Anarco-Magick: Objeções a Estrutura Hierárquica na Magia

Objeções Práticas e Filosóficas as Estruturas Hierárquicas na Magia

Minha experiência para escrever estas (necessariamente generalizadas) anotações vem de duas áreas bem diferentes. Primeiro do ponto de vista de um professor que já pode ensinar dois tipos bem diferentes de adultos – em um caso adultos cuja educação formal é quase nula – em outro alunos com duas ou mais faculdades ou uma qualificação profissional acima do primeiro grau primário. Em segundo lugar, do ponto de vista de um magista que teve o privilégio de trabalhar com um grupo sem nome de magos extremamente comprometidos durante os últimos anos.

(A razão desta nota introdutória ficará clara conforme a linha de raciocínio se desenvolver.)

A história recente na magia é dominada por três princípios:

1. ênfase na técnica
2. negação do dogma
3. negação de super-organizações

Os mais evidentes efeitos destes princípios quando postos em prática é que:

a) Indivíduos começam a experimentar com base em suas próprias ideias e entusiasmo no lugar de seguir estruturas de treinamento traçadas por ‘experts’. Não confinados por uma estrutura, as pessoas têm a liberdade de escolher seus próprios métodos, metas e objetivos e muitas novas ideias podem vir a luz que de outra forma não receberiam nenhuma atenção.

b) A ênfase na técnica eleva o poder magico do magista regular, portanto tira o poder ‘político’ do amontoado de magos velhos que não tentaram nada de novo nos últimos cinquenta anos.

c) A negação do dogma significa que as pessoas examinaram as ideias que previamente tinham como verdadeiras e descobriram que muito do corpo de conhecimento das antigas doutrinas mágicas podiam ser descartadas com vantagens. Algumas pessoas foram implacáveis na análise de suas próprias visões de mundo e no entusiasmo criativo na síntese de novos mundos. Uma visão de mundo feita sob medida para as inclinações e intenções de cada um é, obviamente, mais favorável à possibilidade de um bom desempenho em magia do que uma visão de mundo que o obriga o mago a se encaixar nele.

Estruturas hierárquicas lideradas a partir de um topo, a menos que seja cuidadosamente construída, e mesmo se for criado com todas as boas intenções são eminentemente corruptíveis e, inevitavelmente, corruptas por razões de poder ou ganho pessoal. A queda da república romana é um exemplo disso em grande escala – o imperialismo, introduzido com a melhor das boas intenções rapidamente permitiu uma situação onde loucos, como Calígula e Nero poderiam governar quase todo o mundo conhecido a seu bel prazer, simplesmente por nascerem no lugar certo.

Hierarquias são abertas ao abuso e qualquer um que duvide disso deveria estudar a história de ordens hierarquizadas dos Rosacruz em diante. Mesmo no evento de uma hierarquia ser próspera, uma vez que a liderança passe por sucessão ela é interrompida e a estrutura começa a falhar, como exemplificado pela OTO após a morte de Karl Germer.

Um dos problemas que confronta a magicka do século vinte em diante é o isolamento. Magistas, especialmente os iniciantes, acham difícil fazer contato com pessoas em suas regiões e como consequência disso são atraídos por ordens mágicas geralmente como último recurso. Esta situação é manipulada pelas as ordens hierarquizadas. A última coisa que elas querem é que as pessoas falem uma com as outras. Comunicação entre magistas individuais não apenas significaria menos candidatos. Também significaria que seus métodos podem ser discutidos e questionados e seu glamour afetado.

Uma rede genuína de magistas sem a pesada estrutura e organização das antigas ordens e que não tivesse manchas a esconder seria muito impopular com algumas das instituições magickas de hoje. Seria uma ameaça a própria existência, para as que não tem nada a oferecer senão informação que hoje é comum.

Uma distinção deve ser feita aqui entre ordens mágicas e grupos mágicos. Membros de ordens mágicas seguem, na maior parte das vezes, um caminho solitário (e desde que estejam satisfeitos com o progresso que estão tendo e não os desencorajaria de segui-lo). Membros de grupos mágicos por outro lado estão em um ambiente mágico muito mais imediato. Grupos podem ser mais facilmente administrados na base do consenso do que ordens, e há benefícios no consenso que de longe justificam a aversão pela liderança. Em um trabalho de grupos todos os membros são considerados iguais, em discussões profundas toda sugestão pode ser levada em conta, especialmente o planejamento de rituais que sejam filosoficamente ou tecnicamente complexos, é valioso para o processo de aprendizagem, reforça o que já foi aprendido e permite os membros do grupo  conhecerem uns aos outros de uma maneira que poucas pessoas tem a chance de conhecer. Este entendimento mútuo cria uma ligação inestimável aos rituais feitos em grupo.

Trabalhar com base no consenso significa que indivíduos não estão lá competindo uns com os outros como é estimulado em uma estrutura hierárquica, passando a perna uns nos outros por títulos e privilégios e forma que o status tem precedência sobre a magia e sobre o que outras pessoas têm a dizer. A emissão de certificados, no pior dos casos, é simplesmente uma extensão disso – desejosos de poder em busca de reconhecimento do grupo em vez de seres individuais.

No começo deste texto eu me referi aos dois tipos de adultos.

O primeiro tipo, sem qualquer instrução forma, precisa ser guiado em uma estrutural formal de ensino para se desenvolver. Como professor, me vi envolvido com adultos cujo melhor curso de ação era a execução de tal programa. Para os recém-chegados à magia que ainda não se acostumaram com os rigores do treinamento esta é provavelmente a rota mais eficiente a proficiência mágica. O segundo tipo de aluno que me referi, já é melhor educados e auto-motivado, não precisava de tal programa. São suficientemente conscientes de que eles precisavam aprender e como eles podem me usar para aprender, como professor, eu simplesmente forneço informações factuais as estruturas e alguns exemplos para ajudá-los a compreender as informações recém-adquiridas. Esta é uma maneira muito mais viva e fecunda de aprendizagem, desde que as competências básicas tenham sido bem aprendidas de antemão, e é o método naturalmente escolhido entre os magos do Caos. Sob o risco de uma digressão vale a pena ressaltar de novo que Magia do Caos não é para os inexperientes, nem uma maneira fácil para desleixados. Suas disciplinas são tão difíceis e exigentes como as praticados por qualquer outra forma de magia, e as disciplinas básica são essenciais para o desempenho da magia do caos em seu sentido mais amplo e eclético. (Fim da digressão)

Pessoalmente, eu acho impossível trabalhar com alguém que não me considera um igual. Em rituais mágicos todos os elementos precisam ser perfeitos – a invocação, as armas, as runas, etc.. – não devemos esperar menos dos outros participantes. Se você não pode contar com eles para trabalhar senão em um padrão em que eles não causem interferência (ou obstáculos), então eles poderiam muito bem nem estar lá.

Por sua própria natureza de um grupo mágico é muito mais capaz de escolher os novos membros com sucesso do que aceitar filiações de fora para dentro, que é a forma mais comum de crescimento dos mesmos, que os torna restritos mais aos afins do que aos conhecidos.

Em face disto, a minha abordagem é um algo elitista. Embora eu não possa negar isso, ela não é elitista por um motivo hierárquico, nem elitista em favor de alguma política em particular. É pragmática, porque esse grupo não anuncia por novos membros e não descarta os candidatos que não gosta. Ao não aceitar filiações o grupo pode usar seu tempo para se aproximar de pessoas que acha que podem ser úteis ao grupo e para quem o grupo pode oferecer benefícios, o que permitirá colher os benefícios desta discriminação positiva. Só desta forma um grupo pode ser criado de modo que todo o trabalho mágico seja realizado com base na igualdade e no qual todos os membros possam aproveitar a companhia um dos outros. Estes pontos são, na prática, os pré-requisitos para um agrupamento mágico sucesso.

Existem muitas outras áreas onde a hierarquia apresenta desvantagens que não existem em grupos consensuais. Destes o deve notável é que da Política. Na escolha de seus membros, um partido poderia garantir que apenas pessoas que compartilham de seus ideais políticos/sociais tornem-se membros da mesma. Para ilustrar isso: eu acharia impossível para mim trabalhar dentro de um grupo com pensadores de direita. Eu também acho muito difícil trabalhar com um grupo cujos membros não pensem, como eu, que o futuro da planeta é o problema mais importante a ser abordado. Esta atitude não impede a formação de grupos de direita, desde que todos os seus membros sejam de direita, nem exclui a formação de grupos que não poderia dar a mínima paro planeta é o estrangulem de ganância humana. O importante é que a política em geral (seja ela expressa ou implícita) deve ser compartilhada por unanimidade pelas pessoas que estão trabalhando juntos. Hierarquias, por uma série de razões, incluindo o lucro, burocracia,  ênfase excessiva em números, e incapacidade de agir o contrário, tendem a negligenciar as estratégias globais e, como consequência, quando as pessoas veem de fora elas se descobrem incompatíveis.

Muitas mulheres não são atraídas por hierarquias, provavelmente por alguma das razões que coloquei aqui. As mulheres pensam e agem de forma bastante diferente dos homens, e por isso é tão importante que elas desempenhem em pé de igualdade as atividades e o planeamento mágico. Por muito tempo o ocultismo se arrastou pelo caminho Apolínio, patriarcal que não pode ser contornado apenas por homens que fingem fidelidade a alguma deusa ou mesmo que se esforcem em não ser patriarcais.

Eu sou o que sou, e a este respeito é muito difícil mudar sem pressão externa de fora da minha esfera de entendimento, ou seja, das mulheres, cuja abordagem tende enfatizar imaginação, intuição e sentimento. Não estou dizendo que isso seja justo e igualitário. Na verdade, parto de um ponto que é ao mesmo tempo pragmático e egoísta. Eu quero aprender e experimentar o princípio feminino como ele é, não apenas como eu imagino que seja ou como eu gostaria que fosse. Hierarquias falham nisso. Oferecem pouco para as mulheres e portanto pouco do princípio feminino para seus membros do sexo masculino. Sem as mulheres a magia mulher perde 50% do seu potencial, ainda que as hierarquias, apesar da disparidade de seu números,, não saibam nem se preocupam o que estão fazendo.

As notas acima são necessariamente generalizações uma vez que dispenderia muito mais espaço para tratar este assunto de maneira definitiva. Obviamente algumas hierarquias funcionam para algumas pessoas, e neste caso um argumento razoável basta para colocá-la para trabalhar a seu favor.

Excerto de “The Book of the results de Ray Sherwin.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anarco-magick-objecoes-a-estrutura-hierarquica-na-magia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anarco-magick-objecoes-a-estrutura-hierarquica-na-magia/

O Suicídio pela visão Reencarnacionista

O suicídio é a interrupção da vida (óbvio). Mas nesta frase se encontra a chave de todo o drama que o suicida passa após a morte. Assim como o mais avançado dos robôs, ou simples um radinho de pilha, o corpo também tem sua bateria, e um tempo de vida útil baseado nesta carga. De acordo com nossos planos (traçados do “outro lado”) teremos uma carga X de energia, que pode ser ampliada, se assim for necessário. Então, um atentado contra a vida não é um atentado exatamente contra Deus, mas contra todos os seus amigos, mentores ou engenheiros espirituais que planejaram sua encarnação nos mínimos detalhes, e contra a própria energia Divina que foi “emprestada” para animar seu veículo físico de manifestação: seu corpo. Equivale aos EUA gastar bilhões pra mandar um homem a Marte, e quando ele estivesse lá resolvesse voltar porque ficou com medo ou sentiu saudades de casa. Todos os cientistas envolvidos na missão ficarão P da vida, e com razão. Afinal, quando ele se candidatou para a missão estava assumindo todos os riscos, com todos os ônus e bônus decorrentes de um empreendimento deste tamanho. Quando esse astronauta voltar à Terra vai ter trabalho até pra conseguir emprego de gari. É mais ou menos assim no plano espiritual. Um suicida nunca volta pra Terra em condições melhores do que estava antes de cometer o autocídio.

Segundo Allan Kardec, codificador do espiritismo, “Há as conseqüências que são comuns a todos os casos de morte violenta; as que decorrem da interrupção brusca da vida. Observa-se a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito ao corpo, porque este laço está quase sempre em todo o vigor no momento em que foi rompido (Na morte natural ele enfraquece gradualmente e, às vezes, se desata antes mesmo da extinção completa da vida). As conseqüências desse estado de coisas são o prolongamento do estado de perturbação, seguido da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no mundo dos vivos. A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de recuperação do estado do corpo sobre o Espírito (ou seja, o espírito ainda sente, de certa forma, as ações que o corpo sofre), que assim se ressente dos efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústias e de horror. Este estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida.

Assim é que certos Espíritos, que foram muito desgraçados na Terra, disseram ter-se suicidado na existência precedente e submetido voluntariamente a novas provas, para tentarem suportá-las com mais resignação. Em alguns, verifica-se uma espécie de ligação à matéria, de que inutilmente procuram desembaraçar-se, a fim de voarem para mundos melhores, cujo acesso, porém, se lhes conserva interditado. A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois que só decepções encontram.”

Algumas máximas do espiritismo para o caso de suicídio:

As penas são proporcionais à consciência que o culpado tem das faltas que comete.

Não se pode chamar de suicida aquele que devidamente se expõe à morte para salvar o seu semelhante.

O louco que se mata não sabe o que faz.

As mulheres que, em certos países, voluntariamente se matam sobre os corpos de seus maridos, obedecem a um preconceito, e geralmente o fazem mais pela força do que pela própria vontade. Acreditam cumprir um dever, o que não é característica do suicídio. Encontram desculpa na nulidade moral que as caracteriza, em a sua maioria, e na ignorância em que se acham.

Os que hajam conduzido/induzido alguém a se matar terão de responder por assassinato, perante as Leis de Deus.

Aquele que se suicida vítima das paixões é um suicida moral, duplamente culpado, pois há nele falta de coragem e bestialidade, acrescidas do esquecimento de Deus.

O suicídio mais severamente punido é aquele que é o resultado do desespero, que visa a redenção das misérias terrenas.

Pergunta – É tão reprovável, como o que tem por causa o desespero, o suicídio daquele que procura escapar à vergonha de uma ação má?

Resposta dos espíritos – O suicídio não apaga a falta. Ao contrário, em vez de uma, haverá duas. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso ter-se a de lhe sofrer as conseqüências.

Será desculpável o suicídio, quando tenha por fim impedir a que a vergonha caia sobre os filhos, ou sobre a família?

O que assim procede não faz bem. Mas, como pensa que o faz, isso é levado em conta, pois que é uma expiação que ele se impõe a si mesmo. A intenção lhe atenua a falta; entretanto, nem por isso deixa de haver falta. Aquele que tira de si mesmo a vida, para fugir à vergonha de uma ação má, prova que dá mais apreço à estima dos homens do que à de Deus, visto que volta para a vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado dos meios de repará-los aqui na Terra. O arrependimento sincero e o esforço desinteressado são o melhor caminho para a reparação. O suicídio nada repara.

Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor?

Outra loucura! Que faça ele o bem, e mais cedo irá lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa.

Não é, às vezes, meritório o sacrifício da vida, quando aquele que o faz visa salvar a de outrem, ou ser útil aos seus semelhantes?

Isso é sublime, conforme a intenção, e, em tal caso, o sacrifício da vida não constitui suicídio. É contrária às Leis kármicas todo sacrifício inútil, principalmente se for motivada por qualquer traço de orgulho. Somente o desinteresse completo torna meritório o sacrifício e, não raro, quem o faz guarda oculto um pensamento, que lhe diminui o valor aos olhos de Deus. Todo sacrifício que o homem faça à custa da sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório, porque resulta da prática da lei de caridade. Mas, antes de cumprir tal sacrifício, deveria refletir sobre se sua vida não será mais útil do que sua morte.

Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?

É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. Não há culpabilidade, entretanto, se não houver intenção, ou consciência perfeita da prática do mal.

Conseguem seu intento aqueles que, não podendo conformar-se com a perda de pessoas que lhes eram caras, se matam na esperança de ir juntar-se a eles?

Muito ao contrário. Em vez de se reunirem ao que era objeto de suas afeições, dele se afastam por longo tempo.

Fonte:

Livro dos espíritos (com algumas alterações)

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Alguns exemplos de efeitos de suicídios na nova vida, como constam no livro As vidas de Chico Xavier:

– Chico, minha filha, de 5 anos, é portadora de mongolismo, mas eu acho que ela está sendo assediada por espíritos.

Chico descartava a hipótese “espiritual” e encaminhava mãe e filha à fila de passes. Elas viravam as costas, e ele confidenciava a um amigo:

– Os espíritos estão me dizendo que essa menina, em vida anterior recente, suicidou-se atirando-se de um lugar muito alto.

Outra mãe se aproximava e reclamava do filho, também de 5 anos:

– Ele é perturbado. Fala muito pouco e não memoriza mais que 5 minutos qualquer coisa que nós ensinamos.

Quando os dois estavam a caminho da sala de passes, Chico confidenciava:

– Na última encarnação, esse menino deu um tiro fatal na própria cabeça.

Outro caso, ainda mais chocante:

– Meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele.

Chico pensava numa resposta, quando ouviu o vozeirão de Emmanuel:

– Explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente. Agora que está aproximadamente com cinco anos de idade, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise que os médicos estão com a razão. As duas pernas dele serão amputadas, em seu próprio benefício.

#Espiritismo #kardecismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-suic%C3%ADdio-pela-vis%C3%A3o-reencarnacionista

Chidagni: a Deusa como o Fogo da Consciência

Por Yogini Shambhavi.

Ma (Mãe) Kali suavemente cuidou das brasas de meus fogos interiores, agitando as chamas de Agni para manifestar cada cor mágica, permeando a própria spanda ou pulsação criativa que ressoava por todo o meu ser. Em um nível mais profundo, Agni é o fogo da consciência, Chidagni, é a consciência do supremo Brahman, a última Existência em si mesma. Chidjyoti, a ‘luz da consciência’, é o poder por trás da mente que ilumina tanto os objetos sensoriais quanto nossos padrões de pensamento, banhando-os com a beleza de seu brilho eterno.

O universo tece uma tapeçaria divina de luz e energia, que tem sido explorada por nossos antigos Rishis e por Guias Nativos de todo o mundo ressonando com a bem-aventurança da natureza. Os Videntes perceberam as vibrações sutis, a ‘vivacidade’ da luz, permeando os Tanmatras ou essências de raiz da visão, som, gosto, tato ou cheiro, bem como a percepção intuitiva interior do sexto sentido do Ser. Nossa fusão com toda a luz penetrante nos permite experimentar um estado puro de iluminação dentro e fora, conduzindo-nos através da porta de entrada da consciência superior.

Shakti prevalece em todos os níveis, desde o supremo Brahman até o mais minucioso organismo vivo. Cada forma de luz tem seu próprio shakti, desde os raios do Sol até a luminescência da luz da Lua. Brahma Shakti é chit shakti, o poder da consciência existente como um só com o princípio Shiva. Ishvara como o mundo cósmico é o poder ou a vontade de Deus para transformar e nutrir todo ser vivo. Todas as forças da natureza representam Shakti, desdobrando as deusas lila ou brincadeiras. A luz de Durga nos protege e nos envolve com seu poder divino. Kali é a energia pulsante, estimulante e implacável.

Ma Kali e Agni:

Como o espírito de fogo, Agni personifica Jyoti ou luz como percepção. O dom da visão é o poder do fogo, pois ver é nossa forma de conhecer a luz. A clareza de ver revela a essência de tudo o que observamos. Kali é Charunetra, a ‘Devi com belos olhos’, vendo todo o jogo cósmico através de seu fogo de consciência. Ela destrói toda ilusão em seu papel de Bhrama-nasini, ‘aquele que destrói toda confusão’, encarnando os três estados de Criação – Preservação – Destruição como Brahma, Vishnu e Shiva.

No altar do sacrifício, Kali é Agni, ecoando seu brilho, assobiando sua magia ardente, mas tendendo ao calor de suas brasas moribundas. O fogo é um sacrifício para si mesmo, um sentimento de misticismo que envolve seus poderes. No altar do fogo é colocado nosso próprio sacrifício, tanto da natureza interior quanto exterior, mantendo uma profunda reverência em seu ato sacrifical.

Cultivar o fogo da consciência em todos os níveis permite experimentar a pura Ananda ou bem-aventurança. Na Yoga interior, Agni reflete a força ardente da Kundalini que habita no Muladhara, segurando todas as qualidades mais profundas da terra. Este ‘fogo raiz’ expressa o poder de nossas aspirações, subindo de baixo e ascendendo ao céu.

Nossas fogueiras interiores devem ser tratadas com muito cuidado e com uma suave ventilação, para manter suas forças em movimento em todo o nosso ser. É preciso preparar o terreno para a magnífica ascensão do fogo através do corpo, da mente e da alma. Não há atalhos para revelações superiores. A busca da luz iluminadora deve começar dentro de si mesmo. Estas agitações internas se manifestam quando silenciamos todo o ruído exterior, silenciando toda a distração mundana.

Quando a orientação flui do coração, sua pureza vence os questionamentos perturbados de uma mente em dúvida. O fluxo amoroso da confiança na capacidade do coração de manifestar pensamentos mais elevados criará o espaço para a sátira ou pura aspiração. A calma suave da alma despertará uma inteligência interior, guiando a mente a ler as nuances sutis da alma.

Kali abre as portas para o coração espiritual com suas bênçãos. Ela representa a mais alta chama do fogo que nos leva das profundezas do nosso ser para as câmaras mais secretas do coração. Sua é a força que acende o fogo para atravessar seu caminho ardente, buscando a chama azul dentro do coração espiritual.

Hridaya, o coração espiritual, é o lar criativo e único de Agni, que consome tudo em sua natureza mais pura. A pequena chama de Agni supremo repousa no ventre do coração. O coração carrega as tensões de todo o universo como a morada final tanto dos Devatas como da alma. A Deusa Kali reside em nossa sexta-feira, manifestando todo o tempo, espaço, aspirações e experiências.

Este pequeno espaço etérico percebido dentro do coração através da sadhana é chamado de Hridayaksha, o ‘espaço do coração’ ou ‘dahara akasha’, ‘o pequeno espaço’. Ma Kali senta-se entronizada neste diminuto espaço dentro do coração na chama inextinguível de Agni. A visão do universo dentro dele é a eterna oferta da Soma de alegria sem fim! A graça de Kali se desdobra como Siddhida, ‘o doador de siddhis’, poderes superiores e rendições místicas.

Agni é representado por um triângulo voltado para cima, indicando o esforço das aspirações da alma para verdades superiores. Familiarizando-me com a jornada da vida, jungido por minha sadana, aprendi a nutrir a ferocidade de Agni, sustentando sua chama ardente de concentração, consciência, percepção e discernimento.

A forma triangular de Kali de Agni foi realizada através da meditação, seus matizes variados e calor tempestuoso purificando minhas energias inferiores através da queima de suas samskaras, as “impressões sutis de minhas ações passadas”. Como um triângulo apontando para cima, a pessoa busca seu poder de fala, a própria língua da deusa, a língua do fogo! Como um triângulo apontando para baixo, experimenta-se seu fluxo de graça, através do ventre da imortalidade!

O silêncio sem idade dos antigos Himalaias orientou minha mente para um suave fluxo de Autoinvestigação, trazendo em seu rastro uma corrente mais profunda de graça interior. Ondas de Bhakti Yoga ou pura devoção encheram meu ser com um doce Soma, o néctar divino. Rendição ao Divino consagrou minha vida com uma onda de bênçãos, guiando-me a experimentar o êxtase de seu deleite espiritual.

Rakta Kali:

Como Rakta Kali, suas correntes de sangue (rakta) fluem através de tudo. A busca do fluxo de sangue compreende sua natureza mais profunda. Não há nada através do qual suas poderosas correntes não fluem; contudo, seu objetivo não é consumir nosso sangue, mas direcionar seu curso de volta à nossa alma, da qual ela é a mãe. É o próprio sangue da vida que ela nos traz, o prana ou força vital cósmica que sustenta a vontade mais primordial de toda a vida – viver para sempre.

O fluxo da força vital através da graça de Kali desperta a Shakti, sua força elétrica, fornecendo-nos energia espiritual implacável para nossa sadhana. Kriya Shakti de Ma Kali, seu poder de transformação ióguica, nos guia através de todos os impedimentos da ilusão, do carma e de nossa mentalidade limitada. Suas energias vibrantes liberam uma força relâmpago como uma espada, cortando toda a negatividade, limpando o caminho para a ascensão do fogo da Kundalini.

O fio fino da espada de Kali energiza as armas celestes dos Devatas, a sadana do Yogin e o Prana de toda a vida. Sua espada não é de negação; ela nos permite visualizar uma inversão, revelando a beleza da eternidade cortando cada momento transitório. Ela ataca a inércia da ignorância e da morte a fim de liberar a luz dentro de nós. O dinamismo de Kali alimenta a chama de Chidagni dentro dos recintos do coração espiritual, permitindo que seu fogo eleve nossos níveis vibracionais, criando um espaço sagrado para o florescimento de todos os nossos lótus sagrados.

A Deusa das Trevas me agraciou com uma proficiência inata no uso da chama interior ardente, elevando minha energia a planos superiores, queimando a vulnerabilidade debilitante do corpo e da mente, dissolvendo as sombras da escuridão na luminescência de Seu amor espiritual e Luz.

Jai Ma Kali! Jagatadhatri!

Vitória para a Mãe que é a Sustentadora de todos os mundos!

Yogini Shambhavi

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Fonte:

FRAULEY, David. Chidagni: the Goddess as the Fire of Consciousness. Vedanet, 2020. Disponível em: <https://www.vedanet.com/chidagni-the-goddess-as-the-fire-of-consciousness/>. Acesso em 11 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/chidagni-a-deusa-como-o-fogo-da-consciencia/

As Quatro Dimensões da Experiência

O Dragão fala: Visualize um cubo de três dimensões. O  nome da dimensão vertical é “concordância”, a Dimensão do “controle” é a profundidade e a dimensão da “consciência” é a largura. Ouça aqui como eu vou revelar os segredos da estrutura do universo e colocar em suas mãos um Mapa dos três mundos.

A dimensão da Concordância –  Tudo é Crença

A Concordância, a dimensão vertical, é feita através da percepção do que mentes conscientes acreditam ser real, e isto se torna real em experiência. A experiência inclui todas as  experiências.  A mentira do primeiro mundo é dividir uma experiência mental de uma experiência física e condenam completamente uma experiência emocional como um limbo entre o real e a fantasia.Toda experiência é real. A função da concordância é decidir como se percebe o que existe! Se você ver e ouvir um gato ronronando em uma cadeira e outras dez  pessoas  presentes no mesmo lugar não verem nenhum gato, mas apenas uma cadeira vazia, falta a concordância.Osdez outros chamariam  a  sua experiência real de uma “alucinação”. Se todos os presentes podem ver e ouvir o gato, então sua experiência do gato tem  concordância e é  considerado “real” pelos outros.

Abandone agora esse preconceito dogmático dos tolos cegos do mundo da escravidão!

Concordância é o que determina o que os ignorantes chamam de real. Mais uma vez. Eu digo toda experiência é real. O que é, é!

Se você fotografar a cadeira, o gato deveria aparecer na fotografia se houvesse concordância  suficiente, mas poderia não aparecer lá caso estivesse sem a concordância. A percepção da tapeçaria de experiência é determinada pela Concordância. Mas, espere! Considere a situação em que alguns dos presentes viram o gato, enquanto outros
não! O que acontece na presença de um acordo parcial?

A resposta a esta questão  é achada por qualquer análise cuidadosa do mundo atual. Sua cultura masoquista tem trabalhado diligentemente para ignorar os aspectos do mundo que se enquadra em parcial  Concordância. Essas exceções, essas legiões de “anomalias” e “impossibilidades” registradas diariamente e em toda a sua história, quebram a ilusão de uma “realidade” fixa qualquer.

Sua “ciência”, baseada nas sombras de uma Realidade-Sonho, ignora a enxurrada de fatos que demonstrem a verdade das minhas palavras. Ainda mesmo dentro dos salões do mausoléu de  sua ciência, encontramos alguns que, percebendo a verdade, avançam para declarar o erro de  seus modos. Poucos na verdade, são aqueles que vão abandonar os seus olhos vendados e  declarar a luz do dia essa existência!

A fundação da Concordância é encontrada na psicologia das mentes  que criam Isto! Descobrindo que a maioria das outras pessoas naquela sala negou ver o gato, quantos também vão “escolher” não ver o gato? E quanto tempo aqueles que ainda estão contidos dentro do mundo da escravidão, em seguida, vir a deixar de ser  capaz de perceber até  que se  tenha Concordância!

Como um animal afundando na areia movediça agita freneticamente, condenando-se a destruição, o enganado luta contra o abandono para admitir a estrutura fluídica da experiência e reconhecer o poder da dimensão da Concordância.

Como muitas vezes, desistindo de suas lutas, os seres humanos de sua terra reduzem a dimensão da Concordância no que vocês chamam de sono, e se mover em um mundo de sua própria criação total chamados de sonhos? E novamente, quantas vezes subindo na escala de Concordância,  vêem vislumbres de eventos futuros, os pensamentos dos outros, a visão de pessoas e objetos e paisagens que depois condenam a “irrealidade” de “alucinação”? E, mesmo novamente, quantas vezes, quando as suas fantasias sonhos provam ter Concordância e a “realidade” que esses idiotas  têm como propósito de trabalho esquecendo as exceções gritantes de sua falsa visão das coisas?

Você não conhece alguém que viu a morte de outros de sua espécie a partir de uma visão de sonho, no mesmo instante? Você não  conhece a concordância que existe entre aqueles que morrem e os que dormem e aqueles que sonham com viagens rápidas por longos túneis  nas estrelas em reuniões com outros que são vivos e inteiros como você?

Considere também os objetos que voam em seu céu e são visíveis para alguns, enquanto invisível para os outros, tudo isso enquanto está sendo seguido por seu radar!  Considere os milhões de visões, aparições e visitações à sua terra através dos séculos. Considere as religiões da morte, que, quase semanalmente, encontra outro aspecto da sua religião, deus ou santo.E eu vos digo que todas estas são as criações do espírito da sua raça através de uma Concordância inconsciente! Não há nenhum dos outros mundos, que permanece em contatocom a maioria dos que habitam a sua terra, agora, para saber que todas estas são as criações de sua própria mente e uma chave para o segredo da magia de Concordância!

Você duvida das minhas palavras?  Em seguida, considere atentamente as mensagens dadas pelos seus “alienígenas”, “anjos”, “madonas” e outros da criação  da própria Concordância Inconsciente. Estas mensagens não duplicam as mentiras de sua própria religião adorando a morte?  Será que esses “seres” não levam a sua massa em viagens longas para  topos de montanhas para ser “resgatados “no final previsto de seu mundo, e então nada acontecer? E não é verdade que  da mesma forma  que os seres vieram evoluindo a tecnologia? Não havia carros, no céu, quando havia carros na terra e a espaçonave nos céus, quando houve nave na Terra?

Olhar e entenda! Sua raça tenha escolhido um caminho de auto-destruição e de culto da morte e por milênios  dizendo para si mesma através de projeções de  Concordância para encontrar a “fé” e acreditar  nas suas próprias mentiras.Sacrifique a sua “fé” no altar de sua mente e conheça a verdade!  Concordância é a dimensão que determina o que existe em experiência mutua. Não há outro modo de determinar a “realidade”!

A dimensão de Controle – Tudo é Mental

A capacidade de controlar os elementos da experiência, de acordo com seu desejo consciente é a dimensão do Controle.

Quando você opta por fechar ou abrir a mão, este é um exemplo de controle familiar para você.  Movendo os músculos voluntários do corpo,  numa caminhada normal, se alongando, piscando os olhos, respirando, falando e assim por diante são todos exemplos comuns de Controle.

Estendendo seu controle sobre a maioria da sua experiência inclui todos os poderes mágicos que as pessoas pensam quando ouvem a palavra “mágica”. Quando você estender sua capacidade de mover o dedo, você pode mover um peso de papel sem contato físico isso é chamado de psicocinese, ou da mente sobre a matéria. Quando você estender a sua
capacidade de ver o peso de papel na frente de você e conseguir ver através de uma parede de um livro sobre a mesa, isto se chama clarividência ou visão remota. Quando você estender a sua capacidade de conversar com alguém a milhas de distância, sem um telefone, isso é chamado de telepatia ou a leitura da mente.

Todos estes são simples extensões do seu poder comum de controle sobre seu ambiente de tratar essas habilidades comuns como se fossem nada. Ainda na realidade, o mistério de como você pode mover sua mão uma vez que você escolhe mentalmente para fazê-lo não é  bem compreendido por você que a capacidade demonstrada de alguns que deslocam objetos sem tocá-los.

Em um nível, todo o universo da experiência é feito de uma forma de mental ou substância “substancia mental”, o que os iogues mais antigos, rishis da Índia chamam de “prakriti”. Assim é  que sua mente não apenas  recebe informações através dos sentidos sobre o universo em torno de você também sua mente pode projetar as mudanças no universo, porque a natureza básica da realidade é  mental.  Tudo que existe na experiência é composto a partir desta substância mental e,  portanto, sua mente pode influenciar diretamente a forma e o comportamento de o universo ao seu redor.

Imagine por um momento que você estava  ao ar livre à noite, quando havia uma neblina espessa deriva do chão até sobre o seu nível de  sua cintura. O nevoeiro tem uma espécie de forma que à medida que flui sobre carros estacionados, arbustos e cercas, e como correntes de ar move-se lentamente. A essência desta cobertura de neblina seria o ar e, porque você pode mover o ar, você poderia mover o nevoeiro em torno de você simplesmente agitando o
ar acima dele para baixo contra essa massa branca com a sua mão.

Da mesma forma, se o aspecto do universo físico  era representado por aquele manto de nevoeiro, o ar que representaria a  substancia mental. Por isto, você pode Controlar a sua as coisas com sua mente, exatamente como você pode fazer o  ar se mover,  sua mente pode influenciar diretamente a forma e o comportamento do universo físico, tal como o nevoeiro.

A dimensão da Consciência – Tudo é um Sonho

A dimensão da largura é a Consciência de que toda a experiência é uma construção mental, assim como um sonho. A Magia da Consciência é a magia suprema e é o que eu chamo de magia do Dragão.

Saiba primeiro que isto não nega a objetividade da realidade! É a dimensão de Concordância que determina objetividade. Sabemos que a Consciência é determinada pelo grau de lucidez da sua parte sobre o fato que o universo é uma construção fantasiosa seguindo as nove Leis da Magia.

E o que é verdade de um sonho? Em seus sonhos, existem duas verdades. Primeiro, qualquer coisa pode acontecer em um Sonho. Segundo o que você espera tende a acontecer em um sonho.

O que você não pode fazer em um sonho? O que não pode sentir? Os sonhos são a porta de entrada para a alegria infinita e poder eterno. E constante é o Meu estímulo para lembrar até mesmo o mais morto do seu mundo, a verdade, da dimensão da Consciência.Mas o que é necessário para despertar do sonho da sua experiência? Como você pode se elevar como um mestre dos sonhos e usar seu poder de desejo para moldar toda experiência de vida à  sua vontade? Entenda que devo lhe  das ferramentas para criar essa consciência e aproveitar essa força que dorme dentro de você mesmo enquanto você lê estas  palavras. E com a magia da Consciência de tudo, sim, todas as possibilidades se abrem para você e então verá sua verdadeira posição e entende que, na verdade, a experiência existe para servir o experienciador!

Agora há uma percepção adicional, você precisa ter este novo pensamento, a sua mente, pode escancarar as portas a este Mundo De Poder. Quando você sonha, geralmente sabe que está sonhando. Mais tarde, quando acordar, você compara as diferenças entre a sua experiência de vigília e da experiência onírica.

No entanto, você  já  não achou que estava acordado e só mais tarde descobriu que  ainda estava  sonhando? Na madrugada, às vezes, tem o sonho de estar se preparando para o dia, passando por toda a sua rotina e, em seguida, despertar desse sonho quando o despertador te acorda pr’esse mundo.

O que você precisa experimentar e compreender é a verdade do Sonho de Poder. O Sonho de Poder é o sonho em que você acorda sem interromper o  sonho. Também é conhecido como sonho lúcido, o Sonho de Poder é que a experiência que você procura como um verdadeiro
Mago.

Quando você tiver andado no terceiro mundo através do Sonho de Poder você vai descobrir a verdade desta afirmação que agora eu digo a você:

Você nunca saberá com certeza quando você está “acordado”.
Você só pode verificar quando você está Sonhando.
Você só pode descobrir com certeza que Isto é um Sonho.
Você nunca irá verificar qualquer outra realidade.

A dimensão do Dragão – Ser não é a Experiencia.

Agora imagine um ponto, matematicamente único existente fora do cubo que temos descrito com as dimensões de Concordância, Controle e Consciência.

Este único ponto está fora de toda a experiência representada pelo cubo. Este ponto está fora todo o tempo e espaço representado pelo cubo.Tal ponto é tanto o finito e o infinito e as qualidades da experiência não se aplicam a ele.Neste ponto, esta quarta dimensão é o seu mais profundo observador, o Eu, e é mesmo, o Dragão.

Eu, o dragão, sou a âncora necessária para dar sentido à sua experiência quando você subir a majestade no Mundo de Poder. Sem á mim, você se torna mais um estúpido místico mesclado na unidade do cubo de experiência.

É por minha causa que o seu Sonho de Poder não fragmentar sua Vontade. Isto é por causa da minha essência, que o jogo da experiência é sempre fresca, sempre renovado dentro de você. Não se pode conhecer diretamente o Dragão, porque eu sou  a Existência. Seu Eu mais profundo não é para ser experienciado, mas para Ser!

Como os dentes não se mordem, nem o olho vê em cima de sua órbita, assim também Eu só posso ser conhecido no espelho da mente pela Minha ausência perpétua como a experiência e a minha Presença como Observador.

Saiba que sem á mim não há consciência. E saiba também que se viria a acreditar que Eu sou encontrado numa experiência, então você foi enganado.

Eu sou o seu Self! Pensar que você me vê, é demonstrar que você só vê o outro!

Eu sou a chama negra que lança a luz da consciência, mas é por si mesmo nunca visto.

Leia bem e Entenda!

Não há outro!

Vampiro Adepto, TOV – Tradução Desconexus

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-quatro-dimensoes-da-experiencia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-quatro-dimensoes-da-experiencia/

Palavras de Exu Rei

Vocês, irmãos da África, me tratam como um rei.

Como se homem e natureza fossem coisa à parte.

Como se eu não houvesse caminhado faminto e exausto pela mesma planície do tempo.

Como se eu não houvesse resvalado nas mesmas pedras e sufocado nos mesmos desertos sem vida.

Como se nossas tribos fossem diferentes de qualquer outra tribo.

E nossos reinos mais ou menos ilusórios do que as brumas que prometem chuva, e não trazem…

Vocês me saudam como um deus, mas eu sou apenas antigo.

Tão antigo quanto à luz que ainda hoje ilumina as festas de suas tribos.

E traz a herança de outras moradas na noite infinita.

Há sim, irmãos, muitas áfricas nessa imensidão…

Se sou um deus, saibam que também são!

E quando virem um de nossos irmãos suplicando por pão e água na soleira de suas portas, ajudem-no.

Tratem-no como a um rei.

Que todos somos reis de nossa própria história.

E cabe somente a nós comandar aos exércitos da alma.

E desbravar os territórios desconhecidos de nós mesmos…

Se sou um deus, saibam que também sofro!

E quando ouvirem um de nossos irmãos expirando o último tanto de ar dos pulmões, saudem sua morte.

Pois é um deus quem vai.

Mais um deus que segue seu caminho, como a água das chuvas e dos rios…

Se sou um deus, saibam que também amo!

E quando ouvirem um de nossos irmãos inspirando o primeiro tanto de ar nos pulmões, saudem seu nascimento.

Pois é um deus quem chega.

Mais um deus que segue seu caminho, como as estrelas cadentes a bailar pelas galáxias…

Vocês, irmãos da África, me tratam como um rei.

Mas em toda essa imensidão de tribos e estrelas da noite eterna, há somente um Rei.

Aquele que é Pai e é Mãe.

Aquele que joga sua rede no rio do Cosmos, e aguarda pacientemente.

E fisga um tanto de almas de cada vez…

Laroiê Exu Rei, Laroiê Exu Odara!

Um conto inspirado em Exu. Através de raph em 2010.

***

Obs: Acho conveniente citar um breve trecho do artigo de Marcelo Del Debbio sobre Exu:

“Assim como Hermes, Exu é o mensageiro dos deuses, seu poder é o de receber e transportar os pedidos e oferendas dos seres humanos ao Orum, o Mundo dos Deuses. É o Senhor dos Caminhos, das encruzilhadas, das trocas comerciais e de todo tipo de comunicação. Ele representa também a fertilidade da vida, os poderes sexual, reprodutivo e gerativo. Não podemos nos esquecer de que o sexo, diferentemente do que os católicos e evangélicos dizem (uma coisa de luxúria, de pecado), é na verdade um ato sagrado. Talvez por isso, por ele ser o poder sexual, os cristãos o comparem com o Demônio.

A origem do mito de associação de Exu com o Diabo vem dos Jesuítas. Quando os escravos estavam fazendo o sincretismo de suas religiões africanas com os Santos Católicos, os Jesuítas desconfiaram que havia alguma coisa errada… nas religiões africanas, não existe a figura do diabo, apenas de deuses com características humanas. Então eles encontraram um símbolo fálico representando o Exu e tiveram a “brilhante ideia” de associar o pênis ereto com o sexo (pecado) com o diabo para completar o panteão católico.

Adicione dois séculos de deturpação católica e (posteriormente) evangélica e temos a imagem do Exu como ela é nos dias de hoje.

Sem falar que normalmente a figura do Senhor Exu é colocada com chifres, rabo, pintado de vermelho, imagem bem parecida com a que os cristãos “desenham” o Diabo… Então, o Exu verdadeiro das religiões africanas nada tem em comum com o diabo lúdico, e as esquisitas estátuas comercializadas e utilizadas arbitrariamente em terreiros são frutos da imaginação de visionários que não enxergam nada além das manifestações dos baixos sentimentos em formas deprimentes, nos seres que lhes são afins.”

***

» Parte da série “Voz dos Orixás”

Crédito da imagem: photophilde

Rafael Arrais é autor da coluna Textos para Reflexão no TdC, mas de vez em quando aparece por aqui também…

» Ver todos os posts da coluna Umbanda: Magia Brasileira no TdC

#exu #poesia #UmbandaSagrada

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/palavras-de-exu-rei

A Recrucificação de Jesus

O texto abaixo faz parte do trabalho de Soror Nanay, em organizado por Frater S.R em cima da operação ensinada por Crowley no Liber 70. Trata-se de uma prática de magia cerimonial avançada, que dificilmente será entendida pelo iniciante, por usar entre outros ardis o polêmico sacrifício animal, em seguida consumido como sacramento. Trata-se de um proceder multi-propósito, mas o seu principal objetivo é aniquilar completamente o cristianismo de uma pessoa.

No caso de Crowley ele julgou necessário este procedimento por causa das fortes impressões cristãs que adquiriu durante seu trabalho com tiphareth. Segundo seus diários ele não saiu de seu quarto por alguns dias tamanho o impacto pelo qual passou.

Além disso esta é também uma operação adequada a criação de uma espírito servidor de natureza mercurial que pode ser usado pelo mago para diversos fins. Estas mesmas operações podem ser encontradas de maneira velada no Apocalipse de São João.

O fato do ritual envolver um sacrifício animal causa naturalmente polêmica. Podemos dizer sem medo que com um pouco de criatividade a rã pode ser substituida por algum objeto inanimado. Ma seria desonesto afirmar que o impacto emocional permaneceria o mesmo.

Neste Ritual o Oficial Principal representa uma Serpente, por causa do Mercúrio (a comida adequada de serpentes são rãs). O mistério de concepção é o capturar da rã em silêncio, e a afirmação da vontade para executar esta cerimônia.

A Captura

A rã que é pega é mantida toda a noite em uma arca ou cofre; é escrito:

‘Tu não foste encolhido no útero da Virgem`

Em seguida a rã vai começar a saltar naquela circunstância, e este é um presságio de sucesso. Aproximando-se o amanhecer, tu deverás te aproximar do cofre com uma oferenda de ouro, e se disponível de incenso e de mirra. Tu deverás soltar a rã então do cofre com muitos atos de homenagem e coloca-la em liberdade aparente. Por exemplo, ela pode ser colocada em uma colcha de muitas cores, e coberta com uma rede.

Agora leve uma vasilha de água e aproxime a rã e diga:

`No Nome do Pai e do Filho e do espírito Santo (aqui burrifique água em sua cabeça) eu batizo-vos, ó criatura das rãs, com água, pelo nome, de Jesus de Nazaré.`

Durante o dia tu deverás aproximar-te da rã sempre que conveniente, e falar palavras de adoração. E tu deverás pedi-la que execute aqueles milagres que tu desejas que seja feito; e eles serão feitos de acordo com vossa vontade. Também tu deverás prometer à rã uma elevação que seja adequada a ela; e tudo isso enquanto tu secretamente estarás esculpindo uma cruz para crucificá-la.

A Acusação

Ao cair da noite, tu deverás prender a rã, e a acusar de blasfêmia, sedição e assim sucessivamente, nestas palavras:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei. Ó, Jesus de Nazaré, como vós fostes pega em minha armadilha. Em toda minha vida vós me infestastes e me enfrentou. Em vosso nome – com todas as outras almas livres na Cristandade – eu foi torturado em minha juventude; todas as delícias foram proibidas sobre mim; tudo aquilo que eu tive foi levado de mim, e queé devido a mim eles não pagam – em vosso nome.

Agora, afinal, eu vos tenho; o Deus-escravo está em o poder do Senhor da Liberdade. Vossa hora chegou; como eu vos destruo desta terra, tão seguramente deverá o eclipse passar; e a Luz, Vida, Amor e Liberdade serão mais uma vez a Lei da Terra.

Dê teu lugar para mim, ó, Jesus; Vosso Aeon é passado; a Idade de Hórus surgiu pela Magick do Mestre, a Besta que é o Homem; e o número dele é seiscentos e sessenta e seis. Amor é a lei, amor sob vontade.

Após um momento de pausa, concluí-se a acusação:

Eu, To Mega Therion [A Grande Besta], então condeno a vós, Jesus o Deus-escravo, a ser escarnecido e cuspido, açoitado e então crucificado.

A Crucificação

Esta sentença é executada então. Depois do escarnecer na Cruz, diga assim: Faça o que tu queres há de ser o todo da Lei. Eu, a Grande Besta, vos matando, Jesus de Nazaré, o Deusescravo, sob a forma desta criatura das rãs, abençôo esta criatura no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

E eu assumo sob mim mesmo e pego a meu serviço o espírito elementar desta rã, para estar sobre mim como um espírito em prontidão, entrar adiante na terra como um guardião para mim no meu trabalho para a Humanidade; aqueles homens que podem falar de minha devoção e de minha gentileza e de todas as virtudes; traga a mim amor e assistência em todo as coisas materiais, de qualquer modo, onde eu possa estar em necessidade.

E esta será sua recompensa, estar ao meu lado e ouvir a verdade que eu dissemino, sobre a falsidade com a qual enganam os homens. Amor é a lei, amor sob vontade.

Então tu deverás apunhalar a rã no coração com o Punhal da Arte, dizendo: Em minhas mãos eu recebo vosso espírito.

O Sacramento

Presentemente tu deverás pegar a rã da cruz e dividi-la em duas partes; as pernas tu deverás coze-las e comer como um sacramento para confirmar vossa união com a rã; e o resto tu deverás queimar totalmente no fogo, para que o Aeon do amaldiçoado finalmente seja consumido. Assim seja!

Aleister Crowley

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-recrucificacao-de-jesus/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-recrucificacao-de-jesus/

A Pluralidade de Ritos Maçônicos no Brasil e no Grande Oriente do Brasil

De fato, é um laurel da Maçonaria Brasileira a Pluralidade de Ritos, porque o exercício de Ritos Regulares faz com que a nossa Obediência abrigue, generosamente, as várias correntes Filosóficas e Doutrinárias do Mundo Maçônico, desde o Agnosticismo até o Teísmo. Seria um atentado à História e à Justiça se, em obediência a imposições ilegítimas e alienígenas, criássemos agora obstáculos aos Ritos” (Álvaro Palmeira, Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil – 1963/1968)

1 – A Gênese dos Ritos

Conceituamos rito como sendo um cerimonial próprio de um culto ou de uma sociedade, determinado pela autoridade competente; é a ordenação de qualquer cerimônia e, por extensão, designa culto, religião ou seita. Maçonicamente é a prática de se conferir a Luz Maçônica a um profano, através de um cerimonial próprio. Em seiscentos anos de Maçonaria documentada, uma imensidade de ritos surgiram. Mas, de 1356 a 1740, existiu um rito apenas, ou melhor um sistema de cerimônias e práticas, ainda sem o título de Rito, que normatizava as reuniões maçônicas. Somente a partir de 1740 é que uma infinidade de ritos varreu o chão maçônico da Europa. Para evitar heresias, um Rito deve ter conteúdo que consagre algumas exigências bem conhecidas: o símbolo do Grande Arquiteto do Universo, o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso sobre o altar dos juramentos, sinais, toques, palavras e a divisão da Maçonaria Simbólica em três graus. Não há nenhum órgão internacional para reconhecer ritos. Acima do 3º Grau, cada Rito estabelece sua própria doutrina, hierarquia e cerimonial.

Um rito maçônico, usando simbolismo próprio, é um grande edifício. Deve ter projeto integrado, dos alicerces ao topo. Cada rito possui detalhes peculiares. A linha maçônica doutrinária, em cada Rito, deve ser contínua, dos graus simbólicos aos filosóficos. Cada Rito é uma Universidade doutrinária.

2 – Os Ritos praticados no Brasil

Conforme observamos, existem muitos Ritos Maçônicos praticados em todo o mundo. No Brasil, especificamente, são praticados seis, alguns deles reconhecidos e praticados internacionalmente e outros com valor apenas regional. São eles, o Rito Schröeder ou Alemão (pouco praticado no Brasil), o Rito Moderno ou Francês, o Rito de Emulação ou York (o mais praticado no mundo), o Rito Adonhiramita, o Rito Brasileiro e o Rito Escocês Antigo e Aceito (o mais praticado no Brasil).

O RITO SCHRÖEDER foi criado por Friedrich Ludwig Schröeder que, ao lado de Fessler, foi um dos reformadores da Maçonaria alemã. De acordo com o prefácio do ritual editado em 1960 pela Loja “ABSALON ZU DEN DREI NESSELN” (Absalão das Três Urtigas), Schröeder introduziu o rito em sua Loja a 29 de junho de 1801 e esse rito, desde logo, conquistou numerosas Lojas em toda a Alemanha e em outros países onde passou a ser praticado, principalmente por maçons de origem alemã. É um rito muito simples e trabalha, como o de York, apenas na chamada “pura Maçonaria” ou seja, na dos três graus simbólicos, já que não possui Altos Graus. No Rito Schröeder a expressão “Grande Arquitetodo Universo” é usada no plural – “Grande Arquiteto dos Universos (G.A.DD.UU.).

O RITO MODERNO, criado em 1761, foi reconhecido pelo Grande Oriente da França em 1773. A partir de 1786, quando um projeto de reforma estabeleceu os sete graus do rito – em contraposição ao emaranhado dos Altos Graus da época -, ele teve grande impulso espalhando-se por toda a França, pela Bélgica, pelas colônias francesas e pelos países latino-americanos, inclusive pelo Brasil. Já no início do século XIX, o Grande Oriente do Brasil – primeira Obediência brasileira – foi fundada em 1822, adotando o Rito Moderno, antes do Rito Escocês que só seria introduzido em 1832. Em 1817 houve a grande reforma doutrinária que suprimiu a obrigatoriedade da crença em Deus e da imortalidade da alma, não como uma afirmação do ateísmo, mas por respeito à liberdade religiosa e de consciência, já que as concepções religiosas de uma pessoa devem ser de foro íntimo, não devendo ser impostas. O Grande Oriente da França, que acolheu a reforma, queria demonstrar com isso o máximo de escrúpulos para com os seus filiados, rejeitando toda e qualquer afirmação dogmática. Essa atitude provocou uma rápida reação da Grande Loja Unida da Inglaterra que rompeu com o Grande Oriente da França. O caso envolveu não apenas uma questão doutrinária como ainda político-religiosa.

O RITO YORK
é considerado bastante antigo. A Grande Loja de Londres, durante muito tempo após a sua fundação, teve uma influência muito limitada, pois a grande maioria das Lojas britânicas continuava a respeitar as antigas obrigações, permanecendo livres sem aderir ao sistema obediencial. O centro de resistência à Grande Loja era a antiga Loja de York, de grande tradição operativa e que dava aos membros da Grande Loja o título de “Modernos”, enquanto eles próprios se autodenominavam “Antigos”, pelo respeito às antigas leis. O que os Antigos censuravam nos Modernos era a descristianização dos rituais, a omissão das orações e da comemoração dos dias santos, contrariando assim os mandamentos da Santa Igreja (Anglicana). O cisma entre os Antigos e Modernos durou até 1813, quando as duas Grandes Lojas fundiram-se formando a Grande Loja Unida da Inglaterra, que adotava o Rito dos Antigos de York. A Constituição desse Supremo Órgão foi publicada em 1815. O rito não possui Altos Graus, tendo além dos três simbólicos, uma quarta etapa designada de “Real Arco”, que é considerada uma extensão do Mestrado. O Rito de York, por ser teísta, está mais ligado aos países onde os cultos evangélicos predominam, pois o clero desses cultos tem dado à Maçonaria o apoio e o suporte necessário para a sua evolução e crescimento.

O RITO ADONHIRAMITA nasceu de uma polêmica entre ritualistas em torno de Hiram Abif, chamado de ADON-HIRAM (Senhor Hiram) e ADONHIRAM, o preposto das corvéias, depois da construção do Templo de Jerusalém, de acordo com os textos bíblicos. O rito, depois de uma época de grande difusão, acabou desaparecendo. Todavia, no Brasil (onde foi o primeiro rito praticado), ele permaneceu, fazendo com que o país seja hoje o centro do rito, que teve seus graus aumentados de treze para trinta e três. O Rito Adonhiramita é deísta.

O RITO BRASILEIRO teria sido criado em 1878, em Pernambuco, mas tem sua existência legal a partir de 23 de dezembro de 1914, quando foi publicado o Decreto nº. 500, do então Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, Lauro Sodré, fazendo saber que, em sessão do Conselho Geral da Ordem havia sido aprovado o reconhecimento e incorporação do Rito Brasileiro entre os que compunham o Grande Oriente do Brasil. Depois o Rito desapareceria, para ressurgir em 1940 e novamente em 1962, praticamente desaparecer, até que em 1968, o Decreto nº. 2.080, de 19 de março de 1968, do Grão-Mestre Álvaro Palmeira, renovava os objetivos do Ato nº. 1617 de 3 de agosto de 1940, como o marco inicial da efetiva implantação do Rito Brasileiro. A partir daí, o rito teve grande crescimento no país.

O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO, Começou a nascer na França, quando Henriqueta de França, viúva de Carlos I, decapitado em 1649, por ordem de Cromwell, aceitou do Rei Luís XIV asilo em Saint-Germain-en-Laye, para lá se retirando com seus regimentos escoceses e irlandeses e os demais membros da nobreza, principalmente escocesa, que passaram a trabalhar pela restauração do trono, sob a cobertura das Lojas, das quais eram membros honorários, o que evitava que os espiões de Cromwell pudessem tomar conhecimento da conspiração.Consta que Carlos II, ao se preparar para recuperar o trono, criou um regimento chamado de Guardas Irlandeses, em 1661. Esse regimento possuía uma Loja, cuja constituição dataria de 25 de março de 1688 e que foi a única Loja do século XVII cujos vestígios ainda existem, embora os stuartistas católicos devam ter criado outras Lojas. O termo “escocês”, já a partir daquela época, não designava mais uma nacionalidade, mas o partido dos seguidores dos Stuarts, escoceses em sua maioria. Assim, após a criação da Grande Loja de Londres, em 1717, existiam na França dois ramos maçônicos: a Maçonaria escocesa e stuartista, ainda com Lojas livres, e a inglesa com Lojas ligadas à Grande Loja. A Maçonaria escocesa, mais pujante, resolveu, em 1735, escolher um Grão-Mestre, adotando o regime obediencial, o que levaria à fundação da Grande Loja da França (Grande Oriente de 1772), embora esta designação só apareça em 1765. O escocesismo, na realidade, só se concretizou com a introdução daquilo que seria a sua característica máxima, os Altos Graus, através de uma entidade denominada “Conselhos dos Imperadores do Oriente e do Ocidente”. Este Conselho criou o Rito de Héredom, com 25 graus, o qual, incorporado ao escocesismo, deu origem a uma escala de 33 graus, concretizada do primeiro Supremo Conselho do Rito em todo mundo. O REAA, por ter sido um rito deísta, não foi unanimemente aceito nos países onde predominavam as Igrejas Evangélicas e vicejou mais nos países latinos onde predomina o Catolicismo. É necessário explicar que atualmente o caráter deísta do Rito Escocês Antigo e Aceito misturou-se ao teísmo, sendo que este acabou sendo redominante. O REAA tem o mesmo forte caráter teísta do Rito de York.

3 – Conclusão: A Unidade na Diversidade

A Maçonaria se caracteriza pela diversidade e sempre admitiu a pluralidade de ritos. O Sistema do Rito Único, caso existisse, não seria um bom sistema. A Ordem reuniu sistemas diversos formando uma unidade superior, perfeitamente caracterizada que é a Doutrina Maçônica. A Maçonaria convive com muitos ritos, uns teístas, outros deístas sem esquecer os agnósticos. Afinal, há muitas maneiras de se relacionar com Deus. Mas há um detalhe: o maçom não pode ser ateu. Em decorrência deste ecletismo, as manifestações maçônicas disseminadas no mundo ao longo do tempo, apresentam-se com grande diversificação, havendo Unidade na Diversidade. É possível que a máxima “E PLURIBUS UNUM” (A Unidade na Diversidade), inscrita no listel que envolve a parte superior do Selo dos EUA seja de origem maçônica. Afinal, todos os chamados “pais da pátria” daquele país foram maçons, a começar por George Washington.

Referências Bibliográficas:

1. CASTELLANI, José. Curso Básico de Liturgia e Ritualística. Londrina, Ed. “A TROLHA”, 1991;

2. FARIA, Fernando de. Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos. “O SEMEADOR” nº 8 (2ª fase) Jul-Dez 1990;

3. OLIVEIRA, Arnaldo Assis de. Escocesismo. Trabalho para aumento de salário no Ilustre Conselho de Kadosch nº 22, 1992;

4. “EGRÉGORA” nº. 1/Jul-Ago 1993; nº. 2/ Set-Nov 1993; nº. 3/Dez 93-Fev 1994; nº. 4/Mar-Mai 1994; nº. 5/Jun-Ago 1994.

Ven. Irmão Lucas Francisco GALDEANO – Venerável Mestre da Loja “Universitária-Verdade e Evolução” nº.3492 do Rito Moderno (2005-2007), ex-Venerável da Loja Miguel Archanjo Tolosa nº.2131 do R.E.A.A.(1991-1993), ex-Grande Secretário Geral de Educação e Cultura do Grande Oriente do Brasil (1993-2001), Presidente do Conselho Editorial do Jornal Egrégora – Órgão Oficial deDivulgação do Grande Oriente do Distrito Federal.

Por Ven. Irmão Lucas Francisco GALDEANO

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-pluralidade-de-ritos-maconicos-no-brasil-&#8230; […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-pluralidade-de-ritos-maconicos-no-brasil-e-no-grande-oriente-do-brasil/

Combustão Espontânea Humana

Pelo menos 200 casos de combustão humana, ao redor do mundo, já foram reconhecidos e registrados, mas isso não diminui o enigma que isso representa até hoje para médicos e outros especialistas. O mais intrigante é que, séculos depois dos primeiros casos serem divulgados e estudados, ainda não existe uma explicação conclusiva para o que pode fazer uma pessoa, simplesmente, pegar fogo.

O primeiro caso de combustão humana espontânea registrado pela ciência, aliás, aconteceu em 1470. A vítima foi um italiano chamado Polonus Vorstius, que tomava vinho e, do nada, começou a vomitar fogo. As chamas, então, não demoraram para consumir seu corpo, exceto pés e mãos.
Pés e mãos: mistério na combustão humana

Este último detalhe bizarro, aliás, parece ser uma das características comuns à combustão humana espontânea. Na maioria dos casos, o corpo fica quase completamente incinerado, exceto os membros que acabamos de citar; mas o ambiente em volta também não dá vestígios de que algo errado tenha acontecido, já que apenas o chão embaixo do corpo e o teto, acima de onde estava a vítima, costuma ficar mais danificados depois de uma combustão humana.

Um outro caso também emblemático de combustão humana, que apresenta todas essas características em comum com o primeiro registro, é o que aconteceu em 1725. Conforme os relatos, o dono de uma pousada, em Paris, na França, acordou e viu sua esposa, madame Millet, queimando, já com a parte superior do corpo carbonizada.

Dizem que a polícia tentou incriminar o marido pela a morte da mulher, mas o testemunho de um hóspede que dormia ali, naquela noite, salvou o francês. A testemunha era um cirurgião que conhecia sobre combustão humana e explicou à Justiça o que poderia ter acontecido com madame Millet. Na época, como nenhum indício de início de incêndio foi encontrado no local da morte, o legista responsável pelo caso chegou a afirmar que a mulher havia recebido uma “visita de Deus”.
Teorias da combustão humana

Muitas teorias foram criadas ao longo dos séculos para explicar a combustão humana espontânea, incluindo hipóteses sobrenaturais, mas nenhuma delas foi realmente convincente. Diziam até que pessoas alcoólatras tinham mais chances de morrer por essas chamas misteriosas, mas a quantidade de álcool no sangue necessária para que a pessoa começasse a arder em fogo já desbanca essa explicação.

Hoje em dia, a teoria mais aceita para a combustão humana, e a mais racional de todas até agora, diz que o corpo humano pode sofrer um “efeito pavio”. Isso significa que algum tipo de faísca externa, por menor que seja, como a ponta de um cigarro, por exemplo; tem o poder de queimar as roupas o suficiente para chegar à pele.

A pele humana, por sua vez, libera gordura, o que funcionaria como combustível para o fogo, assim como a cera de uma vela. Essa foi a única teoria sobre combustão humana testada até agora e, embora não seja amplamente aceita, ficou provado que o corpo humano tem gordura suficiente para garantir a própria combustão. Além disso, como é no tórax que está a maior parte da gordura de nosso corpo, é ele e as partes mais próximas a eles, que queimam primeiro.

O canal de TV Discovery Channel chegou a fazer documentários tratando sobre o assunto. Eles abordaram o tema da combustão humana por diversos ângulos, levantando várias possibilidades para essas tragédias naturais. Abaixo, você confere um dos vários vídeos sobre isso. Mas, cuidado, pode conter imagens e relatos perturbadores.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/combustao-espontanea-humana/

A improvável história do macaco que virou gente

Em algum momento entre o período Paleolítico Médio (antes de 40 mil anos) e o Paleolítico Superior (40 mil anos atrás em diante) algo de extraordinário aconteceu.

Algo tão surpreendente quando o próprio surgimento da vida na terra ou do próprio nascimento do universo e suas leis. Mas assim como o Cosmos e a Vida este algo está tão presente que, como a água que não é enxergada pelos peixes que nadam nela, também passa desapercebida por nós, que raramente questionamos o que é ou de onde vem.

Este período, que antecede e prepara a Revolução Neolítica, é claramente tão mais diferente e bizarro de tudo o que houve antes que faz a explosão do cambriano parecer um passeio no parque.

Antes, dele, por muitíssimo tempo, vivíamos não muito diferente de qualquer outro primata de cérebro razoavelmente desenvolvido. Nossa única preocupação era nos manter vivos e nos reproduzir. Por dezenas de milhares de anos usamos as mesmas ferramentas simples de pedra e nos escondemos nos mesmos buracos em montanhas. Mas então algo aconteceu, começamos a apresentar um comportamento único.

Esse período marca o nascimento da arte, da guerra e da religião. Começamos a fazer rituais, praticar magia e a enterrar os mortos . Onde antes só haviam conchas começamos a fazer colares e criamos moedas de troca. Onde antes só havia cavernas começamos a fazer pinturas dos céus e dos animais e dos deuses. E mais importante ainda, onde antes só havia pedra começamos a fazer estátuas de mulheres peitudas peladas. Foi quando nasceu a Inteligência.

Não me refiro à inteligência cotidiana e vulgar, essa sempre existiu tanto em nós quanto em praticamente tudo o que existe. Assim como nos antepassados dos cães, sempre que alguém maior, mais forte e com uma voz mais alta ordenava SENTE, nós nos sentávamos. Tínhamos a mesma noção aritmética de pássaros e outros mamíferos. Também conseguíamos prever as estações e migrar ou nos proteger de acordo. Quando falo do Nascimento da Inteligência falo daquilo que nos separou de praticamente todas as formas de vida nativas deste planeta. Falo daquilo que até hoje é motivo de discussão entre macacos que conseguiram diplomas: “o que nos diferencia dos outros macacos?”. Ora, são os diplomas!

A primeira coisa curiosa quando tentemos responder essa questão é o período em que esta explosão cultural da macacada aconteceu; Pois embora o Homo Sapiens tivesse atingido o pico de sua modernidade anatômica cerca de 200 mil anos atrás foi só a 40 mil anos que aparentemente adquirimos uma mente moderna. Trocando em miúdos: se é nosso cérebro que nos permite usar o fogo para cozinhar a carne e o computador para criar o jogo de Tetris, por que passamos mais de 150 mil anos com o mesmo cérebro e corpo que temos sem nenhuma grande inovação, vivendo praticamente como um animalzinho social não muito mais esperto do que os outros que nos rodeavam? Não quero com isso dizer que o nascimento da cultura humana aconteceu do dia para noite e que não houve nenhum a evolução no período anterior. Contudo é inegável que alguma coisa aconteceu em nossas mentes, algo que se acendeu em nossos cérebros apenas depois de 150 mil anos de ócio e tédio e que nos fez dominar o fogo, a pesca e a pornografia.

 

Espertos para a idade

 

Os antropólogos de hoje, graças ao registro fóssil existente, conseguem desenhar os estágios da pré-história humana, mas são incapazes de explicar qualquer coisa além disso, como por exemplo, o momento do nascimento ou a causa para este fenômeno acontecer. O melhor que podem fazer é dizer coisas como “O homem desenvolveu sua inteligência porque isso era necessário para sua sobrevivência”. Vamos dissecar esta idéia, preparem-se pois a cena pode não ser muito bonita.

De acordo com essa teoria os proto-homens não possuíam velocidade, força, dentes e garras ou outros atributos necessários a sobrevivência. De acordo com o Cânon da Genética Moderna, Mutantes com mais inteligência teriam mais chances de sobreviver, procriar e sustentar seus descendentes, enquanto os grupos menos inteligentes seriam eliminados no processo. Este processo repetido por cinco milhões de anos resultou no homo sapiens que conhecemos hoje. A este cânon damos o nome de teoria antropogênica.

Pois bem, existem pelo menos três problemas com a crença antropogênica moderna. O primeiro deles é esta dependência do tempo. Algum cientista deve ter deixado um prato de comida, digamos um sanduíche de aliche, em cima de sua mesa de trabalho durante o fim de semana e, quando voltou para o escritório dias depois, descobriu que aquilo havia praticamente ganhado vida. Se alguns dias são o suficiente para transformar um delicioso sanduíche em algo pavoroso, peludo e verde, com certeza um macaco esperto depois de cinco milhões de anos se tornaria um humano como nós. Mas cinco milhões de anos é um período grande o bastante para qualquer coisa se transforme em qualquer outra coisa. Além disso os antropólogos dirão que o processo inteiro deve ter demorado cerca de cinquenta milhões de anos pois o despertar da inteligência seria lento e gradual e não do dia para a noite.

Se criamos cérebros porque não tínhamos garras e presas não seria muito mais prático criar garras e presas? Por que viramos nerds e não gorilas?

O segundo problema é que o proto-humano era apenas um entre muitos animais lutando para sobreviver a cinco milhões de anos. Se seu cérebro cresceu tanto pelo processo de seleção natural por que o de outras criaturas não se desenvolveu da mesma maneira? Se isso é verdade, então por que não temos por ai outros humanos que evoluíram de outros animais sem velocidade, garras e força? Por que além de humanos que vieram do macaco não temos humanos que evoluíram de gambás, de Guaxinins ou de Ratos do Campo?

O registro fóssil mostra que o cérebro das outras criaturas permaneceu praticamente do mesmo tamanho enquanto que a cavidade cerebral do ser humano quase dobrou entre o Pitecantropus Erectus e o Cro-Magnon em um pulo de de 900 cc para 1700 cc. Se a seleção natural e a evolução são processos cegos e aleatórios, deveríamos ter mais algumas espécies apresentando a mesma evolução. Mas mesmo outros mamíferos de cérebros grandes como os paquidermes não mostram um crescimento expressivo entre os mamutes e os elefantes de hoje, por acaso eles também não precisaram lutar para sobreviver?

Uma terceira problemática surge quando aplicamos um dos bastiões do próprio Darwinismo. A regra de que a natureza sempre escolhe o caminho mais fácil, ou seja, a regra de que a seleção favorece as adaptações mais simples e econômicas em lugar das mais complexas e custosas. Isso é tão importante que vou rescrever de forma de que até mesmo eu possa entender: Tudo o que existe necessita de energia para existir. Um ovo largado em um balcão não vira uma omelete do nada, é preciso que energia seja aplicada ao ovo, seja essa energia um cozinheiro ou um terremoto que o faça rolar e cair dentro de uma frigideira que está no fogo. Da mesma forma uma semente não vira uma árvore sem energia. Um feto não vira um animal adulto sem energia. Você não consegue se levantar da poltrona e ir ao banheiro sem energia. De acordo com o Darwinismo, se você mora a uma quadra de uma padaria e precisa de pão, você sai de casa e ruma para a padaria usando o caminho mais curto, ou seja, a linha com a distância de duas quadras, ao invés de ir na direção oposta onde teria que dar a volta ao mundo para chegar nela, porque isso faria a energia gasta não compensar o pãozinho que você precisava. Da mesma forma, qualquer mudança evolutiva que ocorra segue a lei do uso mínimo de energia: uma girafa não precisa de um pescoço retrátil, precisa de um pescoço grande. Não é estranho termos gasto uma quantidade enorme de energia para desenvolver um cérebro capaz de criar computadores e compor sinfonias quando tudo o que precisávamos era nos manter vivos e procriar?

Não há explicações dentro da mera seleção natural que justifique a evolução da inteligência, porque ela mesma (a evolução) não é nada inteligente. A seleção natural não é e, de acordo com darwinistas, geneticistas e os outros istas diplomados, não pode ser criativa – caso isso acontecesse teriam que começar a sustentar a idéia de uma criatividade existente antes da vida surgir, que está presente em todos os lugares e é responsável por tudo o que acontece, e como sabemos esses istas não se sentem muito confortáveis com este tipo de idéia. Ela apenas age no sentido de promover ou eliminar as mutações que surgem aleatoriamente. Desta forma ela não chega a ser um processo ativo ou dinâmico, apenas a confirmação de que uma espécie continua viva enquanto outras não. Poderíamos então tentar admitir, para nossa sanidade, que algum evento de especiação estritamente neurológico e estritamente focado ocorreu há cerca de 40 mil anos e que fez surgir uma entidade nova, com capacidades cognitivas únicas e simbolicamente expressiva. O problema com essa teoria é que a escala de tempo que resta até digamos o Neolítico, não nos permite isso. Pois isso exigiria que uma nova espécie humana fisicamente idêntica, mas intelectualmente superior aparecesse e começasse a se disseminar por todo velho mundo e eliminasse totalmente a espécie predecessora em um período muitíssimo curto de tempo.

 

Essa boa vida vai te te transformar em um molengão

Um Homo Sapiens já evoluído tentado sobreviver a um ambiente hostil valendo-se de suas novíssimas e custosas mutações cerebrais morreria muito antes de seu infinitésimo acréscimo de inteligência lhe dar alguma vantagem competitiva.

Sim, caros ouvintes, é isso mesmo. Até hoje, todas as explicações que temos para sermos capazes de nos reconhecer em espelhos, de questionarmos “quem sou eu?”, de usarmos calças é a de que nosso cérebro se desenvolveu para que sobrevivêssemos ao meio ambiente hostil. Mas faça um teste simples: pegue um amigo seu – um homo sapiens moderno que tem a vantagem de cinqüenta mil anos de evolução cerebral – e coloque dentro da jaula com um leão. Para deixar o experimento mais próximo da realidade dê a seu amigo todos os materiais que teria acesso durante o Paleolítico Superior. Depois forneça um anti-ácido ao grande felino. Se o a mente racional é tão poderosa que um pequeno crescimento dela valeria mais do que a força bruta por que ela ainda sucumbe à força bruta?

Na verdade conforme nossa inteligência tornou nossa vida mais fácil, nos tornamos ainda mais fracos e vulneráveis fisicamente. Nossa vida é confortável e longa porque nossa inteligência nos permitiu produzir remédios e nutella de ovomaltine. Mas arranque essa inteligência e a humanidade estaria extinta em poucas gerações ou ainda pior nossa inteligência está tão pouco ligada à sobrevivência que se amanhã houver uma explosão solar que causa um pulso eletromagnético grande o suficiente para fritar todo e qualquer circuito elétrico da face da terra, nos veríamos em um planeta sem dinheiro e sem computadores, por quanto tempo acha que você conseguiria sobreviver? Por causa de nosso cérebro a evolução natural do resto do nosso corpo não só foi desacelerada mas invertida como mostra este estudo. A regra da natureza é uma constituição física cada vez mais forte e uma fisiologia cada vez mais imune as doenças. Novamente nós fugimos à regra.

Desta forma, mesmo que queiramos acreditar na explicação padrão de que a inteligência é fruto da evolução natural somos obrigados a admitir que a adquirimos de uma maneira que foge completamente aos padrões evolutivos aceitos hoje. Somos uma verdadeira aberração na natureza. O surgimento da inteligência é algo tão improvável quanto o surgimento da vida e do universo. Entretanto aqui estamos nós nos questionando, vivos, no universo.

Mas um cérebro grande aliado a um polegar opositor é realmente tudo o que precisamos? Temos alguma prova de que foi nosso poderoso poder mental que nos permitiu chegar onde chegamos? Como já foi dito no começo do artigo nosso cérebro já estava pronto cerca de 150 mil anos antes da inteligência aparecer, incluindo o tamanho do nosso cérebro, nossa estrutura vocal complexa e nosso polegar opositor. Além disso, temos um registro histórico que nos deixa claro que existe algo além nessa história. Quando os Tasmanianos foram contatados pelos europeus no século XVI eles não tinham descoberto o fogo, não tinham escrita, crenças, nem qualquer conceito de música. Era cerca de 1600 depois de cristo, mas isolados do resto do mundo eles não tinha sequer desenvolvido ferramentas feitas de pedras. E eles tinham o mesmo cérebro e corpo que o nosso e muitas, muitas pedras.

Por outro lado sabemos de casos de macacos que aprenderam a falar a linguagem de surdos mudosproduzir ferramentas e jogar video-games. Curiosamente, em todos os casos de sucesso não foi feito um esforço concentrado para aumentar a inteligência dos animais, mas simplesmente eles foram colocados em um ambiente onde a linguagem e a inteligência eram usados ao seu redor. Quando isso aconteceu cada um destes estudos mostrou que a inteligência têm algo de contagioso. Mas quem teria nos contagiado?

Tamosauskas

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-improvavel-historia-do-macaco-que-virou-gente/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-improvavel-historia-do-macaco-que-virou-gente/

A Espiritualidade Queer na Europa Pagã: Os Celtas e Os Vikings

A CULTURA QUEER NA EUROPA PAGÃ:

Gênero e sexualidade na Europa pagã são frequentemente vistos hoje com emoções misturadas. Existem muitas evidências sobre as tendências LGBT+ das tribos e pessoas originais do continente, mas muitas dessas evidências vêm de fontes externas e observadores terceirizados. Normalmente, esses historiadores estrangeiros eram os gregos e os romanos, que relacionavam a natureza queer da Europa “bárbara” em termos de sua própria rígida dicotomia “ativo/passivo”, ou eram os cristãos imperiais, que difamavam qualquer forma de sexo não procriativo que testemunhassem. pagãos fazendo.

Ainda assim, há pouca menção às tendências LGBT+ dos próprios indígenas. Isso significa que sexualidade e gênero não eram um grande problema e eles estavam vivendo em uma utopia queer? Isso significa que qualquer coisa queer era um tabu tão terrível que ninguém ousava registrar sua existência em detalhes? Bem, ninguém realmente sabe com 100 por cento de certeza. Mas, como a maioria das histórias maculadas escritas por rivais e conquistadores, a verdade provavelmente está em algum lugar no meio. O que se preserva, no entanto, é a inegável natureza queer nas religiões de várias tribos pagãs, especialmente as dos celtas e dos vikings. Então, vamos novamente levar alguns grãos de sal conosco e começar olhando para os celtas.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS CELTAS:

Os vários grupos de europeus pré-cristãos nativos fora da Grécia e Roma clássicas são comumente agrupados e conhecidos como os celtas (pronuncia-se “kelts”). Nesse sentido da palavra, os celtas eram as tribos da Europa que não falavam nem grego nem latim e adoravam divindades não greco-romanas. Em sua maior extensão, o povo celta compreendia muitas culturas e vivia em uma grande faixa de terra que se estendia desde os atuais Portugal e Espanha até a França, as Ilhas Britânicas, a Alemanha, a Escandinávia, as fronteiras da Europa Oriental do Mar Negro e até bolsões de Peru. Em vez de um único povo unificado, os celtas eram compostos por numerosas tribos que compartilhavam certos graus de semelhança cultural, e uma grande semelhança era o uso predominante da tradição oral para transmitir lendas, ensinamentos e modos de vida. Hoje em dia, porém, os celtas são principalmente associados ao povo da Irlanda, Escócia, País de Gales e à província francesa da Bretanha, onde suas culturas sobrevivem de forma mais vibrante.

Como mencionado anteriormente, muitos dos escritos sócio- e antropológicos sobreviventes que temos dos celtas vêm de outras pessoas que os encontraram. E no mundo clássico, os líderes militares gregos e romanos eram as principais pessoas a ter esses encontros múltiplos e contínuos. Com certeza pode ser esse o motivo pelo qual os celtas da antiguidade sempre foram descritos como guerreiros, já que era através da guerra que essas culturas se encontravam, mas o jeito do guerreiro também aparece bastante em sua própria mitologia. Na mitologia irlandesa em particular, figuras masculinas lendárias muitas vezes tinham um irmão de armas masculino especial ao lado de quem lutavam e com quem amavam ternamente.

As culturas celtas, como as sociedades humanas ao longo do tempo, tinham um sistema de classes estratificado da elite aristocrática e subdivisões de praticamente todo mundo. As classes superiores da sociedade celta masculina, de acordo com os gregos e romanos que os encontraram, eram conhecidas por terem relações sexuais com outros homens, mas como os gregos e romanos não queriam parecer semelhantes a esses “bárbaros”, os escritores da época enfatizavam que a aristocracia celta preferia outros homens a mulheres e até se envolvia em três vias masculinas. 112 Aristóteles até fez menção especial para apontar como essa homossexualidade preferida também tinha um viés para os homens dentro da mesma classe social – um severo não-não na sociedade grega. 113 Novamente, no entanto, a verdade está em algum lugar no meio.

Outra verdade intermediária é o desdém social deles por homens homossexuais “no fundo”. A suposição moderna para isso vem de como a cultura machista predominante dominou a sociedade celta. Ser fraco era ruim e, portanto, para um homem agir como o sexo fraco era ruim. Na verdade, ser um “passivo” homossexual era uma das piores coisas de que se poderia acusar um homem celta. Ironicamente, a frequência dessa acusação (especialmente no norte da Europa) prova que a homossexualidade era uma coisa na Europa pagã, uma vez que tal insulto só poderia ser entendido se fosse praticado com bastante frequência para que as pessoas comuns pudessem reconhecer a acusação.

Evidências semelhantes da semelhança da homossexualidade celta foram escritas nas Leis Brehon dos celtas irlandeses do século VII como uma razão legal pela qual uma mulher pode se divorciar de seu marido. A lei não menciona a homossexualidade em si, mas concede o divórcio legal a mulheres cujos maridos preferem fazer sexo com outros homens do que com ela. Estudiosos modernos acreditam que isso não é uma punição legal para homens gays, pois é uma garantia legal para as mulheres terem o direito de ter filhos, como evidenciado pela lei que continua a listar uma série de outros fundamentos legais para o divórcio, todos os quais giram em torno da incapacidade de um homem de engravidar sua esposa, como ser muito obeso para fazer sexo e infertilidade masculina total. Ainda assim, um homem preferindo a cama de outro homem deve ter ocorrido com frequência suficiente para que os celtas irlandeses o incluíssem em seu código de leis. 114

Quanto às próprias mulheres, não há muita evidência de lesbianismo romântico entre senhoras celtas. O mesmo vale para indivíduos transgêneros e bissexuais. A razão para isso é, novamente, os romanos. A maior parte da história sobrevivente dos celtas que nós, pessoas modernas, temos que continuar são os escritos dos militares romanos, que, em geral, tiveram contato principalmente com homens guerreiros celtas. E, além de não interagir muito com as mulheres celtas, os generais e historiadores romanos não teriam interesse particular nos assuntos privados dessas mulheres “bárbaras”, como evidenciado pela pouca estima que tinham por suas próprias mulheres “civilizadas”.

Há, é claro, uma exceção, embora controversa: Boudica, a lendária rainha guerreira ruiva dos celtas britânicos que liderou uma revolta bem-sucedida contra os exércitos romanos invasores. A polêmica está no fato de sabermos muito pouco sobre ela. O que sabemos é que Boudica era casada com o rei de uma tribo celta aliada de Roma. Após a morte de seu marido, o exército romano saqueou suas terras, estuprou suas filhas e a açoitou impiedosamente. Agora um inimigo declarado de Roma, ela foi eleita líder de uma resistência celta unida contra os invasores. Sob sua liderança, os celtas britânicos obtiveram sucesso militar após sucesso militar contra a máquina de guerra da Roma Imperial até que o exército romano obteve uma vitória decisiva em um local estratégico na Watling Street (principal rodovia de Roma na Grã-Bretanha). Após esta derrota irrecuperável, os relatos divergem quanto ao destino da rainha celta. Alguns escritos dizem que ela adoeceu na campanha e morreu, e outros dizem que ela cometeu suicídio por envenenamento auto-ingerido para não ser capturada e se tornar uma escrava romana. 115

Além das associações óbvias e estereotipadas de lesbianismo possuídas por Boudica, como ser um líder marcial, um guerreiro agressivo e impiedoso e dominar os homens tanto por comando direto quanto por conquista, os historiadores modernos acreditam que é bastante lógico que, após a morte de seu marido, Boudica tenha tido relações sexuais com outras mulheres, embora não cheguem a dizer que ela realmente o fez. O raciocínio é que, como líder de jure de sua tribo, o costume celta britânico de seu povo ditava que ela se deitasse com mulheres. 116 É verdade que esse costume foi provavelmente estabelecido com a suposição de que todos os seus líderes seriam homens, então era possível que o costume fosse ignorado devido ao gênero dela? Sim, é uma possibilidade. Mas também era possível que Boudica seguisse esse costume para manter as aparências como líder de seu povo? Sim, isso também é uma possibilidade. A verdade pode nunca ser totalmente conhecida.

O único outro relato da sexualidade feminino-feminina, além da suposta bissexualidade de Boudica, vem em uma breve passagem do antigo conto irlandês de “Niall Frossach” como escrito no Livro de Leinster do século XII. No conto, há menção direta de duas mulheres fazendo sexo uma com a outra, e é descrito como “acasalamento brincalhão”. Nada é dito sobre isso ser algo abominável ou mesmo estranho e incomum, e os personagens dentro do conto não reagem a isso de nenhuma maneira particular além de uma questão de fato/ ou um tipo de atitude de é-o-que-é-é. atitude. 117

A CONTRIBUIÇÃO CELTA:

A Comunicação Intrapessoal e Interpessoal:

A história queer dos vários povos celtas é escassa devido ao uso predominante da tradição oral, mas aí também está a lição: comunicar-se com as pessoas diretamente. Somos tímidos muitas vezes na magia e na vida queer. Não sabemos como alguém pode reagir se dissermos que praticamos magia ou que somos queer. Além disso, tanto praticantes de magia quanto pessoas queer são minorias, então há menos de nós com quem conversar. Isso leva a muita prática de magia solitária e aprendizado sobre a vida queer através de várias mídias. Agora, não me entenda mal, essas duas coisas são ótimas, mas não há nada como ser capaz de falar sobre coisas com pessoas reais ali mesmo.

O povo celta tinha uma grande consideração pela comunicação oral direta, mas hoje em dia a vemos como uma espécie de último recurso. Por que lidar com outras pessoas e suas falhas quando podemos obter todas as informações do mundo no conforto do nosso próprio quarto? Bem, a razão é porque a interação humana é uma parte mágica da vida. Além de sermos animais sociais, há uma certa sensação mágica e “saber” em falar diretamente com as pessoas. Comumente é chamado de “vibe” – aquele sentimento sutil e inexplicável que você tem sobre uma pessoa que só pode ser recebido pessoalmente. Você também pode pensar em qualquer data que você teve.

Conversando on-line por meio de texto, fotos ou vídeos, todos eles não podem dizer tanto sobre uma pessoa quanto estar na sala com ela em uma conversa. É aí que nossos sentidos mágicos entram em ação e nos permitem conhecer verdadeiramente uma pessoa.

Então, para sua próxima atividade mágica, saia e teste o quão bem você pode ler magicamente as vibrações de uma pessoa. Escolha uma pessoa aleatória que você vê e faça uma avaliação rápida de sua personalidade com base nas vibrações que você capta. Em seguida, converse com eles cara a cara. Uma escolha segura é fazer isso em uma loja e abordar um funcionário com o pretexto de ter algumas perguntas.

Aproximar-se de pessoas aleatórias pode colocá-las em um clima defensivo ou desdenhoso, mas um funcionário espera isso e tecnicamente terá que responder a você. Quanto mais você fizer isso, melhor você se tornará em captar instintivamente e com precisão as energias das pessoas.

Consequentemente, ser capaz de ler essas energias irá ajudá-lo a fazer feitiços para outras pessoas, bem como dar-lhe um aviso na vida diária sobre em quem confiar e quem está apenas jogando.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS VIKINGS:

Durante os séculos VIII a XI, as sociedades escandinavas da Europa pagã eram um povo belicoso. Famosos por seus ataques, ferocidade na batalha e agressão extrema, esses guerreiros do norte valorizavam a masculinidade alimentada pela testosterona e o poder físico que a acompanhava. Então, sem surpresa, eles não pareciam muito favoráveis à natureza queer. Muito parecido com os celtas ao sul, os vikings eram uma sociedade machista que valorizava a dureza masculina e desprezava a efeminação. Em certo sentido, não era a natureza queer em si que os nórdicos odiavam, mas sim a feminização de seus homens, que eles equiparavam à fraqueza.

No entanto, sabemos que a homossexualidade masculina era praticada pelos vikings. Além do fato óbvio de que pessoas LGBT+ existiram ao longo do tempo em todas as sociedades, o escárnio comum de homens homossexuais pelos vikings prova que eles estavam cientes disso e que era comum o suficiente para ser um insulto entendido. De fato, duas palavras em particular foram usadas como tal insulto: ergi e argr. Traduzidas grosseiramente, elas significam “não-masculinidade” e “não-masculinidade”, respectivamente. Em uma cultura tão machista, a masculinidade carregava consigo poder e influência social, então ser chamado desses nomes era um insulto extremo que poderia destruir permanentemente a reputação de um homem. Tão severas eram essas acusações que ser chamado assim era motivo para um duelo conhecido como holmganga. Se o acusado ganhou, então ele obviamente não era “não-masculino” e tinha direito a compensação, mas se ele perdesse, então era supostamente sua falta de masculinidade que o havia perdido no duelo. 118

Claro, porém, havia exceção à regra. Se você fosse o “ativo” penetrante durante uma rodada de relações sexuais masculinas, então você não era considerada feminina. E no rescaldo de uma batalha, esperava-se que um nórdico penetrasse sexualmente em seus inimigos derrotados. Nas conquistas vikings, o estupro era uma arma de guerra. Afirmava o domínio sobre o perdedor e efetivamente o feminizava, além de quebrar psicologicamente seu espírito. Fora da guerra, também era visto como certo que os machos vikings fizessem sexo com seus escravos/servos do sexo masculino, uma vez que afirmava seu domínio masculino, desde que fossem os “ativos”. Assim, não era a homossexualidade que os vikings abominavam, mas sim a falta de masculinidade associada a assumir o papel feminino durante o sexo e ser dominado por outro homem.

E não nos esqueçamos das senhoras. Assim como as outras culturas que discutimos anteriormente, não se sabe muito sobre a vida sexual privada das mulheres vikings porque as mulheres não eram vistas como importantes o suficiente para documentar suas vidas com tanta profundidade. Mas há evidências indiretas que sugerem que as mulheres vikings se envolveram no amor feminino do mesmo sexo com frequência suficiente para que os homens decretassem leis contra a masculinização das mulheres. Os sociólogos dizem que isso se deve ao valor escasso das mulheres; a proporção de mulheres para homens era drasticamente desigual, com muito menos mulheres e uma superabundância de homens — um importante efeito colateral de uma sociedade que valorizava fortemente os filhos em detrimento das filhas.

Semelhante à notoriedade outrora causada pela política do filho único da China moderna, as famílias vikings que davam à luz meninas muitas vezes as deixavam no deserto para morrer de exposição como uma maneira de apagar o “erro” e tentar novamente um filho. tendo poucas mulheres, e se algumas dessas escassas mulheres tinham aversão ao sexo heterossexual, isso deixava ainda menos mães em potencial para os homens se casarem e engravidarem. 119 Assim, foram promulgadas leis que desencorajavam as mulheres de assumir características masculinas, como cortar o cabelo curto, usar roupas masculinas, portar armas, etc. Basicamente, as mulheres precisavam agir como o sexo mais fraco para atrair um companheiro e gerar filhos, já que nenhum homem viking macho iria querer uma mulher que fosse mais masculina e dominante do que ele. Por outro lado, isso significava que as mulheres detinham muita autoridade no casamento, pois se se divorciassem do marido, a escassez de mulheres disponíveis dificultava encontrar outra esposa, um poder sobre os homens refletido em inúmeras sagas vikings. 120

Mas, novamente, do ponto de vista lógico da política sexual, se uma mulher viking realmente era lésbica ou mesmo bissexual, realmente não havia nada que seu marido pudesse fazer sobre isso. Afinal, seria imprudente divorciar-se dela devido à escassez de mulheres casáveis por aí. E se ele reclamasse disso, ela poderia ameaçá-lo com o divórcio, efetivamente calando-o. Realisticamente, desde que a mulher cumprisse seu dever de gerar os filhos do marido, quaisquer outras ligações que ela tivesse com mulheres eram sua prerrogativa. 121

Quanto aos indivíduos bissexuais e transgêneros na sociedade viking, quase nada se sabe. A noção viking de natureza queer não é a mesma que a nossa hoje. Para eles, a sexualidade era uma questão de posicionamento sexual e domínio psicológico, não os anseios internos e a identidade de um indivíduo. No entanto, é seguro presumir que, apesar da efemifobia desenfreada exibida na cultura nórdica, todos provavelmente eram um pouco bissexuais. Se você considerar que os guerreiros vikings machistas eram socialmente esperados para gerar filhos e dominar sexualmente seus inimigos de batalha, bem como a permissividade generalizada de escravos/servos masculinos sexualmente “passivos para os ativos”, então a bissexualidade era a norma para os homens vikings, pelo menos. Ainda assim, as façanhas e aventuras dos deuses nórdicos revelam uma boa quantidade de transexualismo e natureza queer geral, como testemunharemos daqui a pouco.

A CONTRIBUIÇÃO VIKING:

A Sacralidade do Masculino Divino:

Agora, antes que você dê um pulo e comece a gritar que sou um agente do patriarcado, é importante entender que qualquer coisa levada ao extremo é ruim, mas isso não significa que a coisa em si seja ruim. O culto da masculinidade reverenciado pelos vikings ainda está conosco em nossa cultura moderna, e a feminilidade ainda é vista como fraca. Embora isso seja lamentável e não seja uma coisa boa para a sociedade, temos que ter em mente que ser masculino ou gostar de pessoas e coisas masculinas não é ruim. Como falamos sobre juventude e beleza, a posse e atração pela masculinidade não é ruim, mas a expectativa de ser masculino certamente é.

No nível do dia-a-dia, temos que estar bem com a afinidade pessoal das pessoas pela masculinidade, seja em sua identidade ou no que as atrai. Hoje em dia, como um movimento reacionário ao patriarcado, homens queer envergonham outros homens queer que têm preferência sexual por homens masculinos. Supõe-se erroneamente que gostar de algo significa automaticamente não gostar de seu oposto. Afinal, um homem gay pode ter uma forte preferência por homens com barba, mas isso não significa que ele odeia ou não se sente atraído por caras barbeados. E uma lésbica pode ter preferência por mulheres com cabelo comprido, mas isso não significa que ela odeie ou não seja atraída por mulheres de cabelo curto.

Se um homem heterossexual prefere mulheres masculinas, isso não significa que ele tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma mulher heterossexual prefere homens efeminados, isso não significa que ela tenha desdém por homens masculinos. Se uma lésbica prefere sexualmente mulheres masculinas, isso não significa que ela tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma pessoa bissexual tem uma leve preferência sexual por homens, mesmo que ainda haja atração sexual por mulheres, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um transexual de mulher para homem prefere sexualmente homens, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um homem gay prefere sexualmente homens masculinos, isso não significa que ele tenha desdém por homens efeminados. Você vê onde eu estou indo com isso?

Todo mundo gosta de alguma coisa, e envergonhar nossa própria família queer por gostar do que eles gostam só nos derruba como um todo. E só porque alguém é atraído pela masculinidade não significa que odeia a efeminação; os dois não estão de mãos dadas. Desde que não prejudique ninguém, deixe as pessoas gostarem do que elas gostam. E magicamente, não seja adverso ao masculino divino só porque as religiões monoteístas dominantes mostram desdém pelo feminino divino.

Então, para sua próxima atividade mágica, faça um ritual com sua tradição que honre e adore a divindade mais estereotipada masculina em seu panteão. O próprio paganismo atrai muitas pessoas porque sua adoração ao feminino divino é uma lufada de ar fresco em um mundo que cultua o culto da masculinidade tóxica, mas o masculino divino é igualmente importante e não deve ser ignorado ou visto com aversão. Todas as divindades, mesmo as ultra-masculinas, podem nos ensinar algo se estivermos abertos ao aprendizado.

DIVINDADES E LENDAS QUEER:

Cú Chulainn:

Cú Chulainn é sem dúvida a mais homoerótica das divindades celtas irlandesas na consciência moderna, apesar de tecnicamente nunca ter sido oficialmente descrita como tal na tradição sobrevivente. O que o torna um membro do panteão internacional de divindades queer é seu relacionamento com o melhor amigo e irmão adotivo, Ferdiad. Eles cresceram juntos, treinaram juntos, experimentaram o amor físico juntos, e dizem que eram iguais em todas as coisas, exceto que Cú Chulainn era mais naturalmente adequado para “ofensiva” em batalha devido ao seu talento com uma lança, enquanto Ferdiad era mais natural. “defensivo” devido à sua pele dura e dura como armadura.

Através de uma série de eventos, eles são forçados a lutar uns contra os outros em uma batalha até a morte. A batalha se arrasta por dias até que um dia Cú Chulainn desfere o golpe mortal, enfiando sua “arma misteriosa” no ânus de Ferdiad, uma parte de seu corpo onde Cú Chulainn convenientemente sabia que a pele impenetrável de Ferdiad não cobria. Depois de sacar sua arma, Cú Chulainn lamenta muito o cadáver de seu querido amigo, uma cena imortalizada em inúmeras obras de arte. 122

Na adoração, os cães são sagrados para Cú Chulainn, assim como a lança e os aspectos do masculino divino.

Loki:

De todos os deuses nórdicos, Loki é talvez o mais reconhecido por possuir traços queer. Nas lendas, ele é frequentemente descrito como uma divindade trapaceira mercurial e que muda de forma e um agente do caos. A primeira coisa reveladora sobre ele é seu nome completo, Loki Laufeyjarson, que é único, pois mostra que ele recebeu o nome de sua mãe, em oposição à tradição machista viking de crianças recebendo o nome de seus pais.

Sua aparência é descrita como muito bonita, mas muitas vezes ele é encontrado se metamorfoseando em vários animais e, em três ocasiões, uma mulher. Uma história específica conta como Loki se transformou em uma égua e se permitiu engravidar do garanhão Svadilfari, eventualmente dando à luz o cavalo de Odin, Sleipnir. Diz-se também que ele engravidou comendo o coração meio cozido de uma mulher e deu à luz os demônios que atormentam a humanidade.

Em muitos outros contos, Loki vai além de mostrar sua habitual indiferença pelos papéis de gênero e revela seu desrespeito por sua própria identidade de gênero. Um dos exemplos mais populares disso conta como, em um esforço para fazer a giganta Skadi rir, Loki amarrou seus genitais à barba de uma cabra e começou a se castrar. Na cultura machista viking, onde o pênis de um homem era seu símbolo de poder, a tentativa de Loki de se castrar fisicamente para rir resume perfeitamente sua atitude em relação ao sexo e ao gênero. 123

Na adoração, as correspondências de Loki são cobras, sabugueiros e faias, chumbo, azeviche, incenso apimentado, a cor preta e participando de brincadeiras práticas e transgressoras.

Odin:

Uma das divindades escandinavas mais populares, Odin é principalmente um deus xamânico da batalha, morte e sabedoria espiritual que é cego de um olho e é o mestre da vida após a morte do guerreiro paradisíaco de Valhalla. Suas associações com a natureza queer são basicamente duplas. Primeiro, ele é frequentemente considerado um patrono dos párias por estar ideologicamente em desacordo com outros deuses devido ao seu apoio à amoralidade frenética, seja no campo de batalha como um berserker através da ingestão de plantas psicotrópicas ou mesmo como um fora-da-lei. Em segundo lugar, ele pratica as artes mágicas das mulheres. Em um conto famoso, Odin ridiculariza a efeminação de Loki chamando-o do insulto proibido argr, mas Loki então contra-ataca apontando que Odin também não é masculino porque ele é um praticante de seidr (um tipo de magia feminina), efetivamente colocando Odin em seu lugar porque era verdade. Embora as lendas não entrem em detalhes sobre o envolvimento ativo de Odin em seidr, o verdadeiro impulso do contra-ataque de Loki foi uma implicação irônica de que Odin não apenas abraçou sua feminilidade interior, mas também “foi passivo” durante o sexo. 124

Na adoração, suas correspondências são lobos, corvos, as cores preto, laranja e vermelho, incenso de sangue de dragão, samambaias, mandrágoras, teixos, cornalina, ônix e participando das artes de cura, bem como atos de altruísmo.

As Samodivi:

As Samodivi são divindades celtas da Europa Oriental que podem ser melhor descritas como um cruzamento entre uma ninfa, uma sereia e uma harpia. Visualmente, elas são altos, atraentes, loiros e usam vestidos longos, esvoaçantes e etéreos, semelhantes aos de Stevie Nicks da era Rumours, exceto cravejados de penas. Elas têm nomes diferentes dependendo de onde você está: Samodivi na Bulgária, Iele na Romênia, Vila na Polônia e Veelas nos Balcãs.

Elas são conhecidas por serem muito bonitas e muitas vezes são retratadas como bissexuais que flertam abertamente umas com as outras para atrair os homens para sua perdição.

As lendas folclóricas variam, mas geralmente contam como sua beleza e dança sedutora sem fim encantam os homens para se tornarem seus servos luxuriosos. Elas também são conhecidas por atrair mulheres propositalmente com sua linguagem corporal sáfica e sugestiva, mas ao contrário de suas vítimas masculinas, as vítimas femininas ficam tão ciumentas (por nunca possuir tanta beleza ou por alguém com tanta beleza) que se matam. Quem conhece a série Harry Potter vai ver que é das Samodivi que J. K. Rowling tirou sua inspiração para as personagens das Veela. A personagem Fleur Delacour, que representa a Escola de Beaubattons no Torneio Tribruxo é neta de uma Veela. 125

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Fonte: Queer Magic, por Tomás Prower.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/queer/a-espiritualidade-queer-na-europa-paga-os-celtas-e-os-vikings/