Enochiano: bases, estruturas, conceitos e fontes.

Em meio a todo o movimento hermético e suas ramificações, iniciadas pela metade do século XV, podemos notar uma série de similaridades, que podem muito contribuir em nossa apreciação do posterior trabalho de John Dee.
Marsilio Ficino, por exemplo, foi o primeiro a dar impulso a este movimento, pois procurou polarizar o platonismo com o cristianismo, e em seus esforços procurou demonstrar que haveria uma sólida e consistente tradição, vinda desde Hermes Trimegistus até Platão, tendo passado por zoroastristas, órficos e pitagóricos afirmando a necessidade do homem de atingir a autoconsciência de sua própria imortalidade e divindade, através iluminação através de uma iluminação racional (ratio), intelectual (mens) e imaginativa (spiritus e fantasia), e procurando determinar via esta polarização, que todas as coisas existem no deus afirmado na bíblia, ou emanam do deus ali citado.
Já Giovanni Pico della Mirandola, que foi discípulo de Ficino, resolveu estudar a cabala e a torah e combiná-las a filosofia, e dentre outros detalhes afirmava que o deus citado na bíblia, torah, corão e talmud criou o homem para apreciar sua obra, sendo que Mirandola afirma que o homem ascende ao status angélico, sempre que folosofa e cai no estágios de vegetal e animal, quando falha em usar sua filosofia.
Giordano Bruno que nasceu em 1548 e.v., ou seja 50 anos após a morte de Ficino, desenvolveu conceitos bem peculiares, e foi perseguido ao extremo por conta dos mesmos.
Na teoria de Bruno, o Universo é infinito, povoado por incontáveis sistemas solares, e por vezes povoados por vida inteligente, sendo que deus citado no monoteísmo, seria em sua concepção a alma universal do mundo, da qual todas as coisas materiais são manifestações que teríam justamente nascido deste principio infinito.
Estes movimentos tem todos em comum o fato de terem nascido sob o período humano chamado de Renascimento, e serem imbuídos em muito dos conceitos dos filósofos antigos, mas que principalmente continham muito de Plotino – considerado o pai do neo-platonismo – como sua mola propulsora.
Mas haviam outras coisas movendo-se sob o pano de fundo da sociedade daquela época.
Um sentimento imenso de desconforto com o fato de que, em todos os textos observados e estudados, sempre pairava a sombra da impotência perante o povo eleito, conforme citações dos livros que afirmam o dógma monoteísta. Pois não importando o esforço feito em busca do entendimento e desenvolvimento do conhecimento, dentro da temática apresentada por Bruno, Ficino, Mirandolla e outros que os seguiram, sempre aos olhos dos estudantes e mestres fica a idéia da superioridade do povo eleito, sobre os demais povos.
Isso produziu em muitos um sentimento que por vezes se reveza a vergonha com a ira, ou mesmo a inveja com o ciúme, pois para um seguidor dos preceitos do dógma, mesmo quando se tratava de um filósofo, este empecilho sempre se fazia presente. O que em suas próprias concepções era algo inadmissível, uma vez que em maioria esmagadora dos casos, os estudantes e mestres, eram todos eles de ascedência celtica ou setentrional.
E foi sob a óptica das bases acima relatadas que John Dee, que viveu entre 1527 até 1609 da vulgar era cristã, ergueu seu tratado sobre o Enochiano.
No entanto, antes mesmo de alicersarmos nossa atenção sobre as notas deixadas por Dee, voltemos a mesma para o Hermetismo e suas estruturas.
A base deste movimento está no textos que teríam sido atribuidos a Hermes Trimegistus, chamados de “Corpore Hermeticum”, que originalmente foram traduzidos para o grego por Miguel Psellus e Ulf Ospaksson, em Bizâncio, e que depois sofreram uma posterior tradução ao latim por parte de Marsilio Fisino, acima citado, sendo que muito provavelmente o texto que procede dos Sabeanos sofreu consideráveis alterações, quando passou pelas mãos de seus tradutores, sobre tudo pelas mãos de Fisino.
Sabe-se que o “Corpore Hermeticum” é um texto de características similares aquelas encontradas por exemplo entre os trabalhos dos essênios e seus antecessores, os judeus hassídicos.
Os essênios professaram culto a mítica figura de Hermes Trimegistus, por eles identificado com Enoche, sendo que o texto apócrifo que cita o contato dos anjos com as mulheres humanas, que acaba gerando os Néphelins, é creditado a figura de Enoche.
Somado a isto, devemos notar um dado interessante eu somente vem somar informações a nossos objetivos.
Houve outro povo que adotou os costumes dos essênios, cuja cidade foi originalmente usada como um posto avançado da cidade suméria de Uruk, sendo portadores dos costumes astronômicos, religiosos e simbólicos naturais dos Sumérios e Babilônicos.
Este povo era o dos harranitas ou sabeanos, também conhecidos como sabinos, como depois foram conhecidos na região atualmente chamada de Iraque.
Sua cidade, Harran, situada no norte da Mesopotâmia, foi conquistada
pelos árabes entre 633 e.v. e 643 e.v., mas apesar de convertidos ao islã, os
harranitas mantiveram suas práticas pagãs, adorando a Lua e os sete planetas
então conhecidos. Tidos como neo-platônicos, escolheram, por imposição, da
religião dominante, a figura de Hermes Trimegistus para representá-los como
profeta. Um grupo de harranitas mudou-se para Bágdá, onde mantiveram uma
comunidade distinta denominada sabinos.
Devemos notar que a isto soma-se o fato de que ali já viviam os Curdos, que em sua origem eram Yezidis, e que ofereceram forte resistência aos árabes em toda a sua história, fato este que foi tomado como estratégico para os harranitas se estabelecerem na região de Bagda – e como sabemos os Yezidis contém elementos gnósticos e mitraicos em seu culto.
Tanto Harran como a comunidade dos sabeanos em Bagdá, eram constituídas de pessoas instruídas, que dominavam o grego e tinham grande conhecimento e literatura, filosofia, lógica, astronomia, matemática, medicina, além de ciências secretas relativas a culturas dos árabes e dos gregos. Os sabinos mantiveram sua semi-independência até o século XI, quando provavelmente foram aniquilados pelas forças ortodoxas islâmicas, pois não se ouve mais falar deles à partir do ano 1000 da era vulgar.
Por volta de 1041 da era vulgar, Miguel Psellus recebeu em Bizâncio uma grande quantidade de documentos dos Sabeanos e bem como de Harran, possivelmente levados para Bizâncio por parte de caravanas de mercadores, que sabiam da imensa biblioteca que havia na cidade.
Dentre os textos harranitas que para lá foram levados, havia o “…Corpore Hermeticum…”, que é a base para o conhecimento chamado de hermético nos tempos atuais.
John Dee que foi várias vezes acusado de bruxaria, entre tantas outras formas de perseguição, veio a estreitar laços de amizade com a então princesa Elisabeth, que viria a ser Elisabeth I, a primeira rainha protestante da Inglaterra, e depois tornou-se seu conselheiro, astrólogo particular, e trabalhou como um espião para o Império Britânico, durante a guerra anglo-espanhola – termo aliás que é de sua autoria.
Foi astrônomo, astrólogo, diplomata e em particular era especialista em línguas, e sua ascendência era galesa.
Nacionalista extremado, Dee procurou em toda a sua vida servir ao seu país, e devotar seu tempo livre ao estudo do que a seu ver, seria considerada a ciência sagrada e suprema, sendo que a parte final de sua vida foi designada exclusivamente para este último.
Neste contexto, entregou-se ao estudo do hermetismo e foi grandemente influenciado pelo seu sentimento de nacionalismo em seu trabalho.
Um caso que não é único, se observarmos que pouco tempo após a morte de Dee, os presbiterianos ligados a maçonaria, vieram a promulgar o Confessio Fraternitatis – publicado na cidade alemã de Kassel em 1615 e.v. – e os outros dois documentos que são a base do Rosacrucianismo, e procuraram refúgio contra igreja, em meio ao solo Boêmio.
Na verdade, a Inquisição foi uma mola propulsora para muitos descontentes procurarem refúgio em meio a protestantes, e em meio a estes fomentarem filosofias que embora atreladas ao dogma cristão, se opusessem em alguma medida ao vaticano.
John Dee, como foi citado acima, era Gales o que por si só nos leva a apontamentos diferentes do que pretendem a maioria.
Este povo permaneceu usando o idioma nativo, o galês, e permaneceu céltico jamais sendo invadido pelos anglo-saxões, devido a belicosidade de si e bem como da natureza montanhosa daquela região.
O nome da região provém do termo germânico Wales, que significa “estrangeiro”, ligando a região e o povo dali, a uma grande quantidade de contatos com migrações setentrionais vinculadas a célticas, que por ali tenham passado.
Este termo contém em si mesmo uma série de chaves para compreensão das bases do conhecimento, e da tradição antiga.
Fixemos nossa atenção para começarmos a entender este dado na sociedade celta.
A base da sociedade celta é a família no sentido extenso da palavra, comparável ao que foi observado nas cidades gregas e romanas. Essa família se chama “fine” entre os antigos gaélicos, e se observará que dito nome procede da mesma raiz que “Gwynedd”, nome do noroeste do País de Gales, e da palavra “veneti”, nome do povo gaulês que habitava o país de Vannes, Gwened em bretão.
Veneti ou Venedotia, é também como se conhece o termo para a Britânica Veneti, que é um nome tribal pelo qual os povos Belgas da costa do Atlântico foram conhecidos e citados até mesmo por Cesar, em seu intenso contato com as Ilhas Britânicas.
Seus ancestrais vieram dos Alpes à Norte, do Lago Venetico parte dos Bodensee, e da Bavária, potencialmente também dos Thuringios – que são a fonte dos mitos modernos sobre os Anões “…dwarfs…”, que são chamados de “…Walen…”.
Também há a sequência etimológica: Wealas que resulta em “…Welshmen…”, ou “Venezianer/Venediger/Veneder” na Suiça, Austria, Bavaria e Thuringia.
Os Illyrianos conheciam o nome também, possivelmente eles trouxeram-no como “…Veneti…”, que ocorre no Norte da Itália na região de Veneza.
Estes Vannen, de características célticas e vinculados ao Gwennwed, são a fonte regional para os Deuses Vanes da tradição Nórdica, os chamados Deuses da Terra.
Como sabemos, a presença dos germânicos e dos celtas implica em uma relação de inimizade respeitada, na qual a proximidade das culturas nunca superou a belicosidade de uma para com a outra, mesmo sendo esta proximidade vívida em meio as similaridades de sua cultura e religião, como é o caso da semelhança dos deuses Vanires dos Nórdicos, com os Sdhee dos Celtas, e bem como o uso do Oghimius, originado do contato com o Elder Futhark nórdico, por parte dos celtas, que ancestralmente já usavam o oghame para si.
Estes elementos somados aos dados acima citados, todos eles fortemente solidificados na natureza tanto inventiva quanto reticente de John Dee, formaram a base para que no devido tempo em sua vida, viesse a ganhar corpo aquilo que foi conhecido como “Sistema Angélico” ou “Sistema Enochiano.
O ardente desejo de reconhecimento por parte dos esforços intelectuais, para dar sentido ao sem sentido, que foi presente marca dentro do renascimento, e que foi freqüente meio usado pelos pensadores de então, para buscar uma solução filosófica para lidar com o dogma presente na bíblia, talmud e por vezes no corão, levaram ao aparecimento e desenvolvimento do hermetismo, mas também resultaram em um beco sem saída para estas mesmas mentes ardorosas.
Pois se é fato que seus esforços acabaram por levar em consideração os povos taxados de inferioridade pelo dogma, como é o caso dos helênicos, fonte da filosofia usada por Mirandola, Marcílio Fisino e outros. E que estes mesmos esforços somente foram possíveis, graças àqueles que fazem parte de povos que jamais guardaram qualquer contato com os povos descritos nos livros do monoteísmo, e mais, que foram terminantemente taxados de inferiores por estes mesmos livros, tamanha a quantidade de bruxos e bruxas que foram parar nas fogueiras, e em uma imensa maioria dos casos, por apresentarem Inteligência se contrapondo ao Fanatismo.

Como seria possível a qualquer ser munido dos princípios da filosofia supor a si inferior, por usar-se do que é chave para dar sentido ao dogma, por mais tortuoso e inconsistente que este o seja?

A questão acima torna-se ainda mais inquietante, quando levamos em consideração a natural perseguição contra discordantes, assim como contra concorrentes diretos, que foi muito utilizada pela igreja católica, e que foi assim absorvida e mantida pelos movimentos presbiterianos, protestantes e neo-pentecostais que se seguiram.
Notemos que Lutero foi responsável direto pela morte de 100.000 pagãos somente em solo alemão, e que ele mesmo atacou publicamente e estimulou a perseguição contra judeus, como podemos observar em “Von den Juden und ihren Lügen” – Sobre os judeus e suas mentiras, escrito em 1543, quando Lutero tinha 60 anos, ou “Vom Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi” – Sobre o schem Hamphoras e sobre o sexo de Cristo – de 1544.
Este ponto de vista de perseguição contra as correntes concorrentes e contra os opositores, este sempre presente em todas formas de monoteísmo, e ocorre entre elas umas com as outras – fervorosamente – e entre elas e religiões e formas de pensamento que sejam divergentes.
No caso do protestantismo que foi absorvido pelos ingleses, esta forma de sectarismo enraizou-se severamente, na mente das pessoas que formaram aquilo que pouco depois veio a ser chamado de Império Britânico por John Dee.
Desta forma o germe da discórdia do maior de todos os pontos considerados lugar comum, por parte de hermetistas e ocultistas mesmo nos tempos modernos, foi lançado no fértil solo da mente de John Dee.
O Sistema Enochiano, estava em gestação na mente de Dee já haviam muitos anos, houveram picos do que viria a ocorrer depois durante sua vida em várias ocasiões, sendo que talvez o maior destes tenha sido aquele que ocorreu em 1564 da era vulgar, quando desenvolveu um muito conhecido e importante trabalho seu chamado “Mônada Hieroglífica”, por volta dos tempos em que serviu como um conselheiro às viagens de descoberta da Inglaterra, fornecendo auxílio técnico na navegação e o no apoio ideológico à criação de sua maior ideal de devoção o nascente Império Britânico.
Quando Dee em meados de 1582 da era vulgar, veio a desenvolver este sistema de magia, com base no que foi acima exposto podemos tranquilamente dizer que estava imbuído do máximo de seus ideais de nacionalismo, combinados aos seus pontos de vista descontentes com o tratamento deferido a seu povo, a seu ver o mais elevado, por parte tanto do dógma religioso oficial, quanto das bases do hermetismo em si.
Desta forma, torna-se tanto interessante quanto mais fácil de entender, todos os apelos “angélicos” existentes no enochiano, contra o Goétia!
Estes apelos são muito similares a outro texto vinculado ao hermetismo, que muitas pessoas até o presente momento tem em alta conta, mesmo que seja mais um manual de sectarismo do que uma obra para desenvolvimento espiritual.
Trata-se do livro da “Magia Sagrada de Abramelin” do rabino Yaakov Moelin o qual viveu aproximadamente entre 1365 e 1427, da era vulgar.
Podemos citar a respeito deste texto, alguns dados que podem esclarecer estes fatos, uma vez que logo no início o praticante é incitado com as seguintes passagens:

“…Possa o único e santíssimo deus conceder a todos a graça necessário a serem aptos a compreender e penetrar os altos mistérios da cabala e da lei, mas devem se contentar com aquilo que o senhor lhes conferir…”!
“…Em Praga encontrei um homem malvado de nome Antonio, com vinte e cinco anos de idade, que efetivamente mostrou-me coiss maravilhosas esobrenaturais, mas preserve-nos deus de cair em tão grande erro, pois o infame asseverou-me ter feito pácto com o demônio, e a este se entregara de corpo e alma, enquanto Leviatã o ludibriador lhe prometere quarenta anos de vida para agir ao seu bel-prazer…”

Um pesquisador atento, ou um praticante cauteloso, saberão nos dias de hoje que o monoteísmo é tão somente uma invenção moderna perante tantas outras modalidades de tradições antigas, e foi galgado sobre os conhecimentos das mesmas, e bem como terá em mãos os meios de determinar a veracidade de quaisquer afirmações a respeito de páctos com demônios, que em verdade são uma renomada tolice em meios ocultistas menores, uma vez que demônio é tão somente um termo de origem grega que implica em espírito, e que Leviatã é uma expressão tardia reaproveitada na tradição rabínica, cuja fonte se encontra na luta de Baal contra Lotan, e de Marduk contra Tiamat.
Se ocorrer por parte do pesquisador ou do praticante, a idéia de voltar sua atenção para dados históricos, verá que a mais antiga citação sobre “…Daemoniun…” reside no demônio socrático ou platônico, que é um gênio inventivo ligado a genialidade humana e seu desenvolvimento, tal e qual o moderno conceito de Santo Anjo Guardião dentro do ocultismo mais esclarecido, que lida com o mesmo em grande parte, na mesma medida com a qual tratamos de assuntos ligados a individuação como era vista por Jung.
Voltando então a John Dee, verifiquemos agora os meandros que residem em seus inscritos, para podermos nos instruir na melhor forma de lidar com os mesmos.
Iniciemos então os mesmos pelo parceiro de estudos e práticas de John Dee, Edward Kelly.
Edward Kelly, ou Edward Talbot, viveu entre os anos de 1555 a 1597 da era vulgar, e foi considerado como um charlatão ou mesmo criminoso pela maioria das pessoas de sua época.
Em meados de 1582 e.v., entrou em contato com John Dee que por volta desta época já estava descontente com os sistemas ritualísticos de seu tempo, pois desejava ardentemente tomar contato apenas com o conhecimento sagrado e mais elevado, desdenhando imediatamente tudo que pudesse estar correlacionado com baixa magia ou demonologia, por seu ponto de vista pessoal.
Dee já se utilizava de uma vidente, procurando respostas a suas questões, mas não estava produzindo bons resultados em seu empreendimento naquele período.
Ocorre que Kelly soube que Dee desejava encontrar um médium para seus experimentos, e bem como sabia da influência e das vantagens que Dee possuía perante a corte britânica, por conta de sua ligação pessoal com a Rainha Elisabeth I.
Havia também outros pretendentes ao cargo de auxiliar para o Doutor Dee, mas Kelly aproveitou-se de uma distração e fez com que uma pedra escura aparecesse em um local estratégico, no momento mais oportuno, levando então John Dee a acreditar que ele seria a escolha perfeita para desenvolver seus experimentos. Esta pedra veio a ser o cristal usado nos experimentos vinculados a “Pedra da Observação”, usada no Sistema Enochiano, que inclusive é fonte para tantos e tantos livros e filmes contendo “…Bolas de Cristal…”, que chegaram ao conhecimento de toda a sociedade, até os dias de hoje.
É dito que ele fingiu estar em transe sob influência do Anjo Michael, e desta forma ter influência Dee a pagar-lhe uma verdadeira fortuna mensal, que seria o devido pagamento pelo julgamento do anjo, para honrar os serviços de “tão nobre auxiliar”, e bem como se diz que Kelly chegou a conversar via um espelho, com os 72 anjos herméticos, vinculados a um texto chamado “Chave Maior de Salomão”, que aborda os quinários da astrologia, sob o ponto de vista rabínico e hermético menor.
A maioria das pessoas sempre se pergunta, perguntou mesmo perguntará como é possível que alguém tão esclarecido para tantos assuntos como John Dee, pôde ser enganado tanto e por tanto tempo, pelas artimanhas de Kelly.
Quanto a isso, temos o talento de Edward Kelly – também conhecido como Edward Talbot, quando falsificava documentos – com um verdadeiro mestre na arte de representar, e também que no decorrer do tempo ocorreram coisas durante o contato de Dee e de Kelly, que fizeram até mesmo com que Kelly o mais conhecido falsário de sua época, sucumbisse a arroubos de insanidade, no final de sua vida.
Durante as etapas que se desenrolaram, sob a mediunidade de Kelly começaram a transcorrer contatos com várias entidades diferentes, taxadas por Dee e Kelly no transcurso do nascimento do Enochiano como anjos, como foi o caso de “…Ave…”, que instruiu Dee através de Kelly em vários momentos e em várias seções de invocação.
Em dado momento, os anjos assustaram tanto Kelly, que ele instigou Dee a desistir, dizia que na verdade estavam tomando contato com demônios, pois o que propunham era algo absurdo em todos os sentidos, tanto para época quanto para o dogma que regia a vida de ambos, pois através de Kelly chegou a deixar uma suspeita de que deveriam os dois deitarem-se juntos – coisa que acabou se desenvolvendo na famosa troca de esposas entre Dee e Kelly – e no último contato propriamente dito, o “anjo” se apresentou e deixou bem claro a ambos que “…o conhecimento que estavam desfrutando destruiria completamente a sociedade humana…”!
Este último golpe foi demais para tanto para Kelly quanto para Dee, sendo que ambos definitivamente se separaram em 1588 e.v. .
John Dee morreu em 1609 da era vulgar, não estando mais nas graças da coroa, pois o Rei James não era favorável as práticas de Dee, como foi o caso da Rainha Elisabeth I.
Kelly, contudo, faleceu bem antes em 1597 e.v., tendo vivido uma opulenta vida sob a corte do Rei Rudolf II em Praga, prometendo-lhe por muitos anos que produziria “…Ouro Alquímico…”, que se gabava constantemente saber produzir.
Rudolf cansou-se de Kelly e atirou-o em uma masmorra até que este viesse a produzir o tal “…Ouro Alquímico…”, quando falhou pela segunda vez foi novamente preso, desta vez no Castelo de Hněvín, e é da opinião da maioria que a corda que usou para tentar fugir era muito curta, e ele quebrou uma perna ao cair da torre, morrendo em decorrência dos ferimentos.
Dentre os mais interessantes detalhes do Enochiano e dos contatos que Dee e Kelly tiveram por meio dele, podemos citar as severas advertência contra o uso do Goétia, que pela óptica dos supostos anjos “foi o motivo da queda da humanidade”.
Isso é inquietante, por muitos motivos, e o mais interessante deles é que o ponto de vista comum sobre os assim chamados demônios, apresenta aos mesmos como sendo portadores de doenças, desvios de comportamentos e depravações, que são os meios usuais pelos quais em teoria arrastariam a alma dos humanos para o inferno.
Isso se choca diretamente com as observações dos ditos “anjos enochianos” que apareceram para Dee e Kelly, pois ambos afirmaram categoricamente que “nada seria motivo de pecado” e os instigaram a deitarem-se unidos, coisa que é inadmissível pelo dogma bíblico, talmúdico, corânico e bem como rabínico.
Outra coisa que é inquietante no texto, e que nos faz muito especular, são as afirmações que de que as adorações jamais deveriam se voltar a “Iaseus Christus” e sim a deus único, dentro do ponto de vista dos seres que tomaram contato com Kelly e Dee. Pois sabemos que houveram cultos heréticos que foram perseguidos com violência pela igreja católica, que afirmavam justamente isto, como foi por exemplo o caso do arianismo pregado pelo padre ário, que foi absorvido como culto pelos Visigodos quando vieram a entrar em decadência e se converteram ao monoteísmo, mas que não aceitavam em nenhuma hipótese prestar culto a “cristo”. E justamente este fato em si, encaixa-se como uma luva com o sentimento de ultra-nacionalismo de John Dee, assim como outros motivos acima citados.
Agora observemos a natureza essencial do enochiano, na forma como Dee e Kelly o apresentaram e destrincharam, pois por meio disto poderemos entender muitas chaves e elementos que até hoje não foram combinados aos mesmos, e que os explicam em todos os sentidos.
Durante os contatos com os “seres enochianos”, foram destilados extensos relatórios que Dee minuciosamente copiava, acerca de tudo que Kelly proferia ao observar o cristal escuro escolhido para as práticas, que foi acima citado.
Dentro destes relatórios que geraram detalhados grimórios e documentos, foram organizadas Letras do Alfabeto Enochiano, Chaves de Invocação, Detalhes sobre as Regiões Celestes Enochianas ou Aethyrs, Seres e Séquitos ou Cortes Enochianas, e metodologia que em todos os sentidos estava vinculada aos detalhes mais conhecidos do Hermetismo.
Quanto as Chaves Enochianas, foram organizadas em número de 19, sendo que a última serve exclusivamente para abrir os Aethyrs Enochianos, e as duas primeiras servem, na temática usada dentro da Golden Dawn e Aurum Solens por exemplo, para convocar todos os Aetryrs – Segunda Chave Enochiana – e a primeira para invocar os quatro Reis Enochianos e seus respectivos séquitos.
Esta visão também é partilhada por thelemitas.
No entanto, estudos mais apurados também apontam para formas diferentes de agir quanto ao enochiano, como por exemplo demonstra Donald Tyson ao lembrar aos leitores de seus trabalhos sobre este tema, de que nunca os ditos “anjos” deram permissão de uso e invocação da maioria dos detalhes que eram passados para Dee e Kelly, e que o método de trabalho se faria especificamente de forma invocativa, e sem círculo mágico, na versão original que ambos receberam dos seres enochianos, e que Dee e Kelly jamais usaram por não lhes ter sido dada a permissão para tanto.
Ambos os métodos, o original e o de uso das organizações mágicas, funcionam e atendem aos objetivos dos que praticam via o método enochiano, e isto muitos dizem que se deve a força da fonética da língua e mesmo dos símbolos vinculados ao caracteres do enochiano, que desencadeiam uma cadência naturalmente gutural em sua entonação, sem mencionar a violência natural contida na leitura da tradução das Chaves Enochianas, como por exemplo é o caso da Décima Chave Enochiana:
“…Coraxo chis cormp od blans lucal aziazor paeb sobol ilonon chis OP virq eophan od raclir, maasi bagle caosgi, di ialpon dosig od basgim; Od oxex dazis siatris od saibrox, cinxir faboan. Unal chis const ds DAOX cocasg ol oanio yorb voh m gizyax, od math cocasg plosi molvi ds page ip, larag om dron matorb cocasb emna. L Patralx yolci matb, nomig monons olora gnay angelard. Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Noib Ohio! Casgon, bagle madrid i zir, od chiso drilpa. Niiso! Crip ip Nidali…”
“…Os Trovões do Juízo da Ira estão numerados e descansam no Norte, semelhantes a um carvalho cujos ramos são ninhos, 22, de lamentações e lágrimas, caídas sobre a Terra, que queimam noite e dia, e vomitam cabeças de escorpiões e enxofre ardente misturado com veneno. Estes são os Trovões que 5678 vezes na 24ª parte de um momento rugem com centenas de poderosos terremotos e milhares de vezes tantas ondas que não descansam, e não conhecem qualquer tempo de calmaria. Aqui uma pedra produz 1000, da mesma forma que o coração do homem produz seus pensamentos. Maldita, maldita, maldita, maldita, maldita, maldita! Sim, maldita seja a Terra, pois a iniqüidade é, foi e será grande. Ide! Mas não vossos ruídos!…”
No entanto, exatamente aqui começamos a usar de outros métodos de entendimento, que podemos afirmar com razoável chance de êxito, terem sido os mesmos de John Dee e Edward Kelly, para compor a tradição enochiana.
Sabemos que tanto Dee quanto Kelly se interessavam por estudos sobre Hermetismo e sobre o Sobrenatural, mais especificamente voltados para a natureza dogmática que habitava em ambos.
E sabemos que Dee em seus estudos sobre hermetismo, como por exemplo atesta seu texto “Mônada Hieroglífica”, conhecia bem os documentos que engendraram o hermetismo, bem como o pensamento dos que foram seus progenitores nos tempos na verdade muito próximos aos dele mesmo, sendo que Marsilio Fisino fez uma cópia e tradução do “Corpore Hermeticum” – apenas 100 anos antes de Dee começar a suas pesquisas com Hermetismo – e que Miguel Psellus já havia traduzido para o grego este texto com o auxílio de Ulf Ospaksson, meio milênio antes.
Sabendo então que Hermes Trimegistus é chamado de Enoche pelos essênios e pelos que adotaram muitos dos costumes dos essênios em suas peregrinações até Bagda – os Harranitas ou Sabeanos – sem mencionar a própria natureza ligada ao mitraísmo e gnosticismo dos Curdos e Yezidis sob os quais foram se proteger dos árabes.
E principalmente que foram estes mesmos harranitas ou sabeanos que escreveram o texto que Psellus e posteriormente Marsilio Fisino, viriam a traduzir e que tem por nome “…Corpore Hermeticum…”.
Começa a ficar muito claro qual foi o principal ponto de motivação de John Dee para nomear seu sistema como “Enochiano”, ou angélico – dado o já conhecido fato ligando os Nefelins com as mulheres humanas creditado a história de Enoche, em um apócrifo.
Mas devemos ir muito além disto, devemos penetrar na mente do Doutor Dee, e seguir seus pontos de motivação pessoal, sua indignação, seu nacionalismo extremado e bem como sua idiossincrasia arraigada em seu ser, e cuja origem se mostrou presente em seu trabalho.

Como sabemos Dee era de origem “Wale” ou Galês , ou seja estrangeiro, e que este povo foi o último a perder o seu sentido de identidade e de língua em todo o império britânico, o que implica em Dee conhecer bem por parte de sua família a língua de seus ancestrais, coisa que deve lhe ter muito valido, pois ele era um especialista em línguas, e por conta disto e de seus conhecimentos em várias áreas, foi escolhido como diplomata e espião pela Rainha.
A necessidade natural de provar o próprio valor e o valor do povo, e da identidade fervorosamente arraigada naquilo que foi chamada de reforma protestante que começou com Lutero, para este mesmo conceito de império britânico, com o conteúdo de pleitear que o mesmo fosse entendido como a verdadeira nação sagrada, como verdadeiro povo eleito, são as peças de encaixe final que nos faltam para compreender uma parte do Sistema Enochiano.
Pois Dee ao entender melhor do que muitos em sua época, das raízes semânticas e lingüísticas de seus ancestrais, e de outros povos, viu a necessidade de expressar uma língua sagrada e um verbo sagrado, que fossem mais precisos a seu ver para demonstrar a natureza do povo eleito, conforme nossas suposições avançam – embora o façam embasadas na lógica e no raciocínio.
Desta forma não somente os textos e contatos acima, que parecem se alinhar ou com os processos da assim chamada reforma protestante, ou com os caminhos de cultos taxados como heréticos pela igreja católica. Mas também, muito do simbolismo usado, parece ter caminhado neste sentido.
Se observarmos outro ponto forte do Enochiano, seu Alfabeto, notaremos algumas coisas no mínimo estranhíssimas.
Vejamos que “Une”, que corresponde a fonética do “A”, liga-se a perspectiva de espírito e leveza, ao mesmo tempo que “Veh” que corresponde a fonética do “C” implica em fogo e criatividade.
E que este Alfabeto foi dividido em 3 grupos de 7 letras em cada um.
Até aqui tudo parece extremamente original, e para a maioria das pessoas assim o é.
Mas será que as coisas são assim mesmo?
Como já foi dito, John Dee conhecia muito bem línguas e bem como a língua de seus ancestrais, e que os mesmos eram os “Wales” uma palavra de origem Nórdica ou Germânica, que implica em estrangeiro, e que este povo foi o mais feroz em guardar sua língua e suas tradições, em meio a outros povos como os Escoceses e os Ingleses.
Se levarmos em consideração estes dados, e nos atermos simplesmente a história e etimologia, veremos que há também outro alfabeto que possuí um caractere de fonética “A” ligado a vento, espírito e leveza, da mesma forma que seu caractere de fonética “C”, liga-se ao fogo e a criatividade. E que este mesmo alfabeto igualmente se divide em 3 grupos, contudo de 8 letras, que são chamados na língua deste povo setentrional que dele se usa, de Aetts – extremamente similar a fonética Aethyr por sinal – e que inclusive tanto este povo é aparentado com os “Wales”, quanto influenciou na formação geral dos caracteres do Oghimius dos celtas na Europa.
Mas muitas questões serão levantadas contra isto, se não fosse a problemática da similaridade das afirmações enochianas sobre “Iaseus Christos” não dever ser adorado em nome de Iaida, termo enochiano para a palavra “Altíssimo”, como ocorreu com o arianismo abraçado pelos Viosigodos, que foi um fato de conhecimento apenas dos homens que puderam ter cultura na época de Dee, o que o incluí entre os mesmos.
Altíssimo é também um termo usado para designar o deus pai maior dos povos setentrionais, contudo ali chamado de “Har”, mas que se liga justamente ao caractere que dá nome aos deuses ali cultuados, aos “Ases” ligados ao caractere “As”, que foi absorvido e usado pelos Boêmios e outros hermetistas, para dar nome a raiz dos poderes de fogo, ar, água e terra dentro da temática do taro, e das permutações da escala platônica de fogo, ar, água e terra chamadas pelos herméticos de “Tetragrammaton”.
Em meio ao Enochiano nos deparamos com muitos termos e colocações, que em si mesmos não parecem corroborar com este ponto de vista – a primara vista é claro – mas logo chegamos ao termo enochiano “Mikaleso”, cuja raiz está no Old Norse “Miklas”, que tanto em enochiano quanto em Nórdico, quer dizer “Poderoso”.
Desta forma, John Dee procurou usar da temática que lhe era comum tanto por herança de família, como por julgar que esta seria a natureza mais acertada para dar impulso a sua visão de um império britânico, movido por um povo com uma verdadeira palavra e verbos divinos, que o movessem em direção a glória que em seu nacionalismo fervoroso, considerava como sendo de seu direito, e relegando o velho testamento e o novo testamento a uma visão ultrapassada, sob suas perspectivas, que deveria dar passagem a uma revelação mais coesa com os pontos de vista que estavam se formando na Europa daquele período, como acima foi citado, e sob a regência do nascente império britânico.
Notando a organização enochiana, onde aparecem Reis, príncipes e citações sobre o séquito dos mesmos, organizados e orientados nas 4 Tábuas Elementais somadas a Tábua da União, taxada como sendo a Tábua de Espírito, podemos perceber os elementos herméticos completamente dispostos nas mesmas.
Notando que 3 Chaves Enochianas já foram citadas acima, e a grosso modo seus usos dentro do enochiano, sobram então as Chaves que vão de 3 a 18, perfazendo um total de mais 16 Chaves Enochianas.
Pela óptica adotada dentro das organizações do passado e das atuais, e pela origem em grande parte hermética do trabalho do Doutor Dee, estas 16 Chaves Enochianas, se posicionam na escala de fogo, ar, água e terra usada dentro do hermetismo com base no cabalismo, cuja origem é neo-platônica em todos os sentidos.
E desta forma temos da 3ª até a 6ª Chaves justamente a escala de Ar do Ar, Água da Água, Terra da Terra e Fogo do Fogo.
Da 7ª até a 9ª Chaves teremos Água do Ar, Terra do Ar e Fogo do Ar.
Da 10ª até a 12ª Chaves teremos Ar da Água, Terra da Água e Fogo da Água.
Da 13ª até a 15ª Chaves teremos Ar da Terra, Água da Terra e Fogo da Terra.
Da 16ª até a 18ª Chaves teremos Ar do Fogo, Água do Fogo e Terra do Fogo.
Que são escalas totalmente atreladas ao desenvolvimento conseqüente das 20 letras entre as 4 Torres de Vigília Enochianas, as Tábuas Elementais, que foram utilizadas mais recentemente aos trabalhos de Dee, para formarem a Tábua da União, que encerra o maior segredo dentro das práticas cabalístico herméticas dos tempos atuais.
Estas letras foram organizadas de tal forma que formam os nomes de Ar (Exarp), Água(Hcoma), Terra (Nanta) e Fogo (Bitom).
As primeiras letras de cada um dos nomes em enochiano acima, são representações dos Reis Elementais e de sua Corte, e são explicitamente ativados pela entonação da Primeira Chave Enochiana, pela aplicação das Ordens.
As outras 16 letras, correspondem justamente as permutações de fogo, ar, água e terra que foram acima citadas, vinculadas a escala platônica que aparece na cabala com algumas diferenças, e que ao se utilizar de uma das 16 Chaves Elementais acima relatadas, ativam-se uma das Letras da Tábua da União no mesmo instante.
Que se vinculam por sua vez aos 16 sub-quadrantes elementais das 4 Torres de Vigília Enochianas, ou 4 Tábuas Elementais.
Estas quatro Tábuas Elementais, vinculadas as letras da Tábua da União, são dividias em uma proporção 12×13 quadrados em cada uma, 156 no total. Cada tábua é atribuída a um dos quatro elementos: Ar, Água – da esquerda para direita na área superior – Terra e Fogo – da esquerda para direita na área inferior.
Adicionalmente, cada Tábua possui quatro sub-quadrantes. Estes são arranjados em 5×6 e posicionados em cada canto da tábua em questão. Também são atribuídos aos quatro elementos.
Por exemplo, na Tábua do Ar, você terá um sub-quadrante do Ar correspondendo ao Ar do Ar; o sub-quadrante correspondente a Água do Ar; o sub-quadrante da Terra representando a Terra do Ar; e o sub-quadrante do Fogo para Fogo do Ar.
Cada sub-quadrante contém uma Cruz Sephirotica que é a 3ª Coluna e 2ª Linha do sub-quadrante. Contém os Nomes de Deus do sub-quadrante. Os quadros com letras na Cruz são chamados Quadros Sephiroticos.
A primeira linha de um sub-quadrante (com exceção da 3ª coluna) é chamado os Quadros dos Querubins.
Linhas 3-6 de um sub-quadrante (com exceção da Coluna 3) são chamadas os Quadros Servientes.
Com os sub-quadrante destacados, uma cruz é revelada no centro da Tábua. Esta cruz é atribuída ao elemento místico do Espírito e contém os nomes de Deus, o Rei (cujo nome obrigatoriamente tem 8 letras), e os 6 Senhores Enochianos (cujos nomes obrigatoriamente tem 7 letras), da Tábua em questão.
A 7ª Linha da tábua é chamada a Linha do Espírito Santo ou Linea Spiritus Sancti.
A 6ª Coluna da tábua é chamada a Linha do Pai ou Linea Patris.
A 7ª Coluna da tábua é chamada a Linha do Filho ou Linea Filii.
Quando as quatro tábuas elementares são colocadas junto como as Torres de Vigia, a divisórias entre as tábuas são chamadas a Cruz Negra e são atribuídas ao Espírito (Tábua da União).

E é precisamente aqui que encontramos o maior fator de surpresa no hermetismo e no Sistema Enochiano, quando observamos a estrutura do universo que é apresentada no organograma das Torres e da Tábua da União, e na conjugação de seus símbolos.
É dito que um caractere enochiano que está sobrando na Torre Elemental da Água, cujo som seria o mesmo de “L” e a designação enochiana seria “Ure”, na verdade ali subsiste para entrar em União com as 20 letras da Tábua da União, e gerar desta forma os 3 nomes de 7 letras dos 3 Governadores do Aetryr do Abismo, cujo nome é Zax, e que é o maior terror dos praticantes de hermetismo, cabalismo e tradições ligadas ao ocultismo, pois o mesmo é tal e qual a Daath citada pela cabala, sobretudo a hermética, e mais, este abismo enochiano é o lar daquilo que se descreve como o mais poderoso “demônio” da criação, pelo ponto de vista monoteísta, ou seja “Choronzon”, a dissolução.
Em outras palavras, ao se lidar com cada parte do Enochiano, com cada elemento, cada ser ou cada letra, o estudante e praticante estão invocando a própria natureza do Abismo para dentro de si, e para sua volta, pois o lar de Choronzon, o abismo Zax, é e subsiste em cada uma e todas as coisas a sua volta, e pela óptica do Enochiano, assim o é mesmo quando não se está consciente do mesmo.
Se o abismo é tamanha fonte de terror para as mentes dos hermetistas praticantes ou não de enochiano, podemos então imaginar o horror dos mesmos quando finalmente se deparam em seus estudos e práticas com estes dados, e quando pesquisam a vida de John Dee e de Edward Kelly, e desembocam diretamente nas incitações dos ditos “anjos”, levando-os a práticas consideradas imorais para seu tempo, e afirmando blasfêmias inimagináveis para suas mentes dogmáticas, tais como a já citada frase que afirma a total destruição da sociedade que Dee e Kelly conheciam.
O que nos leva a concepção de que em meio aos esquemas e estratagemas de Kelly, e do fervor nacionalista de Dee, entremeado ao dogmatismo de ambos, o sistema que serviu de âncora para gerar o enochiano, justamente a raiz germânica acima citada, começou a resvalar na psique de ambos, e veio a se manifestar depois de algum tempo de invocações e usos de linguagem aproximada, causando os choques acima citados, e bem como os temores ligados aos mesmos.
Pois é fato conhecido que o puritanismo e preconceitos sexuais exigidos dentro do dogmatismo do monoteísmo, em verdade não existiam na sociedade original dos “Wales”e dos Nórdicos, e na verdade justamente os costumes destes povos nos dão uma pista muito interessante a respeito dos meios usados por Dee, para suas técnicas de observação e viagem pelos Aethyrs Enochianos, e bem como a respeito das tais advertências contra as práticas Goéticas, uma vez que por goéticas entendam-se todas as formas não monoteístas ou não cristãs, tanto para Kelly quanto para Dee.
Dentre os Celtas podemos encontrar o culto aos Sdhee, que é o termo pelo qual os deuses célticos são efetivamente conhecidos, sendo que os mesmos são também chamados pelos ingleses de Elfos, que é uma derivação do Old Norse do termo Alf, que implica exatamente na mesma coisa.
Este culto aos Sdhee é extremamente próximo e aparentado ao culto Vanir, inclusive a mais conhecida deusa setentrional vinculada ao panteão dos deuses da terra, entre os povos setentrionais, é Freija, que é chamada de Vanadis e bem como de Seidh Lady ( Senhora do Seidhr).
Seidhr é uma técnica de transe para viagem a outros mundos na tradição nórdica, e sua raízes é a mesma da palavra Sdhee, como acima citada, bem como da raiz da palavra indo-ária siddhi – que quer dizer virtude ou poder.
O transe seidhr implica em êxtase sexual como catalisador dos eventos em si.
Isto explica o motivo pelo qual o ser enochiano que tomou contato com Kelly e Dee, ter exigido que os dois se deitassem juntos, ou que suas esposas fossem trocadas. Pois havia entre os nórdicos ligados aos povos vanires, sacerdotes de Freir – deus vanir irmão de Freija – e de Freija que eram taxados como “Erg”, que quer dizer homossexual, e que se afeminavam para efetuar o transe seidhr como as seidkhonas – feiticeiras – o faziam.
Mas nos é muito interessante que um certo tema seja básico, tanto nos trabalhos ligados ao Enochiano, quanto naquilo que acima foi citado como o “…Abramelin…”. Este tema, como já se pode perceber é o que aborda os trabalhos acerca do Santo Anjo Guardião!
É comum que em todos os trabalhos ligados a gnose, hermetismo, ocultismo, thelemismo e bem como enochiano, o assunto do S.A.G. venha a tona.
É dito que sem o S.A.G., fazer uma invocação de qualquer tipo ligada tanto a ditos anjos quanto a ditos demônios, resultaria em auto destruição ou loucura para o praticante.
No entanto sabemos que todos os seres goéticos e demais seres que foram taxados de demônios pelas formas de monoteísmo que existem desde os atos de akhenaton, tendo-o como sua fonte, nada mais são do que as fontes reais para a sustentação do monoteísmo, uma vez que o politeísmo é o tema básico que com suas tradições, veio a alimentar os símbolos do monoteísmo, via os atos de sacerdotes inconseqüentes e inescrupulosos.
Desta forma, torna-se senão ridículo inútil permanecer com os pensamentos voltados a estes temas, ao abordar as artes cerimoniais.
S.A.G. liga-se aos assuntos abordados por Jung no que tratava como sendo o conceito de Individuação, apenas que em um nível muito mais intenso e mais alto do que ele mesmo poderia chegar a supor, apesar de ter usado o Bardo Todol, como uma de suas fontes principais de inspiração. E se viéssemos a estabelecer um procedimento para aferir o desenrolar do desenvolvimento de cada praticante, e bem como os efeitos disto em seu ser, teríamos necessariamente tanto que aferir quanto do cérebro o praticante passa a utilizar, quando o contato com seu inconsciente superior passa a banhar a relação do inconsciente inferior com o consciente, quanto aferir quanto do inconsciente passou a ser tanto conhecido como conscientemente experimentado pelo praticante.
Nesta conceituação entraríamos então na essência do que os atavismos se despertando no ser, realmente fazem ao mesmo, e isto em verdade lida com o que trazemos de herança antiga de nossos antepassados, o que em si é a fonte e a explicação para o Enochiano, que em si é uma criação com vistas ao nacionalismo extremado, pode tanto ser forte como é, quanto ser potente para várias modalidades invocativas, evocativas e experimentais, inclusive podendo ser combinado aos estilos que lidam com a temática dos centros psíquicos humanos.
Ou seja, que Kelly e Dee despertaram via seus trabalhos baseados na língua antiga dos “Wales” e em suas fontes etimológicas, e pelo uso do transe frente o cristal escuro, traços dos cultos antigos, que paulatinamente ganharam força e vida no decorrer dos trabalhos feitos, tanto no caso original de John Dee e Edward Kelly, quanto nos de tantos outros praticantes, como e principalmente é o caso de Aleister Crowley, que fez a façanha de percorrer e catalogar tudo o que pôde ver nos 30 Aethyrs Enochianos.
Desta forma, o Santo Anjo Guardião é plenamente compreendido quando se tem em mente suas ligações com os termos que geram a palavra Self – Sdhee e Alf – pois tal e qual o Xintoísmo, a tradição setentrional alerta para o fato de que tudo guarda vida em si, e bem como um wyrd próprio – destino próprio, aproximadamente como o carma – e tudo tem vida ou essência, sendo o Alf que dá vida a uma planta ou animal o conceito aqui citado. Fato este que colabora em muito para o nosso entendimento das correlações dos atavismos ligados as fontes do Enochiano, com as forças em si que ganharam passagem e vida por outras vias, emprestando-lhes sentido e força, exatamente como fizeram com o Sistema Mágico que John Dee e Eward Kelly “revelaram” ao mundo.
Agora, voltando a Aleister Crowley, poderemos estender esta abordagem sutil ao enochiano, contudo munidos do necessário para alçar entendimento além dos limites impostos até então.
Como foi acima citado, Crowley é celebrado como o primeiro – alguns dizem que o único – que viajou por todos os 30 Aethyrs, catalogou o que viu, e deixou indicações claras para quem quisesse se arriscar a seguir seus passos.
Contudo, notamos que o trabalho de Crowley seguiu a temática proposta por Dee, de guiar-se em direção a formula nacionalista apresentada por este, com base no conceito do império britânico.
Podemos dizer inclusive que ambos possuíam outros pontos em comum, além do fato de serem ingleses, pois se John Dee foi aceito entre os membros fundadores do Trinity College d Cambridge, Aleister Crowley, estudou no mesmo a partir de 1.985 e.v e lá se destacou em meios aos estudantes.
No Liber 418, Crowley cita a fórmula cabalística em meio a todos os Aethyrs, entremeados de recomendações e detalhes que são posicionados de tal forma que criem a temática da queda do Aeon de dos deuses dos escravos, o Aeon de Osiris, e bem como lentamente mostrem a ascensão do Aeon da Criança conquistadora e Orgulhosa, que é o centro de seus trabalhos mágicos, e por fim complementa os receios e temores vinculados ao abismo, quando aborda o Décimo Aethyr, ZAX, para apresentar uma ascensão pelos aspectos derivados da escala de atziluth, briah, yetzirah e assyah presentes na cabala, e que são mais uma vez uma apresentação da escala dos elementos platônicos de fogo, ar, água e terra.
Se apreciarmos as passagens abaixo, que são excertos retirados das citações contidas no Aethyr ZAX, dentro do Liber 418, poderemos compreender mais:
“…Se tu não podes comandar-me pelo poder do Altíssimo, saiba que eu indubitavelmente tentá-lo-ei e isso me causará arrependimento. Eu me curvo ante os grandes e terríveis nomes que usaste para me conjurar e confinar. Todavia, teu nome é misericórdia e eu brado por perdão. Que eu ponha então minha cabeça entre teus pés para que possa servi-lo. Porém, se tu me mandas obedecer pelos Sagrados nomes, eu não posso me curvar assim, pois seus primeiros sussurros são maiores que o ribombar de todas as minhas tempestades. Peça-me então para que chegue a ti e assim adorar-te e partilhar de tuas bênçãos. Não é infinita a tua misericórdia?…”
“…Eu me alimento nos nomes do Altíssimo. Eu esmago-os em minhas mandíbulas eu evacuo do meu fundamento. Eu não temo o poder do Pentagrama, pois sou o Mestre do Triângulo. Meu nome é trezentos e trinta e três que é três vezes um. Atentai, pois te previno que estou preste a ludibriar-te. Proferirei palavras que tu usarás para invocar o Aethyr e as escreverás pensando serem grandes segredos de poder Mágico todavia, não passarão de escárnio…”
Tal passagem acima teria sido citada por Choronzon, o Arqui-demônio que habita em ZAX, e que é a dispersão em si mesmo, encarnando em si todos os terrores que são citados a respeito da temática da Sephirah Daath, vista como uma entrada que dá diretamente no que a cabala chama de Árvore da Morte, composta por Qlipoth, que são os lares dos demônios citados dentro da bíblia, corão, talmud e torah.
As Sephiroth são citadas em uma tradução mais aproximada, como “…os papiros…”, e as Qlipoth, são citadas em tradução mais aproximada, como sendo “…as cascas…”, sendo que o termo rabínico usado para se referir as primeiras é “…Esposas…” e em relação as Qlipoth “…Prostitutas…”.
Sabe-se que isto implica apenas e tão somente no fato de que as ditas “…esposas…” são somente tocadas e manipuladas pelo esposo – dando margem a idéia cabalística de ruach e nephesh, alma e corpo, esposo e esposa – que é o sacerdote dentro da temática cabalística, e as “…prostitutas…” necessariamente são aquelas que vem a ser manipuladas pelas mãos de todos os outros, e que não tem vínculos exclusivos com o sacerdote, e mais que em nenhum momento o obedecem.
O Talmud vai além, e afirma que Qlipoth é o nome que é dado a alma dos que não fazem parte do povo eleito – coisa que explica em muito o antagonismo gerado contra o mesmo, por parte de outros estilos de monoteísmo, e presente na temática de muitos hermetistas, mesmo que sutilmente.
Desta forma, entenderemos que houve uma forma de adulteração na temática do contato coligado com o Enochiano, tanto em sua raiz quanto nos movimentos que posteriormente usaram-se dele.
Após o Aethyr 10º, vem a descrição de um Aethyr de nome ZIP que lida com a temática do adentrar na cidade das pirâmides, que é uma representação daquele que foi além da Daath da cabala, e entrou no local onde reside Aima Helohim e Ama Helohim, vistas como Babalon, ali mais uma vez ocorre referência ao tema da Rosa e da Cruz, que em verdade formam o Brasão de Armas de Luthero, algo que escapa aos usuários e que deveria ter sido repensado pelo modelo thelemico do período, por representar um modelo do Aeon dos Escravos.
Da mesma forma que houve sobreposições de muitos símbolos para compor as estruturas psicológicas da “…Visão e da Voz…”, precisamente as descrições do Liber 418, o modelo cabalístico serviu de suporte em alguns momentos, e a simbologia ligada ao número 8 e seu contexto em tanto quanto um modelo que se encaixa nos padrões, estruturas e natureza de Hermes o mensageiro dos deuses, também aqui o Aethyr Oitavo ZID, é descrito como o mensageiro dos deuses para o praticante, pois as instruções o coligam com a experiência do Santo Anjo Guardião, como acima foi citado, e isto é muito estranho uma vez que muito abaixo da escala do que é chamado de Três Sephiroth Supremas, o Contato e a Conversação com o Santo Anjo Guardião, são exigência mínima para conhecer a verdadeira vontade, e poder desta forma atravessar o Abismo ou ZAX.
No entanto, lembramo-nos que o “…Sdhee Alf…”, mensageiro da Lei pessoal e intransferível da divindade de cada homem ou mulher que o podem convocar, tem a missão de serem os portadores da Lei, e não a mesma, e desta forma o entendimento de que se trata do comprometimento final do ser com sua verdadeira vontade, brinda aos que estão atentos.
Em DEO, o Aethyr seguinte, citada é a Estrela Vespertina, Lúcifer, que é o planeta Vênus e bem como um símbolo do que é chamado de Netzach na cabala, em total sintonia com a idéia numérica do cabalismo, como acima já foi alertado, e que saturno exaltado em Libra contém também o seu contrário, no segundo decanato de capricórnio, regido por Astaroth, o qual é Astarte e Inanna, Deusa Suméria da Cidadela de Uruk, senhora escarlate da guerra, sexo e magia, celebrada também como Deusa-Mãe, e sendo venerada como Athirat, também chamada Asherah, Astarte ou Anat e, da mesma forma que no culto de Inanna, seus sacerdotes transexuais, os Qedshtu, extraíam seus órgãos sexuais para executarem os ritos, muitas vezes sexuais ligados a deusa da Estrela da Manhã.
O amor ali citado contém sua fonte nesta deusa e a chave real disto, que como podemos ver também se conecta nos conceitos ligados a Freia e a Freir, como foi acima citado, explica-nos todos os detalhes vinculados a idéia conectada com os chamados Irmãos Negros, ligados a este Aethyr, que dizem ser aquele até onde os mesmos podem atingir, pois estes que se negam a deixar seu sangue adentrar na copa das abominações de Babalon, na temática da visão do décimo primeiro grau como foi explanado por Crowley, não podem ser “…tais e quais noivas…”, que é um termo que conecta todos os praticantes dentro da Argentum Astrum, e muitos mistérios ligados a esta fórmula mágica do Amor, ou Ágape, correlacionam-se com o sacerdócio de Freir, e bem como o Sacerdócio Masculino de Inanna, que é a Senhora das Abominações da Babilônia. Desta forma as chaves ocultas para adentrar os sacramentos como Crowley os via, passam necessariamente pelo entendimento destes símbolos e em sua aplicação.
No entanto, esta é apenas uma visão a respeito dos sacramentos superiores, e não é nem a melhor e nem a única.
No Aethyr seguinte, MAS, Crowley usa-se de uma passagem bíblica retirada do genesis – 19:32-33,35 – sobre as filhas de Ló, que o embriagaram para se deitarem com ele, a título de “…povoar a terra…”:
“…Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai. E deram de beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai…E deram de beber vinho a seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou…”
Notemos a similaridade contida no texto deste Aethyr, para representar as ditas 3 Tradições Mágicas – Branca, Amarela e Negra – que na teoria hermética e cabalística, abrangeriam o mundo:
“…E uma voz diz: Maldito seja aquele que desnudou o Altíssimo, pois ele embriagou-se do vinho que é o sangue dos adeptos. E BABALON embalou-o, no seu colo e no sono ela sumiu e deixou-o nu chamando o seu filho para junto dizendo: Acompanha-me para zombarmos da nudez do Altíssimo. E o primeiro dos adeptos cobriu Sua vergonha com um pano, caminhando para trás e era da cor branca. E o segundo dos adeptos cobriu Sua vergonha com um pano, caminhando lateralmente e era amarelo. E o terceiro dos adeptos zombou de Sua nudez, caminhando para frente e era negro. Essas são as três grandes escolas dos Magi que também são os três Magi que dirigiram-se ao Local Sagrado e, por não possuir sabedoria, tu não saberás qual escola predomina, ou se as três escolas são uma. Pois os Irmãos Negros não ergueram suas cabeças na Sagrada Chokmah já que foram afogados no grande mar que é Binah, antes que a verdadeira vinha pudesse ser plantada no sagrado monte Sião…”
O mar de Binah é o Mar que subsiste citado na Lámina do Enforcado, e é uma representação das Qlipoth, implicando na incapacidade de ir além da Menstruação, que é símbolo da inexistência de vida na mulher, que na tradição monoteísta e fálico solar, é vista como tendo alma somente quando está preenchida pelo sêmen, que é o portador de Ruach – alma e símbolo para o “…esposo…”, acima citado – e está contido em Yod – letra hebraica que o cabalismo usa para identificar o elemento fogo e o falo.
Desta forma os finalmente entenderemos que os Irmãos Negros, como citados por Crowley, são os que não tem o que é entendido como sendo “…LUX, ou, LUZ…”, que implica em uma fórmula totalmente voltada para o espírito solar como algo solar, como foi dito pelo criador do monoteísmo, Akhenaton, e pelo ponto de vista da cidadela de “ON” ou “Heliópolis”, no Egito.
As 3 cores citadas como representantes da alquimia não estão aqui por conivência, mas antes devem ser necessárias para dar pano de fundo para o conceito de alquimia, e do elixir alquímico que é citado nas linhas acima. Desta forma Negro lida com os que ainda perfazem a fórmula levando em consideração o conceito de mulher e das Kalas do Tantrismo ligado aos Drávidas e a deusa Kali; Amarelo lida com o ponto que seria intermediário entre este primeiro e o seguinte, o qual é Branco, por lidar apenas e tão somente com a Luz ou os mistérios sexuais puramente masculinos, ocorre que isto lida com o antigo Aeon, pois o cristo do monoteísmo se auto proclama “…a luz, o caminho a verdade e a vida…”.
Destrinchados assim os símbolos aqui presentes, podemos avançar ainda mais a cerca da “…Visão e da Voz…”.
Lit desvela-se com o entendimento claro da atmosfera fálica espiritual da flecha, cuja ponto é Argentum Astrum , a Estrela de Prata ali mencionada.
O trocadilho de não há deus com “…Lá…”, o qual é a mesma composição de “…AL…”, que é o termo hebraico para deus, e que é o nome divino usado na Sephiroth de Chesed, a sephiroth da misericórdia, e que na verdade é o nome do deus pai supremo dos Fenícios “…AL…” que foi absorvido para uso pelos rabinos, dentro da temática do hebraico, nos dá o entendimento necessário, de que ali á afirmado que “…Lá…” o nada, é o deus naquele Aethyr, e que está é a chave do Aethyr dando a entender outro trocadilho simbólico com o Olho de Shiva, que aniquila o universo no “…Nada…”, e daí somos levados ao conceito da cabala que lida com “…Ayin…” o nada universal, representado também na lâmina de Baphometh, na Lâmina do Diabo, cuja letra hebraica é justamente “…Ayin…”, e sendo que o olho ali citado, também vai na direção de Horus, pois há o conceito dos dois olhos de Horus, o direito e o esquerdo, um deles os métodos de Crowley citam em combinação com o Ajna Chacra, que é o Olho de Shiva, e o outro é citado como sendo o Muladhara Chacra, vinculado a ponta do cóccix e que participa da fórmula dos sacerdotes de Freir e dos sacerdotes homossexuais do culto de Inanna, como acima foi citado.
Mesmo em PAZ, ocorre este fenômeno de justaposição pois os elementos da rosa e da cruz voltam a entrar em sena, e mais, caos e trevas cosmos e luz são ali citados, sendo o caos algo como uma representação do Olho de Ayin que é acima citado.
Há o trocadilho da palavra “…PAX…” com o nome do Aethyr “…PAZ…”, e no entanto ao colocar os dados acima mesclados a isto, a chave do que Crowley expressa como sendo a essência deste Aethyr esta neste excerto:
“…Abaixo de seus pés está o reino e em sua cabeça a coroa. Ele é o espírito e matéria, ele é paz e poder, nele está Caos e Noite e Pan e sobre BABALON sua concubina, que embriagou-se dos sangues dos santos que ela coletou em sua taça dourada tem ele originado a virgem que agora ele deflorou. E isso é o que está escrito: Malkuth será elevada e colocada no trono de Binah. E essa é a pedra dos filósofos que é posta como um selo na tumba do Tetragrammaton e o elixir da vida que é destilado do sangue dos santos e a força rubra opressiva dos ossos de Choronzon…”
Pois já foi citado no texto da “…Visão e a Voz…”, que a chave do termo hebraico para adão está em “…Adm…”, visto como um anagrama para a palavra enochiana “…Mad…”, que quer dizer deus.
Desta forma o “…Adm Kadmon…”, é a chave de entendimento para aquele que é cavalgado por Babalon no trecho acima citado, e que nele habita a essência do Aethyr “…PAZ…”, que é o Caos ou a Noite de Pan, isto se liga a emanação de Aiyn Soph Aour, “…LUZ…”, que se contrai para gerar Kether e dela gerar todo o restante da Ortz Chaim, Árvore da Vida, que é o próprio “…Adm Kadmon…”. Porém a pedra dos filósofos é mais uma vez um anagrama do Velho Aeon, ligada a cristo, que é citado como a pedra, ou a rocha, no cristianismo, e é dito do mesmo como o elixir e o selo do tetragrammaton, pelas conexões que o filho tem para com o pai, dentro do monoteísmo, em tanto quanto a relação de Ruach e Yod, vista na fórmula fálico solar acima citada.
Em “…ZOM…” o seguinte Aethyr, vemos uma fórmula vinculada a ascensão em direção a Kether, passando por Chokimah que é o falo e liga-se com o ponto de vista de Yod, Ruach e da fórmula fálico solar – uma vez que Marah o grande mar, é ligado a Binah e é o Mar de Sangue e Trevas que impropriamente e indevidamente o sistema fálico solar taxou de incorreto ou daninho.
Observemos então estes trechos:
“…E o olho de Sua benevolência se fecha. Que não seja aberto sobre o Æthyr para que as severidades sejam abrandadas e a casa desmorone”. A casa não cairá e o Dragão descerá? Todas as cousas foram de fato engolidas pela destruição; e Chaos abriu suas mandíbulas e esmagou o Universo como um Adorador de Baco esmaga uma uva entre seus dentes. A destruição não engolirá a destruição e a aniquilação confundirá aniquilação? Vinte e duas são as mansões da Casa de meu Pai, porém lá vem um boi cabeceando a Casa que cairá. Todas essas cousas não passam de brinquedos do Magista e o Criador de Ilusões que barra a Compreensão da Coroa…”
“…E por isso BABALON está sob o poder do Magista submetendo-se a obra e guardando o Abismo. Nela está uma perfeita pureza superior; ainda que seja enviada como o Redentor para os que se encontram abaixo. Não existe outro caminho para o Mistério das Supremas além dela e da Besta na qual cavalga; e o Magista é colocado além dela para ludibriar os irmãos das trevas para que eles não façam de si mesmos uma coroa; pois se houvessem duas então Yggdrasil, a antiga árvore, seria lançada no Abismo, extirpada e lançada no Mais Distante Abismo profanando o Arcanum que é o Adytum* e a Arca seria tocada e a Loja profanada por aqueles que não mestres e o pão do Sacramento seria as fezes de Choronzon e os vinho do Sacramento a água de Choronzon e o incenso seria espalhado e o fogo sob o Altar odiado. Erga-te, todavia, firma, goze o homem e contemplai! Será revelado a ti o Grande Terror, o inominado temor…”.
Acima vemos que nem mesmo Crowley pôde escapar dos símbolos mais antigos do conhecimento, pois em lugar do uso do termo comum da cabala para a Árvore da Vida, ele se usou do nome Setentrional e mais antigo da mesma, Yggdrasil, também conhecida como Eomersyl ou Yrminsul, o Pilar do Mundo.
Todos os símbolos de destruição lidam com o ponto onde ocorre a elevação em direção ao Nada, o Caos, saindo do ponto de Ordem mais próximo deste, que é o caos espermático do que chokimah é e representa, na teoria dos cabalistas.
Tolices são ditas sobre Taumiel, o dragão de duas cabeças que seria o oposto na árvore da morte, a árvore das qlipoths – que já vimos acima, que nada tem haver com os conceitos citados sobre ela pelo hermetismo comum – e a alegação de que O Magus estaria comandando-a para negar a força dos que não se curvam a luz de cristo, por ser este o caminho correto, desaba sobre si mesma, pois de fato são dois os potenciais mais altos que engendraram o universo, e são opostos e infinitos em si mesmos, e quando se tocam encontram limite, o qual é vida e o que os gregos chamaram de Cosmos, e são amplamente vislumbrados na antiga tradição original que a Yggdrasil que Crowley citou no texto deste Aethyr, apresenta como as mais antigas forças, anteriores ao universo conhecido.
No Aethyr seguinte, temos gratas surpresas!
Crowley cita a lenda suméria sobre os Sibilli Azag Aphikalluh, liderados por U-Na, ou Dagon, cuja forma é a do homem peixe que leva os códigos da civilização em amor aos humanos, e mantém relações com as mulheres, sendo esta a fonte original para os Nephelins citados no texto de Enoch. Notemos que o termo Azag é aparentado com Az, Ases e Aesir ou Ansjus, que já nos referimos acima.
Diz Crowley que a chave deste Aethyr está na idéia de Cain ser filho da Serpente e não de Adm, citando este último como um culto externo e destituído de vida, e tendo Cain uma marca em sua testa – que lida com o Olho de Shiva e com a temática acima citada sobre o mesmo – e que elimina Abel, de acordo com o texto da “…Visão e da Voz…” usando do Mjollnir o Martelo de Thor, e devemos nos lembrar que este deus é saudado tradicionalmente como o inimigo do cristo branco invasor, em uma das línguas dos povos setentrionais.
Crowley jamais suspeitou – ou jamais deixou que os que estavam a sua volta suspeitassem – que o símbolo que aparece neste Aethyr, das 3 flechas cruzadas nada mais é do que a Runa Gótica Hagalaz, que tem exatamente aquele diagrama, e que implica na idéia de despertar, desagregação do que é velho para dar lugar ao que é novo, e lida com a idéia de Hagal e de Haimdall, que é chamado de Aesir Branco.
E em seguida, somos brindados com as mesmas idéias implícitas, presentes no próprio texto deste Aethyr:
“…Então o fogo cobriu-me e ressecou-me, uma tortura. E o meu suor está amargo como veneno. E todo o meu sangue torna-se agro em minhas veias, como gonorréia. Parece que estou apodrecendo rapidamente e os vermes devorando-me vivo. Uma voz, não minha ou externa diz: Lembrai de Prometeus; lembrai de Ixion. Estou rasgando o nada. Não darei atenção. Pois até esse pó deve ser consumido pelo fogo. Embora não exista imagem ainda pelo menos resta uma sensação de obstrução, como se houvesse alguém puxando próximo a fronteira do Æthyr. Mas estou morrendo. Não consigo avançar ou esperar. Meus ouvidos agonizam, bem como minha garganta, e meus olhos parecem tão cegos há muito que não consigo lembrar que existe visão…”

E quando o texto cita Leviatã e o Mar, nos perguntamos se Crowley perversamente não escondeu os termos a cerca de Jourmungand ou Niddhog, a descrição que ali é dada afirma um, mas se expressa por meio dos outros dois.
Finalmente no Primeiro Aethyr, LIL, é apresentada a fórmula do Senhor do Aeon, Rá Hoor Khuit, apresentado ali apenas como Horus, e uma informação incorreta é ali dada.
“… Iaida…” não quer dizer “…Eu Sou…” e sim quer dizer “…Altíssimo…”.
Hoor ou Har, é o Senhor Altíssimo dos Céus de Leste a Oeste em meio a tradição mais antiga dos Egípcios, antes das bobagens osirianas corromperem o culto e apresentarem a Har como o filho de Osiris posteriormente, inclusive como as formulas usadas em Heliópolis apresentam.
No entanto esta primeira parte do texto em si nos dá outros elementos:
“…Eu sou o filho de tudo que é o pai de tudo, pois de mim veio tudo o que eu posso ser. Eu sou a fonte nas neves e sou o mar eterno. Eu sou o amante e sou o amado e sou os primeiros frutos do amor deles. Eu sou primeiro débil tremor da Luz e eu sou a roca onde a noite tece o seu impenetrável véu…”
“…Eu sou o capitão das hostes da eternidade, dos espadachins e dos lanceiros e dos arqueiros e dos aurigas. Eu liderei as forças do leste contra as forças do oeste e as forças do oeste contra as forças do leste. Porque eu sou Paz…”
“…Eu sou luz e sou noite e eu sou aquilo além deles. Eu sou a fala e eu sou o silêncio e eu aquilo além deles.Eu sou vida e eu sou morte e eu sou aquilo além deles. Eu sou guerra e eu sou paz e eu sou aquilo que está além deles. Eu sou a fraqueza e eu sou a força e eu sou aquilo que está além deles. Assim por nenhum deles pode o homem chegar a mim. Assim por cada um deles deve o homem chegar a mim…”

Crowley vê a força do Senhor do Aeon neste Aethyr e o descreve como o poder anterior a criação, e que move a tudo e todos inclusive causando guerra e paz, e bem como dando vida e morte a bel prazer.
Em seus elementos descritivos, somos forçados a questionar se os usos do Enochiano, que tem fortíssima descarga atávica dos elementos dos “…Wales…” e de suas tradições, usados por John Dee para dar corpo a esta tradição, não afetaram a Crowley a ponto de trazer finalmente os elementos profundos do senhor do Salão dos Eleitos, deus de guerra e de vida e morte, para dentro da descrição de “…Iaida…” o Altíssimo, como acima citado, uma vez que também seu nome é Har, e igualmente ao Har Egípcio ele é cego de um olho, sacrificado em nome do conhecimento?
O que podemos concluir de mais elementar em tudo isto, é que o poderio mágico do enochiano se deve a suas fontes atávicas serem tão fortes, que estão drenando usos das tradições antigas de onde retiram suas bases e essências, e que isto intoxica e causa êxtase a quem quer que o seja que use-se deste sistema, e que acabará se destruindo em Choronzon, ou antes disto, por conta de sua teimosia em lidar com pontos de vista do Aeon dos Escravos, quando deveria liberar-se disto e empunhar sua espada em função do Aeon dos Fortes e Orgulhosos, pois esta é a essência deste Aeon.
Desta forma, todos os trabalhos mágicos que tem sido praticados com o Enochiano, levaram seus praticantes ao portal do terror da negação do dogma, em função do poder e da veracidade, que sejam tanto históricas quanto espirituais, e alinhadas em si mesmas, de tal forma que por mais que o texto lide com uma direção, o praticante será encaminhado para outra, ou se destruirá no processo.
Visto desta forma, o alinhamento das fontes antigas do Enochiano, com os elementos thelemicos, torna-se mais que natural por mais que seja incidental sob certos aspectos, e nãos e choca em sua essência, por mais que se choque em sua aparência, uma vez que tanto uma realização espiritual quanto a outra, abominam o subserviente e miserável culto dos escravos, e contém entre si elementos de conexão que tanto são claros e visíveis a qualquer um, com contém também segredos velados que podem ser experimentados tanto pelo estudo, quanto pela prática, o mesmo se dando com o avanço do thelemismo em meio ao solo Enochiano, ou em meio ao núcleo ou tema central do thelemismo em si mesmo.

Por Grimm Wotan

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/enochiano-bases-estruturas-conceitos-e-fontes/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/enochiano-bases-estruturas-conceitos-e-fontes/

A Quimbanda Brasileira

por T.Q.M.B.E.P.N.

Para compreender as raízes e os fatos históricos que fazem parte do nascimento da Quimbanda Brasileira, é necessário primeiramente destacar alguns fatos, para que fique bastante clara a diferença entre a nossa corrente e outras manifestações religiosas que se utilizam do nome Quimbanda para se autodenominarem.

​Nos diferimos por sermos uma força de embate contra a inércia e contra a estagnação escravizadora, o nosso culto foi forjado no calor de inúmeras batalhas pela conquista e manutenção da liberdade de nossos ancestrais, liberdade essa que muitas vezes ao longo do tempo sofreu diversas investidas por parte de nações e crenças opressoras. A maior parte do que foi escrito a respeito de Quimbanda está sob a influência e se confunde com a formação de outras vertentes religiosas, sobretudo da Umbanda, religião com a qual a Quimbanda Brasileira não possui qualquer tipo de conexão. A Quimbanda não é um culto da Umbanda, como muitos autores afirmam, justamente porque não se trata de mais um culto ao Falso Deus; Os inúmeros espíritos que hoje integram as fileiras de Vossa Santidade Maioral, no início da formação do culto, quando em vida, mantiveram a fidelidade às suas crenças e espiritualidade, defendendo-as de forma feroz e corajosa, muitas vezes tendo enfrentado a brutalidade da intolerância e tendo suas próprias vidas ceifadas; pois a Liberdade não é um bem negociável, sob nenhum pretexto! A célebre frase “É melhor morrer de pé do que viver ajoelhado” se encaixa perfeitamente na motivação que inflamava a chama no coração dos povos formadores da história da Quimbanda Brasileira, que não se esconderam por detrás de sincretismos ou mentiras.

O continente Africano foi um dos palcos de inúmeros eventos importantes dentro do enredo histórico que estamos abordando. Embora este sendo objeto da cobiça de muitos povos, desde tempos imemoriais, aqui focaremos no período do tráfico de escravos durante os séculos XV e XVI. Na busca da conquista de novos territórios e riquezas naturais, exploradores e colonizadores de várias nações Europeias pilharam e se apropriaram, principalmente por meio do poderio militar, de diversos territórios da África, e nesse período Portugal dominava uma larga extensão da costa africana.

O processo de colonização territorial deu ensejo a uma “colonização ideológica” através de muitas tentativas de imposição da crença e fé cristista, bastante diferentes dos cultos ancestrais e da espiritualidade das nações negras nativas, quase sempre com o uso de métodos violentos, já que os povos aborígenes não cederam a outros métodos de convencimento e se engajaram em batalhas sangrentas para defender sua terra e todo o seu arcabouço cultural, religioso e ancestral.

Desprovidos de qualquer capacidade de compreender as características naturais e espirituais do território desconhecido no qual estavam adentrando, os exploradores Europeus se escandalizaram com costumes totalmente diversos dos povos nativos que viviam em meio à uma paisagem inóspita, já que entravam em choque com a formação moral e religiosa cristã dos colonizadores.

Por despreparo e ignorância, os conquistadores e seus missionários classificavam como conduta herética (segundo seus dogmas religiosos) a ausência do conceito de pecado, o uso ritual de sacrifícios de sangue, o nudismo dos negros nativos e ainda o culto a uma deidade que era retratada com o falo ereto e chamada Èsú (conhecida pelos povos Fons de Elegbara). É importante salientar que as formas fálicas desde tempos imemoriais retratam a virilidade e a força, representando a energia dinâmica e ativa e, também, associações com atividades sexuais.

Fica claro então que o pecado residia somente na intolerância e nos dogmas crististas.  Não tardou para que a figura de Èsú fosse incluída no rol das associações demoníacas do cristianismo, considerada como mais uma das formas de Satanás. Foi justamente nesse período que chegaram às terras da África as palavras “Diabo”, “Demônio”, “Satanás”, “Beelzebuth” e “Lúcifer”.

O tráfico negreiro para as terras brasileiras fez com milhares de nativos africanos de diversas etnias atravessassem o oceano em condições enormemente precárias, onde a sobrevivência em si dentro das naus abarrotadas de mercadoria humana eram dificílima em meio as doenças, intempéries e maus tratos. Estavam definitivamente distantes de sua terra natal, despojados de suas famílias e de tudo o que amavam e consideravam sagrado, principalmente sua Liberdade. Muitos dos escravos capturados na África eram prisioneiros de guerra, adúlteros, feiticeiros, assassinos ou indivíduos trocados por chefes tribais ou penhorados por dívidas. É importante ressaltar que a prática da escravidão já era existente entre algumas tribos africanas que atuavam à guisa de fornecedoras nesse obscuro comércio.
Juntamente com os demais negros escravizados, aportaram em terras brasileiras os Kimbandas. A palavra Kimbanda, originada da língua Kimbundo (Bantu) significa: Sacerdote da arte de curar. De fato o Kimbanda era o Alto Sacerdote curandeiro e conselheiro que evocava e invocava os espíritos para sanar os problemas carnais e espirituais dos membros de suas tribos. Outros tipos de sacerdotes africanos também foram trazidos, dentre eles os temidos Mulôjis e os Ndokis, que diferentemente dos Kimbandas, eram feiticeiros necromantes, agindo em algumas ocasiões como mercenários, eram conhecedores de artes temidas que tiveram origem em uma época que não pode ser datada. A palavra Kimbanda também se confunde com a própria religião Bantu praticada em partes de Angola e no Brasil. Embora sendo homófonas e possuírem a mesma raiz, as palavras Kimbanda e Quimbanda assumiram caminhos e identidades próprias no decurso da história.
Antes mesmo da chegada dos primeiros homens e mulheres africanos no Brasil, os indígenas brasileiros também enfrentavam as perseguições dos colonizadores europeus, buscando defender suas tribos, seus territórios, sua cultura, bem como, suas práticas e cultos ancestrais baseados na natureza. Sendo os primeiros a terem um contato mais próximo com os indígenas, os Padres Jesuítas atuavam como “controladores de almas”, combatendo as práticas nativas e instituindo a cultura do pecado. Como uma estratégia de propagação do cristianismo nas tribos, os Caciques foram escolhidos para aprender a escrita e a leitura e serem doutrinados pelos ditames religiosos, o que facilitava o processo de conversão. Muitos índios na fase da infância foram enviados à metrópole portuguesa para serem educados e retornarem ao Brasil como “espelhos” para os demais. Toda essa aculturação de poucos séculos contribuiu para dizimar milhares de anos de tradições enraizadas. A ação da catequese diminuía a ferocidade dos nativos e facilitava a ação do Estado (Portugal) no processo de colonização. No entanto, parte do povo indígena impôs restrições à esta invasão através de batalhas sangrentas. Como as guerras intertribais eram constantes, diferentes nações europeias que disputavam as terras recém descobertas aproveitaram para estabelecer relações proveitosas com os nativos, onde tribos rivais se enfrentavam em nome dos reis da Europa e os índios terminavam sendo dizimados aos milhares.

Diferentes fontes históricas têm opiniões divergentes no tocante aos motivos pelos quais a mão de obra escrava indígena foi substituída pela mão de obra escrava dos nativos trazidos do continente africano. Já se alegou que os índios eram indolentes e preguiçosos, ou mesmo que de tão selvagens preferiam morrer do que trabalhar. Uma vez tendo se tornado escravos das lavouras, índios ou africanos, não estavam em posição de escolher qual tipo de trabalho realizariam, mas certo é que não foi por falta de resistência contra a escravidão.
Sem dúvida, o contato entre os negros e índios foi bastante intenso, fomentando grande intercâmbio cultural que resultou na fusão de Deidades e no nascimento de novas religiões ou de novas formas de culto às antigas religiões. A Quimbanda Brasileira acredita que índios e africanos se associaram para promover as fugas das senzalas, uma vez que os índios eram profundos conhecedores das matas. Alguns vilarejos rebeldes fundados pelos fugitivos abrigavam não só negros e índios, mas também brancos fugitivos e mestiços. Nesses locais a religião outrora podada pelos Jesuítas volta a existir, mas com algumas novas características herdadas do sincretismo resultante da intensa fusão cultural.

Não podemos esquecer de mencionar a figura dos Pajés, como um elo de conexão entre os mundos visível e invisível, que através de transe entravam em contato com os espíritos. Eram feiticeiros que tinham poder sobre os animais e espíritos da floresta, sendo também médicos através das forças fitoterápicas e suas palavras eram respeitadas como Leis dentro das tribos. Um Pajé exercia a mesma atividade que um Kimbanda.

Nesse contexto histórico que é o berço da Quimbanda Brasileira, a miscigenação racial naturalmente propiciou a miscigenação religiosa através dos inúmeros sincretismos e, houve em diversos aspectos, a popularização da espiritualidade. Índios e negros acabaram recebendo influências das culturas pagãs e judaicas através do contato com homens e mulheres degredados da Europa por terem sido condenados pelos tribunais do Santo Ofício pela prática de bruxaria e/ou feitiçaria. Muitos desses exilados estavam ligados às tradições de magia e feitiçaria medievais e tantos outros eram neo-convertidos do Judaísmo, que secretamente realizavam suas práticas Judaicas. O grande contato entre as feiticeiras europeias, os índios e os escravos resultou em uma mescla de conhecimento e a partir desse momento Exu passou a ter o status de Diabo com força renovada. O endurecimento da perseguição dos dominantes aumentou com o decorrer do tempo. Feiticeiros e feiticeiras se tornaram alvos da Lei, além da perseguição religiosa, surgindo daí a necessidade de agirem sem segredo, jamais abandonando suas verdadeiras essências.

A Quimbanda se diferencia do culto aos Orixás pelo fato de não usar as forças da natureza para alcançar suas metas e desejos, mas sim a força ancestral do mundo dos mortos. Geralmente os espíritos que trabalham na corrente da Quimbanda são antigos Xamãs, Mestres Caboclos, Bruxos, Alquimistas, Feiticeiros, Guerreiros, Assassinos, dentre outros que se encaixam na vibração energética do culto exercendo suas forças nas linhas de Exu e Pombagira (consorte feminino).

Fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/quimbanda-brasileira

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-quimbanda-brasileira/

Astrologia para Demolays e Maçons

“Planeta” é uma palavra de origem grega cujo significado é “errante”, pois assim eram classificados os astros celestes que não tinham sua órbita fixa, como são aparentemente as estrelas.

Assim permaneceu na tradição Astrológica, sendo classificados como planeta todos os astros errantes do céu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, e o Sol e a Lua também entram nessa definição antiga, pois todos os sete viajam através da linha do Zodíaco. Hoje também incluímos os planetas Urano, Netuno e Plutão na lista.

Diz-se que o Zodíaco é a “espinha dorsal” do céu, ou do corpo de Nuit, onde os antigos astrônomos e astrólogos previam épocas de cheia dos rios, de acasalamento dos animais, período de plantio e de colher, do nascimento de crianças especiais, o momento correto de acontecer uma coroação, uma guerra, etc. É nessa espinha dorsal da noite que viajam os planetas, nascendo a Leste e morrendo a Oeste.

A Astrologia na Ordem DeMolay e Maçônica estão ligadas ao simbolismo dos planetas e dos signos.

Vamos fazer uma pequena introdução sobre o que é e o que não é astrologia, com algumas informações pertinentes, para entender como vamos estudar esse assunto.

O QUE É ASTROLOGIA

Os antigos identificaram o céu como um livro escrito pelo próprio Pai Celestial, Arquiteto do Universo, que os homens poderiam (podem) ler e interpretar esse livro. Através de observação e análise foi constatado que os planetas agem como ponteiros que apontam para determinada constelação ou estrela e toda vez que o planeta apontava nessa mesma direção, ou quando os planetas se aproximam ou se distanciam uns dos outros, o mesmo fenômeno era observado.

Por exemplo, as cheias nos rios e as marés altas e as épocas de caça são determinadas pelas fases lunares.

“Zodíaco” é uma palavra de origem do grego antigo, z?diakós kýklos, que significa “círculo de animais”. Desde antiga Babilônia existe a repartição do céu em 12 partes que é percorrida pelos planetas.

O Zodíaco como conhecemos hoje foi formado e adaptado ao longo da história, sendo o principal personagem nessa adaptação o Filósofo Ptolomeu, Iniciado nas mais distintas Escolas de Mistérios, que sistematizou os diversos símbolos mitológicos no que temos hoje como “12 Signos”. Ptolomeu viveu em Alexandria e contribuiu com muitos volumes de livros sobre os astros, sendo a maior parte desses destruídos junto com a Biblioteca de Alexandria.

Muito das ciências herméticas da antiguidade foram preservadas e chegaram até nós por outro caminho: pelos Islamismo. Não só livros de Ptolomeu sobre Astrologia, mas também um grande legado da Alquimia e Hermetismo se manteve intacto graças aos místicos do Islã, os Sufis. Esse é um fato muitas vezes desconhecido e pouco explorado pelos estudiosos do Ocultismo.

As estrelas são obra de Deus, o Pai Celestial, Arquiteto deste Universo, e um homem através dos seus estudos constatou uma harmonia existente no viajar dos planetas no céu. Foi Pitágoras e sua descoberta é conhecida como Harmonia das Esferas. Descoberta que não só transformou a matemática e a filosofia, como também descobriu as sete as notas musicais observando os sete planetas através do Zodíaco, e deu nascimento a nossa atual Geometria Sagrada. Não faz sentido? Em breve veremos mais sobre esse incrível antepassado e seu legado.

Das estrelas e dos planetas não só nasceu a Astrologia, mas muitas outras ciências são derivadas desta. O Hebraico, alfabeto utilizado por Moisés para escrever o Torá (Pentateuco) foi todo inspirado por agrupamentos de estrelas, ou seja, é um alfabeto de inspiração Celestial, ou Divina. Dai a origem mitológica da Kabbalah, ou “Tradição”, segundo a concepção Judaica. Os hieroglifos egípcios, escritas cuneiformes, e os caracteres do chinês primitivo, derivam diretamente da forma de certas constelações.

Baseado na “escrita do Céu” é que foram desenvolvidas as Mitologias de diversas Religiões, da Suméria à Celta, dos Xamãs Esquimós aos Maias e Astecas, da Nagô à Judaica, da Hindu à Cristã. Releia o texto Mitologia e Ciências Herméticas para melhor entender sobre a importância da mitologia.

Na arquitetura a Astrologia influencia no formato dos Templos. No Egito muitos dos Templos eram construídos com o Altar direcionado a Leste e a porta de entrada a Oeste, assim as pessoas ao adentrar andavam em direção a Luz do Sol e se afastavam simbolicamente das Trevas. Assim são muitos dos Templos Gregos, as Igrejas Cristã, os Templos Maçons e a Sala Capitular DeMolay. Já falamos um pouco sobre a Arte da Construção onde os Mestres Pedreiros são detentores dos mais diversos mistérios por serem os responsáveis de realizar construções nas mesmas proporções existentes no Universo no texto Maçonaria, Templo de Salomão e Geometria Sagrada.

A importância da Astrologia a nós se dá principalmente pelo simbolismo que ela contêm. Estudaremos mais adiante o que significam os planetas e os signos, os símbolos contido em cada um deste e suas relações com a Jornada da Iniciação vivida nos Rituais, e as diversas influências astrológicas nos rituais. Já vimos algumas dessas influencias nos textos Simbolismo do Sol e Simbolismo da Lua.

Como puderam ver, não citamos acima nenhuma relação de um DeMolay ou Maçom ser astrólogo ou ser obrigado a estudar Astrologia. Aos que interessam, vamos estudar o legado astrológico contido nos rituais que são repletos de simbolismos e completam nosso entendimento dos Rituais.

Estudaremos coisas como a história da astrologia, o simbolismo astrológico (signos e planetas) e as relações mitológicas, Harmonia das Esferas, e como esses assuntos se conectam a nossos Rituais.

O QUE ASTROLOGIA NÃO É

Importante agora citar alguns fatos sobre o que não é e o que não faz a astrologia, pois esta foi extremamente banalizada e comercializada nas ultimas décadas, deturpando totalmente a ciência dos nossos antepassados e fazendo-a ser motivo de piada. Devemos conhecer, afinal o DeMolay e o Maçom devem fugir da ignorância, certo?

Astrologia não prevê o seu futuro, seja ele diário, mensal, anual, ou qualquer maneira de prever como será sua vida. Isso vai totalmente contra o livre arbítrio, a Lei da Causa e Efeito, e qualquer outro princípio hermético. A previsão da Astrologia Hermética é algo complemente diferente do que encontramos facilmente em revistas e internet.

Astrologia não atua em coisas como encontrar o amor da sua vida, a ganhar na loteria, a escolher que tipo de roupa você deve sair, a saber o que fazer em determinado dia ou semana.

Astrologia não diz quem e como a pessoa é através do signo solar. Quando dizermos “sou ariano” estamos dizendo, segundo a Astrologia, que “o sol estava na constelação de Áries no momento do nascimento”. Além do Sol temos mais todos outros planetas pelos 12 signos, 12 Casas, com aspectos entre si, entre muitas outras observações a serem analisadas. Cada pessoa é um indivíduo com características únicas e não existe generalização de caráter pelo signo ou ascendente.

Entendido?

Agora uma explicação sobre a Astrologia nesse blog. Não ensinaremos aqui a maneira correta de se construir ou interpretar um Mapa Astral, pois foge do nosso propósito. Simplesmente apresentaremos as chaves da Astrologia Hermética para que entendamos seu simbolismo.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/astrologia-para-demolays-e-ma%C3%A7ons

Fenômenos Estranhos

“Observatio diuturna, notandis rebus, fecit artem”, dixit Cicero num livrinho que se intitula De divinatione Liber II“Observatio diuturna, notandis rebus, fecit artem”, dixit Cícero num livrinho que se intitula De divinatione Liber II. Essa passou a ser a divisa do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto que se tornou, ao tempo de J. A. Pires de Lima, um centro de estudos de teratologia descritiva. Que fazer dos nado-mortos, senão autópsias? Que fazer do conceito biométrico de anomalia, ou do conceito estatístico de normalidade?

É verdade. Para ver basta ter olhos. Olhar exige muito mais: é necessário discernir o visível de si próprio, distinguindo nele planos em profundidade e em largura, delimitar formas, observar mudanças e seguir movimentos. Olhar acaba por ser impôr objectivos ao visível e, pouco a pouco, a fazer dele objectos.

A ciência tal qual é. A ciência pura. Puros fantasmas ao serviço de. Agamben, ao fazer a genealogia do conceito de vida, conclui que em toda a medicina grega não há um conceito médico-científico, como se pensa, mas um conceito filosófico-político. “O homem é o ser vivo que não tem nenhuma vocação biológica, histórica, etc.. É um ser de potência que não se identifica com nenhuma figura determinada” (Guerreiro).

O fantasma da inquisição é a pureza da fé. Que destino tiveram os judeus e os ciganos, mas também os atrasados mentais e outras criaturas consideradas como desvios à “raça pura”? Onde nos levará o horroroso culto da uniformização em que todos temos de corresponder a um formato? A que fantasma serve a ciência? De que “vida” se ocupa? Que formas de eugenismo dissimula desde Francis Galton (1890/1962) que defende o apuramento da raça humana através de cruzamentos selectivos? (Agamben). Não teremos entrado há muito na projecção aterrorizadora de uma forma de eugenismo, não ideológico – aquele que designaria categorias de pessoas que não merecem viver – mas técnico? Não se terá a técnica separado da ciência que servia a Vida, que, essa, fala em verdade? Não estará o próprio discurso ético a alinhar-se com o discurso técnico, sob pretexto de caridade: fazer as coisas o melhor possível? Barbosa Sueiro fala, a propósito da anatomia, de “finalidade utilitária – mas de virtuoso utilitarismo”.

“O monstro reflecte sempre uma determinada ordenação do mundo, seja este natural ou cultural. Eles são a ruptura da ordem em que cristalizam valores sociais e formas de conhecimento. Produz sentimentos e reacções contraditórias: medo, temor, asco, mas também prazer e lubricidade. Parte às vezes de uma cultura demonológica, outras vezes representação do exótico, do desconhecido, do estranho. Ou se manifesta de forma lúdica (lusus naturae), carnavalesca, ou transporta consigo o estigma da admonição (Deus Irae). O monstro não é só o negativo de formas variadas, mas também de graus diferentes de civilidade. Ambíguo, portanto (Mourão). O recurso à Antiguidade tem aqui alguma pertinência. A definição aristotélica de monstro (teras): “Aliás aquele que não se parece com os pais é já, de certa maneira, um monstro porque, neste caso, a natureza se afastou do tipo genérico” (Aristóteles). Um andrógino é um prodígio que publicamente deve ser exposto como sinal maléfico que o Estado deve fazer desaparecer. Levou tempo para que se passasse a uma outra atitude: interpretar o fenómeno como um erro da natureza, uma má-formação anatómica rara, mas explicável. Os seres dotados dos dois sexos serão vistos como um jogo da natureza, é o que Plínio o Velho explicitamente diz. A bixexualidade foi recebida primeiro como monstruosidade, ameaça, depois como fenómeno explicável e finalmente tolerado, recuperado como um “bem” de consumo (Bisson).

A norma anatómica (Sueiro, 1950) faz lei. “Monstra vero per excessum sunt”, escreve Vandelli (1776). Porém, o normal foi sempre a crux da ciência. As normas são essenciais aos discursos que animam a vida social. A sua constituição esquemática explica o impacto afectivo que acompanha a sua aparição discursiva. A norma parece exigir uma boa distância, da parte das ocorrências que ela avalia, e que não devem tomar o seu lugar. As normas manifestam uma sensibilidade dupla, correspondendo a uma topologia com duas entradas (pouco/assaz/demasiado), que regula os comportamentos aproximativos, nomeadamente a imprecisão exigida, de todos os fenómenos normativos, do domínio da gramática ao da jurisdição. Mas, em último caso, na norma trata-se da estabilização do imaginário através da referência ao semelhante, mecanismo que caracteriza a identificação categorial e analógica, diz P. A. Brandt.

Não obstante, mesmo entre cientistas o conceito de norma está sujeito a discussão. Carlos May Figueira (1864) considera impossível aceitar a ideia de Pareo, segundo a qual haveria hermafroditas com dupla aptidão geradora. Geoffroy Saint-Hilaire (fundador da teratologia em bases científicas) tem a melhor classificação: “hermafroditas com excesso e sem excesso). Para Luís Guerreiro (1921) o corpus da anatomia é o corps – cadáver. E, no entanto, tudo isto é considerado Biologia.

É fácil identificar um monstro. É fácil idealizar a forma humana, as suas variações musculares. Para o naturalista a vida não tem mistérios, tão bem ele vê, tão bem educou o senso crítico. Não será então necessário bem ver para melhor compreender? Se não podemos negar ao corpo medical uma existência histórica, científica ou ideológica, é pelo menos necessário reconhecer que esse corpo não é todo o corpo (quer dizer o todo duma imaginação do seu real) e trabalhar pelo menos com o mínimo de imaginário com que Valéry tentava descobrir nele funções figurativas, ordens fantasmáticas.

Todo o discurso médico contemporâneo, higienista e moral, de que as bonecas de Pierre Spitzner são uma espécie de caricatura, apoia-se num catálogo desordenado das aberrações de imagens do corpo (Schefer). Para lá das aberrações iconológicas, é necessário notar que a “escrita” médica não tende a fazer significar algo ao corpo. E não se esqueça o seguinte: “From the point of view of the subject, the representation of the body, even when narrowly biological, is always an image of the self: identity, genealogical resemblance, cultural norm and configuration, etc.” (Abel)”. E todavia, haverá, no discurso dos saberes, discurso mais marcado por uma espécie de regularidade do fantasma (o do corpo como objecto, como labirinto, etc.) do que o discurso da medicina?

Artigo originalmente publicado na revista Triplov

José Augusto Mourão

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/fenomenos-estranhos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/fenomenos-estranhos/

O Que significa o “G” na Maçonaria?

simbolos-maconicos

Qual o significado da letra “G” comumente presente no centro do Esquadro & Compasso?

Vários autores apontam vários significados, muitos dos quais absurdos: God, GADU, Grande Geômetra, Ghimel, Gama, Geração, Gênio, Gnose, Gomel, Glória, Gibur, Gibaltrar, etc.

Há ainda aqueles autores que, sem conseguirem se aprofundar na pesquisa sobre o tema, preferem afirmar que o verdadeiro significado do “G” é um grande mistério maçônico, talvez nunca revelado. Uma desculpa um tanto quanto poética.

A letra G é um daqueles tantos símbolos que sobrevivem aos séculos mas, infelizmente, perdem seu significado original, ganhando vários outros significados ao longo do tempo. E vez ou outra, um desses significados novos prevalece, sepultando de uma vez por todas o original.

Séculos atrás, conhecimento era algo raro, reservado a pequena parcela da população, restrito aos poucos com berço ou condições financeiras para tanto. Naqueles tempos, a Geometria era tida quase como uma ciência sagrada, mãe da arquitetura e da construção, sem a qual as Catedrais não podiam ser planejadas e concluídas. As crianças não aprendiam Geometria nas escolas, como ocorre atualmente. Apenas aqueles que trabalhavam com construções aprendiam tais lições. Em resumo, a Geometria era a ciência do maçom operativo, uma ciência que os distinguia dos demais, que tornava possível a execução da Arte Real, que levanta templos às virtudes.

A presença do “G” no Templo é representativo da Geometria como a ciência maçônica; como foco do estudo, conhecimento e prática do trabalho maçônico; e principalmente como origem da Arte Real, base para o uso de todas as ferramentas do maçom. Esse significado pode ser comprovado em todos os antigos Catecismos Maçônicos que se tem conhecimento.

A letra “G” definitivamente não é “God” ou qualquer outro nome relacionado ao Grande Arquiteto do Universo. Apenas nas línguas anglo-saxãs, a palavra referente a Deus começa com “G”, enquanto que o uso do “G” também sempre constou nos países de línguas latinas. Se “G” fosse God (inglês e holandês) ou Gott (alemão), então nos países como França, Espanha, Itália e Portugal utilizariam um “D”: Dieu (francês), Dios (espanhol), Dio (italiano) e Deus (português). E isso não aconteceu e não acontece, nem nesses países e nem nos que adotam as línguas latinas. Já a palavra “Geometria” mantém sua letra inicial tanto nas línguas anglo-saxãs como nas latinas: Geometry (inglês), Geometrie (holandês e alemão), Géométrie (francês), Geometría (espanhol), Geometria (italiano e português).

O surgimento de novos significados para o “G” foi surgindo entre o século XVIII e XIX, quando os intelectuais-maçons da época, achando a simbologia maçônica de certa forma simplista, começam a inventar significados considerados por eles mais profundos e adequados para os símbolos maçônicos e pegar emprestado símbolos de outras fontes (astrologia, alquimia, cabala, templários, etc), criando novos rituais e ritos.

Ao indicar num mesmo ritual que uma única letra tem 07 diferentes significados, não relacionados entre si, os “sábios da maçonaria” daquela época, assim como os de hoje, revelam uma informação importantíssima a todo maçom estudioso: na tentativa de “florear” nossa simbologia, se mostram grandes incoerentes.

Sim, “G” é apenas “Geometria”. Pode não parecer muita coisa hoje, mas na época era.

Espero que o próximo maçom a se aventurar em escrever sobre o “G” na Maçonaria não subestime a inteligência de seus irmãos. Não basta apenas pegar o dicionário, abrir no “G”, selecionar algumas palavras legais e depois filosofar um pouquinho sobre elas. É exatamente assim que perdemos a nossa história.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-que-significa-o-g-na-ma%C3%A7onaria

Fantasmas da China e Indochina

A respeito de deuses e fantasmas, dizia Confúcio, o sábio chinês: “Devemos respeitá-los, todavia, convém mantermo-nos longe deles”… Os chineses acreditam que estão rodeados de espíritos dos mortos – kui [e os Espíritas kardecistas também]. A crença e veneração aos ancestrais é um traço característico de sua cultura.

Entre os costumes antigos, havia a prática de fazer um buraco no telhado da casa para facilitar a ascensão da alma. Se uma criança estava moribunda, a mãe corria ao jardim e chamava o nome do filho [a] para trazer de volta o espírito. O suicídio era uma situação das mais desfavoráveis resultando em almas penadas e extremamente agressivas e amaldiçoadas. Seus filhos tornavam-se corruptos ou criminosos, suas terras se perdiam e sua esposa era assombrada pelo espectro do marido suicida atormentado e, não raro, ela mesma, sucumbia a alguma doença fatal.

Alguns fantasmas, todavia, permaneciam rondando os familiares por senso de dever, protegendo contra perigos, tentando minorar os sofrimentos e cuidando da prosperidade da casa. Uma das crenças mais difundidas era a do fantasma materno que velava seus filhos. Todavia, como na maioria das crenças de numerosos povos, os fantasmas daqueles que morriam em situações desafortunadas eram temidos.

No Cantão [cidade da China], em 1817, a mulher de oficial do governo causou a morte de duas escravas domésticas porque tinha ciúme do marido com as servas. Para se proteger das conseqüências de sua crueldade, simulou o suicídio das duas: pendurando os cadáveres pelo pescoço, pretendia forjar auto-enforcamento. Porém, passou tormentos de consciência e tornou-se insana: agia como se fosse as vítimas, o quê, para chineses, significava que estava sendo possuída pelos fantasmas das vítimas. Acabou confessando o crime e foi presa; mas os distúrbios continuaram. Ela rasgava as próprias roupas, machucava a si mesma em ataques de fúria e, em pouco tempo, morreu. Fantasmas de assassinados que perseguem seus algozes são os mais comuns entre os chineses.

A literatura chinesa explora o tema em contos que misturam e alternam o macabro e romântico: episódios protagonizados por mulheres que perderam a vida de maneira trágica, em situações de ciúme; amantes inconformados com a separação advinda da morte inesperada ou donzelas que encantam homens solitários. Os espectros femininos aparecem para suas rivais e parceiros em formas tão reais que os assombrados demoram a perceber que estão convivendo com espíritos. Conforme explica o estudioso da cultura chinesa Lin Yutang: “Na literatura chinesa, as almas do outro mundo dividem-se em duas categorias: ou nos horripilam ou nos cativam”.

O conto Hsiao Hsieh ─ Jojo, de P’su Sunling [1630-1715], trata de curiosos aspectos da tradição sobre fantasmas chineses: os espectros são tangíveis, podem tocar os vivos e até manter relações sexuais com eles; se caminham um longo percurso, ficam com bolhas nos pés; se violam as regras do mundo dos mortos, interferindo em assuntos dos vivos, podem ser julgados e punidos pelos deuses conforme suas ações sejam consideradas legais ou ilegais; finalmente, têm a possibilidade voltar à vida “tomando” o cadáver de alguém recém-morto: uma fórmula mágica é escrita em um pedaço de papel. Ao ver passar um cortejo fúnebre, o fantasma deve mergulhar o papel em um copo com água, beber a água e penetrar no caixão onde, ocupando o corpo inerte, torna-se dono dele, animando-o e passando a viver normalmente [YUTANG, 1954].

No  Cambodja, país pertecente  Indochina, acredita-se que os fantasmas retiram-se do cadáver lentamente, durante o processo de decomposição. Quando só restam os ossos, o espírito transforma-se em uma coruja ou em outro pássaro noturno. Os fantasmas mais horripilantes do país, chamados srei ap ou ghouls são representados tendo somente a cabeça e o esôfago, olhos injetados de sangue, e vagam na escuridão em busca de orgias abjetas

Festival dos Fantasmas Famintos

 Na China e em outros países com significativa presença da cultura budista popular, é realizado o Ghost Festival, também chamado Festival dos Fantasmas Famintos [Hungry GhostsQio Gor] no sétimo mês do calendário lunar, geralmente em agosto, a fim de atender às necessidades dos espíritos que não receberam cuidados funerários adequados ou, ainda, para aqueles que eram sozinhos no mundo e portanto não têm parentes vivos para cultuá-los como ancestrais. 

“Diz a lenda que um mercador convertido ao budismo e assim chamado Mahāmaudgalyāyana, ao se tornar um “Arhat”, [monge budista] quis que seus pais mortos se alegrassem com sua nova vida. Ele usou sua clarividência para encontrá-los nos outros mundos. O pai, logo foi achado, estava no Reino de Deus.

A mãe, entretanto, tinha tomado a forma de um Espírito Faminto e habitava um reino inferior, o reino do Pretas, que possuem a garganta tão fina que nenhum alimento pode passar. Desolado, o monge procurou saber o que poderia ser feito para ajudá-la e o próprio Buda Sakyamuni recomendou a oferenda de comida para todos os Pretas.

O alimento deveria ser colocado em um lugar limpo e o mantra da transformação seria, então, recitado por sete vezes [transformação do alimento físico em etéreo]. Deste modo, sua mãe poderia renascer como um cachorro! Insatisfeito, Mahāmaudgalyāyana pediu o senhor Buda que lhe ensinasse um modo de fazer sua mãe renascer em forma humana. O mestre recomendou, neste caso, que fosse oferecida comida suficiente para alimentar 500 bhikkhus [monges mendicantes] e por causa desse mérito, a mãe do devoto poderia obter uma nova vida como gente. O dia dos Espíritos Famintos também é comemorado na China e no Japão”
[CABÚS, 2007].


Acredita-se que no “mês dos fantasmas”, as entidades visitam a Terra para desfrutar dos rituais e oferendas de comida, incensos e “dinheiro-fantasma” ─ dinheiro falso ou “dinheiro espiritual”. Na Malásia, atualizando a lista de presentes, também são ofertadas réplicas de casas, carros e aparelhos de televisão que são queimados na rua. Lanternas e barquinhos de papel são postos nas águas de lagos, do mar ou dos rios para orientar as entidades perdidas.

por Ligia Cabús

[…] Interpretação dos sonhos, apaziguamento (厭劾yan ke) e propiciação (祠禳ci rang) relacionados a fantasmas e seus efeitos no corpo humano. (ver mais) […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/fantasmas-da-china-e-indochina/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/fantasmas-da-china-e-indochina/

Black Ice, AC/DC

A presença de Highway to Hell, Back in Black e The Razor´s Edge na nossa lista já é uma amostra de como AC/DC é praticamente a trilha sonora do chamado satanismo moderno. Poderiamos sem dúvida incluir nesta lista qualquer outro álbum da banda, mas não é porque cada faixa da discografia deste grupo é um exemplo perfeito do que a celebração materialista deveria ser que Brian Johnson e compania não deixariam espaço para Satã cantar pela boca de outros rock stars. Assim, podemos fazer vista grossa e deixar de citar obras primas como “For Those About to Rock” e “Let There Be Rock”. Mas não podemos deixar de falar de Black Ice.

O chifres e o pentagrama invertido aparecem no encarte, o diabo é citado nas letras das músicas e a farra hedonista de sempre aparece em todas as músicas. Mas o motivo deste álbum estar nessa posição privilegiada de nossa contagem é muito mais sutil. Apesar das várias brincadeiras de Angus Young nas entrevistas sobre o título deste trabalho, os fãs de Neuromancer vão logo entender a mensagem.

Para quem não sabe, Neuromancer foi o livro que inaugurou o gênero Cyberpunk e influênciou enormemente a cultura digital vindoura. Foi para os primeiros “marginais virtuais” o que “On the Road” foi para a geração hippie. Neste livro os ICE`s são os “Intrusion Countermeasures Electronics” (Contramedidas Eletrônicas de Intrusão), algo que hoje chamariamos de Firewalls. Na história, as interfaces neurais já são uma realidade e o “Black Ice” é um programa criado não apenas para impedir as invasões, mas matar os cowboys do ciberespaço.

Sendo Black Ice o primeiro álbum de AC/DC no século XXI, é natural que a mesma irreverência rebelde de sempre, seja apresentada numa roupagem apropriada ao espírito desta época. A referência a cultura hacker não para por ai. O lançamento de Black Ice (o álbum) abusou da divulgação digital viral como ferramenta de promoção. Para se ter uma idéia o grupo se recusou a colocar o álbum para ser vendido via iTunes numa clara ofensa contra o monopólio da Apple sobre a música digital e o ‘video clipe’ promocional foi divulgado no formato de uma planilha comercial tipo Excel usando frames em ASCII-Art, para que ao contrário do que acontece com os formatos de vídeo ele não pudesse ser bloqueado por administradores de redes que não querem que as pessoas se divirtam no trabalho.

Pense bem, satanistas se orgulham de ser elitistas, rebeldes e independentes, qualidades que se encaixariam na definição de qualquer hacker de verdade. Se resta alguma dúvida uma breve leitura do famoso Manifesto Hacker pode saná-las. Palavras que poderiam ter sido escritas por LaVey. Nele lemos:

“Nós buscamos por conhecimento…e você nos chama de criminosos. Nós existimos sem cor de pele, sem nacionalidade, sem preconceito religioso…e você nos chama de criminosos. Você constrói bombas atômicas, você empreende guerras, você assassina, engana e tenta nos fazer acreditar que é para nosso próprio bem, contudo nós somos os criminosos. Sim, eu sou um criminoso. Meu crime é a curiosidade. Meu crime é  julgar as pessoas pelo que eles dizem e pensam e não pelo que se parecem. Meu crime é ser mais inteligente do que vocês, algo pelo qual você nunca me perdoará. Eu sou um hacker, e este é meu manifesto.”

Seria ridículo dizer que os integrantes do AC/DC sejam hackers, assim como seria ridículo dizer que são satanistas, mas isso apenas para as definições limitadas que as pessoas têm do que é um hacker e do que é um satanista. O mundo em que vivemos muda a todo segundo e dificilmente uma década é uma simples cópia da década anterior, mas os seres humanos continuarão sendo humanos onde quer que nasçam. Como Petridis escreveu para o Guardian.co.uk: “O capitalismo ocidental pode entrar em colapso mas ao menos podemos ter certeza que [Angus] Young estará em um palco, tocando sua guitarra em alguma música sobre sexo e rock and roll, vestindo bermuda, blazer e seu boné.”

Sobre o futuro Brian Johnson confessa que não tem bolas de cristal e em entrevista a Reuters é agnóstico: “Vou deixar na mão dos deuses. A vida é o que é, você sabe. Se você começa a planejar com muitos detalhes, ela te dá um chute no traseiro”. Mundanos, Tarados e Céticos como todo bom satanista. Seja qual for o formato que o ideal luciferino tomar nos próximos séculos, AC/DC será sempre lembrado como a banda que soube representá-lo em seu tempo. Se o “Rebelde” é um arquétipo eterno, o “Hacker” é sua roupagem mais atual. Black Ice!

Black Ice

 

Well the devil may care,
You toss ‘em back and be a man,
With the last time,
Black ice,
End of it all, end of the line,
End of the road,
Black ice,
Black ice,

Come on and bleeding out the crowds,
We’re watching all the women go,
Many a mile I’ll never take,
I run for forty miles and come up runnin’ late,
Don’t you know I live it down,
When the devil come a callin’ I aint gonna be around,
Black ice,
Black ice,
Black ice,
The devil come a callin’ I aint gonna be around,
Black ice,

Livin’ long, livin’ long,
Sleep all alone, you’re gonna take it all,
And I’m gonna rip it out,
I’ll kick, I creep crawl down your street,
I’ll gouge your eyes out,
Black ice,
Black ice,
Black ice,
Black ice,

My life,
Black ice,
My life,
Black ice,
My life,
When the devil come a callin’ I aint gonna be around,
I’ll kick, I creep crawl down your street, and gouge your eyes out,
Black ice

Tradução de Black Ice

Bem, o diabo pode se importar,
Rebata e seja um homem,
Com a última vez,
Black Ice,
Fim de tudo, fim da linha,
fim da estrada.
Black Ice,
Black Ice,

Vamos lá e sangrando as multidões
Nós assistimos todas as mulheres,
Com muitas não andarei nem uma milha,
Eu corro por quarenta milhas e venho correndo até tarde
Você não sabe eu vivo até o fundo,
Quando o diabo vier chamando eu nem estarei mais aqui.
Black Ice,
Black Ice,
Black Ice,
O diabo vem chamando eu não estou mais aqui.
Black ice,

Vida longa, vida longa,
Dorma sozinho, você vai conseguir tudo,
e eu vou pegar tudo para mim.
Eu chuto e venho me esgueirando pela sua rua
Eu engano os seus olhos,
Black Ice,
Black Ice,
Black Ice,
Black Ice,

Minha vida,
Black Ice,
Minha vida,
Black Ice,
Minha vida,
Quando o diabo fizer o chamado, eu não vou estar mais aqui,
Eu chuto, Eu me esgueiro pela sua rua, eu engano seus olhos.
Black Ice

 

Nº 42 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/black-ice-ac-dc/

Cantando Hare Krishna em Pureza – As Dez Ofensas

Por Sua Santidade Acyutananda Svami.

[Sua Santidade Acyutananda Svami é um dos primeiros estudantes americanos iniciados na consciência de Krishna por Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Quando Srila Prabhupada inicia um novo devoto, ele pede ao devoto que cante o mantra Hare Krishna e, enquanto canta, evite dez ofensas. Em uma recente cerimônia de iniciação para novos discípulos em Vrindavana, Índia, Srila Prabhupada pediu a Acyutananda Svami para instruir os novos iniciados sobre essas dez ofensas. A pedido de Srila Prabhupada, as observações de Acyutananda Svami são reproduzidas aqui.]

 

O nome de Sri Krishna, conforme encontrado no maha-mantra Hare Krishna – Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare – é uma vibração sonora transcendental. Rupa Gosvami diz: nama cintamanih Krishnas caitanya-rasa-vigrahah/purnah suddho nitya-mukto ‘bhinnatvan nama-naminoh. Krishna e Seu nome não são diferentes. O próprio Krishna é transcendental, assim como a forma de Krishna, o nome de Krishna e a parafernália de Krishna, assim como o próprio Krishna. Eles são todos feitos de energia transcendental.

 

Conforme declarado no Bhagavad-gita, janma karma ca me divyam: o nascimento e as atividades de Krishna são eternos e transcendentais. Quando uma pessoa comum nasce devido ao karma, as leis da ação e reação materiais, seu corpo está todo enrugado e coberto de sangue e muco. Mas Krishna nasce sorrindo. Em Mathura Ele nasce segurando um búzio, disco, maça e lótus e decorado com uma coroa, joias, uma linda guirlanda e todos os Seus ornamentos transcendentais. Nenhum de nós nasceu assim aqui; todos nós nascemos por causa do karma. Mas não Krishna. E simplesmente por saber que o nascimento e as atividades de Krishna são divinos, a pessoa também se torna divina. Então não é necessário nascer de novo no mundo material.

 

A natureza espiritual tem forma (caitanya-rasa-vigraha); não é sem forma. A natureza de Krishna tem forma, mas essa forma é divina, transcendental, cintamani. Cintamani também implica consciência (cinta significa “consciência” ou “substância divina”). E a forma de Krishna não é diferente de Seu nome. Um som transcendental, no entanto, não pode ser proferido por lábios materiais. Um som transcendental deve ser proferido pelos sentidos transcendentais. A forma transcendental de Krishna só pode ser vista por olhos transcendentais, e o nome transcendental de Krishna só pode ser falado com lábios transcendentais. Portanto, temos que purificar nossos sentidos, purificar nossos olhos, purificar nossa língua, purificar nossos lábios, purificar nossas mãos – tudo deve ser purificado. Então podemos entender Krishna.

 

Isso é natural, porque o espírito é adhoksaja; não pode ser percebido pelos sentidos materiais. Os cientistas querem ver tudo com seus olhos mundanos, mas muitas coisas não podem ser vistas dessa maneira. Para ver minúsculos micróbios ou planetas distantes, você precisa melhorar sua visão com um microscópio ou telescópio. Então, para ver o espírito, você também tem que purificar sua visão, torná-la mais fina. Premanjana-cchurita-bhakti-vilocanena: você tem que passar a pomada do amor em seus olhos. Iogues comuns e especuladores mentais não podem ver Krishna. Somente devotos, ou bhaktas, podem vê-Lo (bhaktya mam abhijanati; bhaktya tv ananyaya sakyah).

 

Há dez ofensas (nama-aparadhas) a serem evitadas enquanto se canta o mantra Hare Krishna. Estes são dados em The Nectar of Devotion, e também no Padma Purana. Somente os devotos podem ver Krishna em Sua forma pessoal, porque são eles que evitam essas dez ofensas. Quando cantamos Hare Krishna, devemos, portanto, ter muito cuidado para evitar essas ofensas.

 

Alguém está cantando Hare Krishna de forma ofensiva ou sem ofensas? Você pode não saber. Suponha que eu lhe mostrasse duas pílulas brancas — uma de arsênico e outra de aspirina. Você pode não saber qual é qual. Você teria que ir a uma autoridade – um médico, por exemplo – que poderia lhe dar a coisa certa. Você não iria a um charlatão; ele pode te dar o arsênico. Afinal, é uma pílula branca e você não sabe a diferença. Portanto, você tem que ir a um médico genuíno. Da mesma forma, devemos ouvir o canto de Hare Krishna apenas de devotos que estão evitando essas dez ofensas. Caso contrário, o canto será como leite tocado pelos lábios de uma serpente. O leite é muito puro e saudável, mas o leite tocado pelos lábios de uma serpente se transformará em veneno. Podemos ver um bom sadhu, ou uma pessoa santa, cantando Hare Krishna, mas se ele não estiver evitando essas ofensas, ouvi-lo é perigoso.

 

A primeira ofensa é sadhu-ninda: blasfemar devotos que dedicaram suas vidas a propagar o santo nome do Senhor. Os devotos que entregam suas vidas ao Senhor e que se engajam plenamente na pregação devem ser imaculados em seu caráter. Ainda assim, o Bhagavad-gita diz que se alguém se engaja totalmente na pregação da consciência de Krishna e no canto do santo nome, ele deve ser considerado santo mesmo que por acaso cometa alguma atividade abominável. Não devemos magnificar as faltas de um devoto. A lua está brilhando, espalhando sua luz doce e fria, e embora a lua também tenha algumas manchas pretas, a luz da lua brilha tão forte que não devemos considerá-las. Da mesma forma, mesmo que um pregador acidentalmente cometa um erro grave, isso deve ser desculpado. Krishna diz, ksipram bhavati dharmatma: muito rapidamente ele será purificado. Temporariamente pode haver alguma mancha em seu caráter, mas muito em breve ela será lavada pela potência de cantar o santo nome. Então ele será puro, como o céu claro. Se havia uma nuvem sobre um pedaço do céu alguns momentos atrás, mas agora o céu está claro, qual é a diferença entre esse céu e o céu que nunca foi coberto? Não há diferença; ambos são puros.

 

Se falarmos mal dos devotos, as pessoas perderão a fé em suas palavras. Tal perda de confiança apenas impede o progresso espiritual da humanidade. As abelhas procuram mel, enquanto as moscas procuram feridas abertas. Algumas pessoas são como moscas. Se eles veem a menor falha, eles a ampliam desproporcionalmente. Mas não devemos ser como moscas; devemos ser como abelhas zumbindo e ver todas as boas qualidades de um devoto. Se houver qualidades ruins, elas logo serão eliminadas. Nunca devemos falar mal ou fofocar sobre devotos que entregaram suas vidas ao santo nome.

 

A segunda ofensa é considerar semideuses, como o Senhor Shiva ou o Senhor Brahma, iguais ou independentes do nome do Senhor Vishnu, ou Krishna. No mundo material existem muitos seres vivos superpoderosos que controlam o funcionamento da natureza. Eles são chamados de semideuses. Assim como alguns seres humanos são mais poderosos que outros, os semideuses são ainda mais poderosos que qualquer ser humano. Mas a Suprema Personalidade de Deus é Sri Krishna. Ele é completo e pleno porque tem opulências plenas – toda riqueza, toda força, toda fama, toda beleza, todo conhecimento e toda renúncia. Nenhuma outra personalidade, nenhuma outra divindade ou semideus tem essas qualidades em sua totalidade. Krishna é, portanto, purna-avatara. Purna significa que Ele é completo – completamente completo. Todos os semideuses, como Shiva, Candra e Indra, são aspectos parciais deste purna. Por exemplo, a lua esta noite é amavasya, a lua escura. A lua está lá, mas você não pode ver nenhuma luz. Então amanhã haverá uma luz tênue vindo da lua. A lua inteira está lá, mas você pode ver apenas aspectos parciais dela, até que a lua cheia apareça. Da mesma forma, Krishna tem muitas formas, mas o Senhor manifesta Sua plena potência apenas como Sri Krishna, Syamasundara, com dois braços segurando a flauta (venum kvanantam aravinda-dalayataksam). Ele é a Personalidade de Deus original e completa.

 

Há muitas pessoas que adoram muitas divindades, até mesmo Krishna, mas não acreditam que Krishna seja supremo. Eles pensam que, embora Deus não tenha forma ou nome, alguma porção de Deus deslizou para maya e assumiu a forma de Krishna, Shiva, Durga ou outros semideuses. “Vou adorar esta divindade e me concentrar em sua forma”, pensa tal adorador, “e então um dia a forma se dissolverá e eu me dissolverei, e me tornarei tão bom quanto ele. Eu me tornarei igual a Krishna” Isso é uma ofensa. Isso não é bhakti, mas prostituição. É o que chamei de vesya-vada, a filosofia de uma prostituta. Qual é a proposta de uma prostituta? Uma prostituta não ama ninguém. Qualquer homem na rua é tão bom quanto qualquer outro. Mas a prostituta pensa: “Se esse homem me der alguma coisa, vou fingir que o amo. Se eu conseguir alguma coisa desse homem – ou de qualquer homem, não importa quem – então vou fingir que o amo.” Da mesma forma, as pessoas pensam: “Oh, qualquer deus, é tudo a mesma coisa. Se eu conseguir algo, então vale a pena fingir bhakti. Eu vou adorar no templo”. Mas isso não é bhakti – isso é trapaça. Você não está adorando o que pensa ser o Supremo. Você acha que o Supremo não tem forma. Então por que você está realizando arcana, sadhana, puja e outros tipos de adoração?

 

Os semideuses são apenas partes parciais de uma parte de Krishna. Eles estão muito longe da Suprema Verdade Absoluta. A Verdade Absoluta não tem nada a ver com a matéria. Portanto, mesmo o Senhor Shiva, que é quase tão bom quanto Krishna, não é o Supremo porque sua atividade diz respeito apenas à destruição material. O Senhor Krishna é comparado ao leite, e o Senhor Siva é comparado ao iogurte. Iogurte é leite, mas se você comer iogurte a reação no estômago é fria, e se você beber leite a reação no estômago é quente – exatamente o oposto. Então, se você adorar o Senhor Shiva, ou qualquer semideus, a reação será material, mas se você adorar Krishna, a reação será o desenvolvimento espiritual eterno. Portanto, não devemos igualar os nomes de Shiva, Durga, Candra e outros semideuses com o nome de Krishna. O nome de Krishna tem plena potência espiritual.

 

Os devotos na linha discipular do Senhor Caitanya entendem que todos os nomes dos semideuses vêm do nome de Krishna. Tomemos Indra como exemplo. “Indra” significa “rei”. Krishna é paramesvara, o rei supremo, então realmente o nome “Indra” pertence a Krishna. Krishna é Indra. E o semideus Indra, que é o rei dos planetas celestiais, recebeu o nome de Krishna. Outro semideus: Shiva. “Siva” significa auspicioso. Krishna é mangalo mangalanam: nada é mais auspicioso do que Krishna. Portanto, Krishna é Śiva, e o Śiva, que é a divindade da destruição, recebeu o nome Dele. Meu nome é Acyutananda. Eu não sou acyuta. Acyuta significa Krishna. Eu sou o servo de Acyuta. Dasa significa “servo”. Assim, tenho o nome de Krishna como Seu servo, dasa. Da mesma forma, todos os semideuses são Krishna dasa. Indra significa Krishna dasa. Shiva significa Krishna dasa. Candra significa Krishna dasa. Todos são Krishna dasa. Ekala isvara Krishna ara saba bhrtya: o único desfrutador supremo, a personalidade suprema, é Krishna; todos os outros são Seus servos. Portanto, devemos nos concentrar no nome de Krishna.

 

A terceira ofensa é desobedecer às ordens do guru, ou mestre espiritual. O guru é a única conexão que temos entre nós e Deus. Se uma formiga rasteja em seu corpo, a formiga não pode nem entender que você é um ser humano e que ela está andando em um homem. Ele pensa que está andando em uma floresta de árvores. Nem você pode explicar, “Sr. Ant, você está andando em cima de mim. Você não tem o poder de se explicar para ele, e ele não tem o poder de entender onde está. Vocês dois estão indefesos. Mas ainda mais distantes estão a entidade viva (jiva) e Krishna. Somos minúsculos; o jiva é um décimo de milésimo do tamanho da ponta de um fio de cabelo. E Krishna é tão grande que dos poros de Maha-Visnu, que é apenas um aspecto parcial de Krishna, inúmeros universos estão surgindo, como partículas de poeira entrando por uma janela.

 

Devemos perceber nossa posição como pequenos seres vivos e não tentar imitar a Deus. O universo em que vivemos tem muitas galáxias diferentes e um número infinito de planetas, e todos eles estão encerrados em uma bolha que veio de um poro de Maha-Visnu. Milhões e milhões de universos semelhantes a bolhas estão vindo de cada poro de Maha-Visnu, e estamos vivendo em um desses universos. Nosso universo tem milhões de planetas, e um pequeno planeta é a Terra. Nesse planeta terra há tanta água e terra, e a terra, que é apenas cerca de um terço do planeta, está dividida em tantos países, com tantos estados em cada um. Um país insignificante entre todos esses países é a Índia, que é dividida em vinte e um estados. Um estado é Bengala, e em Bengala existem muitas cidades. Uma cidade é Calcutá, que é dividida em muitas áreas – Ballygunge, Tallygunge, Burra Bazaar e assim por diante. Um lugar ali é a Rua Camac, e na Rua Camac há uma casa na qual muitos devotos estão morando, e um desses devotos está pensando: “Eu sou Deus”. Você é tão pequeno, tão insignificante! A única conexão que você, como um ser insignificante, tem com o Ser Supremo Significativo é o guru.

 

O guru, o mestre espiritual, é o meio transparente entre o Deus infinito e a alma finita. O Infinito pode dar-se a conhecer ao finito. Ele não é fraco. Não podemos nos explicar a uma formiga, mas Krishna pode se explicar a uma jiva. Portanto, ofender ou desobedecer à ordem do representante de Krishna, o guru, é suicídio.

 

Se alguém tem guru-sraddha, fé no guru, se é noite, mas o guru diz que é dia, você verá o sol brilhando. Além de nossa percepção sensorial material, devemos aceitar a ordem do guru fidedigno. Nossos sentidos são falíveis, limitados, imperfeitos, mas as palavras do guru fidedigno são puras e perfeitas. Guru-mukha-padma-vakya, cittete kariya aikya, ara na kariha mane asa: nosso único desejo é ouvir e compreender as ordens do mestre espiritual. Desobedecer às ordens do mestre espiritual impedirá qualquer progresso na vida espiritual. Yasya prasadad bhagavat-prasado yasyaprasadan na gatih kuto ‘pi: se Krishna está satisfeito com você, mas o guru está descontente, não há esperança; e se o guru está satisfeito e Krishna está descontente, você não tem nada com que se preocupar.

 

Estamos pregando a escravidão, a escravidão divina. Cada país do mundo tem um esquema de prazer – comunismo, socialismo, democracia ou qualquer outra coisa – mas todos eles estão tentando ter prazer independente do Senhor Supremo. Estamos pregando que a escravidão é muito mais feliz do que uma falsa sensação de independência. O que o guru diz, nós fazemos. Mas ele é perfeito. Ser escravo da perfeição — isso é vida extática.

 

Quarta ofensa: blasfemar a literatura védica ou literatura de acordo com a versão védica. As literaturas védicas estão em harmonia com as palavras do mestre espiritual, pois o mestre espiritual não dirá nada que não seja confirmado nas escrituras. Portanto, as palavras das escrituras e do mestre espiritual são nossas diretrizes.

 

As escrituras védicas são faladas pelo próprio Deus, e por aqueles que têm perfeito entendimento. Ao contrário das filosofias inventadas pela inteligência humana imperfeita, as escrituras védicas foram escritas pela inteligência perfeita, por devotos, por grandes sábios que sacrificaram suas vidas, não por líderes que viviam no luxo e queriam escrever alguma constituição ou propor alguma política para promover seu senso. gratificação. Esses líderes vivem no luxo às custas de todos os outros. Tanto quanto podem, eles tentam blefar as pessoas com conversas altruístas, mas seu verdadeiro objetivo é viver no luxo às suas custas. Você passa fome e eles vivem no luxo, não importa o que eles pregam. Os grandes sábios que viram a Suprema Verdade Absoluta sacrificaram suas vidas pelo Supremo; eles viviam em tantas dificuldades — para nós — porque eram nossos benquerentes. Os devotos são todos oceanos de misericórdia que vêm para nos salvar.

 

vancha-kalpa-tarubhyas ca

krpa-sindhubhya eva ca

patitanam pavanebhyo

vaisnavebhyo namo namah

 

“Ofereço minhas respeitosas reverências a todos os devotos conscientes de Krishna do Senhor. Eles são como árvores de desejo que podem satisfazer os desejos de todos, e estão cheios de compaixão pelas almas condicionadas caídas.”

 

Os grandes sábios e devotos não vêm para trapacear; eles vêm para nos dar as literaturas védicas. Portanto, essas escrituras são cientificamente puras. Encontramos muitas evidências científicas para apoiar as declarações dos Vedas. Por exemplo, os Vedas declaram que o esterco de vaca é tão puro que você pode até colocá-lo no templo, e agora a ciência está descobrindo que, de fato, o esterco de vaca tem muitas qualidades anti-sépticas. Mas por milhares de anos sabíamos que o esterco de vaca é puro; não tivemos que fazer pesquisa científica. Então, por que não aceitar a literatura védica como ela é, pura e perfeita, sem duvidar dela?

 

Algumas pessoas interpretam as palavras nas escrituras védicas, assumindo que todas são alegóricas ou simbólicas. Mas tais interpretações não podem influenciar os devotos que têm servido na Índia, pois vimos os lugares onde as encarnações de Krishna estiveram. Se alguém insistir obstinadamente que os passatempos de Krishna são todos mitologia, posso levá-lo pela orelha a Hastinapura e ao forte Indraprastha onde os Pandavas viviam, depois puxá-lo pela outra orelha para Kurukshetra, a 160 quilômetros de lá, onde Krishna falou o Bhagavad-gita. , então pelo nariz para Vrindavana, onde Krishna realizou Seus passatempos, e mergulhou sua cabeça grossa no sagrado Rio Yamuna. Esses lugares foram feitos apenas para justificar alguns poemas? Certamente não. Aqui em Vrindavana e Mayapur desenvolvemos fé, a semente de bhakti, quando vemos os lugares onde o Senhor Krishna e o Senhor Caitanya Mahaprabhu tiveram Seus passatempos.

 

Quinta ofensa: considerar imaginárias as glórias de cantar o mantra Hare Krishna. É dito na literatura védica que cantando uma vez o santo nome de Krishna a pessoa pode erradicar mais pecados do que ela pode cometer em todos os quatorze mundos. Portanto, não devemos duvidar disso. Não devemos considerar isso um exagero. Mas essa afirmação é uma grande pílula para engolir. Portanto, embora possamos dizer que cantar Hare Krishna é um processo fácil para a perfeição espiritual, as pessoas duvidarão que seja verdade. Se eu ficasse na rua e dissesse “diamantes, diamantes grátis”, ninguém acreditaria em mim. Mas aqui as escrituras estão dizendo mais do que isso. Ceto-darpana-marjanam bhava-maha-davagni-nirvapanam: você pode obter a liberação completa de todos os pecados apenas cantando Hare Krishna uma vez. As pessoas duvidarão que isso seja verdade. Ter plena fé no santo nome não é fácil; ainda devemos. Nunca devemos pensar que as escrituras védicas estão apenas blefando, tentando nos convencer a cantar, exagerando a potência do canto. Não, devemos ter fé completa.

 

Sexta ofensa: interpretar o canto do santo nome do Senhor. Algumas pessoas gostam de distorcer as declarações dos Vedas ou o significado do santo nome de Krishna. Por exemplo, cantamos os nomes Hare Krishna. Hari significa ladrão, hari significa leão e hari também significa cobra. Então, Hare Krishna significa serpente Krishna, ladrão Krishna, leão Krishna? Não. Harir om tat sat: Hari é a Suprema Verdade Absoluta. Isso significa que um ladrão é a Suprema Verdade Absoluta? Devemos construir um templo para um ladrão? Devemos construir um templo para uma cobra?

 

Com um dicionário você pode interpretar, dobrar e torcer palavras ilimitadamente. Por exemplo, posso falar do presidente Kennedy. Mas “ken” pode significar “posição mental” e “redemoinho” significa uma piscina em redemoinho, então um malabarista de palavras pode dizer que Kennedy era alguém cuja mente estava confusa e que se tornou o presidente. Pode-se torcer palavras como bate-papo de muitas maneiras. “O professor”, disse o menino, “é um tolo”. O professor disse que o menino é um tolo. Se mudarmos a pontuação, toda a frase terá um significado completamente diferente. Da mesma forma, algumas pessoas tentam distorcer os significados falsos e completamente enganosos dos Vedas, mas nós não queremos isso.

 

Não queremos uma interpretação distorcida. Queremos a verdade, como ela é. Srila Prabhupada está dando o Bhagavad-gita como ele é. Não se deve tentar distorcer algum outro significado. Não devemos ser como o homem tolo cuja esposa lhe disse para comprar um pouco de ghee, manteiga clarificada. Ele saiu para comprar ghee, mas quando foi até o homem que vendia ghee, aquele homem disse: “Meu ghee é tão bom, é como óleo”. Então o homem disse: “Oh, óleo. O óleo deve ser melhor que o ghee.” Então ele foi até o homem que vendia óleo. Mas o homem do petróleo disse: “Meu óleo é tão claro, é tão claro quanto a água”. Então o sujeito pensou que a água devia ser melhor que o óleo. Então, em vez de ghee, ele comprou um pouco de água. Passo a passo, ele chegou a algo inútil. Você não pode fritar nada na água, mas ele achava que água é melhor que ghee. Dessa forma, um especulador mental pode torcer e transformar tudo. Krishna significa preto, preto significa escuro, escuro é desconhecido, Então Krishna significa desconhecido. É um tipo muito perigoso de filosofia. Portanto, não podemos interpretar os significados dessas palavras; antes, devemos aceitá-los de acordo com a compreensão dos acharyas, os devotos puros na linha discipular.

 

Sétima ofensa: cometer atividades pecaminosas com a força de cantar o santo nome do Senhor. Cantar o santo nome nos livra de tantos pecados, mas não devemos pensar: “Vou cometer atividades pecaminosas e depois cantar para me tornar puro. Então eu cometerei mais pecados e então cantarei novamente.” Isso é um absurdo. Isso é trapaça. Você não pode enganar Krishna, nem pode enganar o santo nome. O santo nome é Krishna. Portanto, Krishna saberá o que você está fazendo. Em algumas religiões é uma política que no sábado a pessoa possa confessar todos os seus pecados e assim tornar-se pura para que no domingo ela possa entrar na igreja. Então, a partir de segunda-feira, ele pode retomar sua tolice pecaminosa. Mas se alguém confessou que seus pecados são errados, por que deveria cometê-los novamente? Ele será perdoado uma ou duas vezes, se os cometer sem saber, mas na terceira ou quarta vez terá que sofrer. Ninguém pode continuar usando o Senhor para justificar seu pecado. Isso é um absurdo. Tentar usar a força do santo nome para justificar suas más propensões é considerado a pior ofensa.

 

Oitava ofensa: considerar o canto de Hare Krishna uma das atividades ritualísticas auspiciosas oferecidas nos Vedas para ganhos fruitivos (karma-kanda). Estamos cantando Hare Krishna para obter Krishna-prema, amor a Krishna – não por causa da religiosidade (dharma), desenvolvimento econômico (artha), satisfação dos sentidos (kama) ou mesmo liberação (moksa). Quando alguém está imbuído de amor por Krishna, a liberação parece totalmente miserável porque na liberação impessoal não há amor. Krishna se manifesta em Suas moradas espirituais, como Goloka e Vaikuntha, e Ele aparece no mundo material como um avatara, ou encarnação. Na forma do avatara Varaha, Krishna foi para a região mais escura do inferno para resgatar o planeta Terra. Portanto, Krishna aparece para Seus devotos no inferno, na terra, no céu e em Goloka Vrndavana, mas no Absoluto impessoal, o brahmajyoti, Krishna não se manifesta. Portanto, kaivalyam narakayate; a liberação impessoal (kaivalya-mukti) é pior que o inferno para um devoto.

 

Não estamos cantando Hare Krishna para nenhum ganho pessoal. No dhanam na janam na sundarim kavitam va jagad-isa kamaye: não queremos dinheiro, não queremos seguidores, não queremos mulheres bonitas, nem queremos popularidade, educação ou uma posição importante. Mama janmani janmanisvare bhavatad bhaktir ahaituki tvayi: queremos devoção sem causa, bhakti, aos pés de Krishna. Nada mais. Portanto, estamos cantando Hare Krishna – apenas para isso.

 

Nona ofensa: instruir uma pessoa infiel sobre as glórias de cantar o santo nome. Qualquer pessoa pode participar do canto do santo nome, mas não devemos dar instruções ou iniciações mais profundas a quem é infiel. Essa falta de fé pode ser devido à sua ignorância e, portanto, podemos dar-lhe conhecimento e purificá-lo. Mas antes que ele seja purificado, se ele decidiu ser avesso a Krishna (bahir-mukha, vimukha), quanto mais o instruirmos sobre Krishna, mais ele odiará Krishna. Então estaremos fazendo com que essa pessoa cometa mais ofensas, e isso é uma ofensa da nossa parte. Portanto, não se deve dar instruções mais profundas sobre cantar o santo nome para alguém que não tem fé; antes, devemos primeiro desenvolver sua fé dando-lhe conhecimento.

 

As pessoas não têm fé em Krishna apenas porque são ignorantes. Eles não foram expostos ao conhecimento real de Krishna, mas absorveram apenas noções falsas. Por exemplo, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, a força aérea japonesa pegou meninos de treze ou quatorze anos e os ensinou a pilotar aviões. Eles não os ensinaram como pousar os aviões, mas apenas como decolar e voar. Eles disseram a esses garotos inocentes que, pelo bem de seu país, eles poderiam bater o avião em um barco inimigo e eles sairiam vivos. Eles não disseram a eles que explosivos haviam sido carregados no avião e que eles seriam mortos. Os pilotos receberam apenas uma pequena quantidade de combustível, para que não pudessem voltar se ficassem com medo. Finalmente, seus comandantes os acusaram de algumas noções falsas sobre amor à pátria e amor por seus antepassados ​​e os enviaram em sua missão. Eles eram simplesmente um esquadrão suicida. Tudo o que tinham era conhecimento parcial, combustível parcial e educação parcial, e assim, carregados de alguns sentimentos falsos, foram iludidos a cometer suicídio. Da mesma forma, a educação moderna está nos dando apenas educação parcial, para que trabalhemos como cães.

 

Segundo a crença popular, o povo indiano não tem capacidade para trabalhar. Este é um equívoco. Já vi pessoas extremamente idosas andando 13 ou 15 quilômetros ao redor da Colina Govardhana sob o sol quente. Eles escalam as sete colinas até o templo de Tirupati, tomam banhos frios no mês de Magh (janeiro) ou caminham até Badarikasrama. Eles estão tão dispostos a realizar essas atividades para a realização espiritual, então por que não estão ansiosos para trabalhar em uma fábrica? Porque eles sabem que não estão obtendo benefícios espirituais trabalhando em uma fábrica. Eles querem benefício espiritual, porque as pessoas na Índia são basicamente religiosas. Eles sabem que mukti (libertação) não pode ser alcançada trabalhando em uma fábrica, mas o governo está tentando propor a filosofia de que trabalho é adoração. Os líderes do governo sabem que as pessoas são basicamente religiosas, então estão dizendo: “Se você trabalhar duro na fábrica quente, obterá mukti”. Eles estão tentando destruir um falso significado do Bhagavad-gita – trabalhe duro e esqueça qualquer outra coisa. Sem religião, sem templo, apenas trabalho na fábrica. Eles estão tentando impor essa filosofia ao público para fazer com que as pessoas trabalhem na fábrica e pensem que o trabalho fabril ou o trabalho duro é uma atividade auspiciosa e piedosa.

 

Mas não funciona. Entre em qualquer prédio de escritórios e você encontrará todos sentados fumando, tentando fazer o mínimo de trabalho possível. Mas se você for a Jagannatha Puri, verá um enorme templo construído há milhares de anos. Como as pessoas conseguiram a energia para construir tal templo? Eles sabiam: “Estou fazendo isso por Jagannatha, por Krishna”. Isso trouxe o melhor deles. Se as pessoas souberem que estão trabalhando para algum ministro trapaceiro, também serão trapaceiros. Eles farão a menor quantidade de trabalho possível. No entanto, se trabalham para Deus, sabem que Ele vê tudo o que fazem e que, ao agradá-lo, podem vê-lo e viver com ele. Isso é uma inspiração. Mas os líderes modernos não gostam disso. Eles querem que as pessoas trabalhem para eles, não para Krishna. Eles têm inveja de Krishna. Eles pensam: “Oh, se você trabalha para mim, isso é adoração”. Isso é falso. Estamos aceitando o mahatma-panthah, o caminho dos acaryas anteriores, os grandes mestres espirituais. A sociedade moderna sabe mais do que os grandes acharyas?

 

A última ofensa é não ter fé completa no canto do santo nome e manter o apego material mesmo depois de entender tantas instruções sobre este assunto. Krishna declara no Bhagavad-gita, rasa-varjam raso ‘py asya param drstva nivartate: “Aquele que está apegado ao prazer sensual se liberta desse apego quando experimenta um gosto mais elevado.” Nós, devotos na Índia, aparentemente estamos vivendo vidas muito difíceis. Embora sejamos americanos, estamos dormindo no chão, comendo apenas uma ou duas refeições por dia, vivendo neste país quente e nos vestindo e vivendo humildemente. Então as pessoas podem pensar que estamos sofrendo, mas na verdade não estamos – somos felizes. Estamos felizes porque temos o santo nome, porque estamos tendo um sabor mais elevado. Mas se depois de ter esse sabor mais alto quisermos novamente o sabor mais baixo, isso é um grande erro. Uma pessoa nessa posição é chamada de vantasi. Vantasi significa aquele que come seu próprio vômito. Quando alguém rejeita seus apegos baixos, isso é comparado ao vômito. No entanto, depois de ter obtido um sabor mais elevado, ceder novamente a um sabor mais baixo é tão bom quanto comer vômito. Portanto, manter apego material depois de ouvir as glórias do santo nome do Senhor é uma ofensa.

 

Se evitarmos essas dez ofensas ao santo nome do Senhor, certamente progrediremos, pela graça do mestre espiritual, Senhor Caitanya e Senhor Sri Krishna. O resultado será, ceto-darpana-marjanam; nossa consciência será purificada. Isso é uma necessidade. Como podemos ter paz ou fazer algum progresso quando nossa consciência está turva e agitada?

 

Houve uma reunião entre alguns líderes do Oriente Médio preocupados em fazer a paz em Israel. Eles haviam se reunido em uma sala e estavam prestes a se sentar em mesas diferentes. A Jordânia foi atribuída a uma mesa, a Síria a outra, o Irã a outra e Israel a outra. Os israelenses, no entanto, não quiseram ocupar seus assentos designados. Eles queriam se sentar em uma mesa do outro lado da sala. Mas os sírios disseram: “Não, queremos esta mesa”. Então, seguiu-se uma discussão furiosa, na qual os membros da conversa de paz ameaçaram encerrar as negociações e ir à guerra. Como suas mentes estavam agitadas, eles não conseguiam fazer as pazes nem mesmo em uma sala de três metros. Portanto, a primeira necessidade na sociedade é a pureza da consciência.

 

Com consciência impura interior, como podemos externamente ter paz ou pureza? Primeiro devemos nos tornar puros internamente. Por exemplo, aqui na Índia os comerciantes agora adulteram o ghee (manteiga clarificada) misturando muitas coisas impuras para economizar dinheiro. Por quê? Porque eles não acreditam mais em Deus. Se acreditassem em Deus, pensariam: “Este ghee pode ser oferecido em um templo em algum lugar. Torná-lo impuro seria uma grande ofensa”. Mas porque eles não são conscientes de Deus, eles pensam: “Quem se importa? Ninguém vai me ver. O governo não vai saber.” Mas embora se possa escapar da visão do governo, não se pode escapar da visão de Deus. O Senhor Supremo vê tudo. No entanto, se eliminarmos a ideia de Deus como saksi, a testemunha, então o inferno prevalecerá. Portanto, devemos purificar a consciência. Bhava-maha-davagni-nirvapanam: quando nossa consciência é purificada, automaticamente o fogo de nossa existência material será extinto.

 

O canto de Hare Krishna dissemina o conhecimento transcendental no coração como a luz da lua (sreyah-kairava-candrika-vitaranam vidya-vadhu-jivanam) e aumenta nosso êxtase a cada momento (anandambudhi-vardhanam). No êxtase material, o prazer diminui gradualmente. Se você tem prazer em comer um pedaço de doce, em pouco tempo precisará de dois pedaços para obter o mesmo prazer. Então você vai precisar de três, depois de cinco, e logo você não vai querer mais olhar para doces. Isso é prazer material; ele diminui. Mas em consciência de Krishna, anandambudhi-vardhanam pratipadam purnamrta svadanam: a cada passo você terá um sabor mais completo do néctar. Sarvatma-snapanam param vijayate sri-Krishna-sankirtanam: todos podem se purificar cantando este maha-mantra Hare Krishna. Atma significa o corpo, a mente, a inteligência, o esforço, a alma e Krishna. Caitanya Mahaprabhu deu todos esses significados diferentes para a palavra atma quando explicou o verso atmarama do Srimad-Bhagavatam. Portanto, ceto-darpana-marjanam . . . sarvatma-snapanam. quando cantamos Hare Krishna, todos os atmas se purificam – a mente, a inteligência, a alma. Ao cantar Hare Krishna, todas as entidades vivas podem se tornar felizes. E Krishna também fica feliz quando cantamos.

 

Podemos oferecer uma flor a Krishna (patram puspam phalam toyam), mas o nome de Krishna é o próprio Krishna (abhinnatvan nama-naminoh). Assim, cantando os santos nomes do Senhor Krishna, estamos dando a Ele a melhor oferenda. No Srimad-Bhagavatam afirma-se, yajnaih sankirtana-prayair yajanti hi sumedhasah: aqueles que são inteligentes nesta Era de Briga adorarão o Senhor Supremo por nama-sankirtana-yajna, o sacrifício de cantar o santo nome do Senhor. Yajna (sacrifício) deve ser realizado, pois sem yajna, mesmo a prosperidade material é impossível. Nesta Era de Kali, o sacrifício recomendado é sankirtana-yajna, e aqueles que são inteligentes realizarão este canto dos santos nomes do Senhor e, portanto, seguirão os ensinamentos do Senhor Caitanya Mahaprabhu.

 

Caitanya Mahaprabhu é nosso objetivo, nosso objeto de meditação e adoração. Ele é o próprio Krishna com uma tez dourada, cercado por Seus associados. O Senhor Caitanya, no entanto, não carrega armas, o Senhor Ramacandra carrega um arco e flecha, Parasurama tem Seu machado, Krishna tem Seu disco e Vishnu carrega uma concha, disco, maça e lótus. Mas Caitanya Mahaprabhu está de mãos vazias. Suas únicas armas são Seus associados, como o Senhor Nityananda e Haridasa, porque Sua arma é o amor. Em vez de matar os demônios e libertá-los, Ele os transformou em devotos e os conquistou pelo amor. O Senhor Nityananda costumava ir de casa em casa, bater em suas portas e implorar às pessoas que por favor cantem Hare Krishna. Ele abria a porta, caía prostrado no chão e rolava no chão, implorando para que cantassem o santo nome do Senhor. Como você pode negar Seu pedido? A Suprema Personalidade de Deus está aos seus pés, implorando por você rolando na poeira de sua casa. Você O negará? Você pode recusar? Nenhuma pessoa inteligente pode rejeitá-Lo. Portanto, cante Hare Krishna e evite essas ofensas. Essa é a perfeição da vida humana.

 

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Fonte:

 

Chanting Hare Krishna in Purity — The Ten Offenses, by His Holiness Acyutananda Svami.

 

Back To Godhead Vol 68, August 1974.

 

Chanting Hare Krishna in Purity — The Ten Offenses.

 

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/cantando-hare-krishna-em-pureza-as-dez-ofensas/

As Linhas de Vampirismo no Mundo Moderno

Este Texto tem o propósito de desmitificar e deixar claro as linhas de pensamento, de varias ordens vampíricas atuais.Não aludindo ou subjugando qualquer uma porém classificando-as de acordo com suas próprias crenças, de um ponto de vista cético.
Apesar de ser Thelemita, procuro manter uma visão imparcial das ordens supracitadas, levando em conta que, algumas são mais fáceis de engolir que outras.

 

Tudo se iniciou com Aleister Crowley afiando seus dentes e mordendo pulsos de bailarinas, com teu infame Beijo da Serpente. Dali em diante um novo movimento iria surgir, e restituir o Vampirismo. Após obras claras de alusão ao Vampirismo, como o De Arte Magica e o Liber Stellae Rubrae, aonde Crowley afirma no ritual;

 “48. Eu sou Apep, Ó tu Sacrificado. Tu te sacrificarás sobre o meu altar: Eu beberei teu sangue. 

   49. Pois Eu sou um poderoso vampiro, e minhas crianças sorverão o vinho da terra, que é sangue. 

   50. Tu reabastecerás tuas veias pelo cálice do céu”

O Nono Grau da OTO aludia ainda que discretamente a pratica de vampirismo, como um método para substituir o ‘Entusiasmo Energizado’ do Crowley.

Isso tudo, alguns boas décadas atrás.Michael Aquino sai da Church Of Satan e resolve fundar seu Templo. O Templo de Set, nos EUA, foi a primeira organização vampírica vindo a publico no fim dos anos 60.No inicio dos anos 70, surge a House Sahjaza que traz o vampirismo de volta, com direito a ankhs, fangs e rituais pagãos. Dela em diante surgiu uma série de ‘Houses’ vampíricas nos EUA, cada uma incorporando a pratica do vampirismo a sua forma, até que uma, em especifico, resolveu vir a público nos anos 90;

A Temple of The Vampire, como é conhecida em publico, ou a Hekal Tiamat, alegava ser tão velha quanto o tempo, e permanecer escondida nos véus dele. Ela veio a publico nos anos 90, junto com a Michelle Bellanger e sua House Kheperu, que trazia agora um novo conceito, os otherkins. A ToV como ficou conhecida veio aparecer com a Bíblia do Vampiro, e dentre sua coleção de textos num livro particularmente pequeno, ela trazia uma nova forma de ver o vampirismo. Ele era muito mais que drenar e ‘des-drenar’, ou brincar com esferas de energia. Haviam espíritos, Deuses Vampiros, que haviam atingido a imortalidade através dessa pratica; eles buscavam maestria dentro da projeção astral e domínio sobre o que chamavam de 9 leis da Magia.

As 9 Leis da Magia, segundo a TOV, era uma forma de trabalhar encima da realidade. Eles vinham com um conceito inovador na época, que hoje em dia está sendo discutido pela física quântica – o conceito de que, a Realidade Física, é um Sonho. As 9 leis da Magia era uma forma de alterar a realidade diretamente; os vampiros da TOV, não buscavam apenas magia para amor, dinheiro ou destruição; não havias rituais exceto a comunhão, não acendiam velas, nem usavam psicodrama;

-Eles tratavam objetos físicos como pessoas, e esses objetos respondiam suas ordens,

-Eles tratavam situações e coisas intangíveis como gente, e o ‘transito’, a ‘chuva’, o ‘sinal de internet’ respondia suas ordens

-Eles acreditavam que não existia espaço nem tempo para a mente deles, e por isso, poderiam falar com uma pessoa a distancia; dar ordens ao subconsciente dela para responder, ou enviar pensamentos e sentimentos

-Eles percebiam que tudo que existe, é feito de força vital, de Sangue. E que se eles reunissem no seu corpo muito sangue, eles poderiam canalizar aquilo para um desejo. Pouco importaria a natureza daquele desejo, visto que a força vital é manipulada a bel prazer. Ela é leite e veneno.

-Eles usavam o subconsciente das pessoas ao seu redor para realizar desejos; eles implantavam suas vontades na cabeça das pessoas, para que as pessoas criassem uma egregora sobre aquilo que desejavam.

-E acima de tudo, eles tratavam a realidade física como se fosse um sonho. E segundo eles, ela respondia da mesma forma.

A força da TOV logo se alastrou pelo mundo, suas 5 bíblias ficaram conhecidas e podem ser pegas em qualquer lugar da internet. Elas são Segredos Abertos, como diz a linhagem. Abertos porque quase ninguém as entenderá, ou irá praticar. Elas permanecerão indignas de crença e logo, de uso pela maioria. Isso era tudo que a ordem precisava; de uma maioria para servir de alimento a uma minoria. Era isso que ensinava a tradição da Hekal Tiamat. Alimentar-se do Contingente Humano.

Junto com a TOV, a Michelle Bellanger veio a publico com a House Kheperu – uma ordem com forte influencia egípcia, que crê, na existência de pessoas que são ‘Otherkins’. O conceito Otherkin logo se espalhou e vários outros tipos de otherkin vieram a publico. Mas o que é Otherkin ? Otherkin seriam pessoas que nascem com almas não humanas. Eles creem que são vampiros, fadas, dragões, anjos, anjos caídos, demônios… em corpos humanos. E que num dado momento de sua vida, eles ‘despertam’.  Pode ser um conceito até bizarro, mas tem gente que crê nisso. E a Bellanger acreditava que era do tipo, vampiro, ‘vampiro psíquico’, e que num dado momento em sua vida, ela ‘acordou’ para a sua ‘verdadeira essência’. Um grupo vampírico aqui no Brasil, chamado Comunidade Awake, acredita nisso, e na existência de Otherkins.

Os Otherkins logo começaram a falar sobre quem é ‘vampiro de verdade’ e ‘vampiro de mentira’. Quem tinha a essência e quem não tinha. Uma discussão bizarra que, por vezes ainda se propaga em algumas comunidades vampíricas, junto com pessoas que se denominam ‘sanguíneas’. Sim, eles não sugam energia vital. Eles bebem sangue mesmo. É incrível ver como a imaginação humana consegue chegar a pontos bizarros, de dizer que precisa de pelo menos uma colher de sangue humano por semana, do contrario não conseguiria viver. Esses Otherkins Vampiros Sanguíneos, mantinham sua dieta de ‘doadores’, pessoas que gentilmente ofereciam seu sangue á esses otherkins.

Em Portugal, logo após a TOV, sai uma nova ‘bíblia’ e uma nova ordem. A Aset Ka; seguindo a mesma linha de pensamento da Kheperu com o Kemetismo, a Hopuse of Aset Ka, segue a linha otherkin, ainda que mesclando com o livro dos mortos egípcio e algumas passagens do livro da lei. Eles acreditavam fielmente em reencarnação, trabalhando com o paganismo egípcio com vampirismo, seu chefe e escritor da sua Bíblia era Louis Marques.

Junto com esse conceito se espalhou a manipulação energética, as psyballs, escudos e tudo mais que a manipulação de energia trazia consigo. A Kheperu, trazia uma perspectiva nova sobre a força psíquica do ser humano.A Michelle Bellanger, por fora de suas crenças pessoais, desenvolvia um trabalho maravilhoso com o desenvolvimento do poder psíquico humano.

Unindo Lovecraft, ToV e rituais com Deuses Negros, nasceu a Tempel of Azagthot. Uma ordem que seguia a mesma linha de raciocínio da TOV, crendo na evolução do ser humano como algo principal. O Ser humano tinha um potencial de se Tornar Vampiro. A ToA, desenvolveu uma série de rituais, pelo seu líder, o Emperor Norduk, e foi uma das primeiras ordens ‘satânico-vampíricas’, ao qual a Black Order Of Dragon, do Michael W. Ford viria satisfazer o publico então. Essas ordens, descendendo da TOV e dos ensinamentos dela, claramente plagiaram. Mas tudo pelo seu dinheiro, bom leitor. Tudo pelo dinheiro.

Até que vem adiante, a Ordo Strigoi Vii, feita pelo Father Sebaastian. Sim, Father, não Frater. Seb, como ele é gentilmente chamado incorporou tudo dentro da sua nova ordem; misturou a vontade de se fantasiar em vampiro, com bruxaria, com os ensinamentos da TOV, e criou um novo mundo, com novas nomenclaturas; era um muno dele, aonde ele ganharia o planeta, divulgando esse mundo. Através de festas promovidas por ele, seu carisma incomparável, ele acabou conquistando adeptos pelo mundo, pessoas que tinham duas vertentes; os fashionistas, pessoas que gostavam de viver no estilo ‘vampírico’ e os vampiros reais, pessoas que realmente se afundavam nos mistérios do vampirismo da OSV. O Seb não discriminava nada nem ninguém. Todos eram bem vindos e aceitos, sejam vampiros ou não, ele criou seu mundo, um mundo de festas imensas com a temática vampírica.

Algumas ordens começaram a usar o termo ‘vampyro’ para diferenciar entre um praticante e a lenda do vampiro. É uma forma de diferenciar, particularmente das houses americanas e da Ordo Strigoi Vii. Alguns indo mais adiante, começaram a usar o termo ‘Wamphyro’ para mostrar seus magos negros. Cada um com sua forma de diferenciar, ganhar uma personalidade, uma busca por identidade própria que poderia ser resolvida com a nomenclatura.

Hoje em dia, estão a dispor, ainda que sem muito conteúdo para oferecer, um cardapio variado de Houses Vampiricas. Grande parte, além, de plagiar descaradamente as maiores, fantasiam demais o tema, fazendo assim, o buscador ‘perder o tesão’ devido a tanta fantasia envolvido no tema. Lembrando que, a maior parte das pessoas envolvidas com vampirismo, estão ligadas ao fashionismo, a arte, do que a pratica em si. Apenas gostam da literatura, musica e todo tipo de arte relacionado ao lado vampiresco.

Longe da propaganda, mas ainda sim realizando-a, deixo claro que para aqueles que buscam vampirismo real, sem todas aquelas fantasias da maior parte das ordens, recomendo que seja lido material de ordens como Temple of The Vampire (a principal e mais ‘pé no chão’), da Tempel of Azagthot, Black Order of Dragon e Strigoi Vii (a mais ‘artística’). Deixando claro que quando ler, verá que todas essas ordens derivaram do material da TOV, e criaram suas próprias linhas.

Para aqueles que seu pecado for a Thelema, ordens do Kenneth Grant, desenvolveram esse trabalho do Crowley com Vampirismo. Deixo claro que o tema, ‘Qliphot’ será absurdamente enquadrado nessa linha de raciocínio.

Já os que acreditam que não pertencem a raça humana, e que nasceram vampiros, ordens como a House of Kheperu, House of Quinotaur, Sanguinarium,  Comunidade Awake, irão agradar seu paladar.

 

Eu particularmente ligado a Thelema, finalizo esse texto com uma máxima do Liber Al, “Todo número é infinito; não há diferença”, alertando que, cada um deve retirar da senda, aquilo que mais agrada, descartando tudo aquilo que não for bom aos olhos; todas elas, por mais psicodélicas que possam ser suas crenças, podem acrescentar e tem um potencial imenso em si. O maior tesouro, é o buscador, não a ordem. É o buscador que tem o poder infinito, não há ordem. A ordem é um instrumento pra evolução pessoal, não um fim em si. Alguns praticantes mesclam suas próprias crenças pessoais em uma crença coletiva, de alguma ordem. Outros remodelam a seu bel prazer. Já mais avançados fundem crenças totalmente discordantes, num termo só.

O Mundo é regido pelo CHAOS, o nosso pai, criador da Vida. Não tente adulterar o casamento dele com a Nossa Senhora Babilônia, criando regras e restrições. É somente quando eles se unem por Vontade e Amor, que seu coito gera todas as Abominações da Terra.

 

Desconexus

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-linhas-de-vampirismo-no-mundo-moderno/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-linhas-de-vampirismo-no-mundo-moderno/

Cursos de Hermetismo em EAD

Salve

Desde 2020 estamos realizando apenas os cursos via EAD, na plataforma própria dentro do nosso site, como na netflix.

Os cursos são estruturados em módulos de 6-8h que podem ser divididos e assistidos a qualquer tempo e horário, quantas vezes você quiser, ficando libertados na plataforma de maneira vitalícia para nossos alunos (sabemos que muitos gostam de rever os cursos antigos conforme vão aprendendo novas matérias).

A ordem indicada para começar é a seguinte:

ESSENCIAL

0 – Kabbalah Hermética

Este é a base para entender como funcionam todos os sistemas mágicos e a partir dele você pode escolher quais assuntos te interessam mais para aprofundar os estudos:

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BÁSICOS

1 – Astrologia Hermética

Tudo o que você precisa saber para conseguir interpretar seu Mapa Natal. Planetas, Signos, Casas e Aspectos

1 – Tarot Completo

Arcanos Maiores e Menores e sua correspondência direta com a kabbalah e a astrologia.

Ensina o uso oracular, simbólico e o trabalho ritualístico com os arcanos.

1 – Geomancia

O Oráculo da Terra. Um dos mais simples e apaixonantes métodos, que pode ser feito em qualquer lugar e com quaisquer materiais. Também é a base para o xamanismo urbano e a conversa com os elementos de sincronicidade ao nosso redor.

1 – Runas e Talismãs Rúnicos

As Runas estudadas sob a perspectiva da Árvore da Vida e seu uso magístico, ritualístico e oracular. Você aprenderá como criar e utilizar talismãs e amuletos rúnicos, bem como o uso em conjunto com o tarot e a Kabbalah.

1 – Consagrações (Magia Prática)

O primeiro passo na Magia ritualística é saber como consagrar e imantar objetos, armas e ferramentas para uso dentro do altar pessoal e no dia-a-dia.

1 – Mitologia Grega e a Kabbalah Hermética

Um curso de mitologia amparado pelas bases do hermetismo e pela árvore da vida.

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INTERMEDIÁRIOS

2 – Alquimia

Pré-requisito: Kabbalah

O curso com as bases filosóficas da alquimia, para se compreender os símbolos a partir da Cabala Judaica, com o prof. Rafael Daher.

2 – Especialização em Tarot de Thoth (Curso Completo)

Pré-Requisitos: Kabbalah, Tarot

Como utilizar os Arcanos maiores e menores da obra prima de Aleister Crowley. Uso oracular e magístico. O curso explana as diferenças deste tarot para os outros tarots e como se utilizar das cartas para fins magickos.

2 – Qlipoth, a Árvore da Morte

Pré-Requisitos: Kabbalah

Um dos cursos mais importantes, estuda as cascas da Árvore da Morte e os Túneis de Set. Todo o trabalho de NOX nas Ordens Iniciáticas é pautado pelo estudo da Árvore da Morte. Compreenda as engrenagens pelo qual o mal funciona, como identificá-lo e como trabalhar o abismo dentro do autoconhecimento.

2 – Magia dos Quatro Elementos

Pré-Requisitos: Consagrações

A magia natural e seus quatro elementos: Fogo, terra, Água e Ar em seu uso magístico, prático e utilitário no dia-a-dia. Como criar e utilizar as ferramentas de cada um dos elementos e suas combinações.

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AVANÇADOS

3 – Magia do Ar e Fabricação de Incensos

Pré-Requisitos: Consagrações, Magia dos 4 Elementos

O estudo das ferramentas de trabalho com o elemento ar; plantio, colheita e preparo de ervas para a confecção de incensos para trabalhos planetários

3 – Magia Planetária

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Consagrações

A Magia Planetária é parte da bruxaria tradicional; este curso ensina como trabalhar os sete planetas na magia, incluindo preparação de ferramentas, horas mágicas, incensos, influências, regências, invocações e como utilizar cada tipo de energia para qual tipo específico de ritual.

3 – Revolução Solar

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Magia Planetária (não obrigatório mas recomendado)

Este curso lida com a criação e interpretação do horóscopo trabalhando cada planeta de seu mapa astral com os aspectos de cada planeta ao longo do ano. Os trânsitos dos planetas mais afastados para descobrir os períodos benéficos e complicados do ano e os trânsitos dos planetas rápidos para a escolha de datas mágicas para rituais ao longo do mês, para aproveitar completamente os aspectos zodiacais na magia planetária.

3 – Os 72 Nomes de Deus

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Consagrações, Magia Planetária

Como trabalhar a Teurgia com o Shem Ha-Mephorash, as 72 emanações que regem a Árvore da Vida. Também conhecidos como “Anjos Cabalísticos”, estas entidades regem os aspectos mais puros do universo e podem melhorar as caracteristicas de cada Carta Natal, auxiliando no trabalho da Verdadeira Vontade de cada magista. Evocações angelicais, magia com salmos e seu uso para o autoconhecimento.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-hermetismo-em-ead