Fantasmas da China e Indochina

A respeito de deuses e fantasmas, dizia Confúcio, o sábio chinês: “Devemos respeitá-los, todavia, convém mantermo-nos longe deles”… Os chineses acreditam que estão rodeados de espíritos dos mortos – kui [e os Espíritas kardecistas também]. A crença e veneração aos ancestrais é um traço característico de sua cultura.

Entre os costumes antigos, havia a prática de fazer um buraco no telhado da casa para facilitar a ascensão da alma. Se uma criança estava moribunda, a mãe corria ao jardim e chamava o nome do filho [a] para trazer de volta o espírito. O suicídio era uma situação das mais desfavoráveis resultando em almas penadas e extremamente agressivas e amaldiçoadas. Seus filhos tornavam-se corruptos ou criminosos, suas terras se perdiam e sua esposa era assombrada pelo espectro do marido suicida atormentado e, não raro, ela mesma, sucumbia a alguma doença fatal.

Alguns fantasmas, todavia, permaneciam rondando os familiares por senso de dever, protegendo contra perigos, tentando minorar os sofrimentos e cuidando da prosperidade da casa. Uma das crenças mais difundidas era a do fantasma materno que velava seus filhos. Todavia, como na maioria das crenças de numerosos povos, os fantasmas daqueles que morriam em situações desafortunadas eram temidos.

No Cantão [cidade da China], em 1817, a mulher de oficial do governo causou a morte de duas escravas domésticas porque tinha ciúme do marido com as servas. Para se proteger das conseqüências de sua crueldade, simulou o suicídio das duas: pendurando os cadáveres pelo pescoço, pretendia forjar auto-enforcamento. Porém, passou tormentos de consciência e tornou-se insana: agia como se fosse as vítimas, o quê, para chineses, significava que estava sendo possuída pelos fantasmas das vítimas. Acabou confessando o crime e foi presa; mas os distúrbios continuaram. Ela rasgava as próprias roupas, machucava a si mesma em ataques de fúria e, em pouco tempo, morreu. Fantasmas de assassinados que perseguem seus algozes são os mais comuns entre os chineses.

A literatura chinesa explora o tema em contos que misturam e alternam o macabro e romântico: episódios protagonizados por mulheres que perderam a vida de maneira trágica, em situações de ciúme; amantes inconformados com a separação advinda da morte inesperada ou donzelas que encantam homens solitários. Os espectros femininos aparecem para suas rivais e parceiros em formas tão reais que os assombrados demoram a perceber que estão convivendo com espíritos. Conforme explica o estudioso da cultura chinesa Lin Yutang: “Na literatura chinesa, as almas do outro mundo dividem-se em duas categorias: ou nos horripilam ou nos cativam”.

O conto Hsiao Hsieh ─ Jojo, de P’su Sunling [1630-1715], trata de curiosos aspectos da tradição sobre fantasmas chineses: os espectros são tangíveis, podem tocar os vivos e até manter relações sexuais com eles; se caminham um longo percurso, ficam com bolhas nos pés; se violam as regras do mundo dos mortos, interferindo em assuntos dos vivos, podem ser julgados e punidos pelos deuses conforme suas ações sejam consideradas legais ou ilegais; finalmente, têm a possibilidade voltar à vida “tomando” o cadáver de alguém recém-morto: uma fórmula mágica é escrita em um pedaço de papel. Ao ver passar um cortejo fúnebre, o fantasma deve mergulhar o papel em um copo com água, beber a água e penetrar no caixão onde, ocupando o corpo inerte, torna-se dono dele, animando-o e passando a viver normalmente [YUTANG, 1954].

No  Cambodja, país pertecente  Indochina, acredita-se que os fantasmas retiram-se do cadáver lentamente, durante o processo de decomposição. Quando só restam os ossos, o espírito transforma-se em uma coruja ou em outro pássaro noturno. Os fantasmas mais horripilantes do país, chamados srei ap ou ghouls são representados tendo somente a cabeça e o esôfago, olhos injetados de sangue, e vagam na escuridão em busca de orgias abjetas

Festival dos Fantasmas Famintos

 Na China e em outros países com significativa presença da cultura budista popular, é realizado o Ghost Festival, também chamado Festival dos Fantasmas Famintos [Hungry GhostsQio Gor] no sétimo mês do calendário lunar, geralmente em agosto, a fim de atender às necessidades dos espíritos que não receberam cuidados funerários adequados ou, ainda, para aqueles que eram sozinhos no mundo e portanto não têm parentes vivos para cultuá-los como ancestrais. 

“Diz a lenda que um mercador convertido ao budismo e assim chamado Mahāmaudgalyāyana, ao se tornar um “Arhat”, [monge budista] quis que seus pais mortos se alegrassem com sua nova vida. Ele usou sua clarividência para encontrá-los nos outros mundos. O pai, logo foi achado, estava no Reino de Deus.

A mãe, entretanto, tinha tomado a forma de um Espírito Faminto e habitava um reino inferior, o reino do Pretas, que possuem a garganta tão fina que nenhum alimento pode passar. Desolado, o monge procurou saber o que poderia ser feito para ajudá-la e o próprio Buda Sakyamuni recomendou a oferenda de comida para todos os Pretas.

O alimento deveria ser colocado em um lugar limpo e o mantra da transformação seria, então, recitado por sete vezes [transformação do alimento físico em etéreo]. Deste modo, sua mãe poderia renascer como um cachorro! Insatisfeito, Mahāmaudgalyāyana pediu o senhor Buda que lhe ensinasse um modo de fazer sua mãe renascer em forma humana. O mestre recomendou, neste caso, que fosse oferecida comida suficiente para alimentar 500 bhikkhus [monges mendicantes] e por causa desse mérito, a mãe do devoto poderia obter uma nova vida como gente. O dia dos Espíritos Famintos também é comemorado na China e no Japão”
[CABÚS, 2007].


Acredita-se que no “mês dos fantasmas”, as entidades visitam a Terra para desfrutar dos rituais e oferendas de comida, incensos e “dinheiro-fantasma” ─ dinheiro falso ou “dinheiro espiritual”. Na Malásia, atualizando a lista de presentes, também são ofertadas réplicas de casas, carros e aparelhos de televisão que são queimados na rua. Lanternas e barquinhos de papel são postos nas águas de lagos, do mar ou dos rios para orientar as entidades perdidas.

por Ligia Cabús

[…] Interpretação dos sonhos, apaziguamento (厭劾yan ke) e propiciação (祠禳ci rang) relacionados a fantasmas e seus efeitos no corpo humano. (ver mais) […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/fantasmas-da-china-e-indochina/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/fantasmas-da-china-e-indochina/

Ajuda e o invisível

Jean DUBUIS

A solução mais fácil para resolver os problemas da vida ou as dificuldades do Caminho Iniciático é chegar ao ponto em que a sua própria ajuda seja suficiente e eficaz. Isso pode parecer óbvio, mas pensei ser bom enfatizar o ponto porque muitos falham nessa área simplesmente por falta de método. Além dos métodos, digamos técnicos, para chegar a esse ponto de autossuficiência, há uma mentalidade a ser cultivada sem a qual qualquer tentativa está fadada ao fracasso, mesmo com a ajuda poderosa de outros.

Um primeiro ponto a considerar, e talvez o mais importante, é que não damos ordens ao Invisível; esperamos por seu conselho, sua revelação. De fato, não é possível dar ordens ao Mestre Interior, pois por sua própria estrutura é o único com a leitura completa de nosso caso. Por outro lado, o que é possível nessa área é dar ordens às entidades aplicando as leis do universo, mas isso só é possível após um longo e cuidadoso estudo da Cabala. Além disso, os rituais ou técnicas que atingem esses princípios só podem ser aplicados se a pessoa tiver o controle total desses processos da Cabala e, além disso, se tiver a Sabedoria ou Iniciação necessária para escolher soluções. Caso contrário, o uso dessas práticas, ou mesmo apenas tentativa de uso, pode levar ao suicídio psíquico ou mesmo físico.

Um segundo obstáculo, de outra ordem, é a confusão entre perseverança e obstinação. Em muitas áreas, a perseverança que é a continuidade do pensamento no projeto é necessária porque, em muitos casos, as dificuldades são resolvidas uma após a outra. Por outro lado, a teimosia, que é repetir tentativas na mesma dificuldade um número exagerado de vezes, é um erro tático. De fato, quando um ponto definido em nossas vidas, em nosso caminho, resiste a vários testes em uma solução, você tem que mudar de ideia, considerar a aplicação de outros princípios. O Invisível não nos ajudará nem nos permitirá ser ajudados enquanto não tivermos boa vontade. Teimosia é estupidez e é o oposto de boa vontade.

Outras condições devem ser atendidas, tanto material quanto psicologicamente e mentalmente, para obter ajuda do Invisível por conta própria.

Em primeiro lugar, você deve tentar resolver o problema no plano material, ou pelo menos tentar tudo ao seu alcance nesta área. “Faça por onde que eu te ajudarei.”. Então, você deve se esforçar para ter uma atitude de boa vontade, não fraqueza nem rigidez.

Outra vantagem, não menos importante, é o respeito ao silêncio. Você não deve falar, nem escrever sobre quais são seus problemas, para não corrigi-los por escrito ou cristalizá-los pelo verbo. Você precisa olhar para eles no “silêncio interior” pois a verdadeira compreensão das coisas se faz na ausência das palavras da Terra.
Treinar para ter contato interno direto se torna uma prática fácil, mas apenas depois de um longo período de paciência e trabalho.
Quando então você “sentir o problema em silêncio interior”, sem esforço, talvez apenas com algumas imagens mentais, você deve adotar a seguinte técnica:

  • Coloque-se em um quarto escuro
  • Coloque-se em um lugar tranquilo
  • Coloque-se em uma sala onde a temperatura seja moderada.

Em resumo, você deve ter um mínimo de percepções sensoriais.

É bom no início do treino focar em todas as partes do corpo, começando pelos pés, com o pensamento de retirar a percepção sensorial do corpo. Quando esta etapa é bem sucedida, você “sente” como um “estado magnético” em todo o seu corpo.

Diante das dificuldades a serem resolvidas, você deve fazer uma revisão mental neutra e pensar que a solução “será”. Acima de tudo, não procure influenciar a natureza da solução. Não damos ordens ao Invisível. Neste momento, o segredo do contato interior com o Invisível está em uma fase de intensa mas breve transição para um estado em que a mente está totalmente vazia. O Eu não pensa mais que não pensa.

No dia em que o contato for alcançado – nesse momento o sentimento, a revelação são indiscutíveis – você deve escolher uma palavra-código, por exemplo, “eu disse”, ou “está feito” ou “está tudo bem”, etc. Com anos dessa prática, o simples pensamento do assunto a ser abordado e a simples palavra-código torna-se suficiente para estabelecer contato se as condições acima foram suficientemente trabalhadas.

Não desanime, mesmo que o resultado demore muito para ser obtido. De fato, a repetição dessa prática prepara para um eventual sucesso e já está causando um estado positivo de auto-suficiencia, mesmo que não induza estados de consciência como descrito acima.
Quando este passo de ajuda própria for obtido, você saberá como ajudar os outros.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/ajuda-e-o-invisivel/

A postura da morte: uma instrução definitiva

Por Alan Chapman*

*membro da iot londrina e autor de Advanced Magick for Beginners

 

A Postura da Morte de Austin Spare tem sido difundida em círculos mágicos do caos recentemente e é amplamente mal compreendida. Provavelmente é a técnica mágica mais incompreendida do mundo.

A técnica é descrita em O Livro do Prazer  e, portanto, simpatizo com qualquer confusão inicial que os leitores possam ter sobre a postura; afinal. A escrita de Spare é delirante. (Nota do tradutor: neste artigo usaremos aqui a magistral tradução da Oficina Palimpsestus)

No entanto, uma simples releitura da página em questão deve ser suficiente para dissipar a confusão. Só posso supor, com base no lixo absoluto apresentado em muitos livros, revistas e sites, como “a postura da morte” se deve ao fato de que a maioria das pessoas não se dá ao trabalho de ler com atenção.

O Ritual e a Doutrina

A instrução é dada em três parágrafos. Veja como eles são impressos:

“Deitado confortavelmente de costas, permita que o corpo expresse a condição de um bocejo, suspirando enquanto concebe pelo sorriso – essa é a ideia da postura. Esqueça o tempo e todas as coisas que antes eram essenciais e agora refletem a própria insignificância. Este momento está além do tempo, e sua virtude já aconteceu.

De pé na ponta dos dedos, com as mãos entrelaçadas atrás do corpo e os braços rígidos, estique-se ao máximo, inclusive o pescoço, e respire profunda e espasmodicamente, até sentir em ondas uma mistura de êxtase e leve vertigem – isso gera a exaurição e a preparação para o passo anterior.

Olhe para o seu reflexo até que a imagem fique indistinta e você não se reconheça. Feche os olhos (isso costuma acontecer involuntariamente) e visualize. Atenha-se à luz que vai surgir (sempre na forma de X em curiosas evoluções) e mantenha-se firme até que não seja mais um esforço. Isso gera uma sensação de imensidão.. cujo limite é impossível alcançar. Esse passo deve ser praticado antes de realizar o passo anterior. A emoção sentida é o conhecimento que lhe diz o porquê.” (pág 234-235)

É óbvio, não é? A própria postura da morte está completamente aberta à interpretação. Não há ‘uma’ postura em vez disso, varia desde prender a respiração até desmaiar e se olhar no espelho. E pode ser usado para ‘carregar’ sigilos, certo? Na verdade não! Nada disso. Essa é uma besteira gorda e cabeluda!

Se relermos esses três parágrafos, veremos que o parágrafo dois (“De pé na ponta dos dedos…”), gera ” gera a exaurição e a preparação para o passo anterior.” Ou seja, é um exercício preliminar à instrução dada no primeiro parágrafo (“Deitado confortavelmente de costas…”). Quanto ao exercício dado no parágrafo três (“Olhe para o seu reflexo…”), somos informados: “Esse passo deve ser praticado antes de realizar o passo anterior. ”

O parágrafo três é, portanto, um exercício preliminar a ser praticado antes das instruções dadas nos parágrafos um e dois. A postura de morte adequada é, portanto, dada no parágrafo um. Então, para esclarecer:

1 – Pratique olhar fixamente para seus olhos no espelho, até que seu reflexo pareça bizarro. Entendo que não ajuda neste ponto quando Spare lhe diz para fechar os olhos e visualizar, e então passa a descrever algo que você deveria ver (“sempre na forma de X em curiosas evoluções”), que eu proponho que use a imagem deixada na retina – na verdade, é muito semelhante a um exercício budista), mas o ponto é que você se concentra em algo, nunca deixando ir, até atingir “uma sensação de imensidão.. cujo limite é impossível alcançar.”

Spare é bastante explícito quando diz que isso deve ser experimentado antes de praticar a postura de morte adequada. Em outras palavras, você deve ter um certo grau de proficiência em concentração. Conhecendo o histórico mágico de Spare, acredito que ele está aqui descrevendo dhyana (estados de absorção).

Deve-se notar que não há nada de especial neste exercício de concentração, como Spare explica um pouco mais tarde: “Existem muitos exercícios preliminares, tão ​​quanto há pecados, fúteis por si sós, mas que conduzem aos mesmos meios” (pág 235).. Uma vez que Dhyana seja alcançada, podemos passar para a própria postura da morte.

2 – A postura da morte requer um certo grau de relaxamento e, para obtê-lo, primeiro você pode esticar todo o corpo e hiperventilar. Claro, você também pode correr ou levantar alguns pesos – o objetivo é ficar relaxado para a prática da postura adequada. Só para ser explícito: prender a respiração até desmaiar não é a postura da morte.

3 – Assim, uma vez que um grau de competência em concentração seja alcançado (ou seja, você pode entrar em um estado de dhyana, ou transe), você pode agora praticar a postura adequada descrita no primeiro parágrafo.

Eu acredito que a maior dificuldade em entender a postura da morte está no fato de que Spare parece estar nos dizendo para deitar, bocejar, sorrir e ‘deixar ir’ todas as nossas preocupações. Mas isso não está correto. A postura é realmente deitada de costas, relaxado, sem  preocupação do mundo. No entanto, se você acha que ele está defendendo o relaxamento pelo relaxamento, você está perdendo o ponto. Se dermos uma olhada no próximo parágrafo. Spare diz:

“… saiba que isso é a negação de toda fé ao simplesmente vivê-la, é o fim da dualidade da consciência… Eis a postura da morte e sua realidade na aniquilação da lei – uma ascensão que se afasta da dualidade.”(pág 235)

O objetivo da postura da morte não é alcançar a “gnose” para “carregar” um sigilo, mas experimentar o não-dual. Spare está falando sobre samadhi, ou a experiência do que ele chamou de Kia.

Spare elabora a prática:

“Não se atinge a vacuidade primordial (da crença) pelo exercício de concentrar a mente na negação de todas as coisas concebíveis, identidade entre unidades e dualidade, caos e uniformidade, etc, mas só ao fazer isso agora, não depois. Perceba e sinta sem necessidade de um oposto, mas pelo que há de relacionado. Perceba a luz sem sombra como contraste, mas pela própria cor, evocando emoção do riso no momento do êxtase em união,  e também pela prática até que a emoção se torne sutil e duradoura. A lei da reação é anulada pela inclusão… Pratique diariamente, portanto, até chegar ao centro do desejo, e assim terá arremedado o grande propósito. Desse modo, todas as emoções encontrarão um equilíbrio no momento em que emanarem até se tornarem uma. Assim, ao bloquear a crença e o sêmen da concepção, elas se tornam simples e cósmicas.” (pág 235-236)

A ‘vacuidade primordial’, ou Kia, é alcançada cultivando a consciência da sensação imediata. Por exemplo, em vez de experimentar uma sensação e entendê-la como “apertada”, simplesmente experimente a sensação. A atitude mental correta é aquela que você experimenta quando você ri; você aceita toda experiência e sensação (incluindo a sensação de pensamentos) sem resistência.

Se essa atitude de consciência inclusiva for cultivada pela prática diária, você acabará por experimentar um estado de não dualidade e bem-aventurança.

Os paralelos entre as instruções de Spare e as de Buda são bastante impressionantes. A postura da morte facilita a mesma consciência que a “prática do insight” ou vipassana, que só pode ser praticada com competência quando um grau de proficiência em concentração é alcançado.

Um Resumo Prático

1. Pratique exercícios de concentração até sentir dhyana.

2. Pratique estar ciente de todas as sensações e experiências à medida que surgem, sem fixar sua atenção ou se identificar com qualquer coisa. (A atitude correta pode ser engendrada sorrindo ou mesmo rindo.) Isso é mais fácil de fazer quando está relaxado, portanto, praticar após o exercício físico é o ideal. Alternativamente, a prática de insight, vipassana ou meditação taoísta obterá o mesmo resultado.

O ensino fundamental

Dos dezesseis capítulos do Livro do Prazer, oito tratam exclusivamente do não-dual ou Kia, expondo as virtudes da busca do não-dual, fornecendo instruções para alcançar o não-dual, ou detalhando o estado resultante uma vez que o o não dual é alcançado e se torna habitual (o que Spare chama de ‘Amor de si’).

Spare está essencialmente preocupado com o hedonismo. (Acho que o título do livro revela isso.) Se você deseja o máximo de êxtase e prazer possível, se deseja o maior grau de satisfação, deve se preocupar com o não-dual:

“Aquele que busca o prazer sabiamente, ao perceber que eles são “diferentes graus do desejo” e nunca desejáveis, renuncia tanto ao vício quanto a virtude e se torna um kiaísta. Montado no tubarão de seu desejo, ele cruza o oceano da dualidade e se lanã no amor-de-si.” (pag 211)

O amor-de-si é o estado que resulta da experiência habitual do não dual, obtido praticando a postura da morte todos os dias. É liberdade de desejo. Agora me diga, o que traz o maior prazer: usar sigilos para adquirir um efeito mágico ou a transcendência de todos os desejos?

Por muito tempo Spare foi homenageado como o pai da “Magia do Caos” e o inventor da Magia dos Sigilos. Mas sua maior conquista mágica, o ensinamento central do Livro dos Prazeres, ou foi mal interpretado como um componente arbitrário da magia de sigilos, ou completamente ignorado como divagações de um místico.

Com sua postura de morte Spare conseguiu condensar a essência de toda prática meditativa em um método muito simples, fácil e agradável de genuína realização mágica, e não por qualquer propósito espiritual elevado, mas simplesmente por causa do prazer.

Se você ainda acha que a magia não tem nada a ver com misticismo, ou está preocupada apenas com a manifestação de resultados materiais, considere o título do livro responsável por ‘começar tudo’O Livro do Prazer (Amor de si): A Psicologia da Êxtase.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-postura-da-morte-uma-instrucao-definitiva/

Cantando Hare Krishna em Pureza – As Dez Ofensas

Por Sua Santidade Acyutananda Svami.

[Sua Santidade Acyutananda Svami é um dos primeiros estudantes americanos iniciados na consciência de Krishna por Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Quando Srila Prabhupada inicia um novo devoto, ele pede ao devoto que cante o mantra Hare Krishna e, enquanto canta, evite dez ofensas. Em uma recente cerimônia de iniciação para novos discípulos em Vrindavana, Índia, Srila Prabhupada pediu a Acyutananda Svami para instruir os novos iniciados sobre essas dez ofensas. A pedido de Srila Prabhupada, as observações de Acyutananda Svami são reproduzidas aqui.]

 

O nome de Sri Krishna, conforme encontrado no maha-mantra Hare Krishna – Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare – é uma vibração sonora transcendental. Rupa Gosvami diz: nama cintamanih Krishnas caitanya-rasa-vigrahah/purnah suddho nitya-mukto ‘bhinnatvan nama-naminoh. Krishna e Seu nome não são diferentes. O próprio Krishna é transcendental, assim como a forma de Krishna, o nome de Krishna e a parafernália de Krishna, assim como o próprio Krishna. Eles são todos feitos de energia transcendental.

 

Conforme declarado no Bhagavad-gita, janma karma ca me divyam: o nascimento e as atividades de Krishna são eternos e transcendentais. Quando uma pessoa comum nasce devido ao karma, as leis da ação e reação materiais, seu corpo está todo enrugado e coberto de sangue e muco. Mas Krishna nasce sorrindo. Em Mathura Ele nasce segurando um búzio, disco, maça e lótus e decorado com uma coroa, joias, uma linda guirlanda e todos os Seus ornamentos transcendentais. Nenhum de nós nasceu assim aqui; todos nós nascemos por causa do karma. Mas não Krishna. E simplesmente por saber que o nascimento e as atividades de Krishna são divinos, a pessoa também se torna divina. Então não é necessário nascer de novo no mundo material.

 

A natureza espiritual tem forma (caitanya-rasa-vigraha); não é sem forma. A natureza de Krishna tem forma, mas essa forma é divina, transcendental, cintamani. Cintamani também implica consciência (cinta significa “consciência” ou “substância divina”). E a forma de Krishna não é diferente de Seu nome. Um som transcendental, no entanto, não pode ser proferido por lábios materiais. Um som transcendental deve ser proferido pelos sentidos transcendentais. A forma transcendental de Krishna só pode ser vista por olhos transcendentais, e o nome transcendental de Krishna só pode ser falado com lábios transcendentais. Portanto, temos que purificar nossos sentidos, purificar nossos olhos, purificar nossa língua, purificar nossos lábios, purificar nossas mãos – tudo deve ser purificado. Então podemos entender Krishna.

 

Isso é natural, porque o espírito é adhoksaja; não pode ser percebido pelos sentidos materiais. Os cientistas querem ver tudo com seus olhos mundanos, mas muitas coisas não podem ser vistas dessa maneira. Para ver minúsculos micróbios ou planetas distantes, você precisa melhorar sua visão com um microscópio ou telescópio. Então, para ver o espírito, você também tem que purificar sua visão, torná-la mais fina. Premanjana-cchurita-bhakti-vilocanena: você tem que passar a pomada do amor em seus olhos. Iogues comuns e especuladores mentais não podem ver Krishna. Somente devotos, ou bhaktas, podem vê-Lo (bhaktya mam abhijanati; bhaktya tv ananyaya sakyah).

 

Há dez ofensas (nama-aparadhas) a serem evitadas enquanto se canta o mantra Hare Krishna. Estes são dados em The Nectar of Devotion, e também no Padma Purana. Somente os devotos podem ver Krishna em Sua forma pessoal, porque são eles que evitam essas dez ofensas. Quando cantamos Hare Krishna, devemos, portanto, ter muito cuidado para evitar essas ofensas.

 

Alguém está cantando Hare Krishna de forma ofensiva ou sem ofensas? Você pode não saber. Suponha que eu lhe mostrasse duas pílulas brancas — uma de arsênico e outra de aspirina. Você pode não saber qual é qual. Você teria que ir a uma autoridade – um médico, por exemplo – que poderia lhe dar a coisa certa. Você não iria a um charlatão; ele pode te dar o arsênico. Afinal, é uma pílula branca e você não sabe a diferença. Portanto, você tem que ir a um médico genuíno. Da mesma forma, devemos ouvir o canto de Hare Krishna apenas de devotos que estão evitando essas dez ofensas. Caso contrário, o canto será como leite tocado pelos lábios de uma serpente. O leite é muito puro e saudável, mas o leite tocado pelos lábios de uma serpente se transformará em veneno. Podemos ver um bom sadhu, ou uma pessoa santa, cantando Hare Krishna, mas se ele não estiver evitando essas ofensas, ouvi-lo é perigoso.

 

A primeira ofensa é sadhu-ninda: blasfemar devotos que dedicaram suas vidas a propagar o santo nome do Senhor. Os devotos que entregam suas vidas ao Senhor e que se engajam plenamente na pregação devem ser imaculados em seu caráter. Ainda assim, o Bhagavad-gita diz que se alguém se engaja totalmente na pregação da consciência de Krishna e no canto do santo nome, ele deve ser considerado santo mesmo que por acaso cometa alguma atividade abominável. Não devemos magnificar as faltas de um devoto. A lua está brilhando, espalhando sua luz doce e fria, e embora a lua também tenha algumas manchas pretas, a luz da lua brilha tão forte que não devemos considerá-las. Da mesma forma, mesmo que um pregador acidentalmente cometa um erro grave, isso deve ser desculpado. Krishna diz, ksipram bhavati dharmatma: muito rapidamente ele será purificado. Temporariamente pode haver alguma mancha em seu caráter, mas muito em breve ela será lavada pela potência de cantar o santo nome. Então ele será puro, como o céu claro. Se havia uma nuvem sobre um pedaço do céu alguns momentos atrás, mas agora o céu está claro, qual é a diferença entre esse céu e o céu que nunca foi coberto? Não há diferença; ambos são puros.

 

Se falarmos mal dos devotos, as pessoas perderão a fé em suas palavras. Tal perda de confiança apenas impede o progresso espiritual da humanidade. As abelhas procuram mel, enquanto as moscas procuram feridas abertas. Algumas pessoas são como moscas. Se eles veem a menor falha, eles a ampliam desproporcionalmente. Mas não devemos ser como moscas; devemos ser como abelhas zumbindo e ver todas as boas qualidades de um devoto. Se houver qualidades ruins, elas logo serão eliminadas. Nunca devemos falar mal ou fofocar sobre devotos que entregaram suas vidas ao santo nome.

 

A segunda ofensa é considerar semideuses, como o Senhor Shiva ou o Senhor Brahma, iguais ou independentes do nome do Senhor Vishnu, ou Krishna. No mundo material existem muitos seres vivos superpoderosos que controlam o funcionamento da natureza. Eles são chamados de semideuses. Assim como alguns seres humanos são mais poderosos que outros, os semideuses são ainda mais poderosos que qualquer ser humano. Mas a Suprema Personalidade de Deus é Sri Krishna. Ele é completo e pleno porque tem opulências plenas – toda riqueza, toda força, toda fama, toda beleza, todo conhecimento e toda renúncia. Nenhuma outra personalidade, nenhuma outra divindade ou semideus tem essas qualidades em sua totalidade. Krishna é, portanto, purna-avatara. Purna significa que Ele é completo – completamente completo. Todos os semideuses, como Shiva, Candra e Indra, são aspectos parciais deste purna. Por exemplo, a lua esta noite é amavasya, a lua escura. A lua está lá, mas você não pode ver nenhuma luz. Então amanhã haverá uma luz tênue vindo da lua. A lua inteira está lá, mas você pode ver apenas aspectos parciais dela, até que a lua cheia apareça. Da mesma forma, Krishna tem muitas formas, mas o Senhor manifesta Sua plena potência apenas como Sri Krishna, Syamasundara, com dois braços segurando a flauta (venum kvanantam aravinda-dalayataksam). Ele é a Personalidade de Deus original e completa.

 

Há muitas pessoas que adoram muitas divindades, até mesmo Krishna, mas não acreditam que Krishna seja supremo. Eles pensam que, embora Deus não tenha forma ou nome, alguma porção de Deus deslizou para maya e assumiu a forma de Krishna, Shiva, Durga ou outros semideuses. “Vou adorar esta divindade e me concentrar em sua forma”, pensa tal adorador, “e então um dia a forma se dissolverá e eu me dissolverei, e me tornarei tão bom quanto ele. Eu me tornarei igual a Krishna” Isso é uma ofensa. Isso não é bhakti, mas prostituição. É o que chamei de vesya-vada, a filosofia de uma prostituta. Qual é a proposta de uma prostituta? Uma prostituta não ama ninguém. Qualquer homem na rua é tão bom quanto qualquer outro. Mas a prostituta pensa: “Se esse homem me der alguma coisa, vou fingir que o amo. Se eu conseguir alguma coisa desse homem – ou de qualquer homem, não importa quem – então vou fingir que o amo.” Da mesma forma, as pessoas pensam: “Oh, qualquer deus, é tudo a mesma coisa. Se eu conseguir algo, então vale a pena fingir bhakti. Eu vou adorar no templo”. Mas isso não é bhakti – isso é trapaça. Você não está adorando o que pensa ser o Supremo. Você acha que o Supremo não tem forma. Então por que você está realizando arcana, sadhana, puja e outros tipos de adoração?

 

Os semideuses são apenas partes parciais de uma parte de Krishna. Eles estão muito longe da Suprema Verdade Absoluta. A Verdade Absoluta não tem nada a ver com a matéria. Portanto, mesmo o Senhor Shiva, que é quase tão bom quanto Krishna, não é o Supremo porque sua atividade diz respeito apenas à destruição material. O Senhor Krishna é comparado ao leite, e o Senhor Siva é comparado ao iogurte. Iogurte é leite, mas se você comer iogurte a reação no estômago é fria, e se você beber leite a reação no estômago é quente – exatamente o oposto. Então, se você adorar o Senhor Shiva, ou qualquer semideus, a reação será material, mas se você adorar Krishna, a reação será o desenvolvimento espiritual eterno. Portanto, não devemos igualar os nomes de Shiva, Durga, Candra e outros semideuses com o nome de Krishna. O nome de Krishna tem plena potência espiritual.

 

Os devotos na linha discipular do Senhor Caitanya entendem que todos os nomes dos semideuses vêm do nome de Krishna. Tomemos Indra como exemplo. “Indra” significa “rei”. Krishna é paramesvara, o rei supremo, então realmente o nome “Indra” pertence a Krishna. Krishna é Indra. E o semideus Indra, que é o rei dos planetas celestiais, recebeu o nome de Krishna. Outro semideus: Shiva. “Siva” significa auspicioso. Krishna é mangalo mangalanam: nada é mais auspicioso do que Krishna. Portanto, Krishna é Śiva, e o Śiva, que é a divindade da destruição, recebeu o nome Dele. Meu nome é Acyutananda. Eu não sou acyuta. Acyuta significa Krishna. Eu sou o servo de Acyuta. Dasa significa “servo”. Assim, tenho o nome de Krishna como Seu servo, dasa. Da mesma forma, todos os semideuses são Krishna dasa. Indra significa Krishna dasa. Shiva significa Krishna dasa. Candra significa Krishna dasa. Todos são Krishna dasa. Ekala isvara Krishna ara saba bhrtya: o único desfrutador supremo, a personalidade suprema, é Krishna; todos os outros são Seus servos. Portanto, devemos nos concentrar no nome de Krishna.

 

A terceira ofensa é desobedecer às ordens do guru, ou mestre espiritual. O guru é a única conexão que temos entre nós e Deus. Se uma formiga rasteja em seu corpo, a formiga não pode nem entender que você é um ser humano e que ela está andando em um homem. Ele pensa que está andando em uma floresta de árvores. Nem você pode explicar, “Sr. Ant, você está andando em cima de mim. Você não tem o poder de se explicar para ele, e ele não tem o poder de entender onde está. Vocês dois estão indefesos. Mas ainda mais distantes estão a entidade viva (jiva) e Krishna. Somos minúsculos; o jiva é um décimo de milésimo do tamanho da ponta de um fio de cabelo. E Krishna é tão grande que dos poros de Maha-Visnu, que é apenas um aspecto parcial de Krishna, inúmeros universos estão surgindo, como partículas de poeira entrando por uma janela.

 

Devemos perceber nossa posição como pequenos seres vivos e não tentar imitar a Deus. O universo em que vivemos tem muitas galáxias diferentes e um número infinito de planetas, e todos eles estão encerrados em uma bolha que veio de um poro de Maha-Visnu. Milhões e milhões de universos semelhantes a bolhas estão vindo de cada poro de Maha-Visnu, e estamos vivendo em um desses universos. Nosso universo tem milhões de planetas, e um pequeno planeta é a Terra. Nesse planeta terra há tanta água e terra, e a terra, que é apenas cerca de um terço do planeta, está dividida em tantos países, com tantos estados em cada um. Um país insignificante entre todos esses países é a Índia, que é dividida em vinte e um estados. Um estado é Bengala, e em Bengala existem muitas cidades. Uma cidade é Calcutá, que é dividida em muitas áreas – Ballygunge, Tallygunge, Burra Bazaar e assim por diante. Um lugar ali é a Rua Camac, e na Rua Camac há uma casa na qual muitos devotos estão morando, e um desses devotos está pensando: “Eu sou Deus”. Você é tão pequeno, tão insignificante! A única conexão que você, como um ser insignificante, tem com o Ser Supremo Significativo é o guru.

 

O guru, o mestre espiritual, é o meio transparente entre o Deus infinito e a alma finita. O Infinito pode dar-se a conhecer ao finito. Ele não é fraco. Não podemos nos explicar a uma formiga, mas Krishna pode se explicar a uma jiva. Portanto, ofender ou desobedecer à ordem do representante de Krishna, o guru, é suicídio.

 

Se alguém tem guru-sraddha, fé no guru, se é noite, mas o guru diz que é dia, você verá o sol brilhando. Além de nossa percepção sensorial material, devemos aceitar a ordem do guru fidedigno. Nossos sentidos são falíveis, limitados, imperfeitos, mas as palavras do guru fidedigno são puras e perfeitas. Guru-mukha-padma-vakya, cittete kariya aikya, ara na kariha mane asa: nosso único desejo é ouvir e compreender as ordens do mestre espiritual. Desobedecer às ordens do mestre espiritual impedirá qualquer progresso na vida espiritual. Yasya prasadad bhagavat-prasado yasyaprasadan na gatih kuto ‘pi: se Krishna está satisfeito com você, mas o guru está descontente, não há esperança; e se o guru está satisfeito e Krishna está descontente, você não tem nada com que se preocupar.

 

Estamos pregando a escravidão, a escravidão divina. Cada país do mundo tem um esquema de prazer – comunismo, socialismo, democracia ou qualquer outra coisa – mas todos eles estão tentando ter prazer independente do Senhor Supremo. Estamos pregando que a escravidão é muito mais feliz do que uma falsa sensação de independência. O que o guru diz, nós fazemos. Mas ele é perfeito. Ser escravo da perfeição — isso é vida extática.

 

Quarta ofensa: blasfemar a literatura védica ou literatura de acordo com a versão védica. As literaturas védicas estão em harmonia com as palavras do mestre espiritual, pois o mestre espiritual não dirá nada que não seja confirmado nas escrituras. Portanto, as palavras das escrituras e do mestre espiritual são nossas diretrizes.

 

As escrituras védicas são faladas pelo próprio Deus, e por aqueles que têm perfeito entendimento. Ao contrário das filosofias inventadas pela inteligência humana imperfeita, as escrituras védicas foram escritas pela inteligência perfeita, por devotos, por grandes sábios que sacrificaram suas vidas, não por líderes que viviam no luxo e queriam escrever alguma constituição ou propor alguma política para promover seu senso. gratificação. Esses líderes vivem no luxo às custas de todos os outros. Tanto quanto podem, eles tentam blefar as pessoas com conversas altruístas, mas seu verdadeiro objetivo é viver no luxo às suas custas. Você passa fome e eles vivem no luxo, não importa o que eles pregam. Os grandes sábios que viram a Suprema Verdade Absoluta sacrificaram suas vidas pelo Supremo; eles viviam em tantas dificuldades — para nós — porque eram nossos benquerentes. Os devotos são todos oceanos de misericórdia que vêm para nos salvar.

 

vancha-kalpa-tarubhyas ca

krpa-sindhubhya eva ca

patitanam pavanebhyo

vaisnavebhyo namo namah

 

“Ofereço minhas respeitosas reverências a todos os devotos conscientes de Krishna do Senhor. Eles são como árvores de desejo que podem satisfazer os desejos de todos, e estão cheios de compaixão pelas almas condicionadas caídas.”

 

Os grandes sábios e devotos não vêm para trapacear; eles vêm para nos dar as literaturas védicas. Portanto, essas escrituras são cientificamente puras. Encontramos muitas evidências científicas para apoiar as declarações dos Vedas. Por exemplo, os Vedas declaram que o esterco de vaca é tão puro que você pode até colocá-lo no templo, e agora a ciência está descobrindo que, de fato, o esterco de vaca tem muitas qualidades anti-sépticas. Mas por milhares de anos sabíamos que o esterco de vaca é puro; não tivemos que fazer pesquisa científica. Então, por que não aceitar a literatura védica como ela é, pura e perfeita, sem duvidar dela?

 

Algumas pessoas interpretam as palavras nas escrituras védicas, assumindo que todas são alegóricas ou simbólicas. Mas tais interpretações não podem influenciar os devotos que têm servido na Índia, pois vimos os lugares onde as encarnações de Krishna estiveram. Se alguém insistir obstinadamente que os passatempos de Krishna são todos mitologia, posso levá-lo pela orelha a Hastinapura e ao forte Indraprastha onde os Pandavas viviam, depois puxá-lo pela outra orelha para Kurukshetra, a 160 quilômetros de lá, onde Krishna falou o Bhagavad-gita. , então pelo nariz para Vrindavana, onde Krishna realizou Seus passatempos, e mergulhou sua cabeça grossa no sagrado Rio Yamuna. Esses lugares foram feitos apenas para justificar alguns poemas? Certamente não. Aqui em Vrindavana e Mayapur desenvolvemos fé, a semente de bhakti, quando vemos os lugares onde o Senhor Krishna e o Senhor Caitanya Mahaprabhu tiveram Seus passatempos.

 

Quinta ofensa: considerar imaginárias as glórias de cantar o mantra Hare Krishna. É dito na literatura védica que cantando uma vez o santo nome de Krishna a pessoa pode erradicar mais pecados do que ela pode cometer em todos os quatorze mundos. Portanto, não devemos duvidar disso. Não devemos considerar isso um exagero. Mas essa afirmação é uma grande pílula para engolir. Portanto, embora possamos dizer que cantar Hare Krishna é um processo fácil para a perfeição espiritual, as pessoas duvidarão que seja verdade. Se eu ficasse na rua e dissesse “diamantes, diamantes grátis”, ninguém acreditaria em mim. Mas aqui as escrituras estão dizendo mais do que isso. Ceto-darpana-marjanam bhava-maha-davagni-nirvapanam: você pode obter a liberação completa de todos os pecados apenas cantando Hare Krishna uma vez. As pessoas duvidarão que isso seja verdade. Ter plena fé no santo nome não é fácil; ainda devemos. Nunca devemos pensar que as escrituras védicas estão apenas blefando, tentando nos convencer a cantar, exagerando a potência do canto. Não, devemos ter fé completa.

 

Sexta ofensa: interpretar o canto do santo nome do Senhor. Algumas pessoas gostam de distorcer as declarações dos Vedas ou o significado do santo nome de Krishna. Por exemplo, cantamos os nomes Hare Krishna. Hari significa ladrão, hari significa leão e hari também significa cobra. Então, Hare Krishna significa serpente Krishna, ladrão Krishna, leão Krishna? Não. Harir om tat sat: Hari é a Suprema Verdade Absoluta. Isso significa que um ladrão é a Suprema Verdade Absoluta? Devemos construir um templo para um ladrão? Devemos construir um templo para uma cobra?

 

Com um dicionário você pode interpretar, dobrar e torcer palavras ilimitadamente. Por exemplo, posso falar do presidente Kennedy. Mas “ken” pode significar “posição mental” e “redemoinho” significa uma piscina em redemoinho, então um malabarista de palavras pode dizer que Kennedy era alguém cuja mente estava confusa e que se tornou o presidente. Pode-se torcer palavras como bate-papo de muitas maneiras. “O professor”, disse o menino, “é um tolo”. O professor disse que o menino é um tolo. Se mudarmos a pontuação, toda a frase terá um significado completamente diferente. Da mesma forma, algumas pessoas tentam distorcer os significados falsos e completamente enganosos dos Vedas, mas nós não queremos isso.

 

Não queremos uma interpretação distorcida. Queremos a verdade, como ela é. Srila Prabhupada está dando o Bhagavad-gita como ele é. Não se deve tentar distorcer algum outro significado. Não devemos ser como o homem tolo cuja esposa lhe disse para comprar um pouco de ghee, manteiga clarificada. Ele saiu para comprar ghee, mas quando foi até o homem que vendia ghee, aquele homem disse: “Meu ghee é tão bom, é como óleo”. Então o homem disse: “Oh, óleo. O óleo deve ser melhor que o ghee.” Então ele foi até o homem que vendia óleo. Mas o homem do petróleo disse: “Meu óleo é tão claro, é tão claro quanto a água”. Então o sujeito pensou que a água devia ser melhor que o óleo. Então, em vez de ghee, ele comprou um pouco de água. Passo a passo, ele chegou a algo inútil. Você não pode fritar nada na água, mas ele achava que água é melhor que ghee. Dessa forma, um especulador mental pode torcer e transformar tudo. Krishna significa preto, preto significa escuro, escuro é desconhecido, Então Krishna significa desconhecido. É um tipo muito perigoso de filosofia. Portanto, não podemos interpretar os significados dessas palavras; antes, devemos aceitá-los de acordo com a compreensão dos acharyas, os devotos puros na linha discipular.

 

Sétima ofensa: cometer atividades pecaminosas com a força de cantar o santo nome do Senhor. Cantar o santo nome nos livra de tantos pecados, mas não devemos pensar: “Vou cometer atividades pecaminosas e depois cantar para me tornar puro. Então eu cometerei mais pecados e então cantarei novamente.” Isso é um absurdo. Isso é trapaça. Você não pode enganar Krishna, nem pode enganar o santo nome. O santo nome é Krishna. Portanto, Krishna saberá o que você está fazendo. Em algumas religiões é uma política que no sábado a pessoa possa confessar todos os seus pecados e assim tornar-se pura para que no domingo ela possa entrar na igreja. Então, a partir de segunda-feira, ele pode retomar sua tolice pecaminosa. Mas se alguém confessou que seus pecados são errados, por que deveria cometê-los novamente? Ele será perdoado uma ou duas vezes, se os cometer sem saber, mas na terceira ou quarta vez terá que sofrer. Ninguém pode continuar usando o Senhor para justificar seu pecado. Isso é um absurdo. Tentar usar a força do santo nome para justificar suas más propensões é considerado a pior ofensa.

 

Oitava ofensa: considerar o canto de Hare Krishna uma das atividades ritualísticas auspiciosas oferecidas nos Vedas para ganhos fruitivos (karma-kanda). Estamos cantando Hare Krishna para obter Krishna-prema, amor a Krishna – não por causa da religiosidade (dharma), desenvolvimento econômico (artha), satisfação dos sentidos (kama) ou mesmo liberação (moksa). Quando alguém está imbuído de amor por Krishna, a liberação parece totalmente miserável porque na liberação impessoal não há amor. Krishna se manifesta em Suas moradas espirituais, como Goloka e Vaikuntha, e Ele aparece no mundo material como um avatara, ou encarnação. Na forma do avatara Varaha, Krishna foi para a região mais escura do inferno para resgatar o planeta Terra. Portanto, Krishna aparece para Seus devotos no inferno, na terra, no céu e em Goloka Vrndavana, mas no Absoluto impessoal, o brahmajyoti, Krishna não se manifesta. Portanto, kaivalyam narakayate; a liberação impessoal (kaivalya-mukti) é pior que o inferno para um devoto.

 

Não estamos cantando Hare Krishna para nenhum ganho pessoal. No dhanam na janam na sundarim kavitam va jagad-isa kamaye: não queremos dinheiro, não queremos seguidores, não queremos mulheres bonitas, nem queremos popularidade, educação ou uma posição importante. Mama janmani janmanisvare bhavatad bhaktir ahaituki tvayi: queremos devoção sem causa, bhakti, aos pés de Krishna. Nada mais. Portanto, estamos cantando Hare Krishna – apenas para isso.

 

Nona ofensa: instruir uma pessoa infiel sobre as glórias de cantar o santo nome. Qualquer pessoa pode participar do canto do santo nome, mas não devemos dar instruções ou iniciações mais profundas a quem é infiel. Essa falta de fé pode ser devido à sua ignorância e, portanto, podemos dar-lhe conhecimento e purificá-lo. Mas antes que ele seja purificado, se ele decidiu ser avesso a Krishna (bahir-mukha, vimukha), quanto mais o instruirmos sobre Krishna, mais ele odiará Krishna. Então estaremos fazendo com que essa pessoa cometa mais ofensas, e isso é uma ofensa da nossa parte. Portanto, não se deve dar instruções mais profundas sobre cantar o santo nome para alguém que não tem fé; antes, devemos primeiro desenvolver sua fé dando-lhe conhecimento.

 

As pessoas não têm fé em Krishna apenas porque são ignorantes. Eles não foram expostos ao conhecimento real de Krishna, mas absorveram apenas noções falsas. Por exemplo, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, a força aérea japonesa pegou meninos de treze ou quatorze anos e os ensinou a pilotar aviões. Eles não os ensinaram como pousar os aviões, mas apenas como decolar e voar. Eles disseram a esses garotos inocentes que, pelo bem de seu país, eles poderiam bater o avião em um barco inimigo e eles sairiam vivos. Eles não disseram a eles que explosivos haviam sido carregados no avião e que eles seriam mortos. Os pilotos receberam apenas uma pequena quantidade de combustível, para que não pudessem voltar se ficassem com medo. Finalmente, seus comandantes os acusaram de algumas noções falsas sobre amor à pátria e amor por seus antepassados ​​e os enviaram em sua missão. Eles eram simplesmente um esquadrão suicida. Tudo o que tinham era conhecimento parcial, combustível parcial e educação parcial, e assim, carregados de alguns sentimentos falsos, foram iludidos a cometer suicídio. Da mesma forma, a educação moderna está nos dando apenas educação parcial, para que trabalhemos como cães.

 

Segundo a crença popular, o povo indiano não tem capacidade para trabalhar. Este é um equívoco. Já vi pessoas extremamente idosas andando 13 ou 15 quilômetros ao redor da Colina Govardhana sob o sol quente. Eles escalam as sete colinas até o templo de Tirupati, tomam banhos frios no mês de Magh (janeiro) ou caminham até Badarikasrama. Eles estão tão dispostos a realizar essas atividades para a realização espiritual, então por que não estão ansiosos para trabalhar em uma fábrica? Porque eles sabem que não estão obtendo benefícios espirituais trabalhando em uma fábrica. Eles querem benefício espiritual, porque as pessoas na Índia são basicamente religiosas. Eles sabem que mukti (libertação) não pode ser alcançada trabalhando em uma fábrica, mas o governo está tentando propor a filosofia de que trabalho é adoração. Os líderes do governo sabem que as pessoas são basicamente religiosas, então estão dizendo: “Se você trabalhar duro na fábrica quente, obterá mukti”. Eles estão tentando destruir um falso significado do Bhagavad-gita – trabalhe duro e esqueça qualquer outra coisa. Sem religião, sem templo, apenas trabalho na fábrica. Eles estão tentando impor essa filosofia ao público para fazer com que as pessoas trabalhem na fábrica e pensem que o trabalho fabril ou o trabalho duro é uma atividade auspiciosa e piedosa.

 

Mas não funciona. Entre em qualquer prédio de escritórios e você encontrará todos sentados fumando, tentando fazer o mínimo de trabalho possível. Mas se você for a Jagannatha Puri, verá um enorme templo construído há milhares de anos. Como as pessoas conseguiram a energia para construir tal templo? Eles sabiam: “Estou fazendo isso por Jagannatha, por Krishna”. Isso trouxe o melhor deles. Se as pessoas souberem que estão trabalhando para algum ministro trapaceiro, também serão trapaceiros. Eles farão a menor quantidade de trabalho possível. No entanto, se trabalham para Deus, sabem que Ele vê tudo o que fazem e que, ao agradá-lo, podem vê-lo e viver com ele. Isso é uma inspiração. Mas os líderes modernos não gostam disso. Eles querem que as pessoas trabalhem para eles, não para Krishna. Eles têm inveja de Krishna. Eles pensam: “Oh, se você trabalha para mim, isso é adoração”. Isso é falso. Estamos aceitando o mahatma-panthah, o caminho dos acaryas anteriores, os grandes mestres espirituais. A sociedade moderna sabe mais do que os grandes acharyas?

 

A última ofensa é não ter fé completa no canto do santo nome e manter o apego material mesmo depois de entender tantas instruções sobre este assunto. Krishna declara no Bhagavad-gita, rasa-varjam raso ‘py asya param drstva nivartate: “Aquele que está apegado ao prazer sensual se liberta desse apego quando experimenta um gosto mais elevado.” Nós, devotos na Índia, aparentemente estamos vivendo vidas muito difíceis. Embora sejamos americanos, estamos dormindo no chão, comendo apenas uma ou duas refeições por dia, vivendo neste país quente e nos vestindo e vivendo humildemente. Então as pessoas podem pensar que estamos sofrendo, mas na verdade não estamos – somos felizes. Estamos felizes porque temos o santo nome, porque estamos tendo um sabor mais elevado. Mas se depois de ter esse sabor mais alto quisermos novamente o sabor mais baixo, isso é um grande erro. Uma pessoa nessa posição é chamada de vantasi. Vantasi significa aquele que come seu próprio vômito. Quando alguém rejeita seus apegos baixos, isso é comparado ao vômito. No entanto, depois de ter obtido um sabor mais elevado, ceder novamente a um sabor mais baixo é tão bom quanto comer vômito. Portanto, manter apego material depois de ouvir as glórias do santo nome do Senhor é uma ofensa.

 

Se evitarmos essas dez ofensas ao santo nome do Senhor, certamente progrediremos, pela graça do mestre espiritual, Senhor Caitanya e Senhor Sri Krishna. O resultado será, ceto-darpana-marjanam; nossa consciência será purificada. Isso é uma necessidade. Como podemos ter paz ou fazer algum progresso quando nossa consciência está turva e agitada?

 

Houve uma reunião entre alguns líderes do Oriente Médio preocupados em fazer a paz em Israel. Eles haviam se reunido em uma sala e estavam prestes a se sentar em mesas diferentes. A Jordânia foi atribuída a uma mesa, a Síria a outra, o Irã a outra e Israel a outra. Os israelenses, no entanto, não quiseram ocupar seus assentos designados. Eles queriam se sentar em uma mesa do outro lado da sala. Mas os sírios disseram: “Não, queremos esta mesa”. Então, seguiu-se uma discussão furiosa, na qual os membros da conversa de paz ameaçaram encerrar as negociações e ir à guerra. Como suas mentes estavam agitadas, eles não conseguiam fazer as pazes nem mesmo em uma sala de três metros. Portanto, a primeira necessidade na sociedade é a pureza da consciência.

 

Com consciência impura interior, como podemos externamente ter paz ou pureza? Primeiro devemos nos tornar puros internamente. Por exemplo, aqui na Índia os comerciantes agora adulteram o ghee (manteiga clarificada) misturando muitas coisas impuras para economizar dinheiro. Por quê? Porque eles não acreditam mais em Deus. Se acreditassem em Deus, pensariam: “Este ghee pode ser oferecido em um templo em algum lugar. Torná-lo impuro seria uma grande ofensa”. Mas porque eles não são conscientes de Deus, eles pensam: “Quem se importa? Ninguém vai me ver. O governo não vai saber.” Mas embora se possa escapar da visão do governo, não se pode escapar da visão de Deus. O Senhor Supremo vê tudo. No entanto, se eliminarmos a ideia de Deus como saksi, a testemunha, então o inferno prevalecerá. Portanto, devemos purificar a consciência. Bhava-maha-davagni-nirvapanam: quando nossa consciência é purificada, automaticamente o fogo de nossa existência material será extinto.

 

O canto de Hare Krishna dissemina o conhecimento transcendental no coração como a luz da lua (sreyah-kairava-candrika-vitaranam vidya-vadhu-jivanam) e aumenta nosso êxtase a cada momento (anandambudhi-vardhanam). No êxtase material, o prazer diminui gradualmente. Se você tem prazer em comer um pedaço de doce, em pouco tempo precisará de dois pedaços para obter o mesmo prazer. Então você vai precisar de três, depois de cinco, e logo você não vai querer mais olhar para doces. Isso é prazer material; ele diminui. Mas em consciência de Krishna, anandambudhi-vardhanam pratipadam purnamrta svadanam: a cada passo você terá um sabor mais completo do néctar. Sarvatma-snapanam param vijayate sri-Krishna-sankirtanam: todos podem se purificar cantando este maha-mantra Hare Krishna. Atma significa o corpo, a mente, a inteligência, o esforço, a alma e Krishna. Caitanya Mahaprabhu deu todos esses significados diferentes para a palavra atma quando explicou o verso atmarama do Srimad-Bhagavatam. Portanto, ceto-darpana-marjanam . . . sarvatma-snapanam. quando cantamos Hare Krishna, todos os atmas se purificam – a mente, a inteligência, a alma. Ao cantar Hare Krishna, todas as entidades vivas podem se tornar felizes. E Krishna também fica feliz quando cantamos.

 

Podemos oferecer uma flor a Krishna (patram puspam phalam toyam), mas o nome de Krishna é o próprio Krishna (abhinnatvan nama-naminoh). Assim, cantando os santos nomes do Senhor Krishna, estamos dando a Ele a melhor oferenda. No Srimad-Bhagavatam afirma-se, yajnaih sankirtana-prayair yajanti hi sumedhasah: aqueles que são inteligentes nesta Era de Briga adorarão o Senhor Supremo por nama-sankirtana-yajna, o sacrifício de cantar o santo nome do Senhor. Yajna (sacrifício) deve ser realizado, pois sem yajna, mesmo a prosperidade material é impossível. Nesta Era de Kali, o sacrifício recomendado é sankirtana-yajna, e aqueles que são inteligentes realizarão este canto dos santos nomes do Senhor e, portanto, seguirão os ensinamentos do Senhor Caitanya Mahaprabhu.

 

Caitanya Mahaprabhu é nosso objetivo, nosso objeto de meditação e adoração. Ele é o próprio Krishna com uma tez dourada, cercado por Seus associados. O Senhor Caitanya, no entanto, não carrega armas, o Senhor Ramacandra carrega um arco e flecha, Parasurama tem Seu machado, Krishna tem Seu disco e Vishnu carrega uma concha, disco, maça e lótus. Mas Caitanya Mahaprabhu está de mãos vazias. Suas únicas armas são Seus associados, como o Senhor Nityananda e Haridasa, porque Sua arma é o amor. Em vez de matar os demônios e libertá-los, Ele os transformou em devotos e os conquistou pelo amor. O Senhor Nityananda costumava ir de casa em casa, bater em suas portas e implorar às pessoas que por favor cantem Hare Krishna. Ele abria a porta, caía prostrado no chão e rolava no chão, implorando para que cantassem o santo nome do Senhor. Como você pode negar Seu pedido? A Suprema Personalidade de Deus está aos seus pés, implorando por você rolando na poeira de sua casa. Você O negará? Você pode recusar? Nenhuma pessoa inteligente pode rejeitá-Lo. Portanto, cante Hare Krishna e evite essas ofensas. Essa é a perfeição da vida humana.

 

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Fonte:

 

Chanting Hare Krishna in Purity — The Ten Offenses, by His Holiness Acyutananda Svami.

 

Back To Godhead Vol 68, August 1974.

 

Chanting Hare Krishna in Purity — The Ten Offenses.

 

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/cantando-hare-krishna-em-pureza-as-dez-ofensas/

Rosacruz, Maçonaria e Martinismo

Texto de G. O. Mebes, datado de 1911.

Não queremos impor a ninguém a crença de que tenha existido, efetivamente, uma Fraternidade fundada por Christian Rosenkreuz (1378 – 1484) e composta de um pequeno conjunto de místicos castos; queremos, apenas, afirmar o fato do aparecimento no astral de uma forma apresentando, nitidamente, os ideais e caminhos de aperfeiçoamento dos quais, bem mais tarde, tratou a famosa obra “FAMA FRATERNITATIS ROSAE CRUCIS”. Nela, esses ideais foram registrados em forma de um código; mas o despertar da Egrégora aconteceu numa época bem anterior.

Estudemos como se apresenta para nós a Egrégora da Rosa-Cruz inicial, segundo a obra acima citada e também conforme o “CONFESSIO FIDEI R+C”. É claramente visível que essa poderosa Egrégora atraiu a si os fluidos de três importantes e amplos fluxos da Verdade: o Gnosticismo, a Cabala e o Hermetismo da Escola Alquímica.

O “Ponto Superior acima do Iod” deste novo aspecto da Egrégora Templária foi constituído pelo ideal do trabalho teúrgico, visando a vinda do “Reino de Elias Artista” e por uma fé inabalável de que este Reino virá no futuro.

O que quer dizer isso? Quem é “Elias Artista”?; de onde surgiu “Elias” e por que “Artista”?

Na Bíblia, Elias e Enoch são símbolos de algo que é levado vivo ao céu. No entanto, o caminho direto para o Empíreo da metafísica está aberto somente aos fluxos da Verdade Absoluta. Os Arcanos Menores do Livro de Enoch fazem parte de tais fluxos. Elias, por sua vez, é como uma imagem mais concreta de Enoch, está mais próximo de nós. Portanto, “Elias” e não “Enoch”.

Como é este Elias? Por quais caminhos pode ele nos levar aos Arcanos Menores, à Reintegração Rosacruciana? Seria este o caminho dos Bem-aventurados, caminho dos corações humildes e plenos de amor, das mentes simples e sem malícia, mas possuidoras de uma fé infinita?

Não. A Egrégora não era para eles. Era para os que haviam experimentado o refinado sabor do conhecimento e já não podiam a ele renunciar, O “Elias Rosacruciano” conduz seus seguidores aos Arcanos Menores pelo caminho difícil do estudo minucioso e profundo dos Arcanos Maiores, uma analise engenhosa, constituindo verdadeira arte; dai o nome “Artista”.

O poderoso “Iod” com o qual a Egrégora modelava seus adeptos expressou-se pelo símbolo imortal da Rosa+Cruz. Seja qual for a moldura que acompanhe este símbolo, sejam quais forem os acréscimos, sua parte central e essencial permanece sempre a mesma.

A Cruz, símbolo da auto-renúncia, do altruísmo ilimitado, submissão total às Leis Superiores, é um dos seus polos. A Rosa perfumada de Hermes, símbolo da ciência e do aperfeiçoamento nos três planos, envolve a Cruz.

Os vinculados ao símbolo da Rosa+Cruz, podem carregar a Cruz mas não poderão remover dele a Rosa. Mesmo se os espinhos do conhecimento os fizerem sofrer, não renunciarão à atração de seu perfume. A Rosa é o segundo polo do Binário .

A tarefa do Rosacrucianismo é neutralizar este binário com sua própria personalidade, harmonizar em si mesmo a Ciência e a auto renuncia, fazê-las servir a um mesmo ideal . Um Rosacriciano deve assemelhar-se ao terceiro símbolo que consta do pantáculo da Rosacruz, o Pelicano, cujas asas permanecem abertas e que sacrifica-se por seus filhotes, alimenta-os com seu próprio corpo, seu sangue e sua carne.

No emblema, os filhotes do Pelicano são de cores diferentes. Nos emblemas primitivos havia apenas três filhotes, simbolizando as três Causas Primordiais; nos emblemas posteriores há sete, simbolizando as sete Causas Secundárias, sendo cada um dos filhotes de uma cor planetária diferente. Isso indica que o sacrifício deve ser feito conforme a ciência das cores, ou seja, cada um dos filhotes necessita um tratamento especifico.

Esse “lod’ apresenta um tema a ser meditado por parte de cada um dos verdadeiros Rosacrucianos.

O “Primeiro He” do Rosacrucianismo inicial era constituído por um grupo de naturezas raras e excepcionais, capazes de unir o misticismo à mais elevada intelectualidade.

O “Shin” do esquema Rosacruciano revestiu-se de uma certa auto-apreciação, em consequência natural de se considerarem instrumentos escolhidos. Havia tão poucas pessoas, capazes de satisfazer a essas exigências, que a convicção da superioridade introduziu-se por si mesma. Ela acentuou-se ainda mais, devido as severas regras da ética Rosacruciana, que os eleitos introduziram em seu viver.

O culto, o elemento “Vau”, expressava-se pela meditação sobre os símbolos, especialmente sobre o grande pantáculo da Rosa + Cruz e, em parte, pelas cerimônias místicas durante as reuniões periódicas dos Rosacrucianos.

O “Segundo He”, a “política” da Escola, constituiu-se numa atividade que, de acordo com suas convicções, os Rosacrucianos consideravam indispensável ao progresso da Humanidade. Devido a necessidade da prudência, tanto essa atividade quanto as pessoas dos membros da Corrente, eram envolvidas num estrito anonimato. Nesse “Segundo He”, podia-se perceber facilmente a reação, ainda não dissolvida no astral puro, do violento ressentimento dos Templários contra a Igreja Romana, ressentimento que chegou a criar os elementos formais do Protestantismo.

O Rosacrucianismo inicial, como já sublinhamos, não podia, naturalmente, contar com muitos adeptos, pois exigia deles características que, em geral, se excluem mutuamente.

Mais tarde, no século XVI, da Escola inicial gradualmente aquilo que poderia ser chamado de Rosacrucianismo secundário. Se o primeiro era acessível somente a poucos, o segundo podia ser seguido por todos os homens conscientes. Se o primeiro exigia quase fanaticamente que seus seguidores adotassem regras rígidas de auto-aperfeiçoamento, o segundo era caracterizado por uma tolerância maior em todos os campos da mente e do coração.

O ponto acima do Iod é o próprio elemento “Iod” permaneceram os mesmos. Visivelmente, mudou o “Primeiro He”. O ambiente dos séculos XVI, XVII e, parcialmente, do XVIII, fecundado pelos ideais Rosacrucianos, era o dos Enciclopedistas no melhor e mais amplo sentido dessa palavra. Do adepto da nova Rosa+Cruz exigia-se uma multiplicidade de facetas intelectuais, capacidade de especulação científica, amplitude do horizonte mental e dedicação aos ideais. Na Corrente Rosacruciana entravam tanto as naturezas altamente místicas como fervorosos panteístas ou pessoas de mentalidade pratica. Todavia, tornamos a repetir, eram aceitas unicamente pessoas notáveis por sua inteligência e erudição, pessoas possuindo uma vontade desenvolvida e concepções claras a respeito do trabalho a desenvolver para a elevação da humanidade.

(A publicação do elemento Shin não foi autorizada pelo Mestre).

O elemento “Vau”, em linhas gerais, permaneceu idêntico ao da Rosacruz inicial. Segundo os vários ramos da Escola, apareceram pequenas diferenças no ritual de recepção dos novos membros, nos rituais dos graus ou nas cerimônias, durante as reuniões dos conselhos superiores. No elemento Vau devem ser também incluídos os métodos de transformação astral e de treinamento da personalidade, acrescentados à prática básica de meditação. A introdução desses métodos era devida, em grande parte, à influência de várias escolas orientais.

O ‘segundo He” ou a “política da Escola”, expressou-se pela orientação de exercer sua influência na sociedade contemporânea. No começo, essa influência tinha um caráter puramente ético, mais tarde, fortemente realizador. Os ramos e sub ramos do Rosacrucianismo Secundário possuíam seus programas políticos particulares. Estes mudavam, naturalmente com o passar do tempo, visando sempre as reformas políticas e religiosas mais necessárias. Não obstante, a Egrégora Templária, portadora do impressionante clichê da destruição do plano Físico da Corrente de Jacques DeMolay, vibrava na direção da prudência cada vez que o Rosacrucianismo se preparava para dar um passo decisivo no mundo externo, causando a escolha do modo de ação mais seguro. Em consequência de uma destas vibrações foi criada a Ordem Maçônica.

O astral muito sutil do Rosacrucianismo, apropriado ao ensino, não possuía qualidades necessárias para lidar com problemas práticos e adaptar-se aos condicionamentos e brutalidade dos homens. Podia ficar prejudicado em sua base. A fim de evitá-lo, ao redor da Rosa e da Cruz, foi criado um invólucro mais material, melhor adaptado a contatos e trabalhos externos: a MAÇONARIA.

A Maçonaria, isto é, a Maçonaria legítima do Rito Escocês, com interpretação ético-hermética do simbolismo tradicional, tornou-se a guardiã de “sua alma”, a Rosa+Cruz. Ela implantava, tanto no seu próprio ambiente, como no mundo externo, o respeito para com os símbolos tradicionais e para com seus intérpretes, os Rosacrucianos. Os Maçons espalhavam ao redor de si a convicção de que o exemplo irrepreensível de suas vidas e seu alto nível moral tinham suas bases nos ensinamentos iniciáticos.

A Maçonaria realizava as reformas decididas pelos Rosacrucianos, protegendo-os, com suas próprias pessoas, contra a possível hostilidade e as perseguições humanas no plano físico.

Os fundadores da Maçonaria, entre os quais ocupa um lugar proeminente ELIAS ASHMOLE (1817-1692), com muita habilidade adaptaram para seu uso o sistema dos graus dos Maçons Livres, fazendo dele a base de seus próprios três primeiros graus, os “simbólicos”, da Iniciação Maçônica. Este trabalho se iniciou em 1646 e em 1717 existia já um sistema dos Capítulos da Maçonaria Escocesa, plenamente organizado.

Assim, a Maçonaria tornou-se um instrumento indispensável no trabalho do Iluminismo Rosacruciano, cuja “política” (o “Segundo He”) recebeu o nome de “Maçônica”, nome que guardou até agora. Os efeitos da política Rosacruciana, alcançados pelos Maçons no mundo externo, receberam o nome de “tiros de canhão”. Entre outros, como “tiros de canhão”, foram consideradas as reformas religiosas de Lutero e de Calvino, assim como a libertação dos Estados Unidos da América do Norte da dependência britânica (Lafayette e seus oficiais Maçons). Os Rosacrucianos se utilizavam dos Maçons, tanto mais que entre eles escolhiam os que mereciam ser iniciados no Iluminismo Cristão.

Contudo, cada medalha tem seu reverso. Enquanto a Maçonaria foi uma organização submetida ao Rosacrucianismo, enquanto praticava o princípio da Sucessão Hierárquica por transmissão, ela cumpria sua tarefa e não havia problemas.

Infelizmente, diversos ramos bastante fortes resolveram introduzir o método de eleger seus dirigentes, rejeitando assim o princípio hierárquico tradicional. Em decorrência, o trabalho maçônico começou a mudar seu caráter e, de evolutivo, passou a ser quase revolucionário. Um momento importante neste novo rumo foi a dissidência de Lacorne e seus seguidores (em 1773) que, numa cisão, separaram-se da Maçonaria legítima e fundaram uma nova associação que passou a ser conhecida sob o nome de “Grande Oriente da França”.

Com isto concluiremos o nosso breve esboço relativo à Maçonaria e passaremos ao fim do século XVII, para analisar uma das correntes, ainda existente, do antigo Iluminismo Cristão.

Ao redor do ano de 1760, o famoso Martinez de Pasqually fundou uma fraternidade de “Seletos Servidores do Sagrado”, os “ELUS COHENS”, com nove graus hierárquicos. Os três graus superiores eram Rosacrucianos.

A Escola de Martinez era mágico-teúrgica, com forte predominância de métodos puramente mágicos. Após a morte de Martinez, seus dois discípulos preferidos, Willermoz e Louis Claude de Saint Martin, alteraram o caráter dessa Corrente.

Willermoz lhe deu um colorido maçônico e Claude de Saint Martin, um escritor conhecido sob o pseudônimo “Filosofo Descolhecido” encaminhou a Corrente para o lado místico-teúrgico. Contrariamente a Willermoz, ele favorecia uma Iniciação liberal e não as regras das Lojas Maçônicas. A influência de Saint Martin predominou e criou uma Corrente chamada “Martinismo”.

A Egrégora do Martinismo que possuía sua Maçonaria, seu círculo externo “encarnou” solidamente em todos os países da Europa. Ela era constituída, aproximadamente, do seguinte modo:

O ponto acima do Iod, correspondia à harmonização ética, do ser humano. O “Iod” baseava-se na filosofia espiritualista das obras de St. Martin, que variava, um pouco, segundo diversas épocas da vida do escritor.

O “Primeiro He” era constituído por um grupo de pessoas muito puras e desinteressadas, possuindo aspirações místicas mais ou menos pronunciadas, pessoas prontas a qualquer trabalho filantrópico

O elemento Shin era inexistente, provavelmente em virtude do caráter do “Primeiro He”. Os idealistas puros que aspiravam a harmonia interna, não necessitam de um ímã para atrair adeptos.

O elemento ”Vau” se limitava a um ritual muito simples, a oração e a cerimônia de Iniciação notável pela sua simplicidade. É verdade que alguns maçons, entre os Martinistas davam mais importância ao ritual e este em certas Lojas, tornou-se até imponente por sua magnificência; todavia nós frisamos agora o Martinismo puro, independente de qualquer acréscimo maçônico. No Martinismo todo valor era dado a meditação, à formação interna do “Homem de Aspiração” e não ao ambiente mágico, como foi o caso do Martinezismo ou do Willemozismo .

O “Segundo He” do Martinismo consistia do trabalho filantrópico de seus membros, ajudar aos necessitados e sofredores, evitando toda manifestação espetacular, na recusa de qualquer compromisso ético ao deparar-se com as influências externas e, em uma modéstia, simplicidade e presteza no adaptar-se a quaisquer condições externas de vida. Essas qualidades impressionavam fortemente todas as elites sociais contemporâneas.

Embora a Iniciação Martinista na época do Primeiro Império e, posteriormente, até a oitava década do século XIX, se transmitisse por um liame multo tênue, o Martinismo contava em suas fileiras pessoas de ato valor, como Chaptal, Delage, Constant e outros.

Aproximadamente, na oitava década , o bem conhecido Stanislas de Guaita, querendo recriar uma corrente mais esotérica, fundou a “Ordem Cabalística da Rosa+Cruz”, obedecendo o esquema seguinte:

O “Ponto acima do Iod” consistia numa conciliação da ciência acadêmica oficial com os ensinamentos esotéricos acessíveis, objetivando criar um trabalho frutífero, em conjunto, dos representantes dos dois aspectos do conhecimento.

O “Iod” resumia-se em uma síntese de todos o conhecimentos, acessíveis tanto pela pesquisa científica, quanto pelo estudo da Tradição.

O “Primeiro He” era de novo o ambiente dos Enciclopedistas, mas infelizmente, Enciclopedistas fracassados. Em nossa época, as pessoas capazes progridem rapidamente dentro de sua profissão ou especialização e, muitas vezes, falta-lhes o tempo para se desenvolver em outros sentidos, enquanto os que fracassaram em sua direção particular, procuram geralmente um derivativo no Enciclopedismo, que lhes forneça uma compensação. Para um observador superficial, tais pessoas podem aparentar possuir uma inteligência de muitas facetas, assemelhando-se, através disso, às pessoas realmente excepcionais como o foram os membros do Rosacrucianismo inicial.

O elemento “Shin” da nova Egrégora era a perspectiva, atraente para os fracassados, de receber, devido ao prestígio da Rosacruz, a mesma consideração que os reconhecidos luminares da ciência oficial.

O elemento “Vau” era o trabalho de reeditar, traduzir e comentar as obras clássicas relativas ao ocultismo, que naquela época tornaram-se raridades bibliográficas, de preços quase inacessíveis, mesmo às pessoas bem situadas materialmente. Neste campo, os Rosacrucianos de Paris fizeram um trabalho muito útil e mereceram uma profunda gratidão dos que reverenciam os grandes monumentos deixados pela Tradição.

O pior elemento do sistema revelou-se o “Segundo He”, manifestado como uma política oportunista, a fim de atrair o mundo universitário. As teses tradicionais, na sua explanação, eram alteradas para fazê-las concordar com as últimas obras científicas, perdendo assim o seu valor. O empenho de certos Rosacrucianos em obter a aprovação dos representantes da ciência oficial, prejudicava naturalmente o prestigio da Escola. Por outro lado, as tentativas de uma parte de seus membros, para atenuar as teses Rosacrucianas, a fim de não contrariarem demais a Igreja Romana, levaram a uma cisão dentro da própria Escola (o afastamento de Peladan). Em geral, ainda no tempo de Guaita, a situação tornou- se precária. Foi feita, por isso, uma tentativa de aproximação com a Maçonaria, o que, deturpando as finalidades da Ordem, precipitou sua queda. Ela existe ainda.

Paralelamente com a fundação da Ordem Cabalística da Rosa Cruz, S. de Guaita procurou dar uma nova e grande amplitude à Corrente Martinista. O “Neo-Martinismo” de Guaita, tornou-se bem diverso da corrente inicial, toda via, o Neo-Martinismo adotou o ritual Martinista da Iniciação ao grau de S:::I::: ( Superior Incógnito – NT) e neste ritual baseou seu simbololismo.

Os ideais de Saint Martin e a formação interna do Homem de Aspiração não podiam satisfazer o enérgico Guaita, atraído demais para os resultados visíveis. Ele não admitia nenhuma interrupção voluntária da atividade externa, mesmo quando necessária para magnetizar o ambiente. Nas obras de Guaita encontram-se mesmo, muitas vezes palavras irônicas a respeito de tais interrupções.

Para que a quase renascida Egrégora de Martinez de Pasqually pudesse trazer à nova Ordem da Rosa+Cruz adeptos escolhidos entre os mais capazes S:::I::: do novo Martinismo foi preciso introduzir no esquema do mesmo uma grande tolerância no campo dogmático.

O ponto acima do Iod permaneceu, como antes, a harmonização ética interna.

A escolha do elemento “Iod” foi deixada ao livre arbítrio de cada membro da Corrente Neo-Martinista. Naturalmente, as obras de Saint Martin conservavam o seu papel de linha mestra.

O elemento “He”, como consequência da livre escolha do elemento “Iod”, veio a ser constituído por círculos de diversas tonalidades e valores. Aí podiam ser encontrados os cansados da busca religiosa, os decepcionados com a ciência oficial, os que não conseguiram ingressar na Maçonaria e procuravam algo equivalente, os impressionados pelo uso dos emblemas místicos, os que se deleitavam em debates versando temas do ocultismo durante as reuniões, os simplesmente curiosos, sempre prontos a ingressar nas organizações “misteriosas”. Havia também aqueles que chegaram à conclusão de que era preferível tornar-se membro de qualquer corrente a permanecer sem nenhuma proteção egregórica.

Como a Ordem da Rosa+Cruz recebia e recebe até agora somente os que passaram pelos três primeiros graus do novo Martinismo, entre os últimos podiam ser sempre encontradas algumas pessoas adequadas a se tornarem instrutores na corrente Martinista e orientar o desenvolvimento de seus membros. Foi isso que sustentou e vivificou o Martinismo que cresceu consideravelmente depois de Guaita, e conta agora com um grande número de adeptos. Atualmente, seu Conselho Superior está chefiado pelo Dr. Gerard Encausse, escritor e propagador do ocultismo, mais conhecido sob o pseudônimo “Papus”  (lembrando que este artigo foi escrito por G. O. Mebes em 1911 – NT).

Devido a diversidade das tendências e dos níveis evolutivos de seus membros, o “Shin” da nova Corrente Martinista foi formado por vários elementos. A uns atraia o ritual; a outros a solidariedade existente entre os membros da Corrente. A uns, a possibilidade de desenvolvimento interno; a outros, a pureza da transmissão do poder, etc.

O elemento “Vau” além das cerimônias místicas, a unirem os Martinistas, consistia em meditação obrigatória acerca de temas determinados e, facilitando essas meditações, palestras dos instrutores abordando assuntos iniciáticos.

O “Segundo He” consistia numa política, bastante passiva, de aguardar o progresso ético da sociedade, colaborando neste sentido com o exemplo de uma vida em acordo com sua consciência. Muitos círculos Martinistas acrescentavam, a esse modo de viver, um elemento mais ativo, filantrópico ou algum outro. Todavia, estas atividades particulares não de vem ser levadas em consideração numa análise dos princípios Egregóricos.

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#Maçonaria #Martinismo #Rosacruz

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O Exotérico e o Esotérico

Todos os símbolos sagrados, tanto os expressados pela natureza como os adquiridos pelos homens mediante revelação divina, sejam estes gestuais, visuais ou auditivos, numéricos, geométricos ou astronômicos, rituais ou mitológicos, macro ou microcósmicos, têm uma face oculta e uma aparente; uma qualidade intrínseca e uma manifestação sensível, quer dizer, um aspecto esotérico e outro exotérico.

Enquanto o homem profano (que é tal por seu estado de queda) unicamente pode perceber o exterior do símbolo, pois perdeu a conexão com sua origem mítica e sua realidade espiritual, o iniciado procura descobrir nele o mais essencial, o que se encontra em seu núcleo, o que não é sensível, mas sim inteligível e cognoscível, a estrutura invisível do Cosmo e do pensamento, sua trama eterna, ou seja, o esotérico, que constitui também o ser mais profundo do próprio homem, sua natureza imortal.

Ao tomar contato e identificar-se com essa condição superior de si mesmo e do Todo, constata que signos e estruturas simbólicas aparentemente diversas são, no entanto, idênticas em significado e origem; que um mesmo pensamento ou idéia pode ser expresso com distintas linguagens e roupagens sem se alterar, de modo algum, seu conteúdo único e essencial; que as idéias universais e eternas não podem variar, ainda que na aparência se manifestem de modo passageiro.

O Cosmo, a criação inteira, contém uma face oculta: sua estrutura invisível e misteriosa, que o faz possível e que é sua realidade esotérica, mas que, ao se manifestar, reflete-se em miríades de seres de variadíssimas formas que lhe dão uma face exotérica, sua aparência temporal e mutável. No homem sucede o mesmo: o corpo e as circunstâncias individuais são as que constituem seu aspecto exotérico e aparente, sendo o espírito o mais esotérico, a única Realidade, sua origem mais profunda e seu destino mais alto.

Se os cinco sentidos humanos são capazes de mostrar o físico, a realidade sensível, esse sexto sentido da intuição inteligente e da perscrutação interna, que se adquire pela Iniciação nos Mistérios, permite Ver mais além; dá acesso a uma região Metafísica na qual os seres e as coisas não estão sujeitos já ao devir, nem marcados pela morte. Essa visão esotérica identifica ao homem com o “Si Mesmo”, ou seja, com seu verdadeiro Ser, sua essência imortal da qual toma consciência graças ao Conhecimento e ao lembrar de Si.

Enquanto o exotérico nos mostra o múltiplo e passageiro, o esotérico nos leva para o único e imutável.

Com um olhar esotérico, que se irá abrindo gradualmente em nosso caminho interior, iremos compreendendo e realizando que o espírito do Pai, seu Ser mais interno, é idêntico ao espírito do Filho. Esta consciência de Unidade é a meta de todo trabalho de ordem esotérica e iniciática bem entendido. Para Ela se dirigem todos nossos esforços; nEla colocamos nosso pensamento e nossa concentração interior.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-exot%C3%A9rico-e-o-esot%C3%A9rico

A Porta da Morte

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Eden, Capítulo Quatro.

 

ESPALHADAS em vários dos escritos de Crowley, embora principalmente naqueles que ele considerava não terem sido escritos por ele próprio, mas por Inteligências extra-terrestres que o usavam como um canal, estão sugestões relativas à verdadeira natureza das qliphoth ou Mundos reversos. O Liber 474, por exemplo, é descrito como ‘o Portal do Segredo do Universo’, e, como o número do livro sugere, ele está atribuído a Daäth.100 Segundo o Liber 474, o universo tem que ser destruído. Mas existe uma importante qualificação pois ele diz: ‘por Universo Nós queremos dizer não aquele Universo inferior que a mente do homem pode conceber, mas aquele que é revelado à sua alma no Samadhi de Atmadarshan’. E novamente, através do Portal do Universo Secreto o homem ‘pode entrar em uma real comunhão com aqueles que estão além, e ele será competente para receber comunicação e instrução de Nós mesmos diretamente. Então Nós o prepararemos para a Confrontação de Choronzon e a Ordália do Abismo, quando nós o tivermos recebido na Cidade das Pirâmides’.

As cinco palavras que eu grafei em itálico poderiam parecer singularmente significativas, pois, tendo destruído o ‘Universo’, o que mais resta? Com o que ou com quem pode o iniciado então comungar? Se é lembrado do verso em AL que diz: ‘Eu sou o Senhor da Dupla Baqueta de Poder; a baqueta da Força de Coph Nia – porém minha mão esquerda está vazia, pois eu esmaguei um Universo; & nada resta’. Este é o 72o verso do último capítulo de AL, e o 217o verso do Livro como um todo. Os dois números, 72 e 217, indicam a natureza da Força mencionada. 72 é o número de OB, a Serpente (Aub), o aspecto negativo ou feminino de Od (Aud) que é a própria Luz Mágica(k); ele é também o número da palavra caldaica DBIVN, significando ‘fluxo’ ou ‘gota de sangue’. A palavra deriva do egípcio Typhon ou Tefn, a Mãe de Set. Nos Mistérios Egípcios estes poderes gêmeos, o Ob e o Od, eram representados por Shu e Tefnut, o primeiro significando fogo, o último, umidade ou sangue.101 O número 217 é aquele de ( *) Seth, que não é apenas o nome do Deus Set, mas [também] da estrela de sete pontas de Babalon, a Mulher Escarlate, cuja imagem é Sírius. 217 é 31 x 7, assim afirmando sua conexão com AL (31), o número Chave do Livro da Lei. 217 é também o número de DBVRH, significando ‘uma abelha’ que é o símbolo específico de Sekhet, cujo nome significa uma abelha. Ela é a deusa da intoxicação e paixão sexual, logo sua conexão com o mel e com sakh, ou sakti, ‘inflamar ou inspirar’ e com ‘bebida fermentada’. A abelha, que é a cópula entre os elementos masculinos e femininos nas flores, era um tipo da alma que é representado nos ideogramas egípcios como o Ba ou Aba-it, que guia as almas dos mortos en route para o Sekhet-Aahru, os Campos de Prados Celestiais ou Mel. Ba, o astral ou duplo é também uma palavra significando ‘mel’ e diz-se que Shu e Tefnut distribuem mel.102 A deusa Sekhet como Sakti é uma força lunar, e, junto com seus atributos de amor e doçura, um símbolo adequado da lua de mel, que indica a natureza sexual da força em questão.

(*_Aqui há o nome Seth com caracteres gregos – N.do T.)

A combinação dos números 72 e 217 resulta 289, o número de PTR, uma ‘abertura’, ‘orifício’, ou ‘vazio’. As ideias sugeridas pelos números do verso podem portanto ser resumidas pelo símbolo do útero e suas emanações ofidianas. Isto é confirmado pela palavra ou nome curioso, Coph Nia. Coph ou Koph significa a ‘filha’.103 Este é um nome de Proserpine ou Perséfone, a deusa da destruição. Ela é chamada Koph porque, como Payne Knight o expressa, ela representa

a ‘Filha universal, ou princípio secundário geral; pois embora apropriadamente a deusa da Destruição, ela é frequentemente distinguida pelo título Soteira, Preservadora, representada com folhas (?) de milho sobre sua cabeça, como a deusa da Fertilidade. Ela era, em realidade, a personificação do calor ou fogo que supunha-se penetrar a terra, que foi uma vez considerado como sendo ao mesmo tempo causa e efeito da fertilidade e destruição, como sendo ao mesmo tempo a causa e efeito da fermentação; da qual ambos procediam’.104

A Segunda parte da palavra ou nome – Nia – é o ain (vazio) ao contrário, que identifica o olho ou útero da filha com o Ob ou Corrente Ofidiana; uma ‘dupla baqueta’ porque Ob é o complemento de Od. A ‘mão esquerda está vazia’, pois eu (o ego) esmaguei um Universo & nada (o ain) resta’. Ain é 61; Nia é também 61, mas se o número for também invertido, obtém- se 16, e 16 é Hia (Ela), i.e. a Filha.105 16 é o quadrado de 4 e, no Liber CCXXXI o quarto verso, cuja numeração é 3, 106 declara:

A Virgem de Deus está entronada sobre uma concha de ostra; ela é como uma pérola e busca Setenta para seu Quatro. Em seu coração está Hadit a glória invisível.

Três é gimel, a letra atribuída à Sacerdotisa Virgem da Estrela de Prata. Quatro é o número da Esposa; aquela cuja porta107 está aberta. Buscando Setenta108 para seu Quatro significa que a virgem busca abrir seu olho ou tornar-se desperta. Mais luz é lançada sobre o significado deste verso pelo penúltimo verso de AL:

Existe um esplendor em meu nome oculto e glorioso, como o sol da meia noite é     sempre o filho.

 

O sol-filho é Hadit, a glória invisível no coração da virgem. A identidade do sol-filho é enfatizada pela referência a Khephra – o sol da meia noite – o sol de Amenta, o sol negro de Set.

‘Eu sou’ (o ego) é idêntico com Daäth, pois o ego é a shakti-sombra ou poder ocultador de Kether no momento rápido como o raio de sua bifurcação em Chokmah e Binah (Horus e Set109). Daäth é o espectro, a sombra da realidade, um conceito ilusório que surge na consciência humana mas que não possui existência à parte desta. Ela é conhecida na metafísica hindu como o chit-jada-granthi – o sentido de identidade sutil e ilusório que faz a consciência (chit) imaginar-se em posse de uma mente e corpo individuais que, na realidade, são inexistentes, sem vida, inertes (jada). Granthi é o nó que os liga em aparente identidade. No simbolismo egípcio a múmia representa o eidolon, uma mera boneca ou fantoche subtraído de auto-consciência exceto quando animado pelo khu ou poder mágico do Adepto. Por esta razão o corpo humano, que era considerado pelos egípcios como o tipo da múmia, era considerado sem vida ou ilusório. É este corpo morto ou inerte que é ressucitado em Amenta pelo khu vivificante do Adepto. A identidade com este fantasma de ego-consciência, como a múmia, é projetada como uma miragem no Deserto de Set. Ela tem que ser destruída (i.e. esquecida), em consciência, antes que a morte verdadeira seja experimentada nos Pylons de Daäth. Apenas deste modo o Universo é ‘destruído’, e a consciência é libertada da escravidão da existência imaginada. Apenas então pode ‘ele (o Adepto) entrar em uma real comunhão com aqueles que estão além’.

A situação torna-se compreensível quando a verdadeira natureza da mente subconsciente (Amenta) tenha sido sondada. Os três estados de consciência – jagrat, svapna, e sushupti – tem seus paralelos no simbolismo egípcio pelos três estados de vida na terra, vida em Amenta, e o estado de liberação da escravidão da matéria o que é obtido tornando-se um dos khus na esfera celestial das estrelas110 que nunca se põem 111112. Uma vez que este paralelo seja percebido fica fácil compreender a parte representada por Daäth. Daäth representa o ego que errôneamente identifica a consciência (que ele reflete mas que ele não produz) com o complexo corpo-mente, desta forma atribuindo a ele a consciência que não pertence à terra113 ou à Amenta,114 mas à consciência amorfa e não condicionada (i.e. cósmica). A múmia era o tipo do corpo funcionando em Amenta; quer dizer, o corpo terreno adormecido ou ‘morto’ e funcionando em níveis astrais de consciência. A morte do corpo implicava portanto no nascimento do espírito em Amenta. Porém não é a morte verdadeira que libera o espírito para sempre. Para fazer isto acontecer uma morte real tem que ser obtida, e esta é a morte total do ego tanto em sua condição pessoal (consciente) quanto em   sua condição impessoal (sonho). A mecânica deste processo está resumida no assim chamado Livro dos Mortos que é o manual mágico da metamorfose do corpo em um khu (espírito glorificado).

Notas:

100 DOTH = 4 + 70 + 400 = 474 (Daäth)

101 Shu, a letra Shin (Fogo) se aplica a Set; Tefnut, sangue, a Typhon.

102 Vide Luniolatry, Ancient & Modern, de Gerald Massey.

103 Vide Arte Antiga & Mitologia, de Sir Richard Payne Knight, Seção 117, koph.

104 Itálicos do presente autor. Compare as notas sobre Sekhet e o simbolismo da abelha, supra.

105 Vide Cultos da Sombra, capítulo 8, para o significado da filha na fórmula do Tetragrammaton no Aeon presente.

106 Os versos do Liber CCXXXI – como de muitos outros dos Livros Sagrados de Thelema, são numerados desde o zero (o ain) ao invés de o um; assim o verso de numeração 3 é de fato o quarto.

107Daleth = 4 = uma ‘porta’.

108Ayin = 70 = ‘um olho’.

109 Representados pelos planetas Netuno e Saturno.

110 Estrelas tipificavam almas. O fato físico de nunca se por foi mais tarde aplicado às almas que nunca morriam (i.e. elas eram imortais).

111 As estrelas que nunca se põe tipificavam imortalidade porque para os antigos egípcios estas estrelas pareciam não morrer (i.e. se por, [como o sol]).

112 Nota do Tradutor: Comparado ao por do sol.

113 Consciência de vigília (jagrat ).

114 Consciência de sonho (Svapna).

Revisão geral: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-porta-da-morte/

Grandes Iniciados – Apolônio de Tiana

Apolônio praticamente é um desconhecido da maioria das pessoas, mesmo daquelas que têm uma boa formação religiosa. Aparentemente parece estranho que uma figura tão relevante não seja citado nos livros que versam sobre religião, somente aparecendo o seu nome em documentos secretos e em alguns poucos livros de ocultismo.

Quem foi e que é Apolônio? – Apolônio é uma misteriosa figura que apareceu neste ciclo de civilização no início da era cristã (no século I). Os documentos que falam Dele geralmente nunca mencionam a palavra nasceu e sim apareceu, isto porque Ele, quando esteve diretamente na terra, manifestava natureza divina. Entre os atributos desta natureza Ele apenas tinha um corpo aparente, se apresentava na terra com corpo etéreo, tal como o de Jesus.

Em muitos pontos, a vida de Apolônio se assemelha à de Jesus. Até mesmo a Sua vinda a terra foi anunciada pelo Espírito Santo. Alguns documentos antigos afirmam que Ele, certo dia, surgiu na terra sem ascendentes, mas também há documentos que dizem ser Ele filho de uma Virgem. O sobrenome Tiana é mesmo nome da cidade onde ele primeiro se apresentou na terra, que ficava na Capadócia.

Dotado de uma palavra fácil, eletrizante e convincente, logo depois se transformou num tribuno, ao mesmo tempo em que sua fama se popularizava, caminhando pelo resto do mundo dando um exemplo justo, bom e perfeito. Foi um espontâneo defensor dos injustiçados, capaz de praticar os mais arrojados e difíceis atos de bravura. Sua firmeza e energia de propósitos, mesmo diante do perigo, causavam a todos uma coragem estóica. “Ele fora um Deus em forma de Homem!”.

Apolônio viajou muito no tempo em que esteve na Terra, desde o Egito até a Mongólia, sempre sendo iniciado nas Ordens na qual Ele encontrava, não que precisava ser iniciado pois Ele já é Um Iniciado, mas sim como O próprio disse para um sacerdote quando pediu para ser iniciado: “Bem sabes porque não queres iniciar-me. Se o dizes, revelá-lo-ei: o meu crime é justamente conhecer bem melhor do que tu o rito da iniciação. Vim pedir-te por um ato de modéstia, submissão e simplicidade, a fim de que passasses por mais sábio do que Eu. Apenas isto!”.

Logo depois que saiu da sua cidade natal Ele ficou conhecido como um neo-pitagórico. Em Nínive, na Babilônia, encontrou Damis, seu inseparável e fiel discípulo. De lá ambos foram para a terra dos encantos, a Índia, e, percorreram a Mongólia e o Tibet, até que atingiram as colinas do Himalaia. Lá Apolônio deixou Damis e partiu só para um mosteiro onde Ele tornou-se o “Senhor portador dos oito poderes da Yoga”, que era o mais alto Grau dos mosteiros daquela época, neste momento, dizem, uma áurea de Luz Lhe emergiu a cabeça de modo permanente. Depois voltou e se encontrou com Damis e voltaram para a Grécia, onde começou a fase mais intensa de curar doentes, desde do corpo a alma, paralíticos, cegos e até ressuscitar mortos, como aconteceu com uma moça em Roma.

Uma das missões de Apolônio foi a de ensinar aos seguidores de Jesus o como manipular as leis da natureza. Alguns documentos dizem, e é verdade, que Apolônio fez milagres idênticos àqueles feitos por Jesus. O poder dele era tamanho que aonde chegava as guerras eram interrompidas e os exércitos enterravam as suas armas. Também pregava e para ouvi-Lo vinham pessoas de lugares distantes.

Apolônio, por sua vez, ensinou como usar as leis da natureza, explicou o como eram feitos os milagres Dele e de Jesus, preparou os primeiros cristãos para disporem dos meios de curas e de todos os outros que Jesus utilizou. Mostrou o poder das cores, mostrou que tudo na natureza é vibração, fez ver que existe uma polaridade (Já constante dos Princípios Herméticos) em tudo quanto há, que as coisas podem ser manipuladas pela luz, pelo som e coisas assim. Ensinou o valor das cores, portanto como usa-las nos templos para obtenção de estados especiais de consciência. Ensinou como usar a música, que tipo de música é adequado nas diferentes situações, e restabelecer os meios utilizados pelas ciências herméticas. Ensinou simbolismo, ensinou a linguagem simbólica por meio da qual uma pessoa pode entrar em sintonia com planos superiores, com mundos hiperfísicos. Ensinou como se processam as transmutações na natureza e como conseguir isso, como intervir no astral visando certos resultados. Disse do como captar o poder inerente a cada coisa, a cada cor, a cada forma. Ensinou o poder dos cristais e dos aromas e o como usa-los nos diferentes níveis. Assim estabeleceu formas de ampliação da consciência permitindo que as pessoas possam ter acesso a níveis superiores de consciência independentemente da interferência de forças espúrias. E também trouxe ensinamentos de morais o que atingia em cheio a maioria dos governantes dos locais onde Ele passou. Tendo o poder da profecia, Ele também profetizou alguns acontecimentos que logo ocorreram.

Sendo assim a conjura1, tentáculo do “poder” das trevas, praticamente arrasou o trabalho de Apolônio. Perseguiu inexoravelmente a pessoa e também toda a obra maravilhosa estabelecida por Ele.

Apolônio sofreu perseguições terríveis culminando com varias condenações, como uma vez em que Ele foi preso e a julgamento e falou para Damis e Demetrio esperarem-No em tal dia e tal hora na praia e quando chegou o dia e a hora marcada Ele simplesmente apareceu na praia ao lado dos dois, e outra vez foi a de ser estraçalhado por uma matilha de cães ferozes, quando ia ser atacado pelos cães Ele simplesmente sumiu diante da vista de toda uma multidão. Tamanho fenômeno contribuiu ainda mais para fazer crescer o mito sobre a pessoa de Apolônio.

Depois da Sua partida, foi escrito um livro com Sua história e com grande parte dos Seus ensinamentos, apresentado em forma de um evangelho com oito capítulos. Os ensinamentos e o poder do evangelho de Apolônio era muito superior àqueles dos quatro evangelistas da época de Jesus, nele havia coisas que faziam tremer aqueles elementos da conjura que estavam se infiltração no cristianismo de então.

Após a condenação e desaparecimento a conjura ficara livre da presença direta de Apolônio, mas a Seu prestígio tornou-se logo lendário. Assim a conjura que já havia experimentado com relativo sucesso o método do despistamento no seio do cristianismo primitivo, logo passou a usa-lo entre os seguidores de Apolônio que, em sua quase totalidade, eram cristãos. No cristianismo primitivo a conjura se infiltrar e procurou destruir os autênticos ensinamentos de Jesus assumindo a direção das instituições em geral. No caso de Apolônio ela que já tinha muita influência dentro das comunidades cristãs com alguma facilidade pode usar com sucesso o método da falsificação. Assim sendo inundou o mundo de então com grande número de copias falsas dos ensinamentos de Apolônio. Isto funcionou eficazmente que até hoje só um “expert” em ocultismo é capaz de distinguir o que não é e o que é autêntico. Assim em séculos futuros Ele foi quase total e oficialmente esquecido e o Seu nome colocado na galeria dos mitos. Em todas as bibliotecas membros da conjura colocam obras falsas como sendo de Apolônio que mais tarde geraram suspeitas pelas incoerências nelas contidas.

A incredulidade a respeito daquele Mestre em parte se deve àquele trabalho de despistamento e em parte à magnitude de tudo aquilo que Ele realizou e que o qualificou como uma figura lendária. Assim sendo quase tudo o que existe escrito sobre Apolônio, e sobre ensinamentos a Ele atribuídos, em grande número são falsos. Alguns documentos autênticos existem e são zelosamente guardados por algumas sociedades iniciáticas, e reservados aos iniciados nos Mistérios Maiores.

Por outro lado à influência de Apolônio foi de tamanha magnitude que o Cristianismo primitivo incorporou uma grande parcela dos ensinamentos que têm sido usados em aplicações práticas. Assim sendo, a maior parte do ritual e do simbolismo da Igreja Católica tem como ponto de origem Apolônio. Muitas pessoas indagam: De onde surgiram os símbolos e os vastos rituais incorporados à Igreja Católica se Jesus jamais publicamente usou qualquer um deles? Há quem diga que eles foram incorporados de práticas pagãs, mas isso só é verdade se, como tal for também incluída a doutrina de Apolônio que deu origem à quase totalidade dos ritos e símbolos do Catolicismo.

É de causar admiração que, mesmo havendo estado e até hoje atuantes no seio da igreja, os membros da conjura hajam deixado ficar os ritos e símbolos estabelecidos por Apolônio, desde que eles se constituíam poderosos meios de persuasão, de coesão e conseqüente manutenção da unidade religiosa. Eis duas explicações possíveis: Uma, que a conjura desconhecia todo o potencial do simbolismo e ritualística orientada por Apolônio assim não vendo neles mais que encenações, portanto algo sem perigo algum.

Na verdade os próprios membros da conjura haviam apagado o conhecimento até mesmo para a maior parte daqueles que faziam parte do seu ciclo interno, conseqüentemente o potencial dos símbolos era algo desconhecido para eles. Segundo, julgando que afastado Apolônio os elementos mágicos incorporados aos ritos e símbolos serviria também aos seus intentos, pois manteria a coesão daquela estrutura que, de uma certa forma, ela já dominava.

Podemos dizer que ambas as afirmativas são verdadeiras, em parte a conjura desconhecendo o potencial ritualístico e simbólico deixou que eles continuassem presentes no cristianismo e, em parte ela sentiu que tudo aquilo era importante para a estruturação da religião num bloco coeso por ela administrado.

Em muitos momentos a conjura deturpou o ritual e o simbolismo, tirou coisas benéficas e as substituiu por coisas maléficas, entre os quais o uso do vinho, portanto do álcool, no ritual da missa.

Não é somente o ritual católico que se originou dos ensinamentos de Apolônio, praticamente a quase totalidade dos símbolos da magia, do hermetismo, do ocultismo, da gnosis e de muitas outras formas do o ocultismo em parte tem como origem Salomão, mas a quase totalidade deles provêm de Apolônio.

Publicamente pouco de autenticidade nas publicações que foram feitas sobre os ensinamentos atribuídos a Apolônio. Do Seu evangelho existe uma pequena parte que já foi publicado, o mais apenas algumas poucas doutrinas iniciáticas possuem e mesmo assim somente tem acesso a eles iniciados de grau elevado. O que chega às mãos dos profanos praticamente são aquelas obras preparadas especialmente pela conjura, obras apócrifas, portanto, sem quaisquer significados positivos. A um não iniciado é possível a aquisição de apenas um trabalho autêntico intitulado Nuctemeron, mas até mesmo dele existem também algumas edições falsas. O título do livro significa: “O Dia de Deus que Resplandece nas Trevas” (O Deus que está “aprisionado” em cada pessoa ainda envolvida em trevas. Isso equivale ao desabrochar da Centelha Cósmica em cada um, ao desenvolvimento da consciência clara do Mestre de Cada Um).

Na obra Nuctemeron os ensinamentos de Apolônio são distribuídos como em um relógio em 12 horas, ou degraus, e a cada hora corresponde uma instrução especial. Os ensinamentos daquela obra são apresentados em linguagem um tanto velada. São ensinamentos de altíssimo nível.

Por: Frater José Laércio do Egito e João Paulo Nunes do Egito.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/grandes-iniciados-apol%C3%B4nio-de-tiana

A Experiência Oceânica

A Experiência Oceânica é um estado alterado de consciência e percepção que pode ser alcançado através do orgasmo ou de meditações que elevam a energia sexual de base (kundalini) ao seu ponto mais elevado, nos meridianos de transmissão energética, também chamados nadis.

Trata-se de uma condição que envolve os aspectos físico, mental, emocional e espiritual em concomitância, perfeitamente alinhados e integrados, de forma a permitir que a elevação da percepção e da consciência aconteçam.

O estado elevado de consciência superior foi aceito e reconhecido nos anos 60 por um dos pais da psicologia transpessoal: Abraham Maslow. A consciência superior parece ser o centro de faculdades psíquicas insuspeitadas.

No Tantra, existem diversas técnicas que permitem canalizar essa consciência superior, que forma a parte mais elevada e sublime do nosso ser. Através das práticas tântricas, podemos penetrar, pouco a pouco, num campo de consciência vasto e infinito, onde podemos perceber a nossa condição eterna e transmutadora.

Essas práticas foram descobertas pelo Tantra, mas adeptos de diversas escolas e técnicas espirituais também conseguem acessar essa compreensão, ultrapassando os limites dos cinco sentidos. Entre essas técnicas, podemos encontrar o Vedanta, o Yoga, o Zen-Budismo, o Tai-chi-chuan e muitas outras técnicas meditativas usadas desde a antiguidade.

Todas as tradições, até as mais antigas, falam de indivíduos, homens ou mulheres, que afirmam ter-se realizado de forma transcendente, ultrapassando as fronteiras da consciência humana e entrando em contato com a verdadeira natureza da realidade. Suas experiências têm nomes diversos: êxtase místico, experiência mística, experiência cósmica, consciência cósmica, transcendência, nirvana, samadhi, satori, sétimo céu, etc.

No mundo ocidental, cresce a cada ano o interesse por tudo que diz respeito a esse tipo de experiência. Inúmeros pesquisadores recorrem a meios filosóficos, científicos, místicos e espirituais para atingir esses estados de transcendência e estudá-los.

No Tantra – O Caminho do Amor, o grande diferencial com relação a outras escolas, é que a Experiência Oceânica é alcançada através da mobilização consciente da energia sexual de base, realizada em trocas polarizadas, que auxiliam o meditador a conhecer os mecanismos funcionais do seu corpo. Estes mecanismos potencializam essa força mágica e transcendente, tornando-a consciente de forma muito rápida e eficiente, facilitando a expansão da sensibilidade e da consciência, sem a necessidade de um regime austero de confinamentos e práticas espirituais.

Na Experiência Oceânica vivenciada nas Meditações Tântricas, é possível experimentar:

O sentimento de unidade: Nas experiências de estados alterados de consciência e percepção constata-se sempre o desaparecimento da percepção dualista: o eu e o mundo. A consciência se identifica com “tudo que é”. Algumas pessoas, por exemplo, durante experiências desse tipo, passam através de uma nuvem de luz e relatam essa experiência dizendo: “Eu era a nuvem de luz…”

O caráter inefável: Em geral, quase sempre, a experiência não pode ser descrita em linguagem usual. Muitas vezes, as pessoas não chegam a descrever o que sentem e o que vêem, sobretudo quando estão confrontados com conceitos que ultrapassam a visão mecanicista habitual do mundo. “É como se eu fosse luz, energia, ou vibração”, dizem então, “uma consciência universal. Não encontro palavras, porque o que se passa está além delas.”

O caráter noético: O que é vivido (nesse estado) é percebido como real, de uma realidade bem mais intensa do que as experiências vividas no cotidiano normal. Até as emoções, as pessoas sentem de uma maneira mais forte do que em sua vida “normal”.

A transcendência do espaço-tempo: Esse parâmetro é um dos mais importantes. Está presente assim que se penetra num universo além daquele dos nossos cinco sentidos, no mundo do espírito. Entra-se então numa outra dimensão em que o tempo não existe mais e onde o espaço tridimensional desaparece. Passado, presente e futuro não existem. Tudo é concomitante.

A expansão do Centro Coronário: Muitas pessoas sentem uma sensação de compressão no alto da cabeça, que se mantém por horas, mesmo depois do término da meditação ou da vivência de Êxtase. Sua criatividade fica mais apurada, sua percepção física aumenta e se aprimora. A percepção do Sagrado: A pessoa experimenta internamente a dimensão do sagrado, em sua verdadeira acepção.

O desaparecimento do medo da morte: A vida é percebida como eterna e a existência física, transitória. O medo da morte desaparece no momento em que as pessoas tomam consciência de sua capacidade de viver de uma forma diferente, sem ter consciência de seu corpo físico, tendo percepções bem mais relevantes que as que nos transmitem habitualmente os nossos cinco sentidos.

A mudança de comportamento e dos sistemas de valores: A Experiência Oceânica produz mudanças significativas na apreciação de valores como a beleza, a bondade e a verdade, por exemplo. Eu já fui testemunha de pessoas que pararam de fumar, abandonaram os vícios, mudaram de emprego e de trabalho para algo mais afinizado com sua essência, superaram medos e fobias, perdoaram pais, mães ou inimigos, reconciliando-se. Isso tudo tendo por base apenas a sua Experiência Oceânica transformadora.

O Ter é substituído pelo Ser. A dimensão espiritual e de transformação planetária se sobrepõe à necessidade de ter. A pessoa passa a se engajar nos movimentos que auxiliam o maior equilíbrio do nosso planeta. Quando o Ser volta da Experiência Oceânica, algo transformador muda o seu caráter e a sua estrutura, engajando-o com outros seres que viveram a experiência transformadora, afinizando-os. A sensação de saída do corpo. É comum a pessoa descrever ter saído do corpo e muitos referem-se à experiência de não ter mais corpo ou possuir um corpo de energia ou corpo de luz.

A audição de ruídos ou de sons cósmicos. É comum ampliar o aspecto auditivo desvinculado dos tímpanos. Podemos “ouvir” os sons através do corpo de energia.

O contato com outros seres. Um número enorme de pessoas descrevem o contato com seres espirituais e até mesmo de outras esferas. É muito comum que se encontrem com familiares e antepassados já falecidos, inclusive com revelações de incrível poder amoroso e transformador. A compreensão da eternidade se altera completamente e aumentam os vínculos de gratidão com os antepassados.

A sensação de unidade. Temos a impressão de poder penetrar completamente as pessoas, os animais e as coisas do universo. A consciência adquire tal expansão que o Ser se encontra ao mesmo tempo no seu presente, passado e futuro, em concomitância com experiências sucessivas, onde podemos conhecer e compartilhar a experiência dos outros. É difícil falar sobre esse conceito de espaço/tempo, da capacidade de conhecer os confins do universo, de viajar para outros mundos, outros sistemas, outras galáxias multidimensionais e, ao mesmo tempo, ter a consciência de estar aqui e em todos esses lugares, ao mesmo tempo.

A libertação. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Isso não tem nada a ver com Evangelhos, é um reconhecimento de que não há nenhuma verdade absoluta, que a vida possui nuances nunca imaginados. Que artista poderia ter criado algo tão perfeito e de tamanha magnitude? E quem de nós poderá abarcar todo o conteúdo existencial em seus infinitos aspectos? Perante isso, o conceito de verdade se desmorona. Não há razão capaz de compreender essa natureza tão ampla. Só a chave do Coração e do Amor pode abrir essa porta. A cobiça não poderá arrancar nada dali, a ganância muito menos. Ninguém poderá se beneficiar dessa verdade. O maior benefício está em vivê-la com sabedoria, sem a necessidade de possuí-la.

A Habilidade Háptica. No ser humano existem outros receptores nervosos que estão além dos nossos cinco sentidos, que dão acesso a outros aspectos da realidade, até da realidade total. Nas Meditações Tântricas, o meditador intensifica a produção de 8 tipos diferentes de hormônios, potencializando os neurotransmissores, a fim de permitir que a consciência se amplie e que a percepção permita experimentar outras dimensões de vida com nossos sentidos físicos. Por isso, é comum a descrição de pessoas que dizem poder tocar esses planos, ver novas cores ou luzes, sentir perfumes, ouvir sons e vozes, criar forma a partir da vontade e do desejo. Há uma realidade nova que se manifesta na relação com os sentidos.

No Tantra – O Caminho do Amor, a Experiência Oceânica, é uma experiência de Orgasmo desgenitalizado. Todo o corpo humano é de natureza orgástica.

Infelizmente, o ser humano aprendeu que o orgasmo está exclusivamente associado ao sexo, com a descarga ejaculatória no homem. Ele foi condicionado e limitado a acreditar que a dimensão orgástica do Ser se limita apenas ao contato dos genitais e ele anseia por isso. Ambos, homens e mulheres, sofrem terrivelmente a ausência da Experiência Oceânica.

Através das técnicas usadas no Tantra – O Caminho do Amor, conseguimos suspender toda atividade intelectual e penetrar no universo sensorial, de caráter não-sexual, o que nos permite acessar mundos paralelos, além dos cinco sentidos.

O caminho que leva a essa experiência passa pela transmutação do ego, pelo alargamento dos campos de consciência, pela mudança nos níveis de realidade. Percebemos o mundo segundo nosso ego, que é apenas uma limitadíssima parte do Eu Total. Visto assim, o mundo é ilusório e temos dele uma visão muito parcial e relativa: só uma parte de nosso eu percebe uma pequena parte do universo. À medida que atingimos estados sublimes, a realidade nos aparece cada vez mais vasta.

Nada se pode falar desses mundos. Todos os que tentam falar e expor o assunto são naturalmente chamados de místicos, de esotéricos, de bruxos, de magos, de visionários, de loucos…

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-experiencia-oceanica/

A erva do diabo

“A erva-do-diabo é para aqueles que querem o poder.  O fumo é para aqueles que desejam contemplar e ver. ”

–   (CASTANEDA, 1967 – p 35)

 

Nenhum estudo sobre a obra de Carlos Castaneda seria completo sem mencionar as plantas/ “aliados” ou “de poder” experimentadas pelo autor ao longo de seu aprendizado com o o mestre xamã Don Juan.

Porém, antes de abordar esse tema, é preciso deixar claro que esse estágio da aprendizagem  tem uma importância mínima dentro do universo de conhecimentos adquiridos e estados de consciência perceptiva alterados vivenciados por Castaneda.

Os rituais relacionados ao cultivo e preparo, especialmente no que se refere à chamada Erva do Diabo, não serão reproduzidos aqui como citações na íntegra. O leitor que estiver interessado nas minúcias não terá dificuldade de acessar diretamente o livro onde esses procedimentos são descritos mas este articulista não acredita que alguém tenha a “pachorra” (paciência, saco mesmo) de seguir passo a passo os procedimentos prescritos por Don Juan.

A Datura estramônio é classificada pelos botânicos e químicos farmaceuticos, sem maiores rodeios, como uma planta venenosa. O adjetivo é justo porque se, eventualmente, qualquer leigo queira desfrutar de seus efeitos psicotrópicos, um pequeno erro na dosagem, no processo de preparação e/ou consumo/uso do destilado ou da pasta (ou unguento) de Datura pode, facilmente, resutar na morte do usuário.

Os mamíferos herbívoros, ruminantes ou não, bovinos, assininos, equinos, caprinos, ovinos, rejeitam essa planta; jamais a consomem, talvez por um instinto de sobrevivência alertado pelo característico odor desagradável dessa planta.

Em português é popularmente conhecida por nomes tais como: trombeta, figueira-do-demo, figueira-do-diabo, figueira-do-inferno, figueira brava, zabumba entre outros.

Embora adapte-se melhor temperaturas quentes, a datura desenvolve-se em quase todos os continentes do mundo, adaptando-se a diferentes tipos de solo com a condição de estar próxima de correntes de água, de superfície ou subterrâneas.

De tal forma, a Datura, utilizada nas Américas pelos xamãs indígenas para produzir alterações da percepção era bem conhecida em suas variações, igualmente tóxicas, no Leste Europeu, na Ásia e na Europa ocidental e muito especialmente, foi o ingrediente esssencial do ungüento que as feiticeiras passavam no corpo antes de suas mágicas participações nos festins chamados Sabás.

Por isso, muitos pesquisadores e mestres ocultistas afirmam que as excentricidades dos daqueles Sabás, desde a locomoção ao locais onde seriam realizados, voando com ou sem vassouras, às práticas sexuais promíscuas, as relações íntimas com seres fantásticos que depois eram descritos como sendo demônios ou o próprio diabo, eram, em grande parte, apenas alucinações provocadas pelos efeitos da Datura.

On Witchcraft [La Démonomanie des Sorciers] — livro de 1580, Jean Bodin escreveu: Preparando-se para ir ao Sabá, a bruxa ou bruxo deitava-se em sua cama completamente despido (a) e untava o corpo com o famoso “ungüento das feiticeiras”… (RIGHT, 1865)

(Giambattista della) Porta  (italiano -? 1535-1615)… dá, em sua Magia Natural, a pretensa receita do unguento das feiticeiras, por meio do qual se fazem transportar ao Sabbat. Ele o compõe com gordura de criança, de acônito fervido em folhas de álamos e algumas outras drogas… Pensamos que as composições opiáceas, a medula de cânhamo verde, a datura stramonium, o loureiro-amêndoa entrariam com não menos sucesso em semelhantes composições. (LEVI, 1983 – p 340)

Torna-se muito claro que o uso da Datura para produzir estados alterados de consciência perceptiva não é exclusividade do xamanismo meso-americano pré-hispânico.

A forma de Don Juan utiizar a Datura, no entanto requer, nada menos que um período de um ano de preparações, começando pela exigência de que os exemplares da planta, macho e fêmea, sejam cultivados pelo próprio usuário ou seu mestre. No caso de Castaneda, em sua primeira experiência com a Datura a planta utilizada era, supostamente, pertencente a Don Juan.

O xamã explica que todas as partes da Datura são utilizadas e cada uma delas tem poderes ou virtudes/venenos – princípios ativos – que destinados a produzir diferentes efeitos. Essas partes são: raiz, caule e folhas, flores (extremamente perigosas, mortais) e sementes.

A erva-do-diabo tem quatro cabeças; a raiz, a haste e as folhas, as flores e as sementes. Cada qual é diferente, e quem a tornar sua aliada tem de aprender a respeito delas nessa ordem.

A cabeça mais importante está nas raízes. O poder da erva-do-diabo é conquistado por meio de suas raízes. A  haste e as folhas são a cabeça que cura as moléstias; usada direito, essa cabeça é uma dádiva para a humanidade. A terceira cabeça fica nas flores e é usada para tornar as pessoas malucas ou para fazê-las obedientes, ou para matá-las.

O homem que tem a erva por aliada nunca absorve as flores, nem meio a haste e as folhas, a não ser no caso de ele mesmo estar doente; mas as raízes e as sementes são sempre absorvidas; especialmente as sementes, que são a quarta cabeça da erva-do-diabo e a mais poderosa das quatro. (CASTANEDA, 1967 – p 28)

Para colher as partes das plantas Don Juan observa uma sequência quase ritual de manuseio da Datura. Para extrair um bom pedaço das raizes, dos exemplares macho e fêmea, ele escava em torno do exemplar com extremo cuidado, com as próprias mãos, para não “ferir” a “entidade”.

Para facilitar o trabalho utiliza unicamente galhos de uma determinada árvore, a palo verde (Parkinsonia aculeata) porque …a erva-do-diabo tem muito poucos amigos, e o palo verde nessa região é a única árvore que se dá com ela… (Idem, p 29).

Ligia Cabus

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-erva-do-diabo/