Fúria Matemática

O texto a seguir revelará a maneira perfeita de transformar um macaco em um Campeão. Para prosseguirmos vamos precisar de um pouco de matemática, mas ela se resume a um pouco de multiplicação e divisão, então não temam, bando de matematofóbicos. Vocês podem pular para o final do texto e ver apenas o resultado.

Não. Foda-se. Não vou fazer isso.

Se algum cretino não tem estômago para uma simples raiz quadrada ou não consegue compreender o conceito de uma função, saia daqui agora. Se mande e não volte até ter aprendido um mínimo de matemática, qualquer coisa sobre estatística, teoria da probabilidade, até saber desenhar um gráfico ou pelo menos até que saiba o suficiente para que seu queixo preguiçoso não caia até o chão quando eu derivar a desigualdade de Hölder.

E quer saber por quê?

Simples. Porque é tudo culpa sua.

E o que é culpa sua?

TUDO!

Tudo mesmo. Cada uma das merdas que estão erradas no mundo.

Cada uma das decisões financeiras absurdas tomadas pelos governos, companhias e indivíduos é sua culpa. Você deveria ter percebido, seu cretino ignorante de matemática; você deveria saber o que os números significam mas ao invés disso ficou como um animal paralizado no meio da estrada quando a luz dos faróis de um carro que vem em sua direção em alta velocidade o atinge, como um animal estupidificado que não sabe diferenciar um milhão de um bilhão.

Cada uma das quebras do mercado de ações é sua culpa, já que a sua espécie não tem a menor idéia de como esses enormes sistemas aleatórios podem flutuar, então você simplesmente marcha em direção ao desastre, e ao fazê-lo o torna dez vezes pior. Ou mil vezes pior. Não que eu espere que você saiba a diferença.

E não se trata apenas de não saber lidar com a especulação porque é a sua espécie de macaco que deu aos “Jogos de Azar” este nome. Nenhuma empresa pode sobreviver se não souber produzir o máximo com o menor custo objetivando o melhor lucro. E como você ou seu chefe tentam fazer isso? Por tentativa e erro! Puta que pariu você prefere fazer o feng shui do escritório à olhar o balancete e acha que a diferença entre ativo e passivo é apenas uma questão de quem vai comer quem.

O mundo dos inadimplentes cresce a cada segundo, recebendo gente do seu tipo a cada instante. Gente que não tem idéia do que “juros” significa, que não consegue conceber como a aleatoriedade trabalha e se empenha em arruinar cada uma de suas boas intenções. Você não planeja, você não pensa em como as coisas funcionam, você nem ao menos pára para pensar se elas podem funcionar. Cada estelionatário, cada fraudador de sucesso, cada aposentado que é roubado dos frutos de anos de investimento é sua culpa. Cada idéia brilhante arruinada por idiotas sem nenhum senso de probabilidade é sua responsabilidade, incluindo o desastre que ocorreu após o desastre de Hindenburgo. Sim! Você é a razão pela qual nós não temos mais dirigíveis; você entrou em pânico depois do Hindenburgo e sua paranóia e incompreensão bovina foram o fim daquela era maravilhosa. Nós poderíamos ter naves aéreas se não fosse por você e por sua inabilidade de compreender matemática!

Bernie Madoff, o Banco Rural e toda essa laia são suas crianças, seu cretino. Cada maníaco de powerpoint corporativo, cada molestador de gráficos, mentindo com números sem legenda, com abscissas e ordenadas desiguais, com falsas porcentagens, totais omitidos e questionários tortuosos são da sua laia também. Você deu a luz a eles, os amamentou. Tenha certeza de que cada um deles vai para o túmulo muito bem alimentados pela sua incompreensão numérica. Você também alimentou os homeopatas, os curandeiros de cristais e outras escórias semelhantes porque seu cérebro tolo algaravia sempre que uma potência de dez surge e acredita que a matemática não tem poder de lhe morder os fundilhos se você não parar para prestar atenção nela. Os criacionistas, evolucionistas e cientologistas, juntamente com suas abominações matemáticas são sua culpa, assim como todas as vidas arruinadas pelas parafilias pervertidas da astrologia e numerologia. Cada criança que foi privada de uma guloseima, porque suas estúpidas unidades parentais decidiram comprar o Código da Bíblia ao invés de passar pela sessão de salgadinhos do supermercado tem apenas você a culpar, e a criança está chorando.

Durante a Idade Média a Peste Negra dizimou mais de dois terços da vida na Europa. Pelo menos a peste era sincera e honesta, ela matava pessoas, não as transformavam em zumbis como você, que acredita que um livro ou uma palestra podem te transformar no melhor vendedor, no mais rico empresário. Zumbis estupidificados, recitando mantras e seguindo passos simples para o sucesso, como um bando de hare-krishnas infernais que acreditam ter descoberto a pedra filosofal que trasmutará sua incompetência numérica em ouro.

Cada milhão desviado da educação, destinado para o desenvolvimento de novos remédios alopatas milagrosos, tem o seu carimbo de aprovação, afinal é melhor gastar bilhões em patentes médicas do que simplesmente aceitar o fato de que alguns males não tem cura. Sua capacidade de analisar simples estatísticas te cegam para o fato que hoje muitos tratamentos são piores do que as doenças que deveriam curar e que mais dametade dos remédios consumidos visam combater efeitos colaterais de outros remédios consumidos, a maioria sem necessidade.

Cada criança que poderia ter a vida salva com uma simples refeição diária merece um pedido de desculpas de você, um pedido que nunca chegará, pois você prefere pregar aos quatro cantos do mundo que o costume de comer carne vermelha é um dos grandes responsáveis pela fome mundial ao invés de estudar um simples gráfico que mostra quanta alface é jogada no lixo todo dia por imbecis como você. Não são os matadouros e assassinos de vacas os responsáveis pela fome no mundo, mas sim a sua burrice e a sua preguiça. Você é tão idiota que acredita que a loteria é um investimento melhor, mais excitante e mais certeiro do que uma poupança.

Você é responsável por cada político que prefere aumentar o próprio salário ao invés de investir na rede pública. Cada Bolsa Família, cada déficit estadual, cada desvio de dinheiro, tem o seu nome escrito. Você deveria se cumprimentar a cada morte em filas de espera de hospitais públicos que são mantidos com os impostos que você paga.

Você não é apenas um perdulário, um destruidor do dinheiro e da vida alheia. Você é um assassino também. Cada criança morta graças ao medo dos minúsculos riscos da vacinação, um medo que parece não existir em relação aos riscos muito maiores da falta de vacinação, também é culpa sua, meu caro inumerado. Cada pessoa morta por causa do “com certeza isso não vai acontecer comigo!” é uma vítima sua, jazendo morta e despedaçada nas ruínas de sua própria crença na superioridade do exepcionalmente pessoal em detrimento à probabilidade bruta.

São chucros como você que, quando ouvem termos como uma quinta ou uma oitava, são incapazes de perceber que o assunto é música, e é essa surdez numérica que impede que você perceba como os números berram que os grandes hits da sua vida como Basket Case da banda Green Day, Don’t Look Back in Anger, do Oasis, Crying do Aerosmith, C U When U Get There do Coolio, We’re not gonna take it do Twisted Sister, Get Me Away From Here, I’m Dying do Belle e Sebastian, Life Goes On do Tupac, The Black Parade do My Chemical Romance, Hook do Blues Traveler, Go West do Petshop boys, além de dezenas e dezenas de outros são basicamente uma única estrutura melódica matematicamente definida desde o Canon de Pachelbel.

Qual a sensação de ter seus dígitos cobertos de sangue? Mães adolescentes, pessoas incriminadas erroneamente em tribunais, criminosos que são absolvidos… cada um deles é culpa sua. Seu apalermado embrulhado em uma camisa polo, que sempre é totalmente enganado e mistificado pela retórica e por joguinhos emocionais, dentro de sua casa ou sentado no banco do júri em julgamentos, incapaz de compreender aquilo que os números dizem, incapaz de entender o que “o menor dos males” significa, já que você é um analfabeto, um cego, um tonto que nunca vai enxergar como pequenas probabilidades às vezes podem nos levar a quase certezas, um inépto que não consegue enxergar que tudo se reduz a números, inclusive esse disperdício que é a sua vida e o custo da sua inumeracia. Você é daquele tipo de imbecil que acredita que com um único ponto anedótico de dados se é possível se traçar um curva. Chega mais perto e eu vou usar o único ponto da minha bengala pra traçar uma porra de um polinômio do terceiro grau na sua cara idiota!

Cada pessoa que perdeu o emprego por causa de cada crise financeira, deve sua desgraça a você e à sua incapacidade de assimilar termos como investimento de alto risco. ALTO RISCO! Por algum motivo seu cérebro consegue interpretar essas palavras como ALTO LUCRO! Ele não percebe que não existe vantagem em se pagar por algo que nunca vai ser seu. Você diz que não gosta de números e que não precisou mais deles depois que se formou no ensino médio, mas bastam te darem um % e você acredita. Te dão um $ e você obedece.

Você é tão repulsivo que não percebe que vive em um mundo onde 80% das pessoas acredita sem nenhum tipo de questionamento em qualquer dado que seja precedido de uma porcentagem. E é tão imbecil que provavelmente vai acreditar nesta estatística sem nem ao menos questioná-la.

Eu só não tenho mais asco de você porque diariamente você também paga o preço de sua própria estupidez. Você paga mais impostos de o que deveria. Você é enganado pela televisão. Você é roubado pelos bancos. Você perde no jogo e acha que apenas não tem sorte no amor. Você gasta mais do que tem. Você ganha menos do que mereceria. Você não sabe administrar seu próprio tempo e as únicas metas que consegue cumprir são as do dono do seu chicote. Seu desinteresse pelas regras do mundo, no fim das contas, fazem com que você seja sempre passado para trás por pessoas que no fundo são só um pouco menos idiotas do que você. Você vive em uma cidade onde todo jogo é viciado e todos trapaceiam e mesmo sabendo disso sempre que perde apenas se limita a sorrir e dizer que hoje a sorte não sorriu para você. Sorte! Você ao menos já sentiu curiosidade de saber o que significam pequenas palavras como probabilidade, aleatoriedade e estatística?

Tudo isso e qual a sua reação? “Oh… meu deus, eu nunca fui muito bom com números” ou “Eu nunca precisei de matemática depois da escola.” ou ainda “De que servem essas equações inúteis?”

Por Gauss! Você é o tipo de gentinha que deve achar que proporção áurea tem alguma coisa haver com o fim da escravidão e só conhece Fibonacci por causa de algum romance popular que nem tem a ver com matemática. Você não faz idéia do que ele diz e provavelmente faz questão de não saber, esse conhecimento provavelmente destruiria a bênção que você deve considerar a sua ignorância. A cada segundo de cada dia que você desperdiça com sua existência, você joga na privada o trabalho e a paixão de centenas de seres humanos que levaram centenas e milhares de anos com o único objetivo de lapidar uma jóia que te foi dada de graça. De graça! Uma jóia que de qualquer maneira vai durar mais tempo do que qualquer coisa que você pode conceber na vida, que seus filhos inúteis e seus netos retardados concebam, e os filhos e netos deles também. Você é um porco que come pérolas, caga pérolas e ainda reclama do gosto.

Eu não vou facilitar as coisas para você, escória. Você não merece nada fácil. Continue fazendo esta cara de bunda sempre que uma divisão de dois dígitos for necessária para pagar a conta no bar.

É claro você pode sentir um certo incômodo e se iludir pensando que a partir de agora vai reagir, vai tentar mudar e recuperar um pouco daquilo que seus pais ou o estado tentaram de dar no começo da vida.

Mas você é do tipo que pula as partes difícieis direto para o resultado, que no fim é o que interessa certo? Certo? Aqui esta ele: Você é um idiota.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/furia-matematica/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/furia-matematica/

A Diversidade da Experiência Alquímica

Thiago Tamosauskas

Três anos depois que escrever o Principia Alchimica me considero hoje uma pessoa muito diferente. Embora isso implique na necessidade de reescrever e melhorar algumas partes do livro em edições futuras, essa transformação por si só indica que o método descrito no livro em sua essência funciona; transformação é o resultado esperado do processo.

Uma das principais diferenças que observo é que na busca por clareza, naquele primeiro momento  me esforçarei para encontrar definições bastante objetivas sobre o que a alquimia realmente ensina. Isso foi ótimo, mas teve um custo e tem um risco. O custo foi ter acreditado ao menos temporariamente ter encontrado uma definição única e definitiva da Grande Obra, o risco foi não enxergar que justamente por ser tão antiga e tão geograficamente espalhada não existe apenas uma abordagem correta do que a alquimia deva ser.

As diferentes definições desta arte já foram abordadas em outro artigo e essa percepção foi fruto de um esforço gradual para que minhas definições não me fizessem apontar as respostas de outras pessoas  com a superioridade. De fato, foi por ouvir outras pessoas, algumas muito mais experientes do que eu que entendi  que próprias experiências, justamente por serem particulares nunca poderão descrever toda realidade.

Alquimia, método ou metodologia?

Essa ideia de diversidade dentro da alquimia ganhou corpo com o tempo, mas foi preciso um empurrãozinho de uma amiga para que essa chave virasse de uma vez. Quando Priscila Praude gentilmente aceitou escrever o prefácio do Psicotropicon, meu próximo livro, ela fez um questionamento sobre a minha definição de alquimia tal como apresentada no Principia Alchimica, ou seja,  “Uma metodologia empírica para a expansão intencional da consciência”. Seu questionamento foi se aquilo que foi apresentado no livro era realmente uma metodologia ou se na verdade não era um método. Confesso que eu não soube o que responder na hora. Mas, geralmente esse silêncio e falta de pressa em dar uma resposta é o que me leva as melhores conclusões.

Para ficar claro, um Método é um roteiro, um processo, para se atingir um determinado fim. Uma Metodologia, por sua vez, o estudo dos métodos para aperfeiçoá-los e encontrar assim os melhores processos para uma determinada área de aplicação. Então, de fato o que eu apresentei na primeira edição do livro foi um método, mas meu objetivo maior sempre foi que ao conhecê-lo cada alquimista pudesse não apenas experimentá-lo mas criticá-lo, adequá-lo à sua própria realidade e então aperfeiçoá-lo à sua maneira.

Dai a importância da palavra “empírica” na definição do livro, pois esse aperfeiçoamento só pode ser feito com base nas práticas, experiências e observações de cada um. Guardada às devidas diferenças, apresentei no Principia Alchimica um bom livro de receitas para quem – mesmo sem experiência na cozinha – quisesse se aventurar e experimentar alguma coisa. Isso com certeza ficará mais claro nas segunda edição da obra. Meu objetivo é que ao final da leitura o alquimista possa não apenas executar estas receitas, mas como um verdadeiro chef seja também capaz de criar seus próprios pratos.

Os Tipos de Alquimia

A alquimia tem documentalmente dois milênios de história é possui raízes ainda mais antigas. De Maria, a judia, a Timothy Leary, essa história foi escrita em todos os continentes, por pessoas de todas as raças, gêneros e origens e é mais antiga que qualquer império, dinastia e que a maioria das religiões.

Para demonstrar o tamanho desta diversidade farei a seguir um resumo das principais abordagens e tradições alquímicas que de uma forma ou de outra nos influenciam hoje em dia. Começarei pela Alquimia Espiritual, pois acredito que nela encontramos a unidade de todas às demais.

Alquimia Espiritual: A Alquimia Espiritual já foi chamada de Iluminação, Santificação, Apotheosis, Deificação e mais recentemente Individuação e Expansão da Consciência

Se magia é “a ciência e a arte de causar mudanças em conformidade com a Vontade.” então a Alquimia Espiritual pode ser entendida como uma forma de magia pois é ela é a mudança de si mesmo conforme a Vontade.

Essa mudança não é arbitrária, mas busca desenvolver a melhor possível de si mesmo.

Esse trabalho não é fácil e não pode ser resolvido pela mera leitura de um livro que massageia seu ego. Se fosse algo simples de se fazer muitos dos problemas atuais da humanidade não existiriam. 

Ainda que a compreensão do que é seja mais perfeito mude com o tempo, a busca pelo aperfeiçoamento é uma constante.

A Alquimia Espiritual é assim a pedra de toque de todas às outras formas de alquimia que veremos, uma vez que é o objetivo por trás de todas elas. 

Alquimia Mineral:

As próximas três formas de alquimia que veremos são instrumentais, ou seja, elas servem à meta de aperfeiçoamento que as justifica e as motiva.

A Alquimia Mineral por exemplo é o trabalho com elementos inorgânicos como metais, sais, minerais bem como suas assinaturas astrológicas para auxiliar a evolução pessoal.

É dividida em Via Úmida, que trata os sólidos por meio de ácidos e solventes e Via Seca que trabalha com transformações promovidas em fornos e altas temperaturas.

A Alquimia Mineral pode envolver a manipulação e consumo de elementos pesados e tóxicos como chumbo e mercúrio, por essa razão Rubellus Petrinus, alquimista português dizia que suas tinturas só deveriam ser ministradas em dose homeopática, sob a orientação de um médico da especialidade.

A verdade é que desde a ascensão da Espagiria por Paracelso a Alquimia Mineral tem perdido espaço mas ainda hoje é possível encontrar praticantes dentro de guildas como a FAR+C , a Gallaecia Arcana Philosophorum e mesmo instruções abertas nos materiais que Jean Dubuis escreveu para a já extinta Les Philosophes de la Nature.

Alquimia Vegetal: Também chamada Espagiria é provavelmente a alquimia instrumental mais comum e imediatamente reconhecida com seus destiladores, fornos e barris de fermentação.

Trata-se do trabalho com plantas e suas assinaturas astrológicas para a extração de óleos essenciais, álcool e sais para a produção de tinturas e outros produtos capazes de auxiliar a Alquimia Espiritual tanto por suas qualidades materiais como pelo processo mental-espiritual envolvido em suas produções.

A Alquimia Vegetal ganhou enorme destaque na alquimia a partir da renascença e especificamente pela obra de Paracelso. Hoje em dia o livro Espagiria de Manfred Junius é um livro básico para explorar esta área da prática alquímica.

Alquimia Animal: Pouco falada em comparação as outras vertentes a Alquimia animal faz os mesmos processos de separação, purificação e reunião com produtos de origem animal como urina, sague e fluídos sexuais para auxiliar nas transformações da Alquimia Espiritual.

A Alquimia Sexual ganhou um certo destaque no século XX como uma chave escondida em qualquer textos sobre metais e plantas, mas é curioso notar que imagem de atos sexuais explícitos eram comuns nas ilustrações e textos alquímicas.

Enquanto na idade média se usavam estes símbolos sexuais para falar de realidades metafísicas os autores modernos usam símbolos metafísicos para falar de realidades sexuais.

Entre os principais nomes abordagem sexual da alquimia estão como Aleister Crowley e o Kenneth Grant. Uma boa obra para conhecer nesta área é o Modern Sex Magick de Donald Michael Kraig.

Note que estes três últimos tipos de Alquimia podem muito facilmente se transformar em outras coisas quando desconectadas do objetivo da Alquimia Espiritual. Isso acontece quando o objetivo de tentar melhorar a si mesmo dá lugar a manipulação do mundo ao redor. Nada errado com isso, mas são objetivos diferentes e nesse caso não se fala mais de alquimia. A Alquimia Mineral se torna Metalurgia, a Alquimia Vegetal se torna fármaco-cosmética e a Alquimia Animal se torna biologia. A própria Alquimia Espiritual pode se desviar, e então em vez de uma transformação da própria consciência caímos em um estilo ou outro de feitiçaria.

As Tradições Alquímicas

Mas esta é ainda apenas uma forma de se entender a alquimia. A medida muda conforme as unidades da régua e outra forma de se  admirar a grandiosidade da alquimia é percorrer a corrente histórica que nos liga até seus primórdios e além. Para isso destaco aqui os principais momentos em que houve uma efervescência entre os praticantes da alquimia:

Alquimia Helenista: A raiz ocidental da alquimia surgiu no Egito Ptolomaico. Aqui vemos um padrão de repetição que aparecerá várias vezes na história da alquimia: sempre que as instituições entram em crise, uma nova geração de alquimistas aparece. Nessa época o território já estava nas mãos do Império Romano e as antigas escolas de mistério ou já mão existiam ou se fecharam completamente. Sem tantas instituições confiáveis os experimentadores surgiram, nesse caso influenciados pelos pré-socráticos, judeus, gnósticos e pelo Egito faraônico. Este é o ponto de partida histórico da alquimia, uma vez que é o primeiro momento em que um grupo de pessoas chamam a si mesmos de alquimistas. Seus principais nomes foram Maria, a judia e Zósimo. Pouco de sua literatura chegou intacta até os dias de hoje mas entre estas podemos citar duas muito famosas: a Tábua Esmeralda e o Corpus Hermeticum.

Alquimia Chinesa: A raiz oriental da alquimia surgiu na China, entre os sábios taoístas. Embora nunca tenham chamado a si mesmos de alquimistas às similaridades com os helenistas é muito grande para não se fazer notar ou mesmo vislumbrar uma possível raiz ainda mais antiga entre ambas. Dessa raiz nada pode ser realmente afirmado, mas conceitos como Elixir da Vida, Mutação de Princípios Universais e Cinco Elementos são encontrados desde o período das Primaveras e dos Outonos. O grande objetivo dos taoistas é a busca da imortalidade por meio da manipulação da matéria densa e sutil que compõem o ser humano. Seus principais nomes foram Lü Dongbin e Jin Ge Hong e o principal livro foi o Baopuzi com grande influência do I-Ching.

Alquimia Indiana: Assim como os chineses, os indianos nunca se chamaram a si mesmos de alquimistas, mas isso não muda o fato de que a manipulação da matéria e de si próprio com fins de auto-aperfeiçoamento pode ser encontrada em todas as seis escolas de Yoga e está presente desde o Bhagavad Gita. Contudo, no período que vai da invasão de Alexandre, o Grande até a expansão do greco-budismo a temática alquimista tornou-se cada vez mais comum. Hoje a Ayurveda pode ser considerada um sistema alquímico-espagírico independente e não por acaso práticas de pranayama, asana e mantras são incorporadas em muitas escolas ocultistas.. Seus principais nomes foram Pantajali e Nagarjuna e suas principais obras são o Rasarathnakara e o Aforismos de Pantajali.

Alquimia Islâmica: Quando o Egito foi invadido pelo califa Omar, não demorou para que a curiosidade e o gênio árabe vissem nas tradições alquímicas locais algo de grande valor. Nesta fase a alquimia se tornou bastante simbólica e poética e com um indelével gosto monoteísta bem ao sabor do misticismo islamico. De fato, todos os grandes alquimistas do período foram também sufis. Além disso, com os árabes ocorreram os primeiros intercâmbios entre as tradições alquímicas geograficamente espalhadas que vimos até agora. Seus principais nomes foram Avicena e Jabir ibne Haiane, que escreveu o principal livro alquímico da época, o Corpus Jabiriano, com forte influência do Alcorão Sagrado.

Alquimia Latina: Às cruzadas expulsaram os governantes islâmicos da Europa, mas não a influência dos alquimistas muçulmanos. Esse conhecimento foi reconhecido como poderoso pela Igreja Cristã que rapidamente articulou para que nos próximos séculos a alquimia continuasse apenas dentro das paredes da Igreja. Todos os grandes alquimistas desta fase foram sacerdotes católicos. Albertus Magnus, Basilio Valentim e Roger Bacon são alguns desses nomes.  Foi apenas a partir de Nicolas Flamel que a alquimia tornou-se novamente uma arte secular, embora a simbologia cristã e religiosa da época tenha permanecido nos vários séculos que se seguiram. Opus Majus é um dos livros mais significativos da época, com forte influência da Bíblia Sagrada.

Alquimia Renascentista: Tal como o rosacrucianismo a quem está intimamente ligada à alquimia renascentista é fruto do esforço protestante de se apoderar de um conhecimento que por muito tempo foi exclusividade da igreja católica. Com o fim do monopólio eclesiástico logo nomes de mulheres voltaram a despontar como foi o caso de Marie Meurdrac e Isabella Cortese. Também foi o retorno das influências judaicas, principalmente na figura de Chayim Vital, que além de transmissor e discípulo de Issac Luria era também alquimista (para o desgosto de seu rabi). Mas o grande nome dessa fase foi certamente Paracelso, que entre outras coisas destacou a importância da Espargiria como uma ferramenta poderosa para o estudo e aperfeiçoamento do mundo. Essa abertura da alquimia para além dos muros igreja rendeu muitos frutos interessantes. Logo surgiram os primeiros tarots, o esquema da Árvore da Vida e as primeiras óperas. Os famosos  Três Livros de Filosofia Oculta, de Agrippa são bastante representativos desta fase histórica.

Alquimia Iluminista: A popularização da alquimia secular teve suas contraindicações. Para começar a Igreja não “entregou todo o ouro” facilmente, de modo que para cada conde de Saint Germain e Cristina da Súecia surgiram centenas de enganadores querendo um empréstimo adiantado para fingir trabalhar em seus laboratórios. Não demorou para os vigaristas da época perceberem que esta era uma ótima maneia de tirar proveito da ambição alheia. A reação das autoridades foi devastadora e a alquimia ganhou uma péssima fama como ofício de trapaceiros. Nesse período a prática passou a ser condenada como charlatanismo por papas e reis, mas se lermos bem as bulas e decretos reais veremos que a proibição nunca foi direcionada aos praticantes verdadeiros. Quando esse excesso de vigarice se somou ao cientificismo da Revolução Industrial (divorciado de qualquer preocupação mística) a divisão entre Alquimia para a Química tornou-se definitiva. Apesar de tudo disso, o conhecimento alquímico não foi abandonado. Na mesma época Irineu Filaleto teve uma brilhante carreira e Elias Ashmole criou a ritualística maçônica com forte influência da simbologia alquímica. O livro Aurea Catena Homeri de Hermann Kopp é um prova viva de que mesmo em tempos conturbados a alquimia espiritual permaneceu sendo praticada.

Alquimia Hermética:  Como  reação ao descrédito que a alquimia ganhou no século anterior, no século XIX houve a ascensão de um novo tipo de abordagem alquímica. Encabeçado primeiro pela teosofia de Helena Blavatsky e em seguida pelo hermetismo da Golden Dawn a alquimia tornou-se mais espiritualizada e simbólica e menos operativa e laboratorial. Foi tratada como parte de um currículo maior que buscou sintetizar várias áreas do saber esotérico como a Kabbalah Hermética, a Yoga, Gnosticismo, a Astrologia e a Magia Cerimonial. Também nessa época, graças a nomes como Pascal RandolphMaria Naglowska começou a se falar mais abertamente de alquimia sexual. Desde então símbolos alquimistas são encontradas em todas grandes ordens ocultistas.  Grandes alquimistas desta época incluem ainda Fulcanelli autor de ‘O Mistério das Catedrais’ e A.E. Waite que traduziu toda a obra de Paracelso do alemão para o inglês.

Alquimia Moderna: A próxima grande onda da alquimia veio junto com a primeira grande crise dos estados nações criados e é uma consequência da síntese esotérica que se tentou fazer no século anterior. Enquanto às Guerras Mundiais matavam bilhões, Carl Gustav Jung fazia em sua casa a maior biblioteca alquímica da Europa. Seu objetivo era decifrar os antigos textos e tratados do ponto de vista do que se convencionou chamar hoje de psicanálise junguiana. Mas ele não estava sozinho na leitura psicológica da antiga arte. Nomes como Mary Ann Atwood, Ethan Hitchcock, antes de Jung e Marie Louise Franz logo depois dele também participaram destes esforços de reinterpretação das ideias alquímicas. Em paralelo nadando contra a corrente a psicologização total da Grande Obra ordens rosacruzes, martinistas e maçônicas continuavam o legado da Alquimia Hermética e grupos como o Paracelsus Research Society (atual Paracelsus College ) e a Inner Garden, resgataram a tradição da alquimia laboratorial dos séculos anteriores.

Alquimia Pós-Moderna: O fácil acesso ao legado cultural anterior faz da alquimia de hoje a herdeira de todas as outras tradições que vimos até aqui. Curiosamente todo esse acesso a informação nos coloca novamente em um momento de crise das instituições espirituais, desta vez pelo excesso de oferta de ordens e gurus de todo tipo. A única forma de criar um filtro e nos orientarmos é nos tornando novamente experimentadores. Os avanços em separado das filhas da alquimia como a química, a psicologia e fármaco-botânica podem agora ser usadas novamente para cumprir o antigo e perene objetivo da Alquimia Espiritual. No nosso auxilio temos também todo desenvolvimento da alquimia hermetista no século XX e XXI que resultou nos diferentes grupos ocultistas que temos hoje além de novas “tecnologias espirituais” a serem exploradas como o tecno-xamanismo, a psiconáutica e a quimiognose psicodélica. Um dos primeiros a perceber isso foram Timothy Leary e Terence McKenna que em mais de uma ocasião chamaram a si mesmos de alquimistas. Outro nome que certamente deixará sua influência é o de Stanislav Grof, autor do enciclopédico ‘ Caminho do Psiconauta’ e Robert Anton Wilson que popularizou e desenvolveu as principais ideias de Leary. Em 2007 tivemos finalmente primeira Conferência Internacional de Alquimia com a participação de diversas guildas e alquimistas independentes.

Diante de tudo isso, por mais que eu me esforce para fazer do Principia Alchimica uma porta de entrada fácil e acessível à tradição alquímica, ninguém tem o direito de ser o guardião da única interpretação possível da alquimia, e muito menos tentar adivinhar como a alquimia do futuro deverá ser. Só podemos responder o que é a alquimia para cada um de nós agora. Ainda que usemos nomes e técnicas diferentes, se o objetivo for melhorar a nós mesmos então ainda faremos parte desta antiga tradição.

* Thiago Tamosauskas autor do Principia Alchimica, um manual simples e direto dos principais conceitos e práticas da alquimia.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-diversidade-da-experiencia-alquimica/

A Caixa do Esquecimento de Lethe

“Pois Vontade pura, desembaraçada de propósito, livre da ânsia de resultado, é toda via perfeita.” – Aleister Crowley, AL I:44

Quando Austin Osman Spare veio com a idéia de sigilização poucas pessoas lhe deram ouvidos. Hoje entretanto este é um dos métodos favoritos entre os adeptos iniciantes por se tratar de um ferramental simples mas eficiente de realização mágica. Todavia justamente por sua simplicidade ele costuma ser feito por pessoas sem qualquer preparo mágico prévio e sem muita disciplina mental e os resultados podem não ser tão satisfatórios. A lógica por trás do funcionamento dos sigilos é a da supressão consciente de um desejo de modo a reprimí-lo na mente subconsciente. Nesse sentido Spare usa o mesmo mecanismo psicológico que costuma gerar complexos e neuroses para o seu próprio benefício.

Assim um dos fatores chaves para atingir resultados em magia é a completa eliminação do desejo consciente por resultados de modo a conseguir armazenar o desejo na mente subconsciente. O processo é semelhante a um estudante que pensa tanto nas notas que deve tirar que trava na hora da prova ou a um apaixonado que está tão dominado por seu objeto de desejo que na frente dele mal consegue falar e arruína cada possibilidade de sucesso que surge.  Isso acontece porque a mente consciente projeta tantas imagens diferentes do resultado que é como se uma canibaliza-se a outra enfraquecendo a Vontade.  O grande problema é que é apesar do sigilo ser um desejo disfarçado é muito difícil para os iniciantes realmente esquecerem o que aquele desenho ou mantra significa porque na verdade eles acabaram de criá-lo. Entretanto se isso não for feito nenhum sucesso pode ser esperado.

Em geral o sigilo é carregado poucas horas após ter sido concebido. Está demasiadamente fresco para que possa de fato passar pela mente consciente de forma ilesa. Para adquirir esta disciplina mental é necessário um forte domínio sobre sua própria mente. Recomendo fortemente para isso a prática do Liber E vel Exercitiorum sub figura IX  de Aleister Crowley, o liber MMM de Peter Carroll, as instruções mágicas de Franz Bardon ou um quaisquer dos muitos exercícios de Vontade sugeridos por autores mais tradicionais como Levi e Papus. Vale dizer que o domínio dos exercícios passados nestes livros podem fortalecer a Vontade a tal ponto que realizar uma sigilização com eficiência se tornará apenas uma entre inúmeras habilidades adquiridas.

De fato, o esquecimento é uma chave importante que deve ser observada para qualquer cerimônia mágica, com algumas exceções que deverão ser pontuadas. A primeira é quando você consegue sair do ritual tão satisfeito que o problema original que o levou a executá-lo simplesmente não o incomoda mais e você consegue naturalmente sublimá-lo. Este é o caso por exemplo dos rituais descritos por Anton LaVey em sua Bíblia Satânica. O segundo caso é quando o ritual em si é o objetivo. Isso acontece por exemplo em rituais de iluminação, divinação e em alguns casos de evocação e invocação.

Dito isso apresentarei agora uma solução engenhosa, um tanto trabalhosa mas certamente eficiente para ajudar os iniciantes a esquecer do que os sigilos são feitos sem a necessidade de uma rígida yoga mental.

A Caixa do Esquecimento

A Caixa do Esquecimento é uma prática pré-ritualistica que pode ajudar os magistas de fato lançarem seus sigilos para o subconsciente sem mentirem para si mesmos que conscientemente não sabem do que se tratam. Seu funcionamento é simples e deve ser incorporado a rotina mágica dos interessados.

– Adquira sua própria caixa do esquecimento. Devido a sua importância psicológica ela deve ser construída pessoalmente pelo adepto. Caso lhe faltem habilidades de bricolagem será suficiente que a caixa seja decorada ou pintada de modo a se tornar uma representação da Vontade do adepto. Ela não deve ser muito grande, pois deve ser facilmente armazenável. O tamanho de uma caixa de charutos deve bastar.

– Limpe a caixa com seu ritual de banimento favorito. Após isso desenvolva um ritual específico de consagração a deusa grega Lethe, ou a algum deus/deusa do esquecimento de sua preferência. A essência da intenção deste ritual é a que a divindade leve embora com ela toda lembrança dos colocado dentro da caixa.

– Feito isso liste 23 desejos que você gostaria de realizar nos próximos cinco anos. Não é necessário que sejam coisas grandiosas, o ideal é que seja uma mistura de intenções importantes e triviais. ‘Vender a casa com uma altíssima margem de lucro’ pode estar nesta mesma lista ao lado de ‘Achar um novo corte de cabelo.’. Certifique-se apenas que todos eles tornem sua vida mais completa e agradável e que eles não sejam contraditórios.

– Agora crie 23 sigilos para cada um dos 23 desejos. Mantenha o mesmo estilo de traçado para todos eles e desenhe-os em papeis de igual tamanho. Dobre cada papel de forma idêntica e coloque todos eles dentro de sua Caixa do Esquecimento. Por fim, guarde sua caixa em algum lugar impregnado da própria essência do esquecimento, algo como o fundo do armário ou um quarto onde você raramente vá.

– A partir de agora, sempre que você  quiser lançar um sigilo, você não vai lançá-lo. Ao invés disso, crie-o e coloque-o em sua caixa exatamente como fez com os 23 sigilos iniciais. Em seguida sorteie da caixa um outro sigilo e carregue-o na sua forma de gnosis preferida. Lembre-se você só pode tirar um sigilo da Caixa do Esquecimento se colocar outro no lugar.

Conclusão

O processo descrito acima se provará muito útil pois sem dúvida aumentará perceptivelmente a taxa de sucesso em magia. Pela própria maneira como  a Caixa é construída o praticante não deve se espantar caso perceba que mais de um intento se realize em um período muito curto de tempo, ainda que o número de sigilos lançados não tiver sido suficiente. Para concluir devo dizer que espero sinceramente que este pequeno atalho apresentado não desestimule os estudantes de aprimorarem suas próprias mentes com os livros sugeridos acima. Caso procedam desta forma, o farão para seu próprio prejuízo. A soberania da própria Vontade é o bem mais valioso que um magista pode ter.

Obs – originalmente a caixa era consagrada a Mnemosine, deusa da memória grega. Mas por sugestão troquei para a deusa Lethe do esquecimento que por algum motivo não consegui lembrar ao escrever o artigo original.

Morbitvs Vividvs

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-caixa-do-esquecimento-de-lethe/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-caixa-do-esquecimento-de-lethe/

O Festival de Diwali

Texto de Andre De Rose

Chegou novamente o tempo de acender pequenas lamparinas, de pendurar as lanternas coloridas nas casas, de fazer pújá, de visitar os amigos e os vizinhos e de celebrar à volta da mesa familiar a alegria que traz a festa do Diwali, o festival das luzes. A luz representa a libertação da ignorância.

Existem várias suposições sobre a origem desse festival. Alguns alimentam que ele celebra o casamento de Lakshmi com Vishnu. Em Bengala, o festival é dedicado a Kalí. É também comemorado como o dia em que Rama, de forma triunfante, retornou para Ayodhya, após ter derrotado Ravana. Nesta mesma data, também, Sri Krishna matou o demônio Narakásura.

A Índia é um país onde o calendário solar é uma enorme lista de festivais celebrados em seus meses respectivos. Divali, o festival das luzes, é um deles, e é celebrado no início da estação de inverno na índia, acontece sempre entre o final de outubro e a primeira quinzena de novembro, durante a lua crescente. Pobre ou rico, velho ou jovem, religioso ou ateu, todos na Índia celebram Divali. Casas são iluminadas, pintadas e especialmente decoradas para a ocasião. Por todo o país, o festival é saudado com o mesmo entusiasmo pelas pessoas, tirando a escuridão e recebendo a luz em suas vidas. Essa comemoração é muito semelhante ao natal ocidental. Entretanto, a celebração do festival tem significado diferente de estado para estado, segundo as lendas e os rituais de cada um deles.

A palavra Divali é proveniente do Sânscrito Dipávali, dipa significa luz e avali, fila, traduzido, fileira de luzes. Por vezes é transliterado para o inglês como Deepavali. A historia do Divali, ou mais corretamente Dipávali, é repleta de lendas, baseadas nos Puránas. O tema central dessas lendas está na vitória do bem sobre o mal, mas cada história varia um pouco na forma da sua apresentação e conteúdo. A origem do Dipávali remonta à proto-história, logo, de tradição predominantemente oral. E, por algum mistério, a tradição desta celebração épica continua viva há milhares de anos.

O épico

De acordo com o Rámayana (caminho de Ráma), o Dipáwali comemora o retorno de Ráma (Ráma é um dos avatares de Vishnu), o filho mais velho de Dasharatha de Ayodhya, do seu exílio com Sítá e seu irmão Lakshamana Dasharatha, teve três esposas Koshalayá, Keykayí e Sumitrá e quatro filhos Ráma, Bharata, Lakshamana e Shatrughan. Ráma foi o filho da rainha Koshalayá e Bharata foi o filho da Rainha Keykayi. Keykayi desejava que Bharata fosse o próximo rei, enquanto o rei Dasharatha desejava que fosse seu filho mais velho. Mas a ciumenta Keykayi fez uso de dois desejos que o rei Dasharatha tinha lhe concedido e enviou Ráma para o exílio nas florestas, por um período de catorze anos. Durante esse tempo, Ráma lutou e venceu tênues batalhas no sul, que separa o sub-continente Indiano, (acredita-se que seja onde hoje se localiza o Srí Lanka) matando Ravana, um rei demoníaco, que tinha violentamente tomado, como esposa, Sítá. Divali marca sua volta vitoriosa para seu reino junto com Hanuman, o Vanar (general) que o ajudara a alcançar sucesso.

A população de Ayodhya iluminou toda a cidade com dipika (lamparinas a óleo) e fogueiras para celebrar o retorno de seu rei.

Na época devia ser um espetáculo magnífico de se ver, pois não existia luz elétrica e cada casa era iluminada por uma ou várias dessas lâmpadas; nas ruas, fileiras de fogueiras foram acesas para recepcioná-los. Esta celebração ocorre 20 dias após o dusera, no amavashya, o 15º dia mais escuro do mês Hindu, na noite da lua nova Ashwini (ásho) (outubro / novembro).

As pessoas expressam sua felicidade acendendo diyas ou dipikas de barro ou ferro e decorando as casas para dar as boas vindas a Lakshmi, deusa da riqueza e prosperidade, explodindo rojões e convidando o próximo para suas casas, para banquetes grandiosos. A iluminação de lâmpadas é uma forma de pagar a cortesia à divindade, para realização de saúde, riqueza, conhecimento, paz e fama, e isto também expressa bondade. É uma época que marca o começo do Novo Ano Hindu, como um novo começo para tudo.

Esse é apenas um dos aspectos desse festival lendário de quatro dias de duração e cada um dos dias tem uma historia própria para contar, cheia de rituais e mitos.

O Primeiro dia é chamado Dhamteras ou Dhamtryodashi, que cai no décimo terceiro dia do mês de Ashwin. A palavra Dhama significa riqueza. Este dia tem grande importância para a comunidade rica. Acreditava-se que, segundo o horóscopo, o filho mais velho do rei Hima morreria no quarto dia de casamento, picado por uma cobra. Assim, naquele quarto dia de casamento sua preocupada esposa colocou lâmpadas inumeráveis em todo lugar e pôs todo o tipo de ornamentos, montes de ouro, e moedas de prata em uma pilha grande na entrada da casa do marido. E ela continuou contando estórias e cantando antigas canções através da noite. Quando Yama, o deus de morte, chegou na forma de uma serpente, o brilho daquelas luzes cegou seus olhos e ele não pôde entrar na câmara do Príncipe. Assim, ele subiu na pilha dos ornamentos e moedas e ficou sentado a noite inteira, escutando os mantras e as canções melódicas. Pela manhã, ele calmamente foi embora. Assim a esposa salva seu marido e, desde então, este dia de Dhamteras veio ser conhecido como o dia de Yamadipadáma e lâmpadas são postas queimando por toda a noite, em homenagem a Yama, o deus de Morte.

O Segundo dia é chamado Narakachaturdashi ou Chhoti Diwali, que cai no décimo quarto dia do mês de Ashwin.

Este é o dia de pré-divali, associado à lenda do momento em que Krishna e sua esposa Satyabhama vencem o demônio Naraka. De acordo com os Puránas, Naraka, o filho de Bhudeví, adquiriu de Bráhma uma força descomunal, após uma severa penitência (tapas), desencadeando, imediatamente, um reino de terror na cidade de Kámarupa. Os Devas incapazes de combater seu poder invencível recorreram a Krishna. Mas Naraka não poderia ser morto, a não ser pelas mãos de sua progenitora, Bhudeví, que já havia morrido há muito tempo. Porém, Krishna pede a sua esposa, Satyabhama, que, embora não saiba, é a reencarnação de Bhudeví, para ser a sua cocheira durante a batalha com o exército de Naraka. Krishna força um confronto com o próprio Naraka e finge ser mortalmente ferido por uma flecha dele; em desespero, Satyabhama (Bhudeví) pega o arco de seu marido (Krishna) e mira em Naraka, este, se valendo da sua invulnerabilidade, sem saber que ela, era na verdade, a reencarnação de sua mãe, é morto imediatamente, como previa a lenda. Esta lenda conta com uma moral tipicamente indiana, de que mesmo os pais não devem hesitar em punir suas crianças quando estão traçando o caminho errado, e que o bem da sociedade deve sempre prevalecer acima das suas próprias ligações familiares.

O Terceiro dia do festival de Divali é o mais importante, de Lakshmí – pújá, que é inteiramente dedicado ao propósito da personalidade Lakshmí. Este é o dia de Amavashya, também conhecido pelo nome de Chopada-pújá. O dia em que Lakshmí anda pela noite escura de Amavashya. Acreditam, também, que neste dia auspicioso, Krishna descartou-se de seu corpo. Uma estória mais interessante, relacionada com este dia, está na narrativa sobre um pequeno menino chamado Nachiketa, que acreditava em Yama, o deus da morte. Neste dia ele encontrou Yama em pessoa e ficou confuso, vendo a calma e sóbria postura dele. Yama explicou ao Nachiketa que, neste dia de Amavashya, somente ao passar pela escuridão da morte, o homem vê a luz da mais alta sabedoria e, então, sua mente pode escapar da escravidão do medo da sua própria mortalidade. Nachiketa compreendeu a importância da vida no mundo e o significado da morte, todas as suas dúvidas foram tiradas e ele participou, por inteiro e de coração das celebrações do Divali.

Bali Chakravarthya era o rei do mundo e seu poderoso reino havia se transformado em uma ameaça aos Dêvas. Muito preocupados, eles recorrem a Vishnu que, imediatamente, intercede na forma de um avatara anão chamado Vamana. Como Bali era famoso por manter sua palavra a qualquer custo e ser um rei justo para o seu povo, o pequeno Vamana foi visitá-lo para fazer um pedido. – Por favor, ó meu rei, peço-lhe que me conceda um pequeno pedaço de terra que eu consiga cobrir com três passos destas minhas curtas pernas. O rei, como não via nenhuma ameaça no pequenino, deu sua palavra. Este, por sua vez, transformou-se em Vishnu, com sua forma infinita, e no primeiro passo, cobriu os céus, no segundo, o mundo inteiro, e como não havia mais nenhum outro lugar, Bali ofereceu a sua própria cabeça para Vishnu pisar. Assim que Vishnu pisou sobre a sua cabeça, Bali foi projetado para o sub-mundo, Pathala Loka, mas pelo seu gesto de entrega, Vishnu concedeu que Bali retornasse uma vez ao ano para a terra, para trazer a sua sabedoria, iluminando milhares de lâmpadas para dispersar a escuridão da ignorância e espalhar a radiação do amor e compaixão.

O Quarto dia é o final das Festividades do Divali, chamado Kartika Shuddhi Padwa, também conhecido, simplesmente, como Padwa ou VarshaPratipáda, que marca a coroação do rei Vikramáditya o Vikarama-samvat começou neste dia.

O dia que segue Amavasya, e é somente nesse dia que Bali sairia de Pathala Loka para Bhu Loka, é conhecido também como Bali Padyami.

Ao norte da Índia é executado o Govardhana-pújá. O Vishnu Púrana conta que o povo de Gôkula comemorava sempre após o final da estação das monções com um festival dedicado a Indra. Mas, em um ano em particular, Krishna parou as preces oferecidas a Indra que, irado, produziu um dilúvio para submergir Gokula. Mas Krishna arrancou a montanha Govardhana e usou-a como um guarda-chuva salvando a cidade. Este dia é também observado como Annakuta e orações são oferecidas nos templos.

O Quinto dia é uma tradição pós-Divali, conhecido pelo nome de tikka ou Bhaiya-duj. Este dia é observado como um símbolo de amor entre as irmãs e irmãos. Acredita-se que no dia de Yamarája, o deus de morte visita sua irmã Yamí e ela coloca a forma do auspicioso (swástika) em sua testa, uma pasta feita de açafrão com arroz. Eles comeram, falaram, desfrutaram e trocaram presentes especiais como símbolo de seu amor mútuo. Yamarája anuncia que qualquer um que receber o tilak de sua irmã, neste dia, terá proteção, por todo o ano, para afastar todos os perigos. Desde então, é imperativo ao irmão ir para casa da sua irmã para celebrar o Bhaiya Duj.

Feliz Diwali!

#Festividade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-festival-de-diwali

7 Maneiras de se Conectar com Arcanjos

Por Richard Webster.

Os arcanjos são os mensageiros mais importantes de Deus. O arcanjo Gabriel, por exemplo, foi enviado para dizer à Virgem Maria que ela daria à luz Jesus Cristo. A palavra “arcanjo” significa “anjo-chefe”, como o prefixo “arch” significa “chefe”, “principal” ou “mais importante”.

Na Bíblia, Miguel é o único anjo identificado como arcanjo (Livro de Judas 9). Ele também é chamado de “um dos principais príncipes” (Livro de Daniel 10:13), denotando sua importância. Os arcanjos são anjos importantes que estão ativamente envolvidos em garantir o bem-estar de todas as formas de vida na Terra. Cada arcanjo tem um papel específico a desempenhar nisso.

Os arcanjos protegem, guiam e ajudam a humanidade de muitas maneiras diferentes. Por estarem tão próximos da humanidade, eles estão dispostos a ajudá-lo da maneira que puderem e responderão imediatamente ao seu chamado. Você pode pedir-lhes para ajudar os outros, também.

Arcanjos são incansáveis ​​e podem aparecer em mais de um lugar ao mesmo tempo. Você pode chamar qualquer um dos arcanjos para ajuda e apoio sempre que necessário, e tenha certeza de que eles virão instantaneamente em seu auxílio.

Aqui estão sete maneiras de ajudá-lo a se conectar com os arcanjos.

AJUDA INSTÂNTANEA:

Se você precisar de ajuda com urgência, tudo o que você precisa fazer é chamar um arcanjo. O arcanjo Miguel, o arcanjo guerreiro de Deus, é o melhor anjo para chamar quando a situação é desesperadora ou urgente. Eu o chamei em três ocasiões, e ele respondeu instantaneamente todas as vezes.

COMO INVOCAR OS QUATRO GRANDES ARCANJOS:

A palavra “invocar” significa “chamar para si” e geralmente é feita quando alguém precisa de ajuda ou inspiração. Tudo o que você precisa fazer é reconhecer que os anjos estão presentes e estão dispostos a ajudá-lo. Sempre que possível, olho para o leste e começo invocando Rafael, que cuida dessa direção. Sente-se em silêncio, feche os olhos e faça três respirações lentas e profundas. Diga a si mesmo: “Relaxe, relaxe profundamente” cada vez que expirar. Quando sentir que está começando a relaxar, concentre-se em diferentes partes do corpo, dizendo-lhes para relaxar. Eu geralmente começo com meus pés e gradualmente subo até o topo da minha cabeça.

Quando você se sentir totalmente relaxado, visualize o arcanjo Rafael parado na sua frente. Eu costumo imaginá-lo como um jovem bonito segurando um peixe em uma mão e um cajado na outra. É assim que ele é geralmente retratado pelos artistas. Você pode “vê-lo” como uma esfera de energia rodopiante, ou em qualquer outra configuração ou forma que você escolher.

Uma vez que você se conscientize de que o arcanjo Rafael está na sua frente, visualize o arcanjo Miguel em pé à sua direita, seguido pelo arcanjo Gabriel atrás de você e o arcanjo Uriel em pé à sua esquerda.

Você está agora totalmente cercado e protegido pelos quatro grandes arcanjos, Rafael, Miguel, Gabriel e Uriel, e provavelmente está se sentindo cheio de confiança e vitalidade. Finalmente, visualize um fluxo de pura luz divina descendo dos céus, entrando em seu corpo através de sua cabeça e revitalizando cada célula de seu corpo. Há tanta luz divina que transborda e envolve você completamente em um túnel de luz.

Agora é hora de falar com os arcanjos e fazer qualquer pedido que você tenha. Quando terminar, agradeça a cada arcanjo. Espere até que o momento pareça certo antes de dizer “Obrigado” mais uma vez e depois abra os olhos.

MÉTODO DOS CHAKRAS:

O som conecta nosso mundo cotidiano ao mundo espiritual. O som mais espiritual é aaah, que está contido nas palavras aum e amém. Também é encontrado nos nomes da maioria das divindades e é um mantra sagrado em muitas tradições orientais. É um som de criação. É produzido involuntariamente em momentos de alta emoção, como raiva, tristeza e exultação. Você pode usar “aaah” para se conectar com qualquer um dos arcanjos. Sente-se calmamente em algum lugar onde você não será perturbado e pense no arcanjo com quem você quer se conectar. Feche os olhos e respire lenta e profundamente. Diga “Aaah” ao expirar. Continue fazendo isso até sentir uma vibração no chakra do coração, no meio do peito. Isso acontece porque “aaah” é um som de compaixão, sentimento e amor, todos relacionados ao chakra do coração.

Depois de sentir o chakra do coração vibrando, faça mais três respirações lentas e profundas. Ao expirar, continue dizendo “aaah”, mas visualize sua respiração deixando seu corpo através do chakra do coração, enchendo a área em que você está com amor divino. Enquanto você continua fazendo isso, visualize o arcanjo com o qual você deseja se conectar em pé cerca de um metro e oitenta à sua frente. Quando você tiver a sensação de “saber” que seu arcanjo está lá, esqueça sua respiração e comece a falar com seu anjo escolhido.

INVOCAÇÃO DE ORIENTAÇÃO:

Esta é uma invocação útil se você deseja se comunicar com um arcanjo para orientação de qualquer tipo. Se você deseja proteção, libertação do medo ou aprender a verdade sobre algo, peça para falar com o arcanjo Miguel. Se você está buscando cura, abundância ou proteção enquanto viaja, você se comunicaria com o arcanjo Rafael. Se você está buscando clareza e pureza de mente, você falaria com o arcanjo Gabriel, e se você quisesse paz de espírito e crescimento espiritual, você escolheria falar com o arcanjo Uriel.

Você inicia a invocação caminhando por pelo menos quinze minutos, de preferência ao ar livre. Enquanto caminha, pense em todas as coisas pelas quais você é grato. Você pode, por exemplo, ser grato pela luz do sol, grama verde, automóveis, pássaros, sorrisos calorosos e um beijo de seu parceiro. Pense no máximo de bênçãos que puder enquanto caminha.

Ao voltar para casa, sente-se em uma cadeira confortável, feche os olhos e pense em cada uma das coisas pelas quais você é grato. Visualize-os o mais claramente possível em sua mente. Depois de fazer isso, pense em sua necessidade de se comunicar com um arcanjo. Você pode precisar de ajuda para resolver um problema, ou pode ter tomado uma decisão e querer a aprovação de um arcanjo antes de prosseguir.

Faça três respirações lentas e profundas, antes de expirar lentamente. Peça ao arcanjo que você escolheu para se juntar a você. Você pode dizer algo como: “Abençoado arcanjo… Obrigado por todas as bênçãos em minha vida. Sou grato a você por sua orientação, amor e ajuda. Por favor, venha a mim agora, pois preciso de sua ajuda. novamente.”

Faça uma pausa de trinta segundos. Se você sentiu a presença de seu arcanjo, pode continuar com seu pedido. Se você não sentiu nada, repita seu pedido novamente, e uma terceira vez, se necessário. Se você ainda não sentiu nada, visualize todas as coisas pelas quais você é grato mais uma vez e depois peça ao arcanjo para se juntar a você. Desta vez, explique seu problema ou preocupação, depois de fazer a solicitação.

Você não precisa se preocupar se não receber uma resposta, pois explicou sua preocupação, e a resposta virá quando você menos esperar, possivelmente quando você acordar na manhã seguinte à apresentação. este rito.

Termine o ritual agradecendo ao arcanjo por sua ajuda e apoio.

O RITUAL DO CRISTAL:

Este é um ritual útil que você pode realizar em qualquer lugar que esteja. Tudo que você precisa é de um cristal ou pedra preciosa atraente. Pode ser da cor que desejar. No entanto, você pode querer segurar um cristal relacionado a um arcanjo em particular. Para Rafael, você pode escolher um cristal amarelo e provavelmente escolheria vermelho para Miguel, azul para Gabriel e verde para Uriel. Você pode preferir usar celestita, selenita, angelita e serafinita, pois são frequentemente usadas para incentivar o contato angelical.

Sente-se confortavelmente, feche os olhos e acaricie suavemente seu cristal. Faça várias respirações lentas e profundas e depois peça ao arcanjo com quem você deseja se comunicar para vir até você. Muitas vezes, isso é tudo que você precisa fazer. Você pode notar uma diferença nas energias do cristal ou perceber que o arcanjo está com você. Se o arcanjo não vier imediatamente, continue acariciando o cristal por mais alguns minutos e depois peça novamente.

CAMINHANDO COM UM ARCANJO:

Minha maneira favorita de fazer contato angelical é caminhar com um anjo. Gosto de caminhar e sinto falta da minha caminhada diária quando não é possível fazê-la. Quase sempre peço a um anjo para caminhar comigo. Geralmente é meu anjo da guarda, mas chamo outros anjos, inclusive arcanjos, sempre que preciso de sua ajuda. Começo a andar da maneira habitual e, depois de cerca de cinco minutos, convido um anjo para caminhar comigo. Depois de um ou dois minutos, perceberei que o anjo com quem quero me comunicar está caminhando ao meu lado. Não vejo nem ouço esse anjo, mas experimento uma forte sensação de sua presença. Assim que eu perceber que o anjo está comigo, começarei uma conversa. Costumo fazer isso em silêncio, mas se sei que estou completamente sozinho, prefiro falar em voz alta. As respostas do anjo aparecem como pensamentos em minha mente. Depois de discutirmos tudo o que preciso saber, agradeço ao anjo e termino a caminhada sozinho. Prefiro usar esse método enquanto caminho pelo campo, mas descobri que posso fazê-lo em qualquer lugar, mesmo em um shopping center movimentado.

ESCREVENDO PARA UM ARCANJO:

Escrever uma carta para um determinado arcanjo é uma maneira altamente eficaz de fazer contato. O ato de pensar sobre o que você vai dizer e depois escrevê-lo concentra suas energias, e você pode descobrir que o arcanjo responderá enquanto você ainda está escrevendo a carta. Você pode escrever uma carta pedindo a ajuda necessária para resolver um problema que envolve você ou alguém próximo a você. Você também pode escrever para estabelecer uma conexão.

Escreva a carta como se estivesse escrevendo para um amigo próximo. Inclua informações sobre sua família, relacionamentos, trabalho, esperanças e sonhos. Fazer isso o ajuda a esclarecer o que está acontecendo em sua vida, e você descobrirá que o ato de escrevê-los ajudará a resolver muitas de suas preocupações.

Termine a carta agradecendo ao arcanjo e expressando seu amor. Assine a carta, sele-a em um envelope e escreva o nome do arcanjo na frente.

A etapa final é “enviar” sua carta ao arcanjo. Sente-se em frente a uma vela acesa com o envelope nas mãos em concha. Pense no arcanjo e no seu pedido. Diga qualquer outra coisa que queira acrescentar e, em seguida, queime o envelope na chama da vela. Observe a fumaça levar sua mensagem aos reinos celestiais. Uma vez que o envelope e seu conteúdo tenham sido queimados, agradeça ao arcanjo novamente e continue com o seu dia confiante de que você receberá uma resposta do arcanjo quando for a hora certa.

Naturalmente, você precisa ter cuidado sempre que estiver trabalhando com velas. Coloco minhas velas em bandejas de metal e tenho um jarro de água por perto, para o caso de um acidente. Nunca precisei usar a água, mas me sinto mais feliz sabendo que ela está lá.

Experimente os diferentes métodos e veja quais funcionam melhor para você. Depois de fazer uma conexão inicial, você descobrirá que poderá chamar esse arcanjo em particular sempre que desejar, e o vínculo entre vocês ficará mais forte cada vez que fizer contato.

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Sobre o autor:

Richard Webster (Nova Zelândia) é o autor best-seller de mais de cem livros. Richard apareceu em vários programas de rádio e televisão nos EUA e no exterior, incluindo participações especiais na WMAQ-TV (Chicago), KTLA-TV (Los Angeles) e KSTW-TV (Seattle). Ele viaja regularmente, dando palestras e realizando workshops sobre uma variedade de assuntos metafísicos. Seus títulos mais vendidos incluem Spirit Guides & Angel Guardians (Guias Espirituais e Anjos Guardiões) e Creative Visualization for Beginners (Visualização Criativa Para Iniciantes).

E-mail: esp@psychic.co.nz

Site: http://www.psychic.co.nz/

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Fonte:

7 Ways to Connect with Archangels, by Richard Webster.

https://www.llewellyn.com/journal/article/3023

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/7-maneiras-de-se-conectar-com-arcanjos/

‘Os 40 Servidores e como começar a usá-los

Os 40 Servidores são personalidades mágicas lançadas ao mundo por Tommie Kelly na noite de Halloween de 2016. Criados inicialmente como para ser um sistema oracular revelaram-se também como um sistema prático e simples de evocação que caiu no gosto dos praticantes de magia no caos. O material a seguir é tudo o que você precisa para começar a usá-los, entretanto Kelly lançou também um Grimório dos Quarenta Servidores (já editado pela Editora Penumbra) com um rico conteúdo adicional.

O que são os servidores ?

Estes 40 personagens podem ser compreendidos de várias formas, o próprio criador que inicialmente diziam se tratar de formas-pensamentos hoje chama os servidores de ‘encarnações de ideias universais” e evita bater o martelo e dizer que são entidades astrais, quantas de informação ou arquétipos psicológicos. Alguns servidores podem ser facilmente reconhecíveis em formas divinas e mágicas mais antigas. O importante é que se tratam de realidades que podem ser acessadas para se obter sucesso em todos os campos da vida.

Cada servidor possui sua própria carta com seu sigilo e imagem representativa. Você pode adquirir o baralho completo no site do Tommie Kelly mas ele também liberou muito conteúdo gratuito para ser utilizado pelos magistas:

Nota: Aqui no Morte Súbita inc. optamos por traduzir literalmente os nomes dos servidores. Entendemos que ao contrário dos nomes comuns os nomes destes servidores no original são absolutamente descritivos e esta característica se perde para quem não domina o idioma inglês.  Para fins de correspondência sempre que um servidor for mencionado a primeira vez ele será acompanhado do nome inglês.

O que os servidores querem em troca?

Nas palavras de Tommie:

“Tradicionalmente, os servidores precisam ser “alimentados” para continuar a existir. Os Quarenta Servidores foram criados para viver e se alimentar da atenção e do uso das pessoas. Quanto mais atenção eles recebem, mais poderosos eles se tornam para todos que os usam.” e ainda “Ser alimentado pela atenção significa que os Quarenta servidores dependem totalmente dos humanos para existir. Se as pessoas pararem de usá-los ou de pensar neles, eles deixarão de existir.”

Uso Básico dos 40 Servidores

A melhor maneira de conhecer e rapidamente começar a usar os 40 servidores é entrando em contato com eles.Você precisa conhecer sua equipe e com essa interação você vai aprender mais – e em muito menos tempo – do que qualquer teoria que poderíamos passar para você.

Escolha uma carta e deixe sua mente relaxar. Em particular tente não se prender a nenhuma noção preconcebida que você possa ter sobre seus nomes, rótulos ou personalidade. Deixe os servidores falarem diretamente com você sem intermediários por meio de suas imagens, sigilos e insinuações.  Essa primeira etapa é importante e geralmente negligenciada por quem só procura um servidor quando os boletos estão atrasados ou quando precisa dar uma lição em alguém. Pagar as contas e dar uma lição em quem merece são coisas ótimas, mas um aprofundamento anterior e desinteressado nos servidores leva a uma  percepções e compreensão maior de sua natureza.

Só com este pequeno exercício você poderá não apenas entender a personalidade dos servidores mas talvez ter acesso a nomes, mantras, símbolos e correspondências que eles queiram usar apenas com você. De qualquer forma durante este exercício preste atenção a seus sonhos e impressões, em especial em pensamentos que surgirem do nada. Anote quaisquer detalhes que vierem à mente.

Iniciação usando O Santo

Tommie Kelly sugere como um ritual de iniciação para este sistema que se utilize o servidor chamado “O Santo” como um intermediário, um concierge, um especialista em especialistas:

“Esta evocação pode ser um dos primeiros rituais que você realiza quando começa a trabalhar com os Quarenta Servidores. Este ritual tem três fases. Na primeira fase, você faz contato com O Santo durante um período de três dias e, na segunda fase, você pede a ele para apresentá-lo aos outros trinta e nove servidores restantes. Na fase final, você passa mais três dias agradecendo ao Santo por sua ajuda e assistência. Pense no Santo, como sendo semelhante a Scirlin do Grimorium Verum, ou qualquer um dos outros espíritos intermediários de qualquer grimório ou sistema. O Santo, neste primeiro papel inicial atua como intermediário entre o novo mago e os outros Quarenta Servidores.”

Retire a carta do Santo do Baralho, ou use seu sigilo ou imagem impressa, e coloque-o em seu altar, ou em um lugar especial por três dias. A cada dia, acenda uma nova vela e queime incenso em sua homenagem. O rum também é uma excelente oferta. Em seguida, diga o seguinte em voz alta para ele:

“Eu invoco você Grande Servidor ‘O SANTO’ para que venha a mim para que eu possa conhecê-lo.
Eu sou (diga seu nome), o mestre e governante deste domínio.
Você é o servidor conhecido por intercessão e convocação de especialistas, venha e apresente-se a mim.

Sempre me obedeça, Grande Servidor, e sempre me agrade.
Em troca, vou oferecer-lhe reconhecimento e sustento
para que aumentem a sua energia, potência e fama.

Dê-me um sinal de que você ouviu minha chamada e
venha me dar as boas-vindas como seu Mestre e Amigo.”

No quarto dia e pelos próximos trinta e nove dias, use a seguinte oração, mudando-a a cada dia para incluir o nome de cada um dos trinta e nove servidores restantes em ordem alfabética. Faça uma oferta ao santo e ao servidor a cada dia.

Convido-te, Grande Servidor ‘O Santo’, que venha até mim para que eu te conheça.
Eu sou (diga seu nome), o mestre e governante deste domínio.
Eu te chamo aqui para que você possa me apresentar ao servidor (diga o nome do servidor) que é conhecido por (descreva seus atributos),

Ó Grande Servidor O Santo,
traga (o nome do servidor) adiante para que eu possa reconhecê-lo,
E em troca ele / ela me reconhecerá como seu amigo e mestre.

Sempre me obedeça, Grande Servido (Nome do servidor do dia) e sempre me agrade.
Em troca, vou oferecer-lhe reconhecimento e sustento
para que aumentem a sua energia, potência e fama.

Dê-me um sinal de que você ouviu minha chamada e
venha me dar as boas-vindas como seu Mestre e Amigo.

Eu faço essas ofertas como um agradecimento a vocês dois.”

Depois de concluídas as apresentações a cada um dos servidores, coloque O Santo em seu Altar, ou em um lugar especial por três dias. Cada dia faça uma oferta e agradeça com suas próprias palavras por sua ajuda.

Os 40 Servidores

Abaixo temos agora uma listagem dos 40 servidores com uma rápida descrição de suas funções. Sugerimos fortemente que após este contato inicial realize o procedimento descrito acima antes de pesquisar mais profundamente sobre cada servidor.

A Aventureira

A Aventureira (The Adventurer) nos mostra como ter aventura e entusiasmo. Ela nos encoraja a sair de nossas zonas de conforto ao tentar novas coisas lá fora no mundo físico.

Palavras-Chave: Aventura, Entusiasmo, Acelerar, Espanto, Energizar, Intensificar, Sair por ai, Despertar, Surpreender, Provocar Mudança, Motivar, Animar, Inovação, Experimentação.

A Harmonizadora

A Harmonizadora (The Balancer) nos mostra como manter nossas vidas equilibradas e em harmonia. Ela nos encoraja a manter todas as áreas da nossa vida em igual proporção.

Palavras-Chave: Equilíbrio, Harmonia, Uniformidade, Simetria, Combinar, Corrigir, Agrupar, Estabilizar, Reajustar, Homeostase.

A Lasciva

A Lasciva (The Carnal) nos mostra como sermos positivos sobre a nossa sexualidade e nossos corpos físicos. Ela nos encoraja a nos sentirmos sensuais, atraentes e fisicamente desejados.

Palavras-Chave: Desejo, Beleza, Paixão, Sensualidade, Luxúria, Amor Próprio, Fisicalidade, Sexo, Carisma, Confiança.

A Casta

A Casta (The Chaste) nos mostra que disciplina e pureza também são elementos importantes de nossas vidas. Ela nos encoraja a refrearmos o desejo sexual e os prazeres físicos básicos e em vez disso nos concentremos em uma existência mais purificada.

Palavras-chave: Pureza, Castidade, Limpeza, Virtude, Honra, Virgindade, Inocência, Impecabilidade, Fé, Bondade, Respeitabilidade, Celibato, Abstenção, Disciplina.

O Maestro

O Maestro (The Conductor) nos mostra como tomar o controle das circunstâncias de nossa vida. Ele nos encoraja a assumir um papel mais ativo orquestrando a execução dos eventos que nos cercam.

Palavras-chave: Controle, Regular, Ordenar, Direcionar, Pilotar, Regrar, Autoridade, Dominação, Manipulação, Autonomia, Autodeterminação, Autogoverno, Soberania, Liberdade, Liderança.

O Contemplador

O Contemplador (The Contemplator) nos mostra como acessar nossa mente subconsciente. Ele encoraja-nos a temporariamente deixar de pensar sobre nossos problemas para que a mente subconsciente possa encontrar uma solução.

Palavras-chave: Subconsciente, Informação, Automação, Retirada, Deixar soluções apresentarem a si mesmas, Revelação, Subliminar.

A Dançarina

A Dançarina (The Dancer) nos mostra que é perfeitamente humano falhar ou não estar a altura de algo. Ela nos encoraja a aceitar que às vezes as coisas simplesmente não funcionam como planejado e isso é perfeitamente aceitável.

Palavras-Chave: Aceitação, Não resistência, Reconhecimento de como as coisas são, Estar OK, Entregar-se, Ser um bom perdedor, Sobreviver, Resiliência.

A Morte

A Morte (The Dead) nos mostra nossa conexão com nossos Antepassados e com o passado da humanidade. Ela nos encoraja a aprender com o passado, para assim não cometermos os mesmos erros de novo e de novo.

Palavras-chave: Morte, Antepassados, História, O Passado, A Antiguidade, Legado, Conexão, Experiência Coletiva, O Véu, Psicopompa (Orientação das almas), Conhecimento combinado, Encerramentos, Novas Fases.

O Esgotado

O Esgotado (The Depleted) nos mostra que todos os recursos tem sido usados em uma área de nossas vidas. Nos encoraja a levar o tempo que for preciso para reabastecer nossas reservas e talvez seguir em uma nova direção.

Palavras-chave: Encerramentos, Ciclos, Drenado, Esvaziado, Exaurido, Gasto, Usado, Finalizado, Acabado, Desgastado, Estações, Cansado, Definhado, Completo.

O Desesperado

O Desespero (The Desperate) nos mostra que tudo está atualmente tão ruim quanto poderia estar. Ele nos encoraja a reconhecer o inferno em que estejamos.

Palavras-chave: Lúgubre, Terrível, Drástico, Dor, Sofrimento, Depressão, Tristeza, Tormento, Misérias, Nuvens Negras, Desesperança, Desanimado, Desamparado.

O Diabo

O Diabo (The Devil) nos mostra que nossas crenças podem estar nos restringindo e nos mantendo afastados da liberdade. Ele nos encoraja a perceber que nós temos colocado estas amarras em nós mesmos e podemos nos livrar a hora que quisermos.

Palavras-chave: Restrição, Limitação, Limite, Comprometimento, Confinamento, Bloqueios, Restrição, Impedimento, Inibição, Tabu, Emancipação.

O Explorador

O Explorador (The Explorer) nos mostra como nos tornar uma pessoa melhor explorando a profundidade de nós mesmo. Ele nos encoraja a ser mais comprometido com nosso desenvolvimento pessoal e a descobrir nosso talentos ocultos e potencial.

Palavras-chave: Desenvolvimento pessoal, Auto-Ajuda, Exploração Interior, Definição de Novos Desafios, Estabelecimento de metas.

O Olho

O Olho (The Eye) nos lembra que existe um plano divino para todas as coisas. Este servidor nos encoraja a lembrar que todas as coisas são exatamente como deveriam ser.

Palavras-chave: Fé, Plano divino, Trilha Certa, Proteção, Ajuda do Alto, Espírito, Presença, Direção.

O Pai

O Pai (The Father) oferece amor árduo, conselhos e sabedoria para que você enfrente os desafios da vida por si mesmo. Ele nos encoraja a aprender as lições por nós mesmos para que possamos lidar com os problemas futuros com sabedoria e perspicácia.

Palavras-chave: Orientação, Sabedoria, Aprender com a Experiência, Defender a Si Mesmo, Conselho Prático, Coisas que você precisa ouvir.

O Consertador

O Consertador (The Fixer) nos mostra que qualquer problema pode ser resolvido se nos propusermos a fazer o que for preciso. Ele nos encoraja a fazer o que deve ser feito para conseguir o que queremos obter – custe o que custar.

Palavras-chave: Solução, Ajuste, Conserto, Resolução, Reparar, Corrigir, Preço a Pagar, Custo, Último Recurso, Esforço.

A Afortunada

A Afortunada (The Fortunate) nos ensina como ser felizes, saudáveis, prósperos e sábios. Ela nos encoraja a reconhecer quão boa vida boa pode ser.

Palavras-chave: Felicidade, Sucesso, Alegria, Maravilha, Prosperidade, Riqueza, Opulência, Bons Tempos, Abundância, Luxo, Plenitude, Conforto, Deleite, Euforia.

O Porteiro

O Porteiro (The Gate Keeper) nos mostra como entrar nas áreas de nossas vidas que parecemos estar trancados para fora. Ele nos encoraja a saber que sempre há uma chave para cada porta.

Palavras-Chave: Acesso, Exposto, Revelado, Disponível, Permitido, Atingível, Abertos, Acessíveis, Desatado.

O Doador

O Doador (The Giver) nos mostra todos os presentes que recebemos em nossas vidas. Ele nos encoraja a nos lembrarmos de sempre ser generosos e gratos pois hpje somos os doadores amanha podemos ser quem recebe.

Palavras-chave: Prêmio, Benefício, Caridade, Presente, Oferenda, Doação, Gratuidades, Aceitação, Generosidade, Coletar, Obter, Presente, Dar e Receber, Contrato, Posse, Gratidão.

O Guru

O Guru (The Guru) nos mostra como aplicar qualquer conhecimento que possuímos de forma prática. Ele nos encoraja a sempre tentar implementar as lições aprendidas de nossos caminhos espirituais em nossas vidas cotidianas.

Palavras-chave: Ensino, Funcional, Prático, Habilidade, Aplicação de Ideias, Mentor, Mestre Espiritual, Pragmático, Realista, Direção, Uso do Conhecimento, Aplicação de ideias.

A Curadora

A Curadora (The Healer) nos mostra como curar e se recuperar. Ela nos lembra de cuidar de nós mesmos e dos outros.

Palavras-chave: Cura, Curativo, Calmante, Repouso, Remendar, Recuperação, Doença, Saúde, Medicina, Restauração, Terapêutico, Tônico, Integralidade, Bem-estar, Conforto.

A Ideia

A Ideia (The Idea) nos mostra como sermos originais, inventivos e criativos. Nos encoraja a ver que a inspiração está sempre ao nosso redor.

Palavras-chave: Criatividade, Inspiração, Ideias, Imaginação, Engenhosidade, Originalidade, Visão, Design, Descoberta, Forma, Invenção, Composição, Iluminação.

O Levitador

O Levitador (The Levitator) nos mostra como se elevar acima do drama em nossas vidas para que fiquemos afastados e imparciais. Ele nos encoraja a ver as coisas de um ângulo diferente.

Palavras-chave: Elevar-se cima de tudo, Perceptiva Diferente, Ver as Coisas por um Ângulo Diferente,  Escapar do drama, Estar Afastado, Separado, Acima.

A Bibliotecária

A Bibliotecária (The Librarian) nos mostra a teoria por trás dos assuntos que nos interessam. Ela nos encoraja a estudar e aumentar nosso conhecimento.

Palavras-chave: Teoria, Livros, Informação, Dados, Aprendizado, Estudo, Documentos, Localização de Livros, Armazenamento de Informações, Educação, Know-how, Compreensão, Exames, Provas.

Os Amantes

Os Amantes (The Lovers) nos mostram como amar depois que a luxúria se vai. Eles nos encorajam a nos conectar em um nível mais profundo com nossos parceiros para que  laços sagrados sejam formados.

Palavras-chaves: Ternura, Devoção, Apreciação, Laços, Respeito, Afeto, Amados, Conexão, Contato, Parceria, Afinidade, Sentimento.

O Mestre

O Mestre (The Master) nos mostra como ser a melhor versão de nós mesmos. Ele nos encoraja a sempre nos esforçarmos para agir com nossos eus mais elevados, em vez de n com ossas naturezas inferiores.

Palavras-chaves: Ascenso, Divino, Completo, Sabedoria, Guia, Melhor Versão, Evoluído, Entrega, Santo, Místico, Sagrado, Espiritual, Maestria.

A Mídia

A Mídia (The Media) nos mostra como espalhar a palavra sobre todas as coisas é importante para nós. Nos encoraja a sempre lembrarmos do poder da propaganda – tanto a boa quanto a má.

Palavras-chaves: Desinformação, Hype, Publicidade, Anúncios, Promoção, Assessoria de Imprensa, Relações Públicas, Meias Verdades, Falsidades, Enganos, Desonestidade, Insincero, Dissimulado, Astúcia, Propaganda, Relações Públicas.

O Mensageiro

O Mensageiro (The Messenger) nos mostra como nos comunicar melhor. Nos encoraja a sermos abertos para o que a vida esteja tentando nos dizer.

Palavras-chaves: Comunicação, Notícias, Aviso, Conexão, Contato, Conversação, Escutar, Entrega, Ligação, Correspondência, Recebimento.

O Monge

O Monge (The Monk) nos mostra como manter nossas vidas simples e descomplicadas. Ele nos encoraja a passar mais tempo em meditação, introspecção e contemplação.

Palavras-chave: Simplicidade, Facilidade, Frugalidade, Natural, Quietude, Serenidade, Pacífico, Meditação, Calma, Harmonioso, Relaxado, Sereno, Plácido, Tranquilo, Gentil.

A Lua

A Lua (The Moon) nos mostra o que está escondido na escuridão.Nos encoraja a reconhecer nossas auto-ilusões, ao mesmo tempo em que estamos conscientes das mentiras que nos são contadas pelos outros, bem como as ilusões gerais da vida.

Palavras-chave: Ilusão, Reflexão, Decepção, Mentiras, Esperança, Desejos, Iluminação, Sombras, Mistério.

A Mãe

A Mãe (The Mother) nos mostra tudo sobre fertilidade, segurança e nutrição. Ela nos encoraja a nos sentirmos salvos, seguros e a estar atentos ao nosso bem-estar geral.

Mãe: Nutrição, Cuidado, Apoiado, Fertilidade, Maternidade, Amado, Aceitação, Amor Incondicional, Compaixão, Adorado, Mantido a Salvo, Protegido, Estimado, Honrado.

O Opositor

O Opositor (The Opposer) nos mostra como estamos sendo restringidos por forças externas. Ele nos encoraja a enfrentar a oposição e as restrições que nos são impostas por outros.

Palavras-chaves: Oprimido, Restrito, Limitado, Oposição, Hostilidade, Competição, Esforço, Choques, Contrariedade, Contenção, Obstrução, Duelo, Inimigo, Adversário, Antagonista, Obstáculo.

O Planeta

O Planeta (The Planet) nos revela nosso lugar na criação. Nos encoraja a lembrar quão imenso e inspirador é o universo.

Palavras-chaves: Gravidade, Admiração, Importância, Escala, Tamanho, Enormidade, Seu Lugar no Mundo, Padrões, Quadro Maior, Encarnação, Força, Puxar, Confusão, Ambiente, Imensidão, Poder.

O Protetor

O Protetor (The Protector) nos mostra como proteger a nós mesmos e aqueles que amamos de todo dano.  Ele nos encoraja a valorizar proteção, segurança e precaução.

Palavras-chave: Proteção, Segurança, Defesa, Proteger, Guardar, Blindar, Salvaguarda, Manter a Salvo, Tirar do caminho do dano.

A Protestadora

A Protestadora (The Protester) nos mostra como lutar contra a injustiça. Ela nos encoraja  a falar o que pensamos,  lutar pelo que sabemos estar certo e nunca recuar.

Palavras-chave: Protesto, Belicosidade, Desafio, Demonstração, Dissidência, Objeção, Clamor, Revolta, Raiva, Gritaria, Reclamação, Mau Humor, Brado, Manifestação, Insistência, Resistência.

O Abre-Caminhos

O Abre-Caminhos (The Road Opener) nos mostra como limpar, banir e remover os obstáculos em nosso caminho. Ele nos encoraja a reconhecer as oportunidades que são aparecendo ao nosso redor.

Palavras-chave: Abertura, Banimento, Limpeza, Remoção, Oportunidade, Dissipar, Sorte, Circunstâncias Favoráveis, Aumento da Probabilidade de Sucesso, Vantagem, Nova Direção, Golpe de Sorte, Prosperidade, Novo Foco.

O Santo

O Santo (The Saint) nos mostra como pedir ajuda. Ele nos encoraja a buscar a ajuda de especialistas mais preparados do que nós para lidar com a tarefa em mãos ou que possam interceder em nosso nome.

Palavras-chave: Interseção, Experts, Petição, Intervenção, Mediação, Oração, Pedido, Em seu nome, Favor, Experiente, Habilidoso, Profissional, Qualificado.

A Vidente

A Vidente (The Seer) nos mostra como usar nossa intuição e sistema de orientação interna. Ela nos encoraja a sempre seguir os instintos de nossas entranhas.

Palavras-chave: Intuição, Palpite, Clarividência, Discernimento, Seguir seus instintos, Percepção Extrassensorial,  Sentimentos, Percepção, Pressentimento, Premonição, Conhecimento Inato, Intuitivo, Sexto Sentido, Segunda Visão, Instinto, Vibrações.

O Sol

O Sol (The Sun) nos ensina como brilhar em todas as áreas da nossa vida. Ele nos encoraja a perceber a magnitude de nossa própria energia, poder e radiância.

Palavras-chave: Poder, Energia, Crescimento, Luz, Calor, Força, Intensidade, Potencial, Vigor, Capacidade, Dinamismo, Vigor, Potência, Estamina, Vitalidade.

O Pensador

O Pensador (The Thinker) nos mostra como resolver problemas usando nossa mente analítica e racional. Ele nos encoraja a seguir sempre o que é logicamente correto em vez de confiar no que nossos corações possam dizer.

Palavras-chaves: Astúcia, Inteligência, Racional, Luminoso, Cerebral, Brilhante, Sábio, Analítico, Deliberado, Imparcial, Coerente, Iluminação, Judicioso, Lógico, Equilibrado, Lúcido, Prudente, São, Sóbrio, Objetivo.

A Bruxa

A Bruxa (The Witch) nos ensina feitiçaria e conjurações. Ela nos encoraja a ver o mistério e a magia da vida.

Palavras-chave: Magia, Alquimia, Encanto, Feitiços, Conjuro, Diabrura, Ocultismo, Encantamento, Mistério, Mistificação, Poder, Enigma, Desconhecido, Secreto, Wyrd, Sobrenatural, Extraordinário, Miraculoso.

 

Uso inicial dos 40 servidores

Os dois usos mais populares dos 40 servidores são como uma forma de oráculo e uma forma de realizar desejos. Vamos ver os dois da forma o mais direta possível:

1.  Uso Oracular

A razão inicial da criação para Tommie Kelly ter desenhado e organizado os 40 servidores foi o uso deles como um baralho oracular. Essa leitura é feita exatamente como em um tarô tradicional. Embaralhe, tire algumas cartas e posicione-as em um layout significativo.  Existem várias formas de se posicionar as cartas e você não precisa conhecer todas. Par começar use o formado que Tommie Kelly apresentou chamado a Mão Direita de Éris:

Agora, pela análise da posição da carta e do que ela representa você poderá obter insights que respondem as questões levantadas.

Uma forma mais rápida despretensiosa de se fazer a tiragem é simplesmente fazendo uma pergunta e sorteando uma carta. Digamos que você pergunte:

“Devo entrar nesse novo relacionamento?”

E em seguida tira a carta do Opositor. Isso pode significar que este é o caminho para algum relacionamento abusivo. Ou pode significar que você vai ter que comprar briga com alguém (a ex, ou a família) para manter essa relação. Como todo oráculo essa é no final das contas uma forma de acessar a sua intuição.

Esse sorteio simples pode inclusive ser feito pelo uso de gifs animados ou vídeos como o abaixo:

2. Realizando desejos

A maneira sugerida por Kelly de interagir com os servidores é realmente simples e talvez por isso tão popular:

1. Escolha o servidor que pode prestar o serviço que você precisa.
2. De frente para sua imagem ou sigilo acenda uma vela.
3. Fale ao servidor o que você precisa.
4. Diga que acenderá outra vela quando seu desejo for satisfeito.

Após acender a primeira vela entenda que o servidor está presente e então fale diretamente com ele.

A parte final é importante. Adicionalmente a ela você pode fazer um agradecimento público ao servidor. Esses agradecimentos devem ser feitos sempre depois do desejo realizado, nunca antes.

Kelly sugere por fim o que chama de novenas para trabalhos maiores. Nesses casos você acende uma vela nova por 3, 5, 7 ou 9 dias e fala o seu desejo em voz alta para a servidor lembrando sua intenção.

Fontes:

[…] Como eles funcionam? Boa pergunta. Muitas pessoas têm muitas ideias diferentes. Mas aqui está uma postagem que fiz que pode ajudar a explicar tudo. […]

[…] a hora de tirar os 40 servidores da internet e materializá-los no mundo real. A prática apresentada a seguir se baseia no uso de […]

[…] da administração contemporânea. Ele é baseado na combinação de dois frameworks diferentes: Os 40 Servidores criados por Tommie Kelly e a terminologia mágica exposta no Liber KKK.  O Conhecimento prévio destes dois sistemas é um […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/os-40-servidores-como-comecar-a-usar/

Memes para reflexão (parte final)

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(clique nas imagens abaixo para abri-las em nossa galeria de memes no Facebook)

De que adianta ser um mestre?

Há uma ideia recorrente de uma visão superficial do misticismo que vê o mestre espiritual como um grande ser iluminado, digno de toda reverência, cujos ensinamentos praticamente não podem ser questionados… Mas em quê exatamente isso auxilia o cominho dos discípulos do mestre, e do próprio mestre?

Nenhum mestre chamaria a si mesmo de mestre, pois sabe que, se chegou aonde chegou, foi não somente pelo auxílio dos caminhantes de outrora, como pela lenta lapidação de si mesmo, da própria alma, um pensamento de cada vez, um passo de cada vez.

E, se aceita que outros lhe chamem assim, “mestre”, é porque sabe muito bem que houve época em sua andança espiritual em que ele mesmo também teve a necessidade de crer que existia algum guru espiritual que o pegaria pela mão e caminharia junto dele, sem que houvesse necessidade de ir a fundo de si mesmo, e encarar a própria sombra, os próprios medos, as próprias culpas, inteiramente só…

Mas então, depois que descobriu que não existem mestres, e que cada um só pode mesmo ser o mestre de si, também passou, quase que na mesma passada, a compreender que o único mestre é o amor:

Pois o amor é paciente, o amor é gentil. Ele não é ciumento, nem invejoso, nem soberbo, nem rancoroso. Ele sempre aguarda; ele sempre confia; ele sempre persiste; e ele jamais acaba. (Paulo de Tarso, Carta aos Coríntios)

É assim que podemos conhecer a fundo toda exegese bíblica, uma centena de mantras hindus, todas as nobres verdades de Buda e tudo o que se comentou sobre elas ao longo dos séculos, toda a filosofia grega, toda a simbologia do tarô, toda a história da ciência moderna, e muito mais, mas, sem a vivência de tais conhecimentos, sem a conexão com a essência da realidade, sem o mergulho íntimo nesse amor eterno, o que seríamos? Seríamos realmente mestres de alguma coisa?

É assim que chegamos a este meme de Yoda, um mestre jedi que também não chama a si mesmo de mestre, e que é a própria imagem da força espiritual: ela vem de dentro, não de fora. Ela é oculta, não aparente. E ela jamais acaba…

Pertencer a uma Ordem Iniciática não faz de você uma pessoa melhor;
ter muitos conhecimentos magísticos não faz de você uma pessoa melhor;
estar em uma religião não faz de você uma pessoa melhor;
ser uma pessoa melhor faz de você uma pessoa melhor.
(Frater Alef)

O que pode ser mudado

Recentemente surgiu nas redes sociais uma espécie de movimento filosófico que prega o “ficar de boas”, ou seja, o “estar em paz com a vida”. Ele foi chamado, como muitos devem saber, deboísmo.

O que nem todos devem saber, no entanto, é que o sucesso do deboísmo se deve em grande parte a sua similaridade com outra corrente filosófica muito mais antiga, o estoicismo:

Este mundo é uma única cidade, a substância da qual ele é feito é una e, necessariamente, existe uma revolução periódica, os seres cedem lugar uns aos outros, uns se dissolvem enquanto outros aparecem, uns estão fixos e outros em movimento. Tudo está repleto de amigos, antes de tudo os deuses, em seguida os homens que a natureza uniu intimamente uns aos outros. Uns são dados a viver juntos, outros a se separar; é preciso regozijar-se por estar juntos, e não se afligir por dever se separar. O homem, além de sua grandeza natural e de sua faculdade de desprezar o que não depende da sua escolha, possui ainda esta propriedade de não criar raízes e de não estar amarrado à terra, mas de ir de um lugar a outro, seja pressionado pelas necessidades, seja simplesmente para poder contemplar. (Discursos de Epicteto, III, 24)

A condição principal para a pacificação da alma, tanto no estoicismo como em diversas outras correntes filosóficas e/ou religiosas, é justamente a compreensão de que somos apenas pequenos atores em uma peça teatral cujo roteiro supera em muito a nossa atual compreensão. Não nos cabe querer dirigir o que não compreendemos, e ademais seria inútil tentar: há sim muitas coisas que escapam ao nosso controle, a nossa decisão, ao nosso poder.

Mas é justamente nesse “deixar levar” das coisas que não temos realmente controle que nós passamos a voltar nosso foco mental, nossa atenção, para aquilo que é realmente importante, aquilo que podemos mudar: a nossa reação interna, a forma como interpretamos o mundo; em suma, cada um de nossos pensamentos que surge, genuinamente, de nossa mente, de nossa alma, e que “não veio de fora para nos importunar”.

E é precisamente nesse entendimento, nessa compreensão do que pode e do que não pode ser mudado, que iniciamos finalmente na via da sabedoria; e então, se a total pacificação da alma pode ainda se encontrar distante, fato é que a cada passo neste caminho nos tornamos mais confiantes, mais tranquilos, mais “deboas”…

As coisas se dividem em duas: as que dependem de nós e as que não dependem de nós. Dependem de nós o que se pensa de alguma coisa, a inclinação, o desejo, a aversão e, em uma palavra, tudo o que é obra nossa. Não dependem de nós o corpo, a posse, a opinião dos outros, as funções públicas, e, numa palavra, tudo o que não é obra nossa. O que depende de nós é, por natureza, livre, sem impedimento, sem contrariedade, enquanto o que não depende de nós é fraco, escravo, sujeito a impedimento, estranho. (Manual de Epicteto, I)

Deuses dançarinos

Uma vez Friedrich Nietzsche, o grandioso bigodudo da filosofia alemã, disse que “só poderia crer num Deus que soubesse dançar”.

O que o alemão criticava não era a religiosidade, tampouco a espiritualidade poética de deuses dançarinos, mas antes a sisudez e a ortodoxia do cristianismo de sua época, em que os fiéis se abstinham quase que totalmente de suas experiências místicas, de suas danças sagradas, para reler os relatos antigos das experiências dos outros, de muitos séculos atrás.

Fato é que o cristianismo, de lá para cá, acabou realmente se tornando menos sisudo, menos ortodoxo, e mais carismático, em muitos sentidos, e talvez isso agradasse Nietzsche… Ele certamente preferiria dançar ao lado de Jesus do que ouvir a uma missa, se levantando, sentando e gesticulando junto com os demais, em momentos pré-estabelecidos.

No fundo, o que este e os demais memes quiseram lhes trazer é tão somente uma reflexão bem humorada acerca de tais assuntos transcendentes. Levar a vida muito a sério, sem dançar de vez em quando, não parece ser o caminho mais eficiente para a espiritualidade…

***

Crédito das imagens: Raph/Google Image Search

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Cristianismo #memes #Nietzsche

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/memes-para-reflex%C3%A3o-parte-final

A Experiência Interior me leva à Deusa Mãe Tara

Por Yogini Shambhavi

“Saktivikase tu siva eva” – Pratyabhijnahrdayam

No desdobramento de Sakti, um se torna Shiva

Na madrugada de Brahma Muhurta, o tempo sagrado de Brahman, em um lindo e ainda alvorecer do trigésimo dia do mês de março, acordei para as vibrações sonoras e poderosas do som OM………… As paredes brancas lavadas da minha sala do templo ressoaram com suas reverberações. Foi um trovão que acenava dos céus, uma chuva que saudava a primavera? O som ondulante do OM parecia ter origem fora de minha janela e permeava as paredes, fazendo com que todo o meu ser tremesse. Eu me deitei para trás tomando esta incrível corrente, acordada bruscamente do meu sono.

E lá estava Ela em sua forma esplendorosa, a Deusa Tara, sua pele nila (cor azul profundo) brilhando na semiescuridão do meu quarto. A luz tênue da diya iluminada (lâmpada de ghee, manteiga clarificada) realçava sua beleza enquanto ela estava de pé à esquerda de minha cama, um braço estendido na minha direção carregando uma Munda, um crânio na palma de sua mão! Meu corpo estava encharcado em suor pelo choque e medo de Sua presença. Sentei-me na cama e limpei o suor encharcado do pescoço e dos seios e com uma mão trêmula acendeu a lâmpada ao lado da minha cama. As delicadas tensões de luz do candeeiro filtraram através do meu quarto.

Ainda havia um tremor peculiar em meu corpo. Encontrei meu equilíbrio e caminhei até meu Espaço Sagrado no canto do meu quarto, que é meu Templo, e ajoelhei-me diante de sua imensa presença. Acendi um incenso de sândalo e rezei em silêncio, lágrimas rolando pelas minhas bochechas até as coxas nuas.

Eu me senti quase como um zumbi, em transe, tentando me convencer do belo darshan de Ma (Mãe) Smashan Tara…… E assim começou meu encontro com as Deusas Dasha Mahavidya, As Dez Deusas da Sabedoria…………… e toda minha vida começou a metamorfosear. A realização de todos os meus anos de sadhana apaixonada parecia estar se manifestando. Minha necessidade de aprofundar ainda mais a experiência do Tantra, através da meditação, do Mantra yoga e da Bhakti yoga estava começando a deixar sua marca em meu processo interior.

E a vida estava se apaixonando novamente, acordando a cada dia para experimentar o êxtase e a paixão em tudo ao meu redor. Este encontro com a Deusa foi uma mudança completa do meu namoro com Shiva, a quem eu vinha tentando cortejar através de intenso bhakti por vários anos.

Certa tarde, enquanto ainda estava meditando, procurei orientação dos Poderes Divinos para me mostrar claramente a data em que a Mãe começaria a se conectar comigo. Perguntei ao meu pêndulo: “Mostre-me um número quando Ma me aparecerá”. A resposta foi “9”, o nono de abril de 2003! Minha mente começou a calcular, percebendo o significado desta data. Toda a configuração somava uma contagem de 9 (09.04.2003), que por acaso era a data da primavera Navaratri e meu número de destino. No mesmo dia, um médium que conheci me pediu para usar uma conta Rudraksha de nove caras (Nava Muhki), que é atribuída à Deusa Durga, no meu braço esquerdo. A viagem estava em andamento!

Ma Tara na Tradição Hindu:

Algumas pessoas tendem a identificar Ma Tara na tradição hindu com o Bodissatva Budista Tara, pois Tara é a forma de deusa dominante no budismo tibetano. Embora se sobreponham até certo ponto, as duas divindades são diferentes na representação e nas energias. Como termo geral no budismo há muitas formas de Tara governando os diferentes aspectos da vida, indicando a graça e a orientação dos poderes da Mente de Buda. Ela é a consorte do Bodhisattva Avalokiteshwara, que se tornou Kwan Yin no pensamento budista chinês.

Ma Tara no hinduísmo tântrico é um pouco diferente. Ma Tara é uma deusa da sabedoria, a suma sacerdotisa, por assim dizer. Ela detém o poder do OM como o Taraka ou vibração cósmica sonora que nos leva através da escuridão da ignorância até a luz da Autorrealização. Isto conecta Tara com a morte, mas como um poder de transformação, a morte potencial do ego. Como tal, Ma Tara é uma manifestação de Ma Kali como Kali-Tara. Tara é a segunda das Dasha Mahavidya ou dez grandes deusas da sabedoria que começam com Kali e se manifestam a partir de sua energia. A ideia da Deusa como o poder que nos leva através da escuridão à luz é tão antiga quanto a mais antiga Rigveda. Tara é uma manifestação da força guia e protetora da Mãe Suprema do Universo. Neste sentido, ela é a graça salvadora de Ma Durga como Durga-Tarini, assim como Durga significa dificuldade e Tara a capacidade de nos levar para além destas. Tara é uma das muitas formas da Deusa como a Shakti do Senhor Shiva que também é Omkara ou o som cósmico.

Na astrologia védica Tara significa uma estrela e é frequentemente considerada como a esposa do planeta Júpiter, o guru entre os Devas. Tara nos ajuda a superar nossos karmas negativos e trazer uma energia jupiteriana positiva de criatividade, inteligência e contemplação. Que Ma Tara traga tudo o que é auspicioso para você!

***

Fonte:

SHAMBAVI, Yogini. Inner Experience Leads Me to Ma Tara. Vedanet, 2019. Disponível em: <https://www.vedanet.com/inner-experience-leads-me-to-ma-tara/>. Acesso em 11 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-experiencia-interior-me-leva-a-deusa-mae-tara/

‘Liber Al vel Legis

Tecnicamente chamado LIBER AL vel LEGIS svb figura CCXX
qual foi ditado por XCIII = 418 a DCLXVI

A.’. A.’.

Publicação em Classe A – B

COMENTO

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O estudo deste Livro é proibido. É sábio destruir esta cópia após a primeira leitura.

Quem não presta atenção a isto incorre em perigo e risco pessoais. Estes são dos mais pavorosos.

Aqueles que discutem o conteúdo deste Livro devem ser evitados por todos, como focos de pestilência.

Todas as questões da Lei devem ser decididas apenas por apelo aos meus escritos, cada qual por si mesmo.

Não existe lei além de Faze o que tu queres.

Amor é a lei, amor sob vontade.

O sacerdote dos príncipes,
ANKH-F-N-KHONSU

I

1 – Had! A manifestação de Nuit.

2 – A desvelação da companhia do céu.

3 – Todo homem e toda mulher é uma estrela.

4 – Todo número é infinito; não há diferença.

5 – Ajuda-me, ó guerreiro senhor de Tebas, em minha desvelação diante das Crianças dos homens!

6 – Sê tu Hadit, meu centro secreto, meu coração e minha língua!

7 – Vede! É revelado por Aiwass o ministro de Hoor-paar-kraat.

8 – O Khabs está no Khu, não o Khu no Khabs.

9 – Identificai-vos pois com o Khabs, e vede minha luz derramada sobre vós!

10 – Que meus servidores sejam poucos e secretos: eles regerão os muitos e conhecidos.

11- Estes são tolos que os homens adoram; seus Deuses e seus homens são tolos.

12 – Aparecei, ó crianças, sob as estrelas, e tomai vossa fartura de amor!

13 – Eu estou sobre vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Minha alegria é ver vossa alegria.

14 –
Acima, o enfeitado azul
É de Nuit o esplendor nu
Curvado em prazer taful;
Hadit secreto é beijado.
Céu de estrela e globo alado
São meus, Ó Ankh-af-na-Khonsu!

15 – Agora sabereis que o escolhido vate e apóstolo do espaço infinito é o sacerdote-príncipe a Besta; e em sua mulher chamada a Mulher Escarlate é todo poder dado. Eles juntarão minhas crianças em seu cercado: eles trarão a glória das estrelas para dentro dos corações dos homens.

16 – Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas a ele é a alada chama secreta, e ela a descendente luz estrelar.

17 – Mas vós não sois assim escolhidos.

18 – Queima sobre suas testas, ó serpente esplendorosa!

19 – Ó mulher de pálpebras azuis, curva-te sobre eles!

20 – A chave dos rituais está na palavra secreta que eu dei a ele.

21 – Com o Deus e o Adorante eu nada sou; eles não me vêem. Eles são como sobre a terra; eu sou no Céu, e não há ali outro Deus além de mim, e meu senhor Hadit.

22 – Agora, portanto, eu vos sou conhecida por meu nome Nuit, e dele por um nome secreto que eu lhe darei quando ele por fim me conhecer. Desde que eu sou o Espaço Infinito e as Infinitas Estrelas de lá, fazei vós assim também. Nada amarreis! Que não haja nenhuma diferença feita entre vós entre qualquer uma coisa e qualquer outra coisa; pois daí vem dor.

23 – Mas quem quer que valha nisto, seja ele o chefe de tudo!

24 – Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinqüenta.

25 – Dividi, somai, multiplicai e compreendei.

26 – Então diz o profeta e escravo da bela: Quem sou eu, e qual há de ser o sinal? Assim ela lhe respondeu, curvando-se, uma lambente chama azul, tudo-tocando, tudo penetrando, suas mãos amoráveis sobre a terra negra, e seu corpo flexível arqueado para o amor, e seus pés macios não machucando as pequeninas flores: Tu sabes! E o sinal será meu êxtase, a consciência da continuidade da existência, a onipresença do meu corpo.

27 – Então o sacerdote respondeu e disse à Rainha do Espaço, beijando sua amoráveis sobrancelhas, e o orvalho da luz dela banhando o corpo inteiro dele em um doce perfume de suor: Ó Nuit, contínua mulher do Céu, que seja assim sempre; que os homens não falem de Ti como Uma mas como Nenhuma; e que eles não falem de ti de todo, desde que Tu és contínua!

28 – Nenhuma, respirou a luz, tênue e encantada, das estrelas, e dois.

29 – Pois eu estou dividida por amor ao amor, pela chance de união.

30 – Esta é a criação do mundo, que a dor de divisão é como nada, e a alegria da dissolução tudo.

31 – Por estes tolos dos homens e suas penas de todo não te cuides! Eles sentem pouco; o que é, é balançado por fracas alegrias; mas vós sois meus escolhidos.

32 – Obedecei meu profeta! Cumpri as ordálias do meu conhecimento! Buscai-me apenas! Então as alegrias do meu amor vos redimirão de toda a pena. Isto é assim; eu juro pela cúpula do meu corpo; por meu sagrado coração e língua; por tudo que eu posso dar, por tudo que eu desejo de vós todos.

33 – Então o sacerdote caiu em um profundo transe ou desmaio, e disse à Rainha do Céu; escreve para nós as ordálias; escreve para nós os rituais; escreve para nós a lei!

34 – Mas ela disse: as ordálias eu não escrevo: os rituais serão metade conhecidos e metade escondidos: a Lei é para todos.

35 – Isto que tu escreves é o tripartido livro de Lei.

36 – Meu escriba Ankh-af-na-Khonsu, o sacerdote dos príncipes, não mudará este livro em uma só letra; mas para que não haja tolice, ele comentará a respeito pela sabedoria de Ra-Hoor-Khu-it.

37 – Também os mantras e encantamentos; o obeah e o wanga; o trabalho da baqueta e o trabalho da espada; estes ele aprenderá e ensinará.

38 – Ele deve ensinar; mas ele pode fazer severas as ordálias.

39 – A palavra da Lei Q E L H M A Q E L H M A.
(Thelema, formada pelas letras gregas teta-epsilon-lambda-eta-mu-alfa).

40 – Quem nos chama Thelemita não fará erro, se ele olhar bem de perto na palavra. Pois há ali Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o Homem da Terra. Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

41 – A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuses tua esposa, se ela quer! Ó amante, se tu queres, parte! Não existe laço que possa unir os divididos a não ser o amor: tudo mais é maldição. Maldito! Maldito! Seja para os eons! Inferno.

42 – Deixa estar aquele estado de multiplicidade amarrado e odiando. Assim com teu tudo: tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade.

43 – Faze aquilo, e nenhum outro dirá não.

44 – Pois vontade pura, desembaraçada de propósito, livre da ânsia de resultado, é toda via perfeita.

45 – O Perfeito e o Perfeito são um Perfeito e não dois; não, são nenhum!

46 – Nada é uma chave secreta desta Lei. Sessenta e um os Judeus a chamam; eu a chama oito, oitenta, quatrocentos e dezoito.

47 – Mas eles têm a metade: une por tua arte para que tudo desapareça.

48 – Meu profeta é um tolo com seu um, um, um; não são eles o Boi, e nenhum pelo Livro?

49 – Abrogados estão todos os rituais, todas as ordálias, todas as palavras e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou seu assento no Oriente ao Equinócio dos Deuses; e que Asar seja com Isa, que também são um. Mas eles não estão em mim. Que Asar seja o adorador, Isa o sofredor; Hoor em seu secreto nome e esplendor é o Senhor iniciando.

50 – Existe uma palavra a dizer a respeito do trabalho Hierofântico. Vede! Existem três ordálias em uma, e pode ser dada em três caminhos. O grosseiro deve passar por fogo; que o fino seja provado em intelecto, e os elevados escolhidos, no altíssimo. Assim vós tendes estrela e estrela, sistema e sistema; que nenhum conheça bem o outro!

51 – Há quatro portões para um palácio; o chão daquele palácio é de prata e ouro; lápis-lazúli e jaspe estão ali; e todos os perfumes raros; jasmim e rosa, e os emblemas da morte. Que ele entre sucessiva ou simultaneamente pelos quatro portões; que ele fique de pé no chão do palácio. Não afundará ele? Amn. Ho! Guerreiro, se teu servo afunda? Mas há meios e meios. Sede bons portanto: vesti-vos finamente; comei comidas ricas e bebei vinhos doces e vinhos que espumejam! Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como quiserdes, quando, onde e com quem quiserdes! Mas sempre em mim.

52 – Se isto não for correto; se confundis as marcas do espaço, dizendo: Elas são uma; ou dizendo Elas são muitas; se os ritual não for sempre para mim: então esperai os terríveis julgamentos de Ra-Hoor-Khuit!

53 – Isto regenerará o mundo, o mundozinho minha irmã, meu coração e minha língua, a quem eu mando este beijo. Também, ó escriba e profeta, se bem que tu és dos príncipes, isto não te redimirá nem absolverá. Mas êxtase seja teu e alegria da terra: sempre a mim! A mim!

54 – Não mudes nem mesmo o estilo de uma letra; pois vê! Tu, ó profeta, não verás todos estes mistérios escondidos aí.

55 – A criança das tuas entranhas, ele os verá.

56 – Não o esperes do Oriente, nem do Ocidente; pois de nenhuma casa esperada vem aquela criança. Aum! Todas as palavras são sagradas e todos os profetas verdadeiros; salvo apenas que eles compreendem um pouco; resolvem a primeira metade da equação, deixam a segunda inatacada. Mas tu tens tudo na luz clara e algo, mas não tudo, na escuridão.

57 – Invocai-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Nem confundam os tolos o amor; pois existem amor e amor. Existe o pombo, e existe a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta, escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus.

Todas essas velhas letras de meu Livro estão certas; mas * não é a Estrela. Isto também é secreto: meu profeta o revelará aos sábios.

(o símbolo * é a letra Hebraica Tzaddi)

58 – Eu dou alegrias inimagináveis sobre a terra; certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz inominável, descanso, êxtase; nem exijo eu coisa alguma em sacrifício.

59 – Meu incenso é de madeiras resinosas e gomas; e não existe sangue ali: por causa de meu cabelo as árvores da Eternidade.

60 – Meu número é 11, como todos os seus números que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, e o círculo é Vermelho. Minha cor é negra para os cegos, mas azul e ouro são vistos dos videntes. Também eu tenho uma glória secreta para aqueles que me amam.

61 – Mas amar-me é melhor que toda a coisa: se sob as estrelas da noite no deserto tu presentemente queimas meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro, e a chama Serpentina ali contida, tu virás deitar-te em meu seio um bocadinho. Por um beijo tu então quererás dar tudo; mas quem quer que dê uma partícula de pó perderá tudo naquela hora. Vós ajuntareis mercadorias e quantidade de mulheres e espécies; vós usareis ricas jóias; vós excedereis as nações da terra em esplender e orgulho; mas sempre no meu amor, e assim vireis à minha alegria. Eu te urjo seriamente a que venhas diante de mim em uma vestimenta única, e coberto com um rico diadema. Eu te amo! Eu te desejo! Pálido ou púrpura, velado ou voluptuoso, eu que sou todo prazer e púrpura, e embriaguez do senso mais íntimo, te desejo. Põe as asas, e acorda o esplendor enroscado dentro de ti: vem a mim!

62 – Em todos os meus encontros convosco a sacerdotisa dirá – e seus olhos queimarão com desejo enquanto ela está de pé nua e regozijante em meu templo secreto – A mim! A mim! Evocando a flama dos corações de todos em seu cântico de amor.

63 – Cantai a canção de amor feliz para mim! Queimai perfumes para mim! Usai jóias para mim! Bebei a mim, pois eu vos amo! Eu vos amo!

64 – Eu sou a filha do Poente, de pálpebras azuis; eu sou o brilho nu do voluptuoso Céu noturno.

65 – A Mim! A Mim!

66 – A manifestação de Nuit está em um fim.

II

1 – Nu! O esconderijo de Hadit.

2 – Vinde! Todos vós, e aprendei o segredo que ainda não foi revelado. Eu, Hadit, sou o complemento de Nu, minha noiva. Eu não sou estendido, e Khabs é o nome de minha Casa.

3 – Na esfera eu sou em toda a parte o centro, enquanto Ela, a circunferência, em parte alguma é encontrada.

4 – No entanto ela será conhecida e eu nunca.

5 – Vede! Os rituais do velho tempo são negros. Que os ruins sejam jogados fora; que os bons sejam purgados pelo profeta! Então este Conhecimento irá corretamente.

6 – Eu sou a flama que queima em todo coração de homem, e no âmago de toda estrela. Eu sou Vida, e o doador de Vida, no entanto por isto conhecer-me é conhecer a morte.

7 – Eu sou o Mago e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda, e o cubo no círculo. “Vinde a mim” é uma palavra tola; pois sou eu que vou.

8 – Quem adorou Heru-pa-kraath adorou-me; erro, pois eu sou o adorador.

9 – Lembrai-vos todos vós de que existência é pura alegria; de que todos os sofrimentos são apenas como sombras; eles passam e estão acabados; mas existe aquilo que resta.

10 – Ó profeta! Tu tens má vontade de aprender esta escritura.

11 – Eu te vejo odiar a mão e a pena; mas eu sou mais forte.

12 – Por causa de Mim em ti que tu não conhecias.

13 – Por que? Porque tu eras o conhecedor, e eu.

14 – Agora haja um velar deste sacrário: agora que a luz devore os homens e os engula com cegueira!

15 – Pois eu sou perfeito, não sendo; e meu número é nove pelos tolos; mas o justo eu sou oito, e um em oito: o que é vital, pois eu nenhum sou de fato. A Imperatriz e o Rei não sou eu; pois existe um outro segredo.

16 – Eu sou a Imperatriz e o Hierofante. Assim onze, como minha noiva é onze.

17 –
Ouvi, vós que suspirais!
As dores de pena infinda
Queda aos mortos e mortais,
Quem me não conhece ainda.

18 – Estes são mortos, esta gente; eles não sentem. Nós não somos para os pobres e tristes: os senhores da terra são nossos parentes.

19 – Há um Deus de viver em um cão? Não! Mas os mais elevados são de nós. Eles se regozijarão, nossos escolhidos: quem se amargura não é de nós.

20 – Beleza e vigor, rigor contínuo e delicioso langor, força e fogo, são de nós.

21 – Nós nada temos com o incapaz e o expulso: deixai-os morrer em sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é o vício dos reis: calcai aos pés os desgraçados e os fracos: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo. Não penses, ó rei, naquela mentira: Que Tu Deves Morrer: em verdade, tu não morrerás, mas viverás. Agora seja isto compreendido: Se o corpo do Rei se dissolve, ele permanecerá em puro êxtase para sempre. Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Khuit! O Sol, Força e Visão, Luz; estes são para os servidores da Estrela e da Cobra.

22 – Eu sou a Cobra que dá Conhecimento e Deleite e brilhante glória, e movo os corações dos homens com embriaguez. Para adorar-me tomai vinho e estranhas drogas das quais eu direi ao meu profeta, e embriagai-vos deles! Eles não vos farão mal de forma alguma. É uma mentira, esta tolice contra si mesmo. Sê forte, ó homem! Arde, usufrui todas as coisas de senso e raptura: não temas que qualquer Deus te negará por isto.

23 – Eu sou só: não existe Deus onde eu sou.

24 – Vede! Estes são graves mistérios; pois há também de meus amigos quem são eremitas. Agora não penseis encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas de púrpura, acariciados por magníficas bestas de mulheres com longos membros, e fogo e luz em seus olhos, e massas de cabelo flamejante em volta delas; lá vós os encontrareis. Vós os vereis governando, em exércitos vitoriosos, em toda a alegria; e haverá neles uma alegria um milhão de vezes maior que isto. Cuidado para que algum não force outro, Rei contra Rei! Amai-vos uns aos outros com corações ardentes; nos homens baixos pisai no enérgico ímpeto do vosso orgulho, no dia de vossa cólera.

25 – Vós sois contra o povo, ó meus escolhidos!

26 – Eu sou a secreta Serpente enroscada a ponto de pular: em minhas roscas há alegria. Se eu levanto minha cabeça, eu e minha Nuit somo um. Se eu abaixo minha cabeça, e ejaculo veneno, então há raptura da terra, e eu e a terra somos um.

27 – Existe um grande perigo em mim; pois quem não compreende estas runas fará uma grande falha. Ele cairá dentro do mundéu chamado Porque, e lá ele perecerá com os cães da Razão.

28 – Agora uma maldição sobre Porque e seus parentes!

29 – Seja Porque amaldiçoado para sempre!

30 – Se a Vontade pára e grita Por Que, invocando Porque, então a Vontade pára e nada faz.

31 – Se o Poder pergunta Por Que, então o Poder é fraqueza.

32 – A Razão também é uma mentira; pois existe um fator infinito e desconhecido; e todas as suas palavras são meandros.

33 – Bastante de Porque! Seja ele danado para um cão!

34 – Mas vós, ó meu povo, levantai-vos e acordai!

35 – Que os rituais sejam retamente executados com alegria e beleza!

36 – Há rituais dos elementos e festas das estações.

37 – Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva!

38 – Uma festa para os três dias da escritura do Livro da Lei!

39 – Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta-Secreta, ó Profeta!

40 – Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses!

41 – Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa maior para a morte!

42 – Uma festa diária em vossos corações na alegria de minha raptura!

43 – Uma festa toda noite para Nu, e o prazer do mais transcendente deleite!

44 – Sim! Festejai! Regozijai-vos! Não existe pavor no além. Existe a dissolução, e eterno êxtase nos beijos de Nu.

45 – Há morte para os cães.

46 – Falhas? Arrependes-te? Há medo em teu coração?

47 – Onde eu sou estes não são.

48 – Não tenhais piedade dos caídos! Eu nunca os conheci. Eu não sou para eles. Eu não consolo: eu odeio o consolado e o consolador.

49 – Eu sou único e conquistador. Eu não sou dos escravos que perecem. Sejam eles danados e mortos! Amém. (Isto é dos 4: existe um quinto que é invisível, e ali sou eu como um bebê em um ovo.)

50 – Azul sou eu e ouro na luz de minha noiva: mas o brilho vermelho está nos meus olhos; e minhas escamas são púrpuras e verde.

51 – Púrpura além do púrpura: é a luz mais alta que a visão.

52 – Existe um véu; e este véu é negro. É o véu da mulher modesta; e o véu de sofrimento, e o companheiro da morte: e nenhum sou eu. Rasgai abaixo aquele mentiroso espectro dos séculos: não veleis vossos vícios em palavras virtuosas: estes vícios são meu serviço; vós fazeis bem, e eu vos recompensarei aqui e no além.

53 – Não temas, ó profeta, quando estas palavras forem ditas, tu não te arrependerás. Tu és enfaticamente meu escolhido; e abençoados são os olhos que tu contemplares com alegria. Mas eu te esconderei em uma máscara de sofrimento: eles que te verem recearão que tu és caído: mas eu te levanto.

54 – Nem valerão aqueles que gritam alto sua tolice que tu não significas nada; tu o revelarás; tu vales: eles são os escravos de Porque: eles não são eu. A pontuação como quiseres; as letras? Não as mudes em estilo ou valor!

55 – Tu obterás a ordem e valor do Alfabeto Inglês: tu acharás novos símbolos aos quais atribuí-las.

56 – Ide! Vós escarnecedores; apesar de que rides em minha honra vós não rireis longamente: então quando estiverdes tristes sabei que eu vos abandonei.

57 – Ele que é correto será correto ainda; ele que é imundo será imundo ainda.

58 – Sim! Não penseis em mudança: vós sereis como sois, e não outro. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Nenhum existe que será derrubado ou elevado: tudo é sempre como foi. No entanto existem uns mascarados meus servidores: pode ser que aquele mendigo ali seja um Rei. Um Rei pode escolher sua roupa como quiser: não existe teste certo: mas um mendigo não pode esconder sua pobreza.

59 – Cuidado portanto! Amai a todos, pois pode ser que haja um Rei escondido! Dizeis assim? Tolo! Se ele é um Rei, tu não podes feri-lo.

60 – Portanto, golpeia duro e baixo, e para o inferno com eles, mestre!

61 – Existe uma luz diante dos teus olhos, ó profeta, uma luz indesejada, muito desejável.

62 – Eu estou erguido em teu coração; e os beijos das estrelas chovem forte no teu corpo.

63 – Tu estás exausto na fartura voluptuosa da inspiração; a expiração é mais doce que a morte, mais rápida e cheia de riso que uma carícia do verme do Inferno.

64 – Ó! Tu estás sobrepujado: nós estamos sobre ti; nosso deleite está sobre tu todo: salve! Salve: Profeta de Nu! Profeta de Had! Profeta de Ra-Hoor-Khu! Agora regozija-te! Agora vem em nosso esplendor e raptura! Vem em nossa paz apaixonada, e escreve doces palavras para os Reis!

65 – Eu sou o Mestre: tu és o Santo Escolhido.

66 – Escreve, e encontra êxtase na escrita! Trabalha, e sê nossa cama trabalhando! Freme com a alegria de vida e morte! Ah! Tua morte será linda: quem a ver se alegrará. Tua morte será o selo da promessa do nosso anciente amor. Vem! Levanta teu coração e regozija-te! Nós somos um; nós somos nenhum.

67 – Firma! Firma! Agüenta em tua raptura; não se perca com os beijos supremos!

68 – Endurece! Conserva-te a prumo! Levanta tua cabeça! Não respires tão fundo – morre!

69 – Ah! Ah! Que sinto eu? Está a palavra exausta?

70 – Existe auxílio e esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu podes suportar mais alegria. Não sejas animal; refina tua raptura! Se tu bebes, bebe pelas oito e noventa regras de arte: se tu amas, excede em delicadeza; e se tu fazes o que quer que seja de alegre, que haja sutileza ali contida!

71 – Mas excede! Excede!

72 – Esforça-te sempre por mais! E se tu és verdadeiramente meu – e não o duvides, e se tu és sempre alegre! – a morte é a coroa de tudo.

73 – Ah! Ah! Morte! Morte! Tu ansiarás pela morte. Morte está proibida, ó homem, para ti.

74 – A duração da tua ânsia será a força da sua glória. Aquele que vive longamente e deseja muito a morte é sempre o Rei entre os Reis.

75 – Sim! Escuta os números e as palavras.

76 – 4 6 3 8 A B K 2 4 A L G M O R 3 Y X 24 89 R P S T O V A L. Que significa isto, ó profeta? Tu não sabes; nem nunca saberás. Vem um para te seguir: ele o exporá. Mas lembra-te, ó escolhido, de ser eu; de seguir o amor de Nu no céu iluminado de estrelas; de contemplar os homens, de dizer-lhes esta palavra alegre.

77 – E sejas orgulhoso e poderoso entre os homens!

78 – Levanta-te! Pois nenhum existe como tu entre homens ou entre Deuses! Levanta-te, ó meu profeta, tua estatura sobrepassará as estrelas. Elas adorarão teu nome, quadrangular, místico, maravilhoso, o número do homem; e o nome de tua casa 418.

79 – O fim do esconderijo de Hadit; e bênção e veneração ao profeta da amável Estrela!

 

III

1 – Abrahadabra: a recompensa de Ra Hoor Khut.

2 – Existe divisão daqui em direção ao lar; existe uma palavra não conhecida. Soletrar é ineficaz; tudo não é alguma coisa. Cuidado! Espere! Levantai o encanto de Ra-Hoor-Khuit!

3 – Agora seja primeiramente compreendido que eu sou um Deus de Guerra e de Vingança. Eu lidarei duramente com eles.

4 – Escolhei uma ilha!

5 – Fortificai-a!

6 – Cercai-a de engenharia de guerra!

7 – Eu vos darei uma máquina de guerra.

8 – Com ela vós golpeareis os povos; e nenhum ficará de pé diante de vós.

9 – Espreitai! Retirai-vos! Sobre eles! Esta é a Lei da Batalha de Conquista: assim será meu culto em volta de minha casa secreta.

10 – Toma os mandamentos da própria revelação; coloca-os em teu templo secreto – e aquele templo já está corretamente disposto – e eles serão o vosso Kiblah para sempre. Eles não desbotarão, mas cor miraculosa voltará a eles dia após dia. Fechai-os em vidro trancado como uma prova para o mundo.

11 – Esta será vossa única prova. Eu proíbo argumento. Conquistai! Isso basta. Eu farei fácil para vós a abstrução da casa mal-ordenada na Cidade Vitoriosa. Tu a transportarás tu mesmo com veneração, ó profeta, se bem que tu não gostas. Tu terás perigo e tribulação. Ra-Hoor-Khu está contigo. Adorai-me com fogo e sangue; adorai-me com espadas e com lanças. Que a mulher seja cingida com uma espada diante de mim; que sangue corra em meu nome. Calcai aos pés os Gentios; sede sobre eles, ó guerreiro, eu vos darei da carne deles para comer!

12 – Sacrificai gado, pequeno e grande: depois uma criança.

13 – Mas não agora.

14 – Vós vereis aquela hora, ó Besta abençoada, e tu a Concubina Escarlate do desejo dele!

15 – Vós ficareis tristes por isto.

16 – Não penseis demasiado avidamente em apossar-vos das promessas; não temais incorrer nas maldições. Vós, mesmo vós, não conheceis este significado todo.

17 – De todo não temais; não temais nem homens nem Fados, nem Deuses, nem coisa alguma. Dinheiro não temais, nem risada da tolice do povo, nem qualquer outro poder no céu ou sobre a terra ou debaixo da terra. Nu é vosso refúgio como Hadit vossa luz; e eu sou a potência, força, vigor, de vossas armas.

18 – Misericórdia esteja fora: amaldiçoai os que se apiedam! Matai e torturai; não poupeis; sede sobre eles!

19 – Aos mandamentos eles chamarão de Abominação da Desolação; contai bem seu nome, e será para vós tal qual 718.

20 – Por que? Por causa da queda do Porque, que ele não é lá novamente.

21 – Coloca minha imagem no Este: tu te comprarás uma imagem que eu te mostrarei, especial, não dessemelhante àquela que tu conheces. E será subitamente fácil para ti o fazer isto.

22 – As outras imagens agrupa em volta minha para suportar-me: sejam todas adoradas, pois elas se reunirão para exaltar-me. Eu sou o objeto visível de adoração; os outros são secretos; para a Besta e sua Noiva são eles: e para os vencedores da Ordenamemto x. O que é isto? Tu saberás.

23 – Para perfume misturai farinha e mel e grossa borra de vinho tinto: então óleo de Abramelin e óleo de oliva, e depois amolecei e amaciai com rico sangue fresco.

24 – O melhor sangue é da lua, mensal: então o sangue fresco de uma criança, ou pingando da hóstia do céu: então de inimigos: então do sacerdote ou dos adoradores: por último de alguma besta, não, importa qual.

25 – Isto queimai: disto fazei bolos e comei em minha homenagem. Isto tem também um outro uso; seja depositado diante de mim, e conservado impregnado com perfumes de vossa prece: encher-se-á de escaravelhos como já o foi e de coisas rastejantes sagradas para mim.

26 – Estes matai, nomeando vossos inimigos; e eles cairão diante de vós.

27 – Também estes criarão o desejo e o poder do desejo em vós ao serem comidos.

28 – Também sereis fortes na guerra.

29 – Ou então, sejam eles longamente conservados, é melhor; pois incham com minha força. Tudo diante da minha presença.

30 – Meu altar é de latão rendado: queimai sobre ele prata ou ouro.

31 – Vem um homem rico do Oeste que derramará seu ouro sobre ti.

32 – Do ouro forja aço!

33 – Sê pronto a fugir ou a golpear!

34 – Mas vosso lugar santo será intocado através dos séculos: ainda que com fogo e espada ele seja queimado e despedaçado, uma casa invisível está de pé ali, e estará de pé até a queda do Grande Equinócio; quando Hrumachis se erguerá e o que possui duas varas assumirá meu trono e lugar. Outro profeta se erguerá, e trará febre nova dos céus; outra mulher despertará o ardor e adoração da Serpente; outra alma de Deus e da besta misturar-se-á no sacerdote englobado; outro sacrifício manchará a tumba; outro rei reinará; e que benção nenhuma seja mais servida ao místico Senhor de Cabeça de Falcão!

35 – A metade da palavra de Heru-ra-ha, chamado Hoor-pa-kraat e Ra-Hoor-Khut.

36 – Então disse o profeta ao Deus:

37 –
Eu te adoro na canção –
Eu sou o Senhor de Tebas, e eu
O vate inspirado de Mentu.
Para mim desvela o véu do céu,
O sacrificado Ankh-af-na-Khonsu
Cujo verbo é lei. Deixa que eu incite
Tua presença aqui, Ó Ra-Hoor-Khuit!
Unidade extrema demonstrada!
Adoro Teu poder, Teu sopro forte,
Deus terrível, suprema flor do nada,
Tu que fazes com que os deuses e a morte
Tremam diante de Ti:
Eu, eu adoro a ti!
Aparece no trono de Ra!
Abre os caminhos do Khu!
Ilumina os caminhos do Ka!
Nas rotas do Khabs sê tu,
Para mover-me ou parar-me!
Aum! Deixe que me preencha!

38 – De forma que tua luz está em mim; e sua flama rubra é como uma espada em minha mão para empurrar tua ordem. Existe uma rota secreta que eu farei para estabelecer tua rota em todos os quadrantes (estas são as adorações, como tu escreves-te), como é dito:

É minha a luz; faz que eu me vá
Com os seus raios. Sou o autor
De oculta porta ao Lar de Ra
E Tum, de Kephra e de Ahathoor.

Eu sou teu Tebano, Ó Mentu,
O profeta Ankh-af-na-Khonsu!
Por Bes-na-Maut bato no peito;
E por Ta-Nech lanço o feitiço.

Brilha, Nuit, ó céu perfeito!
Alada cobra, luz e viço,
Abre-me tua Casa, Hadit!
Mora comigo, Ra-Hoor-Khuit!

39 – Tudo isto e um livro para dizer como tu chegaste aqui e uma reprodução desta tinta e papel para sempre – pois nisto está a palavra secreta e não apenas no Inglês – e teu comento sobre este o Livro da Lei será impresso belamente em tinta vermelha e negra sobre belo papel feito à mão; e a cada homem e mulher que tu encontras, fosse apenas para jantar ou beber a eles, esta é a Lei a dar. Então talvez eles decidam permanecer nesta felicidade ou não; não tem importância. Faze isto rápido!

40 – Mas o trabalho do comento? Aquilo é fácil; e Hadit ardendo em teu coração fará célere e segura tua pena.

41 – Estabelece em tua Kaaba um escritório; tudo deve ser bem feito e com jeito de negócios.

42 – As ordálias tu fiscalizarás tu mesmo, salvo apenas as cegas. Não recuses ninguém, mas tu conhecerás e destruirás os traidores. Eu sou Ra-Hoor-Khuit; e eu sou poderoso para proteger o meu servo. Sucesso é tua prova; não discutas; não convertas; não fales demais! Aqueles que buscam armar-te uma cilada, derrubar-te, esses ataca sem dó nem trégua; e destrói-os por completo. Célere como uma serpente pisada vira-te e dá o bote! Sê tu mais mortífero ainda que ele! Puxa para baixo suas almas a tormento horrível: ri do medo deles: cospe sobre eles!

43 – Que a Mulher Escarlate se precavenha! Se piedade e compaixão e ternura visitarem seu coração; se ela deixar meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então minha vingança será conhecida. Eu matarei sua criança eu mesmo: eu alienarei seu coração: eu a expelirei dos homens: como uma encolhida e desprezada rameira ela rastejará por ruas molhadas e escuras, e morrerá fria e faminta.

44 – Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela obre a obra da maldade! Que ela mate seu coração! Que ela seja gritona e adúltera! Que ela esteja coberta de jóias, e ricas roupas, e que ela seja sem vergonha diante de todos os homens!

45 – Então eu a levantarei a pináculos de poder: então eu irei gerar nela uma criança mais poderosa  que todos os reis da terra. Eu a encherei de alegria: com minha força ela verá e  não perderá tempo para adorar Nu: ela alcançará o  Hadit.

46 – Eu sou o guerreiro Senhor dos Quarentas: os Oitenta se acovardam diante de mim, e são afundados. Eu vos trarei a vitória e alegria: eu estarei nas vossas armas em batalha e vós se deleitareis em matar. Sucesso é vossa prova; coragem é nossa armadura; avante, avante em minha força; e vós não retrocedereis diante de ninguém!

47 – Este livro será traduzido em todas as línguas: mas sempre com o original pela mão da Besta; pois na forma ao acaso das letras e sua posição umas com as outras: nestas há mistérios que nenhuma Besta adivinhará. Que ele não procure tentar: mas um vem após ele, de onde eu não digo, que descobrirá a Chave disso tudo. Então esta linha traçada é uma chave; então este círculo esquadrado em seu fracasso é uma chave também. E Abrahadabra. Será sua criança e isso estranhamente. Que ele não procure por isto; pois dessa forma apenas pode ele cair.

48 – Agora este mistério das letras está acabado, e eu quero prosseguir para o lugar mais santo.

49 – Eu estou em uma secreta palavra quádrupla, a blasfêmia contra todos os deuses dos homens.

50 – Maldição sobre eles! Maldição sobre eles! Maldição sobre eles!

51 – Com minha cabeça de Falcão eu bico os olhos de Jesus enquanto ele se dependura da cruz.

52 – Eu bato minhas asas na face de Mohammed e cego-o.

53 – Com minhas garras eu dilacero e puxo fora a carne do Hindu e do Budista, Mongol e Din.

54 – Bahlasti! Ompheda! Eu cuspo nos vossos credos crapulosos.

55 – Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por causa dela que todas as mulheres castas sejam completamente desprezadas entre vós!

56 – Também por causa da beleza e do amor!

57 – Desprezai também todos os covardes; soldados profissionais que não ousam lutar, mas brincam; todos os tolos desprezai!

58 – Mas os mordazes, aqueles que são sutis e os altivos, a realeza e os elevados; vós sois irmãos!

59 – Lutai como irmãos!

60 – Não existe lei além de Faze o que tu queres.

61 – Há um fim da palavra do Deus entronado no assento de Ra, tornando leves as vigas da alma.

62 – A mim reverenciai! Vinde a mim através de tribulações da ordenação, que é o deleite.

63 – O tolo lê este Livro da Lei, e seus comentários; e ele não o compreende.

64 – Que ele passe pela primeira ordenação, e será para ele como prata.

65 – Pela segunda, ouro.

66 – Pela terceira, pedras de água preciosa.

67 – Pela quarta, as extremas fagulhas do fogo íntimo.

68 – No entanto a todos ele parecerá belo. Seus inimigos que não dizem assim, são meros mentirosos.

69 – Existe sucesso.

70 – Eu sou o Senhor de Cabeça de Falcão do Silêncio e da Força; minha nêmesis cobre o céu azul-noturno.

71 – Salve! Vós gêmeos guerreiros em volta dos pilares do mundo! Pois vossa hora está próxima.

72 – Eu sou o Possuidor Das DUas Varas de Poder, a vara da Força de Coph Nia – mas minha mão esquerda está vazia, pois eu esmaguei um Universo; e nada resta.

73 – Juntai as folhas da direita para a esquerda e do topo ao pé: então contemplai!

74 – Existe um esplendor em meu nome oculto e glorioso, como o sol da meia-noite é sempre o filho.

75 – O fim das palavras é a Palavra Abrahadabra.

 

O Livro da Lei está Escrito
e Escondido.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/liber-al-vel-legis/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/liber-al-vel-legis/

Dhikr e Darshan

O único pecado praticado pela humanidade é o esquecimento, 7,2 bilhões de pessoas e poucas delas realmente tem alguma ideia do que é viver como um humano de fato. Nossa sociedade estimula uma rotina totalmente contrária a natureza humana, nós que buscamos internamente as respostas para as dúvidas universais (Quem sou? Da onde Eu vim? Para onde Eu vou? Qual o sentido da vida? Entre outros) rapidamente percebemos que o estilo de vida moderno dificulta a resposta dessas perguntas e até nos oferece respostas muito rasas.

Por que o mundo moderno falha ao responder essas perguntas?

Falha, pois ao indicar respostas no mundo externo, mostra que seus valores são temporais e for a de nosso controle, fala sobre uma realidade material e isso é uma grande mentira. Mentira essa que nos aprisiona.

O que é Dhikr?

Dhikr é um termo da tradição Sufi, porém esse conceito foi muito bem exposto pelos platonistas de forma de direta e todas as tradições mistico-religiosas de uma forma ou de outra tem alguma doutrina que pode ser chamada de Dhikr. Dhikr é praticar conscientemente a lembrança da nossa natureza divina até que isso se torne nosso estado de vigília.

No contexto religioso Dhikr é lembrar o nome de Deus sempre, os muçulmanos eles tem dois mantras principais para isso “La Ilaha Illallah” (Não há divindade além de Allah, ou numa tradução mais livre, Não há divindade além de Deus) e quando o praticante começa a ter as experiências extáticas esse mantra é substituído por “Allah”, onde o nome do Senhor será repetido sempre. Tais técnicas advém da crença de que os anjos vivem num estado eterno de adoração a Deus e que a encarnação na Terra tem como objetivo fazer os humanos lembrarem de Deus.

No contexto místico o foco da lembrança é despertar a consciência na Alma, que é o local adequado para um humano. De acordo com a tradição grega a Alma é pura e incorruptível, contudo é de sua natureza corrigir tudo que é inferior e isso que nos levou ao esquecimento dela, pois a natureza da matéria (com seus apegos, desejos, etc) dificulta a comunicação com estados superiores de consciência.

Agora, vamos falar sobre Darshan.

É compreensível a onda crescente de ateísmo, por diversos fatores, entre eles gostaria destacar a falta de uma conexão com o divino. Muitas pessoas vão para as suas congregações, missas, cultos, etc. contudo poucos apresentam sinais de terem vidas diferentes das pessoas que não fazem o mesmo e o fato é que poucas estão tendo experiências válidas. Talvez a pista para o porquê disso ocorrer esteja no meu post anterior.

Diferentemente da nossa situação, as culturas mais antigas guardam registros de fatos extraordinários ocorridos com os devotos sinceros e hoje pretendo lançar luz sobre uma doutrina interessante. Darshan é o nome na filosofia Indiana para “visão”, visão de algo que abençoe aquele que vê. O termo é extremamente vago, contudo meu interesse aqui é falar sobre Teofania (Theophaneia, em grego significa aparição de deus).

Certa vez ouvi falar de um sábio que disse “Até que você tenha uma experiência direta com Deus, a melhor escolha é ser um agnóstico, afinal você não tem certeza da existência ou da inexistência de algo divino”. É razoável dizer que essa postura é uma postura equilibrada, porém o paradoxo mora em que é, de certo modo, difícil ter uma experiência poderosa como uma Teofania sem estar aberto para isso. Por aberto eu me refiro a sinceridade e entrega completa.

Dito isso, é correto supor que uma experiência de tamanha magnitude não pode ser colocada em palavras, contudo Darshan sempre é acompanhado de uma mudança de vida que tem como raiz a mudança mental (metanoia) profunda que ocorre. Afinal é naturalmente inevitável uma transformação quando o véu cai.

Texto de Aurílio Santos, um dos autores do blog O Alvorecer.

#Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dhikr-e-darshan