Cultos a Corpos Incorruptos

Nos anos de 1989 e 1990 o GIFI efectuou um levantamento sobre os cultos a corpos incorruptos existentes no Norte de Portugal, nas regiões do Porto, Braga e Lamego.

Tendo em conta a informação de que dispúnhamos, resultante da escassa bibliografia sobre o tema e de notícias veiculadas por órgãos da comunicação social, os objectivos deste projecto de investigação resumiam-se à localização geográfica desses cultos, identificação da sua origem e avaliação do seu nível de implantação entre as populações.

No decurso da investigação identificámos uma dezena de cultos activos, entre os quais se encontram fenómenos de índole estritamente local, com meia dúzia de adeptos, lado a lado com santuários que contam com a visita de vários milhares de fiéis.

O resultados obtidos foram, no nosso entendimento, um sucesso, na medida em que para além de terem sido cumpridos os objectivos inicialmente delineados, foi possível obter dados físicos e laboratoriais que concedem absoluto rigor científico às conclusões deste trabalho.

Posteriormente, no início de 1995 e por força dos trabalhos de preparação de uma reportagem sobre o tema realizada pelo GIFI para a TVI, foi possível actualizar alguma da informação de que dispomos, relativamente à situação à data de alguns dos cultos, o que se mostrou particularmente relevante para a sua compreensão, como adiante se demonstrará.

Antes ainda de se avançarem os resultados sistemáticos da investigação, importa apresentar sumariamente cada um dos cultos identificados pelo GIFI.

A- Região de Lamego

LAMEGO- Padre José António Alves de Almeida

No cemitério de Lamego diz-se existir o corpo incorrupto de um padre de nome José António Alves de Almeida.

O GIFI entrevistou o coveiro do cemitério que nos prestou algumas declarações.

O povo “diz que o corpo está direito” e que a barba teria crescido, no entanto como “está chumbado” não percebe como foi possível observar o cadáver.

O caixão encontra-se depositado numa sala subterrânea com paredes de granito e tampa do mesmo material e pressupõe-se que foi originalmente enterrado dessa forma.

O coveiro afirmou ainda que ” a terra é muito areenta e já não tem a mesma força para comer corpos como tinha dantes “e certos medicamentos que as pessoas tomam podem também contribuir para os mesmos ficarem incorruptos”.

Acrescente-se que este coveiro ocupa o lugar desde 1975 e que até à data da investigação nunca encontrou um corpo incorrupto.

Na medida em que, pelas razões acima referidas, não é possível observar o cadáver, nenhuma das informações obtidas foi susceptível de confirmação.

LALIM- Santinha Aparecida

Sendo certo que correm várias versões em Lalim sobre a matéria, de acordo com a que parece ser a melhor tradição oral, o cadáver incorrupto da Santa Aparecida de Lalim terá sido encontrado no cemitério da localidade, pelo ano de 1890, quando o coveiro abria uma cova para que se procedesse a um enterro.

Anote-se que àquela data o cemitério encontrava-se em redor da igreja local.

Parece ser esta a versão mais exacta, contada por uma senhora que há data da investigação tinha 104 anos e que teria seis anos à data dos factos. No entanto, um dos testemunhos obtidos refere a ocorrência da descoberta do corpo cerca de 68 anos antes da data da investigação.

Importa referir que na época a taxa de mortalidade na região era muito elevada, designadamente em resultado de doenças como a peste e a cólera, razão pela qual o coveiro tinha sempre muito trabalho. Conta-se que, por isso, era vulgar recorrer ao vinho para ganhar algum alento.

A decisão do coveiro terá sido a de voltar a enterrar o corpo, juntamente com aquele que devia naquele momento ser enterrado. No entanto, conta-se que a “santinha” lhe terá de novo aparecido fora da campa, nos três dias seguintes, pelo que o coveiro, desesperado com a situação, terá dado uma forte sacholada na face do cadáver.

Passado aquele acesso de raiva, o coveiro terá depreendido que a falecida teimava em reaparecer por ter alguma promessa por cumprir, decidindo então pegar no corpo e arrastá-lo à volta da igreja.

Foi assim que a população tomou conhecimento do aparecimento da “santinha”, já não permitindo que voltasse a ser enterrada.

Quanto ao coveiro, conta-se que, de pronto, comunicou aos responsáveis da freguesia que não mais enterraria qualquer cadáver, posto o que foi para sua casa, onde teria sido encontrado morto, “todo tolhidinho”. É evidente que a tradição local sobre o aparecimento da “santinha” imputa, indirectamente, a morte do coveiro ao facto de não ter reconhecido a santidade do cadáver e de, ainda para mais, o ter mutilado na cara.

Há quem refira que, antes da intervenção da população, o corpo terá ficado abandonado no cemitério, debaixo de uma forte chuvada que, diz a tradição local, não molhou minimamente o cadáver.

O corpo foi limpo com uma escova de arame e a cara coberta com uma máscara de cera, por forma a corrigir os danos provocados pelo acesso de fúria do coveiro.

Afirma-se que o padre da paróquia à data da descoberta do cadáver, de nome Eduardo, terá picado a “santinha” na língua e no peito, provocando o seu sangramento.

O cadáver foi levado, primeiro para a fábrica (igreja) e depois para um palacete existente na localidade, onde os fiéis o podiam visitar. No entanto, havendo notícia de que a vizinha aldeia de Cambros pretendia comprar o corpo, para obter a sua trasladação, o povo conseguiu que o colocassem numa pequena sala da igreja local, para onde o levaram em procissão e onde permaneceu até meados da década de oitenta do século XX.

Nessa sala o corpo terá sido muito pouco visitado, até que algumas senhoras começaram a juntar-se no local para ouvir a missa, pois o quarto tinha duas portas com grandes janelas de vidro.

Há quem afirme que o corpo foi enterrado há mais de trezentos anos, ninguém lhe conhecendo a identidade.

A clara antipatia da Igreja relativamente ao culto provocou um episódio no qual o pároco local resolveu oferecer o corpo a Cambros, o que veio a ser inviabilizado pelo facto do sacristão ter tocado os sinos a rebate, o que provocou a reunião do povo, que impediu a entrega do corpo à localidade rival. Ao que parece, houve até quem tentasse matar o padre, pelo facto de ele ter dado aquilo que não lhe pertencia.

À data da investigação já a santinha se encontrava, há cerca de quatro anos, exposta numa pequena capela existente próximo da igreja, sendo visível a devoção que merece, ao menos ao nível local, tendo em conta os ex-votos, recordações várias e objectos em ouro que ali se encontravam depositados.

Fomos informados de que a maior parte do ouro da “santinha”, que não será pouco, está depositado no Banco Nacional Ultramarino, por iniciativa da Irmandade do Senhor, confraria local que assegura a preservação do culto. Anteriormente era a confraria que guardava o espólio da “santinha”, o que implicava que o ouro fosse guardado por determinados períodos de tempo na casa de cada membro da confraria.

Foi o padre Avelino quem impulsionou o depósito do ouro no referido Banco, pois já se tinham verificado vendas irregulares de algumas peças.

Registe-se que a Igreja Católica se limita a tolerar o culto, não o combatendo, nem fomentando.

Fala-se de alguns milagres atribuídos à Santa Aparecida, tanto ao nível de curas, como de mulheres que teriam engravidado, após dirigirem preces à “santinha” para obtenção dessa graça.

As senhoras que cuidam do santuário e da “santinha” afirmam que é fácil mudarem-lhe a roupa, pois o corpo terá flexibilidade ao nível dos braços e do abdómen.

O padre Avelino que esteve colocado na paróquia de Lalim e que, à data da investigação, era capelão da Companhia de Instrução de Operações Especiais de Lamego, recorda com um misto de espanto e horror a mobilidade do cadáver que era venerado na sua igreja. De acordo com o seu testemunho o corpo era conservado numa pequena sala que seria necessário limpar de tempos a tempos. Uma vez que o espaço era extremamente exíguo o corpo era retirado do esquife em que se encontrava, dobrado pela cintura e sentado para se proceder à limpeza.

Quando esse sacerdote iniciou funções naquela localidade, foi recebido friamente pela população, tendo-lhe sido dito que poderia ser acometido de doença se se mostrasse adverso ao culto à “santinha”. O facto é que o padre que foi substituir teve um cancro na garganta e o seu antecessor, primo do padre Avelino, teve uma trombose que o deixou com paralisia facial parcial.

Foi-nos referido que foram vistas pessoas retirando pedaços do corpo para os guardarem como relíquia.

Há quem afirme que médicos consultados sobre o assunto ficaram impressionados com a ausência de odores desagradáveis no corpo.

Diz-se que um dos braços do cadáver se encontra partido, sendo apresentadas como hipóteses justificativas desse facto ou o ataque que sofreu por parte do coveiro ou a retirada de uma oliveira junto ao local onde se encontrava enterrado.

Da nossa observação directa resulta que o cadáver se apresenta claramente mumificado, em razoável estado de conservação. A pele do pescoço tem uma tonalidade castanha e conserva uma certa elasticidade, ou seja, a pele cede quando é pressionada e depois volta a ocupar a posição inicial. Os membros superiores mantém igualmente alguma mobilidade, mas que parece resultar essencialmente de zonas deterioradas das articulações e pele envolvente.

São-lhe atribuídos os seguintes milagres ou graças, que nos foram relatados pelo padre Avelino:

– Um jovem de Setúbal que via muito mal fez uma promessa à “santinha” e ficou curado;

– Uma professora que estava de visita a Lalim foi ver o corpo, tendo-se mostrado descrente e considerando inclusivamente ridículo o culto dedicado a um corpo que se encontrava mumificado. Como tinha sete
filhos, todos rapazes, disse “se és santa, faz com que eu tenha uma filha”. Diz-se que engravidou nessa noite e teve uma filha, pelo que desde então todos os anos vem a Lalim, ver a “santinha”;

– A irmã do padre Avelino estava casada há oito anos e não tinha filhos, o que estava a afectar o seu casamento. Os médicos consultados apenas apontavam uma causa psicológica para o facto, à falta de outros indícios. Após ter realizado uma promessa à “santinha” engravidou finalmente, tendo dois filhos à data da nossa investigação. Registe-se que a promessa tinha em vista o sucesso no exame de condução, que faria no dia seguinte e que temia fosse um desastre, não tendo qualquer relação directa com a dificuldade em engravidar;

– Uma pessoa de nome Serafim, funcionário da Real Companhia Velha foi acometido de um acesso de loucura, pelo que teve de ser internado. O padre Avelino telefonou para o local de internamento, de onde o informaram que o paciente não deveria sobreviver àquela noite. Informou a família da situação desesperada do senhor Serafim, por forma a que tivessem disponível uma muda de roupa, para lhe prepararem o enterro. Os familiares do paciente fizeram uma promessa à “santinha”, sendo que no dia seguinte o padre Avelino foi informado pelo hospital que o doente tinha melhorado bastante, não havendo notícia de que tenha vindo posteriormente a falecer em consequência da causa do internamento.

SANFINS- Santo Justo

Este corpo foi encontrado em 1918 e está exposto no capela de Sanfins. Acredita-se que tenha sido um eclesiástico e num panfleto encontrado no capela a data atribuída ao seu enterro não está concretizada, mas supõe-se que tenha ocorrido há pelo menos um século.

A descoberta do cadáver ficou-se a dever ao nascimento diário de um Lírio por cima do local onde o corpo veio a ser encontrado.

Além disso, duas senhoras andavam há muito tempo a sonhar com aquele local e, num certo dia, os seus sonhos foram de tal forma coincidentes que não resistiram a ir escavar o local.

Nessa altura encontraram não um, mas dois corpos incorruptos estando o do “Justo de Sanfins” por baixo do primeiro.

Uma vez que o outro corpo se encontrava em pior estado do que o do “Justo de Sanfins”, ficou sempre por baixo da urna deste e nunca foi exposto ao publico.

O corpo foi vestido uma única vez, sem que nos tenha sido indicada data desse facto.

O único registo de milagres efectuados pelo Santo Justo é o seguinte: “Maria Gomes de Abreu Nova, 1974. Padecia de doença, gastou muito dinheiro em médicos e nada. Fez uma promessa e curou-se.”.

Na capela mandada erigir por um dos comissários locais, encontraram-se também alguns ex-votos.

Apenas nos foi possível observar a face e as mão do cadáver, que se apresenta mumificado e em razoável estado de conservação. Estando a urna fechada, nada mais foi possível registar sobre a situação em que o corpo se encontra.

VILA CHÃ- São Julião

Tratar-se-à do cadáver de um missionário de nacionalidade espanhola, que andava a pregar naquelas freguesias e que há 97 anos (V. contado de quando) adoeceu e morreu em Vila Chã, depois de ali ter rezado missa.

Passados Vinte um anos após o enterro, uma senhora sonhou que o cadáver estava em cima da terra, logo abaixo da pedra tumular. Algumas pessoas vieram verificar a eventual veracidade dom sonho e quando tocaram na pedra tumular esta abriu-se sozinha, como se não tivesse peso, mostrando o caixão.

O corpo estaria conservado, tal como se encontrava à data da morte, tendo “secado” por lhe terem posto cal em cima muito ouro – comissão da igreja.

O presidente da câmara, consultado sobre o assunto, autorizou que o corpo fosse levantado e exposto ao público.

BARCOS (Tabuaço)- Maria Adelaide Sá Menezes

Morreu em 17 de Junho de 1878, com 51 anos de idade, sendo viúva há já vinte anos e sem filhos.

Terá sido uma pessoa descuidada na vivência da fé, razão pela qual não recebeu sacramentos, a quando da sua morte.

Antes da sua morte, Maria Adelaide mandou fazer um túmulo em granito, no cemitério recém inaugurado. Foi enterrada directamente sobre a pedra, sendo o túmulo fechado com uma laje de granito. O corpo foi coberto de cal e, como o falecimento ocorreu no Verão, o túmulo ficava directamente exposto ao Sol, nas horas mais quentes do dia.

Um médio legista de Coimbra afirmou a jornalistas que a cal absorveu a húmidade do corpo, tendo o calor do Sol e o facto do túmulo se de pedra e fechado contribuído para a petrificação do cadáver. Descoberto em 1916, trinta e oito anos após a morte, por um familiar, de nome Luís Cabral.

Na tradição local diz-se que a “santa” foi enterrada num caixão de chumbo, que para ser aberto exigiu os esforços de quatro homens, um  dos quais viria a danificar o cadáver na zona dos lábios. Afirma-se que Maria Adelaide terá morrido sem cabelo, o qual só teria voltado a crescer após a sua morte. Atribuem-lhe o crescimento das unhas e do cabelo, bem como o facto de ajudar a trocar a roupa. Diz-se ainda que o Bispo tentou queimá-la, quatro vezes, sem sucesso.

A “santa” está exposta na capela de Santa Bárbara, junto ao cemitério.

Uma referência curiosa, no âmbito da tradição do culto, é a de que a “santa” não aceita a cor preta, nem sapatos.

No túmulo onde foi enterrada, encontram-se os restos mortais do padre Ismael de Araújo Vilela, de Barcos, onde foi pároco de 1909 a 1938.

O padre da paróquia à data da investigação, Luís Ribeiro da Silva, opunha-se de forma declarada ao culto, razão pela qual o corpo se encontrava depositado na referida capela.

O sacerdote contestou de forma veemente à lenda do crescimento do cabelo e das unhas, bem como afirmou inexistirem quaisquer registos que suportem a afirmada vontade do Bispo no sentido de que o cadáver fosse queimado.

Na opinião do padre, o culto tem sido promovido por força de interesses comerciais, visto que são organizadas excursões para visita ao local, bem como por parte das autoridades, interessadas em promover o turismo na região.

Habitantes de Barcos disseram-nos, no entanto, que o padre se aproveita do facto da capela onde se encontra o corpo pertencer à Igreja para se apropriar das esmolas e dos bens doados para cumprimento de promessas.

A maioria das promessas são feitas por emigrantes e por pessoas que vivem fora de Barcos, tendo-nos sido referidas excursões organizadas por uma senhora de Famalicão.

B- Região de Braga

PROZELO (Amares) – Maria de Jesus

Faleceu, assassinada, nos anos trinta do século XX.

O corpo foi encontrado incorrupto em 1967 ou 1969, pelo coveiro. Muito destruído e abandonado.

A 17 de Março de 2001 regressámos ao local, tendo em vista verificar a situação actual do culto a “santa” Maria de Jesus.

Nesse Sábado ao final de tarde, encontrámos o cemitério praticamente vazio, mas notámos actividade na pequena capela – jazigo, onde se encontra exposto em urna com tampo de vidro a “santinha” local. Ambas as portas da edificação estavam abertas, estando uma mulher a realizar a sua limpeza. O jazigo encontrava-se caiado e pintado, o que constituiu outro factor indicativo de que o culto estará mais activo, pelo menos em termos da atenção dada à conservação do “santuário”, onde se observam diversos ex-votos, roupas e fotografias.

A mulher acima referida explicou-nos que ajuda na limpeza da “santinha” e que a encarregada do jazigo reside numa casa próxima do cemitério.

Interpelada relativamente ao estado de abandono que o jazigo denotava na nossa anterior visita ao local, afirmou que o antigo encarregado do jazigo foi afastado por não cumprir a sua tarefa e por existir a suspeita de que ficava com o dinheiro das esmolas. Por fim, referiu que costuma ver alguns visitantes no local, principalmente aos Domingos.

C- Região do Porto

ARCOZELO (Vila Nova de Gaia)- Maria Adelaide

Morta em 1885 e desenterrada em 1915.

A dimensão do culto de Arcozelo não tem qualquer comparação com as do demais que estudámos.

Aqui, um grande parque de estacionamento permite aceder ao cemitério local, onde ficam situados a capela, o museu e a sala dos ex-votos, bem como a uma pequena praça onde proliferam lojas de recordações e restaurantes.

Sob todos os aspectos a organização do recinto lembra, à devida escala, a dos grandes santuários da Igreja Católica, sendo evidente o envolvimento da autarquia local na administração do culto, a qual beneficia claramente das visitas de forasteiros e dos gastos por estes realizados.

BEIRE (Paredes) – António Moreira Lopes

O corpo venerado na localidade de Beire (Paredes) é o de um tal António Moreira Lopes, falecido em 1907 e exumado em 1978. Ao que parece, a anormal condição de conservação em que o corpo se encontrava chamou a atenção à população, que já não deixou voltar a enterrar o cadáver.

A administração do culto era, no final da década de oitenta, da responsabilidade da Junta de Freguesia, que construiu uma capela onde o corpo se encontra em exposição, bem como um pequeno museu, que funciona igualmente como loja de recordações do santuário.

A recolha de dados adicionais sobre o “santo” e respectivo culto foi inviabilizada pela hostilidade dos responsáveis autárquicos, que claramente não viam com bons olhos a curiosidade de forasteiros quanto ao “seu” corpo incorrupto, bastando, por exemplo, referir que estão interditas as fotografias, que, no entanto, podem ser adquiridas no santuário.

ARREIGADA (Paços de Ferreira)- Princesinha da Calçada

Março 1917, trinta e sete anos após a sua morte.

Encontrado pelo coveiro.

Oposição da Junta de Freguesia, com reacção do povo.

Miraculados.

Em Arreigada existia o costume, considerado perfeitamente normal, de as noivas concederem em promessa os seus vestidos à santa local. Um destes vestidos é-lhe posto todos os anos no Verão, por altura da festa da aldeia, e o que ela tinha vestido vai para um mostruário na sala contígua ao santuário. Outras noivas , de menores posses e de maior fé , alugam depois estes vestidos usados pela “santa” para os seus próprios casamentos.

Bruxaria e encerramento da capela – depoimento dos coveiros em 1995.

VILELA (Paredes) – Maria Carolina

O cadáver de Vilela participa igualmente, mas de forma mais directa, nos casamentos locais, pois existem no santuário fotografias de pelo menos um casamento em que o corpo foi retirado da urna para figurar entre os noivos, numa das fotografias da cerimónia. (rever)

Em Vilela, num cemitério, que alberga três corpos incorruptos, a população local tem em exposição o cadáver que revelou características mais extraordinárias.

Enquanto a maior parte dos corpos observados não passavam de verdadeiras múmias este diferia dos restantes não só pela coloração mais clara como pelo cheiro, menos agradável, que exalava.

A conservadora da capela revelou-nos que o corpo está em exposição à cerca de 20 anos e que é lavado regularmente com o intuito de aliviar o dito odor. Este processo da lavagem é conduzido com uma esponja humedecida e com um vulgar sabonete, mas há uns anos atrás o corpo era lavado numa tina por imersão.

Na sequência destas explicações a conservadora da capela comentou connosco que o cadáver sua e mancha a roupa que lhe vestem, fenómeno muito natural para esta senhora, aliás, atribui a isso mesmo a origem do mau cheiro que se sente.

O GIFI conseguiu trazer para Lisboa a camisa de dormir que o cadáver tinha vestido tendo esta sido analisada no Instituto de Medicina Legal com o objectivo de determinar que tipo de liquido produziria aquelas manchas.

Determinou-se que se trata de uma amina de putrefacção normalmente encontrada precisamente em cadáveres em decomposição.

Não deixa de ser curioso referir que este corpo enterrado durante dezenas de anos e exposto ao ar há pelo menos 20 anos sofra um processo de decomposição tão lento uma vez que estas lavagens decorrem de acordo com os testemunhos que recolhemos desde que o corpo foi encontrado.

Algumas notas conclusivas

A- Enquadramento social e religioso:

Aceitação do culto por parte da hierarquia religiosa ou de autoridades locais:

Cultos apoiados pela Igreja e ou autarquia local: Arcozelo; Beire; Sanfins;
Cultos tolerados, mas não incentivados: Lalim (à data da investigação);
Cultos objecto de oposição pela Igreja ou autarquia local: Lalim (no passado); Barcos; Vilela (à data da investigação);
Cultos desactivados por intervenção da Igreja ou autarquia local: Vilela (enterramento do cadáver, em meados dos anos 90);

Aceitação do culto pela população:

Relevância nacional: Arcozelo;
Relevância regional: Barcos; Beire;
Relevância local: Sanfins; Prozelo (actualmente);
Relevância para pequenos grupos locais: Vilela;
Irrelevância ou abandono: Prozelo (à data da investigação);

Localização do corpo:

Uma vez que a posição da Igreja é, em quase todos os casos, de contemporização forçada os cultos têm lugar quase sempre em pequenas capelas, construídas nos próprios cemitérios onde os corpos foram encontrados.

Jazigo em cemitério: Vilela; Prozelo; Arreigada; Lalim;
Capela em cemitério ou nas suas imediações: Barcos;
Capela em igreja ou nas suas imediações: Sanfins;
Capela autónoma: Arcozelo; Beire;

Rituais, milagres, graças e cultos não religiosos associados:

Em termos de ritual a maior parte destes cultos é extremamente pobre, muito embora se possam encontrar em alguns casos características verdadeiramente qualificáveis como macabras.

Limpeza do cadáver e mudança de roupa: Lalim; Barcos; Vilela;
Presença de ex-votos: Arcozelo; Vilela;
Presença de objectos valiosos, nomeadamente em ouro: Arcozelo; Lalim; Beire;
Registo de milagres ou graças concedidas: Arcozelo (em grande número); Sanfins;
Rituais relativos ao casamento: Arcozelo; Arreigada;
Práticas mágicas: Arreigada;

B- Tipologia dos cadáveres:

Sexo:

O objecto destes cultos é normalmente um cadáver do sexo feminino, o qual se apresenta habitualmente vestido de noiva. As raras excepções em que o culto era devotado a indivíduos do sexo masculino tratavam-se de padres, frades ou missionários.

Sexo feminino: Arcozelo, Lalim, Barcos, Vilela, Prozelo, Arreigada
Sexo masculino: Lamego; Beire, Sanfins;

Estado de conservação:

Muito deteriorados: Arcozelo; Prozelo;
Deteriorados, apresentado sinais de conservação por acção humana:
Lalim; Arreigada; Beire
Mumificados, em bom estado de conservação: Sanfins;
Courificados: Vilela

Causas de deterioração:

Vandalismo ou ataque: Arcozelo; Lalim;
Exposição ao público e obtenção de relíquias: Lalim;
Limpeza e lavagem: Lalim; Vilela;

Forma de exposição e actividades de conservação:

Estes corpos estão normalmente expostos em urnas com tampo em vidro, muitas vezes abertas, expostos à manipulação dos seus devotos, bem como, aliás, à de qualquer curioso.

Lavagem e mudança de roupas: Lalim; Barcos; Vilela;

por Morgana Le Fay

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/cultos-a-corpos-incorruptos/

A Natureza da Consciência (parte-1)

Alan Watts

Acho um pouco difícil dizer qual será o assunto deste seminário, porque é muito fundamental o título dado a ele. Eu vou falar sobre o que é. Agora, a primeira coisa, porém, que temos a fazer é obter nossas perspectivas com alguma base sobre as ideias básicas que, como ocidentais que vivem hoje nos Estados Unidos, influenciam nosso senso comum cotidiano, nossas noções fundamentais sobre o que é a vida. E há origens históricas para isso, que nos influenciam mais fortemente do que a maioria das pessoas imagina. Ideias do mundo que são construídas na própria natureza da linguagem que usamos, e de nossas ideias de lógica, e do que faz  sentido.

Essas idéias básicas eu chamo de mito, não usando a palavra ‘mito’ para significar simplesmente algo falso, mas para uso a palavra ‘mito’ em um sentido mais poderoso. Um mito é uma imagem com a qual tentamos dar sentido ao mundo. Agora, por exemplo, um mito de certa forma é uma metáfora. Se você quer explicar eletricidade para alguém que não sabe nada sobre eletricidade, você diz, bem, você fala sobre uma corrente elétrica. Agora, a palavra ‘corrente’ é emprestada dos rios. É emprestado da hidrelétrica, então você explica a eletricidade em termos de água. Agora, eletricidade não é água, na verdade ela se comporta de uma maneira diferente, mas há algumas maneiras pelas quais o comportamento da água é como o comportamento da eletricidade, então você explica em termos de água. Ou se você é um astrônomo e quer explicar às pessoas o que você quer dizer com um universo em expansão e um espaço curvo, você diz: ‘bem, é como se você tivesse um balão preto e houvesse pontos brancos no balão preto , e esses pontos representam galáxias, e à medida que você sopra o balão, uniformemente todos eles ficam cada vez mais distantes. Mas você está usando uma analogia – o universo não é realmente um balão preto com pontos brancos nele.

Assim, da mesma forma, usamos esse tipo de imagem para tentar dar sentido ao mundo, e atualmente estamos vivendo sob a influência de duas imagens muito poderosas, que são, no estado atual do conhecimento científico, inadequadas e um dos maiores problemas hoje é encontrar uma imagem adequada e satisfatória do mundo. Pois é sobre isso que vou falar. E vou além disso, não só que imagem do mundo ter, mas como podemos fazer com que nossas sensações e nossos sentimentos estejam de acordo com a imagem mais sensata do mundo que conseguirmos conceber.

Tudo bem, agora – as duas imagens com as quais trabalhamos há 2.000 anos e talvez mais são o que eu chamaria de dois modelos do universo, e o primeiro é chamado de modelo cerâmico e o segundo de modelo automatizado. O modelo cerâmico do universo é baseado no livro de Gênesis, do qual o judaísmo, o islamismo e o cristianismo derivam sua imagem básica do mundo. E a imagem do mundo no livro de Gênesis é que o mundo é um artefato. É feito, como um oleiro pega barro e faz potes dele, ou como um carpinteiro pega madeira e faz mesas e cadeiras com ela. Não se esqueça que Jesus é filho de um carpinteiro. E também o filho de Deus. Assim, a imagem de Deus e do mundo se baseia na idéia de Deus como técnico, oleiro, carpinteiro, arquiteto, que tem em mente um plano e que molda o universo de acordo com esse plano.

Tão básico para esta imagem do mundo é a noção, veja, que o mundo consiste basicamente de coisas. Matéria primordial, substância, coisas. Como as peças são feitas de barro. Agora o barro por si só não tem inteligência. O barro por si só não se torna um vaso, embora um bom oleiro possa pensar o contrário. Porque se você fosse um oleiro realmente bom, você não impõe sua vontade ao barro, você pergunta a qualquer pedaço de barro o que ele quer se tornar, e você o ajuda a fazer isso. E então você se torna um gênio. Mas a ideia comum de que estou falando é que simplesmente que a argila não é inteligente; é só uma coisa, e o oleiro impõe sua vontade a ela, e faz com que ela se torne o que ele quiser.

E assim no livro de Gênesis, o senhor Deus cria Adão do pó da Terra. Em outras palavras, ele faz uma estatueta de barro, e então respira nela, e ela se torna viva. E porque o barro por si só é sem forma, não tem inteligência requer uma inteligência externa e uma energia externa para trazê-lo à vida e trazer algum sentido a ele. E assim, herdamos uma concepção de nós mesmos como artefatos, como sendo feitos, e é perfeitamente natural em nossa cultura que uma criança pergunte a sua mãe ‘Como fui feito?’ ou ‘Quem me fez?’ E esta é uma ideia muito, muito poderosa, mas, por exemplo, não é compartilhada pelos chineses ou pelos hindus. Uma criança chinesa não perguntaria à mãe ‘Como fui feito?’ Uma criança chinesa pode perguntar à mãe ‘Como cresci?’ que é um processo de fabricação de formas totalmente diferente. Você vê, quando você faz alguma coisa, você junta, arranja as partes, ou trabalha de fora para dentro, como uma escultura trabalha na pedra, ou como um oleiro trabalha no barro. Mas quando você observa algo crescendo, funciona exatamente na direção oposta. Funciona de dentro para fora. Ele se expande. Ela floresce. Ela desabrocha. E isso acontece por si só. Em outras palavras, a forma simples original, digamos de uma célula viva no útero, progressivamente se complica, e esse é o processo de crescimento, e é bem diferente do processo de fabricação.

Mas nós pensamos, historicamente, você vê, o mundo como algo feito, e a ideia de ser – árvores, por exemplo – construções, assim como mesas e casas são construções. E assim há, por essa razão, uma diferença fundamental entre o feito e o fabricante. E esta imagem, este modelo cerâmico do universo, originou-se em culturas onde a forma de governo era monárquica, e onde, portanto, o criador do universo foi concebido também à imagem do rei do universo. ‘Rei dos reis, senhores dos senhores, o único governante dos príncipes, que assim do teu trono contemplam todos os habitantes da Terra.’ Estou citando o Livro de Oração Comum. E assim, todas aquelas pessoas que são orientadas para o universo dessa maneira sentem-se relacionadas à realidade básica como súditos de um rei. E assim eles estão em termos muito, muito humildes em relação ao que quer que seja que faça tudo isso funcionar. Acho estranho, nos Estados Unidos, que as pessoas que são cidadãos de uma república tenham uma teoria monárquica do universo. Que você pode falar sobre o presidente dos Estados Unidos como JFK, ou Ike, ou Harry, mas não pode falar sobre o senhor do universo em termos tão familiares. Porque estamos carregando de culturas muito antigas do Oriente Próximo, a noção de que o senhor do universo deve ser respeitado de uma certa maneira. As pessoas se ajoelham, as pessoas se curvam, as pessoas se prostram, e você sabe qual é a razão disso: ninguém tem mais medo de algo do que de um tirano. Ele se senta de costas para a parede, e seus guardas de cada lado dele, e ele tem você de bruços no chão porque você não pode usar armas dessa maneira. Quando você entra na presença dele, você não se levanta e o encara, porque você pode atacar, e ele tem motivos para temer que você o faça porque ele está governando todos vocês. E o homem que governa todos vocês é o maior bandido do grupo. Porque ele é o único que teve sucesso no crime. Os bandidos menores são deixados de lado porque eles – os criminosos, as pessoas que prendemos na cadeia – são simplesmente as pessoas que não tiveram sucesso.

Então, naturalmente, o verdadeiro chefe fica de costas para a parede com um capanga de cada lado. E então, quando você projeta uma igreja, como ela se parece? A igreja católica, com o altar onde costumava estar – está mudando agora, porque a religião católica está mudando. Mas a igreja católica tem o altar de costas para a parede na extremidade leste da igreja. E o altar é o trono e o sacerdote é o principal vizir da corte, e ele está fazendo penitência ao trono, mas ali está o trono de Deus, o altar. E todas as pessoas estão encarando isto, e ajoelhadas. E uma grande catedral católica é chamada de basílica, do grego ‘basilikos’, que significa ‘rei’. Assim, uma basílica é a casa de um rei, e o ritual da igreja é baseado nos rituais da corte de Bizâncio.

Uma igreja protestante é um pouco diferente., mas basicamente o mesmo. O mobiliário de uma igreja protestante é baseado em um tribunal judicial. O púlpito, o juiz de um tribunal americano usa um manto preto, ele usa exatamente o mesmo vestido de um ministro protestante. E todos se sentam nessas caixas, há uma caixa para o júri, há uma caixa para o juiz, há uma caixa para isso, há uma caixa para aquilo, e esses são os bancos de uma igreja protestante do tipo colonial comum. Assim, ambos os tipos de igrejas que têm uma visão autocrática da natureza do universo que decoram, são arquitetonicamente construídos de acordo com imagens políticas do universo. Um é o rei e o outro é o juiz. Sua honra. Há sentido nisso. Quando estiver no tribunal, você deve se referir ao juiz como ‘Vossa Excelência”. Isso impede que as pessoas envolvidas em litígios percam a paciência e sejam rudes. Há um certo sentido nisso.

Mas quando você quer aplicar essa imagem ao próprio universo, à própria natureza da vida, ela tem limitações. Por um lado, a ideia de uma diferença entre matéria e espírito. Essa ideia não funciona mais. Há muito, muito tempo, os físicos pararam de fazer a pergunta ‘O que é matéria?’ Eles começaram assim. Eles queriam saber, qual é a substância fundamental do mundo. E quanto mais eles faziam essa pergunta, mais eles percebiam que não podiam respondê-la, porque se você vai dizer o que é a questão, você tem que descrevê-lo em termos de comportamento, ou seja, em termos de forma, em termos de padrão. Você diz o que ele faz, descreve as menores formas que você pode ver. Você vê o que acontece? Você olha, digamos, para um pedaço de pedra e quer dizer: ‘Bem, do que é feito esse pedaço de pedra?’ Você pega seu microscópio e olha para ele, e em vez de apenas este bloco de coisas, você vê muitas formas menores. Pequenos cristais. Então você diz: ‘Tudo bem, até agora tudo bem. Agora, do que esses cristais são feitos? E você pega um instrumento mais poderoso, e descobre que eles são feitos de moléculas, e então você pega um instrumento ainda mais poderoso para descobrir do que são feitas as moléculas, e você começa a descrever átomos, elétrons, prótons, mésons. , todos os tipos de partículas subnucleares. Mas você nunca, nunca chega às coisas básicas. Porque não existem.

O que acontece é o seguinte: ‘Coisas’ é uma palavra para o mundo como parece quando nossos olhos estão fora de foco. Confuso – a idéia de Coisa é que é indiferenciada, como uma espécie de gosma. E quando seus olhos não estão em foco nítido, tudo parece confuso. Quando você coloca seus olhos em foco, você vê uma forma, você vê um padrão. Mas quando você quer mudar o nível de ampliação e se aproximar cada vez mais, você fica confuso novamente antes de ficar claro outra vez. Então, toda vez que você fica confuso, você pensa que há algum tipo de coisa lá. Mas quando você fica enxerga, você vê uma forma. Então, tudo o que podemos falar é sobre padrões. Nós nunca, nunca podemos falar sobre as ‘coisas’ das quais esses padrões devem ser feitos, porque você realmente não tem que supor que existe coisa alguma. Basta falar do mundo em termos de padrões. Ele descreve qualquer coisa que possa ser descrita, e você realmente não precisa supor que há alguma coisa que constitui a essência do padrão da mesma forma que a argila constitui a essência dos potes. E assim, por esta razão, você realmente não tem que supor que o mundo é algum tipo de lixo indefeso, passivo e pouco inteligente que uma agência externa tem que informar e transformar em formas inteligentes. Assim, a imagem do mundo na física mais sofisticada de hoje não é formada por coisas – argila em vaso – mas por padrão. Um padrão auto-movível e auto-projetado. Uma dança. E nosso senso comum como indivíduos ainda não alcançou isso.

Bem agora, no decorrer do tempo, na evolução do pensamento ocidental. A imagem cerâmica do mundo teve problemas. E se transformou no que chamo de imagem totalmente automatizada do mundo. Em outras palavras, a ciência ocidental baseou-se na ideia de que existem leis da natureza, e obteve essa ideia do judaísmo, do cristianismo e do islamismo. Que em outras palavras, o oleiro, o criador do mundo no princípio das coisas estabeleceu as leis, e a lei de Deus, que também é a lei da natureza, é chamada de ‘loggos.?,.’ E no cristianismo, o logos é a segunda pessoa da trindade, encarnada como Jesus Cristo, que assim é o exemplo perfeito da lei divina. Assim, tendemos a pensar em todos os fenômenos naturais como respondendo a leis, como se, em outras palavras, as leis do mundo fossem como os trilhos sobre os quais circula um bonde, um bonde ou um trem, e essas coisas existem de certa forma. maneira, e todos os eventos respondem a essas leis. Você conhece aquele clichê: o jovem que diz ‘Droga, parece que eu sou uma criatura que se move em determinados sulcos. Não sou nem ônibus, sou bonde!”

Então aqui está essa ideia de que há um tipo de plano, e tudo responde e obedece a esse plano. Bem, no século 18, os intelectuais ocidentais começaram a suspeitar dessa ideia. E o que eles suspeitavam era se existe um legislador, se existe um arquiteto do universo, e eles descobriram, ou eles raciocinaram, que você não tem que supor que existe. Por quê? Porque a hipótese de Deus não nos ajuda a fazer previsões. Nem faz… Em outras palavras, vamos colocar desta forma: se o negócio da ciência é fazer previsões sobre o que vai acontecer, a ciência é essencialmente profecia. O que vai acontecer? Examinando o comportamento do passado e descrevendo-o cuidadosamente, podemos fazer previsões sobre o que vai acontecer no futuro. Isso é realmente toda a ciência. E para fazer isso e fazer previsões bem-sucedidas, você não precisa de Deus como hipótese. Porque isso não faz diferença em nada. Se você diz ‘Tudo é controlado por Deus, tudo é governado por Deus’, isso não faz nenhuma diferença na sua previsão do que vai acontecer. E então o que eles fizeram foi abandonar essa hipótese. Mas eles mantiveram a hipótese de lei. Porque se você pode prever, se você pode estudar o passado e descrever como as coisas se comportaram, e você tem algumas regularidades no comportamento do universo, você chama isso de lei. Embora possa não ser lei no sentido comum da palavra, é simplesmente regularidade.

E então o que eles fizeram foi se livrar do legislador e guardar a lei. E assim concebeu o universo em termos de um mecanismo. Algo, em outras palavras, que está funcionando de acordo com princípios mecânicos regulares, semelhantes a relógios. Toda a imagem de Newton do mundo é baseada no bilhar. Os átomos são bolas de bilhar e batem uns nos outros. E assim seu comportamento, cada indivíduo ao redor, é definido como um arranjo muito, muito complexo de bolas de bilhar sendo jogadas por todo o resto. E assim por trás do modelo totalmente automático do universo está a noção de que a própria realidade é, para usar o termo favorito dos cientistas do século 19, energia cega. Na metafísica de Ernst Hegel, e T.H. Huxley, o mundo é basicamente nada além de energia – força cega e não inteligente. E da mesma forma e paralelamente a isso, na filosofia de Freud, temos a energia psicológica básica da libido, que é a luxúria cega. E é só um acaso, é só por puro acaso que da exuberância dessa energia existem pessoas. Com valores, razão, linguagem, culturas e com amor. Apenas um acaso. Tipo, você sabe, 1.000 macacos digitando em 1.000 máquinas de escrever por um milhão de anos acabarão digitando a Enciclopédia Britânica. E é claro que no momento em que eles pararem de digitar a Enciclopédia Britânica, eles irão recair no absurdo.

E para que isso não aconteça, para que você e eu  que somos acasos neste cosmos, e gostamos do nosso modo de vida – gostamos de ser humanos – e quisermos mantê-lo, dizem essas pessoas, temos que lutar contra a natureza, porque ela nos transformará em tolices no momento em que permitirmos. Portanto, temos que impor nossa vontade a este mundo como se fôssemos algo completamente estranho a ele. De fora. E assim temos uma cultura baseada na ideia da guerra entre o homem e a natureza. E falamos sobre a conquista do espaço. A conquista do Everest. E os grandes símbolos da nossa cultura são o foguete e o trator. O foguete é uma compensação para o homem sexualmente inadequado. Então vamos conquistar o espaço. Mas já estamos no espaço. Se alguém se importasse em ser sensível deixaria o espaço exterior vir até nós, se nossos olhos estiverem suficientemente claros. Auxiliado por telescópios, auxiliado pela radioastronomia, auxiliado por todos os tipos de instrumentos sensíveis que podemos imaginar. Mas, você sabe, a sensibilidade não é o tom. Especialmente na cultura WASP dos Estados Unidos. Nós definimos masculinidade em termos de agressão porque temos um pouco de medo de sermos ou não realmente homens. E então fizemos esse grande show de ser um cara durão. É completamente desnecessário. Se você tem o que é preciso, você não precisa fazer esse show. E você não precisa vencer a natureza em sua submissão. Por que ser hostil à natureza? Porque afinal, você É um sintoma da natureza. Você, como ser humano, você cresce para fora deste universo físico exatamente da mesma forma que uma maçã cresce de uma macieira.

Então, digamos que a árvore que produz maçãs é uma árvore que produz maçãs, usando ‘maçã’ como verbo. E um mundo em que os seres humanos chegam é um mundo que povoa. E assim a existência de pessoas é sintomática do tipo de universo que acham que vivem. Assim como manchas na pele de alguém são sintomáticas de catapora. Assim como o cabelo na cabeça é sintomático do que está acontecendo no organismo. Mas fomos criados por causa de nossos dois grandes mitos – o cerâmico e o automático – para não sentir que pertencemos ao mundo. Assim, nosso discurso popular reflete isso. Você diz ‘Eu vim a este mundo’. Você não veio para dá. Você veio daqui. Você diz ‘Enfrente os fatos’. Falamos de ‘encontros’ com a realidade, como se fosse um encontro frontal de agências completamente alienígenas. E a pessoa comum tem a sensação de que é alguém que existe dentro de um saco de pele. O centro de consciência que olha para essa coisa, e o que diabos isso vai fazer comigo? ‘Eu reconheço você, você meio que se parece comigo, e eu me vi no espelho, e você parece que pode ser gente.’ Então talvez você seja inteligente e talvez possa amar também. Talvez você esteja bem, alguns de vocês estão, de qualquer maneira. Você tem a cor certa de pele, ou você tem a religião certa, ou seja lá o que for, você está bem. Mas há todas essas pessoas na Ásia e na África, e elas podem não ser realmente pessoas para vocês. Quando você quer destruir alguém, você sempre os define como ‘não-pessoas’. Não realmente humano. Macacos, talvez. Idiotas, talvez. Máquinas, talvez, mas não pessoas.

Portanto, temos essa hostilidade ao mundo externo por causa da superstição, do mito, da teoria absolutamente infundada de que você, você mesmo, existe apenas dentro de sua pele. Agora eu quero propor outra ideia completamente diferente. Existem duas grandes teorias em astronomia acontecendo agora sobre a origem do universo. Uma é chamada de teoria da explosão e a outra é chamada de teoria do estado estacionário. As pessoas do estado estacionário dizem que nunca houve uma época em que o mundo começou, está sempre se expandindo, sim, mas como resultado do hidrogênio livre no espaço, o hidrogênio livre coagula e faz novas galáxias. Mas as outras pessoas dizem que houve uma explosão primordial, um enorme estrondo bilhões de anos atrás, que arremessou todas as galáxias para o espaço. Bem, vamos tomar isso apenas por uma questão de argumento e dizer que foi assim que aconteceu.

É como se você pegasse uma garrafa de tinta e a jogasse na parede. Esmagar! E toda aquela tinta se espalhou. E no meio, é denso, não é? E à medida que sai na borda, as gotículas ficam cada vez mais finas e fazem padrões mais complicados, entende? Então, da mesma forma, houve um big bang no início das coisas e isso se espalhou. E você e eu, sentados aqui nesta sala, como seres humanos complicados, estamos muito, muito à margem desse estrondo. Nós somos os pequenos padrões complicados no final disso. Muito interessante. Mas assim nos definimos como sendo apenas isso. Se você pensa que está apenas dentro de sua pele, você se define como um pequeno emaranhado muito complicado, bem à beira dessa explosão. Sair no espaço e sair no tempo. Bilhões de anos atrás, você era um big bang, mas agora você é um ser humano complicado. E então nos isolamos e não sentimos que ainda somos o big bang. Mas você é. Depende de como você se define. Você é na verdade — se foi assim que as coisas começaram, se houve um big bang no começo — você não é algo que é resultado do big bang. Você não é algo que é uma espécie de marionete no final do processo. Você ainda é o processo. Você é o big bang, a força original do universo, surgindo como quem você é. Quando te encontro, vejo não apenas o que você se define como – senhor fulano de tal, senhora fulana de tal, senhorita fulana de tal – vejo cada um de vocês como a energia primordial do universo vindo para mim desta maneira particular. Eu sei que sou isso também. Mas aprendemos a nos definir como separados dela.

E então o que eu chamaria de um problema básico que temos que passar primeiro, é entender que não existem coisas. Quero dizer coisas separadas, ou eventos separados. Que isso é apenas uma maneira de falar. Se você puder entender isso, não terá mais problemas. Certa vez, perguntei a um grupo de crianças do ensino médio ‘O que você quer dizer com uma coisa?’ Em primeiro lugar, eles me deram todos os tipos de sinônimos. Eles disseram ‘É um objeto’, que é simplesmente outra palavra para uma coisa; não lhe diz nada sobre o que você quer dizer com uma coisa. Finalmente, uma garota muito inteligente da Itália, que estava no grupo, disse que uma coisa é um substantivo. E ela estava certa. Um substantivo não é uma parte da natureza, é uma parte do discurso. Não há substantivos no mundo físico. Também não há coisas separadas no mundo físico. O mundo físico é agitado. Nuvens, montanhas, árvores, pessoas, são todas onduladas. E somente quando os seres humanos começam a trabalhar nas coisas – eles constroem prédios em linhas retas, e tentam fazer com que o mundo não seja realmente ondulante. Mas aqui estamos nós, sentados nesta sala, toda construída em linhas retas, mas cada um de nós é tão agitado quanto todos os outros.

Agora, quando você quer ter o controle de algo que se mexe, é bem difícil, não é? Você tenta pegar um peixe em suas mãos, e o peixe está balançando e escorrega. O que você faz para pegar o peixe? Você usa uma rede. E assim a rede é a coisa básica que temos para nos apoderarmos do mundo ondulante. Então, se você quiser se apoderar desse movimento, você tem que colocar uma rede sobre ele. Uma rede é algo regular. E eu posso numerar os buracos em uma rede. Tantos buracos para cima, tantos buracos do outro lado. E se posso numerar esses buracos, posso contar exatamente onde está cada movimento, em termos de um buraco nessa rede. E esse é o começo do cálculo, a arte de medir o mundo. Mas para fazer isso, eu tenho que quebrar o movimento em pedaços. Eu tenho que chamar isso de um pedaço específico, e este é o próximo pedaço do movimento, e este o próximo pedaço, e este o próximo pedaço do movimento. E então esses pedaços são coisas ou eventos. Um pouco de mexidas. Que eu marco para falar sobre. Para medir e, portanto, para controlá-lo. Mas na natureza, de fato, no mundo físico, o movimento não é capturado. Você tem que cortar o frango para comê-lo. Você morde. Mas ele não vem mordido.

Assim, o mundo não vem em coisas; não vem eventuados. Você e eu somos tão contínuos com o universo físico quanto uma onda é contínua com o oceano. As ondas do mar e os povos do universo. E quando eu aceno e digo para você ‘Yoo-hoo!’ o mundo está acenando comigo para você e dizendo ‘Oi! Estou aqui!’ Mas somos consciência da maneira como sentimos e sentimos nossa existência. Sendo baseado em um mito de que somos feitos, que somos partes, que somos coisas, nossa consciência foi influenciada, para que cada um de nós não sinta isso. Fomos hipnotizados, literalmente hipnotizados pela convenção social para sentir e sentir que existimos apenas dentro de nossas peles. Que não somos o estrondo original, apenas algo no final dele. E, portanto, estamos com muito medo. Minha onda vai desaparecer e eu vou morrer! E isso seria horrível. Temos uma mitologia acontecendo agora que é, como diz o padre Maskell “somos algo que acontece entre a maternidade e o crematório”. E, portanto, todos se sentem infelizes e miseráveis.

Isto é o que as pessoas realmente acreditam hoje. Você pode ir à igreja, pode dizer que acredita nisso, naquilo e na outra, mas não acredita. Mesmo as Testemunhas de Jeová, que são os fundamentalistas mais fundamentais, são educadas quando chegam e batem na porta. Mas se você REALMENTE acreditasse no cristianismo, estaria gritando nas ruas. Mas ninguém faz. Você estaria publicando anúncios de página inteira no jornal todos os dias. Vocês seriam os programas de televisão mais aterrorizantes. As igrejas ficariam loucas se realmente acreditassem no que ensinam. Mas eles não acreditam. Eles acham que devem acreditar no que ensinam. Eles acreditam que deveriam acreditar, mas eles não reagem.

O que REALMENTE acreditamos é o modelo totalmente automático. E esse é o nosso senso comum básico e plausível. Você é um acaso. Você é um evento à parte. E você corre da maternidade para o crematório, e pronto, querida. É isso.

Agora, por que alguém pensa assim? Não há razão para isso, porque isso nem sequer é científico. É apenas um mito. E é inventado por pessoas que querem se sentir de uma certa maneira. Eles querem jogar um determinado jogo. O jogo de deus ficou embaraçoso. A ideia de Deus como oleiro, como o arquiteto do universo, é boa. Isso faz você sentir que a vida é, afinal, importante. Existe alguém que se importa. Tem significado, tem sentido e você é valioso aos olhos do pai. Mas depois de um tempo, fica embaraçoso, e você percebe que tudo que você faz está sendo observado por Deus. Ele conhece seus sentimentos e pensamentos mais íntimos, e você diz depois de um tempo: ‘Pare de me incomodar! Não quero você por perto. Então você se torna um ateu, só para se livrar dele. Então você se sente terrível depois disso, porque você se livrou de Deus, mas isso significa que você se livrou de si mesmo. Você não passa de uma máquina. E sua ideia de que você é uma máquina também é apenas uma máquina. Então, se você é um garoto esperto, você comete suicídio. Camus disse que há apenas uma questão filosófica séria, que é se deve ou não cometer suicídio. Acho que há quatro ou cinco questões filosóficas sérias. A primeira é ‘Quem começou?’ A segunda é ‘Vamos conseguir?’ O terceiro é ‘Onde vamos colocá-lo?’ A quarta é ‘Quem vai limpar?’ E o quinto, ‘É sério?’

Mas ainda assim, você deve ou não cometer suicídio? Essa é uma boa pergunta. Por que continuar? E você só continua se o jogo valer a pena. Agora, o universo está acontecendo há um tempo incrível. E realmente, uma teoria satisfatória do universo tem que ser uma que valha a pena apostar. Isso é muito, parece-me, senso comum elementar. Se você faz uma teoria do universo que não vale a pena apostar, por que se preocupar? Basta cometer suicídio. Mas se você quiser continuar jogando, você precisa ter uma teoria ótima para jogar o jogo. Caso contrário, não há sentido nisso. Mas as pessoas que cunharam a teoria totalmente automática do universo estavam jogando um jogo muito engraçado, pois o que eles queriam dizer era o seguinte: todos vocês que acreditam em religião – velhinhas e sonhadores – vocês têm um grande papai lá em cima, e você quer conforto, mas a vida é dura. A vida é dura, pois o sucesso vai para as pessoas mais teimosas. Essa era uma teoria muito conveniente quando os mundos europeu e americano estavam colonizando os nativos em todos os outros lugares. Eles disseram ‘Nós somos o produto final da evolução, e somos durões. Eu sou um cara grande e forte porque encaro os fatos, e a vida é só um monte de lixo, e vou impor minha vontade a ela e transformá-la em outra coisa. Estou muito duro. Essa é uma forma de auto-elogío.

E assim, tornou-se academicamente plausível e na moda que é assim que o mundo funciona. Nos círculos acadêmicos, nenhuma outra teoria do mundo além do modelo totalmente automático é respeitável. Porque se você é uma pessoa acadêmica, você tem que ser uma pessoa intelectualmente forte, você tem que ser espinhoso. Existem basicamente dois tipos de filosofia. Um se chama Spike (espinhos,) o outro se chama Goo (gosma). E as pessoas espinhosas são precisas, rigorosas, lógicas. Eles gostam de tudo picado e claro. Pessoas Goo  gostam do vago. Por exemplo, em física, pessoas espinhosas acreditam que os constituintes finais da matéria são partículas. Pessoas Goo  acreditam que são ondas. E na filosofia, as pessoas espinhosas são positivistas lógicos, e as pessoas pegajosas são idealistas. E eles estão sempre discutindo um com o outro, mas o que eles não percebem é que nenhum deles pode tomar sua posição sem a outra pessoa. Porque você não saberia que defendia espinhos a menos que houvesse alguém defendendo gosma. Você não saberia o que era um espinho a menos que soubesse o que era uma gosma. Porque a vida não é espinhos ou gosma, é ou espinhos pegajosos ou gosma espinhosa. Eles vão juntos como atrás e na frente, masculino e feminino. E essa é a resposta para a filosofia. Veja bem, sou um filósofo e não vou discutir muito, porque se você não discutir comigo, não sei o que penso. Então, se discutirmos, eu digo ‘obrigado’, porque devido à cortesia de você ter um ponto de vista diferente, eu entendo o que quero dizer. Então eu não posso me livrar de você.

Mas, no entanto toda essa ideia de que o universo não é nada além de uma força não inteligente brincando e nem mesmo gostando disso é uma teoria depreciada do mundo. Pessoas que tinham uma vantagem a fazer, um jogo para jogar, colocando-o para baixo, e fingindo que, porque derrubavam o mundo, eram um tipo superior de pessoas. Então isso simplesmente não vai funcionar. Já tentamos. Porque se você concorda seriamente com essa ideia de mundo, você é o que é tecnicamente chamado de alienado. Você se sente hostil ao mundo. Você sente que o mundo é uma armadilha. É um mecanismo eletrônicos e neurológicos nos quais você de alguma forma foi pego. E você, coitado, tem que aturar ser colocado em um corpo que está desmoronando, que tem câncer, que tem uma grande coceira siberiana, e é simplesmente terrível. E esses mecânicos – médicos – estão tentando ajudá-lo, mas eles realmente não podem ter sucesso no final, e você vai desmoronar, e é um negócio sombrio, e é muito ruim. Então, se você acha que é assim que as coisas são, você pode cometer suicídio agora mesmo. A menos que você dizer: ‘Bem, estou amaldiçoado. Porque pode realmente haver, afinal, a condenação eterna. Ou me identifico com meus filhos, e penso neles sem mim e sem ninguém para apoiá-los. Porque se eu continuar nesse estado de espírito e continuar a apoiá-los, vou ensiná-los a ser como eu sou, e eles continuarão, arrastando-o para sustentar seus filhos, e eles não vão gostar. Eles terão medo de cometer suicídio, e seus filhos também. Todos aprenderão as mesmas lições.

Veja bem, tudo o que estou tentando dizer é que o senso comum básico sobre a natureza do mundo que está influenciando a maioria das pessoas nos Estados Unidos hoje é simplesmente um mito. Se você quer dizer que a ideia de Deus pai com sua barba branca no trono de ouro é um mito, no mau sentido da palavra ‘mito’, este outro também o é. É tão falso e tem tão pouco para apoiá-lo quanto o verdadeiro estado das coisas. Por quê? Vamos deixar isso claro. Se existe alguma coisa como inteligência, amor e beleza, bem, você a encontrou em outras pessoas. Em outras palavras, ela existe em nós como seres humanos. E como eu disse, se está lá, em nós, é sintomático do esquema das coisas. Somos tão sintomáticos do esquema das coisas quanto as maçãs são sintomáticas da macieira ou da rosa da roseira. A Terra não é uma grande rocha infestada de organismos vivos, assim como seu esqueleto não é um osso infestado de células. A Terra é geológica, sim, mas essa entidade geológica faz crescer as pessoas, e nossa existência na Terra é um sintoma desse outro sistema, e seus equilíbrios, tanto quanto o sistema solar, por sua vez, é um sintoma de nossa galáxia, e nossa galáxia por sua vez, é um sintoma de toda uma companhia de outras galáxias. Só Deus sabe no que estamos dentro.

Mas você vê, quando, como um cientista, você descreve o comportamento de um organismo vivo, você tenta dizer o que uma pessoa faz, é a única maneira pela qual você pode descrever o que uma pessoa é, descrever o que ela faz. Então você descobre que ao fazer essa descrição, você não pode se limitar ao que acontece dentro da pele. Em outras palavras, você não pode falar sobre uma pessoa andando a menos que você comece a descrever o chão, porque quando eu ando, eu não fico apenas balançando minhas pernas no espaço vazio. Eu me movo em relação a um quarto. Então, para descrever o que estou fazendo quando estou andando, tenho que descrever a sala; Eu tenho que descrever o território. Então, ao descrever minha fala no momento, não posso descrevê-la apenas como uma coisa em si, porque estou falando com você. E então o que estou fazendo no momento não está completamente descrito, a menos que sua presença aqui também seja descrita. Então, se isso for necessário, em outras palavras, para descrever o MEU comportamento, eu tenho que descrever o SEU comportamento e o comportamento do ambiente, significa que realmente temos um sistema de comportamento. Sua pele não o separa do mundo; é uma ponte através da qual o mundo externo flui para você, e você flui para ele.

Apenas, por exemplo, como um redemoinho na água, você poderia dizer que porque você tem uma pele, você tem uma forma definida, você tem uma forma definida. Tudo bem? Aqui está um fluxo de água, e de repente ele faz um redemoinho, e continua. O redemoinho é uma forma definida, mas nenhuma água permanece nele. O redemoinho é algo que o riacho está fazendo, e exatamente da mesma forma, o universo inteiro está fazendo cada um de nós, e eu vejo cada um de vocês hoje e os reconheço amanhã, assim como reconheceria um redemoinho em um riacho. Eu diria ‘Ah, sim, eu já vi aquele redemoinho antes, é perto da casa de fulano de tal na beira do rio, e está sempre lá.’ Então, da mesma forma, quando eu te encontrar amanhã, eu te reconheço, você é o mesmo redemoinho de ontem. Mas você está se movendo. O mundo inteiro está se movendo através de você, todos os raios cósmicos, toda a comida que você está comendo, o fluxo de bifes e leite e ovos e tudo está simplesmente fluindo através de você. Quando você está balançando da mesma maneira, o mundo está balançando, a corrente está balançando você.

Mas o problema é que não fomos ensinados a nos sentir assim. Os mitos subjacentes à nossa cultura e ao nosso senso comum não nos ensinaram a nos sentir idênticos ao universo, mas apenas partes dele, apenas nele, apenas confrontando-o – alienígenas. E estamos, penso eu, precisando urgentemente de sentir que SOMOS o universo eterno, cada um de nós. Caso contrário, vamos enlouquecer. Vamos cometer suicídio, coletivamente, cortesia das bombas H. E, tudo bem, supondo que nós fará, bem, será isso, mas então haverá vida fazendo experimentos em outras galáxias. Talvez eles encontrem uma saida melhor.

parte 2

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-natureza-da-consciencia-parte-1/

Mapa Astral de Charles Manson

Charles Milles Manson (Cincinnati, 12 de novembro de 1934), mais conhecido como Charles Manson, é o fundador, mentor intelectual e líder de um grupo que cometeu vários assassinatos, entre eles o da atriz Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski.

Filho de uma prostituta, ainda criança Manson passou a frequentar reformatórios juvenis pelos quatro cantos dos Estados Unidos. Em 1967, Manson saiu da prisão aos 33 anos de idade, tendo permanecido preso desde os 9 anos de idade. Em 1968, ele formou uma comunidade alternativa em Spahn Ranch, perto de Los Angeles. Manson tinha ideias grandiosas e um grupo de amigos e admiradores, conhecidos como Família Manson. Esses eram jovens, homens e mulheres de famílias ricas, que não tinham bom relacionamento com seus familiares e que por isso passaram a morar nas ruas da Califórnia. Alguns dos admiradores de Manson o consideravam uma reencarnação de Jesus Cristo – uma analogia a ele abrir a vida dos jovens para “novos horizontes”.

Mapa Astral

Normalmente, eu costumo publicar Mapas de pessoas que contribuíram de alguma maneira com suas Verdadeiras Vontades para a evolução do planeta. Porém, recebo várias perguntas sobre como ficaria o mapa de uma pessoa que cagou todo o seu potencial aqui no planeta?

A resposta é que o Mapa Astral é o Mapa Astral: as energias que são indicadas nele trazem todo o POTENCIAL que a pessoa possui para desenvolver em Malkuth, PORÉM, uma vez encarnados, cada um possui o livre-arbítrio para utilizar-se destas ferramentas da maneira como desejar. Alguns utilizam este potencial para a evolução enquanto outros são tragados para as Qlipoth e se tornam parte da involução planetária. Vamos analisar o potencial de Manson:

O mapa possui Sol, Vênus, Mercúrio e Júpiter em Escorpião, sendo Mercúrio e Júpiter em Cavaleiro de Taças (Escorpião-Libra). Indica uma pessoa inteligente, que consegue facilmente agregar e compreender os outros (palavras chaves para escorpião: tomar conta das coisas dos outros; palavra chave para Libra: entender o outro). Este facilitador enorme o tornaria propenso a ser um líder no sentido das pessoas naturalmente se dirigirem para ele em busca de conselhos. Poderia ter se tornado um político com facilidade.

Seu Ascendente em Touro facilita a concretização de suas idéias.

Lua e Caput Draconis em Aquário-Capricórnio (Cavaleiro de Espadas) indica uma facilidade acima da média de compreender as regras do sistema e quebrá-las. Uma energia boa para um auditor, ou para um mafioso… ambos conhecem o sistema e sabem onde procurar por suas falhas.

Marte em Virgem indica a maneira como ele combate com a estratégia e precisão de um jogador de xadrez. Uma facilidade de colocar as peças em jogo e trabalhar cada uma das engrenagens e, finalmente, Saturno em Aquário, que facilita a concretização das idéias mirabolantes que a energia aquariana traz.

Ele poderia ter sido um político e grande fonte de inspiração para as pessoas, e, de certo modo, acabou se tornando uma espécie de ídolo qliphotico, completamente à mercê das energias involutivas. Não deixou de se tornar um “ídolo” para desequilibrados que vibram na mesma sintonia… O que nos mostra que, à medida em que as pessoas possuem e desenvolvem seus potenciais, elas são “tentadas” a se corromper para a escória da Árvore da Vida (ou a Árvore da Morte, como se costuma chamar).

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-charles-manson

Riqueza, Trabalho, Lucro e Salário

Ultimamente andei discutindo muito sobre política e descobri que as pessoas em geral não tem a mínima noção do que se trata a ecônomia. E frequentemente costumam confundir a diferença entre o que é riqueza, trabalho, lucro e salário.

A confusão mais típica é relacionar lucro ao capitalismo e principalmente a defesa do trabalho e salários ao socialismo. Não por menos, devido a fatores históricos do Brasil, comumente se relaciona também a distribuição de renda como socialismo.

Para deixar bem claro o que eu quero passar aqui vou fazer uma breve revisão histórica pela história da economia moderna. Assim ficará mais fácil compreender. A começar pelo Feudalismo. Na época feudal, vocês se lembram que havia um senhor feudal o qual absorvia toda a produção do feudo para si. Então para fins didáticos, imagine que toda a produção do senhor feudal possa ser dividida em três partes. O custo dos insumos e de produção, o salário do servo e o lucro, nesta época o excesso de produção. Agora vejam, se fossemos colocar todo este valor dentro de um preço como ele ficaria distribuído ? A maior parte do lucro iria para o senhor feudal, pois além de possuir todos os bens dos quais o servo utilizou para produzir, ele realizou todo o esforço e tudo o que consumiu foi para sobrevivência própria, nem acredito que isto possa ser chamado de salário. E acabo de me lembrar que ele ainda devia 10% para a igreja.

Com isso podemos definir os conceitos mais claramente. Se toda a produção do servo fosse colocada em um preço. Digamos 100. Podemos dizer que o valor do trabalho deste servo é 100 e que a riqueza produzida por ele também. Diante disto podemos dizer que a Riqueza é o trabalhador e seu trabalho é esta riqueza materializada. Portanto o trabalho gera a riqueza. Ele transforma terra em arado, metal em carros ou concreto em pontes.Lucro é a parte da riqueza que vai para o dono do capital e bens de produção, e então salário é parte da riqueza que ele gerou que é distribuida para o servo. E comumente o salário é menor do que a riqueza que ele produz. Estando isto claro continuemos.

Na era mercantil, este paradigma não se alterou muito, numa época em que a terra deixou de ser considerada como fonte de riqueza e passou a ser a acumulação de metais, o carro continuou na frente dos bois, os salários subiram um pouco, o comércio florescia. Mas ainda cegos para o que realmente trazia a riqueza.

Foi então que Adam Smith, veio e disse que a riqueza das nações não está na quantidade de metais que se acumula, mas sim, na capacidade produtiva do trabalho e no livre comércio – Seguindo os ideais da revolução de liberdade,igualdade e fraternidade – eu vou repetir porque isto é importante: CAPACIDADE PRODUTIVA DO TRABALHO. Assim quanto mais um trabalhador trabalhar mais ele vai produzir, e ele produzindo mais ele vai gerar mais riqueza. Uma pessoa produz 10 camisetas por mês se ela produzir 20 estará gerando o dobro da riqueza. É simples assim.Aliás foi nesta e ainda até hoje continua sendo uma das principais correntes de pensamento economicos atuais. Preferida entre a direita, e eu já vou explicar porque.

Quando Adam Smith e David Ricardo dissertaram sobre a capacidade produtiva do trabalho e a oferta e demanda. Deixaram de lado um fator fundamental, imagine que você é um trabalhador em manchester na inglaterra industrial. As condições de trabalho eram precárias e os salários mal davam para as pessoas terem condições de higiene e boa comida. Esses trabalhadores não consumiam muitos produtos mas produziam muita riqueza, a qual acumulava para o industrial ou capitalista, o mercado parecia promissor mas os ingleses mais adiante começaram a perceber que o mercado era muito pequeno. Era necessário expandir os negócios, derrubar o escravismo… E principalmente no seculo 19 surgiu o percusor do socialismo: Marx.

Marx dizia que o trabalho era explorado pelo capitalista, pois este a fim de ter grandes lucros distribuía a riqueza de maneira desiqual , também demonstrou que lucro e salário variavam inversamente e que os bens de produção deveriam ser todos do estado para que este distribuisse igualmente e para todos a riqueza que o estado poderia distribuir. Fazendo assim justiça social e eliminando o lucro e o vil metal. Afinal você produziria para todos e todos por você. E isto nos traz vários problemas. Vejamos, você produz 10 camisetas e temos 100 pessoas. No socialismo você terá de produzir 100 camisetas ao ano para que todos tenham camisetas. Como deve haver tudo para todos, não há um sistema de preços e já que os recursos para produzir para todos são escassos. Toda a economia deve ser planejada para que haja para todos, de preferência sem disperdicios. O que não acontece. Pois mesmo que vc produza 100 camisas, nem todos vão precisar dela, havendo disperdicio. Além disto, sem um sistema de preços, existia uma lentidão para que o estado reagisse a demandas repentinas e a desastres, sem contar ainda as necessidades individuais. O Sistema de preços do capitalismo evita isto, indicando para o produtor onde ele deveria investir seu capital, e sem a centralização no estado, ele reagir rapidamente a qualquer mudança de mercado. E este foi um dos motivos para a queda da URSS.

Mas voltando a inglaterra, enquanto que ela combatia a escravidão pelo mundo, e os trabalhadores se revoltavam contra as péssima condições de trabalho, aumentando assim seu salário. Ficou claro que a distribuição de renda é fundamental para o crescimento do estado e da riqueza em geral. E vou dar um exemplo simples.

Imagine que você é um industrial e possuí uma cidade e esta cidade produz trigo, e o salário que você para eles é apenas o suficiente para eles sobreviverem mais um mês e produzirem trigo por mais um mês. Para onde vai esta cidade em alguns anos ? Some do mapa. Então você resolver subir o salário, já que percebe que ninguém quer trabalhar na sua cidade, e isto é agora o suficiente para que esta cidade crie filhos para continuar o trabalho dos país e só. Meus parabéns. Você diminuiu um pouco seus lucros mas agora possuí estabilidade. A qual vai durar alguns anos até que essa juventude perceba o que você está planejando para ela e ela se revolte contra você. Eles não querem o mesmo destino dos país e entao se revoltam e param de produzir. Você, atonito, não tem escolha e sobe o salário. Assim depois de algumas greves e aumentos depois, percebe que as pessoas necessitam de outras necessidades. Além do trigo, você abre uma empresa de farinha de trigo, e então uma padaria. Viu que depois de muito tempo perdendo receita pode te-la novamente distribuindo a renda. E assim por diante. Pois viram que as necessidades das pessoas são infinitas e não tinha porque temer a distribuição de renda. Logo também percebe que não há mais mão de obra mas viu que em volta de sua cidade há pessoas passando fome. Logo você oferece a ela comida e algumas delas vão querer mais do que isso e você oferece trabalho, e elas crescem, a cidade cresce, e os negócios crescem. Está é mais ou menos a idéia de distrubuir renda. E por isso eu apóio estas iniciativas. Apesar de parecer socialismo, nada mais são do que capitalistas e progressistas.

Mas isto para algumas pessoas não é tão romantico quanto parece, pois de greve em greve o lucro diminuirá demais e o capitalisma ficará acuado. Sendo assim, a fim de “Educar” o trabalhador , pois este percebe que o lucro está completamente ligado ao seu trabalho. O governo, industrial , etc… vai procurar mão de obra barata em outras localidades, ou permite a entrada de estrangeiros, ou mesmo permite a super população para que as pessoas compitam mais entre si e aceitem salários mais baixos. Essas estratégias foram aplicadas contra o trabalho a partir de Keynes e Friedman, e a partir de 1970 com o neo liberalismo. Que vem funcionando fantásticamente em frear o aumento de salários.

por Ubbermensch

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/riqueza-trabalho-lucro-e-salario/

A História da Umbanda

Em fins de 1908, uma família tradicional de Neves, São Gonçalo–RJ, foi surpreendida por uma ocorrência que tomou aspectos sobrenaturais: o jovem Zélio Fernandino de Moraes, que fora acometido de estranha paralisia, que os médicos não conseguiam debelar, certo dia ergueu-se do leito e declarou: “amanhã estarei curado”. No dia seguinte, levantou-se normalmente e começou a andar, como se nada lhe houvesse tolhido os movimentos. Contava 17 anos de idade e preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha.

A medicina não soube explicar o que acontecera. Os tios, sacerdotes católicos, colhidos de surpresa, nada esclareceram. Um amigo da família sugeriu então uma visita à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e superior a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, o jovem levantou-se, dizendo:”aqui está faltando um flor”, e saiu da sala indo ao jardim, voltando logo após com uma flor, que depositou no centro da mesa.

Esta atitude insólita causou quase que um tumulto. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios. Foram convidados a se retirarem, advertidos de seu estado de atraso espiritual.

Novamente uma força estranha dominou o jovem Zélio e ele falou, sem saber o que dizia. Ouvia apenas a sua própria voz perguntar o motivo que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitarem a comunicação daqueles espíritos e do porquê em serem considerados atrasados apenas por encarnações passadas que revelavam. Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura. Um médium vidente perguntou:

“Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados ? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz ? E qual o seu nome irmão ?

E o espírito desconhecido falou: “Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O vidente retrucou: “Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto” ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse: “cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei”.

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto. Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a parte prática dos trabalhos, curando enfermos, fazendo andar paralíticos. Antes do término da sessão, manifestou-se um preto-velho, Pai Antônio, que vinha completar as curas. No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Jerônimo.

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão.Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou.

Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. “Não os aceite. Devolva-os”, ordenava sempre o Caboclo.

A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda.

O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.

Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.

Em 1971, a senhora Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – RJ) gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e o alto grau de evolução desta entidade de muita luz. Ei-la: “A Umbanda tem progredido e vai progredir.

É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo.

O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa.

Umbanda é humildade, amor e caridade – esta a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxósse, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxósse, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão.

Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda.

Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que safram desta Casa.

Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade.

Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares.

Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos.

Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria.

Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

Do site Rua das Flores, por indicação do Bolivar.

#Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-hist%C3%B3ria-da-umbanda

Cultos Fálicos

O falo se venera por seu estado de ereção. Nesta forma, como frutificador e doador da vida, se transforma em emblema da divindade. O falo era um elemento recorrente na arte paleolítica e aparece, com freqüência, justaposto a figuras de animais.  Antes de uma abordagem histórica sobre o falicismo é preciso esclarecer que o culto ao falo não é, ao contrário do que pode parecer um culto ao patriarcado e ao homem. O falo, não é apenas o pênis, mas sim o pênis ereto. E a ereção só acontece diante da presença (mesmo que apenas imaginária) da figura sexual passiva que é admirada e desejada ardentemente. Assim o falo é antes do símbolo do homem, o representante do desejo de união entre o macho e a fêmea.

A adoração ao falo só acontece porque o falo é ele mesmo uma afirmação inocultável e de adoração de aprovação. Existe nos cultos fálicos uma união e uma perda de identidade entre quem é adorado e quem adora. No falicismo, assim como no sexo, as figuras se unem e se confundem, sendo portanto óbvio porque desta ser uma das formas mais antigas de religião.

O que é seguro é que no antigo Egito, nos tempos de Sesostris I (à 1900 a.c), aos dias das colheitas, Min, se representava como uma figura em permanente ereção e se comparava com um touro montando na vaca ou um marido fecundando sua esposa. Com seu enorme e nada ambíguo falo empinado, Min era também deus dos caminhos, guia e protetor dos viajantes, uma função que compartilha com outros deuses fálicos.

As primeiras “imagens” do deus grego Hermes consistiam em montões de pedras, chamados herms, completados por uma pedra maior, que serviam como montes. Mais adiante, o herm foi se transformando em um bloco quadrado, com um falo e dois testículos talhados frontalmente. Hermes não somente guiava os vivos; também era o guia das almas.

Devido, possivelmente por que os mastros e montes se encontrassem nas margens das fronteiras, muitos deuses fálicos se transformaram em espíritos guardiões, como se sucedeu com os Dosojin japoneses. Todavia existem milhares destas figuras talhadas nas pedras, geralmente colocadas nos campos de trigo, onde asseguram a fertilidade da colheita e atuam como divindades guardiãs que protegem os campos dos intrusos e dos maus espíritos.

Todas as religiões têm conservado ao menos alguma reminiscência dos cultos fálicos. Os conquistadores e missionários, nas Américas, Ásia e Oceania, substituíram os antigos deuses locais por figuras equivalentes de seus panteões, porém muitos deuses originais sobreviveram a essa usurpação.

O budismo ascético pretendeu assimilar os Dosojin para a imagem do bodhisattva Kisitigarbha, que têm suas “partes intimas dentro de uma vagem”; porém no templo budista de Nagoya – Japão, atrás da estátua de Kisitigarbha há uma cortina que oculta falos talhados, descritos como os Dosojin.

Quando os arianos invadiram a Índia, criticaram o povo conquistado por “terem como deus o “falo” entretanto poucos séculos depois os mesmos arianos estavam adorando a linga [lingam] (falo) de Shiva. Há elementos fálicos nas tradições populares referentes a árvores sagradas, sobretudo na Irlanda, Europa Mediterrânea e Japão.

Em uma carta datada de 30 de Dezembro de 1781 Sir William Hamilton, K.B., ministro de sua majestade na Corte de Nápoles a Sir Joseph Banks, Bart., presidente da Royal Society, falasobre similitudes entre o “Papismo” (Cristianismo católico) e as religiões Pagãs:

A carta fala da devoção popular a Priapus, “divindade obscena” dos antigos. As provas seriam evidentes e disponíveis a qualquer um que visitasse o British Museum. Segundo Sir Hamilton: “Mulheres e crianças da classe baixa, em Nápoles e vizinhanças, freqüentemente usam [nas roupas] um tipo de amuleto, que elas imaginam ser protetor contra o mau olhado, os evil eyes, os encantamentos [e propiciador de outros benefícios]…

Esses amuletos que têm evidente relação com o Culto de Príapus são comumente feitos de prata, mas também de marfim, coral, âmbar, cristal e outras gemas… Na cidade de Isernia, uma das mais antigas do Reino de Nápoles, uma festa celebra, desde 1780, o moderno Príapus, São Cosmo. Sir William chama a atenção para a “indecência da cerimônia! – veja na ilustração abaixo, um “voto” de Isernia.

As relíquias dos santos são expostas e carregadas em procissão, da catedral até a igreja dedicada aos santos. No percurso da romaria, fac símiles de cera – os votos, representando as partes masculinas da geração, de vários tamanhos, são publicamente colocados à venda. Esses “devotos” distribuidores de tais votos [estatuetas de cera], com a cesta cheia do “produto”, daquelas “lembrancinhas”… comercializam sua mercadoria aos gritos de “São Cosme e São Damião!”

No cristianismo,o culto fálico sobreviveu como “o inimigo” na figura de um Satanás muito parecido com o Priapo ou o Pan (grego) e também nas figuras dos santos priápicos, quase sempre inventados. Por exemplo, São Guignole, primeiro abade de Landevenec (França), se converteu numa figura fálica por confusão de seu nome com o verbo gignere, gerar. Sua capela se manteve até 1740. As estátuas destes santos apresentavam membros exagerados, que as vezes se ungiam e veneravam separadamente e também eram utilizados para fecundar mulheres que desejavam engravidar.

Original de Carol Beck, Trad. EL CULTO AL FALO. Clifford Bishop. Revista Libertália. Itália: 2002

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/cultos-falicos/

A Guerra dos Roses

Movimentos harmoniosos, respiração controlada e um estado elevado de consciência. Esta é uma reportagem sobre ioga, mas não envolve nenhum desses elementos. Acusações, ressentimentos mal disfarçados, palavras como “seita” e “oportunismo” há de sobra. A rede de mais de 200 escolas ligadas a Luis Sergio de Rose, o Mestre De Rose, no Brasil, em Portugal e na Argentina está passando por dias turbulentos. Mais de 20 dos seus cerca de 500 professores a deixaram nos últimos três meses. Nem é um número expressivo, o que conta é o barulho que eles estão fazendo. Internamente, são tratados como “dissidentes” e recomenda-se “distância deles”.

Minha irmã freqüentou uma escola da rede durante mais ou menos um ano. Dei uma olhada nos livros que ela comprava, ouvia as descrições que ela fazia das aulas e, sinceramente, a coisa não me bateu. A matéria do NoMínimo só confirma essa primeira impressão. O que me incomodou mais era o evidente aspecto de culto à personalidade do tal Mestre de Rose, que lembrava muito a invasão de pseudo-gurus indianos que tomou de assalto os Estados Unidos a partir da década de 60, e dos quais a grande estrela era Rajneesh e sua nada espiritual coleção de Rolls-Royces – quando o fisco americano caiu de pau em cima dele, Rajneesh mudou o nome para Osho.

Mestre de Rose, aparentemente, não chega a tanto (embora os dissidentes insinuem práticas feias como espionar emails e celulares dos professores, para saber se eles mantêm contato com as personas non-gratas da escola), mas, para explicar porque os membros do grupo são proibidos de falar com os dissidentes, Rosana Ortega, diretora da unidade Berrini, adota um discurso que não deixa dúvidas sobre o caráter empresarial da Swasthi Yôga (ou como quer que seja o nome), que parece mais interessada em promover a marca e fidelizar o consumidor do que em levar os discípulos ao samadhi: “Na Coca-Cola, por exemplo, o funcionário é demitido se for flagrado bebendo Pepsi. O ator da Globo não pode dar entrevista ou negociar em outra emissora, porque ele representa a própria imagem da Globo. Os nossos instrutores também representam a nossa imagem.”

@MDD – Qualquer escola, fraternidade, ordem ou religião que fale uma imbecilidade dessas já merece total descrença. O verdadeiro buscador SEMPRE pode (e deve) procurar por todas as outras manifestações para que possa julgar e comparar os ensinamentos apresentados.

Quer dizer, suponho que quem estiver atrás da ioga apenas como uma forma alternativa de ginástica para aliviar o estresse pode até se beneficiar com as práticas ensinadas pelo Mestre de Rose – mas se você busca a ioga como um instrumento para o desenvolvimento espiritual e libertação da consciência, faria melhor em deixar Yôga – Mitos e Verdades de lado e partir logo para o real McCoy, os clássicos Yogasutras ou o inestimável Yoga – Imortalidade e Liberdade, de Mircea Eliade. Porque, pelo visto, a escola do Mestre de Rose está mais para Hare Krishna do que para Patanjali…

PS. Alguém poderá dizer que a prática não se aprende nos livros e que a única forma de aprender ioga é com um professor de carne e osso. Verdade. Mas qualquer cursinho introdutório de Hatha Yoga vai ensinar os asanas mais importantes. O resto é uma questão de concentração mental, que é mais fácil de obter no sacrossanto recesso de seu próprio quarto do que numa escola cheia de alunos, e de compreensão dos objetivos – e aqui, não existem professores melhores do que Patanjali e Mircea Eliade.

de: http://malprg.blogs.com/francoatirador/2004/08/a_guerra_dos_ro.html#more

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-guerra-dos-roses

Das Páginas do Anuncio do Editorial de Arkham

Caro editor,

 

Eu tenho 8 anos de idade. Alguns de meus amiguinhos dizem que não á o Grande Cthullu. Papai diz: “Se você o ver, será em um grande terror, Cthullu é assim.” Por favor, me diga a verdade, há um Grande Cthullu que vai subir a partir da profundidade aquosa do Pacifico para limpar a Terra de todas as coisas vidas?
Virginia Marsh.

 

Virginia, seus amiguinhos estão errados. Eles têm sido afetados pela febre de esclarecimento dado a eles por uma chamada era “iluminada”. Eles não acreditam em qualquer coisa, a menos que ela carregue o mesmo peso da autoridade cientifica. Eles pensam que nada pode ser o que não é compreensível por suas pequenas mentes. A realidade é que o que pode ser catalogado e medido, para ser em colheradas racionais dosadas para pessoas comuns. Todas as mentes Virgínia, sejam elas adultas ou crianças, são poucas. Neste vasto caos que rindo ligam o universo, o homem é um mero inseto cujo o intelecto tem tanta chance de aprender toda a verdade, como a formiga tem.

 

Sim Virgínia, há um Grande Cthullu. Ele não existe tão certamente quanto a insensibilidade das frias saídas dos cosmos, e você sabe que essa falta de sentido é abundante e dá a sua vida o seu maior absurdo. Ai de mim! Quão confortável serio se o não existisse Cthullu! Seria tão reconfortante como se um Papai Noel realmente se importasse e recompensasse crianças por fazerem o bem. Não haveria então fé infantil, um mundo de poesia crível, doce e romântica para tornar a existência idílica e atraente. A luz externa com que a infância enche o mundo não iria acabar nunca.

 

Não acredite no Grande Cthullu! Você poderia não muito bem acreditar em Hastur ou no Necronomicon. Você pode adquirir os livros de ciência de seu papai e inquisidores céticos para ver se Cthullu é mencionado em algum contexto histórico ou se R’Lyeh realmente descansa sobre o Oceano Pacifico, mas mesmo se você não encontrou nem mencionado em seus livros “sagrados”, o que isso provaria? Ninguém vê ou sabe de Cthullu, mas isso não é sinal de que não há nenhum Grande Cthullu. As coisas mais reais do mundo são aquelas que não podemos saber através dos sentidos. Pode a dor de cabeça de seu amigo ser sentida por você? Não, mas a sua dor afeta sua vida independentemente. Você sente a angustia de viver uma vida que você nunca quis através de qualquer um dos seus cinco sentidos? Não, mas o desespero permanece. No entanto, se tais realidades são conhecidas, mas nunca são vistas, então por que a ignorância do invisível do outro nos leva a compartilhar em sua cegueira. Com que direito têm eles de ganhar a sua obediência? Ninguém pode conceber o inconcebível, incluindo seus lideres de pensamento.

 

Você rasgar o chocalho de um bebe para ver o que esta dentro para fazer tal barulho, mas as pequenas bolas que não podem explicar ou ilustrar o medo de um mundo hostil, que faz com que a embreagem do bebe e da vibração que chacoalhar assim. So pegando insanidade, poder agastar a cortina de nossas esperanças e ver com uma gritante loucura o vazio que esta além. Isso é a realidade? É essa a verdade? Para dar uma resposta é de substituir a cortina com apenas mais de um. E é isto que faz com que o Grande Cthullu, como verdadeiro e real quanto qualquer véu que colocamos sobre o além-caos. Se for preciso criar um significado, porque não, o Grande Cthullu. Pelo menos a escolha é livre.

 

Obrigado Azathoth! O Grande Cthullu vive e viverá para sempre. Mil anos a partir de agora, Virgínia, ou melhor 10 vezes, 10 mil anos a partir de agora, ele vai continuar a aguardar o momento em que as estrelas são boas novamente. Para com aqueles que mentiram eternamente, como eras estranhas até a morte pode morrer.

 

(Da Página Editorial, Anúncios Arkham, 1928)

Trad. Carolina Rezende

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/das-paginas-do-anuncio-do-editorial-de-arkham/

Apocalipse das Semanas de Enoque

do  Livro de Enoch 93:1-10 , 91:11-17

(4 Qumran Henoc g (4Q212) III-IV § versão espanhol português E C M – enochm@terra.com.br 14/04/2001)

Enoch relembrou seu discurso dizendo: “A propósito dos filhos da Justiça e acerca do Eleito do mundo, que havia crescido de uma planta de verdade e de justiça, eles falaram e deram a conhecer a mim, Enoch, filhos meus, segundo o que me foi revelado todo o entendimento por uma visão celestial e pela voz dos anjos guardiães e dos santos. Nas tábuas celestiais é tudo lido e entendido “.


Continuou falando Enoch e disse: “Eu, Enoch, nasci o sétimo, na primeira semana, na época em que a justiça ainda era firme. Depois de mim, virá a segunda semana na que crescerá a mentira e a violência e durante ela terá lugar o primeiro Final, então, um homem será salvo. E quando esta semana haver acabado, a injustiça crescerá e Deus fará uma lei para os pecadores.


“Depois, haverá o final da terceira semana, um homem será eleito como planta de juízo justo, através do qual crescerá como planta de justiça para a eternidade. Logo, ao terminar a quarta semana, as visões dos santos e dos justos aparecerão e será preparada uma lei para gerações de gerações e um cercado.


“Depois, no final da quinta semana, uma casa de gloria e poder será edificada para a eternidade. Logo, na sexta semana, os que viverem durante ela serão cegados em seu coração, infielmente, se afastarão da sabedoria. Então um homem subirá ao céu no final desta semana, a casa de dominação será consumida pelo fogo e será dispersado todo a linhagem da raiz escolhida.


“Logo, na sétima semana surgirá uma geração perversa; numerosas serão suas obras, mas todas estarão no erro. E no final desta semana serão escolhidos os eleitos como testemunhas da verdade e da planta de justiça eterna. Será-lhes dada sabedoria e conhecimento por setuplicado. Para eles executarem o juízo arrancarão da raiz as causas da violência e nela a obra da falsidade.


“Depois disso virá a oitava semana, a da justiça, na qual se entregará uma espada a todos os justos para que julguem justamente aos opressores, que serão entregues em suas mãos. E ao final desta semana os justos adquirirão honestamente riquezas e será construído o templo da realeza d’O Grande, em seu esplendor eterno, para todas as gerações.


“Após isto, na nona semana se revelarão a justiça e o juízo justo à totalidade dos filhos da terra inteira e todos os opressores desaparecerão totalmente da terra e serão lançados ao pouso eterno e todos os homens verão o caminho justo e eterno.


“Depois disso, na décima semana, em sua sétima parte, terá lugar o Juízo Eterno. Será o tempo do Grande Juízo e Ele executará a vingança no meio dos santos. Então o primeiro céu passará e aparecerá um novo céu e todos os poderes dos céus se levantarão brilhando eternamente sete vezes mais. E depois disso, haverá muitas semanas, cujo número nunca terá fim, nas quais se fará o bem e a justiça. O pecado já não será mencionado jamais.”


O livro de Enoch é um texto apócrifo que é mencionado por algumas cartas do Novo Testamento (Judas, Hebreus e 2ª de Pedro). Até a elaboração da Vulgata, por volta do ano 400, os primeiros seguidores de Cristo o mencionavam abertamente em seus textos e o aceitavam como real. Após a Vulgata ele caiu no esquecimento. Entretanto, o livro é muito interessante e parece real. O livro de Enoch foi preservado somente em uma cópia, na totalidade, em etíope e, por esta razão, também é chamado de Enoch etíope. Este documento foi encontrado, incompleto, entre os Manuscritos do Mar Morto.

 

 

CAPITULO I

 Profecias sobre o fim dos tempos


“1 – Eis as palavras de Enoch pelas quais abençoou os eleitos e os justos que viverão no tempo da aflição, quando serão reprovados todos os maus e ímpios. Enoch, homem justo que caminha diante do Senhor, quando seus olhos foram abertos, e quando contemplou uma santa visão nos céus, fala e pronuncia: Eis o que me mostram os anjos,


2 – Esses anjos me revelarão todas as coisas e me darão a inteligência do que jamais vi, que não deve ocorrer nesta geração, mas numa geração afastada, para o bem dos eleitos,


3 – Foi por eles que pude falar e conversar com aquele que deve deixar um dia sua celeste morada, o Santo e Todo-poderoso, o Senhor desse mundo,


4 – Que um dia deve pôr em convulsão o pico do monte Sinai, aparecer em seu tabernáculo e se manifestar com toda a força de sua celeste potência.


5 – Todos os vigilantes serão surpreendidos, todos ficarão consternados.


6 – Todos serão tomados pelo medo e pelo espanto, mesmo nas extremidades da terra. As altas montanhas serão sacudidas, as colinas elevadas serão diminuídas, escoar-se-ão diante de sua face como o círio diante da drama. A terra será submersa e tudo aquilo que a habitar, perecerá, ora, todos os seres serão julgados, mesmo os justos.


7 – Mas os justos obterão a paz, Ele conservará os eleitos e sobre eles exercerá sua clemência.


8 – Então tornar-se-ão a propriedade do Senhor Deus, e serão por Ele cumulados de felicidade e bênçãos; e o esplendor da Divindade os iluminará.”

 

 

CAPITULO XLIV

 Profecias sobre Jesus, os tempos atuais e a perseguição aos cristãos


1 – Lá, vi então o Ancião dos dias cuja cabeça estava como que coberta de lã branca e com ele, um outro, que tinha a figura de um homem. Esta figura era plena de graça, como a de um dos santos anjos. Então interroguei a um dos anjos que estava comigo e que me explicou todos os mistérios relativos ao Filho do homem. Perguntei-lhe quem era ele, de onde vinha e porque acompanhava o Ancião dos Dias.


2 – Respondeu-me nessas palavras: “Este é o Filho do homem a quem toda justiça se refere, com quem ela habita, e que tem a chave de todos os tesouros ocultos; pois o Senhor dos espíritos o escolheu preferencialmente e deu-lhe glória acima de todas as criaturas.


3 – Esse Filho do homem que viste, arrancará reis e poderosos de seu sono voluptuoso, fá-los-á sair de suas terras inamovíveis, colocará freio nos poderosos, quebrará os dentes dos pecadores.


4 – Expulsará os reis de seus tronos e de seus reinos, porque recusam honrá-lo, de tornarem públicos seus louvores e de se humilharem diante daquele a quem todo reino foi dado. Colocará tormentos na raça dos poderosos; forçá-los-á a se deitarem diante dele. As trevas tornar-se-ão sua morada e os vermes serão os companheiros de sua cama; nenhuma esperança para eles de sair desse leito imundo, pois não consultaram o nome do Senhor dos espíritos.


5 – Desprezarão os astros do céu e elevarão as mãos contra o Todo-Poderoso; seus pensamentos serão voltados apenas para a terra na qual desejarão estabelecer sua morada eterna; e suas obras serão apenas obras de iniquidade. Colocarão suas alegrias em suas riquezas e sua confiança nos deuses fabricados por suas próprias mãos. Recusar-se-ão a invocar o Senhor dos espíritos, expulsá-lo-ão de seus templos.


6 – E os fiéis serão perseguidos pelo nome do Senhor dos espíritos.

 


CAPITULO XLV

 Profecias sobre o julgamento


1 – Nesse dia, as preces dos santos subirão da terra até ao pé do trono do Senhor dos espíritos.


2 – Nesse dia, os santos que habitam nos céus se reunirão e com voz unânime, rezarão, suplicarão, celebrarão, louvarão, exaltarão o nome do Senhor dos espíritos, pelo sangue dos justos, espalhado por ele; e essas preces dos justos elevar-se-ão incessantemente ao trono do Senhor dos espíritos, a fim de que lhes faça justiça, e que sua paciência pelos maus não seja eterna.


3 – Nesse tempo, vi o Ancião dos dias, sentado no trono de sua glória. O livro da vida estava aberto diante dele e todas as potências do céu se mantinham curvadas diante dele e ao seu redor.


4 – Então os corações dos santos estavam inundados de alegria, porque o tempo da justiça era chegado, a prece dos santos havia sido ouvida e o sangue dos justos havia sido apreciado pelo Senhor dos espíritos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocalipse-das-semanas-de-enoque/

Como identificar um bom Astrólogo?

Dez anos atrás, nesta data, a Rede Globo estreiou um remake da novela “O Astro”. Esta novela fez grande sucesso muitos anos atrás, quando Francisco Cuoco era o protagonista – um astrólogo charlatão. É oportuno abordarmos dois pontos que fatalmente virão à tona quando a novela estrear: este personagem pode ser ruim para a imagem da Astrologia e dos astrólogos? Mais: como discernir um astrólogo sério de um charlatão?

No que diz respeito à primeira pergunta, meu ponto de vista é o mesmo que sustento sempre que um personagem fictício é apresentado como um astrólogo de comportamento duvidoso: ficção é ficção, e nenhuma obra ficcional tem a menor obrigação de representar idealmente nenhuma atividade profissional. Quantos personagens em filmes ou novelas são médicos malignos, psiquiatras sem escrúpulos, engenheiros vilões? Inúmeros! Um personagem de obra ficcional não é criado para “representar classes”. Ademais, ainda que a ficção tivesse por objetivo retratar a realidade, quem disse que não existem vários astrólogos que fazem coisas duvidosas, como este que será apresentado na novela “O Astro”? Astrólogos não deveriam se preocupar com charlatães apresentados em filmes e novelas. Não conheço médico psiquiatra algum reclamando de Hannibal Lecter (vilão do filme “O Silêncio dos Inocentes”).

Já no que concerne à segunda questão, sobre como identificar um astrólogo charlatão, a resposta é mais difícil. Primeiro, porque para muitas pessoas a Astrologia já é, por si mesma, um exercício de charlatanismo. Deste modo, para estas pessoas, não haveria divisão entre “astrólogos sérios” e “charlatães”. Todos seriam enganadores.

Eu digo que este pensamento, isso sim, é enganoso. Explico:

Charlatanismo é uma palavra que explicita o desejo intencional de enganar, oferecendo algo que não se pode cumprir, ou afirmando algo que o próprio declamante sabe não ser verdade. Alguém que pratica ilegalmente a Medicina, sem ter formação para tanto, é um charlatão. Um astrólogo que afirma que pode fazer você ganhar na loteria ou que traz a pessoa amada em 3 dias através de magia é, igualmente, um enganador. Não é complicado identificar este tipo de pessoa perigosa. Procure referências sobre ela. No caso de um astrólogo, procure saber quem ele é, como trabalha, tente descobrir se pessoas de sua confiança já fizeram consultas com ele. Aliás, vale dizer que esta é uma dica preciosa no tocante a serviços astrológicos: o melhor astrólogo é aquele que lhe foi indicado. Note que a Astrologia não é algo que exige de ninguém um estudo formal. Qualquer pessoa pode se dizer “astróloga”. Logo, não é como a Medicina, atividade que exige um CRM, ou a Psicologia, que exige CRP (e ambos os registros exigem formação acadêmica).

OS LIMITES DA PRÁTICA ASTROLÓGICA

Há também outro tipo de charlatanismo, moralmente menos grave, que eu chamo de não-intencional. É quando a pessoa aprende uma coisa que não é verdade, acredita nela e propaga a falsidade, conduzindo outras pessoas ao erro. Para céticos em relação à Astrologia, essa descrição caberia a todos os astrólogos, pois estes céticos partem do pressuposto de que a Astrologia é, por si mesma, um engano – até mesmo para quem a pratica com a melhor das intenções. Argumentar sobre a validade da Astrologia é algo que não farei neste artigo. Limito-me a dizer que se o astrólogo pratica o que tradicionalmente é chamado de Astrologia, ele não é um charlatão, nem intencional, nem não-intencional. E, note: o que é tradicionalmente chamado de Astrologia não promete trazer pessoas amadas nem em um dia, nem em 100, Astrologia não faz ninguém ganhar na loteria (se isso fosse possível, astrólogos estariam ricos), Astrologia não cura doenças. Assim sendo, cuidado com quem promete coisas fantásticas. Astrólogos sérios geralmente deixam bem claro os limites da prática: o que pode e o que não pode ser feito.

O que eu chamo de charlatanismo não-intencional é a postura de incorporar à atividade astrológica um palavreado científico acadêmico sem verdadeiro conhecimento de causa. Geralmente, isso decorre mais de ingenuidade que de má fé. Associar Astrologia à física quântica, por exemplo, é forçar a barra. Jamais encontrei nenhum trabalho sobre Astrologia e física quântica que eu pudesse dizer que conta com qualquer mínimo conhecimento, mesmo que vago, de física quântica. Falar em “campos magnéticos”, “efeito quântico” e outras coisas do gênero, na minha opinião, não passa de desejo de impressionar através de palavras difíceis ou, na melhor das hipóteses, exercício de analogias forçadas entre dois saberes tão distintos (a Física e a Astrologia). Se um dia a Astrologia puder ser comprovada pela ciência, isso não se dará por mera retórica que se vale de palavras impressionantes e uso de termos exóticos.

Por fim, vale um conselho: se você procura um astrólogo, não tenha medo de inquiri-lo e buscar referências. Procure por alguém de quem você já ouviu falar bem, ou cujos textos você leu e gostou. Converse com ele. Se o astrólogo pontua claramente os limites do que pode ser feito, ele provavelmente é confiável.

Por Alexey Dodsworth

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/como-identificar-um-bom-astr%C3%B3logo-1