KaoGênesis: Manual de Magia do Caos

Magia+do+Caos

PDF, em EPUB ou adquira o exemplar impresso!

Com essa obra completa-se a trilogia, da qual também fazem parte o “Vias Ocultas” e o “Liber PPP”. Acompanhe os comentários do autor nessa postagem.

Tive a honra de escrever o prefácio de KaoGênesis. O livro me encheu de ideias, especialmente para testar novas práticas. Ao me deparar com pensamentos como esses me dou conta do quanto ainda tenho a aprender. Sempre fico entusiasmada ao descobrir conceitos tão criativos e sinto muito orgulho ao ver o trabalho dos caoístas brasileiros, com suas produções nacionais de encher os olhos.

Desejo-lhes uma maravilhosa leitura! Que lhes gere infindáveis inspirações!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/kaog%C3%AAnesis-manual-de-magia-do-caos

Resultados da Hospitalaria – Maio 2009

Ao todo, em Maio, foram 15 mapas e 10 sigilos.

– Os 7 sigilos/mapas que foram depositados em dinheiro foram destinados para a Cruz Vermelha, para o auxílio às vítimas das Enchentes. Não resisti e completei a doação com uma doação minha de 36,00, totalizando R$ 666,00 em doações.

Além disto, confira abaixo as Entidades auxiliadas este mês:

– Lar dos Desamparados

(rod. Marechal Rondon, km332 – Agudos)

– Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, em São José dos Campos

– Vila São Cotolengo (Goiânia)

– Educandário Lar do Caminho

Via de Acesso Professor Paulo Donato Castellani, s/n- Jaboticabal-SP

–Associação das Mães Solteiras da Vila Papirus da Cidade de Goiás – Estado de Goiás.

– Federação de Cultura Afro-Brasileira (FECAB)

– Hospitalaria da 5a regional GOSP
http://www.redecolmeia.com.br/mason/beneficencia.htm

Anunciamos que a campanha vai continuar enquanto tivermos gente disposta a ajudar, e quem quiser ainda pode ter o seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-maio-2009

O Caso de Ouro Preto – Vinte anos de Incompetência

Em outubro de 2001, a jovem Aline Silveira Soares saiu de Guarapari, no interior do Espírito Santo para a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Com apenas a roupa do corpo e alguns trocados no bolso, seu objetivo não era visitar as esculturas de Aleijadinho ou passear pela arquitetura colonial considerada pela UNESCO como um dos patrimônios da humanidade. Além de ser o mais belo monumento ao ciclo do ouro colonial, Ouro Preto também é uma cidade universitária, sede da Universidade Federal de Ouro Preto e coalhada de repúblicas estudantis, muitas delas com décadas de existência e tradições. Uma dessas tradições é a Festa Do Doze, que em todo 12 de outubro reúne alunos e ex-alunos da UFOP para beber e curtir nas repúblicas e ruas da cidade. Era para essa festa que Aline seguia, acompanhada apenas de uma amiga, Liliane, e sua prima Camila Dolabella.

8 anos depois, em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella entrou na sala do júri do Fórum de Ouro Preto para ser interrogada. Após ter amargado quase um ano na prisão, em 2005, e ter visto dois habeas corpus serem negados, Camila finalmente estava sendo julgada pela acusação de homicídio qualificado. A vítima seria sua prima Aline, que segundo a promotoria, teria sido assassinada por Camila, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, todos os moradores da república Sonata, onde as jovens se hospedaram para a Festa. A causa do crime seria um jogo de RPG, que Aline teria perdido, sendo punida com a morte… mais especificamente uma morte ritual, de acordo com preceitos satânicos.

O Caso de Ouro Preto está fadado a fazer parte dos anais do direito no Brasil. Não só pela violência do assassinato: Aline Silveira foi descoberta na manhã de 14 de outubro morta, nua, sobre um túmulo no cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo. A causa da morte seria engorjamento, uma facada fatal no pescoço. Mas o que se destaca é a completa incompetência, ignorância, má fé e os abusos perpetrados por aqueles que deveriam ser os fiadores da justiça no caso: o Ministério Público e a polícia de Ouro Preto.

Desde o começo a marca da investigação em Ouro Preto foi a combinação de inépcia e sensacionalismo. O caso caiu nas mãos do delegado Adauto Corrêa, na época sendo investigado por atentado violento ao pudor e coerção no curso de processo. Corrêa, este exemplar da probidade administrativa, não demorou para arranjar suspeitos para o crime. Logo arrolou como acusados em seu inquérito a prima de Aline e três jovens estudantes da república onde ela tinha ficado temporariamente hospedada. Em uma inovação do procedimento policial normal, o principal elemento incriminatório apontado pelo delegado não era a arma do crime, mas sim livros e postêres encontrados na república Sonata. Incluindo aí livros de RPG.

O RPG, ou role-playing game, foi inventado em 1974, nos Estados Unidos. Uma evolução dos então populares jogos de estratégia de tabuleiro, o RPG basicamente consiste de um grupo de jogadores que, trabalhando em conjunto e usando regras de jogo pré-definidas, tenta superar desafios propostos por um Mestre, responsável por narrar a história e organizar cada sessão de jogo. Com sua popularização, o jogo passou dar cada vez maior ênfase a interpretação, diminuindo o foco na estratégia e privilegiando o desenvolvimento de personagens. Uma das características principais do RPG é seu caráter cooperativo: os jogadores e o Mestre devem trabalhar em conjunto para criar uma boa história e garantir a diversão de todos. RPG não é competitivo, o que o tornou um jogo ideal para ser aplicado em processos educacionais em todo mundo. RPG também não é um jogo possível de se “perder” (uma vez que não há competição) e tampouco possui laços com satanismo.

Nenhum desses fatos importou para o delegado Adauto Corrêa. Desconhecendo os fundamentos do jogo de RPG, movido por intolerância cega e, talvez pressionado para apresentar resultados o mais rápido e espalhafotosamente possível (afinal de contas, até outro dia o principal réu nas páginas policiais era ele próprio) Corrêa decidiu que Camila, Edson, Cassiano e Maicon eram os responsáveis pelo crime. Corrêa estava suficientemente seguro de sua conclusão para poder se dar ao luxo de passar por cima e deixar de lado toda uma série de evidências, investigações e exames que seriam necessários para propriamente determinar o responsável pelo assassinato de Aline.

Corrêa, por exemplo, não levou em consideração o fato de que Aline mal tinha tido contato com Edson, Maicon e Cassiano. Apesar de estar hospedada na república deles, todos testemunhos concordavam que ela só dormia por ali, passando a maior parte do tempo pela cidade ou em festas em outra república, a Necrotério. Lá, testemunhas afirmaram que Aline passou tempo, isso sim, aos beijos com Fabrício Gomes, na época mal-afamado na cidade por um suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mais ainda, Fabrício Gomes e Aline Silveira teriam sido vistos em frente ao cemitério onde a jovem seria encontrada assassinada na manhã seguinte. Quando Camila Dolabella alertou o delegado Adauto Corrêa sobre o ocorrido, adicionando que Fabrício teria sido visto no dia seguinte à morte de Aline vestindo uma camiseta manchada de sangue, a resposta não foi promissora. Corrêa simplesmente anunciou que não queria saber de mais detalhes, pois ele já sabia quem eram os culpados.

Aline Silveira Soares foi localizada nua, com os braços abertos e pernas cruzadas, ao lado de roupas cuidadosamente arrumadas no chão, entre elas uma blusa coberta de esperma. O corpo tinha sido propositadamente arranjado dessa forma, fato evidenciado por uma trilha de sangue no local. Analíses toxicológicas revelavam traços de maconha no sangue da vítima. A investigação sob o comando de Adauto Corrêa não encontrou digitais dos suspeitos no local ou na arma do crime, econtrada próxima ao corpo. Também não comparou o esperma encontrado em Aline com o dos acusados. Na verdade isso seria impossível, uma vez que os policiais negligenciaram a coleta de material genético antes que ele fosse contaminado ou se deteriorasse. Tampouco foram localizadas drogas na posse dos acusados ou na república Sonata. Mas nada disso importava ao delegado Adauto Corrêa. Ele podia se dar ao luxo de desprezar evidências materiais e os testemunhos que contradiziam sua teoria. Afinal de contas, seu faro investigativo encontrava provas contra os quatro acusados em vários elementos considerados corriqueiros por um olhar não treinado. O fato de que Maicon Cassiano chegara a república Sonata naquela noite sem camisa, era evidência clara de que ele estaria fantasiado como um personagem de RPG. E, logo, era assassino. Embora não houvesse nada que indicasse que os acusados tinham passado pelo cemitério das mercês naquela noite, objetos tinham sido encontrados no local que poderiam ter servido num ritual. E se tinha havido ritual, os acusados tinham participado, afinal, para o delegado, eram todos obviamente satanistas. Outro elemento contundente contra os réus foi o fato de que eles terem limpado a república durante o curso investigação. Ignore-se que isso ocorreu quase uma semana após o crime, e que a polícia não tinha dado nenhuma instrução para que nada fosse alterado no local, apesar dos réus terem perguntado já nas primeiras horas do desaparecimento de Aline se deveriam preservar tudo intocado na república. Mas esse era justamente um exemplo do elemento mais incriminador de todos: o interesse dos jovens em desvendar o assassinato e ajudar a polícia só podia ser outra prova gritante de sua culpa. Como o delegado Adauto Corrêa sabia, criminosos sempre tentam agir como inocentes para despistar a polícia. Como o comportamento de Camila, Edson, Maicon e Cassiano denunciava a mais completa inocência, eles só poderiam ser culpados. Todos os quatro, apesar de que o laudo técnico deixava claro que as facadas em Aline tinham sido feitas por uma única pessoa.

A lógica tortuosa, irresponsável e perversa de Adauto Corrêa não avançou sem problemas. Após concluída a investigação, que indiciava os quatro jovens pelo assassinato, o caso chegou às mãos do promotor Edvaldo Pereira Júnior, que reconheceu prontamente a impossibilidade de dar seguimento aquele processo. Baseado em suposições, preconceitos e tentativas descabidas de fazer os fatos se conformarem à teoria (das mais mirabolantes), Pereira Júnior condicionou o seguimento do caso à realização de 17 diligências, que providenciassem alguma prova cabal, ou ao menos aceitável, sobre a culpa dos réus ou a identidade do assassino de Aline. Adauto Corrêa não realizou nenhuma dessas diligências, dando o caso por encerrado. Pereira Júnior tentou recorrer à Secretaria de Segurança Pública para afastar o delegado de seu cargo. Enquanto isso políticos oportunistas aproveitavam o caso para se promover, agitando a opinião pública e alimentando a indignação com boas doses de desinformação e mentiras. Um vereador chamado Bentinho Duarte passou uma lei proibindo o RPG em Ouro Preto. O promotor Fernando Martins iniciou processo contra as editoras Devir Livraria e Daemon tentando proibir a publicação de livros citados na investigação do caso. A mídia convencional se absteve de realizar qualquer trabalho jornalístico digno do nome e, seguindo a linha Fordiana de que se o factoide é melhor que o fato publica-se o factoide, deu ampla publicidade à teoria barroca de Corrêa, ao mesmo tempo que desprezava as hipóteses contraditórias. Apesar de se referirem aos réus como “suspeitos” ao invés de “assassinos”, o esforço de “imparcialidade” dos jornalões nunca atacou diretamente as óbvias irregularidades da investigação do caso nem contestou o caráter delirante da acusação. Enquanto isso, os quatro réus tentavam levar suas vidas, marcados pelo estigma de serem suspeitos de homicídio. Edson foi ameaçado de morte e trancou a faculdade. Maicon e Cassiano permanecerem em Ouro Preto, apesar da constante antagonização e assédio por parte de moradores da cidade. Camila retornou para Guarapari, onde passou a ser hostilizada pela família. Órfã de mãe, ela contou apenas com o apoio do pai durante todo o processo.

Em 2004, após três anos em que o caso esteve parado, ele saiu das mãos de Edvaldo Pereira Júnior e passou para a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca. Diferente de Pereira Júnior, que tinha se recusado a denunciar um processo tão eivado de inconsistências e sandices, Trócilo da Fonseca decidiu dar continuidade ao caso. Em 2005, Camila Dolabella e Edson Poloni foram presos. Quatro anos tinham se passado desde a morte de Aline, e nenhum dos acusados tinha apresentado qualquer atitude desabonadora até então. Edson saiu da cadeia após seis dias, sob efeito de uma liminar, mas Camila passou a maior parte daquele ano na detenção. Foi só quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça que a pena de prisão dos réus foi considerada descabida e lhes foi dado o direito de aguardarem o julgamento me liberdade, apesar das alegações do Ministério Público mineiro de que se tratavam de “contumazes jogadores de RPG, em todas suas modalidades“. Note que, até então, continuavam inexistentes qualquer evidência concreta de responsabilidade dos réus no assassinato de Aline Silveira. Eles estavam sendo presos e acusados por que tinham lido livros.

O caso permaneceu fora da mídia por alguns anos. Enquanto os réus tocavam a vida, a promotoria construía o caso e se preparava para o julgamento. Em 2006 a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca encontrou tempo para mandar apreender todas as edições de número 09 da revista Observatório Social, que denunciava na capa o uso de trabalho infantil nas mineradoras de Ouro Preto. A promotora se preocupava que as fotos expunham as pobres crianças, e afetavam negativamente a boa imagem da região… Mas, enfim. Em 2008 foi decidido que o caso de Aline Silveira seria levado à júri popular. Em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Gracia e Maicon Fernandes foram finalmente julgados pela acusação de homicídio qualificado. Na falta de prova contundente contra eles, a acusação optou por lançar novo ineditismo jurídico no direito brasileiro, ao sustentar que “o álibi dos réus era fraco”. Ou seja, não cabia à promotoria provar que eles tinham matado Aline Silveira. Eram os quatro estudantes que deveriam mostrar que não tinham cometido assassinato, ou serem presos. Contra eles pesavam diversas evidências “incriminadoras”: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies. Em 5 de julho de 2009, o júri os declarou inocentes.

Não se tratou aqui apenas da óbvia falta de qualquer prova contra eles. O decisão final dos sete jurados foi de que, efetivamente, os quatro réus “não concorreram, de qualquer forma, para prática do crime”. Os jovens que tinham passado quase uma década sendo coagidos, assediados, ameaçados, difamados e perseguidos não eram os assassinos de Aline Silveira Soares.

Teorias sobre o que realmente aconteceu não faltam, e já circulavam desde os primeiros dias do caso. A mais verossímel é de que Aline teria se envolvido com uma negociação de drogas, durante a Festa dos Doze, e, sem dinheiro, teria concordado em manter relações sexuais como pagamento. Não há indícios de violência sexual em seu corpo, o que demonstra a consensualidade do ato, comprovado pela perícia necrológica. Como a primeira facada em Aline foi em suas costas, tudo indica de que ela foi atraiçoada pelo seu parceiro de negócios. Este permanece solto e impune.

Os interesses escusos, a ignorância e o preconceito é que são os verdadeiros criminosos no caso de Ouro Preto. Foram eles que permitiram que por uma década quatro jovens inocentes fossem perseguidos injustamente, sendo até mesmo privados de liberdade e forçados a fazer inúmeros e pesados sacrifícios pessoais. Foram eles que deram ao verdadeiro assassino de Aline Silveira, um homem brutal e cruel, um passe livre para permanecer à solta. Em uma sanha cega e irresponsável de achar um culpado a justiça de Ouro Preto falhou miseravelmente, e duas vezes: não puniu o culpado e vitimou mais inocentes. Esse tipo de atitude, ignorando procedimentos básicos do processo legal, atropelando direitos civis e apelando para o ódio e a intolerância como elementos de incriminação, não é compatível com o Estado de Direito. Eu não contei essa história aqui hoje para inocentar Camila, Edson, Cassiano e Máicon. Coube ao tribunal do júri fazer isso. Mas para tomar a atitude digna e necessária de todo cidadão: exigir a imediata investigação e punição dos responsáveis pelo caso do assassinato de Aline Silveira Soares. Sua irresponsabilidade e malícia, sua truculência e abuso de poder não podem, nem devem ser perdoadas, nem as sérias acusações de acobertamento dos verdadeiros responsáveis devem ser relevadas. Isso não pode ser permitido.

Os inocentes estão, enfim, livres. É mais que hora de punir os culpados.

Por Felipe de Amorim

#RPG

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As Religiões UFO – Leonardo Martins

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Thelema, Devoção e Gnosticismo – Com Tau Nahash

Bate-Papo Mayhem 244 – 19/10/2021 (Terça) 21h30 – Com Tau Nahash – Thelema, Devoção e Gnosticismo

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#Batepapo #Thelema

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Canibalismo nu, cru, cozido e ensopado

O texto que segue trata-se de um verdadeiro “manifesto canibal” e é parte de um material recebido pela Morte Súbita Inc. no início de outubro de 1999, além da carta outros documentos traziam relatos de pessoas que supostamente eram adeptas do consumo de carne humana.

Assim como o clube dos Apreciadores do Assassinato descrito por Quincey e a Murders Inc. americana, este grupo parece se reunir ou ao menos possuir uma rede de comunicação onde trocam impressões sobre o que é citado como “o ritual”. A diferença entre esse grupo em especial e os supracitados é que este é um grupo brasileiro. Vale ressaltar que pesquisas da nossa equipe não encontraram quaisquer fatos que comprovem a real existência deste grupo.

Do Canibalismo digno enquanto Ritual

E assim, tudo ficou claro novamente. É sempre dessa forma que acontece. A convivência demasiada com seres humanos e suas mesquinharias acaba deixando o mundo ao meu redor cada dia mais insuportavelmente obscuro. Engana-se quem pensa que refiro-me à minha sina, quem espera que eu descreva como suporto bravamente o insuportável dia após dia.  Não, meus senhores. Este texto trata exatamente do oposto. Nele, falo do meu prazer, do meu ritual. Trato desse assunto como poucos, com a importância e o respeito que merece. Que eu mereço. E eu mereço uma boa refeição.

Sobre a indignidade da alimentação exofágica

Observo as pessoas em sua grande maioria. Sim, preciso falar dessas pessoas, peço licença aos senhores para discorrer brevemente sobre elas antes de entrar no meu precioso assunto. Como é bom assistir esses tolos intoxicando-se. A hora do almoço e a hora do jantar. Seus pequenos lanches fúteis. É tempo de descanso, são pausas dignas do trabalhador antes de voltar à lida e depois de um árduo dia de trabalho. E o que essa raça faz com esse tempo?

Engole vorazmente as piores espécies de tranqueiras enquanto conversam com pessoas que não suportam, assuntos que desprezam. Olho para aquele talher infectado entrando e saindo daquela boca que não espera o conteúdo ser completamente mastigado e engolido para voltar a movimentar sua língua opaca de consistência e cheiro repugnantes  a fim de que sua voz torne-se novamente ouvida por seus companheiros de mesa que repetem exatamente a mesma atitude ao mesmo tempo. Uma interrompe a outra e ouve-se  o tempo todo mais de uma voz, uma em cima da outra e todas derramando o conteúdo da cavidade que forma a primeira parte do aparelho digestivo.  Reparo também na louça. Louça digna de porcos. Reaproveitada infinitas vezes por todos os tipos de pessoas. E muitos se sujeitam ainda ao aparelho de jantar que consiste em uma embalagem de papelão e um guardanapo cuja serventia é abrigar aquele conteúdo infecto, até que este se esgote.

Já pensaram a que se deve tamanha falta de respeito com os próprios corpo e alma?

Envenenam-se com carnes  inferiores, legumes nocivos, substâncias químicas fétidas e tudo regado a diálogos com teor invejoso, perverso ou no mínimo, assuntos completamente irrelevantes. Muitos fazem questão de gastar e investir na aparência externa, sustentam um status de sucesso. A cada dia apenas confirmam minhas suspeitas de que o fazem por se envergonhar de seu interior.

Não se importam  com o que lhes toca a língua, gasta os dentes, é empurrado garganta abaixo, digerido, excretado. Desrespeitam total e completamente o aparelho digestor, todos os dias, mais de uma vez, colocam-no totalmente à disposição de um conteúdo que me recuso a chamar de alimento. Buscam apenas encher o estômago para que a sensação de fome deixe de ser um incômodo. Não saciam aquilo que desperta nossos sentidos, apenas se entorpecem para que deixem de se sentir incomodados.  E disso é composta a mesquinharia que me sufoca. A massa humana que não se dá o devido valor. Não valoriza o organismo perfeito que generosamente lhe fora dado.  Essas pessoas estão involuindo.  Tornam-se a cada dia, mais similares aos animais que insistem em fazer de combustível que os mantém vivos. Fico feliz que queiram se mater vivos.  Esquecem-se de suas origens, deturpam seus costumes. Sim, estou com o pensamento egoísta que quer carne fresca transitando por ai tempo à perder de vista. Tempo que com a ajuda da procriação descontrolada a torna infinita. Carne fresca infinita para aqueles que sabem apreciar.

O que me preocupa é a qualidade. Acredito que os reflexos desta alimentação infame sejam sentidos não apenas nas mentes, mas a longo prazo, na qualidade genética e na própria carne humana.

Sobre a sistemática conspiração contra a Antropofagia

Retomo assim meu tema, meu ritual, meu conforto, meu retorno ao sagrado, o momento em que tudo volta a possuir clareza.

A qualidade da carne humana me preocupa. A qualidade do meu alimento me preocupa, não me alimento todos os dias. Lamento muito que as coisas tenham tomado esse rumo. Não acredito que todos mereçam o ritual, mas gostaria que fosse diferente. Não escondo que me divirto com esses seres infelizes, alienados, guiados pela ignorância, mas gostaria sim, que essa raça se elevasse e a sociedade finalmente encontrasse seu equilíbrio.

A iluminação de todos está justamente naquilo que desprezam. Desprezam, pois não atingiram a iluminação. O círculo vicioso, a mediocridade viciosa.

Estão presos. Foram fisgados pelos nobres parasitas. Poucos conseguem transcender essa moral imposta sem ajuda externa. Os interesses da minoria foram tão bem protegidos, que o preconceito ao canibalismo  impregnou-se no DNA humano. É preciso libertar-se.

O parasita alimenta-se do seu hospedeiro, mas é necessário cautela. Suga o suficiente para manter-se vivo, sem lhe retirar totalmente o alimento. Se isso acontecer, mata sua fonte, consequentemente, bebe do cálice amargo da morte. É assim que a maioria dos seres humanos vêm sendo manipulada há séculos.

Fizeram leis. o ritual é considerado crime de mutilação e profanação de cadáver. Tornaram-no imoral aos olhos da sociedade, implantaram a idéia de ser um um ato repugnante e de desrespeito ao ser humano.

Sobre a qualidade da carne humana

Porém,  meus senhores, os homens que estão na posição de comando, aqueles que de fato tem poder, alimentam-se todos os dias.  Diferente da maioria das pessoas, são muito bem nutridos de alimento da maior qualidade. Refiro-me a senhoras e senhores que apreciam a arte de se alimentar. Fazem questão dos melhores cortes, da carne mais apropriada, da bebida perfeita e obviamente, da louça mais sofisticada.

Faço questão como eles, porém, não posso me dar ao luxo de fazê-lo todos os dias. Não possuo troupeau1 como eles supostamente possuem. São apenas rumores, não tenho conhecimento de provas da existência de tal acordo, porém, adoro pensar nisso. Reflito em êxtase sobre cada detalhe. Cada indivíduo ansioso com a certeza do dia que estará lá; bela; fatiada. O corpo decorado com as mais requintadas iguarias, na melhor porcelana. Espetada pelo talher reluzente segurado pelas mãos generosas do seu senhor. Entrando boca a dentro, tendo sua carne triturada pelos dentes saudáveis, tocando a língua de cor forte, treinada a lidar com o alimento de primeira, descendo garganta abaixo, suavemente. Cumprindo seu propósito no ato íntimo, puro. Passando a viver eternamente a partir daquele ser vivo que tanto adora. É o ápice de suas vidas.

Nada pode ser menor. Têm que garantir a satisfação plena para seus senhores. Passam a vida alimentando-se de nutrientes energéticos e água, além dos chás preparados com ervas especiais que previnem de doenças e melhora o funcionamento do organismo. É obrigatório também a ingestão de uma certa quantidade de canela por semana. A canela altera o gosto do sangue e dos tecidos.  Quem não possui paladar sofisticado provavelmente não nota a diferença, mas para os apreciadores desta arte, a canela faz a diferença. Não fazem exercícios físicos em demasia, pois os músculos definidos e desprovidos de gordura não possuem consistência nem sabor agradáveis. O exercício porém é indispensável para manter o corpo sadio e o cérebro funcionando na melhor forma. Gourmets especialistas em cérebros humanos defendem a tese de que o sedentarismo prejudica a consistência e o sabor do cérebro.

Do canibalismo historicamente intrínseco da humanidade

O canibalismo corre em nossas veias. Nossos ancestrais eram canibais. Eram sábios. Tinham também, a alimentação como ritual.

Uma fogueira, um caldeirão, pedaços grosseiros de carne humana  jogados na água fervente, música e dança.  Era assim que o realizavam. Essa imagem se instala na cabeça das pessoas como negativa e as fazem ter asco do único alimento perfeito. O ritual evoluiu. Os cortes e modos de preparo ficaram sofisticados, a estética não mais assusta. É como todos os costumes da humanidade.  Porém, somado a essa estética antiga que causa repulsa, os homens do controle usam inúmeras inverdades para manter o ritual longe das massas. Inverdades que não esquecem de reafirmar o tempo todo, de todas as formas. Desde canibais serem necessariamente assassinos ( qurem uma vulgarização mais grosseira do que o canibal que ficou famoso nos cinemas, protagonizado por Anthony Hopkins? ), a ligar diversas doenças ao ato e até mesmo negar a o fato dos australopitecos serem ancestrais da raça humana.  No nosso mundo, os valores estão ivertidos. Não só nesse, como em muitos outros campos. O valor da morte por exemplo. A morte passou a ser demérito.  Campbell em ” O poder do mito” cita uma espécie de jogo maia, onde o capitão da equipe vencedora tinha a cabeça decepada pelo da equipe perdedora.  “Nesse ritual maia, o jogo consiste em tornar-se merecedor de ser sacrificado com um deus.” Os ganhadores de hoje, são os sobreviventes. São aqueles que ganham a maldição de vagar mais tempo no vazio de suas existências.

A evolução da humanidade, assim como os verdadeiros valores,  passou a ser exclusiva para os poderosos, assim, esses a manipulam com menos dificuldade . Enterrar os mortos é mais um exemplo do que digo. É a perda da praticidade. Há cerca de 40.000 anos, a tendência religiosa trouxe consigo a necessidade do culto. As comunidades primitivas , peninsulares e agropastoris, cultuavam a fertilidade e a agricultura. Passaram então a alimentar o solo com a carne de seus iguais, pois acreditavam que a carne superior traria fertilidade à terra, tornaria seus alimentos superiores. Sutilmente, o telefone-sem-fio de nossa história, ignora o culto ao solo, ao auto desenvolvimento, e adota o culto aos mortos como origem do costume de enterrar parentes e amigos mortos.  A superioridade da carne dos entes queridos é substituída pelos espíritos  destes. Como podemos chamar de homenagem aos mortos, deixá-los apodrecendo, servindo de comida para vermes? Os senhores conseguem ver algum sentido nas terras devastadas para tornarem-se abrigo de defuntos? Nos esquecemos daquilo que poucos parecem se lembrar hoje. Os nativos americanos ainda se lembram das histórias antigas onde jovens ornados de plumas verdes eram enterrados para que surgisse alimento para a tribo, ou as lendas polinésias onde o homem emplumado surge para uma garota e lhe diz como deverá ser morto, decaptado e ter sua cabeça enterrada para então surgir árvores com frutos para todos. O milho e o coco, na América e na Polinésia, respectivamente, eram enriquecidos com a carne daqueles que se sobressaíam dentre os irmãos e irmãs tribais, os alimentos que fizeram o homem deixar de se comportar como um animal para se organizar em sociedades.

Sobre a dignidade dos falecidos entes queridos

Não entendo por que deixam de homenagear os queridos parentes e amigos revivendo-os dentro de si, alimentando-se deles, dando-os a última honra de nutrirem àqueles a quem amaram ao invés de vermes. E as flores? Que raio de gente coloca flores em cima de uma moradia eterna? As flores murcham rápido. As flores morrem junto com o morto.  Apodrecem como o corpo na terra. Acredito que os senhores concordam comigo. Acredito no bom senso. A não ser que sejam comerciantes da morte. Sim, caso meus caros senhores estejam ligados a esse comércio, certamente julgam-me desprovida de senso. O comércio da morte alimenta hospitais, funerárias, cemitérios, floriculturas. Todos que estão ligados beneficiam-se da dor da perda. Acabar com esse comércio significaria uma grande crise na economia mundial.  É imoral, mas, defendo. Não são meus queridos mesmo.

Meus queridos eu trato de forma diferente. Jamais conseguiria conviver com a idéia da carne que eu amo apodrecendo. Foi com muitas lágrimas que devorei quem eu mais amei e assim será com os próximos. Lágrimas de saudade, de respeito, de culto. Minha ultima homenagem aos meus queridos. Mesmo os que não amei vivos, os que não conhecia, quando compõem, junto ao melhor vinho e a melhor louça, meu banquete divino, são amados. Profundamente amados, desde o corte até a excreção. É com amor que sinto o gosto sublime e ímpar que cada um possui. É com amor que sinto a consistência perfeita, que sinto a carne partindo-se nos meus dentes, acariciando minha língua, descendo suave pela minha garganta; os recebo com muito amor em meu sistema digestivo perfeito. E assim, tudo fica claro novamente. É a clareza de minhas vistas e de meu espírito. É a paz. O momento único que torna-se eterno em segundos.

Da diferença entre crime e ritual

Não se confunda canibalismo com homicídio. Não podemos sujár o ritual com coisas pequenas. Não pode ser vício nem costume. Nunca entreguei-me a nada disso. Entregar-se a essas coisas, diminue o ritual e muda o foco. Já vi pessoas grandes e nutridas caírem por causa de tais domínios. O foco deixou de ser o ritual para tornar-se o assassinato. Adquirir o alimento tornou-se mais importante que alimentar-se. O assassinato é coisa de animais. Ai está a ironia. O consumo de animais nos torna como animais. Nos torna assassinos. O consumo leviano de carne humana nos leva ao assassinato tal e qual. Não existe lugar dentre os puros para desajustados, são como cães que sobem à cata de restos de carne na mesa de seus senhores, e como tais devem ser tratados e punidos. Nós, seres evoluídos, temos uma responsabilidade muito grande. Não somos compreendidos, temos todas as desculpas, mas não podemos fraquejar, não somos como nossos rebanhos. A continuidade da raça sublime depende de nós. Nosso alimento nos garente a sobriedade e a clareza. Assim, seguiremos nessa sociedade em minoria. Menos predadores do que presas. Presas que cada dia tornam-se mais inferiores. Até quando serão o alimento perfeito? Os senhores sabem o quanto essa questão me preocupa: quanto tempo até que a degradação de nosso alimento nos leve a olhar uns para os outros quando necessitarmos de bálsamo para a alma. Até quando essa raça involuída viverá seus cotidianos medíocres, usando falsos valores e pequenas esmolas que chamam de luxo para encobrir o vazio de suas almas, a ausência de sentido em suas vidas e a podridão que habita seus organismos? Até quando, não sei. Provavelmente sempre. Provavelmente até o dia de virar alimento. De vermes ou de homens.

Senhores, está tudo claro. Estou no meu momento. A lucidez de meu ritual  fez com que eu consguisse discorrer sobre meu assunto. Não os julgo dignos dele. Não os julgo dignos de compartilhar meus momentos, minha grandeza ou minha sabedoria. Não estou tornando isso público por piedade, ou para sentir-me caridosa. Torno meu texto público, por julgá-los incapazes de compreendê-lo.  Liberto assim, a minha paz interna.

Marrie Della’rubra

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/canibalismo-nu-cru-cozido-e-ensopado/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/canibalismo-nu-cru-cozido-e-ensopado/

Resultados da Hospitalaria – Agosto 2009

Ao todo, em Agosto, foram 27 mapas e 17 sigilos. Em especial, eu queria agradecer e parabenizar a Hospitalaria da ARLS Madras, 3359, por ter feito a doação de uma cadeira de rodas especial (no valor de 2.500,00) para uma criança da AACD cuja família é extremamente carente. Em um único dia de tronco de beneficência (convocado especialmente para este fim), recolhemos quase R$ 1.800,00 em doações dos maçons (e dos leitores do blog). São irmãos como estes que me deixam extremamente feliz em fazer este trabalho de estudos e pesquisa aqui no Blog do TdC.

Entidades auxiliadas este mês:

– Grupo Espírita Amor ao Próximo, em Recife/Jaboatão

Localizado à Rua Zelindo Marafante, 45 – Piedade – Jaboatão dos Guararapes – Pernambuco , telefones (81)3462.1785 e (81)3341.5859

– Asilo Vivência Feliz, em SP (fraldas geriátricas)
http://www.vivenciafeliz.org.br/index.htm

– Grupo de assistência à criança com câncer (GAAC) – São José dos Campos
http://www.gaac.com.br

– Instituição “Asas Brancas”
http://www.asasbrancas.com.br

– Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da Loja Madras, 3359

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

Se vocês puderem ajudar divulgando o blog e o projeto, eu agradeço.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-agosto-2009

Para ser feliz (parte 1)

No Taiti, uma das belíssimas ilhas da Polinésia Francesa, Everaldo Pato está içando as velas do seu barco com a ajuda do amigo, da esposa e da filha. O cenário é deslumbrante e, logo após, o barco começa a velejar por um mar cristalino, num clima paradisíaco. Isso tudo filmado e registrado para o novo programa do Canal OFF, da TV a cabo, chamado Nalu a Bordo.

Everaldo é surfista profissional e já rodou as mais belas praias do mundo atrás da dança que o oceano faz quando encontra a praia. Como tantos outros surfistas do circuito profissional que envelhecem e têm filhos, ele poderia simplesmente voltar ao Brasil e criar Nalu, sua filhinha, de maneira convencional, numa escola erguida no seu país natal, e não numa ilha estrangeira, mas para ser feliz, para realmente ser feliz, Everaldo sabia que precisava continuar bailando com o mar pelo maior tempo possível.

Não foi da noite para o dia que o seu sonho se tornou possível. Foram anos de preparação. Nalu, a filha pequena, precisou estudar anos no Havaí para poder se adequar totalmente ao inglês, uma vez que teria de continuar seus estudos online, direto do barco. Fabiana, a esposa e cinegrafista do programa, precisou acompanhar a ambos na aventura, e abandonar as comodidades de poder viver e criar uma filha pequena numa cidade relativamente grande, abastecida de escolas, parques e shoppings…

Mas em busca dessa tal felicidade que escorre pelos dedos como a areia das praias do Taiti, eles se sacrificaram, e ninguém poderá dizer que não merecem a felicidade que conquistaram. No entanto, é até estranho de se pensar, mas mesmo velejando na Polinésia, distantes das notícias de guerras, de terrorismo, de corrupção e crises econômicas, mesmo nesse paraíso, nenhum deles parece conseguir ser inteiramente feliz todo o tempo. Claro, Everaldo mostra estar em êxtase quando desce as ondas em sua prancha, e sua mulher é a cara da felicidade quando contempla sua filha crescer, literalmente, conhecendo o mundo. Mas eles são adultos, e adultos dificilmente estão felizes todo o tempo.

Com a filha, Nalu, já não é o caso. Como tantas outras crianças que cresceram com pais amorosos e carinhosos (e não apenas as que velejam o mundo), ela parece ter chegado a este mundo com um manual de como ser feliz todo o tempo. Mas, como infelizmente sabemos, tal manual, um dia conhecido por tantos de nós, também será esquecido…

Não é que Nalu não passe por momentos de dor e tristeza, mas é que eles parecem ser raros, e bem compreendidos pelo que de fato são – algo passageiro, pois há sempre outra brincadeira mais adiante. Em As Leis, sua obra mais extensa, e que deixou inacabada, Platão nos esclarece muito bem tal questão:

Quando crianças as primeiras sensações pueris a serem experimentadas são o prazer e a dor, e é sob essa forma que a virtude e o vício surgem primeiramente na alma; mas no que concerne à sabedoria e às opiniões verdadeiras [aletheia], um ser humano será feliz se estas o alcançam mesmo na velhice, e aquele que é detentor dessas bênçãos, e de tudo que abarcam, é de fato um homem perfeito. [1]

O filósofo grego acreditava nisso que nossa intuição tenta nos mostrar todos os dias desde que aqui desembarcamos, isto é, que na experiência imaculada das crianças tanto o prazer quanto a dor são melhor discernidos do que na vida adulta, pois que, de alguma forma, a sua percepção da verdade [aletheia] ainda não foi esquecida, ocultada, perdida, como ocorre com a maior parte dos que vivem por muitos anos nesse mundo brutal que entorpece os sentidos, engana a alma, e por vezes nos faz confundir o que é dor e o que é prazer. Assim, nos perdemos do que poderia nos conduzir a virtude, ou seja, saber discernir o prazer da dor, e poder, como as crianças,  optar por ser feliz todo o tempo.

Everaldo Pato não é filósofo e muito menos um homem perfeito, mas quando desce as ondas com sua tábua de resina, e baila com o próprio oceano, ele não está mais preocupado com a audiência do programa, com as notas da filha, ou com a sua conta bancária. Por breves momentos, sob o sol do Taiti, Everaldo se lembra do que é verdade: para ser feliz, basta estar no mundo, basta abrir os olhos, a alma, e dançar com o próprio momento, basta ser.

Logo depois, a onda passa, o sol se põe, e Everaldo esquece tudo de novo. E assim é com todos nós…

Segundo o filósofo Mario Sérgio Cortella, “a felicidade é uma vibração intensa, um momento em que sentimos a plenitude da vida dentro de nós, e desejamos que isto se eternize. É a capacidade de ser inundado por uma alegria imensa por um instante”, e prossegue: “Aliás, felicidade não é um estado contínuo, mas uma ocorrência eventual, sempre episódica. Você sentir a vida vibrando, seja num abraço, seja na realização de uma obra, seja numa situação em que seu time vence, ou algo que você fez deu certo, ou ouviu algo que queria ouvir, é claro que isso não tem perenidade. Ora, a felicidade marcada pela perenidade seria impossível, afinal de contas nós só temos a noção de felicidade pela sua carência. Se fosse contínua, não seria percebida. Nós só sentimos felicidade porque ela não acontece o tempo todo.”

Essa aparente contradição com o que estávamos dizendo ocorre precisamente porque estamos imersos num mundo de linguagem, que nos possibilita viver mais integrados a uma sociedade global, mas que também nos confunde, pois os termos, as palavras, os conceitos, são inteiramente incapazes de abarcar as sensações, a experiência, a verdade de se estar aqui, existindo.

Assim, se a felicidade não dura por ser o oposto da tristeza, e se o prazer não dura por ser o oposto da dor, é preciso tentarmos ir além do próprio termo, “felicidade”, descascá-lo para tentar encontrar o sentimento que reside ali, e que vive além do tempo. Por isso mesmo, quando falamos que as crianças são felizes todo o tempo, é porque elas não estão preocupadas em “serem felizes”, de fato elas não estão nem aí para a própria definição do que seja “a felicidade”. A sua alegria eternizada, o seu contentamento perene ante a vida, nasce justamente daquela antiga intuição, daquela verdade que nasceu com elas, e foi lentamente, dia a dia, sendo esquecida. Até que algum adulto veio e lhes perguntou, “Você está feliz? Você é feliz?”, e elas caíram na armadilha de tentar responder.

***

Nessa pequena introdução a um tema tão simples, porém coberto por complexidade, e tão essencial, porém envolto em superficialidade, tentei transparecer de alguma forma de qual “felicidade” estamos falando aqui: uma felicidade que não é o oposto da tristeza, que não é ganha para ser perdida e nem perdida para ser ganha, mas que, de alguma forma, sempre esteve conosco, sempre esteve aqui, mais próxima de nós do que nossos olhos, pulsando tanto em nosso coração quanto junto às brisas do mar, e arrebentando nas praias de todo o mundo, neste exato momento, em todos os momentos.

E, se são somente as crianças que brincam de pega-pega por essas areias úmidas, para tentarmos descobrir o que é isso que nós adultos chamamos “felicidade”, mas que de fato não tem nome, nós teremos de tentar relembrar daquilo que sabíamos, mas que a linguagem soterrou em conceitos, e a vida adulta desmembrou em momentos distintos, nos confundindo… Para ser feliz, é necessário tentar resolver tal confusão.

» Na próxima parte, o manual para a vida…

***

[1] Trecho de As Leis, Edipro, pág. 103 (tradução de Edson Bini).

Crédito das imagens: [topo] Nalu a Bordo/Canal OFF/Divulgação; [ao longo] GoPro/Divulgação

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do .

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

» Comprar livro impresso, PDF, ou versão para Amazon Kindle

#Espiritualidade #Felicidade #Filosofia #Vida

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/para-ser-feliz-parte-1

Daemon reimprime livros Clássicos de RPG

rpg-daemon-natal-2016

A Daemon Editora lançou uma nova impressão de seus títulos clássicos de RPGs, para os colecionadores que queiram completar suas coleções e também para os novos RPGistas conhecerem aqueles que foram os mais importantes RPGs Nacionais da era de Ouro dos RPGs no Brasil.

– Anjos: A Cidade de Prata, um RPG onde os personagens são Anjos trabalhando para as Castas Celestiais da Cidade de Prata. Anjos explica detalhadamente as cinco castas que habitam a Cidade de Prata: Corpore, os Anjos da Guarda; Protetore, os anjos cabalísticos; Captare, os caçadores de demônios; Recípere, os negociantes de almas e Nimbus, os governantes celestiais para serem utilizados como personagens ou NPCs em sua campanha.

– Demônios: A Divina Comédia faz um passeio completo pelos nove círculos do Inferno, lar dos Demônios, Anjos Caídos e Perdedores na Guerra Celestial. Totalmente baseado nos livros A Divina Comédia e Paraíso Perdido, Demônios mantém-se fiel ao texto e às descrições de Allighieri e Milton.

– Vampiros Mitológicos. Totalmente baseado em culturas e lendas reais, traz a descrição completa das principais raças de vampiros, originárias das diferentes culturas e civilizações antigas.

– Spiritum: O Reino dos Mortos traz a explicação detalhada dos Planos Espirituais, Umbrais, Etéreos e Astrais; suas regras, suas criaturas, seus anjos, fantasmas e demônios.

– Abismo, provavelmente o mais macabro e pesado título da linha Arkanun/Trevas até agora, que vai fazer a alegria dos fãs de RPGs de horror. Escrito por Antônio Augusto Shaftiel, autor de Jyhad e a trilogia das Lanças de Christos, Abismo traz a descrição detalhada do Abismo, lar dos mais maléficos, distorcidos e pervertidos demônios de Infernun e Tenebras que assolam a Orbe Terrena. Descrições dos demônios mais importantes já citados nos livros da linha Arkanun (Magnus Petraak, Luvithy, Pyros…), seus poderes, influências e serviçais.

– Jyhad: Guerra Santa. Escrito por Antônio Augusto Shaftiel, o autor com o maior número de romances de RPG publicados no Brasil, com a capa espetacular de Vitor Ishimura (desenhista do RPG Conan, da Moongoose) e ilustrado por Ronaldo Barata, Ig e Eduardo Ferrara, Jyhad: Guerra Santa traz a descrição detalhada dos Anjos Judeus e Muçulmanos; suas relações com os Anjos Católicos e a Guerra Celestial no Oriente Médio, ampliada após os ataques de 11 de Setembro.

– ARKANUN, o RPG de horror na Idade das Trevas, possui toda a ambientação da Europa Medieval do século XIV onde você poderá jogar com Alquimistas, Rosacruzes, Cabalistas, Templários e Magos em meio a Anjos, Demônios e Inquisidores. Seus suplementos INQUISIÇÃO e TEMPLÁRIOS trazem regras para se jogar com duas das mais poderosas forças da Idade Média, os Cavaleiros do Templo de um dos lados e as Forças da Santa Inquisição do outro!

Além destes, Clássicos como CÃES DE GUERRA, um RPG ambientado na Segunda Guerra Mundial; ANIMERPG, um RPG com todas as regras que você precisa para adaptar qualquer tipo de Anime ou Mangá para RPGs. Escrito por Luka Chan, é o único RPG Brasileiro escrito por uma mulher e também um dos mais vendidos de todos os tempos! SUPERS-RPG traz regras completas para jogar campanhas de super heróis com um tom mais realista. E Maytreia, o RPG baseado nos textos esotéricos da Eubiose.

Finalmente, NEOKOSMOS traz um RPG baseado na Mitologia Grega, com seus heróis, monstros, deuses e criaturas sobrenaturais.

RPGQUEST
Para esquentar os motores na preparação do Boardgame RPGQuest – A Jornada do Herói, a Daemon traz de volta o Módulo Básico do RPGQuest; Se você nunca jogou RPG antes, sugerimos começar as aventuras pelo Módulo Básico, que é o maior e mais completo livro de RPG já publicado no Brasil. Ele possui 80 raças, 110 Classes, 200 habilidades, 100 armas, 120 deuses em 13 panteões, Magias, Psiônicos, Animais Familiares, veículos, 56 Mundos de Jogo e tudo mais que você precisa para criar aventuras em QUALQUER tipo de cenário. Também reimprimiu o GUIA DE MONSTROS, que traz mais de 680 monstros diferentes para colocar em ação nas suas campanhas, passando por dragões, demônios, mortos-vivos, trolls, abissais, asuras, goblinóides, dinossauros, fantasmas, aberrações, vampiros, monstros marinhos e gigantes, com mais de 440 ilustrações.

Você pode encontrar todos os RPGs da Daemon, junto com o Livro de Kabbalah Hermética, Enciclopédia de Mitologia, Tarot hermético e os Livros das Aventuras Mitológicas de Lilith, Isis e Hércules na Loja de RPG.

#Blogosfera #Jogos #RPG

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/daemon-reimprime-livros-cl%C3%A1ssicos-de-rpg

A Origem territorial dos Espíritos da Quimbanda Brasileira

Esse tópico é deveras controverso, afinal, existem certas particularidades dentro do Culto de Exu e Pombagira que esbarram no “Ego” de alguns seguidores. Portanto, essa é uma visão da Corrente 49 e cabe-nos apresentar ao público como forma de demonstrar nossas engrenagens espirituais e a forma que construímos nossas atividades.

Todos que já frequentaram alguma casa/templo/terreiro de qualquer segmento religioso que professa Exu e Pombagira já se depararam com seguidores/filhos/adeptos incorporados com tais espíritos. Não é difícil que dentre tais contatos (Homens X Espíritos) algumas histórias (estórias) tenham sido relatas -através das pessoas incorporadas- acerca da origem dos mesmos. Acreditamos que esses momentos sejam os grandes responsáveis pela disseminação de um dos maiores erros da Quimbanda Brasileira: As Origens de Exu e Pombagira.

Não é incomum vermos pessoas incorporadas com espíritos vindos de todas as partes do mundo, com relatos incríveis e até históricos. Ciganas da Espanha, cavaleiros templários, bruxos celtas, índios norte-americanos, egípcios, sumérios, gladiadores, samurais e até (pasmem) elementais. Quando nos deparamos com essas “personalidades espirituais” começamos a nos indagar acerca da veracidade contidas nas histórias desses Mestres, bem como da estrutura energética motivadora que os fez rasgar os véus do tempo/espaço fazendo-os se adaptar a uma nova “roupagem”.

A grande questão é: Você realmente conhece seu Mestre (a) espiritual? Sabe o que serve?

Em primeiro lugar, cabe-nos explicar algo simples e real para iniciarmos essa longa explanação: O que nasceu no Brasil derivou-se de homens e mulheres que aqui habitaram à época dos fatos e dos ancestrais espirituais que os acompanharam ao longo dessa trajetória. A Quimbanda foi composta de três troncos básicos: Brancos (europeus), Nativos Ameríndios e Africanos. Obviamente que cada um desses povos tinha um legado espiritual próprio e a mistura dos mesmos gerou uma nova ancestralidade, bem como adaptou e modificou costumes e crenças tradicionais. Isso é História.

Mesclar etnias faz com que não exista uma regência, ou seja, nenhum desses povos é condutor da espiritualidade conseguinte. Assim sendo, ocorreram diversas manifestações espirituais no território nacional onde a mesma força energética foi denominada com nomes diversos. Devido a esse FATO é que a Quimbanda é tão plural no que diz respeito à sua atuação, regência, número de legiões e tronos. Mas mesmo diante tantas diferenças, algo realmente importante nos aponta a origem territorial de todos os Mestres Quimbandeiros: A língua falada.

No Brasil, todos os Exus e Pombagiras se comunicam em língua portuguesa. Alguns mestres mesclam palavras, expressões e outras figuras de linguagem como forma de demonstrar sua origem, entretanto, a língua portuguesa (ora – brasileira) é oficial dentro do Culto da Quimbanda Brasileira. Muitas vezes constatamos que a língua falada pelos espíritos (quando incorporados) possui uma gramática muito similar à língua portuguesa mais remota; o que demonstra a temporalidade e a Legião ao qual esse espírito pertence aponta-nos, através das palavras e trejeitos, qual região esse espírito pertenceu. Se conversarmos com um Exu Pantera Negra claramente veremos uma Língua Portuguesa mesclada a alguma língua nativa (ameríndia), mas ao conversarmos com um Exu Sete da Lira constataremos o uso de uma linguagem menos coloquial acrescida de palavras e termos estrangeiros (muito presentes no Reino da Lira). Nesse exato ponto podemos começar a traçar Exu e Pombagira como espíritos oriundos de um determinado local, ou melhor, que estiveram materialmente vivos em uma determinada época e dentro de um território específico.

Todos nós temos uma ancestralidade sanguínea. Se seguirmos pelos galhos de nossas ‘Árvores Genealógicas’ chegaremos à ancestrais estrangeiros. Uns possuem ancestrais próximos, enquanto outros em muitas gerações passadas. Essa ancestralidade direta não é responsável pela formação do enredo espiritual da Quimbanda (e que isso fique claro). Os espíritos formadores da LTJ 49 nos ensinaram que existe a manifestação da ancestralidade através da incorporação verdadeira e a manifestação das “memórias ocultas” que nada mais é do que um acontecimento anímico. Um sonambulo (que não está incorporado) pode ser capaz de falar em línguas estrangeiras e até se portar de forma diferente da usual.

Assim como em outras vertentes espirituais, a Quimbanda compreende e crê na reencarnação. Se todos nós já reencarnamos, obviamente que vivemos em diferentes épocas, sob a pressão de culturas, línguas e religiosidade diversa à contemporânea. Apesar de nossas memórias superficiais serem completamente adaptadas (apagadas) a um novo momento (nova reencarnação), nosso subconsciente pode acessar essas memórias a qualquer momento (mesmo que involuntariamente). Toda essa explicação mostra que algumas pessoas que acreditam incorporar um espírito estrangeiro podem estar atrelados ao próprio subconsciente e não ter ligação espiritual alguma. Não somos especialistas na área, mas podemos supor que falar com sotaques estrangeiros pode ser até um sinal de distúrbio cerebral (vide síndrome do sotaque estrangeiro). Se falar nos ‘golpes espirituais’.

Todo caso é um erro? DEFINITIVAMENTE NÃO! Alguns espíritos que viveram em terras brasileiras vieram da Europa e da África com trejeitos próprios e mal falavam a língua portuguesa corretamente. Quando iniciam o processo de compartilhamento sentem enorme dificuldade de se comunicar e levam anos para reaprender a língua falada. Mas esses espíritos necessariamente devem ter vivido e morrido (materialmente) em um determinado espaço. No nosso caso: O Brasil.

Não adianta a pessoa crer que seu Exu/Pombagira tenha sido egípcio (por exemplo) na encarnação anterior, pois isso não corresponde à realidade. O espírito pode até ter vivido em tal tempo/espaço, mas para estar se manifestando sob os códigos da Quimbanda a última encarnação deve ter sido na terra correspondente ao código. Seguindo esse exemplo, o fato da pessoa falar palavras em egípcio, reconhecer papiros, sentir-se atraído pela cultura e até se reconhecer como parte dela nada simboliza para a Quimbanda. Tudo isso é ‘memória ancestral’ e não contato com espíritos egípcios. O verdadeiro Exu dessa pessoa pode ter sido um cafetão que vivia disputando territórios em uma vila abandonada nos recônditos brasileiros.

A língua portuguesa é a chave para compreendermos a ação desses espíritos. Não estamos limitando-os a um código, afinal, esse foi feito pelos próprios espíritos. Estamos olhando nossos mestres sem o ego, sem nenhum tipo de preconceito, sem nenhuma limitação. Exus e Pombagiras são grandes fontes de conhecimento e sabedoria, podem usar conhecimento de todas as épocas em suas explanações, conseguem manipular diversos tipos de energia, mas tudo isso dentro dos padrões que reconhecemos. Um Exu pode falar sobre todos os aspectos cabalísticos, pois na formação da Quimbanda existiram centenas de judeus “neo-convertidos” exilados às nossas terras através do ‘Santo Oficio’, entretanto, quando começamos compara-los com os espíritos estrangeiros estamos errando grosseiramente. Exus e Pombagiras são espíritos que estiveram em situações similares as nossas, reconhecem nossas fraquezas porque um dia padeceram delas.

O aspecto mais importante, talvez o mais fundamental de toda Quimbanda é conhecer seus Mestres e saber enxergar a verdade por trás da ‘máscara de Exu’. Quando um adepto reconhece que seu Mestre é a personificação de um caminho onde suas fraquezas serão vencidas, torna-se o próprio MESTRE. Sem isso, sem entender que a complexidade do Culto Brasileiro está justamente na trajetória humana que se transformou no caminho de fogo que Exu percorre, não existe quimbandeiro e sim adorador de si próprio e de seu ego deformado. Exu usa suas alcunhas como apontamentos de suas origens energéticas e seu campo de ação. A falta de um nome próprio é prova de que esses espíritos se conectam compartilhando, doando ou extraindo (vampirizando) energias. Como dito anteriormente, se você não sabe quem é seu Mestre, está totalmente a mercê dele.

Jamais, sob hipótese alguma, acredite em histórias de Exus e Pombagiras que morreram em terras longínquas, em outras culturas e vieram atraídos pela caridade e amor para sanar suas pendencias espirituais. ISSO É A MENTIRA QUE OS MANIPULADORES IMPLEMENTAM A ANOS! Até a História da Rainha Padilha esses miseráveis tentam manipular, como se a própria Rainha tivesse vindo ao Brasil. Pense: Se não fosse as bruxas exiladas (que cultuavam a Rainha Maria Padilha) será que a Quimbanda a cultuaria? Obviamente que não! O compromisso de um adepto de Exu e Pombagira é estar em constante evolução! Evoluir é aprender na teoria e na prática, afinal, pratica cega é mecânica e teoria sem prática é filosofia. Um Exu falando deve ser respeitado porque são as palavras de um Mestre, um grande espírito que sabe exatamente o que vivemos (ele viveu também), porém, não podemos esquecer que muitos fazem mal-uso desse conhecimento, entorpecem as pessoas com falácias e teatro. Mas não cabe a nós apontarmos “fulano ou beltrano” como expoentes. Cada um de nós é responsável por aquilo que crê!

“Conheça seu Mestre e torne-se o próprio! ” Exu Caveira – 2001

Fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/origem-dos-espiritos

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-origem-territorial-dos-espiritos-da-quimbanda-brasileira/