Como fazer o Evangelho no Lar sozinho

Em primeiro lugar, lembre que dificilmente você estará realmente sozinho. Por isso escolha um dia e horário da semana e respeite este compromisso na certeza de que Jesus se fará presente através de seus Mensageiros. Agende o compromisso com os espíritos superiores em oração, para que eles possam estar presentes nestes encontros. O tempo da reunião sugerido é de 45 minutos, ou 1 hora.

Preparação

  1. Prepare se puder, o espaço onde vai realizar o estudo, garantindo que está arrumado, com um ambiente sereno e convidativo à reflexão.
  2. Coloque também um copo com água para ser fluidificado.

1. Prece Inicial
Prece simples e espontânea. Podemos fazer a Prece do “PAI NOSSO”, ensinada por Jesus, pausadamente, prestando atenção em todas as suas frases.

Pai nosso que estais nos céus

Santificado seja o vosso nome

Venha a nós o vosso reino

Perdoai as nossa ofensas

Assim como nós perdoamos

A quem nos tem ofendido

E não nos deixeis cair em tentação

Mas livrai-nos do mal, amém



 

 

 

2. Leitura do Evangelho de Jesus
Utilizando “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, começar no Capítulo 1 e ir até o Capítulo 28.

3. Reflexão
Faça um comentário em voz alta de forma breve e simples sobre o que aprendeu na leitura buscando a essência dos ensinamentos de Jesus e como poderá aplicar isso em sua vida diária.

4. Vibrações/Orações
Vibrar é emitir e doar sentimentos e pensamentos de amor, paz, saúde e harmonia em favor do próximo. Vibrar é amar em pensamento! As mãos podem ser postas em direção a água que será fluidificada neste momento.

5. Segundos de Silêncio
Mantenha por fim um momento de silêncio do seu coração, pedindo proteção e amparo para a preocupação de ordem sentimental, material, física ou espiritual que está passando no momento.

6. Prece de agradecimento
Encerre o momento com uma oração simples e espontânea, agradecendo a Deus e seus benfeitores espirituais todo o amparo constantemente recebidos.

Por fim, a água fluidificada pode se bebida e é importante que o amor e paz sejam conservados

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/evangelho-no-lar-sozinho/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/evangelho-no-lar-sozinho/

A Queda dos Anjos

Embora no Gênesis não esteja claro que os nefilins fossem maus, assim eles foram considerados nos livros apócrifos da época do Segundo Templo. Entre os achados arqueológicos mais importantes nesta área, encontra-se um texto em aramaico, descoberto no inverno de 1896-97 numa genizah de uma comunidade hebraica do Cairo e publicada, pela primeira vez, sob o título de Documento de Damasco, em 1910. Diz o seguinte:

«III – E, agora, ouvi-me, meus filhos, que eu descerrarei os vossos olhos para que possais escolher aquilo que Ele ama e desprezar tudo aquilo que odeia, para poderdes caminhar perfeitamente em todos os Seus caminhos e não errardes seguindo impulsos culposos ou deitando olhares de fornicação. Porque muitos foram os que se desviaram e homens fortes e valorosos aí escorregaram, tanto outrora como hoje. Caminhando com a rebelião nos corações, caíram os próprios guardas dos céus, a tal chegados porque não observavam os mandamentos de Deus, tendo caído também os seus filhos, cuja estatura atingia também a altura dos cedros e cujos corpos se assemelhavam a montanhas. Todo o ser vivo que se encontrava em terra firme, caiu, sim, e morreu, e foram como se não tivessem sido, porque procediam conforme a sua vontade e não observavam os mandamentos do seu Criador, de maneira que a cólera de Deus se inflamou contra eles.»

Vários fragmentos do Livro de Enoch, escritos em aramaico, foram descobertos nas célebres grutas de Qumran, no Mar Morto. Contudo, mesmo depois dos textos terem sido comparados e executado um árduo trabalho de reconstituição, ainda faltaram diversas lacunas. Tentei amenizar este problema tapando os buracos com passagens de uma tradução livre para o etíope quase idêntica ao original aramaico, encontrada na Abissínia (conhecida como Enoch Etíope ou I Enoch):

VI – 1 «Sucedeu que quando se multiplicaram naqueles dias os filhos dos homens, nasceram-lhe filhas formosas e belas. Os Vigilantes, filhos do céu, viram-nas, desejaram-nas e disseram uns aos outros: Vamos e escolhamos mulheres dentre as filhas dos homens e engendremos filhos. Porém Semihaza, que era o seu chefe, lhes disse: Temo que não queiras realizar esta obra, e seja eu sozinho culpável de um grande pecado. Responderam e lhe disseram todos:» «Juremo-nos todos e comprometamo-nos todos sob anátema. Uns com os outros, a não voltarmos atrás neste projeto até que tenhamos realizado esta obra. Então se juramentaram todos em uníssono e se comprometeram uns com os outros. Eram duzentos todos os que desceram no tempo de Jared sobre o cimo do monte Hermon. Chamaram o monte “Hermon”, porque juram e se comprometeram sob anátema uns com os outros nele. Estes são os nomes de seus chefes: Semihazah, que era seu chefe; ‘Ar’teqof, o segundo com relação a ele; Ramt’el, o terceiro com relação a ele; Kokab’el, o quarto com relação a ele; ???’el, o quinto com relação a ele; Ra’ma’el, sexto com relação a ele; Dani’el, sétimo com relação a ele; Zeq’el, oitavo com relação a ele; Baraq’el, nono com relação a ele; ‘Asa’el, décimo com relação a ele; Hermoni, undécimo com relação a ele; Matar’el, duodécimo com relação a ele; ‘Anan’el, décimo terceiro com relação a ele; Sato’el, décimo quarto com relação a ele; Shamsi’el, décimo quinto com relação a ele; Sahari’el, décimo sexto com relação a ele; Tumi’el, décimo sétimo com relação a ele; Turi’el, décimo oitavo com relação a ele; Yomi’el décimo nono com relação a ele; Yehadi’el, vigésimo com relação a ele. Estes são os chefes dos chefes de dezena.»

VI – 1 «Eles e seus chefes, todos tomaram para si mulheres, escolhendo entre todas, e começaram a ir a elas e a contaminar-se com elas, a ensinar-lhes bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as plantas. Elas ficaram grávidas deles e pariram gigantes, altos uns três mil côvados, que nasceram sobre a terra conforme a sua infância, e cresceram de acordo com seu crescimento, e que devoravam o trabalho de todos os filhos dos homens, sem que os homens pudessem abastecê-los. Os gigantes conspiravam para matar os homens e para devora-los. Começaram a pecar […] contra todos os pássaros e animais da terra e contra os répteis que se movem sobre a terra e nas águas e no céu, e os peixes do mar, e a devorar uns a carne dos outros, e bebiam o sangue. Então a terra acusou os ímpios por tudo o que se havia feito nela.»

VIII – 1. «’Asa’el ensinou os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e acerca do sombreado dos olhos e de todas as pedras preciosas e sobre as tinturas [E assim grassava uma grande impiedade; eles promoviam a prostituição, conduziam aos excessos e eram corruptos em todos os sentidos.]» «Semihazah ensinou encantamentos e a cortar raízes; Hermoni ensinou a desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades; Baraq’el ensinou os sinais dos raios; Kokab’el ensinou os sinais das estrelas; Zeq’el ensinou os sinais dos relâmpagos; ???’el ensinou os sinais de […]; ‘Ar’teqof ensinou os sinais da terra; Shamsi’el ensinou os sinais do sol; Sahari’el ensinou os sinais da lua. E todos começaram a descobrir segredos à suas mulheres.» «Como estava perecendo uma parte dos homens da terra, seu grito subia até o céu.»

IX -1 «Então Miguel, Sariel, Rafael, e Gabriel olharam para a terra do santuário dos céus e viram muito sangue derramado sobre a terra; e toda a terra estava cheia da maldade e da violência que se pecava sobre ela. Ouvindo isto, os quatro foram e disseram que o grito e o lamento pela destruição dos filhos da terra subia até as portas do céu. E disseram aos santos do céu: É agora a vós, santos do céu, a quem suplicam as almas dos filhos dos homens dizendo: “Levai nosso caso diante do Altíssimo e nossa destruição diante da majestade!” Foram Rafael, Miguel, Sariel e Gabriel, e disseram diante do Senhor do mundo: “Tu és nosso grande Senhor, tu és o Senhor do mundo; Tu és o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores e o Rei dos reis. Os céus são o trono de tua glória por todas as gerações que existem desde sempre, e toda a terra é o escabelo ante ti por toda a eternidade, e teu nome é grande e santo e bendito para sempre. [Tudo foi por Ti criado e conservas o domínio sobre todas as coisas. Tudo é claro e manifestado diante dos teus olhos. Tu vês tudo e nada pode ocultar-se na tua presença. Tu vês o que foi perpetrado por Azazel, como ele ensinou sobre a terra toda espécie de trangreções.]» «pois (eles) ensinaram os mistérios eternos que há no céu para que os praticassem os conhecedores dentre os homens. E (olha) Shemihaza, a quem deste autoridade para reinar sobre todos os seus companheiros. Foram às filhas dos homens da terra e dormiram com aquelas mulheres, contaminando-se com elas [e familiarizaram-nas com toda sorte de pecados. As mulheres pariram gigantes e, em conseqüência, toda a terra encheu-se de sangue e de calamidades. 6. Agora clamam as almas dos que morreram, e o seu lamento chega às portas do céu. Os seus clamores se levantam ao alto, e em face de toda a impiedade que se espalhou sobre a terra não podem cessar os seus queixumes. 7. E Tu sabes de tudo, antes mesmo que aconteça. Tu vês tudo isso e consentes. Não nos dizes o que devemos fazer.]”»

X – 1 «[Então o Altíssimo, o Santo, o Grande, tomou a palavra e enviou Uriel (= Sariel) ao filho de Lamech (Noé), com a ordem seguinte: “Diz-lhe, em meu nome: ‘Esconde-te’, e anuncia-lhe o fim próximo! Pois o mundo inteiro será destruído; um dilúvio cobrirá toda a terra e aniquilará tudo o que sobre ela existe.] Ensina ao justo o que deve fazer, e ao filho de Lamec a preservar sua alma para a vida e a escapar para sempre. E por ele será plantada uma planta e serão estabelecidas todas as gerações do mundo.» «[O Senhor] disse a Rafael: “Vai, pois, Rafael, e ata Azael de pés e mãos e arremessa-o nas trevas! [Cava um buraco no deserto de Dudael e atira-o ao fundo! Deposita pedras ásperas e pontiagudas por baixo dele e cobre-o de escuridão! Deixa-o permanecer lá para sempre e veda-lhe o rosto, para que não veja a luz! 4. No dia do grande Juízo ele deverá ser arremessado ao tremendal de fogo! Purifica a terra, corrompida pelos Anjos, e anuncia-lhe a Salvação, para que terminem seus sofrimentos e não se percam todos os filhos dos homens, em virtude das coisas secretas que os Guardiões revelaram e ensinaram aos seus filhos! Toda a terra está corrompida por causa das obras transmitidas por Azazel. A ele atribui todos os pecados!”]»; «E a Gabriel disse o Senhor: “Vai aos bastardos e aos filhos da fornicação e destrói os filhos dos Vigilantes dentre os filhos dos homens; mete-os em uma guerra de destruição, pois não haverá para eles longos dias. Nenhuma petição a seu favor será concedida a seus pais; pois esperam viver uma vida eterna, ou que cada um deles viverá quinhentos anos”. E a Miguel disse o Senhor: “Vai, Miguel, e anuncia a Shemihaza e a todos os seus amigos que se uniram com mulheres para contaminar-se com elas em sua impureza, que seus filhos perecerão e eles verão a destruição de seus queridos; acorrenta-os durante setenta gerações nos vales da terra até o dia grande de seu juízo. [Nesse dia, eles serão]» (condenados a) «tortura e ao fechamento na prisão eterna. Tudo o que seja condenado estará perdido desde agora; será acorrentado com eles até a destruição de sua geração. E no tempo do juízo com que eu julgarei, perecerão por todas as gerações. Destrói todos os espíritos dos bastardos e dos filhos dos Vigilantes, porque fizeram operar o mal aos homens. Destrói a iniqüidade da face da terra, faz perecer toda obra de impiedade e faz que apareça a planta da justiça; ela será uma bênção e as obras dos justos serão plantadas no gozo para sempre. Naquele tempo todos os justos escaparão e viverão até que engendrem milhares. Todos os dias de vossa juventude e de vossa velhice se completarão em paz.”»

VII – 1. [Enoch havia desaparecido, e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele se encontrava, onde se ocultava e o que era feito dele. O que ocorrera é que ele havia estado junto dos Guardiões e transcorreu os seus dias na companhia dos Santos. 2. Eu, Enoch, ergui-me e louvei o Senhor da Majestade e Rei do mundo. Então os Guardiões (santos) me chamaram, a mim Enoch, o Escriba, e disseram-me: “Enoch, tu, o Escriba da Justiça, vai e anuncia aos Guardiões do céu que perderam as alturas do paraíso e os lugares santos e eternos, que se corromperam com mulheres à moda dos homens, que se casaram com elas, produzindo assim grande desgraça sobre a terra; anuncia-lhes: ‘Não encontrareis nem paz nem perdão’. Da mesma forma como se alegram com seus filhos, presenciarão também o massacre dos seus queridos, e suspirarão com a desgraça. Eles suplicarão sem cessar, mas não obterão nem clemência nem paz!”]

XIII – 1. [Então Enoch encaminhou-se até eles e assim falou a Azazel: “Tu não terás a paz. Uma sentença severa recaiu sobre ti: deverás ser acorrentado. Não alcançarás indulgência nem será aceita a intercessão, por causa dos atos violadores que ensinaste a praticar, e por causa de todas as obras blasfemas, da violência e dos pecados que mostraste aos homens.” Então eu redigi a palavra a todos eles. Todos encheram-se de grande medo e foram tomados de pavor e tremor. Suplicaram-me que lhes escrevesse um rogo intercessório, para que pudessem obter o perdão, e que eu lesse o seu pedido na presença do Senhor dos céus. Pois a partir de então não lhes era mais permitido falar com ele nem levantar seus olhos para o céu, de vergonha pelos seus delitos, pelos quais foram castigados. Assim eu redigi o seu rogo] «com todas as suas petições, por suas almas, por todas e cada uma de suas obras e por todos o que pediam: que houvesse para eles perdão e longevidade. Fui e me sentei junto às águas de Dã, na terra de Dã, que está ao sul do Hermonim, ao seu lado oeste, e estive lendo o livro de anotações de suas petições até que dormi. Eis que me vieram sonhos e caíram sobre mim visões até que levantei minhas pálpebras às portas do palácio do céu […] E vi uma visão do rigor do castigo. E uma voz veio e me disse: Fala aos filhos do céu para repreendê-los. Quando despertei, fui a eles. Todos eles estavam reunidos juntos e sentados e chorando em Abel-Maya (a Fonte do Pranto) que está entre o Líbano e Senir, com os rostos cobertos.»; «Eu contei diante deles todas as visões que havia visto em sonhos e comecei a falar com palavras de justiça e de visão e a repreender os Vigilantes celestes.»

XIV 1. [Este é o] «livro das palavras da verdade e da repreensão dos Vigilantes que eram desde sempre, segundo o que ordenou o Grande Santo no sono que sonhei. Nesta visão eu vi em meu sonho o que agora digo com a língua carnal, com o alento de minha boca, que o Grande deu aos filhos dos homens para que falem com ela e para que compreendam no coração. Assim como Deus destinou e criou os filhos dos homens para que compreendam as palavras do conhecimento, assim me destinou e fez e criou a mim para que repreenda os Vigilantes, os filhos do céu. Eu escrevi vossa petição, Vigilantes, e numa visão me foi revelado que vossa petição não vos será concedida por todos os dias da eternidade, e que haverá juízo por decisão e por decreto contra vós; que a partir de agora não voltareis ao céu e não subireis por todas as idades; e que foi decretada a sentença para acorrentar-vos nas prisões da terra por todos os dias da eternidade; porém que antes vereis que todos os vossos queridos irão à destruição com todos os seus filhos; e as propriedades de vossos queridos e de seus filhos não as desfrutareis; cairão ante vós pela espada de destruição, pois vossa petição por eles não vos será concedida, como não vos é concedida por vós mesmos. Vós continuareis pedindo e suplicando. […] Não pronunciareis nem uma palavra do escrito que eu escrevi.»

Esses Vigilantes que “mudaram suas obras” e resolveram ensinar aos humanos ciências divinas foram responsabilizados não só pelas guerras (que naquele tempo nem sempre eram vistas como algo ruim) mas também por terem iniciado ou aperfeiçoado a própria civilização: Semihazah ensinou “bruxarias, encantos e o corte de raízes, e a revelar-lhes as plantas”. Nisso se incluía a antiga homeopatia (fabricação de remédios naturais), já conhecida e rigorosamente aperfeiçoada pelos egípcios desde tempos remotos; E também a fabricação de venenos – retirados das plantas – que era uma especialidade daquele período, herdada da dominação romana.

Menos eficazes, mas nem por isso menos populares, deveriam ser as “bruxarias” e “encantos”, aos quais alegava-se que serviam para praticamente tudo que se pudesse desejar, principalmente ganhar fama, fortuna e atrair o sexo oposto. Geralmente nessas práticas se ensina que quando o feitiço da errado é 1) porque o praticante não executou como devia ou 2) porque seu inimigo fez um contra feitiço anulando o primeiro. Assim Hermoni (et. Armaros) “ensinou a desencantar, a bruxaria, a magia e habilidades”… Uma segunda versão em etíope fala sobre outros Vigilantes que, juntamente com Semihazah, teriam ensinado magia: Kasdeja “ensinou aos filhos dos homens toda espécie de sortilégios dos espíritos e dos demônios, bem como os malefícios contra o fruto do ventre materno, para sua expulsão, e os contra a alma, feitiços contra a picada de cobra, contra a insolação e contra o filho da serpente, chamado Tabaet. – E esta foi a tarefa de Kasbeel, que desvelara aos Santos o Juramento supremo, quando habitava no alto da Glória e se chamava Bika. Este pedira a Michael para transmitir-lhe o Nome secreto, a fim de que pudesse ser conhecido e empregado nos juramentos, conquanto aqueles que ensinaram as coisas ocultas aos filhos dos homens tremessem em face desse Nome e desse Juramento.” (I Enoch LXIX)

Sobre culinária, alfabetização e leis, é dito que Penemue “ensinou aos filhos dos homens o doce e o amargo, bem como todos os segredos da sua sabedoria. Ele também instruiu os homens na escrita com tinta e sobre papel, e com isso muitos se corromperam, desde os tempos antigos por todas as épocas, até os dias de hoje. Pois os homens não foram criados para fortalecer sua honestidade dessa maneira, por meio de pena e tinta”. (I Enoxh LXIX)

Kokab’el “ensinou os sinais das estrelas. (et. Ciência das constelações)”. Isso sem dúvida é antiga Astrologia, que incorporava elementos da astronomia. Esta “ciência” era muito valorizada pois, na antigüidade, eram os astrólogos que ficavam encarregados de informar sobre a mudança das estações, da configuração de calendários e outras coisas de grande utilidade para a vida rural e economia dos reinos. Ainda no campo da astrologia, parece que Zeq’el, que “ensinou os sinais dos relâmpagos (Et. Observação das nuvens)” e Baraq’el que “ensinou os sinais dos raios” ficaram responsáveis pala previsão do tempo… Para completar o quadro astronômico/astrológico, Shamsi’el “ensinou os sinais do sol” e Sahari’el “ensinou os sinais da lua. (et. Fazes da lua)”.

Em auxílio da agricultura, ‘Ar’teqof “ensinou os sinais da terra”, se era boa ou ruim para o plantio, etc. Tudo isso gerava grandes facilidades na vida humana que, tendo menos trabalho e mais tempo livre podia se dedicar a cuidados pessoais, iniciar uma vida urbana e até mesmo pensar numa expansão através da guerra. É aqui que entra aquele que apesar de não ser o líder parece ter provocado o maior dano de todos: ‘Asa’el (hebr. et. e árabe Azazel) “Ensinou os homens a fabricar espadas de ferro e couraças de cobre e lhes mostrou o que se escava e como poderiam trabalhar o ouro para deixa-lo preparado; e quanto à prata, a lavrá-la para braceletes e outros adornos para as mulheres. Às mulheres revelou acerca do antimônio e acerca do sombreado dos olhos (Kohol) e de todas as pedras preciosas e sobre as tinturas”.

Aparentemente, se não fosse pelos insaciáveis filhos vampiros, parece que os ensinamentos dos Vigilantes não seriam tão condenáveis assim, já que trouxeram para a humanidade mais bem do que mal… Tanto que um dos chefes de dezena, Dani’el (et. Danjal) foi adotado posteriormente como anjo da misericórdia pela tradição cristã, ficando mundialmente conhecido. Outro mencionado em versões posteriores, Uzza, tornou-se anjo benéfico para os árabes. De fato, o livro apocalíptico dos Jubileus conta que os Sentinelas (= Vigilantes) vieram para a Terra e depois pecaram, mas que seu príncipe, Samael, teria tido a permissão de Iahweh para atormentar a humanidade. Entretanto, o judaísmo posterior e quase todos os primeiros escritores eclesiásticos viram nesses “filhos de Deus” anjos culpados.

Sobre a posterior condenação, a Segunda versão de I Enoch limita-se a dizer que «em conseqüência desse Julgamento, eles serão submetidos à angústia e ao estremecimento por terem desvelado aquelas coisas aos habitantes da terra.» (I Enoch LXIX).

Na verdade nenhuma das sete cópias fragmentadas do Livro de Enoch (nem das cinco do Livro dos Gigantes) encontrados nas cavernas de Qumran continha menção ao “abismo de fogo” descrito no Enoch Etíope, o que é significativo pois se trata de textos particularmente grandes. É possível que estes textos sejam acréscimos posteriores de escribas ou tradutores Coptas – mesmo porque eles se assemelham mais à doutrina cristã dos primeiros séculos d.C. do que à mitologia judaica/essênia da época em que foram escritos os Manuscritos do Mar Morto. Uma descrição mais detalhada deste local de condenação aparece no Livro das “Similitudes de Enoch” (II Enoch); Esta versão, descoberta na Rússia em um texto eslavo, foi provavelmente escrita no Egito no princípio da era cristã e fala da viagem de Enoch através das diferentes coortes do Paraíso.

Por Shirley Massapust

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-queda-dos-anjos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-queda-dos-anjos/

As Aventuras de Pi – Uma análise cabalística

Aparentemente, “As Aventuras de Pi” (The Life of Pi), filme mais premiado do Oscar de 2013 (Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Trilha Sonora e Melhor Diretor), é apenas um filme com fotografia de encher os olhos que conta a história de Piscine Patel, vulgo Pi, que tenta provar a existência de Deus a um escritor desencorajado, relatando sua luta por sobrevivência em um bote salva-vidas, após um naufrágio em alto-mar com seu companheiro de viagem: o tigre Richard Parker. Porém, pode-se considerar redundância fazer uma análise cabalística deste filme, tão óbvio é o viés cabalístico presente em sua essência.

Pi nasce na Índia, filho caçula do dono de um zoológico e de uma botânica. Inabalável em sua crença no sagrado, quando criança, ele encontra espaço o suficiente em seu coração para abraçar as três maiores fés do mundo: o hinduísmo, o cristianismo e o islamismo, ignorando as diferenças de dogmas e preconceitos. Pi entende a unicidade e onipresença da luz de D’us, independente das formas e dos avatares existentes na história da humanidade.

Em um episódio peculiar com Richard Parker, em seu primeiro contato íntimo com o tigre, o protagonista tenta alimentá-lo com a própria mão, encarando-o nos olhos. Pi enxerga a alma do animal e a impressão que temos é que tudo correria bem, se o pai de Pi não o tivesse impedido, com medo do que aconteceria com o filho. Para ensiná-lo uma lição, o Sr. Patel alimenta o tigre com uma cabra, pedindo-o para ficar de olhos abertos, presenciando a selvageria do animal. Pi fica desolado. Seu mundo perde a cor, e sua fé fica completamente abalada. Assim o protagonista cresce, à procura de algo que trouxesse novamente significado em sua vida.

O auge do filme, porém, ocorre após a decisão do Sr. Patel de se mudar com toda a família para o Canadá, embarcando em um navio japonês, denominado Tsimtsum, para vender os animais do zoológico. Depois de quatro dias de viagem, Pi acorda no meio da noite em meio a uma violenta tempestade. Curiosamente, ele pede “mais chuva, mais chuva” ao “Deus da Tempestade”, e o Tsimtsum afunda, deixando-o a deriva no Oceano Pacífico.

O grande cabalista Isaac Luria descreveu um fenômeno curioso. No começo não havia Nada, apenas Luz Infinita. Nesse estágio pré-Criação, não existia lugar onde algo pudesse existir. Quando Ele decidiu criar, sabendo que nada poderia existir onde existisse a Luz Infinita, tamanha sua potência, o Criador retraiu sua Luz em um determinado espaço e o circunda, resultando em um vácuo dentro da Luz Infinita. Só então Ele estendeu para dentro deste vácuo circular um raio de Luz que gerou toda a Criação.

Esse ato de contração de si mesmo para que pudéssemos existir, Luria chamou de Tsimtsum. O Criador, ao criar este espaço, delimitá-lo e enviar um raio de Luz, revela os conceitos de limite e restrição tão necessários à criação, muito similar à função do número irracional Pi.

Pi, durante a tempestade, age como a Criatura foi programada para agir: ele pede mais e mais, pois assim é a criatura em essência, em seu desejo egoísta de receber. E é nesse instante que o Tsimtsum afunda, em uma linda cena com alegorias sobre o momento da Criação para satisfazer qualquer estudante de cabala (talvez até mesmo o próprio Isaac Luria).

Após o naufrágio, o protagonista passa por diversas situações em sua luta para sobreviver. Sozinho, tendo perdido sua família, alimentando e ao mesmo tempo dominando Richard Parker, o que pode claramente ser uma alusão ao nosso Adversário, ao nosso ego e ao constante desejo de receber para si.

Durante toda a viagem de Pi e Richard Parker em alto mar, é possível identificar diversas referências cabalísticas. Em certo ponto, por exemplo, os personagens passam pela esfera de Yesod, antes de terminarem sua jornada, chegando finalmente a Malkuth. Para não entregar o ouro tão facilmente, deixemos aos leitores a percepção destes pormenores.

Ao final de sua história, Pi conta para o jornalista que existem duas versões da história e que ele deve escolher qual é a verdadeira: a que ele acabara de contar, repleta de significados, amor e milagres; e a outra, com fatos realistas e cruéis.

De acordo com Pi, D’us é a “melhor história”. Acreditar em D’us torna a vida mais rica e mais repleta de sentidos – e ainda assim, a vida é a mesma. Ele viveu seu momento pessoal de re-criação do seu universo, sobrevivendo a todas as mazelas e vendo a beleza do Criador em todas elas.

A escolha, na verdade, é sempre nossa: ver apenas o sofrimento e a dor do mundo ou descobrir o significado profundo de todas as coisas.

D’us, ao criar o Universo, oculta sua Luz de nós, para que nós possamos fazer nossas próprias escolhas. Mas Ele permanece imanentemente presente, mesmo estando oculto. De certa forma, ele está mais presente em Sua ausência que em Sua presença.

Do excelente blog CEMEC – Centro de Estudos e Meditação Cabalista

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-aventuras-de-pi-uma-an%C3%A1lise-cabal%C3%ADstica

A Natureza da Quimbanda Brasileira

por T.Q.M.B.E.P.N.

A Quimbanda Brasileira, por ser uma Tradição que durante muitos anos resguardou-se através dos ensinamentos orais, ocultou sua verdadeira natureza para poucos iniciados. Esses, por sua vez, em sua grande maioria saíram do ‘Caminho de Maioral’ por não suportarem a pressão que é impingida aos adeptos ao longo de seu processo de alquimia interna. Os poucos que resistiram moldaram a Quimbanda segundo expressões e perspectivas particulares, por isso existe uma grande pluralidade na forma com que o Culto é desenvolvido no Brasil.

Independente de como o Culto foi desenvolvido, deixando de lado o regionalismo e a formação dos zeladores, a Quimbanda Brasileira tem características particulares que devem ser levadas em consideração. A Natureza da Verdadeira Quimbanda, ao contrário das demais religiões e cultos, não está associada ao desenvolvimento de uma conduta moral e ética refinada e nem é influenciada pelas empenhas do período evolutivo da sociedade humana. Também não é um meio ao qual os adeptos sentirão a satisfação espiritual enquanto estiverem na matéria, pois o intuito da Quimbanda não é gerar satisfação e sim libertação, pois satisfação desprovida de libertação é ilusória.

A Quimbanda Brasileira está associada ao processo que ocorre entre a consciência e a inconsciência. É o árduo caminho de aprendizado que tem como intuito o conhecimento sobre si próprio e principalmente sobre a relação do “Eu” com o Sistema vigente mostrando as relações que existem entre o corpo, corpo astral e espírito e a escalada evolutiva ou escravista que esse Ser escolhe.

Os sentimentos são mecanismos que devem ser lapidados por todo adepto da Quimbanda. Diferente de outras expressões religiosas, a Quimbanda Brasileira entende que cada adepto é um Ser individual e tem a liberdade de formar seus parâmetros sem imposições sobre “Bem X Mal”. O mais interessante é que os Exus mostram-nos que existe uma corrente invisível que prende-nos a valores positivos e negativos, pois não compreender o que sentimos em relação a tudo é o mesmo que nos prender em teias invisíveis onde os fios da moral nos sufocam. Se o sentimento é inevitável, que seja formado com múltiplas visões, dotado de discernimento e não esteja atrelado aos conceitos de moral e ética da massa vigente. Exu é a semente que estoura a terra e rompe a vida e não uma árvore que já nasce com frutas.

Todo esse processo de autoconhecimento visa dominar e entender os sentimentos e emoções para formar os pensamentos adequados que irão ser a forma mais verdadeira de comunicação com o mundo espiritual. Para alcançar esse nível o adepto deverá vivenciar em variadas situações, experiências profundas e por vezes doloridas. Até que o adepto entenda que tudo que ele vibra e sente pode interferir em sua jornada e que a mente é mediadora entre o “Eu” e o Caminho de Exu, pode encontrar inúmeras dificuldades. A Quimbanda não deseja adeptos perfeitos, mas almas livres, mentes que transcendem as formas limitadoras e vão além dos conceitos morais e éticos.

Quimbanda e o Instinto Predador

O homem iluminado pela Luz da Quimbanda, que é um dos raios da Luz de Lúcifer, luta internamente contra as amarras do Sistema Cíclico Escravista (reencarnação e cumprimento de Carma). Para vencer esses entraves, o espírito deve ser constantemente alimentado através da fonte espiritual (Sabedoria) e, ao mesmo tempo, seus instintos devem ser incitados para que ajam como predadores. A Sabedoria não confronta o ato predatório, apenas concede ao adepto o discernimento de quando, como e com que intensidade essa voracidade deve aflorar. Não se trata de restringir, mas de adequar e adaptar nossos instintos à realidade que vivenciamos.

O adepto cria em seu “Eu” uma aversão à fraqueza e limitações que existem na sociedade. Um predador não chora em cima de sua presa, tampouco, dispende energia em perseguições infrutíferas. O verdadeiro predador não tende errar porque é alicerçado pela sabedoria e principalmente pelo autoconhecimento. Um adepto avançado sabe seus limites e limitações.

O homem é condicionado ao instinto de autopreservação. Luta incessantemente pela vida e pela integridade. Esse mecanismo é regulado pela dor e pelo medo, ou seja, o homem se mantem vivo porque cultua ambos. O medo libera a adrenalina que aumenta a força física e expande os sentidos tais como audição, olfato e visão e pode fazer com que o homem vá ao combate ou fuja do mesmo. O adepto da Quimbanda aprende que avançar ou recuar nas batalhas não é uma decisão motivada pelos sentimentos ou sensações; sim pelo instinto predatório frio, agudo e incisivo. O Quimbandeiro não é refém do medo, tampouco, da dor, pois entende sua natureza e a dos espíritos que o ministram.

Exu é um espírito com a capacidade de ‘andar’ em nossa linha temporal (passado, presente e futuro). Como se encontra no plano astral, essa linha de tempo não se restringe apenas a existência material ao qual temos consciência, ou seja, Exu pode vagar em nossas existências passadas e interferir, de maneira construtiva, na nossa vida material presente. Assim, Exu pode fazer com que fobias desenvolvidas em vidas anteriores sejam vencidas nessa existência. Todo esse processo visa fortalecer o instinto predador que é desperto nos verdadeiros adeptos.

O Homem de Fogo x Homem de Água

O mundo, cíclico e rotativo, proporciona mudanças perceptíveis e imperceptíveis a todo o momento. Entendemos que o mundo é o “espaço-cativeiro” onde almas diversas encontram-se em estado bruto/solidificado/material. Toda mudança do mundo acarreta mudanças em seu rebanho, ou seja, por mais imperceptível que seja a ação certamente atingirá os humanos. O ritmo dessas mudanças pode ser variável e atingir o coletivo e o individual em estágios diferentes fazendo com que todos sejam obrigados a passar pelos processos de adaptação necessários.

Obviamente que existem teorias sobre o comportamento fixo ou maleável do homem no seu processo de evolução, porém, existe algo importante de salientarmos: A Vontade e o Desejo. Através desses impulsos, aflora a atitude de dinamismo e ostracismo no comportamento humano. Esse é dividido em estágios, porém, no contexto desse ensaio destacamos duas marcas: Furioso e Passivo.

O comportamento furioso é dotado de fogo, auto cobrança, evolução e agressividade que capacita o homem enxergar as mudanças do mundo, suas consequências e criar uma multiplicidade de ações para conviver com elas. Homens de comportamento furioso compreendem rapidamente as ações exteriores e criam ambientes capazes de se estabilizarem nas incertezas deixando de serem ferramentas mecanistas que efetuam a prevenção e conserto do Sistema. Os dotados com esse comportamento conseguem aprender com os erros, mas nunca deixam de promover sua subjetividade, desejos, frustrações e aspirações como parte integrante dos sistemas e das organizações.

O comportamento passivo é como água parada que procura estabilidade e proteção contra as ações agressivas da natureza. Geralmente criam suas identidades baseados em contatos visuais e estruturas que consolidam suas aspirações. Possuí medo em diversos níveis e destaca-se o medo à rejeição da sociedade. Alimenta os traumas e as percas tornando-os obstáculos que estorvam as mudanças. Não suporta um ambiente competitivo e inovador, possui hábitos lineares e tem dificuldade com aspectos e mudanças inovadoras. Foi preparado para ser mão de obra, para ter um chefe mandando o que fazer.

Ambos os comportamentos coexistem na sociedade. Possuem família, amigos, dívidas e sonhos. Convivem com os mesmos problemas, crises e toda complexidade da sociedade. Disputam o mesmo espaço e estão suscetíveis as mudanças no mundo, sejam perceptíveis ou não. O homem de comportamento furioso e o homem de comportamento passivo podem, em algum momento, aproximarem-se do Culto de Exu. Os motivos que os levam a tal decisão são praticamente os mesmo, afinal, não são todas as pessoas que se aproximam do Culto em busca de revelações e evolução espiritual, sejam elas furiosas ou passivas. Inseridos no Culto, ambos passarão pelos mesmos estágios e nesse exato momento diferenciam-se.

Imaginemos que Exu interfira na linha temporal de ambos os comportamentos de forma agressiva. Essa agressividade, sob olhos atentos, capacitará mudanças significativas em suas vidas materiais, mas ao mesmo tempo impingirá pressão e confusão até estabilizar um “novo caminho”.

O homem de comportamento furioso certamente suportará essa pressão, pois rapidamente criará uma nova forma de adaptação e enxergará através das ‘brechas’ deixadas por Exu. Aproveitará ao máximo a oportunidade e não permitirá que as frustações o atinjam, porque construiu sua fé com subjetividade. Ele se regenerará nas formas sagradas que os Espíritos emitem e não no que seus sentimentos grosseiros tentam formar.

O homem de comportamento passivo entrará em colapso vendo sua estrutura protecional ruir. Lamentará por não ter seguido conselhos repelentes ao Culto e deixará os traumas tomarem-no de forma literal. Não suportará a pressão do novo e ruirá em pedaços grosseiros.

Exu, na sua imensa sabedoria e com sua gargalhada caótica que bane a inércia, pegará os dois comportamentos e colocará em sua peneira. O homem de comportamento furioso ruirá por inteiro tornando-se um pó sagrado apto a promover a ressurreição de seus antepassados obscuros, já o homem de comportamento passivo ficará sendo balançado em grosseiros pedaços até que Exu jogue-o em algum canto por não servir aos seus propósitos.

Todo esse ensaio mostra aos adeptos porque muitas pessoas que se aventuram nos caminhos de Exu deixam o Culto de forma inesperada e se tornam inimigos dessas forças. São passivos, inertes e esperam que as mudanças venham de forma linear, calma e protecionista. Essas pessoas acabam se escondendo em outros caminhos religiosos que propagam a sutileza, amor, compaixão e caridade. Esperam que Exu plante uma ‘Árvore do Dinheiro’ ou ‘tragam a pessoa amada em três dias’ porque tais situações corroborarão com seus queridos estados letárgicos e anti-evolucionistas.

Lembremos que Exu é constante movimento e nunca carregará fardos. ‘Exu não dá o peixe para quem não sabe pescar!’. Exu nos ensina a agirmos como catalisadores de ações!

O Instinto Predador e o Ego

O Ego é a defesa da personalidade, estrutura do aparelho psíquico que nos conduz pela realidade. O Ego é ‘defensor do medo’ e coíbe todos os instintos predatórios que possuímos.

Compreender nossos instintos predatórios não é o mesmo que coibi-los. Coibir significa reprimir, expressar claramente uma negativa. A compreensão é a aceitação e entendimento do impulso para que o mesmo seja desperto quando necessário. A coibição gera insatisfação, traumas e o ódio. Esses sentimentos, dentro desse contexto, são atrativos de Carma e elos das algemas do Sistema Escravista do Falso Deus. A compreensão dos impulsos é parte da libertação e do próprio autoconhecimento.

fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/natureza-quimbanda

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-natureza-da-quimbanda-brasileira/

Devorador de Sombras

Há um gênero literário que surgiu independentemente em diversas [épocas e nações: o roteiro do morto nas regiões ultraterrenas. O Céu e o Inferno de Swedenborg, as escrituras gnósticas, o Bardo Thödol dos tibetanos (título que, segundos Evans-Wentz, deve ser traduzido por Libertação por Audição no Plano da Pós-Morte) e o Livro Egípcio dos Mortos não esgotam os exemplos possível. As “afinidades e diferenças” dos dois últimos têm merecido a atenção dos eruditos; baste-nos repetir aqui que, para o manual tibetano, o outro mundo é tão ilusório quanto este, e, para o egípcio, é real e objetivo.

Há nos dois textos um tribunal de divindades, algumas com cabeça de macacos; nos dois, uma ponderação das virtudes e das culpas. No Livro dos Mortos, uma pena e um coração ocupam os pratos da balança; no Bardo Thödol, pedrinhas de cor branca e negra. Os tibetanos têm demônios que oficiam como ferozes verdugos; os egípcios, o devorador das sombras.

O morto jura não ter sido a causa de fome ou de pranto, não ter matado e não ter mandado matar, não ter roubado os alimentos funerários, não ter falsificado as medidas, não ter tirado o leite da boca da criança, não ter afastado do pasto os animais, não ter capturado os pássaros dos deuses.

Se ele mentir, os quarenta e dois juízes o entregarão ao devorador, “que é, na frente, crocodilo, no meio leão e, atrás, hipopótamo”. É auxiliado por outro animal, Babai, do qual só sabemos que é assombroso e que Plutarco o identifica com um titã, pai da Quimera.

Fonte: O Livros dos Seres Imaginários – Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/devorador-de-sombras/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/devorador-de-sombras/

Os significados ocultos no Yin-Yang

Oh, como é puro e tranquilo o Caminho,

pode ser que continue para além do Céu!

Não sei de quem possa ser filho,

pode ser anterior ao próprio Imperador de Jade

(Tao Te Ching, IV)

O Imperador de Jade, na mitologia chinesa, governa o céu e toda a existência abaixo dele, sendo o equivalente de um “deus criador primordial” das mitologias ocidentais, como Gaia [1] ou Javé. Quando o Tao Te Ching afirma que o Tao, ou o Caminho, pode ser anterior a tal divindade, ele estabelece com grande propriedade o quão misterioso e oculto é o Tao.

O Tao, conceito central do taoismo, não é só um caminho físico e espiritual; ele também é identificado com o Absoluto que, por divisão, gerou os opostos/complementares yin e yang, a partir dos quais todas “as dez mil coisas” que existem no universo foram criadas. Isto quer dizer exatamente o que parece: o Tao é o Tudo, pois é precisamente este o significado de “as dez mil coisas” no taoismo, isto é, Tudo o que existe.

Há muitos filósofos ocidentais que tentaram abordar este conceito de Tudo. Espinosa, talvez o mais bem sucedido, o chamou de “a substância que não poderia haver criado a si mesma”. No taoismo usualmente o Tao/Tudo é abordado de forma indireta, precisamente através dos conceitos de yin e de yang.

Segundo a ideia que engloba tanto yin quanto yang, cada ser, objeto ou pensamento possui um complemento do qual depende para a sua existência, e esse complemento também existe dentro de si. Dessa forma se deduz que nada existe no estado puro: nem na atividade absoluta, nem na passividade absoluta, mas sim em transformação contínua. Além disso, qualquer ideia pode ser vista como seu oposto quando visualizada a partir de outro ponto de vista. Neste sentido, toda a categorização seria apenas uma conveniência da lógica.

Em suma, yin e yang seriam a fase seguinte do Tao, princípio gerador de todas as coisas, de onde surgem e para onde se destinam… Parece complexo abordar tal assunto de forma puramente racional não? Em realidade todos estes conceitos, Tao, yin e yang, costumam ser melhor compreendidos por nossa intuição do que por nossa razão. Eles dizem respeito a alma de todas as coisas, e não as coisas em si.

No vídeo abaixo, uma animação retirada da palestra do educador John Bellaimey para o TED, temos mais uma tentativa de explicar os significados ocultos de yin e yang. Se possível, assista esses 4 minutos com a mente relaxada, para que sua intuição possa aflorar:

***
[1] Há uma correlação possível entre o Caos da mitologia grega e o Tao. Gaia é filha de Caos, assim como yin ou yang são “filhos” do Tao.

Crédito da imagem: Google Image Search

#MagiaOriental #Tao

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-significados-ocultos-no-yin-yang

A Cura Energética com a Cabala

Por Devi Stern.

Pouco poderia eu imaginar quando titulei o primeiro capítulo de meu livro “Reconectando-se ao Divino Feminino” que a Cura Energética com a Cabala seria liberada durante um tempo de tão inigualável despertar feminino. Os movimentos #TimesUp e #MeToo, juntamente com as marchas e ativismo político das mulheres em todos os níveis em todo o planeta, são a reação da sociedade ao que os cabalistas esperam há muitas centenas de anos. Seus ensinamentos sobre a relação entre os sexos, embora escritos há muito tempo, ressoam com os acontecimentos atuais de maneira surpreendente.

Cabala é o nome coletivo dos ensinamentos místicos do judaísmo. A maioria dos ensinamentos cabalísticos são baseados no Zohar (Livro do Esplendor), uma antiga obra de segredos, discussões crípticas e interpretações da Torá (Antigo Testamento). A Cabala era um mundo de homens, e durante séculos foi uma tradição oral transmitida pelos homens aos homens. O Zohar e todos os textos clássicos da Cabala também foram escritos exclusivamente por homens para um grupo muito seleto de homens cultos. Somente no passado recente foi possível a qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo ou religião, estudar estes textos. Depois de ter sido estudante de cura cabalística por muitos anos, fui levado a uma brilhante professora de Zohar, Sarah Yehudit Schneider, autora de Kabbalistic Writings on the Nature of Masculine and Feminine (Escritos Cabalísticos sobre a Natureza do Masculino e do Feminino). Que dom foi estudar o Zohar como interpretado por uma mulher!

O judaísmo é uma religião monoteísta. Uma das razões pelas quais os antigos cabalistas mantiveram um baixo perfil foi que, além da tradicional expressão masculina de Deus como Criador, eles abraçaram uma expressão feminina de Deus chamada Shechina. Esta não é uma crença idólatra, embora pudesse ter sido interpretada como tal. Existe um só Deus no judaísmo. A Shechina é o símbolo da expressão imanente da divindade que carregamos dentro de nós mesmos. A Shechina também pode ser simbolizada como a Terra. Ela é a parceira do transcendente Criador divino masculino, o Céu. Juntos eles são Um.

De acordo com o Zohar, a conexão com o Shechina era algo que os homens precisavam lutar conscientemente. Cabalistas honraram suas esposas como expressões humanas do divino feminino. De fato, o maior veículo para esta conexão era através da intimidade sexual sagrada, que refletiria o casamento divino entre o Céu e a Terra. O Zohar na verdade fornece instruções de preliminares, treinando os homens, orientando-os de maneiras que despertassem suas esposas o suficiente para querer ter sexo com eles. Além de dar-lhe elogios, foi sugerido que um homem expressasse seu genuíno sentimento de conexão de coração com seu parceiro. Ele deveria experimentar suas almas unidas e comunicá-lo não apenas através de palavras, mas através de ações. Segundo o Zohar, um homem nunca deve coagir uma mulher a ter relações sexuais. Não é seu direito e ela nunca deve ser forçada, mesmo que seja casada. Esta era uma ideia notável para os tempos e ainda hoje, onde, em alguns lugares, o estupro conjugal não é considerado um crime. Qualquer que seja o poder que um homem possa ter, ele nunca deve usá-lo de forma abusiva.

Este modelo de relação sexual sagrada representa uma situação ideal e que os cabalistas, há centenas de anos, declararam como o passo final na criação da sociedade igualitária do futuro, onde a diversidade e a multiplicidade serão respeitadas e plenamente manifestadas. As convulsões provocadas pelas revelações das mulheres de #TimesUp e #MeToo estão na hora certa, pois estamos nos aproximando do fim de uma era de hierarquia. Vivemos por muito tempo sob a sombra não falada dos erros sexuais, que agora estão sendo revelados a fim de serem curados por indivíduos e sociedades tanto. As consequências de as mulheres se sentirem capacitadas para falar em segurança são necessárias para a cura desta última fronteira, dentro do casamento e relacionamentos de todos os tipos, tanto sexuais como não sexuais.

Este mundo aperfeiçoado, chamado pelos cabalistas de Olam Haba (“o mundo que virá”), embora previsto, não é uma conclusão inevitável. Cada um de nós precisa fazer a sua parteira para torná-la realidade. Isso pode ajudar a reexaminar a história da criação sob uma luz cabalística. Segundo o Livro de Gênesis, o primeiro ser chamado Adão (da palavra hebraica adama, que significa “terra”) foi criado à imagem de Deus como um ser de luz andrógino. O Adão primordial, modelo de nosso DNA original da alma, era tanto masculino quanto feminino. Mesmo depois que as duas partes foram separadas, o Zohar interpreta o “comer da maçã” de Adão e Eva e a consequente expulsão do paraíso como uma responsabilidade mutuamente compartilhada… não apenas a culpa da mulher. Quem criou o mito de que a culpa é da mulher deveria ter estudado o Zohar! Este mito tem colorido a história por milhares de anos e justificou colocar as mulheres sob o domínio dos homens.

Mas, chegou o momento de ver esta história e a nós mesmos sob uma luz mais elevada. Não importa o nosso gênero, todos nós temos aspectos masculinos e femininos. Estas partes de nós são um microcosmo de relacionamentos em todos os níveis, desde nosso corpo físico até a união divina. Trazê-los em equilíbrio com amor e respeito nos ajudará a encontrar nosso caminho de volta aos seres “iluminados” que um dia fomos. As mulheres de #TimesUp e #MeToo, todas mulheres que eu suspeito, estão procurando exatamente este tipo de equilíbrio, relações criadas e mantidas através de respeito e honra genuínos.

Como a Cura Energética com a Cabala se aprofunda em assuntos místicos, talvez eu não devesse ter ficado surpreso que este único tópico, a relação sagrada entre os sexos, tenha escolhido chamar a atenção para si mesmo. Um ensinamento chave apresentado antes da descrição de uma prática sexual sagrada é baseado nas palavras hebraicas para homem/ish e mulher/isha. As palavras ish e isha contêm cada uma a palavra para fogo/aish. As letras restantes, quando combinadas, explicitam a palavra Yah, um nome para Deus que une o masculino e o feminino. A interpretação apresentada é que sem Yah, o fogo da paixão pode reduzir um relacionamento a cinzas. Esta conclusão se separou do resto do tópico e se encontra, na verdade, na primeira impressão do livro, em uma página separada. O leitor deve conscientemente colocar as duas metades juntas. Esta discrepância nos chama claramente a atenção para o quão crucial é este processo de cura atual. Cada um de nós deve se esforçar para estar consciente da natureza sagrada de todas as relações, sexuais ou não.

A Cura Energética com a Cabala proporciona exercícios práticos que ajudam a equilibrar e curar a relação entre o masculino/cabeça e o feminino/terra como representando todos os opostos em cada um de nós. O equilíbrio nos ajudará a navegar mais firmemente através das mudanças turbulentas que estamos enfrentando hoje com a intenção de criar uma sociedade melhor de amanhã.

Comece com uma prática chamada Conectando Céu e Terra, um pico da Cura Energética com a Cabala. O exercício original provavelmente data da antiguidade, já que desenhos dele foram encontrados em hieróglifos egípcios. Versões podem ser encontradas tanto em qi gong como em Eden Energy Medicine (Medicina Energética do Éden). Entre seus muitos benefícios, ele ajuda a mover energia fresca através do corpo, liberar emoções indesejadas, terra e centro, ativar a aura e conectar a força vital da terra com a do céu. É como criar o casamento divino em si mesmo.

Ele é apresentado aqui de forma simplificada.

1. Inspire, descansando as mãos sobre o coração.

2. Segure a respiração, flexione as duas mãos. Estique para cima com uma e para baixo com a outra como se estivesse segurando o céu e a terra ao mesmo tempo.

3. Expire, devolvendo as duas mãos para descansar sobre o coração.

4. Repita do outro lado.

5. Pendure sobre suas pernas, respirar fundo e lentamente rolar para cima.

Atenção: As Partes 2 e 3 da Cura Energética com a Cabala consistem em práticas de energia/Cabala, incluindo uma cura que você pode usar para ajudar outra pessoa. Vídeos de muitos dos exercícios podem ser encontrados em energyandkabbalah.com. Se você estiver interessado em organizar um workshop, aprender e praticar estes exercícios em grupo, ou ser colocado em uma lista de e-mails dos próximos eventos, por favor me envie um e-mail para devi@dragonflyhealer.com.

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Fonte:

#TimesUp, #MeToo, and Kabbalah, by Devi Stern.

https://www.llewellyn.com/journal/article/2695

COPYRIGHT (2018) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cura-energetica-com-a-cabala/

Simbolismo e a Liberdade Religiosa

Por Hamal

Os ensinamentos da Ordem DeMolay e da Maçonaria são transmitidos através de símbolos. Mas sabemos realmente a importância dessa afirmação?

Muitos dizem que os ensinamentos são transmitidos em forma de símbolos para se velarem ao entendimento profano. Essa afirmação é verdadeira, mas quem é profano? Aquele não iniciado nas Ordens ou aquele iniciado que não pratica o conhecimento que lhe é transmitido?

O símbolo esconde seu segredo somente aqueles que não procuram conhece-lo, sendo iniciado ou não. O símbolo é como uma pedra bruta que oculta seu formato a quem não sabe manusear as ferramentas. Basta estudar e trabalhar sobre um símbolo que ele se revela trazendo algo de oculto consigo.

É fundamental esclarecer a importância do simbolismo e da liberdade religiosa antes de analisarmos o que se encontra além das aparências simbólicas, pois necessitamos retirar o empecilho dogmático e tabus existentes em torno desses símbolos.

O SÍMBOLO

Nós usamos diversas maneiras para nos comunicar e expressar, seja a palavra falada, escrita ou em imagens. Isso é o que chamamos de sinais, cujo entendimento vêm através do aprendizado consciente e ali permanece, sem nenhum reflexo inconsciente.

Já o símbolo é diferente, é a ponte entre a consciência e o inconsciente, aquilo que vai além do seu significado aparente. Quando nos propomos a conhecer o domínio dos símbolos entramos em um mundo além da lógica e razão, pois adentramos no lado escuro da mente. Dessa maneira, é a conexão entre o visível e o invisível, são pelos símbolos que acessamos a egrégora e as energias do ritual.

O homem não inventa símbolos, assim como não inventa as Leis Físicas, ele apenas observa a vida e o universo ao seu redor e identifica os símbolos correspondentes a cada acontecimento ou fato existente.

Por exemplo, a vida e a morte são um fato do Universo e não só dos homens. De estrelas que explodem, à natureza que morre no inverno e os homens que vão ao Oriente Eterno. A morte é um destino certo a tudo que existe, e pode ser representado simbolicamente por uma caveira. Mas tudo está em evolução e crescimento, e da morte (que não significa “fim”) também surge a vida. Novas estrelas surgem do pó das antigas, novas folhas e frutos nascem na natureza e uma nova geração surge entre os homens. É o ciclo da vida e da morte que todos teremos que passar.

O ciclo da vida e da morte nos ensinam que nessa vida nada é eterno, tudo um dia acabará. Faz parte da evolução e do nosso crescimento. Como a serpente que solta a pele antiga para poder crescer, deixando o antigo para trás e renascendo como um novo ser. A serpente que morde o próprio rabo é o ouroboros dos alquimistas, e representa esse eterno ciclo do universo da morte e ressurreição.

Esses símbolos representam a evolução, a morte do profano e o renascimento de um ser espiritual. O objetivo das iniciações.

É a observação do universo que fornece ao homem os símbolos, portanto o esoterismo reconhece o mesmo princípio nos símbolos utilizados por culturas e religiões diferentes. A Lua do Brasão da Ordem DeMolay é a mesma Lua na cabeça de Shiva, como também é a da deusa Ísis. A jornada, provas e fases da Iniciação Maçônica e DeMolay representam as mesmas provas que os mitos relatam daqueles que se tornam um “herói”, como as provas enfrentadas por Jesus, Buda ou Krishna. Mesma jornada que representa o andar do Sol no Céu e a vida de um homem, do nascer ao ocaso.

Percebam a importância do Princípio da Correspondência no simbolismo vista no texto Esoterismo na Ordem DeMolay e o exemplo dos símbolos da Maçonaria no Esoterismo na Maçonaria.

LIBERDADE RELIGIOSA

O hermetismo reforça a ideia de liberdade religiosa e de pensamento, pois tudo que provêm da obra de Deus é sagrado e existe um símbolo que pode revelar segredos transcendentes a nós. Não devemos desprezar nenhum conhecimento.

Dessa maneira o DeMolay e o Maçom devem aprender a enxergar além do senso comum, além do dogma e do separacionismo religioso. Reconhecendo que os símbolos religiosos são sagrados, é nosso dever respeitá-los assim como respeitar a decisão do outro em ser seguir ou não um dogma ou religião.

A respeito da Liberdade Religiosa e Maçonaria podemos ler na Constituição de Anderson, escrita em 1723, o seguinte trecho:

“Da mesma maneira que, nos tempos passados, os maçons eram obrigados, em cada país, a professar a religião de sua pátria ou nação, qualquer que ela fosse, nos tempos atuais nos pareceu mais adequado não obrigar além dessa religião na qual todos os homens estão de acordo, deixando cada um livre para ter sua opinião própria.

(…)

De onde segue que a Maçonaria é o Centro de União e o meio de suscitar a verdadeira amizade entre as pessoas. Sem ela, permaneceriam em um perpétuo distanciamento“.

E sobre esse assunto na Ordem DeMolay vemos em sua Cerimonia Branca:

“Nós abrimos a Bíblia Sagrada, fonte de nossa fé em dias eternos, sobre o Altar, como símbolo da liberdade religiosa, que é direito de primogenitura de todos os povos. Sobre este Altar, não está o emblema de qualquer credo, ou o depósito de qualquer sistema de teologia, mas sim a palavra do único e verdadeiro Deus, cuja paternidade universal nos ensina a lição inevitável da fraternidade de todos os seus filhos. Sem a oportunidade de venerar a um Deus de acordo com as instituições de nossa própria consciência, nossa liberdade seria sem sentido, portanto, com fundamento, colocamos a Bíblia Sagrada sobre nosso Altar.”

Chega a um ponto em nossos estudos que se formos presos por dogmas religiosos estaremos muito limitados e não progrediremos no esoterismo. Isso será muito importante, pois aqui não vamos poupar interpretações simbólicas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/simbolismo-e-a-liberdade-religiosa

Ali al-Hádi

O Imam Ali Ibn Mohammad era chamado de “Al-Hádi”, isto é, “O Orientador”. Ali al-Hádi foi o décimo Imam do Xiismo dos Doze Imans.

Ele nasceu na pequena aldeia de Sarba, que se localizava a 5 Km e meio da cidade de Medina, no ano de 829 d.C (214 da Hijra), e se desenvolveu sob os cuidados de seu pai por sete anos, sobrevivendo-lhe por mais trinta e três anos e alguns meses. Seu pai foi o Imam Mohammad “Al-Jauád” (A.S.). E sua mãe foi Sammaná, a maghrebita, uma senhora de prestigio e virtudes intocáveis, e de uma fé inabalável.

SEUS FILHOS:

O Imam “Al-Hádi”(A.S.) teve quatro filhos e uma filha: Al-Hassan “Al-Ascari”, Al-Hussein, Mohammad, Jaafar e Àlia.

SEU MINISTÉRIO:

O Imam Ali “Al-Hádi” tomou posse de seu ministério no imamato após a morte de seu pai o Imam Mohammad “Al-Jauád” (A.S.), em 220 da Hijra. Tinha ele na ocasião seis anos e alguns meses de idade, praticando a sua liderança apesar de pouca idade, tal como o fez seu pai anteriormente. E esta pura e extraordinária circunstância esclarece e comprova a continuidade dos Imames pela vontade de Deus Supremo, prolongando-se esta sua liderança por trinta e três anos, passando por sete governantes Abássidas, os quais são: Al-Mamun e seu irmão Al-Mutassem (Al-Uátiq Ibn Al-Mutassem, Al-Mutauaquel Ibn Al-Mutassem, Al-Muntasser Ibn Mutauaquel, Al-Mustaín primo de Al-Muntasser e por último Al-Muutazz Ibn Al-Mutauaquel.

SUA BIOGRAFIA E GENEROSIDADE:

Os Imames da Linhagem do Profeta (S.A.A.S.) eram privilegiados pelo especial compromisso com Deus Supremo e com o mundo do desconhecido, por causa da categoria da infalibilidade e do imamato que conquistaram pelo favorecimento de Deus; e a eles se conectam os milagres e a generosidade, os quais apoiam seus preceitos em Deus unicamente, que os fez Imames e líderes para guiarem a sociedade aos caminhos da virtude e da perfeição, e por intermédio deles, em algumas ocasiões, deu-se provas que levaram à serenidade da alma, por terem sido os Imames da justiça prediletos por Deus para a propagação de Sua Mensagem. E tais predicados unidos à generosidade e nobreza de caráter encontramos sem dúvida no Imam “Al-Hádi”,

A própria história confirma os acontecimentos milagrosos generosos ocorridos pelas mãos do Imam “Al-Hádi”, os quais citaremos a seguir:

SUBMISSÃO DAS FERAS AO IMAM “AL-HÁDI”:

A história menciona que, certa vez, o califa Abássida, Al-Mutauaquel, foi favorecido com três leões magníficos e ferozes. Um dia, mandou colocá-los no pátio do Palácio e ordenou que fechassem o Imam “Al-Hádi” nele juntamente com os leões esfomeados. Feito isto, as três feras começaram a rodeá-los até que finalmente sentaram-se e estenderam a suas patas dianteiras, como se quisessem se colocar em posição de obediência enquanto que o Imam (A.S.) as acariciava. Pouco depois, foi levado a presença de Al-Mutauaquel e começaram a dialogar por cerca de uma hora, retornando depois ao pátio em companhia dos leões, que procederam da mesma forma como tinham feito anteriormente. Quando o Imam “Al-Hádi” (A.S.) foi liberado e saiu do palácio, vieram os assessores do Califa e lhe falaram: “O vosso primo (aludindo ao Imam) procedeu com os leões tal qual como Vossa Majestade observaste. Então, que tal fazeres o mesmo?!”. Irritado o Governante exclamou: “Ora, vós quereis o meu fim?!”. Depois ordenou-os a calarem sobre o fato e jamais o mencionaram ou deixaram ventilar o que aconteceu.

SEU CONHECIMENTO SOBRE QUESTÕES SECRETAS:

Um dos amigos do Imam “Al-Hádi” (A.S.), chamado Abu Háchem Al-Jaafari, contou o seguinte: “Certa vez estive com muita dificuldade financeira quando por fim, me vi obrigado em recorrer ao Imam. Ao me receber em seu gabinete, me fez sentar diante dele, iniciando ele próprio o assunto, indiretamente alusivo àquilo que me levou a sua presença dizendo: “Ó Abu Háchem, diga-se, a qual das graças que te empenharias em agradecer?”. Encabulado e confundido, nada lhe respondi. Diante do meu silêncio, o Imam tornou a falar-me: “Sabei ó Abu Háchem que a benção é pela vossa fé, portanto, precavenha o vosso corpo contra o fogo. Vossa benção é a saúde, e isto o auxiliará na obediência. Vossa benção é o contentamento, que vos protegerá do desperdício; se iniciei a conversa, ó Abu Háchem, é porque percebi que desejas queixar-te a mim. Por isso, já dei ordem de vos entregar 100 dinares. Pegue-os e atenda a vossa necessidade”.”

A REVERÊNCIA DO IMAM E SUA GRANDEZA:

Mohammad Ibn Al-Hassan Al-Achtar, contou o seguinte: “Certa vez, quando eu era menino, estive em companhia de meu pai juntamente com outras pessoas a espera, na porta do Al-Mutauaquel, quando surgiu o Imam “Al-Hádi” ainda rapaz. Imediatamente, as pessoas começaram a se inclinar para reverenciá-lo, apesar de, enquanto esperávamos comentavam entre si: “Daqui a pouco virá o Imam “Al-Hádi”, e a troco do que iremos reverenciar este rapaz, afinal, ele não é mais importante do que nós, nem mais velho do que nós e tampouco mais honrado do que nós… Pois juro que não lhe reverenciaremos: Mas um dos presentes (que era amigo do Imam) retorquiu: “Por Deus é que ireis reverenciá-lo só de vê-lo!”. Nem acabou de falar, e, chegando o Imam (A.S.), todos o reverenciaram com respeito e dignidade. Nisso, Abu Háchem lhes disse: “Vós não decidistes em não reverenciá-lo?” E eles lhe responderam: “Nós não nos controlamos para tal ao vê-lo, portanto, o reverenciamos pela sua venerabilidade e grandeza!”.

FALOU EM TURCO:

Certa vez, Abu Háchem Al-Jaafari relatou o seguinte: “Estive um dia na cidade de Medina, em companhia do Imam “Al-Hádi” quando passou por nós um homem. De repente, vi o Imam conversar com ele no idioma turco, instantes depois, o cavaleiro desceu cavalo e começou a beijar as patas do cavalo do Imam. Surpreendido, insisti com o turco: “Afinal, o que o Imam vos falou para que agisse desta forma?”. O turco me respondeu com outra pergunta: “Acaso, este homem é um Profeta?”, e eu lhe respondi: “Não… não é um Profeta, porém, é um dos recomendados do Profeta Mohammad (S.A.A.S.)… Por que me perguntas isto?”. Perplexo, o turco me disse: “Porque o Imam me chamou por um nome que só me chamavam assim quando eu era criança, na Turquia somente, e até hoje, ninguém soube deste fato!”.”

PALAVRAS DO IMAM “AL-HÁDI”:

“Aquele que não se valoriza, não se deve fiar em seu mal”.

“Aquele que se conformou e se acomodou, aumentou sobre si os problemas”.

“A desgraça do paciente é uma só e do temeroso são duas”.

“O melhor do benefício é seu benfeitor. A preferência do conhecimento é seu portador. O pior dos males é seu transmissor. O mais temível que o terror é seu praticante”.

“Deus fez o mundo ser a morada da aflição; e da eternidade a morada final. Fez da aflição do mundo, o resultado da recompensa à eternidade; e a recompensa com a eternidade, é o resultado da aflição do mundo”.

“O mundo é um mercado: nele há os que lucram e os que perdem”.

“Aquele que reuniu para vós o seu afeto e o seu parecer, reúna para ele a vossa obediência”.

“O grato é mais benquisto do que aquele que concedeu o favor, porque os favores são a felicidade, e o agradecimento é a graça e a eternidade”.

“Não espere sinceridade de quem aborreceste, nem lealdade a quem traíste e nem conselhos de quem perdeste nele a confiança, pois o coração dos outros é semelhante ao teu coração”.

“Quem teme Deus é temido; quem obedece Deus é obedecido, pois quem obedece o Criador não alcança a ira das criaturas humanas”.

“A fé é o que veneram os corações e confirmam as ações; e o Islam é o que a boca divulga e nele se permitem as uniões”.

“O cinismo é o gracejo dos insolentes e procedimento dos ignorantes”.

A SITUAÇÃO POLÍTICA QUE O IMAM PRESENCIOU:

Aqueles que acompanharam a vida dos que foram da Linhagem do Profeta (A.S.), verificaram que sua existência terrena era de conhecimento, de boas ações e de exortação à fé em Deus Supremo e em Seu Livro, como também, no preceito de Seu Mensageiro (S.A.A.S.) bem como, a divulgação dos princípios do Islam na sociedade. E suas vidas eram de lutas e empenhos em prol da justiça e da verdade, afrontando e contrariando com coragem a opressão e os opressores, e que, por causa de sua oposição contra os maus governantes, os Imames se expuseram aos piores suplícios e ofensas… e a vida do Imam “Al-Hádi” (A.S.) não foi diferente. Ele também foi alvo da pior das tiranias dos governantes Abássidas, que o queriam afastado da prática de suas atividades no empenho de sua liderança sobre a nação islâmica.

Durante o período de 835 a 869 d.C., ou melhor, desde o califado de Al-Mutassem, começaram os sintomas da decadência da dinastia Abássida, devido a insegurança generalizada, rebeliões e movimentos separatistas, corrupção administrativa, etc… Caracterizando a desintegração política do califado, principalmente com o domínio dos turcos e impotência moral dos governantes, os quais eram Califas no título somente e não na ação e autoridade. Tanto é que certo Sheikh disse ao Califa Al-Muutassem, quando ele saía em dia de festejos numa procissão ornamentada com os seus servos e sua comitiva: “Que Deus não vos recompense com boa vizinhança e júbilo, pois vieste com aqueles desprezíveis mercenários turcos e os fizeste habitarem entre nós, e provocaste a orfandade de nossas crianças e enviuvaste as nossas mulheres e mataste nossos homens!”. Ao ouvir o que o sheikh acabara de praguejar, Al-Muutassem decidiu transferir a sede do Governo para Samarra.

Em certa ocasião, veio Al-Mutassem conversar com um dos seus assessores, o qual lhe falou a respeito do califado: “Majestade, para que vos preocupaste com o califado e seus problemas? Fique com o título sem exceder em vossas ordens e permissões e deixe a questão por nossa conta”. Desde então e, a sombra daquela situação, a comitiva e os ministros dominaram a Casa da Moeda, extorquindo as heranças e desperdiçando altos valores nas casas de diversões e deleites oferecendo altas somas aos poetas aduladores que enalteciam o Califa e rebaixavam a memória dos membros da Linhagem do Profeta (S.A.A.S.).

A opressão se estendeu e a justiça se perdeu, e acabaram as vozes que contradiziam a opinião do Estado, enquanto que Al-Mutassem pouco se importava com os santuários, com o povo e com sangue derramado. Conta a história que quando o sábio Ahmed Ibn Hanbal, contrariou Al-Mutassem em seu parecer e opinião, este mandou chicoteá-lo até que o sábio desfaleceu, e depois, ordenou algemá-lo e jogá-lo na imunda prisão.

Foi sob a sombra de tais ocasiões e acontecimentos que o Imam “Al-Hádi” (A.S.) praticava a sua liderança junto a nação islâmica na difusão da vigilância, da atenção e do conhecimento a fim de proteger a autenticidade do pensamento islâmico e seu verdadeiro caminho, reivindicando o direito e a justiça junto as autoridades, enfrentando toda espécie de pressões e dificuldades.

E assim, os Abássidas continuaram neste sistema, vindo substituir Al-Mutassem, seu filho Al-Uátiq, o qual não era melhor que seu pai, exceto que fora menos violento contra os da Linhagem do Profeta e seus seguidores, pois não se registrou que ele tenha mandado executar algum deles; pelo contrário, procurava manter a harmonia com eles e os demais, perdurando seu califado por seis anos aproximadamente (842 a 847 d.C.), e durante este período o Imam “Al-Hádi” (A.S.) era domiciliado, na cidade de Medina, dedicando-se ao conhecimento, orientando e alertando o seu povo.

O IMAM ALI “AL-HÁDI” NO TEMPO DO AL-MUTAUAQUEL:

Al-Mutauaquel sucedeu seu irmão Al-Uátiq em 232 da Hijra (847 d.C.), porém, era extremamente bruto e violento para com os da Linhagem do Profeta e seus seguidores. Este califa era movido por uma forte hostilidade contra o Imam Ali “Al-Hádi” (A.S.), e costumava exercer a tentativa de deturpar a sua reputação entre os muçulmanos, mencionando-o durante as suas reuniões a fim de fazer rir os presentes, escarnecendo o Imam (A.S.), chegando a insultar a memória de Fátima “Azzahra” filha do Profeta. Al-Mutauaquel decretou sítio econômico contra os seguidores da Linhagem do Profeta, proibindo que qualquer pessoa os auxiliassem, principalmente aos descendentes do Imam Ali Ibn Abi Táleb (A.S.); e as mulheres passaram a fazer trabalhos manuais para que pudessem dar sustento aos seus. A situação deles chegou ao auge das dificuldades, tanto é que as mulheres não mais possuíam mais as vestimentas adequadas para as orações, exceto indumentárias já em farrapos, tal era o ódio do Al-Mutauaquel contra os descendentes de Ali Ibn Abi Táleb, que chegou a nomear autoridades especiais em Medina para que se apertasse ao máximo o cerco contra os Ahlul Bait e contra os que os ajudavam, chegando a declarar condenação à pena de morte a quem amasse Ali e seus descendentes.

O Imam Ali “Al-Hádi” realizou uma transferência forçada da cidade de Medina para Samarra no Iraque, a capital do Califado Abássida, ocorreu no ano de 243 da Hijra (858 d.C.), tinha ele então 29 anos de idade, onde passou a ser espionado e observado com maior severidade. O Al-Mutauaquel chegou a realizar uma tentativa de substituir o Imam Ali “Al-Hádi” (A.S.) com a eleição de uma liderança fictícia, nomeando como líder espiritual o próprio irmão do Imam, cujo nome era Mussa, porém, a tentativa acabou malograda, porque o povo estava ciente de que o Imam determinado pela vontade Divina era Ali “Al-Hádi” (A.S.). Vendo-se burlado, Al-Mutauaquel apertou mais o sítio ao redor do Imam e, vez ou outra costumava mandar seus oficiais invadirem a sua casa durante a noite no intuito de levar o Imam ao Palácio para interrogatórios, alegando que estavam efetuando busca de armas e tesouros ilícitos na casa dele, porém, só encontravam o Alcorão Sagrado e livros sobre o conhecimento. E assim, o Imam “Al-Hádi” (A.S.) passou pelos mesmos sofrimentos que seus ancestrais experimentaram por parte dos governantes Abássidas.

A MORTE E SACRIFÍCIO DO IMAM ALI “AL-HÁDI”:

O Imam Ali Ibn Mohammad, que era mais conhecido como Ali “Al-Hádi”, viveu por quarenta e um anos, dedicados ao serviço da doutrina e do conhecimento dos preceitos do Islam, deparando-se com toda sorte de infortúnios e terrorismo psicológico por parte dos califas Abássidas e seus assessores, que o fizeram sair da cidade de seus avós obrigando-o a viver em Samarra, a fim de ser controlado e observado de perto, permanecendo nela por quase onze longos anos, até que a morte veio buscá-lo em 254 da Hijra (870 d.C.).

O Imam Ali “Al-Hádi” (A.S.) foi enterrado em sua residência na cidade de Samarra, durante o califado de Al-Muutazz.

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Fonte:

https://www.arresala.org.br/profeta-mohammad-s-a-a-s/10-imam-ali-ibn-mohammad-a-s

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/ali-al-hadi/

LVX e NOX

LVX signs

Olá crianças,

O ocultismo também trabalha com o contraste natural entre a lux e as trevas. A Teosofia e as tradições ocidentais trabalham primordialmente com o que Eliphas Levi chamou de “Luz Astral”. A matéria da qual a imaginação é feita, ou nas palavras de Shakespeare, outro grande iniciado, “a matéria da qual os sonhos são feitos”. Os primeiros passos de qualquer mago, seja na Golden Dawn, seja no AA ou qualquer ordem séria, é o domínio de LVX. Respirações, Visualizações, Templo Astral, Golens, armas Astrais, sonhos lúcidos, controle da imaginação e criação do caminho de TAV. A entrada para a porta da Árvore da Vida em sua escalada como Serpente.

O nome LVX reflete o de “luz” porque ele literalmente “ilumina” o Plano Astral (uma dimensão abstrata mental de formas puramente mentais). Ele dá a forma, o controle e a percepção do que o mago está fazendo, bem como abre a visão para o que chamamos de SAG, “Sagrado Anjo Guardião” ou “Eu superior” ou, em português claro, “O que diabos eu vim fazer neste planeta?”

E por falar em diabos, não é à toa que o Arcano do Diabo é o primeiro Arcano que cruza o Véu de Parokhet na Escalada da Serpente.

A palavra para luz, em latim, é LVX (o “u” é escrito com “v” em latim) e utilizado como uma fórmula hermetica. Cada letra corresponde a um simbolismo esotérico, com um significado específico, começando no grau de Zelator na Golden Dawn e no Arcanum Arcanorum e finalizando no grau de Adeptus.

Cada uma das letras está relacionada a uma postura e um deus egípcio: “L”, Isis, a lua, a mãe poderosa, “V” de Apophis, a serpente do Caos e “X” para Osísis, ressuscitado no Sol de Tipheret. Suas iniciais formam o mantra IAO, também estudados nos graus além do Átrio. Do hebraico temos Yod para a primeira letra de Ísis, que ao mesmo tempo representa o signo de VIRGEM; Nun, a letra “N”, representando tanto a serpente quanto o signo de Escorpião, Resh, para a letra R, representando Osíris e o Sol; e o retorno ao ponto luminoso de origem, no círculo do Zodíaco, daí “INRI” (também “Iesvs Nazarenvs Rex Ivdaeorvm” ou “Inge Natvra Renovatvr Integra”).

Uma vez formado e preparado, dominando as construções mentais, astrais; com suas armas, defesas, templos, egrégoras e chaves magísticas, o iniciado está preparado para, ao mesmo tempo em que persegue sua Verdadeira Vontade, eliminar ou restituir os débitos passados. E chegamos ao símbolo de NOX, as trevas da caverna de Yesod, representando os portais que a deusa Lillith ultrapassou em busca de seu amado Dumuzi.

Nox, a Noite, ou Nyx, representa o estudo, confronto e domínio de nossas forças sinistras. Os rituais de evocação e invocação dos demônios internos para a compreensão e dissolução destas entidades. Mas, como tudo o que está dentro, está fora, estas energias se mesclam com as Qlipoth da Árvore da Morte. Para derrotar o dragão, é necessário estar preparado e armado, caso contrário, você será apenas a próxima pilha dos eguns que servem a estas forças fora da Lei.

Neste momento, percebemos que, se LVX representa a Iniciação ao estado de Tipheret, NOX representa a Iniciação ao estado de BINAH. Os Mistérios inferiores envolvem a construção harmônica do ego (Ruach) através do equilíbrio dos quatro elementos mais o domínio do espírito enquanto os grandes Mistérios de NOX exigem que você tenha o domínio sobre “QUEM VOCÊ É” e “O QUE VEIO FAZER AQUI”. Sem isso, sinto informar, mas você se fudeu na mão dos demônios. Sem despertar para a presença da Luz de Neshamah, o mago não possui nenhum tipo de armas para ultrapassar os desafios de NOX, sendo tragado pela escuridão.

NOX não é uma “contraparte escura e igual” de LVX, mas sim o complemento do caminho do Adepto, a ser trilhado DEPOIS do domínio de suas armas.

Nas palavras do Crowley, “The Unbroken, absorbing all, is called darkness. The broken manifests light“. Apenas a luz de uma estrela pode perfurar o abismo do universo e chegar a se manifestar através da atmosfera de Malkuth, daí a sua segunda frase mais famosa “todo homem e toda mulher é uma estrela“. Mas só depois de vencer o abismo, completo eu.

E aqui surge a brecha para as palhaçadas satanistas de internets e os pobres coitados que comprariam a torre Eiffel se tivessem dinheiro. Então, por que as autoproclamadas LHPs da vida começam pelo suposto NOX? Em primeiro lugar, não é verdadeiramente o NOX, é apenas um nome bonito que eles inventaram para parecerem sombrios… os exercícios jogam o infeliz direto nas garras das Qlipoth (que também recebem uma versão romanceada e bonita na qual eles serão os grandes heróis sombrios poderosos).

O moleque entra pensando em se tornar um Batman ou Constantine da vida, mas acaba uma bateria energética de eguns fora da lei. Muitos dos que entram nestas roubadas são adolescentes revoltados com Igrejas evangélicas e impressionados com heróis sombrios, mas esquecem que, ANTES de combater o crime vestido de morcego, o Batman treinou pra caralho seu corpo e sua mente para chegar até as sombras. Ele sabe exatamente quem ele é e quais suas capacidades… os pretensos magos LHP não…

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/lvx-e-nox