Apócrifo de João (Longo)

(O Livro Secreto de João – A Revelação Secreta de João)

O ensinamento do salvador, a revelação dos mistérios, das coisas escondidas no silêncio, e também as coisas que ele ensinou a João, seu discípulo.

E aconteceu um dia, quando João, irmão de Tiago (que são os filhos de Zebedeu), ele havia subido ao templo, e um Fariseu chamado Arimanes o aproximou e disse, “Onde está seu mestre a quem você seguia?” E João respondeu, “Ele retornou para o lugar de onde ele veio.” O Fariseu disse a ele, “Este Nazareno os enganou com ilusão, ele encheu suas orelhas com mentiras, fechou seus corações e desviou vocês das tradições dos seus pais.”

Quando eu, João, ouvi estas coisas, eu abandonei o templo e fui para um lugar deserto. E eu fiquei muito angustiado em meu coração, dizendo, “Como então o salvador foi escolhido? Por que ele foi enviado ao mundo pelo Pai dele? Quem é o Pai dele que o enviou? De que tipo é aquele aeon para o qual nós deveremos ir? Pois o que ele quis dizer quando ele nos falou, ‘Este aeon para o qual vocês irão é do tipo de aeon imperecível’, mas ele não nos ensinou sobre este último.”

Enquanto eu estava contemplando estas coisas, imediatamente, veja, os céus se abriram e a criação que está abaixo de todos os céus brilhou, o mundo inteiro estremeceu. Eu tive medo, no entanto, veja, na luz eu vi uma criança que ficou diante de mim. Enquanto eu observava, ele se tornou um homem velho. E ele mudou sua aparência novamente, se tornando um jovem. Não eram vários diante de mim, mas sim uma aparência com múltiplas formas na luz. E uma aparência surgia através da outra. A aparência tinha três formas.

Ele me disse, “JoãoJoão, por que você duvida, ou por que você está assustado? Esta imagem não é estranha para você, é? – portanto, não seja medroso! – Eu sou aquele que está com vocês sempre. Eu sou o Pai, eu sou a Mãe, eu sou o Filho. Eu sou o inviolado e impoluto. Agora eu vim para te ensinar sobre o que é, o que foi, e o que será, para que você conheça tanto as coisas que estão invisíveis quanto aquelas que estão visíveis, e te ensinar a respeito da raça inabalável do Homem perfeito. Agora, em vista disso, levante seu rosto, para que você possa receber as coisas que eu irei te ensinar hoje, e possa contar para aqueles espíritos que são seus companheiros da raça inabalável do Homem perfeito.”

E eu perguntei por curiosidade, e ele me disse, “A União é uma monarquia com nada acima dela. É o Deus e Pai do Todo, o sagrado, o invisível, que existe acima do Todo. Aquele que é o Pai de imperecibilidade, existindo como luz pura, dentro da qual nenhum olho consegue olhar.

Ele é o Espírito Invisível. Não é correto pensar Dele como um deus, ou algo similar. Porque Ele supera divindade. É um domínio que não tem nada acima Dele para governá-lo. Porque não há nada existindo antes Dele, nem Ele necessita deles. Ele não necessita de vida. Pois Ele é eterno. Ele não precisa de nada. Ele não pode ser aperfeiçoado, como se Ele fosse deficiente e necessitasse de aprimoramento; pelo contrário, Ele é sempre completamente perfeito. Ele é luz. Ele não pode ser limitado, já que não há nada anterior a Ele para o limitar. Ele é insondável, já que não existe ninguém anterior a Ele para o examinar. Ele é imensurável, porque não há alguém anterior a Ele que possa medi-lo. Ele é invisível, já que ninguém é capaz de visioná-lo. Ele é uma eternidade existindo eternamente. Ele é inefável, já que ninguém foi capaz de compreendê-lo para falar sobre Ele. Ele é inominável, já que não há ninguém anterior a Ele para dar-lhe um nome.

Ele é luz imensurável, o puro, que é sagrado e impoluto. Ele é inefável, sendo incorruptivelmente perfeito. Ele não é perfeição, nem bem-aventurança, nem divindade, pois Ele é algo muito superior a estes. Ele não é indelimitado nem delimitado, mas Ele é algo muito superior a estes. Ele não é corpóreo nem incorpóreo. Ele não é grande nem pequeno. Ele não é uma quantidade. Ele não é uma criatura. Nem é possível que alguém o compreenda. Ele não é algo que pertença ao Todo que existe, pelo contrário, Ele é algo que é melhor do que isso. Não que Ele seja simplesmente superior, como se Ele fosse comparável aos outros, mas Ele é algo que pertence a Si próprio.

Ele não participa em um aeon (como parte constituinte dele). O tempo não existe em relação a Ele. Pois qualquer um que participa em um aeon foi criado. O tempo não foi determinado a Ele, já que Ele não recebe nada de outro que estabelece limites. E Ele não necessita de nada.

Nada do Todo existe antes Dele. Ele é suficiente para si próprio em sua luz perfeita. Porque a perfeição é majestosa. Ele é mente pura imensurável. Ele é um aeon doador-de-aeon. Ele é vida doadora-de-vida. Ele é uma bem-aventurança doadora-de-bem-aventurança. Ele é sabedoria doadora-de-sabedoria. Ele é bondade doadora-de-bondade. Ele é piedade e redenção doadores-de-piedade. Ele é graça doadora-de-graça, não porque ele as tem, mas porque Ele doa a luz imensurável e incompreensível.

Como eu devo falar Dele com você? Ele é um aeon indestrutível, em repouso, existindo em silêncio, em tranquilidade, e sendo anterior a tudo. Pois Ele é o topo de todos os aeons, e é Ele quem os dá força e bondade. Porque nós não conhecemos as coisas inefáveis, e nós não compreendemos o que é imensurável, exceto por aquele que veio Dele, ou seja, do Pai. Pois foi ele quem disse para nós somente. Porque é ele quem se olha na luz que o envolve, isto é, a nascente da água da vida. E é Ele quem doa para todos os aeons, de todos os modos, e que observa sua própria imagem visível na nascente do Espírito. É Ele quem coloca sua vontade na fonte da água-luz pura que o envolve.

E seu pensamento teve uma ação, e ela surgiu, ou seja, aquela que tinha aparecido diante Dele no brilho da sua luz. Este é o primeiro poder que existia antes deles todos, e que veio da mente Dele. Ela é o Pensamento do Todo (Protenoia) – a luz dela brilha como a luz Dele – o poder perfeito, que é a imagem do Espírito puro, invisível, e perfeito. É o primeiro poder, a glória de Barbelo, a glória perfeita nos aeons, a glória da revelação. Ela glorificou o Espírito puro, e foi ela quem o saudou, porque graças a ele, ela havia surgido. Este é o primeiro pensamento, a imagem Dele; ela se tornou o útero de tudo, pois ela que é anterior a todos eles, ela é a Mãe-Pai, o Primeiro Homem, o Espírito sagrado, os três-vezes-macho, os três-vezes-poderosos, o andrógino três-vezes-nomeado, o aeon eterno entre os invisíveis, e o primeiro a vir.

<Ela> pediu para que o Espírito puro invisível a desse previsão. E o Espírito consentiu. E quando ele havia consentido, a previsão veio, e ficou ao lado da presciência; esta origina do pensamento do Espírito puro invisível. A previsão glorificou o Espírito e Barbelo (o poder perfeito dele), porque foi por ela que ele tinha surgido.

E ela pediu novamente para a conceder indestrutibilidade, e ele consentiu. Quando ele havia consentido, a indestrutibilidade veio, e ficou ao lado do pensamento e da presciência. A indestrutibilidade glorificou o Espírito invisível e Barbelo, aquele pelo qual eles haviam surgido.

E ela solicitou que a concedesse vida eterna. E o Espírito invisível consentiu. E quando ele havia consentido, a vida eterna veio, e estes auxiliaram e glorificaram o Espírito invisível e Barbelo, aquele pelo qual eles haviam surgido.

Ela solicitou novamente, para que a concedesse verdade. E o Espírito invisível consentiu. E quando ele havia consentido, a verdade surgiu, e estes auxiliaram e glorificaram o Espírito excelente invisível e Barbelo, aquele pelo qual eles haviam surgido.

Este é o grupo-de-cinco dos aeons do Pai, que é o Primeiro Homem, e que é a imagem do Espírito invisível; a presciência, que é Barbelo, e o pensamento, a previsão, a indestrutibilidade, a vida eterna, e a verdade. Este é o grupo-de-cinco andrógino dos aeons, o qual é o grupo-de-dez dos aeons, que é o Pai.

E ele olhou para Barbelo com a luz pura que envolve o Espírito invisível e com sua centelha. E ela concebeu dele. Ele gerou uma centelha de luz possuindo bem-aventurança. Mas que não o iguala em grandeza. Esta foi uma criança unigênita da Mãe-Pai que tinha vindo; é o fruto único, o unigênito do Pai. A Luz pura.

E o Espírito puro invisível se alegrou pela luz que veio, que surgiu pelo primeiro poder da presciência dele, que é Barbelo. E ele a ungiu com sua bondade até que se tornasse perfeita, não carecendo de qualquer valor, porque ele tinha ungido com a bondade do Espírito invisível. E ela (a luz) o auxiliou quando ele derramou sobre ela. E imediatamente, quando a luz tinha recebido do Espírito, ela glorificou o Espírito sagrado e a presciência perfeita, pela qual ela tinha vindo.

E ela pediu que lhe desse um ajudante, que é a mente, e ele consentiu alegremente. E quando o Espírito havia consentido, a mente veio, e auxiliou Cristo, glorificando ele e Barbelo. E todos estes surgiram no silêncio.

E a mente quis realizar uma ação através da palavra do Espírito invisível. E a vontade dele se tornou uma ação, e apareceu com a mente; a luz o glorificou. E a palavra acompanhou a vontade. Porque pela palavra, Cristo, o Autogenes divino, criou tudo. A vida eterna, a vontade dele, a mente, e a previsão, serviram e glorificaram o Espírito invisível e Barbelo, pelos quais eles haviam surgido.

E o Espírito sagrado completou o Autogenes divino, que é o filho dele, junto com Barbelo, para que ele pudesse auxiliar o Espírito puro invisível e poderoso como o Autogenes divino, o Cristo, a quem ele havia reverenciado com uma voz poderosa. Ele veio pela presciência. E o Espírito puro invisível colocou o Autogenes divino de honestidade acima de tudo. E submeteu a ele toda a autoridade e a verdade que ele possui, para que ele conheça o Todo, que foi aclamado com um nome exaltado acima de todos os nomes. Porque esse nome será mencionado para aqueles que são dignos dele.

Pois pela luz, que é Cristo, e a indestrutibilidade, através da dádiva do Espírito, as quatro luzes apareceram do Autogenes divino. Ele esperou que eles o assistissem. E os três são: vontade, pensamento, e vida. E os quatro poderes são: compreensão, graça, percepção, e prudência. E a graça pertence ao aeon-luz Armozel, que é o anjo de luz no primeiro aeon. E há três outros aeons com este aeon: graça, verdade, e forma.

E a segunda luz é Oriel, que foi colocado sobre o segundo aeon. E há três outros aeons com ele: concepção, percepção, e memória. E a terceira luz é Daveithai, que foi colocado sobre o terceiro aeon. E há três outros aeons com ele: compreensão, amor, e ideia. E o quarto aeon foi colocado sobre a quarta luz Eleleth. E há três outros aeons com ele: perfeição, paz, e sabedoria. Estas são as quatro luzes que assistem o Autogenes divino, e estes são os doze aeons eternos que assistem o filho do poderoso, o Autogenes, o Cristo, através da vontade e da dádiva do Espírito invisível. E os doze aeons pertencem ao filho do Autogenes. E todas as coisas foram estabelecidas pela vontade do Espírito sagrado através do Autogenes.

E pela previsão da mente perfeita, através da revelação da vontade do Espírito invisível, e da vontade do Autogenes, o Homem perfeito apareceu, a primeira revelação, e a verdade. É ele quem o Espírito puro chamou de Pigera-Adamas, e ele o colocou sobre o primeiro aeon com o poderoso, o Autogenes, o Cristo, ao lado da primeira luz de Armozel; e com ele estão seus poderes. E o invisível lhe deu um poder mental imbatível. E ele falou, glorificou, e saudou o Espírito invisível, dizendo, “Foi por ti que tudo surgiu, e tudo retornará para ti. Eu saudarei e glorificarei a ti, o Autogenes, e os aeons, os três: o Pai, a Mãe, e o Filho – o poder perfeito.’

E ele (Adamas) colocou o filho dele, Seth, sobre o segundo aeon, na presença da segunda luz Oriel. E no terceiro aeon, a semente de Seth foi colocada sobre a terceira luz Daveithai. E as almas dos santos foram colocadas lá. E no quarto aeon foram colocadas as almas daqueles que não conhecem o Pleroma, e também aqueles que não se arrependeram imediatamente, mas que persistiram por um tempo e se arrependeram depois; eles estão ao lado da quarta luz Eleleth. Estas são criaturas que glorificam o Espírito invisível.

E a Sofia da Epinoia, sendo um aeon, concebeu um pensamento dela mesma pela concepção do Espírito invisível e pela previsão. Ela queria produzir reinos por conta própria sem o consentimento do Espírito (ele não havia aprovado), sem o cônjuge dela, e sem a apreciação dele. E, embora a pessoa da masculinidade dela não tinha aprovado, e ela não tinha obtido a autorização, e ela havia pensado sem o consentimento do Espírito, mesmo assim ela prosseguiu. E devido ao poder invencível que existe nela, o pensamento dela não permaneceu inativo, e algo que era imperfeito e diferente de sua aparência saiu dela, porque ela havia criado aquilo sem seu cônjuge. E era diferente da aparência da mãe, pois tinha uma outra forma.

E quando ela viu as consequências do seu desejo, aquilo se transformou numa serpente com cabeça de leão. E os olhos dele eram como chamas com clarão. Ela o lançou para fora dela, para fora daquele lugar, para que nenhum dos imortais o visse, porque ela o havia criado em ignorância. E ela o rodeou com uma nuvem luminosa, e ela colocou um trono no meio da nuvem para que ninguém visse exceto pelo Espírito sagrado, que é chamado a mãe dos vivos. E ela o nomeou Yaldabaoth.

Este é o primeiro arconte que tomou um grande poder da mãe dele. E ele se separou dela, e se dirigiu para longe do lugar em que ele tinha nascido. Ele ficou forte, e criou para si outros aeons com uma chama de fogo luminoso que ainda existe hoje. E ele se juntou com a arrogância que existe nele, e gerou autoridades para si. O nome do primeiro é Athoth, a quem as gerações chamam de o ceifeiro. O segundo é Harmas, que é o olho da inveja. O terceiro é Kalila-Oumbri. O quarto é Yabel. O quinto é Adonaios, que é chamado Sabaoth. O sexto é Caim. Aquele a quem as gerações dos homens chamam de sol é o sétimo, Abel. O oitavo é Abrisene. O nono é Yobel. O décimo é Armoupieel. O décimo primeiro é Melceir-Adonein. O décimo segundo é Belias (ou Beliel), é ele quem está acima da profundeza de Hades. E ele colocou sete reis – cada um correspondente aos firmamentos do céu – sobre os sete céus, e cinco sobre as profundezas do abismo, para que eles reinem. E ele compartilhou seu fogo com eles, mas ele não emitiu do poder da luz que ele havia tomado de sua mãe, porque ele é escuridão ignorante.

E quando a luz havia se misturado com a escuridão, ela fez a escuridão brilhar. E quando a escuridão havia se misturado com a luz, ela escureceu a luz e não ficou nem claro nem escuro, mas ficou uma penumbra.

Agora o arconte que é penumbra tem três nomes. O primeiro é Yaldabaoth, o segundo é Saclas, e o terceiro é Samael. E ele é ímpio em sua arrogância. Porque ele disse ‘Eu sou Deus, e não há outro Deus além de mim,’ pois ele é ignorante da força dele, e do lugar de onde ele veio.

E os arcontes criaram sete poderes para eles mesmos, e os poderes criaram para si seis anjos cada um, até se tornarem 365 anjos.

Estes são os nomes das autoridades com seus corpos: o primeiro é Athoth, e ele tem um rosto de ovelha; o segundo é Eloaiou, ele tem um rosto de burro; o terceiro é Astaphaios, ele tem um rosto de hiena; o quarto é Yao, ele tem um rosto de dragão com sete cabeças; o quinto é Sabaoth, ele tem um rosto de serpente (naja); o sexto é Adonin, ele tem um rosto de macaco, o sétimo é Sabbede, ele tem um rosto de fogo brilhante. Estes são os sete da semana.

Mas Yaldabaoth tem muitas faces, mais do que todos eles, para que ele pudesse por uma face diante deles quando ele desejasse, quando ele está no meio dos serafins. Ele compartilhou seu fogo com eles; por isto ele se tornou senhor sobre eles. Por causa da glória e do poder que ele possuía da luz da mãe dele, ele se chamou Deus. E ele não respeitou o lugar de onde ele veio. Ele uniu os sete poderes no seu pensamento com as autoridades que estavam com ele. E quando ele falou, aconteceu. E ele nomeou cada poder, começando pelo mais alto; bondade, com a primeira autoridade, Athoth; previsão com o segundo, Eloaio; divindade com o terceiro, Astaphaio; senhoria com o quarto, Yao; reino com o quinto, Sabaoth; inveja com o sexto, Adonein; compreensão com o sétimo, Sabbateon. E estes têm um firmamento correspondente a cada aeon-céu. Eles foram nomeados de acordo com a glória que pertence ao oitavo céu, para a destruição dos poderes. E havia poder nos nomes que foram dados a eles pelo seu Originador. Mas os nomes que foram dados a eles, de acordo com a glória que pertence ao oitavo céu, significam para eles destruição e impotência. Portanto, eles têm dois nomes.

E tendo criado […] tudo, ele organizou de acordo com o modelo dos primeiros aeons que tinham surgido, para que ele pudesse criá-los como aqueles indestrutíveis. Não porque ele tinha visto aqueles indestrutíveis, mas o poder dentro dele, que ele tinha tomado de sua mãe, produziu nele a aparência do cosmos. E quando ele viu a criação que o rodeava, e a multidão dos anjos em sua volta que tinha vindo através dele, ele disse para eles, ‘Eu sou um Deus ciumento, e não há outro Deus além de mim.’ Mas, anunciando isto, ele indicou aos anjos que o servem que existe outro Deus. Porque se não houvesse outro, de quem ele teria ciúmes?

Então a mãe começou a se mover para lá e para cá. Ela percebeu a deficiência quando o brilho da luz dela diminuiu. E ela ficou escura, porque seu cônjuge não havia concordado com ela.”

E eu disse “Senhor, o que significa ela se moveu para lá e para cá?” Mas ele sorriu e disse, “Não pense que é como Moisés falou, ‘sobre as águas.’ Não, mas quando ela havia visto a perversidade que tinha ocorrido, e o roubo que o filho dela tinha cometido, ela se arrependeu. E ela foi dominada pelo esquecimento da escuridão da ignorância, e ela começou a ficar envergonhada. E ela não ousou retornar, mas ela estava circulando. E a movimentação é o ir para lá e para cá.

E aquele arrogante tomou um poder da mãe dele. Porque ele era ignorante, pensando que não havia outro além da mãe dele. E quando ele viu a multidão dos anjos que ele havia criado, então ele se exaltou acima deles.

E quando a mãe reconheceu que a vestimenta da escuridão era imperfeita, aí ela soube que seu cônjuge não havia concordado. Ela se arrependeu com muito choro. E o pleroma inteiro escutou a oração do arrependimento dela, e em nome dela, eles solicitaram a bênção do Espírito puro invisível. Ele consentiu; e quando o Espírito invisível havia consentido, o Espírito sagrado, a partir do pleroma deles inteiro, derramou a bênção sobre ela. Porque não foi o cônjuge dela que veio, mas ele veio até ela pelo pleroma, para que ele pudesse corrigir a deficiência. E ela foi levada, não para o seu aeon, mas para um lugar mais elevado do que o filho dela, para que ela esteja no nono céu até que ela tenha corrigido sua deficiência.

E uma voz veio do aeon-céu sublime: ‘O Homem existe, e o filho do Homem também.’ E o chefe arconte Yaldabaoth ouviu isto, e achou que a voz tinha vindo da mãe dele. E ele não sabia de onde tinha vindo realmente: a Mãe-Pai perfeita e sagrada, a previsão completa, a imagem do invisível que é o Pai de tudo, e através do qual surgiu tudo, o Primeiro Homem. Porque ele revelou sua aparência numa forma humana.

E o universo inteiro do arconte chefe estremeceu, e os alicerces do abismo balançaram. E o fundo das águas que estão sobre a matéria foi iluminado pelo aparecimento da imagem Dele, que havia sido revelada. E quando todas as autoridades e o arconte chefe olharam, eles viram a região inteira do fundo que estava iluminada. E, através da luz, eles viram a forma da imagem na água.

E ele disse para as autoridades que o servem, ‘Venham, vamos criar um homem de acordo com a imagem de Deus e de acordo com a nossa forma, para que a imagem dele se torne uma luz para nós.’ E eles criaram, por meio de seus respectivos poderes, de acordo com as características que foram dadas. E cada autoridade forneceu uma característica nos moldes da imagem que eles tinham visto na forma natural. Eles criaram um ser segundo a aparência do Primeiro Homem perfeito. E eles disseram, ‘Vamos chamá-lo de Adão, para que o nome dele se torne um poder de luz para nós.’

E os poderes começaram: o primeiro, bondade, criou uma alma-osso; e o segundo, previsão, criou uma alma-nervo; o terceiro, divindade, criou uma alma-carne; e o quarto, senhoria, criou uma alma-medula; o quinto, reino, criou uma alma-sangue; o sexto, inveja, criou uma alma-pele, o sétimo, compreensão, criou uma alma-cabelo. E a multidão de anjos o ajudou, e eles receberam dos poderes as sete substâncias da forma natural para criar as proporções dos membros, a proporção do quadril, e o funcionamento correto do conjunto de cada uma das partes.

O primeiro começou a criar a cabeça. Eteraphaope-Abron criou a cabeça dele; Meniggesstroeth criou o cérebro; Asterechme (criou) o olho direito; Thaspomocha, o olho esquerdo; Yeronumos, a orelha direita; Bissoum, a orelha esquerda; Akioreim, o nariz; Banen-Ephroum, os lábios; Amen, os dentes; Ibikan, os molares; Basiliademe, as amídalas; Achcha, a úvula; Adaban, o pescoço; Chaaman, a vértebra; Dearcho, a garganta; Tebar, o ombro direito; […], o ombro esquerdo; Mniarcon, o cotovelo direito; […], o cotovelo esquerdo; Abitrion, a axila direita; Evanthen, a axila esquerda; Krys, a mão direita; Beluai, a mão esquerda; Treneu, os dedos da mão direita; Balbel, os dedos da mão esquerda; Kriman, as unhas dos dedos; Astrops, o seio direito; Barroph, o seio esquerdo; Baoum, a articulação do ombro direito; Ararim, a articulação do ombro esquerdo; Areche, a barriga; Phthave, o umbigo; Senaphim, o abdome; Arachethopi, as costelas da direita; Zabedo, as costelas da esquerda; Barias, o quadril direito; Phnouth o quadril esquerdo; Abenlenarchei, a medula; Chnoumeninorin, os ossos; Gesole, o estômago; Agromauna, o coração; Bano, os pulmões; Sostrapal, o fígado; Anesimalar, o baço; Thopithro, os intestinos; Biblo, os rins; Roeror, os nervos; Taphreo, a espinha do corpo; Ipouspoboba, as veias; Bineborin, as artérias; Atoimenpsephei, os seus são as respirações que estão em todos os membros; Entholleia, toda a carne; Bedouk, a nádega direita; Arabeei, o pênis; Eilo, os testículos; Sorma, os genitais; Gorma-Kaiochlabar, a coxa direita; Nebrith, a coxa esquerda; Pserem, os rins (músculos?) da perna direita; Asaklas, o rim (músculo) esquerdo; Ormaoth, a perna direita; Emenun, a perna esquerda; Knyx, a tíbia direita; Tupelon, a tíbia esquerda; Achiel, o joelho direito; Phnene, o joelho esquerdo; Phiouthrom, o pé direito; Boabel, os dedos do pé direito; Trachoun, o pé esquerdo; Phikna, os dedos do pé esquerdo; Miamai, as unhas dos pés; Labernioum – .

E aqueles que foram designados sobre todos estes são: Zathoth, Armas, Kalila, Jabel, (Sabaoth, Caim, Abel). E aqueles que são especialmente ativos nos membros (são) a cabeça Diolimodraza, o pescoço Yammeax, o ombro direito Yakouib, o ombro esquerdo Verton, a mão direita Oudidi, a mão esquerda Arbao, os dedos da mão direita Lampno, os dedos da mão esquerda Leekaphar, o seio direito Barbar, o seio esquerdo Imae, o peito Pisandriaptes, a articulação do ombro direito Koade, a articulação do ombro esquerdo Odeor, as costelas da direita Asphixix, as costelas da esquerda Synogchouta, a barriga Arouph, o útero Sabalo, a coxa direita Charcharb, a coxa esquerda Chthaon, todos os genitais Bathinoth, a perna direita Choux, a perna esquerda Charcha, a tíbia direita Aroer, a tíbia esquerda Toechtha, o joelho direito Aol, o joelho esquerdo Charaner, o pé direito Bastan, os dedos do pé direito Archentechtha, o pé esquerdo Marephnounth, os dedos do pé esquerdo Abrana.

Sete possuem poder sobre todos estes: Michael, Ouriel, Asmenedas, Saphasatoel, Aarmouriam, Richram, Amiorps. E aqueles que estão no comando dos sentidos (são) Archendekta; e aquele que está no comando das recepções é Deitharbathas; e aquele que está no comando da imaginação é Oummaa; e aquele que está sobre a composição é Aachiaram, e aquele que está sobre todo o impulso é Riaramnacho.

A origem dos quatro demônios que estão no corpo todo são: calor, frio, umidade e secura. E a mãe de todos eles é a matéria. Aquele que reina sobre o calor é Phloxopha; aquele que reina sobre o frio é Oroorrothos; aquele que reina sobre o que é seco é Erimacho; e aquele que reina sobre a umidade é Athuro. A mãe de todos estes, Onorthochrasaei, fica entre eles, já que ela é ilimitável, e ela se mistura com todos eles. E ela é verdadeiramente material, pois eles são nutridos por ela.

Os quatro chefes demônios são: Ephememphi, que pertence ao prazer, Yoko, que pertence ao desejo, Nenentophni, que pertence à tristeza, Blaomen, que pertence ao medo. E a mãe deles todos é Aesthesis-Ouch-Epi-Ptoe. E dos quatro demônios surgiram paixões. E da tristeza vieram: inveja, ciúmes, incômodo, aborrecimento, dor, insensibilidade, ansiedade, lamentação, etc. E do prazer surge muita perversidade, orgulho vazio, e coisas similares. Do desejo vem raiva, fúria, amargura, paixão amarga, insaciabilidade, e coisas similares. Do medo vem temor, adulação, agonia, e vergonha. Todas estas são como coisas úteis e também coisas más. No entanto, a percepção profunda do caráter verdadeiro delas é Anaro, que é a cabeça da alma material. Porque ela pertence aos sete sentidos, Ouch-Epi-Ptoe.

Este é o número dos anjos: juntos eles são 365. Eles todos trabalharam nisto até que, membro a membro, o corpo material e natural foi concluído. Agora há outros no comando das paixões restantes, os quais eu não mencionei a você. Mas se você quiser conhecê-los, está escrito no livro de Zoroaster (Zostrianos?). E todos os anjos e demônios trabalharam até que eles haviam construído o corpo natural. E o produto deles ficou completamente inativo e imóvel por um longo tempo.

E quando a mãe quis reaver o poder que ela havia dado ao arconte chefe, ela fez uma petição à Mãe-Pai do Todo, que é muitíssimo misericordioso. Ele enviou, por meio do decreto sagrado, as cinco luzes abaixo para o universo dos anjos e do arconte chefe. Eles o aconselharam que eles deveriam acionar o poder da mãe. E eles disseram para Yaldabaoth, ‘Assopre no rosto dele algo do seu espírito, e o corpo dele se erguerá.’ E ele soprou no rosto dele o espírito que é o poder da mãe dele, mas ele não sabia disto, pois ele existe na ignorância. E o poder da mãe saiu de Yaldabaoth e entrou no corpo natural, o qual eles haviam produzido segundo a imagem daquele que existe desde o início. O corpo se moveu e ganhou força, e era luminoso.

E naquele momento, os restantes dos poderes ficaram com ciúmes, porque ele havia surgido deles todos, e eles haviam dado poder ao homem, e a inteligência dele era maior do que a daqueles que o haviam criado. Maior do que a do arconte chefe. E quando eles reconheceram que ele era luminoso, que ele podia pensar melhor do que eles, e que ele estava livre da perversidade, eles o tomaram e o jogaram na região mais baixa de toda a matéria.

Mas O abençoado, a Mãe-Pai, O misericordioso e beneficente, teve misericórdia do poder da mãe que havia vindo do arconte chefe, pois eles (os arcontes) podiam ganhar força sobre o corpo natural e perceptível. E ele enviou, através do Espírito beneficente dele e de sua grande misericórdia, um ajudante para Adão, a Epinoia luminosa que surge dele, que se chama Vida. E ela auxilia a criação inteira, trabalhando com ele e o restaurando à sua totalidade. Ela o instrui sobre a descida da sua semente e sobre o caminho da ascensão, que é o caminho que ele veio para baixo. E a Epinoia luminosa estava escondida em Adão, para que os arcontes não a conhecessem, mas para que a Epinoia pudesse ser uma correção da deficiência da mãe.

E o homem veio por causa da sombra da luz que está nele. E o raciocínio dele era superior a todos aqueles que o haviam feito. Quando eles verificaram, eles viram que o raciocínio dele era superior. E eles consultaram a ordem inteira de arcontes e anjos. Eles pegaram fogo e terra e água e misturaram com os quatro ventos flamejantes. E eles os forjaram em conjunto, e causaram uma grande perturbação. E eles trouxeram ele (Adão) para dentro da sombra da morte, para que eles o formassem novamente pela terra, água, fogo, e o espírito que origina na matéria (o qual é a ignorância da escuridão e do desejo), e o espírito falsificado deles. Esta é a tumba do corpo recém-formado com a qual os ladrões haviam vestido o homem, o laço do esquecimento; e ele se tornou um homem mortal. Este é o primeiro que desceu, e a primeira separação. Mas a Epinoia da luz que estava dentro dele, ela é que iria despertar o raciocínio dele.

E os arcontes o pegaram e o colocaram no paraíso. E eles disseram para ele, ‘Coma sem se preocupar,’ pois a luxúria deles é amarga, e a beleza deles é depravada. A luxúria deles é enganação, e as árvores deles são ateísmo, a fruta deles é um veneno mortal, e a promessa deles é a morte. A árvore da vida deles, eles haviam colocado no centro do paraíso.

E eu irei ensinar a vocês qual é o mistério da vida deles, que é o plano que eles fizeram juntos, que é a aparência do espírito deles. A raiz desta árvore é amarga, e seus galhos são morte, sua sombra é ódio, e a enganação está em suas folhas. Sua florescência é o unguento do mal, e sua fruta é morte. Desejo é a sua semente, e ela germina em escuridão. A morada daqueles que provam dela é Hades, e a escuridão é o lugar de repouso deles.

Mas o que eles chamam de árvore da sabedoria do bem e do mal, que é a Epinoia da luz, eles ficaram na frente dela para que ele (Adão) não pudesse ver sua plenitude e reconhecer a nudez de sua infâmia. Mas fui eu quem propiciou que eles comessem.”

E eu falei para o salvador, “Senhor, não foi a serpente que ensinou Adão a comer?” O salvador sorriu e disse, “A serpente ensinou eles a comer da perversidade da procriação, do desejo sexual, e da destruição, para que Adão pudesse ser útil para ele. E Adão sabia que ele tinha sido desobediente ao arconte chefe, devido à luz da Epinoia que está dentro dele, a qual o fez mais correto no seu raciocínio do que o arconte chefe. E o arconte queria incitar o poder que ele mesmo tinha dado para Adão. E ele trouxe um esquecimento sobre Adão.”

E eu disse ao salvador, “O que é o esquecimento?” E ele disse “Não é como Moisés escreveu e como você ouviu. Porque ele disse no primeiro livro dele, ‘Ele o colocou para dormir’ (Gn 2:21), mas foi apenas na percepção dele. Pois ele também disse através do profeta, ‘Eu tornarei pesado os corações deles, para que eles não prestem atenção e não vejam’ (Is 6:10).

Então a Epinoia da luz se escondeu em Adão. E o arconte chefe queria tirá-la da costela dele. Mas a Epinoia da luz não pode ser agarrada. Embora a escuridão a perseguiu, ela não a pegou. E ele retirou uma parte do poder dele. E ele fez uma outra criatura, na forma de uma mulher, de acordo com a aparência da Epinoia que havia aparecido em Adão. E ele pegou a parte que ele havia tomado do poder do homem, e pôs na criatura fêmea, e não como Moisés falou, ‘ele pegou uma costela e fez a mulher.’

E Adão viu a mulher ao lado dele. E naquele momento a Epinoia luminosa apareceu, e ela removeu o véu que cobria a mente dele. E ele ficou sóbrio da embriaguez da escuridão. Ele reconheceu sua contraparte e disse, ‘Esta é de fato um pedaço de mim e possui a minha semelhança.’ O mistério disso é o seguinte: para adquirir a sua contraparte espiritual o homem deverá rejeitar a união carnal com as criaturas mortais, assim sua consciência despertará, e a partir do reino invisível ele receberá a sua cônjuge, então os dois serão um único ser. Pois os dignos receberão a sua ajudante, e eles deixarão os costumes dos seus pais e suas mães … (3 linhas ilegíveis)

E nossa irmã Sofia, é ela quem desceu em inocência para retificar a deficiência. Portanto, ela foi chamada Vida, porque é a mãe dos vivos, pela previsão da soberania do oitavo céu. E através dela, eles provaram da Sabedoria perfeita. Eu apareci na forma de uma águia na árvore da sabedoria, que é a Epinoia da previsão da luz pura, para que eu pudesse instruir e acordá-los para fora da profundeza do sono. Porque eles dois estavam em um estado decaído, e eles reconheceram sua nudez. A Epinoia apareceu para eles como luz; ela despertou o raciocínio deles.

E quando Yaldabaoth percebeu que eles se afastaram dele, ele amaldiçoou a sua terra. Ele encontrou a mulher quando ela estava se preparando para o marido dela. Ele entregou a mulher para que o homem fosse dono dela, porque ele não sabia o mistério que tinha se passado através do decreto sagrado. E eles estavam com medo de renegar Yaldabaoth. E ele demonstrou a seus anjos a ignorância que está dentro dele. Ele os expulsou (Adão e Eva) do paraíso, e os vestiu com escuridão lúgubre. E o arconte chefe viu a virgem que estava com Adão, e viu que a Epinoia luminosa de vida havia aparecido nela. E Yaldabaoth estava cheio de ignorância. Quando a previsão do Todo percebeu o que iria acontecer, ela enviou alguns assistentes, e eles removeram Vida Divina de Eva.

E o arconte chefe a seduziu, e ela gerou dois filhos; o primeiro e o segundo são Eloim e Yave. Eloim tem um rosto de urso, e Yave tem um rosto de gato. Um é justo e o outro é injusto. (Yave é justo, mas Eloim é injusto.) Ele colocou Yave no comando do fogo e do vento, e Eloim ele colocou no comando da água e da terra. E estes ele chamou de Caim e Abel, com a intenção de enganar.

Agora, até os dias de hoje, a prática sexual continuou devido ao arconte chefe. E ele incitou desejo de procriação naquela que pertence a Adão. E ele produziu as cópias dos corpos através da relação, e os inspirou com seu espírito falsificado.

Então Sabaoth colocou os dois arcontes no poder supremo, para que eles governassem sobre a tumba (corpo). E quando Adão reconheceu a aparência da sua própria previsão, ele gerou a aparência do filho do homem. Ele o chamou de Seth, de acordo com aquele da raça nos grandes aeons. Do mesmo modo, a mãe também enviou para baixo o espírito dela (que é a sua aparência), e uma cópia daqueles que estão no pleroma, pois ela preparou uma habitação para os aeons que desceram. E ele os fez beber beber da água do esquecimento, do arconte chefe, para que eles não saibam de onde eles vieram. Deste modo a semente permaneceu por um tempo, para que quando o Espírito vier dos aeons sagrados, o Espírito possa os erguer e curar a deficiência. Para que o pleroma inteiro se torne sagrado e perfeito novamente.

E eu disse para o salvador, “Senhor, então todas as almas serão trazidas com segurança para dentro da luz pura?” Ele respondeu e me disse, “Coisas grandiosas surgiram em sua mente, porque é difícil explicar elas para outros, exceto àqueles que são da raça inalterável. Aqueles em quem descerá o Espírito de vida, e com quem ele permanecer com o poder, eles serão salvos, e se tornarão perfeitos e dignos da grandeza. Eles serão purificados de toda a perversidade e envolvimentos com o mal naquele lugar. Então eles não têm outra preocupação senão a incorruptibilidade apenas, para a qual eles direcionam a atenção deles daqui por diante, sem medo, raiva, inveja, ciúmes, desejo, ou ganância por nada. Eles não são afetados por nada exceto apenas pelo estado de espírito na carne, a qual eles suportam enquanto esperam ansiosamente pela hora em que eles se encontrarão com os destinatários (do corpo). Estes então são dignos da vida eterna, incorruptível, e do chamado. Pois eles resistem a tudo e suportam tudo, para que eles possam terminar a boa luta e herdar a vida eterna.”

Eu disse a ele, “Senhor, as almas daqueles que não fizeram os trabalhos, mas aos quais o poder do Espírito desceu, eles serão rejeitados?” Ele respondeu e me disse, “Se o Espírito desceu sobre eles, de qualquer modo eles serão salvos, e eles se tornarão melhores. Pois o poder irá descer sobre todos os eleitos, porque sem ele ninguém consegue se manter puro. E após eles nascerem, então, quando o espírito de vida aumenta, e o poder vem e fortalece aquela alma, ninguém consegue desencaminhá-la com trabalhos do mal. Mas naqueles que o espírito falsificado descer, estes são compelidos por ele, e se desencaminham.”

E eu disse, “Senhor, aonde irão as almas destes quando eles tiverem saído da carne?” E ele sorriu e me disse, “A alma na qual o poder se tornar maior do que o espírito falsificado, é forte e ela escapa do mal, e através da intervenção do incorruptível, ela é salva, e é levada para cima, para o repouso dos aeons.”

E eu disse, “Senhor, aqueles que, pelo contrário, não souberam a quem eles pertencem, onde estarão as almas deles?” E ele me disse, “Nesses, o espírito desprezível ganhou força quando eles se desencaminharam. E ele atormenta a alma, e a atrai para os trabalhos do mal. Ele joga a alma no esquecimento. E após ela deixar o corpo, ela é entregue para as autoridades que vieram pelo arconte, e eles a prendem com correntes e a jogam na prisão novamente. Eles a acompanham até que ela se liberte do esquecimento e ganhe sabedoria. E se então ela se tornar perfeita, ela é salva.”

E eu disse, “Senhor, como a alma pode ficar menor e retornar para dentro da natureza da mãe dela, ou dentro do homem?” Então ele se alegrou quando eu perguntei isto, e me disse, “Realmente você é abençoado, porque você entendeu! Aquela alma é feita para seguir uma outra em quem está o Espírito de vida. Ela é salva através dele. Portanto, não é novamente jogada dentro de outra carne.”

E eu disse, “Senhor, aqueles que compreenderam, mas mesmo assim se desviaram, aonde irão as almas deles?” Então ele me disse, “Eles serão levados para aquele lugar onde os anjos da pobreza vão, o lugar onde não há arrependimento. E eles serão detidos para o dia em que serão torturados aqueles que blasfemaram o espírito, e eles serão punidos com punição eterna.”

E eu disse, “Senhor, de onde vem o espírito falsificado?” Então ele me disse, “A Mãe-Pai que é rica em misericórdia, o Espírito sagrado em todos os sentidos, Aquele que é misericordioso e que simpatiza com vocês, a Epinoia da previsão da luz, ela fortaleceu a descendência da raça perfeita, junto com seu raciocínio e a luz eterna do homem. Quando o arconte chefe percebeu que eles eram mais elevados do que ele – e eles superavam o raciocínio dele – ele então quis sabotar o raciocínio deles, sem saber que eles o superavam em raciocínio, e que ele não seria capaz de capturá-los.

Ele planejou com as autoridades que são seus poderes, e eles juntos cometeram adultério com Sofia, e a pobreza amarga foi gerada através deles. Esta é a principal forma de dominação. A necessidade varia de acordo com o lugar e a época. Ela é mais resistente e mais forte do que aquela com quem os deuses se uniram, e do que os anjos, e os demônios, e todas as gerações, até hoje. Porque através da necessidade veio cada ato imoral, e injustiça, blasfêmia, e a corrente do esquecimento e da ignorância, e cada ordem rígida, e ofensas graves, e grandes medos. Deste modo, a criação inteira foi aprisionada, para que eles não conhecessem o Deus Eterno, que está acima de todos eles. E por causa da corrente do esquecimento, as ofensas deles foram escondidas. Pois eles estão presos a medidas, e tempos, e momentos, já que a necessidade governa sobre tudo.

E o arconte chefe se arrependeu de tudo o que tinha surgido através dele. Desta vez ele planejou trazer um dilúvio sobre o trabalho do homem. Mas a grandiosidade da luz da previsão informou Noé, e ele proclamou para todos os descendentes que eram filhos dos humanos. Mas aqueles que eram estranhos a ele não deram ouvidos. Não foi como Moisés falou, ‘Eles se esconderam numa arca’ (Gn 7: 7), mas eles se esconderam num lugar, não apenas Noé, mas também muitas outras pessoas da raça inalterável. Eles entraram num lugar, e se esconderam numa nuvem luminosa. E Noé reconheceu sua autoridade, e aquela que pertence à luz estava com ele, tendo brilhado sobre eles, porque o arconte chefe havia trazido escuridão sobre toda a terra.

E o arconte planejou com seus poderes. Ele mandou seus anjos para as filhas dos homens, para que eles tomassem algumas delas para si mesmos e gerassem filhos para diversão própria. E primeiramente eles não conseguiram. Quando eles falharam, eles se reuniram novamente e fizeram um plano juntos. Eles criaram um espírito falsificado, que se parece com o Espírito que havia descido, com o intuito de poluir as almas através dele. E os anjos se transformaram de suas aparências para a aparência dos cônjuges delas (as filhas dos homens), preenchendo elas com o espírito da escuridão (que eles haviam misturado para si), e com o mal. Eles trouxeram ouro, prata, e um presente, e cobre, e ferro, e metal, e todos os tipos de coisas materiais. E eles conduziram as pessoas que os haviam seguido para grandes aborrecimentos, desencaminhando elas com muitas ilusões. Elas (as pessoas) envelheceram amarguradas, pois elas trabalharam incansavelmente até o fim de suas vidas e não encontraram o repouso. Elas morreram sem ter encontrado a verdade, e sem conhecer o Deus da verdade. E deste modo, a criação inteira foi escravizada para sempre, desde a fundação do mundo até agora. E eles tomaram mulheres, e geraram crianças, através da escuridão, com a aparência do espírito. E eles fecharam seus corações, e eles se endureceram pela rudeza do espírito falsificado, até hoje.

Eu, portanto, a Pronoia perfeita do todo, me transformei na minha semente, pois eu existia antes, caminhando por cada estrada. Porque eu sou a abundância da luz; Eu sou a lembrança do pleroma.

E eu entrei no reino da escuridão e resisti, até que cheguei ao centro da prisão. Os céus do caos estremeceram. E eu me escondi por causa da perversidade deles, e eles não me reconheceram.

Eu voltei novamente uma segunda vez, e prossegui. Eu vim daqueles que pertencem à luz, que sou eu, a lembrança da Pronoia. Eu entrei no meio da escuridão e dentro de Hades, já que eu buscava completar minha tarefa. E os céus do caos estremeceram, para que eles caíssem sobre aqueles que estão no caos e os destruíssem. E novamente eu corri para a minha raiz de luz, para que eles não fossem destruídos antes do tempo.

Ainda por uma terceira vez eu fui – eu sou a luz que existe na luz, eu sou a lembrança da Pronoia – para que eu pudesse entrar no centro da escuridão e no centro de Hades. E eu enchi meu rosto com a luz, contemplando o fim do universo deles. E eu entrei no meio da prisão, que é a prisão do corpo. E eu disse, ‘Aquele que escuta, que se levante do sono profundo.’ E ele chorou e derramou lágrimas. Lágrimas amargas ele derramou e disse, ‘Quem é que chama meu nome, e de onde veio esta esperança até mim, enquanto eu estou nas correntes da prisão?’ E eu disse, ‘Eu sou a pronoia da luz pura; eu sou o raciocínio do Espírito puro, que te elevou para o lugar digno. Se levante, e lembre que foi você quem ouviu. Siga sua raiz, que sou eu, o misericordioso, e se resguarde contra os anjos da pobreza, e os demônios do caos, e todos aqueles que te seduzem. Tenha cuidado com o sono profundo, e com a opressão de dentro de Hades.

Eu o ergui, e o selei com cinco selos na luz da água, para que a morte não tivesse poder sobre ele daqui por diante.

E veja, agora eu devo retornar para o aeon perfeito. Eu completei tudo para você em sua audição. E eu te disse tudo, para que você escreva e dê secretamente para seus espíritos companheiros, pois este é o mistério da raça inalterável.”

E o salvador apresentou estas coisas a ele, para que ele escrevesse e guardasse em segurança. E disse, “Amaldiçoados sejam todos aqueles que trocarão estas coisas por um presente, ou comida, ou bebida, ou roupas, ou qualquer outra coisa do tipo.” E estas são as coisas que ele apresentou a João em um mistério, e imediatamente ele desapareceu. E João foi até seus companheiros discípulos, e relatou a eles o que o salvador havia lhe contado.

Jesus Cristo, Amém.

Apócrifo de acordo com João.

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Fonte:

Apócrifo de João (versão longa). Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2015. <https://web.archive.org/web/20200220170351/http://misteriosantigos.50webs.com/apocrifo-de-joao.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocrifo-de-joao-versao-longa/

Evolucionismo, o Conto de Fadas de Darwin

Todos nós fomos presos em uma fábula sem saber. Todos vivemos um conto de fadas sem nos atentarmos a isso, acreditamos que ele seja real. Sempre que…

Ok, você já leu o título do artigo, na verdade clicou nele para chegar aqui, vamos deixar o melodrama introdutório de lado. Na verdade, ao contrário do que possa parecer, este texto não tem como objetivo mostrar como Darwin está errado, como seus seguidores levaram o naturalismo ao patamar de uma religião e como os evolucionistas querem dominar o mundo. Este texto está sendo escrito apenas para mostrar como Darwin e o Darwinismo não estão certos.

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOHHHHHHHH!

Breque sua mente agora. Antes que qualquer idéia de Deus não existe, Monstro do Espaguete Voador, Eles Vs Nós continue a se desenvolver. A genética é uma ciência séria e bem desenvolvida. Milhões e mais milhões de dinheiros são gastos a todo o instante com ela para provar. Existem centenas e milhares de terabytes de códigos genéticos armazenados em arquivos de computadores e graças a ela você pode dizer hoje que o seu segundo dedo do pé ser maior do que o seu dedão é uma lembrença de seus antepassados egípcios. Mas o que muitos se esquecem é que a genética é uma ferramenta, apenas isso, não uma verdade final e nem algo que nos ajude a descobrir algo sobre o surgimento da vida, que parece ser o uso que estão dando para ela nos dias de hoje, a genética e a biologia sendo usadas como forma de confirmar o evolucionismo, e isso é engraçado, já que não existem provas de que a evolução exista.

Agora acredito que podemos começar com o texto de fato, e assim sendo vamos começar estabelecendo uma base comum para podermos dialogar; vamos, por assim dizer, nos familiarizar com alguns termos e conceitos para tentar eliminar o máximo possível de futuros desentendimentos. Se você é um “cético-ateu-materialista” já devo ter ganhado seu ódio a essa altura do texto. Mas como você ainda está lendo, há esperança. Comporte-se e no final ganhará uma banana.

 

Religião Vs Ciência, o vencedor é…

 

Acredito que uma das maiores frustrações dos ateus brasileiros é não haver por aqui o fundamentalismo religioso que existe em outras partes do mundo (Especialmente nos países mais primitivos como Estados Unidos e Afeganistão). Nestes lugares a religião ou tem o posto de política ou faz parte do cerne político. Aqui no Brasil não. Claro que terá gente gritando “COMO NÃO? VOCÊ NÃO ASSISTE TELEVISÃO? NÃO LÊ JORNAL?”. Respondo que não, prefiro estragar meu cérebro com algo mais saudável, como fumar meio quilo de metanfetamina por dia, do que com nossa mídia privada[1], e então novamente respondo que mesmo tendo evangélicos se elegendo deputados, tendo a igreja pressionando leis anti-aborto, religiosos pedófilos e romarias a Nossa-Senhora Aparecida todo ano no aniversário de Aleister Crowley, nossa religião é como nosso carnaval, um bando de bundões pra cima e pra baixo. Eymael, o democrata cristão tenta se eleger ha décadas, ele até mudou o jingle de sua campanha agora. Mas o máximo que temos são religiosos que de vez em quando falam que homossexualismo é doença, que roubam sem parar aqueles que querem ser roubados e que fazem passeatas pela paulista. Por Deus, pare para pensar que neste país, a pessoa que se diz a encarnação de Jesus Cristo é um senhor que aparece na televisão jogando boliche e sinuca, ele não está construindo o maior Templo religioso do mundo, nem pedindo para enviarem dinheiro para ele. Se parar para ver ele inclusive fala mal do que hoje os ateus consideram ser o cristianismo.

Assim a igreja aqui é mulata, tem seus altos e baixos, mas como toda empresa que não quer perder sua fatia do mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem regiões conhecidas como Cinturões da Bíblia – Bible Belts – onde o protestantismo é levado a ferro e fogo. O filme Footloose aqui pode ser uma prova de que Kevin Bacon talvez dance melhor do que atue, lá isso é realidade. Aqui quando dizem que vão obrigar escolas a ter uma bíblia não se compara com o que acontece lá quando falam que vão tirar biologia do currículo escolar. Como no caso de Galileu, e mais para frente vamos voltar a isso, aqueles que de fato foram contra a sua idéia não foram os religiosos, foram os outros cientistas de sua época. Nos EUA, quando descem uma lei religiosa não é a igreja se impondo, são os cidadãos pedindo. Aqui uma playboy de uma bela mulher nua carregando um crucifixo pode deixar pessoas bravas, no Irã um livro sem imagens pode causar uma ordem política de morte do escritor. Nos EUA, em contra partida, as pessoas acham divertido queimar livros sagrados para mostrar como a religião está ultrapassada no melhor estilo nazista, Deus pode não existir para ficar bravo com eles, mas Hitler, se estivesse vivo, com certeza ficaria orgulhoso.

Desta forma, ser ateu no brasil é meio sem graça, da mesma forma que foi ser um hippie aqui nos anos 1960 e 1970, a tropicália podia ser boa, mas nunca foi um Woodstock. Hoje alguém dizer, por aqui, que é discriminado por ser ateu é um berro por atenção. E não digo isso da boca para fora. Já fui contratado em empresas grandes e tradicionais mesmo afirmando que era Satanista na entrevista de emprego. Se ateus sofrem discriminação, imaginem satanistas. Mas não aconteceu nada. É por isso que campanhas atéias em ônibus neste país nunca passarão de mera curiosidade. Assim, a primeira coisa que os ateus devem fazer é ter em mente que seu ateísmo deveria afetar apenas a si mesmos. Ser agressivos em relação à religião apenas torna uma crença que deveria ser arreligiosa em uma crença religiosa – “Minha fé é que Deus não existe”.

Por outro lado, religião não é catolicismo, cristianismo e islamismo. Os judeus se deram bem nessa porque uma pessoa que fale do judaísmo da mesma forma que se costumam falar de suas duas religiões irmãs é tachada de anti-semita e isso é muito feio hoje em dia. No Brasil de fato é pior ser anti-semita assumido do que ateu assumido, nessa os nazistas levaram a melhor, eles tem uma discriminação real em cima deles. A religião é simplesmente o meio que um indivíduo tem de se re ligar ao que considera sagrado. A própria palavra religião de deriva de religare.

Mas esse sagrado é Deus?

No caso dos Judeus, Cristãos, Mulçumanos, Rastafaris, Bahais, etc. sim. No caso do paganismo esse sagrado é uma mulher. No caso dos Satanistas esse sagrado é seu próprio ego satânico. No caso do Budismo é a iluminação interior. Para os Xintoistas são os antepassados, a natureza e várias deidades. No caso dos pitagóricos eram números, no caso de alguns é a música, de outros é a matemática. No caso do Morbitvs é aquela coisa que ele esconde naquela caixinha preta. Nem toda religião precisa de um Deus, e nem todo Deus é um senhor de barbas que fica bravo cada vez que você se masturba. Einsten disse certa vez que “todo aquele que está seriamente envolvido na busca da ciência se torna convencido de que um espírito está manifesto nas leis do universo, um espírito muito superior ao do homem, um espírito diante do qual nós, com nossos modestos poderes, devemos nos sentir humildes”.

Da mesma maneira que é fácil confundir religião com “Deus”, é fácil se confundir ciência com método científico. Enquanto o método científico é uma série de procedimentos pelo qual uma experiência é repetida na busca de um resultado – se depois de vários experimentos o resultado se repete então a experiência comprova ou desprova algo. O método científico necessita rigor, um rigor tão fundamental e sério que muitos cientistas acabam forjando resultados para conseguir comprovar idéias, conseguir fundos, ou mais fundos para suas pesquisas e fama. Neste aspecto cientistas não são diferentes de pastores evangélicos, independente de alguma coisa que queiram vender para os outros, também podem fazer de tudo para encher suas cuecas de dinheiro.

Já a ciência representa o conhecimento. Assim como religião se deriva de uma palavra latina, neste caso scientia. A ciência é o meio que um indivíduo tem de se ligar a uma fonte de conhecimento. E assim como os protestantes afirmam que os católicos são o diabo, que os mulçumanos juraram acabar com os infiéis cristãos e que todo mundo já tentou dar um fim ao judaísmo, as diferentes áreas da ciência adoram se atacar umas às outras. A alopatia desdenha a homeopatia, os físicos tiravam sarro de quem defendia que o universo era formado por cordas, os astrônomos gritam que ufologia é a maior fraude de todas e nenhum cientista sério leva os estudos parapsicológicos a sério. Para cada Aiatolá mulçumano que condena escritores à morte em nome da religião temos um doutor Menguele injetando tinta nos olhos de pessoas despertas em nome da ciência. Isso nos mostra que nem todo mundo sabe de fato o que é religião nem ciência, assustadoramente que nem aqueles que hoje representam a religião e a ciência parecem saber o que significa aquilo que representam.

Assim da mesma forma que é mister que se compreenda que a religião não está dentro de uma igreja e sim a igreja está dentro da religião, a ciência não está dentro de um laboratório, o laboratório está dentro da ciência. E já que Einstein foi citado uma vez, citê-mo-lo mais uma:

“Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega.”

Hoje um encontro dos mais estimados porta-vozes de ambos os lados não passa de um confronto de gente que não anda direito com gente que não sabe pra que lado deve xingar. Mas as coisas estão começando a mudar.

 

Evolucionismo Vs Criacionismo, o vencedor é…

Existe uma expressão muito interessante que, embora usada raramente em português, é bem popular nos países de língua inglesa: Cuidado para não jogar fora o bebê junto com a água do banho. O termo em inglês “Throw out the baby with the bath water” chegou a ser usado por Martin Luther em seus discursos, mas ele é ainda mais popular entre os alemães como Johannes Kepler, Johann Wolfgang von Goethe, Otto von Bismarck, Thomas Mann and Günter Grass já mostraram. A expressão deriva-se de um provérbio alemão “das Kind mit dem Bade ausschütten” e tem sua versão impressa mais antiga no livro Narrenbeschwörung de Thomas Murner, publicado em 1512. O livro de Murner traz uma ilustração de uma mãe jogando fora uma criança junto com a água suja do banho[2].

Essa expressão sugere que devemos nos livrar de erros onde algo bom é eliminado com algo supérfluo, ou pior: onde algo essencial é descartado enquanto o supérfluo é mantido. Ambas as sugestões se encaixam como uma luva aqui. A discussão de Evolucionismo Vs Criacionismo deixou o objetivo de tentar se chegar ao conhecimento sobre a vida (sua origem e seu desenvolvimento) e se tornou um braço de ferro para se provar se Deus existe ou não!

Novamente o Brasil ficou parcialmente de fora dessa discussão, que teve seu campo de batalha em solo estadunidense e se espalhou para as terras de sua antiga senhora, a Inglaterra tomando as dores da antiga colônia. Toda vez que esse assunto surge no Brasil ele é mostrado como um ignorante discutindo com um alucinado, esse assunto dificilmente encontra solo cultural para se desenvolver aqui, mas os religiosos-mirins e os pseudo-céticos adoram discuti-lo como se fosse a bolacha mais saborosa do pacote.

Na prática o que acontece é que nos EUA os religiosos e os cientistas entraram em guerra e se perderam nos detalhes, deixando o assunto principal para trás. O nome de Darwin é usado como exemplo de um herói, mesmo seu Darwinismo tendo sido revisado e corrigido até se tornar algo diverso do que ele havia proposto da mesma forma que Deus é evocado na esperança de lavar a terra dos pagãos com um novo dilúvio – ignorando que no capítulo da Bíblia que descreve como Ele criou a vida, Ele era retratado como uma presença física que fazia barulho quando caminhava e tinha uma presença real como a das árvores.

Tecnicamente o que ambas as teorias defendem são coisas diferentes. Uma defende que a vida não surgiu no planeta como resultado de acasos químicos e elétricos, a outra defende que a vida uma vez presente se adapta ao meio ambiente. Na verdade as duas poderiam se complementar, mas como todo mundo tem um lado racista esperando um motivo para brotar, os defensores de ambas as filosofias se atacam e consideram a existência do oponente um crime contra a própria fé.

Agora vejamos o centro da discussão:

“Hoje eu existo, e acesso a internet. Existem outros como eu que também acessam. Meu cão não acessa a internet nem tem diploma. Um macaco pode acessar a internet e jogar pac-man, mas ele fede mais do que eu e é mais peludo. Me convenço que existem criaturas inferiores a mim e como sou eu que estou pensando não admito nenhuma superior. De onde veio isso tudo?”

No início, milhares e milhares de anos atrás, as pessoas não possuíam a nossa tecnologia mas possuíam nossa curiosidade. Tentando explicar a vida diferentes povos chegavam a diferentes conclusões.

Os Antigos Egípcios diziam que no início havia apenas trevas e a água primordial Num, uma espécie de oceano, que continha todos os germes da vida. Surgiu então a forma suprema Khepera, que se criou a sim mesmo pronuncinado o próprio nome, Atum. Dele vieram o Ar Seco e o Ar Úmido, que deram origem ao céu e às águas, surgiram então a Terra Seca e o Céu. O mundo e a vida teriam surgido da união do céu com a terra.

Os Gregos diziam que no início havia o Caos, dele surgiu Ébero, a parte mais profunda do submundo, e Nyx a noite. Deles vieram o Ar e o Dia. Veio Gaia, a terra, que seria a base em que todas as coisas vivas tem sua origem. Urano, o céu, se casou com Gaia, a terra e deram origem a todas as criaturas.

O mito Abrahâmico diz que no princípio Deus criou o céu e a terra. A terra era sem forma e vazia e havia trevas sobre a face do abismo. O espírito de Deus se movia sobre as águas. Deus diz Faça-se a Luz e houve a luz. Então houve a separação das águas, criando o firmamento e os oceanos. Dos oceanos veio a terra seca. Da terra seca veio a vida.

Essas e incontáveis outras idéias pré século XVII acabam, em sua maioria, apontando para um princípio antes do princípio onde reinava o Caos, as Trevas, a Escuridão. De lá um princípio criador se fez, alguns o identificam com um princípio masculino, outros feminino, alguns como um casal e ainda aqueles que dizem que esse princípio era impessoal. Dai houve uma separação, as águas do céu e as águas da terra, e das águas da terra surgiram as porções de terreno seco. E da união do céu e da terra veio a vida.

Em alguns casos, antes do surgimento da matéria propriamente dita há uma explosão, um fogo insuportável, uma luz. E então tudo surge. Lembre-se que essas idéias tem sua origem há mais de 2000 anos atrás, quando espectrômetros, radares, medidores de microondas ainda não existiam – se vamos acreditar nos antropólogos e arqueólogos de plantão.

E então no século XX surge uma nova idéia que curiosamente se originou dos trabalhos de um padre católico. Em 1927 Georges Lemaitre, trabalhando com as equações de campo de Einstein chegou a algumas equações interessantes que mostravam que os desvios espectrais observados em nebulosas se deviam a uma expansão do universo. Se o universo estava se expandido algo devia ter acontecido, como uma grande explosão. Mas o que teria explodido? Um átomo primordial foi a resposta. Dois anos depois Edwin Hubble forneceu bases observacionais para a teoria de Lamaitre.

De acordo com a crença do Big-Bang, não há como se descrever o que havia antes, acredita-se que nem espaço nem tempo. Então algo explodiu, talvez uma uma concentração de matéria e energia extremamente densa e quente, e então essa explosão cria nuvens de matéria que se tornam densas. Se separam da matéria mais esparsa do universo formando estrelas e planetas. Os planetas se solidificam, e no caso da terra, assim que a massa gasosa se torna uma esfera sólida, ela se cobre de água e nuvens de vapor, com o tempo surge a terra seca desse oceano primevo e a vida surge no planeta. Hoje o Big-Bang evoluiu para novas teorias como a teoria que o nosso universo é criado quando duas membranas se chocam e energia vira energia + matéria e a história segue dai.

Todas essas histórias são ótimas para explicar o surgimento do universo, dos planetas e daquilo que nos cerca. Mas todas falham ao chegar no cerne da questão: o surgimento da vida!

O criacionismo, em sua pluralidade, afirma que a vida não brota do nada, ela precisa de um princípio criador para surgir.

O evolucionismo, proposto por Darwin, aponta que a vida evolui, mas não tem nada a ver com a origem da vida, a não ser em um aspecto distante e filosófico: se seres complexos evoluem de seres mais simples, qual teria sido o primeiro ser?

Assim os estudos científicos da origem da vida acabam envolvendo mais de uma área da ciência: química, biologia, física, astronomia e geologia. Grande parte dos evolucionistas acabam sendo os biólogos. Por algum motivo a ciência tropeçou na religião que tropeçou na ciência que tropeçou na religião e criou-se um debate que perdura hoje, principalmente nos EUA, praticamente por birra. Em teoria, enquanto o evolucionismo afirma que no momento em que a vida surge ela evolui, o criacionismo defende que um princípio criador é necessário para que se haja vida. Na prática o que acontece é que protestantes radicais ficam trocando insultos com ateus radicais e ninguém nunca chegará a lugar nenhum. Mancos tentando alcançar cegos que não sabem para que lado correr.

 

 

Surge a vida – e uma vaga idéia sobre mudança

 

Ninguém sabe como a vida surgiu. Para sermos sinceros ninguém sabe o que é a vida e como classificar um ser vivo. A vida em si é um conceito que admite mais de uma definição. Podemos dizer que vida é o período entre o nascimento e a morte de um organismo ou então aquilo que torna um ser vivo algo vivo. Mesmo na biologia há confusão, se considerando algo como “ser vivo” se esse algo demonstra pelo menos uma vez durante sua existência os seguintes fenômenos:

– Crescimento, produção de novas células;
– Metabolismo, consumo, transformação e armazenamento de energia e massa; crescimento por absorção e reorganização de massa; excreção de desperdício;
– Movimento, quer movimento próprio ou movimento interno;
– Reprodução, a capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria;
– Resposta a estímulos, a capacidade de avaliar as propriedades do ambiente que a rodeia e de agir em resposta a determinadas condições.

O problema com essas definições é que existem exemplos que as tornam insatisfatórias:

– Um fungo é um ser vivo

Se adicionarmos o requisito de limitação espacial, através da presença de alguma estrutura que delimite a extensão espacial do ser vivo, como por exemplo a membrana celular. O problema com isso é que surgem novos problemas na definição de indivíduo em organismos como a maioria dos fungos e certas plantas herbáceas.

– As estrelas são seres vivos

Por motivos semelhantes aos do fungo.

– O fogo é um ser vivo.

Por motivos semelhantes a estrelas. O fogo nasce, cresce, se reproduz assexuadamente, possui um metabolismo (oxida), tem movimento e responde a estímulos externos. Como um rato ou um rapper ele até mesmo morre se você tira seu ar. Na verdade em alguns momentos da história (como na Pérsia Antiga) as pessoas tinham até fogo de estimação.

– Vírus e afins não são seres vivos porque não crescem e não se conseguem reproduzir fora da célula hospedeira

Mas muitos parasitas externos, que são considerados seres vivos, levantam problemas semelhantes.

Assim não há como saber exatamente o que podemos considerar algo vivo e, assim sendo, não há como apontarmos se a vida pode se originar de matéria sem vida ou não. Mas do momento em que a vida surge ela passa a se comportar de uma maneira previsível, ou não.

O evolucionismo sugere apenas uma resposta para algumas perguntas interessantes: De onde viemos? Por que existe tanta variedade de coisas no mundo? Por que uma pessoa é tão diferente de um coelho, embora tenham tanto em comum?Tecnicamente tudo o que o evolucionismo afirma é que as espécies podem sofrer transformações ao longo do tempo. Ele é um conto de fadas como todos os outros que temos e até que tenhamos alguma evidência da origem da vida continuará assim. Para entender isso vamos mergulhar na história da evolução.

A teoria da evolução das espécies teve seu primeiro defensor em um senhor que ficou conhecido por suas longas barbas, sua cabeça calva e suas roupas exóticas. Ele viveu do outro lado do oceano no século VI antes de Cristo e se chamava Anaximandro. Em sua época ele defendeu que os organismos vivos se transformam gradualmente a partir da água graças à ação do calor até que se formam as formas mais complexas e que o Homem tem a sua origem em animais de outro tipo. Demócrito, outro grego clássico, defendeu no século V antes de Cristo que as formas de vida mais simples tinham origem no “lodo primordial”.

Essa idéia voltou a surgir mais de dois mil anos depois nos trabalhos de George-Louis Leclerc no século XVIII, que permitiram o surgimento da ideia de “Transformismo”, onde se admite que as diferentes espécies derivam uma das outras por degeneração num processo lento e progressivo, existindo espécies intermediárias até surgirem as formas atuais. Leclerc afirmava que as condições ambientais a que as espécies estavam sujeitas eram fundamentais ao processo de degeneração, criando a necessidade da noção de tempo geológico em suas idéias. Outro europeu do século XVIII que trabalhou com a idéia do transformismo foi Pierre Louis Maupertuis, que acreditava que as espécies resultavam de uma seleção provocada pelo meio ambiente resultando na infinidade de seres vivos existentes.

Ainda no século XVIII outra área da ciência surge para influenciar a visão da evolução da vida. Em 1778, James Hutton publica o livro Theory of the Earth, Teoria da Terra, um tratado sobre os fenômenos geológicos onde estabelece uma idade para a Terra, bastante superior àquela admitida até então, e defende que as forças naturais de hoje são as mesmas desde sempre, isto é, os fenômenos geológicos repetem-se ao longo da história da Terra. No século XIX Charles Lyell, um geólogo britânico, desenvolve o trabalho de Hutton concluindo que:

  • as leis naturais são constantes no espaço e no tempo;
  • a maioria das alterações geológicas dá-se de forma lenta e gradual.

O que Lyell fez foi lançar a idéia de que a natureza avançava, mudava, de forma gradual e assim, mesmo contra a sua vontade, sua teoria acabou servindo de mais combustível para a discussão sobre a evolução biológica.

E assim se abrem as portas para Lamark, Wallace e Darwin.

 

Surge Darwin

 

Charles Darwin nasceu em Shrewsbury, Inglaterra, em 12 de fevereiro de 1809, pertencente à proeminente e abastada família Darwin-Wedgwood e à elite intelectual da época. Desde jovem mostrou interesse por história natural, antes de se tornar um naturalista famoso atendeu a um curso de medicina, que abandonou por causa da brutalidade médica da época – e a um de teologia. Terminado o curso de Teologia Darwin não desejou ser ordenado imediatamente, desejando conhecer o mundo antes. Foi então que embarcou em sua famosa viagem de 5 anos a bordo do Beagle, as anotações e estudos que fez à época lhe trouxeram reconhecimento como geólogo e fama como escritor. As observações da natureza que coletou durante a vida, até então, ao estudo da diversificação das espécie.

Darwin tinha plena consciência de que outros antes dele haviam publicado idéias que sugeriam que a vida evoluia e se adaptava, e todos haviam sido punidos de forma severa por defender aquele tipo de idéia, por isso ele apenas compartilhou suas hipóteses com amigos próximos e continuou a desenvolver suas pesquisas tentando antecipar possíveis ataques de críticos a suas idéias. Em 1859 publica A Origem das Espécies, onde introduz a idéia de evolução a partir de um ancestral comum graças ao mecanismo da seleção natural. E então o mundo enlouqueceu.

Hoje muito se discute sobre a posição religiosa de Darwin, como ele pulou de um brilhante estudante de teologia para um ateu que não via mais sentido na bíblia ou em Deus. Supostamente seus estudos eram tão contundentes de que a vida não precisava de um Deus que isso acabou com a tolice que era sua religião. Outros dizem que com a morte de sua filha ele ficou recentido com um Criador capaz de algo tão mesquinho quanto a morte de uma criança inocente.

Tudo isso, é claro, é totalmente irrelevante para sua teoria da evolução. Se algo é verdade, não importa o mensageiro que distribui a mensagem, a mensagem é que se torna relevante. O que é de fato relevante é que Darwin tinha em mãos as ferramentas de sua época para realizar suas pesquisas, o que ele fazia como um cientista “bona fide”. Vejamos então no que consiste o trabalho que ele desenvolveu.

Darwin não criou uma teoria, ele trabalhou com várias. Suas teorias consistiam de sete hipóteses principais, sendo apenas duas e meia originais:

– Transmutação das Espécies

– Luta pela Sobrevivência

– Descendência Comum

– Especiação Biogeográfica

– Seleção Natural

– Seleção Sexual

– Hereditariedade – Uso e Desuso e Pangênesis

  • 1. Transmutacionismo (também chamado de Descendente Modificado por Darwin)Na Grécia antiga, se formulou a idéia de que espécies eram entidades fixas, imutáveis. Platão, observando as variações dentro das espécies, concluiu que estas eram imperfeições, e o imutável seria a essência do organismo, idêntica para todos membros de uma mesma espécie. Erasmus Darwin (o avô) escreveu alguns ensaios sobre suas teorias transformistas, que foram lidas por Charles Darwin na adolescência, sendo relembrados assim que teve sua primeira idéia de que as espécies pudessem se transformar em outras.

 

  • 2. Luta Pela ExistênciaEste aspecto abordado frequentemente na teoria de Darwin dizia respeito à competição inter e intra espécies. As primeiras idéias sobre o tema veio da leitura do ensaio de Malthus (1838), Principle of Population, onde se falava que em breve o mundo teria mais pessoas do que a quantidade de comida produzida. Se nascessem mais pessoas do que pudessem sobreviver, isto geraria uma alta competição na espécie humana.
  • 3. Descendência comum (ancestralidade)Lamarck apresentou sua teoria em 1809, na qual apareciam as primeiras idéias de origem das espécies, mas estas eram restritas a determinados grupos de animais e plantas, que no princípio eram derivados de diferentes eventos de geração espontânea. Richard Owen utilizou anatomia comparada e introduziu os princípios de Homologia e Analogia. Asas de patos e colibris seriam homólogas, mas no entanto as asas de morcegos e borboletas seriam análogas a estas primeiras. Von Baer publicou sua “Teoria da Recapitulação” em 1832 onde o desenvolvimento do embrião recapitulava os estágios anteriores das histórias das espécies. Então os arcos branquiais dos embriões de mamíferos seriam resquícios de sua vida aquática. Ernest Haeckel (após a publicação de Darwin) renovou a “Teoria da Recapitulação” dizendo estar esta totalmente de acordo com os princípios de Darwin, publicando a chamada Lei Biogenética – Ontogenia recapitula a Filogenia.Durante as viagens a bordo do Beagle, Darwin leu atentamente as obras do grande geologista e criacionista Charles Lyell. Incorporando a teoria do “uniformitarismo”, o qual a Terra estava em constante mudança, Darwin sincronizou a mudança geológica com a biológica, e passou a observar os fósseis como possíveis ancestrais dos organismos modernos.

 

  • 4. Especiação BiogeográficaAlguns precursores, tais como Bufon e Gmelin, hipotetizaram múltiplos centros de criação das espécies no mundo e estas eram produto das condições da região onde se originavam. Uma série de zoologistas da época de Darwin acreditava que as espécies se distribuíam a partir de um ponto de origem. Esta distribuição, quando interrompida por uma barreira geográfica, levou Darwin a propor um modo de especiação alopátrica. No entanto Darwin parecia dar mais peso aos modos de especiação simpátrica, sem necessidade de isolamento geográfico.Darwin, assim como Alfred Russel Wallace, utilizara-se de extensa informação advinda de suas coletas de material biológico de diferentes regiões: América do Sul e Galápagos durante a viagem do Beagle por Charles Darwin e na Amazônia e Arquipélago Malaio por A.R. Wallace. Os dois independentemente descobriram os princípios de especiação geográfica e seleção natural.
  • 5. Seleção naturalLamarck apontava duas causas para a mudança evolutiva: direcionamento à perfeição (progresso) e capacidade de adaptação do organismo (uso e desuso). A primeira parte foi inteiramente discordante da teoria de Darwin, mas a possibilidade de influência do ambiente na herança foi também evidenciada na obra de Darwin. Na verdade, os mecanismos de herança não eram conhecidos, e se imaginava que as chamadas gêmulas pudessem captar sinais do ambiente e transferi-los às próximas gerações.No entanto, Darwin atribuiu como causa principal de mudança evolutiva, a seleção natural, que se baseava na ação do ambiente sobre variações previamente existentes, geradas aleatoriamente. A seleção natural, parecida com a que Darwin publicara, foi abordada brevemente em alguns ensaios por Patrick Mathew, em 1831, e Charles Wells, em 1813, este último trabalhando sobre “raças” humanas. Darwin deu um sentido global, abrangente a todos os organismos, para o papel da Seleção Natural. Além disto, Darwin didaticamente, fez analogias entre os métodos de seleção artificial de animais domésticos e o princípio da seleção natural.
  • 6. Seleção sexualAparentemente não houve precursores a abordarem este tema, mas Darwin e Wallace exploraram bastante o tópico para explicar a plumagem diferencial de machos e fêmeas em alguns pássaros. No entanto, Wallace não concordava com Darwin a respeito da escolha da fêmea se relacionar com a plumagem mais colorida dos machos, e somente considerava que estas eram selecionadas assim para proporcionar camuflagem.
  • 7. HereditariedadeO princípio das gêmulas de Hipócrates foi reformulado por Darwin com a Pangênese para explicar o mecanismo de herança por mistura de caracteres que poderia envolver algum direcionamento ambiental, tal como Lamarck sugeria. No entanto a maior parte da variabilidade de acordo com Darwin teria uma origem alheia ao ambiente, sendo este apenas o fator direcionador de características relacionadas à adaptabilidade do indivíduo que foram geradas ao acaso.

A Herança por Mistura, uma crença comum na época, dizia que em geral os filhos herdavam caracteres que seriam a média daqueles dos pais. Deste modo a variabilidade ia se perdendo a cada geração como muitos argumentavam, e em contrapartida Darwin sugeria que talvez o ambiente fizesse com que novas variações aparecessem em alguns casos, aumentando a variação que era perdida pela mistura. No entanto esta variação seria ainda gerada ao acaso e não sendo para um determinado propósito como Lamarck sugeria.

Após a sétima edição do “Origem das espécies” a Pangênese recebeu maior ênfase, o que hoje é visto como resultado da perplexidade de Darwin em não conseguir explicar a hereditariedade e seu papel na Evolução, que apesar de ter sido explicada por Gregor Mendel em 1865, não foi reconhecida e divulgada até o ano de 1900. Para muitos, Darwin se tornou um pouco “Lamarckiano” com o passar dos anos. No entanto, apesar do desconhecimento de Darwin acerca da hereditariedade, os princípios evolutivos e o mecanismo de seleção natural se mostraram compatíveis com a moderna visão da genética, o que levou a uma fusão das duas que teve início em 1930, com estudos de genética das populações na chamada Síntese Evolutiva.

Dessas a Transmutação das Espécies já havia sido estudada por Lamarck e por Erasmus Darwin – o avô de Darwin – e já havia sido explorada nos escritos anti lamarck de Lyell. A Luta pela Sobrevivência já vinha sendo debatida desde a época de Heráclito, e já havia sido estudada e publicada em obras e inúmeros cientistas, como Malthus, contemporâneo e conhecido de Darwin. Já a  Descendência Comum, apesar de ter sido tratada por outros cientistas como von Baer, Owen e Maupertuis, foi usada pela primeira vez para sugerir a existência de um único ancestral por Darwin. Especiação Biogeográfica também já era um assunto conhecido, Wallace, Gmelin, von Buch eram alguns de seus estudiosos. A Seleção Natural foi um dos insights de Darwin, ela chegou a ser proposta de maneira independente por Wallace, e Wells já a havia discutido, mas nunca como um dos mecanismo que torna a evolução possível. A Seleção Sexual também já era discutida desde a antiguidade, mas foi com Lamark que se desenvolveu na época de Darwin. A Hereditariedade foi outra das inovações originais de Darwin.

Desde que começou a trabalhar em sua obra, nos momentos livres, Darwin temia publicar sua teoria. Não pelo fato de suas idéias serem bombásticas, mas temendo a crítica que poderiam receber. Em sua época ele não era o primeiro a se embrenhar com a origem do homem e das espécies mas todos aqueles que se arriscavam a publicar suas idéias eram duramente criticados, especialmente o trabalho de Jean-Baptiste Lamarck, que não penas haviam sido consistentemente rejeitadas pela comunidade científica britânica como também foram associadas à noção de radicalismo político. Outra publicação sobre o assunto, a “Vestígios da História Natural da Criação” – Vestiges of the Natural History of Creation- editada de forma anônima em 1844, foi novamente alvo de críticas, inclusive de muitos amigos e conhecidos de Darwin, e novamente associada a idéias de radicalismo político.

Antes de prosseguirmos é interessante notar que Darwin sempre foi uma pessoa extremamente fragilizada, alguns estudiosos, cínicos e não, chegaram a sugerir que fosse homossexual, como se homossexualismo fosse sinônimo de fragilidade. Independente de suas preferências eróticas, Darwin durante sua vida sofreu inúmeras crises de saúde, que o obrigavam a buscar tratamentos que às vezes duravam meses. Essa natureza também fazia com que ele buscasse evitar conflitos e atritos com as autoridades, eclesiásticas ou não. O tratamento que os “evolucionistas” de sua época vinham recebendo lhe dava a entender que nenhum cientista de reputação iria querer estar associado com tais ideias.

Em um de seus retiros para tratar a saúde em 1849 Darwin conheceu um jovem naturalista e livre pensador chamado Tomas Huxley. Huxely nos próximos anos teria um papel funcamental para a aceitação da Teoria da Evolução, não como pesquisador ou como biólogo, mas como defensor de Darwin.

Assim que Darwin começou a anunciar suas idéias, as mencionando em algumas resenhas que escrevia, ela atraiu pouca atenção. Muitos apenas a encaravam como mais uma dentre as várias teorias evolutivas independentes que existiam na época. Mas então a saúde da Darwin piora novamente e ele precisa de um novo retiro de 13 meses. Incentivado por amigos, Darwin escreveu um resumo de seu trabalho, que foi publicado por Lyell e Murray. Este primeiro livro, resumido, tinha o título de “Sobre a origem das espécies por meio de seleção natural” – On the Origin of Species by Means of Natural Selection – e assim que foi colocado à venda teve sua tiragem de 1250 cópias esgotada. Na época muitas pessoas associavam palavras como “evolução” com uma criação sem a participação de Deus, por isso Darwin tentou evitá-la sempre que possível. Outro cuidado que Darwin tomou foi o de escrever de forma um tanto sutil sobre a idéia de que os seres humanos, a não apenas os animais, deveriam evoluir.

Na mesma época, começavam a surgir outros trabalhos que também lidavam com a evolução da vida, como o escrito por Walace. Lyell então começou a pressionar Darwin para que publicasse logo sua teoria na íntegra. Em 1857 o próprio Wallace, ciente das teorias de Darwin e do projeto da publicação de suas idéias, perguntou ao naturalista se ele pretendia se aprofundar na questão das origens do homem, Darwin respondeu: “Eu acho que irei evitar completamente este assunto, uma vez que ele é rodeado de preconceitos, embora eu admita que este é o maior e mais interessante problema para um naturalista […] não há observações boas e originais sem especulação”.

Sua teoria, assim que publicada, deu início a uma controvérsia que foi acompanhada avidamente por Darwin. Apesar de ter sido extremamente cauteloso em teorizar qualquer coisa sobre a origem do homem, os críticos de sua obra foram rápidos em apontar as implicações que Darwin tentara deixar de fora: os seres humanos também evoluíam, e o homem deveria então ter o macaco como antepassado! Homens evoluíam dos macacos!

Houve críticas e resenhas favoráveis a Darwin e foi ai que suas amizades lhe prestaram o que talvez tenha sido seu maior e mais importante auxílio. Huxley, dentre todos, se tornou um defensor incansável de Darwin, servindo não apenas de entusiasta de sua teoria, mas também de escudo para os contra-ataques. O próprio Darwin não defendia suas ideias em público, se restringindo a fazer comentários através de cartas e correspondência, o “trabalho sujo” ficou a cargo de seu círculo central de amigos cientistas – Huxley, Hooker, Charles Lyell e Asa Gray – que colocavam seu trabalho em discussão nos palcos científico e públicos, defendendo-o de seus muitos críticos e ajudando-o a ganhar respeito.

Foi nesta época que começaram a surgir boatos de um debate acalorado entre Wilberforce, o bispo de Oxford, e huxley onde tendo sido questionado por Wilberforce se ele descendia de macacos por parte de pai ou de mãe, Huxley murmurou: “O Senhor o deixou em minhas mãos” e respondeu que “preferia ser descendente de um macaco que de um homem educado que usava sua cultura e eloquência a serviço do preconceito e da mentira”. Huxley dizia que preferia ser um macaco a um bispo.

A teoria de Darwin, que lhe valeu a medalha Copley da Royal Society em 1864, acabou com o tempo, eliminando a distinção que entre homem e animais. Contrário à sua vontade, sua teoria também foi usada como base para vários movimentos da época ajudando a criar e fortalecer inúmeros movimentos políticos, um dos maiores exemplos sendo o trabalho de Francis Galton, o primo de Darwin, que aplicou as idéias evolucionistas à sociedade, de forma a promover o conceito de “melhorias hereditárias”. Darwin concordava com Galton que “talento” e “genialidade” em humanos eram provavelmente herdados. Em 1883, depois da morte de Darwin, Galton começou a chamar a sua filosofia social de Eugenia, uma idéia que ganhou muitos admiradores na alemanha Nazista que não pouparam esforços para de alcançar a “pureza” racial.

 

Onde o Darwinismo Peca

 

Se o objetivo de Darwin era de fato criar uma ferramenta anti-religiosa ou não, não há como afirmar, talvez nem ele mesmo soubesse responder isso.

Como vimos há forte evidência de que a história da perda gradual de fé do velho britânico seja um pouco exagerada, que talvez desde o princípio a única preocupação de Darwin fosse apenas a resposta do meio científico e nunca tenha tido nada a ver com a igreja. Mas o fato é que hoje se os ateus fossem criar uma bandeira para o seu movimento – que eles juram não ser uma nova religião – provavelmente seria um triângulo com a foto de darwin no meio e um LIBERTAS QUAE SERA TAMÉN ao redor e um padre chorando fora do triângulo. O evolucionismo se tornou um dos argumentos contra a religião, a fé religiosa e, em última instância, contra a existência de Deus, e isso o transformou, ironicamente, em uma nova vaca sagrada, ou bezerro dourado, ou dogma se prefirir, tente não concordar com ele e automaticamente você receberá um rótulo e o que disser não será mais levado a sério, não importa o que seja.

Dizer que Darwin errou é apenas uma afirmação do óbvio. Darwin estava errado, independente da religião ou não religião de quem debate esta questão. Praticamente tudo o que ele escreveu foi reescrito nessas últimas décadas. Da mesma forma que Newton estava errado – a relatividade e a física quântica estão ai para provar isso. O argumento de Darwin apenas faz sentido no mesmo âmbito que o de Newton, para explicar superficialmente uma idéia a uma pessoa que não perderá tempo se aprofundando nela.

As idéias de Darwin sofreram mutações, em alguns casos foram substituídas por outras completamente diferentes e viraram o evolucionismo contemporâneo. Esse novo evolucionismo, como qualquer outra idéia tida por pessoas, é falho e cheio de lacunas, mas como ele calhou de se tornar uma arma anti-religiosa, essas falhas e lacunas são completamente ignoradas. Vamos nos atentar a algumas delas:

 

1- Evolucionismo não pode ser provado cientificamente

 

O evolucionismo como é defendido nos dias de hoje combina duas idéias diferentes: Variação e Mudanças em novas espécies. Uma dessas idéias é real e pode ser observada, a outra não.

Variação, que podemos chamar de micro evolução, é o que muda o formato e tamanho de bicos de pássaros, cores de penas, formato de asas, etc.

A variação acontece da seguinte forma: em seu material genético você tem a informação de como seu corpo irá se formar – dois braços, duas pernas, etc. Essa informação traz características principais e características que estão presentes mas que não serão impressas em você, são recessívas. Por exemplo a cor dos seus olhos. Uma pessoa de olhos azuis pode ter um filho de olhos castanhos, e essa criança pode, mesmo fazendo sexo com outra pessoa de olhos castanhos, ter uma criança de olhos claros. Existe uma variação possível na cor dos olhos.

Agora algo que o público em geral não tem muita idéia é que existem limites para essa variação. Biólogos sempre tentam aperfeiçoar animais, criar vacas que ocupam menos espaço e dão mais leite, abelhas que produzam um mel mais doce, aranhas com teias mais resistentes, etc. Uma coisa que todos esses biólogos sabem, graças à suas experiências, é que essa variação tem um limite. Se você tenta ir além desse limite começa a criar um bando de animais estéreis. Todo criador de animais e plantas sabe disso. Chega um momento que a manipulação cria um beco sem saída, onde os seres não poderão mais procriar e levar essas características adiante.

Um exemplo conhecidíssimo disso são as mariposas da Inglaterra. Séculos atrás as mariposas eram de uma coloração clara, mas com o advento da Revolução Industrial todo o meio ambiente foi bombardeado com grande emissão de poluentes e os troncos das árvores ficaram mais escuros. As mariposas podiam ser vistas mais facilmente, se tornando alvo fácil para predadores. Por causa disso, essa mudança no meio ambiente, as mariposas tiveram que evoluir para sobreviver e se tornaram mais escuras.

Esse é um dos estudos de caso dos evolucionistas para mostrar como a seleção natural acontece e como a evolução pode ser acompanhada e estudada. Mas essa conclusão é um erro, e um erro conhecido hoje em dia.

Com o desenvolvimento da genética, hoje podemos afirmar que qualquer mudança de característica em uma espécie só pode ocorrer se seu material genético o permitir, e essa mudança, essa variação, apenas ocorre nos limites permitidos pela carga genética do indivíduo. As mariposas não mudaram de cor, apenas começaram a nascer mariposas mais escuras dentre aquelas que tinham em seu DNA uma variação genética para a cor escura. Assim como continuaram a nascer mariposas claras, dentre aquelas cujo DNA ditava a cor clara. Mas eram todas mariposas, e da mesma espécie. Não houve o surgimento de uma nova espécie.

Suponha que Hitler houvesse vencido a II Guerra Mundial e que criasse programas de eugenia para todo o mundo. Depois de 100 anos a população de pessoas que não se enquadrassem em seu ideal ariano teriam sido exterminadas. O mundo seria como uma versão maior da Suécia, todos de pele clara e cabelos claros. Isso significa que o ser humano teria evoluído? Ou apenas que a nova leva de pessoas teria sido selecionada? Provavelmente de quando em quando nasceriam crianças de olhos escuros. Isso mostra uma seleção, mas não uma evolução.

E esse é um dos problemas. Nós temos como observar as micro evoluções – uma mudança dentro da própria espécie – mas não há como observar as macro evoluções.

O evolucionismo depende da idéia de que as espécies de hoje, todas elas em sua enorme variedade, se derivam de uma única origem. O homem e o macaco evoluíram de um mesmo ancestral, os pássaros evoluíram dos dinossauros (répteis), os répteis dos peixes, os peixes das algas e as algas das bactérias.

Só que isso não apenas não é observável como também não pode ser testado, e todas as experiências feitas para se procurar a macro evolução, o surgimento de uma nova espécie, deram resultados negativos.

Evolucionistas afirmam que nós não podemos observar a evolução acontecendo porque ela é muito lenta. Uma geração humana leva, em média, 20 anos para nascer e poder ter filhos. A crença evolucionista é que foram necessárias dezenas de milhares de gerações para que os humanos se tornassem uma raça diferente da dos outros símios. E mesmo então a população de novos seres era composta por algumas centenas ou milhares de indivíduos.

A idéia é simples: um ancestral X, através da evolução e da seleção natural teve descendentes que viraram macacos e descendentes que viraram nós. Duas espécies diferentes vindo de um mesmo indivíduo, depois de dezenas de milhares de gerações. De fato não temos como acompanhar esse tipo de evolução, mas podemos acompanhar outro tipo: o de bactérias.

Diferente de seres humanos um geração de bactérias leva de 12 minutos a 24 horas para crescer – dependendo da bactéria e do ambiente onde é criada. Hoje existem mais bactérias no mundo do que grãos de areia nas praias – a grande maioria desses grãos, inclusive, está coberto de bactérias.

Bactérias existem em praticamente qualquer ambiente, frio quente, seco, úmido, alta pressão, baixa pressão, pequenos grupos, colônias imensas, isoladas, onde há abundância de alimento, onde não há alimento, onde há oxigênio, não há oxigênio, em gases tóxicos, em químicos tóxicos, etc.

Existe hoje uma enorme variedade de bactérias catalogada. Existe também um número enorme de mutações – acreditasse hoje que quanto menor for o organismo maior a taxa de mutação. Mas nunca se ouviu falar de uma bactéria se transformando em algo diferente. Em um ano é possível se criar mais de 26.000 gerações de um grupo de bactérias e mesmo assim elas permanecem bactérias.

Moscas de fruta. Muito mais complexas do que bactérias, uma geração leva 9 dias para se desenvolver. Elas são testadas sob todas as condições imaginadas. Existem muitas variações de moscas de fruta. Existem muitas mutações. Mas elas nunca viram uma nova espécie. Elas permanecessem moscas de fruta.

Décadas de estudos em incontáveis gerações de moscas de frutas, bactérias e tudo mais o que você possa imaginar e a evolução nunca foi observada. Temos mudanças, mas não a evolução em novas espécies.

 

2- A Seleção Natural é um mecanismo anti-evolução

 

De acordo com os evolucionistas a evolução ocorre através de um mecanismo que foi batizado: seleção natural. A seleção natural explica que as características favoráveis que são hereditárias tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos que se reproduzem, e que características desfavoráveis que são hereditárias tornam-se menos comuns.

O primeiro problema ao lidarmos com seleção natural é que ela também não pode ser observada, apenas seus resultados. Como no caso das mariposas visto acima. A mudança no meio foi “artificial” – o aumento de poluentes sujando os troncos de árvore – e a seleção “favoreceu” os indivíduos escuros. Isso é o mesmo que depois de um terremoto dizermos que a evolução natural “favoreceu” os sobreviventes, ou que um meteoro que caiu na terra há milhões de anos matando quase toda a vida “favoreceu” o surgimento da raça humana.

Logo que Darwin concluiu seu texto sobre a evolução das espécies ele usou o termo a sobrevivência do mais apto – the survival of the fitest – para explicar como uma espécie nova evolui. O problema com isso é que não há como dizer quem é o mais apto. Seriam os indivíduos mais fortes, mais rápidos, mais ociosos, mais inteligentes, mais burros? Apenas podemos observar quem sobreviveu e dizer que eles foram os mais aptos, seja qual for o motivo. É como dizer que a seleção natural favorece o sobrevivente. A máxima de Darwin poderia ser alterada para A Sobrevivência do Sobrevivente.

Curiosamente a seleção natural, se a tomamos como algo ativo e não apenas uma constatação, vai contra a evolução. Ela seria a responsável pela sobrevivência dos seres em uma ambiente que muda – troncos ficam escuros as mariposas ficam escuras.

Agora, à medida que a seleção natural possibilita a predominância das características consideradas mais vantajosas ou superiores em um determinado meio, isso torna os indivíduos que variaram mais parecidos entre si e não mais diferentes. Um estudo recente inclusive diz que no futuro todas as pessoas do mundo serão brasileiras.

Assim podemos ver que em um meio onde a seleção natural opera ela funciona como uma força conservadora, evitando a diferenciação, já que qualquer diferença que não reflita a característica mais vantajosa, é prejudicial ao ser. A seleção natural preveniria o surgimento de novas espécies, isso porque seu mecanismo se mostra antagônico ao mecanismo proposto pela evolução.

Suponha que um réptil desenvolva asas. As asas só lhe seriam úteis, ou seja, ele apenas se beneficiaria das asas quando elas fossem práticas. Agora, asas não brotam prontas em uma espécie, elas teriam que evoluir ao longo do tempo. Só que nesse tempo entre começo de desenvolvimento e as asas serem minimamente utilizáveis, elas seriam prejudiciais. Por que a seleção natural iria favorecer um animal com um órgão em formação? Essa característica nova, essa asa em formação não apenas deixou de cumprir as funções da estrutura original como ainda não desempenha sua própria função, já que ainda está “evoluindo”.

Assim como poderíamos explicar a evolução de peixes em anfíbios, anfíbios em répteis e répteis em mamíferos e aves? Imagine um peixe que começa a desenvolver-se. A converter suas nadadeiras em patas. Nas primeiras gerações ele não conseguiria nadar tão bem quanto os outros peixes – que teriam suas nadadeiras evoluídas de forma mais vantajosa – nem conseguiriam se locomover, por suas patas estariam ainda rumo à forma mais vantajosa. A seleção acabaria eliminando esse peixe capenga.

 

3- Seres Imunes à Evolução

 

Os foraminíferos e radiolários são seres unicelulares, que tiveram sua presença confirmada em rochas sedimentárias datadas do período Pré-Cambriano e existem até os dias de hoje. Curiosamente, mesmo depois de tantos milênios eles permanecem animais unicelulares, não evoluíram para seres pluricelulares. Por que?

Esses animais não são o único mistério evolutivo, o elo perdido que liga os seres humanos aos macacos é fichinha se comparado ao elo perdido que liga bactérias unicelulares a seres pluricelulares. Não se sabe como seres pluricelulares simples começaram a desenvolver órgãos novos, como um núcleo protegido por membrana e todas as organelas celulares. O evolucionismo prega que houveram mutações que criaram esses novos seres, mas isso é complicado. Esses órgãos foram criados, não simples variações do que havia antes. Muitos estudiosos hoje afirmam que os novos seres não foram resultado de evolução e sim de simbiose. Um exemplo claro disso é a nossa mitocôndria, uma das organelas mais importantes de nossas células. Basicamente é ela que produz a energia da célula. E ninguém sabe de onde veio ou como surgiu, apenas que parece ser alienígena a nosso organismo e que no passado criou uma relação simbiótica e está ai até hoje. Todos temos hoje mitocôndrias, mas não a evoluímos.

Como vimos anteriormente, o estudo com milhares de bactérias não causou em nenhum momento o surgimento de uma nova forma de vida, apenas de bactérias diferentes. Como explicar a evolução de um ser unicelular em nós?

Além disso existem seres mais complexos que também não mostram sinais de evolução, como o celacanto.

O celacanto é um peixe que aparece em estratos geológicos com mais de 300 milhões de anos. Os registros fósseis mais recentes desse animal datam de 60 milhões de anos atrás. Pensava-se que era uma espécie extinta até que em 1938 vários espécimes vivos e saudáveis foram encontrados no Oceano Índico.

Temos então hoje um exemplo de um animal que possui mais de 300 milhões de anos de existência que, apesar das variações, não evoluiu. Durante esse tempo os evolucionistas afirmam que peixes se tornaram anfíbios, esses se tornaram répteis, que se tornaram mamíferos, mas o celacanto não se tornou nada, permaneceu um peixe. É como se a evolução ignorasse certas criaturas.

4- O Silêncio Paleontológico

A Paleontologia é o ramo da ciência que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os processos de integração da informação biológica no registro geológico, os fósseis.

O objeto imediato de estudo da Paleontologia são os fósseis, pois são eles que, na atualidade, encerram a informação sobre o passado geológico do planeta Terra, mas oo contrário do que se pode imaginar as grandes durações da história geológica e seu registro, ao invés de favorecer as especulações evolucionístas, fornecem objeções a elas.

Quando paramos para estudar a documentação fóssil existente hoje fica evidente uma sucessão hierárquica das formas de vida ao longo do tempo – quanto mais antigos os estratos fósseis, menos complexas são as espécies da escala biológica.

O evolucionismo olha para essa sucessão e deduz que então as formas mais complexas surgem das formas menos complexas.

Antes de prosseguirmos é interessante entender o porque disso. Toda a discussão que envolve a vida neste planeta tem como fundo a busca em responder a questão: de onde ela surgiu?

A terra é, supostamente, um sistema fechado. Não temos naves alienígenas, ou portais dimensionais se abrindo e jogando aqui novos tipos de seres de tempos em tempos. Pelo menos não de forma que possamos observar. Nós temos a vida que existe ao nosso redor e que podemos observar diretamente e registros, tanto fósseis quanto artificiais[3]. Agora o problema surge quando os registros mostram que em determinada época não havia determinada espécie de vida no planeta e logo depois ela surgiu. A lógica do evolucionismo é simples e direta: se antes não havia mastodontes e depois eles surgiram e não chegaram aqui em um disco voador vindo de vênus, eles devem ter sido criados aqui. Agora como eles foram criados? Não havia laboratórios de manipulação genética, não havia cientistas ou criadores que manipulassem as espécies, logo esse novo tipo de animal deve ter acontecido naturalmente. E como ele aconteceu? Se a teoria diz que a vida evolui de forma simples para mais complexas ele deve ter vindo de uma forma de vida mais simples!

Essa é uma idéia simples e bonita, mas nem tudo o que acontece vem de algo simples e bonito. Só estamos aqui porque os dinossauros foram varridos para fora do planeta por um evento, não porque somos o próximo passo evolutivo natural.

Mas então como uma nova espécie como o mastodonte surge? A tentação da evolução como causa é grande. Tão grande quanto a tentação da explicação de um Deus que resolveu criar um mastodonte para ver como ele seria.

O evolucionismo vê os registros de seres menos complexos para os mais complexos, e, depois de os enfileirar, enxerga um padrão evolutivo, como se eles indicassem um filão genealógico da primeira bactéria em uma ponta e a Michelle Pfifer na outra.

O problema com essa visão é: se uma ameba evoluiu ao longo da história genealógia, até se tornar um ser mais complexo, criando no processo uma vastidão de criaturas diferentes, haveria o registro das milhares de formas intermediárias do primeiro ser até os seres atuais, mas o que existem são milhares de lacunas, todas batizadas de “o elo perdido” entre espécies. Como vimos, não existe um experimento que mostre um ser eucarionte se tornando um ser procarionte, ou um ser unicelular se tornando um ser pluricelular. Cientificamente essa evolução não passa de uma hipótese não confirmada, não pode nem ser chamada de teoria, pelos padrões do próprio processo científico.

E o próprio Darwin sabia dessas lacunas, ele chegou a afirmar que essa descontinuidade no registro fóssil ““talvez fosse a objeção mais óbvia e mais séria” à sua teoria. Assim a confirmação da hipótese evolucionista ficou dependendo de se encontrarem esses elos perdidos. Dois séculos após o apelo de Darwin e nenhum foi encontrado.

Mas isso não significa que o registro de novas espécies não exista, ou que sua existência seja especulativa. Os fósseis dessas novidades existem, e em abundância, mas de uma forma curiosa.

No livro “Dopo Darwin. Critica all’ evoluzionismo”, o doutor G. Sermont, especialista em genética dos microorganismos, diretor da Escola Internacional de Genética Geral e professor da Universidade de Peruggia e R. Fondi, professor de paleontologia da Universidade de Siena, afirmam que:

“é se constrangido a reconhecer que os fósseis não dão mostras de fenômeno evolutivo nenhum… Cada vez que se estuda uma categoria qualquer de organismos e se acompanha sua história paleontológica… acaba-se sempre, mais cedo ou mais tarde, por encontrar uma repentina interrupção exatamente no ponto onde ‘segundo a hipótese evolucionista’ deveríamos ter a conexão genealógica com uma cepa progenitora mais primitiva. A partir do momento em que isso acontece, sempre e sistematicamente, este fato não pode ser interpretado como algo secundário, antes deve ser considerado como um fenômeno primordial da natureza.”

Isso porque sempre que vemos o aparecimento de novidades evolutivas, ou seja, o aparecimento de novos grupos de plantas e animais, isso ocorre como um estrondo, de forma abrupta. Não há evidências de que haja ligações entre esses novos grupos e seus antecessores. Até porque, em alguns casos, esses animais estão separados por grandes intervalos de até mais de 100 milhões de anos.

O exemplo mais gritante de descontinuidade no registro fóssil é o que encontramos na passagem do Pré-Cambriano (primeira era geológica), para o Cambriano. No primeiro encontramos uma certa variedade de microorganismos: bactérias, algas azuis etc. Já no Cambriano, repentinamente, o que surge é uma infinidade de invertebrados, muito complexos: ouriços-do-mar, crustáceos, medusas, moluscos… Esse fenômeno é tão extraordinário que ficou conhecido como “explosão cambriana”.

Susume Ohno, em seu livro “The Notion of the Cambrian Pananimalia Genome, afirma:

“Segue daí que 6 a 10 milhões de anos na escala de tempo evolutiva não é mais do que um piscar de olhos. A explosão cambriana, demonstrando o quase simultâneo aparecimento de virtualmente todos os animais no espaço de 6 a 10 milhões de anos não pode ser explicada por divergências de mutações em funções genéticas individuais.”

O próprio Richard Dawkins, ao tratar da “explosão cambriana” em seu livro “O Relojoeiro Cego” afirma que a fauna deste período:

“já está em estado avançado ou evoluído, no mesmo momento em que surge. É como se eles tivessem sido simplesmente plantados lá, sem qualquer histórico evolutivo”.

Pois bem, se a evolução fosse uma realidade, o surgimento dessa enorme variedade de espécies mais complexas do período Cambriano deveria imprescindivelmente estar precedida de uma série de formas de transição entre os seres unicelulares do Pré-Cambriano e os invertebrados do Cambriano. Nunca foi encontrado nada no registro fóssil. Esse é, aliás, um ponto que nenhum evolucionista ignora.

Isso nos levanta a primeira dúvida: onde estão os registros dos elos perdidos? Das seres intermediários? Por que não existem registros fósseis deles?

Outra questão interessante é: os organismos registrados de uma era, permanecem sempre os mesmos, desde quando surgem até se extinguirem. De fato apresentam variações, como já vimos, mas não mudanças que caracterizariam o início de uma mudança que acarretaria em uma nova espécie. Assim, mesmo que o fóssil de um animal mostre que ele possui características que pertençam a dois grupos diferentes de seres, ele não pode ser tratado como um elo perdido enquanto não surgirem os registros dos outros estágios intermediários de sua “evolução”.

Outro ponto que serve como peso contra a idéia da evolução é que sempre que surge um suposto elo perdido, ligando duas espécies, não se passa muito tempo antes que provem que esse elo era uma falsificação. Um dos mais recentes foi o caso do archeoraptor, a criatura que supostamente seria o elo perdido entre os dinossauros e as aves e que descobriram não passar de uma construção mal-feita de diferentes fósseis criado com o único intuito de dar “uma mãozinha a uma idéia que acreditam ser real”. O mesmo acontece sempre que surge um elo perdido entre primatas e humanos. Passa-se um tempo e se descobrem ser apenas uma montagem feita por alguém que queria por um motivo ou outro criar provas da evolução.

Essa inclusive é uma das questões mais perturbadoras levantadas pelo evolucionismo: de onde vem os humanos?

Existem inúmeras hipóteses, como a hipótese de que nos desenvolvemos na África e então nos debandamos de lá nos espalhando ao redor do mundo, tomando o lugar de outras espécies humanóides que porventura vivessem no lugar. Mas essa não é a única hipótese existente, existem outras que afirmam que na verdade os humanos modernos evoluíram de diferentes tipos arcaicos de humanóides ao redor do globo, que habitavam diferentes regiões.

Independente de nossa origem evolutiva, o evolucionismo não consegue explicar questões mais práticas, como por exemplo:

  • Por que nosso cérebro cresceu tanto?Evolutivamente isso seria um desperdício de energia – um órgão que possui apenas 2% da massa do corpo e consome mais de 20% de nossa energia. Isso seria um acidente de apenas uma espécie? Não existem outros com um cérebro como o nosso, se existe mesmo uma vantagem evolutiva em ter cérebros como os nossos, por que somos os únicos a te-los?
  • Por que andamos sobre duas pernas?Nossos ancestrais, de acordo com a teoria evolutiva, desenvolveram a postura erguida muito antes de desenvolver o cérebro diferenciado dos humanos, ou seja, começamos a andar como andamos hoje quando ainda não éramos diferentes de outros símios. Por que então nos tornar bípedes se todas as outras espécies se viravam e continuam se virando usando os quatro membros para se locomover?
  • O que aconteceu com os pêlos de nosso corpo?

Por que outros humanóides não votam para presidente hoje? Por que outras espécies de homo se extinguiram? Hoje temos diferentes espécies de cães, de pássaros, de peixes, de cetáceos, mas apenas uma espécie de humanos que sofrem variações regionais e culturais.

 

5- O problema das mutações

Tudo isso acaba levando o evolucionismo a buscar apoio em sua última grande cartada. As mutações!

Em muitos casos, afirmam, essas mudanças são o resultado de mutações genéticas. É curioso ver o papel que a mutação teve na cultura popular e pseudo científica através dos meios de cultura em massa a partir das décadas de 1940 e 1950. Os filmes, livros e quadrinhos de ficção científica da época mostravam criaturas e pessoas ganhando poderes extraordinários. Animais radioativos davam super-poderes àqueles que picavam ou mordiam, a radiação era usada para se criar híbridos horripilantes. Raios cósmicos transformavam pessoas comuns em seres com habilidades jamais vistas. Com o tempo, é claro, esses mitos foram negados pelos cientistas, mas servem para nos mostrar como a visão de mutação acaba nos dando a idéia errada dos rumos que a vida pode tomar.

Ao contrário do que muitos fãs de X-Men acreditam, mutações não costumam ser tão positivas. O problema é que o evolucionismo, apesar de saber disso, parece fingir que não sabe.

Vejamos como a crença nas mutações se comporta: 

Em raras ocasiões surge uma mutação no DNA de uma criatura – a mutação ocorre em indivíduos em uma primeiro momento e não em uma espécie. Essa mutação aumenta a habilidade dessa criatura de sobreviver, sendo assim é muito provável que ela seja passada adiante quando essa criatura se reproduzir. Essa seria então uma das ferramentas mais importantes – se não a única como vimos até agora – da evolução para se criar novas espécies.

E essa mutação poderia ser benéfica se ela ocorresse em apenas um gene e ele fosse o único e exclusivo responsável pela habilidade aumentada. O problema começa quando começamos a estudar genética. O corpo de qualquer criatura, por mais simples que seja, é construído de uma forma bem mais complexa do que essa. Não existe apenas um botão que controle apenas uma função do corpo, na verdade o corpo é muito mais intrincado do que isso, é necessário que todos os seus componentes estejam funcionando para que o todo esteja em ordem.

Além disso uma mutação não ocorre como forma de adaptação, ela é um processo completamente aleatório. Uma mutação é um erro de leitura de um DNA quando ele está sendo copiado. A mutação só acontece se a alteração no DNA modificar o organismo. Em geral esses erros não provocam nenhum resultado porque o código genético está engendrado de modo tão formidável, que torna neutras as mutações nocivas. Mas quando geram efeitos, eles são quase que sempre negativos, quando não o são acabam se revelando neutros.

Em seres humanos, por exemplo, existem mais de 6 mil doenças genéticas catalogadas como o melanoma maligno, a hemofilia, o alzheimer e anemia falciforme, para citar apenas quatro delas. Essas doenças – e grande parte das catalogadas – foram localizadas nos genes correspondentes. Desta forma as mutações acabam tento um peso negativo na “evolução” da vida.

Para que um novo ser surgisse seria necessário que ele fosse acometido de inúmeras mutações específicas de forma que nenhuma causasse algum traço degenerativo e que todas elas ocorressem pelo mero acaso. Isso é como o famoso exercício de colocar centenas de chimpanzés datilografando centenas de páginas aleatoriamente para depois de algum tempo ver que um deles havia criado uma peça de Sheakespeare.

Com efeito, não há registro de mutações benéficas e a possibilidade delas existirem é tão reduzida que pode ser descartada, ainda mais se pensarmos que milhares ou milhões delas deveriam acontecer cada vez que surge uma explosão com novas formas de vida. As experiências de T. Morgan com a mosca da fruta atestam isso. Ele nos mostrou que as mutações, em geral, mostram deterioração, desgaste ou desaparecimento geral de certos órgãos, nunca o surgimento de um órgão novo ou uma função/habilidade nova. A maioria das mutações provoca alterações em caracteres secundários tais como cor dos olhos e pelos, sendo que, quando provocavam maiores modificações, eram sempre letais. Os mutantes criados que poderiam ser comparados à mosca normal, no que diz respeito ao vigor são uma minoria e, mutantes que tenham sofrido um desenvolvimento realmente valioso na organização normal, em ambientes normais, são desconhecidos. Ou seja, houve mutações, várias delas, mas nenhuma foi passada adiante e a experiência acabou se chocando com os limites da variação permitida pelos genes.

 

E Por Que a Insistência?

 

Inúmeras respostas poderiam ser dadas tentando se explicar porque uma idéia acaba sendo adotada por um grupo como verdade a ponto de cegar o próprio grupo, mas na verdade a única que faz sentido é: porque as pessoas são humanas, e os humanos preferem estar juntos a estar certos.

Richard Dawkins escreveu no prefácio da edição de bolso de seu livro Deus um Delírio que:

“O verdadeiro cientista, por mais apaixonadamente que ‘acredite’ na evolução, sabe exatamente o que é necessário para fazê-lo mudar de opinião: evidências. Como disse J. B. S. Haldane, quando questionado sobre que tipo de evidência poderia contradizer a evolução: ‘Fósseis de coelho no Pré-cambriano’. Cunho aqui minha própria versão contrária ao manifesto de Kurt Wise: ‘Se todas as evidências do universo se voltarem a favor do criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, e mudarei de opinião imediatamente. Na atual situação, porém, todas as evidências disponíveis (e há uma quantidade enorme delas) sustentam a evolução. É por esse motivo, e apenas por esse motivo, que defendo a evolução com uma paixão comparável à paixão daqueles que a atacam. Minha paixão baseia-se nas evidências. A deles, que ignora as evidências, é verdadeiramente fundamentalista.”

Uma opinião muito sensata, mas curiosamente em uma sessão do livro cujo o objetivo não é analisar algo e sim atacar algo.

Desde o momento em que passou a ser usado como arma anti-religiosa, o evolucionismo acabou criando novos monstros, como as novas teorias de design inteligente e outras ainda mais esdrúxulas, e passou a atacar todas como se elas tivessem se originado na religião como forma de atacar a ciência. O Dr. Frankestein passou a ser perseguido pelo monstro que ele mesmo criou.

Nenhuma das duas hipóteses – criacionista e evolucionista – são verdades absolutas, deveriam parar de se comportar como candidatas a uma única vaga. É claro que uma filosofia não sai andando por conta própria na rua, ela precisa de hospedeiros humanos para poder crescer, se desenvolver e se multiplicar. É curioso notar como muito do material escrito hoje não busca desenvolver nenhuma das idéias que defende e sim tenta atacar a idéia alheia geralmente atacando as pessoas que a defende e não pontos fortes e fracos da própria hipótese. Dawkins afirmou que “Se todas as evidências do universo se voltarem a favor do criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, e mudarei de opinião imediatamente. Na atual situação, porém, todas as evidências disponíveis (e há uma quantidade enorme delas) sustentam a evolução. É por esse motivo, e apenas por esse motivo, que defendo a evolução com uma paixão comparável à paixão daqueles que a atacam. Minha paixão baseia-se nas evidências”, o problema começa justamente quando essas evidências começam a se manifestar, juntamente com a falta das evidências que deveriam haver.

Acredita-se hoje que a vida surgiu há 3,5 bilhões de anos, na forma de bactérias e pouco depois algas. Mariscos e Moluscos surgiram posteriormente, por volta de 500 milhões de anos. Mais alguns anos de evolução e surgiram peixes e logo depois anfíbios. Os répteis só apareceram no planeta a 360 milhões de anos, quando os dinossauros se espalharam pelo Planeta Terra. Seu domínio extende-se até aproximadamente 65 milhões de anos atrás, quando eles desapareceram repentina e misteriosamente. Os mamíferos, por sua vez, teriam surgido somente por volta de 3 milhões de anos atrás. A humanidade, como civilização, teria apenas 45 mil anos, segundo a Ciência da Arqueologia.

Mas… em 1882, prisioneiros da cadeia da cidade de Carson descobriram acidentalmente pegadas fossilizadas, com aproximadamente 55,88 centímetros cada uma. Logo surgiram outras descobertas no mesmo local. Todas as marcas identificadas eram de pés calçados, e datavam de 5 milhões de anos.

Em 26 de maio de 1910, foram descobertos alguns fósseis em um granito na região de Gravelbourg, Saskatchwan, no Canadá. Investigações de especialistas indicaram que o fóssil, um conjunto de pegadas humanas, teria vários milhões de anos de idade.

Em 1919, o cientista Wilhelm Freudenberg descobriu “possíveis pegadas humanas” impressas no começo do período Plioceno, entre 4 e 7 milhões de anos atrás. A descoberta ocorreu nas proximidades de Meuleken, na Antuérpia, Bélgica.

Em 1938, o geologista Wilbor G. Burroughs, anunciou ter descoberto dez pegadas humanas perfeitas, com cinco dedos semelhantes aos pés humanos atuais. Elas mediam 23,73×10,25 cm e foram encontradas ao norte de Mount Vernon, nos Estados Unidos. A descoberta dataria do período Carbonífero, cerca de 250 milhões de anos atrás. Pegadas semelhantes foram descobertas em Jackson County, e também nos Estados da Pensilvânia e Missouri, todos no Estados Unidos. Arqueologistas e geologistas estão divididos quanto à  origem destas pegadas. Em Mount Victória, também nos Estados Unidos, foram descobertas pegadas humanas gigantes medindo 59 x 18 cm, indicando um peso de 250 kg. As pegadas são reais. Não são fraudes ou marcas de erosão.

Em 1959, o cientista chinês, Dr. Tschu Myn Tschen e sua equipe (Tschau Ming Tschen/Chow Mingchen) descobriram uma pegada com idade estimada em 15 milhões de anos. Trata-se de uma marca produzida por um calçado com sola.

Em 3 de junho de 1968, William Meister e Francis Shape descobriram pegadas calçadas em Antelope Springs, próximo a Delta, no estado de Utah, (EUA). Elas mediam 32,5 x 11,25 cm. O interessante destas pegadas é que elas esmagaram um trilobite, no momento em que foram impressas, sendo que o trilobite está extinto a 240 milhões de anos!

Na primavera de 1983, uma expedição do Instituto de Geologia do Turcomenistão descobriu mais de 1500 pegadas de dinossauros na região sudeste da república. O chefe da expedição, Dr. Kurban Amanniyazov, declarou ao jornal Moscow News que “nós temos descoberto pegadas semelhantes à  pegadas humanas, mas até o momento falhamos em determinar, com metodologia cientifica, à  quem elas pertencem. É claro, se nós pudermos provar que elas pertencem à  um hominídio, isto causaria uma revolução na ciência humana. A humanidade vai ficar 150 milhões de anos mais velha”.

Em 1987, o paleontologista Jerry MacDonald descobriu várias pegadas fossilizadas de diferentes espécies de animais, incluindo seres humanos, em uma camada de rocha originada no período Siluriano, uma época entre 290 e 248 milhões de anos atrás.

Além dessas na localidade de Navalsaz, em Soria, na Espanha, mais de 500 pegadas de Tiranossaurus rex foram descobertas. Junto destas pegadas haviam pegadas humanas produzidas na mesma época em que o resto do conjunto de pegadas foram produzidas, a aproximadamente 70 milhões de anos atrás.

O paleontologista Dr. C.N. Dougherty descobriu possíveis pegadas humanas de aproximadamente 140 milhões de anos. Segundo a ciência nessa época, os dinossauros dominavam a Terra e o ser humano ainda não existia. A descoberta de Paluxy, se comprovada, poderia causar uma revolução na ciência pois ela seria a prova de que a humanidade seria muito mais antiga do que se supõe e teria coexistido com os dinossauros. Neste local encontram-se pegadas de aproximadamente 54 cm no seu eixo maior. Em 1986, o pesquisador Glen J. Kuban descobriu que as marcas de dedos presentes na pegada apresentam coloração diferente do resto das marcas. Isso sugere, segundo os cientistas, uma possível manipulação nas marcas. Na verdade esta é uma explicação simplista utilizada pelos cientistas para explicar aquilo que eles não podem explicar. Se houvesse manipulação nas marcas, a estranha coloração seria encontrada em todas as marcas impressas pelo pé humano, e não apenas na região dos dedos. Além disso, a pegada humana é mais profunda e estreita que a do dinossauro. Esta estranha coloração pode ser explicada pela presença de um rio nas proximidades que poderia lixiviar os sedimentos próximos à superfície da rocha.


Pegada Delk: foi descoberta em um afluente do Rio Paluxy, cerca de
meia milha rio acima dos limites do parque.  

Homens caminhando junto com dinossauros é algo ainda mais estranho, paleontologicamente se falando, do que coelhos no Cambriano, mas o evolucionismo se tornou tão arraigado e mecânico, que esse tipo de evidência quando surge é automaticamente descartada como fraude ou como ilusão. O que nos faz lembrar Nietzsche que nos avisava para nos acautelarmos quando lutássemos contra monstros, para que nãos nos tornássemos monstros também.

“Minha paixão baseia-se nas evidências. A deles, que ignora as evidências, é verdadeiramente fundamentalista.”

Notas:

[1] Lembre-se, ingênuo leitor ou leitora, vivemos em uma sociedade onde existe a privatização de imprensa e não a liberdade de imprensa. Só porque não há mais linhas pretas cobrindo textos nos jornais, como na época da ditadura, não quer dizer que sua informação não está sendo censurada ou adulterada. Vivemos em um mundo de ignorantes e esses ignorantes não são apenas aqueles que lêem jornais, mas a maioria dos que os escreve também.

[2] Tenha em mente que nossos costumes de higiene de hoje em dia não são os mesmos de séculos atrás, especialmente os europeus. Há uns 400 anos, por exemplo, o banho diário não era costume, e não haviam chuveiros e duchas. Semanalmente juntava-se uma quantidade de água numa grande bacia e toda a família tomava banho naquela água. Primeiro entrava o chefe da família seguido pelos homens, por idade, então era a vez das mulheres ordenadas também por idade e por último, caso houvesse, os bebês. Imagine então a situação da água no fim da semana, era costume se pegar a bacia e a virar para fora para mandar aquele líquido escuro rua a fora para tornar a enchê-la para a próxima semana.

[3] Existem muitas espécies hoje extintas que foram registradas por pessoas na época que existiam, o pássaro Dodô é um exemplo.

Lon Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/evolucionismo-o-conto-de-fadas-de-darwin/

Apocatástase: A salvação é obrigatória

Cada templo e religião alega saber quem está condenado ao inferno e quem vai para o céu. Na maioria das vezes a receita é muito simples, para o inferno vão todos aqueles que discordam de mim enquanto o céu é reservado para aqueles que dividem comigo as mesmas crenças. Muito diferente do que o próprio Jesus deixou que se registrasse em João 12;47-48; “Se alguém ouvir minhas palavras e não crer, eu não o julgo, pois, não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeitar, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado essa o julgará no último dia.” Este conceito simples é a essencia no Novo Testamento, e ele se traduz na boa notícia que é: Sabe o que você precisa fazer para ser salvo e viver uma vida abundante, tanto aqui quanto ao lado de Deus? ABSOLUTAMENTE NADA!

Quase a totalidade das igrejas na ânsia de angariar membros e dinheiro para seus clubes sociais, acabaram esquecendo-se de anunciar de modo suficientemente claro o fato de que não existem pré-requisitos para ganhar a graça de Deus. Não há nada que você possa fazer porque Jesus já fez todo o trabalho sujo para você.

Você pode ser um assassino, o pior dos criminosos, pode ter batido na mãe e quebrado cada um dos dez mandamentos e ainda assim irá para o céu, alcançará o paraíso e a eternidade na glória e alegria de Deus. A Apocatástase é o nome dado a restauração final de todas as coisas em sua unidade absoluta com Deus. A apocatástase representa a redenção e salvação final de todos os seres, inclusive os que habitam o inferno. É, assim, um evento posterior ao próprio apocalipse.

A apocatástase sintetiza o poder do Logos ou Verbo encarnado, ou seja, o próprio Cristo como poder redentor e salvador que não conhece limite algum.

Você duvida? Então vejamos alguns fatos muito claros na Biblia:

A – SOMOS TODOS UNS MERDAS. Segundo a Biblia TODOS os homens são pecadores. Romanos 3:23 diz “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” Essa mensagem de que todas as pessoas são pecadoras é amplamente repetida nas Escrituras, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Isso significa que você não é nada diferente de um estuprador e nada melhor do que é um pedófilo. Mas por favor, não entenda isso da maneira errada; isso não quer dizer que você não faz nada direito e que deveria estar apodrecendo em alguma cela nalgum lugar afastado, isso significa tão somente que ninguém no mundo, absolutamente NINGUÉM NO MUNDO, e isto inclui você, faz todo o bem que poderia fazer. Isso é um fato.

B – ESTAMOS NA MERDA. Já que somos todos imperfeitos não podemos nos salvar. Ninguém pode salvar a si mesmo, se você pensa o contrario além de ser um merda e estar na merda é burro! Jesus deixou esse fato bem claro em Mateus 5:48, quando disse: “Portanto, sede vós perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celeste.” Agora, se todos precisamos ser perfeitos aos olhos de Deus, como alguém poderá ir ao céu se a Bíblia declara diversas vezes que TODOS são pecadores? Quem em sã consciência se declara perfeito como Deus? A conseqüência disso é que não importa o quanto você reze, quanta caridade pratique, quantos rituais conheça ou quantas reuniões da sua igreja você assista. Aos olhos de Deus você continuará onde está agora. Talvez conheça mais gente e se ocupe nos fins de semana, mas continuará na mesma situação de imperfeição.

Basicamente os pontos A e B são um resumo do Antigo Testamento. Em outras palavras Deus nos deu uma infinidade de mandamentos que deveríamos seguir para sermos perfeitos a seus olhos, mas que ninguém consegue obedecer de fato. Mas se estamos na merda e somos uns merdas, quem poderá nos salvar? Como evitar o destino reservado para todos os pecadores? É ai que entra o segredo da Nova Aliança.

A Boa Notícia (e este é o significado literal da palavra “evangelho”) é que quando Jesus morreu na cruz ele pagou todos os nossos erros no nosso lugar. O evangelho é bem claro ao dizer que Jesus morreu como um sacrifício substituto pelos nossos pecados e que assim conquistou vida eterna no céu como um Dom Gratuito! (Romanos 5:8, Romanos 5:19, Timóteo 1:15, Timóteo 4:10, Lucas 2:11, Tito 3:3-7).

E ele fez isso por todos nós, este é o maior presente de Cristo para você. Você pode ser branco ou negro. Homem ou mulher. Judeu ou muçulmano. Isso vale para cristãos de qualquer uma das igrejas ou para criminosos de todas as espécies. Em Romanos 6:23 está escrito: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” E em João 4:42 lemos: “E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.”

O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (ITim 2,4). TODOS SE SALVEM. Esta é a vontade de Deus. Deus não quer que apenas os membros fiéis desta ou daquela seita sejam redimidos. Ele quer todo mundo. E tudo o que Deus quer ele consegue. Negar este fato é negar sua onipotência e sua própria condição como Criador e Senhor do Universo.

A vida eterna é um dom gratuito de Deus, por meio do sacrifício de Jesus na cruz. Você não pode comprar a vida eterna, e com certeza mesmo que pudesse não a mereceria – já que você é um merda – mas Deus, sabendo disso, a oferece DE GRAÇA. Em Efésios 2:8-9, Paulo reitera este ensinamento que a vida eterna com Deus é um dom gratuito para todos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se vanglorie.”

Este plano universal de salvação divide um espaço igualmente importante com os ensinamentos da ética revolucionária nos escritos dos apóstolos e é necessária uma boa dose de má-fe para negar os fatos. Em João 1:29 está escrito “‘Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado mundo!” Oras, em absolutamente todos os contextos a palavra “mundo” é usada para se referir a totalidade da existência, obviamente ‘mundo’ não significa apenas a palestina, os eleitos ou a igreja. Quando foi crucificado ele rasgou o veu do Templo, terminando assim com a distinção entre o Judaísmo e qualquer outra religião. Ao acabar com o Templo ele deixa claro que a salvação é para todos, em Romanos 5:10 está escrito: “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida”. Mais para frente o apóstolo usa a mesma palavra ao escreve: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho Únigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Então alguém pergunta: E se eu não crer?

Em Marcos 16:16 essa preocupação se reafirma: “Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer não será salvo.” Isso absolutamente não representa qualquer problema e em especial não deveria ser motivo de acusações entre os crentes de diferentes opiniões. Isso deixa apenas as pessoas com uma escolha em mãos, uma liberdade que por ser dada por Deus não pode ser retirada pelos caprichos desta ou daquela religião: você pode escolher receber esse dom gratuíto, que já lhe foi garantido, AGORA, pela fé ou pode esperar MORRER para recebê-lo. Ou seja, basta SABER DE FATO que já está salvo, isso não quer dizer ter fé no que igrejas e pastores e templos pregam, isto quer dizer já assumir que está salvo e ponto. Você não precisa de sinais, de confirmações de nada, Atos dos Apóstolos 16:31: “E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.” e Romanos 8:24: “Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará?”

Se não fosse isso como o amor de Deus poderia coexistir com as milhares de pessoas que nasceram e morreram antes de cristo ou aquelas que nasceram em outras religiões ou regiões sem a notícia da salvação ainda em vida? Simples assim! Você é livre para fazer o que quiser e acreditar no que quiser, mas se confiar sua vida a Jesus Cristo desde já, tomará imediatamente consciência de que está de fato salvo e que portanto você não é mais um servo de Deus, você se tornou seu filho ou filha. E como filho de Deus será herdeiro legítimo para tomar posse de todas as benção que Deus lhe tem reservado.

Em Efésios 2:encontramos: “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)”. Este é o poder da Fé. “Ora a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” – Hebreus 11:1. Agora surge o momento de falarmos de fé real, não a fé de plástico vendida em igrejas pela módica quantia de 10% do seu salário. Quando falamos em fé, não estamos falando do adesivo de para-choques “ora que melhora!”, estamos falando da fé de sermos redimos de quaisquer erro que tenhamos cometido ou que venhamos a cometer. Jesus nunca vendeu aspirinas para sanar nossas dores de cabeça, nem nunca nos vendeu um empréstimo com juros menores para pagarmos nosso carro ou quitarmos a dívida de nossa casa. Nós vivemos nossas vidas de acordo com nossos erros e acertos. Quando recebemos o dom do livre arbítrio com ele ganhamos a responsabilidade por nossos atos. O que fazemos com nossas vidas diz respeito a nós, tratar Jesus como um super-herói que nos salvará nos momentos de perigo ou Deus como um juiz de testes que iniciará a experiência sempre que der errado é um ainocência que beira a ignorância. A fé em Cristo não garante que passaremos no vestibular ou que encontraremos uma pessoa para passar o resto da vida ou mesmo que nossa empresa prosperará. A fé em Cristo não é uma certeza infundada de que na hora H nossos problemas serão resolvidos ou que alguém nos tirará da forca. Significa apenas que somos puros, limpos, que somos responsáveis por toda e qualquer coisa que façamos agora e que independente do que isso for, nós temos a graça de Deus: “Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” Romanos 5:9. Quem tem uma vida mesquinha tem preocupações mesquinhas. A Salvação é tudo, menos mesquinha.

A salvação de Deus através de Cristo nos ensina que podemos viver sem culpa. Pra que serve a culpa? Se sentir culpado é o mesmo que afirmar que Jesus não fez seu serviço direito, que sua morte foi meia boca: “apenas para o povo daquela época!” – Besteira, o dom de Deus é ETERNO, para todo o tempo e além do tempo.

Nenhum sacerdote, padre ou pastor poderá estar diante de Deus na eternidade e se vangloriar de ter “comprado” sua entrada no céu. Ao contrário, todas as pessoas no céu estarão ali somente porque Jesus obteve esse direito, com sua morte em nosso lugar na cruz. Em vez de punir os pecados individuais de cada pessoa, Deus acumulou esses pecados sobre Jesus (Isaías 53:2-12) quando ele estava sofrendo.

Por isso em João 3:17 o versículo se completa: “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”. E o mundo, meu amigo, inclui você – quer você queira ou não!

Tamosauskas


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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocatastase-a-salvacao-e-obrigatoria/

Geomancia, Runas e LOST

Postado originalmente no S&H,

10 Partiu, pois, Jacob de Berseba, e foi a Harä;
11 E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pós por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.
12 E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
13 E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaac; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência;
Genesis 28:10-13

Aproveitando o final da quinta temporada de LOST e seu enigmático personagem Jacob, o Teoria da Conspiração decidiu fazer um post especial sobre Oráculos. Para começarmos o texto, nada mais justo que explicarmos o simbolismo contido na Escada de Jacob e as bases para quase todas as Ordens Esotéricas Antigas (incluindo o próprio templo no qual o enigmático Jacob reside). A partir da estrutura do Templo, temos as bases dos primeiros Oráculos.

Jacob
A Bíblia nos relata que Jacob (ou Jacó, para os brasileiros), em sua viagem para Harã, precisou repousar e utilizou-se de uma pedra como travesseiro. Em seus sonhos, ele viu uma escada que avançava da Terra até o Reino dos Céus, e que os Anjos subiam e desciam através dela, levando e trazendo as mensagens até Deus.
Como sabemos que toda a Gênesis é simbólica e ocultista, cujos textos são alegorias para textos herméticos e iniciáticos relacionados com a Kabbalah, precisamos primeiro entender quem foi Jacó e qual sua importância para as principais religiões mundiais.
Jacó é neto de Abraão, filho de Isaac e irmão de Esaú. Jacó teve doze filhos e uma filha de suas duas mulheres, Léia e Raquel, e de suas duas concubinas, Bila e Zilpa. Ele foi o antepassado das doze tribos de Israel. Seus filhos são Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim e sua filha era Diná. As doze tribos de Israel tem relação direta com os Doze Signos do Zodíaco, mas isso é assunto para outra coluna.

A Escada de Jacó
A Escada de Jacob é uma alegoria para a estrutura completa da Árvore da Vida, entrelaçada em seus quatro mundos (Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah), formando uma complexa estrutura que se assemelha aos degraus de uma escada em espiral.
Os 72 anjos da Kabbalah, ou “Emanações do Nome de Deus” são os anjos que aparecem simbolicamente no sonho de Jacob, trazendo as perguntas e respostas dos magistas que utilizam-se deste sistema oracular. A Escada também simboliza a subida iniciática do Mundo Material até O Mundo Primordial.
Esta pedra usada por Jacob é tão importante esotericamente que até os dias de hoje, NENHUM soberano é coroado na Inglaterra se não estiver sentado sobre ela. A chamada “Stone of Scone” (atualmente localizada na abadia de Westminster) é usada desde tempos imemoriais, tendo registros anteriores ao século VIII de seu uso na coroação dos reis britânicos. Como eu já havia falado em outro Post, ela faz referência à pedra na qual a espada do Rei Arthur está cravada e serviu como um dos exemplos para os textos originais da lenda do rei (além, claro, do seu simbolismo tradicional como Malkuth e o ponto de partida para a Iniciação à Escada de Jacó).
A Escada passa pelos quatro mundos: o Mundo Material (representado pelo elemento Terra, pelo naipe de ouros e pela távola redonda), o Mundo Mental (representado pelo elemento ar, pelo naipe de Espadas e por excalibur), o Mundo Emocional (representado pelo elemento água, pelo naipe de copas e pelo Santo Graal) e finalmente pelo Mundo Espiritual (representado pelo elemento fogo, pelo naipe de paus e pelo Cajado de Merlin).

O Templo de Hermes-Toth
A partir da escada de Jacob, podemos estruturar os templos antigos segundo a própria Árvore da Vida. Como já discutimos em posts anteriores, a Construção dos Templos (e posteriormente das catedrais, igrejas templárias e finalmente templos maçônicos) reflete a Árvore da Vida.

A Geomancia
Suas origens remontam à África, embora tenham MUITAS semelhanças com o I-Ching chinês. O próprio Jesus Cristo (Yeshua) é retratado em diversos Apócrifos como tendo “escrito nas areias” antes de responder aos questionamentos de alguns homens que o procuravam. Como Essênio, é muito claro que ele era também um Mestre de Geomancia.
Não vou explicar os detalhes de como a Geomancia funciona. Quem quiser ler a respeito eu fiz um post específico sobre Geomancia no meu blog. Basicamente, consiste em se riscar traços na areia em um estado alterado de consciência e depois decodificar a mensagem recebida.
A Geomancia tradicional funciona com base na estrutura simbólica da Árvore de Jacob, ou seja, utiliza-se quatro níveis qu,e através da meditação, resultam em símbolos que podem ser codificados como “zeros” ou “uns”. A partir destas combinações temos desde (1-1-1-1 – Via) até (2-2-2-2 – Populus), cada um associado aos sete planetas tradicionais (mercúrio, vênus, marte, júpiter, saturno, lua e sol) e o dragão (cauda e cabeça) que representa a própria escada de Jacob. Cada planeta aparece em seu aspeco solar (yang) ou lunar (yin), totalizando 16 combinações possíveis.
Como a seqüência divinatória completa envolve também os quatro mundos (espiritual, emocional, mental e físico), temos um total de 16 x 4 = 64 combinações (curiosamente e “coincidentemente” o mesmo resultado dos trigramas do I-ching…). Mesma coisa, nomes diferentes…

Urim e Tumim
De acordo com a visão judaica, o Urim e Tumim remonta ao Sumo Sacerdote de Israel. A placa peitoral que utilizava era dobrada ao meio, formando um bolso onde ficava um pergaminho contendo o nome de Deus. Este nome fazia com que certas letras gravadas sobre as pedras preciosas acendessem de acordo com as questões perguntadas. Aquele que desejava uma resposta (apenas questões de relevância dentro da comunidade israelita poderiam ser perguntadas) ia ao sumo sacerdote . Este virava-se para a arca da aliança, e o inquiridor de pé atrás do Sumo-Sacerdote fazia a pergunta em voz baixa. O sumo sacerdote, olhando para as letras que se acendiam, era inspirado para decifrar a resposta de Deus. Estes utensílios foram utilizados até a destruição do Primeiro Templo, quando pararam de funcionar.
Geralmente os cristãos crêem que Urim e Tumim fossem duas pedras colocadas no peitoral do Sumo Sacerdote de Israel, contendo em uma face resposta positiva e em outro resposta negativa. Fazendo-se a pergunta, jogavam-se as pedras, e de acordo com os lados que caissem era confirmado uma resposta negativa, positiva ou sem resultados.
Alguns personagens bíblicos e, posteriormente, diversos rabinos, utilizavam-se de duas pedras, uma branca e uma negra, que ficavam em um saco especialmente preparado, para fazer as vezes de oráculo. Podemos encontrar diversas referências bíblicas a respeito deste antigo método oracular (Exodo 28:30, Levítico 8:8, Números 27:21, Deuteronômio 33:8, Samuel 28:6, Esdras 2:63 e Neemias 7:65).

As pedras brancas e negras faziam também o papel dos traços na areia, e por sua praticidade, começaram a ser usadas também como um auxílio à Geomancia. Ao invés de riscar os traços na areia, o consulente pegava em um saco pedras brancas ou negras e fazia as combinações necessárias (de maneira semelhante às moedas do I-ching).
Com a associação das letras e números do alfabeto hebraico (também chamada Gematria), os Pitagóricos e alguns Oráculos utilizavam ossos esculpidos para representar estas letras (que por sua vez também representavam planetas, signos e elementos, e todas as gazilhões de informação que cada elemento desses simboliza).

Os Dados e os Dominós
Muita gente se pergunta qual seria o elo de ligação entre o Urim e Tumim, as Runas e o Tarot. A resposta, por mais prosaica que pode parecer, sempre remete aos inocentes e singelos jogos (e nunca vamos nos esquecer dos vícios dos Jogos de Azar… “seres humanos, profanando tudo o que encontram pela frente desde 4.000 AC”). Dados como oráculos e utilizados como jogos de azar são registrados desde o Mahabharata até os Salmos (salmo 22:18, “repartem entre si minhas vestes, e sobre minha túnica lançam sortes”). Para substituir as duas pedras de Urim e Tumim, eram arremessados dois dados, numerados de 1 a 6. O número de combinações possíveis é de 21 (1-1, 1-2, 1-3, 1-4, 1-5, 1-6, 2-2, 2-3, 2-4, 2-5, 2-6 e assim por diante) totaliza 21 (com algumas jogadas com maiores possibilidades do que outras, os chamados “duplos”, entre eles o famigerado “Snake eyes”, equivalente ao arcano do Diabo).
Os dominós nada mais são do que estas 21 jogadas de dados colocadas lado a lado. Posteriormente, alguns jogos de dominó passaram a contar também com uma das casas vazias, para simular o lançamento de apenas um dado, elevando o total de possibilidades para 28.
Tudo o que restou desta transição nos baralhos modernos foi justamente as figuras da corte, que aparecem “divididas” ao meio, tal qual as peças de dominó.

As Runas
Das 16 pedras originais, os nórdicos desenvolveram a estrutura que ficou conhecida como “Elder Futhark”. As primeiras referências que temos do uso de runas datam de 150 DC. Composta de 24 letras, parcialmente adaptadas do alfabeto grego e do romano. Todo mundo pensa que runas eram exclusividades nórdicas, mas pouca gente sabe que existiam também jogos de runas baseadas no alfabeto Etrusco, composto de 20 símbolos. As runas, chamadas não por acaso de “folhas de Yggdrasil”, foram os segredos passados para Odin durante os nove dias que ficou espetado pela própria lança na “Árvore dos Mundos” (nove dias, nove esferas descontando Malkuth…)
Cada uma das 24 runas representa um Caminho dentro da Árvore da Vida, mais duas runas que representam Yesod e Malkuth. Além disso, cada conjunto de runas possui sua própria mitologia envolvendo diversos deuses nórdicos.
Os celtas tinham sua própria versão das runas, apesar de utilizarem-nas apenas por um curto período de tempo, quando os vikings invadiram a Irlanda, que usavam também para confeccionar talismãs. O problema é que as runas celtas eram tradicionalmente esculpidas em galhos cortados de macieiras, o que fez com que pouquíssimos exemplares ficassem preservados nos museus. Os nórdicos entalhavam suas runas em pedras, o que fez com que exemplares intactos chegassem até os dias de hoje.
A Magia prática rúnica se assemelha muito à magia ritualística cabalista, sendo (na minha opinião) mais simples para um magista iniciante de trabalhar.

Geomancia, Gematria e Tarock
No Egito, especialmente Alexandria, estava o berço dos Illuminati e os maiores avanços esotéricos e científicos. Quando os Mamelucos tomaram o controle daquela região (vamos ver isso mais em detalhes quando eu chegar nas Cruzadas), eles tomaram muitos dos conhecimentos dos Sufis (os místicos islâmicos), especialmente seus conhecimentos de Astrologia e Oráculos (que já vinham sendo desenvolvidos desde o século XI, com al-Ghazali). Este conhecimento passou posteriormente para os Templários, Cátaros e Rosacruzes.
Da combinação da Gematria (as 22 letras e números do alfabeto hebraico) somados ao conceito dos 4 Mundos (que eram representados simbolicamente pelos 4 elementos, como já vimos anteriormente) e as dez esferas, temos as primeiras impressões de um oráculo que era chamado de “Tarock Mamluk”. Os protótipos dos primeiros conjuntos de Tarot.
O primeiro registro a respeito de um deck de tarot consta de 1376, em Bern, na Suíça (justamente os católicos banindo qualquer tipo de “adivinhações” da cidade). Os decks mais antigos que se tem exemplares são os Visconti-Sforza (produzido por volta de 1450-1490 e já com os tradicionais 78 Arcanos, embora nenhum museu do mundo tenha mais do que trinta deles em sua coleção), da família de ocultistas italianos que foram patronos de ninguém menos que o Grão Mestre Leonardo daVinci (1452-1519); o tarot de Visconti de Modrone (produzido por volta de 1466) e o Brera-Brambilla, confeccionado por Francesco Sforza em 1463 (Francesco Sforza foi mencionado no “Príncipe”, de Maquiavel e serviu como modelo para uma das mais famosas estátuas do Leonardo DaVinci).

O Tarot de Marselha
Ao contrário da crença popular, o “Tarot de Marselha” não faz parte da primeira leva de tarots que apareceram no ocidente nos séculos XIV e XV. Seu nome origina-se no capítulo XI do livro “O Tarot dos Boêmios” em 1889, escrito por ninguém menos que o dr. Gerard Encausse (Papus) e baseado nos tarots de Noblet (1650) e Dodal (1701). Uma das características principais deste tarot é conter a Papisa Joana no lugar da Sacerdotisa.
E do século XVIII até o dia de hoje, milhares de tipos diferentes de tarot foram criados. Uns bons, a imensa maioria cópia ou plágio dos tradicionais e um monte de porcaria… mas isso é assunto para uma coluna só de tarot, e voltarei a abordar este tema quando chegarmos à Arthur Waite, Aleister Crowley e a Golden Dawn.

#Geomancia #Runas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/geomancia-runas-e-lost

Apocalipse NOW: o último round 

O livro do apocalipse é o último livro da bíblia. Foi também o último a ser escrito sendo praticamente uma cena pós-créditos do ministério de Cristo. Sua autoria é disputada mas é tradicionalmente atribuída ao apóstolo João, que agora, nos últimos anos do primeiro século, era um idoso preso na ilha de Patmos. 

É sem dúvida a parte mais controversa das escrituras e deu origem a mais teorias da conspiração do que todos os presidentes dos Estados Unidos juntos. O contexto histórico precisa ser entendido pois o final do espetáculo que foi os primeiros cem anos do cristianismo nada parecia muito promissor. Jerusalém e Roma foram atacadas. Diocleciano agora estendia a perseguição para todos os cantos do império. Ser cristão era ilegal para o Estado e imoral para a maior parte das pessoas. 

Criatividade x Censura

Diante desta situação João escreveu usando um estilo de texto chamado apocalíptico. É um tipo de redação criado para ter grande circulação, mas que possa ser lido por poucos usando imagens que não comprometam aqueles flagrados em sua posse. Para isso se usa ilustrações e formas cifradas para dizer algo que os opressores não compreenderão, mas os oprimidos entenderão de cara. Outra característica dos apocalipses é que há sempre uma mensagem central de esperança e libertação. Como disse um famoso autor de apocalipse brasileiro “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.”

Não se trata de nenhuma novidade. Este gênero literário existe entre os judeus desde o cativeiro da babilônia – o mais famoso é o Livro de Daniel – e ganhou força durante o período dos Macabeus. Os textos apocalípticos sempre surgem em períodos de ferocidade e perseguição. São textos ao mesmo tempo datados e eternos. Datados, pois o sentido óbvio se perde com os anos e eternos pois sempre existe alguém perseguindo alguém.

Para a maioria dos cristãos, o Apocalipse de São João tem ainda um terceiro nível de leitura: o escatológico. Ele não fala apenas da perseguição romana contra os cristãos do primeiro século ou das opressões em geral da humanidade, mas também de uma batalha espiritual que permeia a história como um todo. Uma batalha que quando terminar, não haverá mais calendários.

O Conteúdo da Revelação

As primeiras partes do Apocalipse são cartas direcionadas às sete igrejas da ásia menor e que estavam enfrentando uma oposição maior das autoridades. Cada comunidade é elogiada e aconselhada segundo seus méritos e defeitos de forma  que qualquer igreja hoje consegue se enxergar em pelo menos alguma passagem do texto.

E então repentinamente João é arrebatado e tem uma visão de Deus que entrega um pergaminho com sete selos para Jesus Cristo. Os quatro primeiros são retirados e suas naturezas são reveladas na forma dos famosos cavaleiros do apocalipse: guerra, fome, doença e morte. Quando o quinto é aberto ele mostra todos os mártires que estão no céu.  O sexto selo revela uma avalanche de imagens. Terremotos, estrelas caindo, o céu se enrolando como um pergaminho e uma multidão adorando a Deus e ao Cordeiro diante do trono.  

O sétimo selo inicia os juízos de Deus que são lançados por meio de sete anjos com trombetas. Chuva de pedras, montanhas de fogo, o sol e a lua se apagando, gafanhotos e um exército de guerreiros a cavalo. Há então uma pausa e João é ordenado a comer um livrinho e a medir o templo de Deus. Sim, comer um livrinho. Finalmente soa a sétima trombeta. De um lado está Satanás e do outro Jesus Cristo, no meio do ringue três anjos levantando a placa de último round. Atrás destes anjos há mais sete que derramam taças com os juízos de Deus sobre a terra. Um deles declara a vitória contra a “grande prostituta” chamada Babilônia.

A última parte do apocalipse é como um daqueles filmes que mostram o que acontece com os personagens depois que a história acabou. Satanás é aprisionado por mil anos, os mortos são julgados segundo suas obras e uma nova Terra e um novo Céu é criado com uma nova Jerusalém, onde não haverá mais maldição e Deus e o Cordeiro terão seu trono.

Os últimos dias, um século de cada vez

Esta forma misteriosa de escrever  faz com que o apocalipse chama sempre atenção continuamente pelos séculos. Cada época acreditou ver em seus acontecimentos a conclusão de todas as coisas. E todas são ridicularizadas pelas gerações seguintes que por sua vez tem certeza que não vão errar desta vez.  Estamos sempre em um momento muito especial da história da humanidade. Fazer isso é como interpretar as centúrias de Nostradamus como sendo o jornal da manhã.

A besta do apocalipse é César, Genghis Khan, Napoleão, Hitler. No pior dos casos são os extraterrestres. O apocalipse é uma mensagem de esperança universal, mas usá-lo para entender a geopolítica deste ou daquele século ou para escrever ficção científica é uma receita comprovada para o ridículo. Vivemos em média 80 anos mas cada geração se acha especial o suficiente para testemunhar o fim do mundo.  

Talvez imagens como um terremoto definitivo e o Sol se apagando sejam indícios de que em algum momento os céus e a terra – e até o espaço e o tempo terão cumprido seu propósito. Se assim for o Dia do Julgamento não virá com uma vitória política da igreja ou o estabelecimento de uma utopia cristã, mas quando os dias não forem mais seguidos de noite. O apocalipse de São João não é um horóscopo do que acontecerá com os líderes mundiais, é uma profecia do que vai acontecer com todos nós. É um esforço em deixar no último testamento do primeiro século a mais importante das mensagens: vamos ver Jesus outra vez.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocalipse-o-ultimo-round/

A Natureza da Consciência (parte-3)

Alan Watts

Na sessão de ontem à noite, eu estava discutindo um mito alternativo aos modelos Cerâmicos e Totalmente Automáticos do universo, que chamarei de Mito Dramático. A ideia de que a vida como a experimentamos é um grande ato, e que por trás desse grande ato está o jogador, e o jogador, ou o eu, como é chamado na filosofia hindu, o atman, é você. Só você está brincando de esconde-esconde, pois esse é o jogo essencial que está acontecendo. O jogo dos jogos. A base de todos os jogos, o esconde-esconde. E como você está brincando de esconde-esconde, você está deliberadamente, embora não possa admitir isso – ou não queira admitir – você está deliberadamente esquecendo quem você realmente é, ou o que você realmente é. E o conhecimento de que seu eu essencial é o fundamento do universo, o ‘fundo do ser’ como Tillich o chama, é algo que você tem que os alemães chamam de hintengedanka. Hintengedanka é o pensamento bem, bem , bem,bem bem no fundo da sua mente. Algo que você conhece no fundo, mas não pode admitir.

Então, de certa forma, para trazer isso para a frente, para saber que é o caso, você tem que ser enganado. E então o que eu quero discutir esta manhã é como isso acontece. Embora antes de fazê-lo, eu deva ir um pouco mais longe em toda a natureza deste problema.

Você vê, o problema é este. Identificamos em nossa experiência uma diferenciação entre o que fazemos e o que nos acontece. Temos um certo número de ações que definimos como voluntárias e nos sentimos no controle delas. E então, contra isso, há todas aquelas coisas que são involuntárias. Mas a linha divisória entre esses dois é muito inarbitrária. Porque, por exemplo, quando você move a mão, sente que decide se abre ou fecha. Mas então pergunte a si mesmo como você decide? Quando você decide abrir sua mão, você primeiro decide decidir? Você não faz isso, não é? Você apenas decide, e como você faz isso? E se você não sabe como fazer, é voluntário ou involuntário? Vamos considerar a respiração. Você pode sentir que respira deliberadamente; você não controla sua respiração. Mas quando você não pensa sobre isso, ela continua. É voluntário ou involuntário?

Assim, chegamos a ter uma definição muito arbitrária do eu. Muito da minha atividade que sinto que faço  não inclui respirar na maior parte do tempo; não inclui os batimentos cardíacos; não inclui a atividade das glândulas; não inclui digestão; não inclui como você molda seus ossos; circula seu sangue. Você faz ou não faz essas coisas? Agora, se você ficar consigo mesmo e descobrir que você é todo você mesmo, uma coisa muito estranha acontece. Você descobre que seu corpo sabe que você é um com o universo. Em outras palavras, a chamada circulação involuntária do seu sangue é um processo contínuo com as estrelas brilhando. Se você descobrir que é VOCÊ quem circula seu sangue, você descobrirá ao mesmo tempo que está brilhando o sol. Porque seu organismo físico é um processo contínuo com tudo o que está acontecendo. Assim como as ondas são contínuas com o oceano. Seu corpo é contínuo com o sistema total de energia do cosmos, e é tudo você. Só você está jogando o jogo que você é apenas um pouco disso. Mas, como tentei explicar, na realidade física não existem eventos separados.

Então. Lembre-se também de quando tentei trabalhar em direção a uma definição de onipotência. Onipotência não é saber como tudo se faz; é só fazer. Você não precisa traduzi-lo para o idioma. Supondo que quando você acordasse de manhã, você tivesse que ligar seu cérebro. E você tivesse que pensar e fazer como um processo deliberado despertando todos os circuitos que você precisa para uma vida ativa durante o dia. Ora, você nunca terminaria! Porque você tem que fazer todas essas coisas ao mesmo tempo. É por isso que os budistas e os hindus representam seus deuses como muitos armados. Como você pode usar tantos braços ao mesmo tempo? Como uma centopéia poderia controlar cem pernas de uma só vez? Porque não pensa nisso. Da mesma forma, você está realizando inconscientemente todas as várias atividades do seu organismo. Só que inconscientemente não é uma boa palavra, porque soa meio morta. Superconscientemente seria melhor. Dê-lhe uma mais em vez de uma a menos.

A consciência é uma forma bastante especializada de percepção. Quando você olha ao redor da sala, você está consciente de tudo o que pode notar e vê um enorme número de coisas que não percebe. Por exemplo, eu olho para uma garota e alguém me pergunta depois ‘O que ela estava vestindo?’ Posso não saber, embora tenha visto, porque não prestei atenção. Mas eu estava ciente.  E talvez se eu pudesse responder esta pergunta sob hipnose, onde eu tiraria minha atenção consciente do caminho por estar em estado hipnótico, eu poderia lembrar que vestido ela estava usando.

Então, da mesma forma que você não sabe – você não foca sua atenção – em como você faz sua glândula tireoide funcionar, da mesma forma, você não tem nenhuma atenção focada em como você faz o sol brilhar. Então, deixe-me conectar isso com o problema do nascimento e da morte, que intriga enormemente as pessoas, é claro. Porque, para entender o que é o eu, você precisa se lembrar de que ele não precisa se lembrar de nada, assim como você não precisa saber como funciona sua glândula tireoide.

Então, quando você morrer, você não terá que tolerar a inexistência eterna, porque isso não é uma experiência. Muitas pessoas têm medo de que, quando morrerem, fiquem trancadas em um quarto escuro para sempre, e meio que passarão por isso. Mas uma das coisas interessantes do mundo é – isso é uma ioga, isso é uma realização – tente imaginar como será dormir e nunca mais acordar. Pense sobre isso. As crianças pensam nisso. É uma das grandes maravilhas da vida. Como será dormir e nunca mais acordar? E se você pensar o suficiente sobre isso, algo vai acontecer com você. Você descobrirá, entre outras coisas, que ele fará a próxima pergunta para você. Como seria acordar depois de nunca ter ido dormir? Foi quando você nasceu. Veja, você não pode ter uma experiência do nada; a natureza abomina o vácuo. Então, depois que você morre, a única coisa que pode acontecer é a mesma experiência, ou o mesmo tipo de experiência de quando você nasceu. Em outras palavras, todos nós sabemos muito bem que depois que outras pessoas morrem, outras pessoas nascem. E todas elas são você, só que você só pode experimentar uma de cada vez. Todo mundo sou eu, todos vocês sabem que são vocês, e onde quer que todos os seres existam em todas as galáxias, não faz a menor diferença. Você é todos eles. E quando eles vêm a ser, é você que vem a ser.

Você sabe muito bem disso, só que não precisa se lembrar do passado da mesma forma que não precisa pensar em como trabalha sua glândula tireoide, ou o que quer que seja em seu organismo. Você não precisa saber como brilhar o sol. Você apenas faz isso, como você respira. Não é realmente surpreendente que você seja essa coisa fantasticamente complexa, e que esteja fazendo tudo isso e nunca tenha tido nenhuma educação sobre como fazê-lo? Nunca aprendeu, mas você é esse milagre. A questão é que, do ponto de vista estritamente físico e científico, este organismo é uma energia contínua com tudo o que está acontecendo. E se sou meu pé, sou o sol. Só que temos essa pequena visão parcial. Temos a ideia de que ‘Não, eu sou algo NESSE corpo’. O ego. Isso é uma piada. O ego nada mais é do que o foco da atenção consciente. É como o radar de um navio. O radar em um navio é um solucionador de problemas. Há algo no caminho? E a atenção consciente é uma função projetada do cérebro para escanear o ambiente, como um radar faz, e observar quaisquer mudanças que causem problemas. Mas se você se identificar com seu solucionador de problemas, naturalmente você se definirá como estando em um estado perpétuo de ansiedade. E no momento em que deixamos de nos identificar com o ego e nos conscientizamos de que somos o organismo inteiro, percebemos de primeira como tudo é harmonioso. Porque seu organismo é um milagre de harmonia. Todas essas coisas funcionando juntas. Mesmo aquelas criaturas que estão lutando entre si na corrente sanguínea e se devorando. Se elas não estivessem fazendo isso, você não seria saudável.

Então, o que é discórdia em um nível do seu ser é harmonia em outro nível. E você começa a perceber isso, e começa a ter consciência também, que as discórdias de sua vida e as discórdias da vida das pessoas, que são uma discórdia em um nível, em um nível superior do universo, são saudáveis ​​e harmoniosas. E de repente você percebe que tudo o que você é e faz está nesse nível tão magnífico e tão livre de qualquer defeito quanto os padrões das ondas. As marcações em mármore. A maneira como um gato se move. E que este mundo está realmente bem. Não pode ser outra coisa, porque senão não poderia existir. E não quero dizer isso no sentido de Pollyanna ou Christian Science. Eu não sei o que é ou sobre o que é a Ciência Cristã, mas é uma coisa certinha. Tem uma sensação engraçada; veio da Nova Inglaterra.

Mas a realidade sob a existência física, ou que realmente é a existência física – porque na minha filosofia não há diferença entre o físico e o espiritual. Estas são categorias absolutamente desatualizadas. É tudo processo; não é ‘coisa’ por um lado e ‘forma’ por outro. É apenas um padrão – a vida é um padrão. É uma dança de energia. E por isso nunca invocarei conhecimento assustador. Ou seja, que eu tive uma revelação particular ou que tenho vibrações sensoriais em um plano que você não tem. Tudo está bem exposto, é apenas uma questão de como você olha para isso. Então você descobre quando percebe isso, a coisa mais extraordinária que eu nunca deixo de ficar boquiaberto sempre que  acontece comigo. Algumas pessoas usarão um simbolismo do relacionamento de Deus com o universo, no qual Deus é uma luz brilhante, apenas de alguma forma velada, ocultando-se sob todas essas formas enquanto você olha ao seu redor. Até agora tudo bem. Mas a verdade é mais engraçada do que isso. É que você está olhando diretamente para a luz brilhante agora que a experiência que você está tendo que você chama de consciência cotidiana comum – fingindo que você não é isso – essa experiência é exatamente a mesma coisa que ‘isso’. Não há diferença nenhuma. E quando você descobre isso, você ri de si mesmo. Essa é a grande descoberta.

Em outras palavras, quando você realmente começa a ver as coisas, e olha para um velho copo de papel, e entra na natureza do que é ver o que é visão, ou o que é cheiro, ou o que é tato, você percebe que essa visão do copo de papel é a luz brilhante do cosmos. Nada poderia ser mais brilhante. Dez mil sóis não poderiam ser mais brilhantes. Só que eles estão escondidos no sentido de que todos os pontos da luz infinita são tão pequenos quando você os vê na xícara que não explodem seus olhos. Veja, a fonte de toda luz está no olho. Se não houvesse olhos neste mundo, o sol não seria luz. Então, se eu bato o mais forte que posso em um tambor que não tem pele, ele não faz barulho. Então, se um sol brilha em um mundo sem olhos, é como uma mão batendo em um tambor sem pele. Sem luz. VOCÊ evoca a luz do universo, da mesma forma que você, por natureza de ter uma pele macia, evoca a dureza da madeira. A madeira só é dura em relação a uma pele macia. É o seu tímpano que evoca o ruído do ar. Você, sendo este organismo, chama à existência todo este universo de luz e cor e dureza e peso e tudo mais.

Mas na mitologia que nos venderam no final do século 19, quando as pessoas descobriram o quão grande era o universo, e que vivemos em um pequeno planeta em um sistema solar na borda da galáxia, que é uma galáxia menor , todo mundo pensou, ‘Uuuuugh, nós somos realmente sem importância, afinal. Deus não está lá e não nos ama, e a natureza não dá a mínima.’ E nós nos colocamos para baixo. Mas, na verdade, é esse pequeno micróbio engraçado, coisinha, rastejando neste pequeno planeta que está em algum lugar, que tem a ingenuidade, por natureza dessa magnífica estrutura orgânica, de evocar todo o universo do que de outra forma seriam meros quantas. Há jazz acontecendo. Este pequeno organismo engenhoso não é apenas um estranho. Este pequeno organismo, neste pequeno planeta, é todo o show que está crescendo, e assim percebendo sua própria presença. Faz isso através de você, e você é isso.

Quando você coloca o bico de uma galinha em uma linha de giz, ela fica presa; está hipnotizada. Então, da mesma forma, quando você aprende a prestar atenção, e quando criança você sabe como todos os professores estravam na aula: ‘Preste atenção!!’ E todas as crianças olham para o professor. E temos que prestar atenção. Isso é colocar o nariz na linha de giz. E você ficou preso com a ideia de atenção, e pensou que atenção era o Eu, o ego. Então, se você começar a prestar atenção na atenção perceberá qual é a farsa. É por isso que no livro ‘Ilha’ de Aldous Huxley, o Roger havia treinado os pássaros myna na ilha para dizer ‘Atenção! Aqui e agora, rapazes!’ Vê? Perceba quem você é. Venha, acorde!

Bem, aqui está o problema: se este é o estado de coisas que é assim, e se o estado consciente em que você está neste momento é a mesma coisa que poderíamos chamar de Estado Divino. Se você fizer qualquer coisa para torná-lo diferente, isso mostra que você não entende que é assim. Portanto, no momento em que você começa a praticar ioga, orar ou meditar, ou se entregar a algum tipo de cultivo espiritual, você está entrando de novo em seu próprio caminho.

Agora este é o truque budista: o buda disse ‘Nós sofremos porque desejamos. Se puder desistir do desejo, não sofrerá. Mas ele não disse isso como última palavra; ele disse isso como o passo inicial de um diálogo. Porque se você disser isso a alguém, eles vão voltar depois de um tempo e dizer ‘Sim, mas agora estou desejando não desejar’. E assim o buda responderá: ‘Bem, finalmente você está começando a entender o ponto.’ Porque você não pode desistir do desejo. Por que você tentaria fazer isso? Já é desejo. Assim, da mesma forma você diz ‘Você deveria ser altruísta’ ou desistir de seu ego. Deixe ir, relaxe. Por que você quer fazer isso? Só porque é outra maneira de vencer o jogo, não é? No momento em que você levanta a hipótese de que você é diferente do universo, você quer colocar um em cima do outro. Mas se você tenta se destacar no universo e está competindo com ele, isso significa que você não entende que você É ele. Você acha que há uma diferença real entre ‘eu’ e ‘outro’. Mas ‘eu’, o que você chama de si mesmo, e o que você chama de ‘outro’ são mutuamente necessários um para o outro, como frente e verso. Eles são realmente um. Mas, assim como um ímã se polariza no norte e no sul, mas é tudo um ímã, a experiência se polariza como eu e outro, mas é tudo um. Se você tentar fazer com que o pólo sul derrote o pólo norte, ou conseguir dominá-lo, você mostra que não sabe o que está acontecendo.

Portanto, existem duas maneiras de jogar o jogo. A primeira maneira, que é a maneira usual, é um guru ou professor que quer passar isso para alguém porque ele mesmo sabe disso, e quando você sabe, gostaria que os outros também vissem. Então, o que ele faz é fazer você ser ridículo com mais força e assiduidade do que o normal. Em outras palavras, se você está em uma disputa com o universo, ele vai provocar essa disputa até que se torne ridícula. E então ele lhe dá tarefas como dizer: Agora, é claro, para ser uma pessoa verdadeira, você deve desistir de si mesmo, ser altruísta. Então o senhor desce do céu e diz: ‘O primeiro e grande mandamento é ‘Amarás o senhor teu deus’. Você deve me amar.’ Bem, isso é uma ligação dupla. Você não pode amar de propósito. Você não pode ser sincero de propósito. É como tentar não pensar em um elefante verde enquanto toma remédio.

Mas se uma pessoa realmente tenta fazer isso – e é assim que o cristianismo é manipulado – você deve se arrepender muito de seus pecados. E embora todos saibam que não são, mas acham que deveriam ser, eles andam por aí tentando ser penetrantes. Ou tentando ser humilde. E eles sabem que quanto mais assiduamente a praticam, mais e mais falsa fica a coisa toda. Assim, no Zen Budismo, acontece exatamente a mesma coisa. O mestre Zen desafia você a ser espontâneo. “Mostre-me o verdadeiro você.” Uma maneira que eles fazem isso é fazer você gritar. Grite a palavra ‘Mu’. E ele diz ‘Eu quero ouvir VOCÊ nesse grito. Quero ouvir todo o seu ser nele. E você grita com seus pulmões e ele diz ‘Pfft. Isso não é bom. Isso é apenas um grito falso. Agora eu quero ouvir absolutamente todo o seu ser, direto do coração do universo, vindo neste grito.’ E esses caras gritam até ficarem roucos. Nada acontece. Até que um dia eles ficam tão desesperados que desistem de tentar e conseguem fazer aquele grito passar, quando não estavam tentando ser genuínos. Porque não havia mais nada a fazer, você só tinha que gritar.

E assim, desta forma – é chamada de técnica de reductio ad absurdum. Se você acha que tem um problema, e é um ego e está em dificuldade, a resposta que o mestre Zen lhe dá é ‘Mostre-me seu ego. Eu quero ver essa coisa que tem um problema.’ Quando Bodidharma, o lendário fundador do Zen, veio para a China, um discípulo veio até ele e disse: ‘Não tenho paz de espírito. Por favor, pacifique minha mente. E Bodhidharma disse ‘Traga sua mente aqui antes de mim e eu a pacificarei.’ “Bem”, disse ele, “quando procuro, não encontro.” Então Bodhidharma disse ‘Pronto, está pacificado.’ Porque quando você procura sua própria mente, isto é, seu próprio centro particularizado de ser que é separado de tudo o mais, você não será capaz de encontrá-lo. Mas a única maneira de você saber que não está lá é se você procurar com afinco, para descobrir que não está lá. E então todo mundo diz ‘Tudo bem, conheça a si mesmo, olhe para dentro, descubra quem você é’. Porque quanto mais você olhar, você não será capaz de encontrá-lo, e então você perceberá que ele não está lá. Não existe um você separado. Sua mente é o que existe. Tudo. Mas a única maneira de descobrir isso é persistir no estado de ilusão o mais forte possível. Essa é uma maneira. Eu não disse o único caminho, mas é um caminho.

Assim, quase todas as disciplinas espirituais, meditações, orações, etc, etc, são maneiras de persistir na loucura. Fazendo resoluta e consistentemente o que você já está fazendo. Então, se uma pessoa acredita que a Terra é plana, você não pode dissuadi-la disso. Ele sabe que é plano. Olhe pela janela e veja; é óbvio, parece plano. Então, a única maneira de convencê-lo de que não é dizer ‘Bem, vamos encontrar o limite’. E para encontrar a borda, você tem que ter muito cuidado para não andar em círculos, você nunca vai encontrar desse jeito. Então, temos que seguir consistentemente em uma linha reta para oeste ao longo da mesma linha de latitude e, eventualmente, quando voltamos para onde começamos, você convenceu o cara de que o mundo é redondo. Essa é a única maneira que vai ensiná-lo. Porque as pessoas não podem ser convencidas.

Há outra possibilidade, no entanto. Mas isso é mais difícil de descrever. Digamos que tomemos como suposição básica – que é a coisa que se vê na experiência do satori ou do despertar, ou como você quiser chamar – que este momento agora em que estou falando e você está ouvindo, é eternidade. Que embora de alguma forma tenhamos nos enganado na noção de que este momento é comum, e que podemos não nos sentir muito bem, estamos meio que vagamente frustrados e preocupados e assim por diante, e que deve ser mudado. É isso. Então você não precisa fazer absolutamente nada. Mas a dificuldade de explicar isso é que você não deve tentar não fazer nada, porque isso é fazer alguma coisa. É do jeito que é. Em outras palavras, o que é necessário é uma espécie de super relaxamento; não é um relaxamento comum. Não é apenas soltar, como quando você se deita no chão e imagina que está pesado para entrar em um estado de relaxamento muscular. Não é desse jeito. É estar consigo mesmo como você é sem alterar nada. E como explicar isso? Não há nada para explicar. É do jeito que está agora. Veja? E se você entender isso, isso o acordará automaticamente.

Então é por isso que os professores Zen usam o tratamento de choque, às vezes batem ou gritam com os discípulos ou criam uma surpresa repentina. Porque é aquele solavanco que de repente te traz aqui. Veja, não há caminho para aqui, porque você já está lá. Se você me perguntar ‘Como vou chegar aqui?’ Será como a famosa história do turista americano na Inglaterra. O turista perguntou a algum caipira o caminho para Upper Tuttenham, uma pequena vila. E o caipira coçou a cabeça e disse: ‘Bem, senhor, não sei onde fica, mas se eu fosse você, não começaria daqui.’

Então você vê, quando você pergunta ‘Como eu obtenho o conhecimento de Deus, como eu obtenho o conhecimento da liberação?’ Tudo o que posso dizer é que é a pergunta está errada. Por que você quer obtê-lo? Porque o próprio fato de você querer obtê-lo é a única coisa que o impede de chegar lá. Você já tem. Mas claro, depende de você. É seu privilégio fingir que não. Esse é o seu jogo; esse é o jogo da sua vida; é isso que te faz pensar que você é um ego. E quando você quiser acordar, você vai, simples assim. Se você não está acordado, isso mostra que você não quer. Você ainda está jogando a parte oculta do jogo. Você ainda é, por assim dizer, o eu fingindo que não é o eu. E é isso que você quer fazer. Então você vê, dessa forma, também, você já está lá.

Então, quando você entende isso, uma coisa engraçada acontece, e algumas pessoas interpretam mal. Você descobrirá enquanto isso acontece que a distinção entre comportamento voluntário e involuntário desaparece. Você perceberá que o que você descreve como coisas sob seu controle parecerá exatamente o mesmo que as coisas que acontecem fora de você. Você observa outras pessoas se movendo e sabe que está fazendo isso, assim como está respirando ou circulando seu sangue. E se você não entende o que está acontecendo, você pode ficar louco neste ponto, e sentir que você é deus no sentido de Jeová. Dizer que você realmente tem poder sobre outras pessoas, para que possa alterar o que está fazendo. E que você é onipotente em um sentido bíblico muito grosseiro e literal.  Muitas pessoas sentem isso e ficam loucas. Eles os colocaram de lado. Eles pensam que são Jesus Cristo e que todos deveriam se prostrar e adorá-los. Isso é só porque eles têm seus fios cruzados. Essa experiência aconteceu com eles, mas eles não sabem como interpretá-la. Então tome cuidado com isso. Jung chama isso de inflação. Pessoas que têm a síndrome do Homem Santo, que de repente descubro que sou o senhor e que estou acima do bem e do mal e assim por diante, e por isso começo a me dar ares e graças. Mas o ponto é que todo mundo também é. Se você descobrir que você é isso, então você deve saber que todo mundo é.

Por exemplo, vamos ver de outras maneiras como você pode perceber isso. A maioria das pessoas pensa quando abre os olhos e olha ao redor, que o que está vendo está do lado de fora. Parece, não é, que você está atrás de seus olhos, e que atrás dos olhos há um vazio que você não consegue ver. Você se vira e há outra coisa na sua frente. Mas por trás dos olhos parece haver algo que não tem cor. Não é escuro, não é claro. Está lá do ponto de vista tátil; você pode senti-lo com os dedos, mas não pode entrar nele. Mas o que é isso atrás de seus olhos? Bem, na verdade, quando você olha lá fora e vê todas essas pessoas e coisas sentadas ao redor, é assim que se sente dentro de sua cabeça. A cor desta sala está aqui no sistema nervoso, onde os nervos ópticos estão na parte de trás da cabeça. Está lá. É o que você está experimentando. O que você vê aqui é uma experiência neurológica. Agora, se isso o atinge, e você sente sensualmente que é assim, você pode sentir, portanto, que o mundo externo está todo dentro do meu crânio. Você tem que corrigir isso, com o pensamento de que seu crânio também está no mundo externo. Então você de repente começa a sentir ‘Uau, que tipo de situação é essa? Está dentro de mim, e eu estou dentro dele, e está dentro de mim, e eu estou dentro dele.’ Mas é assim que é.

Isso é o que você poderia chamar de transação, em vez de interação entre o indivíduo e o mundo. Assim como, por exemplo, na compra e venda. Não pode haver um ato de compra sem que haja simultaneamente um ato de venda e vice-versa. Então a relação entre o ambiente e o organismo é transacional. O ambiente desenvolve o organismo e, por sua vez, o organismo cria o ambiente. O organismo transforma o sol em luz, mas é necessário que haja um ambiente contendo um sol para que haja um organismo. E a resposta é simplesmente que eles são todos um processo. Não é que os organismos por acaso vieram ao mundo. Este mundo é o tipo de ambiente que desenvolve organismos. Foi assim desde o início. Os organismos podem, com o tempo, entrar ou sair de cena, mas a partir do momento em que se deu o BANG! no começo foi assim que começou o processo e organismos como nós estão sentados aqui. Estamos envolvidos nisso.

Perceba, tomamos a propagação de uma corrente elétrica. Eu posso ter uma corrente elétrica passando por um fio que percorre toda a Terra. E aqui temos uma fonte de energia, e aqui temos um interruptor. Um pólo positivo, um pólo negativo. Agora, antes que esse interruptor se feche, a corrente não se comporta exatamente como água em um cano. Não há corrente aqui, esperando, para correr assim que o interruptor for fechado. A corrente nem começa até que a chave seja fechada. Ele nunca começa a menos que o ponto de chegada esteja lá. Agora, levará um intervalo para que a corrente comece a circular em seu circuito se ela estiver percorrendo toda a Terra. É um longo prazo. Mas o ponto de chegada tem que ser fechado antes mesmo de começar do começo. De maneira semelhante, embora no desenvolvimento de qualquer sistema físico possa haver bilhões de anos entre a criação da forma mais primitiva de energia e a chegada da vida inteligente, esses bilhões de anos são exatamente a mesma coisa que a viagem dessa corrente ao redor do fio. Leva um pouco de tempo. Mas já está implícito. Leva tempo para uma bolota se transformar em carvalho, mas o carvalho já está implícito na bolota. E assim em qualquer pedaço de rocha flutuando no espaço, há inteligência humana implícita. Em algum momento, de alguma forma, em algum lugar. Todos eles vão juntos.

Portanto, não se diferencie e diga: ‘Sou um organismo vivo em um mundo feito de um monte de lixo morto, pedras e outras coisas.’ Tudo vai junto. Essas pedras são tanto você quanto suas unhas. Você precisa de pedras. Em que você vai se apoiar?

O que eu acho que um despertar realmente envolve é um reexame do nosso senso comum. Temos todos os tipos de ideias embutidas em nós que parecem inquestionáveis, óbvias. E nosso discurso os reflete em suas frases mais comuns. ‘Encare os fatos.’ Como se estivessem fora de você. Como se a vida fosse algo que eles simplesmente encontrassem como estrangeiros. ‘Encare os fatos.’ Nosso senso comum foi manipulado, entende? Para que nos sintamos estranhos e alienígenas neste mundo, e isso é terrivelmente plausível, simplesmente porque é com isso que estamos acostumados. Essa é a única razão. Mas quando você realmente começar a questionar isso, diz ‘É assim que eu tenho que assumir que a vida é? Eu sei que todo mundo tem feito isso, mas isso o torna verdade?’ Não necessariamente. Não é necessariamente tem que ser assim. Então, ao questionar essa suposição básica subjacente à nossa cultura, você descobre que obtém um novo tipo de bom senso. Torna-se absolutamente óbvio para você que você é contínuo com o universo.

Por exemplo, as pessoas costumavam acreditar que os planetas eram sustentados no céu por estarem embutidos em esferas de cristal, e todos sabiam disso. Ora, você podia ver as esferas de cristal ali porque podia olhar através delas. Era obviamente feito de cristal, e algo tinha que mantê-los lá em cima. E então, quando os astrônomos sugeriram que não havia esferas de cristal, as pessoas ficaram apavoradas, porque pensaram que as estrelas iriam cair. Hoje em dia, não incomoda ninguém. Eles também pensaram que, quando descobrissem que a Terra era esférica, as pessoas que viviam nas antiguidades cairiam, e isso era assustador. Mas então alguém navegou ao redor do mundo, e todos nós nos acostumamos, viajamos em aviões a jato e tudo mais. Não temos nenhum problema em sentir que a Terra é globular. Nenhuma. Nós nos acostumamos com isso.

Assim, da mesma forma que as teorias da relatividade de Einstein – a curvatura da propagação da luz, a ideia de que o tempo envelhece à medida que a luz se afasta de uma fonte, em outras palavras, as pessoas olhando para o mundo agora em Marte, estariam vendo o estado do mundo um pouco mais cedo do que estamos experimentando agora. Isso começou a incomodar as pessoas quando Einstein começou a falar sobre isso. Mas agora estamos todos acostumados a isso, e a relatividade e coisas assim são uma questão de bom senso hoje. Bem, em alguns anos, será uma questão de senso comum para muitas pessoas que eles são um com o universo. Vai ser tão simples. E então talvez se isso acontecer, estaremos em condições de lidar com nossa tecnologia com mais sentido. Com amor em vez de ódio pelo nosso meio ambiente.

parte 2

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-natureza-da-consciencia-parte-3/

Ars Notoria – A Quinta Chave Menor de Salomão.

Prefácio

Até o presente momento, existe apenas uma versão inglesa da Ars Notoria; atualmente, todas as edições disponíveis do livro são baseadas na tradução feita em 1650 por Robert Turner, um estudante de textos mágicos e astrológicos. Turner traduziu uma versão em latim publicada por Agrippa cinqüenta anos antes. Embora os estudiosos referenciem anteriores versões em latim — algumas próximas ao século XIII — ninguém, ainda, teve tempo de produzir uma capitulação atualizada do trabalho inglês, ou comparar totalmente a versão de Agrippa com as versões anteriores.

O princípio e a essência das práticas descritas na Ars Notoria repousam nas figuras ou “notas”, que confere seu título. Estas consistem, em parte, de ilustrações realísticas, em outra parte, de sigilos e sinais similares aos outros grimórios da época, e em outra parte, de texto, que gira em torno de elementos gráficos. Quando usados como objetos de contemplação (ou em um uso mais ativo da imaginação visual), é dito que as notas colocam a mente do usuário em um estado no qual é concedido completo entendimento ou habilidade em uma das sete Artes Liberais. Infelizmente, a tradução de Turner não inclui tais figuras.

Fotografias de algumas notas podem ser encontradas em Visual Art in Two Manuscripts of the Ars Notoria, por Michael Camille, publicado em Conjuring Spirits: Texts and Traditions of Medieval Ritual Magic, editado por Claire Fanger, publicado pela Pennsylvania State University Press. De acordo com Dr. Fanger, há pelo o menos três conjuntos estilisticamente distintos das notas entre os manuscritos latinos do Notoria. Nenhum conjunto é considerado definitivo.

O texto instrui o praticante a “olhar para dentro” ou “inspecionar” a nota com a qual ele está trabalhando por várias vezes ao dia, e recitar certas preces e nomes mágicos durante uma parte destas ocasiões. As orações específicas e os nomes são integrados na parte visual da nota em alguns casos, e não se sabe se essas orações integradas estão entre as muitas traduzidas por Turner.

O que verdadeiramente se entende por “inspecionar” é vago e obscuro. A palavra em latim inspicio, tem essencialmente a mesma gama de significados que a palavra em inglês moderno; nenhum deles são informados no contexto. Porém o texto menciona várias vezes que as visões são parte do processo de uso, sem explicar exatamente como eles são envolvidos; e a citação abaixo sugere que algo mais próximo é tencionado.

E saibas disso; que se tu não possuíres os livros em tuas mãos, ou a faculdade de olhar para dentro deles não é dado a ti; o efeito deste trabalho não será, portanto, o menor: mas que as Orações então sejam duas vezes pronunciadas, onde elas seriam apenas uma: uma para o conhecimento de uma visão, e (outra para) as outras virtudes que estas Santas Orações possuem; tu deves provar e julgá-las, quando e como quiseres.

 Assim, parece que uma habilidade especifica ou capacidade está envolvida, uma “faculdade de inspeção”. Talvez isso era simplesmente a habilidade de memorizar a imagem e visualizá-la enquanto recita as orações. O monge John de Morigny, que praticou a Ars Notoria e obteve alguns efeitos, utilizou posteriormente tal visualização em seu próprio sistema de magia religiosa. Tais técnicas foram geralmente conhecidas naquela época, em vários sistemas para melhorar a memória. Ou possivelmente a técnica era similar àquelas usadas pelos magos modernos para obter uma visão relacionada a um símbolo específico, usando-o como um “portal” na imaginação, e entrando dentro do mundo astral que personifica o significado do símbolo. Seja como for, o autor da Notoria parece seguro de que se pode obter sucesso sem tal habilidade, se necessário; as Preces isoladamente, ditas com fervor suficiente e repetição, produzirão os mesmos resultados.

O livro é dividido em três partes. A primeira delas lida com o que o autor chama de “gerais”; estas são habilidades de ampla aplicação — memória, eloqüência, compreensão e perseverança — que precisam ser desenvolvidas antes que o praticante trabalhe para obter as habilidades particulares de uma das Artes Liberais. Estes últimos ele se refere como as “especiais”. A seção mistura comentários com preces que são usadas para obter as habilidades, de um modo que é um pouco difícil de seguir. (Deve ser notado que apenas uma forma abreviada de algumas orações é concedida.)

A segunda parte lida com as “especiais”, dando orações em seqüência para cada uma das Artes Liberais, na ordem em que elas foram habitualmente ensinadas. As Notas todas dizem respeito a esta seção do livro; cada prece é acompanhada por instruções sobre a utilização da nota apropriada, e uma pequena quantidade de comentários.

A Terceira parte apresenta algumas preces que foram supostamente atribuídas a Salomão em uma época diferente das seções anteriores. De qualquer modo, muitas destas preces são aquelas já aludidas na Parte I, salvo que elas são dadas aqui de forma integral. O foco desta seção é novamente nas “gerais”, embora a técnica descrita varie em alguns aspectos daquelas previamente determinadas. Dr. Fanger e outros têm especulado que esta seção era uma variante da Parte I, que talvez tenha sido originalmente distribuída separadamente, e posteriormente incorporada na Ars Notoria para um detalhamento maior.

Nenhum destas partes é claramente distinguida no texto, o qual pode conduzir a uma grande confusão como instruções em uma seção que parece conflitar com as instruções de outra. O início de cada seção, portanto, foi marcado por uma nota de rodapé.

O texto desta edição foi transcrito diretamente de uma fotocópia de Turner, primeira edição, publicada em 1657. Mesmo para os padrões da época, o livro não foi um grande exemplo de arte tipográfica; era impresso a um preço baixo, e foi claramente composto por três pessoas diferentes, cada uma com suas próprias noções do que constitui um esquema de um bom texto, o que também compreende uma grafia correta do inglês. Para a apresentação geral desta edição, selecionei os elementos de cada um de seus estilos, porém utilizando-os consistentemente ao longo do texto. A pontuação e a ortografia, capitalização e ênfase de palavras individuais foram deixadas como no original. A exceção é que eu não segui a prática do século XVII de substituir a letra “f” por “s”, acreditando que isso poderia reduzir consideravelmente a legibilidade do texto. Os erros que foram mantidos em edições publicadas recentemente (em particular a edição publicada pela Holmes Publishing Group) não estão presentes, embora não reste dúvida de que são erros novos de meu próprio planejamento. Várias passagens omitidas foram restauradas.

Dois artigos adicionais presentes na edição de 1657 não estão incluídos aqui. O primeiro deles, A Certain Magnetick Experiment, descreve um dispositivo de comunicação à longa distância baseado na propriedade imaginária do ferro magnetizado. O segundo, An Astrological Catechisme, é uma tradução de um documento em latim de Leovitius, parcialmente reescrito por Turner. Ele apresenta uma série de questões e respostas sobre astrologia e sua prática.

Benjamin Rowe.

30 de Junho de 1999.

A Epístola Dedicatória

 Ao seu engenhoso e respeitado amigo Mr. WILLIAM RYVES, do St. Saviours, South- wark, Estudante de Física e Astrologia.

SENHOR.

O profundo escrutínio e amável compreensão da Vista de sua apreensão no mais secreto Escritório das Naturezas Arcanas fascina-me (se eu não tivesse outros compromissos magneticamente atrativos), para estabelecer esta Ótica diante de sua vista: não que ela fará qualquer adição ao seu conhecimento; mas pela constância de seu julgamento, esteja cercada contra os Caluniadores da condenação da arte e desprezadores da virtude. Eu sei que a sinceridade de sua Genialidade contestará minha desculpa, e me salvará do labor; jazerei sendo

Seu verdadeiro e cortês Amigo,

Robert Turner.

Little Britain, dies Veneris, Sol em Libra, 1656.

Aos Sinceros Leitores.

Entre o restante dos trabalhos das minhas longas horas de Inverno, o prazer de aceitar isso, foi como uma flor do Sol; o qual eu tenho transplantado dos copiosos bancos romanos ao solo inglês; onde eu espero que fecundamente propague seus ramos, e prove não sucumbir os seus porongosos frutos, mas um verde Laurel contínuo, que autores dizem ser a planta do bom Anjo, e defende todas as pessoas próximas de sua sombra das penetrantes explosões do Raio e Relâmpago, então esta será uma legítima flor para cada homem do Jardim; suas virtudes em breve serão conhecidas, se Praticadas, e as explosões do vício dispersas: sua substância é demasiadamente sublime para ser expressa. Não concorde com a pérola maligna, nem com a invejosa e cega amargura das mandíbulas negras; não concorde com a casca de ignorantes naquilo que eles não conhecem; aqui eles não aprenderão tal lição: e contra suas Calúnias, o livro que eu, assim, justificar: quod potest per fidem intelligi, & non aliter, & per fidem in eo operare potes. [citação grega ilegível¹], &c., Heb. 11. &c., e minha própria intenção é, portanto, demonstrar; Dico coram omnipotenti Deo, & coram Jesu Christo unigento Filio ejus, qui judicaturus est vivos & mortuous; quod omnia & singula quae in hoc opere dixi, omnesque hujus Scientiae vel artis proprietates, & universa quae ad ejus speculationem pertinent, vel in hoc Volumine continenter, veris & naturalibus principiis innituntur, fuintque cum Deo & bona Conscientia, sine injuria Christiame fidei, cum integritate; sine superstitione vel Idololatria quacunque, & non dedeceant virum sapientem Christianum bonum atque fidelem; Nam & ego Christianus sum, baptizatus in nomine Patris, &c. quam fidem cum Dei auxilio quam diu vixero

firmiter inviolatam tenebo; Procul ergo absit a me, discere aut scribere aliquid Christianae fidei & puritati contrarium, sanctis moribus noxium, aut quomodolibet adversum. Deum timeo & in ejus cultum Juravi, a quo Nec vivus nec (ut confido) mortuus separabor: Este pequeno tratado, por isso eu recomendo a todos os amantes da arte e da aprendizagem, em que eu espero que eles possam atingir seus desejos, quantum a Deo concessi erit; de modo que eu espero não ter lançado a Pérola à frente do corpo, mas apontar um vidro diante dos gratos pombos.

 12 de Março de 1656

Robert Turner

O escrito original em Grego:

A NOTÓRIA ARTE DE SALOMÃO

  A Notória Arte revelada pelo o Mais Alto Criador a Salomão.

No Nome do Santo e da indivisível Trindade, originador desta mais Santa Arte do Conhecimento, revelada a Salomão, que o Altíssimo Criador por seus Santos Anjos ministraram a Salomão, sobre o Altar do Templo; que, assim, em pouco tempo ele conheceu todas as Artes e Ciências, tanto Liberais e Mecânicas, com todas as Faculdades e Propriedades das mesmas: ele foi repentinamente fundido dentro de si, e também foi preenchido com toda a sabedoria, para proferir os Mistérios Sagrados das mais Santas palavras.

Alfa e Omega! Ó Deus Todo-poderoso, criador de todas as coisas, sem Começo e sem Fim: Graciosamente neste dia ouve minhas preces; tu não me fazes render-me de acordo com meus pecados, nem por causa de minhas iniqüidades, Ó Senhor meu Deus, mas segundo a tua misericórdia, que é maior do que todas as coisas visíveis e invisíveis. Tem misericórdia de mim, Ó Cristo, Sabedoria do Pai, Luz dos Anjos, Glória dos Santos, Esperança, Refúgio, e Suporte dos Pecadores, Ó Criador de todas as coisas, e Redentor de toda fraqueza humana, que sustentara Céu, Terra, e Mar, e todo o restante do Mundo, na palma de tua Mão: eu humildemente imploro e suplico, tu que possuis misericórdia como o Pai, esclarece minha Mente com os feixes do teu Espírito Santo, que eu possa ser capaz de alcançar e obter a perfeição desta mais santa Arte; e que eu possa ser capaz de obter o conhecimento de cada Ciência, Arte, e Sabedoria; e de cada Faculdade da Memória, Inteligências, Compreensão, e Intelecto, pela Virtude e Poder de teu mais santo Espírito, e no teu Nome. E tu, ó Deus, meu Deus, quem no Início criastes o Céu e a Terra, e todas as coisas do nada; quem reformou, e fez todas as coisas através de teu próprio Espírito; completa, preenche, restaura, e implanta um entendimento perfeito em mim, que eu possa te glorificar e todas as tuas Obras, em todos os meus Pensamentos, Palavras, e Atos. Ó Deus Pai, firma e concede esta minha Oração, e amplia o meu Entendimento e Memória, e fortalece o mesmo, para conhecer e reconhecer a Ciência, Memória, Eloqüência, e Perseverança em todas as maneiras de Aprendizado; tu, que vivas e reines, Mundo sem fim. Amén.

Aqui começa o primeiro Tratado desta Arte, o qual o Mestre Apolônio chamou de As Flores Douradas, sendo uma Introdução geral para todas as Ciências Naturais; e isso é Comprovado, Composto, e Aprovado pela Autoridade de Salomão, Maniqueu e Euduchaeus.

Eu, Apolônio, Mestre das Artes, assim devidamente chamado, a quem a Natureza das Artes Liberais foram concedidas, estou destinado a tratar do Conhecimento das Artes Liberais, e do Conhecimento da Astronomia; e dos Experimentos e Documentos, um Compêndio e Conhecimento Adequado das Artes possam ser obtidos; e como os Mistérios superiores e inferiores da Natureza podem ser competentemente separados, e preparados e empregados para as Naturezas dos Tempos; e quais os dias e horas serão adequadamente eleitos para as Obras e Ações dos homens, para serem iniciadas e finalizadas; quais as Qualificações que um homem necessita ter, para obter a Eficácia desta Arte; e como ele deveria dispor das suas ações, e observar e estudar a Trajetória da Lua. Em primeiro lugar, portanto, declararemos determinados Conceitos das Ciências Espirituais; (para que) todas as coisas que pretendemos falar possam ser realizadas em seguida. Não se admire, portanto, daquilo que tu terás que ouvir e ver neste subseqüente Tratado, e que tu encontrarás como sendo um Exemplo de tal inestimável Aprendizado.

Algumas das coisas a seguir, as quais serão entregues a ti, como os Ensaios de Efeitos Maravilhosos, extraídos dos mais Antigos Livros dos Hebreus; que, se vires eles, (apesar de serem esquecidos, e usados em qualquer Linguagem humana), no entanto, considera-os como Milagres: Pois eu realmente admiro o grande Poder e Efetividade das Palavras nos Trabalhos da Natureza.

Relativo à Eficácia das Palavras.

 Há tão grande Virtude, Poder e Eficácia em certos Nomes e Palavras de Deus, que quando tu leres estas simples Palavras aumentará imediatamente e ajudará tua Eloqüência, de modo que tu te tornarás Eloqüente da Palavra por elas, e finalmente alcançarás os Efeitos dos poderosos Nomes Sagrados de Deus; mas a partir daí, o poder disto procederá, sendo demonstrado completamente para ti a seguir nos Capítulos das Orações: e aqueles que seguem junto ao nosso lado, colocá-los-emos abertamente.

Uma Explicação da Notória Arte.

 Esta Arte é dividida em duas partes: a primeira contém as Regras gerais, e a segunda as Regras especiais. Trataremos primeiro das Regras especiais, ou seja, Primeiro, para uma divisão tripla, e depois, para uma divisão quádrupla: E em terceiro lugar, falaremos da Teologia; cujas Ciências tu deverás obter, pelas Operações destas Orações, se tu pronunciá-las como estão escritas: portanto, há certas Notas da Notória Arte, que se manifestam para nós; a Virtude a respeito da qual a Razão Humana não pode compreender. A primeira Nota possui sua significação retirada do hebraico; que, embora a expressão dela possa ser compreendida em poucas palavras; entretanto, na expressão do Mistério, elas não perdem sua Virtude: Que possa ser chamado Virtude, aquilo que acontecer e proceder de sua pronunciação, que deve ser algo muito admirado.

O primeiro Preceito.

 Hely, Scemath Amazaz, Hemel, Sathusteon, hheli Tamazam, &cet. [Esta Oração está completa ao final do tratado] que Salomão intitulou, Sua Primeira Revelação; e para que seja, sem qualquer Interpretação: seja uma Ciência de Transcendência da pureza, que possui sua Origem no centro e profundeza das linguagens caldeia, hebraica e grega; e por esta razão não possa ser possível, por quaisquer meios, explicada totalmente em pobres e triviais Esquemas de nossa Linguagem. E qual a natureza da Eficácia das palavras ditas acima, o próprio Salomão descrevera em seu Décimo Primeiro Livro, Helisoe, da Glória do Poderoso Criado: Porém, o Amigo e Sucessor de Salomão, ou seja, Apolônio, com alguns poucos outros, a quem estas Ciências se manifestaram, explicaram as mesmas, e definiram-nas sendo os mais Santos, Divinos, Firmes, e Profundos Mistérios; e não devem ser expostos, nem declarados, sem grande Fé e reverência.

Uma Ordem Espiritual da Oração precedente.

 Antes que qualquer um leia ou pronuncia qualquer das Orações desta Arte, para produzi-las em Efeito, deixa-as sempre, em primeiro lugar, com um ensaio devotado da oração no início.

Se qualquer um deseja buscar as Escrituras, ou deseja compreender, ou eloqüentemente pronunciar qualquer parte da Escrita, que ele pronuncie as palavras da seguinte Figura, a saber, Hely Scemath, no início da manhã daquele dia, onde tu quiseres começar qualquer trabalho. E no Nome do Senhor nosso Deus, permita que ele diligentemente pronuncie o que a Escritura propõe, com esta Oração a seguir, que é, Theos Megale; E ela está misticamente distorcida, e miraculosa e adequadamente enquadrada fora da língua hebraica, grega, e caldéia, e ela expanda-se brevemente em toda Língua, no que a princípio, em todo caso, elas são declaradas. A segunda parte da Oração do segundo Capítulo é retirada do hebraico, grego e caldeu; e a seguinte Exposição deve ser pronunciada em primeiro lugar, que é uma oração Latina: a terceira Oração do Capítulo três, sempre no início de cada faculdade, é a primeira a ser exercitada.

A Oração é, Theos Megthe, in tu yma Eurel, &cet.

 Ela demonstra, como a oração precedente é exposta: mas, embora esta seja uma breve Exposição particular desta Oração; ainda não pense, que todas as palavras são, assim, explicadas.

A Exposição desta Oração.

 Ó Deus, Luz do Mundo, Pai de Imensa Eternidade, Doador de toda Sabedoria e Conhecimento, e de toda Graça Espiritual: muito Santo e Inestimável Dispensador, conhecedor de todas as coisas antes que elas fossem feitas; quem criou a Luz e as Trevas: Estende tua Mão, e toca minha Boca, e faz com que minha língua seja como uma espada afiada, para mostrar estas palavras com eloqüência; Faz da minha Língua uma Flecha escolhida para declarar tuas Maravilhas, e para pronunciá-las memoravelmente: Envia teu santo Espírito, ó

Senhor, em meu Coração e minha Alma, para entender e preservá-las, e para meditar sobre elas em minha Consciência: Pelo Juramento do teu Coração, ou seja, da Mão-direita do teu santo Conhecimento, e com misericórdia inspira tua Graça em mim; Ensina-me e me instrui; Organiza a entrada e saída dos meus Sentidos, e deixa que os teus Preceitos me ensinem e me corrijam até o fim; e deixa permita que o Conselho do Altíssimo me auxilie, através de tua infinita Sabedoria e Misericórdia, Amén.

 As palavras destas Orações não podem ser totalmente Expostas.

 Tampouco penses que todas as palavras da Oração anterior podem ser traduzidas na Língua Latina: pois algumas palavras desta Oração contêm em si o grande Sentido da Profundidade Mística, da Autoridade de Salomão; e deixando referência aos seus Escritos, nós reconhecemos; Que estas Orações não podem ser expostas nem entendidas, pelo sentido humano: Por isso é necessário, Que todas as Orações, e suas distinções particulares da Astronomia, Astrologia, e a Notória Arte, sejam ditas e pronunciadas em seu tempo e período; e as Operações delas sejam feitas de acordo com as disposições dos Tempos.

Das Triunfais Figuras, como frulgamente elas são pronunciadas, e honesta e sinceramente Ditas.

 Há também certas Figuras ou Orações que Salomão em Caldeu chamara, Hely; ou, Triunfais Orações das Artes Liberais, e rápida e excelente Eficácia das Virtudes; e elas são a Introdução à Notória Arte. Por isso Salomão fez um início especial delas, para que elas sejam pronunciadas em determinados momentos da Lua; e não devem ser empreendidas, sem levar em consideração o fim. Qual também Magister Apollonius ensinou completa e perfeitamente, dizendo, Aquele que pronunciar estas palavras, que o faça em um determinado tempo estabelecido, e deixar de lado todas as outras ocasiões; e ele lucrará em todas as Ciências em um Mês, e obterá eles em uma maneira extraordinariamente maravilhosa.

As Exposições das Lunações da Notória Arte.

 Há as Exposições/Interpretações/Esclarecimentos das Lunações, e a introdução da Notória Arte, a saber, no quarto e oitavo dia da Lua; e no décimo segundo, décimo sexto, quarto e vigésimo (vigésimo quarto), oitavo e vigésimo (vigésimo oitavo), e trigésimo, em que eles devem ser colocados em operação. Por isso Salomão diz, Que para estes momentos, damos os períodos expositivos da Lua; do quarto dia da Lua, que são dirigidos/escritos/mostrados pelos quarto Anjos; e no quarto dia da Lua [eles] se manifestam para nós; e [as exposições] são quarto vezes repetidas e explicadas pelo Anjo, o Mensageiro destas Orações; e também são reveladas e entregues a nós, que as solicitamos ao Anjo, quatro vezes do ano, experimentar a Eloqüência e Plenitude das quatro Línguas, Grega, Hebraica, Caldéica, e Latina; e Deus determinou o Poder das Faculdade do Entendimento Humano, para as Quatro Partes da Terra; e também as quatro Virtudes da Humanidade, Entendimento, Memória, Eloqüência, e a Faculdade de Reger estas três. E estas coisas devem ser usadas como dissemos anteriormente.

Ele expõe como a Oração precedente é o Início e Fundação de toda Arte.

Esta é a primeira Figura da Notória Arte, que está claramente manifestada sobre a Nota Quadrangular: E esta é a Sabedoria Angelical, pouco entendida na Astronomia; mas na Lente da Astrologia, ela é chamada, O Anel da Filosofia; e na Notória Arte está escrita, Sendo a Fundação de toda Ciência. Entretanto, devem ser ensaiadas quatro vezes ao dia, iniciando com uma vez pela manhã, outra vez na Terceira hora, outra na nona hora, e outra vez ao anoitecer.

A oração antecedente deve ser dita secretamente; e que aquele que a pronuncie esteja solitário, e a pronuncie com uma voz baixa, de modo que ele mal possa se ouvir. E há uma condição deste instrumento, que, se há necessidade de incitar alguém a fazer grandes obras, deverá se pronunciar duas vezes pela manhã, e duas vezes próximo da nona hora; e que o praticante jejue no primeiro dia em que ele ensaiar/repeti-la, e que ele faça isso casta e devotamente. E esta é a Oração que ele dirá:

Esta é a Oração das quatro Línguas, Caldeia, Grega, Hebraica e Latina, claramente expostas, que é chamada, O Esplendor ou Speculum da Sabedoria. Em todas as divinas Lunações, estas Orações  devem ser lidas, uma vez ao amanhecer, uma vez pela manhã, uma vez próximo da terceira hora, e outra ao anoitecer.

A Oração.

 Assaylemath, Assay, Lemath, Azzabue.

 A segunda parte das Orações anteriores, que devem ser dita apenas uma vez.

 Azzaylemath, Lemath, Azacgessenio.

 A Terceira parte da oração anterior, que deve ser dita em conjunto com a outra.

 Lemath, Sabanche, Ellithy, Aygezo.

 Esta Oração não possui Exposição em Latim.

 Esta é uma santa Prece, sem risco de qualquer pecado, que Salomão diz, é inexplicável pela compreensão humana. E ele acrescenta, e diz, Que a Explicação dela é mais prolixa do que pode ser considerada ou apreendida pelo Homem; excetuando também os segredos, que não são lícitos, nem dados em absoluto ao Homem: Portanto ele deixa esta Oração sem Exposição, pois nenhum Homem poderia alcançar a perfeição dela: e ela era tão espiritual, pois o Anjo que a revelou a Salomão, impôs uma proibição imperdoável sobre ela, dizendo, Que tu não te atrevas a dar a qualquer outro, nem exponha qualquer coisa desta Oração, nem a ti mesmo, nem a ninguém por meio de ti, nem a ninguém depois de ti: Pois isso é um Mistério Sacramental e santo, que, expressando as palavras da mesma, Deus ouve a tua Oração, e aumentará tua Memória, Entendimento, Eloqüência, e estabelecerá todas em ti. Que ela seja lida em momentos estabelecidos da Lunação; tal como, no quarto dia da Lua, o oitavo e décimo segundo, como está escrito e ordenado: pronuncia esta Oração com muito afinco quatro vezes nestes dias; crendo em verdade, para que por meio disso teu estudo seja repentinamente expandido, e claro, sem qualquer ambigüidade, além da apreensão da Razão humana.

Da Eficácia de tal Oração que é inexplicável à compreensão humana.

 Isto é somente o que Salomão chama A Felicidade do Saber: e M. Apolônio a denominou, A Luz da Alma, e o Speculum da Sabedoria: E, suponho, a referida Oração pode ser chamada, A Imagem da Vida Eterna; a Virtude e Eficácia, da qual é tão imensa, que é o entendimento ou apreensão de poucos ou ninguém.

Portanto, tendo ensaiado algumas Súplicas, Sinais e Preceitos, concedemo-las como uma introdução para as coisas que destinamos a falar; das quais elas são parte, das quais falamos antes. No entanto, antes de passarmos a falar delas, é necessário que algumas coisas sejam declaradas, pelas quais podemos mais clara e abertamente declarar nossa História: Pois, como dissemos anteriormente, há certas Exceções da Notória Arte; sendo algumas escuras e obscuras, e outras simples e evidentes.

Pois a Notória Arte possui um Livro na Astronomia, da qual é o Princípio e Mestra; e a Virtude dela é tal, que todas as Artes são ensinadas e derivadas dela. E mais a seguir saberemos, que a Notória Arte de uma forma maravilha há e compreende dentro de si mesma, todas as Artes, e o Conhecimento de todo Aprendizado, como Salomão testifica: Por isso é chamada de, A Notória Arte, pois em breve Notas, ela ensina e compreende o Conhecimento de todas as Artes: assim também diz Salomão em seu Tratado Lemegeton, ou seja, em seu Tratado de Experimentos Segredos e Espirituais.

Aqui ele Mostra, de que maneira estas Notas diferem na Arte, e a Razão disso; pois uma Nota é um determinado conhecimento, que pela Oração e Figura é estabelecido.

 Porém das Orações e Figuras, referência deve ser feita em seus locais adequados, e como as Notas são chamadas na Notória Arte. Aqui ele faz menção daquela

Oração, que é chamada A Rainha das Línguas: pois entre estas Orações, há uma mais excelente que as outras, a qual o Rei Salomão, teria, portanto, chamado de A Rainha das Línguas, pois ela leva, por assim dizer, com certo Segredo, os Impedimentos da Língua, e concede uma maravilhosa Faculdade da Eloqüência. Portanto, antes de prosseguirmos, faça um pequeno E

Segue aqui a Prece da qual se falou anteriormente, para obter uma boa Memória.

 Ó Poderosíssimo Deus, Deus Invisível, Theos Patir Heminas; Por teus Arcanjos, Eliphamasay, Gelonucoa, Gebeche Banai, Gerabcai, Elomnit; e por teus gloriosos Anjos, cujos nomes são tão Sagrados, que eles não podem ser pronunciados por nós; que são estes, Do., Hel., X., P., A., Li., O., F, &c.e que não podem ser compreendidos pelo Sentido Humano.

A seguir está o Prólogo da Oração anterior, que estimula e incita a Memória, e é continuada com a Nota antecedente.

 Esta Oração deve ser dita continua a Oração precedente; a saber, Lameth: e com isto, Eu te imploro hoje, O Theos, e deve sempre ser dito como uma Oração contínua. Se isso é para a Memória, que ela seja dita pela manhã; se é para qualquer outro efeito, que seja dita pela noite. E deste modo, que ela seja dita na hora noturna, e pela manhã: E sendo então pronunciada, com a Oração precedente, ela aumenta a Memória, e ajuda nas Imperfeições da Língua.

Aqui começa o Prólogo desta Oração.

 Eu te imploro hoje, ó meu Senhor, Ilumina a Luz de minha Consciência com o Esplendor de tua Luz: Esclarece e fortalece meu Entendimento, com o doce aroma de teu Espírito. Aprimora minha Alma, para que minha audição possa ouvir; e aquilo que eu escuto, eu possa manter em minha Memória. Ó Senhor, reforma meu coração, restaura meus sentidos e os fortalece; habilita minha Memória com teus Dons: Misericordiasamente expõe a ignorância de minha Alma. Ó Deus misericordiosíssimo, tempera a minha Língua, pelo o teu glorioso e impronunciável Nome: Tu que és a Fonte de toda Bondade; a Origem e Nascente da Piedade, tende paciência comigo, concede-me uma boa Memória, e confere a mim aquilo que te peço nesta santa Oração. Ó tu, que não julgas prontamente um pecador, todavia, misericordiasamente espera o arrependimento; Eu (apesar de indigno) te imploro que leve para longe a culpa dos meus pecados, e lava a minha maldade e ofensas, e conceda-me minhas

Súplicas, pela virtude dos teus santos Anjos, tu que és um Deus em Trindade,

Amém.

Aqui ele mostra outra Virtude da Oração precedente.

Se tu duvidas de qualquer grande Visão, que possa ser mostra; ou se tu queres ver qualquer grande Visão, de qualquer perigo presente ou futuro; ou se tu desejas se certificar de daquilo que está ausente, diz esta Oração três vezes no período noturno com grande reverência e devoção, e tu deverás ter e ver aquilo que tu desejas.

Eis aqui uma Oração de grande Virtude, para obter o conhecimento da Arte Física, tendo também muitas outras Virtudes e Eficácias.

 Se tu desejas ter o conhecimento perfeito de qualquer Doença, se a mesma inclinará a morte ou vida: se o doente encontra-se deitado, permaneça em pé, diante dele, e diz tal Oração três vezes com grande reverência.

A Oração da Arte Física.

 Ihesus fili Dominus Incompehensibilis; Ancor, Anacor, Anylos, Zohorna, Theodonos, hely otes Phagor, Norizane, Corichito, Anosae, Helse Tonope, Phagora.

Outra Parte da mesma Oração.

 Elleminator, Candones helosi, Tephagain, Tecendum, Thaones, Behelos, Belhoros, Hocho Phagan. Corphandonos, Humanaenatus & vos Eloytus Phugora: Estejam presentes vós, santos Anjos, esclareçam e mostrem- me, se tal pessoa deverá se recuperar, ou morrerá desta enfermidade.

Isto sendo feito, pergunte então ao doente, Amigo, como tu te sentes? E se ele responder a ti, Sinto-me naturalmente bem, Estou começando a melhorar, ou similar; então julgues sem dúvida, a pessoa irá se recuperar: porém, se ele responder, Eu estou gravemente doente, ou ficando cada vez pior; conclua sem dúvida, Ele morrerá na manhã seguinte: Mas se ele responder, Eu não sei qual é o meu Destino e condição, se é melhorar ou piorar; então tu podes saber outrossim, Que ele ou morrerá, ou a doença dele mudará e se tornará pior. Se for uma Criança, que não é de uma idade capaz de dar uma resposta; ou se o doente padece tão gravemente que ele não saiba como, ou não responderá, profere esta Oração três vezes; e aquilo que será revelado primeiramente em tua mente, é o julgo que irá acontecer a ele.

Além disso, se alguém dissimula, e busca esconder ou ocultar a debilidade dele; diz a mesma Oração, e a Virtude Angelical sugerirá a verdade a ti.

Se a pessoa doente está muito longe; quando tu inquirires seu Nome, pronuncia tal Oração para ele, e tua mente revelará a ti, se ele viverá ou morrerá. Se tu tocares o Pulso de qualquer Mulher com Criança (grávida), dizendo a mesma Oração, a ti será revelado, se nascerá um Macho ou Fêmea.

Mas saibas, que este milagre não precede de tua própria Natureza, mas da natureza e Virtudes dos santos Anjos; sendo parte de seu Ofício, que maravilhosamente revela estas coisas a ti. Se tu duvidas da Virgindade de alguém, diz esta Oração em tua mente, e será revelado a ti se ela é uma Virgem ou Corrupta.

Aqui segue um eficaz Prefácio de uma Oração, mostrando qual a Virtude e Eficácia tu podes, por meio desta, provar a cada dia.

 A respeito desta Oração, Salomão diz, Que por dela um novo conhecimento da Física é revelado por Deus: Sobre a qual ele dispôs este comando, e ele a chamou, O Miraculoso e Eficaz Fundamento da Ciência Física; e que contém em sua quantidade e qualidade toda a Arte e Ciência Física: na qual está contido, certamente, um miraculoso e razoável, além de terrível ou severo Milagre, que, sempre, por mais que tu leias, não considerai a falta de palavras, mas louvai a Virtude de tão grandioso Mistério: Pois o próprio Salomão fala da sutileza da Notória Arte, maravilhosamente exaltando o Socorro Divino; a saber, Pois

propomos algo grandioso, isto é, os grandes e numerosos Mistérios da Natureza, contidos sob especial brevidade, as quais suponho que sejam como um Problema geral na ordenação de tão sutil e excelente trabalho; que a mente do Leitor ou Ouvinte possa ser mais fortalecida e solidificada depois disto.

Aqui é mostrado como cada Nota, de cada Arte, deve exercer seu próprio ofício; e que as Notas de uma Arte não favorecer o conhecimento de outra Arte, e saberemos que todas as Figuras possuem suas Orações apropriadas.

 Agora vamos, de acordo com a nossa força, dividir as famílias da Arte Notória, e deixando esta parte, que é natural, vamos para as partes maiores da Arte: pois Salomão, grande escritor, e o maior Mestre da Notória Arte, abrangeu diversas Artes sob a noção da mesma. Por isso ele chamou isso de a Notória Arte, pois ela deve ser a Arte das Artes, a Ciência das Ciências; que compreende em si todas as Artes e Ciências, Liberais e Mecânicas: E estas coisas, que em outras Artes são repletas de longas e tediosas locuções, preenchendo grandes e prolixos Volumes de Livros, desgastando o Estudante, ao longo do tempo para obtê-las: Nesta Arte são compreendidas muito brevemente, em poucas palavras ou escritos, de modo que se descobrirá estas coisas que são fatigantes e difíceis de serem engenhosamente aprendidas em pouco tempo, pela magnífica e incomum Virtude das palavras.

Por esta razão, nós, a quem tal faculdade do conhecimento da Escritura das Ciências foi concedida, recebemos plenamente este dom, e benefício inestimável, da abundante graça do Criado altíssimo. E considerando que todas as Artes possuem suas várias Notas corretamente dispostas a elas, e representadas por suas Figuras; e a Nota de cada Arte, não possui o ofício de transcendência para outra Arte; nem tornar as Notas de uma Arte favorecida ou assistente do conhecimento de outra Arte: Portanto, isto pode parecer um pouco difícil, pois este pequeno Tratado, que pode ser chamado de Preludium ao Corpo da Arte: explicaremos isoladamente as Notas; e aquilo que é mais necessários, iremos, pela Providência Divina, diligentemente buscar as várias Ciência da Escritura.

Um Preceito Especial.

 Isso é necessário para nós, e necessariamente admitimos que seja útil para a posteridade, que saibamos como compreender os grande Volumes prolixos escritos, em breves e resumidos Tratados; que, aquilo que é facilmente feito, que sejamos diligentes em averiguar a forma de alcançá-lo, dos três livros mais antigos que foram compostos por Salomão; a primeira coisa e principal a se entender daí é, Que a Oração antes do segundo Capítulo, deve ser usado antes de cada discurso, sendo o início, que é o Ensaio: e que as palavras da Oração sejam ditas em um espaço de tempo suficiente; porém, a parte subseqüente da Oração é então especialmente dita, quanto tu desejas o conhecimento dos Volumes escritos, e busca os mesmos nas Notas. A mesma Oração é também dita, quando tu desejas clara e abertamente entender e expor qualquer Ciência ou Grande Mistério, que é subitamente proposto a ti, e o qual tu nunca ouvira falar antes: diz também a mesma Oração em tal momento, quando qualquer coisa de grande conseqüência é importunada a ti, e que no momento tu não tens a faculdade de expor. Esta é uma Oração extraordinária, da qual falamos; a primeira parte da mesma é exposta no Volume da Magnitude da qualidade da Arte.

A Oração.

 Lamed, Rogum, Ragia, Ragium, Ragiomal, Agaled, Eradioch, Anchovionos, Lochen, Saza, Ya, Manichel, Mamacuo, Lephoa, Bozaco, Cogemal, Saluyel, Tesunanu, Azaroch, Beyestar, Amak.

Para operação da Magnitude da Arte; esta Oração contém em segundo lugar, um Tratado geral da primeira Nota de toda a Escritura, da qual parte a Exposição, que explicamos completamente na Magnitude da qualidade da Arte. Embora o leitor tenha ouvido apenas do admirável Mistério do Intelecto Sacramental do mesmo: E que ele saiba isso de forma clara, e não duvide das palavras gregas da Oração dita anteriormente, mas que ele comece a partir delas, como é exposto em latim.

O início da Oração.

Ó Memória Eterna e Irrepreensível! Ó Sabedoria Incontraível! Ó Poder Imutável! Deixa que tua mão direita cinja o meu coração, e os teus santos Anjos do teu Conselho Eterno; completem e preencham minha Consciência com tua Memória, e o aroma de teus Ungüentos; e deixa que a doçura de tua Graça fortaleça e fortifique meu Entendimento, através do esplendor e brilho puro do teu Espírito Santo; por tal virtude, os Santos Anjos sempre contemplam e admiram o brilho de tua face, e todas as Virtudes santas e Celestiais; Sabedoria, por meio da qual tu fizeste todas as coisas; Entendimento, por meio do qual tu reformaste todas as coisas; Perseverança na bem-aventurança, por meio da qual tu restauraste e firmaste os Anjos; Amor, através do qual tu restauraste a Humanidade perdida, e a ergueu depois de sua Queda, para o Céu; Aprendizado, pelo o qual tu tiveste a satisfação de ensinar Adão o conhecimento de toda Ciência: Informa, sacia, instrui, restaura, corrigi, e refina-me, para que eu possa ser renovado no entendimento de teus Preceitos, e na recepção das Ciências que são rentáveis à minha Alma e Corpo, e para todos os crentes fiéis em teu Nome que é bendito para sempre, mundo sem fim.

Aqui também está uma Exposição particular da Oração precedente, que foi deixada sem ser explicada, para ser lida por qualquer um que é instruído nesta Arte, e saiba que nenhum poder humano, nem faculdade no homem é suficiente para encontra a Exposição de tal.

 Esta Oração também é chamada por Salomão, A Gema e Cora do Senhor: pois, como ele diz, ela ajuda contra o perigo do Fogo, ou das Bestas selvagens da Terra, sendo dita com fé: por isso se afirma que ela foi relatada por um dos quatro Anjos, a quem foi dado o poder de ferir a Terra, o Mar, e as Árvores. Há um exemplo desta Oração no Livro chamado, O Livro do Aprendizado Celestial (The Flower of Heavenly Learning): pois aqui Salomão glorifica a Deus, por que com isso ele inspirou nele o conhecimento da Teologia, e o dignificou com os Mistérios Divinos de seu Poder Onipotente e Grandeza: e que, vendo Salomão em sua noite de sacrifício, entregou-se ao Senhor, seu Deus, que convenientemente reuniu os maiores Mistérios nesta Notória Arte, os quais eram

santos, e dignos, e veneráveis Mistérios. Estas coisas e Mistérios da Teologia, que os gentios errantes não perderam ao todo, Salomão chamou de, O Sinal do Santo Mistério de Deus revelado pelo Anjo anterior; e o que contém neles, é a plenitude de nossa dignidade e a Salvação humana.

A primeira destas Orações, quais chamamos de Espirituais, onde ensina a virtude da Divindade, e preserva a memória da mesma.

Também há Orações que são de grande virtude e eficácia para nossa Salvação: A primeira de tais é Espiritual, e ensina a Divindade; e também Perseverança na Memória de tal: Por esta razão Salomão exigiu que ela fosse chamada de O Sinal da Graça de Deus; pois, como Eclesiastes diz, Esta é a Graça Espiritual de Deus, que me concedeu o conhecimento para tratar todas as Plantas, desde o Cedro do Líbano, ao hissopo que cresce na parede.

A Eleição do tempo, em qual Lunação estas Orações devem ser ditas.

 A primeira Oração deve ser dita na primeira Lunação; na terceira, três vezes; na sexta, seis vezes; na nona, nove vezes; e na décima oitava, a mesma quantidade de vezes; na décima sexta, segue a mesma forma; na décima nona, vinte e nove vezes; e assim por diante até a trigésima nona: pois esta Oração é de tão grande virtude e eficácia, que a cada dia que tu disseres a mesma, como fora determinado pelo Pai, ela aumentará teu conhecimento na Ciência da Divindade.

Caso contrário, sendo tu ignorante, e tendo sido visto por teus Companheiros, teus Superiores e teus Inferiores, ainda que para os outros tu pareça ter conhecimento; inicia o estudo da Divindade, e ouve as Escrituras no espaço de alguns meses, expulsando de ti todas as dúvidas, e para aqueles que irão te ver, saibam tais coisas: e neste dia em que tu quiseres dizer isso, que tu vivas castamente, e diz a oração pela manhã.

Salomão testifica, Que um Anjo entregou a seguinte Oração em um Trovão, que sempre permanece na Presença do Senhor, a quem ele não é terrível. Tal Mistério é santo, e de grande eficácia: nem deve esta Oração, a dita acima, ser

dita uma vez, pois ela move os Espíritos celestiais para que realizem qualquer grande obra.

Desta Oração, diz ele, Quão grandioso o Mistério da mesma é que ela move os Espíritos Celestiais para realizarem qualquer trabalho que o Poder Divino permita. Ela também concede a virtude de seus Mistérios, que é exaltada pela língua e corpo daquele que a pronuncia, com tamanha inspiração, pois é um novo e grande Mistério que fora repentinamente revelado ao entendimento.

Segue aqui o início desta Oração, em que há tão grandiosa Virtude e eficácia, como dissemos, sendo ela dita com grande devoção.

 Achacham, Yhel, Chelychem, Agzyraztor, Yegor, &c.

Este é o início da Oração, e as partes da mesma são quarto: Mas há algo a ser dito de início, por si só, e as quatro partes separadamente; e então, entre o início e estas Orações, que são quatro, devemos fazer esta apropriada divisão.

De início, isto é o que deve ser dito separadamente: E esta Oração deve ser dividida em quatro partes: e a primeira parte da mesma deve ser dita, ou seja, o início, antes de qualquer outra parte da Oração seja complementada. Estes Nomes Gregos seguintes são pronunciados. Esta é a divisão destas Orações, Heilma, Helma, Hmena, &c.

Ó Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, Firmai esta Oração, e meu Entendimento e Memória, para receber, entender, e reter o conhecimento de todas as boas Escrituras; e concede-me perseverança da mente nisso.

Este é o início da Oração, que, como dissemos anteriormente, deve ser dita de acordo com as Prolações e Constituições da mesma; e deve ser repetida, devido ao esquecimento de nossa Memória, e de acordo com o exercício de nosso juízo, e de acordo com a santificação de nossa vida; contido em tal grandioso Mistério, e tão eficaz Virtude.

Segue outra sutil Oração, na qual está contida um Mistério Sacramental, e na qual toda Ciência é notavelmente aperfeiçoada: Pois por meio desta Deus nos faz saber, quais são as coisas Celestiais, e quais são as Terrenas; e o que as coisas celestiais causam no [mundo] Celeste, e o que as coisas terrenas afetam no [mundo] Terreno: pois o Senhor diz, Meus olhos viram o imperfeito, e em teu livro todos os dias devem ser criados e escritos, e nenhum Homem em si, &c. Deste modo, ela está nos Preceitos de Deus: pois nós não somos capazes de escrever todas as coisas, tal como o Sol possui o mesmo curso desde o princípio, para que nossa natureza possa ser confirmada; pois tudo o que está escrito, que não é de Deus, não deve ser lido; pois o próprio Deus teria todas as coisas em divisão: e é assim como estas coisas devem ser usadas, antes da segunda parte, que contém tão gloriosas e excelentes Consagrações das Orações, e definem a parte Consagrada para que não tenha poder nos Céus, e nenhum sábio possa ser definido pelas Línguas Humanas.

Este é o início da segunda parte da Oração falada anteriormente, que é de grande virtude.

 Aglaros, Theomiros, Thomitos, &c.

 Esta é a segunda parte da Oração precedente, da qual coisas singulares são evidenciadas. E assim, se tu disseres esta Oração, recordando a primeira parte da mesma, diz a seguinte Oração, tu perceberás os preceitos que há nela.

Ó Deus de todas as coisas, que és meu Deus, que no início criaste todas as coisas a partir do nada, e reformaste todas as coisas pelo Espírito Santo; completa e restaura minha consciência, e cura o meu entendimento, para que eu possa te glorificar em todas as minhas obras, pensamentos e palavras.

 E depois que tu tiveres dito esta Oração, faz uma pequena pausa de meia hora, e então diz a terceira parte da Oração, que segue:

Megal, Legal, Chariotos, &c.

Tendo dito a Terceira parte da Oração, em seguida medita com teu eu sobre as Escrituras que tu desenhas conhecer; e então pronuncie esta Oração:

Ó tu, que és o Caminho, a Verdade e a Luz de todas as Criaturas; Ó Deus Justo, vivifica-me, e firma o meu entendimento, e restaura o conhecimento e consciência em mim, como tu fizeste ao Rei Salomão, Amém.

 Recordando das partes de acordo com o que é formulado, adiciona a seguinte Oração: as Outras orações sendo ditas, diz a quarta parte da Oração, que é esta, Amasiel, Danyihayr, &c.

Em seguida, sendo as partes  recordadas como  é indicado, adiciona também a seguinte Oração.

 Eu falo estas coisas na tua presença, ó Senhor meu Deus, diante de quem todas as coisas estão nuas e abertas, para que, sendo eu lavado do erro da infidelidade, teu Espírito sempre vivo possa me assistir, e levar para longe de mim toda incredulidade.

Como as Orações Latinas não são expostas pelas palavras das Orações.

 Portanto, nós sabemos que Oração em si permanece inexplicável; pois as palavras da mesma são de tão grande sutileza, adornada com a Língua Hebraica e Caldéia, com a tênue e maravilhosa Elocução de Deus: para que o Ofício da Exposição livre da mesma, não seja transferida a mim. As palavras latinas que são acrescentadas às partes da Oração mencionada acima, são tais palavras como traduzidas da Língua Caldéia: elas não são a Oração por si; mas como certas Cabeças de cada Oração pertencente a elas.

Aqui ele fala da eficácia de todas elas.

 Esta Oração é um Mistério, tal como o próprio Rei Salomão testifica dizendo, que um dos Servos de sua casa encontrou este livro por sorte, e estando muito dominado pelo Vinho em companhia de uma Mulher, presunçosamente o leu; mas antes que ele tivesse terminado de ler tal parte, ele foi acometido pela mudez, cegueira e coxeadura, e sua Memória foi tomada; e assim ele continuou até o dia de sua morte: e na hora de sua morte, ele disse que os quatro Anjos que ele ofendera na leitura presunçosa eram tão sagrados quanto tal mistério, e que diariamente o guardavam e o afligia, um em sua Memória, outro em sua fala, um terceiro em sua visão e o quarto em sua audição.

Por este Testemunho, esta Oração é muito louvada pelo o próprio Rei Salomão, e grande é o Mistério dela: pedimos muito e instruímos a cada um, que pronunciará ou lerá, que não faça de forma presunçosa; pois a presunção é pecado; Por esta razão, que esta Oração seja dita, da forma proposta.

Por este motivo, de forma oportuna e necessária, falamos algo dos preceitos gerais da arte, e do conhecimento de todas as artes; e de muitos preceitos de cada arte singular; porém, por termos tocado em algo sobre o curso da Lua, é necessário que mostremos o que o curso dela significa. A Lua passa pelos 12 signos em um Mês; e o Sol pelos 12 signos em um ano; e no mesmo termo e tempo, o Espírito inspira-os, frutifica-os e os ilustra; daí é dito, que o Sol e a Lua seguem seus cursos: entende-se o curso que eles tinham primeiro. Porém, devido isso está de forma deficiente em hebraico, cogitamos que seja bom omitir na língua Latina, tendo falado suficientemente da Oração precedente, e das três partes da mesma.

Neste Capítulo ele apresenta a eficácia da Oração subseqüente, sendo especial para obtenção da Eloqüência.

 A seguinte Santa Oração é uma Oração especial, para obtenção da Eloqüência; considerando que todas as outras possuem virtude e eficácia em outras coisas, esta contem tal mistério especial em si: e  considerada uma das generais, é

apresentada em si, certos preceitos gerais, comuns a todas as artes; pois assim Deus constituiu a Alma no Corpo, dizendo; Eu dou a ti, para que vós mantenhas e observes a Lei do Senhor; E estas são as que estão na presença de Deus sempre, e observam a face de seu Salvador dia e noite: Então, desta Oração, digo, Esta é a mais gloriosa, mística e inteligível Oração, contendo os mistérios em si, que a mente, consciência e língua prosperam. Este é o mistério, que um homem deve manter de acordo com sua vontade, que prevê todas as coisas que devem ser feitas à sua vista; pois o mistério desta Oração é glorioso e Sacramental: que nenhum tenha a pretensão de pronunciar esta Oração após beber demais ou fazer uso da Luxúria; nem jejue, sem grande reverência, discrição e prudência. Por esse motivo, diz Salomão; Que nenhum homem tenha a pretensão de tratar nada desta Oração, senão em momentos determinados e estabelecidos, a menos que ele faça menção desta Oração diante de um grande Presidente, para tratar de negócios importantes; pois esta Oração é de uma virtude maravilhosamente excelente.

A benevolência desta Oração, e a obtenção dos efeitos da mesma, lêem-se no Salmo em que é dito, Segue-me, e eu vou farei Pescadores de Homens, como ele disse e fez.

Sabemos que não é de nosso poder, pois esta Oração é de um mistério e Virtude tão grandiosa, que certa vez, o Senhor disse aos seus Discípulos, Isto não nos é permitido saber: pois esta Oração é um mistério, que está contido no grandioso Nome de Deus; pois muitos mentiram ao dizer que eles sabiam; pois o próprio Jesus realizou muitos Milagres no Templo por meio dela: Mas muitos mentiram sobre o que ele fazia, e esconderam e abandonaram a verdade dela; de modo que ninguém declarou a mesma antes que ela fosse passada: embora supomos de que algo sobre ela tenha sido dito.

Neste Capítulo ele menciona o momento e maneira de como esta Oração deve ser pronunciada.

 Pois esta Oração é uma das gerais, e a primeira das particulares, contendo ambas em si; tendo em si uma virtude e faculdade especial, para obter Eloqüência:

portanto é necessário entender em qual momento, ordenação e quais datas deve esta oração ser dita e proclamada.

Ela pode ser sempre ensaiada em cada uma das 14 Lunações como dito acima; mas a ordenação do momento em cada dia, no qual ela deve ser dita, é especialmente nos momentos do início da manhã, antes de que o homem esteja profanado; e então todas as Orações são especialmente ditas. E esta Oração deve ser, então, pronunciada de forma conjunta, em totalidade, sem qualquer divisão. E embora exista nela divisões, a Oração não é em si dividida; mas apenas os Nomes Gloriosos e Divinos são escritos separadamente, e são divididos em partes, de acordo com as terminações de cada Nome Glorioso e Grandioso; e eles devem ser ditos como o mais excelentes dos nomes, e não apenas como uma Palavra, por causa da fragilidade de nossa natureza; Nem é preciso conhecer os Elementos das sílabas, posicionadas nesta Oração; pois elas não devem ser conhecidas; e nem que ninguém pronuncie as orações de forma presunçosa; e nem que faça qualquer coisa por meio da tentação, quanto a esta Oração, que não deve ser feito: Elmot, Sehel, Hemech, Zaba, &c.

 Nenhum Homem que esteja impedido ou corrompido com qualquer crime deve pronunciar esta Oração.

 Isso é algo concordado entre os homens sábios deste Mundo, que estas coisas, como ditas antes, devem ser pronunciadas com grande reverência e diligência: devem ser ditas a cada dia, nas quais tu não deves ser impedido por qualquer pecado criminal; e neste dia, em que tu fores impedido por qualquer pecado criminal, tu deves te lembrar disso, em teu coração; e se tu desejas se tornar Eloqüente a repete três vezes. E se qualquer coisa má te preocupa, ou se tu estiveres envolvido em qualquer grande assunto, repete esta Oração uma vez, e a Eloqüência será acrescentada a ti, o quanto for necessário; e se tu repetires ela mais de duas vezes, grande Eloqüência será dada a ti; pois é um grandioso Sacramento é esta Oração.

A Terceira coisa que deve ser considerada nesta Oração é; Esta Oração deve ser assim pronunciada, e uma confissão de Coração e Boca deve precedê-la; que ela seja pronunciada cedo da manhã, e após esta Oração diz a seguinte Oração Latina.

Este é um Prólogo ou Exposição da Oração precedente, que deve ser dito consecutivamente.

 Ó Deus onipotente e eterno, misericordioso Pai, bendito antes de todos os Mundos; tu que és um Deus eterno, incompreensível, e imutável, e concedeu este bendito dom de salvação a nós; e de acordo com a onipotência de tua Majestade, a nós concedeu; a faculdade de falar e aprender, que negastes a todos os animais; e dispôs de todas as coisas por tua infalível providência: tu que és Deus, cuja Natureza é eterna e consubstancial, exaltado acima dos Céus; que em inteira Divindade habita corporalmente todas as coisas: Eu imploro tua Majestade, e tua gloriosa onipotência, em súplica, adorando a Virtude, o Poder e Magnificência de tua eternidade. Eu te imploro, ó meu Deus, concede-me a inestimável Sabedoria da Vida dos teus Santos Anjos. Ó Deus, Santo Espírito, incompreensível, em cuja presença estão os coros dos Anjos; eu rogo e te imploro, pelo o Santo e Glorioso Nome, e pela visão dos teus Anjos, e os Principados Celestes, concede a mim a tua graça, e para que esteja presente comigo, e concede-me o poder para preservar na Memória de tua Sabedoria, que vives e reinas eternamente como um Deus único, através de todos os mundos dos mundos; em cujos olhos estão todas as Virtudes Celestes, agora e para sempre, e em todos os lugares, Amém.

Esta Oração sendo desta maneira finalizada, não há necessidade de que algum Mistério seja adicionada; de modo que tu permaneças em silêncio por um tempo após a Oração Latina termine: e após uma pequena taciturnidade, ou seja, um pequeno espaço de silêncio, comece a pronunciar a seguinte Oração seriamente: Semet, Lamen, &c.

Esta (como diz Salomão) é a Oração das Orações, e um experimento especial, por meio do qual todas as coisas, sejam gerais ou particulares, são conhecidas de forma plena, eficaz e perfeitamente, e são mantidas na Memória. Porém, quanto

tu tiveres, por meio desta Oração, obtido a Eloqüência que tu desejas, poupa-te disso, e não declara precipitadamente as coisas que tua Língua sugere e administram a ti; pois este é o fim de todos os Preceitos gerais, que são dados para obter Memória, Eloqüência, e entendimento, Todas estas coisas que foram entregues antes dos preceitos gerais, são dadas como sinais de como a faculdade alcança o entendimento dos preceitos que elas possuem as quais Salomão também chamou de Espirituais; e estas singulares artes possuem virtudes e poderes singulares.

Tendo agora dadas as definições dos preceitos gerais, e as Orações declaradas; e a Autoridade das Orações para a finalidade que elas são destinadas; É necessário agora definir o que é feito, relativo às Orações singulares; pois agora trataremos das muitas e particulares artes, por meio das quais podemos seguir o exemplo de nosso construtor e Mestre deixara antes de nós; pois, como diz Salomão, antes de prosseguirmos para as Notas singulares e Orações das Artes observadas antes, deve ser dito um Preludium, que é o início ou Prólogo.

Como cada Arte possui sua nota apropriada. [1]

 Antes de procedermos com os preceitos singulares das muitas Artes, é necessário descobrir como cada Arte possui diferentes Notas.

1: Esta seção inicia a segunda parte do manuscrito, relacionada com a aquisição das habilidades pertencentes às Artes Liberais especificas.

Das Ciências Liberais e outras coisas, que podem ser obtidas por esta Arte.

 As Artes Liberais são sete, e sete exceções, e sete Mecânicas. As sete exceções são compreendidas sob as sete liberais: Ela manifesta aquilo que as Artes Liberais são, da qual trataremos da primeira. As Mecânicas são estas, que são de forma adulterada chamadas de Hidromancia, Piromancia, Nigromancia, Quiromancia, Geomancia, Geonegia, que é compreendida sob Astronomia e Neogia.

Hidromancia é uma ciência de divinação pela Água; por meio do qual os Mestres da mesma avaliavam as coisas pelo a Água parada ou corrente. Piromancia é um Experimento de divinação pela chama do fogo; que os antigos Filósofos avaliam como de grande eficácia. Nigromancia é um Sacrifício dos Animais Mortos, por meio da qual os Antigos supostamente conheciam grandes Experimentos sem pecado, e alcançavam grande conhecimento: daí Salomão ordenava que se devesse ler sete Livros da Arte sem pecado; e deste dois ele considerou Sacrilégio, e que não se pudessem ler estes dois Livros da Arte sem pecado. E tendo falado suficiente disto, devemos proceder com o resto.

Das Ciências Liberais e outras coisas que podem ser obtidas através delas.

 Há sete Artes Liberais, que cada um pode aprender sem pecado. Pois a Filosofia é grande, contendo profundos Mistérios em si: Estas Artes são maravilhosamente conhecidas.

Ele declara quais Notas as três Artes Liberais possuem.

 Para Gramática há apenas três Notas, para a Dialética há duas, e para a Retórica há quatro, e cada uma com abertura e Orações distintas. Porém, portanto, a Gramática possui três, a Dialética duas, e a Retórica quatro; pois sabemos que o próprio Rei Salomão testifica e afirma; pois assim ele diz, E assim como eu estava admirando e refletindo em meu coração e em minha mente, de que forma, de quem e de onde era tal Ciência; um Anjo trouxe um livro, no qual estava escrito Figuras e Orações, e entregou a mim as Notas e Orações de todas as Artes, clara e abertamente, e falou a mim de todas, aquilo que era necessário: E ele explicou a mim, como a uma Criança que é ensinada por certos Elementos; que algumas Artes tediosas tomam um grande espaço de tempo, e como deveria ter estas Artes em um curto espaço de tempo: Disse a mim, Assim tu serás elevado em cada ciência pelo o aumento destas Virtudes. E quando eu o questionei, Senhor, de onde e como isso acontece? E o Anjo respondeu, Este é um grande Sacramento do Senhor, e de sua Vontade: este escrito é advindo do poder do Espírito Santo, que inspira, frutifica aumenta todo o conhecimento; E novamente o Anjo disse, Contemplai estas Notas e Orações, nos momentos determinados e indicados, e observa os momentos de Deus como estabelecidos, e não o contrário. Quando assim ele disse, ele mostrou ao Rei Salomão um Livro no qual estava escrito, em quais momentos todas estas [orações] sempre foram pronunciadas e divulgadas, e claramente demonstrou isso de acordo com a Visão de Deus: As coisas que eu ouvi e vi, operei em todas elas, de acordo com a Palavra do Senhor através do Anjo: E assim Salomão declara, e assim sucedeu- lhe: Mas nós, que viríamos após ele, devemos imitar a sua Autoridade, o quão possível for observar estas coisas que ele deixou a nós.

Aqui Salomão expõe como o Anjo disse a ele claramente a razão da Gramática ter três Figuras.

 Eis o motivo pelo o qual a Arte Gramatical possui apenas três Notas no Livro de Salomão; Gemeliath, ou seja, no Livro da Arte de Deus, onde está a Arte de todas as outras Ciências, e de todas as outras Artes; Pois assim diz Salomão, quando eu questionei todas as coisas de forma singular ao Anjo de Deus, com temor, dizendo, Senhor, de onde vem tal coisa que passas a mim, para que eu possa conhecer completa e perfeitamente esta Arte? Por que tantas Notas pertencem a tal Arte, e tantas outras para outra Arte, e a elas são escritas determinadas Orações, para se ter a eficácia delas? O Anjo, assim respondeu: A Arte Gramatical é chamada de Arte Liberal, e há três coisas necessárias para tal; Ordenação das palavras e tempos, e nelas, dos Adjuntos ou Figuras; Simples, composto, e variados; e várias declinações de partes para os complementos, ou a relação das partes, e uma divisão Congruente e ordenada. Esta é razão, o motivo pelo o qual há três Notas da Arte Gramática: E assim aprouve a Sabedoria Divina, que, assim como deve haver um conhecimento completo do declínio por um lado; por outro, deve haver a conveniente Ordenação de todas as partes; pelo terceiro, deve haver uma Divisão contínua e conveniente de todas as partes, simples e compostas.

A Razão pela qual a Arte Dialética possui apenas duas Figuras.

Dialética, que é chamada de a forma das Artes, e é um discurso Doutrinal, possui apenas duas coisas necessárias para ela, a saber, Eloqüência de Argumentação, e Prudência para perguntar; Portanto, a grandeza da Providência e Piedade Divina estabeleceu estas duas Notas; que pela primeira, possamos ter Eloqüência para Argumentar e Disputar; e pela segunda, questionar sem ambigüidade: Portanto, foi atribuído para a Gramática três Notas, e para a Dialética duas Notas.

A Razão pela qual a Retórica possuí quatro Figuras. Veremos por qual motivo a Retórica possui quatro Notas. Pois há quatro coisas necessárias nela; assim disse o Anjo do Senhor a Salomão; a saber, um ornamento contínuo e notável da locução, Uma ordenada, um julgamento ordenado e competente, um Testemunho das Causas ou Ofícios, das Chances & Perdas, uma disposição composta para a compra e venda; Uma Eloqüência das questões de tal Arte, com um entendimento demonstrativo. Portanto, a grandeza de Deus definiu para a Arte da Retórica quatro Notas, com suas Orações Santas e Gloriosas; pois elas foram enviadas pela Mão de Deus; que cada Nota na Arte citada, deve ter várias faculdades, Que a primeira Nota em tal Arte, deve acontecer uma locução contínua, um adorno competente e notável de tal: A segunda, discernir Julgamentos, justos e injustos, regular e irregular, verdadeiro e falso: O terceiro, de forma competente, descobrir os ofícios e causas: e o quarto dá o entendimento e Eloqüência em todas as operações nesta Arte, sem prolixidade. Vê, portanto, como na Gramática, Lógica e Retórica, as muitas Notas são dispostas em muitas Artes.

Porém, de todas as outras Artes e suas Notas, falaremos no momento e local correto, pois as encontramos dispostas neste mesmo livro de Salomão.

Em quais momentos e horas as Notas destas três Artes Liberais devem ser examinadas.

 Continuaremos a mostrar agora em qual momento, e como as Notas destas Artes devem ser inspecionadas, e como as Orações devem ser ditas, para obter estas

Artes. Se tu és completamente não instruído na Arte Gramatical, e desejas ter conhecimento desta; se a ti foi apontado por Deus para fazer esta obra das obras, e tendo um entendimento firme nesta Arte das Artes; saibas então que tu não deves fazer o contrário ao que este livro te ordena; pois este livro será o teu Mestre, E esta Arte a tua Amante.

Como as Notas Gramaticais devem ser inspecionadas na primeira Lua.

 Desta maneira, as Notas Gramaticais devem ser inspecionadas, e as Orações ditas.

Nos dias em que a Lua estiver em seu início, a primeira Nota deve ser inspecionada 12 vezes, e a Oração da mesma repetida 24 vezes com uma veneração divina; fazendo uma pequena pausa entre elas, que a Oração seja repetida duas vezes durante a inspeção de cada Nota, e principalmente abstendo- se dos pecados: fazei isso do primeiro dia da Lua até o 14º, e do 14º ao 17º. A primeira e segunda Nota deve ser inspecionada 20 vezes, e a Oração deve ser repetida 30 vezes, no 15º e 17º dia, usando o mesmo intervalo entre elas; Todas as notas são então inspecionadas 12 vezes, e as Orações repetidas 20 vezes: e assim, portanto, procede com as Notas da Arte da Gramática. Mas se tu desejas ler qualquer livro desta Arte, e desejas perfeição em tal, faz como é ordenado; usando as Orações gerais para Aumentar a Memória, Eloqüência, entendimento e perseverança em tal, repete como está dito acima no momento correto e nas horas indicadas; a fim de que possa ir além do teu preceito; evitando cometer pecado: porém, quando tu fizeres isso [cometer pecado], observai que, sendo segredo para ti, e que tu não deves observar, mas Deus o observa. Agora, vamos às Notas.

Segue aqui o conhecimento das Notas.

 No início da inspeção de todas as Notas, jejua durante o primeiro dia até o anoitecer, se tu puderes; se não, então tomai outra hora. Este é o preceito Gramatical.

Das Notas Lógicas.

 As Notas Dialéticas podem ser usadas a cada dia, exceto naqueles dias ditos antes: As Notas Retóricas podem ser usadas a cada dia, exceto nos três dias do Mês da , a saber, 11, 17, e 19. E elas são proibidas nestes dias, pois assim testifica Salomão, as Notas de todas as Artes, exceto as Notas desta Arte são oferecidas. Estes preceitos são geralmente observados.

Como as Notas Lógicas são inspecionadas, e as Orações assim são ditas.

 Saiba que as Notas Dialéticas devem ser inspecionadas quatro vezes, e as Orações das mesmas em tal dia devem ser repetidas 20 vezes, repousando entre cada repetição, e tendo os livros da Arte diante de teus Olhos; e assim também os livros de Retórica, quando as Notas da mesma forem inspecionadas, como são indicados. Isso é suficiente para o conhecimento das 3 Artes.

De como devemos tomar cuidado com as ofensas.

 Antes de prosseguirmos com o início da primeira Nota da Arte da Gramática, algo deve ser antes experimentado, para que possamos ter o conhecimento da 1º, 2º e 3º Notas. E tu deves primeiro saber, que em cada uma das Notas da Arte da Gramática, Lógica, ou Retórica são inspecionadas, ela começa necessariamente com a maior de tuas intenções para se manter das ofensas.

Como as Notas devem ser inspecionadas, nos momentos eleitos.

 Este é um conhecimento especial e manifesto, com o qual as Notas da Arte Gramatical são conhecidas: como eles são proclamadas, em quais momentos, e com qual distinção, devida e competentemente manifestos; já se falou da proclamação e inspeção das Notas e Orações: agora vamos divagar um pouco sobre falar algo sobre os momentos, sendo que isso já está, em parte, feito.

Como diversos Meses são procurados na inspeção das Notas.

 Já falamos dos termos desta Arte, como as Orações devem ser lidas, e as Notas para se inspecionar: sobra para se declarar como as Lunações destas Orações são inspecionadas e descobertas. Mas observai para que tu não te enganes: já observei que as Lunações, nas quais as Notas devem ser inspecionadas, e as Orações ensaiadas: Mas há alguns Meses, em que a Lunação é mais útil que em outros: se tu desejas operar na Teologia ou Astronomia, fazei isto nos signos ígneos; se desejas operar na Gramática ou Lógica, em  ou : se operarás na Música ou Física, em    ou ; se é Retórica, Filosofia, Aritmética ou Geometria, em   ou : para Matemática, em   ou : assim eles são bem colocados, e livres do mal; pois todas as Potestades Celestiais e Coros de Anjos se alegram em suas Lunações, e dias determinados.

Aqui é feito menção das Notas de todas as Artes.

 Eu, Apolônio, seguindo o poder de Salomão, tendo me disposto para manter seu trabalho e observações, como dito nas três Notas da Gramática, assim observarei os momentos como eles devem ser observados: Mas as Orações das mesmas não são escritas, mas são mais amplamente demonstradas no seguinte trabalho; pois aquilo que é escrito sobre estas três Notas, não são Orações, mas Definições destas Notas, escritas pelos Gregos, Hebreus e Caldeus, e outras coisas que são aprendidas por nós: pois estes escritos que não são entendidos em latim não devem ser pronunciados, senão nos dias que são definidos pelo Rei Salomão, nos dias em que as Notas são inspecionadas, mas nos dias em que estas sagradas escrituras são sempre repetidas: e o latim, nestes dias em que as Notas não são inspecionadas. As Notas da Arte Lógica são duas: e em quais momentos elas devem ser proclamadas ainda será mostrada em parte: e futuramente deve se falar sobre elas: em primeiro lugar, agora, virão as outras. Os escritos latinos podem ser proclamados, de acordo com a Antiguidade dos Hebreus, exceto nos dias que mencionamos: pois, como diz Salomão, Que tu procures realizar todos os preceitos como eles são dados: Mas para o resto que se segue, deve-se fazer de outro modo: pois quando tu observares a primeira Nota da Lógica, repete em

teu coração o signo na primeira Nota, e assim por diante nas Notas de todas as Artes, exceto naquelas em que uma definição foi dada.

Definições de algumas Artes, e as Notas das mesmas.

 Também daremos Definições das diversas Artes, como está no Livro de Salomão; Geometria possui uma Nota, Aritmética uma Nota e meia; Filosofia, com as Artes e Ciências que contém em si, possui 7; Teologia e Astronomia, com as Ciências contidas nelas possuem 7 Notas, mas elas são grandiosas e perigosas; não formidáveis na pronunciação, mas possuem grande eficácia: Música possuí uma Nota, e Física uma Nota; mas elas são todas proclamadas e ensaiadas em seus dias determinados: Mas saiba, que em cada dia que tu observar as Notas da Teologia, Filosofia, ou quaisquer outras Artes contidas nelas, que tu não rias, nem brinques, nem jogues; pois o Rei Salomão, quando viu as formas destas Notas, tendo bebido demais, Deus ficara furioso com ele, e disse a ele através de seu Anjo, Pois tu desprezaste meu sacramento, e Poluiu e zombou de minhas coisas Sagradas; Eu levarei parte de teu Reino, e encurtarei os dias de tuas Crianças. E o Anjo acrescentou, O Senhor te proibiu de entrar no Templo por 80 dias, para que tu possas se arrepender do teu pecado. E quando Salomão chorou e implorou à misericórdia do Senhor, o Anjo respondeu, Ele prolongará teus dias; todavia, muitos infortúnios e iniqüidades virão sobre tuas Crianças, e eles serão destruídos pela iniqüidade que cairá sobre eles.

No início de uma Nota, tendo visto as gerais; que as especiais sejam inspecionadas. A palavra de Salomão é para se buscar a Deus por suas promessas, antes das três Notas das Artes.

A primeira Oração no início da Nota.

 Que a Luz, Verdade, Vida, Caminho, Julgo, Misericórdia, Fortaleza e Paciência, preservem-me, ajudem-me, e tenha Misericórdia de mim, Amém.

Esta Oração, com a anterior deve ser dita no início da primeira Nota da Gramática.

Ó Senhor, Pai Divino, Todo Poderoso, Deus eterno, que em sua visão estão todas as fundações de todas as criaturas, e seres invisíveis cujos Olhos observam as imperfeições, e cuja doçura do seu amor a Terra e os Céus estão cheios; que viste todas as coisas antes que elas fossem feitas, em cujo livro todos os dias são formados, e toda a humanidade está escrita nela: vê a mim, teu Servo, neste dia prostrado diante de ti, com teu Coração e Alma: por teu Espírito Santo firma-me, abençoa-me, protege- me todas as minhas Ações nesta inspeção ou repetição, e ilumina-me de tua inspeção.

A terceira Oração: deve ser dita antes da segunda Nota da Gramática.

Vê, ó Senhor, misericordioso Pai de todas as coisas, eterno doador de todas as virtudes, e julga minhas operações neste dia; Tu és o Observador e Julgador de todas as Ações dos Homens e Anjos: que a magnífica graça de tuas promessas condescenda para cumprir de súbita esta virtude em mim, e que infunda tal eficácia em mim, operando em teu Santo e grandioso Nome, tu que infunde teu louvor na boca daqueles que te ama, Amém.

A quarta Oração; Que esta Oração seja ensaiada antes da Terceira Nota Gramatical:

Ó ADONAY, Criador de todas as Criaturas visíveis! Ó Pai Santíssimo, que vives rodeado em luz eterna, dispôs e governou, por teu poder todas as coisas antes de todos os começos; Eu humildemente peço que a tua eternidade e tua incompreensível bondade possam vir me aperfeiçoar, por meio dos teus Santos Anjos; e sejam firmados em minha Memória, e estabelecidos estes teus Divinos Trabalhos em mim, Amém.

Após uma pequena pausa depois desta Oração, diz a seguinte: a primeira Oração deve ser dita antes da primeira Nota da Lógica.

Ó Santo Deus, grande e eternamente bondoso Criador de todas as coisas, tuas qualidades não podem ser expressas, aquele que Criou o Céu e a Terra, o Mar e todas as coisas contidas neles, e o abismo sem fim, de acordo com tua vontade; e em tua vista estão as Palavras e Ações de todos os homens: Concede-me, por estes Misteriosos Sacramentos, precioso conhecimento desta arte, que eu desejo pelo Ministério dos teus Santos Anjos, sem qualquer intenção Maléfica ou Maligna, Amém.

Pronuncia esta Oração no início da primeira Figura da Arte Lógica; e após esta Oração, ensaia incontinentemente com alguns intervalos, as Orações escritas entre a primeira Figura.

 A sexta Oração deve ser dita antes da primeira Nota do Dialeto.

Helay: Misericordioso Criador, Inspirador, Reformador, e Aprovador de todas as Vontades Divinas, Ordenador de todas as coisas, misericordiosamente escuta a minha Súplica, gloriosamente direcionadas ao desejo do meu coração, para que aquilo que humildemente desejo, esteja de acordo com tuas promessas, misericordiosamente concedidas por ti, Amém.

A Oração seguinte deve ser pronunciada antes da primeira Nota da Arte Retórica.

Pai Onipotente e Misericordioso, Ordenador e Criador de todas as Criaturas: Ó Juiz Divino, eterno Rei dos Reis, e Senhor dos Senhores; que maravilhosamente dignou-se conceder a sabedoria e entendimento aos Santos, que julgas e discernes todas as coisas: eu te peço que ilumine meu coração neste dia, com o Esplendor de tua Beleza, para que eu possa entender e conhecer o que eu desejo, e aquelas coisas que são consideráveis para se conhecer nesta Arte, Amém.

Esta Oração, com a seguinte, Hanazay, &c. deve ser pronunciada antes da primeira Figura da Retórica e embora elas sejam divididas apenas neste caso, pode haver um intervalo médio usado na pronunciação delas; e elas devem ser ditas antes das outras Orações escritas na Figura.

Hanazay, Sazhaon, Hubi, Sene, Hay, Ginbar, Ronail, Selmore, Hyramay, Lobal, Yzazamael, Amathomatois, Yaboageyors, Sozomcrat, Ampho, Delmedos, Geroch, Agalos, Meihatagiel, Secamai, Sabeleton, Mechogrisces, Lerirenorbon.

A 8ª Oração, que ela seja pronunciada antes da segunda Nota da Arte Retórica:

Ó grandiosamente maravilhoso e eterno Senhor Deus, que de teu conselho eterno dispôs de todas as virtudes, e és Ordenador de toda bondade; Adorna e enfeita minha compreensão, e concede a mim a Razão para conhecer e aprender os Mistérios dos teus Santos Anjos: e concede a mim todo o conhecimento e aprendizado que prometestes aos teus Servos pela virtude dos teus Santos Anjos, Amém.

Esta Oração, com a seguinte, deve ser pronunciada (a saber. Visão, &c.) Azelechias, &c., no início da segunda Figura da Retórica, e antes das outras Orações; e deve haver algum intervalo entre elas.

Que esta Oração seguinte seja dita, antes da segunda Nota da Retórica

Visão; observando com tua eternal inteligência de todos os Poderes, Reinos e Juízes, Regendo todos os tipos de Línguas a todos, e de cujo poder não há fim; restaura, eu te peço, e aumenta a minha Memória, meu coração e entendimento, para conhecer, entender, e julgar todas as coisas que tua Autoridade Divina recomenda como necessário nesta arte, perfeitamente preenchendo elas em mim, Amém.

Que a seguinte Oração, junto com a precedente, seja ensaiada antes da Segunda Nota da Retórica.

Azelechias, Velozeos, Inoanzama, Samelo, Hotens, Sagnath, Adonay, Soma, Jezoehos, Hicon, Jezomethon, Sadaot. E tu, ó Deus, propiciosamente confirma tuas promessas em mim, assim como tu confirmastes elas pelas mesmas palavras ao Rei Salomão, envia a mim, ó Senhor, tua virtude do Céu, para que ela possa iluminar minha mente e meu entendimento: fortalece, ó Deus, meu entendimento, renova minha Alma dentro de mim, e lava-me com as Águas que estão acima dos Céus; derrama teu Espírito sobre a minha carne, e preenche minhas entranhas com teus Julgamentos, com humildade e caridade: tu que criaste o Céu e a Terra, e fez o Homem de acordo com tua Imagem; derrama a luz do teu amor em meu entendimento, para que eu seja radicado e estabelecido em teu amor e tua misericórdia, para que eu possa amar teu Nome, e te conhecer e te adorar, e entender todas as tuas Escrituras, e todos os Mistérios que tu declaras através dos teus Santos Anjos, para que eu possa receber e entender em meu Coração, e usar esta Arte para tua Honra e tua Glória, através de teu poderoso Conselho, Amém.

A 11ª deve ser dita antes da pronunciação da Terceira Nota da Retórica.

Eu sei que amo tua Glória, e meu prazer está em tuas maravilhosas obras, e que tu me concederás sabedoria, de acordo com tua bondade e poder, que é incompreensível: Theon, Haltanagon, Haramalon, Zamoyma, Chamasal, Jeconamril, Harionatar, Jechomagol, Gela Magos, Kemolihot, Kamanatar, Hariomolatar, Hanaces, Velonionathar, Azoroy, Jezabali; por estes Santíssimo e Gloriosos e profundos Mistérios, preciosos Ofícios, virtude e conhecimento de Deus, completa e aperfeiçoa meus princípios, e os reforma, Zembar, Henoranat, Grenatayl, Samzatam, Jecornazay: Ó tu, grande Fonte de toda bondade, conhecimento e virtude, concede ao teu Servo poder para evitar todo mal, e dividir a bondade e conhecimento, e seguir o mesmo com uma intenção Santa, para que com todo o meu coração eu possa entender & aprender tuas Leis e tuas Ordens; especialmente os Divinos Mistérios, com os quais eu possa beneficiar a todos, assim eu te peço, Amém.

Esta Oração deve dita antes da nona Nota Retórica:

Ó reverente Senhor Todo-Poderoso, que rege todas as Criaturas, tanto os Anjos quanto Arcanjos, e as Criaturas Celestiais, Terrestres e Infernais; de cuja grandeza toda abundância é vinda, que criaste o homem segundo tua própria Imagem; concede-me o conhecimento desta Arte, e fortalece todas as Ciências em mim, Amém.

 Pronuncia esta Oração antes da primeira Figura da Aritmética:

Ó Deus, que numeraste, pesaste e mediste todas as coisas, dando ao dia a sua ordem, e chamando o Sol por seu nome; Concede o conhecimento desta Arte ao meu entendimento, para que eu possa te amar, e agradecer o dom de tua bondade, Amém.

 Diz esta antes da semi-nota da Aritmética:

Ó Deus, Operador de todas as coisas, de quem deriva cada dom bom e perfeito; semeia as Sementes de tua Palavra em meu Coração, para que eu possa entender os excelentes Mistérios desta Arte, Amém.

 Diz esta antes da segunda Figura da Aritmética:

Ó Deus de Julgamento Perfeito de todas as boas obras, que fez saber que elas guardam a bondade entre todas as Nações; abre meus Olhos e meu coração, com os raios de tua misericórdia, para que eu possa entender e perseverar, nestes teus Mistérios Celestiais, Amém.

Esta Oração antes da segunda Nota da Geometria:

Ó Deus, doador de toda sabedoria e conhecimento aqueles que são sem pecado, Instrutor e Mestre de todo Aprendizado Espiritual, por teus Anjos e Arcanjos, pelos Tronos, Potestades, Principados e Poderes, pelos Querubins e Serafins, e pelos 24 Sábios, pelos 4 Animais, e toda a hoste do Céu, eu venero, invoco, adoro e glorifico teu Nome, e te exalto: terrível e misericordioso, eu humildemente te peço neste dia para que ilumine e preencha meu Coração com a graça do Espírito Santo, tu que és três em um, Amém.

Diz esta Oração antes da segunda Nota da Teologia.

Eu adoro a ti, ó Rei dos Reis, minha luz, minha substância, minha vida, meu rei, e meu Deus, minha Memória, e minha força: quem em um Momento concedeu diversas Línguas, e jogaste em uma Poderosa Torre, e deste por teu Santo Espírito o conhecimento das Línguas aos teus Apóstolos, infundindo neles o conhecimento em um Momento, dando a eles o entendimento de todas as Línguas: inspira em meu Coração, e derrama o orvalho de tua graça e teu Santo Espírito sobre mim, para que eu possa entender a Explicação das Línguas e das Linguagens, Amém.

Três Capítulos para serem proclamados, antes de qualquer uma das Notas.

 Aquilo que falamos dos três primeiros Capítulos é geral e especialmente para ser pronunciado, de modo que tu as pronuncies, e as Orações nos dias definidos, e trabalhe pelas Notas como é demonstrado a ti. Estas Orações devem ser ditas sempre antes do meio-dia, em cada dia do Mês; e antes das Notas dizer as Orações apropriadas: e em toda leitura, observe os preceitos exigidos.

Como as Notas Adequadas devem ser inspecionadas.

 Se tu tiveres aprendido algo de uma Arte, observai as Notas Apropriadas em seus momentos corretos. Já foi dito o suficiente sobre as três Artes Liberais.

Quais dias devem ser observados na inspeção das Notas das quatro Artes.

  Nas quatro outras Artes, apenas os primeiros dias são observados: As Notas Filosóficas, com todas as Ciências contidas nelas, o 7º e 17º dias da Lua são inspecionados, 7 vezes ao dia, com suas muitas Orações. A Nota é inspecionada, com silêncio e temor.

Das Notas das Artes Liberais já foi falado; saiba apenas isso, que quando tu fores utilizá-las, vive de forma casta e sóbria; pois a Nota possui em si 24 Anjos, e é para ser pronunciada plena e perfeitamente, assim como tu ouves: mas quando tu inspecioná-las repete todas as Orações Teológicas, e o resto em seus momentos adequados.

Da inspeção das Notas gerais.

 Pronuncia as Notas gerais 10 vezes, quando tu tiveres uma ocasião para usar qualquer uma das Artes comuns, tendo os livros delas diante de ti, com um pequeno intervalo de tempo entre elas, como já foi ensinado.

Como os três primeiros Capítulos são pronunciados antes das Orações.

 Para se ter perfeição nisso, saiba que na pronunciação geral das Orações, as Notas das três cabeças devem ser ensaiadas; mesmo se as Orações serão pronunciadas ou não.

Como a quinta Oração da Teologia deve ser ensaia para estas Orações.

 Há também algo a ser dito sobre as outras quatro Artes Liberais; se tu desejas ter conhecimento perfeito sobre elas, realize a primeira Oração da Teologia antes de dizer as Orações das outras Notas. Estas são suficientemente declaradas, para que tu possas entender e conhecê-las; e que as Orações capitulares sejam pronunciadas antes das muitas Notas de cada Arte, e mantidas como é determinado, &c. Estas são as Argumentações das Orações, que pertencem a todos as Artes, liberais e exceptivas, exceto da Mecânica, e são especialmente referidas às Notas da Teologia. E elas são assim pronunciadas, para que tu olhes para a Nota de qualquer Arte, e possa aproveitar dela, dizendo as seguintes Orações.

  1. Ezamamos, Hazalat, Ezityne, Hezemechel, Czemomechel, Zamay, Zaton, Ziamy Nayzaton, Hyzemogoy, Jeccomantha, Jaraphy, Phalezeton, Sacramphal, Sagamazaim, Secranale, Sacramathan, Jezennalaton Hacheriatos, Jetelemathon, Zaymazay, Zamaihay Gigutheio Geurlagon, Garyos. Mega’on Hera Cruhic, Crarihuc, Amém.

Que esta Oração, juntamente com a seguinte, seja pronunciada antes da primeira Nota da Filosofia:

Ó Senhor Deus, Pai Divino, Todo-Poderoso e incompreensível; ouvi minhas Preces, tu que és invisível, imortal e inteligível, cuja face os Anjos e Arcanjos, e todos os poderes do Céu, desejam muito ver; cuja Majestade eu desejo eternamente adorar, e honrar o único Deus para sempre e sempre, Amém.

Diz esta nota antes da segunda Nota da Filosofia:

Ó Senhor Deus, Pai Santo e Todo-Poderoso, ouve minhas Preces neste dia, e inclina teus ouvidos para minhas Orações; Gezomelion Samach, Semath, Cemon, Gezagam, Gezatrhin, Zheamoth, Zeze Hator Sezeator Samay Sannanda, Gezyel, Iezel, Gaziety, Hel, Gazayethyhel, Amén.

Diz a oração seguinte com a anterior:

Ó Deus eterno, caminho, verdade e vida; manda tua luz e a flor do teu Santo Espírito em minha mente e entendimento, e faz com que o dom de tua graça possa brilhar em meu coração, e em minha Alma, agora e para sempre, Amém.

Pronuncia a seguinte Oração antes da Terceira Nota da Filosofia:

Lemogethom, Hegemochom, Hazachay Hazatha, Azamachar, Azacham, Cohathay, Geomothay Logomothay, Zathana, Lachanma, Legomezon, Legornozon, Lembdemachon, Zegomaday, Haihanayos, Hatamam, Helesymom, Vagedaren, Vadeyabar, Lamnanath, Lamadai, Gomongchor, Gemecher, Ellemay, Gecromal, Gecrohahi, Colomanos, Colomaythos, Amém.

Diz a seguinte Oração com a Oração precedente:

Ó Deus, vida de todas as criaturas visíveis, esplendor eterno, e virtude de todas as coisas; que é a origem de toda piedade, que conhece todas as coisas antes delas serem feitas; quem julga todas as coisas, e discerne todas elas pelo conhecimento inexprimível: glorifica teu Nome inexprimível e Santo em meu coração neste dia, e fortalece o meu entendimento intelectual; aumenta minha Memória, e firma a minha eloqüência; faz com que minha língua esteja disposta, rápida e perfeita em tuas Ciências e Escrituras, para que por teu poder dando a mim, e tua sabedoria ensinada em meu coração, eu possa te louvar, e conhecer e entender teu Santo Nome para sempre, Mundo sem fim, Amém.

Diz a seguinte Oração antes da quarta Nota da Filosofia.

Ó Rei dos Reis, Doador e Dispersor de Majestade infinita, e de infinita misericórdia, fundador de todas as fundações; dispõe da fundação de todas as tuas virtudes em mim, remove toda a insensatez de meu coração, para que meus sentidos sejam estabelecidos no amor de tua caridade, e meu Espírito seja instruído por ti, de acordo com a recriação e invocação de tua vontade, que vives e reinas como Deus por todos os Mundos dos Mundos, Amém.

Como estas Orações devem ser ditas uma vez a cada dia, antes das Notas gerais, e as Notas das Artes liberais.

 Estas 4 Orações são necessárias para as Artes liberais, mas principalmente pertencem à Teologia, que devem ser ditas todos os dias antes das Notas gerais, ou as Notas das Artes Liberais; mas para a Teologia diz cada uma destas 7 vezes para cada Nota; mas se tu desejas aprender ou ensinar qualquer coisa sobre declaração, versificação, canto ou Música, ou alguma destas Ciências, primeira ensina estas Orações, para que tu possas ensinar, como deve-se ler elas: mas se ele é uma Criança de meio entendimento, ler estas Orações diante dele, e o deixa dizer, após tua pronunciação, palavra por palavra; mas sendo ele de bom entendimento, deixa que ele leia ela 7 vezes por dia, durante 7 dias: ou se for uma Nota geral, pronuncia estas Orações, e a Virtude dela devem te beneficiar muito, e tu deves, nesse sentido, obter grande virtude.

Salomão diz sobre estas Orações, Que nenhum homem ouse fazer uso delas sem que seja para um Ofício apropriado conforme indicado.

Ó Pai incompreensível, do qual tudo aquilo que procede é bom; cuja grandiosidade é incompreensível; ouve neste dia minhas Preces, que as faço diante de teus olhos, e concede-me o Prazer de tua saúde salvadora, para que eu possa ensinar ao ímpio as estradas e Caminhos de tuas Ciências, e converta o Rebelde & incrédulo a ti, para que tudo aquilo que eu comemoro e repito em meu coração e em minha boca, possam tomar raízes e terem fundação em mim; para que eu possa ser eficiente e eficaz em tuas obras, Amém.

Diz esta Oração antes da 6ª Nota da Filosofia:

Gezemothon, Oronathian, Heyatha, Aygyay, Lethasihel, Iaechizliet, Gerohay, Gerhomay, Sanoaesorel, Sanasathel, Gissiomo, Hatel, Segomasay, Azomathon, Helomathon, Gerochor, Hojazay, Samin, Heliel, Sanihelyel, Siloth, Silerech, Garamathal, Gesemathal, Gecoromay,

Gecorenay, Samyel, Samihahel, Hesemyhel, Sedolamax, Secothamay, Samya, Rabiathos, Avinosch, Annas, Amém.

Então pronuncie a seguinte:

Ó eterno Rei! Ó Deus, o Juiz e mediador de todas as coisas, conhecedor de todas as boas Ciências; instruí-me neste dia para a graça de teus Santos Nomes, e pelos Divinos Sacramentos; e purifica meu entendimento, para que o conhecimento possa entrar em meu íntimo, como água que flui do Céu, e como Óleo que entra em meus ossos, por ti, ó Deus Salvador de todas as coisas, que é a fonte da bondade, e origem da piedade; instruí-me neste dia nestas Ciências Santas que desejo, tu que és Deus para sempre, Amém. Ó Deus Pai, incompreensível, de quem procede toda a bondade, a grandiosidade cuja misericórdia é insondável, ouve minhas Preces, para que neste dia, que as faço diante de ti, e torna- me a alegria de tua Salvação, para que eu possa ensinar o injusto o saber de teus caminhos, e converta o incrédulo e Rebelde a ti; e possa ter poder para realizar tuas obras, Amém.

As 7 Orações, que são o fim das Orações, pertencentes à Nota Inefável, a última da Teologia, contendo 24 Anjos.

 Ó Deus de toda a piedade, Autor e Fundação de todas as coisas, Saúde eterna e Redenção de teu Povo; Inspirador e grande Doador de todas as graças, Ciências e Artes, de onde o dom provém; Inspira em mim, teu servo, um aumento destas Ciências: quem concedeu vida a mim, miserável pecador, defende minha Alma, e resgata e liberta o meu Coração das idéias ímpias deste Mundo; extingue e sacia em mim as chamas de toda luxúria e fornicação, para que eu possa mais atentamente me deleitar em tuas Ciências e Artes; e concede-me o desejo do meu Coração, para que eu seja firmado e exaltado em tua Glória, e que eu possa te amar: e aumenta em mim o poder de teu Santo Espírito, pela Salvação e recompensa de teus fiéis, para a Salvação de minha Alma e meu Corpo, Amém.

Então diz a seguinte Oração.

Ó Deus, poderosíssimo Pai, de onde procede toda a bondade, cuja grandiosidade da misericórdia é incompreensível; ouve minhas Preces, as quais eu faço diante de teus olhos.

Preceitos especiais das Notas da Teologia, principalmente a 1., 2. e 3.

 Estas 7 Orações devem ser o complemento das restantes, e devem ser ditas antes de todas as Notas da Teologia, mas especialmente antes da Nota Inefável; estes são os preceitos para te tornar suficiente, que te recomendamos observar pela autoridade de Salomão: diligentemente as investiga, e faz como apresentamos, e pronuncia perfeitamente as Orações, e observa as Notas das outras Artes.

Como Salomão recebeu a Inefável Nota do Anjo.

 Pela razão de tu desejares o Mistério das Notas, recebe esta da Inefável Nota, a expressão da qual é dada aos Anjos pelas Figuras das Espadas, pássaros, árvores, Flores, Velas e Serpentes; pois Salomão recebeu esta do Senhor na noite da Pacificação, em um livro gravado em Ouro; e ouviu isto do Senhor: Não duvides, nem tenhas medo; pois este Sacramento é maior que todos os outros; E o Senhor se uniu a ele, Quando tu olhares esta Nota e ler a Oração dela, observai antes os preceitos, e atenciosamente os observa; E atenta para que prudentemente esconder e guardar aquilo que tu desejas ler nesta Nota de Deus, e tudo o que for revelado a ti na visão. E quando o Anjo do Senhor aparecer a ti, guarda e oculta as palavras e escritas que ele revelará a ti; e as observai e operai nelas, observando todas as coisas com grande respeito, e pronuncia elas nos dias e horas apontados; e posteriormente diz; Sapienter die illo; Age, & caste vivas. Mas se tu fizeres algo de forma inconstante, há perigo; pois tu terás experimentado das outras Notas e as Orações dela, embora considere aquilo que é mais magnífico nestas Orações; pois estas palavras são Nomes Inefáveis, e devem ser pronunciadas de forma espiritual antes da Nota Inefável, Hosel, Jesel,

Anchiator, Aratol, Hasiatol, Gemor, Gesameor. Estas são as Orações que devem ser pronunciadas após a inspeção de todas as Artes, e após a Nota da Teologia.

Este é o cumprimento de toda a obra, de todo o trabalho; mas aquilo que é necessário para uma experiência do trabalho, detalharemos mais claramente. No início do conhecimento de todas as Artes é dada a Doutrina perfeita para se operar: Por pouco eu o digo, pois algumas das instituições florescentes este instrumento permanecem, da qual este é o primeiro princípio.

Como os Preceitos são observados na operação de todas as Artes.

 Observa as 4  em cada operação da Teologia. Apresenta tal operação em cada uma das 4  quartram lunam; e atenciosamente observa os livros e escritos destas Artes; se tu duvidas de qualquer um dos Capítulos, eles devem ser pronunciados, como é ensinado nos Capítulos superiores; mas saiba disso, que estas Santas Palavras das Orações, definimos para que sejam ditas antes de se ir para a cama do doente, para o experimento da vida e morte. E isto é o que tu deves fazer sempre, se tu desejas operar aquilo que esteja além do corpo da Arte:

E saiba disso; que se tu não possuis os livros em tuas mãos, ou a faculdade de inspecioná-los não é dada a ti; o efeito do trabalho não será menor: porém as Orações devem ser então pronunciadas duas vezes: e assim, para o conhecimento da visão, e as outras virtudes que estas Santas Orações possuem; tu deves provar e tentá-las, quando e como quiseres.

Estes Preceitos são especialmente observados.

 Mas se tu queres operar na Teologia, observa apenas aqueles dias que são apontados; mas todos os momentos que são convenientes para as Notas e Orações, como é dado o componente do tempo; mas na pronunciação das três Artes Liberais, ou na inspeção destas Notas, talvez tu possas omitir alguns dos dias determinados, se tu observares o restante; ou se tu transgride dois dias, não abandone o trabalho, pois tal perda não o afeta, pois a Lua é para ser mais observada em maiores números do que dias ou horas. Pois assim diz Salomão,

Se tu perderes um dia ou dois, não tenha medo, porém, opera nos Capítulos gerais. Isso é suficiente para falar sobre elas: mas de modo algum se esquece de qualquer uma das palavras que são ditas no início da leitura para se obter as Artes; pois há uma virtude grandiosa nelas. E tu podes freqüentemente usar das Santas Palavras das visões: mas se tu operares em todo o corpo da Arte Física, os primeiros Capítulos são repetidos primeiramente como definidos antes. E na Teologia, tu deves operar apenas por ti mesmo: Repete freqüentemente as Orações, e inspeciona as Notas da Teologia: isso produz grandes efeitos. É necessário que tu tenhas a Nota dos 24 Anjos sempre na Memória; e fielmente mantém estas coisas, que os Anjos revelarão para ti na visão.

O Experimento do trabalho precedente é o início das seguintes Orações, que Salomão chamou de Artem Novam. [1]

1: Com esta seção inicia a IIIª Parte do texto. Observe que a quinta seção do Lemegeton também é chamada Artem Novem, mas as preces não carregam aqueles que são mostradas aqui.

Estas Orações devem ser ditas geralmente antes de todas as Artes, e especialmente antes das Notas; e elas devem ser pronunciadas sem qualquer um dos outros Capítulos, se tu desejas operar em qualquer uma das Artes mencionadas anteriormente, diz estas Orações nos momentos e ordens corretas; assim tu deves ter grande eficácia em tal Arte. E dizendo estas Orações, nem momento, nem dia, e nem Lua, devem ser observadas: mas tomai cuidado, pois nos dias em que se absteres de todo pecado, como ebriedade, gula, especialmente imprecações, antes de procederes com isso, para que o teu conhecimento nisso possa ser claro e perfeito.

Por este motivo Salomão diz, Quando tu pronunciares tais Orações, receio que eu esteja ofendendo a Deus; e eu decretei a mim mesmo um momento no qual começariam elas; para que, vivendo castamente, eu pudesse aparentar ser mais inocente.

Estes são os Prefácios/Prelúdios/Prooemiums destas Orações, deixadas para esclarecer tudo aquilo que tu possas duvidar, sem qualquer definição. E antes que tu comeces a tentar qualquer um destes sutis trabalhos, é próprio que jejues por dois ou três dias; para que possa os teus desejos ser Divinamente revelados, sejam eles bons ou ruins.

Há preceitos definidos antes de cada operação; porém, se tu duvidas de qualquer princípio, seja dos três primeiros Capítulos, ou das quatro Artes subseqüentes, que tu possas ter o efeito do saber perfeito; se tu consideras a pronúncia destas Orações, como elas são descritas acima, embora tu transgrida algo ignorantemente; tu deves ser harmonizado pela virtude espiritual das Orações subseqüentes.

O Anjo fala destas Orações a Salomão: Compreende a Santidade destas Orações; e se tu transgrides algo em relação a si de forma presunçosamente ou ignorantemente, diz de forma reverente e sabiamente estas Orações, das quais o Anjo fala: Isto é um grandioso Sacramente de Deus, que o Senhor enviou a ti por minhas mãos; na veneração de tal Sacramento, quando o rei Salomão ofereceu grande paciência diante do Senhor sobre o Altar, ele viu o livro coberto com um linho fino, e neste livro estavam escritas 10 Orações, e sobre cada Oração o signo do Selo de ouro: e ele ouviu do Espírito, Estas são aquelas que o Senhor marcou, e são muito afastados dos corações dos infiéis.

Então Salomão estremeceu, com receio de que poderia ofender a Deus, e as empregou dizendo que seria algo perverso revelá-las aos incrédulos: mas aquele que aprenderia qualquer grandiosa coisa espiritual em qualquer Arte ou Ciência necessária, se ele não tiver uma obra superior, ele pode dizer estas Orações nos momentos em que ele desejar; as três primeiras, para as três primeiras Artes Liberais; uma Oração diferente para cada Arte diferente, ou em geral, todas as três para as três Artes devem ser ditas; e de maneira similar as quatro Orações subseqüentes, para as outras quatro Artes Liberais. E se tu desejas ter todo o corpo da Arte, sem qualquer definição do tempo, tu deves pronunciar estas Orações antes das diversas Artes, e antes das Orações e Notas destas Artes,

quantas vezes tu desejares, essencialmente e secretamente; mas tenhas ciência de que tu vivas de forma casta e sóbria durante a pronunciação de tais.

Esta é a primeira das dez Orações, que deve ser pronunciada, sem qualquer trabalho precedente para adquirir Memória, Eloqüência e entendimento, e estabilidade destas três, e deve ser pronunciada singularmente antes da primeira Figura da Teologia:

Onipotente, Incompreensível, invisível e indissolúvel Senhor Deus; eu adoro a ti e ao teu Santo Nome neste dia; Eu, um indigno e miserável pecador, elevo minha Prece, entendimento e razão em direção ao teu Templo Divino e Celestial, declarando a ti, Ó Senhor Deus, para ser o meu Criador e Salvador: E eu, Criatura racional faço neste dia, esta invocação à tua gloriosa clemência, para que teu Santo Espírito possa vivificar minha fraqueza: E que tu, ó meu Deus, que conferes os Elementos das letras, e Doutrina eficaz da tua Língua aos teus Servos Moisés e Aarão, confere a mesma graça da tua doçura a mim, que tens sondado em teus Servos e Profetas: pois assim como tu deste a eles o ensinamento em um momento, confere a mim o mesmo ensinamento, e limpa a minha Consciência das obras inertes; direciona meu Coração no caminho correto, e abre a mesma para o entender, e derrama verdade em meu entendimento; e tu, ó Senhor Deus, que foste condescendente em me criar a tua própria imagem, ouve-me em tua Justiça, e ensina-me em tua verdade, e preenche minha Alma com teu conhecimento de acordo com tua grande misericórdia, para que na multidão de tuas misericórdias, tu possas me amar mais, e nas maiores de tuas obras, e para que eu possa encantar-me na administração de tuas Ordens; para que eu, sendo ajudado e restaurado pela obra de tua graça, e purificado no Coração e Consciência para crer em ti, eu possa festejar a tua vista, e exaltar teu Nome, diante dos teus Santos, pois ele é bom: Santifica-me neste dia, para que eu possa viver em fé, em graça plena, e constantemente em caridade, e possa aprender e obter o conhecimento que desejo; e sendo iluminado, fortalecido e exaltado pela Ciência obtida, e eu possa te conhecer, e te amar, e amar o conhecimento e sabedoria das Escrituras; e

para que eu entenda e firmemente retenha, aquilo que tu permites que ao Homem conhecer: Ó Senhor Jesus Cristo, eterno Filho único de Deus, em cujas mãos o Pai deu todas as coisas antes de todos os Mundos, confere a mim neste dia, pelo o teu Nome glorioso e Santo, o inexprimível alimento do Corpo e Alma, uma Língua justa, fluente, livre e perfeita; e que tudo o que eu peça em tua misericórdia, vontade e verdade, eu possa obter; e firma todas as minhas Preces e ações, de acordo com tua boa vontade. Ó Senhor, meu Deus, Pai da Vida, abre a Fonte das Ciências, quais eu desejo; abre a mim, ó Senhor, a Fonte que tu abriste a Adão, e aos teus Servos Abraão, Isaac e Jacó, para entender, aprender e julgar; recebe, ó Senhor, minhas Preces, através das tuas virtudes Celestiais, Amém.

A próxima Oração é a segunda das dez, e concede Eloqüência, que deve ser dita após a outra; deve haver um pequeno intervalo entre elas, e ser dito antes da primeira Figura da Teologia.

Eu adoro a ti, ó Rei dos Reis e Senhores, eterno e imutável Rei: Ouve neste dia ao apelo e lamento de meu Coração e Espírito, para que tu possas mudar meu entendimento, e conceder um coração de carne ao meu coração de pedra, para que eu possa respirar diante de meu Senhor e Salvador; e lava-me, ó Senhor, com teu novo Espírito no íntimo de meu coração, e limpa de minha carne o mal: infunde em mim um bom entendimento, para que eu possa me tornar um novo homem; reforma-me em teu amor, e deixa que tua salvação conceda-me o aumento de conhecimento: ouve minhas Preces, ó Senhor, por meio da qual eu clamo a ti, e abre os Olhos de minha carne e entendimento, para entender as coisas maravilhosas de tua Lei; para que sendo vivificado por tua Justificação, eu possa prevalecer contra o Demônio, o adversário do fiel; ouve-me, ó Senhor, meu Deus, e sê misericordioso comigo, e mostra-me tua misericórdia; e alcança para mim o navio da Salvação, para que eu possa beber e estar satisfeito da Fonte de tua graça, para que eu possa obter o conhecimento e entendimento; e deixa a graça de teu Santo Espírito vir, e repousar sobre mim, Amém.

Para Eloqüência e estabilidade da mente.

Esta é a terceira oração das dez, e deve ser dita diante da Figura da Astronomia.

Eu confesso minha própria culpa hoje diante de ti, ó Deus, Pai do Céu e da Terra, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, de todas as Criaturas, Concessor e doador de toda graça e virtude; quem esconde a sabedoria e conhecimento do orgulho e perversidade, e isso concede ao fiel e humilde; ilumina meu Coração, e organiza minha Consciência e entendimento: estabelece a luz de tua face sobre mim, para que eu possa te amar, e seja estabelecido no conhecimento de meu entendimento, para que eu esteja limpo das más obras, e que eu seja capaz de alcançar o conhecimento destas Ciências, que tu reservaste aos crentes. Ó Deus Onipotente e misericordioso, purifica o meu Coração e minhas entranhas, fortalece minha Alma e meus sentidos com a graça de teu Espírito Santo, e institui-me com o fogo da mesma graça: ilumina-me; ata meu leões, e entrega o mastro de tua Consolação em minha mão direita, instrui-me em tua Doutrina; desenraiza de mim todos os vícios e pecado, e conforta-me em amor de tuas mercês: Sopra em mim, ó Senhor, o sopro da Vida, e amplia minha razão e entendimento; envia teu Santo Espírito em mim, para que eu possa ser perfeito em todo o conhecimento: vê, ó Senhor, e considera o pesar da minha mente, para que minha vontade seja confortada em ti; envia para mim do Céu o teu Espírito Santo, para que eu possa entender as coisas que eu desejo. Concede-me criatividade, ó Senhor, que és a Fonte da perfeita razão e riquezas do conhecimento, para que eu possa obter sabedoria por tua assistência Divina, Amém.

Para Confortar os Sentidos internos e externos.

 Ó Santo Deus, Pai misericordioso e onipotente, Doador de todas as coisas; fortalece-me por teu poder, e ajuda-me por tua presença, assim como tu fostes misericordioso a Adão, e repentinamente deste a ele o conhecimento de todas as Artes por meio de tua grande misericórdia concede a mim o poder de obter o mesmo conhecimento por meio da tua misericórdia: esteja presente junto a mim, ó Senhor, e instrui-me: Ó misericordioso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, sopra o teu Espírito Santo sobre mim, que procede de ti e do Pai; fortalece minha obra neste dia, e ensina-me, para que eu possa ser conduzido em teu conhecimento, e glorifique a abundância de tua graça: Deixa que as chamas de teu Santo Espírito alegrem a Cidade do meu Coração, respirando em mim tuas Divinas Escrituras; enche meu Coração com Eloqüência, e vivifica-me com tua Divina visitação; apaga de mim as marcas de todos os vícios, eu te imploro, ó incompreensível Senhor Deus; deixa que tu graça sempre esteja repousando sobre mim, e seja ampliada em mim; cura minha Alma por meio de tua inestimável bondade, e conforta o meu coração por toda a minha vida, para que aquilo que eu ouço eu possa entender, e aquilo que eu entender eu possa guardar, e manter em minha Memória; concede-me uma Língua e um Coração educável; por tua inesgotável graça e bondade; e a graça do Pai, Filho e Espírito Santo, Amém.

A seguinte é para a Memória.

 Ó Divino Pai, misericordioso Filho, e Espírito Santo, inestimável Rei; eu adoro, invoco, e imploro ao teu Santo Nome de tua bondade transbordante, para que tu perdoes todos os meus pecados: sê misericordioso a mim, pecador, que ousa avançar no ofício deste conhecimento e aprendizado oculto; e concede-me, ó Senhor, e que seja ele eficaz em mim; abre, ó Senhor, meus ouvidos, para que eu possa ouvir; e retira as escamas dos meus Olhos, para que eu possa ver; fortalece minhas mãos, para que eu possa trabalhar; abre minha vista, para que eu possa entender tua vontade; para a glória do teu Nome, que é abençoado para sempre, Amém.

A seguinte [Oração] fortalecerá os Sentidos internos e externos.

 Estimula os sentidos do meu Coração e da minha Alma a ti, ó Senhor meu Deus, e eleva meu coração a ti neste dia; para que minhas palavras e minhas obras possam te agradar a vista de todos os povos; que tua misericórdia e onipotência ressaltem em minhas entranhas: que meu entendimento seja dilatado, e que tua Santa Eloqüência seja doce em minha boca, para que aquilo que eu leia ou ouça eu possa entender e repetir: assim como Adão entendeu, e como Abraão manteve, que eu igualmente guarde o entendimento; e como Jacó foi estabelecido e arraigado em tua sabedoria, deixa que assim também eu seja: deixa que a fundação de tua misericórdia seja confirmada em mim, para que eu possa exaltar as obras de tuas mãos, e perseverar na Justiça, e paz de Corpo e Alma; a graça de teu Santo Espírito operando em mim, para que eu possa me alegrar com a derrota de todos os meus adversários, Amém.

A seguinte [Oração] concede Eloqüência, Memória e Estabilidade.

 Distribuidor de todos os Reinos, e de todos os dons visíveis e invisíveis: Ó Deus, o Ordenador e Regente de todas as vontades, pelo o Conselho do teu Santo Espírito dispõe e vivifica a fraqueza de meu entendimento, para que eu possa acender para o bem no acesso de tua Santa vontade: faz o bem a mim em tua boa vontade, e não olheis meus pecados; concede a mim o meu desejo, embora indigno; firma minha Memória e a razão de conhecer, entender, e manter, e concede um bom efeito ao meu sentido por meio de tua graça, e justifica-me com a causa de teu Espírito Santo, para que todos os locais de pecados contidos em minha carne, teu Poder Divino possa apagar; tu que foste satisfeito no início, ao criar o Céu e a Terra, por meio de tua misericórdia restaura a mesma; tu que estás satisfeito em restaurar o homem perdido ao teu Santíssimo Reino; Ó Senhor da Sabedoria, restaura a Eloqüência em meus sentidos, para que eu, embora indigno pecador, possa ser firmado em teu conhecimento, e em todas as tuas obras, pela a graça do Pai, Filho e Espírito Santo, que vives e reinas como três em um, Amém.

Uma Oração para recuperar a sabedoria perdida.

 Ó Deus dos vivos, Senhor de todas as Criaturas visíveis e invisíveis, Administrador e Dispersor de todas as coisas, ilumina meu Coração neste dia pela a graça de teu Espírito Santo, fortalece meu íntimo, e derrama sobre mim o orvalho de tua graça, por meio da qual tu instruíste os Anjos; instruí-me com a abundância de teu conhecimento, por meio do qual no princípio tu ensinaste teus fiéis; deixa que a tua graça opere em mim, e os fluxos da tua graça e Espírito, limpem e regulem a sujeira de minha Consciência. Tu que vieste do Céu sobre as Águas de tua Majestade, firma este magnífico Sacramento em mim.

Obter a graça do Espírito Santo.

 Ó Senhor meu Deus, Pai de todas as coisas, que revelaste teus segredos celestiais e terrestres aos teus Servos, eu humildemente peço e imploro a tua Majestade, pois tu és o Rei e Príncipe de todo o conhecimento, ouve minhas Preces; e direciona minhas obras, e deixa que minhas ações preponderem nas Virtudes Celestiais, pelo teu Espírito Santo: eu clamo a ti, ó Deus, ouve meu Clamor; eu suspiro a ti, ouve os suspiros de meu Coração, e preservai sempre meu Espírito, Alma e Corpo, sob a Proteção de teu Espírito Santo, caridade perpetua e Celeste, do qual o Céu e a Terra estão repletos, sopra sobre minha operação; e aquilo que eu peço à tua honra e glória, concede a mim; que teu Santo Espírito venha sobre mim, e governe e reine, Amém.

Para recuperar a sabedoria Intelectual.

 Ó Senhor, eu, teu Servo, confesso-me a ti, diante da Majestade de tua glória, em cujo Espírito está toda Magnificência e Santidade: eu peço a ti, de acordo com o teu Nome impronunciável, estende teus misericordiosos Olhos e Ouvidos ao ofício de minha operação: e abre tua mão, para que eu possa ser preenchido com a graça que desejo; e sacia com caridade e

bondade; por meio da qual tua fundaste o Céu e a Terra, que vives e reinas, &c.

Diz estas Orações do primeiro dia do mês, até o quarto dia: no quarto dia, [diz] Alpha e Omaega, e a seguinte [Oração], a saber. Helischemat azatan; assim como está no início: em seguida, diz,

 Theos Megale patyr, ymas, heth, heldya, hebeath, heleotezygel, Sabatyel, Salus, Telli, Samel, Zadaziel, Zadan, Sadiz Leogio, Yemegas, Mengas, Omchon Myenoym, Ezel, Ezely, Yegrogamal, Sameldach, Somelta, Sanay, Geltonama, Hanns, Simon Salte, Patyr, Osyon, Hate, Haylos, Amén.

Ó Luz do Mundo, Deus imenso, &c.

Por meio desta a Eloqüência é aumentada de modo que nada estará acima dela.

 Thezay lemach ossanlomach azabath azach azare gessemon relaame azathabelial biliarsonor tintingote amussiton sebamay halbuchyre gemaybe redayl hermayl textos sepha pamphilos Cytrogoomon bapada lampdayochim yochyle tahencior yastamor Sadomegol gyeleiton zomagon Somasgei baltea achetom gegerametos halyphala semean utangelsemon barya therica getraman sechalmaia balnat hariynos haylos halos genegat gemnegal saneyalaix samartaix camael satabmal simalena gaycyah salmancha sabanon solmasay silimacrotox zegas me bacherietas zemethim theameabal gezorabal craton henna glungh hariagil parimegos zamariel leozomach rex maleosia mission zebmay aliaox gemois sazayl neomagil Xe Xe Sepha caphamal azeton gezain holhanhihala semeanay gehosynon caryacta gemyazan zeamphalachin zigelaman hathanatos, semach gerorabat syrnosyel, halaboem hebalor halebech ruos sabor ydelmasan salior sabor megiozgoz neyather pharamshe forantes saza mogh schampeton sadomthe nepotz minaba zanon suafnezenon inhancon maninas gereuran gethamayh passamoth theon beth sathamec hamolnera galsemariach nechomnan regnali phaga messyym demogempta teremegarz salmachaon alpibanon balon septzurz sapremo sapiazte baryon aria usyon sameszion sepha athmiti sobonan Armissiton tintingit telo ylon usyon, Amén.

Azay lemach azae gessemon thelamech azabhaihal sezyon traheo emagal gyeotheon samegon pamphilos sitragramon limpda jachim alna hasios genonagai samalayp camiel secal hanagogan heselemach getal sam sademon sebmassan traphon oriaglpax thonagas tyngen amissus coysodaman assonnap senaly sodan alup theonantriatos copha anaphial Azathon azaza hamel hyala saraman gelyor synon banadacha gennam sassetal maga halgozaman setraphangon zegelune Athanathay senach zere zabal somayel leosamach githacal halebriatos Jaboy del masan negbare phacarnech schon nebooz cherisemach gethazayhy amilya semem ames gemay passaynach tagaylagamal fragal mesi themegemach samalacha nabolem zopmon usyon felam semessi theon, Amén.

A Terceira parte, o signo de Lemach.

 Lemach sabrice elchyan gezagan tomaspin hegety gemial exyophyam soratum salathahom bezapha saphatez Calmiehan samolich lena zotha phete him hapnies sengengeon lethis, Amén.

Para a Memória.

 Ó grande Deus invisível, Theos patyr behominas Cadagamias imas por teus Santos Anjos, que são Michael, a Medicina de Deus; Raphael, a Fortaleza de Deus, Gabriel ardens holy per Amassan, Cherubin, Gelommeios, Sezaphim gedabanan, tochrosi gade anathon, zatraman zamanary gebrienam: ó Plenitude, Santos Querubins, pelos teus Anjos, e por teus gloriosos Arcanjos, cujos Nomes são consagrados por Deus, que não devem ser ditos por nós, que são estes: dichal, dehel depymon exluse exmegon pharconai Nanagon hossyelozogon gathena raman garbona vramani Mogon hamas; Cujos Sentidos humanos não podem compreender: eu te imploro, ó Senhor, ilumina minha Consciência com o esplendor de tua Luz, e elucida e firma meu entendimento com o doce aroma de teu Espírito, adorna minha Alma, reforma meu coração, para que ouvindo eu possa entender, e reter aquilo que eu ouço em minha Memória. Ó Deus misericordioso, sacia minhas entranhas, fortalece minha Memória, abre minha boca compassivamente; tempera minha Língua por teu Nome glorioso e impronunciável: tu que és a Fonte de toda bondade, tende paciência comigo, e dá a mim uma boa Memória, .

Diz estas Orações na quarta Lua, a saber. Hely Schemath, Alpha e Omega, Theos megale.

Ó Luz do mundo Azalemach, grande Deus, eu te imploro:

Estas devem ser ditas na 8, 10, 12, 20, 24, 28, 30, e em todas estas Lunações devem-se ensaiá-las quatro vezes; uma vez pela manhã, uma vez na terceira hora, e uma vez na nona hora, e uma vez ao anoitecer; e nos outros dias não ensaiai, mas no primeiro dia, que são Alpha e Omega, Helyschemat,

Todo-poderoso, incompreensível, eu adoro a ti; eu confesso minha culpa: Ó Theos hazamagiel: Ó Senhor Deus misericordioso, elevai os sentidos de minha carne: ó Senhor de todo ser, e de todos os Reinos, Eu confesso, ó Senhor, neste dia, que eu sou teu Servo.

Ensaia também estas Orações nos outros dias por quatro vezes, uma vez pela manhã, outra ao anoitecer, uma outra próximo da terceira hora, e outra na nona; e tu deverás adquirir Memória, Eloqüência e Estabilidade plena, Amém.

A Conclusão de todo o trabalho, e da Ciência obtida.

 Ó Deus, Criador de todas as coisas; que criaste todas as coisas a partir do nada; que maravilhosamente criaste o Céu e a Terra, e todas as coisas em diferentes graus, no início, com teu Filho, por meio de quem todas as

coisas são feitas, e a quem todas as coisas devem retornar: Quem é Alpha e Omega: eu imploro a ti, embora seja um pecador & indigno, para que eu possa obter o meu fim desejado nesta Santa Arte, rapidamente, e que perca a mesma por meus pecados; mas fazei o bem a mim, de acordo com tua misericórdia inexprimível: que não nos orienteis por nossos pecados, nem nos recompense por nossas iniqüidades. Amén.

 Diz esta [Oração] ao final, devotamente:

Ó sabedoria de Deus, incompreensível Pai, ó misericordioso Filho, concede a mim tua inefável misericórdia, grande conhecimento e sabedoria, tal como tu entregaste toda a Ciência ao Rei Salomão, não observando seus pecados ou maldade, mas segundo tua misericórdia: por isso eu imploro a tua misericórdia, embora eu seja um pecador vil e indigno, concede tal fim aos meus desejos nesta Arte, com a qual as mãos de tua generosidade possam ser estendidas até mim, e que eu possa mais devotamente caminhar por tua luz em teus caminhos, e ser um bom exemplo aos outros; para todos os que me vêem, e me ouvem, possam restringir-se de seus vícios, e louvarem tua Santidade por todos os Mundos, Amém.

Abençoado seja o Nome do Senhor, &c. ensaia estas duas Orações sempre, ao final, para firmar teu conhecimento recebido.

A Benção do lugar.

 Abençoa ó Senhor, este lugar; que possa haver nele Divina Santidade, castidade, pureza, brandura, vitória, santidade, humildade, bondade, profusão, obediência a Lei, ao Pai, Filho e Espírito Santo; Ouve, ó Senhor, Pai Divino, eterno Deus Todo-Poderoso; E envia teu Santo Anjo Miguel, e que ele possa proteger, guardar, preservar e visitar-me, habitando neste Tabernáculo, por aquele que vives […], &c.

Quando realizar a operação, tenhas respeito às Lunações: elas devem ser escolhidas nestes meses, quando o  Sol rege em Peixes, Escorpião, Aries, Leão, Libra e Touro. Nestes meses tu poderás começar.

Em Nome do Senhor começo esta Santa Arte, a qual o Deus altíssimo conferiu a Salomão por meio de seu Anjo sobre o Altar; e que assim, subitamente, em um curto espaço de tempo, ele foi instruído no conhecimento de todas as Ciências; e saiba, que nestas Orações estão contidas todas as Ciências, Lícitas e ilícitas: Antes de tudo, se tu pronunciares as Orações da Memória, Eloqüência, e entendimento, e a estabilidade disso; elas serão poderosamente reforçadas, de tal maneira que tu dificilmente manterás o silêncio; pois por uma palavra todas as coisas foram Criadas, e pela virtude de tal palavra todos os seres criados são sustentados, e todo Sacramento, e essa Palavra é Deus. Portanto, que o Operador seja constante em sua fé, e acredite confiantemente, que ele obterá tal sabedoria e conhecimento, no pronunciamento destas Orações, pois com Deus nada é impossível: então, que o Operador prossiga com seu trabalho, com fé, esperança e um desejo constante: que ele acredite firmemente; nada podemos obter senão pela fé; por este motivo, não duvides desta Operação, da qual há três formas, pelas quais a Arte pode ser obtida.

A primeira forma é pela Oração e razão da mente piedosa, não pelo empreendimento de uma voz de desaprovação, mas pela leitura e repetição de uma mesma oração em teu íntimo. A segunda forma é o jejum e a súplica/prece, pois Deus ouve o homem que suplica. A terceira forma é a castidade; aquele que Operará nesta Arte, que ele esteja limpo e casto pelo o espaço de pelo o menos nove dias; E antes que tu comeces, é necessário que tu saibas o momento em que a lua está apropriada para Operar nesta Arte: e quando tu começares tão sagrada Arte, tenha o cuidado de abster-se de todos os pecados mortais, pelo o menos enquanto tu estiveres procedendo neste trabalho, até que ele esteja finalizado e completo: e quanto tu tiveres começado a operar, diz este versículo de joelhos:

Levanta a luz de tua Face sobre mim, ó Senhor meu Deus, e não me desampare, teu Servo (Seu Nome), que em ti confia: E recite o Pater Noster, três vezes, &c.

E afirme que tu nunca desejarás cometer perjúrio intencional, mas sempre preservará na fé e esperança. Isto sendo feito, com os joelhos dobrados no lugar onde tu desejas operar, diz

Nosso socorro está no Nome do Senhor, que fez o Céu e a Terra: e começarei com a Invocação do Altíssimo, para que ele ilumine e purifique minha Alma e Consciência, que habita sob a ajuda do Altíssimo, e é preservada sob a proteção do Deus do Céu: ó Senhor, abre o meu coração e esclarece as dúvidas do meu Coração, e me transforma em um novo homem pelo o teu amor: sê para mim, ó Senhor, a verdadeira fé, a esperança de minha vida, e a perfeita caridade, para que declare as tuas maravilhas. Oremos.

Então declare a seguinte Oração:

Ó Deus, meu Deus, que no início Criou todas as coisas a partir do nada, e restaura todas as coisas por teu Espírito; restaura minha Consciência, e cura o meu entendimento, para que eu possa te glorificar em todos os meus pensamentos, palavras e ações; por aquele que vives e reinas contigo para sempre, Amén.

 

Agora, em Nome de Cristo, no primeiro dia do Mês, em que tu desejas adquirir Memória, Eloqüência e Entendimento, e a estabilidade destes, com um Coração bom, perfeito e contrito, e pesar por teus pecados cometidos; tu deves começar a pronunciar estas seguintes Orações, que competem à obtenção de Memória e todas as Ciências, que foram compostas e entregues pelo o Anjo a Salomão, das mãos de Deus.

A primeira e última Oração desta Arte é Alpha e Omega: Ó deus onipotente, &c. A oração seguinte é uma Oração das quatro Línguas, que é:

Hely, Schemat, Azatan, honiel sichut, tam, imel, Iatatandema, Jetromiam, Theos: Ó Deus forte e Divino, Hamacha, mal, Gottneman, Alazaman,

zay, zojeracim, Lam hay, Masaraman, grensi zamach, heliamat, seman, selmar, yetrosaman muchaer, vesar, hasarian Azaniz, Azamet, Amathemach, hersomini. E tu, Santíssimo e justo Deus, incompreensível em todas as tuas obras, que são justas e boas; Magol, Achelmetor, samelsace, yana, Eman, and cogige, maimegas, zemmael, Azanietan, illebatha sacraman, reonas, grome, zebaman, zeyhoman, zeonoma, melas, heman, hathoterma, yatarmam, semen, semetary, Amén.

 Esta Oração deve acompanhar a primeira das dez escritas acima.

Para realizar qualquer trabalho.

 Esta é para acompanhar a terceira Oração acima:

Eu confesso, ó Theos hazamagielgezuzan, sazaman, Sathaman, getormantas, salathiel, nesomel, megal, vnieghama, yazamir, zeyhaman, hamarnal amna, nisza, deleth, hazamaloth, moy pamazathoran, hanasuelnea, sacromomem, gegonoman, zaramacham Cades bachet girtassoman, gyseton palaphatos halathel Osachynan machay, Amén.

 Este é um experimento verdadeiro e aceito, para entender todas as Artes e segredos do Mundo, encontrar e desenterrar minerais e tesouros; Isto foi revelado pelo Anjo Celestial nesta Notória Arte. Pois esta Arte também anuncia as coisas futuras, e confere ao sentido a capacidade de [aprender] todas as Artes, pelo o uso Divino de tal oração.

Estamos falando também do tempo e espaço. Portanto, em primeiro lugar, todos estes preceitos devem ser observados e mantidos; e o Operador deve estar limpo, casto, para se arrepender de seus pecados, e sinceramente desejar cessar de pecar o quanto ele peca; e que ele assim prossiga, e que cada trabalho seja por ele investigado, pelo Ministério Divino.

Quando tu quiseres operar na Lua Nova, ajoelhando-se pronuncie este versículo: Ergue a luz de tua Face sobre nós, ó Deus, e não nos desampare, ó Senhor nosso

Deus. Então repita o Pater Noster três vezes: E em seguida, que ele jure a Deus que nunca cometerá perjúrio intencional, mas sempre persistirá na fé. Isto sendo feito, à noite, ajoelhando diante de teu leito, dizei:

Nosso socorro está no Nome do Senhor, &c. e este Salmo; Aquele que habita sob a sombra das asas do Altíssimo, até o fim; e a Oração do Senhor, e a seguinte Oração.

Theos Pater vehamans; Deus dos Anjos, eu suplico e te invoco por teus Santos Anjos Eliphamasay, Gelomiros, Gedo bonay, Saranana, Elomnia, e por todos os Nomes Divinos, que por nós não são pronunciados, e que são estes: do. el. x p n k h t li g y y. e que não podem ser ditos, compreendidos pelo o sentido humano; eu te imploro, purifica minha Consciência com o Esplendor do teu Nome; esclarece e fortalece meu entendimento com o doce sabor de teu Espírito Santo: Ó Senhor, adorna minha Alma, para que eu possa entender e perfeitamente relembrar o que ouço; repara meu Coração, e restaura o meu sentido, ó Senhor Deus, e cura minhas entranhas: abre minha boca, Deus misericordioso, prepara e tempera minha Língua para glória e louvor do teu Nome, por teu glorioso e inexprimível Nome. Ó Senhor, que és a Fonte de toda a bondade, e origem de toda piedade, sê paciente comigo, e concede-me um entendimento verdadeiro, para que eu conheça tudo o que é conveniente para mim, e mantenha isso na Memória: tu que não julgas prontamente um pecador, todavia, misericordiosamente espera o arrependimento; rogo-te, ainda que indigno, lavai a sujeira dos meus pecados e maldade, e concede-me as minhas súplicas, para louvor e glória do teu Santo Nome; aquele que vive e reina, um só Deus em Trindade perfeita, mundo sem fim, Amém.

Alguns outros preceitos para serem observados neste trabalho.

 Jejue no dia seguinte com pão e água, e fazei caridade; se for o Dia do Senhor, então realize a caridade em dobro; esteja limpo de corpo e alma; ambos em teu entendimento, e que tu uses Roupas limpas.

O processo continua.

 Quando tu quiseres Operar sobre qualquer Problema ou Questão difícil, de joelhos dobrados, diante de teu leito, fazei uma Confissão diante de Deus Pai; e tendo feito a Confissão, diz esta Oração:

Envia, ó Senhor, tua sabedoria para assistir-me, para que comigo ela esteja, e labore comigo, e que eu possa sempre conhecer aquilo que é aceitável diante de Ti; E que a mim (Seu Nome) possa manifestar a verdade desta questão ou Arte.

 Isto sendo feito, três vezes seguida em um dia, quando tu levantares, dê graças ao Deus Todo Poderoso, dizendo; Glória e honra, e bênçãos àquele que está assentado no Trono, e que vive para sempre e sempre, Amém.

E de joelhos dobrados, estende tuas mãos. Mas se tu desejas entender qualquer livro, pede para que tenhas algum conhecimento nele, daquilo que o livro trata: Isto sendo feito, abre o livro e leia-o, e opera como a primeira, fazendo isto três vezes, e sempre quando fores dormir escreve Alpha e Omega, e durma sobre o lado direito, colocando a palma de tua mão sob o teu Ouvido, e tu verás em sonho todas as coisas que tu desejaste; E tu ouvirás a voz que te informará e te instruirá sobre o livro, ou em qualquer faculdade que tu queres operar: E pela manhã, abre o livro, e leia-o; e tu brevemente entenderás o mesmo, como se tu tivesses estudado há muito tempo: E lembre sempre de dar graças a Deus, como dito anteriormente.

Posteriormente no primeiro dia, pronunciai esta Oração:

Ó Pai, Criador de todas as Criaturas; por teu impronunciável poder com o qual tu criaste todas as coisas; incita o mesmo poder, e vinde e salvai-me, e protege-me de todas as adversidades da Alma e do Corpo, Amém.

Ao Filho, diz,

Ó Cristo, Filho do Deus vivente, que és o Esplendor e Figura da luz, sem o qual não há alteração nem sombra da mudança; Tu, Palavra do Deus Altíssimo, Tu, Sabedoria do Pai; abre a mim, teu indigno servo, (Seu Nome), as veias do teu Espírito Salvador, para que eu possa sabiamente reter na Memória, e declarar todas as maravilhas: ó sabedoria, que sai da boca do altíssimo, atingindo fortemente de ponto a ponta, dispondo docemente de todas as coisas no Mundo, vem e ensina-me o caminho da prudência e sabedoria. Ó Senhor, tu que deste teu Santo Espírito aos Discípulos, ensinando e iluminando Seus Corações, concede a mim, teu servo indigno, Seu Nome, o mesmo Espírito, e que eu sempre possa regozijar em teu consolo.

Outros preceitos.

 Tendo finalizado estas Orações, e feito Caridades, quando tu entrares em tua Câmara, devotamente ajoelhe-se diante de tua cama, dizendo este Salmo: Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a grandeza de vasta misericórdia, &c. e, Em ti, ó Senhor, eu confio, &c. Em seguida, levante, e vá até a parede, e estende tuas mãos, tendo dois pregos cravados [na parede], sobre os quais tu poderás deixar tuas mãos, e diz a seguinte Oração com grande devoção:

Ó Deus, que por nós, miseráveis pecados, sofrestes a dolorosa morte na Cruz; a quem também Abraão ofereceu seu filho Isaac; Eu, teu servo indigno, um perplexo pecador com muitos males, neste dia ofereço e sacrifico a ti minha Alma e meu Corpo, para que tu possas infundir-me tua Divina sabedoria, e inspirar-me com teu Espírito da Profecia, com o qual tu inspirastes os Santos Profetas.

Após dizei este Salmo; Ó Senhor, inclinai vossos Ouvidos às minhas palavras, acrescentando,

O Senhor é meu Pastor, e nada me faltará: ele me faz repousar em pastos verdejantes, seu servo Seu Nome, ele me guiará até águas tranqüilas, ele abrigará minha Alma, e me conduzirá, S. N., nos caminhos de sua justiça por seu Santo Nome: Que a minha Oração suba a ti, ó Senhor, e que tua misericórdia desça sobre mim, teu servo indigno, S. N., protege-me, salva-me e santifica-me, para que eu tenha um escudo contra todas as flechas do mal de meus inimigos: defende-me, ó Senhor, pelo o preço do sangue do Justo, com o qual tu me redimis; Deus que vive e reinas, cuja sabedoria assenta a fundação do Céu & formou a Terra, & colocou o mar em seus limites: e por aquilo que sai de teu Verbo que criou todas as Criaturas, e criou o homem a partir do pó da Terra, de acordo com tua própria imagem e semelhança; quem deu a Salomão, o Filho do Rei David inestimável sabedoria; deu aos Profetas o Espírito da Profecia, e infundiu nos Filósofos o maravilhoso conhecimento Filosofal, firmando no Apóstolos com firmeza, e fortificando os Mártires, que exaltou seus eleitos na eternidade e os proveu; Multiplica, ó Senhor Deus, tua misericórdia sobre mim, teu servo indigno, S. N, dando-me um juízo educável, e um entendimento adornado com virtude e conhecimento, uma Memória firme e sadia, para que eu possa realizar e manter tudo o que eu empreender, por meio da grande de teu notável Nome; ergue, ó Senhor, meu Deus, a luz de tua face sobre mim, pois eu espero em ti: Vem e ensina-me, ó Senhor Deus, as virtudes, e mostra-me tua face, e eu estarei seguro.

Então acrescente este Salmo: A ti, ó Senhor, elevo a minha Alma: ó meu Deus, em ti eu confio; exceto o verso, Canfundantur, &c.

Tendo cumprido estas coisas contra a parede, vai até tua cama, escreve em tua mão direita Alpha e Omega: e então, em tua cama, dorme sobre o teu lado direito, mantendo tua mão direita sob teu Ouvido direito, e tu verás a grandeza de Deus como tu desejaste. E pela manhã, de joelhos, diante de tua cama, dá graças a Deus pelas coisas que ele revelou a ti:

Dou graças a ti, ó poderoso e magnífico Deus, que concedeu a Salvação e o conhecimento das Artes a mim, teu servo indigno, S. N., e firmou este, ó Deus, o que já fizeste em mim, preservando-me. Eu dou graças a ti, ó poderoso Senhor Deus, que me criou, miserável pecador, a partir do nada, quando eu não era, e quando eu estava totalmente perdido; e não me redimiu, senão pelo precioso sangue de teu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo; e quando eu era ignorante, deu-me o ensinamento e conhecimento: concede, ó Senhor Jesus Cristo, ao teu servo indigno, este conhecimento, para que eu possa estar sempre constante em teu Santo Serviço, Amém.

Sendo estas Operações devotamente completadas, dê graças diariamente com estas últimas Orações. Mas quando tu leres, estudares, ou discutires, dizei, Recorda de tua palavra diante de teu servo, ó Senhor, na qual tu concedes esperança este é o meu conforto em humildade. Então adiciona estas Orações:

Lembrai de mim, ó Senhor dos Senhores, e colocai boas palavras e discurso em minha língua, para que eu possa ser ouvido eficaz e poderosamente, para louvar, glorificar, e honrar teu glorioso Nome, que é Alpha e Omega, bendito para sempre, Mundo sem fim, Amém.

Então silenciosamente diz estas Orações.

 Ó Senhor Deus, que diariamente produz novos sinais e maravilhas constantes, preenche-me com o Espírito de sabedoria, entendimento e Eloqüência; Faz de minha boca como uma Espada afiada, e minha Língua como uma flecha predestinada, & fortalece as palavras de minha com toda sabedoria: abranda os Corações dos ouvintes para entenderem o que eles desejam, Elysenach, Tzacham, &c.

A maneira de Consagrar a Figura da Memória.

 Ela deve ser consagrada com muita fé, esperança e caridade; e sendo consagrada, deve-se mantê-la e usá-la com a seguinte Operação.

No primeiro dia da lua Nova, tendo observado a lua Nova, coloque a Figura sob tua Orelha direita, e então consequentemente, em todas as outras noites, e por sete vezes por dia; a primeira hora da manhã, diz este Salmo, Qui habitat, &c. completamente; e a Oração do Senhor uma vez, e esta Oração Theos Patyr uma vez na primeira hora do dia: então diz este Salmo, Confitebor tibi Domine, &c. e a Oração do Senhor duas vezes, e a Oração Theos Patyr duas vezes.

Na Terceira hora do dia, diz este Salmo Benedicicat anima mea Dominum, &c. e a Oração do Senhor três vezes, e a Oração Theos Patyr.

Na sexta hora diz este Salmo: Appropinquet deprecato mea in conspectu tuo Domine, secundun eloquium tuum.

Concede-me Memória, e ouve minha voz de acordo com tua grande misericórdia, e de acordo com tua palavra, excelente Eloqüência, e meus lábios mostrarão tua majestade, quando tu me ensinares tua Glória: Gloria patria, &c. Pronuncia a Oração do Senhor nove vezes, e Theos Patyr.

Na nona hora, pronuncia o Salmo Beati immaculati in via; a Oração do Senhor 12 vezes, e Theos Patyr.

De noite, diz este Salmo, Deus misereatur nostri: e a Oração do senhor 15 vezes, e o Theos Patyr como de costume.

Na última hora, diz o Salmo, Deus Deus meus respice in me, &c., e Deus in adjutorium meum intende, e te Deum Lauadamus; a Oração do Senhor uma vez, e o Theos Patyr: e então diz a seguinte Oração duas vezes.

Ó Deus, que dividiu todas as coisas em número, peso, e medida, em horas, noites e dias; quem contou o número das Estrelas, concede-me constância e virtude, que no verdadeiro conhecimento desta Arte, eu, S. N., possa te amar, aquele que conhece os dons de tua bondade, quem vives e reinas, &c.

Durante quatro dias a Figura da Memória deve ser consagrada com estas Orações.

 Ó Pai de todas as Criaturas, do Sol e da Lua.

Então, no último dia, que ele se banhe, e coloque peças de roupas limpas, e Ornamentos claros [1] e em um local limpo, sufumigue-se com olíbano, e venha em uma hora noturna conveniente com uma vela acesa, mas de modo que homem algum o veja; e diante da cama, de joelhos, diz esta Oração com grande devoção.

Ó grandioso e divino Pai, sete ou nove vezes: então coloque a Figura com grande reverência sobre sua Cabeça; e durma na cama com vestes de linho limpo, e não duvides de que tu obterás tudo o que tu desejas: pois isso foi provado por muitos, obter tais segredos celestiais do Reino Celestial, pois assim é garantido, Amém.

A seguinte Oração deve ser dita de pé.

 Ó deus grande, Pai Divino, Santíssimo Espírito Santo de todos os Santos, três e um, altíssimo Rei dos reis, Deus Todo Poderoso, glorioso e sapientíssimo Dispersor, Moderador, e Governador de todas as Criaturas, visíveis e invisíveis: Ó Deus poderoso, cuja terrível e poderosa Majestade é temida, cuja onipotência o Céu, a Terra, o Mar, o Inferno, e todas as coisas abrangem, admiram, reverenciam, estremecem, e obedecem.

Ó poderosíssimo, fortíssimo, e invencível Senhor Deus de Sabaoth: Ó Deus incompreensível; esplêndido Criador de todas as coisas, Mestre de todo aprendizado, Artes e Ciências; quem misericordiosamente Instruí o humilde e manso: Ó Deus de toda sabedoria e conhecimento, no qual está todos os Tesouros da sabedoria, Artes e Ciências; quem é capaz instantaneamente de infundir Sabedoria, Conhecimento e Entendimento em qualquer Homem; cujo Olho observa todas as coisas passadas, presentes e futuras; quem diariamente está sondando todos os corações; através de quem somos, vivemos e morremos; quem está sentado sobre os Querubins; aquele que vê e reina sozinho o abismo sem fim: cujo Verbo concede a Lei do início ao fim do mundo universal: Confesso-me neste dia diante de tua Santidade e gloriosa Majestade, e diante da companhia de todas as Virtudes e Potestades Celestes, peço a tua gloriosa Majestade, invocando teu poderoso Nome, que é um nome magnífico, e acima de qualquer outro Nome, abençoado sejas, ó Senhor meu Deus: eu também te imploro, altíssimo, onipotente Senhor, aquele que deve ser apenas adorado; Ó tu, grande e formidável Deus Adonay, magnífico Dispensador de todas beatitudes, de todas as Dignidades, e bondades; Doador de todas as coisas, a quem tu concederá, misericordiosa, abundante e permanentemente: envia sobre mim neste dia o dom da graça do Espírito Santo. E agora, ó Deus misericordioso, quem criou Adão, o primeiro homem, de acordo com tua imagem e semelhança; fortifica o Templo de meu corpo, e deixa que teu Santo Espírito desça e viva em meu Coração, para que eu possa refletir os admiráveis raios de tua Glória: pois fostes maravilhosamente feliz em operar os teus fiéis Santos; por isso, ó Deus, magnífico Rei, e glória eterna, envia do teu trono e de tua gloriosa Majestade, sete vezes uma benção de tua graça, o Espírito da Sabedoria e Entendimento, o Espírito da fortaleza e Conselho, o Espírito do Conhecimento e Piedade, o Espírito do temor e o amor a ti, para entender tua maravilhosa Santidade e os mistérios ocultos, que tu tens o prazer de revelar, e que são apropriados conhecer, para que eu possa

compreender a profundidade, bondade e inestimável doçura de tua imensa Misericórdia, Piedade e Dignidade. Ó Senhor de Misericórdia, que inspirou no primeiro Homem o sopro da vida, alegra-te em infundir em meu Coração, neste dia, uma percepção perfeita, poderosa e um entendimento correto de todas as coisas; uma Memória rápida, duradoura e abundante, e uma Eloqüência eficaz; a doce, rápida e penetrante graça de teu Espírito Santo, e da profusão de tuas bênçãos, que tu entregas em abundância: permita-me que eu possa desprezar todas as outras coisas, e glorificar somente a ti, o Deus de todas as coisas, o verdadeiramente único e perfeitamente bom, para que eu possa glorificar para sempre, exaltar, abençoar, e engrandecer a ti, Rei dos Reis, e Senhor dos Senhores; e sempre plantar teu louvor, misericórdia e onipotência: que teu louvor possa sempre estar em minha boca, e minha Alma possa sempre ser inflamada com tua Glória, para sempre diante de ti. Ó tu, que és Deus onipotente, Rei de todas as coisas, a grande paz e sabedoria perfeita, inefável e inestimável doçura e deleite, o inexpressável prazer de toda a bondade, o desejo de todos os bem-aventurados, suas vidas, conforto, e fim glorioso; que era, desde a eternidade, e é e será a virtude invencível, sem partes ou paixões; Esplendor e glória inextinguível; benção, honra, exaltação, e venerável glória diante de todos os Mundos, agora e até o fim dos tempos, tempo sem fim, Amém.

A oração a seguir possui o poder de expelir todas as Luxúrias.

 Ó Senhor, Santo Pai, eterno Deus onipotente, de inestimável misericórdia e imensa bondade; ó misericordioso Jesus Cristo, reparador e restaurador da humanidade; ó Espírito Santo, consolador e amor dos fiéis: és tu quem sustenta toda a Terra em teus dedos, e carregas todas as Montanhas e Colinas no Mundo; que fazes milagres sem fim, cujo poder nada pode resistir, cujos caminhos são inacessíveis: defende minha Alma, e liberta meu Coração das pecaminosas cogitações deste Mundo; extingue e reprime em mim, por teu poder, todas as faíscas da luxúria e fornicação, para que eu possa amar mais intensamente tuas obras, e que a virtude do Espírito Santo possa crescer em mim, entre os dons conservadores de teus fiéis, para o conforto e salvação de meu Coração, Alma e Corpo. Ó Deus poderoso e Santo, Criador, Redentor, e Restaurador da Humanidade; eu sou teu servo, o Filho de tua criação, e obra de tuas mãos: ó Deus misericordioso e Redentor, eu clamo e suspiro diante dos olhos de tua grande Majestade, rogando-te, com todo o meu coração, para que me restaure, um miserável pecador, e que eu possa receber a tua grande misericórdia; concede-me Eloqüência, Saber e Conhecimento, que aqueles que ouvirem minhas palavras, elas possam ser melíferas em seus Corações; que vejam e ouçam tua sabedoria, que o orgulhoso seja humilde, e ouça e entenda minhas palavras com grande humildade, e considere a grandeza e bondade de tuas bênçãos, que vives e reinas, agora e para sempre, Amén.

 Observa, que se tu desejas conhecer qualquer coisa na qual sejas ignorante, especialmente sobre qualquer Ciência, leia esta Oração: Confesso-me a ti neste dia, ó Deus, Pai do Céu e da Terra, três vezes; e ao fim dela expresse aquilo que desejas saber; mais tarde, ao Anoitecer, quando fores para a cama, recitai a Oração Theos completamente, e o Salmo Qui Habitat, com este versículo, Emitte Spiritum; e vá dormir, e toma a Figura para este propósito, e ponha ela sob a Orelha direita: e próximo da segunda ou terceira hora da noite, tu deverás ver teus desejos, e conhecer sem qualquer dúvida aquilo que tu desejas encontrar: e escreve em tua mão direita Alpha e Omega, com o sinal da Cruz, e colocai a mão direita sob a Orelha direita, e jejua no dia anterior; apenas uma vez é feita a ingestão de carne, como é feito nos dias de jejum.

Aqui termina a Ars Notoria

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/ars-notoria-a-quinta-chave-menor-de-salomao/

A Natureza da Consciência (parte-1)

Alan Watts

Acho um pouco difícil dizer qual será o assunto deste seminário, porque é muito fundamental o título dado a ele. Eu vou falar sobre o que é. Agora, a primeira coisa, porém, que temos a fazer é obter nossas perspectivas com alguma base sobre as ideias básicas que, como ocidentais que vivem hoje nos Estados Unidos, influenciam nosso senso comum cotidiano, nossas noções fundamentais sobre o que é a vida. E há origens históricas para isso, que nos influenciam mais fortemente do que a maioria das pessoas imagina. Ideias do mundo que são construídas na própria natureza da linguagem que usamos, e de nossas ideias de lógica, e do que faz  sentido.

Essas idéias básicas eu chamo de mito, não usando a palavra ‘mito’ para significar simplesmente algo falso, mas para uso a palavra ‘mito’ em um sentido mais poderoso. Um mito é uma imagem com a qual tentamos dar sentido ao mundo. Agora, por exemplo, um mito de certa forma é uma metáfora. Se você quer explicar eletricidade para alguém que não sabe nada sobre eletricidade, você diz, bem, você fala sobre uma corrente elétrica. Agora, a palavra ‘corrente’ é emprestada dos rios. É emprestado da hidrelétrica, então você explica a eletricidade em termos de água. Agora, eletricidade não é água, na verdade ela se comporta de uma maneira diferente, mas há algumas maneiras pelas quais o comportamento da água é como o comportamento da eletricidade, então você explica em termos de água. Ou se você é um astrônomo e quer explicar às pessoas o que você quer dizer com um universo em expansão e um espaço curvo, você diz: ‘bem, é como se você tivesse um balão preto e houvesse pontos brancos no balão preto , e esses pontos representam galáxias, e à medida que você sopra o balão, uniformemente todos eles ficam cada vez mais distantes. Mas você está usando uma analogia – o universo não é realmente um balão preto com pontos brancos nele.

Assim, da mesma forma, usamos esse tipo de imagem para tentar dar sentido ao mundo, e atualmente estamos vivendo sob a influência de duas imagens muito poderosas, que são, no estado atual do conhecimento científico, inadequadas e um dos maiores problemas hoje é encontrar uma imagem adequada e satisfatória do mundo. Pois é sobre isso que vou falar. E vou além disso, não só que imagem do mundo ter, mas como podemos fazer com que nossas sensações e nossos sentimentos estejam de acordo com a imagem mais sensata do mundo que conseguirmos conceber.

Tudo bem, agora – as duas imagens com as quais trabalhamos há 2.000 anos e talvez mais são o que eu chamaria de dois modelos do universo, e o primeiro é chamado de modelo cerâmico e o segundo de modelo automatizado. O modelo cerâmico do universo é baseado no livro de Gênesis, do qual o judaísmo, o islamismo e o cristianismo derivam sua imagem básica do mundo. E a imagem do mundo no livro de Gênesis é que o mundo é um artefato. É feito, como um oleiro pega barro e faz potes dele, ou como um carpinteiro pega madeira e faz mesas e cadeiras com ela. Não se esqueça que Jesus é filho de um carpinteiro. E também o filho de Deus. Assim, a imagem de Deus e do mundo se baseia na idéia de Deus como técnico, oleiro, carpinteiro, arquiteto, que tem em mente um plano e que molda o universo de acordo com esse plano.

Tão básico para esta imagem do mundo é a noção, veja, que o mundo consiste basicamente de coisas. Matéria primordial, substância, coisas. Como as peças são feitas de barro. Agora o barro por si só não tem inteligência. O barro por si só não se torna um vaso, embora um bom oleiro possa pensar o contrário. Porque se você fosse um oleiro realmente bom, você não impõe sua vontade ao barro, você pergunta a qualquer pedaço de barro o que ele quer se tornar, e você o ajuda a fazer isso. E então você se torna um gênio. Mas a ideia comum de que estou falando é que simplesmente que a argila não é inteligente; é só uma coisa, e o oleiro impõe sua vontade a ela, e faz com que ela se torne o que ele quiser.

E assim no livro de Gênesis, o senhor Deus cria Adão do pó da Terra. Em outras palavras, ele faz uma estatueta de barro, e então respira nela, e ela se torna viva. E porque o barro por si só é sem forma, não tem inteligência requer uma inteligência externa e uma energia externa para trazê-lo à vida e trazer algum sentido a ele. E assim, herdamos uma concepção de nós mesmos como artefatos, como sendo feitos, e é perfeitamente natural em nossa cultura que uma criança pergunte a sua mãe ‘Como fui feito?’ ou ‘Quem me fez?’ E esta é uma ideia muito, muito poderosa, mas, por exemplo, não é compartilhada pelos chineses ou pelos hindus. Uma criança chinesa não perguntaria à mãe ‘Como fui feito?’ Uma criança chinesa pode perguntar à mãe ‘Como cresci?’ que é um processo de fabricação de formas totalmente diferente. Você vê, quando você faz alguma coisa, você junta, arranja as partes, ou trabalha de fora para dentro, como uma escultura trabalha na pedra, ou como um oleiro trabalha no barro. Mas quando você observa algo crescendo, funciona exatamente na direção oposta. Funciona de dentro para fora. Ele se expande. Ela floresce. Ela desabrocha. E isso acontece por si só. Em outras palavras, a forma simples original, digamos de uma célula viva no útero, progressivamente se complica, e esse é o processo de crescimento, e é bem diferente do processo de fabricação.

Mas nós pensamos, historicamente, você vê, o mundo como algo feito, e a ideia de ser – árvores, por exemplo – construções, assim como mesas e casas são construções. E assim há, por essa razão, uma diferença fundamental entre o feito e o fabricante. E esta imagem, este modelo cerâmico do universo, originou-se em culturas onde a forma de governo era monárquica, e onde, portanto, o criador do universo foi concebido também à imagem do rei do universo. ‘Rei dos reis, senhores dos senhores, o único governante dos príncipes, que assim do teu trono contemplam todos os habitantes da Terra.’ Estou citando o Livro de Oração Comum. E assim, todas aquelas pessoas que são orientadas para o universo dessa maneira sentem-se relacionadas à realidade básica como súditos de um rei. E assim eles estão em termos muito, muito humildes em relação ao que quer que seja que faça tudo isso funcionar. Acho estranho, nos Estados Unidos, que as pessoas que são cidadãos de uma república tenham uma teoria monárquica do universo. Que você pode falar sobre o presidente dos Estados Unidos como JFK, ou Ike, ou Harry, mas não pode falar sobre o senhor do universo em termos tão familiares. Porque estamos carregando de culturas muito antigas do Oriente Próximo, a noção de que o senhor do universo deve ser respeitado de uma certa maneira. As pessoas se ajoelham, as pessoas se curvam, as pessoas se prostram, e você sabe qual é a razão disso: ninguém tem mais medo de algo do que de um tirano. Ele se senta de costas para a parede, e seus guardas de cada lado dele, e ele tem você de bruços no chão porque você não pode usar armas dessa maneira. Quando você entra na presença dele, você não se levanta e o encara, porque você pode atacar, e ele tem motivos para temer que você o faça porque ele está governando todos vocês. E o homem que governa todos vocês é o maior bandido do grupo. Porque ele é o único que teve sucesso no crime. Os bandidos menores são deixados de lado porque eles – os criminosos, as pessoas que prendemos na cadeia – são simplesmente as pessoas que não tiveram sucesso.

Então, naturalmente, o verdadeiro chefe fica de costas para a parede com um capanga de cada lado. E então, quando você projeta uma igreja, como ela se parece? A igreja católica, com o altar onde costumava estar – está mudando agora, porque a religião católica está mudando. Mas a igreja católica tem o altar de costas para a parede na extremidade leste da igreja. E o altar é o trono e o sacerdote é o principal vizir da corte, e ele está fazendo penitência ao trono, mas ali está o trono de Deus, o altar. E todas as pessoas estão encarando isto, e ajoelhadas. E uma grande catedral católica é chamada de basílica, do grego ‘basilikos’, que significa ‘rei’. Assim, uma basílica é a casa de um rei, e o ritual da igreja é baseado nos rituais da corte de Bizâncio.

Uma igreja protestante é um pouco diferente., mas basicamente o mesmo. O mobiliário de uma igreja protestante é baseado em um tribunal judicial. O púlpito, o juiz de um tribunal americano usa um manto preto, ele usa exatamente o mesmo vestido de um ministro protestante. E todos se sentam nessas caixas, há uma caixa para o júri, há uma caixa para o juiz, há uma caixa para isso, há uma caixa para aquilo, e esses são os bancos de uma igreja protestante do tipo colonial comum. Assim, ambos os tipos de igrejas que têm uma visão autocrática da natureza do universo que decoram, são arquitetonicamente construídos de acordo com imagens políticas do universo. Um é o rei e o outro é o juiz. Sua honra. Há sentido nisso. Quando estiver no tribunal, você deve se referir ao juiz como ‘Vossa Excelência”. Isso impede que as pessoas envolvidas em litígios percam a paciência e sejam rudes. Há um certo sentido nisso.

Mas quando você quer aplicar essa imagem ao próprio universo, à própria natureza da vida, ela tem limitações. Por um lado, a ideia de uma diferença entre matéria e espírito. Essa ideia não funciona mais. Há muito, muito tempo, os físicos pararam de fazer a pergunta ‘O que é matéria?’ Eles começaram assim. Eles queriam saber, qual é a substância fundamental do mundo. E quanto mais eles faziam essa pergunta, mais eles percebiam que não podiam respondê-la, porque se você vai dizer o que é a questão, você tem que descrevê-lo em termos de comportamento, ou seja, em termos de forma, em termos de padrão. Você diz o que ele faz, descreve as menores formas que você pode ver. Você vê o que acontece? Você olha, digamos, para um pedaço de pedra e quer dizer: ‘Bem, do que é feito esse pedaço de pedra?’ Você pega seu microscópio e olha para ele, e em vez de apenas este bloco de coisas, você vê muitas formas menores. Pequenos cristais. Então você diz: ‘Tudo bem, até agora tudo bem. Agora, do que esses cristais são feitos? E você pega um instrumento mais poderoso, e descobre que eles são feitos de moléculas, e então você pega um instrumento ainda mais poderoso para descobrir do que são feitas as moléculas, e você começa a descrever átomos, elétrons, prótons, mésons. , todos os tipos de partículas subnucleares. Mas você nunca, nunca chega às coisas básicas. Porque não existem.

O que acontece é o seguinte: ‘Coisas’ é uma palavra para o mundo como parece quando nossos olhos estão fora de foco. Confuso – a idéia de Coisa é que é indiferenciada, como uma espécie de gosma. E quando seus olhos não estão em foco nítido, tudo parece confuso. Quando você coloca seus olhos em foco, você vê uma forma, você vê um padrão. Mas quando você quer mudar o nível de ampliação e se aproximar cada vez mais, você fica confuso novamente antes de ficar claro outra vez. Então, toda vez que você fica confuso, você pensa que há algum tipo de coisa lá. Mas quando você fica enxerga, você vê uma forma. Então, tudo o que podemos falar é sobre padrões. Nós nunca, nunca podemos falar sobre as ‘coisas’ das quais esses padrões devem ser feitos, porque você realmente não tem que supor que existe coisa alguma. Basta falar do mundo em termos de padrões. Ele descreve qualquer coisa que possa ser descrita, e você realmente não precisa supor que há alguma coisa que constitui a essência do padrão da mesma forma que a argila constitui a essência dos potes. E assim, por esta razão, você realmente não tem que supor que o mundo é algum tipo de lixo indefeso, passivo e pouco inteligente que uma agência externa tem que informar e transformar em formas inteligentes. Assim, a imagem do mundo na física mais sofisticada de hoje não é formada por coisas – argila em vaso – mas por padrão. Um padrão auto-movível e auto-projetado. Uma dança. E nosso senso comum como indivíduos ainda não alcançou isso.

Bem agora, no decorrer do tempo, na evolução do pensamento ocidental. A imagem cerâmica do mundo teve problemas. E se transformou no que chamo de imagem totalmente automatizada do mundo. Em outras palavras, a ciência ocidental baseou-se na ideia de que existem leis da natureza, e obteve essa ideia do judaísmo, do cristianismo e do islamismo. Que em outras palavras, o oleiro, o criador do mundo no princípio das coisas estabeleceu as leis, e a lei de Deus, que também é a lei da natureza, é chamada de ‘loggos.?,.’ E no cristianismo, o logos é a segunda pessoa da trindade, encarnada como Jesus Cristo, que assim é o exemplo perfeito da lei divina. Assim, tendemos a pensar em todos os fenômenos naturais como respondendo a leis, como se, em outras palavras, as leis do mundo fossem como os trilhos sobre os quais circula um bonde, um bonde ou um trem, e essas coisas existem de certa forma. maneira, e todos os eventos respondem a essas leis. Você conhece aquele clichê: o jovem que diz ‘Droga, parece que eu sou uma criatura que se move em determinados sulcos. Não sou nem ônibus, sou bonde!”

Então aqui está essa ideia de que há um tipo de plano, e tudo responde e obedece a esse plano. Bem, no século 18, os intelectuais ocidentais começaram a suspeitar dessa ideia. E o que eles suspeitavam era se existe um legislador, se existe um arquiteto do universo, e eles descobriram, ou eles raciocinaram, que você não tem que supor que existe. Por quê? Porque a hipótese de Deus não nos ajuda a fazer previsões. Nem faz… Em outras palavras, vamos colocar desta forma: se o negócio da ciência é fazer previsões sobre o que vai acontecer, a ciência é essencialmente profecia. O que vai acontecer? Examinando o comportamento do passado e descrevendo-o cuidadosamente, podemos fazer previsões sobre o que vai acontecer no futuro. Isso é realmente toda a ciência. E para fazer isso e fazer previsões bem-sucedidas, você não precisa de Deus como hipótese. Porque isso não faz diferença em nada. Se você diz ‘Tudo é controlado por Deus, tudo é governado por Deus’, isso não faz nenhuma diferença na sua previsão do que vai acontecer. E então o que eles fizeram foi abandonar essa hipótese. Mas eles mantiveram a hipótese de lei. Porque se você pode prever, se você pode estudar o passado e descrever como as coisas se comportaram, e você tem algumas regularidades no comportamento do universo, você chama isso de lei. Embora possa não ser lei no sentido comum da palavra, é simplesmente regularidade.

E então o que eles fizeram foi se livrar do legislador e guardar a lei. E assim concebeu o universo em termos de um mecanismo. Algo, em outras palavras, que está funcionando de acordo com princípios mecânicos regulares, semelhantes a relógios. Toda a imagem de Newton do mundo é baseada no bilhar. Os átomos são bolas de bilhar e batem uns nos outros. E assim seu comportamento, cada indivíduo ao redor, é definido como um arranjo muito, muito complexo de bolas de bilhar sendo jogadas por todo o resto. E assim por trás do modelo totalmente automático do universo está a noção de que a própria realidade é, para usar o termo favorito dos cientistas do século 19, energia cega. Na metafísica de Ernst Hegel, e T.H. Huxley, o mundo é basicamente nada além de energia – força cega e não inteligente. E da mesma forma e paralelamente a isso, na filosofia de Freud, temos a energia psicológica básica da libido, que é a luxúria cega. E é só um acaso, é só por puro acaso que da exuberância dessa energia existem pessoas. Com valores, razão, linguagem, culturas e com amor. Apenas um acaso. Tipo, você sabe, 1.000 macacos digitando em 1.000 máquinas de escrever por um milhão de anos acabarão digitando a Enciclopédia Britânica. E é claro que no momento em que eles pararem de digitar a Enciclopédia Britânica, eles irão recair no absurdo.

E para que isso não aconteça, para que você e eu  que somos acasos neste cosmos, e gostamos do nosso modo de vida – gostamos de ser humanos – e quisermos mantê-lo, dizem essas pessoas, temos que lutar contra a natureza, porque ela nos transformará em tolices no momento em que permitirmos. Portanto, temos que impor nossa vontade a este mundo como se fôssemos algo completamente estranho a ele. De fora. E assim temos uma cultura baseada na ideia da guerra entre o homem e a natureza. E falamos sobre a conquista do espaço. A conquista do Everest. E os grandes símbolos da nossa cultura são o foguete e o trator. O foguete é uma compensação para o homem sexualmente inadequado. Então vamos conquistar o espaço. Mas já estamos no espaço. Se alguém se importasse em ser sensível deixaria o espaço exterior vir até nós, se nossos olhos estiverem suficientemente claros. Auxiliado por telescópios, auxiliado pela radioastronomia, auxiliado por todos os tipos de instrumentos sensíveis que podemos imaginar. Mas, você sabe, a sensibilidade não é o tom. Especialmente na cultura WASP dos Estados Unidos. Nós definimos masculinidade em termos de agressão porque temos um pouco de medo de sermos ou não realmente homens. E então fizemos esse grande show de ser um cara durão. É completamente desnecessário. Se você tem o que é preciso, você não precisa fazer esse show. E você não precisa vencer a natureza em sua submissão. Por que ser hostil à natureza? Porque afinal, você É um sintoma da natureza. Você, como ser humano, você cresce para fora deste universo físico exatamente da mesma forma que uma maçã cresce de uma macieira.

Então, digamos que a árvore que produz maçãs é uma árvore que produz maçãs, usando ‘maçã’ como verbo. E um mundo em que os seres humanos chegam é um mundo que povoa. E assim a existência de pessoas é sintomática do tipo de universo que acham que vivem. Assim como manchas na pele de alguém são sintomáticas de catapora. Assim como o cabelo na cabeça é sintomático do que está acontecendo no organismo. Mas fomos criados por causa de nossos dois grandes mitos – o cerâmico e o automático – para não sentir que pertencemos ao mundo. Assim, nosso discurso popular reflete isso. Você diz ‘Eu vim a este mundo’. Você não veio para dá. Você veio daqui. Você diz ‘Enfrente os fatos’. Falamos de ‘encontros’ com a realidade, como se fosse um encontro frontal de agências completamente alienígenas. E a pessoa comum tem a sensação de que é alguém que existe dentro de um saco de pele. O centro de consciência que olha para essa coisa, e o que diabos isso vai fazer comigo? ‘Eu reconheço você, você meio que se parece comigo, e eu me vi no espelho, e você parece que pode ser gente.’ Então talvez você seja inteligente e talvez possa amar também. Talvez você esteja bem, alguns de vocês estão, de qualquer maneira. Você tem a cor certa de pele, ou você tem a religião certa, ou seja lá o que for, você está bem. Mas há todas essas pessoas na Ásia e na África, e elas podem não ser realmente pessoas para vocês. Quando você quer destruir alguém, você sempre os define como ‘não-pessoas’. Não realmente humano. Macacos, talvez. Idiotas, talvez. Máquinas, talvez, mas não pessoas.

Portanto, temos essa hostilidade ao mundo externo por causa da superstição, do mito, da teoria absolutamente infundada de que você, você mesmo, existe apenas dentro de sua pele. Agora eu quero propor outra ideia completamente diferente. Existem duas grandes teorias em astronomia acontecendo agora sobre a origem do universo. Uma é chamada de teoria da explosão e a outra é chamada de teoria do estado estacionário. As pessoas do estado estacionário dizem que nunca houve uma época em que o mundo começou, está sempre se expandindo, sim, mas como resultado do hidrogênio livre no espaço, o hidrogênio livre coagula e faz novas galáxias. Mas as outras pessoas dizem que houve uma explosão primordial, um enorme estrondo bilhões de anos atrás, que arremessou todas as galáxias para o espaço. Bem, vamos tomar isso apenas por uma questão de argumento e dizer que foi assim que aconteceu.

É como se você pegasse uma garrafa de tinta e a jogasse na parede. Esmagar! E toda aquela tinta se espalhou. E no meio, é denso, não é? E à medida que sai na borda, as gotículas ficam cada vez mais finas e fazem padrões mais complicados, entende? Então, da mesma forma, houve um big bang no início das coisas e isso se espalhou. E você e eu, sentados aqui nesta sala, como seres humanos complicados, estamos muito, muito à margem desse estrondo. Nós somos os pequenos padrões complicados no final disso. Muito interessante. Mas assim nos definimos como sendo apenas isso. Se você pensa que está apenas dentro de sua pele, você se define como um pequeno emaranhado muito complicado, bem à beira dessa explosão. Sair no espaço e sair no tempo. Bilhões de anos atrás, você era um big bang, mas agora você é um ser humano complicado. E então nos isolamos e não sentimos que ainda somos o big bang. Mas você é. Depende de como você se define. Você é na verdade — se foi assim que as coisas começaram, se houve um big bang no começo — você não é algo que é resultado do big bang. Você não é algo que é uma espécie de marionete no final do processo. Você ainda é o processo. Você é o big bang, a força original do universo, surgindo como quem você é. Quando te encontro, vejo não apenas o que você se define como – senhor fulano de tal, senhora fulana de tal, senhorita fulana de tal – vejo cada um de vocês como a energia primordial do universo vindo para mim desta maneira particular. Eu sei que sou isso também. Mas aprendemos a nos definir como separados dela.

E então o que eu chamaria de um problema básico que temos que passar primeiro, é entender que não existem coisas. Quero dizer coisas separadas, ou eventos separados. Que isso é apenas uma maneira de falar. Se você puder entender isso, não terá mais problemas. Certa vez, perguntei a um grupo de crianças do ensino médio ‘O que você quer dizer com uma coisa?’ Em primeiro lugar, eles me deram todos os tipos de sinônimos. Eles disseram ‘É um objeto’, que é simplesmente outra palavra para uma coisa; não lhe diz nada sobre o que você quer dizer com uma coisa. Finalmente, uma garota muito inteligente da Itália, que estava no grupo, disse que uma coisa é um substantivo. E ela estava certa. Um substantivo não é uma parte da natureza, é uma parte do discurso. Não há substantivos no mundo físico. Também não há coisas separadas no mundo físico. O mundo físico é agitado. Nuvens, montanhas, árvores, pessoas, são todas onduladas. E somente quando os seres humanos começam a trabalhar nas coisas – eles constroem prédios em linhas retas, e tentam fazer com que o mundo não seja realmente ondulante. Mas aqui estamos nós, sentados nesta sala, toda construída em linhas retas, mas cada um de nós é tão agitado quanto todos os outros.

Agora, quando você quer ter o controle de algo que se mexe, é bem difícil, não é? Você tenta pegar um peixe em suas mãos, e o peixe está balançando e escorrega. O que você faz para pegar o peixe? Você usa uma rede. E assim a rede é a coisa básica que temos para nos apoderarmos do mundo ondulante. Então, se você quiser se apoderar desse movimento, você tem que colocar uma rede sobre ele. Uma rede é algo regular. E eu posso numerar os buracos em uma rede. Tantos buracos para cima, tantos buracos do outro lado. E se posso numerar esses buracos, posso contar exatamente onde está cada movimento, em termos de um buraco nessa rede. E esse é o começo do cálculo, a arte de medir o mundo. Mas para fazer isso, eu tenho que quebrar o movimento em pedaços. Eu tenho que chamar isso de um pedaço específico, e este é o próximo pedaço do movimento, e este o próximo pedaço, e este o próximo pedaço do movimento. E então esses pedaços são coisas ou eventos. Um pouco de mexidas. Que eu marco para falar sobre. Para medir e, portanto, para controlá-lo. Mas na natureza, de fato, no mundo físico, o movimento não é capturado. Você tem que cortar o frango para comê-lo. Você morde. Mas ele não vem mordido.

Assim, o mundo não vem em coisas; não vem eventuados. Você e eu somos tão contínuos com o universo físico quanto uma onda é contínua com o oceano. As ondas do mar e os povos do universo. E quando eu aceno e digo para você ‘Yoo-hoo!’ o mundo está acenando comigo para você e dizendo ‘Oi! Estou aqui!’ Mas somos consciência da maneira como sentimos e sentimos nossa existência. Sendo baseado em um mito de que somos feitos, que somos partes, que somos coisas, nossa consciência foi influenciada, para que cada um de nós não sinta isso. Fomos hipnotizados, literalmente hipnotizados pela convenção social para sentir e sentir que existimos apenas dentro de nossas peles. Que não somos o estrondo original, apenas algo no final dele. E, portanto, estamos com muito medo. Minha onda vai desaparecer e eu vou morrer! E isso seria horrível. Temos uma mitologia acontecendo agora que é, como diz o padre Maskell “somos algo que acontece entre a maternidade e o crematório”. E, portanto, todos se sentem infelizes e miseráveis.

Isto é o que as pessoas realmente acreditam hoje. Você pode ir à igreja, pode dizer que acredita nisso, naquilo e na outra, mas não acredita. Mesmo as Testemunhas de Jeová, que são os fundamentalistas mais fundamentais, são educadas quando chegam e batem na porta. Mas se você REALMENTE acreditasse no cristianismo, estaria gritando nas ruas. Mas ninguém faz. Você estaria publicando anúncios de página inteira no jornal todos os dias. Vocês seriam os programas de televisão mais aterrorizantes. As igrejas ficariam loucas se realmente acreditassem no que ensinam. Mas eles não acreditam. Eles acham que devem acreditar no que ensinam. Eles acreditam que deveriam acreditar, mas eles não reagem.

O que REALMENTE acreditamos é o modelo totalmente automático. E esse é o nosso senso comum básico e plausível. Você é um acaso. Você é um evento à parte. E você corre da maternidade para o crematório, e pronto, querida. É isso.

Agora, por que alguém pensa assim? Não há razão para isso, porque isso nem sequer é científico. É apenas um mito. E é inventado por pessoas que querem se sentir de uma certa maneira. Eles querem jogar um determinado jogo. O jogo de deus ficou embaraçoso. A ideia de Deus como oleiro, como o arquiteto do universo, é boa. Isso faz você sentir que a vida é, afinal, importante. Existe alguém que se importa. Tem significado, tem sentido e você é valioso aos olhos do pai. Mas depois de um tempo, fica embaraçoso, e você percebe que tudo que você faz está sendo observado por Deus. Ele conhece seus sentimentos e pensamentos mais íntimos, e você diz depois de um tempo: ‘Pare de me incomodar! Não quero você por perto. Então você se torna um ateu, só para se livrar dele. Então você se sente terrível depois disso, porque você se livrou de Deus, mas isso significa que você se livrou de si mesmo. Você não passa de uma máquina. E sua ideia de que você é uma máquina também é apenas uma máquina. Então, se você é um garoto esperto, você comete suicídio. Camus disse que há apenas uma questão filosófica séria, que é se deve ou não cometer suicídio. Acho que há quatro ou cinco questões filosóficas sérias. A primeira é ‘Quem começou?’ A segunda é ‘Vamos conseguir?’ O terceiro é ‘Onde vamos colocá-lo?’ A quarta é ‘Quem vai limpar?’ E o quinto, ‘É sério?’

Mas ainda assim, você deve ou não cometer suicídio? Essa é uma boa pergunta. Por que continuar? E você só continua se o jogo valer a pena. Agora, o universo está acontecendo há um tempo incrível. E realmente, uma teoria satisfatória do universo tem que ser uma que valha a pena apostar. Isso é muito, parece-me, senso comum elementar. Se você faz uma teoria do universo que não vale a pena apostar, por que se preocupar? Basta cometer suicídio. Mas se você quiser continuar jogando, você precisa ter uma teoria ótima para jogar o jogo. Caso contrário, não há sentido nisso. Mas as pessoas que cunharam a teoria totalmente automática do universo estavam jogando um jogo muito engraçado, pois o que eles queriam dizer era o seguinte: todos vocês que acreditam em religião – velhinhas e sonhadores – vocês têm um grande papai lá em cima, e você quer conforto, mas a vida é dura. A vida é dura, pois o sucesso vai para as pessoas mais teimosas. Essa era uma teoria muito conveniente quando os mundos europeu e americano estavam colonizando os nativos em todos os outros lugares. Eles disseram ‘Nós somos o produto final da evolução, e somos durões. Eu sou um cara grande e forte porque encaro os fatos, e a vida é só um monte de lixo, e vou impor minha vontade a ela e transformá-la em outra coisa. Estou muito duro. Essa é uma forma de auto-elogío.

E assim, tornou-se academicamente plausível e na moda que é assim que o mundo funciona. Nos círculos acadêmicos, nenhuma outra teoria do mundo além do modelo totalmente automático é respeitável. Porque se você é uma pessoa acadêmica, você tem que ser uma pessoa intelectualmente forte, você tem que ser espinhoso. Existem basicamente dois tipos de filosofia. Um se chama Spike (espinhos,) o outro se chama Goo (gosma). E as pessoas espinhosas são precisas, rigorosas, lógicas. Eles gostam de tudo picado e claro. Pessoas Goo  gostam do vago. Por exemplo, em física, pessoas espinhosas acreditam que os constituintes finais da matéria são partículas. Pessoas Goo  acreditam que são ondas. E na filosofia, as pessoas espinhosas são positivistas lógicos, e as pessoas pegajosas são idealistas. E eles estão sempre discutindo um com o outro, mas o que eles não percebem é que nenhum deles pode tomar sua posição sem a outra pessoa. Porque você não saberia que defendia espinhos a menos que houvesse alguém defendendo gosma. Você não saberia o que era um espinho a menos que soubesse o que era uma gosma. Porque a vida não é espinhos ou gosma, é ou espinhos pegajosos ou gosma espinhosa. Eles vão juntos como atrás e na frente, masculino e feminino. E essa é a resposta para a filosofia. Veja bem, sou um filósofo e não vou discutir muito, porque se você não discutir comigo, não sei o que penso. Então, se discutirmos, eu digo ‘obrigado’, porque devido à cortesia de você ter um ponto de vista diferente, eu entendo o que quero dizer. Então eu não posso me livrar de você.

Mas, no entanto toda essa ideia de que o universo não é nada além de uma força não inteligente brincando e nem mesmo gostando disso é uma teoria depreciada do mundo. Pessoas que tinham uma vantagem a fazer, um jogo para jogar, colocando-o para baixo, e fingindo que, porque derrubavam o mundo, eram um tipo superior de pessoas. Então isso simplesmente não vai funcionar. Já tentamos. Porque se você concorda seriamente com essa ideia de mundo, você é o que é tecnicamente chamado de alienado. Você se sente hostil ao mundo. Você sente que o mundo é uma armadilha. É um mecanismo eletrônicos e neurológicos nos quais você de alguma forma foi pego. E você, coitado, tem que aturar ser colocado em um corpo que está desmoronando, que tem câncer, que tem uma grande coceira siberiana, e é simplesmente terrível. E esses mecânicos – médicos – estão tentando ajudá-lo, mas eles realmente não podem ter sucesso no final, e você vai desmoronar, e é um negócio sombrio, e é muito ruim. Então, se você acha que é assim que as coisas são, você pode cometer suicídio agora mesmo. A menos que você dizer: ‘Bem, estou amaldiçoado. Porque pode realmente haver, afinal, a condenação eterna. Ou me identifico com meus filhos, e penso neles sem mim e sem ninguém para apoiá-los. Porque se eu continuar nesse estado de espírito e continuar a apoiá-los, vou ensiná-los a ser como eu sou, e eles continuarão, arrastando-o para sustentar seus filhos, e eles não vão gostar. Eles terão medo de cometer suicídio, e seus filhos também. Todos aprenderão as mesmas lições.

Veja bem, tudo o que estou tentando dizer é que o senso comum básico sobre a natureza do mundo que está influenciando a maioria das pessoas nos Estados Unidos hoje é simplesmente um mito. Se você quer dizer que a ideia de Deus pai com sua barba branca no trono de ouro é um mito, no mau sentido da palavra ‘mito’, este outro também o é. É tão falso e tem tão pouco para apoiá-lo quanto o verdadeiro estado das coisas. Por quê? Vamos deixar isso claro. Se existe alguma coisa como inteligência, amor e beleza, bem, você a encontrou em outras pessoas. Em outras palavras, ela existe em nós como seres humanos. E como eu disse, se está lá, em nós, é sintomático do esquema das coisas. Somos tão sintomáticos do esquema das coisas quanto as maçãs são sintomáticas da macieira ou da rosa da roseira. A Terra não é uma grande rocha infestada de organismos vivos, assim como seu esqueleto não é um osso infestado de células. A Terra é geológica, sim, mas essa entidade geológica faz crescer as pessoas, e nossa existência na Terra é um sintoma desse outro sistema, e seus equilíbrios, tanto quanto o sistema solar, por sua vez, é um sintoma de nossa galáxia, e nossa galáxia por sua vez, é um sintoma de toda uma companhia de outras galáxias. Só Deus sabe no que estamos dentro.

Mas você vê, quando, como um cientista, você descreve o comportamento de um organismo vivo, você tenta dizer o que uma pessoa faz, é a única maneira pela qual você pode descrever o que uma pessoa é, descrever o que ela faz. Então você descobre que ao fazer essa descrição, você não pode se limitar ao que acontece dentro da pele. Em outras palavras, você não pode falar sobre uma pessoa andando a menos que você comece a descrever o chão, porque quando eu ando, eu não fico apenas balançando minhas pernas no espaço vazio. Eu me movo em relação a um quarto. Então, para descrever o que estou fazendo quando estou andando, tenho que descrever a sala; Eu tenho que descrever o território. Então, ao descrever minha fala no momento, não posso descrevê-la apenas como uma coisa em si, porque estou falando com você. E então o que estou fazendo no momento não está completamente descrito, a menos que sua presença aqui também seja descrita. Então, se isso for necessário, em outras palavras, para descrever o MEU comportamento, eu tenho que descrever o SEU comportamento e o comportamento do ambiente, significa que realmente temos um sistema de comportamento. Sua pele não o separa do mundo; é uma ponte através da qual o mundo externo flui para você, e você flui para ele.

Apenas, por exemplo, como um redemoinho na água, você poderia dizer que porque você tem uma pele, você tem uma forma definida, você tem uma forma definida. Tudo bem? Aqui está um fluxo de água, e de repente ele faz um redemoinho, e continua. O redemoinho é uma forma definida, mas nenhuma água permanece nele. O redemoinho é algo que o riacho está fazendo, e exatamente da mesma forma, o universo inteiro está fazendo cada um de nós, e eu vejo cada um de vocês hoje e os reconheço amanhã, assim como reconheceria um redemoinho em um riacho. Eu diria ‘Ah, sim, eu já vi aquele redemoinho antes, é perto da casa de fulano de tal na beira do rio, e está sempre lá.’ Então, da mesma forma, quando eu te encontrar amanhã, eu te reconheço, você é o mesmo redemoinho de ontem. Mas você está se movendo. O mundo inteiro está se movendo através de você, todos os raios cósmicos, toda a comida que você está comendo, o fluxo de bifes e leite e ovos e tudo está simplesmente fluindo através de você. Quando você está balançando da mesma maneira, o mundo está balançando, a corrente está balançando você.

Mas o problema é que não fomos ensinados a nos sentir assim. Os mitos subjacentes à nossa cultura e ao nosso senso comum não nos ensinaram a nos sentir idênticos ao universo, mas apenas partes dele, apenas nele, apenas confrontando-o – alienígenas. E estamos, penso eu, precisando urgentemente de sentir que SOMOS o universo eterno, cada um de nós. Caso contrário, vamos enlouquecer. Vamos cometer suicídio, coletivamente, cortesia das bombas H. E, tudo bem, supondo que nós fará, bem, será isso, mas então haverá vida fazendo experimentos em outras galáxias. Talvez eles encontrem uma saida melhor.

parte 2

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-natureza-da-consciencia-parte-1/

Mapa Astral de Charles Manson

Charles Milles Manson (Cincinnati, 12 de novembro de 1934), mais conhecido como Charles Manson, é o fundador, mentor intelectual e líder de um grupo que cometeu vários assassinatos, entre eles o da atriz Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski.

Filho de uma prostituta, ainda criança Manson passou a frequentar reformatórios juvenis pelos quatro cantos dos Estados Unidos. Em 1967, Manson saiu da prisão aos 33 anos de idade, tendo permanecido preso desde os 9 anos de idade. Em 1968, ele formou uma comunidade alternativa em Spahn Ranch, perto de Los Angeles. Manson tinha ideias grandiosas e um grupo de amigos e admiradores, conhecidos como Família Manson. Esses eram jovens, homens e mulheres de famílias ricas, que não tinham bom relacionamento com seus familiares e que por isso passaram a morar nas ruas da Califórnia. Alguns dos admiradores de Manson o consideravam uma reencarnação de Jesus Cristo – uma analogia a ele abrir a vida dos jovens para “novos horizontes”.

Mapa Astral

Normalmente, eu costumo publicar Mapas de pessoas que contribuíram de alguma maneira com suas Verdadeiras Vontades para a evolução do planeta. Porém, recebo várias perguntas sobre como ficaria o mapa de uma pessoa que cagou todo o seu potencial aqui no planeta?

A resposta é que o Mapa Astral é o Mapa Astral: as energias que são indicadas nele trazem todo o POTENCIAL que a pessoa possui para desenvolver em Malkuth, PORÉM, uma vez encarnados, cada um possui o livre-arbítrio para utilizar-se destas ferramentas da maneira como desejar. Alguns utilizam este potencial para a evolução enquanto outros são tragados para as Qlipoth e se tornam parte da involução planetária. Vamos analisar o potencial de Manson:

O mapa possui Sol, Vênus, Mercúrio e Júpiter em Escorpião, sendo Mercúrio e Júpiter em Cavaleiro de Taças (Escorpião-Libra). Indica uma pessoa inteligente, que consegue facilmente agregar e compreender os outros (palavras chaves para escorpião: tomar conta das coisas dos outros; palavra chave para Libra: entender o outro). Este facilitador enorme o tornaria propenso a ser um líder no sentido das pessoas naturalmente se dirigirem para ele em busca de conselhos. Poderia ter se tornado um político com facilidade.

Seu Ascendente em Touro facilita a concretização de suas idéias.

Lua e Caput Draconis em Aquário-Capricórnio (Cavaleiro de Espadas) indica uma facilidade acima da média de compreender as regras do sistema e quebrá-las. Uma energia boa para um auditor, ou para um mafioso… ambos conhecem o sistema e sabem onde procurar por suas falhas.

Marte em Virgem indica a maneira como ele combate com a estratégia e precisão de um jogador de xadrez. Uma facilidade de colocar as peças em jogo e trabalhar cada uma das engrenagens e, finalmente, Saturno em Aquário, que facilita a concretização das idéias mirabolantes que a energia aquariana traz.

Ele poderia ter sido um político e grande fonte de inspiração para as pessoas, e, de certo modo, acabou se tornando uma espécie de ídolo qliphotico, completamente à mercê das energias involutivas. Não deixou de se tornar um “ídolo” para desequilibrados que vibram na mesma sintonia… O que nos mostra que, à medida em que as pessoas possuem e desenvolvem seus potenciais, elas são “tentadas” a se corromper para a escória da Árvore da Vida (ou a Árvore da Morte, como se costuma chamar).

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-charles-manson