulfurosa e a água mercurial. Em contacto com este espírito de fogo, os dois outros revelam-se. Uma luta dura se desenvolve entre os três que originam uma quarta, mais violenta que as outras, criando assim um desequilíbrio nas forças da massa. Este desequilíbrio traduz-se por um movimento turbilionário. Sob o efeito desta quarta energia uma imantação se produz, amalgamando naturalmente, e numa proporção de natura, o sal, o enxofre e o mercúrio filosofal.

-Deste movimento rotativo nascerá um quinto fogo que terá por efeito electrizar os corpúsculos atómicos dos constituintes.

-Una electricidade atractiva nascerá, daí o nome de Electro Mineral.

-Neste estado as granulações são efectivas. O Artista escolherá portanto na natureza e no reino mineral uma terra semelhantemente proporcionada, para dela fazer a sua “Matéria Prima”.

-Então, por uma engenhosa indústria, toda natural, o Artista separará o que a natureza uniu. Ele separará o puro do impuro, o subtil do espesso; ele recolherá com cuidado a «Luz» do seu minério, ele fará cristais salinos rutilantes e brilhantes. Tendo agido assim, o Sábio separará a luz das trevas.

SEGUNDO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Os mundos estando nascidos (lede granulações) com se viu, o quinto fogo (engendrado pelo movimento permanente) chega a fazer evaporar uma certa quantidade de «água divina» ou «fogo do espírito do sal». Um vapor eleva-se no alto do vaso, mantendo-se à distância pelo calor do quarto fogo, sempre mantido pelo combate dos outros três. O espaço livre que separa o vapor da humidade salina dos grânulos é comparável em efeito àquele que se chama firmamento.

-Todavia, à medida que a matéria arrefece, os vapores condensam-se e caiem em grandes gotas sobre a terra. Em breve, sob estas águas que penetram até ao centro dos mundos miniaturas, a terra é submergida, dissolvida; os corpúsculos sólidos transformam-se em vasa pendente que a água de fogo (tendo a absorvido a quintessência da trindade terrestre) sobrenada sob a forma de um óleo avermelhado rodeado de uma franja de dourada. O Artista verá que há duas espécies de líquidos.

-Neste instante, mais nenhum vapor aparece no vaso. Só, o mesmo vazio que existia persiste. Este vazio pode ser chamado céu em contraste com a terra e a água, que estão no fundo do vaso.

TERCEIRO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Embora se note que se trata «das cales» debaixo do céu, e não das «águas». O plural é posto para chamar a atenção sobre as duas colorações da massa líquida.

-O Artista reunirá num só lugar, num só recipiente bem fechado, o precioso líquido.

-Depois quando tiver cortado a cabeça do seu corvo, verá aparecer a sua terra adâmica sob forma de areia muito negra e fétida. Então, fazendo sempre agir o seu quinto fogo, começará por secar a terra…

-Guardando preciosamente a sua quintessência líquida.

-A cor verde começa a aparecer. Toda a terra se cobre de verdura e de borbulhas contendo sementes minerais. Neste momento, alguns sábios comparam a sua matéria a uma desova de rãs.

QUARTO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Sempre sob a acção do quinto fogo, as granulações verdes começam a clarear. A matéria lavada pelo fogo passa de verde ao branco. Os filósofos chamam então à sua matéria Lua Muito Pura, Muito Fixa.

-Esta cor é o indício de que se operou bem, depois de ter provocado o dilúvio em «Solve».

-Operou-se bem para iniciar «Coagula», verdadeiro labirinto.

-Sempre sob a acção do quinto fogo, atinge-se o terceiro grau de temperatura. O calor activado na cor branca dá a cor amarela. Neste estado os Sábios simbolizam a sua matéria por uma estrela de Cinco Ramos. Esta é a matéria próxima de Obra: A Estrela da Manhã.

QUINTO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-Aqui, a matéria em branco apresenta-se como olhos de peixe, os Sábios dizem que ele pesca os peixes «Echéneis»; é por isso que eles chamam também «Mar» as águas que recobrem a sua matéria. Ora, como uma parte desta matéria ao branco ou olhos de peixe tem o poder de transformar Dez Partes de metal vil em Lua, é-se obrigado a admitir a vitalidade desta matéria nascida na vasa e na água.

-A verificação faz-se então, colocando uma parte da matéria ao branco sobre uma lâmina aquecida ao rubro; se ela fundir sem fumegar, é porque a Pedra ao branco está fixada; senão é preciso continuar o quinto fogo.

SEXTO DIA

Manipulações cronológicas alquímicas

-A Pedra ao Amarelo vai portanto continuar a fixar-se sob a acção do quinto fogo, temperada pela imbibição progressiva do mercúrio tingidor. De amarelo, ela para ao alaranjado e enfim ao vermelho. Neste estado, esta Pedra ou Pó de Projecção ou Terra Sublimada é capaz de dar origem aos três reinos;

-Inicialmente uma das suas partes pode transmutar dez de metais vis, e este em ouro muito puro e muito fino. (Reino Mineral).

-Em seguida, se se dissolve deste pó no álcool pode-se deitar deste licor sobre a terra ordinária calcinada sem fusão, ver-se-á nascer vegetais (musgos, fetos, gramíneas). (Reino Vegetal).

-Enfim se se tomar ainda da terra ordinária preparada como acima, e se pulverizar num pilão antes de a humedecer de uma nova quantidade de licor, ver-se-á nascer o verme, a lagarta, a mosca, a borboleta. (Reino Animal).

-Quando o Sábio sabe realizar tudo isto, Deus o tornou semelhante a Ele. O Homem pode criar o Universo à sua estatura e transmitir a vida a todos os reinos da natureza. Ele é o mestre incontestado do microcosmos, e como tal ele é feito bem à imagem de Deus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-genese-alquimica/

A Música

A medicina pitagórica atribuía à música um poder terapêutico por excelência. Disso também nos dá referência a Alquimia, quando faz coincidir os centros musicais com os centros sutis, e estes com as oitavas do microcosmo humano. Assim vemos como a música, encarada desde uma perspectiva sagrada, é muito mais do que parece. E também que as naturezas do tempo e do espaço, da água e o fogo, unidas indissoluvelmente no éter, origem de sua vida, sendo fundamentalmente distintas, tocam-se num ponto onde, sem se confundirem, fundem-se numa Harmonia Única e Universal.

Sócrates, nas palavras de Platão, confirma as Musas como as primeiras protetoras da arte da música, de quem ela recebeu seu nome. Como já afirmamos, o tempo e o espaço se relacionam mutuamente através do movimento, e este não é senão a expressão dinâmica ou rítmica de uma harmonia cujos modelos são os números. Ritmo e proporção, semelhantes respectivamente ao tempo e ao espaço, são a métrica pela qual ambos ficam reciprocamente ordenados, conformando a presença viva daquela mesma harmonia que se dá por igual no céu e na terra. A própria geometria (geo = terra, metria = medida), que ordena idealmente o espaço, está virtualmente implícita na música como relação métrica de seus intervalos. Harmonia, número e movimento são, pois, termos equivalentes e mutáveis entre si, quanto se referem a uma mesma realidade, seja à arquitetura sutil e musical do Cosmo, ao ritmo respiratório, às pulsações do coração ou ao compasso alternado das fases diurna e noturna do dia.

O homem especialmente recebe com mais intensidade do que qualquer outro ser terrestre o ritmo pulsatório da existência, o que, num sentido, converte-o no mais capaz de reproduzi-lo. De natureza musical está feita a alma humana e sua inteligência, já que são elas as que captam as sutis relações entre as coisas; a maravilhosa articulação que a todas mantém unidas, com seus matizes, num todo indivisível que se vai revelando à medida que a unidade e a harmonia se impõem a nosso caos particular.

No homem, como num pequeno instrumento em mãos de um músico invisível, segundo se nos diz no hermetismo antigo e do Renascimento, encontram-se todas as potências, virtudes e ritmos do universo, homologadas ou em diapasão com a natureza de seu estado. No entanto, nem sempre se é consciente disso, já que seu diapasão particular não está, em geral, afinado com o tom universal.

#hermetismo #Música

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A Corrupção Moderna da Magia

Eu me identifiquei muito com o autor do texto. Ao longo destes 30 anos estudando ocultismo, presenciei praticamente os mesmos problemas que o “Prophecy” (autor do texto original). Atualmente, graças à internet, tenho visto tomos e mais tomos de magias disponíveis em pdf, e gente que se acha mago e thelemitas de facebook só porque leram meia dúzia de livros, mas que se você for ver, não sabem nem ao menos fazer os rituais mais básicos do Pentagrama ou um banimento simples.

Magia é como kung fu ou natação: você pode ler todos os livros do mundo a respeito, mas não vai saber fazer a não ser que tenha a parte prática.

Esta será uma lição longa, portanto, ao trabalho. Não pule partes por causa de seu tamanho. Leia cada palavra, e tome notas diligentemente.

A predominante abordagem à magia, nos dias atuais, deve ser abolida. O processo iniciatório dos maçons do passado e a ideia do avanço espiritual através apenas do conhecimento devem ser deixados como relíquias do passado. Como a Jnana Yoga atesta, e como Francis Bacon declara, existe, certamente, poder no conhecimento. Porém, o melhor poder é aquele adquirido da prática e, consequentemente, da experiência. Um pouco de prática vale muitos livros. Esta deve ser a ideia predominante dos anos vindouros, se a humanidade quiser reviver a irmandade de magos no mundo e redistribuir a carga de trabalho espiritual que, no momento, cai quase inteiramente nos ombros de iogues.

A incompreensão da magia legítima criou uma ameaçadora carência de adeptos ocidentais iluminados. Esses adeptos mestres, reais Deuses-Homens do passado, estão raramente reencarnando. Parece, portanto, que, no geral, existem poucos grandes magos disponíveis. O número deles se tornou escasso; seu nível, baixo. Nos meus tempos de garoto, antes de minhas memórias retornarem, eu procurei aqui e ali alguma faísca de sabedoria, estudei muitos sistemas de magia e de xamanismo, e, no fim, me senti como Abraão, o Judeu, depois de seus anos de procura pela Ciência Divina, antes de ser abençoado por seu guru, Abramelin. Em lugar algum, eu pude encontrar alguém que merecesse o título de professor da ciência divina. Fraudes e charlatãos eram numerosos, e pessoas pensavam que eles eram magos só porque nunca conheceram um mago verdadeiro. Hoje, essas mesmas pragas ainda infectam bastante as buscas de jovens aspirantes ao redor do mundo.

Existe um número de razões para a escassez atual de sábios na tradição oculta ocidental. Eu me esforçarei aqui para compartilhar com vocês algumas das razões que as minhas experiências com aspirantes esperançosos, os ensinamentos de várias ordens e paradigmas, e meu tempo com as “vítimas” de vários movimentos new age, me levaram a classificar como causas para o problema. Eu baseei essas conclusões nas súplicas de aspirantes esperançosos buscando iniciação, e nos meus encontros pessoais com alguns dos ditos adeptos de vários grupos e ordens. Ao fazê-lo, eu compreendo totalmente que falar com alguns estudantes e alguns membros superiores nunca pode dar uma representação compreensiva. Porém, eu também compreendo que, não importa quão ideais as condições internas de uma ordem possam ou não ser, ela não deveria levar seus estudantes externos à procrastinação ou a um treinamento inadequado.

Eu identifiquei dez problemas principais na magia de hoje. O primeiro é que o treinamento proposto por certas ordens nos últimos 200 anos ou mais era incompleto, e por eles terem ditado a regra para as ordens de hoje, os problemas continuaram. O segundo é que os materiais originais e manuscritos para certos sistemas são atribuídos com mais valor do que o que eles realmente possuem. O terceiro é que a mente ocidental transformou a magia em algo feito para se realizar os desejos materiais. A quarta razão para o problema presente é que, na medida em que nossa cultura propaga a concessão à preguiça, a abordagem ocidental à magia se torna mais e mais preguiçosa. A quinta razão é a tendência peculiar da mente ocidental de se tornar altamente investida em sua própria personalidade. A sexta razão é a destruição da sucessão de mestre e discípulo, a causa que é a raiz para muitos outros problemas. A sétima razão, que é um verdadeiro veneno para a evolução, é o movimento presente, na magia ocidental, de se tentar remover a ideia essencial de Deus e o valor da moralidade da magia. A oitava razão é a popularidade crescente de charlatãos, e seu poder sobre as massas ignorantes. A nona razão é a tendência de magos legitimamente treinados permanecerem silenciosos, aceitarem poucos estudantes e escreverem pouco ou nada. A décima e última razão que discutiremos é a atenção dada, no Ocidente, ao desenvolvimento dos poderes mágicos em vez do desenvolvimento de estados elevados de consciência. Essas dez razões primárias bastarão para nossa consideração, embora mais razões pudessem ser listadas.

A Primeira Razão

Treinamento Inadequado em Ordens Modernas

Entre aproximadamente 1850 e 1920, o mundo ocultista presenciou a formação de várias ordens que se ergueram no mundo como realizações gloriosas. De seus ensinamentos, vieram muitos dos livros influentes que agora são considerados clássicos do ocultismo, e os quais agora muitos estudantes otimistas estudam. Infelizmente, essas ordens não eram tão ideais quanto tentavam parecer. A maioria delas usava como fonte manuscritos desatualizados, sobre os quais falaremos mais daqui a um momento, e o resto usava métodos que se baseavam inteiramente sobre estimulação intelectual ou emocional, e muito pouco sobre a consciência da alma.

Essas ordens iludidas criaram muitos iniciados igualmente ou até mais iludidos. Um número considerável deles publicou livros, muitos dos quais agora são considerados clássicos do oculto no mundo da literatura ocidental ocultista. Em alguns casos, esses livros tinham riqueza de informação teórica, mas a maioria deles não tinha quase um momento de percepção prática. O aspirante esperançoso é levado a folhear um livro de centenas de páginas, para perceber que ele não absorveu nada dele além de filosofia. Até mesmo os livros chamados de “teoria e prática” deveriam ser renomeados para “teoria e possível aplicação ritual”.

Isso pode parecer uma afirmação iconoclástica. Ela é, e com razão, porque a iconologia da magia está falhando gravemente. Portanto, o que não produz resultados deve ser jogado de lado. “E agora também o machado é enterrado nas raízes das árvores: desse modo, qualquer árvore que não traga bons frutos é cortada, e jogada no fogo. (Mateus 3:10)”. A série de ações à qual a magia ocidental foi levada não trouxe muitos frutos. Essas ações produziram pseudoiniciados que conseguem executar truques de salão, que eles, erradamente, chamam de magia. Enquanto magos de cadeira estiveram gastando seu tempo, exercitando suas mentes com teorias e filosofias, o trabalho prático que realmente cria um mago esteve apodrecendo. Quem pode culpá-los, quando cada livro que lêem diz que precisam saber essa ou essa outra palavra hebraica ou magia simbólica para serem efetivos? Tudo isso compõe as armadilhas postas para o teste de iniciados, testes nos quais essas “autoridades” não passaram.

Um indivíduo pode memorizar sigilos do sol, kameas planetários, selos e talismãs salomônicos, e compreender intelectualmente os muitos processos que compõem a Maquinaria Universal. Ainda assim, ele não será um mago nos olhos de iniciados verdadeiros. Eu conheci pessoas que poderiam ser chamadas de enciclopédias de filosofia oculta, e, ainda assim, não possuem rotina diária de prática estabelecida, e nenhuma faculdade mágica de qualquer tipo. Eles estão presos à ilusão de Maya do mesmo modo que os homens comuns também o estão. A única diferença é que eles sabem que existe uma ilusão, enquanto a maioria nem se apercebe disso. Pessoas assim gostam de falar muito, porque, ao se ouvirem, tentam apoiar sua abordagem à magia, psicologicamente, para si mesmos. Tais pessoas sempre terão uma opinião, sempre parecerão ter respostas prontas, e esse tipo de “aspirante em potencial” torna-se particularmente perigoso aos buscadores genuínos da verdade. Você não pode construir uma base confiável somente nas palavras! Ao mago treinado, aos irmãos e irmãs de minha Ordem (N.T.: Fraternidade Rosa-Cruz), e os verdadeiros mestres reinantes deste mundo, essas pessoas estão mais enganadas do que o mais cru dos iniciantes neste caminho. O grupo deles é o pior, e, infelizmente, não é sempre a culpa deles. Para essas pessoas, eu farei muito esforço para desligar suas mentes e abrir seus corações para receber instrução prática. É por isso que eu aconselho a todos não se tornarem ligados demais a livros. Eu já li todos esses livros, e extraí seus pontos importantes em artigos no fórum do Veritas para o benefício de todos.

Isso não significa que a informação teórica é ruim. Um conhecimento sólido da filosofia oculta é necessário para que o mago compreenda tudo que faz. Ele deveria se orgulhar de conhecer todas as operações em funcionamento quando ele manipula um tipo de energia, e, quando uma operação mágica se manifesta, ele deveria ser capaz de explicar perfeitamente os mecanismos envolvidos. De fato, ele deve ser um cientista. Contudo, mais e mais pessoas se contentam apenas com o conhecimento da filosofia e o “como fazer”, sem nunca colocarem nada na prática, e, normalmente, sem terem ideia de como fazê-lo. Em muitas ocasiões, estudantes vieram a mim e disseram, “Eu li todos os livros que as pessoas me recomendaram, mas não tenho idéia alguma de como começar o caminho.” Isso acontece porque a estimulação intelectual somente não faz de alguém um mago, e, lá no fundo, o estudante inteligente sabe isso. A mente procura por fórmulas e símbolos; a alma busca por prática e experiência.

Que utilidade há em se conhecer como as estrelas afetam as nossas atividades, e não ser capaz de meditar por nem dez minutos? Que utilidade há em se conhecer todas as filosofias sobre quem Deus é, sem nunca experimentar Deus diretamente? Essas pessoas nunca se tornam nada na verdade, mas sim só aparentam ser magos. Você não pode alcançar o Reino através de inquisição intelectual somente. Você precisa viajar até lá.

O ponto ao qual eu quero chegar aqui é que o estudo intenso da Tábua de Bembine de Ísis, ou do selo da Rosa-Cruz, ou do dodecaedro mágico, etc, é incorreto. Eu não estou sugerindo que, por exemplo, a investigação das fórmulas do Etz Chaim e dos Nomes Divinos é inútil. Eu não estou dizendo que uma pessoa não deveria compreender os usos mágicos do pentagrama e do hexagrama. Do contrário, eu sou um forte defensor de tudo isso. Porém, tudo deve ser aprendido no tempo certo! Um aspirante não tem razão alguma para estudar os pentagramas, hexagramas, etc. Ele não deveria passar seus dias praticando magia ritual. Sim, com o passar do tempo isso gerará resultados no termo de crescimento de poder, mas afetará muito pouco a consciência e a realização geral do mago, depois, em sua carreira mágica. Por, pelo menos, os dois ou três anos iniciais, dependendo da aptidão do estudante, o foco deveria ser colocado no treinamento da mente, do corpo material, e do corpo astral para a verdadeira execução da magia. Uma vez que o estudante se preparou dessa maneira, e criou uma excelente base em sua consciência, então ele pode continuar, a fim de compreender e apreciar totalmente o poder de tal conhecimento e do simbolismo oculto.

A razão pela qual esses autores, embora não intencionalmente, cobriram o mundo ocultista ocidental em filosofia, é a de que eles nunca receberam o treinamento correto que deveria dá-los a base da experiência espiritual autêntica. Eles serviam como enciclopédias que regurgitavam o que eles foram ensinados. Juntos, eles criaram uma imagem contraprodutiva de que a prática diária não era necessária para se tornar um adepto. Eles se referiam a pessoas que nem tinham conquistado suas emoções primitivas e desejos como adeptos! Desse modo, eles baixaram muito o nível para as gerações seguintes, que seriam forçadas a olhar os ensinamentos dessas pessoass se quisessem saber alguma coisa sobre magia. Agora que o nível está tão baixo, as pessoas em geral são incapazes de alcançar grandeza espiritual. Portanto, esse nível deve ser elevado novamente, certo?

O que exatamente essas ordens estão fazendo de errado? Seus dois problemas principais foram que eles tentaram ensinar aos iniciados a correr antes de mostrá-los como engatinhar e andar, e eles não incluíram o desenvolvimento do caráter como parte de seu treinamento. O aspirante egoísta, glutão, e de pavio curto, entraria na ordem como neófito, e sairia como um “adepto” ainda contendo essas falhas de caráter. Eles são todos capazes de pequenos feitos de magia, e pelo fato de o nível ser baixo, pensam que são adeptos.

Muitas vezes o aspirante começaria a trabalhar com ritual e forças espirituais muito antes de ter aprendido a como sensibilizar seu corpo astral ou desenvolver suas faculdades mágicas. Através de repetição contínua, alguma proficiência poderia ser alcançada, talvez algumas pancadas fantasmais durante uma evocação ou coisa do tipo, mas o resto de seu ser nunca era desenvolvido. O caminho para a evocação deveria ser um caminho longo e frutífero, que preparasse o estudante de modo que, pela primeira vez que ele execute um ritual, ele receba a total experiência, por causa de seu treinamento e as faculdades que ele já desenvolveu. Pessoas que entram na sala ritual para evocar sem tal treinamento estão apenas enganando a si mesmas. Elas irão, é claro, ser as primeiras a te contar que são magas bem-sucedidas, e que elas conversam regularmente com esse ou aquele espírito. Eles dirão que “sentiram” isso ou aquilo, ou receberam essa ou aquela “impressão”, e desse modo “sabiam” que um espírito estava presente. Deixe essas pessoas continuarem desse modo em suas práticas. Na verdade, o que você pode experimentar em uma evocação real não são “sensações” ou “impressões”, mas fenômenos muito reais!

Quantos aspirantes perdidos pensam que executar o Ritual Menor do Pentagrama cem vezes por dia os levará às alturas espirituais? Até mesmo o mago aspirante que medita somente 10 minutos por dia para controle e foco mental fará um progresso em um ano que o outro estudante fará em cinqüenta!

A Segunda Razão

Manuscritos originais Sobrestimados

Um número das ordens populares que surgiram no século 19 estilizou uma parte de suas práticas e rituais, baseando-se em coisas que não continham, na verdade, o valor atribuído a elas. Desses manuscritos, talvez aquele que foi mais usado (e abusado) foi o Livro Egípcio dos Mortos. Embora seja uma bela série de rituais e de invocações, os fundadores de uma pretensa ordem oculta não deveriam precisar de se basear em antigos pergaminhos empoeirados e da interpretação de seus hieróglifos para serem capazes de ensinar magia! Se a fonte deles para muitas de suas práticas e filosofias vem de tais coisas, então isso só serve para demonstrar que eles não tinham experiência prática real através da qual organizavam seus ensinamentos, e não eram treinados por adeptos verdadeiros que podiam iniciá-los numa linha de sucessão de mestre e discípulo. Simplesmente o fato de se ler algo que está disponível num Museu de História Egípcia nunca poderia ser o suficiente para permitir que alguém iniciasse uma ordem ocultista.

O Livro Egípcio dos Mortos não foi a única coisa atacada pela ignorância dos autoproclamados adeptos, no entanto. Sua hostilidade os levou também ao coração de Jerusalém, onde eles se uniram, com suas facas, para despejar terror sobre a Cabala. Usando dois ou três textos hebraicos pobremente traduzidos, eles presumiram ter diante deles informação cabalística suficiente para uma compreensão do sistema inteiro. Assim sendo, eles roubaram uma pequena parte desse sistema glorioso de misticismo e a levaram de volta a suas ordens, onde eles tentaram ao máximo fazer com que um fragmento se parecesse com algo completo.

A Cabala ocidental moderna, frequentemente chamada de Cabala Rosacruz (erradamente), se tornou apenas uma fina camada de manteiga espalhada em muito pão. Interpretações e mais interpretações bombardearam o sistema, e o tornaram inteiramente sujeito aos caprichos filosóficos de intelectuais e estudantes de simbolismo. Agora, reconhecidamente, a beleza da Cabala é a de que ela é um sistema universal, cuja ideia pode ser aplicada fora do esquema judaico. Porém, tudo deve ter seus limites razoáveis, e esses limites foram ultrapassados há muito tempo atrás pela maioria dos autores desse assunto. Se você quiser relacionar a esse esquema os deuses de outras religiões, os nomes divinos judaicos, plantas, animais, ações, planetas etc, tudo bem com isso, mas essas relações deveriam fazer ao menos sentido!

A mais infeliz destruição da Cabala não ocorreu em relação ao simbolismo empregado ou a seu papel como um método de categorização conveniente. Embora essas duas coisas tenham saído do controle, elas não são a jóia da Cabala. A jóia, o verdadeiro tesouro, é sua real aplicação prática na ciência da magia. Essa jóia tem sido quase inteiramente esquecida por ordens modernas e autores, que proclamam que a aplicação prática da Cabala reside somente em se conhecer quais nomes divinos ou cartas de tarô correspondem a quais sephiroth e a quais caminhos. Esse é um dos usos da Cabala, mas não é a verdadeira essência da Cabala prática posta em execução. Em sua raiz, anterior a todas as culturas, num nível muito mais profundo do que qualquer associação religiosa, a Cabala é uma bela síntese de forma, de som e de virtude. Isso pode ser dito de outra maneira, ao se afirmar que a Cabala combina, numa maneira prática, os três pilares primários de quantidade, vibração e qualidade. Isso se torna aplicado tangivelmente como luz, som e vibração. Quando isso é compreendido pelo iniciado, então, muitas portas são abertas a ele, e o uso prático da Cabala é entendido. Então, em vez de passar horas num devaneio espiritual, tentando fazer “pathworking” de uma esfera para outra, o adepto consegue absorver praticamente as autoridades e poderes daquela esfera e conquistá-los diretamente, de uma maneira mágica. Não apenas tal abordagem é muito mais eficiente, mas, por causa do maior número de habilidades conseguidas, artigos de sabedoria que se tornam compreensíveis, e por causa de mais trabalho meticuloso em todos os três reinos, é, dessa maneira, uma experiência mais significativa. Passar tempo se contemplando os símbolos de uma esfera pode ser uma prática útil, mas torná-la o curso principal é um erro. A consciência se expande mais quando todo o ser se torna imergido nas energias através de suas utilizações, não apenas através de sua contemplação.

A Cabala e sua aplicação apropriada devem ser, necessariamente, reservadas para um trabalho posterior em minha vida, mas é importante para o estudante sincero da magia de hoje compreender que uma das pedras angulares da magia ocidental moderna foi enormemente corrompida, e que ela não é tudo que as pessoas tentam fazê-la parecer. É meu conselho ao aspirante, se ele deseja aprender a Cabala, que espere até que um professor apropriado seja conseguido. Deixo que o estudante avançado contemple, nesse meio tempo, o significado da sabedoria de Poimandres a Hermes Trismegisto, quando ele disse, “A vida é união da palavra e mente.” O estudante que consegue entender isso, mais especialmente em conexão à formula Abracadabra, começará a pegar a essência da Cabala prática.

Portanto, acontece que os fundadores das ordens mágicas eram, simplesmente, intelectuais. No início, eles só eram mais avançados que o homem comum, em vista de sua compreensão superior de linguística e sua vontade de visitar frequentemente os museus. Por causa de sua habilidade de apenas traduzir, não por sua proeza mágica, tais homens eram tratados como adeptos. Embora houvesse alguns raros, como MacGregor Mathers, que eventualmente se tornou um adepto por um curto tempo, em essência, a maioria deles era simplesmente de intelectuais. Intelectuais podem treinar intelectuais, mas eles não têm nem uma ideia de como criar magos.

A Terceira Razão

A Corrupção da Magia para a Realização de Desejos Pessoais

Quando se folheia livros sobre espiritualidade, e até livros que, supostamente, ensinam a evolução espiritual, descobre-se que a maioria dos ensinamentos espirituais se adequou à satisfação de paixões e desejos mundanos. Ironia peculiar, porque o indivíduo iluminado compreende que essas duas coisas (evolução espiritual e desejos materiais) não podem vir juntos, porque um é contraprodutivo à consumação do outro. Eu não consigo deixar de rir alto ao ler títulos tais como “Tornando-se um Mestre Ascencionado: Como Materializar Todos os Seus Desejos”. Seria igual a intitular um livro de “Tornando-se Elevado: Como ser Inferior.”

A poluição da tecnologia espiritual foi uma inevitabilidade quando alguns relances das leis espirituais foram obtidos pelas massas indisciplinadas. O homem normal, abatido pela tristeza, procura um caminho fácil de sair dela, e erradamente acredita que ele encontrou a alegria dentro dos salões da espiritualidade. Realmente, nada poderia ser mais distante da verdade. Essas pessoas, desejando modos de alcançarem facilmente todos os seus desejos mundanos e terem sucesso, glória, honra, riquezas etc, se trancam ao pequeno número de leis espirituais que foi publicado, nas esperanças de usá-las para seus próprios fins egoísticos. Eles lêem um livro que discute alguns dos pequenos mistérios, e então corrompem essas chaves para fins egoísticos. Se eles tiverem algum sucesso, eles ficam cheios de excitação e, ansiosamente, escrevem livros ou criam websites que pregam os bons ensinamentos do egoísmo. Desse modo, em apenas poucas décadas, a vasta maioria de livros “ocultistas” se tornou livros que prometem ao homem fraco e egoísta um caminho fácil, ao se usar leis ocultas básicas para abastecerem seu animalismo. As pérolas foram jogadas aos porcos, e, tão certo quanto o sol deva nascer e se pôr novamente, também os porcos pisaram sobre essas pérolas, aprofundando-as na lama.

Muito mais perigosos do que o homem de negócios ambicioso desejando modos de aumentar seu portfólio, ou do que aquelas pessoas em sofrimento que procuram por um modo fácil de sair dele, são aqueles que perseguem seriamente a magia prática e ainda assim a corrompem numa arte egoística. Eles proclamam, ignorantemente, “A Magia é uma ferramenta do homem, e deixemos o homem usá-la para conseguir tudo que ele deseja!”. Eles gritam orgulhosamente, “Faça como quiser, tudo é caos mesmo, e não existem repercussões negativas”. Tais pessoas cegaram a si mesmas a até a mais básica das operações, observada até na própria natureza. Elas são tão cegas, contudo, que nem percebem que suas “realizações” não são realmente mágicas. Elas são egoístas e egoísticas, e, realmente, executam apenas truques de salão. Elas ficam tão presas em suas ilusões de sucesso por terem sido capazes de ganhar um aumento de salário ou seduzir alguém que não percebem quão fracos e inferiores esses pequenos truques são. Quando essas pessoas, iludidas como são, passam para os mundos espirituais depois da morte física, eles percebem imediatamente o tempo que gastaram, e depois de servirem o seu tempo, voltam ao mundo para levarem uma vida mais frutífera. Por eles nunca terem buscado uma realização imortal, e não “construíram seu tesouro no céu”, eles não estão mais distantes no caminho supremo do que o homem mediano. Esse é um ponto importante, que todos aqui deveriam dedicar à memória: você NÃO CARREGA poderes mágicos com você para a sua próxima encarnação. Até que você alcance henosis, que é a deificação e a imortalidade do corpo astral, a única coisa que continuará a crescer e expandir, de uma vida a outra, é a sua consciência. Isso irá, naturalmente, carregar algumas siddhis, que são poderes inerentes, mas não os frutos de uma grande parte de seu treinamento mágico. O corpo astral cresce e evolui de uma vida a outra, como resultado de treinamento mágico, e discutiremos isso mais no futuro.

Por causa da obsessão com os pequenos mistérios, que podem ser aprendidos até antes de alguém ter alcançado um caráter iluminado, as pessoas se tornaram satisfeitas com o aperitivo e esqueceram até que a entrada principal exista. O resultado disso é que o termo “magia” tomou um significado ambíguo, que nunca pretendeu de ter: na mão esquerda, refere-se simplesmente à mudança de acordo com a vontade, e, na mão direita, significa a perseguição da evolução espiritual. Se o mundo fosse um lugar bom e o último significado de magia o mais bem conhecido, todos compreenderiam que a magia é uma maneira de se buscar Deus. Esse não é o caso, contudo, e o mundo é um lugar predominantemente egoístico. Assim, a mais comum compreensão do quê magia significa é fenomenalmente egoísta e corrompida. Através da graça de Deus, o século por vir verá uma evolução acontecer dentro do mundo da magia, no qual esse grande e glorioso caminho será exaltado à sua altura correta em seu mérito espiritual.

A Quarta Razão

Preguiça

Na medida em que a tecnologia avança e o mundo material se torna mais e mais uma parte do ser de alguém, as pessoas têm se tornado mais e mais preguiçosas. A preguiça, é claro, é um instinto diretamente conectado ao egoísmo, o qual vimos acima como um desejo dominante no modo com o qual as pessoas abordam a magia. Assim, a preguiça também é inerente na maioria das abordagens das pessoas à magia.

Hoje, as pessoas se acostumaram a ter tudo em suas mãos. O sucesso se tornou definido como se fazer o mínimo possível para alcançar alguma coisa. Pessoas ao redor do mundo, todos os dias, prefeririam passar dez minutos em busca de um controle remoto do que levantarem e ligarem ou desligarem a televisão em poucos segundos de esforço físico. Essas pessoas abordam a magia do mesmo modo. Querem saber onde o controle remoto para a evolução espiritual está, de modo que eles possam se ligar em Samadhi quando não estão muito ocupados para Deus, e então o desligam novamente quando eles têm coisas “melhores” para fazer. Do mesmo modo que se procura por um controle remoto, eles gastarão uma hora numa livraria procurando por um livro “torne-se um mago rapidamente”, quando o fato de se gastar até mesmo dez minutos daquela hora em meditação teria sido muito mais benéfico.

A profundidade do egoísmo da pessoa comum nunca cessa de me impressionar. Eu falo a eles sobre magia, e sobre se procurar Deus e evolução espiritual, e eles desistem porque soa como “muito trabalhoso”. As mesmas pessoas que não jogarão nem dez dólares para um dízimo também não darão a Deus nem dez minutos de seu dia. “Eu dou a Ele uma hora por semana todo domingo”, dizem para si mesmos. “Se isso não é bom o bastante para Ele, Ele precisa superar isso. Eu estou ocupado.”

A falta de habilidade de se perturbar a rotina usual de preguiça por até poucos minutos, por Deus, é precisamente o que muitos autores e os chamados professores pregam hoje. Eles ganham centenas de milhares de dólares ao escreverem livros especificamente criados para esse tipo de pessoa, dizendo a ela “É normal ser preguiçoso”. Nos olhos desse autor, é claro que é normal. Essas pessoas irão torná-lo rico!

Formas de magia que estão surgindo hoje estão refletindo essa preguiça. As pessoas estão tentando convencer outras de que a magia pode ser um esporte de um tipo fácil, e que tudo estará bem. O que eles estão ganhando? Eles estão convencendo pessoas de que magia não é real, porque, depois de tentarem essas tentativas preguiçosas e não verem nenhum resultado, proclamam que, uma vez, tentaram fazer magia e descobriram que era tudo mentira. Nunca diriam que talvez eles só estivessem sendo preguiçosos. O homem comum se levanta orgulhosamente e grita, “Eu, com certeza, não sou o problema!”.

Não espere ter uma boa colheita sem primeiro trabalhar o solo e cultivar as plantas com cuidado. Não espere ter uma boa refeição sem primeiro cozinhá-la. Não espere chegar a um lugar distante sem viajar até lá. O universo não é mau; mas ele não atenderá à sua egoística letargia.

A Quinta Razão

Egomania

A quinta razão que eu observei como fonte dos problemas de hoje na magia, é a egomania geral que infesta o mundo ocidental. No mundo de hoje, somos constantemente ensinados a sermos individuais, que ser único é o sonho humano, que você é especial e diferente de todo mundo, e que tudo isso é bom e verdadeiro. Infelizmente, o incorreto nessas autoafirmações é uma ligação fenomenalmente resistente à falsa percepção de quem se é. As pessoas se tornaram absolutamente investidas em suas cascas de ego que permeiam a parte mais externa de sua personalidade, e a defendem selvagemente.

Um dos medos mais comuns que as pessoas têm no que diz respeito à evolução espiritual é a perda de autoidentidade. Esse medo é baseado sobre duas percepções inteiramente falsas: a falsa percepção do que a iluminação é, e a falsa percepção de si mesmo. Quando esses dois se unem, um medo intrínseco surge, colocando muralhas entre a mente e a ideia de realização espiritual. Em algum ponto, as pessoas colocaram em suas cabeças que a destruição do ego é a destruição de sua personalidade, de seu caráter, e isso é, simplesmente, não verdadeiro. É, na realidade, simplesmente, a purificação do seu caráter, de modo que se eliminem os vícios e defeitos maiores, removendo-se assim o desequilíbrio espiritual. O problema real surge quando alguém é tão defensivo de sua personalidade que defenderá até mesmo seus vícios. Eles dirão coisas como “Claro, eu sou um mentiroso crônico, mas isso é quem eu sou, é assim que Deus me fez”. Tal ideia é inteiramente sem fundamento. Você não é um mentiroso crônico, porque, em sua essência, você é Deus. Apenas sua casca de ego mais externa é mentirosa, e não foi porque Deus o fez, mas por causa de suas ações que você, conscientemente, escolheu perseguir. Contudo, as pessoas não aceitarão isso.

Isso cai novamente no quarto problema, o da preguiça. As pessoas desejam tudo por nada, ou, se elas investem dez dólares, querem instantaneamente cem dólares de volta. Elas não acreditam que um relacionamento com Deus é um relacionamento recíproco, mas sim que é um relacionamento de “servidão”, onde Deus dá tudo, enquanto nós recebemos. Não funciona dessa maneira; nunca funcionou, nunca funcionará. Deus é um pai melhor que isso. Infelizmente, as pessoas prefeririam se apegar a seus vícios do que oferecerem seus aspectos negativos ao fogo alquímico para que sejam destruídos. A uma pessoa assim, o “ser único” é sempre mais importante que a Divindade. Existe esperança para tal pessoa? Você não pode ajudar alguém que não ajuda a si mesmo.

A falta de desejo de se sacrificar as falhas pecaminosas de caráter resultou não apenas na corrupção da magia, mas contribuiu grandemente à queda de um grande número de ordens ocultistas. No campo geral da magia, autores não treinados, que não são mais maduros do que uma criancinha de um ponto de vista mágico estão lançando livros que são absolutamente corrompidos por suas falhas pessoais. No campo das ordens ocultistas, os “adeptos superiores” são ainda crianças egoístas que tramarão vários dramas dentro da ordem, normalmente a fim de abolirem a autoridade do Grão-Mestre, de modo que possam competir com esse poder. Uma ordem ocultista genuína consiste de adeptos que ultrapassaram tais simples preocupações, e que nunca tentarão se elevar para prejudicar outras pessoas ou ao risco de prejudicarem um bem maior. Quando pessoas são permitidas a carregarem todas as suas falhas mundanas para uma posição de, supostamente, autoridade divina, o caos deve, necessariamente, resultar. Precisa-se meramente olhar a história do Papa para ver as evidências.

Deveria ser suficiente, nesse meio tempo, enfatizar que aspirantes nunca são postos em algum programa de lavagem cerebral que faz com que eles pensem e ajam de um modo determinado. Isso não poderia ser mais verdadeiro. Cada pessoa tem uma personalidade absolutamente única, e essa personalidade é uma expressão muito real do próprio Deus. Desse modo, todos são um avatar, uma manifestação de uma Personalidade Divina. A diferença entre uma pessoa comum e um santo realizado, porém, é a de que a pessoa comum turvou e sujou sua personalidade divina com uma lama imunda, enquanto o santo realizado poliu sua alma de modo que sua verdadeira personalidade pudesse brilhar. Você não é quem pensa que é! As pessoas acreditam que são tão velhas quanto seus corpos físicos, mas, na verdade, você é muito mais velho. Pelo fato de que a única personalidade que você pode lembrar é aquela em seu presente corpo, que tem apenas alguns anos de idade, você pensa que é você. A verdade é que você tem uma personalidade universal, uma personalidade muito única, sendo a única expressão total de Deus em essa forma exata, que esteve por aí por muito mais tempo do que o seu corpo. Deslocar a sua identidade de si mesmo da falsa percepção de seu corpo, para o supremo local de sua alma, é a meta da Grande Obra, a Verdadeira Alquimia. Para fazer isso, você deve remover gradualmente a lama que se acumulou como um grosso muco sobre sua alma, de modo que você se torne o você verdadeiro, em vez de esse você mortal e temporário. A personalidade que você tem neste momento tem todas as virtudes positivas da sua alma, mas você adicionou a elas os vários vícios e defeitos que você adquiriu nesta e nas últimas encarnações. A sua personalidade pode ser vista como uma parede cheia de buracos. A luz que brilha através desses buracos é sua personalidade real, enquanto o resto da parede é a imundície e o muco com o qual você se cobriu. A meta da sublimação pessoal é fazer com que o seu inteiro ser brilhe com pura luz.

Isso é, como muitos assuntos do oculto são, uma coisa difícil de ser explicada se usando a linguagem humana. Até com a explicação acima, será difícil, até para os mais inteligentes leitores, absorverem exatamente o que eu estou tentando dizer, até se pensam que compreendem. É algo que deve ser experimentado individualmente para saber, e, portanto, eu evitarei qualquer discussão compreensiva sobre isso.

A Sexta Razão

A Destruição da Sucessão de Mestre e Discípulo

A sexta maior razão para o deplorável estado da magia moderna é a destruição de uma linha de sucessão entre o guru e chela, mestre e discípulo. Quanto mais pessoas lançaram vários livros contendo os Pequenos Mistérios, mais pessoas começaram a, lentamente, substituir o mestre pela estante. Eles colocam em suas cabeças que, desde que consigam ler muito, nunca precisarão de um professor. Não é preciso dizer que essa abordagem raramente encontra sucesso. Por razões que já foram clarificadas, a vasta maioria dos livros de hoje é quase inteiramente inútil para alguém que esteja procurando por um meio prático e eficiente de autoavanço. Seu conhecimento pode crescer, mas sua alma normalmente não.

Uma razão para essa substituição, que deveria agora ser óbvia ao leitor, é o fato de que as pessoas hoje simplesmente não gostam da ideia de um professor, de um guru. Um mentor é, às vezes, bem recebido, mas apenas sob a exigência de que o mentor não seja saudado com muita apreciação, e a de que ele possa ser facilmente afastado. O ego da maioria das pessoas as leva a odiar a ideia de serem subservientes a um verdadeiro professor, por até mesmo pouco tempo, para assegurarem sua evolução espiritual. Isso as faria sentir menos sagradas que o guru, o que, de fato, elas são, e isso machucaria demais os seus egos. Dessa forma, elas não tolerarão isso.

Isso tudo fez com que muitos autores de hoje não tenham recebido treinamento legítimo de um professor verdadeiro. O conhecimento que eles apresentam em seus livros é, simplesmente, a mesma informação reprocessada que qualquer um poderia armazenar com tempo suficiente numa biblioteca, e eles, portanto, não se tornaram melhores que seus predecessores uma centena de anos atrás, os quais pensavam ser adeptos simplesmente por causa de sua habilidade de compilar a informação disponível. Tais autores, assim, começaram uma tendência que infectará totalmente os autores do amanhã, e, dessa maneira, solidificará essa tendência infeliz e autodestrutiva. Eu rezo seriamente para que, no futuro, mais adeptos que tenham passado por treinamento real nas mãos de um professor treinado dêem um passo à frente e passem os ensinamentos de seus mestres para o mundo. Até se isso acontecesse, cada livro deveria dizer dentro de suas páginas o que eu estou precisamente para dizer: embora o conhecimento ajude e ilumine a mente, a iluminação da alma deve ser recebida de um bom professor.

Por que você não pode fazer tudo sozinho? Por que você não pode ser aquele “lobo solitário” sobre o qual você ouviu falar? Aquele lobo solitário e durão que nunca precisa da ajuda de ninguém? Supere você mesmo. Você não pode fazer isso sozinho porque você nem sabe o que fazer ou onde começar, e se você soubesse, você não entenderia como fazê-lo mesmo assim. Se você pode derrotar o seu ego o suficiente para admitir isso, então você pode ainda ter esperança para o Reino de Deus. Se não, então você está muito mais interessado em si mesmo do que em Deus. Um livro pode sugerir lugares para começar, pode fornecer fórmulas e técnicas práticas (embora poucos, muito poucos o fazem) e podem até suprir uma rotina de treinamento completa. Até se você tenha esses livros memorizados, a quem você se voltaria quando um obstáculo surgisse que você não pudesse superar intelectual ou espiritualmente? Se você, embora com treinamento rigoroso, não visse resultados, como adivinharia o porquê disso? De qual lugar você receberia a informação que nunca foi antes publicada? Além disso, você seria forçado a aceitar a legitimidade de qualquer sistema de treinamento ou séries de informação, baseado inteiramente sobre a sua própria crença. Quando você tem um bom professor que está lhe iniciando diretamente, numa linha de mestre e discípulo, na magia genuína, então você tem alguém para se referir como um modelo e um exemplo. Você consegue ver quão efetiva essa abordagem à magia é, toda vez que você vê o seu professor. Através das ações dele, você pode decidir se o sistema é válido ou não. Dessa forma, o professor destruirá níveis de dúvida que, frequentemente, infectam pessoas que se submetem ao que agora é popularmente chamado de “autoiniciação”.

Neste ponto, nós dificilmente poderíamos continuar sem uma rápida consideração de uma jóia em particular, o livro O Caminho do Adepto, pelo Mestre Arion, Grande Iniciador Rosacruz, o S.F.C.R. (Sagrado Frater Christian Rosencreutz), que vocês conhecem pelo nome de Franz Bardon. Essa grande alma, um dos doze maiores adeptos mestres na inteira Fraternidade Branca, que governa particularmente sobre a iniciação, veio ao mundo em total Nirvikalpa Samadhi, na glória de seu corpo astral imortal, por toda a humanidade. Houve um grande sacrifício nisto.

Urgaya o invocou e ordenou que, enquanto estivesse aqui, ele lançasse ao mundo os primeiros três dos vinte e dois estágios de iniciação da Fraternidade Branca. Ele o fez, mas, do mesmo modo que Veos e eu fizemos, ele suavizou o sistema consideravelmente, para alcançar e ajudar o maior número possível de pessoas, enquanto tomava como estudantes pessoais aqueles poucos que estavam prontos para os ensinamentos mais sérios. O resultado desse serviço altruísta foram os três livros que ele escreveu, que foram feitos para levar o estudante até o ponto em que ele atraia um mestre espiritual que o inicie nos Grandes Mistérios. Embora essa trilogia seja excelente, particularmente seu primeiro livro, O Caminho do Adepto, eles ainda contém todas as inibições que um livro traz. Você não pode perguntar questões ao livro, não pode receber experiências espirituais dele, não pode chorar nos seus ombros quando o mundo parece ter se voltado contra você. O livro não irá assumir o seu karma para te ajudar, não limpará suas nadis e trabalhar nos seus chakras, não imergirá você, amavelmente, em sua própria aura. Acima de tudo, não servirá como um canal de mediação entre sua Kundalini pequena e a Kundalini Cósmica superior.

É minha convicção, baseada na experiência, que existe somente um tipo de pessoa que pode se submeter à autoiniciação com sucesso sem nunca ter tido um professor. Deve ser um adepto reencarnado que está simplesmente recapitulando seu desenvolvimento mágico de vidas passadas. Para tal pessoa, na medida em que ele aprende até apenas técnicas básicas, suas memórias mágicas começarão a, quietamente, voltar a ele, na forma de intuição acurada sobre como certas coisas deveriam ser executadas. Essa intuição mágica guiará suas ações, e sua alma guiará a consciência aos lugares corretos. Essa pessoa não precisa de um professor. Porém, a um tempo atrás ele certamente teve um, e se não tivesse sido pelo professor, ele nunca teria se tornado o adepto que se tornou.

A Sétima Razão

A Remoção de Deus da Situação

Na medida em que o mundo se torna, gradualmente, mais materialista, uma escuridão começa a envolver o intelecto de pessoas inteligentes. É um tipo de doença que dá a uma pessoa cegueira e a torna surda; de fato, deixa-a quase completamente insensível a qualquer estímulo. O nome dessa aflição, que paralisa e torna mudos todos os três corpos, é chamado Ateísmo. Quando algumas pessoas são afligidas por ele, tornam-se totalmente desafiantes contra todos os impulsos espirituais que sugiram a existência de Deus. Eles são uma ninhada de pessoas peculiar, sendo ignorantes ao grau de se tornarem engraçados aos olhos do iniciado.

Existe uma ninhada particular de ateístas que é mais divertida que todas as outras. É uma ninhada relativamente nova, que apareceu apenas neste século passado. Esse tipo de pessoa é um ateísta que acredita que fenômenos espirituais são, na verdade, fenômenos físicos num nível altamente refinado, e dessa forma buscam explicações para as coisas espirituais. Eles não negarão que as energias dos elementos, por exemplo, existem. Eles simplesmente pensarão em alguma teoria absurda e estúpida de como essas energias são apenas divisões de uma substância mental física, mas enormemente refinada, e que suas qualidades atribuídas são algum tipo de ilusão. Eles dirão que espíritos são as expressões externas de arquétipos subconscientes na psique, e sugerem que, quando eles são conjurados à aparência visível, tudo que está ocorrendo é autohipnotismo. Essa estranha espécie de pessoa fará tudo pelo motivo de ser capaz de sugerir que Deus não existe, que mundos espirituais não são reais, que não existe alma, etc, etc.

É óbvio ao iniciado que qualquer pessoa que se submeta ao treinamento adequado possa provar a si mesma além de qualquer possibilidade de dúvida que espíritos não são arquétipos pessoais, que mundos espirituais existem, que existem energias externas diferenciadas, que a alma é real e imortal, e que Deus é uma verdade eterna. Qualquer pessoa que sugere ao contrário está fazendo-o do ponto de vista da teoria e especulação somente, e não tem base prática na magia. Embora o iniciado devesse sempre mostrar respeito sobre a opinião da outra pessoa, de modo a não causar conflito imediato e desconforto, ele não deveria permitir ser persuadido por tais argumentos. Frequentemente, essas pessoas são ótimas em argumentar e debater, mas não podem fazer quase nada a esse respeito com magia verdadeira. Dessa forma, deixe-os falarem a si mesmos enquanto você quietamente volta a sua mente à meditação sagrada.

Isso precisa que consideremos um ponto importante, contudo. Apenas você, no fim, pode provar a si mesmo a realidade de todas essas coisas. Apesar de todos os meus poderes e siddhis, eu não posso fazê-lo. A mente animal duvidará da sua escolha de perseguir esse caminho a cada virada, e, acima de tudo, também tentará me fazer duvidar, não importa o que eu faça. Alguns exemplos podem ilustrar bem este ponto. Ano passado, quando eu estava morando com um grupo de oito aprendizes (com mais cinco visitando regularmente) num belo lote de 5 acres firmado entre árvores e invisível a todos os vizinhos ou à estrada, uma grande tempestade apareceu sobre nós. O vento uivava ferozmente, a chuva parou por um momento, e, então, no pátio próximo a nós, um tornado começou a descer. Os aprendizes, até Veos (até hoje eu brinco com ele sobre isso!) ficaram muito assustados. Na verdade, eu estaria assustado também, apesar da minha confiança para lidar com a situação, se eu não tivesse aberto meus olhos de uma maravilhosa hora de meditação profunda no momento em que o tornado começou a surgir. A mim, naquele estado elevado de felicidade, o tornado era apenas uma demonstração da natureza para ser amada e reverenciada. Apesar disso, eu me esforcei o suficiente para me convencer de que o tornado, tão próximo à casa, era uma coisa ruim. Eu me coloquei na direção da tempestade, com Veos ao meu lado e ajudando, e nós dois elevamos o tornado de volta ao céu e redirigimos a direção da tempestade para longe da casa. Isso foi feito com todos os estudantes assistindo. Em outra ocasião, apenas quatro semanas antes, eu usei um sigilo para criar uma chama sólida e negra no coração de um grande fogo ritual que todos viram e cuja realidade de sua presença atestaram. No momento em que começou a chover, por ele ser um importante ritual do fogo, eu chamei um espírito que me serve para nos proteger da chuva. A chuva parou, mas os estudantes logo notaram que estava chovendo em todos os lugares da propriedade, menos no lugar onde estávamos!

Eu estou relembrando essas coisas não para glorificar a mim mesmo, mas para ajudar a ilustrar este assunto. Embora eu demonstrasse essas aparentemente “maravilhosas” ocorrências, sem pouco esforço meu, eu rudemente exibia a magia aos meus estudantes como um prêmio por sua devoção duradoura aos meus ensinamentos, e, mesmo assim, essas coisas não preveniam suas mentes de, às vezes, duvidar que magia não existia. Pouco menos de um mês depois do incidente com o tornado, um dos meus estudantes melancolicamente veio a mim e confessou que ele estava tendo de lutar com a dúvida, porque ele nunca tinha visto antes um poder mágico. Numa classe do Veritas quatro anos atrás, eu tive um estudante para o qual, um dia, eu mandei uma mensagem e informei que ele estava desenvolvendo uma infecção de sinus. Sendo alguém que duvida por natureza, ele decidiu não tomar nenhum remédio. Quatro dias depois, ele pegou uma infecção de sinus, e, num instante, eu o curei da infecção completamente. Eu não consegui mais informações desse estudante, que terminou aquela classe como um estudante de magia muito devotado, por um longo tempo depois que a classe terminou. Eu descobri, poucos meses atrás, que, pouco depois da minha classe terminar, ele decidiu que eu era uma fraude e um mentiroso, e que eu não tinha habilidade mágica ou consciência elevada, e que ele estava convencido de que magia em si pudesse nem ser real.

Essas, e outras experiências parecidas, me convenceram de que não é o dever do professor fazer o estudante acreditar em magia, e, realmente, que o professor não é capaz de fazê-lo, não importa quais habilidades ele possa ter demonstrado. No final, a última evidência convincente que o estudante será capaz de usar para conquistar a dúvida de seu ser inferior é a evidência que surge de suas próprias práticas continuadas, as recompensas de sua fé douradoura em seu caminho.

Mas, voltando ao assunto à mão, é uma grande má sorte ao mundo dos aspirantes sinceros que esses mesmos ateístas estão realmente se juntando para formar sistemas de “magia” juntos, embora esses, na realidade, sejam feitiçaria astral no máximo. Ao fazê-lo, eles estão apelando aos lados animalistas e mundanos da consciência do ego que governa sobre os não iniciados antes de alma ter uma chance de se agarrar a algo significativo. Por tais sistemas de feitiçaria não terem nenhuma ênfase real na moral, por eles não terem ideia nenhuma de Deus ou de avanço espiritual, as pessoas estão se unindo para achar uma desculpa para praticar o que eles pensam que é magia sem ter de desistir de seus modos pecaminosos de viver. Tais pessoas adoram se ostentar, dizendo “Eu descobri que magia é tão efetiva sem o componente espiritual desnecessário”. Eu juro a todos vocês, pelo meu grande amor por essa ciência, que, nos meus anos de magia, eu nunca encontrei, nunca mesmo, nenhum estudante dessa escola de feitiçaria que poderia produzir até a mais simples das demonstrações mágicas. Eu nunca descobri um estudante dessa escola que possuísse alguma das faculdades mágicas a um grau demonstrável ou talvez significativo. Por quê? Porque eles estão praticando ideias, não verdades. Eles estão tentando fazer com que o universo satisfaça os seus próprios desejos egoísticos, em vez de quererem sacrificar qualquer coisa que seja para se tornarem magos reais.

A Oitava Razão

Charlatãos

À luz de todas as razões previamente mencionadas, deveria se tornar óbvio que charlatãos e fraudes naturalmente surgiriam. A falta quase total de iniciados verdadeiros e adeptos conhecidos às pessoas comuns tornou impossível se comparar uma fraude contra a coisa real. Os fraudadores, é claro, saberão isso, e usam isso ao seu favor. O fato de que existam tantos enganadores que se tornaram muito bem-sucedidos não sugere em momento algum que eles tenham alguma habilidade, mas, em vez disso, simplesmente mostra o quão mal informada e enganada a pessoa comum é nesses assuntos.

Bem como fizeram no início dos anos 1900, médiuns começaram a ir e vir e a escreverem pilhas de lixo para encherem as estantes das livrarias modernas. Essas pessoas, que são normalmente tão boas em enganar a si mesmas quanto a enganar os outros, lançam livro após livro. Eles escrevem centenas de páginas, e ainda, de alguma forma, não dizem nada nelas. Eles citam seres espirituais como a fonte de sua sabedoria, ou guias espirituais, ou animais totem, ou trevos de quatro folhas e tal nonsense. Embora eu ainda não o tenha encontrado, eu estou certo de que exista um médium por aí que alega receber instruções místicas de seu sanduíche de presunto. Não seria mais absurdo que as alegações anteriores. Embora, é claro, uma vez, eu tive uma conversa muito reveladora com uma garrafa de coca-cola, e um espírito decidiu, por uma razão qualquer, falar comigo numa voz audível que até os não iniciados poderiam ter ouvido.

Se tais médiuns estão de fato conversando com seres espirituais, então esses espíritos são muito misteriosos ou são muito estúpidos. Se esses médiuns estão conversando com guias espirituais, eles devem estar precisando despedir seus guias e encontrar novos. Em minhas experiências com seres espirituais, animais totem e guias espirituais, nenhum deles era tão mal informado quanto os desses médiuns. Dessa forma, podemos concluir que é muito provável que eles não estejam falando com nenhum dos acima, mas, em vez disso, que eu estou terrivelmente enganado, e que todos estão, na verdade, conversando com sanduíches de presunto. Se eles estivessem conversando com garrafas de coca, então, baseado na experiência, eu seria levado a acreditar que seus livros poderiam ter sido melhores.

Nada disso implica que todos os médiuns são fraudes. É, porém, um infeliz fato que a vasta maioria de fraudadores alegue ser médium, e, se o resto da comunidade de bons médiuns não quiser ser associada com esses charlatãos, então eles deveriam aparecer e lutar contra eles. Eu conheci vários bons médiuns em meu tempo, alguns deles naturais e outros treinados, portanto, essas declarações, de modo algum, se aplicam a esses tipos de pessoa. O leitor observador, porém, será capaz de fazer uma caminhada, achar uma estante de New Age numa livraria popular e ser capaz de ver precisamente de quais autores eu estou falando.

O grupo de médiuns impostores é apenas uma das duas maiores categorias de fraudadores na comunidade ocultista. Para a pessoa firmada em pensamento racional e com pelo menos alguma educação em literatura ocultista, os médiuns impostores são comparativamente fáceis de serem reconhecidos. Embora eles agarrem um número entristecedor de otimistas da New Age, os mais eruditos tendem a ficar longe deles. É, portanto, minha opinião que o mais perigoso dos dois grupos não é o médium impostor, mas o sim mago impostor.

O mago impostor é muito mais difícil de distinguir, e apenas alguém que é firmemente enraizado na experiência prática pode descobrir o disfarce. Existem autores que escrevem livros que fascinam seus leitores sobre simbolismo oculto, aparente conhecimento da Cabala, algumas correspodências ocultas etc, e mostram isso como se a experiência os tivesse levado a acreditar nessas coisas. Eu não estou falando aqui de meros ocultistas. Um ocultista é um filósofo, portanto ele se preocupa com as várias cosmogonias filosóficas, em vez de experimentar o lado prático da espiritualidade. Desse modo, é perfeitamente normal para um ocultista falar num nível puramente intelectual, igual ao filósofo. Não, eu não estou me referindo a esses autores, mas aos autores que criam um véu de suposto conhecimento experimental. Essas pessoas são geralmente indivíduos que aprenderam e, subsequentemente, praticaram apenas duas ou três técnicas básicas, e, então, se consideraram a si mesmos grandes magos. Eles escrevem livros sob esse propósito, e prescrevem ridículos regimes de treinamento para seus leitores.

Tudo isso naturalmente resultou numa situação na qual pessoas que queiram aprender magia, queiram comprar um livro e, por causa da probabilidade, pegarão um livro escrito por um autor fraudulento. Percebendo como pessoas que são completamente novas à magia não são tão sábias, elas acreditam em muito do que é dito, e assim a corrupção começa. Muitos desses aspirantes promissores vieram à minha casa por um curto tempo, e eu descobri que, depois de alguns anos de encherem suas mentes com tal lixo, eles se tornaram ligados demais a esses mundos ilusórios para serem salvos pela luz da experiência prática. Espero que, nas próximas vidas deles, suas almas levarão suas mentes a buscarem algo mais elevado.

A Nona Razão

O Silêncio dos Adeptos

Durante o período do Renascimento, e por um tempo após, houve um número de adeptos que escrevia. O advento do aparecimento público dos rosacruzes na Europa, por um pouco tempo, gerou informação suficiente para os autores discutirem por muitos anos. Pessoas como Paracelso, Agrippa e Francis Bacon forneceram suficientemente os Pequenos Mistérios às pessoas. Autores rosacruzes como Francis Bacon promoviam a iluminação intelectual das pessoas, como a Ordem Exterior Rosacruz (que eventualmente gerou a Maçonaria), focada primariamente no avanço espiritual através de conhecimento e de sabedoria em vez da prática. As práticas estavam presentes, mas eram normalmente ritualísticas e reservadas para dias especiais. Os exercícios mágicos verdadeiros eram mantidos para o próximo nível de iniciados.

Autores como esses forneciam tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. De um lado, as pessoas estavam engajando suas mentes, pela primeira vez, no feijão-e-arroz da magia teórica. Em vez de lerem sobre demônios e feitiços mágicos, eles podiam aprender sobre o magnetismo espiritual, o archeus, os éteres, a lei de atração, a lei do microcosmo, e por aí vai. Alguns dos Pequenos Mistérios mais básicos tinham finalmente se tornado disponíveis às pessoas. Isso permitiu que leitores da época checassem duas vezes os escritos de pessoas sobre ocultismo contra autoridades conhecidas. Embora fraudes e charlatãos estivessem ainda rampantes, eles não estavam se focando tanto nas contribuições literárias ao ocultismo e assim não deixaram uma impressão duradoura sobre aspirantes das gerações futuras.

Por outro lado, a explosão de informação intelectual sem uma fundação de trabalho prático levaria gerações futuras ao engajamento somente na filosofia, em vez de na magia verdadeira. Isso permitiria a todos que tivessem lido alguns livros a regurgitarem a informação em novos livros e chamá-los seus. Acima de tudo, deixaria muitas questões sem resposta nas mentes de muitos aspirantes sinceros, sobre onde começar e como avançar na magia. A tendência de alguns dos grandes magos do passado de não aceitarem discípulos diretos resultou numa falta de sucessão de mestre e discípulo, como foi falado anteriormente, e o fato de nenhum manual real de avanço na magia ter sido publicado resultaria em autores lançando livros em assuntos puramente teóricos, em vez de terem investigado praticamente suas ideias.

Nos últimos cinqüenta anos, quase não houve adeptos escritores, e até aqueles que escreveram algo normalmente não forneceram uma base prática para os leitores. Toda uma geração surgiu e desapareceu sem ter quase informação publicada confiável sobre magia. É claro, tudo isso aconteceu de acordo com a Providência Divina, e há razões exatas para os períodos históricos de silêncio que os adeptos escritores assumiram e assumem. Ainda assim, é importante considerar os efeitos desses períodos.

Os poucos adeptos que ainda estão por aí no hemisfério ocidental têm permanecido silenciosos, e talvez por razão, porque o dom de expressar ideias na linguagem escrita não pertence a todas as pessoas. Pelo fato de existirem tão poucos adeptos, existem poucos autores entre eles. Eu espero honestamente que, num futuro próximo, isso comece a mudar.

A Décima Razão

A Falta de Expansão da Consciência

A natureza incompleta das deploráveis desculpas de muitas ordens modernas para rotinas de treinamento resultou na quase extinção da real expansão de consciência entre os chamados iniciados. Seus estudantes recebem complicado “pathworking” e várias invocações para executarem, mas esses são meios tão indiretos de progresso que uma inteira vida de prática renderia pouco sucesso. Infelizmente, a lavagem cerebral de muitos aspirantes hoje os convenceu de que um conhecimento simplesmente experimental dos símbolos das esferas elevadas, e até seu funcionamento, é a realização de modos superiores de consciência. Isso simplesmente não é verdadeiro. Até se você colocar sua mente regularmente na contemplação de reinos nos quais vibrações são muito mais elevadas e puras que as suas, nunca se produzirão os mesmos resultados se você tivesse elevado sistematicamente sua consciência a esse nível. Isso dá um bom suplemento, mas não deveria ser a completa abordagem.

Existem duas principais maneiras de se expandir a consciência:

1) Imergir-se em energias, como em invocação ou viagem esférica.

2) A ascensão gradativa da Kundalini psicossexual da base da espinha e órgãos sexuais até o córtex cerebral.

Nenhum desses métodos resultará necessariamente na realização do outro. A ativação dos seis maiores centros inteiros da consciência na espinha não resultará no aumento de vibração no seu corpo astral, para se adequar às vibrações das esferas elevadas, e passar tempo em esferas mais elevadas não despertará automaticamente a Schechinah-Kundalini e despertar as fortalezas, de modo que ela possa entrar e estar com Elohim-Siva. No mago, ambos deveriam ser realizados. O primeiro é a deificação de si de fora para dentro, e o segundo de dentro para fora.

Até os sistemas de treinamento que utilizam pelo menos o primeiro método de ascensão da consciência, sendo o mais comum no mundo ocidental hoje, não prestam tanta atenção a ele quanto deveriam. Muito frequentemente, ênfase excessiva é dada sobre as habilidades mágicas, ou pelo professor ou na mente do estudante. A meta da magia se torna o poder, em vez da evolução da consciência pessoal. Quando nenhuma habilidade é conseguida, ou uma vez que a curiosidade científica do estudante seja satisfeita, o caminho para. É por essa razão que as escrituras orientais advertem tão ferozmente que poderes mágicos devam ser rejeitados, e não porque tais poderes são inerentemente maus. Os iniciados do Oriente compreendiam simplesmente que, se o estudante acreditasse, do primeiro dia de seu treinamento, que habilidades mágicas eram ruins, ele provavelmente não sacrificaria depois sua evolução espiritual por causa da tentação dessas siddhis. Ele não se distrairia. Na realidade, isso não é ruim, e o estudante é altamente encorajado a adquirir várias habilidades mágicas para manifestar a Vontade Divina mais efetivamente no mundo, mas isso deve ser abordado muito metodicamente e apenas de uma base muito bem estabelecida, com os motivos corretos.

“Pathworking” se tornou, infelizmente, o modo principal com o qual as escolas ocidentais tentam fazer com que seus estudantes expandam sua consciência, mas existem muitas desvantagens nisso. O estudante consegue captar uma compreensão intuitiva de esferas superiores ao elevar suas vibrações às delas diretamente. Quando ele tem um flash e uma visão de Tzaphqiel, ele percebe o simbolismo de Luna e de Hécate, e compreende o tridente e os quatro minotauros índigo que cercam o Templo da Deusa de Três Faces e o Homem Nu, e começa a acreditar que ele realmente elevou seu status espiritual à esfera de Yesod. A iluminação intelectual sobre simbolismo universal é confundida com realização espiritual legítima. O resultado é que o tolo que consegue superar as imagens do Demônio de Face de Cachorro e o Portador do Vinho no limiar do abismo intelectual acredita ter fatualmente cruzado esse abismo e emergido no outro lado como “Magister Templi” ou qualquer cargo sua facção possa ter designado para essa realização. A direção do simbolismo, e a natural habilidade da mente de entrar num modo de resolução de problemas, quando confrontada com a diversidade, levou, neste caso, a mente racional a uma série de equações lineares, resultando na compreensão de certos símbolos ocultos. Embora essa compreensão tenha um efeito positivo sobre o espírito, é quase uma blasfêmia dizer que essa estimulação intelectual sozinha pode ser considerada como uma cruzada do Abismo. Quando a respiração cessa, quando a pele se torna gelada e as suturas entre os ossos parietal e occipital do crânio ficam quentes, quando visões de anjos e personificações de Deus aparecem no olho da mente, quando todas as escrituras se tornam instantaneamente compreendidas, quando os joelhos de cada anjo e arcanjo se dobram em reverência, quando a aura se estende para encompassar um inteiro vale, quando a palavra se torna universalmente criativa, então saiba que o abismo foi cruzado. Procure o homem com o inteiro universo em seus olhos; ele é um deus.

Isso deve bastar por agora. O estudante terá agora uma sólida compreensão dos problemas no modo com o qual a magia é frequentemente praticada hoje, e, com esse conhecimento, ele pode escolher começar seu caminho com uma compreensão correta e a salvação resultante desta bela ciência. Eu forneci nesta aula meras linhas de direção pelas quais o estudante pode checar a si e àqueles que se chamam gurus. Busque o homem que fala da autoridade da experiência, e não da autoridade dos livros.

#Magia #Pessoal

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Psicologia Anomalística: Aliens, Alquimia e Ayahuaska – Ricardo Assarice

Bate-Papo Mayhem 212 – 29/07/2021 (Quinta) Com Ricardo Assarice – Psicologia Anomalística: Aliens, Alquimia e Ayahuaska

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