Goécia

goecia

Uma das etapas mais importantes do desenvolvimento mágico na Tradição Esotérica Ocidental, mas também uma das mais incompreendidas, é o trabalho goético, ou invocação dos demônios. Foi sobretudo graças à Goécia que a magia adquiriu uma reputação tão sinistra no ocidente, especialmente em uma sociedade como a medieval, em que a palavra demônio evocava a noção de criaturas infernais, dotadas de chifres e rabo pontiagudo, sempre com um tridente na mão e envoltas em exalações sulfurosas. Essa idéia era compartilhada tanto pelo pio cristão quanto pelos pseudomagos que se aproximavam do trabalho goético ávidos por fama e poder, o que deu origem à lenda popular do pacto com o Diabo, que acabou se cristalizando na lenda de Fausto.

Foi só a partir das pesquisas de McGregor Mathers, um dos fundadores da Golden Dawn, que a Goécia começou a recuperar seu sentido original. Rato incansável de biblioteca, Mathers descobriu, traduziu e publicou a obra mais importante da tradição goética, a Clavícula de Salomão, cujas instruções serviram de base para a composição do Livro da Serpente Negra, o qual registra a versão Golden Dawn da Goécia. Na interpretação moderna adotada por Mathers e seus colegas, os demônios com os quais a Goécia trabalha são vistos como uma personificação das forças sombrias que agem nas profundezas da psique do próprio mago. Elas tornam-se demoníacas na medida em que são apartadas da consciência e, conseqüentemente, se voltam contra esta, o que não deixa de antecipar as teorias freudianas sobre o recalque e o retorno do recalcado. O objetivo do trabalho goético é recuperar essas forças e integrá-las à totalidade da psique, transformando-as em energias positivas que contribuem para a evolução interior do mago.

Com o costumeiro tom pragmático e pé-no-chão que adotava sempre que não estava preocupado demais em impressionar os basbaques com sua persona de Grande Mago, Crowley foi direto ao ponto, na célebre introdução que escreveu para a tradução de Mathers da Clavícula de Salomão: “Os espíritos da Goécia são parcelas do cérebro humano.”

Mais prudente que Crowley, Israel Regardie evita atribuir uma base cerebral para os demônios goéticos, mas não deixa de insistir sobre o paralelo entre eles e os complexos inconscientes estudados pela psicanálise:

complexo, enquanto for um impulso subconsciente oculto, à espreita e destituído de configuração ou forma no inconsciente do paciente, ainda com força para romper a unidade do consciente, não pode ser adequadamente confrontado. A mesma base racional subjetiva estende-se ao aspecto goético da magia, a evocação dos espíritos. Enquanto na constituição do mago permanecem ocultos, descontrolados e desconhecidos esses poderes subconscientes, ou espíritos (…), ele é incapaz de enfrentá-los adequadamente, examiná-los ou desenvolvê-los visando modificar um e banir outro do campo total da consciência. Eles precisam assumir forma antes que possam ser usados. Mediante um programa de evocação, porém, os espíritos ou poderes subconscientes são convocados das profundezas, e sendo atribuída a eles forma visível no triângulo de manifestação, podem ser controlados por meio do sistema mnemônico de símbolos transcendentais e conduzidos ao terreno da vontade espiritualizada do teurgo.

Mesmo que Regardie use palavras com as quais os psicólogos contemporâneos não se sentem muito à vontade – como subconsciente, por exemplo -, sua descrição da Goécia é clara o suficiente para reconhecermos que o trabalho goético não é outra coisa senão o que os junguianos denominam de confronto com a sombra.

Sombra

Classicamente, a psicologia junguiana define a sombra como os aspectos da personalidade que o ego se recusa a reconhecer e que, dessa forma, são banidos para o inconsciente. Os motivos dessa recusa são vários mas, de um modo geral, têm uma base sociocultural: o indivíduo reprime aqueles traços que não são valorizados pela sociedade ou que, durante a infância, os pais o ensinaram a encarar como feios, maus ou indesejáveis. Alguns desses elementos foram simplesmente expulsos do campo da consciência. Outros nunca chegaram a fazer parte dele e foram barrados antes mesmo que tivessem condições de se desenvolver. Formam a base do que Jung descreveu como o inconsciente pessoal e que coincide mais ou menos com o conceito de inconsciente que Freud desenvolveu no início da psicanálise, antes que formulasse a célebre distinção entre ego, superego e id.

Nos sonhos e fantasias das pessoas, os componentes da sombra costumam aparecer sob a forma de figuras perturbadoras, más ou demoníacas. De fato, a interpretação junguiana tradicional identifica os demônios da religião aos complexos que constituem a sombra, e é esse o fundamento da explicação que Regardie dá para os demônios goéticos. No entanto, é importante frisar que esses complexos não são bons ou maus em si mesmos. São forças psíquicas, moralmente neutras, e é apenas à luz dos valores do ego que eles adquirem uma conotação maléfica.

Para dar um exemplo, durante boa parte da história, a sociedade patriarcal classificou os sentimentos como um atributo feminino e inferior. A expressão dos sentimentos pelos homens era vista como sinal de fraqueza, o que ainda persiste em ditados como o de que “homem não chora”. Para onde vão os sentimentos que os homens são proibidos de exprimir? Para a sombra, claro. Uma vez lá, tornam-se complexos inconscientes, em constante pé-de-guerra com o ego, e que exercem uma influência perturbadora sobre a consciência, apossando-se dela em determinadas circunstâncias – por exemplo, quando o homem explode em um ataque de raiva incontrolável. Essa raiva é um demônio porque possui a consciência, escapa ao seu controle e causa efeitos destrutivos para o próprio indivíduo e para os que o rodeiam. Mas ela não é essencialmente má. É uma força positiva, o sentimento, que só se tornou destrutiva devido à repressão que a impede de ser canalizada de uma forma mais construtiva. A mesma coisa vale para todos os elementos que constituem a sombra.

Os junguianos freqüentemente se referem à sombra no singular, como se fosse uma entidade única, mas não devemos nos iludir com isso. A sombra é uma instância múltipla, composta por diferentes forças que só têm em comum o fato de terem sido reprimidas pelo ego, e que muitas vezes, além de estarem em conflito com a consciência, também se opõem entre si. Imagine uma multidão de demônios, pequenos e grandes, em constante luta uns com os outros, uivando, berrando, e você vai ter uma boa idéia do que se passa no território da sombra. É esse quadro que está na origem do termo goécia, palavra que em grego significa um uivo feroz e inarticulado.

O desenrolar do processo de individuação – que, como foi dito em outra parte, é nada mais, nada menos do que a iniciação de que falam os esoteristas – leva a consciência a se identificar cada vez menos com o ego, alargando seu campo para integrar os conteúdos do inconsciente, tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo. É inevitável, portanto, que em determinada altura do caminho, ela se defronte com o problema de recuperar a sombra, trazendo seus demônios para a superfície, exorcizando o caráter destrutivo dessas forças e integrando-as a seu próprio campo.

No âmbito da psicologia junguiana, esse trabalho é feito com a ajuda do terapeuta. Antes que a psicologia fosse inventada, contudo, as religiões e escolas esotéricas desenvolveram uma bateria de rituais com o propósito de alcançar esse objetivo. A magia goética, tal como descrita pela Clavícula de Salomão, é um desses procedimentos.

A Sombra e a Sístase

Antes de continuar, consideremos a questão da sombra à luz do conceito gnóstico de sístase.

Quem vem acompanhando o Franco-Atirador há algum tempo deve se lembrar de que a sístase é o nome que os gnósticos davam para o sistema de dominação que aprisiona o ser humano, limitando seu potencial. Esse sistema tem ramificações que se estendem por todos os níveis, do cósmico ao psicológico, mas suas principais manifestações são:

1. Giger_bNo campo social, um conjunto de valores que determina o que é ou não aceitável, e inclusive o que deve ser considerado como real ou irreal. É o que o marxismo descreve sob a rubrica de ideologia.

2. No campo psicológico, padrões estereotipados de cognição e comportamento, que filtram as percepções das pessoas e moldam suas ações e interações. A psicanálise se refere a esses padrões como o superego.

3. No campo fisiológico, um sistema de tensões físicas – sobretudo musculares, mas não só – que impedem a energia de circular livremente pelo organismo. Reich batizou esse sistema de tensões de couraça caracteriológica ou couraça muscular.

Esses três níveis estão, obviamente, inter-relacionados. É a internalização da ideologia que está na origem do superego, e é o superego que se ancora no corpo sob a forma de um encouraçamento do organismo. Uma vez constituídos, superego, couraça e ideologia reforçam-se mutuamente em um circuito de retroalimentação (feedback). O circuito age como um filtro, que deixa passar algumas percepções, emoções e atitudes, com os quais a nossa realidade consensual (a visão que temos de nós mesmos e do mundo) é construída, enquanto outros, que não são considerados compatíveis com a realidade consensual, são sumariamente excluídos. O que mantém esse circuito funcionando é a energia dos próprios impulsos reprimidos, desviada e canalizada para alimentar o sistema.

Como o leitor deve ter percebido, a descrição gnóstica e a teoria junguiana da sombra descrevem a mesma coisa sob dois pontos-de-vista ligeiramente diferentes. A partir dessas duas visões, não é difícil perceber também que as relações entre o ego e a sombra são mais complexas, mais dialéticas, do que uma leitura superficial permitira supor. O mundo do ego rejeita a sombra mas, ao mesmo tempo, precisa da energia dela para existir. Nossa realidade consensual só se mantém à custa da força que extrai daquilo mesmo que ela exclui. Os impulsos reprimidos são transformados em demônios, mas são esses demônios que sustentam a estrutura que os reprime.

Conseqüentemente, é impossível superar a sístase enquanto ela for constantemente energizada pelo reprimido em nós. Daí que a integração da sombra, trazer os demônios do inconsciente à luz da consciência e, numa palavra, redimi-los, é uma condição sine qua non para a dissolução do estado de sístase. O que dá toda uma nova perspectiva ao trabalho goético.

A Clavícula de Salomão

Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. De acordo com os filólogos que estudaram a composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C., provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.

Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará inevitavelmente decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele imprudentemente evocar.

Mas não há motivo para susto. A razão pela qual a magia cerimonial antiga é tão abstrusa é a necessidade de mobilizar e canalizar as forças da imaginação, que são, afinal de contas, o único instrumento realmente necessário para a prática da magia. Todo o aparato que o mago é instruído a fabricar tem um significado acima de tudo simbólico, e espera-se que as dificuldades que ele vai encontrar ao fazê-los sejam suficientes para direcionar sua vontade em direção ao objetivo. Já no Renascimento, os criadores do que se tornou conhecido como magia hermética – Marsilio Ficino, Giordano Bruno e Pico della Mirandola, entre outros – compreenderam que uma capacidade de visualização bem-desenvolvida pode substituir com proveito essa tralha toda. A Golden Dawn aprofundou ainda mais essa trilha do uso mágico da imaginação, que consiste na visualização de símbolos e interação com eles em uma esfera puramente psíquica (o astral, como se costuma dizer). E AOSpare e a magia do caos levaram a tendência a seu limite extremo, substituindo até o simbolismo tradicional por símbolos e imagens que fossem eficientes e adequados à psicologia individual de cada mago.

(Por outro lado, para os que gostam da pompa e circunstância da magia cerimonial, Carroll “Poke” Runyon desenvolveu uma versão contemporânea da magia de Salomão que, embora eu não tenha testado na prática, me pareceu bem interessante e vale pelo menos uma olhada, apesar das horrendas ilustrações kitsch com que ele recheou seu livro…)

O Círculo Mágico e o Triângulo da Manifestação

Alegorias de escola de samba à parte, a magia goética se apóia sobre dois instrumentos: o círculo mágico e o triângulo da manifestação. Circle_goetiaO círculo mágico é um velho conhecido de todos os que estudam magia. É no interior dele que fica o mago e sua função tradicional é protegê-lo das forças que o ritual se destina a evocar. Autores contemporâneos, embora não neguem esse papel de proteção, tendem a ver o círculo mágico muito mais como a constituição de um espaço sagrado, separado da realidade quotidiana, no interior do qual a consciência se desloca para um estado alterado no qual a magia é possível. (Um exemplo dessa nova abordagem do círculo mágico pode ser encontrada aqui.) De qualquer forma, embora o mago medieval laboriosamente traçasse o círculo fisicamente no chão, não existe motivo pelo qual ele não possa ser simplesmente visualizado, que é a alternativa adotada por um bom número de adeptos nos dias de hoje.

A mesma coisa se aplica ao triângulo da manifestação, no interior do qual muitas vezes colocava-se um espelho mágico. De acordo com a Clavícula, ele deve ser feito de madeira, com as dimensões exatadas dadas pelo texto, mas pode-se perfeitamente visualizá-lo apenas na imaginação. Como o próprio nome diz, é no interior do triângulo que as entidades evocadas se manifestam. E as explicações dadas por Regardie e outros deixam bem claro que seu valor é antes de mais nada simbólico.

Identificando os demônios pessoais

Levando-se em conta o caráter simbólico de seus elementos, o ritual goético pode ser simplificado ao extremo, tornando-se uma forma de meditação voltada para a integração dos conteúdos que compõem a sombra.

O primeiro passo é identificar esses conteúdos. Você pode preferir trabalhar com os próprios demônios goéticos que, afinal, em última análise, são uma personificação das tendências sombrias da psique. Se optar por essa alternativa, vai encontrar uma descrição pormenorizada dessas entidades em qualquer edição da Clavícula de Salomão (no início do post, dei o link de uma). Eu, porém, não recomendo essa abordagem. Embora sejam uma representação arquetípica, os demônios da Goécia são também clichês elaborados em um contexto – o do cristianismo medieval – que tem pouca ou nenhuma relevância para a psique contemporânea. E apesar do núcleo da sombra ser constituído de partes arquetípicas, ela é também uma montagem altamente individualizada de impulsos reprimidos e traços negativos da sua personalidade. Ou seja, todo mundo tem uma sombra, mas a sombra não é igual para todo mundo. Por esse motivo, é preferível dar espaço para que seus demônios pessoais se revelem sob uma forma igualmente pessoal, em vez de tentar encaixá-los na marra em uma representação coletiva.

Normalmente, as partes da sombra podem ser identificadas através de suas manifestações emocionais. São emoções que se apoderam subitamente da consciência sem causa aparente ou com uma intensidade desproporcional a sua pretensa causa. Por exemplo, ataques de raiva cega ou destrutiva, sentimentos de opressão ou depressão não motivados (pelo menos, não inteiramente) pelas circunstâncias externas, inveja ou ciúme patológicos, etc.

Antes de proceder ao trabalho goético propriamente dito, é preciso mapear esses sentimentos. Uma forma simples de fazer isso é manter um registro escrito no qual se anota escrupulosamente todos os sentimentos que se quer trabalhar. Se preferir, você pode dar um nome a esses sentimentos (por exemplo, o Demônio da Raiva ou o Espírito da Depressão). Personalizar os conteúdos da sombra facilita a etapa seguinte, que é evocar sistematicamente seus demônios, com o objetivo de exorcizá-los.

Exorcismo da sombra

Exorcizar os demônios, ao contrário do que o filme de William Friedkin e séculos de tradição católica dão a entender, não significa expulsá-lo. Isso seria o equivalente teológico da repressão e eles já estão mais do que reprimidos, obrigado. É por isso, aliás, que se tornaram destrutivos.

A palavra exorcismo vem do grego exos, exterior, e significa simplesmente trazer para fora o que estava oculto. Exorcizar um demônio significa apenas expor à luz da consciência um conteúdo que se encontrava reprimido no inconsciente.

Para isso, primeiro visualize a si mesmo no interior de um círculo de proteção ou visualize um círculo de proteção ao seu redor. Se achar necessário, pode traçar o círculo fisicamente, com giz ou que o valha, mas mentalizar um círculo de luz branca ao seu redor é o suficiente. Procure ver o círculo com a máxima nitidez possível. Sinta a proteção que ele oferece, isolando-o de todas as influências negativas, inclusive e sobretudo das forças que você vai evocar.

Em seguida, imagine um triângulo em frente a você, mas fora do perímetro do círculo. Ele corresponde ao triângulo da manifestação da Goécia clássica. Eu o vejo como um triângulo de luz vermelha, provavelmente porque a emoção característica da minha sombra é a raiva, mas a cor não é de fato importante. O essencial é imaginá-lo com nitidez e, de novo, se quiser, pode desenhar um triangulo concreto diante de seu círculo.

O passo seguinte é vivenciar a emoção que vai ser trabalhada. O momento ideal para isso seria quando ela surge espontaneamente, mas na maior parte das vezes isso é muito difícil, beirando o impossível. Um dos traços mais marcantes das emoções da sombra é seu caráter compulsivo e, no calor da emoção, não se pode censurá-lo por não conseguir parar para visualizar o círculo e o triângulo.

Evocando os Demônios Pessoais

Em vez disso, depois de confortavelmente instalado em seu círculo, defronte o triângulo da manifestação, procure se lembrar das ocasiões em que você experimentou a emoção da sombra. Escolha apenas uma emoção de cada vez, ou será impossível lidar com a horda de demônios que vai irromper pelas janelas da mente.

Tente se lembrar não das circunstâncias externas, que são irrelevantes, mas das sensações que você teve quando a sombra irrompeu. Trate de evocar nos mínimos detalhes como você se sentiu nessas ocasiões.

Quando perceber que conseguiu estabelecer contato com a emoção, visualize-a fluindo de você para o triângulo da manifestação, onde ela se acumula como uma massa luminosa de intensidade crescente. Depois de algum tempo, essa massa vai se coagular e assumir uma forma concreta. Pode ser uma pessoa, um animal ou um objeto. Não tente antecipar ou impor uma forma, deixe que o processo seja espontâneo.

No entanto, caso ela surja sob o aspecto de uma pessoa real, de carne e osso, peça-lhe para adotar outra forma. Isso significa que você tende a projetar a emoção em questão sobre a pessoa que apareceu, e confundir as duas só vai trazer dor-de-cabeça para você e para a pessoa. Jung dizia que praticar qualquer espécie de imaginação ativa sobre a imagem de uma pessoa real é magia negra, e ele tinha toda a razão quanto a isso.

Pode ser que a imagem demore um pouco para se estabilizar, adotando várias formas seguidas, como se o conteúdo estivesse decidindo qual é a mais adequada. Mas, uma vez estabilizada, ela é o seu demônio. E está pronto para ser confrontado.

Agora eu tenho sua Atenção

Uma questão importante antes de sair evocando os espíritos goéticos é: o que fazer quando eles aparecem? Você está escancarando os porões do inconsciente para dar passagem a seus piores demônios. Agora que eles estão plantados diante de você, como lidar com esses visitantes infernais?

Os magos medievais e renascentistas que usavam a Goécia não tinham grandes problemas com isso. Como eles trabalhavam com um sistema de crenças objetivo, a integração dessas forças à consciência não se colocava. Suas finalidades eram práticas até o talo: queriam conhecimento, poder ou diversão, e ponto final. Quando os espíritos goéticos surgiam, eles os botavam pra trabalhar. Depois, se tivessem cumprido sua tarefa a contento, recebiam uma licença para partir e tornavam a mergulhar nos porões sulfúreos do inconsciente, autônomos e não-integrados. Ou, se o mago não tivesse cumprido sua tarefa a contento, invadiam o círculo de proteção e se apossavam de sua alma (um fenômeno que a psicologia analítica conhece como inflação do ego e ao qual os psicólogos junguianos se referem como possessão do ego por um conteúdo do inconsciente).

Não admira que a Goécia tenha adquirido uma reputação tão ruim, não só entre os leigos, mas entre os próprios adeptos. Sempre que questionados sobre as operações goéticas, os membros da Golden Dawn saíam pela tangente, e davam a mesma resposta do Jesus de South Park: “Meu filho, eu não tocaria nisso nem com uma vara de dois metros.” E isso a despeito de ter sido McGregor Mathers quem traduziu a Clavícula de Salomão para o inglês.

No entanto, é preciso tocar nisso, com ou sem uma vara de dois metros.

Psicologia do Ego

A resposta do necromante clássico é obviamente insatisfatória. Usar nossos demônios para atender desejos pessoais é colocar essas forças a serviço do ego. Seu equivalente contemporâneo poderia ser a ego psychology, que pretende drenar o inconsciente para criar um ego forte, plenamente adaptado ao princípio da realidade e capaz de submeter os “caprichos” do inconsciente ao domínio imperioso de sua vontade (que não deve ser confundida com a Verdadeira Vontade de Crowley e da Thelema).

Isso é o oposto da integração.

Os espíritos goéticos devem ser integrados à consciência, e não ao ego, e enquanto essa distinção não for compreendida, não importa o rótulo que se empregue, estaremos praticando magia negra da pior espécie.

O que fazer?, perguntaria o camarada Lênin, confiando seu cavanhaque com o olhar perdido no vazio.

O que fazer?

Diálogo com a Sombra

Os espíritas diriam que é preciso doutrinar os espíritos, isto é, esclarecê-los quanto à verdadeira doutrina de Kardec, tirá-los das trevas da inconsciência e permitir que eles se aperfeiçoem pela prática de obras de caridade.

Contenha o sorriso, meu caro leitor cínico. Eles estão certos.

Não da maneira que eles pensam, evidentemente. Os espíritas pecam por uma certa ingenuidade e uma compreensão literal das coisas – daí acreditarem piamente que existem linhas de ônibus em Nosso Lar – mas, talvez até por causa de sua inocência, descobriram um princípio importante.

Os espíritos são tirados do inconsciente através do diálogo.

Os espíritos são integrados à consciência estabelecendo-se uma conexão entre eles e alguma coisa maior que o ego.

Além do Ego

Esse eixo de referência maior que o ego é, evidentemente, o Self – ou o SAG, se você preferir o vocabulário mágico.

É isso que significa o círculo mágico de proteção. O círculo é o emblema geométrico do Self, e você vai notar que, na descrição da Clavícula, não é o nome do mago que está escrito em sua periferia, mas os nomes de Deus. Você notará também que mesmo a invocação goética tradicional conclama os espíritos a obedecerem em nome de Deus. É claro que invocar o poder divino para obrigar o espírito a encher seus cofres de ouro é uma traição do ego, mas o ponto não é esse. O ponto é que a força que submete os espíritos se origina de além do ego.

Desnecessário dizer, se o mago não tiver estabelecido ele próprio essa conexão entre a consciência e o Self, a evocação goética não passa de palavrório vazio. Pior que isso, é um blefe, porque o mago estará se apoiando em um poder que ele não possui. E um blefe que, com toda a probabilidade, não vai demorar a ser desmascarado, uma vez que, se a consciência não estiver solidamente ancorada no Self, não terá como fazer frente ao fascinium tremendum que emana dos complexos do inconsciente e que é descrito nos tratados tradicionais como a irresistível capacidade de sedução dos espíritos infernais.

O resultado disso, numa palavra?

Loucura.

Foi só porque teve o bom-senso de se amarrar ao mastro do navio que Ulisses pôde resistir ao canto das sereias.

É por esse motivo que, segundo Abramelin, o trato com os espíritos infernais vem depois da conversação com o Santo Anjo Guardião. Abramelin vai ainda mais longe e diz que é o próprio SAG quem ensina o mago a melhor maneira de evocar e controlar os espíritos. E adverte enfaticamente sobre o risco mortal que é a evocação dos espíritos infernais sem a imprescindível retaguarda fornecida pelo SAG. Esqueçam estes charlatões prometendo contato com kiumbas e eguns; eles não têm poder para nada, se tivessem, estariam ricos e não precisariam vender pactos para viver. Os verdadeiros demônios que podem ser negociados estão dentro de cada um de nós.

Por Lucio Manfredi.

#Goécia #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/go%C3%A9cia

Cursos de Hermetismo – Fevereiro 2017

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

Dia 04/02 – Qlipoth, a Árvore da Morte

Dia 05/02 – Astrologia II

E os tradicionais Cursos de Carnaval

Dia 25/02 – Kabbalah

Dia 26/02 – Astrologia I

Dia 27/02 – Runas

Dia 28/02 – Magia Prática

Horário: Das 10h00 as 18h00

Local: Próximo ao Metrô Vila Mariana – São Paulo – SP

Informações e reservas: marcelo@daemon.com.br

KABBALAH

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.

– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah

– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).

– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.

– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).

– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.

– O Rigor e a Misericórdia.

– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.

– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

ASTROLOGIA HERMÉTICA I

A Astrologia é uma ciência que visa o Autoconhecimento através da análise do Mapa Astral de cada indivíduo. Conhecido pelos Astrólogos e Alquimistas desde a Antigüidade, é um dos métodos mais importantes do estudo kármico e um conhecimento imprescindível ao estudioso do ocultismo.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– Introdução à Astrologia,

– os 7 planetas da Antigüidade, Ascendente e Nodos

– os 12 Signos,

– as 12 Casas Astrológicas,

– leitura e interpretação básica do próprio Mapa Astral.

Cada aluno recebe seu próprio Mapa Astral (precisa enviar antecipadamente data, hora e local de nascimento) para que possa estudá-lo no decorrer do curso.

RUNAS E MAGIA RÚNICA

O tradicional oráculo nórdico. A palavra Runa quer dizer: segredo.

As runas são pequenas pedras que têm gravadas sobre a sua superfície desenhos que representam as letras de um antigo alfabeto germânico. Através delas, os antigos faziam previsões, falavam com os deuses e sondavam as profundezas da alma humana. O curso Inclui:

– História da mitologia Nórdica.

– Yggdrasil, a Árvore da Vida.

– Explicação detalhada das 24 runas (normais e invertidas).

– Posicionamento de cada Runa dentro da Árvore da Vida.

– Métodos: 1 pedra, 3 pedras, Leitura associada às Casas Astrológicas

– Leitura tradicional: Freyir, Heimdall, Odin e 9 Pedras.

– Tela Rúnica.

– Alfabeto Rúnico e Escrita Rúnica para ritualística.

Total: 8h de curso.

MAGIA PRÁTICA

Pré-requisitos: Astrologia I e Kabbalah.

O curso aborda aspectos da Magia Prática tradicional, desde suas tradições medievais até o século XIX, incluindo os trabalhos de John Dee, Eliphas levi, Franz Bardon e Papus. Engloba sua utilização no dia-a-dia para auto-conhecimento, ritualística e proteção. Inclui os exercícios de defesa astral indispensáveis para o iniciado.

– O que é Magia.

– Advertancias a respeito da Magia.

– Qualidades do Mago.

– Os planos e suas vibrações.

– Sobre o Astral.

– O Magnetismo.

– Os chakras.

– Horas magicas.

– Os instrumentos do Mago.

– Os sete planetas e seus espiritos de influência.

– A visualização.

– Os Quatro Elementos e Dezesseis Kerubs

– Exercicios de Proteção.

– Ritual Menor do Pentagrama.

– O Altar

– Objetos de Poder, Ferramentas Mágicas

– A Sigilação.

– Como fazer água lustral.

– Banhos, Defumação, Limpeza de Ambientes

– Consagrações.

Total: 8h de curso.

Para quem mora longe de São Paulo ou tem problemas para estudar nos finais de semana, teremos o mesmo Curso de Kabbalah Hermética e o Curso sobre os Chakras em Ensino à Distância com a mesma qualidade do curso presencial, mas que você pode organizar seu tempo de estudo conforme suas necessidades.

#Cursos #hermetismo #Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-hermetismo-fevereiro-2017

Como entrar em contato com seu Sagrado Anjo Guardião

Por: Fr.Goya(Anderson Rosa)

Esse pequeno ensaio é fruto de diversas explicações dadas em listas e tentarei monta-lo em tópicos, para que sirva de referência ao estudante que busca maiores informações sobre o Conhecimento e a Conversação com o Sagrado Anjo Guardião.

A questão do Anjo na verdade é controvertida por que muitos que passam a sua versão ou definição de anjo sequer sabem o que estão falando. Vide Mônica Buonfiglio e toda a fileira de Angelólogos, que rezam sabe deus pra quem, já que os nomes usados por essa turma estão na maioria das vezes está errado. Basta verificar os nomes dos anjos em hebraico e sua gematria pra cair pra trás, com a quantidade absurda de erros que vem sendo perpetuados por uma gang de incompententes.

Quanto aos supostamente mais sérios ocultistas (onde estão eles??), que fazem comparações com a psique humana, selfs, egos, id’s (seria uma abreviação de idiota’s??), também esses estão errados, por que se observarmos pela qabalah (fazemos isso pela praticidade do sistema), veremos que a comparação com o self ou qualquer semelhante seu também é complicada, por que:

1) O SAG encontra-se em Tiphareth, além do véu de Paroketh;

2) Até onde me recordo, o ser humano consegue conceber mentalmente apenas Netzachabaixo do Véu de Paroketh.

Por aí podemos deduzir que toda a concepção dada pela psicologia se encerra às bordas do Véu. E isso numa pessoa altamente desenvolvida, o que não é o caso de 95% da humanidade (sendo generoso) que está ai apenas pra continuar a espécie. Logo, o SAG está além da psique.

Seria o SAG uma entidade espiritual?

 NÃO! Principalmente se adotamos a definição de espírito à luz do espiritismo direta ou indiretamente. Então o que seria? Sou tentado a dizer que seria mais apropriado e neutro defini-lo como uma energia externa ao Adepto. Porque externo? Por que o anjo vem até você, e não a partir de você.

Essa energia é a mesma que forma tudo no Universo e cuja única diferença entre seres é a vibração a que ela está usando para se manifestar. De resto é tudo a mesma coisa…

O problema maior ao se falar em Anjos ou coisas assim é que da minha parte, não tenho conhecimento de ninguém fora 1 ou 2 pessoas que tenha feito o ritual de Abramelin como recomendado, ou até mesmo o Sameck (duvido que até mesmo Crowley tenha seguido inteiramente esse ritual).

Portanto, para falar de Anjo é preciso propriedade, como se deve ter em qualquer tema a ser discutido. Falar é fácil. Fazer nem um pouco fácil. E digo mais: quem precisa discutir natureza de Anjo ou de Magia, por exemplo, é por que nunca fez nada que preste. Por que se fizesse teria suas questões devidamente resolvidas no tempo e forma corretos.

Magia não explica nada. Quem busca a magia pra encontrar uma resposta, sairá cheio de dúvidas. Magia é prática. Usando seu exemplo, pra que ficar perguntando a origem das coisas se elas funcionam? Essa explicação deve ser dada pelas Ciências, que tem mais tempo pra responder essas coisas…

Mas magia não é Ciência? Não. Talvez consciência…

Citando R.A. Gilbert e Crowley, deixo alguns pontos de reflexão:

A esses pigmeus do ocultismo, fariam melhor se calassem e meditassem…” – Gilbert

Agora uma maldição sobre Porque e sua família. Seja Porque amaldiçoado para sempre! Se a Vontade pára e grita Por que, invocando Porque, então a Vontade pára e nada faz“. – Crowley, Liber Al II, 28- 30

O Guia Espiritual e o SAG são a mesma coisa?

Na verdade, o SAG não é a mesma coisa que o Guia Espiritual. São energias distintas. O SAG, em teoria, estaria acima do conceito religião. Tanto é, que no texto original, Abramelin adverte que não importa a religião do indivíduo, desde este não a tenha abandonado ou trocado por outra, principalmente se convertido em outra religião.

Outro item que permite que avaliemos o Guia e o SAG, é que até onde sei, várias pessoas podem tem o mesmo Guia. Em alguns casos porém, há um tipo de Guia individual, que é um espírito em evolução, e ambos (o Guia e seu orientando) evoluem juntos. No entanto, segundo o Sistema de Abramelin, cada pessoa possui um único Anjo Guardião exclusivo, que não possui outra função a não ser aguardar seus serviços serem solicitados.

É possível dominar o inconsciente?

Avaliando o SAG a partir de Tiphareth, estamos então vendo sob o prisma da qabalah.

Logo, pelo que é ensinado pelos rabinos, não estamos falando definitivamente de qabalah hermética, e sim pela Qabalah Judaica, o mundo que concebemos como humano, ou que percebemos enquanto humanos, por mais evoluídos que possamos ser psicologicamente falando, acaba em netzach.

Ou seja, mesmo um ser humano que tenha atingido o self, que já é um super-humano do ponto de vista psicológico, ele ainda está em netzach.

Se o anjo é encontrado (mas pode ser visto em malkut) em Tiphareth, é por que a pessoa ultrapassou o self. Portanto, não adianta a psicologia argumentar em favor de algo que ela mesma ainda não compreende que é: o que está além do self?

Mas para vermos a complexidade do tema, ele cria confusão justamente por que para o ser humano comum, o limite ainda é o ego. Antes fosse o self. Logo, tudo que eu concebo enquanto ser humano padrão, tem que obrigatoriamente estar dentro do EU. Afinal, não se concebe nada além do umbigo.

A minha recomendação é: Ao invés de se falar de Abramelin, que se faça. Tem muita gente falando sobre o tema que sequer alguma vez leu o livro completo, quem dirá fazer. E ainda teve uma figura que em outra lista, teve a cara-de-pau de dizer que fez, usando dados que passei (sobre a minha realização do Ritual de Abramelin) noutra

ocasião, como local e data em que supostamente teria feito o ritual, e aos 19 anos, sendo que a idade mínima requerida é 25 anos. Isso é que é magista de m… (desculpe o desabafo, mas é pra você ver como as coisas são).

Aproveitando isso, devo dizer que se alguém aqui da lista pretende fazer esse ou qualquer outro ritual, envio as seguintes dicas:

* No caso do Abramelin, só faça se tiver um tutor que já tenha feito;

* Mantenha um diário decente. Se você não consegue sequer anotar suas práticas num caderno, que merda de magista é você e o que quer com magia ritual??

* Conheça intimamente o ritual, sabendo quase de cor e tendo providenciado tudo que precisa com antecedência;

* Siga estritamente as recomendações do autor do ritual, não invente, e principalmente, NUNCA SUBSTITUA NADA. Se pede Galanga, faça com Galanga, não com gengibre. Isso é coisa de magista safado.

* Se acha que não tem competência pra terminar, nem comece.

E principalmente:

SIGA CORRETAMENTE AS INSTRUÇÕES. SE VOCÊ ACHA QUE É BOM O SUFICIENTE

PRA PODER MUDAR ESSE OU QUALQUER OUTRO RITUAL, FAÇA DA SUA CABEÇA E

NÃO INCOMODE NINGUÉM SE FIZER BESTEIRA.

A coisa é simples no fundo. O ser humano é que é complicado e cara-de-pau.

 Errando Sozinho e Errando Orientado

Depois da última mensagem que enviei sobre o tema Abramelin, muitas pessoas me escreveram em off, para saberem por que trato do assunto de forma tão radical, em especial com relação a ter um tutor, uma vez que o próprio ritual é conhecido como uma forma de auto-iniciação.

Primeiro de tudo. Porque o radicalismo? Acredito que se você deseja algum resultado efetivo na vida e nas suas práticas, você deve jogar conforme as regras. Muitos misticóides se dizem cientistas do esoterismo, mas somente emporcalham os dois nomes: místico e cientista.

O de místico, porque não tem a visão necessária para enxergar as entrelinhas, nem tampouco o desprendimento que faz o buscador. Não é um sonhador, e sim um fugitivo de si mesmo. Esse tipo de pessoa, se envolve com misticismo não por que gosta, mas porque quer fugir do mundo, tentando achar algo que seja tão esquisito quanto ele e que agüente seus problemas de relacionamento com o mundo.

Faz pior ainda com o de cientista, porque não tem método, não tem disciplina e ainda pior, não tem conhecimento.

Esse tipo de pessoas, buscam na auto-iniciação a justificativa pra sua fuga de autoridade, de estrutura e para mentir ainda mais a si mesmo sobre seus fracassos. Logo, considerar qualquer método de auto-iniciação, seja Abramelin, Sameck, Pyramidos, ou monografias da AMORC, só ajuda a fazer mais loucos. Aqui cabe bem a expressão: Jogar pérolas aos porcos.

Um indivíduo dessa natureza (a do porco) recebe uma pérola, esmigalha a pérola com os pés e ainda se volta contra aquele que o alimenta, por estar habituado com lavagem. Logo, não vê utilidade para as pérolas.

 

É necessário um Tutor?

Quando se faz um ritual, em especial os de longa duração, é muito comum surgirem dúvidas, e principalmente, a pessoa ser bombardeada com inúmeras informações sobre si mesma e o mundo. Cada ritual tem sua estrutura, e portanto, exige do estudante muito cuidado com aquilo que faz, pois os resultados podem ser graves.

No ritual de Abramelin, que é o nosso tema, é muito comum a ocorrência de visões, de uma certa esquizofrenia por parte do estudante. Por que isso acontece? Por que o objetivo de toda iniciação é despertar certas condições no indivíduo, e estas exigem

para ocorrer, uma reorganização da nossa estrutura mental. Israel Regardie comenta bastante sobre esse tema no Z3., de sua obra The Golden Dawn.

No Abramelin, um dos objetivos principais é enaltecer a essência divina do indivíduo e as qualidades de sua crença, qualquer que seja ela. Mas no Sameck por exemplo, um dos objetivos do ritual, é um rompimento com o sistema de crenças do indivíduo até então. Isso é totalmente oposto ao sistema de Abramelin, como descrito acima.

Logo, em cada um dos casos, podem ocorrer as seguintes coisas:

ABRAMELIN: O indivíduo pode apresentar sintomas de um fanático religioso. Volta-se completamente para a religião e para a divindade, chegando até mesmo a um complexo de messias.

SAMECK: O estudante começa a perceber uma total ruptura com seu sistema de crenças vigente, e daí podem ocorrer basicamente duas coisas – Ou ele fortalece sua crença, ou pode virar um completo agnóstico.

Por isso, a presença de um tutor é fundamental, uma vez que essas mudanças podem mudar profundamente nosso ser, e a forma como vemos e nos comportamos no mundo. Caso a pessoa insista em fazer o ritual desamparada, ela corre o risco de ir parar numa casa de Saúde Mental.

E como as mudanças são bastante sutis, a pessoa que está imersa no processo, muitas vezes não identifica o que lhe ocorre, mas como no caso de um dependente químico, todos ao seu redor percebem a mudança.

Menos o dependente.

E uma vez que se tenha um tutor, é fundamental uma relação de respeito e dedicação na relação tutor/discípulo. Como há a ocorrência de mudanças na personalidade, podem ocorrer também momentos de certa paranóia, onde o discípulo se acha perseguido e manipulado pelo tutor. Tudo isso é previsto nesse tipo de ritual. E portanto, a única esperança para o estudante, é que ele seja orientado da melhor forma possível. E para isso, precisa de um tutor habilitado para tal.

Quando ele se arrisca sozinho, fica muito complicado ajudar, pois não há como saber o estágio do problema que o estudante vivencia.

Oportunamente iremos oferecer maiores instruções sobre como funciona o ritual em si, o que está envolvido ali e como se encontra o SAG efetivamente.

Atenciosamente,

Em L.L.L.L.,

Fr. Goya

ANKh, USA, SEMB

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-entrar-em-contato-com-seu-sagrado-anjo-guardiao/

Um segredo (bem… mais ou menos)

Anton Szandor LaVey

Excerto de “Satan Speaks!”

O segredo que estou prestes a revelar me serviu bem durante a maior parte da minha vida adulta. Percebi seu potencial depois de tê-lo empregado involuntariamente. Ela se baseia em um princípio psicológico de que, uma vez que uma pessoa tenha sido posta de joelhos, ela aceitará qualquer que seja o mestre que a tenha feito ajoelhar. É o mesmo princípio que faz com que as vítimas se tornem leais a seus sequestradores. A maioria dos humanos é masoquista, respondendo ao medo e ao fracasso.

Essa é uma verdade confirmada por evidências empíricas. Muitos exemplos, ao longo de milênios, provam isso sem sombra de dúvida. A raiz da palavra sujeito é a mesma que sujeitar e subjulgar. Cada monarca, cada nação tem seus súditos.

Observei que as mulheres são minhas mais fortes aliadas. Não é por acaso, mas por design. O que eu não exercito para esses fim por diretamente, eu faço através do meu papel e suas conotações temíveis e subjugadoras. Se o público é feminino, um verdadeiro líder deve ser um subjugador. O conhecimento carnal é uma das fórmulas mais primitivas de subjugação . É o poderoso subjugador pelo qual as mulheres tiveram que mistificar para combater. O conhecimento carnal assume muitas formas, em muitos graus.

É por isso que eu não ando de camiseta e pés descalços. Não vou cruzar uma linha que me torna vulnerável. Só uma mulher bonita pode se expor ao poder por meio da vulnerabilidade. As fantasias de estupro em mulheres que precisam delas nada mais são do que uma das muitas situações que atendem às necessidades da mulher de ser subjugada.

Toda mulher quer amor. Sexo e amor estão tão indelevelmente entrelaçados na mulher, que ao sucumbir a um homem de sua escolha, ainda que de forma obtusa, abre os portais do amor. Não é necessário estuprar, agredir para abusar verbalmente. dê-lhes um exercício de constrangimento.

Eu permito que elas rompam com a convenção, enquanto experimentam sentimentos subjetivos de humilhação, vergonha, degradação e subjugação. Mas, o mais importante, liberte-se da responsabilidade. Forneça um retorno aos primeiros despertares sexuais, enterrados, mas com efeito mais forte do que qualquer possessão sexual aberta. Assumo o conhecimento carnal muito mais poderoso que os efeitos mundanos do estupro. Devolvo a figura paterna. Isso é o satânico.

Outros compartilharam meu segredo. Eles permanecerão sem nome, embora divulgar suas identidades me colocaria na companhia de déspotas e tiranos, ícones pop, psiquiatras lendários e figuras públicas amadas por milhões.

O primeiro exercício exigido por grupos de controle como Cientologia EST, etc., é ser mantido cativo em uma audiência que não permite que ninguém saia de seu assento. É um forçado – mas voluntário – cativeiro. Isso também faz seguidores fanaticamente devotos. Meus métodos são muito mais refinados, recorrendo a subterfúgios transparentes semelhantes ao orgásmico oráculo sagrado em tabernáculos para matar o pecado. Eu explico o plano, o propósito e o método. Ninguém é obrigado a participar. Se meu próprio fetiche produz dedicação e lealdade explorando os requisitos naturais femininos, ninguém perde. Quanto às ferramentas do meu negócio e detalhes processuais, isso deve permanecer em segredo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/um-segredo-bem-mais-ou-menos/

Como começar um diário mágicko

Por: Donald Michael Kraig

Gostaria de começar dizendo que todas as histórias e os “contos de fadas” sobre os poderes dos feiticeiros, as bruxas e os magos estão corretos, ainda que, desgraçadamente, somemente em parte. De fato, é possível creiar sortilégios para ganhar dinheiro, amor, sabedoria, satisfação e muitas coisas mais.

Devem compreender, apesar de tudo, que contrariamente ao que ocorre na magis dos contos de fadas e dos filmes, a maior parte da magia real não temtem efeito de forma instantânea. Por exemplo, se você realiza um ritual para conseguir dinheiro, este dinheiro poderia demorar uma semana ou duas para chegar e, quando chegar, seria por meios naturais. Porém, se o ritual foi realizado da forma adequada, o dinheiro “aparecerá”.

Ninguém pode outorgar-lhe poderes mágicos. Você mesmo deve ganhá-los. Há somente um modo de consegui-lo: Pratique, pratique, pratique!

Ademais, deverá anotar todas suas pŕáticas, experiências, pensamentos e sonhos; o deverá fazer em dois registros separados, ou diários.

Registro dos Sonhos

Deveria começar agora mesmo, hoje mesmo, a escrever um diário de seus sonhos. Quando sonhamos (e todo mundo sonha), pode ocorrer uma das seguintes quatro circunstâncias seguintes:

1. Trabalho astral: Ao realizaro trabalho astral, são aprendidas lições acerca do desenvolvimento espiritual, mágico e psíquico simutaneamente à prática dessas lições. Isso acontece no chamado “plano astral”. Em lições posteriore aprenderá mais coisas sobre a interpretação mágica e cabalística do plano astral.

2. Mensagens psicológicas: Muitas vezes o subconsciente necessita comunicar ao consciente, porém o consciente nega-se a escutá-lo! Em alguns sonhos o subconsciente envia uma mensagem, em símbolos, ao consciente. Este é uma das bases da psicanálise freudiana.

3. Brincar: Ao descansar, a mente pode vagar sem rumo ou sentido e enviar ao consciente qualquer tipo de imagem bela ou estranha.

4. Uma combinação de todas as anteriores.

Se nunca manteve um diário de sonhos, descubrirá que se trata de algo muito fácil.

Simplesmente tome um bloco de papel e um lápis ou uma caneta e os deixe próximos à cama. Enquanto desperta pela manhã, escreva tudo quanto recorde. Se não recorda nada, deverá escrever no diário “Não consigo recordar meus sonhos” e isso será suficiente. No princípio talvez somente lembrará um pequeno fragmento, talvez
somente um fato ou um sentimento. Ao cabo de um mês de prática regular terá dificuldades para conseguir que as entradas do diário caibam em uma página.

Ademais, procure um caderno em branco ou um fichario com papel em branco para transferir as breves notas que tenha tomado junto à cama. Ao menos que sua escrita seja muito legível, escreva com letras de forma no novo livro o que havia anotado no bloco de papel. Isto pode levar mais tempo, porém no futuro será muito mais fácil de ler. Assegure-se de por a data em cada entrada.

No parágrafo anterior você observou que eu falei em ler o diário no futuro. Essa atitude de revisão é muito importante. Não tente, neste ponto, analisar cada sonho. O mais provável é que não seja capaz nesse momento de decidir a qual dos quatro tipos mencionados anteriormente corresponde seu sonho. Em lugar disso, busque as
imagens repetidas ou as transformações que tenha observado em seus sonhos recorrentes. Por favor, fuja de todos esses ridículos manuais sobre o “significado dos sonhos”!

Vou oferecer-lhe um exemplo da importância que pode ter esse diário para você. Uma de minhas alunas tinha frequentemente sonhos nos quais era perseguida por soldades, corria e se escondia. Tinha sonhos desse tipo várias vezes ao mês e despertava molhada em suor frio, aterrorizada. Para ela, esse sonho era uma versão de algo que
havia acontecido realmente quando era pequena. Depois de praticar alguns dos rituais de proteção que aparecem nas presentes lições seus sonhos, segundo me contou, começaram a mudar. Já não se escondia nem era quase descoberta ou violentada, mas conseguia escapar. Havia desaparecido nela um antigo bloqueio mental que se manifestava como medo aos homens e ao sexo. A relação com seu noivo melhorou muito, já que se sentia mais segura. Isso estava representado pela mudança que
experimentou seu sonho recorrente. De forma parecida, você poderia ver as mudanças positivas em su vida ao ser capaz de observar as alterações que sofrem
seus sonhos ao longo do tempo.

Como registrar os rituais

Mais adiante, nesta mesma lição, encontrará rituais para serem realizados pelo menos uma vez ao dia. Enquanto esteja aprendendo-os, não deveria tardarmais de meia hora em levá-los a cabo, e muito menos tempo uma vez que os tenha memorizado. Em outro caderno, deveria cultivar um diário dos rituais. Na próxima página lhe oferecemos uma sugestão de formato para seu diário; poderia ser-lhe útil fazer cópias desta página e guarda-las em uma pasta, de modo que cada dia poderia simplesmente preencher uma delas.

Data:
Dia da semana:
Hora:

Fase da lua:
Condições meteorológicas
Emoções:
Condição física:

Execução (o que foi feito):
Resultados (o que foi conseguido):

Todos os dados que aparecem são importantes e deveriam incluir todos os aspectos em cada uma das entradas. No futuro, poderá descobrir que condições lhe proporcionam mais êxito ao praticar magia. Algumas pessoas tem mais sucesso quando estão contestes e a noite é quente; outras obtém melhores resultados quando estão deprimidas e o tempo é chuvoso. Conjuntamente, seu diário de sonhos e seu diário dos rituais constituem um texto mágico secreto e pessoal que somente podem ser realmente úteis para você.

Por fase da lua quero dizer se ela está cheia, minguante ou crescente. Esta informação pode ser localizada em qualquer calendário local ou astrológico. Por condições meteorológicas me refiro a se o tempo está chuvoso, nublado, abafado, morno, quente, frio, etc. Por emoções, se está alegre, triste, deprimido, etc. Por execução, seo o reitual foi bem executado, conscientemente, descuidadamente, etc. Por resultados me refiro a como se sente e o que experimentou. Também é possível que você deseje tecer comentários a esse respeito em uma data posterior; neste caso deverá indicar a data do comentário referido.

Devo dizer uma coisa mais sobre os rituais: Não se pode realizar o ritual sete vezes um mesmo dia e se esquecer dele o resto da semana! Pode realizá-los com uma maior frequência que a diária, porém deve fazê-los no mínimo uma vez ao dia.

Traduzido do espanhol por Infinitum

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-comecar-a-usar-o-diario-magicko/

Entrevista com Varg Vikernes (Burzum)

Nota: muito deste artigo publicado na revista “Sounds Of Death nº 4” está incorreto, e Varg discute a realidade no “incidente em Estocolmo” numa recente entrevista em 1998. Tenha em mente que aquilo que você lê em uma revista nem sempre é verdade. Este artigo é muito mais ficção às vezes…

Numa noite tranquila em Julho, 1992, uma família, incluíndo duas crianças pequenas, dorme em sua casa suburbana em Upplands Vasby, norte de Estocolmo. Enquanto isso, fora da casa, Maria – uma jovem de 18 anos, membro do Black Circle, uma organização de cultuadores do demônio – espalha silenciosamente acetona na porta de entrada e janelas da casa e calmamente põe fogo na estrutura. Antes de fugir do local, Maria prende uma faca na porta principal, junto com a seguinte mensagem: “O Conde esteve aqui e vai voltar”. A família sente cheiro de fumaça pouco depois e consegue escapar por pouco da casa, apenas com suas vidas, antes das chamas queimarem tudo, fora de controle. A investigação policial do crime levou à prisão de Maria e o confisco de seu diário, onde ela revela que faz parte do culto secreto ao demônio, Black Circle. Numa referência a Conde Grishnackh da banda norueguesa de Black Metal Burzum, Maria escreveu: “Eu fiz em uma missão para nosso líder, o Conde. Eu amo o Conde. As fantasias dele são as melhores. Eu quero uma faca, uma faca bonita, afiada e cruel”.

A família vitimada era a família de Christoffer Jonsson, vocalista da banca sueca de Death Metal Therion. Quatro dias depois do incêndio, uma carta do Conde chegou à família. “Olá vítima! Aqui é o Conde Grishnackh do Burzum. Eu acabei de chegar de uma viagem da Suécia e acho que perdi um fósforo e um álbum autografado do Burzum, ha ha! Eu vou dar a você uma lição no medo. Nós somos mesmo mentalmente desajustados, nossos métodos são a morte e a tortura, nossas vítimas morrerão lentamente, elas devem morrer lentamente”. Pouco depois, Conde Grishnackh, nome real Varg Vikernes, é levado a interrogatório por três incêndios na Noruega e pelo incêndio em Upplands Vasby. O Conde não confessa nenhuma relação com a garota sueca Maria e declara inocência em todas as acusações. Maria é levada a um hospital para doentes mentais e solta depois de um ano de tratamento. As acusações sobre o Conde jamais são provadas.

10 de Agosto, 1993. Oystein Aarseth, conhecido também como Euronymous da banda de Black Metal Mayhem, é encontrado morto nas escadas do prédio onde morava em Oslo com várias punhaladas. Chamado de “Deus do Black Metal” e conhecido nos círculos satânicos como “O Príncipe da Morte”, Aarseth administrava uma gravadora chamada Deathlike Silence, e uma loja de discos chamada Helveye. A polícia norueguesa suspeita que o assassino primeiro apunhalou Aarseth em seu apartamento, e quando este tentava fugir pelas escadas foi pego e apunhalado novamente. Seu melhor amigo era o líder satanista norueguês Conde Grisnachk. O círculo do Conde afirma ter certeza de que os rivais satanistas suecos estão por trás do crime. Um porta-voz da polícia disse que “estes grupos realmente se odeiam e são capazes de usar quase qualquer método para punir um ao outro”. De acordo com o Conde, os suecos lêem a bíblia satânica e clamam serem satanistas, e que isto não é satanismo. Para o Conde, o verdadeiro satanismo é o praticado pelo seu grupo, que cultua a morte.

13 de Agosto, 1993. A polícia de Oslo conduz um interrogatório de oito horas com Ilsa, uma garota sueca de 16 anos que era amiga íntima tanto de Oystein Aarseth como de Conde Grishnachk. “Eu tenho certeza de que sei quem matou Oystein. O assassino era invejoso e queria tomar a posição de liderança que Oystein tinha no cenário”, disse a garota. “Eu não acredito que Oystein foi assassinado por satanistas suecos. A maioria dos suecos é muito covarde para matar alguém. Eu não vou revelar o nome do assassino. O ambiente Black Metal vai fazer sua própria vingança contra ele”. Um mês antes desta entrevista Ilsa havia estado por três semanas com Oystein Aarseth em seu apartamento em Oslo. Ela diz que Oystein falou sobre os conflitos entre os suecos e noruegueses e que ele deixou bem claro que em sua opinião esta richa havia chegado a um fim. “Aquele que eu penso ser o assassino é parte do ambiente norueguês. Muitos outros com quem eu tenho conversado também chegaram à mesma conclusão. Eu não posso dar o nome da pessoa que acredito ser o assassino porque estaria arriscando minha própria vida”. A garota prosseguiu, dizendo que Aarseth não costumava carregar armas consigo para se proteger, pois ele era fisicamente forte e se sentia capaz de se defender desarmado. “Eu não acredito que ele deixaria um estranho entrar em seu apartamento, não era seu estilo. Isso me deixa ainda mais certa sobre o nome do assassino”.

Quatro dias depois desta entrevista, Conde Grishnachk foi preso e acusado do assassinato de Aarseth. Ele está aguardando julgamento. Segue uma entrevista feita por Karl Milton Hartveit.

KM = Karl Milton Hartveit
VV = Varg Vikernes (Conde Grishnachk)

KM (Introdução) – Durante uma noite, no fim de março, eu falei com o Conde. Ele me surpreendeu, sendo uma pessoa fria e eloqüente que se expressava clara e inteligentemente. Ele respondeu às minhas questões precisamente e deixou bem claro o que ele queria responder e o que não queria. Ele demonstrou uma sabedoria convincente sobre mágica e tradições satânicas e ele formulava seus pensamentos com uma velocidade e inteligência que não se encontra facilmente em um charlatão. Eu declarei que estava trabalhando em um livro sobre satanismo e ele, sem hesitar, disse que eu poderia usar esta entrevista em meu livro. Um assunto recorrente durante a conversa foi o desejo intenso do Conde em destruir e arruinar tudo aquilo que é bom e harmônico. O fato de ele ter falado comigo em bergensk (um dialeto norueguês falado em Bergern, cidade do Conde) apenas contribuiu para aumentar ainda mais o horror trazido por sua mensagem.

VV – Bom, eu não estou tão interessado em entrevistas como no passado. As revistas distorceram minhas palavras. Eu acho essa coisa de concentrar todo o pensamento negativo em uma pessoa só é errado, não estou nesse negócio por dinheiro, fama ou fãs. Eu vejo o Burzum como um sonho sem alicerce na realidade. Foi feito para estimular a fantasia dos mortais, fazê-los sonhar. Estou cansado de ser mal interpretado pela mídia. Tudo o que escrevem sobre mim está cheio de erros, como esta merda sobre “Nidarosdomen”, a igreja que eu deveria explodir com dinamite. Quem falou isso para eles? Eu nunca ouvi falar nesta maldita igreja!

KM – Qual o objetivo de sua cruzada?

VV – Nós queremos criar o maior medo possível, caos e agonia para que esta sociedade idiota e amigável cristã possa ser destruída. Nós não estamos realmente interessados na revelação da verdade. Quando divulgamos mentira, causamos confusão; confusão leva ao caos, e finalmente à destruição que queremos. As pessoas devem ser oprimidas e nós apoiamos tudo aquilo que oprime o homem e tira dele seus sentimentos como pessoas individuais. É por esta razão que gostamos de saber que o cristianismo é poderoso… Ele oprime pessoas e todos acham que está tudo bem.

KM – Quais são seus sentimentos em relação aos praticantes da chamada “Magia Branca”?

VV – Eles são todos estúpidos e inocentes. Eles trabalham pelo bem e nós somos totalmente contra isso. Nós queremos espalhar caos e destruição.

KM – Qual sua opinião sobre Anton LeVay e seus seguidores?

VV – Anton LeVay é um idiota e as coisas que ele representa não tem nada a ver com satanismo. Ele representa o benefício próprio e egoísmo se apoiando no satanismo. Aleister Crowley também era uma farsa. Ele era tão aficionado por sexo que perdeu a verdadeira mágica.

KM – Você pode dar exemplos de como espalha caos e destruição?

VV – Através de nossa música. Ela desmantela a alma do ouvinte, e através dela espalhamos morte e devastação. Nós gostamos disso.

KM – Eu não entendo, você não gosta das músicas que você cria?

VV – Nós gostamos daquilo que ajuda a destruir o bem e pessoas estúpidas, e, portanto gostamos de nossa música.

KM – Você fala como se pertencesse a uma sociedade secreta, a uma elite no mundo. O quê é e quem faz parte desta elite?

VV – É um pequeno grupo de pessoas que cultuam o mal, você pode chamar o mal de Satã, mas este é um conceito desgastado e insípido que tem sido usado incorretamente tanto pela mídia como pela cultura cristã. Nós queremos o mal para ganhar mais poder no mundo e isso só conseguimos sendo maus. Quando simples humanos criam o mal, o poder do mal no mundo fica mais forte. Eu não vejo nada de extremista em meu ponto de vista. O que os idiotas chamam de mal, eu chamo de razão verdadeira da sobrevivência. A luta é evolução, paz é degeneração. Apenas os cegos podem negar!

KM – Você usa contatos com poderes sobrenaturais?

VV – Eu não quero falar sobre isso, mas demônios e poderes invisíveis existem e podem ser usados.

KM – Quantos de vocês existem e como estão organizados?

VV – Eu não conseguiria dizer a você quantos somos, mas existimos na maioria dos países do mundo. Apenas em países pequenos e isolados, como a Albânia, nós ainda não conseguimos nos estabelecer. Temos contato próximo entre nós e trabalhamos pelo mesmo objetivo.

KM – Vocês têm membros nas grandes cidades da Noruega?

VV – Sim, em muitas cidades.

KM – A sua organização tem um nome?

VV – Nós nos chamamos de Black Circle e somos organizados em um círculo central (Inner Circle) e vários outros círculos periféricos (Outer Circles). Aqueles que estão nos círculos periféricos são apenas usados para chegarmos aos nossos objetivos. Apenas nós pertencemos ao círculo central, que temos conhecimento completo daquilo que estamos querendo.

KM – Você diz que vocês usam pessoas e que espalham destruição, medo e ódio. Vocês não respeitam as leis e regras da sociedade?

VV – Não! Por quê deveríamos? Nós temos nossas próprias leis e não ligamos muito para as regras impostas pela sociedade.

KM – Vocês deliberadamente quebram as leis da sociedade?

VV – Não posso dizer isso, é um crime.

KM – Mas em princípio?

VV – Em princípio não temos nenhum escrúpulo em relação a quebrar as leis da sociedade. Estas leis pertencem a uma sociedade que estamos lutando para destruir.

KM – Você se vê como um rebelde?

VV – Não, nós não somos rebeldes. Nós apenas queremos destruir e espalhar o mal.

KM – Que tipos de rituais vocês praticam?

VV – Nós temos vários, mas não vou falar nada sobre eles.

KM – Os sacrifícios de sangue são parte importante destes rituais?

VV – É claro, o sangue é o poder da vida e é central aos rituais.

KM – Vocês sacrificam animais?

VV – Sim.

KM – Vocês sacrificam humanos?

VV – Isso é um crime.

KM – Mas em princípio?

VV – Em princípio não temos nenhum escrúpulo quanto ao sacrifício humano.

KM – E vocês já fizeram sacrifícios humanos?

VV – Eu não vou falar nada sobre isso.

KM – Eu não entendo. Por que você deu aquela entrevista reveladora a Bergens Tidende?

VV – Porque aquele jornalista estava me irritando e nós já tínhamos revelado parte de nossas atividades. O que eu disse naquela entrevista não era nada de novo.

KM – Mas você disse que pôs fogo em Fantoft Stavkirke e Asane Kirke.

VV – Não! Eu fui completamente mal-entendido e distorcido. Eu disse que alguém de nosso grupo sabia como os incêndios haviam começado, nada mais.

KM – Então você não teve nada a ver com estes incêndios?

VV – Eu não vou responder.

KM – Por quanto tempo você esteve envolvido no satanismo? Quando você começou a ter estes pensamentos que falou?

VV – Eu sempre os tive. Basicamente, eu sou um devoto de Odin, o deus da guerra e morte. Burzum existe exclusivamente para Odin, o inimigo de um olho do deus cristão. Desde que eu me lembro, eu odiei pessoas boas e generosas. Quando eu era um menino eu via as pessoas que estavam bem e curtindo a vida e aquilo me machucava, eu queria arruinar aquelas vidas. É isto que eu estou tentando fazer agora.

KM (Conclusão) – Grishnackh fundou o Burzum no começo de 1987, quando ele tinha apenas 14 anos, com o nome Uruk-hai. O Burzum teve então uma pausa de um ano da metade de 1990 à metade de 1991, quando o Conde, junto com Demonaz e Abbath do Immortal tocaram em uma banda chamada Satanael. Ele também tocou guitarra em uma banda de Death Metal chamada Old Funeral. Quando o Satanael acabou, Grishnachk continuou com o Uruk-hai e mudou o nome para Burzum em Agosto de 1991. “Eu sempre evitei me envolver com outros músicos no Burzum, sou muito individualista para isso. Você pode chamar de intolerância e egoísmo… Na verdade, eu tive um baixista por alguns meses em 1992, mas eu o chutei!” O Burzum lançou três álbuns por enquanto: o “debut” (“o álbum mais primitivo e cheio de ódio) em março de 1992, o EP Aske (” o álbum rock and roll “) em março de 1993 e o Det Som Engang Var (“o mais pesado e mais estranho”) em setembro de 1993. Um outro álbum, “Filosofem”, vai ser lançado mais tarde neste ano e de acordo com Grishnachk é “depressivo, transcendental e sem nenhuma dúvida o melhor de todos”.

ENTREVISTA 2

BJ = Björn Hallberg
VV = Varg Vikernes

BJ – Por favor me diga seu nome completo, idade e local onde se encontra.

VV – Meu nome completo é Varg Vikernes. Nasci no dia 11 de fevereiro de 1973, e no momento estou na prisão Trondheim.

BJ – Qual o motivo EXATO de sua condenação?

VV – Eu fui condenado por: roubo e possesão de 125kg de dinamite e 26kg de glinite (outro tipo de explosivos); incêndio premeditado de quatro templos judeus (igrejas), dos quais três queimaram até virarem cinzas; três casos de invasão de propriedades privadas (em busca de armas, alguns disseram); assassinato em primeiro grau (apesar de ter sido um assassinato em segundo grau na verdade); e… bem, acho que isso é tudo.

Eu fui acusado também de ter incendiado um quinto templo judeu (Fantoft Stavechurch); um ou dois casos de violação de túmulos; e eles também apreenderam aproximadamente 3000 balas de rifle e pistolas (mas a polícia apenas pegou essa munição, e nem ao menos mencionou-a na lista de itens confiscados). Eu fui considerado inocente no incêndio da igreja Fantoft, e o próprio promotor chegou a aconselhar o juri a não me considerar culpado destas acusações – simplesmente porque eram muito ridículas e porque não havia prova alguma de que eu tinha feito coisas como essas, como violar túmulos!

Eu mesmo disse à corte que eu era culpado do roubo e posse da dinamite/glinite, e também confessei que era culpado de “homicídio doloso” em defesa própria. Eu quis dizer que foi algo em defesa própria, mas depois entendi que na visão deles, no sistema legal deles, era chamado legalmente de “homicídio doloso”, já que eu não estava mais em uma posição onde minha vida estava DIRETAMENTE ameaçada, pois o Aarseth (o cara que eu matei) estava fugindo de seu apartamento quando eu o matei.

Não houve prova nenhuma em NENHUM dos casos de que fui acusado, a não ser na história da dinamite/glinite, é claro… Afinal eles encontraram 150kg de explosivos no meu sótão…

Em todos os outros casos eu fui considerado culpado apenas porque haviam UMA ou DUAS testemunhas em cada caso, dizendo que eu tinha feito aquilo, ou estado lá, ou coisas do tipo. Algumas provas eram tão fracas que meu novo advogado disse que estava surpreso por eu ter sido preso com base nelas. Em um caso era ÓBVIO que eu não tinha cometido o crime (o caso Åsane Kirke). Então, eu diria que fui condenado mesmo sem ninguém ter prova nenhuma contra mim!

BJ – Você diz que o fundador do Mayhem, Oystein Aarseth foi assassinado em defesa própria? Por que motivo ele queria matar você, então?

VV – Ele queria me matar por várias razões. Eu saí de sua gravadora, e fazendo isso o deixei apenas com algumas bandas que vendiam muito pouco (Abruptum, e algumas outras merdas). Eu fiz ele parecer um idiota completo em várias ocasiões, por exemplo, eu dava risada na frente dele enquanto desmascarava todas as mentiras que ele contava. Eu comecei a espalhar propaganda racista em nosso meio. Mas, o que é mais importante, eu comecei a ser mais interessante para a mídia do que ele. Por alguma razão era muito importante para ele ser “o centro” de tudo. Eu ganhava mais atenção porque de fato FAZIA as coisas que dizia, enquanto ele apenas ficava falando e falando – então depois de um tempo ninguém mais o levava a sério, pois todos viam que ele era apenas uma pessoa com muita conversa e nenhuma ação. Ele me culpava por isso, já que eu era a pessoa – ele acreditava – responsável por fazê-lo parecer um covarde (o que ele era, é claro).

Você deve se lembrar de que ele foi “o centro” do movimento por um longo tempo; ele tinha 25 anos de idade, enquanto eu tinha apenas 19 (e 20 quando o matei), e ele ficou seriamente ofendido quando as pessoas começaram a me ouvir ao invés de ouvir a ele. Ele era um comunista, e odiava o fato de que “todo mundo” estava muito mais interessado no meu nacionalismo e minha visão racista – isto é, depois de um tempo, é claro. Ele não gostou do jeito que as coisas se desenrolaram e queria acabar com isso, me matando. Primeiro ele tentou encontrar provas contra mim por vários crimes que ele “sabia” que eu tinha cometido, mas ele não conseguiu encontrar nada.

A razão pela qual eu o desrespeitava era simplesmente esta: ele era completamente incompetente e incapaz de administrar sua gravadora com eficiência. Ele era cheio de grandes palavras e nunca fazia nada daquilo que prometia. Ele tinha verdadeira obsessão por seus pensamentos “Satanistas”, enquanto eu queria espalhar o Odinismo na cena (e ele me odiava por isso também). Ele era ridículo, via filmes pornô o tempo todo, e nós até mesmo desconfiávamos que ele era bisexual ou homossexual! Eu não queria saber de nada que tinha a ver com ele, e eu nunca fiz nada de vontade própria para esconder meu ódio por ele. Ele era um porco, e eu dizia isso a “todo mundo”!

Eu estava meio puto porque tinha gastado muito tempo, fé e energia em sua gravadora, e tudo foi desperdiçado! Eu era jovem, certo, mas ainda me sentia um idiota por ter acreditado em sua gravadora no começo.

Resumindo, eu tinha muitos motivos para odiá-lo, e por causa do meu modo de lidar com este ódio (que era respeitado por “todo mundo”) ele também tinha muitos motivos para me odiar; eu disse a verdade sobre ele, e com certeza a verdade muitas vezes é desconfortável!

Eu disse – e ainda digo – que eu o matei em defesa própria simplesmente porque foi ele quem me atacou, e não o contrário, quando eu apareci em seu apartamento naquela noite para dizer a ele “parar de me encher o saco” (para colocar em palavras claras). Ele queria me torturar até a morte, filmando tudo e vendendo o filme para outras pessoas – e eu sabia disso porque um amigo dele me contou. Ele me atacou e tentou me matar (com uma faca). Por pouco ele não conseguiu, mas eu sabia que se eu não acabasse com “o show” lá eu estaria apenas dando a ele uma segunda chance e é claro que eu não vi nenhum motivo para deixar isto acontecer. E se ele tivesse mais sorte na segunda vez? É por isso que eu digo que foi em defesa própria. No começo era defesa própria, até mesmo legalmente, mas quando ele começou a fugir não era mais legalmente defesa própria, e então eu chamo este assassinato de “ação preventiva”, “defesa própria preventiva”.

BJ – Houve uma história alguns anos atrás de uma garota (Maria, ou algo do tipo), que botou fogo na casa do vocalista da banda sueca Therion perto de Estocolmo… Você ainda não quer comentar este fato?

VV – O que você quer dizer com “ainda não quer comentar”? De qualquer modo, eu não consigo entender o que isto tem a ver comigo. Essa garota (Suvi Marjatta, e não Maria) pôs fogo na casa desse cara do Therion uma semana DEPOIS de eu ter estado na Suécia. Eu acho que autografei um álbum do Burzum para este cara do Therion, por brincadeira, porque ela (Suvi M.) sabia onde eles ensaiavam e disse que podia entregar o álbum para este cara.

De qualquer modo, ela incendiou a porta da casa da família dele, e depois pregou meu álbum autografado na parede (eu acho)! Depois ela me ligou, quando eu já estava na Noruega, e me disse o que tinha feito. É claro que eu achei que ela estava doida (e estava mesmo; eu acho que ela está em um hospital para doentes mentais agora), e também um pouco engraçado. Nós (na Noruega) não levamos isso muito a sério, talvez devêssemos dar mais atenção ao fato, mas nós realmente pensávamos que era um tipo de piada. Então eu escrevi uma carta para o Therion dizendo algo do tipo “eu acho que perdi uma caixa de fósforos quando estive na Suécia, ha ha”, alguma coisa assim.

Eu autografei o álbum porque nós não gostávamos do Therion, porque eles queriam ser “Rock Stars”, e levavam a banda muito a sério, então foi uma espécie de brincadeira com isso – eu assinei o nosso “debut” como se fosse um Rock Star e o entreguei para ele (como se fosse “óbvio” que ele gostaria de uma cópia autografada). É claro que era irônico e também uma piada, mas nem preciso dizer que a tal Suvi M. “exagerou” um pouco…

Resumindo, este incêndio não teve realmente nada a ver comigo, e desde o começo era apenas uma brincadeira. Eu queria na verdade entregar o álbum pessoalmente, mas nós ficamos sem dinheiro quando estávamos lá (eu e um cara do Abruptum), então nós não tínhamos gasolina suficiente para ir até onde eles ensaiavam (mais ou menos uma hora de carro de onde nós estávamos). Foi assim que essa garota entrou na história. Ela poderia entregar o álbum por mim.

Eu tive que agüentar um monte de merda por causa disso, com algumas pessoas dizendo que eu “mandei minha namorada” botar fogo na casa dele, porque eu era muito covarde para fazê-lo por mim mesmo, e até mesmo que na próxima vez eu mandaria meu cachorro e assim por diante. No entanto, como você pode ver toda essa coisa tem pouco a ver com as versões apresentadas nestas revistas sobre Metal. Este caso me garantiu umas risadas, é claro. É incrível como podem inventar coisas sobre uma coisa tão pequena como este incidente…

BJ – O que é o Black Circle? Você ainda é ativo nele?

VV – Ha ha, eu estou surpreso por AINDA me perguntarem isso. NUNCA existiu um “Black Circle”, exceto na cabeça de Aarseth/Euronymous, que queria se fazer mais interessante criando algo como um “misterioso Black Circle”. Era apenas um produto da fantasia dele que nunca existiu. As revistas de música britânicas engoliram esta história estúpida, ou apenas fingiram acreditar para ter alguma coisa sobre o que escrever. Eu não sei.

Apesar disso, eu devo dizer que nós – outros caras que tocavam metal – também “encenávamos” e não fazíamos nada para desmentir a existência deste “Black Circle”, não fazíamos nada para espalhar que era apenas um produto da imaginação de Aarseth.

Agora que eu estou falando sobre isso, posso dizer que esta foi mais uma das “mentiras de Aarseth” que eu fiz questão de desmascarar, e uma outra razão para ele me odiar – ou me matar antes de parecer um idiota completo ao mundo.

Tradução: Metal_Maniac #metalbreath da brasnet

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/entrevista-com-varg-vikernes-burzum/

Caos, o sincretismo dos Aeons

Ex autoritate leges

Faze o que tu queres há de ser tudo da lei

Atualmente, de acordo com o exame de uma inciclopédia, há aproximadamente 9.900 religiões sendo professadas pelo mundo. Estima-se que 70% da humanidade seja de prosélitos das quatro religiões principais- hinduísmo, budismo, islamismo e cristianismo- e ainda cresce o número. A conclusão é óbvia. A humanidade esta dividida pela religião que, como o nome mesmo evoca, deveria unir e não separar as pessoas. Se um profeta diz ” escolhei a quem servireis” outro profeta afronta com ” Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”, mas o que faz realmente a diferença?

Vejamos…

O formalismo religioso, sobretudo nomenal, de fórmula e tabelamento que chegou ao auge com o desenvolvimento exagerado do rabinismo, prolixamente suporta o psicodrama de que somente compete a regra cultual ligada ao seu deus e ao regulamento de seu sistema. É uma increpação herética qualquer modo de ver, opinar e agir que não o ordenado pela maneira “iniludível” de sua óptica. Tal religiosidade desdenha, com excesso de comedimento, o reconhecimento de que muitos dogmas e fatores aparentemente desconexos estão estreitamente interligados, não importando a denominação, e evoca que batizando-se, benzendo-se, rezando, fazendo procissões, tendo nichos, inclinando-se perante altares, conforme o Modus Faciendi, cria-se  o verdeiro caminho para a distinção que liga o homem ao Reino de Deus.

Ao contrario, na pessoa de Helena Petrovina Blasvastky, uma russa ambiciosa por conhecimento que nasceu no ano de 1831 e viveu até o ano de 1875, as religiões tiveram um sincretismo com a criação da Sociedade Teosófica. A teosofia ensina que todas as religiões têm verdades e princípios comuns. Isto também revelou o ensino panteísta onde deus é essência em tudo, até mesmo nas coisas ditas “oposta e malignas”. Mas o maior feito que o movimento de H.P Blasvastky realizou, sem dúvida fora a reinterpretação teosófica onde essa essência não é aquela pessoa da Trindade encontrada em várias religiões mas a fonte única de energia cósmica de onde emanaram as demais coisas existentes. Outros assuntos como, p.ex., o problema antigo do pecado e o que dizem sobre a salvação, a senhora Blasvastky tratou como um problema de ignorância. Na medida em que o homem evoluir ruamo á sua divindade, estará atingindo o seu estado de liberdade e perfeição. Com isso percebemos que a repressão, muito encontrada nas religiões, quando não é malbaratada em coibir as aspirações legítimas e compatíveis com a Vontade, está, de tal finalidade, em condição benéfica de recalcar as motivações insensatas e, portanto, enexequíveis que de forma descabida alimentamos. É nesse senso que a Liberdade é uma Regra exata que somente através da santa Ciência e Arte podemso compreender.

A gnose, cujo nome grego significa Conhecimento, com apêlo ás radições mais antigas da humanidade, penetrando alguns mistérios, apresenta-se com a mesma intenção de uma ciência de deus, isto é, uma ciência que seja a base de todas as religiões. Pode-se supôr que a Gnose é uma conjunção, as vezes assaz ilógica, de idéias e símbolos extraídos do Egito assim como da Judéia, de Jesus, de Krishna, etc. Mas a principal condição da Gnose é a unidade dos dogmas que, segundo os gnósticos, contém o segredo do universo, o segredo da evolução. É assim que em Catecismo Gnóstico, publicado por Sofrônio, a Gnose é ensinada e inspirada para assegurar a iluminação divina através dos códigos e fórmulas religiosas.

Encontraremos essa ‘unidade do dogma’ em ensinamentos tradicionais, como o célebre Poemander atribuído a autoria de Hermes Trismegisto, na ficção dos poemas de Homero sobre a iniciação helênica, no ensinamento essencialmente laico de Pitágoras, na fábula de Eleusis com os mistérios de AGRA, no influxo do espírito que vivifica professado por Jesus, o  Cristo e muitos outros que destacam a aversão pelos prazeres materiais que causam o rebaixamento da Inteligência e que enaltecem o auto-conhecimento como o caminho da evolução. É o que Pimandro expremi ao seu discípulo: ” É preciso rasgar esta roupa que trazes, esta vestimenta da ignorância, obscurecendo-te o que parece claro, mergulhando-te na matéria, enervando-te em volúpias infames, a fim de que não possas entender o que deves entender e ver o que deves ver.”

De forma análoga, muitos ocultista, usuando a religião ou penetrando na própria ciência em busca de respostas para as grandes questões da vida, têm formado uam verdadeira ciranda mística, misturando filosofias orientais com cientismo, percepção cristológica com outras doutrinas e religiões, como um grande guarda-chuva, que sob si, abriga até os enfoques contraditórios da humanidade. Uma obra muito comentada sobre isso é o Liber Pennae Praenumbra, onde a autora Soror Nema afirma que os aeons ocorrem ao mesmo tempo. O que sobreveio á lei do tempo passado é, segundo a Soror, um eon com a nossa cara, ou seja, com a Lei que atende a Vontade latente de cada um de nós, não uma nova verdade única para confrontar outros caminhos, assim criando a possibilidade de reinterpretações das leis antigas. O conceito caótico, ou caoticista como preferiu Nema, ao contrário do que pode-se supôr, não é um sistema para antender a nossa desordem mas uma demonstração, ou tentativa, de que existe harmonia no somatório de nossos meios de atingir o Fim. O presente eon é um código de origem, uma regra sã nascida da união dos opostos.

Eis o que faz realmente a diferença!

O direito de concluírmos com experiência buscando a consecução em qualquer parte em liberdade. Portanto, com uma variedade de crenças e métodos e sistemas, não precisamos que outrem faça as mesmas escolhas que nós para estar no ” caminho correto” ou ao contrario. Como diria um irmão ‘nenhum, um e todo indivídua está certo’. Para resumir, deixo aquela solene paravra do Leber Leges 1, 56 : ” Todas as palavras são sagradas e todos profetas verdadeiros; salvo somente que eles entendam um pouco.”

Amor é a lei, amor sob vontade

Por Dom Wilians (Seilenós)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/caos-o-sincretismo-dos-aeons/

Magia Sexual e o Tarot de Thoth – Marcia Seabra Novello

Bate-Papo Mayhem #044 – gravado dia 14/07/2020 (terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Marcia Seabra Novello – Magia Sexual e o Tarot de Thoth.

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Saiba mais sobre o Projeto Mayhem aqui:

#Batepapo #magiasexual #Tarot #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/magia-sexual-e-o-tarot-de-thoth-marcia-seabra-novello

Extraterrestres na Idade Média

Em 13 de agosto de 1491, Facius Cardan, pai do matemático Jerôme Cardan, anotou esta aventura:

Quando eu completei os ritos habituais, por volta das vinte horas, sete homens me apareceram, portando roupas de seda que lembravam tunicas gregas e calçados cintilantes. Usavam cotas de malha e, sob elas, roupas interiores vermelhas de extraordinária graça e beleza.  Dois deles pareciam ser um pouco mais nobres que os outros. O que tinha ar de comando tinha o rosto de cor vermelho-escuro. Disseram ter quarenta anos, embora nenhum deles parecesse ter mais que trinta. Perguntei quem eram. Responderam que eram homens compostos de ar, e seres como nós , sujeitos ao nascimento e à morte. Sua vida era muito mais longa que a nossa, podendo chegar a três séculos. Interrogados sobre a imortalidade da alma, responderam que nada sobrevive. Interrogados sobre o porque não revelavam aos homens os tesouros do seu conhecimento, responderam que uma lei severa impunha penalidades àqueles que revelavam seu saber aos homens. Demoraram com meu pai cerca de três horas. O que parecia ser o chefe negou que Deus tenha feito o mundo para toda a eternidade. Ao contrário, disse ele, o mundo é criado a cada instante ; caso Deus “desanime” , o mundo corre perigo.”

Os visitantes de Facius Cardan parecem ter sido os últimos de uma longa série , surgidos na Idade Média. Tinham o particular de se poder comunicar com os homens, não pretendiam em hipótese alguma ser anjos, não traziam nenhuma revelação; ao contrário , sua atitude parecia mais ainda com o nosso racionalismo moderno. Os visitantes de Facius Cardan negaram até a existencia de uma alma imortal, defendendo uma espécie de teoria a respeito da criação continua do Universo.

Os alquimistas e os místicos da Idade Média procuraram , evidentemente , ligar estes visitantes aos espíritos dos quais falam a Bíblia e a Cabala, mas se trata, evidentemente, de uma colaboração mitológica. De fato, houve, aparentemente, contatos com seres “fabricados”, “feitos a partir do ar”, segundo os visitantes de Cardan. Estes insistiram nos castigos que sofreriam se revelassem qualquer segredo.  Toda esta tradição permaneceu até o século XVIII data em que , nós o veremos, certos segredos serão desvendados.

Em outras regiões , estes seres foram assinalados mais tarde que na Europa: nos fins do século XVIII no Japão e para os índios da América do Norte. Nesta época os indios da Califórnia descreveram seres humanos luminosos , que paralisavam as pessoas com a ajuda de um pequeno tubo. A lenda índia precisa que as pessoas que foram para lisadas tiveram a impressão de terem sido bombardeadas com agulhas de cactus. Na Escócia, na Irlanda, tais aparições foram mencionadas desde tempos imemoriais, e até o século XIX, algumas vezes até o século XX. No século XIX, encontraram-se traços de um personagem estranho chamado Springheel Jack, luminoso à noite , capaz de saltar e voar ( Vide a musica dos Rollings Stones : Jumping Jack Flash ) , e que tentou entrar em comunicação com os homens. A primeira aparição data de novembro de 1837 – segundo testemunhas as mais seguras e precisas  –  em 20 de fevereiro de 1838, e a ultima em 1877. Desta vez, o estranho visitante cometeu a imprudencia de aparecer perto do campo de manobras de Aldershot. Duas sentinelas atiraram; o visitante revidou com jatos de chamas azuis , que exalavam um odor de ozona . As sentinelas se volatilizaram, e o visitante nunca mais apareceu.

Trata-se talve de reminiscencias . Com efeito, a densidade do fenomeno é muito inferior à do da Idade Média, onde se observa , a cada ano , aparições de estrangeiros luminosos. Em todo os relatos , estes são inseparaveis da idéia do fogo: a noção de energia não havia sido ainda inventada. Entretanto, quando interrogados, respondiam que não eram nem salamandras nem criaturas do fogo, mas homens de outra espécie.

É tentador quere atribuir-lhes a estranha série de incendios que , durante a grande peste de Londres , destruiu de súbito todas as casas que haviam sido contaminadas , e estas sómente , impedindo assim que a peste se propagasse , exterminando toda a população da Inglaterra. Seria um caso interessante de intervenção benéfica e benvinda.

É igualmente  chocante o fato de que estes visitantes sejam associados não sómente ao fogo , mas igualmente a poderes mais ou menos ligados ao fogo, em particular o poder de transmutação de metais.  Toda a Idade Média é cheia de lendas , e mesmo de sólidas crenças , a respeito da possibilidade de assinar pactos com estes visitantes. Infelizmente , nos é muito dificil compreender a mentalidade medieval.

A idéia racionalista , defendida por M. Homais , da Idade Média como um periodo de trevas , é uma caricatura da qual precisamos nos desembaraçar. A Idade Média foi um periodo de progressos rápidos , mais rápidos talvez que os nossos, mas que visavam a outros objetivos. Nós perdemos a noção mas ela seria necessária para que pudéssemos nos colocar  na mente de um homem no ano de 1000 ou do ano 1200, e compreender sua atitude frente aos visitantes que considerava como fazendo parte do
mundo em que ele vivia. Faz-se necessário salientar que os homens da Idade Média , que criam nos visitantes , eram espiritos essencialmente racionalistas, sem ligações com bruxarias ou com a Inquisição, fenomenos diferentes. Não se nega que estes contatos podem ter ocorrido , e as informações trocadas , entre os visitantes e homens como Roger Bacon, Jerôme Cardan ou Leonardo da Vinci. Em todo caso ,  a Idade Média admite, praticamente sem discussão , que é possivel entrar
em contato com criaturas revestidas de armaduras luminosas que se chamam demônios . O termo “demônio”não comporta as  conotações pejorativas de mal ou diabólico que apresenta em nossa linguagem. Ele lembra antes o sentido dos demonios de Sócrates, que discutiam com ele e lhe sugeriam idéias.

Depois de ter feito aparições no começo da era cristã , os demônios luminosos surgiram com as primeiras manifestações da franco-maçonaria, desde os séculos XIII e XIV . Foi por causa deles que os francos-maçons se denominaram “Filhos da Luz” e, a seguir , contarão os anos não a partir do nascimento do Cristo , mas sim de um ano de luz obtido adicionando-se 4.000 anos à era cristã.

Começam a se ligar a eles aspectos mais ou menos interplanetários. Em 1823, o Dr. George Oliver , historiador da franco-maçonaria , escreveu : “Anatiga tradição maçonica – e tenho boas razões para ser desta opinião – diz que nossa ciencia secreta existe desde antes da criação do globo terrestre e que ela foi largamente expandida através de outros sistemas solares”.

É contudo na Idade Média que ocorrem as aparições mais maciças de criaturas com vestimentas  de luz . Este mensageiros vão encontrar os rabinos , com quem discutem longamente sobre a Cabala, os poderes de Deus, o conhecimento e a exploração do tempo etc. Afirmam conhecer os guardiões do céu , dos quais , entretanto, não fazem parte. Vão aparecer igualmente entre os monges e os santos do Islão . São descritos sempre do mesmo modo, sua atitude intelectual é sempre racionalista. Falam de geometria, de uma sabedoria racional, à qual mesmo Deus se submete.

Saber-se-ia mais sobre eles se os arquivos dos Templários e dos Ismaelistas nos tivesse chegado às mãos . O que infelizmente não aconteceu. É certo , contudo, que, como os Templários , os Ismaelistas tinham por missão aguardar a entrada de uma Terra Santa que não é de nenhum modo, a Palestina. Uma Terra Santa que não é  localizável em nosso tempo e em nosso espaço, que possui uma geografia sacra diferente da nossa , estudada especialmente por dois franceses, Guénon e Henri Corbin. Também aí, pode-se tentar substituir a mitologia antiga por uma moderna , falar não de uma Terra Santa, mas de uma porta que se abre para uma outras dimensões que não são as três conhecidas , uma estrutura da Terra mais complexa que o globo que se vê de um satelite e na qual nossa civilização crê de maneira tão pouco crítica quanto outras civilizações acreditam na Terra plana.

Isto não é proibido, mas é ainda a troca de uma mitologia tradicional por outra mitologia saída da ficção cientifica e dos desenhos animados.E não é certo que se tenha a ganhar com isso. De maneira geral , deve-se desconfiar do simbolismo.  René Alleau escreveu: “Pode-se estabelecer ligações entre esse simbolo e as duas serpentes do caduceu de Hermes, simbolos de força que destrói e edifica, isto é, o duplo poder das chaves  de um mesmo fogo sagrado”

Tudo isso é muito belo. Mas não se pode dizer que o caduceu de Hermes representa a hélice dupla do ADN. Antes de se contentar com simbolos, é preciso , me parece, admitir que há no mundo fenomenos que não são unicamente devidos à atividade da natureza ou à atividade voluntária do homem. Depois ,estudar estes fenomenos , certamente com uma idéia preconcebida , mas sem pretender que se receba essa idéia da revelação de mestres desconhecidos ou de mansucritos provenientes de um monastério tibetano que não existe nos mapas, e apresentar esta idéia preconcebida como uma questão de fé. Não pretendo me pronunciar com autoridade absoluta sobre a origem e a constituição desses demonios luminosos. Simplesmente direi que, a meu ver, trata-se de pesquisadores enviados por seres capazes de acender e extinguir as estrelas à vontade, pesquisadores talvez criados por tais seres . Eu creio que sua origem talvez seja  a própria Terra , mas em uma região dificilmente localizável
em um mapa-múndi.

Sabe-se , com certeza , que após se manifestarem frequentemente na Idade Média , prosseguiram em suas atividades durante o Renascimento . Visitaram Cardam . Assim como seu quase contemporâneo J. N. Porta ( 1537-1615) que escreveu uma enciclopédia , Magia naturalis , cuja primeira edição data de 1584, na qual, segundo o próprio autor , ele procura associar , à pesquisas experiemtntais , um saber recebido de fonte natural. Daí o titulo : “Magia natural” Porta será o primeiro a estudar cientificamente as lentes , a descrever um telescópio, a predizer a fotografia . Ele tem , portanto , merecido lugar na história das ciencias. Mas ele foi menos estudado no domínio que nos interessa.

O Cardeal d’Este , que se apaixonava pelos seus trabalhos , fundou em 1700 uma organização , que se reunia em sua casa , e que se chamava , muito significativamente, Academia de Segredos . Muitos vêem nela a primeira academia de ciencias. De minha parte, eu (J.Bergier) a vejo acima de tudo como um organismo intermediário entre os agrupamentos desconhecidos da Idade Média e do inicio da Renascença , e o Colégio Invisivel , do qual ja falamos muito. Observemos de passagem que , sobre a Rosa-Cruz, cujos escritos mencionam constantemente os demonios, assim como as lâmpadas perpétuas que lhes deixaram, Fulcanelli escreveu, e com razão :

Os adeptos portadores do titulo são sómente irmãos pelo conhecimento e pelo sucesso de seus trabalhos. Nenhum juramento era exigido , nenhum estatuto os ligava entre si, nenhuma regra além da disciplina hermética livremente aceita, voluntáriamente observada, influenciava seu livre arbítrio. Foram e são ainda isolados, trabalhadores dispersos no mundo, pesquisadores cosmopolitas, segundo a mais estreita acepção do termo. Como os adeptos não reconheciam nenhum grau de hierarquia , a Rosa-Cruz não era uma graduação , mas apenas a consagração de seus trabalhos secretos, a da experiencia, luz positiva cuja fé viva lhes havia revelado a existencia . . . Jamais houve entre os possuidores do título outro laço senão a verdade cientifica confirmada pela aquisição da pedra. Se os Rosa-Cruzes são irmãos pela descoberta, o trabalho e a ciência, irmãos pelas obras e pelos atos, isso ocorre com um conceito filosófico , o qual  considera todos os individuos como membros da mesma familia humana

Quer dizer que não creio absolutamente em uma organização estruturada dos Rosa-Cruzes, como lojas ou células. Eu creio em encontros entre pesquisadores livres, alguns dos quais já visitados pelos demonios. Muitos tiveram em seguida conhecimentos surpreendentes, e pode-se perguntar de onde Cyrano de Bergerac tirou a descrição de um foguete por estágios ou de um poste receptor de TSF.  Pois. se os demonios não difundem o saber , eles o transportam talvez de um pesquisador a outro. Talvez mesmo mantivessem eles fora do alcance da Inquisição, um centro de saber onde seriam conservados os manuscritos. Encontram-se estas concepções no esoterismo judaico da Idade Média.

Estas criaturas de luz, muito ativas, do ano 1.000 ao ano 1.500 , desapareceram totalmente: no século XVII, são encontrados em pequeno número, e desaparecem inteiramente no século XVIII. Nada mais em seguida, senão uma curiosa visão de Goethe, visão que ocorreu em uma época em que ele estava muito doente.

Os demonios deixaram atrás de si, estranhos objetos. Por exemplo, esta esfera metálica da qual falam os Templários em suas confissões. Ela não sómente emitia luz, mas também radiações hoje desconhecidas. Em Chipre, ela teria destruido várias cidades e muitos castelos. Quando foi lançada no mar, uma tempestade se elevou e nesta região nunca mais houve peixes.

Há também as lâmpadas perpétuas que se encontram tanto na tradição judaica da Idade Média , como na do Islã ou da Rosa-Cruz: as lâmpadas funcionariam indefinidamente , sem azeite, sem produto que queima ou se consome. Não se podia toca-la, sob pena de provocar uma explosão capaz de destruir uma cidade inteira. Também aí encontra-se a utilização de forças , de energia, que parecem físicas , e que não correspondem aos conhecimentos da época. Muitos textos judaicos afirmam que estas lâmpadas provêm de lâmpadas do céu.

Infelizmente, nenhum dos relatos que datam da Renascença ou de depois e que fazem alusão às lampadas deste tipo encontradas em tumbas na Alemanha e Inglaterra, puderam ser confirmados. Lâmpadas muito estranhas e de grande beleza foram encontradas em Lascaux, mas ignora-se como funcionavam.

Uma tradição persistente afirma que a descoberta de um túmulo secreto contendo uma lâmpada perpétua teria sido a origem da criação da maçonaria inglesa. Esta descoberta teria ocorrido poucos anos antes da iniciação de Elias Ashmole em Warrington, em 1646. Nada o confirma. De modo geral, todas as tentativas de ligar a franco maçonaria a tradições anteriores a 1600 têm o presente momento , abortado.

Tem-se pretendido , em particular , que a Ordem do Templo não tenha sido perseguida na Inglaterra, como sistematicamente o foi em toda a Europa, e que os sobreviventes da Ordem teriam fundado a maçonaria inglesa, transportando diretamente as tradições da Ordem para esta fundação, mais ou menos em 1600. Muitos maçons sinceros crêem nesta tradição, mas nunca eu jamais encontrei quem a  confirmasse verdadeiramente. Nós temos documentos certos que provam que as lojas maçonicas funcionavam na Escócia já em 1599. Nada antes disso. De que há ligações entre a maçonaria e as “criaturas de luz”, vindas para ensinar , não há duvida. Mas não se pode sustentar que se possa deduzir  que a maçonaria prolongou a tradição dos “guardiões do céu”.

Esta tradição corresponde às aparições precisas , humanamente controláveis, e que determinaram uma  fase precisa da série de intervenções hipotéticas estudadas neste livro. Para um homem da Idade Média  , fosse ele cristão , muçulmano ou judeu, seria tão natural discutir com um ser de luz como receber a  visita de um viajante de país longinquo. Se estas criaturas inspiravam curiosidade e por vezes cobiça pelos conhecimentos que possuiam, nunca inspiraram medo ou terror. A partir de um certo nível de cultura, parecia que os cristãos , muçulmanos ou judeus, acreditavam num Centro onde o alto saber era conservado e onde os visitantes vinham até eles. Eis porque, por exemplo, a visita dos embaixadores  vindos do reino do Padre João provocou curiosidade, mas não surpresa.

Hoje em dia, certos eruditos do Islão acreditam na existencia desses Centros, mas poucas pessoas na Europa , ou na América o crêem. Em compensação na Idade Média , a existencia deste Centro e de um  Rei do Mundo governado a partir deste Centro, era geralmente admitida, e parecia totalmente natural que  esse rei enviasse mensageiros. Assim como é natural para os primitivo, hoje, ver pousar aviões, provenientes dos Estados Unidos ou do Japão, em regiões da Nova Guiné  ou da América do Sul, onde  não existe contato com a civilização avançada. Os habitantes dessas regiões sabem da existencia de  um ou vários centros de civilização mais avançada que a sua. Mas fazem idéias extremamente vagas desses centros, se bem que fundamentem nessas visitas religiões que se chamam “os Cultos do Cargo“.

Do muito tempo dos demonios luminosos nos resta um manuscrito que poderia talvez nos revelar os segredos se soubermos decifra-lo. É o famoso manuscrito Voynich.

Algumas palavras antes de entrar no mistério do manuscrito. A criptografia , arte de compor mensagens secretas , se desenvolveu paralelamente à alquimia e ao esoterismo. Para não dar mais do que dois exemplos. Trithème e Blaise de Vigenère são , ao mesmo tempo, dois grandes alquimistas, dois grandes mágicos e pioneiros da criptografia. Se, graças a eles, a criptografia progrediu até chegar a ser uma ciência exta, a arte de decifrar mensagens sem conhecer os códigos ou os simbolos é muito menos avançada. Os grandes ordenadores, certamente, facilitam o trabalho, mas não o fazem por si mesmos. Um grande decifrador funciona graças a uma espécie de percepção extra-sensorial, que o faz descobrir a informação num caos de numeros e letras.

Como testemunha esta anedota que vivi: Um dos grandes decifradores franceses, cujo nome não me é possivel citar, foi insistentemente procurado por um cura que afirmava ter inventado um código à prova de qualquer decifração. Finalmente, o decifrador consentiu em recebe-lo. Assisti à entrevista. O cura se sentou e estendeu a meu amigo uma folha de papel recoberta de grupos de cinco letras. Meu amigo deu uma olhadela , e cinco segundos depois dizia:

    –    Senhor Padre, o texto evidente de vossa mensagem é: Duas pombas se amam com amor
terno, de La Fontaine
    O cura se persignou , aterrorizado. Perguntou:
   –   Como pode o senhor. . . ?
    E ele me respondeu :
    –    Nem eu mesmo sei. Qualquer coisa na estrutura da mensagem me sugeria: Duas pombas se
amam com amor terno.

Se este relampejar de gênio não existisse, a decifração seria impossivel. Uma idéia muito simples pode
se ocultar totalmente, porque o decifrador não pensa nela.

Estamos agora prontos a  enfrentar os mistérios do manuscrito Voynich. Este manuscrito poderá ser seu, se quiser pagar por ele um milhão e cem mil francos novos. Tem duzentas e quatro páginas, vinte e  oito outras foram perdidas. Não se pode decrifar uma só palavra. Por que então esse preço astronomico,  por que desperta tanto interesse?

É que, quando o manuscrito foi descoberto em 1912 pelo especialista em livros raros, Wilfrid Voynich, ele tinha comprado da escola de jesuitas de Mondragone,  em Frascati. Itália , documentos antigos da Companhia. Documentos sensacionais . Uma missiva de 19 de agosto de 1966 , assinada por Johanes Marcus MArci, reitor da Universidade de Praga, recomendava o manuscrito ao Padre Athanase Kircher, o mais célebre criptografo de seu tempo. O reitor afirmava  que o manuscrito era de Roger Bacon. O manuscrito foi oferecido por volta de 1585 ao Imperador Rodolfo II pelo alquimista e mágico John Dee, que não havia conseguido decifra-lo, mas estava persuadido que ele continha os mais formidáveis segredos. Voynich levou o manuscrito aos Estados Unidos , onde os melhores decifradores inclusive os das Forças Armadas Americanas , o examinaram , sem nenhum sucesso.

 Em 1919 , Voynich tirou fotocópias do manuscrito e levou-as ao professor William Romaine  Newbold, que era um grande decifrador e havia prestado inumeráveis bons serviços ao governo americano. O professor de filosofia, Newbold, com cinquenta e quatro anos de idade, era um homem de cultura prodigiosa. Pretendia-se  na época ser ele o unico a saber onde estava o Santo Graal.

Em abril de 1921 , Newbold anunciou os primeiros resultados. Fantásticos. Segundo os textos, Roger Bacon havia identificado a nebulosa de Andromeda como uma galáxia, conhecia os cromossomos e seu  papel, construira um microscópio, um telescópio e outros instrumentos. Isto causou sensação no mundo inteiro, mas muitos outros decifradores não estavam de acordo com a solução de Newbold. Esta , de qualquer  modo, não era senão parcial e cobria , no máximo , um quarto do manuscrito. Parece que em certo momento o próprio método de codificação do manuscrito se modifica .

Era preciso encontrar a solução completa. Newbold não teve tempo de fazê-lo antes de sua morte, em 1926. Seu trabalho foi continuado por um dos seus colegas, Rolland Grubb Kent, que publicou resultados bem recebido por certos historiadores , não tão bem por outros. A grande objeção  feita ao trabalho de Newbold era que Bacon não podia , em sua época , conhecer as nebulosas espirais nem a constituição do nucleo celular. Eu ( J.Bergier) não estou totalmente de acordo com essa objeção: se Bacon entrou em contato com o exterior, pode muito bem ter recebido informações que parecem provir do seu futuro, e mesmo do nosso futuro.

Em 1944, o Cel. William F. Friedman, que durante a Segunda Grande Guerra decifrou o código japonês, organizou um grupo multidisciplinar constituido por matemáticos , historiadores, astrônomos e especialistas em criptologia. Este grupo utilizou máquinas muito aperfeiçoadas mas não conseguiu decifrar o manuscrito. Entretanto, encontrou-se a razão deste malogro: o manuscrito não era escrito em inglês, nem em latim, mas em uma lingua artificial, inventada não se sabe por quem ( as primeiras linguas artificiais datam do século XVII e são muito posteriores a Bacon), e não correspondem a nenhuma lingua humana conhecida. Nestas condições, como Newbold pôde decifrar  uma parte, pelo menos, do manuscrito? Por uma intuição genial, que o conduziu ao sentido pela linguagem artificial, mas que não se aplica a certas partes do manuscrito. As pesquisas continuam. Todo mundo se põe de acordo com o fato de que este manuscrito apresenta sentido e que não é brincadeira ou mistificação. Voynich morreu em 1930 , sua mulher em 1960, e seus herdeiros venderam o manuscrito a um livreiro de Nova York, Hans P. Kraus, que pede atualmente por ele um milhão e cem mil francos. E Kraus declarou recentemente que , decifrado, o manuscrito valerá dez milhões de dólares.

Pretendeu-se propor métodos de decifração fundados na “linguagem dos demonios luminosos”, que John Dee descreveu com certa precisão. Essas tentativas fracassaram. Um dos objetivos da  INFO (International Fortiana) que continuou a obra de Charles Fort, é decifrar o manuscrito Voynich. Até o presente, não o conseguiu. O segredo dos demônios e talvez outros ainda mais extraordinários se encontram nestas páginas recobertas de uma escrita medieval.
Extraido do livro Os Extraterrestres na História de Jacques Bergier  –  Editora Hemus –  1970

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/extraterrestres-na-idade-media/

A presunção dos magos

“O pior cego é aquele que não quer ver”

Ao iniciar a caminhada na Senda, vemos logo no começo um panorama no mínimo fantástico: esclarecimento para todas as nossas dúvidas, solução para todos os nossos problemas, e até a conquista de dons e poderes para nosso deleite! Oh, que maravilhoso é esse caminho!
É precisamente ao adquirirmos esse posicionamento que nos mostramos indignos e, principalmente, ponto focal para as forças destruidoras da ignorância e do orgulho.
Prontamente perdemos o que mal começamos a entender e a, erroneamente, querer. Queremos o que não precisamos querer. E, querendo, caímos quando na verdade queríamos ascender.
Tolo é aquele que acha que, sozinho, consegue fazer tudo. Idiota é aquele que acredita ter algo especial que outro não possui.

“Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão”.

Alguns podem torcer o nariz ao ler essas palavras, mas boas lições podem ser encontradas em muitos lugares, e esse lugar, a origem dessa frase, não é diferente dos outros, então, por que não? O sábio reconhece a sabedoria, independentemente do meio em que a sapiência aflorou. Essa é a beleza da lição e do aprendizado: surgir em qualquer lugar. No limpo ou no sujo, no profano ou no sagrado, no corrupto ou no imaculado. O dever é saber reconhecê-la e absorvê-la.
O que essa frase implica denota bem o que foi dito anteriormente: olhar para si antes de olhar para fora. Somos alvo de nossos próprios defeitos, manias, maus-hábitos, vícios, demônios (internos e externos). Esses últimos são combatidos com unhas e dentes, mas e os outros, os internos? Esses estão tão bem alojados e estão tão invisíveis no dia-a-dia, que continuam a agir como se pouca coisa tivesse mudado, embora estejamos fazendo nossas práticas defensivas conforme prega a ordem/ o mestre/ o templo. Há a necessidade de se vivenciar as práticas, internamente, com toda a sua atenção e intenção.
Expurgar o mal que habita em si para daí olhar para as estrelas, buscar e encontrar.
Haveria diferença entre olhar para fora ou para dentro? Ambas são formas válidas de se encontrar o que tanto se busca. Se tem pesquisado para fora e não tem encontrado, procure pesquisando para dentro. Ficará surpreso.

“Nenhum homem é uma ilha”.

Todos precisamos de ajuda, direta ou indireta. Sempre precisaremos de alguém, por mais que se isole ou por mais poderoso que se torne. Há uma interdependência entre tudo. Uma teia invisível nos liga e nos une, e se faz necessário que o outro exista e sobreviva. Nem o mais poderoso ser humano pode viver somente de si próprio. E se há alguém que consiga, sempre há aqueles que o servem, sendo esses os que são a base para ele existir e, sendo assim, o apoio vital desse alguém, sem os quais viria a morrer.

“Sempre há um peixe maior”.

Sempre houve e sempre haverá alguém em uma hierarquia superior a você próprio e, se não houver, então você responderá a toda a classe hierárquica inferior, que é quem lhe dirige. Portanto, saber seu lugar e saber o seu dever e responsabilidades lhe dá perspectiva de sua importância na grande escala. Respeito é bom, humildade é melhor ainda.
Não confundir humildade com humilhação. Humildade é ser o que se é, sem aumentar nem diminuir. Humilhar é se diminuir. Soberba é se aumentar.
O poder não é exclusividade de quem estuda mais, ou de quem tem mais oportunidades. O poder vêm e vai, dos mais pobres aos mais ricos, dos mais simples aos mais letrados.
O poder amplia e mostra o que há em cada pessoa no qual ele “pousa”. O poder é somente emprestado, e é geralmente para testar quem o recebe. Se for alguém digno, essa dignidade será ampliada e mostrada àqueles ao seu redor… se for indigno, essa pessoa exibirá ainda mais seus fortes traços negativos de caráter. Sempre lembrando, que ninguém é totalmente bom ou ruim. Como disse Sirius Black, “o mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós.”, ou seja, estamos o tempo todo decidindo agir em nuances, em graduações entre esses extremos e, ao receber poder, estamos sendo testados. É uma oportunidade que nos está sendo dada de testar-nos, de aprender com nossas capacidades e nossas decisões e de receber o julgamento dos olhos públicos, pois todo aquele que recebe o poder jamais fica oculto de todos os outros por muito tempo. Cedo ou tarde, a Verdade prevalece. A Justiça é feita, as pessoas sabendo ou não.

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Texto publicado originalmente no blog Labirinto da Mente em 12/01/2016.

#MagiadoCaos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-presun%C3%A7%C3%A3o-dos-magos