A Magicka Penta-Dimensional do Sétimo Caminho

Tradução por Diabolus Shugara

Revisado em 124yf

 

A Verdadeira Natureza da Magicka:

 

Magicka, corretamente definida e corretamente entendida, é a presenciação de energia acausal no causal por meio de um nexion. Pela natureza de nossa consciência, nós, como indivíduos humanos, somos um tipo de nexion – isto é, nós temos a habilidade para acessar, e presenciar, certos tipos de energia acausal.

 

Os símbolos e rituais da genuína magicka convencional (como representada pela ONA) são simplesmente um meio para acessar, ou representar, certos tipos de energia acausal. Assim, e por exemplo, a Árvore de Wyrd, como convencionalmente descrita (“desenhada”) e com suas correspondências, associações e símbolos, representam certas energias acausais, e o individuo que torna-se familiar com tais correspondências, associações e símbolos pode acessar (em um maior ou menor grau dependendo de sua habilidade e destreza) as energias associadas com a Árvore de Wyrd. A Árvore de Wyrd é um símbolo, uma representação, desse encontro (ou “intersecção”) do causal e acausal que é um ser humano, e pode ser usada para representar a jornada, a busca, do individuo em direção do acausal – isto é, em direção a meta da magicka, que é a criação de um novo, mais desenvolvido, individuo.

 

Entretanto, tal símbolo como a Árvore de Wyrd (AdW) – para ser uma correta e assim útil representação – deve ser entendida (“vista”) em termos causais e acausais. Como descrita convencionalmente (“desenhada”) a AdW é mais um estático objeto bi-dimensional. Uma representação mais acurada é tri-dimensional. Uma descrição ainda mais acurada é tetra-dimensional onde os símbolos são entendidos “fluir”/mudar de acordo com suas naturezas – e aqui, as transformações das peças/símbolos do Jogo Estelar são a chave. A melhor – mais acurada – descrição de tal símbolo como a AdW é penta-dimensional, pois Tempo tem “duas” dimensões, ou componentes: um causal (o “fluxo”/mudança) e um acausal, o qual o aspecto acausal não pode ser entendido, ou visto, ou mesmo simbolizado por meios convencionais tetra-dimensionais. Assim, cada símbolo individual, ou “associação” ou “correspondência” não é estática ou isolada – elas são mais emanações individuais, causais do que é um aspecto de mudança de energia acausal, a qual não pode ser totalmente contida (ou “descrita”) por alguma representação finita, causal.

 

Isto é, há um aspecto acausal para todos os trabalhos magickos, rituais e “representações”/símbolos, o qual aspecto acausal não pode ser representado por uma mera descrição ou símbolo tetra-dimensional.

 

É claro, o leitor astuto perceberá que não é somente a AdW que é uma emanação causal do que é um aspecto de mudança de alguma energia acausal em particular, mas também que nós, como indivíduos, somos como uma “coisa”.

 

A falha da magicka pré-ONA é a falha em entender, conhecer, a natureza tetra e a penta-dimensional da genuína magicka. De algum modo, em um nível básico, isso é porque, por exemplo, no caminho da ONA, não há coisas estúpidas como “rituais de banimento” – porque o individuo é um nexion, antes, durante e após algum ritual causal, ritual o qual envolve energia acausal.

 

O Sétimo Caminho da ONA:

 

O Caminho da ONA é um Caminho que permite o individuo experimentar, conseguir conhecer, energia acausal, e começar o processo de entendimento de tal energia via simbolismo acausal. Toda magicka – externa, interna e Aeonica – é mais como um meio para compreender, experimentar e presenciar energias acausais, e assim criar/provocar Mudança. Isto é, a magicka convencional da AdW, de livros tal como Naos, de rituais, é mais como um inicio – através de tais coisas, o individuo iniciado adquire experiência e conhecimento, e também se desenvolve como individuo: em termos de caráter. Em um sentido simples, eles se movem, através de Graus, além do “Abismo”, em direção a Meta, que é a transformação do individuo e a emergência de um novo tipo de ser, além do Adepto. E em tal movimento, tal desenvolvimento, eles adquirem conhecimento do acausal, o qual usualmente começa durante e após o Estagio de Adepto Interno – e que é frequentemente relanceado, em algum modo causal, por alguns Adeptos Externos que podem assim intuitivamente alcançar a essência do sinistro. Também, em tal movimento, eles causam/provocam mudanças no causal: isto é, eles empreendem Magicka Aeonica.

 

A base para o Sétimo Caminho é, primeiramente, o entendimento do causal, acausal e nexions, e, segundamente, a compreensão que nós, como indivíduos, podemos nos desenvolver de um modo consciente e racional.

Esotéricamente, o nome – o Sétimo Caminho – não é importante, e em essência serve somente para expressar alguma coisa que é diferente do que tem existido até agora. Exotéricamente, se refere as sete esferas convencionalmente descritas pela AdW – isto é, aquilo que tem sido chamado sistema septenario, o qual é mais um causal, e conveniente, meio para descrever o nexion que nós somos e o nexion que é a intersecção/encontro do causal e acausal em nosso mundo fenomenal.

 

O que, então, é o simbolismo acausal que pode ajudar o processo de entendimento e que em si é um ato de magicka, um presenciamento do acausal? Em sua forma mais simples é O Jogo Estelar – ou melhor, a forma avançada do Jogo Estelar. Mas mesmo isso é somente um inicio – uma mera manifestação tetra-dimensional. Em outra forma, tal simbolismo acausal são os Deuses Sombrios – não como algum “nome” ou “nomes”, e não como uma vibração/canto de alguma colocação de letras/nomes (tal vibração/canto é uma representação mais acurada que um mero “nome”). Antes, o simbolismo é/são os Deuses Sombrios e as energias (as “forças”) que Eles representam.(1)

 

Mas o que tudo isso significa, em termos práticos? Significa que para presenciar tais energias o individuo tem que ir não somente além do “simbolismo”, mas também ir além todas aquelas coisas que militam contra o “fluxo” de energia acausal para o causal. Isto é, eles tem aberto o nexion que eles são – eles não se tornam somente um “canal” ou “portal” mas um aspecto do próprio acausal, enquanto tal presenciamento é feito, e enquanto algumas dessas manifestações se manifestam em nosso tempo-e-espaço causal. Essa é a essência do que significa ir “além do Abismo” – alcançado seguindo o Caminho Septenario.

 

Em adição, e de importância crucial, no sentido pratico significa que os efeitos da genuína magicka não são puramente causais – eles não são limitados a um “ritual” ou ação especifica, e não podem ser contidos dentro de uma forma causal escolhida, tal como uma imagem estática ou algum artefato. Em um sentido muito simples, genuínas energias magickas são “penta-dimensionais” elas são parecidas com “formas vivas” que assim mudam, podem crescer (ou decair) e que podem causar ou provocar mudanças, no tempo causal, de acordo com suas “naturezas”.(2) Assim, considerando um exemplo muito noviciado, quando um ritual convencional é empreendido, as energias envolvidas são presenciadas em tempo causal e acausal – noviços ( e mesmo, as vezes, Adeptos) usualmente somente consideram ou sentem ou estão cientes do presenciamento causal e os efeitos causais, o qual eles frequentemente assumem que eles podem “controlar”. O que eles raramente consideram são os efeitos acausais.

 

Os Nove Ângulos – Significados Esotéricos:

 

Os Nove Ângulos tem muitos significados – ou interpretações – dependendo do contexto. No exotérico, sentido pré-Adepto , eles podem ser dito representarem os 7 nexions da AdW mais os 2 nexions que representam a própria AdW como um nexion, com O Abismo (uma conexão entre o individuo e o acausal) sendo um desses 2 “outros nexions”. Deve ser lembrado, é claro, que cada esfera da AdW não é bi-dimensional (ou mesmo tri-dimensional) e em modo simples cada esfera pode ser considerada como um reflexo (uma “sombra”) de outra – por exemplo, Mercúrio é a ‘sombra’ de Marte.

 

Em outro sentido exotérico, o nove são os processos alquímicos dos 7 mais 2, o qual 2 é a união de opostos: e, em um sentido, essa união pode ser considerada ser (magickamente, por exemplo, em um ritual pratico) como a união de macho e fêmea (por isso que é chamado um dos Ritos dos Nove Ângulos) – ainda que, é claro há outras combinações práticas, exatamente como cada ato magicko envolvendo tais Ângulos devem ser empreendidos por uma inteira e particular estação alquímica: isto é, tal trabalho deve ocupar um espaço de tempo causal, fazendo dele assim um tipo de magicka penta-dimensional que pode acessar a quinta dimensão magicka, o próprio acausal. Um entendimento um pouco mais avançado do Nove – em relação a um ritual para criar um Nexion – é vislumbrado no recente MS baseado em ficção Atazoth.

 

Além disso, os Nove Ângulos são símbolos do Jogo Estelar o qual ele próprio é magicka – isto é, um nexion que pode presenciar o acausal. Mas mesmo isso é somente um inicio – uma representação, em símbolos, do que é, em essência, sem símbolos: um meio útil para Iniciados, e Adeptos, para se mover em direção da nova magicka penta-dimensional incorporada na, e além da ONA.

 

O Sétimo Caminho e o Satanismo

 

Para o corrente Aeon, o Sétimo Caminho, Esotéricamente, é o caminho do Satanismo, expressado em seu mais obvio caminho por oposição a religião do Nazareno e por uma afirmação, através de rituais e construções similares, da energia/arquétipo comumente conhecido como “Satan”.

 

Como explicado em vários outros MSS da Ordem esse Aeon (3), deixado por ele mesmo, persistirá – isto é, suas formas externas e ethos continuarão sendo manifestas e ainda mantêm as pessoas cativas fisicamente e mentalmente – por pelo menos algumas centenas de anos, ainda que algumas das energias do próximo Aeon (energias manifestas em grupos como a ONA) são manifestas agora e se tornarão crescentemente manifestas. No sentido pratico, isso significa que indivíduos, organizações, grupos (e outros) continuarão a ser influenciados/controlados pelas forças do Velho Aeon, e aquelas forças do Novo Aeon não alcançarão mudança significativa, em formas tal como “sociedade”, por muitas centenas de anos, mudança a qual marcará a chegada real do próximo Aeon.

 

Portanto, virá um tempo quando a ONA – e os indivíduos que são parte dela ou que são influenciados por ela – derramarão exteriormente a retórica, as imagens, as formas de “Satanismo”, pois tais coisas são emanações causais ligadas a um Aeon em particular; eles não são a essência acausal supra-Aeonica a qual nós, através da progressão de Aeons, estamos nos movendo em direção e a qual o propósito do Ocultismo e magicka genuína nos movem como indivíduos, em direção da experiência e entendimento deles. O que mudará também são os meios – a magicka – para presenciar o acausal. Assim, haverá um distanciamento do ritual, e do evidente simbolismo do Velho Aeon – e especialmente das “palavras” e “nomes” (4) – em direção a uma magicka muito mais sombria: uma magicka que manifesta o acausal sem a necessidade de formas causais. E certamente sem a necessidade de “nomes”. Um tipo de magicka nova é O Jogo Estelar (a magicka do “Pensamento”) e outro é aquilo que retorna o Caos o qual é, e o qual não é, Os Deuses Sombrios – mas haverá muitos outros tipos dessa magicka penta-dimensional, alguns os quais já são conhecidos, e usados pelos genuínos Adeptos da Tradição Sombria.

 

Anton Long

Ascensão Matutina de Arcturus

(Nexion Black Rhadley) 116af

 

Notas:

 

(1) Parte dessa representação, é claro, é o que nós chamamos de sinistro – ou mais corretamente, aquelas energias/mudanças as quais quando presenciadas produzem um re-ordenamento, re-ordenamento que é mais frequentemente chamado “sinistro”.

 

(2) Isso não significa, é claro, que tais energias devem ser conceituadas no modo do Velho Aeon como efetivas “entidades vivas” tais como “demônios” ou coisas parecidas, aqueles seres vivos têm sua própria “natureza”. Mas uma conceituação, na verdade alude a uma verdade muito mais profunda, o qual em um sentido é incorporado nos mitos dos Deuses Sombrios, como pode ser usada como um inicio do movimento em direção de melhor entendimento baseado na realidade de como as energias acausais se manifestam – e então existem (“vivem”) – no causal.

 

(3) Para ser preciso, nós realmente escreveríamos: “A distorção que tem atingido o Aeon Ocidental persistirá…” Pois, como explicado em vários MSS da Ordem, o que é manifesto agora – e tem certamente sido obvio mesmo para muitos não-Adeptos nos cinco anos passados – é a distorção Magiana do Ocidente, distorção a qual é evidente no neo-cons da América com seu novo imperialismo que serve a uma importante agenda Sionista/Magiana. Inteiramente de acordo com MSS antigos: O ultimo Aeon, o Ocidental do qual centro é no Norte da Europa, está se arrastando para um fim, enquanto suas energias enfraquecem. O próximo Aeon, entretanto, tem seu centro não na nossa Terra, mas em uma locação no espaço e até esse centro ser alcançado, o Novo Aeon não será possível. Entretanto, o Velho Aeon tem cerca de 350 anos ainda para existir, e durante esse período, as energias do Novo Aeon se tornarão mais e mais obvias enquanto elas escoam em volta do Portal, trazidas em parte pelos Rituais deliberados de pequenos grupos de Adeptos…”

 

(4) Como tem sido escrito: ‘Não é correto dar nomes para algumas coisas…’ Pois uma nomeação é um distanciamento da essência da “coisa” que é nomeada – frequentemente um erro do qual o nome denota para a essência que é supostamente denotada por tal nomeação. Magicka é um meio distante de tal projeção, como uma transferência de pensamento “causal” limitado – um meio em direção a uma expressão das coisas, como as coisas são.

 

Alguns MSS Relevantes:

 

1) Magicka Aeonica – Uma Introdução Básica

2) Ritual Magicko: Dure e Sedue Cerimonial

3) Aeonicas: A Tradição Secreta (Parte I)

4) As metas da ONA

5) Aeonicas: A Tradição Secreta (Parte Três)

6) Os Nove Ângulos – Significados Esotéricos

7) Os Segredos dos Nove Ângulos

Ordem dos Nove Ângulos

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-magicka-penta-dimensional-do-setimo-caminho/

Ars Memorativa: introdução à arte hermética da memória

John Michael Greer (Caduceus Vol. 1, No. 1 e 2)

I. Os Usos da Memória

No atual renascimento oculto, a Arte da Memória é talvez o mais completamente negligenciado de todos os métodos técnicos do esoterismo renascentista. Enquanto as pesquisas da falecida Frances Yates(1) e, mais recentemente, o ressurgimento do interesse pelo mestre mnemonista Giordano Bruno(2) tornaram a Arte da Memória algo conhecido nos círculos acadêmicos, o mesmo não acontece na comunidade esotérica mais ampla; mencionar a Arte da Memória na maioria dos círculos ocultistas hoje em dia, para não falar do público em geral, é fazer um convite a olhares vazios.

Em sua época, porém, os métodos mnemônicos da Arte ocupavam um lugar especial entre os conteúdos do kit de ferramentas mentais do mago praticante. A filosofia neoplatônica que subjaz a toda a estrutura da magia renascentista deu à memória e, portanto, às técnicas mnemônicas, um lugar crucial no trabalho de transformação interior. Por sua vez, esta interpretação da memória deu origem a uma nova compreensão da Arte, transformando o que antes era uma forma puramente prática de armazenar informações úteis em uma disciplina meditativa que apela a todos os poderes da vontade e da imaginação.

Este artigo busca reintroduzir a Arte da Memória na tradição esotérica ocidental moderna como uma técnica praticável. Esta primeira parte, “Os Usos da Memória”, dará uma visão geral da natureza e do desenvolvimento dos métodos da Arte e explorará algumas das razões pelas quais a Arte tem valor para o esoterista moderno. A segunda parte, “O Jardim da Memória”, apresentará um sistema básico de memória hermética, desenhado segundo as linhas tradicionais e valendo-se do simbolismo mágico renascentista, como base para experimentação e uso prático.

O método e seu desenvolvimento (3)

Já foi quase obrigatório começar um tratado sobre a Arte da Memória com a lenda clássica de sua invenção. Esse hábito tem algo a recomendá-lo, pois a história de Simônides é mais do que uma anedota colorida; também oferece uma boa introdução aos fundamentos da técnica.

O poeta Simônides de Ceos, segundo a lenda, foi contratado para recitar uma ode no banquete de um nobre. À moda da época, o poeta começava com alguns versos em louvor às divindades — neste caso, Castor e Pólux — antes de passar ao sério assunto de falar de seu anfitrião. O anfitrião, no entanto, se opôs a esse desvio da lisonja, deduziu metade dos honorários de Simônides e disse ao poeta que ele poderia buscar o resto dos deuses que havia elogiado. Pouco depois, foi trazido ao poeta um recado de que dois jovens haviam chegado à porta da casa e desejavam falar com ele. Quando Simônides foi vê-los, não havia ninguém lá – mas na sua ausência o salão de banquetes desabou atrás dele, matando o nobre ímpio e todos os convidados do jantar também. Castor e Pollux, tradicionalmente representados como dois jovens, de fato pagaram sua metade da taxa.

Contos desse tipo eram um lugar-comum na literatura grega, mas este tem uma moral inesperada. Quando os escombros foram removidos, as vítimas foram encontradas tão mutiladas que suas próprias famílias não puderam identificá-las. Simônides, porém, evocou na memória uma imagem do salão de banquetes tal como a vira pela última vez, e a partir dela pôde recordar a ordem dos convidados à mesa. Ponderando isso, segundo a lenda, ele começou a inventar a primeira Arte clássica da Memória. A história é certamente apócrifa, mas os elementos-chave da técnica que descreve – o uso de imagens mentais colocadas em configurações ordenadas, muitas vezes arquitetônicas – permaneceram centrais para toda a tradição da Arte da Memória ao longo de sua história e forneceram a estrutura sobre a qual foi construída a adaptação hermética da Arte.

Nas escolas romanas de retórica, essa abordagem da memória foi refinada em um sistema preciso e prático. Os alunos foram ensinados a memorizar o interior de grandes edifícios de acordo com certas regras, dividindo o espaço em loci ou “lugares” específicos e marcando cada quinto e décimo locus com sinais especiais. Os fatos a serem lembrados foram convertidos em imagens visuais marcantes e colocados, um após o outro, nesses loci; quando necessário, o retórico precisava apenas passear em sua imaginação pelo mesmo prédio, observando as imagens em ordem e relembrando seus significados. Em um nível mais avançado, imagens podem ser criadas para palavras ou frases individuais, de modo que grandes passagens de texto possam ser armazenadas na memória da mesma maneira. Os retóricos romanos que usavam esses métodos atingiram níveis vertiginosos de habilidade mnemônica; um famoso praticante da Arte foi registrado por ter participado de um leilão de um dia inteiro e, no final, repetido de memória o item, o comprador e o preço para cada venda do dia.

Com a desintegração do mundo romano, essas mesmas técnicas passaram a fazer parte da herança clássica do cristianismo. A Arte da Memória assumiu um caráter moral, pois a própria memória foi definida como parte da virtude da prudência, e assim a Arte passou a ser cultivada pela Ordem Dominicana. Foi desta fonte que o ex-Dominicano Giordano Bruno (1548-1600), provavelmente o maior expoente da Arte, traçou as bases de suas próprias técnicas.(4)

Os métodos medievais da Arte diferiam muito pouco daqueles do mundo clássico, mas certas mudanças no final da Idade Média ajudaram a lançar as bases para a Arte Hermética da Memória do Renascimento. Uma das mais importantes foi uma mudança nas estruturas usadas para loci de memória. Junto com as configurações arquitetônicas mais utilizadas na tradição clássica, os mnemonistas medievais também passaram a fazer uso de todo o cosmos ptolomaico de esferas aninhadas como cenário para imagens de memória. Cada esfera de Deus na periferia através dos níveis angélico, celestial e elemental até o Inferno no centro, portanto, continha um ou mais loci para imagens de memória.

Entre este sistema e o dos hermetistas renascentistas há apenas uma diferença significativa, e esta é uma questão de interpretação, não de técnica. Imersos no pensamento neoplatônico, os magos herméticos da Renascença viam o universo como uma imagem das Idéias divinas, e o ser humano individual como uma imagem do universo; eles também conheciam a afirmação de Platão de que todo “aprendizado” é simplesmente a lembrança de coisas conhecidas antes do nascimento no reino da matéria. Em conjunto, essas ideias elevaram a Arte da Memória a uma nova dignidade. Se a memória humana pode ser reorganizada à imagem do universo, nessa visão, ela se torna um reflexo de todo o reino das Idéias em sua plenitude – e, portanto, a chave para o conhecimento universal. Este conceito foi a força motriz por trás dos complexos sistemas de memória criados por vários hermetistas renascentistas e, sobretudo, por Giordano Bruno.

Os sistemas mnemônicos de Bruno formam, em grande medida, o ápice da Arte Hermética da Memória. Seus métodos eram vertiginosamente complexos e envolvem uma combinação de imagens, idéias e alfabetos que exigem uma grande habilidade mnemônica para aprender em primeiro lugar! A filosofia hermética e as imagens tradicionais da magia astrológica aparecem constantemente em sua obra, ligando o quadro de sua Arte ao quadro mais amplo do cosmos mágico. A dificuldade da técnica de Bruno, no entanto, foi ampliada desnecessariamente por autores cuja falta de experiência pessoal com a Arte os levou a confundir métodos mnemônicos bastante diretos com obscuridades filosóficas.

Um exemplo central disso é a confusão causada pela prática de Bruno de vincular imagens a combinações de duas letras. A interpretação de Yates da memória brunoniana baseou-se em grande parte em uma identificação desta com as combinações de letras do lullismo, o sistema filosófico semi-cabalístico de Raimundo Lúlio) (1235-1316) que exclusivamente em termos luliolistas perde o uso prático das combinações: elas permitem que o mesmo conjunto de imagens seja usado para lembrar ideias, palavras ou ambas ao mesmo tempo.

Um exemplo pode ajudar a esclarecer este ponto. No sistema do De Umbris Idearum de Bruno (1582), a imagem tradicional do primeiro decanato de Gêmeos, um servo segurando um bastão, poderia representar a combinação de letras Be; a de Suah, o lendário inventor da quiromancia ou quiromancia, para Ne. Os decanos-símbolos fazem parte de um conjunto de imagens anteriores aos inventores, estabelecendo a ordem das sílabas. Colocado em um locus, o todo formaria a palavra bene.(6)

O método tem muito mais sutileza do que este exemplo mostra. O alfabeto de Bruno incluía trinta letras, o alfabeto latino mais as letras gregas e hebraicas que não têm equivalentes latinos; seu sistema permitia assim que textos escritos em qualquer um desses alfabetos fossem memorizados. Ele as combinou com cinco vogais e forneceu imagens adicionais para letras únicas para permitir combinações mais complexas. Além das imagens astrológicas e dos inventores, há também listas de objetos e adjetivos correspondentes a esse conjunto de combinações de letras, e tudo isso pode ser combinado em uma única imagem-memória para representar palavras de várias sílabas. Ao mesmo tempo, muitas das imagens representam tanto ideias quanto sons; assim, a figura de Suah mencionada acima também pode representar a arte da quiromancia se esse assunto precisasse ser lembrado.

A influência de Bruno pode ser rastreada em quase todos os tratados de memória hermética subsequentes, mas seus próprios métodos parecem ter se mostrado muito exigentes para a maioria dos magos. Registros maçônicos sugerem que seus mnemônicos, transmitidos por seu aluno Alexander Dicson, podem ter sido ensinados em lojas maçônicas escocesas no século XVI;(7) mais comuns, porém, eram métodos como o diagramado pelo enciclopedista hermético Robert Fludd em sua História da o Macrocosmo e o Microcosmo. Esta foi uma adaptação bastante direta do método medieval tardio, usando as esferas dos céus como loci, embora Fludd mesmo assim o classificasse junto com profecia, geomancia e astrologia como uma “arte microcósmica” de autoconhecimento humano. a Arte e esta classificação permaneceu padrão nos círculos esotéricos até que o triunfo do mecanismo cartesiano no final do século XVII enviou a tradição hermética para o subsolo e a Arte da Memória no esquecimento.

O método e seu valor

Essa profusão de técnicas levanta duas questões, que precisam ser respondidas para que a Arte da Memória seja restaurada a um lugar na tradição esotérica ocidental. Em primeiro lugar, os métodos da Arte são realmente superiores à memorização mecânica como forma de armazenar informações na memória humana? Colocando mais claramente, a Arte da Memória funciona?

É justo salientar que este tem sido um assunto de disputa desde os tempos antigos. Ainda assim, então como agora, aqueles que contestam a eficácia da Arte são geralmente aqueles que nunca a experimentaram. Na verdade, a Arte funciona; ele permite que as informações sejam memorizadas e lembradas de forma mais confiável e em quantidade muito maior do que os métodos de memorização. Há boas razões, fundadas na natureza da memória, para que assim seja. A mente humana evoca imagens com mais facilidade do que idéias, e imagens carregadas de emoção ainda mais facilmente; as memórias mais intensas de alguém, por exemplo, raramente são ideias abstratas. Ele usa cadeias de associação, em vez de ordem lógica, para conectar uma memória a outra; truques mnemônicos simples, como o laço de corda amarrado em um dedo, dependem disso. Segue habitualmente ritmos e fórmulas repetitivas; é por essa razão que a poesia costuma ser muito mais fácil de lembrar do que a prosa. A Arte da Memória usa todos esses três fatores sistematicamente. Ele constrói imagens vívidas e atraentes como âncoras para cadeias de associação e as coloca no contexto ordenado e repetitivo de um edifício imaginado ou estrutura simbólica em que cada imagem e cada locus conduzem automaticamente ao próximo. O resultado, com treinamento e prática, é uma memória que trabalha em harmonia com suas próprias forças inatas para aproveitar ao máximo seu potencial.

O fato de que algo pode ser feito, no entanto, não prova por si só que deva ser feito. Em uma época em que o armazenamento digital de dados é justo para tornar a mídia impressa obsoleta, em particular, questões sobre a melhor forma de memorizar informações podem parecer tão relevantes quanto a escolha entre diferentes maneiras de fazer tabletes de argila para escrever. Certamente alguns métodos de fazer essa tarefa vital são melhores do que outros; E daí? Essa maneira de pensar leva à segunda questão que um renascimento da Arte da Memória deve enfrentar: qual é o valor desse tipo de técnica?

Essa questão é particularmente forte em nossa cultura atual porque essa cultura e sua tecnologia têm consistentemente tendido a negligenciar as capacidades humanas inatas e substituí-las sempre que possível por equivalentes mecânicos. Não seria ir longe demais ver todo o corpo da moderna tecnologia ocidental como um sistema de próteses. Nesse sistema, a mídia impressa e digital serve como uma memória protética, fazendo muito do trabalho antes feito nas sociedades mais antigas pelas mentes treinadas dos mnemonistas. É preciso reconhecer, também, que esses meios podem lidar com volumes de informação que diminuem a capacidade da mente humana; nenhuma Arte da Memória concebível pode conter tanta informação quanto uma biblioteca pública de tamanho médio.

O valor prático dessas formas de armazenamento de conhecimento, como o de grande parte de nossa tecnologia protética, é real. Ao mesmo tempo, há um outro lado da questão, um lado especialmente relevante para a tradição hermética. Qualquer técnica tem efeitos sobre quem a usa, e esses efeitos não precisam ser positivos. A dependência de próteses tende a enfraquecer as habilidades naturais; quem usa um carro para viajar para qualquer lugar a mais de dois quarteirões de distância encontrará dificuldades até mesmo para caminhadas modestas. O mesmo é igualmente verdadeiro para as capacidades da mente. Nos países islâmicos, por exemplo, não é incomum encontrar pessoas que memorizaram todo o Alcorão para fins devocionais. Deixe de lado, por enquanto, questões de valor; quantas pessoas no Ocidente moderno seriam capazes de fazer o equivalente?

Um objetivo da tradição hermética, ao contrário, é maximizar as capacidades humanas, como ferramentas para as transformações internas buscadas pelo hermetista. Muitas das práticas elementares dessa tradição – e o mesmo vale para os sistemas esotéricos em todo o mundo – podem ser melhor vistas como uma espécie de calistenia mental, destinada a alongar as mentes enrijecidas pelo desuso. Essa busca para expandir os poderes do eu se opõe à cultura protética do Ocidente moderno, que sempre tendeu a transferir o poder do eu para o mundo exterior. A diferença entre esses dois pontos de vista tem uma ampla gama de implicações – filosóficas, religiosas e (não menos) políticas – mas o lugar da Arte da Memória pode ser encontrado entre eles.

Do ponto de vista protético, a Arte é obsoleta porque é menos eficiente do que os métodos externos de armazenamento de dados, como livros, e desagradável porque requer o desenvolvimento lento de habilidades internas, em vez da compra de uma máquina ou dispositivo. Do ponto de vista hermético, por outro lado, a Arte é valiosa em primeiro lugar como meio de desenvolver uma das capacidades do eu, a memória, e em segundo lugar porque usa outras capacidades – atenção, imaginação, imagens – que têm um grande papel em outros aspectos da prática hermética.

Como outros métodos de autodesenvolvimento, a Arte da Memória também traz mudanças na natureza da capacidade que molda, não apenas na eficiência ou volume dessa capacidade; seus efeitos são tanto qualitativos quanto quantitativos — outra questão não bem abordada pela estratégia protética. Normalmente, a memória tende a ser mais ou menos opaca à consciência. Uma memória perdida desaparece de vista, e qualquer quantidade de pesca aleatória ao redor pode ser necessária antes que uma cadeia associativa que leve a ela possa ser trazida das profundezas. Em uma memória treinada pelos métodos da Arte, ao contrário, as cadeias de associação estão sempre no lugar, e qualquer coisa memorizada pela Arte pode ser encontrada assim que necessário. Da mesma forma, é muito mais fácil para o mnemonista determinar o que exatamente ele ou ela sabe e não sabe, fazer conexões entre diferentes pontos de conhecimento ou generalizar a partir de um conjunto de memórias específicas; o que é armazenado através da Arte da Memória pode ser revisto à vontade.

Apesar do desgosto de nossa cultura pela memorização e pelo desenvolvimento da mente em geral, a Arte da Memória tem, portanto, algum valor prático, mesmo além de seus usos como método de treinamento esotérico. Na segunda parte deste artigo, “O Jardim da Memória”, algumas dessas potencialidades serão exploradas através da exposição de um sistema de memória introdutório baseado nos princípios tradicionais da Arte.

Parte II. O Jardim da Memória

Durante o Renascimento, a época em que atingiu seu auge de desenvolvimento, a Arte Hermética da Memória assumiu uma ampla gama de formas diferentes. Os princípios centrais da Arte, desenvolvidos nos tempos antigos através da experiência prática do modo como a memória humana funciona melhor, são comuns a toda a gama de tratados de memória renascentistas; as estruturas construídas sobre essa base, porém, diferem enormemente. Como veremos, mesmo alguns pontos básicos da teoria e da prática eram objeto de constante disputa, e seria impossível e inútil apresentar um único sistema de memória, por mais genérico que fosse, como algo “representativo” de todo o campo da Hermética. mnemônicos.

Esse não é o meu propósito aqui. Como a primeira parte deste ensaio apontou, a Arte da Memória tem valor potencial como técnica prática mesmo no mundo atual de sobrecarga de informações e armazenamento de dados digitais. O sistema de memória que será apresentado aqui é projetado para ser usado, não meramente estudado; as técnicas nele contidas, embora quase inteiramente derivadas de fontes renascentistas, são incluídas apenas pelo simples fato de funcionarem.

Escritos tradicionais sobre mnemônicos geralmente dividem os princípios da Arte em duas categorias. A primeira consiste em regras para lugares – isto é, o desenho ou seleção dos cenários visualizados nos quais as imagens mmonicas estão localizadas; a segunda consiste em regras para imagens — isto é, a construção das formas imaginadas usadas para codificar e armazenar memórias específicas. Essa divisão é bastante sensata e será seguida neste ensaio, com o acréscimo de uma terceira categoria: regras para a prática, os princípios que permitem que a Arte seja efetivamente aprendida e colocada em uso.

Regras para lugares

Um debate que perdurou grande parte da história da Arte da Memória foi uma discussão sobre se o mnemonista deveria visualizar lugares reais ou imaginários como cenário para as imagens mnemônicas da Arte. Se os relatos clássicos meio lendários (10) das fases iniciais da Arte puderem ser confiáveis, os primeiros lugares usados ​​dessa maneira foram os reais; certamente os retóricos da Roma antiga, que desenvolveram a Arte com alto grau de eficácia, usaram a arquitetura física ao seu redor como estrutura para seus sistemas mnemônicos. Entre os escritores herméticos da Arte, Robert Fludd insistiu que os edifícios reais deveriam sempre ser usados ​​para o trabalho de memória, alegando que o uso de estruturas totalmente imaginárias leva à imprecisão e, portanto, a um sistema menos eficaz.(9) Por outro lado, muitos antigos e renascentistas escritores da memória, entre eles Giordano Bruno, deram o conselho oposto. A questão toda pode, no final, ser uma questão de necessidades pessoais e temperamento.

Seja como for, o sistema aqui apresentado utiliza um conjunto de lugares resolutamente imaginário, baseado no simbolismo numérico do ocultismo renascentista. Tomando emprestada uma imagem muito utilizada pelos herméticos do Renascimento, apresento a chave de um jardim: Hortus Memoriae, o Jardim da Memória.

Diagrama 1

O Jardim da Memória está disposto em uma série de caminhos circulares concêntricos separados por sebes; os primeiros quatro desses círculos estão mapeados no Diagrama 1. Cada círculo corresponde a um número e tem o mesmo número de pequenos gazebos nele. Esses gazebos – um exemplo, o do círculo mais interno, é mostrado no Diagrama 2 – ostentam símbolos que são derivados da tradição dos números pitagóricos da Renascença e das tradições mágicas posteriores, e servem como lugares neste jardim de memória. todos os lugares de memória, estes devem ser imaginados como bem iluminados e convenientemente grandes; em particular, cada gazebo é visualizado como grande o suficiente para conter um ser humano comum, embora não precise ser muito maior.

Diagrama 2

Os primeiros quatro círculos do jardim são construídos na imaginação da seguinte forma:

O Primeiro Círculo

Este círculo corresponde à Mônada, o número Um; sua cor é branca e sua figura geométrica é o círculo. Uma fileira de flores brancas cresce na borda da cerca viva. O gazebo é branco, com guarnição de ouro, e é encimado por um círculo dourado com o número 1. Pintada na cúpula está a imagem de um único olho aberto, enquanto os lados trazem a imagem da Fênix em chamas.

O Segundo Círculo

O próximo círculo corresponde à Díade, o número Dois e ao conceito de polaridade; sua cor é cinza, seus símbolos primários são o Sol e a Lua, e sua figura geométrica é a vesica piscis, formada a partir da área comum de dois círculos sobrepostos. As flores que cercam as sebes neste círculo são cinza-prateadas; de acordo com a regra dos trocadilhos, que abordaremos um pouco mais tarde, podem ser tulipas. Ambos os dois gazebos neste círculo são cinza. Um, encimado com o número 2 em uma vesica branca, tem guarnição branca e dourada, e traz a imagem do Sol na cúpula e a de Adão, com a mão no coração, na lateral. O outro, encimado com o número 3 em uma vesica preta, tem guarnição preta e prata, e traz a imagem da Lua na cúpula e a de Eva, sua mão tocando sua cabeça, de lado.

O Terceiro Círculo

Este círculo corresponde à Tríade, o número Três; sua cor é preta, seus símbolos primários são os três princípios alquímicos de Enxofre, Mercúrio e Sal, e sua figura geométrica é o triângulo. As flores que cercam as sebes são pretas, assim como os três gazebos. O primeiro dos gazebos tem guarnição vermelha e é encimado com o número 4 em um triângulo vermelho; traz, na cúpula, a imagem de um homem vermelho tocando a cabeça com as duas mãos, e nas laterais as imagens de vários animais. O segundo gazebo tem acabamento branco e é encimado pelo número 5 em um triângulo branco; traz, na cúpula, a imagem de um hermafrodita branco tocando seus seios com ambas as mãos, e nas laterais as imagens de várias plantas. O terceiro gazebo é preto sem relevo e é encimado com o número 6 em um triângulo preto; traz, na cúpula, a imagem de uma mulher negra tocando a barriga com as duas mãos, e nas laterais as imagens de vários minerais.

O Quarto Círculo

Este círculo corresponde à Tétrade, o número Quatro. Sua cor é azul, seus símbolos primários são os Quatro Elementos e sua figura geométrica é o quadrado. As flores que cercam as sebes são azuis e de quatro pétalas, e os quatro gazebos são azuis. O primeiro deles tem guarnição vermelha e é encimado pelo número 7 em um quadrado vermelho; tem a imagem de chamas na cúpula e a de um leão rugindo nas laterais. O segundo tem guarnição amarela e é encimado com o número 8 em um quadrado amarelo; traz as imagens dos quatro ventos soprando na cúpula, e a de um homem derramando água de um vaso nas laterais. O terceiro é azul sem relevo e é encimado com o número 9 em um quadrado azul; tem a imagem de ondas na cúpula e as de um escorpião, uma serpente e uma águia nas laterais. O quarto tem guarnição verde e é encimado pelo número 10 em um quadrado verde; traz, na cúpula, a imagem da Terra, e a de um boi puxando um arado nas laterais.

Para começar, esses quatro círculos e dez lugares de memória serão suficientes, fornecendo espaço suficiente para ser útil na prática, mas ainda pequenos o suficiente para que o sistema possa ser aprendido e colocado em funcionamento em um tempo bastante curto. Círculos adicionais podem ser adicionados à medida que a familiaridade facilita o trabalho com o sistema. É possível, dentro dos limites do simbolismo numérico tradicional usado aqui, chegar a um total de onze círculos contendo 67 lugares de memória.(11) É igualmente possível desenvolver diferentes tipos de estruturas de memória nas quais as imagens podem ser colocadas. Desde que os lugares sejam distintos e organizados em alguma seqüência facilmente memorável, quase tudo servirá.

O Jardim da Memória, conforme descrito aqui, precisará ser comprometido com a memória para ser usado na prática. A melhor maneira de fazer isso é simplesmente visualizar a si mesmo andando pelo jardim, parando nos mirantes para examiná-los e depois seguir adiante. Imagine o perfume das flores, o calor do sol; como acontece com todas as formas de trabalho de visualização, a chave para o sucesso está nas imagens concretas de todos os cinco sentidos. É uma boa ideia começar sempre no mesmo lugar — o primeiro círculo é melhor, por razões práticas e filosóficas — e, durante o processo de aprendizagem, o aluno deve percorrer todo o jardim a cada vez, passando cada um dos gazebos em Ordem numérica. Ambos os hábitos ajudarão as imagens do jardim a se enraizarem no solo da memória.

Regras para Imagens

As imagens do jardim descritas acima compõe metade da estrutura desse sistema de memória – a metade estável, pode-se dizer, permanecendo inalterada enquanto o próprio sistema for mantido em uso. A outra metade, que muda, consiste nas imagens que são usadas para armazenar memórias dentro do jardim. Estes dependem muito mais da equação pessoal do que das imagens de enquadramento do jardim; o que permanece em uma memória pode evaporar rapidamente de outra, e uma certa quantidade de experimentação pode ser necessária para encontrar uma abordagem para imagens de memória que funcione melhor para qualquer aluno.

Na clássica Arte da Memória, a única regra constante para essas imagens era que elas fossem impressionantes – hilárias, atraentes, horríveis, trágicas ou simplesmente bizarras, isso não fazia (e faz) diferença, desde que cada imagem capturasse a mente e despertasse alguma resposta além do simples reconhecimento. Esta é uma abordagem útil. Para o praticante iniciante, no entanto, pensar em uma imagem apropriadamente impactante para cada informação a ser registrada pode ser uma questão difícil.

Muitas vezes é mais útil, portanto, usar familiaridade e ordem em vez de pura estranheza em um sistema de memória introdutório, e o método dado aqui fará exatamente isso.

É necessário para esse método, antes de tudo, criar uma lista de pessoas cujos nomes comecem com cada letra do alfabeto, exceto K e X (que muito raramente começam palavras em inglês). Estas podem ser pessoas conhecidas do aluno, figuras da mídia, personagens de um livro favorito – meu próprio sistema dervia extensivamente da trilogia do Anel de Tolkien, de modo que Aragorn, Boromir, Cirdan e assim por diante tendem a povoar meus palácios de memória. Pode ser útil ter mais de um algarismo para letras que geralmente vêm no início de palavras (por exemplo, Saruman e Sam Gamgee para S), ou algarismos para certas combinações comuns de duas letras (por exemplo, Theoden para Th , onde T é Treebeard), mas estes são desenvolvimentos que podem ser adicionados posteriormente. O ponto importante é que a lista precisa ser aprendida o suficiente para que qualquer letra evoque sua imagem adequada imediatamente, sem hesitação, e que as imagens sejam claras e instantaneamente reconhecíveis.

Uma vez que isso seja gerenciado, o aluno precisará criar um segundo conjunto de imagens para os números de 0 a 9. Há uma longa e ornamentada tradição de tais imagens, principalmente baseada na simples semelhança física entre número e imagem – um dardo ou mastro para 1, um par de óculos ou de nádegas para 8, e assim por diante. No entanto, qualquer conjunto de imagens pode ser usado, desde que sejam simples e distintos. Estes também devem ser aprendidos de cor, para que possam ser lembrados sem esforço ou hesitação. Um teste útil é visualizar uma fila de homens marchando, carregando as imagens que correspondem ao número de telefone de alguém; quando isso pode ser feito rapidamente, sem confusão mental, as imagens estão prontas para uso.

Esse uso envolve duas maneiras diferentes de colocar as mesmas imagens para funcionar. Um dos lugares-comuns mais antigos em toda a tradição da Arte da Memória divide a mnemônica em “memória para coisas” e “memória para palavras”. No sistema dado aqui, entretanto, a linha é traçada em um lugar ligeiramente diferente; memória para coisas concretas – por exemplo, itens em uma lista de compras – requer uma abordagem ligeiramente diferente da memória para coisas abstratas, sejam conceitos ou pedaços de texto. As coisas concretas são, em geral, mais fáceis, mas ambas podem ser feitas usando o mesmo conjunto de imagens já selecionado.

Vamos examinar a memória para coisas concretas primeiro. Se uma lista de compras precisa ser memorizada – essa, como veremos, é uma excelente maneira de praticar a Arte – os itens da lista podem ser colocados em qualquer ordem conveniente. Supondo que dois sacos de farinha estejam no topo da lista, a figura correspondente à letra F é colocada no primeiro gazebo, segurando o símbolo de 2 em uma mão e um saco de farinha na outra, e carregando ou vestindo pelo menos uma outra coisa que sugira farinha: por exemplo, um terço de trigo trançado na cabeça da figura. As roupas e acessórios da figura também podem ser usados ​​para registrar detalhes: por exemplo, se a farinha desejada for integral, a figura pode usar roupas marrons. Esse mesmo processo é feito para cada item da lista, e as imagens resultantes são visualizadas, uma após a outra, nos mirantes do Jardim da Memória. Quando o Jardim for visitado novamente na imaginação – na loja, neste caso – as mesmas imagens estarão no lugar, prontas para comunicar seu significado.

Isso pode parecer uma maneira extraordinariamente complicada de se lembrar das compras, mas a complexidade da descrição é enganosa. Uma vez praticada a Arte, mesmo que por pouco tempo, a criação e colocação das imagens leva literalmente menos tempo do que escrever uma lista de compras, e sua recuperação é um processo ainda mais rápido. Rapidamente também se torna possível ir aos lugares do Jardim fora de sua ordem numérica e ainda recordar as imagens com todos os detalhes. O resultado é uma maneira rápida e flexível de armazenar informações – e que dificilmente será deixada de fora acidentalmente no carro!

A memória para coisas abstratas, como mencionado anteriormente, usa esses mesmos elementos da prática de uma maneira ligeiramente diferente. Uma palavra ou um conceito muitas vezes não pode ser retratado na imaginação da mesma forma que um saco de farinha pode, e a gama de abstrações que podem precisar ser lembradas e discriminadas com precisão é muito maior do que a gama possível de itens em uma lista de mercado (quantas coisas existem em uma mercearia que são marrom-claras e começam com a letra F?). Por esse motivo, muitas vezes é necessário compactar mais detalhes na imagem de memória de uma abstração.

Nesse contexto, uma das ferramentas mais tradicionais, bem como uma das mais eficazes, é um princípio que chamaremos de regra dos trocadilhos. Grande parte da literatura de memória ao longo da história da Arte pode ser vista como um extenso exercício de trocadilhos visuais e verbais, como quando um par de nádegas aparece no lugar do número 8, ou quando um homem chamado Domiciano é usado como imagem para as palavras latinas domum itionem. Uma abstração geralmente pode ser memorizada com mais facilidade e eficácia fazendo um trocadilho concreto com ela e lembrando-se do trocadilho, e parece ser lamentavelmente verdade que quanto pior o trocadilho, melhores os resultados em termos mnemônicos.

Por exemplo, se – para escolher um exemplo totalmente ao acaso – for necessário memorizar o fato de que a bactéria estreptococo causa dor de garganta e febre escarlatina, a primeira tarefa seria a invenção de uma imagem para a palavra “estreptococo”. Uma abordagem pode ser transformar essa palavra em “extrato de coco” e visualizar a figura que representa a letra D bebendo água de um coco enorme. A escarlatina poderia ser vista como o personagem Scar, do Rei Leão vestino de mulher latina com vestido e flor na cabeça e aninhad ao pé de D. D ainda pode estar com o pescoço vermelho e inflamado para reforçar a imagem. Novamente, isso leva muito mais tempo para explicar, ou mesmo para descrever, do que para realizar na prática.

A mesma abordagem pode ser usada para memorizar uma série encadeada de palavras, frases ou ideias, colocando uma figura para cada um em um dos gazebos do Jardim da Memória (ou nos lugares de algum sistema mais extenso). Diferentes séries vinculadas podem ser mantidas separadas na memória marcando cada figura em uma determinada sequência com o mesmo símbolo – por exemplo, se a imagem do estreptococo descrita acima for um de um conjunto de itens médicos, ela e todas as outras figuras do conjunto pode usar estetoscópios. Ainda assim, essas são técnicas mais avançadas e podem ser exploradas uma vez que o método básico seja dominado.

Regras para prática

Como qualquer outro método de trabalho hermético, a Arte da Memória requer exatamente isso – trabalho – para que seus potenciais sejam abertos. Embora bastante fácil de aprender e usar, não é um método sem esforço, e suas recompensas são medidas exatamente pela quantidade de tempo e prática investidos nele. Cada aluno precisará fazer seu próprio julgamento aqui; ainda assim, os antigos manuais da Arte concordam que a prática diária, mesmo que apenas alguns minutos por dia, é essencial para que qualquer habilidade real seja desenvolvida.

O trabalho que precisa ser feito se divide em duas partes. A primeira parte é preparatória e consiste em aprender os lugares e imagens necessários para colocar o sistema em uso; isso pode ser feito conforme descrito nas seções acima. Aprender o caminho do Jardim da Memória e memorizar as imagens alfabéticas e numéricas básicas geralmente pode ser feito em algumas horas de trabalho real, ou talvez uma semana de momentos livres.

A segunda parte é prática e consiste em utilizar o sistema de fato para registrar e lembrar as informações. Isso deve ser feito incansavelmente, diariamente, para que o método se torne eficaz o suficiente para valer a pena ser feito. É muito melhor trabalhar com assuntos úteis e cotidianos, como listas de compras, agendas de reuniões, agendas diárias e assim por diante. Ao contrário do material irrelevante às vezes escolhido para o trabalho de memória, estes não podem ser simplesmente ignorados, e cada vez que se memoriza ou recupera tal lista, os hábitos de pensamento vitais para a Arte são reforçados.

Um desses hábitos – o hábito do sucesso – é particularmente importante para cultivar aqui. Em uma sociedade que tende a denegrir as habilidades humanas em favor das tecnológicas, muitas vezes é preciso se convencer de que um mero ser humano, sem a ajuda de máquinas, pode fazer qualquer coisa que valha a pena! Como acontece com qualquer nova habilidade, portanto, tarefas simples devem ser testadas e dominadas antes das complexas, e os níveis mais avançados da Arte devem ser dominados um estágio de cada vez.

Notas
1. Yates, Frances A., The Art Of Memory (Chicago: U. Chicago Press, 1966) continua sendo o trabalho padrão em língua inglesa sobre a tradição.

2. Bruno, Giordano, On the Composition of Images, Signs and Ideas (NY: Willis, Locker & Owens, 1991), e Culianu, Ioan, Eros and Magic in the Renaissance (Chicago: U. Chicago Press, 1987) são exemplos .

3. A breve história da Arte aqui apresentada é extraída de Yates, op. cit.

4. Para Bruno, ver Yates, op. cit., cap. 9, 11, 13-14, bem como seu Giordano Bruno and the Hermetic Tradition (Chicago: U. Chicago Press, 1964).

5. Ver Yates, Art of Memory, cap. 8.

6. Ibid., pp. 208-222.

7. Stevenson, David, The Origins of Freemasonry: Scotland’s Century (Cambridge: Cambridge U.P., 1988), p. 95.

8. Ver Yates, Art of Memory, cap. 15.

9. Ver Yates, Frances, Theatre of the World (Chicago: U. of Chicago P., 1969), pp. 147-9 e 207-9.

10. O simbolismo usado aqui é retirado de várias fontes, particularmente McLean, Adam, ed., The Magical Calendar (Edimburgo: Magnum Opus, 1979) e Agrippa, H.C., Three Books of Occult Philosophy, Donald Tyson rev. & ed. (St. Paul: Llewellyn, 1993), pp. 241-298. No entanto, peguei emprestado as escalas de cores padrão da Golden Dawn para as cores dos círculos.

11. Os números dos círculos adicionais são 5-10 e 12; o simbolismo apropriado pode ser encontrado em McLean e Agripa, e as cores em qualquer livro sobre a versão da Cabala da Golden Dawn. A numerologia pitagórica da Renascença definiu o número 11 como “o número de pecado e punição, sem mérito” (ver McLean, p. 69) e, portanto, não lhe deu nenhuma imagem significativa. Aqueles que desejam incluir um décimo primeiro círculo podem, no entanto, emprestar as onze maldições do Monte Ebal e os Qlippoth associados ou poderes primitivos demoníacos de fontes cabalísticas.

~ Tradução Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/ars-memorativa/

Introdução ao Sexo Tântrico

O sexo tântrico vem de uma antiga filosofia indiana, que transporta a sexualidade do plano do fazer ao plano do ser. É uma maneira meditativa, espontânea e íntima de fazer amor. No tantra, a mulher é concebida como Shakti, a energia cósmica criativa. O tantra induz o homem a sentir sua companheira de maneira plena.

Além disso, o sexo tântrico considera a ejaculação um desperdício da energia vital, e uma de suas metas é aprender a retardá-la. Aproveite este recurso fabuloso, além de aprender todas as posturas e as técnicas desta filosofia milenar.

Prepare a cena com dedicação: espalhe almofadas confortáveis sobre a cama, tenha à mão óleos aromáticos para o corpo, arrume o ambiente com velas e incensos… Se quiser que seja uma noite inesquecível, separe um bom vinho e alguns ingredientes, como figos, uvas, cerejas, morangos. Depois, é só colocar os ensinamentos em prática…

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/introducao-ao-sexo-tantrico/

Magia Adimensional

“Coincidência nunca faz com que o peso de papel fique pairando no ar a sete centímetros do tampo de sua mesa”
LöN Plo

 

Lovecraftiando As Regras do Ocultismo Moderno.

 

Índice

Livro 1: Para a Esquerda e Para a Direita, Para Sempre e Para Trás

Capítulo 1: Equilíbrio e Harmonia

Capítulo 2: Sanidade

Capítulo 3: Magia e poder

 

Livro 2: All You Need Is Love(craft)

Capítulo 1: O Nome Impronunciável do Jogo

Capítulo 2: Tomos da Insanidade

Capítulo 3: Elementos da Magia

Capítulo 4: Conclusões?!

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Livro 1: Para a Esquerda e Para a Direita, Para Sempre e Para Trás

 

Capítulo 1: Equilíbrio e Harmonia

 

OS ANCIÃOS lançaram as bases para os trabalhos de magia com a criação e batismo das divindades, semi divindades e outras entidades místicas, conhecidas. Com a associação dos nomes teve início o agrupamento de diferentes tipos mágicos e a descrição detalhada se tornou o véu do mistério do anonimato, favorecendo o dualismo e o moralismo da personificação.

 

ESTRUTURA não é sinônimo de Ordem. Estrutras extremas não resultam em equilíbrio nem em harmonia – como podemos ver de maneira clara em sistemas de governo rigorosos como a Alemanha Nazista, a Cuba Castrista e outros “governos” sul americanos e orientais.

 

O adversário da ESTRUTURA é o CAOS.

 

CAOS, diferente do que vem sendo difundido na mente das pobres almas que vagam por este planeta, NÃO é o oposto de ORDEM.

 

Enquanto todas as coisas tem em sua essência uma medida tanto de Caos quanto de Ordem, a linguagem – nossa ferramenta de comunicação – é atraída muito mais para a esfera da Ordem do que para a do Caos, assim qualquer representação da mera idéia do Caos através da linguagem ou do uso dos padrões que formam a imaginação da raça humana é falha. Imagens individuais são estruturadas. Seria um erro imaginar que podemos nos utilizar da Ordem para representar sua contraparte. De fato, o mais próximo que podemos chegar de descrever o Caos é nos utilizando de palavras que descrevam sua sombra que existe dentro da Ordem, a Estrutura.

 

DESORDEM não é sinônimo de Caos.

 

Casos extremos de DESORDEM indicam uma falata de equilíbrio e harmonia. Isso fica claro em processos naturais que foram manipulados pelos tentáculos do poder.

 

O nêmesis da desordem é a ORDEM.

 

Nós temos uma idéia da sombra da Ordem que existe dentro do Caos, e esta idéia é representada em nossa linguagem estruturada através de uma de nossas palavras: desordem. Enquanto ela não passa de um reflexo da sombra real da Ordem, serve como exemplo para expor os padrões fundamentais que dão tanto à Ordem quanto ao Caos suas identidades dentro de uma cultura intelectual atraída pela Ordem.

 

Sem a força desestabilizadora do Caos, nós nos estagnaríamos intelectualmente, psicologicamente em todos os aspectos da vida. Nossa imaginação, a habilidade de criar novos padrões de imagens com os blocos básicos daquilo que é compreendido, não existiria sem a instabilidade temporária que os artistas e magos aprendem a controlar.

 

A disciplina da Ordem EQUILIBRA a flexibilidade do Caos, trazendo a HARMONIA da Manifestação Unificadora.

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Capítulo 2: Sanidade

 

SANIDADE é a harmonia de um indivíduo com o Cosmos.

 

Tanto Ordem quanto Caos devem ser aceitos para se atingir o equilíbrio psíquico necessário para o crescimento. Os Anciãos compreendiam as armadilhas das palavras e dos nomes. Eles conseguiram enxergar as marés intelectuais de estrutura desequilibrada e seus produtos estagnados de conhecimento e moralidade.

 

Os Anciãos criaram a Magia Cthulhiana para se assegurarem do equilíbrio da sanidade através da preservação das Sementes do Caos.

 

Os SERVOS DE CTHULHU aguardam até que a estrutura atinja um ponto além dos limites da tolerância cósmica e então agem para promover a causa da desordem. Eles ensinam as limitações da Senda da Mão Direita e a irresponsabilidade da Senda da Mão Esquerda.

 

Mesmo assim, a maior parte dos Magos que adquiriram o conhecimento sobre os aspectos negativos de um desequilíbrio da Ordem não compreendem o erro de uma estrutura levada ao extremo. Eles simplesmente substituem o Caos pela Ordem e mantém estritamente as mesmas abordagens à Magia usadas pelos Magos Brancos que seguem a senda da mão Direita, em seu forma igualmente desequilibrada.

 

Aqueles que adoram os SÁBIOS DA ORDEM não são nem um pouco mais sãos do que aqueles que adoram os DEMÔNIOS DO CAOS.

 

A função de Cthulhu não é ser um objeto de adoração, mas uma ferramenta, uma inspiração, uma força iniciática, trazendo equilíbrio entre a flexibilidade do Caos e a estabilidade da Ordem.

 

A SENDA ADIMENSIONAL (S.A.) é o Caminho dos Anciãos.

 

Cthulhu garante a instabilidade necessária para combater os métodos fleumáticos e imperturbáveis da Ordem “estruturada”. Cthulhu não é o foco equilibrado, mas uma força de equilíbrio do cosmos. Assim é possível se atingir o equilíbrio através de uma exposição a Cthulhu ao invés da simples devoção aos princípios ou a promoção do Caos acima e além da Ordem.

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Capítulo 3: Magia e poder

 

A maior SEDUÇÃO da Magia é a promessa de PODER, e a fuga da subordinação, da ineficácia e da total falta de controle.

 

O auto-engrandecimento tem uma raiz simples e básica: a insegurança pessoal.

 

A Magia permite que a pessoa se torne a CAUSA que cria mudanças no mundo. Tanto a Magia Branca – Senda da Mão Direita – quanto a Magia Negra – Senda da Mão Esquerda – se focam nos resultados como sendo a justificativa para seu uso. A primeira tem como objetivo a realização dos desejos do conjurador e de outros, enquanto a segunda tem como objetivo a realização dos desejos do conjurador, geralmente em detrimento de e apesar dos desejos dos outros.

 

MAGIA BRANCA é a manifestação da Ordem através do mago.

 

Cura e a coordenação de energias grupais são as principais atividades do Mago Branco. Ele busca promover a harmonia através da estrutura, um médoto baseado na Ordem, expulsando as forças do Caos de tudo que o cerca.

 

O problema com a Magia Branca é que ela busca o desequilíbrio da Ordem SOBRE o Caos, uma situação compreendida pelos Anciãos como de grande opressão e miséria.

 

A manifestação direta do Caos através do mago é a MAGIA NEGRA.

 

Como já foi mencionado, assim como os Brancos, magos Negros buscam promover a harmonia através da estrutura.

 

Contudo o mago Negro deseja usar a estrutura como um instrumento para manifestar o Caos e possivelmente dominar outros seres.

 

As atividades do mago Negro se focam na manifestação direta de energias caóticas, incluindo os pórpios Servos de Cthulhu. O mago Negro não percebe a impossibilidade de manter a estrutura como médoto de controle quando a Ordem é subjugada pelo Caos. A estrutura simplesmente se dissolve, juntamente com a harmonia que o mago busca. O problema, então, com a Magia Negra, é que ela busca o desequilíbrio do Caos sobre a Ordem, uma situação compreendida pelos Anciãos como de grande impotência e miséria.

 

 

 

 

Livro 2: All You Need Is Love(craft)

 

Capítulo 1: O Nome Impronunciável do Jogo

 

LOVECRAFT compreendeu os perigos da Magia Negra e os objetivos dos Servos de Cthulhu também. Desta forma escrevia como se todos os magos fossem de certa forma Negros e os asseclas das Ordens religiosas de alguma forma melhores ou moralmente superiores aos que servem ao Caos.

 

O embate teve início, mas ele foi lançado como um onde o BEM luta contra o MAL e a ORDEM combate o CAOS. Como resultado, isso apenas entrincheirou ainda mais o desequilíbrio dentro da Magia Branca da Ordem, aumentando exponencialmente a rejeição completa de Cthulhu, sem que percebessem o valor de seu ser.

 

Os Anciãos deixaram a BUSCA PELO EQUILÍBRIO conosco, e nos deixaram sinais, como placas de sinalização, na forma de Cthulhu e dos Sentinelas.

 

O jogo de Cthulhu então pode ser exatamente como Lovecraft nos descreveu, mas raramente ele descreveu a perspectiva equilibrada do mago – um com a disciplina para manter controle sobre a sanidade quando os encontrava. A Ordem era tida como superior e isso constantemente minava toda a Operação. Para atingirmos nosso propósito devemos rever essa tendência para que o objetivo se torne claro e A SENDA ADIMENSIONAL então revelará seu verdadeiro valor.

 

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Capítulo 2: Tomos da Insanidade

 

PERGAMINHOS E FEITIÇOS derivados tanto da ORDEM quando do CAOS que são lidos e compreendidos colocam em perigo a sanidade de uma pessoa.

Assim tomos como O Necronomicon, que descreve a Magia Negra e acreditasse ser derivado de criaturas do Caos são tão perigosos quanto tomos de Magia Positiva, que descrevem a Magia Branca Estruturada, aparentemente derivados dos Sentinelas. Um catálogo de grimórios se torna importante se o mago deseja manter um equilíbrio constante em si.

 

Ao que tudo indica, no momento presente a maioria absoluta dos LIVROS PERIGOSOS do Caos desapareceram. Embora ainda existam cultos em diversas partes do globo terrestre que sem dúvida ainda promovem a adoração e buscam estabelecer Contato. Trabalhos clássicos de literatura da Ordem deveriam ser inclusos neste catálogo, Oriente e Ocidente, contando que se qualifiquem como base para promover as causas da Ordem de uma forma extrema – como exemplo “O Livro dos Rituais”, por Kung Fu Tzu, “O Livro Vermelho”, por Mao Tse Tung e talvez os livros de Aristóteles, Orígenes e Marx.

 

Porquanto a natureza da prática Mágica sempre envolve o risco da sanidade, a Magia Negra é muito mais perigosa, graças ao seu foco inerente na AQUISIÇÃO DE PODER, negligenciando toda e qualquer consequência. Já, a Magia Branca, embora também focada em se obter poder, não compartilha a flagrante falta de compaixão e, portanto, oferece apenas metade do risco. Caso não seja assim, o jogo de Cthulhu parece proceder como nós esperamos.

 

Já que a Magia Negra irá, em algum ponto, trabalhar com a destruição, é sensato supor que será ela justamente empregada de maneira efetiva contra os Servos de Cthulhu, já que esta forma é a que se mostrou mais eficaz em atingir o sucesso no passado (assim como em forçar o mago a ir além dos limites da própria sanidade o atirando em um estado mental deformado e caótico permanente).

 

Todos os feitiços que envolvem UM PRATICANTE como fonte desta CAUSA, ou como algo fundamental para o trabalho, representam uma provação para a sanidade deste praticante, não importando se Brancos ou Negros, independente do objetivo. A Magia que inclui em si o foco no desenvolvimento em um aumento da consciência ou uma cura grupal apresentam um perigo muito menor para a sanidade.

Existe apenas uma Magia que promove a sanidade: A MAGIA DA SENDA ADIMENSIONAL (S.A.)!

Magia S.A. é característica do Caminho, harmoniosa com o Estar Superior. Se o mago é capaz de desenvolver sua própria intuição, ou sentido-Tao, o progresso pode ser realizado, mas é um progresso extremamente complexo. A idéia de que alguém pode evoluir linearmente dentro da S.A. é falsa. A pessoa se torna, a pessoa não evolui. A pessoa entra em sintonia, a pessoa não se forja. A pessoa permite, a pessoa não faz. O Tao mantém o tecido da realidade coeso e torna possível a manifestação coordenada. Aqueles de grande harmonia podem ocasionalmente receber um “insight”, inspiração para agir ou uma breve compreensão do Drama Cósmico, o Grande Trabalho, do Tao.

 

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Capítulo 3: Elementos da Magia

 

Sendo doutrinadas na Ordem desde sua concepção, a maioria das pessoas são ensinadas que a magia é forjada na estrura do dogma e da superstição. As variáveis são padronizadas e generalizadas para que o aprendizado se torne mais fácil. Dado o estudo e/ou a instrução, aquele que busca pode determinar que estrutura pode ser descartada e onde variações podem ocorrer (em termos de alcance, intensidade, duração, etc.).

 

Existem 4 CATEGORIAS DE FEITIÇOS, organizadas por origem e alvos dos efeitos do feitiço.

 

1- Apenas o Mago

2- O Mago e energia/objetos

3- O Mago e outras pessoas

4- O Mago e seres alienígenas

 

1- Apenas o Mago:

1.1. Cura (física e psíquica)

1.2. Alteração de forma/aparência (uso de feitiços, disfarces)

1.3. Extender/alterar sensações (precognição, clarividência)

 

2- O Mago e energia/objetos

2.1. Produção (infusões, pós, pergaminhos, etc.)

2.2. Proteção (barreiras, reflexões)

2.3. Aperfeiçoamento de objetos (trancar portas, endurecer o solo)

2.4. Alterar o momentum (telecinese, teleporte pessoal, viagens dimensionais)

 

3- O Mago e outras pessoas

3.1. Cura ou Ataque (física, psíquica)

3.2. Comunicação (telepatia)

3.3. Cooperação (gestalt, teleporte grupal)

 

4- O Mago e seres alienígenas

4.1. Contato

4.2. Chamado

4.3. Convocação

4.4. Restrição/Amarração

4.5. Sigilo Mais Antigo (selar, lacrar)

4.6. Portal

Obs. Curar outras pessoas é o últimos dos feitiços exclusivamente Brancos. De Ataque ao Portal a Magia Negra se torna possível.

 

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Capítulo 4: Conclusões?!

A maioria dos feitiços colocam em risco a sanidade do mago, já que exigem um único foco e o domínio de quantidades absurdas de poder. Magia realmente poderosa é rara nos dias de hoje e, como já foi notado, o uso da Magia Negra oferece muitos riscos. Os feitiços usados tanto pelos magos Brancos quanto Negros são os segundos mais perigosos, seguidos por aqueles usados apenas pelos Magos Brancos (tais como curas grupais ALTRUÍSTICAS).

 

O Microcosmo do Mago corresponde diretamente ao Macrocosmo do CONTINUUM UNIVERSAL. Conforme o Caos e a Ordem se equilibram, um potencial maior é atingido, maximizando a eficiência e a flexibilidade em um grande jogo de prazer pessoal e cósmico. Desta forma, o Jogo Inominável é um ritual simbólico, uma tentativa de nos desequilibrar enquanto oscilamos entre os extremos. A maioria dos Magos aceita apenas uma das facções da maré, contribuindo para o desequilíbrio geral, mas quando o objetivo é o equilíbrio ao invés da supremacia da Ordem, esse erro se tornará claro.

 

A Magia, analizada sob este contexto, é uma ferramenta necessária utilizada para retardar a mudança rápida da Ordem para o Caos para a Ordem… Embora possa causar interrupções temporárias da sanidade, ela acaba compensando a longo prazo quando usada contra um poder que certamente irá CORROSIVAMENTE NOS DISSOLVER.

~oOOo~

Este material foi proibido por Deus.

 

Por LöN Fucking Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/magia-adimensional/

Carta de Barnabé

CAPÍTULO 1:

Saudação:

Filhos e filhas, eu vos saúdo na paz, em nome do Senhor que nos amou.

A fé dos destinatários Grandes e ricos são os decretos de Deus a vosso respeito. Acima de tudo, eu me alegro imensamente pelos vossos espíritos felizes e gloriosos, pois dele recebestes a semente plantada em vós mesmos, a graça do dom espiritual. Por isso, eu me alegro mais na esperança de me salvar, porque verdadeiramente vejo em vós que o Espírito da fonte abundante do Senhor foi derramado sobre vós. Em vosso caso, foi isso que me chamou a atenção ao vê-los, o que eu tanto desejava.

Intenções do autor:

Estou convencido e intimamente persuadido disso, porque conversei muito convosco. O Senhor caminhou comigo no caminho da justiça e eu também me sinto impulsionado a amar-vos mais do que à minha própria vida, pois a fé e o amor que habitam em vós são grandes e fundados sobre a esperança da vida dele. Pensei que, se eu me preocupasse em participar-vos aquilo que recebi, eu teria recompensa por ter servido a espíritos como os vossos. Esforcei-me então para vos enviar estas poucas linhas, para que, além de vossa fé, tenhais também o conhecimento perfeito. Os ensinamentos do Senhor são três: a esperança da vida, começo e fim da nossa fé; a justiça, começo e fim do julgamento; o amor, testemunho pleno da alegria e contentamento das obras realizadas na justiça. Com efeito, por meio dos profetas, o Senhor nos fez conhecer o passado e o presente, e nos fez saborear antecipadamente o futuro. Vendo que uma e outra coisa se realizam conforme ele falou, devemos progredir no seu temor, de maneira mais rica e mais elevada. Quanto a mim, não é como mestre, mas como um de vós, que vos preparei umas poucas coisas. Através delas, vocês se alegrarão nas circunstâncias presentes.

CAPÍTULO 2:

O culto que Deus quer:

Introdução:

Como os dias são maus e é aquele que exerce o poder, devemos, para o nosso próprio bem, procurar as decisões do Senhor. Os auxiliares da nossa fé são o temor e a perseverança, e nossos companheiros de luta são a paciência e o autocontrole. Se essas virtudes permanecem puras diante do Senhor, a sabedoria, a inteligência, a ciência e o conhecimento virão regozijar-se com elas.

Os sacrifícios:

De fato, foi-nos mostrado, mediante todos os profetas, que Deus não tem necessidade de sacrifícios, nem de holocaustos, e nem de ofertas. Em certa ocasião, ele diz: “Que me importa a multidão de vossos sacrifícios?” diz o Senhor. “Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de cordeiros não sangue de touros e de bodes, e nem que venhais vos apresentar diante de mim. Quem pediu essas coisas de vossas mãos? Não continueis a pisar em meu átrio. Se ofereceis flor de farinha, é em vão; vosso incenso para mim é abominação. Não suporto vossas neomênias e vossos sábados.” Ele rejeitou essas coisas, para que a lei nova de nosso Senhor Jesus Cristo, que é sem o jugo da necessidade, não precise de oferta preparada por homens. Ele ainda lhes disse: “Por acaso, ordenei a vossos pais, ao saírem do Egito, que me oferecessem holocaustos? Pelo contrário, eis o que lhes ordenei: Que nenhum de vós guarde em seu coração rancor contra o próximo e que não ame o juramento falso.” Devemos, portanto, compreender, pois não somos sem inteligência, o desígnio de nosso Pai em sua bondade, pois ele se dirige a nós, desejando que procuremos o modo de nos aproximar dele, sem nos extraviar, como aqueles homens. Eis, portanto, o que ele nos diz: “O sacrifício para Deus é um coração contrito; o perfume de suave odor para o Senhor é o coração que glorifica o seu Criador.” Irmãos, devemos, portanto, cuidar de nossa salvação, para que o maligno não introduza em nós o erro, e nos atire, como pedra de funda, para longe da nossa vida.

CAPÍTULO 3:

O jejum:

A respeito disso, falou-lhes ainda, “Com que finalidade jejuais para mim”, diz o Senhor, “como se ouve hoje aos gritos a vossa voz? Não é esse jejum que escolhi”, diz o Senhor, “não o homem que humilha a si mesmo. Nem quando dobrais vosso pescoço como um círculo, nem quando vos cobris de pano de saco e cinza, não chameis isso de jejum agradável.” Para nós, porém, ele diz: “Eis o jejum que eu escolhi”, diz o Senhor: “Desata todas as amarras da injustiça; desfaz as cordas dos contratos iníquos; envia os oprimidos em liberdade; rasga toda escritura injusta; reparte teu pão com os famintos; se vês alguém nu, veste-o; conduz para a tua casa os desabrigados; se vês algum pobre, não o desprezes; não te afastes dos membros de tua família. Então tua luz romperá pela manhã, tuas vestes rapidamente resplandecerão, a justiça irá à tua frente e a glória de Deus te envolverá. Então outra vez gritarás, e Deus te ouvirá. Ao falar, ele te dirá: Eis-me aqui! Isso, se renunciares a tecer amarras, a levantar a mão, a murmurar, e se deres de coração o teu pão ao faminto e tiveres compaixão da pessoa necessitada.” Por isso, irmãos, o paciente (Deus), prevendo que o povo, que ele preparou através do seu Amado, acreditaria com simplicidade, nos antecipou todas essas coisas, para que nós, como prosélitos, não nos arrebentássemos contra a lei deles.

CAPÍTULO 4:

Vigilância:

Exortação geral:

É preciso, portanto, que examinemos com grande atenção a situação presente, para procurar o que nos pode salvar. Fujamos, pois, radicalmente de todas as obras iníquas, para que as obras iníquas jamais se apoderem de nós. Odiemos o erro do mundo presente, para que sejamos amados no mundo futuro. Não demos à nossa alma a liberdade, de modo que ela não tenha poder de correr com os maus e pecadores, a fim de que não nos tornemos semelhantes a eles.

Iminência do fim:

O máximo do escândalo se aproxima, conforme está escrito, como diz Enoque. Com efeito, é por isso que o Senhor abreviou os tempos e os dias, a fim de que seu Amado chegue mais depressa à herança. Assim diz o profeta: “Dez reis reinarão sobre a terra e, depois disso, surgirá um pequeno rei que humilhará três reis de uma só vez.” Sobre isso, Daniel diz algo semelhante: “Vi a quarta besta, maligna, forte e mais terrível do que todas as bestas do mar. Dela brotaram dez chifres, e desses saiu um pequeno chifre, como broto. Este, de uma só vez, humilhou três dos chifres grandes.” Deveis, portanto, compreender.

A Aliança tem exigências:

Além disso, peço-vos insistentemente, eu que sou um e vós e vos amo a todos e a cada um em particular mais do que a mim mesmo: tomai cuidado para não ficardes como certas pessoas, que acumulam pecados, dizendo que a Aliança está garantida para nós. Claro que era é nossa. Eles (os judeus) a perderam definitivamente, embora Moisés já a tivesse recebido. De fato, a Escritura diz: “Moisés jejuou na montanha durante quarenta dias e quarenta noites, e depois recebeu do Senhor a Aliança, as tábuas de pedra escritas pelo dedo da mão do Senhor”. Eles, porém, a perderam, por se terem voltado para os ídolos. Com efeito, assim disse o Senhor: “Moisés, Moisés, desce depressa, pois teu povo pecou, aqueles que fizeste sair da terra do Egito”. Moisés compreendeu, e jogou as duas tábuas de suas mãos. A Aliança deles foi rompida, para que a de Jesus, o Amado, fosse selada em nossos corações pela esperança da fé que nele temos. Querendo escrever muitas coisas, não como mestre, mas como convém a quem ama, não deixando perder nada do que possuímos, apliquei-me a escrever, como vosso humilde servidor. Estejamos atentos nestes últimos dias! Nada adiantará todo o tempo de nossa vida e de nossa fé, se agora, neste tempo de impiedade e na iminência dos escândalos, não resistirmos, como convém a filhos de Deus. A fim de que as Trevas não se infiltrem em nós e às escondidas, fujamos de toda vaidade e odiemos completamente as obras do mau caminho. Não vos isoleis, dobrando-vos sobre vós mesmos, como se já estivésseis justificados, mas reuni-vos, para procurar juntos o vosso bem comum. De fato, a Escritura diz: “Ai daqueles que se crêem inteligentes e que são sábios diante de si mesmos!” Tornemo-nos espirituais, tornemo-nos um templo perfeito para Deus. Quanto nos for possível, apliquemo-nos ao temor de Deus e combatamos para observar seus mandamentos, a fim de nos alegrarmos em suas disposições. O Senhor julgará o mundo com imparcialidade; cada um receberá segundo o que fez. Se for bom, sua justiça o precederá; se for mau, diante dele irá o salário do mal. Tomemos cuidado para não ficarmos tranqüilos como chamados, adormecendo sobre nossos pecados, de modo que o príncipe do mal se apodere de nós e nos afaste do reino do Senhor. Meus irmãos, compreendei ainda o seguinte: quando vedes que, depois de tantos sinais e prodígios acontecidos em Israel, assim mesmo eles foram abandonados, tomemos cuidado, como está escrito, para que não sejamos encontrados “muitos chamados, mas poucos escolhidos.”

CAPÍTULO 5:

Sofrimento do Senhor:

O Senhor sofreu para purificar-nos de nossos pecados
O Senhor suportou entregar sua própria carne à destruição, para que fôssemos purificados pelo perdão dos pecados, isto é, pela aspersão feita com seu sangue. A respeito dele, a Escritura diz o seguinte sobre Israel e sobre nós: “Ele foi ferido por causa de nossas iniqüidades e maltratado por causa de nossos pecados, e nós fomos curados por sua chaga. Foi conduzido como ovelha ao matadouro e, como cordeiro, ficou mudo diante do tosquiador.”

Responsabilidade do homem:

Precisamos, portanto, multiplicar nossos agradecimentos ao Senhor, porque ele nos fez conhecer as coisas passadas, tornou-nos sábios no presente e não estamos sem inteligência para as coisas futuras. A Escritura diz: “Não se estendem injustamente as redes para os pássaros”. Isso quer dizer que, com razão, se perderá o homem que, tendo conhecimento do caminho da justiça, toma entretanto o caminho das trevas.

O Senhor sofreu para cumprir a promessa:

Ainda o seguinte, meus irmãos: “Se o Senhor suportou sofrer por nós, embora fosse o Senhor do mundo inteiro, a quem Deus disse desde a criação do mundo: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’, como pode ele suportar sofrer pela mão dos homens? Aprendei. Os profetas, que tinham a graça dele, profetizaram a seu respeito. E ele afim de destruir a morte e mostrar a ressurreição dos mortos, teve que se encarnar e sofrer, afim de cumprir a promessa feita aos pais e preparar para si o povo novo e demonstrar, durante sua estada na terra, que era ele mesmo que julgaria, depois de ter realizado a ressurreição.

O Senhor sofreu na carne para que os pecadores pudessem vê-lo
Por fim, embora ele tivesse ensinado a Israel e realizado tão grandes prodígios e sinais, eles não foram levados por sua pregação a amá-lo acima de tudo. Porém, quando ele escolheu seus próprios apóstolos, que iriam anunciar o seu Evangelho, homens cujo pecado ultrapassava a medida, foi para mostrar que ele não tinha vindo chamar os justos, e sim os pecadores. Então ele manifestou que era Filho de Deus. Com efeito, se não se tivesse encarnado, como os homens poderiam ter sido salvos ao vê-lo, uma vez que eles não podem levantar os olhos para olhar de frente os raios do sol, que todavia um dia deixará de existir e que é tão-somente obra de suas mãos?

O Senhor sofreu para levar ao máximo o pecado de Israel:

Se o Filho de Deus se encarnou, foi para levar ao máximo os pecados daqueles que tinham perseguido mortalmente os profetas dele. E por isso que ele suportou. De fato, Deus diz que é deles que vem a ferida de sua carne: “Quando ferirem o seu pastor, então as ovelhas do rebanho perecerão”. Foi ele, porém, que quis sofrer desse modo. Com efeito, era preciso que ele sofresse sobre o madeiro, pois o profeta diz a seu respeito: “Poupa à minha vida à espada”. E “transpassa com cravo a minha carne, porque uma assembléia de malfeitores se levantou contra mim”. E diz ainda: “Eis que ofereci minhas costas aos açoites e minha face para as bofetadas. Contudo, mantive o meu rosto como pedra dura”.

CAPÍTULO 6:

Vitória pascal:

O que diz ele, quando cumpriu o mandamento? “Quem é que me julga? Coloque-se diante de mim. Ou quem quer ser declarado justo diante de mim? Que se aproxime do servo do Senhor. Ai de vós! Porque todos vós envelhecereis como veste e a traça vos roerá”. E o profeta continua, uma vez que ele foi colocado como sólida pedra para esmagar: “Eis que colocarei nos alicerces de Sião uma pedra de grande valor, escolhida, angular e preciosa”. O que diz em seguida? “Aquele que nela crer, viverá para sempre”. Será que a nossa esperança está numa pedra? De modo nenhum. Mas foi o Senhor que tornou forte a sua carne. Com efeito, ele diz: “Ele me tornou como pedra dura”. O profeta continua: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a cabeça de ângulo”. E diz ainda: “Este é o dia grande e maravilhoso que o Senhor fez”.

A paixão:

Eu, humilde servo do amor, vos escrevo com simplicidade, para que compreendais. O que diz ainda o profeta? “Uma assembléia de malfeitores me rodeou. Eles me cercaram como abelhas ao favo”. E “sobre minhas vestes tiraram sortes”. E como era na sua carne que ele devia revelar-se e sofrer, sua paixão foi revelada de antemão. De fato, o profeta diz a respeito de Israel: “Ai da vida deles! Pois conceberam um desejo mau contra si mesmos, dizendo: Amarremos o justo, porque ele nos incomoda”.

Nova criação:

Que lhes diz Moisés, outro profeta? “Eis o que diz o Senhor Deus: Entrai na terra boa, que o Senhor prometeu a Abraão, Isaque e Jacó. Tomai posse dessa terra, onde correm leite e mel.” O que diz a sabedoria? Aprendei: “Ponde vossa esperança em Jesus, que deve revelar-se a vós na carne”. Com efeito, o homem é terra que sofre, pois é da terra que Adão foi plasmado. Que significa: “Na terra boa, terra onde correm leite e mel”? Bendito seja nosso Senhor, irmãos, pois ele pôs em nós a sabedoria e o entendimento de seus segredos. Pois o profeta diz: “Quem poderá compreender uma parábola do Senhor, a não ser o sábio que conhece e ama o seu Senhor?” Depois de nos ter renovado com o perdão dos pecados, ele fez de nós um novo ser, de modo que tenhamos alma de criança, como se ele nos tivesse plasmado novamente. De fato, a Escritura fala a nosso respeito, quando ele diz ao Filho: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que eles dominem sobre os animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar”. E, vendo que nós éramos boa criação, o Senhor disse: “Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra”. Foi isso que ele disse ao Filho. Vou agora te mostrar como ele fala de nós. Ele realizou segunda criação nos últimos tempos. O Senhor diz: “Eis que faço as últimas coisas como as primeiras.” Nesse sentido, assim falou o profeta: “Entrai na terra onde correm leite e mel, e dominai-a”. Eis-nos, portanto, criados de novo, conforme o que ele diz ainda por outro profeta: “Eis”, diz o Senhor, “que arrancarei deles” – isto é, daqueles que o Espírito do Senhor via de antemão – “os corações de pedra, e implantarei neles corações de carne”. De fato, é na carne que ele devia manifestar-se e habitar em nós. Com efeito, meus irmãos, nossos corações assim habitados formam um templo santo para o Senhor. E o Senhor diz ainda: “Como me apresentarei diante do Senhor e serei glorificado”? Ele diz: “Celebrar-te-ei na assembléia de meus irmãos e cantarei teus louvores em meio à assembléia dos santos”. Portanto, somos nós que ele fez entrar na terra boa. E o que significam o “leite” e o “mel”? E porque a criança é nutrida primeiro com o mel e depois com o leite. Igualmente nós, alimentados pela fé na promessa e na palavra, vivemos dominando a terra. Ora, ele tinha dito antes: “Que eles cresçam, se multipliquem e dominem os peixes”. E quem pode hoje dominar as feras, ou os peixes, ou os pássaros do céu? Devemos compreender que dominar implica poder, a fim de que aquele que ordena possa dominar. Se hoje não é assim, ele nos disse o tempo: Quando formos perfeitos para sermos herdeiros da aliança do Senhor.

CAPÍTULO 7:

Jejum e o bode expiatório:

Compreendei, portanto, filhos da alegria, que o bom Senhor nos revelou tudo de antemão, para que saibamos a quem constantemente celebrar com ação de graças. Se o Filho de Deus, que é Senhor e julgará os vivos e os mortos, sofreu para nos dar a vida por meio de seus ferimentos, acreditamos que o Filho de Deus não podia sofrer, a não ser por causa de nós. Além disso, já crucificado, deram-lhe a beber vinagre e fel. Escutai como os sacerdotes do templo se expressaram sobre isso. O mandamento escrito dizia: “Quem não jejuar no dia do jejum, será condenado à morte”. O Senhor deu esse mandamento, porque também ele devia oferecer a si próprio pelos nossos pecados, como receptáculo do Espírito, em sacrifício, a fim de que fosse cumprida a prefiguração manifestada em Isaque, oferecido sobre o altar. O que diz ele por meio do profeta? “Que comam, durante o jejum, do bode oferecido por todos os pecados”. Notai bem: “E que todos os sacerdotes, e somente eles, comam as vísceras não lavadas com vinagre”. Por que isso? “Porque vós me fareis beber fel com vinagre, a mim que ofereci minha carne pelos pecados do meu novo povo. Somente vós comereis, enquanto o povo jejuará e se flagelará com pano de saco e cinza”. Isso era para mostrar que ele deveria sofrer na mão deles. Como ele ordenou? Prestai atenção: “Tomai dois bodes bonitos e iguais, e oferecei-os em sacrifício. Que o sacerdote tome o primeiro como holocausto pelos pecados.” E o que farão com o outro? Ele diz: “O outro é maldito.” Notai como a figura de Jesus é manifestada. “Cuspi todos nele, transpassai-o, coroai sua cabeça com lã escarlate e, desse modo, seja expulso para o deserto”. Feito isso, aquele que leva o bode o conduz ao deserto, tira-lhe a lã e a coloca sobre um arbusto chamado sarça, cujos frutos costumamos comer quando nos encontramos no campo. Somente os frutos da sarça são doces. O que significa isso? Prestai atenção: “O primeiro bode sobre o altar, o outro é maldito”. Justamente o maldito é que é coroado. É que eles o verão, naquele dia, trazendo sobre sua carne o manto escarlate, e dirão: “Não é este que outrora crucificamos, depois de o ter desprezado, transpassado e cuspido? Na verdade, era este que então se dizia Filho de Deus”. Qual a sua semelhança com aquele? São bodes “semelhantes”, “belos”, iguais, para que quando o virem então vir, fiquem espantados com a semelhança do bode. Eis, portanto, a figura de Jesus que devia sofrer. E por que se coloca a lã no meio dos espinhos? É uma figura de Jesus proposta para a Igreja: porque os espinhos são terríveis, aquele que quer pegar a lã escarlate deve sofrer muito, e deve apossar-se dela através da dor. Ele diz: “Dessa forma, aqueles que desejam ver-me e alcançar o meu Reino devem passar por tribulações e sofrimentos, para se apossar de mim”.

CAPÍTULO 8:

Sacrifício da novilha:

E que figura pensais que representa o mandamento dado a Israel: os homens que têm pecados consumados ofereçam a novilha, a imolem e, depois queimem? Além disso, as crianças deviam recolher as cinzas, colocá-las nos vasos, enrolar a lã escarlate num pedaço de madeira – de novo aqui a imagem da cruz e a lã escarlate – e o hissopo. E assim, as crianças deviam aspergir todos os membros do povo, para que ficassem purificados dos pecados. Reconhecei como ele vos fala com simplicidade: a novilha é Jesus; os pecadores que a oferecem são aqueles que o conduziram para ser imolado. Basta com esses homens! Basta com a glória dos pecadores! As crianças que fazem a aspersão são aqueles que nos anunciaram a remissão dos pecados e a purificação do coração. A eles foi conferida a autoridade de anunciar o Evangelho, e são doze para testemunhar às tribos, pois as tribos de Israel eram doze. E por que são três crianças que fazem a aspersão? Para testemunhar Abraão, Isaque e Jacó, que são grandes diante de Deus. E a lã sobre o madeiro? Ela significa que o Reino de Jesus está sobre o madeiro e os que nele esperam viverão para sempre. Contudo, por que se põem juntos a lã e o hissopo? Porque no seu Reino haverá dias maus e poluídos, durante os quais seremos salvos. Com efeito, é pelo respingo poluído do hissopo que se cura aquele cuja carne está doente. E por isso que esses acontecimentos são tão claros para nós, mas para eles tão obscuros, pois eles não ouviram a voz do Senhor.

CAPÍTULO 9:

A verdadeira circuncisão:

Circuncisão do ouvido:

De fato, é dos ouvidos que ele fala ainda, quando diz que circuncidou nossos ouvidos e nossos corações. O Senhor diz por meio do profeta: “Obedeceram-me com os ouvidos.” E diz ainda: “Os que estão longe escutarão com o ouvido e conhecerão o que eu fiz”. E mais: “Circuncidai vossos ouvidos, diz o Senhor.” E diz também: “Escuta, Israel, eis o que diz o Senhor teu Deus: Quem deseja viver para sempre? Que ele escute com o ouvido a voz do meu servo”. E diz ainda: “Escuta, ó céu; dá ouvidos, ó terra, pois o Senhor falou isso como testemunho”. E diz mais: “Escutai a palavra do Senhor, príncipes deste povo”. E diz ainda: “Filhos, escutai a voz que grita no deserto”. Ele, portanto, circuncidou nossos ouvidos, para que escutemos a palavra e creiamos.

Circuncisão do coração:

Contudo, a circuncisão, na qual eles depositavam confiança, foi rejeitada. De fato, ele dissera que a circuncisão não devia ser da carne, mas eles transgrediram, porque um anjo mau os enganou. Todavia, ele lhes diz: “Assim fala o Senhor vosso Deus” – é aí que encontro o mandamento – “Não semeeis entre os espinhos, mas circuncidai-vos para o vosso Senhor”. E o que diz ele? “Circuncidai a maldade do vosso coração”. E diz ainda: “Eis, diz o Senhor, que todas as nações têm o prepúcio incircunciso, mas este povo tem o coração incircunciso”.

Circuncisão de Abraão:

Vós, porém, direis: “O povo recebeu a circuncisão como selo”. Contudo, todos os sírios, os árabes e todos os sacerdotes dos ídolos também têm a circuncisão. Pertencem também eles à sua aliança? Até os egípcios praticam a circuncisão! Filhos do amor, aprendei mais particularmente estas coisas: Abraão, praticando por primeiro a circuncisão, circuncidava porque o Espírito dirigia profeticamente seu olhar para Jesus, dando-lhe o conhecimento das três letras. Com efeito, ele diz: “E Abraão circuncidou entre os homens de sua casa trezentos e dezoito homens”. Qual é, portanto, o conhecimento que lhe foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I, que vale dez, e H, que representa oito. Tens aí: IH(sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia trazer a graça, ele menciona também trezentos (= T). Portanto, ele designa claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira. Quem depositou em nós o dom do seu ensinamento sabe bem disto: Ninguém recebeu de mim ensinamento mais digno de fé. Sei, porém, que vós sois dignos.

CAPÍTULO 10:

Significado espiritual das prescrições alimentares:

Primeira formulação:

Moisés disse: “Não comereis porco, nem águia, nem gavião, nem corvo, nem peixe algum que não tenha escamas”. Porque ele tinha em mente três ensinamentos. Por fim, ele diz a eles no Deuteronômio: “Exporei a esse povo as minhas decisões”. A proibição de comer não é, portanto, mandamento de Deus, pois Moisés falava simbolicamente. Eis o significado do que ele diz sobre o “porco”. Não te ligarás a esses homens que se assemelham aos porcos; isto é, que quando vivem na abundância, se esquecem do Senhor; mas na necessidade reconhecem o Senhor. Assim é o porco: enquanto está comendo, ele não conhece seu dono; mas quando está com fome, ele grunhe e, uma vez tendo comido, volta a se calar. Ele diz: “Também não comerás a águia, nem o gavião, nem o milhafre, nem o corvo.” Isto é: não te ligarás, imitando-os, a esses homens que não sabem ganhar o alimento por meio do trabalho e do suor, mas que, em sua injustiça, arrebatam o bem alheio. Andam com ar inocente, mas espionam e observam a quem vão despojar por ambição. Eles são como essas aves, as únicas que não providenciam o alimento por si próprias, mas se empoleiram ociosamente, procurando a ocasião de se alimentar da carne dos outros. São verdadeiros flagelos por sua crueldade. Ele continua: “Não comerás moréia, nem polvo, nem molusco.” Isto é: não te assemelharás, ligando-te a esses homens que são radicalmente ímpios e já estão condenados à morte. O mesmo acontece com esses peixes: são os únicos amaldiçoados, que nadam nas profundezas, sem subirem como os outros; permanecem no fundo da terra, habitando o abismo.

Segunda formulação:

Também “não comerás a lebre.” Por que razão? Isso quer dizer: não serás pederasta, nem imitarás aqueles que são assim. Porque a lebre, a cada ano, multiplica seu ânus. Ela tem tantos orifícios quanto o número de seus anos. Também “não comerás a hiena”. Isso quer dizer: não serás nem adúltero, nem homossexual, e não te assemelharás àqueles que são assim. Por que razão? Porque esse animal muda de sexo todos os anos e torna se ora macho, ora fêmea. Ele odiou também “a doninha”. Muito bem! Não serás como aqueles que cometem, como se diz, iniqüidade com a boca por depravação, nem te ligarás a esses depravados que cometem iniqüidade com sua boca. De fato, esse mal se concebe pela boca. Moisés, tendo recebido tríplice ensinamento sobre os alimentos, usou linguagem simbólica. Eles, porém, o entenderam sobre os alimentos materiais, por causa do desejo carnal.

Davi confirma o ensinamento:

Davi recebeu o conhecimento desse mesmo ensinamento tríplice. Ele fala de forma semelhante: “Feliz o homem que não vai ao conselho dos ímpios”, como os peixes que se movem nas trevas para o fundo; “e que não pára no caminho dos pecadores”, como aqueles que aparentam temer ao Senhor, mas pecam como o porco; “e que não se assentou na cátedra da pestilência”, como as aves que se postam para a rapina. Aí tendes perfeitamente o que se refere à comida.

Conclusão:

Moisés, porém, disse: “Comei de todo animal que tem o casco fendido e que rumina.” O que ele quer dizer? Que (tal animal), quando recebe a comida, conhece aquele que o alimenta, e quando repousa, parece que se alegra com ele. Disse-o bem, considerando o mandamento. Que quer ele dizer? Vinculai-vos àqueles que temem o Senhor, que meditam no coração sobre o sentido exato da palavra que receberam, que ensinam e observam as decisões do Senhor, que sabem que a meditação é alegre exercício e que ruminam a palavra do Senhor. O que significa o “casco fendido”? É que o justo caminha neste mundo e espera o mundo santo. Vede como Moisés legislou bem! Mas, para eles, como é possível compreenderem ou entenderem essas coisas? Nós, tendo compreendido exatamente os mandamentos, os exprimimos como o Senhor desejou. Por isso, ele circuncidou nossos ouvi dos e nossos corações, para compreendermos essas coisas.

CAPÍTULO 11:

Profecias do Batismo e da Cruz:

A água:

Pesquisemos se o Senhor teve intenção de falar antecipadamente sobre a água e sobre a cruz. Quanto à água, está escrito que Israel não teria recebido o batismo que leva à remissão dos pecados, mas que eles próprios teriam constituído um. Com efeito, diz o profeta: “Pasma, ó céu, e que a terra trema ainda mais! Pois este povo cometeu mal duplo: eles me abandonaram, a mim que sou a fonte viva da água, e cavaram para si mesmos uma cisterna de morte. Por acaso, o Sinai, minha montanha santa, é rocha deserta? Vós sereis como os passarinhos que voam, quando se lhes tira o ninho”. E o profeta diz ainda: “Eu marcharei à tua frente, aplainarei as montanhas, quebrarei as portas de bronze, despedaçarei as trancas de ferro, e te darei tesouros secretos, escondidos, invisíveis, a fim de que saibam que eu sou o Senhor Deus. Tu habitarás numa caverna alta de rocha sólida, onde a água não falta nunca. Vereis o rei em sua glória e vossa alma meditará no temor do Senhor”.

A água e o madeiro:

Ele diz ainda por meio de outro profeta: “Quem assim age, será como a árvore plantada junto à corrente d’água, e que dá seu fruto no tempo certo. Sua folhagem não cairá; e tudo o que ele fizer terá sucesso. Não são assim os ímpios, não são assim. Eles são, antes, como a poeira que o vento espalha na face da terra. E por isso que os ímpios não se levantarão no julgamento, nem os pecadores no conselho dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá”. Notai que ele designa ao mesmo tempo a água e a cruz. Com efeito, ele quer dizer: “Felizes aqueles que, tendo lançado sua esperança na cruz, desceram para a água. Pois ele diz que o salário vem “no tempo certo”. Então, diz ele, eu retribuirei. Mas para hoje, ele diz: “Sua folhagem não cairá”. Isso significa que toda palavra de fé e amor que sair da vossa boca será para muitos causa de conversão e de esperança. E outro profeta diz ainda: “E a terra de Jacó era celebrada mais do que qualquer outra terra”. Isso quer dizer que ele glorifica o vaso do seu Espírito. O que diz ele a seguir? “Havia um rio que corria, vindo da direita, e árvores esplêndidas hauriam dele seu crescimento. Qualquer pessoa que delas comer, viverá eternamente”. Isso significa que descemos para a água carregados de pecados e poluição, mas subimos dela para dar frutos em nosso coração, tendo no Espírito o temor e a esperança em Jesus. “Quem comer deles viverá eternamente”, quer dizer: quem escutar, quando tais palavras são ditas, e crer nelas, viverá eternamente.

CAPÍTULO 12:

O madeiro:

Da mesma forma, é sobre a cruz que ele fala por meio de outro profeta: “Quando tais coisas se cumprirão? Diz o Senhor: Quando um madeiro for estendido no chão e depois novamente levantado, e quando o sangue gotejar do madeiro.” Eis que se fala de novo da cruz e daquele que seria crucificado. Ele ainda fala a Moisés, quando Israel é atacado pelos povos estrangeiros, para lembrar-lhes, nesse combate, que era pelos pecados deles que estavam sendo entregues à morte. Falando ao coração de Moisés, o Espírito lhe fez representar a figura da cruz e de quem sofreria, pois, diz ele, se não esperarem nele, serão eternamente atacados. Então Moisés amontoou as armas no meio do combate e, de pé, no lugar mais alto de todos, estendeu os braços, e assim Israel venceu novamente. Em seguida, cada vez. que os abaixava, os israelitas sucumbiam outra vez. Por quê? Para que soubessem que não podiam ser salvos, se não confiassem nele. Por meio de outro profeta, ele diz ainda: “O dia inteiro estendi meus braços para um povo desobediente e que se opõe ao meu justo caminho”. Outra vez ainda, no momento em que Israel sucumbia, Moisés fez prefiguração de Jesus, mostrando que ele devia sofrer, e justamente aquele que acreditavam estar morto na cruz, haveria de dar a vida. De fato, o Senhor fez com que todo tipo de serpentes os mordessem, e eles morriam, embora a serpente tenha sido para Eva o instrumento da desobediência. Ele queria assim convencê-los de que era por causa da desobediência deles que seriam entregues à tortura da morte. Finalmente, o próprio Moisés tinha ordenado: “Não tereis, como vosso deus, nenhuma imagem fundida ou esculpida.” Mas ele próprio fez uma serpente de bronze, colocou-a diante de todos, e convocou o povo. Quando se reuniram naquele lugar, suplicaram a Moisés que intercedesse pela cura deles. Moisés porém, lhes respondeu: “Quando alguém de vós for mordido, venha até à serpente fixada ao madeiro e creia com confiança. Crendo que essa serpente, embora morta, possa dar a vida, no mesmo instante será salvo”. Assim fizeram eles. Eis aqui de novo a glória de Jesus, porque tudo está nele e tudo é para ele.

Jesus, Filho de Deus:

Que diz ainda Moisés a respeito do profeta Josué, filho de Num, dando-lhe esse nome, somente para que todo o povo ouvisse que o Pai revela todas as coisas em torno de seu Filho Jesus? Enviando-o para explorar o país, depois de lhe ter dado esse nome, Moisés disse a Josué, filho de Num: “Toma em tuas mãos um livro e escreve o que diz o Senhor: Nos últimos dias, o Filho de Deus arrancará pelas raízes a casa de Amaleque”. Mais uma vez, eis que Jesus, manifestado em prefiguração carnal, não filho de homem, mas Filho de Deus. Porque diriam que o Cristo é filho de Davi, o próprio Davi, temendo e prevendo o erro dos pecadores, profetiza: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como estrado para teus pés”. Isaías também diz: “O Senhor disse ao Cristo, meu Senhor: Eu o tomei pela mão direita, para que as nações lhe obedeçam, e eu romperei a força dos reis”. Vede como Davi o chama Senhor, e não filho!

CAPÍTULO 13:

A Aliança:

Qual povo é o herdeiro?:

Vejamos agora qual é o povo que recebe a herança. Se este, ou se o primeiro. E a Aliança, é para nós, ou para aqueles? Escutai, então, o que diz a Escritura a respeito do povo: “Isaque rezava pela sua mulher Rebeca, que era estéril, e ela concebeu”. Depois: “Rebeca saiu para consultar o Senhor, e o Senhor lhe disse: Há duas nações em teu seio e dois povos em tuas entranhas. Um povo dominará o outro, e o mais velho servirá ao mais jovem”. Deveis compreender quem é Isaque e quem é Rebeca, e a quem se referia ao mostrar que este povo é maior do que aquele. Em outra profecia, Jacó se dirige mais claramente ainda a seu filho José, dizendo: “Eis que o Senhor não me privou de tua presença. Traze-me teus filhos, para que eu os abençoe”. Ele levou Efraim e Manasses, querendo que Manassés, o mais velho, recebesse a bênção. José o conduziu para a mão direita de seu pai Jacó. No entanto, Jacó viu em espírito a prefiguração do povo futuro. E o que disse ele? “E Jacó cruzou as mãos, e colocou a direita sobre a cabeça de Efraim, o segundo e o mais novo, e o abençoou. Então José disse a Jacó: ‘Desvia tua mão direita e coloca-a sobre a cabeça de Manassés, pois ele é o meu filho primogênito’. Então Jacó disse a José: ‘Eu sei, meu filho, eu sei. O mais velho servirá ao mais jovem, e é este que será abençoado’”. Vede a quem ele se referia ao decidir que este povo seria o primeiro e o herdeiro da Aliança. Se isso ainda nos é lembrado no caso de Abraão, então nosso conhecimento torna-se completo. O que é que ele diz então a Abraão, pelo fato de que somente ele tinha acreditado, e foi estabelecido na justiça? “Abraão, eis que eu te estabeleci como pai de nações que, embora incircuncisas, acreditam em Deus”.

CAPÍTULO 14:

A quem Deus dá sua Aliança?:

Muito bem. Porém vejamos: Pesquisemos, para ver se ele deu ao povo a Aliança que prometera – juramento a seus antepassados. Certamente ele a deu, mas eles não foram dignos de recebê-la, por causa de seus pecados. De fato, o profeta diz: “Moisés jejuou quarenta dias e quarenta noites no monte Sinai, para receber a Aliança do Senhor com o povo. E Moisés recebeu do Senhor as duas tábuas escritas em espírito pelo dedo da mão do Senhor. Moisés as tomou, e começou a descer, para levá-las ao povo. Então disse a Moisés o Senhor: ‘Moisés, Moisés, apressa-te a descer, pois teu povo, que fizeste sair da terra do Egito, pecou’. Moisés compreendeu que eles ainda tinham feito para si imagens de metal fundido. Então ele atirou de suas mãos as tábuas, e as tábuas da Aliança do Senhor se quebraram”. Moisés, portanto, a recebeu, mas eles não foram dignos dela. Aprendei como nós a recebemos. Moisés a recebeu como servo, mas o próprio Senhor, depois de sofrer por nós, no-la entregou como povo da herança. Ele apareceu, para que aqueles levassem ao máximo a medida dos pecados e nós recebêssemos a Aliança mediante o Senhor Jesus, o herdeiro. Jesus foi preparado por ocasião de sua manifestação, para libertar das trevas nossos corações já consumidos pela morte e entregues aos desvios da iniqüidade, e para estabelecer conosco uma Aliança com a palavra. De fato, está escrito que o Pai lhe ordenou libertar-nos das trevas, a fim de preparar para si um povo santo. Diz, portanto, o profeta: “Eu, o Senhor teu Deus, te chamei na justiça, e te tomarei pela mão e te fortificarei. Eu te coloquei como Aliança de um povo, como luz das nações, para abrir os olhos dos cegos, para libertar das cadeias os prisioneiros e da prisão aqueles que estão nas trevas”. Sabei, portanto, de onde fomos libertos! O profeta diz ainda: “Eis que eu te coloquei como luz das nações, a fim de que sirvas para a salvação, até os confins da terra. Assim diz o Senhor, o Deus que te libertou”. E o profeta diz ainda: “O Espírito do Senhor está sobre mim e, por isso, me ungiu para anunciar aos pobres o evangelho da graça. Ele me enviou para curar os corações quebrantados, para proclamar aos prisioneiros a liberdade e aos cegos a vista, para anunciar o ano favorável do Senhor e o dia da retribuição, para consolar todos os que choram.”

CAPÍTULO 15:

O Sábado de Deus:

Ainda, sobre o sábado, está escrito no Decálogo que Deus o entregou pessoalmente a Moisés sobre o monte Sinai: “Santificai o sábado do Senhor com mãos puras e coração puro”. Em outro lugar, ele diz: “Se meus filhos guardarem o sábado, então estenderei sobre eles a minha misericórdia”. Ele menciona o sábado no princípio da criação: “Em seis dias, Deus fez as obras de suas mãos e as terminou no sétimo dia, e nele descansou e o santificou”. Prestai atenção, filhos, sobre o que significa: “terminou no sétimo dia”. Isso significa que o Senhor consumará o universo em seis mil anos, pois um dia para ele significa mil anos. Ele próprio o atesta, dizendo: “Eis que um dia do Senhor será como mil anos.” Portanto, filhos, em “seis dias”, que são seis mil anos, o universo será consumado. “E ele descansou no sétimo dia”. Isso quer dizer que seu Filho, quando vier para pôr fim ao tempo do Iníquo, para julgar os ímpios e mudar o sol, a lua e as estrelas, então ele, de fato, repousará no sétimo dia. Por fim, ele diz: “Tu o santificarás com mãos puras e coração puro”. Contudo, se alguém atualmente pudesse santificar, de coração puro, esse dia que Deus santificou, então nós nos teríamos enganado completamente. Porém, se este agora não é o caso, ele o santificará verdadeiramente no repouso, quando nós formos capazes disso, isto é, quando tivermos sido justificados e tivermos recebido o objeto da promessa, quando não houver mais iniqüidade, e o Senhor tiver renovado tudo. Então, poderemos santificá-lo, tendo sido primeiro nós mesmos santificados. Ele finalmente lhes disse: “Não suporto vossas neomênias e vossos sábados”. Vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam, mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus.

CAPÍTULO 16:

O Templo:

No que se refere ao templo, eu vos direi ainda como esses infelizes extraviados puseram sua esperança num edifício, como se fosse a casa de Deus, e não no Deus deles, que os criou. Com efeito, quase como os pagãos, eles o consagraram no templo. Mas, como fala o Senhor, abolindo-o? Aprendei: “Quem mediu o céu com o palmo e a terra com a mão? Não fui eu? diz o Senhor: O céu é o meu trono e a terra é o estrado dos meus pés. Que casa construireis para mim, ou qual será o lugar do meu repouso”? Vede como era vã a esperança deles. Por fim, ele diz ainda: “Eis! aqueles que destruíram esse templo, eles mesmos o edificarão.” E o que está acontecendo. De fato, por causa da guerra deles, o templo foi destruído pelos inimigos. E agora, os mesmos servos dos inimigos o reconstruirão. Ele tinha igualmente revelado que a cidade, o templo e o povo de Israel seriam entregues. Com efeito, a Escritura diz: “Acontecerá no fim dos dias que o Senhor entregará à destruição as ovelhas do pasto, o aprisco e a sua torre”. E aconteceu conforme o Senhor tinha dito. Indaguemos se existe um templo de Deus. Sim, existe onde ele mesmo diz que o há de construir e aperfeiçoar. De fato, está escrito: “Quando a semana estiver terminada, será construído um templo de Deus, com esplendor, sobre o nome do Senhor”. Acho pois que existe um templo. E como ele “será construído sobre o nome do Senhor”? Aprendei: antes que acreditássemos em Deus, nossos corações eram uma habitação corruptível e frágil, exatamente como um templo construído por mão humana. Com efeito, estava cheio de idolatria e era casa de demônios pois todas as nossas ações se opunham a Deus. Contudo, “ele será construído sobre o nome do Senhor”. Estai atentos, para que o templo do Senhor seja construído “com esplendor”. De que modo? Aprendei: recebendo o perdão dos pecados e pondo nossa esperança no Nome, nós nos tornamos novos, recriados desde o princípio. É por isso que Deus habita verdadeiramente em nós, tornando-nos sua morada. Como? Pela sua palavra de fé, pelo chamado da sua promessa, pela sabedoria das suas leis, pelos mandamentos da doutrina, e ele próprio profetizando em nós, habitando em nós, abrindo para nós a porta do templo, que é a nossa boca, e dando-nos o arrependimento, ele nos introduz no templo incorruptível. De fato, quem deseja ser salvo não olha para o homem, mas para aquele que habita nele e fala por meio dele, maravilhado “Neomênias” é o primeiro dia do mês (lunar), a “lua nova” ou “neomênia”, era uma festa celebrada tanto entre os israelitas como entre os cananeus (cf. Lv 23,24; 1Sm 20,5.24; Is 13; Am 8,5). Como o sábado, a lua nova (neoménia) interrompia as transações comerciais de não ter ouvido as palavras daquele que fala através de uma boca humana, nem de ter desejado ouvi-las. Esse é o templo espiritual construído pelo Senhor.

CAPÍTULO 17:

Conclusão:

Eu vos expliquei essas coisas com a maior simplicidade possível, e espero não ter deixado nada de lado. Com efeito, se vos escrevesse sobre o presente ou o futuro, não compreenderíeis, pois isso permanece em parábolas.

PARTE MORAL:

CAPÍTULO 18:

Os Dois Caminhos:

Introdução:

Sobre esse assunto, chega. Passemos para outro tipo de conhecimento e ensinamento. Existem dois caminhos de ensinamento e autoridade: o da luz e o das trevas. A diferença entre os dois é grande. De fato, sobre um estão postados os anjos de Deus, portadores da luz; e sobre o outro, os anjos de satanás. Um é Senhor de eternidade em eternidade, o outro é príncipe do presente tempo da iniqüidade.

CAPÍTULO 19:

O caminho da luz:

Este é o caminho da luz: se alguém quer andar no caminho e chegar ao lugar determinado, que se esforce em suas obras. Eis, portanto, o conhecimento que nos foi dado para andar nesse caminho.

Ama aquele que te criou. Teme aquele que te formou. Glorifica aquele que te resgatou da morte. Sê simples de coração e rico de espírito. Não te ligues àqueles que andam no caminho da morte. Odeia tudo o que não é agradável a Deus. Odeia toda hipocrisia.

Não abandones os mandamentos do Senhor. Não te engrandeças a ti mesmo, mas sê humilde em todas as circunstâncias. Não te arrogues glória. Não planejes o mal contra o teu próximo. Não te entregues à insolência.

Não pratiques a prostituição, nem o adultério, nem a pederastia. Não divulgues a palavra de Deus entre pessoas impuras. Não faças diferença entre as pessoas, ao corrigir alguém por sua falta. Sê manso, tranquilo, respeitando as palavras que ouviste. Não sejas vingativo para com teu irmão.

Não fiques hesitando sobre o que vai ou não acontecer. Não tomes em vão o nome do Senhor. Ama o teu próximo mais do que a ti mesmo. Não mates a criança no seio da mãe, nem logo que ela tiver nascido. Não te descuides de teu filho ou de tua filha. Pelo contrário, dá-lhes instrução desde a infância no temor do Senhor.

Não cobices os bens do teu próximo. Não sejas avarento, não te juntes de coração com os grandes, mas conversa com os justos e pobres. Aceita como boas as coisas que te acontecem, sabendo que nada acontece sem o consentimento de Deus.

Não sejas dúplice no pensar e no falar, porque a duplicidade é armadilha mortal. Sê submisso a teus senhores, com respeito e reverência, como à imagem de Deus. Não dês ordens com rudeza ao teu servo ou à tua serva, pois eles esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus, que está acima de uns e de outros; com efeito, ele não vem chamar a pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou.

Compartilha tudo com o teu próximo, e não digas que são coisas tuas. Se estais unidos nas coisas incorruptíveis, tanto mais nas coisas corruptíveis. Não sejas loquaz, porque a boca é armadilha mortal. O quanto podes, sê puro com a tua alma.

Não sejas como os que estendem a mão na hora de receber, e a retiram na hora de dar. Ama, como a pupila do teu olho, todo aquele que te anuncia a palavra de Deus.

Lembra-te noite e dia, do dia do julgamento. A cada dia, procura a companhia dos santos. Empenha-te com a pregação, exortando e preocupando-te em salvar uma alma pela palavra, ou então em trabalhar com tuas mãos, para resgatar teus pecados.

Não hesites em dar, nem dês reclamando, pois sabes quem é o verdadeiro remunerador da tua recompensa. Guarda o que recebeste, sem nada acrescentar ou tirar. Odeia totalmente o mal. Julga de modo justo.

Não provoques divisão. Pelo contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Confessa os teus pecados. Não te apresentes em má consciência para a oração.

CAPÍTULO 20:

O caminho das trevas:

O caminho das trevas é tortuoso e cheio de maldições. De fato, em sua totalidade, ele é o caminho da morte eterna nos tormentos. Nele se encontram as coisas que arruínam a alma dos homens: idolatria, insolência, altivez do poder, hipocrisia, duplicidade de coração, adultério, homicídio, rapina, orgulho, transgressão, fraude, maldade, arrogância, feitiçaria, magia, avareza e ausência do temor de Deus. (São) os que perseguem os bons, odeiam a verdade, amam a mentira, ignoram a recompensa da justiça, não se ligam ao bem nem ao julgamento justo, não cuidam da viúva e do órfão, não vigiam para o temor de Deus, mas para o mal, afastam-se da mansidão e da paciência, amam as vaidades, correm atrás da recompensa, não têm misericórdia para com o pobre, recusam ajudar o oprimido, difamam facilmente, ignoram o seu Criador, matam crianças, corrompem a imagem de Deus, não se compadecem do necessitado, não se importam com os atribulados, defendem os ricos, são juízes injustos com os pobres, e, por fim, são pecadores consumados.

CAPÍTULO 21:

Conclusão:

É bom, portanto, aprender as sentenças do Senhor, que estão escritas, e a elas conformar o comportamento. Com efeito, aquele que as pratica será glorificado no Reino de Deus, mas aquele que escolher o outro (Caminho) perecerá com suas obras. Por isso, existe ressurreição, e por isso existe retribuição. A vós, que sois superiores, peço que aceitem um conselho da minha benevolência: Tendes no meio de vós pessoas para com as quais praticar o bem. Não deixem de o fazer. Está próximo o dia, no qual todas as coisas perecerão com o Maligno. Está próximo o Senhor, justo com a sua retribuição. Peço-vos ainda: sede bons legisladores para vós mesmos, permanecei fiéis conselheiros para vós mesmos, afastai de vós toda hipocrisia. O Deus, que reina sobre o mundo inteiro, vos dê sabedoria, inteligência, ciência, conhecimento de suas decisões, e perseverança. Deixai-vos instruir por Deus, procurando o que o Senhor quer de vós, e praticai-o, para que vos encontreis no dia do julgamento. Se vos recordais do bem, lembrai-vos de mim ao meditar sobre essas coisas. Desse modo, meu desejo e minha vigilância levarão a realizar algum bem. Peço-vos com insistência, como uma graça: enquanto o belo vaso ainda está convosco, não negligencieis nada das vossas coisas, mas buscai-as constantemente e cumpri todos os mandamentos, pois eles são dignos. Eis por que me esforcei em vos escrever, segundo minhas possibilidades. Eu vos saúdo, filhos do amor e da paz. Que o Senhor da glória e de toda graça esteja com vosso espírito.

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Fonte: http://agnusdei.50webs.com/barnabe1.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/carta-de-barnabe/

O Ato Principal na Magia

Texto original de IAO131
Tradução Mago Implacável

A Vontade é o movimento dinâmico do Ser, e este Ser tem “não tens direito senão fazer a tua vontade”.(AL I: 42). A maioria de nós vive em um estado de escuridão: ignoramos quem realmente somos e não estamos em contato com a nossa Vontade. Golpeados por pensamentos, emoções e circunstâncias, podemos ser como um barco à deriva, sem um rumo no mar. Na verdade, somos todos assim até certo ponto, em alguns momento mais do que em outros, mas, indubitavelmente todos nós estivemos “vagando na escuridão”, como é dito na cerimônia de iniciação de Neófito da Golden Dawn.

Embora nem todos os indivíduos sejam chamados ao Caminho de empenho a fazer a sua Vontade, há aqueles de nós – provavelmente incluindo você se você está tendo tempo para ler isto – que percebe que há algo mais na vida do que simplesmente ser uma vítima das circunstâncias, de simplesmente comer, trabalhar, dormir, e depois morrer. Há um propósito maior à espera, uma maneira mais plena de viver: existe a possibilidade da Luz.

Magia é a Ciência e Arte de causar Mudanças em conformidade com Vontade. Isto significa que Magia é essencialmente a ciência e a arte da Vida. Aqueles de nós que são chamados ao Caminho nos engajamos com alguma forma de Magia, a fim de tentar encontrar a Luz da Vontade, seja por meio da meditação, ritual, ou qualquer outra coisa. Ninguém iria se envolver em nenhuma forma de Magia se não acreditasse na possibilidade de melhorar a si mesmo e sua vida; o próprio ato implica um desejo consciente de mudar. Como percebemos a possibilidade da Luz e não queremos viver na escuridão, a forma mais básica de Magia envolve alterar a nossa forma de agir no mundo, tentando tornar-se mais consciente e intencional na maneira como nos relacionamos com as circunstâncias. Ou seja, nós não queremos apenas tropeçar pelo mundo através da escuridão; queremos a luz e a liberdade da intenção consciente. Isso envolve, de uma forma ou de outra, a disciplina de não reagir às coisas de formas típicas, condicionadas e habituais. Nós – por exemplo – tentamos comer melhor, pensar de maneiras diferentes e originais, não nos deixar levar pelas emoções arbitrárias e não seguir todos os caprichos e desejos que nos atravessam. Fazemos essas coisas quando nos lembramos de fazê-las, e nós falhamos quando nos esquecemos de nós mesmos e do nosso Caminho.

Este é, então, o ato primário da Magia: lembrar. Se você não se lembra de fazer alguma coisa, você não irá fazê-lo, independentemente de você ter a força e a habilidade para realizá-la ou não. Por exemplo, se você está tentando não insultar as pessoas por raiva, há duas possibilidades: ou você vai esquecer e, com raiva, insultar alguém novamente ou você vai se sentir irritado e vai se lembrar do seu Caminho. Só aí a possibilidade de mudança se abre para você. Sua disciplina permite a possibilidade de escolha: sem se lembrar, você simplesmente reage da forma habitual. Lembrar é a possibilidade da liberdade, e o esquecimento é se resignar à escravidão.

A coisa mais importante a se lembrar é de quem você realmente é. Então, quem é você realmente? Você não é o material físico do seu corpo, os pensamentos que passam por sua mente, as emoções que se acumulam ou seus desejos. Você não é sua personalidade ou sua carreira ou seus bens. Na linguagem do Hermetismo, não se é os quatro Elementos: você é Espírito. Você é a própria Luz da consciência, o “Khabs” ou estrela, e todo os aspectos da experiência são apenas “a dança do Véu da Vida sobre a Face do Espírito” (Liber XV). Na verdade, você é para além da consciência. A consciência é simplesmente o veículo da expressão daquilo que você realmente é: Ilimitado. Chame-o de infinito, Deus, Dharmakaya, o Absoluto, True Self (Eu Verdadeiro), Atman, a Verdade ou qualquer outra coisa que você gosta, mas isso é, em última análise, o que somos. Isto é o que todo místico, iogue e Buda que já viveu tentou expressar e também é isso o que Thelema expressa.

De certo modo, O Livro da Lei é um texto que diz para você lembrar de quem você realmente é. Crowley escreveu: “Há muitas injunções éticas de um caráter revolucionário no Livro, mas elas são todas casos particulares do preceito geral, que é o absoluto despertar de sua Cabeça-Deus(*) e para agir com a nobreza que brota deste conhecimento. Praticamente todos os vícios nascem da falha em de fazer isso” (Confissões).

Bem, o que O Livro da Lei tem a dizer sobre o lembrar? Há duas instâncias da palavra “lembrar” e ambas dizem essencialmente a mesma coisa: Lembre-se que você é Hadit. No segundo capítulo, onde Hadit é o orador, é dito : “Mas lembra-te, ó escolhido, de ser Eu; de seguir o amor de Nu no céu iluminado de estrelas; de olhar pelos homens, de dizer a eles esta palavra feliz.” (AL II: 76). Lembre-se de ser Eu, de ser Hadit. Você é a vontade de vida inesgotável, procriativa, a expressão de Energia através de Possibilidades, o “amor de Nu”. A partir desta perspectiva (de) Hadit, toda experiência é um sacramento, um cumprimento da união de Hadit com uma das infinitas possibilidades de Nuit. Onde estão suas pequenas brigas, seus ressentimentos e seus medos quando você se lembra de que é Hadit? “Tu falhaste? Tu lamentas? Existe medo no teu coração? Onde Eu estou estes não estão.” (AL II: 46-47).

Ainda no segundo capítulo, o livro diz, “Lembrai todos vós que a existência é puro prazer; que todas as tristezas são nada mais que sombras; elas passam e pronto; mas existe aquilo que permanece”. (AL II: 9). Se você se lembrar de que é Hadit, você vai saber naturalmente que a existência é pura alegria: se você for Tudo(Todo), então cada Evento é o cumprimento da sua Vontade, cada Experiência é uma nova nota na música de sua arrebatadora canção de amor para Nuit . Na medida em que nos identificamos com aquelas coisas que passam e terminam, caímos novamente na escuridão, nos tornarmos sombras e a tristeza será, naturalmente, a nossa sina. Crowley escreveu: ” Pois em cada Homem sua Luz Íntima é o coração de sua Estrela. Isto é, Hadit; e o Trabalho dele é o de Identificar-se com esta Luz “(Liber Aleph).

Este é o ato principal da Magia, o alicerce sobre o qual todos os outros atos devem basear-se: Lembre-se.

Link original: https://iao131.com/2014/03/27/the-primary-act-of-magick/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ato-principal-na-magia

O Manuscrito de Mathers

O manuscrito Mathers, como a Steganographie e o manuscrito Voynich, está em código. Mas tem o bom gosto de estar em código de dupla transposição relativamente simples, o que permitiu us decifração rapidamente. Vi muitas folhas dessa decifração que me pareceu correta. Essa decifração mostra a aventura oculta mais extraordinária de nossa época, a da Ordem Golden Dawn.

Mostra, também, a redação de um conjunto de documentos mágicos, logo malditos, que, pelo que sei, nunca foi publicado, mas que já provocou muitas catástrofes.

Comecemos do início.

Um clérigo inglês, Rev. A. F. A. Woodford, passeava em Londres, ao longo da Farrington Street. Entrou na loja de um vendedor de livros de ocasião e aí encontrou manuscritos cifrados e uma carta em alemão. Isto se passou em 1880. O Rev. Woodford começou lendo a carta em alemão. Essa carta dizia que aquele que decifrasse o manuscrito podia comunicar-se com a sociedade secreta alemã Sapiens Donabitur Astris (S. D. A.), através de uma mulher, Anna Sprengel. Outras informações lhe seriam, então, comunicadas se ele fosse digno delas.

O Rev. Woodford, maçon e Rosa-Cruz, falou de sua descoberta a dois de seus amigos, o Dr. Woodman e o Dr. Winn Westcott, todos os dois eruditos eminentes e, além do mais, cabalistas. Ocupavam postos elevados na maçonaria. O Dr. Winn Westcott era “coroner”, posto jurídico muito conhecido dos leitores de romances policiais ingleses. Um “coroner” desempenha ao mesmo tempo o cargo de médico legista e de juiz de instrução. Em caso de morte suspeita, reunia um júri que pronunciava um veredicto, podendo, eventualmente, haver intervenção da justiça e da polícia. Um desses seus veredictos foi célebre no século XIX; o júri concluíra que um desconhecido encontrado morto num parque londrino havia sido assassinado “por pessoas ou coisas desconhecidas”. Seria bom poder afirmar que foi o Dr. Westcott quem redigiu esse veredicto, e de forma verdadeiramente estranha. Não podemos, no entanto, provar, isso, mas veremos, mais tarde, que o Dr. Westcott perdeu seu posto em circunstâncias singulares.

Em todo caso, Woodman e Westcott ouviram falar da Sapiens Donabitur Astris. Trata-se de uma sociedade secreta alemã composta sobretudo de alquimistas. Essa sociedade, graças aos medicamentos de alquimia, salvou a vida de Goethe que os médicos comuns haviam desistido de curar.

O fato é perfeitamente conhecido e a Universidade de Oxford publicou um livro: “Goethe, o Alquimista”. A SDA parece existir ainda em nossos dias; estava ligada aos “círculos cósmicos” organizados por Stephan George, que combateram Hitler. O Conde von Stauffenberg, organizador do atentado de 20 de julho de 1944, fazia parte desses círculos cósmicos. O último representante conhecido da SDA foi o Barão Alexander von Bernus, morto recentemente.

Westcott e Woodman decifraram facilmente o manuscrito e escreveram à Anna Sprengel. Receberam instruções para prosseguir nos trabalhos. Foram auxiliados por um outro maçon, um personagem indeterminado, de nome Samuel Liddell Mathers, casado com a irmã de Henri Bérgson. Era um homem de cultura espantosa, mas de idéias muito vagas. Redigiu o conjunto inédito dos “rituais Mathers”. Tais rituais se compõem de extratos do documento alemão original, de outros documentos de posse de Mathers, e mensagens recebidas pela Srª Mathers, pela clarividência. O conjunto foi submetido à SDA na Alemanha que autorizou o pequeno grupo inglês a fundar uma sociedade oculta exterior, isto é, aberta. A sociedade chamou-se Order of the Golden Dawn in the Outher: Ordem da Aurora Dourada no Exterior. Em 1º de março de 1888, essa autorização foi dada a Woodman, Mac Gregor Mathers e ao Dr. Westcott. Samuel Liddell Mathers acrescenta ao seu nome o título de Conde de mac Gregor, e anuncia que é a reencarnação de uma boa meia dúzia de nobres e de magos escoceses.

Em 1889, o nascimento dessa sociedade foi anunciado oficialmente. É interessante notar que foi a única vez no século XIX, assim como no século XX, que uma autoridade esotérica qualificada, a SDA, dá uma autorização para fundar uma sociedade exterior. Tal autorização nunca foi dada novamente, e não aconselho ninguém a lançar uma sociedade desse gênero sem autorização: isto seria atrair os mais sérios inimigos.

Após a morte, ao que tudo indica natural, do Dr. Woodman, a Ordem foi dirigida por Westcott e Mathers. Em 1897, Wescott teve a infelicidade de esquecer, dentro de um táxi, documentos internos sobre a Ordem. Tais documentos acabaram na polícia que não achou recomendável um “coroner” se ocupara de tais atividades, pois poderia ficar tentado a utilizar os cadáveres que são postos à sua disposição, para operações de necromancia. Westcott demitiu-se da Ordem, achando isto preferível.

A sociedade começou a se desenvolver e atraiu homens de inteligência e cultura indiscutíveis. Citemos Yeats, que deveria obter o prêmio Nobel de Literatura, Arthur Machen, Algernon Blackwood, Sax Rohmer, o historiador A. E. Waite, a célebre atriz Florence Farr e outros. Os melhores espíritos da época, na Inglaterra, faziam parte da Golden Dawn. O centro ficava em Londres. Seu chefe, o Imperador, era W. B. Yeats.

Havia outros centros na província inglesa, e em Paris, onde Mathers passa a residir, de preferência.

A ordem tem dois níveis:

– O primeiro, dividido em nove degraus, onde se ensina;

– O segundo, sem degraus nem graus, onde se pesquisa.

O ensinamento diz respeito à linguagem enoquiana de John Dee, cuja tradução é dada desde o primeiro grau do primeiro nível. Infelizmente, tais traduções foram destruídas ou escondidas. Não resta senão textos em enoquiano, particularmente um texto que permite ficar invisível: “Ol sonuf vaorsag goho iad balt, lonsh calz vonpho. Sobra Z-ol ror I ta nazps”. Isto não se parece com nenhuma língua conhecida. Parece que se recita corretamente tal ritual, é-se envolto por uma elipsóide de invisibilidade a uma distância média de 45 centímetros do corpo. Não vejo objeção.

O ensinamento era em língua enoquiana; sobre alquimia, e sobretudo sobre a dominação de si mesmo.

Desde o segundo degrau do primeiro nível, o candidato era tratado de maneira a eliminar todos os seus males mentais e todas as suas fraquezas. Conhecem-se cinqüenta tratamentos desse tipo que parecem ter bons efeitos.

Durante cinco ou seis anos, a Ordem deu satisfações a todo mundo, e todos que dela participavam dizem que mentalmente ficaram enriquecidos. Depois Mathers se pôs a fazer das suas. Em 29 de outubro de 1896, publicou um manifesto afirmando que existia um terceiro nível na Ordem. O terceiro nível era, segundo ele, constituído de seres sobre-humanos, dos quais dizia:

“Creio, no que me concerne, que eles são humanos e que vivem nesta terra. Mas possuem espantosos poderes sobre-humanos. Quando os encontro em lugares freqüentados, nada em suas aparências ou vestimentas os separa do homem comum, salvo a sensação de saúde transcendente e de vigor físico.

Em outros termos, a aparência física que deve dar, segundo a tradição, a posse do elixir da longa vida. Ao contrário, quando os encontro em lugares inacessíveis ao exterior, trajam roupas simbólicas e as insígnias de suas ordens.”

Evidentemente, pode-se pensar diversamente quanto ao conteúdo desse manifesto, e perceber a loucura de Mathers, mas é preciso pensar que ele talvez não estivesse mentindo. Tudo o que se pode dizer é que seria muito melhor que ele se calasse. De um lado, foi a partir daí sujeito a uma perseguição que o conduziu à morte em 1917. De outro lado, seu manifesto atraiu pessoas pouco recomendáveis à sociedade, como o célebre Aleister Crowley.

Personagem sinistro e sem dúvida megalomaníaco, em todo caso, delirante, Crowley apareceu um belo dia de 1900 na Loja de Londres. Trazia uma máscara negra e um costume escocês. Declarou ser enviado de Mathers, designado para dirigir a Loja de Londres. A reação foi violenta. Yeats, Imperador da Loja, depôs Mathers e expulsou Crowley. A. E. Waite pôs em dúvida a existência do terceiro nível e de superiores desconhecidos.

Em 1903, Waite e um certo número de amigos demitiram-se e constituíram uma outra ordem chamada igualmente Golden Dawn. Essa ordem se manteve até 1915, depois desapareceu. O restante dos membros da Golden Dawn continuaram até 1915, depois Yeats, Arthur Manchen e Winn Westcott se demitiram.

A ordem continuou bem ou mal sob a direção de um tal Dr. Felkin, depois caiu no esquecimento e se extinguiu. Assim terminou o que Yeats chamara de “a primeira revolta da alma contra o intelecto, mas não a última”. Parece que Mathers retirou o conjunto de rituais que permitiram reproduzir certos fenômenos. Todas as tentativas para publicá-los foram interrompidas, pois os manuscritos pegavam fogo ou ele mesmo caía doente. Morreu em 1917 completamente alquebrado. Alguns dizem que Crowley foi seu principal perseguidor, mas Crowley pareceu, com efeito, ser apenas um megalomaníaco bem pouco perigoso.

Se o conjunto de rituais de Mathers desapareceu, um certo número de rituais ou de trabalhos feitos pela Golden Dawn foi publicado. Notadamente, em quatro volumes, nos Estados Unidos, pelo Dr. Israel Regardie, e no início do ano de 1971, “The Golden Dawn its inner teachings” de R. G. Torrens BA (editor Neville Spearman, Londres).

Esse último livro tem a dupla vantagem de ser escrito de maneira racional e de dar, ao fim de cada capítulo – e ele tem quarenta e oito – uma biblioteca breve e precisa.

Por outro lado, possui-se muitos testemunhos sobre a Golden Dawn.

É possível chegar à uma conclusão. O que choca, desde logo, é um notável nível de inteligência e cultura da maioria de seus participantes. A Golden Dawn contava não somente com grandes escritores, mas também com físicos, matemáticos, peritos militares, médicos. O que é certo é que todos os que passaram pela experiência da Golden Dawn de lá saíram enriquecidos. Todos insistiram sobre o embelezamento de suas vidas, nova plenitude, senso e beleza que a Golden Dawn lhes deu.

Gustav Meyrinck escreveu: “Sabemos que existe um despertar do eu imortal.”

Parece certo que a Golden Dawn sabia provocar esse despertar, e que ela realizara esse sonho eterno dos alquimistas, dos gnósticos, dos cabalistas e dos Rosa-Cruzes, para citar apenas algumas direções de procura: a transmutação do próprio homem.

Qualquer que seja o ceticismo que se possa manifestar a respeito da magia – e meu ceticismo pessoal é bastante considerável – não resta dúvida de que a Golden Dawn chegou a uma experiência mágica melhor do que qualquer outra na história da humanidade, de nosso conhecimento. Não somente logrou conseguí-la, mas ainda foi capaz de ensiná-la.

Durante milênios o homem sonhou um estado de consciência mais desperto que seu próprio despertar. A Golden Dawn chegou a isso. O que parece não tão certo, mas pelo menos provável, foi que a Golden Dawn chegou a traduzir o alfabeto enoquiano de John Dee, e que seus dirigentes leram a obra de John Dee, a de Trithème e, talvez, o manuscrito Voynich, se é que possuíam uma cópia. Isto não é de todo impossível, pois John Dee fez muitas.

Isto admitido, a questão evidente é saber-se porque um tal acúmulo de conhecimentos e de poder não chegou a constituir uma verdadeira central de energia, uma cidadela fulgurante que teria dominado o século XX. É certo que a Golden Dawn suscitou hostilidades, mas é certo também que ela se decompôs internamente antes de sua destruição externa.

Quis-se atirar a responsabilidade dessa destruição sobre Aleister Crowley. Que este pretenso mágico era um louco varrido, é indiscutível. Além de sua loucura, que era constituída por um tipo clássico de delírio sexual, Crowley tinha o dom extraordinário de meter-se em histórias incríveis. Durante a Primeira Guerra Mundial, colocou-se ao lado da Alemanha, denunciando, violentamente, a Inglaterra. Alguns pretendem que foi ele quem, através de informações fornecidas aos serviços secretos alemães, permitiu que um submarino colhesse o transatlântico Lusitânia, cujo torpedeamento fez com que os Estados Unidos entrassem na guerra. Crowley teve um certo número de inimigo nos Estados Unidos e partiu para Sicília, onde criou uma abadia em Cefalu (atualmente, tal lugar é uma vila do clube Mediterrâneo).

Um incidente deplorável aconteceu na abadia de Crowley. Um poeta oxfordiano, chamado Raul Loveday, bebeu, durante uma cerimônia de missa negra, o sangue de um gato, e morreu instantaneamente, o que não estava previsto. Sua viúva fez um escândalo, e sob pressão da imprensa Crowley foi expulso da Sicília em 1923.

Em seguida, viveu na Inglaterra onde tentou processar a imprensa por difamação. Os juízes decidiram que Crowley era o personagem mais detestável, que jamais haviam encontrado antes, e recusaram conceder-lhe um centavo sequer de perdas e danos morais. Caiu, em seguida, numa miséria profunda, para morrer numa pensão de família, em Hastings, em 1947. a impressão que se depreende de sua vida e obra, é a de um infeliz que poderia perfeitamente receber cuidados, e não a de um personagem perigoso. Crowley não era, aliás, o único escroque nas mãos dos quais Mathers caiu.

Por volta de 1900, foi vítima de uma dupla chamada Horos, que se dizia representante de Superiores desconhecidos, e que foi condenada, no ano seguinte, como escroques, simplesmente. A Golden Dawn foi, então, bastante mencionada na imprensa, e isto deve ter provocado certas demissões.

A imprensa ocupou-se, igualmente, da Golden Dawn em 1910, quando Mathers tentou impedir a saída do jornal de Crowley, Equinox, que publicava, sem autorização, rituais da Golden Dawn. Um tribunal inglês decidiu sobre o caso e o número do jornal apareceu.

O que, evidentemente, não melhorou o prestígio de Mathers; numerosos foram os que observaram que se Mathers realmente tinha poderes, poderia exterminar Crowley, ou que se Crowley os tivesse, poderia exterminar Mathers. Conhecem-se, aliás, muitos exemplos modernos de duelos de feiticeiros que não dão, geralmente, bons resultados. É certo que a ingenuidade de Mathers o prejudicou, mas não parece ser essa a causa principal do declínio da Golden Dawn.

Segundo o que pude recolher, a partir de fontes pessoais, o exercício de um certo número de poderes, e notadamente da clarividência, tornou-se uma verdadeira droga para os membros da Ordem, e desde 1905 toda espécie de pesquisa havia cessado. Parece-me que é nisto que devemos buscar a causa do mau êxito dessa aventura que poderia ter sido mais extraordinária ainda do que foi.

As diversas sociedades secundárias fundadas por dissidentes, sem autorização, como a Stella Matutina, fundada pelo Dr. Felkin, a Sociedade da Luz Interior, fundada pelo escritor Dion Fortune, pseudônimo de Mme. Violette Firth, não parecem ter prosperado.

Essa última sociedade ainda existe ainda, e Mme. Firth escreveu novelas e romances muito interessantes.

Para ser mais completo, é necessário dizer que a Golden Dawn tinha elementos cristãos em seus seio, pertencentes à Igreja Católica anglicana, notadamente o grande escritor Charles Williams, autor de “A guerra do Graal”, e o místico Evelyn Underhill.

Certos documentos da Golden Dawn dizem respeito ao esoterismo cristão e são considerados, por especialistas no campo, como extremamente sérios.

Restam, de outro lado, as obras místicas ou traduções de Mathers: A Kabala (1889), Salomão, o Rei (1889), A Magia Sagrada de Abramelin (1898). Este último livro é tradução de um manuscrito que Mathers encontrou na Biblioteca do Arsenal, verdadeira mina de documentos estranhos. Um texto bastante completo foi editado recentemente em Paris, por volta de 1962.

Temos à nossa disposição uma quantidade de elementos muito interessantes, mas o que nos falta é o ritual completo de Mathers. Esse ritual devia ser o cômputo dos livros malditos, resumindo a maior parte desses livros e abrindo as portas a todos os fatos extraordinários. Que Mathers realizou, dessa forma, uma espécie de consciência superior que ele interpretou como um contato com Superiores desconhecidos não me parece absurdo. Que tenha havido perseguição a Mathers, também não é tão espantoso.

Entretanto, toda essa história se passa em nossa época, e Mathers dispunha da fotografia. Não é impossível que tenha tirado um bom número de fotos e que elas não tenham sido todas destruídas. Em 1967, pensou-se ter achado os rituais do Mathers. Naquele ano, uma colina às margens do Canal da Mancha deslizou, minada pelas águas, e objetos provindo da Golden Dawn, que aí haviam sido enterrados, foram tragados pelo mar. Infelizmente, o exame desses objetos provou que se tratava de instrumentos de trabalho e textos de lições, assim como notas tomadas ao curso de exposições. Nenhum documento vinha de Mathers.

Discutiram-se muito as influências que se exerceram nas redações de diversos cursos da Golden Dawn. Notamos, já, influências cristãs. Encontra-se, também, e sem dúvida introduzidas por Yeats, idéias de Blake. Encontra-se grande número de referências à Kabala, que provém visivelmente dos estudos de Mathers.

O que não se encontra é a tradução da língua enoquiana em linguagem corrente e sua aplicação às experiências. O termo enoquiano, ele próprio, é curioso. Os diversos Livros de Enoch são relativamente recentes e contam as viagens miraculosas do profeta Enoch a outros planetas, e mesmo a outros universos. Encontram-se edições que datam de 1883 e 1896.

A linguagem enoquiana de John Dee é uma outra história. Dee conhecia a lenda de Enoch, levado a outros planetas por uma criatura luminosa, e deu o nome de linguagem enoquiana à linguagem da criatura luminosa que lhe apareceu. Mas não existe o Livro de Enoch contemporâneo à Bíblia, como certos ingênuos crêem. Não há razões sérias para se crer que os dois livros de Enoch datem dos gnósticos. Mesmo em estado de manuscrito, não aparece antes do século XVIII.

Algumas testemunhas sobreviventes da Golden Dawn contam, com relação à linguagem enoquiana, coisas muito curiosas que não se é obrigado a crer. Falam, por exemplo, de um jogo, As Peças de Xadrez Enoquianas, um jogo semelhante ao xadrez, mas onde as peças assemelhavam-se aos deuses egípcios. Jogava-se com um adversário invisível, as peças colocadas numa metade do tabuleiro especial, movimentando-se sozinhas.

Mesmo que se descrevesse tal experiência como um tipo de escrita automática ou de telecinesia, ela tem uma certa beleza poética. Tudo nos faz lamentar ainda mais a desaparição dos rituais Mathers.

Tudo o que se pode esperar é que a desaparição não seja definitiva. Se Mathers tomou suas precauções, deve ter dissimulado em Londres ou em Paris jogos de fotografias que, um dia, reaparecerão. A menos que a misteriosa sociedade alemã SDA não se manifeste.

Alexandre Von Bernus, na Alquimia e Medicina, parece indicar que essa sociedade não está morta. Tal era, igualmente, a opinião de meu falecido amigo Henri Hunwald, que era o homem da Europa que conhecia melhor esse tipo de problema. Talvez um dia, uma nova autorização para fundar uma sociedade exterior seja dada.

por Jacques Bergier

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-manuscrito-de-mathers/

Breve Introdução À Quimbanda

A lei de Quimbanda tem um chefe supremo, a quem chamam de “Maioral da Lei de Quimbanda”, entidade esta que se entende diretamente com os chefes das Sete Linhas da Lei de Umbanda, aos quais presta obediência, recebendo e acatando ordens de São Miguel Arcanjo, por intermédio deles.

Divide-se a Lei de Quiumbanda da mesma forma que a Lei de Umbanda, isto é em Sete Linhas e as subdivisões também são feitas de modo igual à outra. E desta forma temos:

– Linha das Almas, Chefe Omulum, povo dos cemitérios.
– Linha dos Caveiras, Chefe João Caveira
– Linha de Nagô, Chefe Gererê, povo de Ganga (Encruzilhadas)
– Linha de Malei, Chefe Exú Rei, povo de Exú (Encruzilhadas)
– Linha de Mossurubi, Chefe Caminaloá, Selvagens africanos (zulús, cafes)
– Linha de Caboclos Quimbandeiros, Chefe Pantera Negra, Selvagens Americanos
– Linha Mista, Chefe Exú da Campina ou  Exú dos Rios, Composta de espíritos de várias raças

Os espíritos desta ultima linha (Mista), se comprazem na prática do mal, como todos os componentes das outras linhas, porém, agem indiretamente, isto é, arregimentam espíritos sofredores, desconhecedores do estado espiritual em que se encontram, para colocá-los junto da pessoa ou grupo de pessoas a quem desejam fazer o mal, provocando assim, no indivíduo, moléstias diversas, pelo contato fluídico desses espíritos com o perispírito da vítima. Geralmente, verifica-se que o espírito atuante transmite às vítimas as moléstias de que era portador, quando ainda preso a matéria, na Terra.

Os espíritos das outras Linhas da Lei de Quimbanda são astutos, egoístas, sagazes, persistentes, interesseiros, vingativos, etc.; porém, agem diretamente e se orgulham das “vitórias” obtidas. Muitas vezes praticam o bem e o mal, a troco de presentes nas encruzilhadas, nos cemitérios, nas matas, no mar, nos rios, nas pedreiras e nas campinas.

Os médiuns de Magia Negra são também interesseiros e só trabalham a troco de dinheiro ou de presentes de algum valor.

Entre todos os espíritos Quimbandeiros, os mais conhecidos, são os Exús, porque os exércitos deles são enormes e poderosos. Agem em todos os setores da vida na Terra e, dessa forma, são conhecidos os nomes de muitos chefes de Falanges e Legiões.

Ex: Exú Veludo, Exú Tiriri, Exú Mirim, Exú da Campina, Pombo-Gira, etc.

Todos os espíritos da lei de Quimbanda possuem luz vermelha sendo que o chamado “Maioral”, possui uma irradiação de luz vermelha tão forte que nenhum de nós suportaria sua aproximação.

Existe a necessidade da existência desses espíritos quimbandeiros. É através deles que pagamos nossas faltas, sofrendo a consequência de nossas maldades e erros. São eles portanto, os agentes incumbidos de concorrer para as nossas provações, consoante as faltas do passado, ou mesmo do presente. São os Senhores do Carma.

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Fonte:

SOCIEDADE ESPIRITUALISTA MATA VIRGEM. “Quimbanda”. In. Outras Religiões Afro-Brasileiras. Curso de Umbanda.

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Texto revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/breve-introducao-a-quimbanda/

Hecate – Druidas, Oráculos e Allan Kardec

Publicada no S&H dia 20/jun/2008,

“Três deveres de um druida:
– curar a si mesmo;
– curar a comunidade;
– curar a Terra.
Pois se assim não fizer, não poderá ser chamado de druida”.
(Tríades da Ilha da Bretanha)

Durante nossas matérias anteriores, falamos sobre Matrix, o Plano Astral e as diversas maneiras de se interagir com a esfera de Yesod, o estado de consciência representado pelo Mundo Subterrâneo nas antigas mitologias. Falamos sobre os Psychopompos (os famosos “condutores de almas”) das mitologias antigas e o que eles realmente representam e finalmente fizemos cinco anotações em nossos cadernos, que passaremos a decifrar nesta coluna.
Semana passada falamos sobre Thanatos, deus dos mortos, e sua relação com o Astral. Continuando a linha de raciocínio, falaremos hoje sobre Hecate, a deusa tríplice, representação da mediunidade.

Hecate
Hecate (ou Hécate) é uma divindade grega, filha dos titãs Perses e Astéria. A origem de seu nome se deve à palavra egípcia Hekat que significaria “Todo o poder”.
Em sua versão original, Hecate está associada a Ártemis (irmã gêmea de Apolo, o Sol, representando a luz da lua cheia) e a Perséfone (filha de Zeus e Demeter, personificação do sagrado feminino e das faculdades associadas à sensualidade feminina). Juntas, as três simbolizavam as 4 fases da Lua. Enquanto Ártemis representava a lua cheia e o fulgor feminino (girl power), Perséfone, em suas duas caracterizações (a doce Coré e a sombria Perséfone) representava respectivamente as fases Crescente e Minguante da lua e, finalmente, Hecate representava a Lua Nova, ou sombria.

Ok… pausa para explicar a lenda de Perséfone:
Na mitologia grega, Perséfone ou Coré (correspondente à deusa romana Proserpina e Cora). Era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera.
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades (Demeter representa Malkuth, o Plano Material, Hades representa Yesod, o Plano Astral, Perséfone a feminilidade relacionada com a intuição feminina, que transita entre estas duas esferas) que a pediu em casamento.
Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a levando-a para seus domínios (o Mundo Subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos. Deméter, junto com Hermes, foi buscá-la ao mundo dos mortos (ou segundo fontes posteriores, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como, entretanto, Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã, a mesma fruta que coincidentemente era cultivada nos jardins do Templo de Salomão) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo: ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Coré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica ao mesmo tempo o ciclo anual das colheitas e as duas representações da lua e seus aspectos na magia cerimonial.

Voltando a Hecate:
Hecate é venerada como “a mais próxima de nós”, pois se acreditava que, nas noites de lua nova, ela aparecia com sua horrível matilha de cachorros fantasmas diante dos viajantes que por ali cruzavam. Ela enviava aos humanos os terrores noturnos e aparições de fantasmas espectros. Também era considerada a deusa da magia e da noite, mas em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Era associada a Ártemis, mas havia a diferença de que Ártemis representava a luz lunar e o esplendor da noite. Também era associada à deusa Perséfone, a rainha dos infernos, lugar onde Hécate vivia.
Dada a relação entre os feitiços e a obscuridade, os magos e bruxas da Antiga Grécia lhe faziam oferendas com cachorros e cordeiros negros no final de cada lua nova. Era representada com três corpos e três cabeças, ou um corpo e três cabeças. Levava sobre a testa o crescente lunar (tiara chamada de pollos), uma ou duas tochas nas mãos e com serpentes enroladas em seu pescoço. Como já estudamos em matérias anteriores, Tochas simbolizam o FOGO, sinal da sabedoria divina, e cobras representam o despertar da Kundalini, o fogo sagrado dentro de cada um.

Deusas Tríplices
Com a associação clara entre o feminino e a Lua, existiam muitas deusas tríplices, que carregavam consigo certas atribuições e que agiam como se fossem uma única entidade. Entre elas podemos destacar as Moiras, as Erínias e as Parcas, assim como as Norms (nórdicas), Bridghit (três deusas com o mesmo nome) e Morrigan (que com suas irmãs Badb e Macha faziam as vezes das Fúrias celtas).
Dos cultos egípcios e gregos, a representação do Sagrado Feminino na forma de “deusas tríplices” espalhou-se pela Europa. Os celtas possuíam a representação da mulher associada a três deusas chamadas Bridgith (Ou Brigid, ou Brígida, ou posteriormente Santa Brígida na Igreja Católica).
A Deusa Tríplice representa os mesmos aspectos gregos do feminino: donzela, mãe e anciã. Bridgit era filha de Dagda (e, portanto, meia irmã de Cermait, Aengus, Midir e Bodb Derg – um dia no futuro eu falo sobre eles… é uma história muito interessante) e suas sacerdotisas estavam associadas à chama sagrada, da mesma maneira que as Virgens Vestais gregas e egípcias. Suas 19 sacerdotisas permaneciam no Templo de Kildare, cercadas por um fosso natural que nenhum homem poderia cruzar. O Templo de Kildare foi uma das principais fontes usadas na criação da lenda de Avalon. Morrigan, por sua vez, foi a deusa utilizada como base para a criação de Morgana, meia irmã do mítico Rei Arthur (falaremos sobre isso mais para a frente).

As deusas e as Incorporações
Retornando no tempo até os cultos de Astarte, era extremamente comum (para não dizer mandatório) que a principal sacerdotisa de cada culto, em determinado momento do ritual, incorporasse a Deusa. Quando digo “incorporar”, quero dizer EXATAMENTE da maneira como vemos diariamente em centros espíritas, Kardecistas e templos de Umbanda/Candomblé.
A sacerdotisa possuía todos os atributos e características necessárias (além de um treinamento espiritual, emocional e mental) para deixar seu corpo limpo e preparado; entrava em transe ritualístico profundo e utilizava sua condição de médium para incorporar a deusa, que conversava com seus seguidores dando-lhes informações e conselhos.
Isto faz nossa segunda ligação com os Psycopompos e seus profundos significados esotéricos: Hecate representa esta conexão entre os médiuns e o Plano Astral.

Os druidas
Druidas (e druidesas) eram pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento, ensino, jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta. A palavra Druida significa “Aquele que tem conhecimento do Carvalho”.
O carvalho, nesta acepção, por ser uma das mais antigas e destacadas árvores de uma floresta, representa simbolicamente todas as demais. Ou seja, quem tem o conhecimento do carvalho possui o saber de todas as árvores. Está intimamente ligado ao título de “Aquele que trabalha com a madeira” vindo dos tempos do Rei Salomão e da Arca e, para quem não caiu a ficha ainda, o mesmo título de “Mestre Carpinteiro” dos antigos Essênios. A ritualística druida é muito parecida com o cristianismo primitivo da doutrina Cátara.

É importante dissociar as palavras “Druida” de “Celta” porque muita gente faz confusão. Celta é o nome do povo, enquanto Druida é o nome dado a uma casta de sacerdotes especiais que viviam entre os celtas e agiam como conselheiros destes. É a mesma relação entre “judeus” e “rabinos”.

Origens da Távola Redonda e o Elemento Terra.

Druidas e Mediunidade
A conexão entre Druidas e Mediunidade vem do Xamanismo (que é uma das origens de toda a magia celta) e das incorporações dos xamãs com os Espíritos dos Antigos (ou Espíritos Ancestrais). Da mesma maneira que os xamãs incorporam os espíritos ancestrais, os grandes sacerdotes druidas não apenas incorporavam os Deuses em seus rituais, mas também estudavam estas interações entre o Plano Material e o Plano Espiritual.

Com o advento da Igreja católica, estas práticas ficaram cada vez mais secretas e mais restritas, sob pena de fogueira; e muitos dos conhecimentos ocultistas da antiguidade tiveram de se refugiar nas Ordens Secretas, especialmente sob a proteção Templária e Rosacruz. O Sagrado feminino, a intuição e a mediunidade foram esmagados e permaneceram em dormência até o Renascimento. Neste período (que falaremos em detalhes na seqüência “Queima Ele, Jesus”), qualquer manifestação de mediunidade era vista como “coisa do demônio” e passível de fogueiras e exorcismos. Existem diversos casos na literatura medieval que retratam casos de mediunidade como sendo tratados como “possessão demoníaca” e afins. O mundo permanecia (passado?) em uma Idade das Trevas.

Dos druidas aos maçons
Nascia em Lyon a 3 de Outubro de 1804 Hippolyte Léon Denizard Rivail, um professor, pedagogo e escritor francês que se notabilizou como o codificador do chamado “Espiritismo”, denominado “Doutrina Espírita”.
Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.
Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdun, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados.
Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração.
Era membro de diversas ordens, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema “Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?”.
existe uma grande suspeita que Leon Denizard tenha feito parte da Maçonaria, pertencente à Grande Loja da França. Se não foi iniciado, passou sua vida inteira cercado por amigos membros desta sublime ordem. Deve ter conhecido as teorias básicas de Astrologia (pelo contato e estudo com Camille Flammarion, um dos maiores astrônomos franceses de todos os tempos, fundador em 1887 da Sociedade Astronômica da França). Camille Flamarion era tão seu amigo que fez o discurso durante o enterro de Kardec. Para os espíritas que acompanham a coluna terem uma idéia da importância de Flamarion para o espiritismo, procurem nos textos da Gênese, uma das obras básicas do Kardecismo, o texto “Uranografia Geral – Estudo do Espaço e Tempo”, pelo médium CF. CF são as iniciais de Camille Flamarion.

Cético e estudioso, Léon teve contato com os estudos a respeito das “mesas girantes” em 1855, paralelamente a cientistas e ocultistas como Sir William Crookes (membro do Royal College of Chemistry, pai da Espectrologia), Alfred Russel Wallace (um dos precursores da teoria da evolução das espécies), John Willian Strutt (prêmio Nobel da física de 1904), Michael Faraday (físico, que apesar de não ser ocultista também estudou estes fenômenos), Oliver Lodge (membro da Royal Society, inventor do telégrafo sem fio), entre muitos outros. Interessante notar que as pessoas que estudavam seriamente estes fenômenos eram cientistas importantíssimos, ganhadores do Nobel de Física e outros pesquisadores voltados para áreas da física e da química.

Os tipos de mediunidade:
Como o irmão Denizard já teve todo o trabalho de compilar e codificar os tipos de mediunidade de uma forma majestosa, o tio Marcelo fará apenas a referência aos seus textos.
Começamos os estudos através da Manifestação dos Espíritos sobre a Matéria, através da vontade (Thelema) dos seres espirituais, combinados com a energia plasmada do médium, rompem a barreira entre os campos vibracionais e permitem manifestações no Plano Material. A partir disto, surgem as famosas “mesas girantes” que são uma manifestação grosseira desta força, suficiente apenas para erguer as mesas no ar e fazê-las girar. A partir das manifestações grosseiras (que também são a origem de barulhos em casas ditas “mal assombradas” e outros fenômenos), surgem os estudos a respeito de Manifestações Inteligentes (ou seja, pancadas rítmicas, respondendo a perguntas como “sim” ou “não”, barulhos indicando princípios rudimentares de comunicação entre Planos e assim por diante). Neste sentido, ele também estudou a criação de ruídos, movimentos e suspensões e aumento e diminuição do peso dos corpos.
Na segunda etapa, estudaram as manifestações físicas espontâneas, ou seja, a criação de ruídos mais específicos, arremessos de objetos e fenômenos de transporte, bem como as manifestações visuais, aparições e aparições dos espíritos de pessoas vivas. Estudaram também os lugares assombrados, linguagem dos sinais, tiptologia alfabética, escrita direta e pneumatofonia.
Na área da psicografia, estudaram a psicografia indireta, através de cestas e pranchetas, e a psicografia direta, através dos médiuns.
O capítulo XIV do seu “Livro dos Médiuns” trata especificamente sobre as mediunidades, listando as 72 mediunidades diferentes, entre elas os médiuns de efeitos físicos, elétricos, sensitivos, audientes, falantes, videntes, sonambúlicos, curadores, pneumatógrafos, etc. Entre os médiuns escreventes temos os médiuns mecânicos, intuitivos, semimecânicos, inspirados e de pressentimento e assim por diante. Recomendo que vocês leiam os dois livros básicos (Livro dos Espíritos e Livro dos Médiuns).
Léon adotou o pseudônimo de Allan Kardec, uma de suas encarnações passadas como druida, e é considerado o fundador do Espiritismo, uma das filosofias que eu considero mais sérias.

Termino a matéria citando o professor Waldo Vieira e um livro fantástico chamado 700 Experimentos de Conscienciologia (1994) onde, com o auxílio de laboratórios, foram feitas diversas experiências dentro do método científico para comprovar e estudar os fenômenos parapsicológicos. Hoje o IIPC é um dos institutos mais sérios no estudo destes fenômenos de forma científica e laica.

No Brasil, o espiritismo acabou adotando um pouco do viés religioso e cristão ao invés de sua proposição original científica. Infelizmente o sincretismo religioso, os misticóides da dita “Nova Era”, os charlatões e as chamas violetas da vida transformaram a palavra “espiritismo” em uma mixórdia tão grande que os espíritas originais precisam se denominar “Kardecistas” para evitar confusões, tamanha a quantidade de loucuras que inventaram por ai.

Enquanto isso, neste curral chamado Brasil, os coletores de dízimos fazem a festa com suas charlatanices de desencapetamento, exorcismos da madrugada, óleos de Jerusalém, água do Rio Jordão e afins, deixando a ciência e o ocultismo sério como pequenos oásis neste imenso mar de créu.

Perdidos no meio de assuntos religiosos e esotéricos que não têm nenhuma idéia a respeito, as Igrejas caça-níqueis seguem por ai Vandalizando Templos de Umbanda e de outras religiões “Em nome de Jesus”.

Como este assunto é muito extenso, queria que vocês postassem suas dúvidas na parte de comentários, como fizemos semana passada. Estava olhando com calma as perguntas novamente… acho que nunca fui tão sabatinado em toda a minha vida. E as dúvidas estavam de alto nível !!! Parabéns para o pessoal e queria agradecer aos colegas que ajudaram nas respostas

MacBeth!

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hecate-druidas-or%C3%A1culos-e-allan-kardec

As Qliphot Secundárias

As Qliphot secundárias são os poderes demoníacos que dominam os vinte e dois caminhos sombrios (ou buracos serpentinos) que ligam as dez dimensões Acausais Qliphóticas.

Estas forças demoníacas devem ser incitadas pela visualização de sigilos, e as vibrações de seus nomes conjuntamente com o derramamento de sangue.

Os Magistas fazem melhor uso destas energias demoníacas e desarmônicas durante os rituais que visam à descoberta de caminhos inconscientes/ conscientes através dos escuros túneis que levam à Sitra Ahra (O Outro lado).

A seguir estão os nomes, características e sigilos das Qliphot secundárias que são os demoníacos e anticósmicos caminhos que formam a “Árvore da Morte”:

  • O Caminho XI – Amprodias.

Amprodias domina a transcendência do limitado intelecto cósmico (que pelos não iluminados é chamada de loucura), e concede o poder ao Magista para que tenha capacidade de ver através das ilusões da luz e enxergar na escuridão da verdade.

  • O Caminho XII – Baratchial.

Baratchial possui toda a ciência anticósmica e toda ciência da negra magia sexual, é ele que inicia o Magista nos Qliphóticos mistérios mágickos que estão mais ocultos.

 

  • O Caminho XIII – Gargophias.

Gargophias é um demônio feminino que possui a clarividência, é esta divindade que ensina os mistérios sombrios dos rituais de necromancia e magias proibidas relacionadas à morte.

  • O Caminho XIV – Dagdagiel.

Dagdagiel é um demônio feminino da magia sexual, que pode iniciar o Magista nas artes do amor e Magia Negra, desde que o Magista esteja receptivo e disposto a pagar uma quantia de sangue que Dagdagiel exigir.

  • O Caminho XV – Hemethterith.

Hemethterith é um demônio feminino que controla a arte da Qliphótica astrologia e as práticas proibidas para criação de demoníacas crianças espirituais por meio da prática da bestial magia sexual.

Bariron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “rebanho”, habita e reside no caminho XV, compartilhando-o com Hemethterit.

  • O Caminho XVI – Uriens.

Uriens detém os mistérios alquímicos sombrios do sangue humano e é capaz de fazer o Magista fisicamente forte.

Adimiron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “sangue”, localiza-se no mesmo décimo sexto caminho sombrio.

  • O Caminho XVII – Zamradiel.

Zamradiel conhece a arte da viagem astral e os esotéricos mistérios do vampirismo.

Tzelladimiron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “mudança”, também reside neste caminho.

  • O Caminho XVIII – Characith.

Characith é o mestre dos mistérios e encantos da magia negra.

Shechechiriron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “O Sombrio”, habita neste caminho.

  • O Caminho XIX – Temphioth.

Temphioth é o mestre de todos os prazeres infernais e tem a capacidade de “domar as bestas”.

Shelhabiron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “Incendiário”, também está localizado neste caminho.

  • O Caminho XIX – Yamatu.

Yamatu, cujo número é 131, domina as artes mágickas da imortalidade e da invisibilidade.

Tzephariron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “riscar”, também pertence a este caminho sombrio.

 

  • O Caminho XXI – Kurgasiax.

Kurgasiax possui os mistérios dos Súcubos e Íncubos e também tem a capacidade de dar o poder mundano ao Magista.

  • O Caminho XXII – Lafcursiax.

Lafcursiax é um demônio feminino, que com o demônio Lamias extrai os órgãos da alma humana e, assim, a mata.

Este demônio também pode dar capacidade ao Magista de passear pelo “abismo do Caos” e enviar sinistras correntes Acausais de poder.

Obiriron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “barro” (o barro que representa a carne morta humana), também rege este caminho.

 

  • O Caminho XXIII – Malkunofat.

Malkunofat pode conceder riqueza e poder sobre os mistérios dos sonhos.

  • O Caminho XXIV – Niantiel.

Niantiel é o mestre da necromântica magia sexual (Necrofilia astral), é ele que pode iniciar os Magistas nos mistério sombrios do vazio.

Necheshetrion, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “Serpente do Pecado”, localiza-se neste vigésimo quarto caminho.

 

  • O Caminho XXV- Saksaksalim.

Saksaksalim conhece a arte da transmutação espiritual e os mistérios sombrios da alquimia. Nachashiron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “Serpente”, também reside neste caminho.

  • O Caminho XXVI – A’ano’nin.

A’ano’nin possui os poderes do mau-olhado e reina sobre todos os sátiros e “demônios Pan”.

Dagdagirion, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “demônio assim como peixe” também pertence a este caminho.

  • O Caminho XXVII – Parfaxitas.

Parfaksitas conhece a arte do movimento espacial e os mistérios sangrentos da licantropia.

  • O Caminho XXVIII – Tzuflifu.

Tzuflifu detém os mistérios dos raios caóticos e segredos anticósmicos.

Behemiron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “bestial”, localiza-se neste vigésimo oitavo caminho.

 

  • O Caminho XXIX – Qulielfi.

Qulielfi é um demônio feminino que domina a vampira e destrutiva magia sexual, e também pode ajudar o Magista a enviar, com um proposito sanguinário, Súcubos e Íncubos aos seus inimigos.

Nashimiron, que também é um demônio Qliphótico, cujo nome significa “mulher malvada”, também governa este caminho.

 

  • O Caminho XXX – Raflifu.

Raflifu é o sábio da produção alquímica do ouro, ele também pode fazer o Magista rico e poderoso.

 

  • O Caminho XXXI – Shalicu.

Shalicu é dono da Magia da Chama Negra que dissolve todas as formas e liberta a essência amorfa.

 

  • Caminho XXXII – Thantifaxath.

Thantifaxath é o mestre das magias de morte e maldição, ele pode, de acordo com a vontade do Magista, espalhar a morte e o derramamento de sangue.

Fonte: Liber Azerate: O Livro do Caos Colérico.

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Tradução e Adaptação: Zeis Araújo (Inmost Nigredo) Revisão: Gabriela Paiva 2014.

Texto enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/as-qliphot-secundarias/