Ole K. Trad Julio Anglada
Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/entrevista-com-um-reptiliano/
Ole K. Trad Julio Anglada
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Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden.
O DÉCIMO-PRIMEIRO caminho ou kala é atribuído ao elemento Ar e seu aspecto negativo é o demônio ou sombra conhecido como Amprodias cujo sigilo é dado aqui e cujo número é 401. Esta sombra pode ser evocada vibrando-se o nome Amprodias na clave de ‘E’479. O sigilo deve ser pintado em amarelo pálido luminoso em um quadrado baseado em esmeralda(?) manchado com dourado.
401 é o número do Azoto que significa a ‘soma e essência de tudo, concebido como Um’. Em sua fase negativa esta essência é concebida como Nenhuma e é o Vazio do qual procede a manifestação 480. A natureza deste vazio é também 401 como ATh, a palavra hebraica significando ‘fora de’; sua raiz é o Ut egípcio, portanto útero, o portal da saída. É fora do útero do Ain, via Kether, que a manifestação é emitida.
O sigilo de Amprodias exibe uma boca aberta típica do útero que pronuncia a Palavra. Esta Palavra é a Luz Oculta, cujo símbolo é a cruz rodopiante ou suástica. Ele é idêntico à letra A ou aleph, a letra atribuída ao décimo-primeiro caminho. No grimório mágico CCXXXI, o seguinte verso pertence a este kala:
A, o coração de IAO, reside em êxtase no local secreto dos trovões. Entre Asar e Asi ele habita em júbilo.
Os Túneis de Seth.
O raio, ou dorje, é a arma do suporte do relâmpago da Luz Oculta que risca para baixo a partir do vazio, reificando tal como este faz a terra ou matéria. O número 401 é também aquele da palavra ARR que significa ‘amaldiçoar’. Ele é a maldição primal do Fogo do Espírito aprisionado na forma corporal, descrito nos Livros Sagrados ‘a Injustiça do Começo’481, o começo sendo considerado como Kether, através da qual cintilam os raios do Ain ou Olho do Vazio.
Os animais atribuídos a este kala são a Águia e o Homem. O Homem representa a mais elevada forma incorporada da divindade; a Águia é aquele querubim do Ar que penetra os mais altos éteres na forma de inteligência: i.e., consciência dirigida por vontade extra-terrestre ou ‘divina’. Contudo o significado íntimo deste caminho está resumido no poder mágico do décimo-primeiro kala que é aquele da divinação. Isto depende do aspecto divino ou supra-mundano do espírito que cintila para dentro do útero e fecunda a terra virgem com Luz (inteligência) desde além do último Pylon (Kether). Poder divinatório é o aspecto intuitivo da inteligência e como tal seu curso é tão imprevisível quanto o relâmpago bifurcado que penetra o útero do espaço e se manifesta como o trovão. – o A entre o I e o O482. O mistério do trovão é explicado no CCXXXI. Aqui, a suástica do décimo-primeiro caminho é comparado com o fulgor do caminho 28 (q.v.) que contém o mistério da transformação da santa virgem. Ela aparece ‘como um fogo fluídico, transformando sua beleza em um raio’ (i.e., uma suástica). Isto simboliza a “Força que restaura o mundo arruinado pelo mal’, i.e. pela maldição primal ou Injustiça do Começo.
No plano mágico, o poder divinatório se manifesta no irracional, dessa forma os maiores mestres da Magia(k) traficam constantemente com as energias do décimo-primeiro kalas. O elemento irracional aparece tão fortemente nos magistas que utilizam este kala que seu trabalho não tem sido frequentemente levado a sério ou tem sido completamente negligenciado. Um exemplo recente é H.P.Blavatsky, cujas excentricidades lançaram tal dúvida sobre a autenticidade de sua obra que poucos na sua época foram capazes à estimá-la em seu verdadeiro valor. Similarmente, as palhaçadas de Crowley o colocaram em uma categoria ainda mais duvidosa. Poucos deveras compreendem que o décimo-primeiro caminho é aquele do Louco que dança à beira do abismo, como retratado no trunfo de taro atribuído à este caminho. Salvador Dali, cujas brincadeiras práticas são notórias, também às vezes trouxe descrédito sobre sua arte, embora muitas pessoas fiquem impressionadas pela riqueza que sua arte acumulou. O ocultista Gurdjieff também cai nesta categoria483. Seu livro Cartas a Belzebu tem sido descrito como uma piada prática complicada, então, novamente, obscurecendo deliberadamente a importância vital de um ensinamento que é compreendido apenas pelos poucos. Cristo também não falou em parábolas de forma que ele não fosse compreendido?484
A nota principal da escala musical atribuída a Amprodias – ‘E’ – é, como Hé, a letra do útero da virgem impregnado pelo Louco485. De acordo com isto, o Rio do Submundo atribuído ao décimo-primeiro kala é o Acheron, que recebe espíritos como o útero recebe o relâmpago criativo. O arqui-demônio deste caminho é o próprio Satan, Senhor dos Poderes do Ar (aleph) através do que o raio traceja.
Onze é o número atribuído à zona de poder (Daäth) dentro do abismo. A cor atribuída a Daäth é o Lavanda, ou Violeta Pura, que tipifica a cor além do espaço que vibra em uníssono com o kala ativado pela evocação de Amprodias. Ela é a cor do Louco; aquele que está fora do alcance da inteligência normal. A negação da razão que tipifica seu estado de consciência é consoante com o lado positivo deste caminho que é atribuído àquela parte da alma conhecida como a Ruach, ou Razão. Mais corretamente, a ruach é a respiração do espírito, a semente rodopiante que impregna a virgem do espaço e faz nascer inúmeros mundos.
O órgão corporal correspondente a este simbolismo é o nariz, o órgão da respiração e o veículo do sentido olfativo. Esta atribuição ajuda a explicar os fenômenos olfativos conectados às operações ‘satânicas’. O fedor do incenso empregado em ritos medievais era o véu grosseiro e externo de um fato espiritual interior. Portanto, uma das armas mágicas associadas a este kala é o abanador, que dispersa os vapores fétidos que envolvem o mago assim que ele evoca o demônio deste kala. Porém o instrumento principal é a adaga do ar, isso quer dizer a arma que rompe o hímen do éter virgem (representado pelo Ovo Negro do Espírito) e exibe a deidade terrível além da margem do ‘universo’; aquele que está sentado no Centro de Tudo, o deus louco celerado por Lovecraft sob o nome de Nyarlathotep486, o deus rodeado por ‘tocadores de flauta idiotas’.
A flauta é a Flauta de Pan, e aquele que ergue este véu e perscruta além é desprovido de razão e senso. Em outras palavras, ele vê a verdade das coisas em seu brilho nu e ele percebe que aquilo novamente é nada mais que um véu do sacramento primitivo alcançável apenas através da suprema fórmula da aniquilação, pois este é o caminho final, que conduz – via Kether – ao Grande Inane (Ain).
Onze, sendo o ‘número geral da Magia(k), ou Energia tendendo à mudança’487, o décimo-primeiro caminho representa particularmente o caminho da reversão e o ponto da volta do mais próximo para o outro lado da Árvore.
A enfermidade típica do décimo-primeiro caminho é o ‘fluxo’, que em termos mágicos é expressado como descargas desequilibradas ou ‘intempestivas’ da energia lunar. Este é portanto o kala do Sangue da Lua Negra. Ele adverte sobre um vazamento de fluido vital que, ao transbordar, forma um resíduo de energia mágica desequilibrada. Isto cria fantasmas que aparecem na forma de Silfos; elementais associados ao ar ou éter. Como as fadas e os duendes dos contos infantis eles são, mais frequentemente que não, retratados como criaturas diáfanas e enganadoras. Mas no aspecto no qual eles se manifestam no lado negativo da Árvore, eles assombram as terríveis brechas do espaço interior onde eles aparecem em feições de extremo horror que obsedam o mago e muitas vezes o deixam literalmente fora de si. Então eles invadem o espaço desocupado e, como sanguessugas, drenam o sangue de sua mente488 para dentro de seus próprios organismos. Esta é a origem dos mitos relacionados a magos aprisionados no espaço exterior489, suas mentes segregadas em celas transparentes que flutuam através dos golfos do vazio como imensas bolhas, aumentando em tamanho e luminosidade enquanto os silfos invasores extraem mais e mais energia vital dos fluxos que atacaram o imprudente invasor neste caminho.
Estas criaturas foram vagamente sentidas por Lovecraft490. Ele as descreve como ‘entidades sem forma compostas de uma geleia viscosa que pareciam como uma aglutinação de bolhas’491. Uma descrição similar é aplicada à semi-entidade Yog-Sothoth. A passagem é citada em O Renascer da Magia (p.116) onde a atenção é dirigida à grande similaridade entre o fenômeno descrito e a esfera de globos iridescentes incorporados por Crowley no desenho de seu pantáculo mágico pessoal onde elas aparecem por trás do Pentagrama de Set invertido.492
As maiores iniciações sozinhas podem conferir imunidade contra estes vampiros que navegam com asas cintilantes. O conhecimento das fadas tem ocultado estas criaturas com véus de encantamento que ocultam o horror de suas perseguições e contata com os habitantes dos sistemas alienígenas de consciência nas regiões mais inferiores do cosmo. Arthur Machen, o escritor galês que sabia mais sobre estes assuntos do que ele se preocupava em admitir, nota esta propensão do estudioso das fadas em caiar estes seres aéreos e retratá-los como entidades justas.493
O título do trunfo de taro atribuído ao décimo-primeiro kala é o ‘Espírito do Éter’. No lado mais próximo da Árvore este espírito é mais resplandecentemente belo e luminoso do que as palavras podem descrever, mas seu reverso ou reflexo é tal como acima descrito; assim também são as bolhas sopradas pelo Louco do Taro em sua louca carreira à margem do abismo.
O número de Amprodias se concentra em 5, o mais misterioso e místico dos números no cosmos, e além deste. Lovecraft494 indica a respeito das influências que ele denota quando ele alude à ‘quíntupla tradição matemática dos Antigos’ e suas estruturas de ciclope e moradas baseadas na forma da estrela de cinco pontas. No AL, I,60, Nuit descreve seu símbolo como “A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho. Minha cor é o negro para o cego… ‘ Todas estas ideias pertencem ao décimo-primeiro caminho495. O círculo vermelho é a lua ‘negra’ ou lua de sangue, os cinco pontos ou raios da estrela são as vibrações vaginais da mulher durante o derramamento de cinco dias. A estrela de cinco pontas é também o glifo dos Antigos transcósmicos; e o ‘Ovo do Espírito’496 é ‘negro para o cego’, ou aqueles cujos olhos espirituais não estão abertos e que são, portanto, como a virgem que mais tarde assume a forma de ‘fogo fluido’ como o relâmpago.
O conceito africano de Afefe tem sido atribuído ao décimo-primeiro kala 497. Afefe é ‘o vento’, e é precisamente aqui no mais primitivo simbolismo conhecido que nós descobrimos a identidade da serpente como um símbolo de potência criativa, a ruach ou espírito. Afefe tornou- se o Apep ou serpente Apap dos Mistérios Draconianos no Egito. O Afefe-Apophis é também a origem do Verme Fafnir da mitologia Nórdica e, como Massey mostrou, um derivativo moderno é nossa palavra ‘puff’, ‘estourar’ no sentido de tornar-se grande, inchado, entumecido ou grávido. O Afefe africano revela portanto a força ‘protuberante’ ou ondulante do vento que é a rajada ou espírito que se tornou – em um retrocesso posterior dos Mistérios – o Espírito Santo que impregna a virgem na forma da Pomba, o pássaro típico do ar. Isso é mais adiante confirmado pelo fato de que o gênio do vento, do qual Afefe é o ‘mensageiro’, reside no grande templo de Legba, a divindade fálica africana que nos cultos posteriores foi equacionado com o mal devido à sua conexão com os mistérios do sexo.
A letra ‘A’ na fórmula IAO é idêntica com Apophis e é o campo de operação no qual as energias mágicas do I e do O (o phallus e a kteis) se polarizam e realizam sua função criativa.
479 Este som deve se elevar a partir de um sussurro escassamente audível até um silvo penetrante como o ar sendo forçado ao longo de um tubo estreito.
480 A manifestação pode proceder apenas da não-manifestação. Esta declaração de uma verdade óbvia deve ser percebida, ela é a verdade mais profunda do caminho místico e a plena compreensão desta confere a chave da Iniciação definitiva. (ao lado, ilustração dos 22 Caminhos na Árvore)
481 Vide Liber VII, v.42; Liber LXV, iv.56, e em outras partes.
482 A fórmula de IAO foi analisada em Aleister Crowley & o Deus Oculto (capítulo 7).
483 Vide o excelente estudo de David Hall sobre Crowley e Gurdjieff.
484 Lucas, 8, 10.
485 Vide O Livro de Thoth, de Aleister Crowley.
486 O deus ‘sem face’. Cf. o ‘sem cabeça’ do texto Greco-Egípcio usado por Mathers em sua tradução da Goetia.
487 777 Revisado (Crowley).
488 Matéria mental ou chittam.
489 Vide página 255.
490 Lovecraft chamava estas bolhas de shoggoths. Existe uma palavra similar na língua caldaica, viz.: shaggathai. O Beth Shaggathai era a Casa de Fornicação, e isto sugere os semitons sexuais contidos no nome da ‘geleia viscosa’, ou lodo, que é o veículo primitivo da semente criativa.
491 Nas Montanhas da Loucura, Lovecraft, p.63.
492 Este pantáculo é reproduzido em O Renascer da Magia na pág.52.
493 Vide O Povo Branco (Machen), Introdução.
494 Nas Montanhas da Loucura (Lovecraft), p.86.
495 ‘Meu número é 11, como todos os seus números que são de nós.’
496 O símbolo de Akash ou Espaço é um Ovo Negro; isto também tipifica o Espírito.
497 Vide Cultos da Sombra, p.30.
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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.
Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/amprodias-os-tuneis-de-set/
Muitos estão familiarizados com o conceito de “Pop Magic” através de Grant Morrison. Outro grande autor da área é Taylor Ellwood, que mostra em muitos de seus livros as vantagens de utilizar em nossos sistemas de magia elementos da cultura pop, incluindo quadrinhos, filmes, RPGs de mesa, RPGs online, jogos de tabuleiro, jogos eletrônicos, animes, etc. Aqui irei comentar sobre algumas das possibilidades de conectar o ocultismo e os jogos eletrônicos, utilizando como exemplo um jogo que lançou mês passado no Steam: Undertale.
Na Magia do Caos, ao construir seu próprio sistema de magia o principal não é necessariamente acrescentar nele um elemento que possua uma correlação direta com a magia clássica, como referências ao tarot ou à cabala. É claro, se você é apaixonado por tarot, fique à vontade para desenvolver um sistema inspirando-se em Ogre Battle ou em qualquer outro dos muitos jogos eletrônicos que remetem ao tarot. Não é difícil encontrar alusões ao ocultismo na cultura pop e se isso pesa bastante para que sua magia funcione, não hesite em buscá-las. Contudo, eu diria que mais importante que tais referências seria a própria paixão.
Caso você seja fortemente apaixonado por um livro de literatura, uma série de TV, um filme ou um jogo, eu diria que em muitos casos não importa tanto se seu jogo, por exemplo, contém magia. Ou, eu deveria dizer, a “magia” dele seria as emoções que geram em você e esse poderá ser um combustível poderoso para ativar um feitiço. As pessoas utilizam magia para as mais variadas metas: para realizar alterações materiais, autoconhecimento, diversão, etc. Da mesma forma, cada um busca coisas diferentes nas muitas opções que temos para lazer e entretenimento. A proposta da magia pós-moderna é unir os dois, magia e cultura pop, num objetivo comum.
Eu particularmente aprecio a magia pelas reflexões que me geram (debater as diferentes teorias de magia, que constituem os fundamentos de cada sistema e os impulsionam), pela diversão e pelas descobertas de conectar o material com o espiritual. A mente e particularmente a imaginação é uma das pontes que conectam os dois, o que me faz gostar de histórias, incluindo jogos com boas histórias, com criatividade e surpresas.
Undertale se encaixa em todas as categorias. Porém, gosto é algo muito pessoal. Em parte, é influenciado pela cultura e por muitas outras coisas: época em que você vive, onde você mora, com quem interage, etc. O desenvolvedor de Undertale, Toby Fox, compôs algumas músicas de Homestuck. Quem me conhece sabe que sou viciada em Homestuck nesses últimos anos e já baseei algumas de minhas histórias nessa webcomic de Andrew Hussie (um exemplo é meu livro chamado “Fábula dos Gênios”). Sendo assim, eu sou suspeita para falar sobre esse jogo, já que ele segue um tipo de humor e de criatividade que me agradam.
O jogo em si, que é um RPG, segue um estilo bastante semelhante ao de jogos como Earthbound e Mother 3, que já possuem uma fanbase generosa. Também tem alguma relação com Yume Nikki.
Para começar, o protagonista não tem sexo definido e é propositalmente referido ao longo do jogo apenas como “humano”, já que ele/ela está num mundo de monstros. E, assim como em Homestuck, há muitas personagens importantes do sexo feminino (lutando e usando armaduras), assim como bastante romance homossexual.
Contudo, um dos maiores destaques do jogo é o fato de haver opções de rotas para lutas: é possível matar os monstros ou poupá-los e, dependendo de suas escolhas, coisas diferentes acontecem. Acho que muitos já estão acostumados com jogos em que há finais diferentes, mas no caso desse RPG, cada ação sua pesa, do início ao fim: uma escolha aparentemente banal no início do jogo pode ter um impacto grandioso lá na frente.
Isso não significa que você já está condenado desde o começo se fizer escolhas ruins, já que é possível seguir rotas mistas ou neutras. Você não será necessariamente julgado como bonzinho ou malvado, já que o tempo todo você é capaz de fazer escolhas ou se arrepender, mudando seu destino. Os personagens enfatizam isso constantemente.
Há momentos em que o jogo é hilário e outros em que é assustador. O ideal é jogá-lo mais de uma vez, pois os diálogos e acontecimentos são muito diferentes dependendo das escolhas que você faz. É um jogo relativamente curto e por isso mesmo excelente para experimentações com magia: para lançar sigilos através dos puzzles (e banir com gargalhadas!) e energizar servidores usando os monstros bizarros que aparecem para você batalhar (ou perdoar). De fato, enquanto eu via os monstrinhos, pensei em mais de uma ocasião: “este aqui se parece muito com um servidor”, devido às formas bizarras, algumas quase aleatórias.
Eu não tenho um grande poder para convencer alguém a ler todo o Homestuck, já que é a maior webcomic já escrita. Porém, espero que, se você ainda não conhece Undertale, experimente jogá-lo (aqui tem um trailer). Que esse post também seja um incentivo para que os magistas não temam evocar os personagens dos jogos e filmes que gostam. Muitos se consideram tolos ou pouco sérios fazendo isso, mas eu peço para que você considere a seguinte frase, bem conhecida, também repetida no livro “The Pop Culture Grimoire” de Taylor Ellwood: “A cultura pop é a mitologia moderna”. Ou, como eu costumo dizer, a magia pós-moderna de hoje será a magia tradicional de amanhã. Quer oportunidade melhor para evocar os Deuses e entidades da cultura pop do que agora que eles estão com essa quantidade enorme de fãs para alimentar a egrégora? Eu diria que é uma chance imperdível.
Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-magia-de-undertale-e-a-cultura-pop
Freud era um “poeta que produzia metáforas ao invés de verdades literais”. Ele, como as feministas, reconhecia que a sexualidade e um problema da vida moderna, mas ignorava o contexto social e falhava ao questionar a própria sociedade. A sexualidade e sim causada pela repressão moral sistêmica ao longo de dezenas de seculos, unicamente com o intuito de manter o rebanho sob controle, não uma verdade universal. Se não, sua própria existência ilusória, já não seria mas uma fuga ou projeção, não seria mais uma tentativa de equilíbrio de forças da psique, não seria mais uma obra do inconsciente, e sim a conscientização de outra realidade apenas.
O sistema analítico de Freud e sem duvidas estritamente limitado, por mais que seus defensores tentem dizer o contrario, ele apenas abarca um arquétipo caricatural do patético homem ocidental-burgues-vienense, e uma cornucópia de outro arquétipo tao asqueroso quanto, o judaico-cristão-ocidental-capitalista-merovíngio… Mas os estudantes de Psicologia estão mais ocupados fumando uma erva do que fazendo com que o artigo sobre “arquétipo” na Wikipedia seja algo mais do que um esboço.
E um sistema que nem de perto, nem de longe, pode ser considerado ciência, no termo estrito do “rigor cientifico” e na “universalidade de suas leis”. A Física só é útil quando traduz em equação uma lei natural universal, neste sentido a psicologia Freudiana carece total e absolutamente deste rigor. O argumento mais rasteiro, é que esse sistema não abrange a humanidade como um todo, ao contrário, delimita o homem ao ser vivente em viena, de determinada classe social.
A diferença entre bom senso e senso comum deveria ser clara, não são termos intercambiáveis e podem ser considerados com rigor diametralmente opostos dentro das sendas ocultistas. O senso comum leva a crer que sua contribuição freudiana foi de extrema valia para o entendimento da nossa sociedade e cultura, em contrapartida, o bom senso leva a crer que foi uma simplificação absurda do arquétipo e dos valores humanos, de suas relações e de seus símbolos.
Um sistema hermético seria a solução, se ele existisse, um sistema críptico que servisse – como as chaves enoquianas – para despertar uma topologia e organização “supra -humana”. E ele existe, porém como o homem medíocre ocidental na maior parte da história, simplesmente ignorou completamente outros sistemas sociais, sistemas de crenças, Jung foi largado as traças, pelo mesmo motivo que o crédito todo foi para Edson ao invés de Tesla. Marketing puro. É uma ferida vitoriana, não poderia a burguesia ser dotada dos mesmos significantes e significados que primitivos aborígenes ou tribos africanas.
O próprio discurso de Freud possui falhas retóricas, como se falasse em parábolas verdades muito profundas, mas acaba por nada dizer:
“Seria muito simpático que Deus existisse, que houvesse criado o mundo e fosse uma verdadeira providência; que existisse uma ordem moral no universo e na vida futura; mas é muito mais surpreendente que tudo isso seja apenas aquilo que nós nos sentimos obrigados a desejar que exista.”
Ora, se o desejo latente e interno, como podemos ser obrigados a desejar algo? E uma afirmação extremamente paradoxal, pois a natureza do desejo não reside em sua realização, o desejo reside em um lugar onde ele possa existir independentemente da realidade, e simplesmente tratar um desejo como ilusão – pois por acaso sabe um sonho que está sendo sonhado? Se assim o fosse, qualquer ilusão ficaria destituída de outro significado.
Jay-z foi muito mais profundo e contundente em afirmar “I’ve got 99 problems but a bitch ain’t one”, até porque uma pessoa que não procura manter o equilíbrio de Nash em um jogo de soma não-nula, não pode ser erroneamente chamada de “descolada”.
Existem fortes evidências de que grande parte do principio da teoria psico-analitica freudiana foi um sub-produto de uso de cocaina (On Coca – 1884), e ele acreditava que a droga seria o caminho para uma série de distúrbios físicos e psíquicos, Freud como médico foi aclamado por fazer elogios abertos e entusiasmados sobre a cocaína, mas Crowley foi apenas um viciado. Crowley foi um entusiasta que, explorava as drogas falsificando sua curiosidade por sistemas míticos, apenas para encobrir seus vícios. “Não veleis seus vícios com palavras virtuosas” foi o que disse o livro da Lei. Mas Crowley fez o contrario. Thelemitas podem argumentar que admiram o motto, mas como exemplo de pessoa, Crowley não era “confiável”, mas sua ruptura foi suficiente para a tarefa qual foi designado. A Cocaína portanto, poderia sera real Criadora tanto da psicologia freudiana como tambem das perversões magicko-sexuais de Crowley. Ela, elevada ao patamar de Deusa, criava em ambos, diversas divagações profundas – e nubladas – dando a entender ao vulgo alguma verdade sagrada, quando verdadeiramente estava mais desviando o caminho que, levando para algum lugar. Nenhum dos dois era gênio no fim das contas, eram apenas súditos da Lady Cocaine.
Contudo, o auto-conhecimento é em si um ato piegas – o dilema do simulacro existe, se não for essa simbologia freudiana, qual outra? Não bastando para si uma comparação, um mero juízo de valores; algo entre o santo e o profano que permita a distinção, que reduza o objeto de comparação ao ideal, assim toda e qualquer ideologia, transgressiva ou não, seria, portanto, apenas um maniqueísmo barato entre o conceito em si e um simulacro, uma tentativa de desvencilhar a sombra de sua imagem; uma dualidade natimorta entre forma e conteúdo, enfim, destituiria qualquer poder transformador inerente à ideologia, renegada de qualquer juízo de valor. Tentando Lúcifer se comparar e se rebaixar á Deus, ele caí dos céus. Que não cometamos o mesmo erro de negar qualquer parte nossa, por causa de um reflexo externo. Todo sistema de símbolos, é falho. Sombra/luz, dentro/fora – todas as classificações entre eu/ele, na verdade são tentativas cerebrais de classificar e manter uma paz interna, dando a si própria um nível, nos rebaixando a simplesmente um catalogo de arquétipos. Como a teoria da incompletude de Gödel diz, não da para provar o gosto da própria língua.
A partir do momento que Lúcifer cria uma fantasia sobre si, ele perde a majestade.
Por VVVVV
Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-invencao-da-psicologia-freudiana/
Os paroquianos da respeitável igreja da rua Arlington, em Boston, viram e ouviram muita coisa ao longo dos anos. Afinal, é em seu altar que o evangelho unitário de um deus único, e não tríplice, tem sido transmitido de geração em geração. Foi ali também, numa crise agora remota, que o abolicionista William Ellery Channing protestou contra os malefícios da escravatura. E, um século depois , seria nessa mesma igreja que vários manifestantes externariam seu protesto contra a intervenção americana no Vietnã.
Contudo, é possível pensar que nem mesmo paroquianos com tanta tradição e audácia teriam sido capazes de prever a incrível cena que ocorreu nessa igreja numa sexta-feira de abril, no ano de 1976. Naquela noite, quando as luzes da igreja diminuíram e o som cristalino de uma flauta se espalhou por entre mais de mil mulheres ali reunidas, quatro feiticeiras, cada uma delas empunhando uma vela, colocaram-se ao redor do altar. Com elas encontrava-se uma alta sacerdotisa da magia, Morgan McFarland, filha de um ministro protestante. Numa voz clara e firme, McFarland proferiu um longo encantamento cujos místicos ecos pareciam realmente muito distintos da doutrina que os paroquianos unitaristas estavam habituados a ouvir: “No momento infinito antes do início do Tempo, a Deusa se levantou em meio ao caos e deu a luz a Si Mesma (…) antes de qualquer nascimento (…) antes de seu próprio nascer. E quando separou os Céus das Águas e neles dançou, a Deusa, em Seu êxtase, criou tudo que há. Seus movimentos geraram o vento, o elemento Ar nasceu e respirou.”
Enquanto a alta sacerdotisa prosseguia em seu cântico, descrevendo sua própria versão da criação do mundo, suas companheiras de altar começaram a acender as velas, uma após a outra — a primeira para o leste, depois para o sul, o oeste e, por fim, para o norte. As palavras de MacFarland repercutiam, ressoando diante de todos como se fossem ditas pela voz de uma antiga pitonisa, uma voz que invocava a grande divindade feminina que, segundo afirmavam as sacerdotisas, havia criado os céus e a terra. No ápice de seu canto, MacFarland rememorava o dia em que a deusa criara a primeira mulher e lhe ensinara os nomes que deveriam ser eternamente pronunciados em forma de oração: “Sou Ártemis, a Donzela dos Animais, a Virgem dos Caçadores. Sou ísis, a Grande Mãe. Sou Ngame, a Deusa ancestral que sopra a mortalha. E serei chamada por milhares de nomes. Invoquem a mim, minhas filhas, e saibam que sou Nêmesis.”
Tudo isso ocorreu durante uma convenção de três dias, cujo tema era a espiritualidade feminina. Apesar de recorrer a elementos familiares tais como velas, túnicas e música, essa foi a prece menos ortodoxa que já ecoara pelas paredes de arenito da igreja da rua Arlington. A cerimônia deve ter sido contagian-te, pois no final a nave da igreja estava repleta de pessoas dançando e quase mil vozes preenchiam aquele local majestoso e antigo unidas em uma só cantilena que dizia: “A Deusa vive, há magia no ar. A Deusa vive, há magia no ar.”
Para muitos especialistas que pesquisam a história da feitiçaria, aquela deusa invocada durante a cerimônia, uma deusa cuja dança arrebatada teria urdido o vento, o ar e o fogo e cujo riso, afirmava-se, instilara a vida em todas as mulheres, não poderia, de modo algum, ter existido no momento da criação, porque nasceu e recebeu sua aparência, tanto quanto sua personalidade, de uma imaginação absolutamente moderna. Sua origem histórica, afirmam os céticos, limita-se a poucos traços colhidos de concepções um tanto nebulosas relacionadas com divindades da Europa pré-cristã, concepções estas que teriam sido intencionalmente rebuscadas com detalhes teatrais para adequar-se aos ritos e cerimônias.
Porém, para muitos praticantes da feitiçaria, sua Grande Deusa é realmente um ancestral espírito criador, cultuado na Europa e no Oriente Próximo muito antes da introdução do Deus cristão. Acreditam que a deusa tenha sobrevivido aos séculos de perseguição ocultando-se nos corações de seus adoradores secretos, filhos e filhas espirituais que foram condenados ao ecúleo e à fogueira da Inquisição devido a suas crenças. E agora, dizem, a deusa emerge mais uma vez, abertamente, inspirando celebrações nos redutos daquela mesma religião organizada que anteriormente tentara expurgar tudo que estivesse relacionado com ela e seus seguidores.
Seus modernos adeptos não têm a menor dúvida quanto à antigüidade de sua fé. Ser um feiticeiro, afirma um deles, é “entrar em profunda sintonia com coisas que são mais antigas do que a própria espécie humana”. E, realmente, até certos não-iniciados declaram perceber nesse movimento dos praticantes de feitiçaria uma força invisível que anima o universo. Uma mulher que classificou os ensinamentos e ritos da feitiçaria como “meras palavras, sem qualquer significado”, disse no entanto que, quando compareceu ao local no qual as feiticeiras se reuniam, sentiu uma força que parecia pairar além dos limites da razão. “Sinto uma corrente”, confessou em carta a uma amiga, “uma força que nos cerca. Uma força viva, que pulsa, flui e reflui, cresce e desaparece como a lua (…) não sei o que é, e não sei como usá-la. É como quando se está bem perto de uma corrente elétrica, tão perto que se pode até ouvir seu zumbido, seu estalo, mas sem conseguir conectá-la.”
Hoje, contudo, milhares de homens e mulheres que levam uma vida comum, afora essa busca, acreditam estar conectando essa corrente e extraindo energia daquilo que Theo-dore Roszak define como “a fonte da consciência espiritual do homem”. No decorrer desse processo, estes que se proclamam neopagãos descobrem — ou, como dizem alguns deles, redescobrem — o que afirmam ser uma religião ancestral, uma religião cuja linguagem é a do mito e do ritual, cuja fé professa a realidade do êxtase e é difícil de ser definida, uma religião de muitas divindades e não de apenas um só Deus.
Esses modernos adoradores da natureza, tal como os pagãos de eras passadas, não separam o natural do sobrenatural, o ordinário do extraordinário, o mundano do espiritual. Para um neopagão, tudo pertence a um mesmo todo. Calcula-se que o número de neopagãos alcance um número aproximado de 100 mil ou mais adeptos nos Estados unidos, formando uma irmandade que se reflete na verdadeira explosão de festivais pagãos iniciada na década de 70. Mo final da década de 80, havia mais de cinqüenta desses festivais nos Estados Unidos, atraindo uma platéia que reunia desde os adeptos mais radicais até meros curiosos. Segundo Margot Adler, autora de Atraindo a Lua, um livro que documenta a ascensão do neopaganismo, tais festivais “mudaram completamente a face do movimento pagão” e estão gerando uma comunidade paga nacional. Adler afirma que esse grupo abrange pessoas cujo perfil social inclui desde tatuadores e estivadores até banqueiros, advogados e muitos profissionais da área de informática.
Nem todos os neopagãos da atualidade podem ser chamados de bruxos ou feiticeiros, pois nem sempre associam o culto neopagão à natureza e a antigas divindades com a prática da magia ritualística, como fazem os feiticeiros. Mas um número desconhecido de neopagãos adota os princípios de uma fé popularmente chamada de feitiçaria e conhecida entre os iniciados como “a prática”. Essa religião também é conhecida pelo nome de Wicca, uma palavra do inglês antigo que designa “feiticeiro”; esse termo pode estar relacionado com as raízes indo-européias das palavras wic e weik, que significam “dobrar” ou “virar”. Portanto, aos olhos dos modernos adeptos da Wicca, as bruxas nunca foram as megeras ou mulheres fatais descritas pelo populacho, mas sim homens e mulheres capazes de “dobrar” a realidade através da prática da magia. Eles acreditam que os feiticeiros da história seriam os curandeiros das aldeias, senhores do folclore e da sabedoria tradicional e, portanto, os pilares da sociedade local.
Apesar da moderna popularidade da feitiçaria como religião, a crença medieval no poder das bruxas para convocar malefícios nunca desapareceu completamente. E era ainda bem forte em 1928, no condado de York, na Pensilvânia, a ponto de provocar mortes. Dois homens e um menino confessaram o assassinato de Nelson Rehmeyer, um fazendeiro solitário que se dizia feiticeiro, para apanhar um cacho de seus cabelos. Precisavam do cacho, afirmaram, para quebrar o feitiço que ele lhes jogara. John Blymyer, o mais velho, declarou que ele também era bruxo e que durante quinze anos buscara o responsável por seus infortúnios. Logo após sua detenção, declarou: “Rehmeyer está morto. Não me sinto mais enfeitiçado. Agora consigo comer e beber.”
Blymyer e seus amigos não estavam sozinhos em suas crenças. Os jornais mencionavam outras pessoas preocupadas com feitiços; um barbeiro contava que alguns fregueses levavam consigo o cabelo cortado, para evitar “dores de cabeça”. Depois do médico-legista do condado de York ter se lamentado de que metade do condado acreditava em magia negra, as sociedades locais de médicos anunciaram uma “cruzada contra a prática de feitiçaria e suas crendices maléficas”.
Mas o estereótipo persiste, e as bruxas continuam a ser objeto de calunia, lutando para desfazer a imagem de companheiras do diabo. Para muitos, a bruxa era, e ainda é, a adoradora do demônio. Bem recentemente, em 1952, o autor britânico Pennethorne Hughes classificou algumas feiticeiras da história como “lascivas e pervertidas”, atribuindo-lhes uma longa lista de pecados reais ou imaginários. “Elas faziam feitiços”, escreveu, “causavam prejuízos, envenenavam, provocavam abortos no gado e inibiam o nascimento de seres humanos, serviam ao diabo, parodiavam os rituais cristãos, aliavam-se aos inimigos do rei, copulavam com outros bruxos ou bruxas que chamavam de íncubos ou súcubos e cometiam abusos com animais domésticos.”
Diante de tantas acusações, não chega a ser surpreendente o fato de que as palavras “mago”, “feiticeiro” ou “bruxo” e “magia”, “feitiçaria”, ou “bruxaria” continuem a despertar profundas reações. “A feitiçaria é uma palavra que assusta a uns e confunde a outros”, observa uma escritora radicada na Califórnia, também praticante de feitiçaria, conhecida pelo nome de Starhawk. “Na mente do povo”, ela observa, as bruxas do passado são “megeras horrendas montadas em vassouras, ou maléficas satanistas que participavam de rituais obscenos.” E a opinião contemporânea não tem demonstrado bondade maior para com as feiticeiras atuais, considerando-as, como aponta Starhawk, “membros de um culto esquisito, que não tem a profundidade, dignidade ou seriedade de propósitos de uma verdadeira religião”.
Mas trata-se de fato de uma religião, tanto para quem a religião é “uma necessidade humana de beleza”, como no sentido que figura no dicionário: “sistema institucionalizado de atitudes, crenças e praticas religiosas”. Até mesmo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos cedeu às reivindicações dos praticantes da Wicca para que esta fosse considerada como religião válida e, em meados da década de 70, o Pentágono recrutou uma feiticeira, Lady Theos, para revisar o capítulo referente a bruxaria no Manual dos Capelães do exército. As contribuições de Lady Theos foram atualizadas em 1985, por uma erudita neopagã chamada Selena Fox. Outro sinal dos tempos pode ser visto nos cartões de identidade dos membros das forças armadas, nos quais as palavras “pagão” e “wiccan” agora aparecem com freqüência, embora certamente em menor número, do que os nomes de outras afiliações religiosas.
Apesar desse reconhecimento e embora a Constituição americana — tal como a brasileira — garanta o direito à liberdade de crença, a prática de feitiçaria ainda enfrenta duras críticas e até mesmo uma perseguição premeditada. Esses ataques naturalmente não se comparam, em escala e em violência, com o prolongado reinado de horror que predominou do século XIV ao XVII, período descrito pelas feiticeiras contemporâneas como “a época das fogueiras”, ou “a grande caçada às bruxas”. De fato, a perseguição atual é comparativamente até benigna — demissões de empregos, perda da custódia dos filhos, prisão por infrações aos bons costumes —, mas causa prejuízos que levaram a alta sacerdotisa da ordem Wicca, Morgan McFarland, a rotular estes tempos como ua era das fogueiras brandas”.
Pelo menos em parte, a fonte da relativa tolerância atual, bem como as raízes desse renascimento da Wicca, podem ser encontradas nos trabalhos elaborados no início do século XX pela antropóloga inglesa Margaret Murray. As pesquisas de Murray sobre as origens e a história da feitiçaria começaram, como ela posteriormente registrou em sua autobiografia, com “a idéia comum de que todas as feiticeiras eram velhas padecendo de alucinações por causa do diabo”. Mas ao examinar os registros dos julgamentos que restaram da Inquisição, Murray logo desmascarou o diabo, segundo suas próprias palavras, e descobriu em seu lugar algo que identificou como o Deus Chi-frudo de um culto à fertilidade, uma divindade paga que os inquisidores, em busca de heresias religiosas, transformaram em uma incorporação do diabo. À medida que aprofundou o estudo daqueles registros ela se convenceu de que esse deus pos-
suía um equivalente feminino, uma versão medieval da divina caçadora das épocas clássicas, que os gregos chamavam de Ártemis e os romanos de Diana. Ela supunha que as feiticeiras condenadas reverenciavam Diana como líder espiritual.
Na visão de Murray, a feitiçaria seria o mesmo culto a fertilidade anterior ao cristianismo, que ela denominou culto a Diana, e seria “a antiga religião da Europa ocidental”. Vestígios dessa fé, segundo ela, poderiam ser rastreados no passado a ate cerca de 25 mil anos, época em que viveu uma raça aborígine composta de anões, cuja existência permaneceu registrada pelos conquistadores que invadiram aquelas terras apenas nas lendas e superstições sobre elfos e fadas. Seria uma “religião alegre”, como a descreve Murray, repleta de festejos, danças e abandono sexual e incompreensível para os sombrios inquisidores, cujo único recurso foi destruí-la até as mais tenras raízes.
Em 1921, Murray divulgou suas conclusões em O Culto a Feiticeira na Europa Ocidental, o primeiro dos três livros que ela publicaria sobre o assunto, em um trabalho que outorgaria certa legitimidade à religião Wicca. Outros estudiosos, contudo, imediatamente atacaram tanto os métodos utilizados por Murray como suas conclusões. Um crítico simplesmente classificou seu livro como “um palavrório enfadonho”. Embora o trabalho de Margareth Murray nunca tenha desfrutado de muito prestígio nos círculos acadêmicos, recentes estudos arqueológicos induziram alguns historiadores a fazer ao menos uma releitura mais criteriosa de algumas de suas teorias mais polêmicas. Mesmo que a seu modo, Murray realmente conseguiu, através de uma reavaliação favorável da feitiçaria, abrir uma porta para um fluxo de interesse pelo culto a Diana.
queles que acataram a liderança de Murray e se aventuraram a penetrar por aquela porta logo descobriram que estavam também na trilha de um escritor e folclorista americano chamado Charles Leland. Em 1899, mais de duas décadas antes de Murray apresentar suas teorias, Leland havia publicado Aradia, obra que ele descreveu como o evangelho de La Vecchia Religione, uma expressão que desde então passou a fazer parte do saber “Wicca”. Ao apresentar a tradução do manual secreto de mitos e encantamentos de um feiticeiro italiano, o livro relata a lenda de Diana, Rainha das Feiticeiras, cujo encontro com o deus-sol Lúcifer resultara numa filha chamada Aradia. Esta seria Ia prima strega, “a primeira bruxa”, a que revelara os segredos da feitiçaria para a humanidade.
Aradia é no mínimo uma fonte duvidosa e provavelmente uma fraude cabal; contudo, terminou servindo de inspiração para inúmeros ritos praticados por feiticeiros contemporâneos, inclusive para a Exortação à Deusa, que convoca seus ouvintes a “reunir-se em lugares secretos para adorar Meu Espírito, a Mim que sou a Rainha de todas as Feitiçarias”. Embora a obra conte com poucos, ou raros, defensores no círculo acadêmico, em oposição aos que lhe lançam duras críticas, Aradia de certo modo reacendeu as chamas desse renascimento da feitiçaria, e sua ênfase no culto à deusa tornou o livro muito popular nas assembléias feministas.
Um trabalho mais recente com enfoque similar, porém de reputação mais sólida, é o livro de Robert Graves, A Deusa Branca, publicado pela primeira vez em 1948. Em estilo lírico, Graves apresenta argumentos que revelam a existência de um culto ancestral centrado na figura de uma matriarcal deusa lunar. Segundo o autor, essa deusa seria a única salvação para a civilização ocidental, substituta da musa inspiradora de toda criação poética. Mas, se por um lado muitos entre os primeiros leitores encontraram nesse livro fundamentos para a prática de feitiçaria e se mais tarde ele continuou a inspirar os seguidores da Wicca, o próprio Graves expressou profundas reservas com relação à bruxaria. Sua ambivalência torna-se aparente num ensaio de 1964, no qual o autor sublinha a longevidade e a força da religião Wicca, mas também faz críticas ao que ele considera como uma ênfase em jogos e brincadeiras. Na verdade, o ideal para a feitiçaria, escreve Graves, seria que “surgisse um místico de grande força para revestir de seriedade essa prática, recuperando sua busca original de sabedoria”.
A referência de Graves era uma irônica alfinetada em Gerald Brosseau Gardner, um senhor inglês peculiar e carismático, que exerceria profunda — embora frívola, do ponto de vista de Graves — influência no ressurgimento do interesse pela feitiçaria. Gardner, que nascera em 1884 nas proximidades de Liverpool, tivera diversas carreiras e ocupações: funcionário de alfândega, plantador de seringueiras, antropólogo e, finalmente, místico declarado. Pouco afeito às convenções, era um nudista convicto, professando um perpétuo interesse pela “magia e assuntos do gênero”, campo que para ele incluía tudo: desde os pequenos seres das lendas inglesas até as vítimas da Inquisição e os cultos secretos da antiga Grécia, Roma e Egito. Pertenceu, durante certo tempo, à famosa sociedade dos aprendizes de magos chamada Ordem Hermética da Aurora Dourada.
Gerald Gardner enfureceu os círculos acadêmicos quando anunciou que as teorias de Margaret Murray eram verdadeiras. A feitiçaria, declarou, havia sido uma religião e continuava a ser. Ele dizia saber isso simplesmente porque ele próprio era um bruxo. Seu surpreendente depoimento veio à luz em 1954, com o lançamento de A Feitiçaria Moderna, o livro mais importante para o renascimento da feitiçaria. Sua publicação teria sido impossível antes de 1951, ano no qual os frágeis decretos de 1753 contra a feitiçaria foram finalmente revogados pelo Parlamento britânico. Curiosamente, o Parlamento rescindiu esses decretos cedendo às pressões das igrejas espíritas, cujas tentativas de contato com as almas dos que já se foram também haviam sido reprimidas pela lei. A revogação contou com pouquíssimos oponentes, porque os legisladores imaginavam que certamente após mais de três séculos de perseguição e 200 anos de silêncio, a feitiçaria era assunto morto e enterrado.
Se a prática não havia desaparecido, como A Feitiçaria Moderna tentava provar, o próprio Gardner admitiu ao menos que a feitiçaria estava morrendo quando ele a encontrou pela primeira vez, em 1939. Gardner gerou muita polêmica ao afirmar que, após a catastrófica perseguição medieval, a bruxaria tinha sobrevivido através dos séculos, secretamente, à medida que seu saber canônico e seus rituais eram transmitidos de uma geração para outra de feiticeiros. Segundo Gardner, sua atração pelo ocultismo havia feito com que se encontrasse com uma herdeira da antiga tradição, “a Velha Dorothy” Clutterbuck, que supostamente seria alta sacerdotisa de uma seita sobrevivente. Logo após esse encontro, Gardner foi iniciado na prática, embora mais tarde tenha afirmado, no trecho mais improvável de uma história inconsistente, que desconhecia as intenções da velha Dorothy até chegar ao meio da cerimônia iniciática, ouvir a palavra “Wicca” e perceber “que a bruxa que eu pensei que morrera queimada há centenas de anos ainda vivia”.
Considerando-se devidamente preparado para tal função, Gardner gradualmente assumiu o papel de porta-voz informal da prática. Assim, lançou uma nova luz nas atividades até então secretas da bruxaria ao descrever em seu livro, por exemplo, a suposta atuação desses adeptos para impedir a invasão de Hitler na Inglaterra. De acordo com Gardner, os feiticeiros da Grã-Bretanha reuniram-se na costa inglesa em 1941 e juntos produziram “a marca das chamas” — uma intensa concentração de energia espiritual, também conhecida como “cone do poder”, para supostamente enviar uma mensagem mental ao Führer: “Você não pode vir. Você não pode cruzar o mar”. Não se pode afirmar se o encantamento produziu ou não o efeito desejado mas, como Gardner salientou prontamente, a história realmente registra o fato de Hitler ter reconsiderado seu plano de invadir a Inglaterra na última hora, voltando-se abruptamente para a Rússia. Gardner declara que esse mesmo encantamento teria, aparentemente, causado o desmoronamento da Armada Espanhola em 1588, quando muitos feiticeiros conjuraram uma tempestade que tragou a maior frota marítima daquela época.
O poeta inglês Robert Graves inadvertidamente incentivou o ressurgimento da feitiçaria ao divulgar em seu livro de 1948, “A Deusa Branca”, sua visão da divindade feminina primordial. Ele acreditava que, apesar da repressão dos primeiros imperadores cristãos, esse culto havia sido preservado.
Quando não reescrevia a história, Gerald Gardner assumia a tarefa de fazer uma revisão da feitiçaria. Partindo de suas próprias extensas pesquisas sobre magia ritual, ele criou uma “sopa” literária sobre feitiçaria feita com ingredientes que incluíam fragmentos de antigos rituais supostamente preservados por seus companheiros, adeptos da prática, além de elementos de ritos maçônicos e citações de seu colega Aleister Crowley, renomado ocultista que se declarava a Grande Besta da magia ritual. Gardner decidiu então acrescentar uma pitada de Aradia e da Deusa Branca e, para ficar no ponto, temperou seu trabalho incorporando-lhe um pouquinho de Ovídio e de Rudyard Kipling. O resultado final, escrito numa imitação de inglês elisabetano, engrossado ainda com pretensas 162 leis de feitiçaria, foi uma espécie de catecismo da Wicca, ressuscitado por Gardner. Assim que completou o trabalho, seu compilador tentou fazê-lo passar por um manual de uma bruxa do século XVI, ou um Livro das Sombras.
Apesar dessa origem duvidosa, o volume transformou-se em evangelho e liturgia da tradição gardneriana da Wicca, como veio a ser chamada essa última encarnação da feitiçaria. Era uma “pacífica e feliz religião da natureza”, nas palavras de Margot Adler em Atraindo a Lua. “As bruxas reuniam-se em assembléias, conduzidas por sacerdotisas. Adoravam duas divindades, em especial, o deus das florestas e de tudo que elas encerram, e a grande deusa tríplice da fertilidade e do renascimento. Nuas, as feiticeiras formavam um círculo e produziam energia com seus corpos através da dança, do canto e de técnicas de meditação. Concentravam-se basicamente na Deusa; celebravam os oito festivais pagãos da Europa, buscando entrar em sintonia com a natureza.”
Como indaga o próprio Gardner em seu livro, “Há algo de errado ou pernicioso nisso tudo? Se praticassem esses ritos dentro de uma igreja, omitindo o nome da deusa ou substituindo-o pelo de uma santa, será que alguém se oporia?”
Talvez não, embora a nudez ritualística recomendada por Gardner causasse, e ainda cause, um certo espanto. Mas para Gardner as roupas simplesmente impedem a liberação da força psíquica que ele acreditava existir no corpo humano. Ao se desnudarem para adorar a deusa, as feiticeiras não só se despiam de seus trajes habituais, como também de sua vida cotidiana. Além disso, sua nudez representaria um regresso simbólico a uma era anterior à perda da inocência.
Gardner justifica a nudez ritualística em sua adaptação da Exortação à Deusa, de Aradia, na qual a prima strega recomenda a suas seguidoras: “Como sinal de que sois verdadeiramente livres, deveis estar nuas em seus ritos; cantai, celebrai, fazendo música e amor, tudo em meu louvor.” A recomendação da nudez, acrescentada à defesa feita por Gardner do sexo ritualístico — o Grande Rito, como ele o chamava —, virtualmente pedia críticas. Rapidamente o pai da tradição gardneriana ganharia reputação de velho obsceno.
as, sendo um nudista e ocultista vitalício, Gardner estava habituado aos olhares reprovadores da sociedade e em seu livro A Feitiçaria Moderna, parecia antever as críticas que posteriormente receberia. Contudo, angariou pouquíssima simpatia entre seus detratores ao optar por caracterizar a nudez ritualística como “um grupo familiar tentando fazer uma experiência científica de acordo com o texto do livro”. Pior ainda, alguns de seus críticos pensaram ter sentido um cheiro de fraude após o exame minucioso de seus trabalhos, começando então a questionar a validade do supostamente antiquíssimo Livro das Sombras, bem como de sua crença numa tradição ininterrupta de prática da feitiçaria.
Entre seus críticos mais ferrenhos encontrava-se o historiador Elliot Rose, que em 1962 desacreditou a feitiçaria de Gardner, afirmando que era um sincretismo, e aconselhando ironicamente àqueles que buscassem alguma profundidade mística na prática da bruxaria que escolhessem uns dez “amigos alucinados” e formassem sua própria assembléia de bruxos. “Será um grupo tão tradicional, bem-instruído e autêntico quanto qualquer outro desses últimos milênios”, observava Rose acidamente.
Os críticos mais contumazes mantiveram fogo cerrado ate mesmo após 1964, quando Gerald Gardner foi confinado em segurança dentro de seu túmulo. Francis King, um destacado cronista britânico do ocultismo, acusou Gardner de fundar “um culto às bruxas elaborado e escrito em estilo romântico, um culto redigido de seu próprio punho”, um pouco para escapar do tédio. King chegou até a declarar que Gardner contratara seu amigo, o mágico Aleister Crowley, para que este lhe redigisse uma nova liturgia.
Aidan Kelly é outro crítico, o fundador da Nova Ordem Ortodoxa Reformada da Aurora Dourada, uma ramificação da prática da magia. Kelly declarou trivialmente que Gardner inventara a feitiçaria moderna e que ele, em sua tentativa desorientada de reformar a velha religião, formara outra, inteiramente nova. Segundo Kelly, a primazia da deusa, a elevação da mulher ao status de alta
sacerdotisa, o uso do círculo para concentração de energia e até mesmo o ritual para atrair a lua, no qual uma alta sacerdotisa se transforma temporariamente em deusa, eram contribuições de Gardner à prática. Além disso, em 1984, Kelly assegurou em um jornal pagão que não há base alguma para a declaração de Gardner segundo a qual sua tradição de feitiçaria teria raízes no antigo paganismo europeu. No mesmo artigo, Kelly forneceu detalhes acerca das origens do polêmico Livro das Sombras, de Gardner. O trabalho não teria sido iniciado, desconfiava Kelly, no século XVI, como Gardner afirmava, mas sim nos primórdios da Segunda Guerra Mundial.
Gardner teria começado a registrar em um livro de anotações vários rituais que havia pilhado de outras tradições ocultistas, bem como passagens favoritas dos textos que lia. Quando encheu seu primeiro livro de anotações, segundo Kelly, Gardner considerou que tinha em mãos a receita do primeiro Livro das Sombras. Kelly também chamou atenção para uma profunda revisão daquilo que se tornara a “tradição” de Gardner, demonstrando que não se tratava da continuidade de uma religião cujas raízes remontavam a milênios, mas sim de uma invenção recente e, como tal, um tanto inconsistente. Em seus primeiros anos, a Wicca de Gardner estivera centralizada no culto ao equivalente masculino do deus principal, registrava Kelly. Por volta da década de 50, contudo, o Deus Chifrudo fora eclipsado pela Grande Deusa. Uma mudança equivalente havia ocorrido na própria prática das assembléias, durante as quais o alto sacerdote fora subitamente relegado a segundo plano, substituído por uma alta sacerdotisa. Como Kelly demonstrou, essas mudanças só aconteceram depois que Doreen Valiente, a primeira alta sacerdotisa da linha de Gardner, começou a adotar o mito da Deusa Branca de Robert Graves como sistema oficial de crenças. Na verdade, Valiente é, na visão de Kelly, a verdadeira mentora da grande maioria dos rituais gardnerianos.
Um sumo sacerdote veste um adereço de pele com chifres para representar o lado masculino da divindade Wicca, durante um ritual. Os adeptos da Wicca dizem que seu Deus Chifrudo, vinculado ao grego Pã e ao celta Cernuno, corporifica o princípio masculino e é simbolizado pelo sol.
Kelly no entanto contrabalançou suas virulentas críticas a Gardner ao creditar-lhe não só uma criatividade genial, mas também a responsabilidade pela vitalidade da feitiçaria contemporânea. O mesmo fez J. Gordon Melton, um ministro metodista e fundador do Instituto para o Estudo da Religião Americana. Numa entrevista recente, comentou que todo o movimento neopagão deve seu surgimento, bem como seu ímpeto, a Gerald Gardner. “Tudo aquilo que chamamos hoje de movimento da feitiçaria moderna”, declarou Melton, “pode ser datado a partir de Gardner”.
Dúvidas e polêmicas sobre suas fontes à parte, a influência de Gerald Gardner no moderno processo de renascimento da Wicca é indiscutível, assim como seu papel de pai espiritual dessa tradição específica de feitiçaria que hoje carrega seu nome. Embora os métodos de Gardner revelassem um certo toque de charlatania e seus motivos talvez parecessem um tanto confusos, sua mensagem era apropriada para sua época e foi recebida com entusiasmo dos dois lados do Atlântico. Quer ele tenha ou não redescoberto e resgatado um antigo caminho de sabedoria, aparentemente seus seguidores foram capazes de captar em seu trabalho uma fonte para uma prática espiritual que lhes traz satisfação.
Além do mais, na condição de alto sacerdote de seu grupo, Gerald Gardner foi pessoalmente responsável pela iniciação de dúzias de novos feiticeiros e pela criação de muitas novas assembléias de bruxos. Estas, por sua vez, geraram outros grupos, num processo que se tornou conhecido como “a colméia” e que, de fato, resultou numa espécie de sucessão apostólica cujas origens remontam ao grupo original criado por Gardner. Outras assembléias gardnerianas nasceram a partir de feiticeiras autodidatas, que formaram seus próprios grupos após ler as obras de Gardner, adotando sua filosofia.
Contudo, nem todas as feiticeiras estão vinculadas ao gardnerianismo. Muitas professam uma herança anterior a Gardner e desempenham seus rituais de acordo com diversos modelos colhidos das tradições celta, escandinava e alemã. Além disso, alguns desses pretensos tradicionalistas declaram-se feiticeiros hereditários, nascidos em famílias de bruxos e destinados a transmitir seus segredos aos próprios filhos.
Zsuzsanna — ou Z — Budapest é uma famosa feiticeira feminista e alta sacerdotisa da Assembléia Número Um de Feiticeiros de Susan B. Anthony, nome atribuído em homenagem à famosa advogada americana, defensora dos direitos da mulher. Z Budapest afirma que a origem de seu conhecimento remonta a sua pátria, a Hungria, e ao ano de 1270. Mas diz ter sido educada acreditando que a prática da feitiçaria era apenas uma prática, e não uma religião, cujos fundamentos lhe foram transmitidos pela própria mãe, uma artista que previa o futuro e supostamente usava seus poderes mágicos para acalmar os ventos. Somente muitos anos depois, quando migrou para os Estados Unidos, Z teria descoberto os trabalhos de escritores como Robert Graves e Esther Harding, e passou a reconhecer-se como a praticante de Wicca que era na realidade.
utras feiticeiras que também se declaram herdeiras de uma tradição descrevem experiências semelhantes às de Z. Budapest. Contam que, para elas, a prática era um assunto de família até lerem, acidentalmente, a literatura sobre a Wicca — geralmente livros escritos por Gerald Gardner, ou Margaret Murray, ou por autores contemporâneos como Starhawk, Janet e Stewart Farrar, ou Margot Adler. Só então teriam compreendido que pertenciam a um universo mais amplo. Lady Cibele, por exemplo, uma bruxa de Wisconsin, afirma que cresceu acreditando que a prática se limitava ao círculo de seus familiares. “Foi só na universidade que descobri que havia mais pessoas envolvidas com a prática”, confessou a Margot Adler, “e eu não sabia que éramos muitos até 1964, quando meu marido veio correndo para casa, da biblioteca onde trabalhava, murmurando muito animado que Tem mais gente como nós no mundo!’.” O marido de Lady Cibele havia encontrado A Feitiçaria Moderna e, quando leram o livro juntos, emocionaram-se com a sensação de familiaridade que sentiram pelas idéias e práticas descritas por Gerald Gardner.
Mesmo que todos esses depoimentos sejam verdadeiros, o nascimento no seio de uma família de feiticeiros não representaria uma garantia de que uma criança em especial se tornaria posteriormente especialista nos segredos da prática. Em alguns casos o dom pula uma geração, na maioria das vezes porque um feiticeiro decide que nenhum de seus próprios filhos possui o temperamento adequado para iniciar-se na prática. O resultado é que a Wicca geralmente se vincula às tais “historias da vovó”, nas quais, como aponta J. Gordon Melton, “aparece alguém que diz: fui iniciado por minha avó que era bruxa, descendente de uma linhagem ancestral”. Pouquíssimas histórias dessa natureza sobrevivem a um exame minucioso e muitas parecem até ridículas. Os próprios praticantes da Wicca sentem-se um tanto constrangidos com a proliferação de histórias da vovó. “Depois de algum tempo”, comentou um sacerdote Wicca, “você percebe que, se ouviu uma história de avó, já ouviu todas. Você percebe que o além deve estar lotado de vovozinhas assim.”
Entre as “histórias da vovó” mais interessantes está a que foi contada pelo suposto Rei das Feiticeiras, Alexander Sanders, que declarou ter sido iniciado na prática por sua avó, em meados de 1933, com apenas 7 anos de idade. Mas os céticos rapidamente salientam o fato de que a linha de feitiçaria de Sanders, conhecida como Tradição Alexandrina, guarda profunda semelhança com a de Gardner. De fato, muitos dos rituais de Sanders são virtualmente idênticos aos de Gardner e isto levou alguns observadores a desprezar essa tradição, considerando-a como uma simples variante, e não um legado deixado por uma avó misteriosa e convenientemente falecida.
Muitos desses mesmos céticos encararam com igual desconfiança a história da famosa feiticeira inglesa Sybil Leek, que também afirmava ter se iniciado na prática ainda no colo da avó. Na opinião de Melton, Leek, como Sanders, simplesmente exagerou alguns acontecimentos de sua infância. No entanto, os ataques dos incrédulos pouco fizeram para diminuir a enorme popularidade da feiticeira-escritora e na época de sua morte, em 1983, Sybill Leek era uma das bruxas mais famosas dos dois lados do Atlântico. Leek era uma autora prolífica, e durante sua vida produziu mais de sessenta livros que espalharam pelo mundo o evangelho da fé Wicca — e, não por acaso, sua própria fama.
Porém, ainda mais do que os livros de Leek, o que levou a Wicca da Inglaterra para os Estados Unidos foi a própria tradição de Gardner, que cruzou o Atlântico em 1964 como parte da bagagem espiritual de dois expatriados britânicos. Raymond e Rosemary Buckland já estavam prontos para passar dois anos em Long Island, Nova York, quando, movidos pelo interesse por ocultismo, decidiram escrever a Gardner em sua casa em Isle of Man. Tal correspondência resultaria posteriormente em um encontro e um curso rápido de feitiçaria na casa de Gardner. Nesse breve período o casal Buckland foi sagrado respectivamente sacerdote e sacerdotisa gardnerianos. Foram uns dos últimos feiticeiros iniciados e ungidos pessoalmente por Gardner antes de sua morte.
Assim que regressaram ao lar nova-iorquino, os Bucklands rapidamente puseram em prática tudo que haviam aprendido. Formaram a primeira assembléia gardneriana nos Estados Unidos e esta por sua vez, com o passar do tempo, gerou muitos outros grupos. Esses grupos propagaram o evangelho gardneriano de uma costa a outra, tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá. Durante certo tempo, Rosemary Buckland, ou Lady Rowen, como era conhecida entre os praticantes da Wicca, foi coroada a rainha das feiticeiras pelos grupos aos quais dera origem. Enquanto isso, Ray Buckland, ou Robat, nome que havia adotado, seguindo o exemplo de Gerald Gardner, seu mentor, publicou o primeiro de uma série de livros que produziria sobre feitiçaria. Seus trabalhos fizeram com que a prática se tornasse acessível para muitos aspirantes a iniciados, especialmente em seu novo lar, onde o interesse pela Wicca floresceu na atmosfera tolerante do final da década de 60 e início dos anos 70.
No mesmo período em que Ray e Rosemary Buckland se dedicaram a propagar esse renascimento da feitiçaria na America do Norte, o ocultismo começou a se transformar em algo que a antropóloga cultural Tanya M. Luhrmann descreveu como “uma contracultura sofisticada”. Em seu livro Atrativos da Feitiçaria publicado em 1989, Luhrmann apresenta uma teoria se-qundò a qual “a contracultura da década de 60 voltou-se para o ocultismo – astrologia, tarô, medicina e alimentação alternativa – porque eram alternativas para a cultura estabelecida; muitos descobriram as cartas do tarô ao mesmo tempo que descobriram o broto de feijão”.
Ray Buckland recorda esse período como uma época excitante durante a qual veio a luz um número crescente de assembléias de bruxos, bem como as mais diversas expressões da crença Wicca. Feiticeiras detentoras de estilos altamente personalizados eram estimuladas pela permissividade daqueles dias sentindo-se finalmente livres para expor-se. Ao mesmo tempo, a tradição gardneriana frutificava, espalhando as sementes de novas assembléias e gerando dissidências em todas as direções.
Certos grupos, tais como os que professavam a tradição de Alexandria e ainda um híbrido mais recente chamado de tradição de Algard, eram crias perfeitas do grupo anterior, isto é, assemelhavam-se aos progenitores gardnerianos em tudo, menos no nome. Outros eram parentes mais afastados, baseando-se nos ensinamentos de Gerald Gardner, mas acrescentando idéias novas. Entre estes figuram a Nova Wicca de Illinois, a Wicca Georgiana sediada na Califórnia e a Wicca de Maidenhill, da Filadélfia. Outras, tais como a igreja de Y Tylwyth Teg, a Pecti-Wita, e o Caminho do Norte, inspiram-se no passado mágico das lendas celtas, escocesas e nórdicas.
As variações da Wicca não terminam por aqui: na verdade, elas apresentam uma diversidade que reflete a natureza individualista da prática da feitiçaria. A Wicca é tão aberta quanto eclética. “Todos nós conectamos com o Divino de maneiras diferentes”, afirma Selena Fox, fundadora de uma tradição própria. “Muitos caminhos levam à verdade.” De fato, o próprio grupo de Fox, o Santuário do Círculo, reconhecido como uma igreja Wicca pelo governo federal, estadual e local, tenta fornecer um substrato comum a todos esses caminhos. O Santuário do Círculo define-se como um serviço de troca e intercâmbio internacional para praticantes de diferentes estirpes de Wicca. Muitas feministas, no entanto, envolveram-se em algum dos inúmeros cultos a Diana que proliferaram na década de 70. Essas assembléias assumiram seu nome a partir do culto a Diana, com base na concepção de Margaret Murray, e enfatizam em suas práticas a veneração à deusa. Há até mesmo um curso por correspondência para aspirantes à Wicca que já conseguiu atrair aproximadamente 40 mil alunos.
Mas essa onda de bruxos autodidatas passou a preocupar alguns dos antigos adeptos da Wicca, inclusive Ray Buckland, que certa vez lamentou o advento dessa religião “feita em casa”. Em 1973, contrariado com algo que ele considerava como a corrupção da feitiçaria, Buckland rompeu seus vínculos com o gardnerianismo e criou um novo conjunto de práticas, retomando a tradição da Seax-Wicca, ou Wicca saxã. Ao fazer isso, produziu também sua própria versão de uma feitiçaria autodidata e em sua obra A Árvore, seu primeiro produto na linha Seax-Wicca, incluía instruções detalhadas que permitiam a qualquer leitor “iniciar-se como feiticeiro e gerar sua própria Assembléia”.
Com o anúncio aparentemente contraditório de uma “nova tradição” espalhando-se aos quatro ventos, a Wicca ingressava numa fase de contendas entre os novos e os antigos. Ao romper com a tradição gardneriana, Ray Buckland tentava distanciar-se das querelas. “Enquanto os outros brigam para definir qual seria a mais antiga das tradições”, anunciou orgulhosamente, “declaro pertencer à mais jovem de todas elas!”.
Isso ocorreu em 1973. Depois, surgiu uma grande profusão de assembléias e correntes da Wicca nas quais a honra de ser a novidade do dia às vezes confere uma importância passageira. Além disso, essa abundância de ritos e nomes transformou a própria Wicca numa fé um tanto difícil de ser definida. Até agora foram inúteis as tentativas de formular um credo aceitável por todos que se proclamam seguidores da Wicca, apesar da necessidade profunda de seus seguidores no sentido de tornar público um conjunto de crenças que os distinga oficialmente dos satanistas. Em 1974, o Conselho dos Feiticeiros Americanos, um grupo de representantes de diversas seitas Wicca, formulou um documento que se intitulava corajosamente “Princípios da Crença Wicca”. Porém, assim que se ratificou o documento, o conselho que o produzira se desfez devido a desavenças entre seus membros, pondo fim a esse breve consenso. No ano seguinte, uma nova associação, que hoje engloba cerca de setenta grupos de seguidores da Wicca, ratificou o Pacto da Deusa, um decreto mais duradouro propositalmente redigido nos moldes do documento da igreja Congregacional. Embora o pacto incluísse um código de ética e garantisse a autonomia das assembléias signatárias, está longe de definir o que seria a Wicca. “Não poderíamos definir com palavras o que é Wicca”, admite o pacto, “porque existem muitas diferenças.”
Muitos bruxos alegam que essas diferenças apenas fazem aumentar os atrativos da Wicca. De fato, mesmo no seio de uma tradição específica, distintos grupos podem ater-se a crenças contrastantes e praticar rituais dessemelhantes. Essa situação é satisfatória para a maioria dos feiticeiros, que não vêem por que a Wicca deveria ser menos diversificada do que as inúmeras denominações cristãs.
Porém, até mesmo na ausência de um credo oficial, um grande número de feiticeiros acata um pretenso conselho, ou lei da Wicca: “Não prejudicarás a terceiros.” Não se sabe ao certo, mas aparentemente essa adaptação livre da regra de ouro do cristianismo tem vigorado pelo menos desde a época de Gerald Gardner. Nas palavras do Manual dos Capelães do Exército dos Estados Unidos, a lei da Wicca geralmente é interpretada como se dissesse que o praticante pode fazer o que bem desejar com suas capacidades psíquicas desenvolvidas na prática da feitiçaria, contanto que jamais prejudique alguém com seus poderes. Como mais uma medida de precaução contra o mau uso desses poderes mágicos, a maioria das assembléias também apela para uma lei chamada “lei do triplo”, que consiste em uma outra máxima antiga. O provérbio adverte os bruxos, prevenindo: “Todo bem que fizerdes, a vós retornará três vezes maior; todo mal que fizerdes, também a vós regressará três vezes maior.”
Dada a dificuldade em classificar a feitiçaria, ou estabelecer uma lista concisa com as crenças comuns a todos os adeptos da Wicca, uma descrição completa das características de um bruxo moderno necessariamente é apenas aproximativa. Todavia, pode-se afirmar com segurança que a maioria dos feiticeiros acredita na reencarnação, reverencia a natureza, venera uma divindade onipresente e multifacetada e incorpora a magia ritualística em seu culto a essa divindade. Além disso, poucos feiticeiros questionariam os preceitos básicos resumidos por Margot Adler em Atraindo a Lua. “A palavra é sagrada”, ela escreveu. “A natureza é sagrada. O corpo é sagrado. A sexualidade é sagrada. A mente é sagrada. A imaginação é sagrada. Você é sagrado. Um caminho espiritual que nãoestiver estagnado termina conduzindo à compreensão da própria natureza divina. Você é Deusa. Você é Deus. A divindade está (…) tanto dentro como fora de você.”
Três pressuspostos filosóficos fundamentam essas crenças e estes, mais do que qualquer outra característica, vinculam a feitiçaria moderna e o neopaganismo às práticas correspondentes do mundo antigo. O primeiro pressuposto é o animismo, ou a idéia de que objetos supostamente inanimados, tais como rochas ou árvores, estão imbuídos de uma espiritualidade própria. Um segundo traço comum é o panteísmo, segundo o qual a divindade é parte essencial da natureza. E a terceira característica é o politeísmo, ou a convicção de que a divindade é ao mesmo tempo múltipla e diversificada.
Juntas, essas crenças compreendem uma concepção geral do divino que permeou o mundo pré-cristão. Nas palavras do historiador Arnold Toynbee, “a divindade era inerente a todos os fenômenos naturais, inclusive àqueles que o homem domara e domesticara. A divindade estava presente nas fontes, nos rios e nos mares; nas árvores, tanto no carvalho de uma mata silvestre como na oliveira cultivada em uma plantação; no milho e nos vinhedos; nas montanhas; nos terremotos, no trovão e nos raios.” A presença de Deus ou da divindade era sentida em todos os lugares, em todas as coisas; ela seria “plural, não singular; um panteon, e não um único ser sobre-humano e todo-poderoso”.
A escritora e bruxa Starhawk reproduz em grande parte o mesmo tema ao observar que a bruxaria “não se baseia em um dogma ou conjunto de crenças, nem em escrituras, ou em algum livro sagrado revelado por um grande homem. A feitiçaria retira seus ensinamentos da própria natureza e inspira-se nos movimentos do sol, da lua e das estrelas, no vôo dos pássaros, no lento crescimento das árvores e no ciclo das estações”.
Mas Starhawk também reconhece que o aspecto politeísta da Wicca — o culto à “Deusa Tríplice do nascimento, do amor e da morte e a seu consorte, o Caçador, que é o senhor da Dança da Vida”— constitui a grande diferença entre a feitiçaria moderna e as principais religiões ocidentais. Mesmo assim, muitos adeptos da Wicca discordam quanto ao fato de seu deus ou deusa serem meros símbolos, entidades verdadeiras ou poderosas imagens primárias — aquilo que Carl Jung alcunhou de arquétipo —, profundamente arraigadas no subconsciente humano. Os feiticeiros também divergem quanto aos nomes de suas divindades. Como se expressa no cântico da alta sacerdotisa Morgan McFarland na igreja da rua Arlington, são inúmeros os nomes para o deus e a deusa. Abrangem desde Cernuno, Pã e Herne no lado masculino da divindade, a Cerridwen, Arianrhod e Diana, no aspecto feminino. Na verdade, há tantos nomes diferentes provenientes de tantas culturas e tradições que McFarland não se afastava da verdade quando dizia a sua platéia que a deusa “será chamada por milhares de nomes”.
Seja qual for seu nome, a deusa, na maioria das seitas da Wicca, tem precedência sobre o deus. Seu alto status reflete-se em títulos tais como a Grande Deusa e a Grande Mãe. De fato, para Starhawk e para muitas outras feiticeiras, o culto a uma suprema divindade feminina constituiu, desde tempos remotos, a própria essência da feitiçaria, uma força que “permeia as origens de todas as civilizações”.
Starhawk comenta que “A Deusa-Mãe foi gravada nas paredes das cavernas paleolíticas e esculpida em pedra desde 25 mil anos antes de Cristo.” Ela argumenta ainda que as mulheres com freqüência tinham papel de chefia em culturas centradas na deusa, há milhares de anos. “Para a Mãe”, escreve, “foram erguidos grandes círculos de pedra nas Ilhas Britânicas. Para Ela foi escavada a grande passagem dos túmulos na Irlanda. Em Sua honra as dançarinas sagradas saltaram sobre os touros em Creta. A Avó Terra sustentou o solo das pradarias norte-americanas e a Grande Mãe do Oceano lavou as costas da África.”
Na visão de Starhawk, a deusa não é um Deus Pai distante e dominador, principal arquiteto da terra e remoto governante no além. Ao contrário, a deusa é uma amiga sábia e profundamente valiosa, que está no mundo e a ele pertence. Starhawk gosta de pensar na deusa como o sopro do universo e, ao mesmo tempo, um ser extremamente real. “As pessoas me perguntam se eu creio na deusa”, escreve Starhawk. “Respondo: ‘Você acredita nas rochas?’.”
Certamente, a força e a permanência são as analogias mais óbvias da imagem da deusa enquanto rocha. Contudo, é essa deusa de aspectos eternamente mutantes e multifaceta-dos, a misteriosa divindade feminina que aos poucos se revela.
Dicionário do Feiticeiro
Antigos, ou Poderosos: aspectos das divindades, invocados como guardiães durante os rituais.
Assembléia, ou “Coven”: reunião de iniciados na Wicca.
Balefire: fogueira ritualística.
Charme: objeto energizado; amuleto usado para afastar certas energias ou talismã para atraí-las.
Círculo mágico: limites de uma esfera de poder pessoal dentro da qual os iniciados realizam rituais.
Deasil: movimentos no sentido horário, que é o do sol, realizados durante o ritual, para que passem energias positivas.
Divinação: a arte de decifrar o desconhecido através do uso de cartas de tarô, cristais ou similares.
Elementos: constituintes do universo: terra, ar, fogo e água; para algumas tradições, o espírito é o quinto elemento.
Encantamento: ritual que invoca magia benéfica.
Energizar: transmitir energia pessoal para um objeto.
Esbat: celebração da lua cheia, doze ou treze vezes por ano.
Familiares: animais pelos quais um feiticeiro sente profundo apego; uma espécie de parentesco.
Força da Terra: energia das coisas naturais; manifestações visíveis da força divina.
Força divina: energia espiritual, o poder do deus e da deusa.
Instrumentos: objetos de rituais .
Invocação: prece feita durante uma reunião de feiticeiros pedindo para que os altos poderes se manifestem.
Livro das Sombras: livro no qual o feiticeiro registra encantamentos, rituais e histórias mágicas; grimoire.
Magia: a arte de modificar a percepção ou a realidade por outros meios que não os físicos.
Neopagão: praticante de religião atual, como a Wicca.
Pagão: palavra latina que designa “morador do campo”, membro de uma religião pré-cristã, mágica e politeísta.
Poder pessoal: o poder que mora dentro de cada um, que nasce da mesma fonte que o poder divino.
Prática, A: feitiçaria; a Antiga Religião; ver Wicca.
Sabá: um dos oito festivais sazonais.
Tradição Wicca: denominação ou caminho da prática Wicca.
Wicca: religião natural neopagã.
Widdershins: movimento contrário ao do sol, ou anti-horário. Pode ser negativo, ou adotado para dispersar energias negativas ou desfazer o círculo mágico após um ritual.
Implementos Ritualísticos
Tradicionalmente, os bruxos preferem encontrar ou fabricar seus próprios instrumentos, que sempre consagram antes de utilizar em trabalhos mágicos. A maioria dos iniciados reserva seus instrumentos estritamente para uso ritual; alguns dizem que os instrumentos não são essenciais, mas ajudam a aumentar a concentração.
Embora pouco usados para manipular coi sas físicas, estes implementos primários mostrados nestas páginas são chamados de instrumentos de feitiçaria. Jamais são utilizados para ferir seres vivos, declaram os iniciados, e muito menos para matar. Os bruxos dizem que eles estão presentes em rituais inofensivos e até benéficos, cerimônias desempenhadas para efetuar mu danças psíquicas ou espirituais.
Recipientes como a taça e o caldeirão simbolizam a deusa e servem para captar e transformar a energia. Os instrumentos longos e fálicos — o athame, a espada, o cajado e a varinha — naturalmente representam o deus; são brandidos para dirigir e cortar energias. Para cortar alimentos durante os rituais, os feiticeiros utilizam uma faca simples e afiada com um cabo branco que a diferencia do athame.
O athame, uma faca escura com dois fios e cabo negro, transfere o poder pessoal, ou energia psíquica, do corpo do feiticeiro para o mundo.
A espada, como o athame, desempenha o corte simbólico ou psíquico, especialmente quando é usada para desenhar um círculo mágico, isolando o espaço dentro dele.
A taça é o símbolo da deusa, do princípio feminino e de sua energia. Ela contém água (outro símbolo da deusa) ou vinho, para uso ritual.
O cajado pode substituir a espada ou varinha para marcar grandes círculos mágicos.
Uma tiara com a lua crescente, símbolo da deusa, é usada pela suma sacerdotisa para retratar ou corporificar a divindade no ritual.
Um par de chifres pode ser usado na cabeça do sumo sacerdote em rituais ao Deus Chifrudo.
Com a varinha mágica, feita de madeira sagrada, invoca-se as divindades e outros espíritos.
Símbolo do lar, da deusa e do deus, a vassoura é um dos instrumentos favoritos dos iniciados, usada para a limpeza psíquica do espaço do ritual antes, durante e após os trabalhos mágicos.
O caldeirão é pote no qual, supostamente, ocorre a transformação mágica, geralmente com a ajuda do fogo. Cheio de água, é usado para prever o futuro.
O tambor tocado em alguns encontros contribui para concentrar energia.
A Roda do Ano Wicca
Os seguidores da Wicca falam do ano como se ele fosse uma roda; seu calendário é um círculo, significando que o ciclo das estações gira infinitamente. Espaçadas harmonicamente pela roda do ano Wicca estão as oito datas de festas, ou sabás. Estas diferem dos “esbás”, as doze ou treze ocasiões durante o ano em que se realizam assembléias para celebrar a lua cheia. Os quatro sabás menores, na verdade, são feriados solares, marcos da jornada anual do sol pelos céus. Os quatro sabás maiores celebram o ciclo agrícola da terra: a semeadura, o crescimento, a colheita e o repouso.
O ciclo do sabá é uma recontagem e celebração da ancestral história da Grande Deusa e de seu filho e companheiro, o Deus Chifrudo. Há entre as seitas Wicca uma grande diversidade em tomo desse mito. Segue-se uma dessas versões, que incorpora várias crenças sobre a morte, o renascimento e o fiel retorno dos ciclos, acompanhando o ciclo do ano no hemisfério norte.
Yule, um sabá menor, é a festa do solstício de inverno (por volta de 22 de dezembro), marcando não apenas a noite mais longa do ano, mas também o início do retorno do sol. Nessa época, narra a história, a deusa dá à luz a deus, representado pelo sol; depois, ela descansa durantes os meses frios que pertencem ao deus-menino. Em Yule, os iniciados acendem fogueiras ou velas para dar boas-vindas ao sol e confeccionam enfeites com azevinho e visco — vermelho para o sol, verde pela vida eterna, branco pela pureza.
Imbolc (1º de fevereiro), um sabá importante também chamado de festa das velas, celebra os primeiros sinais da primavera, o brotar invisível das sementes sob o solo. Os dias mais longos mostram o poder do deus-menino. Os iniciados encerram o confinamento do inverno com ritos de purificação e acendem todo tipo de fogo, desde velas brancas até enormes fogueiras. Durante o sabá menor do equinócio da primavera (por volta de 21 de março), a exuberante deusa está desperta, abençoando a terra com sua fertilidade. Os iniciados da Wicca pintam cascas de ovos, plantam sementes e planejam novos empreendimentos.
Em Beltane, 1º de maio, outro grande sabá, o deus atinge a maturidade, enquanto o poder da deusa faz crescerem os frutos. Excitados pelas energias da natureza, eles se amam e ela concebe. Os adeptos desfrutam um festival de flores, o que geralmente inclui a dança em volta do mastro, um símbolo de fertilidade.
O solstício de verão (por volta de 21 de junho) é o dia mais longo e requer fogueiras em homenagem à deusa e ao deus. Também é uma ocasião para pactos e casamentos, nos quais os recém-casados pulam uma vassoura. O sabá mais importante da estação é Lugnasadh (pronuncia-se “lun-sar”), em 1º de agosto, que marca a primeira colheita e a promessa de amadurecimento dos frutos e cereais. Os primeiros cereais são usados para fazer pãezinhos em forma de sol. À medida que os dias encurtam o deus se enfraquece e a deusa sente o filho de ambos crescer no útero. No equinócio do outono (por volta de 22 de setembro), o deus prepara-se para morrer e a deusa está no auge de sua fartura. Os iniciados agradecem pela colheita, simbolizada pela cornucópia.
Na roda do ano, opondo-se às profusas flores de Beltane, surge o grande sabá de Samhain (pronuncia-se “sou-en”), em 31 de outubro, quando tudo que já floresceu está perecendo ou adormecendo. O sol se debilita e o deus está à morte. Oportunamente, chega o Ano Novo da Wicca, corporificando a fé de que toda morte traz o renascimento através da deusa. Na verdade, a próxima festa, Yule, novamente celebra o nascimento do deus.
A coincidência desses festivais com os feriados cristãos, bem como as semelhanças entre os símbolos da Wicca e os do cristianismo, segundo muitos antropólogos, não seria apenas acidental, mas sim uma prova da pré-existência das crenças pagãs. Para as autoridades cristãs que reprimiam as religiões mais antigas durante a Idade das Trevas, converter os feriados já estabelecidos, atribuindo-lhes um novo significado cristão, facilitava a aceitação de uma nova fé.
Cerimonias e Celebrações
A cena está se tornando cada vez mais comum: um grupo se reúne, geralmente em noites de luar, em meio a uma floresta ou em uma colina isolada. Às vezes trajando túnicas e máscaras, outras inteiramente nus, os participantes iniciam uma cerimônia com cantos e danças, um ritual que certamente pareceria esquisito e misterioso para um observador casual, embora seja um comportamento indiscutivelmente religioso.
Assim os bruxos praticam sua fé. Como os adeptos de religiões mais convencionais, os iniciados em feitiçaria, ou Wicca, usam rituais para vincular-se espiritualmente entre si e a suas divindades. Os ritos da Wicca diferem de uma seita para outra. Vários rituais da Comunidade do Espírito da Terra, uma vasta rede de feiticeiros e pagãos da região de Boston, nos Estados unidos, estão representados nas próximas páginas.
Algumas cerimônias são periódicas, marcando as fases da lua ou a mudança de estações. Outras, tais como a Iniciação, casamentos ou pactos, só ocorrem quando há necessidade. E há também aquelas cerimônias que, como a consagração do vinho com um athame, a faca ritualística (acima), fazem parte de todos os encontros. Seja qual for seu propósito, a maioria dos rituais Wicca — especialmente quando celebrados nos locais eleitos eternamente pelos bruxos — evoca um estado de espírito onírico que atravessa os tempos, remontando a uma era mais romântica.
Iniciação: “Confiança total”
Para um novo feiticeiro, a iniciação é a mais significativa de todas as cerimônias. Alguns bruxos solitários fazem a própria iniciação, mas é mais comum o ritual em grupo, que confere a integração em uma assembléia, bem como o ingresso na fé Wicca. Trata-se de um rito de morte e renascimento simbólicos. A iniciação mostrada aqui é a praticada pela Fraternidade de Athanor, um dos diversos grupos da Comunidade do Espírito da Terra. Liderando o ritual — e a maioria das cerimônias apresentadas nestas páginas — está o sumo sacerdote de Athanor, Andras Corban Arthen, trajando uma pele de lobo, que ele crê conferir-lhe os poderes desse animal. A iniciação em uma de suas assembléias ocorre ao cabo de dois ou três anos de estudo, durante os quais o aprendiz passa a conhecer a história da Wicca, produz seus próprios implementos ritualísticos, pratica a leitura do tarô e outros supostos métodos divinatórios e se torna versado naquilo que eles chamam de técnicas de cura psíquica.
Como a maioria dos ritos da Wicca, a iniciação começa com a delimitação de um círculo mágico para definir o espaço sagrado da cerimônia. Aqui, há um largo círculo, cheio de inscrições, depositado na grama, mas o bruxo pode traçá-lo na terra com o athame, ou apenas riscá-lo no ar com o indicador.
A candidata é banhada ritualisticamente, e então conduzida para o círculo mágico, nua, de olhos vendados e com as mãos amarradas nas costas. Tais condições devem fazê-la sentir-se vulnerável,’ testando sua confiança em seus companheiros. Cima interpeladora dá um passo em sua direção, pressiona o athame contra seu peito e lhe pergunta o nome e sua intenção. Em meio a um renascimento simbólico, ela responde com seu novo nome de feiticeira, afirmando que abraça sua nova vida espiritual e vem “em perfeito amor e em total confiança”.
Ao término da cerimônia, o sacerdote segura seus pulsos e a faz girar nas quatro direções (à direita), apresentando-a para os quatro pontos cardeais. Então ela é acolhida pelo grupo e todos celebram sua vinda bebendo e comendo. Como diz Arthen, “os pagãos gostam muito de festejos”.
Para Captar a Energia da Lua
Os praticantes da Wicca identificam a lua, eternamente mutante — crescente, cheia e minguante —, com sua grande deusa em suas diversas facetas: donzela, mãe e velha. É por isso que a cerimônia destinada a canalizar para a terra os poderes mágicos da lua está na essência do culto à deusa, sendo um rito chave na liturgia da Wicca.
Quando se encontram para um dos doze ou treze esbás do ano, que são as celebrações da lua cheia, os membros da Fraternidade de Athanor reúnem-se em um círculo mágico para direcionar suas energias psíquicas através de seu sumo sacerdote — que aqui aparece ajoelhado np centro do círculo — e para sua suma sacerdotisa, que está de pé com os braços erguidos em direção aos céus. Acreditam que a concentração de energia ajudará a sacerdotisa a “atrair a lua para dentro de si” e transformar-se em uma; corporificação da deusa.
“Geralmente, a época da lua cheia é sempre; repleta de muita tensão psíquica”, explica Arthen, o sumo sacerdote. Esse ritual tenta utilizar essa tensão. “Ele ajuda a sacerdote a entrar em um transe profundo, no qual terá visões ou dirá palavras que geralmente são relevantes para as pessoas da assembléia”.
As taças nas mãos da sacerdotisa contêm água, o elemento que simboliza a lua e é governado por ela. Os membros dizem que essa água se torna “psiquicamente energizada” com o poder que a trespassa. Cada feiticeiro deve beber um pouco dela ao término do ritual, na cerimônia que o sumo sacerdote Arthen chama de sacramento.
Muitos grupos realizam essa cerimônia de atrair a lua em outras fases, além da lua cheia. Tentam conectar o poder da lua crescente para promover o crescimento pessoal e começo de novas empreitadas e conectam com a minguante, ou lua negra, para selar os finais de coisas que devem ter um fim.
A maioria dos grupos considera a cerimônia como uma maneira de honrar a Grande Deusa, mas muitos abdicam dos rituais, resumindo-se simplesmente a deter-se por um momento quando a lua está cheia, para meditar sobre a divindade Wicca.
Para Elevar o Cone do Poder
“A magia”, diz o sumo sacerdote Arthen, “está se unindo às forças psíquicas para promover mudanças.” Parte do treinamento de um feiticeiro, ele observa, é aprender a usar a energia psíquica e uma técnica primária com esse objetivo, um ritual praticado em quase todos os encontros e o de elevação do cone do poder. Como a maioria das atividades, isso acontece no centro de um círculo mágico. “Especialmente no caso deste ritual”, diz Arthen, “o círculo mágico é visualizado não apenas como um círculo, mas como um domo, uma bolha de energia psíquica — uma maneira de conter o poder antes de começar a usá-lo.”
Ao tentar gerar energia para formar o cone do poder, os bruxos recorrem à dança, à meditação e aos cânticos. Para “moldar” o poder que afirmam produzir, reúnem-se em torno do círculo mágico, estiram os braços em direção à terra e gradualmente os levantam, como se vê aqui, em direção a um ponto focal acima do centro do círculo. Quando o líder da assembléia sente que a energia atingiu seu ápice, ordena aos membros: “Enviem-na agora!” Então, todos visualizam aquela energia assumindo a forma de um cone que deixa o círculo e viaja até um destino previamente determinado.
O alvo do cone pode ser alguém doente ou outro membro do grupo que necessite de assistência em seu trabalho mágico. Mas seu destino também pode estar menos delimitado. Como a prática da feitiçaria está profundamente vinculada à natureza, o cone do poder pode ser enviado, diz Arthen, “para ajudar a superar as crises ambientais que atravessamos.
Festas do Ano Wicca
Nem todos os rituais da Wicca são solenes e taciturnos. “Misturamos a alegria e a reverência”, diz Arthen. Os oito sabás que se destacam no ano dos bruxos — homenageando a primeira jornada do sol e o ciclo agrícola rítmico da terra — são ocasiões para muitas festas animadas. O mais festivo de todos os sabás é Beltane, alegre acolhida à primavera que acontece no dia 19 de maio. Em Beltane, os pagãos do Espírito da Terra reúnem-se para divertir-se com a brincadeira do mastro, como se vê aqui.
A dança do mastro, antigo rito da fertilidade, começa como um jogo ritualístico carregado do forte simbolismo sexual que caracteriza a maioria das cerimônias da Wicca. As mulheres do grupo cavam um buraco dentro do qual um mastro, obviamente fálico, deverá ser plantado. Mas quando os homens se aproximam, carregando o mastro, são confrontados por um círculo formado por mulheres, que cercam o poste como se o estivessem defendendo.
Num ato de sedução simbólico, as mulheres brincam de abrir e fechar o círculo em lugares diferentes, enquanto os homens correm carregando o mastro e tentando penetrar naquele círculo.
“Finalmente”, conta o sumo sacerdote Arthen, “os homens têm a permissão de entrar com o mastro e plantá-lo na terra.” Em seguida, as feiticeiras começam a dança da fita, ao redor do mastro, cruzando e atravessando os carrinhos umas das outras até que as fitas brilhantes estejam todas entrelaçadas no mastro. “O ritual une as energias dos homens e das mulheres”, explica Arthen, “para que haja muita fertilidade.”
Acreditando que cada sabá conduz a um ápice de energias psíquicas e terrenas, os feiticeiros praticam os rituais do sabá mesmo que estejam sós. Contudo, nos últimos anos, os adeptos da Wicca têm se reunido em número cada vez maior para celebrar os sabás; o comparecimento aos festivais do Espírito da Terra aumentou cerca de sete vezes, no período de quase uma década.
A Celebração das Passagens da Vida
Como outros grupos religiosos, as comunidades Wicca celebram os momentos mais significativos na vida individual e familiar, inclusive nascimento, morte, casamento — que chamam de “unir as mãos” — e a escolha do nome das crianças. O Espírito da Terra é reconhecido como igreja pelo estado de Massachusetts, diz Arthen, e portanto seu ritual de “unir as mãos” pode configurar um matrimônio legal.
Muitas vezes o ritual não é usado para estabelecer um casamento legal, mas sim um vínculo reconhecido apenas pelos praticantes da Wicca. Se um casal que se uniu dessa forma decidir se separar, seu vínculo será desfeito através de outra cerimônia Wicca, conhecida como “desunião das mãos”.
Fundamental para essa cerimônia é a bênção dada à união do casal e o ritual de atar suas mãos — o passo que corresponde ao nome do ritual e que há muito tempo produziu a famosa metáfora que se tornou sinônimo de casamento, “amarrar-se”. A fita colorida que une o par é feita por eles, com três fios de fibra ou couro representando a noiva, o noivo e seu relacionamento. Durante as semanas ou até meses que antecedem o casamento, o casal deve sentar-se regularmente — talvez a cada lua nova — para trançar um pedaço dessa corda é conversar sobre o enlace de suas vidas através de amor, trabalho, amizade, sexo e filhos.
Os filhos de feiticeiros são apresentados ao grupo durante um ritual de escolha de nome chamado “a bênção da criança”, ou batismo. Essa cerimônia inclui com freqüência o plantio de uma árvore, que pode ser fertilizada com a placenta ou com o cordão umbilical. Em uma cerimônia semelhante conhecida como batismo mágico, que geralmente ocorre antes da iniciação, o aprendiz de feiticeiro declara os nomes pelos quais deseja ser conhecido dentro de seu grupo de magia.
PAX DEORUM
Por Witch Crow
Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-moderna-feiticaria/
Anarco-Thelemita
‘Não há nada que possa unir o dividido, exceto o Amor ‘– Aleister Crowley
Muito é dito na literatura oculta thelemita sobre Kalas, as secreções do corpo que podem ser usadas para fins mágico, mas isso é quase sempre feito por meio de alegorias e metáforas, mesmo entre ousados thelemitas. Como se tivessemos algo a esconder. Para algumas organizações isso é tido como um segredo que deve ser escondido a qualquer custo. Mas se um segredo fosse, exatamente secreto, correria na direção oposta de tudo o que o vivemos hoje. O segredo é, no fim das contas, algo comum, que não damos valor e que, pode conter em si o poder de alterar a própria realidade, de modo assustador até. É algo que está lá, mas ninguém quer vê.
Considere a quantidade de relações sexuais diárias ao redor do mundo, e que, nem 10% do mundo utilizaria esse potencial pessoal, o mago tem pelo teu próprio saber, uma pequena arma nuclear a sua disposição, um verdadeiro ‘Elixir da Vida’, como disse Aleister Crowley no capítulo ‘Emblemas e Modos de Uso’ do seu famoso Livro 4. A maior parte das informações deste artigo serão justamente extraídas deste importante texto.
Os textos do Crowley visavam tanto a preservação e o entendimento destes conceitos de acordo com a capacidade pessoal do seu leitor. Mas nem todos tem a mesma visão – Os segredos, repito, sempre foram abertos, só não percebidos. Mega Therion ensina por meios de símbolos alquímicos que “o ovo, é a cópula entre os dois sexos, entre a Águia e o Leão, Mulher e Homem.” neste texto em vez de teorizarmos sobre os mecanismos ocultos por trás disso, vamos nos limitar a parte pratica de operações sexuais, deixando as os mecanismos metafísicos para autores com mais tempo para a arte dos malabares.
A melhor ponte pra qualquer operação sexual é uma mente calma e um corpo energizado. Praticas de pranayama fazem milagres acalmando até tempestades violentas que um cérebro pode ter, por vezes, uma substituição por métodos de vampirismo pode ser empregado por quem domina a técnica. No fim das contas, os dois métodos são viáveis e não muito diferentes um do outro. O Adepto não deveria se perder em nomenclaturas na sua obra, mas sim focar-se em teu objetivo. Carregar seu centro sexual de energia vital, para que, a obra possa ser concretizada. Lembro do fato que, por experiência pessoal, isso nem sempre é regra, e se for uma regra, pode ser quebrada. A pratica constante leva o desrespeito das regras iniciais em qualquer tipo de operação mágicka. Lúcifer toma as regras do céu, as burla para criar seu reino pessoal. Prometheus rouba o fogo dos deuses, ainda que pague seu preço ilumina e aquece a humanidade toda deste então. Crowley diz que os participantes devem “estar transbordantes de energia, magneticamente atraídos um pelo outro, transbordantes de energia, magneticamente atraídos um pelo outro” para dizer que devem estar com tesão.
A Operação em si apesar de ser muito protegida com segredos por algumas organizações thelemitas, pode na verdade tomar a forma de uma cópula normal, sem preceitos, mantras, orações e afins. O Adepto pode, caso isso o agrade, santifica-la, tornando-a adornada em invocações que ache viáveis e correspondentes a seu objetivo. Os thelemitas usam as formas-deus de Nu e Hadit para operações de iluminação e de desenvolvimento pessoal e as formas Hórus e Babalon para trabalhos de feitiçaria com fins de Guerra, Vitória ou Amor. Alternativamente, pode-se dedicar a própria copula a algum Deus especifico e procurar repetir, invocando o nome dessa divindade durante toda a cópula. É uma pratica alternativa, não necessária. Porem, efetiva. Baphomet também é sempre presente em operações ligadas a fins matériais.
Independente disso, a cópula deveria ser a melhor possível, sem se preocupar com restrições e especialmente não caindo na armadilha do cerimonialismo. De fato “esquecer por completo o propósito da operação é um prenúncio de sucesso, na linguagem alquímica o “Leão deve estar enraivecido” Fazer com Verdadeira Vontade é a formula ideal. Se o adepto desejar, ele pode concentrar-se no objetivo da operação desde o inicio, mas isso não é de todo necessário. O objetivo é concentrar o fluido sexual, não é necessário santificar algo que por natureza já é intenso e prazeroso. Assim como não se pode blasfemar contra algo que não é divino tão pouco pode-se abençoar algo tão elevado como o sexo. Intensidade ou Amor é a chave para ambos, mas como sempre, amor sob Vontade.
Após o coito feito de forma intensa, chega-se a hora realmente ritualística. Deve-se sugar os fluidos com a boca de modo evitar desperdiçar qualquer gota que seja. E então, despejá-los em uma taça. O homem deve fazer isso com a mulher e a mulher com o homem. A união dos dois fluidos, junto com a saliva, é que formarão a chamada Taça das Abominações, a Pedra Filosofal, Medicina dos Metais. O adepto nessa hora, deve olhar para a taça com os fluidos e mentalizar fortemente, imprimindo no fluido gerado sua vontade. A postura mental nesta parte da operação é mais importante do que na anterior, como diz Crowley, “Ovo, mal cuidado, pode adquirir uma Serpente venenosa, de elementos hostis e malignos.”
A mente do Macho e da Fêmea devem estar em absoluta harmonia quanto ao propósito da operação. Não fosse assim, haveria um conflito interno entre as partes e o todo a operação seria um fracasso, ou no pior dos casos contrária ao desejado. Se um matrimônio perfeito não é possível (e de fato é muito raro) é mais indicado que apenas um dos lados saiba o que esta acontecendo e o outro busque um estado mental de nulidade. Quem quer que imprima sua vontade é a Serpente. A operação lida com polaridades, mas não é necessariamente uma questão de gênero, sabe-se que Crowley se dedicou a ela passiva mente (como Águia) e ativamente (como Leão), mas em todos os casos era a Serpente. Independente do que dizem a respeito de sexualidade ligar a aspectos Sephiróticos/Qliphóticos, aos quais, os resultados práticos contradizem o medo. A concentração sobre o objetivo, sobre essa energia materializada, é a chave da operação e o ato simbólico é a porta sendo aberta.
Para fortalecer o “chocar do ovo”, ou seja, a ligação com o objeto final um ato simbólico especifico pode ser criado. Isso pode ser feito colocando fios de cabelo do alvo, no caso de uma operação de cura, amor ou destruição. Ou colocar emblema de uma loja e uma moeda de ouro para a prosperidade do lugar. Para operações de prosperidade pode-se mergulhar uma moeda de ouro e para batalhas uma arma pode ser besuntada.
Seja o uso como for, e especialmente para fins de cura e energização pessoal, faz-se beber da Taça. O Fluido da Imortalidade pode trazer rejuvenescimento segundo as lendas tradicionais e o uso adequado deveria ser feito por, pessoas mental/fisicamente saudáveis. A magia é, no fim das contas, Gerar aquilo que se é, se multiplicar, por assim dizer. Precisa-se de Amor, para gerar Amor, Guerra interna pra gerar Externa. Este é o motivo dos alquimistas dizerem que “Para fazer outro é preciso ter ouro.”
O fluido em questão pode ser entregue á Forças, para que estas trabalhem pela tua vontade. São métodos alternativos de trabalho, que não desvinculam o propósito da mesma. É interessante dedicar toda a operação á um fim especifico, porem resultados interessantes podem ser obtidos, dedicando a energia do coito pra um propósito, e os fluidos para o outro. Aqui temos uma questão que só pode ser esclarecida pela experimentação pessoal.
Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/fluidos-sexuais-o-segredo-da-oto-revelado/
Este texto não tem como propósito falar sobre as lendas, nem buscar os aspectos históricos das demônias. Ele é um resumo, um pouco da minha experiência pessoal, entre evocações/invocações, incubações e vivências com todas as demônias cabalísticas. Por motivos pessoais não irei expor todas as Demônias, mas deixo aqui um bom material, produto de experiência direta, com as Senhoras, as Rainhas do Prazer, que me proporcionaram experiências incríveis neste ano.
Os rabinos associam a Sammael quatro esposas. Quatro prostitutas, rainhas dos Succubi e Incubbi.
Lilith, Nahemah, Aggarath e Mochlath; Laylah, Naamah, Agrat e Eishet Zeninum. São as quatro esposas de Sammael, as Mães, da sedução, dos abortos, da Liberdade e da prostituição. Apesar de dizerem que Lilith é o símbolo de tudo isso em um Arquétipo/Força/Entidade, só quando se entra em contato com a mesma ela mostra claramente o que ela faz.
Ela Seduz. Ela é a Mãe da Sedução, da paixão, do amor em sua forma mais viceral. Lilith, é a Lua Nova, apesar de muita gente associa-la á Lua Negra, período que ocorre três dias antes da Lua Nova. Aquele Chifre fino ao entardecer anuncia o Reinado daquela que seduz todos que deseja. Invoca-se ela com uma vela vermelha, acesa, dedicada a ela, e Laylah, ou Lilith, como é mais conhecida, sempre atende.
Ela traz o objeto de desejo. Ela o enche de luxuria e de paixão por ti. Lilith é a preferida, segundo as lendas, de Sammael, e através dela uma geração de Demônios nasceram. As descrições do Zohar e da Cabalah tradicional a descrevem como uma mulher que aos poucos está apodrecendo ou uma criatura meio mulher meio animal, ou até mesmo meio mulher e meio homem.
Ela é morena, tem longos cabelos negros como seus olhos que trazem um detalhe diferencial: sua pupila é vermelha; veste um vestido preto, semi-transparente. Sua voz é doce, ela vem em sonhos de uma maneira muito diferente do que muitos relatam. Sem fornicação, sem violência. Muito pelo contrário do que se diz os demônios são cavalheiros e damas exemplares. LYLYTh, ou LYL, vem com sonhos sensuais, brincadeiras de sedução e nunca se deixa levar pelas crendices babacas de vulgaridade e afins. Ela é Uma Dama, uma Rainha. E gosta de ser tratada assim. O Zohar e as Tradições Cabalistas sempre falam bizarrices sobre os Demônios, suas descrições são as mais horrendas que a mente rabina pode conceber a algum ser – são escravos de alucinações ortodoxas. E os Satanistas deverão ser Adeptos da Experiência pessoal.
Em minha experiência com a Lilith, pude presenciar seu poder de forma extremamente interessante. Cabe a cada Um Invoca-la e presenciar o poder dela, causando no objeto de seu desejo uma paixão incontrolável pelo Invocador, levando aos poucos a se entregar completamente aquilo que foi solicitado a Ela.
Enquanto uma é Morena, a segunda é Loira. Veste um vestido Verde-claro e tem olhos da mesma cor. Ela vem com um cheiro de absinto, de desejo, de sedução. Muitos dizem que Nahemah é mãe do adultério, mas não: ela é a verdadeira Mãe dos Abortos. As tradições cabalísticas também a descrevem horrendamente – como uma mulher meio animal, careca, que vaga pelo Gehenna comendo areia. Estão completamente equivocados e Ela mostra isso claramente, seu tom sarcástico de voz nos deixa cientes disto.
Ela é a “charmosa” como a tradução de seu nome, NHMH, ou Naamah, nos mostra. Por razões pessoais não falo muito de Naamah. Mas digo que a expêriencia, a invocação da mesma, nos mostra o poder absurdo que Ela possui. Sua Lua é a Minguante e, apesar de seu sarcasmo, ela é uma demônia muito fácil de se obter contato. O Maior problema está em retirar dela as informações sobre o que ela pode fazer, já que a palavra “abortos” vai muito além para a compreensão da Loira. Como qualquer experiência com ela mostrará.
Ela é tanto mulher de Sammael quanto de Asmoday, ela é a pequena Lilith, a jovem Lilith, descrita em alguns textos rabinos.
Encerrando o assunto Naamah solicito a quem desejar chamá-la que se mostre extremamente educado e cortês. Ela admira muito isso.
A terceira mulher, que a Qabalah tradicional descreve como uma mulher em uma carruagem sendo puxada por um boi e um asno e que possui cabelos feitos de serpentes, como a Medusa, tem o nome de Aggarath, ou Agrat. AGGRTh é a demônia da Liberdade mas seu nome também nos remete a algo interessante: Agrat Bat Mahalat, ou Agrat filha de Mahalath (Mochlath), aquela que traz Ilusão. Uma das demônias mais perigosas porém mais interessantes. Ela ensina feitiçaria para as bruxas, dá receitas de feitiços, encantos e afins. Mas também nos traz tristeza e arrependimento quando invocada para tal propósito. Ela vem como uma mulher com um vestido amaranto, um amarelo fosco.Tem cabelos castanhos claros e fala com a arrogância de uma Soberana.
Ruiva com olhos claríssimos, que vão do tom do céu ao tom do mar em segundos, vem a última esposa, seu nome é Mochlath. Ela se apresenta como a Mãe da Prostituição, a Senhora da Dor e do Prazer, veste um vestido azul-esverdeado e é coberta de jóias. Ela ama isso. Ela é isso. Ela intensifica o tesão, o prazer sexual, o desejo que alguém possa ter por você e leva-o até o descontrole. Muito parecida com a Deusa Macha Celta, Mochlath, Mahalath, Machaloth, Eishet Zeninum, é uma deusa extremamente calma e pode te falar dos piores flagelos com uma doçura peculiar a ela. A Ela também cabe ensinar a Feitiçaria,
trabalhos com a vaidade e com a fraqueza pessoal de cada um. O trabalho, a experiência pessoal com cada demônia, vai lhe mostrar muito do que Elas realmente são capazes, assim como seus gostos; algumas irão te pedir incensos, frutas, velas … são agrados, mimos, que se dão á rainhas, ás deusas do Inferno.
Por início basta acender uma vela vermelha e solicitar a comunicação em sonhos e no decorrer, ir perguntando o que deseja, ou solicitando algo desejado. Seja claro quando ao pedido – seja especifico. São rainhas e para elas pouco trabalho é ensinar ou tornar um humano louco de paixão.
Seu trabalho vai muito além do amor e feitiçaria. O que expus aqui é um pouco do que Elas podem fazer. Em sonhos elas podem te mostrar e mais para frente em visões ou até materializações. Com respeito qualquer coisa pode ser obtida com as Rainhas. Encare-as como Damas e trate-as como tal. Dar-se para Receber.
Fica aqui um trabalho feito em honra á Elas e um bom material para quem deseja trabalhar com as Esposas. Um material baseado em experiências pessoais, em vontade e amor pela magick.
Inkubus King
Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/as-demonias-da-qabalah/
Com alguns dias de atraso, segue o Mapa do Freud, para comparações. Jung ficaria orgulhoso de como Freud seguiu sua Verdadeira Vontade…
Sigmund Freud, foi um médico neurologista judeu-austríaco, fundador da psicanálise.
Freud iniciou seus estudos pela utilização da hipnose como método de tratamento para pacientes com histeria. Ao observar a melhoria de pacientes de Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da doença era psicológica, não orgânica. Essa hipótese serviu de base para seus outros conceitos, como o do inconsciente. Freud também é conhecido por suas teorias dos mecanismos de defesa, repressão psicológica e por criar a utilização clínica da psicanálise como tratamento da psicopatologia, através do diálogo entre o paciente e o psicanalista. Freud acreditava que o desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana, assim como suas técnicas terapêuticas. Ele abandonou o uso de hipnose em pacientes com histeria, em favor da interpretação de sonhos e da livre associação, como fontes dos desejos do inconsciente.
Suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas ideias são frequentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.
Mapa Astral
Sol em Touro, Ascendente em Escorpião, Lua em Gêmeos e Caput Draconis em Áries. Seu Planeta mais forte é Vênus em Áries-Touro (Cavaleiro de Moedas). Com Sol, Mercúrio, Plutão e Urano em Touro, é esperado uma pessoa com pensamentos e ações extremamente práticas e voltadas para o materialismo. Júpiter e Netuno em Peixes, por outro lado, o puxam para o lado espiritual/filosófico. Uma combinação bem sucedida destas energias faz com que a pessoa consiga um aspecto prático do estudo do espírito humano (como no caso das interpretações dos sonhos e do método de conversa doutor-paciente).
A combinação de Touro e Escorpião molda pessoas capazes de administrar bens, sejam eles materiais (como um comerciante) ou mentais (como um filósofo ou psicólogo). Tendo Mercúrio em Touro-Gêmeos (Rei de Espadas) e Marte em Libra (comum em advogados, juízes, comerciantes e outras pessoas que gastem seu tempo e energia em busca do equilíbrio ao seu redor), a profissão de médico psiquiatra lhe serviu muito bem.
#Astrologia #Biografias
Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-sigmund-freud
Todas as semanas, muitas pessoas escrevem perguntando como fazer corretamente o Pacto com Lúcifer. Mestre Lúcifer me explicou que praticamente todos que querem fazer pactos cometem alguns erros muito graves na hora de escrever o Pacto, pois não respeitam os meandros do ocultismo e do satanismo. Mas, finalmente, me foi permitido explicar a vocês como redigir corretamente o pacto com Lúcifer. Continue lendo…
“AGENTE” e “A GENTE” – Sabe aquele espião dos homens-de-preto que trabalha para os Iluminati? que sempre aparece nos filmes de Hollywood? Ele é um AGENTE federal – agente (escrito junto). Já quando você quiser usar o “a gente” no lugar do “nós”, deve escrever separado – A GENTE. Por isso que muitos dos seus pedidos falham… você pede dinheiro para “agente” e quem recebe a grana são os illuminati!
MAS e MAIS – A imensa maioria dos satanistas acaba atraindo a desgraça para suas vidas pelo uso inadequado destas palavras mágicas. MAIS (com o “i”) é um advérbio de intensidade, que transmite uma noção de adição, porém MAS (sem o “i”) é uma conjunção adversativa e transmite a idéia de oposição. É sinônimo de “contudo”, “porém”… . Ou seja, você pede mais e o cramunhão te da menos!
FASSO – Essa palavra simplesmente não existe. Nem “fasso”, nem “faso”. O correto é “FAÇO”, com “ç”. É uma flexão do verbo “fazer” – “eu faço”. Satan chora quando lê essa aberração na frente dele!
MIM AJUDA – O porquê de muita gente usar o “mim ajuda” no lugar de “me ajuda” ninguém sabe. O que sabemos é que Lúcifer ri tanto quando lê uma parada assim que não tem mais clima para ajudar ninguém.
#Dica: MIM NÃO FAZ NADA! Parece brincadeira, mas lembre-se sempre dessa frase, que na verdade significa que nunca se usa o pronome “mim” antes de qualquer verbo. EU faço. EU vou. EU digo. EU faço (tá vendo, com “ç” !!! ). Nada de mim!
CONCERTEZA – Outra palavra que na verdade não existe. Vai consertar o que? O correto é COM CERTEZA, escrito de forma separada e com a letra “m” e não “n”. COM CERTEZA você não vai mais errar essa na hora de fazer o Pactum Pactorum, não é?!
MENAS – Não importa qual seja a palavra que vem depois, o correto é usar sempre o “MENOS”. MENOS é um advérbio que não sofre flexão de gênero, ou seja, nunca passa para o feminino. Assim, o correto é MENOS gente, MENOS pessoas, MENOS chances, MENOS ansiosa. Você escreve que quer “menas dificuldades” e juro por Exu que a galera lá embaixo fica rindo tanto da sua cara que nem a ONA vai te aceitar mais…
EM BAIXO e EMBAIXO – As duas formas de escrever existem, mas são usadas com significados diferentes. Geralmente, a forma que mais utilizamos é o EMBAIXO (junto), que funciona como advérbio – embaixo da mesa, embaixo do livro, embaixo do caixão… Tem aquele significado de “sob alguma coisa”. Já o EM BAIXO (separado) é usado quando a palavra “baixo” tem sentido de adjetivo (contrário de alto). Ex: “Ela estava em baixo astral ontem”.
AS VESES – ÀS VEZES, você pode errar como essa expressão é escrita. Então lembre-se: ÀS VEZES tem crase no “A” e é escrito com “Z” e depois “S”. ÀS VEZES é bom dar uma conferida se você está escrevendo a palavra do pacto do jeito certo.
EXCESSÃO – Essa você vai ter que decorar mesmo! são glifas mágicas que não funcionam de outra maneira: EXCEÇÃO se escreve assim: primeiro com X, depois com C e então Ç no final. Decore X, C, Ç e só preencha com as outras letras E-X-C-E-Ç-Ã-O. Satan agradece!
NADA HAVER e NADA A VER – NADA A VER escrever NADA HAVER! A expressão correta é NADA A VER, que significa não “ter relação com”. Deixe o verbo “haver” longe desse tipo de frase. Você pensa que está dizendo “as colocações feitas não se complementam”, mas na verdade o que escutamos é “eu sou burro”.
DERREPENTE – Belzebu até se arrepia quando lê uma monstruosidade dessas… aprenda de uma vez: DE REPENTE! DE REPENTE! DE REPENTE! Pensa na pausa de um susto: DE…REPENTE! Essa expressão é uma locução adverbial que nunca se escreve junto.
VOÇÊ, COMEÇEI, PAREÇE – A letra mágica illuminati aqui é o “Cê-Cedilha”, que NUNCA deve ser usado junto às vogais “I” ou “E”. Então é COMECEI, com o C normal mesmo!
PORISSO – POR ISSO a gente está explicando como é a grafia correta das palavras. Porque tem muita gente que ainda escreve por aí “porisso” (junto). E é errado! POR ISSO é sempre separado!
A NÍVEL DE – Esta é uma frase mágica que tem o poder de contorcer de agonia todo mundo que a escuta! Quando você usa “a nível de” qualquer coisa, um diabo perde o tridente! é sério…
DESCRIMINAR e DISCRIMINAR – Sabemos que você quer falar difícil, mas para isso, é necessário saber que Descriminar significa “absolver”, “inocentar” enquanto Discriminar significa “distinguir”, “separar”.
OBRIGADO e OBRIGADA – Quando for agradecer ao resultado do pacto, lembre-se sempre de concordar o adjetivo com o sujeito, ou seja, se você for homem, diga “OBRIGADO, Lúcifer”… se for mulher, diga “OBRIGADA Lúcifer”. Simples assim.
GRATIDÃO – Não sabemos qual picareta dos infernos inventou essa modinha de falar “gratidão” ao invés de “obrigado”, mas simplesmente NÃO.
Bem, com estas palavras mágicas, você será capaz de escrever direitinho seu Pacto com Lucifugo Rocambole, mas lembre-se: mesmo se você escrever tudo certinho, não vai servir para nada porque Pactos com Lúcifer são pura charlatanice. Você acha mesmo que um demônio do Inferno, comandante das legiões satânicas vai perder o tempo dele com um zé ninguém que não tem nada a oferecer? sua alma? vale menos que uma paçoca.
#Fraudes #Humor
Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/como-escrever-o-pacto-com-l%C3%BAcifer
Por Shirley Massapust
Na obra O Vampirismo, Robert Amberlain alega que os membros da Rosa-Cruz do Grande Rosário iniciaram-se na pneumatologia que “não é senão a ciência dos Espíritos, aquilo a que chamamos agora metafísica, ciência que engloba o conhecimento da Alma”.[1] Ele descreve a ação e conversão dos vampiros alegando que “é muito possível que seja a isto que o marquês de Chefdebien faz alusão na sua carta publicada na página 52 da obra de B. Fabre, Um Initié des Sociétés Secrètes Supérieures (Paris, 1913), quando ele evoca a existência dos ‘irmãos do Grande Rosário’, cujo berço era em Praga ainda nesta época, ou seja, nos finais do século XVIII”.[2]
De fato, a metafísica rosa-cruz fundia recursos da metafísica tradicional, teologia, alquimia e cabala. Por exemplo, num manuscrito escrito entre 1700 e 1750, Phisica, Metaphisica et Hyperphisica. D.O.M.A., estas matérias correspondem às “três partes do homem” (espírito, alma e corpo) e representam os três elementos da pedra filosofal (sal, enxofre e mercúrio).[3] Contudo, o simples fato de estudarem variantes da metafísica tradicional não basta para provar que praticavam o vampirismo. A única justificativa para tal associação, seria a descoberta de uma interpretação especial da matéria e uso objetivo a fim de atingir tais ideais; fato que nos leva a um novo problema: Onde procurar? Existe uma quantidade infindável de escritos ‘metafísicos’ inspirados no movimento, de forma que até mesmo Descartes dedicou uma obra de juventude “aos eruditos do mundo inteiro e, especialmente, aos Irmãos Rosa-Cruzes, tão célebres na Germânia” (Preâmbulos), além de haver escrito trabalhos onde “transparecem suas preocupações científicas aliadas à influência dos temas da sociedade Rosa-Cruz”.[4] Comecemos, pois, pelo começo. Não irei discutir sobre a antiguidade da ordem. Cabe a cada um optar pela posição de certos historiadores que afirmam sua invenção no século XVI ou pela doutrina da atual Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (A.M.O.R.C.), que se proclama receptora da tradição de uma ordem hermética egípcia fundada por Thutmose numa ‘Reunião do Conselho’ ocorrida de 28 de março a 4 de abril de 1489 a.C. Para nosso tópico basta dizer que o interesse do público leigo pela ordem formou-se após a publicação da Fama Fraternitatis, 1614, e Confessio Fraternitatis R. C., 1615, dois escritos anônimos que ganharam importância em associação ao Chymische Hochzeit Christian Rosencreutz, Anno 1459 (1616). Este último trazia a alegoria de um casamento no qual alguns convidados são assassinados e trazidos novamente à vida através da alquimia; sua autoria acabou sendo reivindicada por um certo Johann Valentin Andrea (1586-1654), respeitado e ortodoxo membro do clero luterano, conhecido como opositor dos rosa-cruzes. Andréa esforçou-se ao máximo para distanciar-se da obra, chamando-a de sátira ideada em sua juventude tresloucada.[5] Contudo, independente da intenção do(s) autor(es), tais obras exerceram grande influência na concepção do rosacrucianismo. A descrição da exumação do corpo de Christian Rosencreutz – herói protagonista da Fama Fraternitatis – foi especialmente discutida devido a sua condição imputrescível:
Como até o momento não tivéssemos visto o corpo do nosso falecido pai, prudente e sábio, afastamos o olhar para um lado e ao erguermos a chapa de bronze, encontramos um corpo formoso e digno, em perfeito estado de conservação, tal qual uma contrafação viva do que aqui se encontra com todas as suas vestimentas e atavios.[6] Dentre outros livros e objetos, os descobridores do túmulo encontraram o Vocabular de Teophrastus Paracelsus ab Hohenheim (1493-1541).[7] Isso prova que os dois panfletos não se sincronizavam ou simplesmente pretendiam narrar uma ficção, pois de acordo com a Confessio o Irmão C. R. nasceu em 1378 e morreu aos 106 anos, em 1484, sendo o túmulo fechado e selado nove anos antes do nascimento de Paracelso. Em todo caso, o autor da Fama Fraternitatis devia ter em alta estima as teorias deste médico; cuja comparação dos “corpos embalsamados” com um filtro grego “preparado com sangue” levou a conclusão de que “o que cura verdadeiramente as feridas é a múmia: a própria essência do homem”.[8] Tal é a função do cadáver de R. C. na narrativa.
Seguindo raciocínio semelhante, W. Wynn Westcott apresentou como fato verídico à história de que Rosenkreutz “foi sepultado, conforme ele e os membros de seu círculo mais íntimo planejaram, numa cripta especial dentro do domus ou moradia secreta”.[9] Então, o teriam embalsamado com “esmero no cuidado carinhoso e no trabalho hábil de preservar os restos mortais do Mestre” do que resultou o ‘belo e notável corpo, integro e intacto’ descrito na tradução de Eugenius Philalethes (Londres, 1652).[10] Noutro extremo, no livro Perguntas e Respostas Rosacruzes, H. Spenser Lewis anuncia de forma pitoresca que “o verdadeiro autor dos panfletos que trouxeram o renascimento na Alemanha foi, nada mais, nada menos, que Sir Francis Bacon,[11] então Imperator da Ordem para a Inglaterra e várias partes da Europa”.[12] Ele teria velado a autoria da Fama Fraternitatis sob um nome simbólico, “como é natural em toda a literatura Rosacruz antiga”, cujo significado seria meramente “Cristãos da Rosa-Cruz”. Por isso “é muito duvidoso” que em seu tempo “qualquer indivíduo culto… que lesse esses panfletos, acreditasse que Christian Rosenkreutz fosse o nome verdadeiro de alguma pessoa”.[13] De qualquer forma, independente do autor ou da pretensão de ser ficcional, doutrinário ou verídico, o manifesto contém a descrição de um cadáver bem conservado semelhante aos de certos santos católicos ou dos relatos de vampiros primordiais que também são interpretados ora como ficção alegórica, ora como fruto de embalsamamento natural (ou milagre, ou produto de magia, etc.).
Interações culturais entre o pensamento maçônico e rosa-cruz:
A antiguidade histórica da afinidade entre a Rosa-Cruz e a Maçonaria inglesa é tal que ultrapassa a existência institucionalizada de ambas as ordens. Por exemplo, o poema A Trinódia das Musas, de Henry Adamson de Perth, 1638, contém a passagem ‘For we are the brethren of the Roise Cross. We have the mason word and second sight’. Ou seja, para que os irmãos da Rosa Cruz pudessem possuir a ‘palavra Maçônica’ seria necessário que já naquela época houvesse um intercâmbio entre as duas correntes de pensamento. Talvez por isso a fraternidade Rosa-Cruz “foi confundida muitas vezes com a maçonaria e, de certo modo, a maçonaria moderna assimilou muitos princípios esotéricos do grande movimento”, conforme atesta Rizzardo da Camino, autor de O Príncipe Rosa-Cruz e Seus Mistérios.[14] Em Orthodoxie maçonique, Ragon alega que Elias Ashmole “e os demais Irmãos da Rosa-Cruz” se reuniram em 1646 na sala de sessões dos franco-maçons, em Londres, onde livremente “decidiram substituir as tradições orais adotadas nas recepções de adeptos nas lojas por um processo escrito de Iniciação”. Após a aprovação do grau de Aprendiz pelos membros da loja, “o grau de Companheiro foi redigido em 1648, e o de Mestre, pouco tempo depois. Mas a decapitação de Carlos I em 1649 e o partido tomado por Ashmole a favor dos Stuarts, trouxeram grandes modificações a este terceiro e último grau, tornado bíblico, tomando-se totalmente por base esse hieróglifo da natureza simbolizado pelo fim de dezembro”.[15] Dessa forma, Papus aponta Ashmole como “autor principal” da lenda de Hiram, cujo assassinato simbólico revela que “é necessário saber morrer para reviver imortal”,[16] ou, conforme a versão vigente do Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3), “ensina a lei terrível que faz com que aquele que auxiliastes e instruístes se revolte contra vós e procure matar-vos, segundo a fórmula da BESTA HUMANA: ‘O INICIADO MATARÁ O INIADOR’”.[17] O aumento da preocupação com os estudos teóricos em detrimento das práticas da construção levou ao nascimento da Maçonaria Moderna em 1717, quando quatro lojas londrinas se reuniram para a formação da Grande Loja de Londres. É sobre esta que recai a crítica do Daily Journal de 5 de setembro de 1730:
Tem-se de reconhecer que há uma associação estrangeira, da qual os maçons ingleses, envergonhados de sua verdadeira origem, copiaram certas cerimônias, tendo bastante dificuldade de persuadir a todos de que eles são os descendentes, embora só tenham uns poucos signos de prova ou de iniciação. Os membros dessa sociedade levavam o nome de Rosa-Cruzes e seus membros, chamados de grandes mestres, vigilantes etc., seguravam durante suas cerimônias uma cruz vermelha como signo de reconhecimento.[18] Se isto for verdade, ironicamente o ‘iniciado’ terminou mesmo matando por acidente seu ‘iniciador’ de forma simbólica, abolindo-o da memória.
Posteriormente, o grau 12º do rito Adoniramita foi chamado de ‘Rosa Cruz’,[19] assim como o grau 18.º do rito escocês antigo e aceito, surgido na França em 1754, recebeu o título de Soberano Príncipe da Rosa-Cruz de Heredom (ou simplesmente Cavalheiro Rosa Cruz). Segundo Leadbeater, neste grau revela-se o nome do Grande Arquiteto do Universo, que descobri tratar-se do epíteto INRI.[20] Sobre isto, o autor maçom informa que “em Sua encarnação como Christian Rosenkreutz, o C.D.T.O.V.M. traduziu a Palavra para o latim, conservando muitíssimo engenhosamente seu notável caráter mnemônico, todas as suas complicadas acepções e ainda uma íntima aproximação com o seu som original”.[21] O capítulo Rosa-Cruz possui dois estandartes quase idênticos; vermelhos, com franjas douradas, levam o titulo do Supremo Conselho acima e o do capítulo, local de funcionamento e data de fundação abaixo. Como figura central o primeiro mostra a cruz latina “com a rosa na interseção de seus braços” e o segundo traz o pelicano rasgando o peito com o bico para alimentar sete filhotes com seu sangue.[22] Autores maçons dão diversas interpretações para seus símbolos. O pelicano representa a “disposição ao sacrifício”.[23] Ragon diz que a rosa seguida pela cruz seria o modo mais simples de escrever “o segredo da imortalidade”.[24] Já para José Ebram, o homem de pé com os braços abertos pode dizer: “Eu sou a representação da cruz, e a alma que se encontra dentro de mim é a rosa mística”.[25] Fanatismo, ataques psíquicos e ‘guerra dos magos’:
Numa manhã de agosto de 1623 diversos cartazes apareceram nas ruas de Paris informando que a fraternidade Rosa-Cruz acabava de fixar-se na cidade. Prontamente, a igreja francesa emitiu vários manifestos acusando os recém chegados de haverem emigrado da província de Lyons, onde teriam feito “pactos horríveis” com Satã. Outro comentário, intitulado o Mercure de France, tentava liquidar o problema pelo ridículo ao observar que a chegada dos rosa-cruzes à cidade criara pânico generalizado.
Alguns hoteleiros locais diziam ter registrado hóspedes estranhos que desapareciam em uma nuvem de fumaça quando chegava a hora de acertar as contas… Vários cidadãos inocentes acordaram no meio da noite e depararam com aparições pairando sobre eles; quando gritavam para pedir socorro, as figuras de sombras desapareciam.[26] O Mercure concluía, jocosamente, que não era surpreendente encontrar parisienses prudentes dormindo com mosquetes carregados ao lado da cama e apedrejando os estranhos que se aventurassem em seus bairros. Por isso, não é de se admirar que o movimento rosa-cruz tenha esperado até o século XIX para se instituir de forma ordenada naquele país. Antes, o embrião desenvolveu-se na Inglaterra.
Na época em que exercia a função de Grande Secretário do Edifício da Maçonaria, sede nacional da Fraternidade Maçônica Inglesa, Robert Wentworth Little encontrou documentos na biblioteca da Grande Loja com informações sobre ritos rosa-cruz que não faziam parte das atividades maçônicas. A partir daí idealizou a Societas Rosicrocian in Anglia, também chamada pelas iniciais S. R. I. A. ou Soc. Ross., cujo ingresso era estrito a maçons. Esta organização fora fundada em 1867 e teve como Magus Supremo o Dr. W. Wynn Westcott, que posteriormente integrou a Ordem Hermética da Aurora Dourada.
Também Alphonse Louis Constand (vulgo Eliphas Levi) esteve na S. R. I. A. por alguns anos, mas “os registros da S. R. I. A. declaram que Levi caiu em seu desagrado devido à publicação de seus vários livros sobre magia e ritual”.[27] De fato ele escreveu coisas como, por exemplo, que a mais antiga sociedade secreta do iluminismo a tomar consistência na Alemanha fora os “Rosa-Cruzes cujos símbolos remontam aos tempos dos Guelfos e dos Gibelinos, como o vemos pelas alegorias do poema de Dante e pelas figuras do Romance da rosa” e que “a conquista da rosa era o problema dado para a iniciação à ciência enquanto a religião trabalhava em preparar e em estabelecer o triunfo universal, exclusivo e definitivo da cruz”.[28] No mesmo livro, História da Magia, o ator trata de uma miríade de temas, incluindo uma longa explanação sobre os casos, causas e técnicas do vampirismo; assunto tratado de forma mais abreviada em A Ciência dos Espíritos e outras obras.
Durante a década posterior à morte do ocultista Eliphas Lévi, existiram poucas pessoas que estudaram os seus escritos, porém uma delas foi o novelista e poeta Catulle Mendès, que tinha conhecido Lévi e lhe havia apresentado a Victor Hugo. Em meados da década de oitenta, Mendès fez amizade com o marquês Stanislas de Guaita (1861-1897), jovem poeta e esteta a quem recomendou que lesse as obras deste autor. O marquês seguiu o conselho e encontrou nos escritos de Lévi uma revelação espiritual que descreveu como “o raio oculto”. Desde 1885 até o seu prematuro falecimento em 1897, dedicou sua vida ao ocultismo, chegando a ingerir cocaína, narcóticos e morfina para “afrouxar as ataduras da alma” e conseguir que seu espírito abandonasse seu corpo.
Em 1888, Guaita fundou a Ordre Kabbalistique de la Rosae Croix, na França, juntamente com Gérard Encause (1865-1916) e Joséphin Peladam (1858-1918), que abandonou a fraternidade em 1890 para fundar sua própria Ordem Católica Rosa-Cruz do Templo e do Graal.[29] Depois, Guaita entrou numa disputa contra a Igreja do Carmo[30], dirigida por Boullam (1824-1893), e – com a colaboração do ex-membro Oswald Wirth – escreveu o ensaio, Le Temple du Satan, no qual denunciavam Boullam como “pontífice da infâmia, desprezível ídolo da Sodoma mística, mago da pior espécie, retorcido criminoso, maligno feiticeiro”.[31] A novidade é que este livro inclui um estudo sobre as causas dos casos de vampirismo bastante concordante as teorias do Satanismo & Magia de Jules Bois, que se inspirou no ‘testemunho’ de J. K. Huysmans; ou seja, há uma possível acusação mútua implícita, mas expressa, de vampirismo.
Sabemos que após a denúncia, os dirigentes da Rosa-Cruz enviaram a Boullam uma carta solene na qual lhe comunicavam que era “um homem condenado”, frase que entendeu como uma ameaça de morte por meios mágicos. Assim, iniciou-se uma guerra entre magos. Cada bando amaldiçoou o outro e estava convencido de que os seus inimigos se propunham a destruí-lo. No meio de tudo, o novelista J. K. Huysmans tomou o partido da igreja do Carmo, apresentou Boullam como sendo o santo “Dr. Johannes” de Là-bas e chegou a acreditar que, devido à sua amizade com Boullam, Guaita e os seus se propunham a lhe matar. Passou a queixar-se de que à noite ele e o seu gato sofriam “agressões fluídicas”, golpes propiciados por demônios invisíveis. Estes ataques não tiveram conseqüências mais graves, conforme Huysmans, graças às medidas protetoras idealizadas por Boullam, que incluíam o emprego da hóstia consagrada e a queima de um incenso composto por cravo, cânfora e mirra. No entanto, em 3 de janeiro de 1893, Boullam escreveu a Huysmans para lhe comunicar um novo ataque da Rosa-Cruz: “Durante a noite sucedeu algo terrível. Às três da manhã acordei sufocado… caí inconsciente. Das três às três e meia, estive entre a vida e a morte… Madame Thibault sonhou com Guaita e de manhã ouvimos o canto de um pássaro da morte”. Na noite daquele mesmo dia Boullam morreu, dando fim à contenda.[32] Este caso, impulsionado pelo fanatismo, guarda semelhanças fundamentais com outro mais recente. No livro Lightbearers of Darkness, Miss Stoddart introduz o conceito de ‘Black Rosicrucians’. Segundo a Encyclopedia of Black Magic, antes de 1914, Miss Stoddart foi iniciada numa sociedade secreta britânica, The Red Rose and the Golden Cross, que dizia derivar do corpo germânico da ordem. “Miss Stoddart ocupava uma posição proeminente nesta alegada sociedade rosa-cruz, mas eles começaram a ter séries de experiências extraordinárias subjetivas que sugerem que ela também sofria séries de desilusões esquizofrênicas ou, como ela e alguns de seus associados próximos acreditavam, estava sofrendo ataque psíquico”. Os surtos começaram a partir de 17 de abril de 1919, dentro de templos da Igreja Anglicana, apresentando sintomas que incluíam a percepção de odores desagradáveis, alucinações visuais e experiência de ‘black-out’ ou ‘transes espontâneos’. No cume desses ataques ela via 12 figuras vestindo mantos negros, sentia dor no coração e tinha desmaios. Estava convicta de que seus sintomas provinham de “trabalhos de magia negra feitos contra ela por membros da sociedade rosa-cruz” e gastou boa parte do resto de sua vida denunciando a ordem.[33] Menções e acusações de vampirismo na Ordem Hermética da Aurora Dourada:
Criada como um subproduto da S. R. I. A., a Ordem Hermética da Aurora Dourada (G.D.) foi fundada em 1 de março de 1888 por William Wynn Westcott, William Robert Woodman e Samuel Liddell MacGregor Mathers. Mina Bérgson (Moina Mathers), uma talentosa artista da Escola de Slade, foi a primeira iniciada; tornando-se também esposa de Mathers após um breve compromisso. Em 1891 o casal mudou-se para Paris onde, dois anos depois, estabeleceu um Templo operativo chamado Ahathor.
A GD foi muitas vezes envolta em histórias fantásticas. Por exemplo, o primeiro documento produzido pela ordem, conhecido como Cipher Manuscript, teve caráter anônimo. Ele contém uma alegoria hermética trabalhada sobre um pingente rosa-cruz chamado Adept’s Jewel (jóia do adepto), mas pelo fato de estar codificado numa adaptação do alfabeto alquímico de Johannes Tritheminus (The Polygraphiae; Paris, 1561) decifra-lo é no mínimo aborrecido… Se tal artifício fosse mantido em todo material produzido teria livrado a ordem de muitos problemas, visto que, por volta de 1891, Mathers baseou-se na Fama Fraternitatis para criar o rito 5=6, Adeptus Minor, que incluía o momento dramático da descoberta do “corpo” de Christian Rosenkreuz, no caixão, representado por Mathers ou Westcott.[34] Imagino que tenha sido um documento com a descrição deste rito para iniciação na Segunda Ordem[35] que o Dr. Winn Westcott teve a infelicidade de esquecer dentro de um táxi em 1897. Seus papéis acabaram na polícia que não achou recomendável um coroner[36] se ocupar de tais atividades, pois poderia “ficar tentado a utilizar os cadáveres que são postos à sua disposição, para operações de necromancia”.[37] Westcott demitiu-se da Aurora Dourada.
Resta-nos, contudo, a dúvida sobre a impressão dos iniciados a respeito da natureza do prodígio. Sabemos que em Oil and Blood (1929) o poeta William Butler Yeats denuncia o paradoxo da afirmação do ‘milagre’ da incorruptibilidade dos corpos de certos santos, exaltado pela mesma igreja católica que escarnecia de fenômeno idêntico atribuído a vampiros pelos ortodoxos gregos:
Em tumbas de ouro e lapis lazuli
Corpos de homens e mulheres santos se aparecem.
Óleo milagroso, odor de violeta.
Mas debaixo de cargas pesadas de barro pisoteado
Corpos de mentira dos vampiros cheios de sangue;
Suas mortalhas são sangrentas e seus lábios estão molhados.
A influência de Yeats na G.D. era tal que quando lhe pareceu conveniente pode expulsar Mathers da ordem e substituí-lo como Imperator do templo Isis-Urania em Londres. Se quisesse, ele poderia muito bem impor sua visão de que a incorruptibilidade dos santos e vampiros deriva do mesmo princípio (podendo-se deduzir que seria plausível que a sentença se aplicasse igualmente bem ao corpo de Christian Rosencreutz).
Em 1956, um individuo publicou o artigo L’orde hermétique de la Golden Dawn, sob o nome de Pierre Victor, nos números 2 e 3 da revista La Tour Saint-Jacques, contendo “uma série de revelações sobre a existência, na Inglaterra, no final do século XIX e princípio do XX, de uma sociedade iniciática inspirada na Rosa-Cruz”.[38] Antes, contudo, ele havia colaborado como informante no best-seller O Despertar dos Magos, onde tornou conhecida a teoria de que “Stoker, o autor de Drácula” encontrava-se entre os escritores filiados a G.D. (informação que deve ter sido colhida da tortuosa tradição oral).[39] Tal filiação não consta em obras especializadas confiáveis, como o The Magicians of the GD de Ellic Howe, e o máximo que Sotker registrou foram menções vagas de seus encontros em Londres com “sugadores de sangue” ou “vampires personalites” (o que descreve tão bem seus contemporâneos da G.D. quanto qualquer outro alvo do adjetivo depreciativo).[40] Creio que o primeiro impresso que usou o termo vampirism para nomear técnicas utilizadas por membros da G.D. foi o De Arte Magica (1914), de Aleister Crowley. Segundo ele, havia “um método de vampirismo comumente praticado” pelo fundador McGregor Mathers, sua esposa Moina, pelo adepto E.W. Berridge, por Mr. e Mrs Horos – que tiveram contato com os ritos egípcios de Mathers – e por Oscar Wilde “em seus anos finais”, que apesar de não ter nenhuma relação com a ordem, pelo menos na ficção de O Retrato de Doriam Grey, sintetizou a fórmula da juventude eterna numa filosofia a seu gosto: “Para se voltar à mocidade, basta repetir as suas loucuras”.[41] Sabemos que o próprio Crowley filiou-se a G.D., sendo expulso junto a Mathers em 1900. Insatisfeito, usou os ritos da ordem para fundar uma dissidência chamada Argentium Astrum (AA) em 1907 e aderiu a Ordo Templi Orientes (O.T.O.) em 1911. Dentre as inúmeras curiosidades escabrosas que envolveram sua vida de Crowley, podemos destacar que chegou a limar os dentes caninos, deixando-os bem pontiagudos, e quando encontrava mulheres costumava dar-lhes o “beijo da serpente”, mordendo-lhe o pulso ou às vezes a garganta com suas presas.[42] Para perpetuar a tradição, Crowley criou uma elaborada ritualística. Segundo seu sucessor, Kenneth Grant, dois de seus ritos escritos para a O.T.O. envolvem o uso de sangue: “Eles são a Missa da Fênix e um certo rito secreto da Gnose, ensinado no Soberano Santuário da O.T.O.” Neste último o magista “consome a hóstia embebida em sangue”, enquanto na Missa da Fênix – publicada como Liber XLIV, tanto no Livro das Mentiras quanto no Magick – ele “corta seu peito e absorve seu sangue oralmente”. Por isso “a Missa da Fênix é, com efeito, a Missa do Vampiro”.[43] A Primeira Guerra Mundial chegou e Mathers viveu o suficiente para ver a vitória dos aliados no outono de 1918. Desde então, as coisas se voltaram obscuras. Dizem que Mathers morreu em seu apartamento na Rue Rivera em 20 de novembro de 1918, sucumbindo às poderosas correntes mágicas que emanavam de Crowley, segundo a primeira edição da autobiografia de Yeats.[44] Por sua vez, Dion Fortune relata que Moina lhe informou que seu marido falecera de uma epidemia de gripe nesse ano, mas não se encontrou nenhuma Certidão de Óbito de Mathers, nem sua tumba – e ainda que Moina possuísse uma Certidão de Óbito, não há registros cartorários.
No livro Ritual Magic in England (1970), Francis King relata a história subseqüente da Ordem da Aurora Dourada. A Sra. Mathers assumiu a liderança de uma das ramificações, mas não conseguiu mantê-la unida. A ocultista Dion Fortune, psicóloga freudiana cujo nome verdadeiro era Violet Firth, provocou uma divisão e formou seu próprio Templo; posteriormente, afirmou que a Sra. Mathers lhe dirigia “ataques espirituais” criminosos, tendo mesmo conseguido matar um membro itinerante.[45] Em 1920, Crowley instalou-se em uma quinta decadente de Calefu, na Sicília, e batizou esse santuário da AA como Abadia de Thelema. Um incidente deplorável aconteceu na abadia de Crowley. Um poeta oxfordiano chamado Raoul Loveday bebeu o sangue de um gato durante uma cerimônia e morreu instantaneamente, o que não estava previsto.[46] Sua viúva, Betty May, fez um escândalo e, entre boatos de que além de gatos também bebês haviam sido mortos, o governo italiano tomou medidas para expulsar Crowley da Sicília. Da mesma forma, a morte de Raoul Loveday na abadia causou furor na Inglaterra depois que Betty May forneceu a um jornal popular de Londres detalhes de “drogas, magias e práticas vis”.[47] A partir daí prosseguiria meio que morto em vida.
O dr. R. W. Felkin, chefe de outra facção da G.D. chamada Stella Matutina, dizia aos membros que “nosso pai Christian Rosenkreuz parece ter chegado a um estado quase divino”.[48] Ele acreditava na existência da tumba-cofre descrita na Fama Fraternitatis, em alguma parte do Sul da Alemanha, e estava a caminho pra procura-la quando estourou a guerra 1914-18. Os ritos herdados da G.D. foram publicados numa obra de quatro volumes por Frances Israel Regardie, um discípulo de Crowley que ingressou na ordem em 1934.
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[1] AMBERLAIN, Robert. O Vampirismo. Trd. Ana Silva e Brito. Lisboa, Livraria Bertrand, 1978, p. 163.
[2] AMBERLAIN, Robert. Op. Cit, p. 213.
[3] HALL, Manly P. (introduction and commentary). Codex Rosæ Crucis D.O.M.A. A Rare & Curious Manuscript of Rosicrucian Interest. Los Angeles, Philosophical Reserarch Societh, 1938, p 5 (do manuscrito).
[4] PESSANHA, José Américo Motta. Descartes – Vida e Obra. Os Pensadores: Descartes. São Paulo, Nova Cultural, 1996, p 12.
[5] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 54-55.
[6] YATES, Francês A. O Iluminismo Rosa-Crux. Trd. Syomara Cajado. São Paulo, Pensamento, 1983, p 306.
[7] YATES, Francês A. Op Cit., p 305-306.
[8] PARACELSO. A Chave da Alquimia. Trd. Antonio Carlos Braga. São Paulo, Três, 1973, p 220-222.
[9] GILBERT, R. A. (org). Maçonaria e Magia, Antologia de Escritos Rosa-cruzes, Cabalísticos e Maçônicos de W. Wynn Westcott, Fundador da Ordem Hermética “Golden Dawn”. São Paulo, Pensamento, 1996, p. 15.
[10] GILBERT, R. A. (org). Op. Cit, p. 23.
[11] É preciso ter cuidado ao fazer tal identificação. Encontrar fraudes de trabalhos de Francis Bacon é tão fácil quanto desmascarar as mesmas. Por exemplo, a página do Calvin College, Christian Classics Ethereal Library, disponibilizou por longo período a cópia de uma pretensa obra póstuma; The Fearful Estate of Francis Spira by Nathaniel Bacon (Londres, 06/01/1638). Nesta ficção curiosa Spira – o protagonista melancólico – nega crer que os pecados são redimidos com o sangue de Cristo e pede aos religiosos que lhe assediam: “Left miserable mortals should be swallowed up with the greatness of their willfully with my hands pulled down this vampire”… Ora, o que o termo ‘vampire’ esta fazendo numa publicação de 1638 se o vernáculo vampyr só tomou esta forma em inglês e francês no ano de 1732?
[12] LEWIS, H. Spenser. Perguntas e Respostas Rosacruzes. Curituba, Ordem Rosacruz AMORC – Grande loja do Brasil, Maio de 1983, p 85.
[13] LEWIS, H. Spenser. Op. Cit., p 78-79.
[14] CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico. São Paulo. Madras, 1995, p. 345.
[15] PAPUS (Dr. Gerard Encause). O Que Deve Saber um Mestre Maçom. Trd. J. Gervásio de Figueiredo 33º. São Paulo, Pensamento, p 85-86.
[16] PAPUS (Dr. Gerard Encause). Op. Cit, p 90.
[17] GRANDE LOJA DE MINAS GERAIS. Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3). Belo Horizonte, Littera Maciel, 1976, p. 9.
[18] CARLES, Jacques e GRANGER, Michael. Alquimia: Superciência Extraterrestre? Trd. Hélio Pinheiro Carneiro. Rio de Janeiro, Eldorado, 1973, p 166.
[19] Marques, A. H. de Oliveira. Dicionário de Maçonaria Portuguesa. Vol. II. J-Z. Lisboa, Editorial Delta, 1986, coluna 1263.
[20] GODOY, A. C. & DELLAMONICA, J. A Cruz e a Rosa. São Paulo, Madras, 1994, p 43.
[21] LEADBEATER, C. W. A Vida Oculta na Maçonaria. Trd. Gervásio de Figueiredo 30º. São Paulo, Pensamento, 1964, p 229.
[22] CASTELLANI, José e FERREIRA, Cláudio R. Buono. Manual Heráldico do Rito Escocês Antigo e Aceito do 19º a 33º. São Paulo, Madras, 1997, p 13.
[23] LURKER, Manfred. Dicionário de Simbologia. Trd. Mario Krauss e Vera Barkow. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p 534.
[24] GODOY, A. C. & DELLAMONICA, J. Op. Cit, p 41.
[25] EBRAM, José. A Águia Bicéfala Sobre o Altar. São Paulo, Madras, 1996, p 58.
[26] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 47.
[27] LEWIS, H. Spenser. Perguntas e Respostas Rosacruzes. Curituba, Ordem Rosacruz AMORC – Grande loja do Brasil, Maio de 1983, p 92.
[28] LEVI, Eliphas. História da Magia. Trd. Rosabis Camaysar. São Paulo, Pensamento, 1995, p 277.
[29] A Rosa-Cruz cabalística sobreviveu às mortes, não só do seu fundador, mas da de muitos dos seus dirigentes, como por exemplo o poeta Edouard Dubus, viciado em morfina que morreu em um urinário público enquanto estava se drogando. Durante muitos anos a ordem esteve dirigida por Papus, que estabeleceu um ramo na Rússia e foi um dos ocultistas que influiriam no último czar. Papus faleceu em 1916 e com sua morte a ordem se separou em várias facções rivais, algumas das quais ainda mantém uma existência precária.
[30] Esta igreja teve sua origem na Obra da Misericórdia, fundada em 1840 por Vintras, que tinha instituído em Tilly um oratório onde celebrava a Missa Provitimal de Maria; rito de sua própria invenção onde ocorriam numerosos prodígios. Os discípulos de Vintras viam, ou pelo menos pensavam ver, cálices vazios que se enchiam de sangue até transbordar e símbolos sangrentos que apareciam na Hóstia. A Obra de Misericórdia, que começava já a ser conhecida como igreja do Carmo, foi condenada oficialmente pelo papa em 1848.
[31] KING, Francis. Magia. Trd. Traduções e Serviços, S.L. Madrid, Ediciones Del Prado, agosto 1996, p 22.
[32] KING, Francis. Op. Cit, p 22.
[33] ‘CASSIEL’. Encyclopedia of Black Magic. New York, Mailland Press, 1990, p 39.
[34] VÁRIOS. Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia, fascículo 16. Vol 2. São Paulo, Editora Três, 1973, p 315-320.
[35] Espécie de degrau evolutivo interno da G.D. também chamado Order of the Rose of Ruby and the Cross of Gold (R.R. et A.C.).
[36] Coroner: Posto jurídico que acumula as funções de médico legista e juiz de instrução. Em caso de morte suspeita, reunia um júri que pronunciava um veredicto, podendo eventualmente haver intervenção da justiça e da polícia. (Um desses veredictos foi célebre no século XIX; o júri concluíra que um desconhecido encontrado morto num parque londrino havia sido assassinado “por pessoas ou coisas desconhecidas”).
[37] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 91-92.
[38] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos. Trd. Gina de Freitas. São Paulo, Difel, 1974, p. 241-242.
[39] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. Op Cit., p. 241.
[40] STOKER, Bram. O Monstro Branco. Trd. João Evangelista Franco. São Paulo, Global, p 7-12.
[41] WIDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. Trd. Ed. Nova Aguiar. São Paulo, Abril, 1980, p 54.
[42] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 44.
[43] GRANT, Kenneth. Renascer da Magia. São Paulo, 1999. Madras, pp 153-166.
[44] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.
[45] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.
[46] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 96-97.
[47] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 117.
[48] Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia, fascículo 16. São Paulo, Três, 1973, p. 320.
Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-do-vampiro-e-a-rosacruz