Yu Yu Hakusho

Quem tem mais de 30 anos lembra com carinho especial esse ótimo desenho animado japonês (Anime) que passava na falecida Rede Manchete, com uma dublagem excelente (e olha que eu odeio dublagem) e personagens carismáticos e profundos. Diria até que foi Yuyu que me fez expandir minha visão espiritual para além do mundo ocidental/espírita e lembrar que a interação com os mortos é algo tão comum para certas culturas que pode até passar despercebido pra alguém de fora.

Abaixo uma espécie de FAQ feito originalmente por Melinda Miller, que traduzi e adaptei em julho de 97 pra minha homepage. Considerando que o mangá está nas bancas, e (ao que parece) o desenho ainda passa em TV paga, serve como chamariz para as crianças irem se acostumando com o Reikai e os adultos com o Anime. 😉

O QUE O TÍTULO SIGNIFICA??

Consiste de 4 Kanji (Caracteres chineses), que não significam muito em sua disposição atual:

Yuu – tímido, pálido, fantasmagórico

Yuu – enclinar-se, relaxar, brincar

Hakusho – papel branco, relatar, informar

Pode ser traduzido como “Informe poltergeist”, mas “Relato de Atividades espirituais” parece ser mais adequado. (Nota: O primeiro yuu é o mesmo caractere do nome de Yuusuke Urameshi. Fantasmagórico, hein? 😉

TERMOS USADOS NO DESENHO:

Youkai – O que a nossa tradução chama de monstro (o que é um tanto agressivo) ou demônio, os japoneses usam para definir qualquer criatura sobrenatural (espírito não-exatamente-humano), sem nenhuma conotação pejorativa. You significa “encantador”, referindo-se ao encanto do sobrenatural; é uma palavra que pode ser usada junto a outros ideogramas que representem criaturas sobrenaturais simplesmente para reforçar essa natureza, ou pode ser usada como o adjetivo “sobrenatural”. Assim, temos You-kai = aparição, visão, fantasma ou espectro. Kai sozinho já significa “aparição/visão”, mas com You seu significado fica mais abrangente. As duas palavras referem-se a todos os espíritos e criaturas sobrenaturais, não apenas demônios.

Rei – Este Kanji basicamente significa “espírito; alma “. O Rei é parte da famosa arma “dedinho” de Yusuke, o Rei Gun. Também é o nome da espada do Kuwabara, o Rei Ken, e está presente também no chapéu da Genkai, em Kanji.

-Kai – Um sentido deste caractere é basicamente “mundo”. Aparece em “Rei-kai” (espírito + mundo = mundo espiritual), “Ma-kai” (demônio + mundo = inferno), entre outros.

O Mundo dos Humanos (Nin-gen-kai) é o que conhecemos. A Ki (energia) característica desse mundo é chamada de Ki Espiritual (Reiki).

O Mundo dos Demônios (Makai) representa as Trevas, Inferno, ou o que no espiritismo chamamos de umbral. Seu ambiente caótico é preenchido por uma Ki viciosa que exala uma fragrância pútrida, chamada de Ki Sobrenatural (You-ki).

O Mundo dos Espíritos ou Plano Astral (Reikai), por sua vez, representa a Luz. É um mundo de equilíbrio e ordem habitado por seres benevolentes. É a fonte da chamada Ki do Brilho Sagrado (Sei-kou-ki), o poder absoluto e pleno. É no Mundo dos Espíritos que os mortos dos planos materiais são julgados e enviados ao Inferno merecido (Ji-goku).

MITOLOGIA JAPONESA E ASPECTOS CULTURAIS:

Yuyu Hakusho faz diversas referências ao obscuro (pro ocidente) mundo da mitologia oriental. Sei que há muito mais referências no desenho do que as que eu explico aqui, mas creio que isso já é um bom começo:

KITSUNE: Raposa, em japonês. Nas lendas japonesas, as raposas são cheia de artimanhas e mestras da ilusão. Elas rapidamente se vingam de quem as faz mal ou as perturbam de algum modo. Entretanto, elas podem ser generosas com quem as fizer algum favor. No desenho, Kurama é um Youko (basicamente um espírito de raposa) que costumava ser um famoso ladrão, até que um dia um caçador o feriu seriamente, e ele teve que ir para o mundo dos humanos se recuperar. Lá, nasceu como uma criança humana (de nome Suichi Minami) e ficou eternamente grato à sua mãe terrena pelo carinho da acolhida, carinho esse que ele extendeu à raça humana. Kurama domina e transforma em armas mortais uma variedade de plantas, mas seu verdadeiro poder só se manifesta em ocasiões especiais, que nem mesmo ele controla. É quando Youko domina sua personalidade (antes pacífica e gentil) e se transforma em um poderoso combatente.

ONI: Nome atribuído a monstros sobrenaturais em geral, como ogros, duendes, trolls, fantasmas e demônios. Vampiro e Zumbi são palavras compostas por Oni mais alguns outros kanjis, que passa a ser pronunciado Ki. Um vampiro (como a Miyu) é chamado Kyuu-ketsu-ki (monstro sanguessuga) e zumbi fica Fu-ga-ki (monstro faminto pútrido) ou apenas Ga-ki (monstro faminto). Duende tem um nome específico: Obake. Em Yuyu os Onis geralmente aparecem em pele de tigre, possuem chifres, grande boca e garras afiadas. O ajudante de Koenma é um Oni. E também aquele primeiro monstro que o Yusuke derrotou, o bicho que roubou a bola ágape e que sugava a alma das criancinhas.

SUZAKU, SEIRYU, BYAKO e GENBU: Na mitologia Chinesa, esses quatro são as personificações das quatro grandes bestas. Essas bestas são: pássaro, dragão, tigre e tartaruga. Esses quatro dividem o céu e o Zodíaco entre eles. O pássaro no Sul, e sua cor é vermelha. O dragão no leste, azul; a tartaruga no Norte, preto; e o tigre no oeste, branco. Eles aparecem quando finalmente Yusuke, Hiei, Kuwabara e Kurama se juntam. Enquanto Botan cuida de uma infestação de insetos na terra, eles vão lutar contra as quatro bestas no mundo espiritual.

ESPELHO, ESPADA e JÓIA: Esses três itens fazem parte das insígnias reais. Nenhum imperador pode ser coroado sem estes três itens. Na lenda, o Espelho das Trevas (Ankoku Kyou) foi presenteado ao primeiro imperador japonês por Amaterasu, assim como a Gema do Fantasma Faminto (Gaki Dama). A Espada da Magia Rendedora (Kouma no Ken) foi tirada da cauda de um dragão, por Susanoo, e depois dada à família imperial. No desenho, estes foram os itens roubados por Kurama e Hiei, dissidentes do mundo espiritual, bem no começo da aventura. Tais elementos (e personagens) também foram usados no Anime Fushigi Yugi.

ENMA DAIOH: O senhor e juiz da morte, segundo a tradição japonesa. O nome Enma vem do chinês Yanmo, tradução antiga de Yama, que é o nome do Deus da Morte hindu. É o pai do baixinho Koenma, aquele nenezinho invocado 🙂

MONTE HIEI e MONTE KURAMA: Montanhas da área de Kyoto. Tudo o que eu sei sobre o Monte Kurama é que há um importante (mas não muito mencionado) festival que acontece lá em outubro. Muito mais é sabido sobre o Monte Hiei. É uma das mais importantes montanhas do Japão. Fica no Norte, e acredita-se que nela há um portal pelo qual os Youkais (“demônios”) entram no nosso mundo. Por causa disto, há um grande número de templos aos pés do monte, sendo o mais importante deles o Enryakuji.

#Arte

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yu-yu-hakusho

RICH Economy: O Desemprego como Meta Econômica

“As pessoas podem gastar tanto tempo somente fazendo sexo, fumando drogas, e assistindo TV, que depois de um tempo elas ficam entediadas…”

Se há uma proposição que ultimamente ganha o consentimento de quase todo mundo, é que precisamos de mais empregos. “A cura para o desemprego” é prometida, ou convictamente buscada, por todo pensador desde Jimmy Carter até o Partido Comunista Americano, de Ronald Reagan até o cabeça do departamento de economia da universidade local, dos Birchers até a Nova Esquerda.

Eu gostaria de desafiar essa idéia. Eu não acho que exista, ou que venha a haver algum dia, uma cura para o desemprego. Proponho que o desemprego não é uma doença, mas o reflexo natural do bom funcionamento de uma sociedade tecnologicamente avançada.

A direção inevitável de qualquer tecnologia, e de qualquer espécie racional tal como o Homo sapiens, aponta rumo ao que Buckminster Fuller chama efemeralização, ou fazer-mais-com-menos.  Por exemplo, um computador moderno faz mais (lida com mais bits de informação) com menos hardware do que um protocomputador dos anos 40 e 50. Um trabalhador, com uma moderna máquina de escrever, faz mais em uma hora que mil escribas medievais copiando à mão pergaminhos em um século. A fissão atômica faz mais com um centímetro cúbico de matéria do que todos os engenheiros do século 19 poderiam fazer com uma tonelada, e nem preciso citar a fusão nuclear.

Desemprego não é uma doença, logo não possui “cura”.

Esta tendência em direção à efemeralização – ou fazer-mais-com-menos – é baseada em dois fatores principais:

A incrementação-associativa, um termo cunhado pelo engenheiro C.H.Douglas, que simplesmente significa que quando nós combinamos nossos esforços nós podemos fazer mais do que a soma do que cada um de nós faria separadamente. Cinco pessoas interagindo sinergéeicamente podem levantar um pequeno carro, mas se cada um dos cinco tentasse separadamente, o carro não se moveria. Como a sociedade se desenvolveu de pequenos bandos, para grandes tribos, para federação de tribos, para cidades-estados, para nações, para alianças multinacionais, o incremento-associativo cresce exponencialmente. Um caçador da idade da pedra não poderia construir o Parthenon; uma cidade-estado renascentista não poderia colocar Neil Armstrong na Lua. Quando o incremento-associativo cresce, dentro de grandes unidades sociais, o fazendo-mais-com-menos se torna crescentemente possível.

e

O próprio conhecimento é inerentemente auto-argumentativo. Cada descoberta “sugere” novas descobertas; toda inovação provoca mais inovações. Isso pode ser visto concretamente, nos arquivos do Cartório de Patentes de qualquer país, onde você encontrará mais patentes registradas em dado ano do que patentes no ano anterior. O que vemos é uma curva em ascensão que parece ir ao infinito. Se o inventor A pode fazer uma cadeira, com 20 partes moveis, o inventor B poderá construir uma com 10 partes. Se a tecnologia de 1900 pode lidar com 100 ergs de Qualquercoisisse, a tecnologia de 1950 pode lidar com 1000. Novamente, a tendência é sempre em direção a fazer-mais-com-menos.

O desemprego é diretamente causado por essa capacidade tecnológica de fazer mais com menos. Milhares de padres foram tecnologicamente desempregados por Gutenberg.  de ferreiros foram tecnologicamente desempregados pelo Modelo T da Ford. Cada aparelho que faça-mais-com-menos faz do trabalho humano muito menos necessário.

Aristóteles disse que a escravidão só poderia ser abolida quando as máquinas fossem construídas para se auto-operarem. Trabalhos em troca de salários, o equivalente moderno para escravidão – muito precisamente chamado “escravidão assalariada” pelos críticos sociais – está em processo de serem abolidos justamente por tais máquinas autoprogramáveis. De fato, Nobert Wiener, um dos criadores da cibernética, alertou nos idos de 1947, que poderia haver um desemprego massivo uma vez que a revolução dos computadores realmente comece.

É argumentável, e eu como qualquer um posso também argumentar, que a única razão para o qual a predição de Wiener ainda não foi completamente realizada – embora nós estajmos vivendo um cenário onde o desemprego está em ascensão contínua – é que as grandes uniões, as corporações e o governo trabalham juntos para atrasar o passo da “cibernetização”, para retardar seus passos e manter o pé no freio da economia. Isto acontece porque todos eles ainda consideram o desemprego como uma “doença”, e não conseguem imaginar uma “cura” para o índice quase absoluto de desemprego que uma cibernetização criará.

Suponha, por um momento, que nós desafiemos esta conjectura calvinista. Vamos considerar o trabalho assalariado – como a maioria das pessoas, de fato, considera – como uma maldição, um retardamento, uma irritação, uma barreira que permanece entre nós e o que nós realmente gostaríamos de fazer. Neste caso, seu emprego é uma doença e o desemprego é a cura.

“Mas sem trabalho assalariado todos nós ficaríamos famintos até a morte! Não ficaríamos?”

Não realmente. Muitos pensadores sociais visionários sugeriram planos inteligentes e plausíveis para se adaptar a uma sociedade de crescente desemprego. Aqui estão alguns exemplos.

 

O Dividendo Nacional

Isso foi inventado pelo engenheiro C.H.Douglas e foi revivido com algumas modificações pelo poeta Ezra Pound e pelo designer Buckminster Fuller. A idéia básica (Embora Douglas, Pound e Fuller diferem nos detalhes) é que cada cidadão deveria ser declarado como acionista na nação, e deveria receber dividendos do Produto Nacional Bruto pelo ano contado. Estimativas diferem no quanto cada cidadão deveria receber, mas com o nível atual do PIB é bem conservador dizer que estes dividendos seriam bem maiores do que os previdenciários recebem – pelo menos umas cinco vezes maiores.

Críticos reclamam que isso causaria uma super-inflação. Defensores do Dividendo Nacional retrucam que o dividendo só seria inflacionário se a distribuição for maior do que o PIB; e eles estão apenas propondo a distribuição de um valor igual ao PIB.

 

A Renda Anual Garantida.

Esta idéia foi instigada pelo economista Robert Theobald e outros. O governo poderia simplesmente estabelecer um pagamento acima da linha de pobreza e garantir que nenhum cidadão receberia menos; se seus salários caírem abaixo desse nível, ou você não tiver salário, o governo banca a diferença. Este plano irá definitivamente custar menos do que o atual sistema de Seguridade Social, com todas as suas redundâncias burocráticas: um ponto muito considerado pelos conservadores – que estão sempre reclamando sobre os altos custos da previdência. Isto também pouparia os recebedores de humilhação, degradação e desumanização, que fazem parte do presente sistema de Seguridade Social: um ponto para os liberais considerarem. Um sistema que é mais barato do que a Seguridade Social e também menos degradante aos pobres, me parece, não deveria encontrar oposição de ninguém, a não ser de sádicos hardcore.

Renda Básica de Cidadania

Neste cenário, cada cidadão teria direito a uma renda custeada pelo estado, mesmo se não quer trabalhar de forma remunerada, e ainda sem levar em consideração se é rico ou pobre e independentemente de outras possíveis fontes de renda. (Isso já existe e no Brasil é defendido com unhas e dentes pelo senador Eduardo Suplicy.)

O Imposto de Renda Negativo

Foi primeiramente planejado pelo economista vencedor do premio Nobel Milton Friedman, é uma variação menos radical das idéias acima. O imposto de renda negativo estabeleceria um mínimo de renda para cada cidadão; alguém que tivesse uma renda abaixo deste nível receberia uma quantia necessária para trazê-lo ao padrão. Friedman, que é algumas vezes chamado de conservador, mas prefere se chamar de libertário, aponta que isso custaria “ao governo” (i.e.aos contribuintes) menos que o atual sistema de Seguridade Nacional, assim como a renda anual de Theobald. Isto também acabaria com a última gota de humilhação associada com a “caridade” governamental, já que quando você embolsa um cheque do Imposto de Renda, ninguém (nem mesmo o gerente do banco onde você tem conta) terá como saber se o dinheiro era uma renda suplementar devida ao pobre ou uma restituição devida sobre pagamento das taxas do último ano.

 

The RICH Economy.

Isto foi arquitetado pelo inventor L. Wayne Benner (co autor com Timothy Leary de Terra II) em colaboração com este autor. È um programa de 4 estágios para reorganizar a sociedade para um futuro cibernético e de exploração espacial na qual estamos rapidamente adentrando. RICH significa (Rising Income through Cybernetic Homeostasis – Aumentando a Renda Através da Homeostase Cibernética)

Estágio I:
Reconhecer que a cibernetização e o desemprego massivo são inevitáveis e portanto encorajá-las. Isto pode ser feito oferecendo, por exemplo R$ 500.000,00 de recompensa para qualquer trabalhador que possa desenhar uma máquina que substituirá a si próprio e a todos que realizem o mesmo trabalho. Em outras palavras, ao invés de ser arrastado para a era cibernética gritando e socando tudo pela frente, nós deveríamos marchar à frente bravamente, considerando a Sociedade Sem-Trabalho como o maior acerto Utópico que a humanidade já viu.

Estágio II:

Estabelecer um ou outro, tanto o Imposto de Renda Negativo ou a Renda Anual Garantida. Desta forma o desemprego massivo causado pelo estágio I não atirará hordas de pessoas à degradação do atual sistema de previdência.

Estágio III:  

Gradualmente, experimentalmente, erguer a Renda Anual Garantida para o nível do Dividendo Nacional sugerido por Douglas, Bucky Fuller, e Ezra Pound, o qual deverá dar a cada cidadão o padrão de vida confortável próximo ao da classe média. A razão para que se faça isso gradualmente é em medida para pacificar aqueles economistas conservadores, que afirmam que o Dividendo Nacional é “inflacionário”, ou que poderiam destruir o sistema bancário por diminuir o valor dos juros para próximo de zero. E é argumento nosso que isso não acontecerá enquanto o total de dividendos distribuídos para a população não ultrapasse o valor do PIB, mas desde que isto é uma idéia revolucionária e controversa, seremos prudentes, nos permitimos aproximá-lo a passos curtos, levantando uma renda mínima talvez de 5 centavos por ano pelos primeiros dez anos. E depois que o desemprego massivo causado pela cibernetização – estágio I – ter produzido um excesso de consumismo, experimentalmente aumentar mais e mais rapidamente em direção ao Dividendo Nacional verdadeiro.
 

Estágio IV: Um massivo investimento em educação para adultos, por duas razões:

 

    1. As pessoas só conseguem gastar algum tempo vivendo de sexo, drogas e Televisão, depois de um tempo elas ficam entediadas. Esta é a principal objeção psicológica para uma sociedade sem trabalho, a resposta para isso é educar as pessoas para funções mais cerebrais do que foder, fumar maconha, ou assistir TV, ou a maioria dos trabalhos idiotas com que as pessoas estarão se entretendo.
    2. Haverá uma vasta quantidade de desafios e oportunidades nos confrontando nas próximas três ou quatro décadas, das quais as mais notáveis são aquelas colocadas por Tim Leary em seu slogan SMI²LE – Space Migration, Intelligence Increase, Life Extension – Migração Espacial, Aumento da Inteligência , e Extensão da Vida. A humanidade está para entrar em uma relação evolucionária completamente nova com relação ao espaço, tempo, e consciência. Nós não iremos mais estar limitados a um planeta, a uma vida curta que dure menos de um século e para o processo mental estereotipado e robótico pelo qual a maioria das pessoas são governadas. Todos merecem a chance, se eles quiserem, de participar do salto evolucionário chamado por Leary de “mais espaço, mais tempo, e mais inteligência para aproveitar espaço e tempo”.

Se acha essas propostas um tanto quanto “inocentes” ou “sonhadoras, tenha em mente que o PIB do Brasil é, de acordo com o FMI, é de 4,14 trilhões de reais – calculado em Abril de 2013. De acordo com o censo de 2011, o brasil tem 194.000.000 de habitantes.

Dividindo o PIB pelos nossos habitantes, você teria hoje um salário anual de pelo menos R$21.340,2 – ou um salário mensal de 1.778,35 (sem direito a 13º) para viver sem um emprego.

Pesquise os ARQUIVOS GALÁTICOS para um divertido conto sobre o futuro: “O primeiro passo do Presidente Hubbard em estabelecer a economia RICH foi oferecer uma recompensa de 50.000 por ano para qualquer trabalhador que possa desenhar uma maquina que poderá substituí-lo”.

O que eu estou propondo, em resumo, é que a Ética do Trabalho (encontre um Senhor para empregá-lo por salários, ou viva uma pobreza esquálida) é obsoleta. Uma nova Estética do Trabalho terá de surgir para substituir esta síndrome pré-histórica do escravo, do camponês, do servo, da prole, do trabalhador assalariado – a máquina humana de trabalho que não é exatamente mais uma pessoa mas, como Marx disse, “uma ferramenta, um autônomo”. Uma vez libertos dos papéis de “coisa” e “robos”, as pessoas aprenderão a se tornar completamente desenvolvidas, no senso do potencial de desenvolvimento humano. Eles não procurarão por trabalho por causa de necessidades econômicas, mas por necessidades psicológicas – como uma válvula de escape para seu potencial criativo.

(“Criatividade Potencial” não é uma ganeralização. Estou me referindo para a vontade inata de brincar, pensar, explorar e experimentar, demonstrada por toda a criança em seu processo mental antes de ser tolhida por uma educação autoritária e de ser condicionada a se tornar um robô programado a perseguir salários)

Como Bucky Fuller disse: o primeiro pensamento das pessoas, uma vez que elas são libertas do salário escravocrata, será ‘O que era aquilo em que eu estava tão interessado quando jovem, antes que me dizerem que eu deveria começar a viver?’ A resposta para essa questão, vinda de milhões e então de bilhões de pessoas livres de seu trabalho mecânico, fará a renascença parecer uma feira de ciências ou uma demonstração de arte na Vila Greenwich”.

Título Original: The RICH Economy. Do livro The Illuminati Papers.

Robert Anton Wilson. Tradução: Matheus Raszl

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/rich-economy-o-desemprego-como-meta-economica/

Aloogenes (Biblioteca de Nag Hamad)

(falta 5 linhas)

… pois são indivíduos perfeitos e habitam todos juntos, unidos à mente, e ao guardião que eu providenciei que te ensinou (sg.). E é o poder que existe dentro de você que muitas vezes se estendeu como palavra do Triplo-Poderoso, aquele de todos aqueles que realmente existem com o Imensurável, a Luz eterna do Conhecimento que apareceu, o Jovem virginal masculino, o primeiro dos Aeons de um único Aeon triplo-poderoso, o Triplo-Poder-Uno que realmente existe, pois quando ele se acalmou, foi estendido e quando ele foi estendido, ele se tornou completo e recebeu poder de todos eles. Ele conhece a si mesmo e ao perfeito Espírito Invisível. E ele veio para um Aeon que sabe que ela o conhece. E ela se tornou Kalyptos, que atuou naqueles que ela conhece. Ele é um Protophanes-Harmedon perfeito, invisível e noético. E capacitando os indivíduos, ela é um Tripo-Macho. E sendo individualmente…

(falta 5 linhas)]

… individual por um lado, eles estão juntos por outro, já que ela é uma existência deles, e ela vê todos eles também verdadeiramente. Ela contém os divinos Autogenes.

Quando ela conheceu sua Existência e quando ela se levantou, ela trouxe Este (masc.), já que ele viu todos eles existindo individualmente como ele é. E quando eles se tornarem como ele é, eles verão o divino Tríplice Macho, o poder que é maior que Deus. Ele é o Pensamento de todos estes que existem juntos. Se ele os pondera, ele pondera o grande […] macho noético Protophanes, a procissão destes. Quando o vê, vê também aqueles que realmente existem e a procissão dos que estão juntos. E quando ele viu isso, ele viu o Kalyptos. E se ele vê um dos escondidos, ele vê o Aeon de Barbelo. E quanto à descendência não-gerada d’Aquele, se alguém vir como ele vive…

(4 linhas faltando)…

você certamente já ouviu falar sobre a abundância de cada um deles.

Mas a respeito do invisível e espiritual triplo-poderoso, ouça! Ele existe como um Invisível que é incompreensível para todos eles. Ele os contém todos dentro de si, pois todos eles existem por causa dele. Ele é perfeito, e ele é maior que perfeito, e ele é abençoado. Ele é sempre Um e existe em todos eles, sendo inefável, inominável, sendo Aquele que existe através de todos – aquele a quem, se alguém o discernisse, não desejaria nada que exista antes dele entre aqueles que possuem existência, pois ele é a fonte de onde todos foram emitidos. Ele é anterior à perfeição. Ele era anterior a toda divindade, e é anterior a toda bem-aventurança, pois provê todo poder. E ele é uma substância não-substancial, pois é um Deus sobre o qual não há divindade, cuja grandeza e beleza transcendem…

(falta 5 linhas)

… potência. Não é impossível para eles receberem uma revelação dessas coisas, se elas se juntarem. Como é impossível para os indivíduos compreender o Uno Universal situado no lugar que é mais alto que o perfeito, eles apreendem por meio de um Primeiro Pensamento – não como Ser sozinho, mas é junto com a latência da Existência que ele confere o Ser. Ele fornece tudo para si mesmo, pois é ele que virá a ser quando se reconhecer. E ele é Aquele que subsiste como causa e fonte do Ser, e um material imaterial e um número inumerável e uma forma informe e uma forma informe e uma impotência e um poder e uma substância insubstancial e um movimento imóvel e uma atividade inativa. No entanto, ele é um provedor de provisões e uma divindade da divindade – mas sempre que eles apreendem, eles participam da primeira Vitalidade e de uma atividade indivisa, uma hipóstase do Primeiro daquele que realmente existe. E uma segunda atividade […] porém, é a […]. Ele é dotado de bem-aventurança e bondade, porque quando é reconhecido como o atravessador da imensidão do Espírito Invisível que nele subsiste, ela (a ilimitação) o volta a ele (o espírito invisível) para que saiba o que é dentro dele e como ele existe. E ele estava se tornando salvação para todos, sendo ponto de partida para aqueles que realmente existem, pois por meio dele perdurava seu conhecimento, pois é ele quem sabe o que é. Mas eles não trouxeram nada além de si mesmos, nem poder, nem posição, nem glória, nem aeon, pois todos são eternos. Ele é Vitalidade e Mentalidade e Isso-Que-É. Pois então Aquilo-Que-É constantemente possui sua Vitalidade e Mentalidade, e a Vida tem Vitalidade possui não-Ser e Mentalidade. A mentalidade possui Vida e Isso-Que-É. E os três são um, embora individualmente sejam três.

Agora depois que eu ouvi essas coisas, meu filho Messos, eu fiquei com medo, e me virei para a multidão […] pensamento […] dá poder àqueles que são capazes de saber essas coisas por uma revelação que é muito maior . E eu era capaz, embora a carne estivesse sobre mim. Eu ouvi de você sobre essas coisas e sobre a doutrina que está nelas, pois o pensamento que está em mim distingiu as coisas que estão além da medida, bem como o incognoscível. Portanto, temo que minha doutrina possa ter se tornado algo além do que é adequado.

E então, meu filho Messos, o Todo-Glorioso, Youel, falou comigo novamente. Ela fez uma revelação para mim e disse: “Ninguém é capaz de ouvir essas coisas, exceto os grandes poderes, ó Allogenes. Um grande poder foi colocado sobre você, o qual o Pai do Todo, o Eterno, colocou sobre você antes de você vim para este lugar, para que você possa distinguir as coisas que são difíceis de distinguir e as coisas que são desconhecidas da multidão que você conhece, e para que você possa escapar (em segurança) para Aquele que é seu, que foi o primeiro salvar e quem não precisa ser salvo…

(falta 5 linhas)

… para você uma forma e uma revelação do invisível, espiritual, triplo-poderoso, fora do qual reside um conhecimento indiviso, incorpóreo e eterno.

Como todos os Aeons, o Aeon de Barbelo existe também dotado dos tipos e formas daqueles que realmente existem, a imagem de Kalyptos. E dotado da Palavra intelectual destes, ele carrega o noético Protophanes masculino como uma imagem, e age dentro dos indivíduos, seja com habilidade ou habilidade ou com instinto parcial. Ele é dotado dos divinos Autogenes como uma imagem, e conhece cada um deles. Ele age separada e individualmente, continuando a retificar as falhas da natureza. Ele é dotado do divino Homem Triplo como salvação para todos eles, em cooperação com o Espírito Invisível. Ele é uma palavra de um conselho, <ele> é o Jovem perfeito. E essa hipóstase é uma…

(faltam 6 linhas)

… minha alma se afrouxou, e fugi e fiquei muito perturbado. E me virei e vi a luz que me cercava e o Bem que estava em mim, tornei-me divino.

E a Todo-Gloriosa, Youel, me ungiu novamente e ela me deu poder. Ela disse: “Já que sua instrução se tornou completa, e você conheceu o Bem que está dentro de você, ouça sobre o Triplo-Poder essas coisas que você guardará em grande silêncio e grande mistério, porque elas não são ditas a ninguém, exceto aqueles que são dignos, aqueles que são capazes de ouvir: nem é apropriado falar a uma geração sem instrução sobre o Universal que é mais alto que perfeito. em bem-aventurança e bondade, Aquele que é responsável por tudo isso.

“Existe dentro dele muita grandeza. Na medida em que ele é um em um…

(falta 5 linhas)

… do Primeiro Pensamento, que não se afasta daqueles que habitam na compreensão e no conhecimento e na compreensão. E Aquele Movia-se imóvel naquilo que governa, para não afundar no ilimitado por meio de outra atividade da Mentalidade. E ele entrou em si mesmo e apareceu, sendo todo-abrangente, o Universal que é mais alto que perfeito.

“De fato, não é por mim que ele é tão anterior ao conhecimento. Enquanto não há possibilidade de compreensão completa, ele é (no entanto) conhecido. E isso por causa do terceiro silêncio da Mentalidade e da segunda atividade indivisa que apareceu no Primeiro Pensamento, isto é, o Aeon de Barbelo, junto com o Indivisível das semelhanças divisíveis e o Triplo-Poder e a Existência não-substancial.”

<Então> o poder apareceu por meio de uma atividade que está em repouso e silenciosa, embora emitisse um som assim: zza zza zza. Mas quando ela (Youel) ouviu o poder e ela se encheu…
(falta 5 linhas)

… “Tu és […], Solmis! […] de acordo com a Vitalidade que é tua, e a primeira atividade que deriva da divindade. Tu és grande, Armedon! Tu és perfeito, Epifânio!

“E de acordo com essa tua atividade, o segundo poder e a mentalidade que deriva da bem-aventurança: Autoer, Beritheus, Erigenaor, Orimenios, Aramen, Alphleges, Elelioupheus, Lalameus, Yetheus, Noetheus, tu és grande! Um Universal! Tu és Um, tu és Um, Aquele que é bom, Aphredon! Tu és o Aeon dos Aeons, Aquele que é perpetuamente!”

Então ela elogiou o Universal, dizendo “Lalameus, Noetheus, Senaon, Asine[us, …]riphanios, Mellephaneus, Elemaoni, Smoun, Optaon, Aquele que é! Tu és Aquele que é, o Aeon dos Aeons, o Incriado , que és superior aos não-gerados (os), Yatomenos, tu sozinho para quem todos os não-nascidos foram gerados, o Inominável! … (10 linhas faltando) … conhecimento.”

Agora, depois de ouvir essas coisas, vi as glórias dos indivíduos perfeitos e dos todos-perfeitos que existem juntos, e dos todos-perfeitos que estão diante dos perfeitos.

Novamente o grandemente glorioso, Youel, me disse: “Ó Allogenes, em um conhecimento desconhecido, você sabe que o Triplo Poderoso existe antes das glórias. Eles não existem entre aqueles que existem. Eles não existem junto com aqueles que existem nem aqueles que realmente existem, mas todos eles existem como divindade e bem-aventurança e existência, e como existência não-substancial e não-ser”.

E então orei para que a revelação me ocorresse. E então o todo-glorioso, Youel, me disse: “Ó Allogenes, é claro, o Triplo-Macho é algo além da substância. Ainda que ele fosse insubstancial…

(9 linhas faltando)

… aqueles que existem em associação com a geração daqueles que realmente existem. Os autogerados existem com o Triplo-Macho.

“Se você buscar com uma busca perfeita, então você conhecerá o Bem que está em você; então você também conhecerá a si mesmo, (como) aquele que deriva do Deus que realmente preexiste. Pois depois de cem anos haverá venha a você uma revelação Daquele por meio de Salamex e Sêmen e […] os Luminares do Aeon de Barbelo. E que além do que é adequado para você, você não saberá a princípio, para não perder sua E se assim for, então quando você recebe uma concepção d’Aquele, então você é preenchido com a palavra até a perfeição. Então você se torna divino, e você se torna perfeito. Você os recebe…
(4 linhas faltando)

… a busca […] a Existência […] se ela apreende alguma coisa, é apreendida por aquele e por aquele que é compreendido. E então torna-se maior aquele que compreende e sabe do que aquele que é compreendido e conhecido. Mas se ele desce à sua natureza, ele é menor, pois as naturezas incorpóreas não estão associadas a nenhuma magnitude; tendo esse poder, eles estão em toda parte e em parte alguma, pois são maiores que toda grandeza e menores que toda exiguidade”.

Agora depois que o Todo-Glorioso, Youel, disse estas coisas, ela se separou de mim e me deixou. Mas não me desesperei com as palavras que ouvi. Eu me preparei para isso e deliberei comigo mesmo por cem anos. E regozijei-me muito, pois estava em uma grande luz e um caminho abençoado, porque aqueles que eu era digno de ver, bem como aqueles que eu era digno de ouvir (são) aqueles a quem convém que somente as grandes potências… (5 linhas faltando) … de Deus.

Quando a conclusão dos cem anos se aproximava, isso me trouxe a bem-aventurança da esperança eterna cheia de auspiciosidade. Eu vi o bom divino Autogenes; e o Salvador, que é o jovem e perfeito Menino Triplo; e sua bondade, o perfeito noético Protophanes-Harmedon; e a bem-aventurança dos Kalyptos; e a origem primária da bem-aventurança, o Aeon de Barbelo, cheio de divindade; e a origem primária daquele sem origem, o espiritual, invisível, Triplo-Poderoso, o Universal que é mais elevado que perfeito.

Quando eu fui tirado pela luz eterna do manto que estava sobre mim, e levado para um lugar santo cuja semelhança não pode ser revelada no mundo, então por meio de uma grande bem-aventurança eu vi todos aqueles sobre os quais eu tinha ouvi. E eu louvei todos eles e eu permaneci no meu conhecimento e me inclinei para o conhecimento dos Universais, o Aeon de Barbelo.

E eu vi poderes sagrados por meio dos Luminares do macho virginal Barbelo me dizendo que eu seria capaz de testar o que acontece no mundo: e, buscando a si mesmo, retire-se para a Vitalidade que você verá se mover. E embora seja impossível para você ficar de pé, não tema nada; mas se você quiser ficar de pé, retire-se para a Existência, e você a encontrará de pé e em repouso depois a semelhança daquele que está verdadeiramente em repouso e (que) abraça tudo isso silenciosa e inativa. E quando você recebe uma revelação dele por meio de uma revelação primária do Desconhecido – Aquele que se você o conhecesse, ignorante dele – e você fica com medo naquele lugar, retire-se para trás por causa das atividades. E quando você se tornar perfeito naquele lugar, fique quieto. E de acordo com o padrão que habita em você, saiba também que é assim em todos esses (assuntos) após este tapinha andorinha E não se dissipe mais, para que possa ficar de pé, e não deseje ser ativo, para que não caia de forma alguma da inatividade em você do Desconhecido. Não o conheça, pois é impossível; mas se por meio de um pensamento iluminado você deve conhecê-lo, ignore-o.”

Agora eu estava ouvindo estas coisas enquanto aqueles as falavam. Havia dentro de mim uma quietude de silêncio, e ouvi a bem-aventurança pela qual eu conhecia meu próprio eu.

E eu me retirei para a Vitalidade enquanto eu buscava a mim mesmo, e me juntei a ela, e fiquei, não com firmeza, mas em silêncio. E eu vi um movimento eterno, intelectual e indiviso que pertence a todos os poderes sem forma, (que é) ilimitado por limitação.

E quando quis ficar firme, retirei-me para a Existência, que encontrei parada e em repouso, como imagem e semelhança do que me é conferido por uma revelação do Indivisível e do que está em repouso. Eu estava cheio de revelação por meio de uma revelação primária do Incognoscível. Como se eu o ignorasse, eu o conhecia e recebi poder por ele. Tendo sido permanentemente fortalecido, eu conheci Aquele que existe em mim, e o Triplo-Poder, e a revelação de sua inconsistência. E por meio de uma revelação primária do Primeiro Incognoscível para todos eles, o Deus que está além da perfeição, eu o vi e o Triplo-Poder que existe em todos eles. Eu estava procurando o Deus inefável e Incognoscível – que se alguém o conhecesse, ele seria absolutamente ignorante dele – o Mediador do Triplo-Poder que subsiste em quietude e silêncio e é incognoscível.

E quando eu fui confirmado nestas coisas, os poderes dos Luminares me disseram: “Cessa de impedir a inatividade que existe em você, procurando coisas incompreensíveis; antes, ouça sobre ele na medida do possível por meio de um primeiro revelação e uma revelação.”

“Agora ele é algo na medida em que ele existe no que ele existe e se tornará, ou age ou sabe, embora ele viva sem Mente ou Vida ou Existência ou Não-Existência, incompreensivelmente. E ele é algo junto com seu próprio ser. não sobra de alguma forma, como se ele entregasse algo que é ensaiado ou purificado ou que recebe ou dá. ele tem qualquer desejo de si mesmo ou de outro; isso não o afeta. Antes, ele não dá nada por si mesmo, para que não se torne diminuído em outro aspecto; nem por isso ele precisa da Mente, ou da Vida, é de fato algo em Ele é superior aos Universais em sua privação e incognoscibilidade, isto é, a existência do não-ser, pois é dotado de silêncio e quietude para que não seja diminuído por aqueles que não são diminuídos.

“Ele não é nem divindade, nem bem-aventurança, nem perfeição. Pelo contrário, (esta tríade) é uma entidade incognoscível dele, não aquilo que lhe é próprio; antes, ele é outro superior à bem-aventurança e à divindade e à perfeição. Pois ele não é perfeito, mas é outra coisa que é superior. Ele não é ilimitado, nem é limitado por outro. Ao contrário, ele é algo superior. Ele não é corpóreo. Ele não é incorpóreo. Ele não é grande. Ele não é pequeno, não é um número, não é uma criatura, nem é algo que existe, que se possa conhecer, mas é outra coisa de si mesmo que é superior, que não se pode conhecer.

“Ele é a revelação e o conhecimento primários de si mesmo, pois só ele se conhece. Como ele não é um dos que existem, mas é outra coisa, ele é superior aos superlativos, mesmo em comparação com o que é seu e não seu. Ele não participa da idade nem participa do tempo. Ele não recebe nada de mais nada. Ele não é diminuído, nem diminui nada, nem é indefinível. Mas ele é autocompreensível, como algo tão incognoscível que ele excede aqueles que se destacam na incognoscibilidade.

“Ele é dotado de bem-aventurança e perfeição e silêncio – não <a bem-aventurança> nem a perfeição – e quietude. Em vez disso (esses atributos) é uma entidade dele que existe, que não se pode conhecer, e que está em repouso. Em vez disso, eles são entidades dele incognoscíveis para todos eles.

“E ele é muito mais belo em beleza do que todos aqueles que são bons, e ele é, portanto, incognoscível para todos eles em todos os aspectos. E através de todos eles ele está em todos eles, não apenas como o conhecimento incognoscível que lhe é próprio. E ele está unido à ignorância que o vê. Quer se veja de que maneira ele é incognoscível, ou o veja como ele é em todos os aspectos, ou diga que ele é algo como conhecimento, ele pecou contra ele, sendo sujeito a julgamento porque não conheceu a Deus. Ele não será julgado por Aquele que não está preocupado com nada nem tem qualquer desejo, mas (julgamento) vem de si mesmo, porque ele não encontrou a origem que realmente existe Ele era cego, fora o olho da revelação que está em repouso, o (um) que é ativado, o (um) do Triplo-Poder do Primeiro Pensamento do Espírito Invisível. Este, portanto, existe de …
(falta 15 linhas)
… algo […] fixado firmemente no […], uma beleza e uma primeira emergência de quietude e silêncio e tranquilidade e grandeza insondável. Quando ele apareceu, ele não precisou de tempo nem <participou> da eternidade. Em vez disso, ele é insondavelmente insondável. Ele não se ativa para ficar quieto. Ele não é uma existência, para que não passe necessidade. Espacialmente, ele é corpóreo, enquanto propriamente é incorpóreo. Ele tem existência de não-ser. Ele existe para todos eles para si mesmo sem qualquer desejo. Mas ele é um cume maior de grandeza. E ele é mais alto que sua quietude, para que…

(falta 15 linhas)

… ele os viu e os capacitou a todos, embora eles não se preocupem com Aquele, nem, se alguém receber dele, ele recebe poder. Nada o ativa de acordo com a Unidade que está em repouso. Pois ele é incognoscível; ele é sem laço de infinitude. Já que ele é ilimitado e impotente e inexistente, ele não estava dando o Ser. Em vez disso, ele contém tudo isso em si mesmo, estando em repouso (e) destacando-se daquele que permanece continuamente, uma vez que apareceu uma Vida Eterna, o Espírito Invisível e Triplo-Poder que está em todos estes que existem. E envolve todos eles, sendo mais alto do que todos eles. Uma sombra …

(falta 15 linhas)

… ele estava cheio de poder. E ele estava diante deles, capacitando-os a todos, e encheu a todos”.

E a respeito de todas essas coisas você certamente ouviu. E não procure mais nada, mas vá. Não sabemos se o Incognoscível tem anjos ou deuses, ou se Aquele que está em repouso continha algo dentro de si, exceto a quietude, que é ele, para que não seja diminuído. Não é apropriado gastar mais tempo procurando. Era apropriado que você (pl.) soubesse, e que eles falassem com outro. Mas você vai recebê-los…

falta 5 linhas)

… e ele me disse: “Escreve as coisas que eu te direi, e das quais eu te lembrarei, por causa daqueles que serão dignos depois de você. E você deixará este livro sobre uma montanha e você vai adjurar o guardião: “Vem Terrível”.

E depois que ele falou essas (coisas), ele se separou de mim. Mas eu estava cheio de alegria e escrevi este livro que foi designado para mim, meu filho Messos, para que eu pudesse revelar a você as (coisas) que foram proclamadas diante de mim na minha presença. E a princípio eu os recebi em grande silêncio, e fiquei sozinho, preparando-me. Estas são as coisas que me foram reveladas, ó meu filho Messos…
(falta 13 linhas)

… proclame-os, ó meu filho Messos, como o selo para todos os livros de Allogenes.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/aloogenes-biblioteca-de-nag-hamad/

Princípios da Promulgação

Por IAO131 traduzido pelo Mago Implacável

Faça o que tu queres há de ser o todo da lei

Original https://iao131.com/2010/05/07/principles-of-promulgation/

“Você pode considerar o estabelecimento da Lei de Thelema como um elemento essencial da sua Verdadeira Vontade, desde que, a natureza final daquela Vontade, a condição evidente para colocá-la em execução seja a libertação da interferência externa.” Crowley – Dever

Algumas pessoas têm náuseas quando o assunto é a promulgação da Lei de Thelema, geralmente derivada de uma má interpretação dos motivos daqueles que a promulgam.
1) “there is no law beyond do what thou wilt” – Liber AL vel Legis III:60 (Trad: Não há lei além de faça o que tu queres)

Nossa mais alta e central lei de Thelema é “Faça o que tu queres”, e todas as nossas ações são uma expressão dessa ideia. Claque que há muitos Mistérios a serem compreendidos e Segredos a serem estudados, contudo todos os objetivos estão subordinados á clausura petra da realização da Vontade. Isso significa, em termos de promulgação, que todos os esforços para espalhar ideias são diretamente conectadas com a transmissão da Lei de Thelema – o uso de magick & yoga, fraternidade, Segredo do IX Grau da OTO¹, a filosofia,etc – são feitos como expressão desta mesma Lei. Ou seja, quando ensinamos magick, o fazemos dentro do entendimento que isso irá nos ajudar a compreender e fazer nossa Vontade mais completa, ensinamentos sobre fraternidade se dão no contexto da Lei, os esforços de ensinar outros tópicos são feitas para que o caminho individual tenha para um melhor conhecimento da Lei.

2) “The Law is for All” – Liber Al vel legis – 1:34 (A Lei é para Todos”)

A Lei de Thelema se aplica a todos os planos. Thelema não é simplesmente uma lei para a elite da humanidade, embora crie espaço para seu surgimento e permite o total desenvolvimento de Eremitas². Enquanto alguns se empenham para tornar-se o Ipsissimus da A.’.A.’. ou IX Grau da OTO, é válido para uns serem Homens da Terra e Amantes³. Há muitos “lugares de repouso” dentro das Ordens que será de sua natureza de alguns a sua permanência por lá. Como promulgadores da Thelema, é o nosso dever fazer com que essa Lei seja conhecida por qualquer um e por todos, não por sabermos a verdadeira vontade daquel que recebe os materiais da promulgação, mas de modo a permitir pra que cada um possa ler as fontes originais e integrar a Lei em seus termos.
Além disso, o estabelecimento da Lei de Thelema no mundo está inerentemente atrelado com a realização da Verdadeira Vontade do Indivíduo. Como a citação no inicio do artigo diz “Você pode considerar o estabelecimento da Lei de Thelema como um elemento essencial da sua Verdadeira Vontade, desde que, a natureza final daquela Vontade, a condição evidente para colocá-la em execução seja a libertação da interferência externa’’”. Ou seja, ao estabelecer da Lei da Liberdade no mundo, permitimos a realização da Verdadeira Vontade livre das “interferências externas”, incluindo aqui os remanescentes intrometidos e perseguidores do Velho Aeon. Desta forma nos aproximamos do ideal da humanidade como devia ser, sem obstáculos ou inibições e dos atritos de interpessoal, tal qual as estrelas em seu percurso noturno

3) ”Não discutas, não convertas” – Liber AL Vel Legis III:42

Ainda que nosso dever seja fazer a ciência da Lei junto ao público, NÃO é o seu dever:
• Converter pessoas para o nosso ponto de vista
• Convencer pessoas de que estamos corretos
• Ameaçar as pessoas que não aceitam nossa Lei e nossas perspectivas
• Discutir sobre os temas filosóficos e teológicos

Ainda que tudo isso seja verdadeiro, o Livro da Lei também diz: ”e para cada homem e mulher a quem tu conheceres, mesmo que seja apenas para comer e beber com eles, esta é a Lei a ser dada. Então eles terão a chance de permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema. Fazei isso rapidamente!” (III:39). Isto é fundamental paracompreender a diferença entre a Promulgação dos Thelemitas e a tentativa de conversão tradicional de como propostas, por exemplo, os alguns grupos Cristãos. Nós não ameaçamos as pessoas com histórias de pecado, hinos sobre nossa culpa, julgamento no além-mundo e também não cabe estar presente o “salvar a alma” na promulgação da Lei de Thelema. Nós damos a Lei de Thelema para todos sem argumentação ou esperança de conversão e eles podem “permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema” para nós.

4) “We shall bring you to Absolute Truth, Absolute Light, Absolute Bliss”.Liber Porta Lucis linha 17 (Nós vos traremos à Verdade Absoluta, Luz Absoluta, Êxtase Absoluto.”)
Embora sejam estas todas justificativas teóricas pra promulgação, há também um sentido mais íntimo: Thelemitas que experienciam a beleza, a verdade e a sabedoria da Lei de Thelema irão inerentemente querer compartilhar essa alegria com outros. Ao experienciar a libertação da tirania e superstição e a liberdade de espírito inerente à Doutrina Thelemica, é natural que o desejo de compartilhar as chaves que o ajudou a quebrar as suas correntes.

O ato de divulgar a Lei de Thelema não é feito pelo desejo de incrementar o ego. Ao contrario, experiências durante se promulga é em geral um grande boost no ego e soma se ao fato que este está se expondo para diversos elementos que deverão ser integrados no “amor sob vontade”. Divulgar a Lei de Thelema não é feito pelo desejo de recrutar o ouvinte para uma ordem em especifico, embora expôr pessoas para os ensinamentos de ordens como a OTO(e outras), é certamente, uma expressão válida de promulgação. O objetivo não é conseguir o maior e mais malvado grupo para que você possa se deleitar em seu poder, mas sim o objetivo é pra cada individuo, nos SEUS termos e do SEU jeito conhecer, entender e começar a agir conforme a lei de Thelema em suas vidas.

“Amor é a Lei, amor sob vontade”

1- Nota do tradutor: a subida do monte abgnieni
2- Nota do Tradutor:Ou Neophytos e Zelator
3 ou Nephytos ou Zelator

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/princ%C3%ADpios-da-promulga%C3%A7%C3%A3o

Gigantes Cabeludos

Uma outra espécie de gigante parece ter sempre existido conosco neste planeta. Ele tem a forma dum ser humano , mas está coberto de pelo e prefere viver nas sossegadas e pouco povoadas florestas do Canadá. No entanto, ele é um tanto vagabundo e foi frequentemente visto por todos os Estados Unidos. Como a maioria  dos nossos monstros , ele tem a pouca  vulgar habilidade de desaparecer no ar logo que o cerco começa a apertar-se. Os nativos dos longínquos Himalaias também estão muito familiarizados com esta criatura e desde há muito a apelidaram de Metoh-Kangmi, que significa “o malvado homem mal cheiroso das neves”. Os exploradores britânicos tomaram liberdades com esta frase e apelidaram o animal de Abominável Homen das Neves , ABNH para abreviarmos.

Existem agora provas consideráveis que o ABNH existe na realidade. E mais, parecem existir variados tipos diferentes a rondar por aí . Vem em vários tamanhos , indo de pequenos com apenas noventa centímetros a gigantes animais cobertos de pelo com três metros de altura. Alguns deles parecem estar diretamente ligados aos objetos voadores não identificados. Outros poderiam ser descendentes atuais de homens pré-históricos de Neanderthal. Como o rinoceronte de Hugh Troy, gostam de espalhar as suas gigantescas pegadas por todo o país. não deixando para trás qualquer outro tipo de provas . Nas florestas da Califórnia ganharam a alcunha de “Pé Grande” (BigFoot).

A primeira referencia publicada sobre o ABNH dos Himalaias apareceu em 1899, num livro chamado Among the Himalayas, pelo major L. A. Wadell. Ele afirmou precisamente que se lhe tinha deparado algumas pegadas gigantes com forma humana no pequeno reino de Sikkin em 1887. Expedições sucessivas a essas montanhas relataram encontrarem regularmente pegadas semelhantes e, em vários casos, grandes personagens cobertos de pêlos. Gerações de cientistas do tipo B ( burocráticos pilotos de escrivaninhas ), sentados confortavelmente entre os seus livros em universidades   —   torres de marfim , zombaram dos relatos e apresentaram uma larga obra de especulações. Era apenas um urso ou um macaco, anunciaram periodicamente , e um grupo de escolares conclui que as pegadas eram espalhadas por Yogis (  o personagem Zé Colméia dos desenhos animados ) nus que vagueavam pelas montanhas em temperaturas abaixo de zero.

Três anos antes do major Wadell ter achado essas pegadas em Sikkin , uma verdadeira criatura tipo ABNH foi capturada no Canadá . Segundo o Daily British Colonist ( 3 de julho de 1884) , um grupo de operários do caminho de ferro que cavava um túnel nas redondezas de Yale, Columbia Britanica, deparou-se com o que parecia à primeira vista ser um homem a dormir nos carris. Provou-se ser um peludo “meio homem, meio animal”, que foi capturado vivo e depois duma perseguição de cinco minutos. “Jacko”, como foi apelidado  pelos seus captores , tinha um metro e trinta e cinco de altura e pesava cinquenta e sete quilos.

“Ele tinha um pelo longo e negro  e assemelhava-se a um ser humano , mas com uma exceção: todo o seu corpo com um pelo
brilhantes com dois centimetros e meio de comprimento ” , afirmava o relatório. “Os seus antebraços são muito maiores do que os
antebraços do homem . . .”

O que aconteceu a “Jacko” não se sabe. Recentemente, em 1946 , um reporter canadiano entrevistou um idoso cavalheiro de Lytton, Columbia Britancia , que disse que o tinha visto. Outros , incluindo o Sr. Alexander Caulfield Anderson, da Hudson’s Bay Company , disseram ter encontrado animais desses desde 1864.

A obra definitiva Abominable Snowman: Legend Come to Life , de Ivan T. Sanderson, sonda esses antigos relatórios em
detalhe e anota as muito lendas e muitos indicios acerca dessas criaturas na América do Norte. Há vários antigos contos índios sobre mulheres terem sido violadas por ABNH e mesmo terem filhos deles. Podemos também mencionar que muitas outras culturas tiveram histórias identicas. Os escolares podem um dia descobrir que o homem frequentemente se cruzou com esses seres peludos como um ser nascido “todo vermelho com uma pele cabeluda”.

A literatura européia antiga contém numerosas  referencias aos “Homens Maus das Florestas” que se pensava existiam escondidos nas densas florestas da Inglaterra, França, Alemanha e muitos outros países. São descritos como homens altos , cobertos de pêlos, com uma extraordinária destreza, capazes de saltar enormes distancias e vencer homens vulgares. No folclore irlandês, segundo o De Animalibus, esses Homines Sylvestris  “habituados a habitarem em deselegantes cho,cas subterraneas, viviam de vegetais e recusavam-se a conviver  de todo com os outros humanos . . . Por mais bondosamente que fossem tratados , era impossivel civiliza-los, porque recusavam-se a reconhecer a lei e a ordem . . . Existiu um número quase infinito deles na Irlanda”.

Na literatura antiga os “Homens Selvagens” europeus tinham uma natureza sensual e atacariam femeas humanas sozinhas que passassem através das florestas, obrigando-as à  força a terem relações sexuais. Talvez esses contos fossem a base para as lendas dos sátiros, e artistas e desenhistas da Playboy interpretaram mal os sátiros, dando-lhes cascos fendidos. Uma vez que os indios americanos têm histórias semelhantes , é possivel que exista alguma verdade nos contos.

Tribos isoladas da América do Sul também têm lendas sobre misturas raciais com uns peludos. Alguns especuladores não
cientificos sugeriram mesmo que as criaturas só podem se reproduzir através de fêmeas humanas. No entanto, ainda não
descobrimos alguma queixa de alguem que tivesse sido rapatado por um monstro peludo, embora sabendo que se tal queixa fosse alguma vez feita não era possivel que aparecesse na imprensa.

Ainda mais incrivel é a prova que se vai acumulando firmemente que sugere fortemente que os cabeludos ABNH estão ligados de alguma maneira peculiar ao fenomeno de objetos voadores não identificados . Nós examinaremos isto mais adiante. Os comicos discos voadores produziram toda a espécie de relatos de monstros, e não estavamos a ser inteiramente facciosos quando propusemos que um gigante patagonio poderia ter sido transplantado para o Michigan em 1897. Quase que parece que as anormais criaturas terrestres foram alistadas ( ou destacadas ) para o serviço pelos discos voadores para cumprirem alguma misteriosa missão. As provas sobre OVNIs , que são discos voadores é uma ultrajante empresa que joga com a nossa credibilidade e é um meio de inspira uma totalmente falsa crença sobre os extraterrestres ( interplanetários ) visitantes.

Um dos principais UFOólogos da América é Brad Steiger, autor de muitos livros sobre o assunto. Steiger recebeu um espantoso diário de James C. Wyatt, de  Menfis, Tennessee. O diário foi escrito pelo avô do Sr. Wyatt e debate em detalhe uma experiencia com um “Urso Louco” no ano de 1888. Dizia-se que um indio teria conduzido o avô Wyatt a uma caverna escondida do Tennessee onde estava guardada uma criatura peluda com formas humanas . Os indios alimentavam o “Urso Louco” em intervalos regulares e diziam que tais criaturas  tinham sido atiradas de “luas” que aterravam periódicamente no vale.

Os indios disseram-lhe que através dos anos foram deixados muitos “Ursos Loucos” nas florestas e muitos do seu povo tinham visto os “homens do céu” a tirarem os “Ursos Loucos” das suas “luas”. Existe portanto uma solução para o nosso mistério. Os discos voadores estão a largar monstros cabeludos por todo o lado! O “Urso Louco” de Wyatt é descrito como uma criatura com um pescoço curto, grandes braços e coberto de um pêlo preto brilhante.

É um fato curioso que discos voadores tenham sido repetidamente vistos em áreas infestadas de ABHN. Uma expedição de montanheiros ao Everest em 1923-24, chefiada pelo general Bruce , não apenas se deparou com as clássicas pegadas gigantes do ABNH , mas também viu “um grande e peludo homem nu correndo através dum campo de neve em baixo ” a uma altitude de 2.000 metros . Subsequentes expedições tiveram mais encontros com a criatura. Durante a tentativa do Everest  em 1933, o alpinista F.S. Smythe estava a subir sozinho quando observou “dois objetos de aspecto curioso flutuando no céu” . Eles pairavam imóveis e pareciam pulsar devagar. Outras expedições aos Himalaias noa anos 20 e 30 relataram várias vezes terem visto “gigantescos discos de prata” e “um bule de chá voador” . A controvérsia dos OVNIs ainda não existia nessa altura, portanto a maioria dos cientistas do tipo B ( burocratas ) olhava essas histórias como alucinações causadas por alta altitudes . Embora os nativos tenham muito a dizer sobre ABN , ou Yeti  , eles consideravam os objetos aéreos como manifestações religiosas. Os discos tinham sempre voado em rotas regulares sobre as montanhas. Eles pertencem a elas como as nuvens , explicaram os nativos aos primeiros exploradores.

Nós ( John Keel ) visitamos a Índia e os Himalaias em 1955-56 e ouvimos muitas histórias de Yeti dos nativos. Esses misteriosos animais são um fato aceito nas vidas dos povos da montanha, da mesma maneira que as capivaras o são para nós. Na altura da nossa visita sómente quatrocentos homens brancos tinham visitado essas regiões em toda a História. Amaioria deles tinham sio missionários religiosos mais interessados em salvar almas do que caçar monstros. Em muitas aldeias remótas nós fomos os primeiros homens brancos a ser alguma vez visto pelos nativos. Desde aí os minusculos reinos do Nepal, Bhutan e Sikkin foram abertos a um turismo limitado. Mas os Chineses Vermelhos ocuparam o Tibete completamente, afastaram o Dalai Lama e os seus seguidores e selaram os caminhos da montanha com tropas e fortificações. É virtualmente impossivel obter um mapa correto dos territórios dos Himalaias . A área é estratégicamente importante para a Ïndia e seria mais fácil obter um mapa das instalações atomicas de Oak Ridge, Tennessee.

Em alguns locais o Yeti é muito temido e há numerosos registros do animal ter atacado e morto seres humanos. Em 1949 um pastor Sherpa chamado Lakhapa Tensing foi partido em dois pelo Yeti na passagem de Nanga Parbat, uma das mais altas passagens do mundo, muito mais para além das possibilidades dos animais vulgares. As mães da montanham assustam os seus filhos mal comportados dizendo-lhes que os Yetis os apanharão se não tiverem cuidado. Lavradores de algumas áreas têm medo de trabalhar de pois do por do sol por causa desta cortina de superstição e de medo. Eles crêem que olhar para o Yeti significa morte, e que a única proteção é cobrir os olhos e correr pelos montes abaixo. Os pés do Yeti estão supostamente colocados ao contrário para facilitar as escaladas , mas isso torna-o muito desajeitado quando corre para baixo nas montanhas.

Uma estranha crença provém dum acidente que alegadamente aconteceu por volta de 1900 quando os ingleses estavam a estender uma linha telegráfica de Kalimpong , na Índia, para Lhasa , no Tibete . Era um grande empreendimento e muitos homens da montanha foram contratados para trabalharem nele. Alguns deles estavam acampados em Chumbithang , a cinco quilometros da passagem de Jele-la, uma das portas para o Tibete. Uma manhã uma dezena de operários saiu e não conseguiu voltar. Na manhã seguinte um esquadrão de soldados britanicos saiu para os procurar.  Encontrara, em vez deles, um estranho animal escondido sob uma s rochas gigantes nas proximidades da passagem . Dispararam contra ele e arrastaram-no para o dak mais próximo ( cabanas mantidas para viajantes ) . Mais tarde Sir Charles Bell, então oficial político britanico de Sikkim , veio e ordenou que embalassem a carcaça e a enviassem para a Inglaterra. Nunca mais foi vista e não há nenhum traço dela.

Esta história tem sido apaixonadamente repetida em vários livros indianos sobre as lendas da montanha, mas parece estar mais baseada num boato do que na verdade. Não existe qualquer referencia a ela nos papéis de Sir Charles . No entanto, um velho de Darjeerling, Bombahadur Chetri, disse ter visto com os seus próprios olhos o animal quando era rapaz. Descreve-o como tendo três metros de altura e coberto com hirsutos pêlos com cinquenta ou sessenta centimetros de comprimento. A sua horrorosa face não tinha cabelos, com uma boca cheia de afiados caninos amarelos e frios olhos vermelhos. Os seus pés estavam  voltados para trás, disse. Mas isto podia ser uma falsa impressão, dependendo de como a carcaça estava deitada. Os seus pés podiam ter forma de mãos , como os dos macacos, pendendo sobre a esquina duma mesa.

É significativo que a lenda do Homem da Neve persista através de toda a cadeia Himalaia de Kasmir a Este, a Assam , longe para o Oeste. Todas as tribos têm histórias sobre a criatura , e todas as linguas da montanha ( existem muitas ) têm uma palavra para ela . todas essas histórias contêm essencialmente os mesmo detalhes e as descrições básicas são universais. Há dois tipos principais. Um tem aproximadamente um metro e vinte de altura e parece-se com um anão humano coberto de pêlos. O outro é muito alto, indo , segundo as descrições , de dois a três metros. Nenhum deles se parece com um urso ou macaco. Os ursos movem-se a quatro a maioria do tempo, exceto quando atacam . E quanto a gorilas , os antropologistas estimam que a população gorila mundial anda à volta dos quatrocentos, e podem apenas encontrar-se numa pequena área funda dentro da Africa Equatorial.

Animais que correspondiam às descrições dos dois tipos de Yeti himalaios têm sido vistos perto de discos voadores aterrados na América do Sul, e mesmo em França. Serão discutidos mais para frente.

Tenzig Norgay, o sherpa que, juntamente com Sir Edmund Hillary, foi o primeiro a chegar ao cume do Monte Everest em 29 de maio de 1953, vive na pitoresca vila da montanha de Darjeerling, India , no sopé dos Himalaias . Nós pudemos passar um tempo consideravel com este homem fantasticamente humilde e simples durante a nossa visita à região. Tenzig gosta de falar do seu cunhado que foi em tempos um dos assistentes do grande Sangay Rimboche, o último Grande lama do mosteiro de Rongbuck, perto do Everest. Ele ia com o Grande Lama nos seus passeios anuais para meditar nos elevados, secretos lugares da montanha . Durante uma dessas viagens um outro lama assistente encontrou um Yeti morto e mostrou a pele a Sangay Rimboche. Parecia-se com a pele dum jovem urso, e o Grande Lama usou-a durante anos para se sentar enquanto meditava. Foi provavelmente colocada no seu Chorten depois da sua morte.

Muitas das lamassarias da montanha guardam pedaços de pêlo do Yeti e ossos como reliquias sagradas. Pensam que os Yetis são demonios colocados à volta das montanhas para guardarem os deuses que supostamente vivem nos cumes. No fim de 1954, uma tribo de caçadores de cabeças de Assam disse ter morto e comido uma criatura com dez metros de altura. Os ossos e o pêlo foram supostamente levados para o mosteiro. Tenzing nunca viu um Yeti pessoalmente , mas não duvida da sua existencia. O seu pai disse ter uma vez encontrado um face a face e conseguiu escapar. Tenzing disse que o seu pai não era mentiroso ou dado a inventar contos do vigário. E as suas descrições correspondem aos relatórios de outras testemunhas oculares.

Quase todas as expedições aos mais remotos setores dos Himalaias nos ultimos cinquenta anos têm visto e fotografado enormes pegadas de ABNH. Geralmente tais pegadas são encontradas na neve em elevadas altitudes que estão para além do raio de ação da maioria dos animais vulgares. Por fim , não é provavel que animais se aventurassem em áreas onde não existe nem comida nem presas. Amostras de restos de Yeti também foram recolhidas e estudadas e indicam que vive de pequenos roedores conhecidos como o rato-lebre. Um grande número de expedições realizou importantes relatos em que eles próprios viram o animal de uma certa distancia. Foi visto a cavar raízes com um pedaço de pau, algo que um animal vulgar não faria . Este uso de um instrumento coloca-o na classe sub-humana.

O que poderá ele ser? Há algumas evidencias que dizem que ele poderia na realidade ser um sobrevivente do antigo homem de Neanderthal. Pegadas que se sabem terem sido feitas por Neanderthaleses foram descobertas e são quase identicas às do ABNH. Em 1948 numa antiga gruta , há muito selada por lava vulcanica , que foi aberta perto de Toirano, Itália , descobriram-se interessantes artefatos, incluindo as pegadas de homens modernos , de ursos e de homens do Neanderthal. As últimas foram imediatamente reconhecidas como sendo quase exatamente as mesmas  pegadas fotografadas pelas várias expedições ao Everest. De igual interesse é o fato de que a descoberta parece indicar que o homem moderno e os Neanderthalenses existiram na mesma era. Um fato que levou os cientistas do Tipo B (burocratas) a depressa esconderem a descoberta por detrás dos seus arquivos.

Em 1950 uma expedição ao Médio Oriente desenterrou restos que mostram que o homem moderno, o homem do Cro-Magnon, e o homem de Neanderthal viveram e existiram ao mesmo tempo. Também isto foi depressa varrido para debaixo do tapete pelos sujeitos da pré-evolução. Na verdade, se essas variadas personagens humanas e sub-humanas tivessem vívido juntas numa época então algo estaria radicalmente errado na nossa há muito tempo aceite escala das evoluções.

As provas que estamos a resumir aqui abrem um  totalmente  novo saco antropológico. Poderiam os “Homens Maus das Florestas” da Europa ser sobreviventes extraviados de algum tempo antigo, gradualmente afastados cada vez mais para as florestas e montanhas, forçados a acasalarem com fêmeas humanas para poderem sobreviver de todo, e, finalmente , empurrados para a extinção quando as fêmeas humanas foram menos acessiveis? Poderiam esses seres peludos ter sobrevivido nas áreas remotas dos Himalaias e nas profundas selvas do Brasil e do Norte do Canadá?

Nós ( John Keel ) próprios vimos pegadas do Yeti. Tentamos perseguir o animal até ao seu refugio. Em “Jadoo”, esta aventura foi completamente descrita. Aqui está um sumário dessa narrativa:

Enquanto viajávamos através do Norte de Sikkin com um guia nativo chamado Norbhu, ouvimos distintamente o grito do Yeti que
“se parecia com um pássaro muito perto, curtos gorgeios com uns pequenos trinados. Parecido com os gritos dos macacos, mas
mais agudos e menos definido.”

“Nós estavamos muito perto da fronteira do Tibete, e cedo encontravamos profundas pegadas de Yeti. “As pegadas eram claras e
espaçadas como se andasse a um passo vagaroso. Não era de maneira alguma um macaco ou um urso, e as pegadas eram
muitos grandes para terem sido feitas por um homem descalço . . . Então, de repente , de algum lugar à nossa frente , ouviu-se um
agudo grito animal; breve, cheio de uma dor chorosa. Norhu deu um enorme salto. Então ficou apenas o silêncio e o barulho da
água nas folhas à nossa frente.”

“Um pouco mais longe um grupo de nativos aparecu e conduziu-nos à sua aldeia na margem de um estreito ribeiro. Eles também
tinham ouvido o grito. Era de uma pantera, diziam. Uma pantera moribunda . . . Eles tinham encontrado uma mancha de sangue
rodeada de pegadas de Yeti . Estavam a correr para a sua aldeia quando esbarraram conosco.

“Poderia um Yeti matar uma pantera, perguntei?

“‘E um dos poucos animais que o pode fazer.”

“Norbhu voltou para Dubdi, e eu ( Jonh Keel ) continuei sózinho. A pista era fácil de se seguir; demasiado fácil. O Yeti era mais ágil
e rápido do que um vagaroso homem branco. Dando razão ao que os lamas me tinham repetidamente dito, o Yeti escolhia o
caminho mais fácil para onde quer que fosse, evitando as mais dificeis áreas da selva, atravessando os lugares mais baixos dos
rios, etc. Às vezes parecia que não o poderia encontrar.”

“Encontrei aldeias e lamassarias em estado de alerta e de medo, tendo ouvido ou visto a minha presa. Todas as descrições eram
as mesmas .tinha mais noventa centimetros do que eu ( tenho um metro e oitenta e cinco ), coberto de um pêlo castanho, com
uma face vermelha sem pelos e uma cabeça sujíssima.

” Num mosteiro acima de Changtthang , os lamas estavam a tocar tambores e trombetas quando chegavamos. Tinham visto o Yeti
apenas umas horas antes , a correr no caminho que eu levava . . .

“Seguindo a quente e fria pista do Yeti, cheguei finalmente à aldeia Norte de Lachem, a 2640 metros acima do nivel do mar, onde
os nativos me receberam excitadamente e me conduziram através de tortuosos caminhos até a um pântano . Um Yeti . . . o meu
Yeti , sem dúvida . . . tinha aí sido visto por um grupo de crianças nessa mesma manhã. O local estava cheio de pegadas.
Enquanto estava parado aí a observar , um estranho guincho ouviu-se, provindo de umas rochas perto. O efeito nos nativos foi
elétrico. Ficaram espantados e assustados; apenas a minha presença os impediu de fugir. Olharam para mim com curiosidade
alarmante, pensando o que eu ia fazer.”

“Eu também estava a pensar.”

“Cautelosamente andei para a frente vacilando num inclinado caminho cheio de seixos gigantes. Finalmente, cheguei à beira de
uma vasta cavidade cheia de agua, onde árvores partidas e arbustos definhados estavam como esquletos.

“Foi aí que o ví!”

“Talvez não fosse umYeti, eu não estava suficientemente perto para estar ompletamente certo. Mas algo estava ali, do outro lado
do lago. Algo grande, enormemente grande, e castanho, e movendo-se rápidamente na direção de uma pilha de seixos. Ao
aproximarmo-nos dele, outra sombra castanha mexeu-se para ir ter com ele e juntos desapareceram para além dos restos de um
abatimento.

“Circulei o lago e encaminhei-me para cima cautelosamente através das rochas e abatimentos. Em poucos minutos cheguei a um
estreito canal nos rochedos . . .

“Repetidamente o agudo grito do Yeti ouviu-se de novo e eu gelei. Vinha dos penhascos em cima. Os Yetis estavam em algum
lugar acima a observarem-me e a gozarem-me! Dobrei o canto do canal e olhei para cima. Muito acima de mim houve um rápido
movimento. Um relampejar de castanho no céu cinzento . . . Os Yetis devem ter trepado para cima, pelas rochas nuas; algo que
nenhum urso ou macaco poderia fazer fácilmente . . .Eu sabia que não poderia trepar esses rochedos. Sabia que não podia me
aproximar desses espertos , evasivos animais sózinho. Permaneci aí tenso um grande momento . . . depois desci devagar para o
canal.”

“Isso foi o mais perto que alguma vez estive do Abominável Homem das Neves.”

A aparição mais recente de pegadas de Abominável foi em Março de 1969. O Sr. Charles Loucks, um montanhes de Center Point, Nova York, estava a alpinar no Nepal quando se deparou com uma fila de pegadas na neve a três mile e seiscentos metros de altura. Tinham dez centimetros de largura, dezessete centimetros de comprimento, e pareciam ter um dedo do meio ligeiramente maior do que os outros quatros. A pista estendia-se por trintametros, conduzindo a um bosque e ignorando um caminho aberto perto.
Extraido do livro Estranhas Criaturas do Tempo e do Espaço de John Keel  –  EDILIVRO –  1980

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/gigantes-cabeludos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/gigantes-cabeludos/

Apolônio de Tiana

Thiago Tamosauskas

Ele nasceu há aproximadamente dois milênios. Realizou milagres, curou os doentes, alimentou os famintos e expulsou os demônios. Por onde passava promulgava a paz para as multidões que o seguiam. Denunciava os opressores do povo e por fim foi julgado e condenado em um tribunal romano, até hoje nada se sabe de seu cadáver. Se perguntássemos sobre quem você acha que está lendo, com certeza poderia confundir esse pequeno currículo com o de uma popular lenda urbana. Mas trata-se da vida de Apolônio de Tiana, um misterioso personagem cuja vida é tão apaixonante para os que a conhecem quanto desconhecida para a maioria das pessoas.

Muito do que sabemos de sua vida chegou até nos graças à biografia encomendada pela imperadriz romana Julia Domna ao filósofo e historiador Filostratus. A monarca não viveu para ver o resultado final do texto que ficou pronto alguns anos depois de sua morte. O testemunho de Filostratus, entitulado “A Vida de Apollonius de Tyana”, serviu como base para todas as discussões posteriores sobre esta enigmática figura. Trata-se de um livro especialmente importante porque contém trechos de manuscritos disponíveis ao autor mas que já não existem mais, incluindo cartas do próprio Apolônio e o diário de Damis, seu fiel discípulo.

 

Sua obra escrita é bastante vaga e pouco chegou até os dias de hoje. Aqui merece destaque o Nuctemeron, antigo manuscrito atribuído a Apolônio, importante o bastante para ser incluído como apêndice na obra “Dogma e Ritual da Alta Magia” de Eliphas Levi. No Nuctemeron os ensinamentos de Apolônio de Tiana estão dispostos como em um relógio em 12 horas. Cada hora traz uma instrução especial até que o ciclo se feche para recomeçar, nos lembrando da necessidade de sempre reforçá-los. Embora apresentado numa linguagem alegórica de dificil acesso o Nuctemeron ganhou uma grande reputação entre os estudantes de Alta Magia.

A vida de Apolônio de Tiana

A fonte bibliográfica de Filostratus ainda recebe o endosso das fontes do mundo árabe medieval. Entre eles Apolônio recebe o nome de Abūlūniyū, Balīnās ou ainda Balinus e as lendas descritas são consistentes com o testemunho europeu. Entre estas fontes destacam-se o Kitāb Sirr al-alīqa ( Livro da Criação), o Risāla fī taīr ar-rūḥānīyāt (Tratado da influência dos seres espirituais nas coisas compostas), o al-Mudḫal al-kabīr (Introdução ao uso de Talismãs), o Kitāb alāsim Balīnās al-akbar (Grande Livro de Talismãs e Apolônio) e o Kitāb Ablūs al-ḥakīm (Livro do sábio Apolônio). Todos eles de autoria atribuída ao nosso personagem.

Segundo todas estas narrativas, Apolônio de Tiana nasceu na Grécia, na região da Capadócia turca, aproximadamente no ano 4 A.C. Discipulo da escola neo-pitagórica, destacou-se como notável filósofo e professor. Muitos de seus pensamentos, mesmo após tantos séculos, ainda se encontram presentes nas universidades e academias ao redor do mundo, sendo uma grande influência para o pensamento científico contemporâneo.

Assim como todo personagem que surgiu há mais de mil anos e se envolvia com misticismo, seu nascimento está envolto de mistérios e lendas. Conta-se que sua mãe teve um sonho durante o qual sonhou que estava grávida. Ao acordar passou a encabeçar a lista da mães virgens tão comuns à mitologia universal.

Pouco sabemos sobre sua infância diante da qual os registros históricos se calam. Todavia sabemos que aos quatorze anos foi levado para estudar com Eutidemo, professor de retórica em Tarso. Sentiu tanta repulsa com os costumes do povo de lá que convenceu seu pai adotivo a mudar-se para outra vizinhança. Tornou-se neo-pitagórico e portanto frugal e vegetariano. Se abstinha do vinho, das casas de banho e das mulheres. Andava sempre descalço com roupas muito simples e sentiu-se desde muito jovem atraído a uma  vida de contemplação e ascetismo. Conta-se que até os 15 anos era um rapaz calado pouco dado a conversas e interações sociais, pronunciando sempre o mínimo de palavras necessário. Mais tarde quando seu pai adotivo morreu doou toda sua herança aos pobres da região mostrando definitivamente seu desapego aos bens materiais.

O ponto culminante de sua vida foi a descoberta do túmulo de Hermes Trimegistro, acompanhado de vários manuscritos que são significativos para o hermetismo dos dias de hoje. No Kitāb Sirr al-alīqa ele descreve este importante descoberta que serviu de ponte entre as escolas de mistérios egípcias e os taumaturgos do primeiro século. Entre estes manuscritos estavam a famosa Tábua da Esmeralda, por este motivo alguns historiadores a colocam como sendo da autoria do próprio Apolônio, embora ele mesmo negue esta hipótese nas fontes árabes acima citadas. Depois desta descoberta começou aos poucos a ganhar atenção de todos com quem entrava em contato pois apregoava a doutrina hermética abertamente para as massas. Seu estilo obscuro e setencioso aos poucos o fez rodeado de pessoas interessadas. Artesãos abandonavam seus ofícios para ouví-lo e cidades próximas enviavam embaixadores para visitá-lo. Os árabes criaram poemas em sua homenagem e é dito que seu nome chegou com admiração até mesmo aos brahmanes da Índia, aos magos da Pérsia e aos sacerdotes egípcios.

Durante sua fase adulta Apolônio viajou por boa parte do Oriente e Mediterrâneo visitando templos, corrigindo costumes que achava intoleráveis e reformando toda forma de abuso. Seus ensinamentos eram sempre acompanhados de toda sorte de prodígios. Em Éfeso ganhou notoriedade por acabar com uma praga simplesmente repreendendo-a. Em Coríntio realizou exorcismos públicos. Às margens do Eufrates profetizou o futuro do imperador Nerón da Babilônia. Viajou ainda pelo Egito, Etiópia e outros países e povoados sempre rodeado de muitos seguidores. Finalmente, visitou a itália e ressuscitou uma mulher.

Passava ele pelo funeral desta mulher que pertencia a uma importante família consular e, aproximando-se de seus ouvidos, pronunciou algumas palavras místicas. Ela abriu os olhos e levantou-se confusa. Apolônio foi levado para a casa de seus pais, que lhe ofereceram uma considerável quantia em dinheiro, que ele aceitou apenas para dar de volta como dote à donzela. O episódio deu ao mago uma fama sem precedentes e isso bastou para ganhar a desconfiança das autoridades.

Suas viagens foram interrompidas depois que se estabeleceu em Roma. Acusado de atiçar o povo, de conspirar contra o imperador Domiciano e de cometer o sacrilégio de não se curvar perante a éfige de césar, Apolônio foi desnudado, acorrentado e confinado em um calabouço, onde algumas versões da história dizem que finalmente morreu em 97 D.C.. Outra versão conta que foi lhe dada a chance de reconhecer publicamente seu erro e assim ganhar o indulto romano, entretanto Apolônio negou-se a aceitar seus atos como um erro sendo em seguida condenado à morte. Suas últimas palavras teriam sido: ‘Não podem deter minha alma, nem sequer meu corpo’. Tendo dito isso diante do tribunal seu corpo se desvaneceu desaparecendo diante dos olhos de todos os presentes.

Após seu inexplicável desaparecimento houveram ainda relatos de aparecimentos seus em Dicearquia e posteriormente em Creta onde conta-se teria finalmente falecido. Sua fama de milagreiro e a lenda de toda sua vida fizeram com que muitas pessoas acreditassem que ele fosse imortal. Fato é que nunca encontraram seu corpo.

 

A reputação de Apolônio de Tiana

Com o passar dos anos sua figura ganhou contornos populares, sendo inclusive adorado com um semi-deus em certos povoados, onde hinos eram escritos e estátuas levantadas em sua homenagem. Conta-se que o imperador Alessandro Severo tinha um retrato seu em seu oratório pessoal, ao lado das figuras de Cristo, Vopisco e Orfeo. Até o século V sua reputação era forte mesmo entre os cristãos. Prova disso é que Leon, ministro do rei dos visigodos pediu que o bispo de Auvernia traduzisse a obra de Filostrato dedicada a Apolônio. Ao terminar a tradução Sidônio remeteu ao ministro uma carta na qual exaltava todas as grandes virtudes do filósofo dizendo que para ser um ser humano perfeito só faltava que fosse cristão.

A opinião do bispo não foi seguida pelo restante da igreja. Infelizmente as similaridades entre a vida de Apolônio e a vida do Jesus bíblico acabou gerando uma grande desconfiança entre os sacerdotes. Desconfiança essa que culminou numa grande inimizade dentro da igreja romana e em uma campanha de difamação. Apolônio era então apresentado como impostor e falso-profeta que tentava enganar e desencaminhar os fiéis. Num segundo momento seus detratores o elevaram ao título de filho do diabo e perigoso necromante a serviço das forças infernais.  Por fim, sua figura foi largada ao esquecimento geral.

Essa má fama persistiu até meados do século XVI, quando as cabeças pensantes do iluminismo, incluindo Voltaire, começaram a advogar suas próprias ideias ético-religiosas opondo-se à igreja e propondo uma religião não-denominacional mais compatível com a razão. Em 1680 Charles Blunt, publicou a primeira tradução em inglês do livro de Filostratus, incluindo uma poderosa introdução pessoal anti-clerical. Nos anos seguintes as similaridades da vida de Apolônio com a de Jesus dominou a polêmica sobre a originalidade do cristianismo. Teosofistas passaram a considerá-lo duas encarnações do mesmo mestre enquanto Marquês de Sade fazia pouco de ambos em seus contos. Pouco depois Ezra Pound associou Apolônio com o culto solar destacando-o como um rival messiânico de Cristo,  identificado-o com uma cosmovisão de supremacia ariana de mitologia anti-semita.

No século XX Apolônio entra de vez para o universo da ficção e sua figura ganha ares cada vez mais lendários. No livro de Gerald Messadié “O homem que virou deus” Apolônio aparece como um poderoso filósofo e mago contemporâneio de Jesus. Este autor francês narra em sua obra inclusive um encontro entre os dois personagens. No cinema aparece como personagem do filme “As 7 Faces do Dr. Lao” e é ainda retratado na trilogia Illuminatus de Ribert Anton Wilson como tendo uma discussão com Abbie Hoffman, hippie ativista norte-americano.

Conclusão

Com toda a discussão sobre quem copiou e quem foi copiado, a verdade é que suas histórias de Jesus e Apolônio de Tiana são muito semelhantes. Nascidos na mesma época (Cristo também nasceu entre 4 e 6 a.C), mortos no mesmo séculos e com atos que inspiraram muitos… a diferença apontada por muitos pesquisadores é de que a vida de Apolônio recebeu atenção de muitas pessoas que a resgistrou, não apenas na região em que viveu mas nas regiões vizinhas, coisa que não aconteceu com seu xará Galileu, o que faz muitos apontarem para a possibilidade de Jesus ser uma cristificação da imagem de Apolônio. Mais do que isso, muitos dos rituais e símbolos usados nos sacramentos romanos podem ser seguidos de volta no tempo até repousarem nos pés de Apolônio. O missal, o altar, as vestimenta dos padres e muitos outros detalhes não tem qualquer relação com as histórias descritas na bíblia, mas podem facilmente ser atribuidas a uma herança direta aos elementos de alta magia apresentados por Apolônio.

4 a.c – 97 d.C

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/apolonio-de-tiana/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/apolonio-de-tiana/

Um Retiro Monástico

Magia+do+Caos

No ano passado escrevi um livro sobre meditação e acabei contando um pouco sobre o período de um mês que passei num mosteiro budista em 2012. Nesse novo livro, falo sobre meu retiro de cinco semanas num mosteiro católico. Você pode baixar o PDF aqui ou adquirir a versão impressa aqui.

Inevitavelmente, faço comparações entre as duas experiências, o que foi uma boa oportunidade para celebrar as semelhanças do cristianismo e do budismo, que é outro ponto que exploro nesses escritos. Passei por um período de estudo do catolicismo nos meses anteriores ao retiro e conto o que descobri.

Você já deve ter ouvido aquele velho dizer da Magia do Caos: seja um budista na segunda-feira, um cristão na terça-feira, um xamã na quarta-feira e assim por diante. Também existe aquela célebre prática caoísta de desafiar a si mesmo com coisas que não gostamos ou não sabemos, como experimentar comer uma comida que odiamos. E para que serve isso tudo? Para surpreender-se com novos mundos, saltar para o desconhecido.

O caoísta gosta do novo, mas também é capaz de apreciar repetições. Peter Carroll criou uma vez os monges e monjas do Caos, que seriam aqueles que fazem votos de realizar famosos exercícios caoístas intensivamente por um período determinado.

Será que é realmente possível permanecer saltando eternamente de um caminho para outro, ser o mestre dos saltos paradigmáticos, sem entregar seu coração para nenhum deles? Você sempre se apaixona aqui e ali. Pode-se ser um eterno peregrino e resistir à tentação de ceder o coração? Essa é uma resposta que cada um deve encontrar.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-retiro-mon%C3%A1stico

Internet de Fachada versus Internet Verdadeira

Antes de começar, façamos um teste simples. Entre no google e procure por sexo, e então clique em imagens. Faça a mesma coisa buscando por “fuck”, “face fuck”, etc. Apesar de algumas imagens surgirem a grande maioria não será tão explícita quanto você imagine. Caso esteja se sentindo particularmente de saco cheio procure por suicídio ou qualquer outro termo do gênero, com certeza algumas imagens de gente morta, mas a maioria absoluta simplesmente são imagens poéticas, piadas, etc.

Pois bem… o que aconteceu com a pornografia suja, a escatologia, as coisas nojentas da internet? A resposta é: elas fugiram de você!

Há algo de errado com a Internet

Antes de entrar na internet verdadeira, vamos conhecer um pouco sobre a Internet de Fachada. Assim como tudo no mundo, a internet existe de uma maneira para as massas e de uma maneira para aqueles poucos indivíduos que se esforçam um pouco mais. Considere, para início de conversa que 80% de todo tráfico de dados acontece em apenas 20% dos sites espalhados pela grande rede. Que liberdade de informação é essa em que todo mundo acessa a mesma coisa o tempo todo? A Internet de Fachada enfrenta, além do comodismo de seus usuários três sérias ameaças: o “Fim da Privacidade”, a Influência das Corporações” e a “Bolha de Informação”.

O Fim da Privacidade

Quando você procura no Google sobre “sexo anal” e clica em qualquer link que ele oferece, a sua busca é registrada pelo mecanismo de busca junto com dados pessoais como horário, navegador, resolução de tela, sistema operacional, IP, localização geográfica e outros dados do seu computador. Estes dados em conjunto formam uma marcação capaz de identificar você de forma única e inconfundível. Isso por si só já é perturbador, mas o ponto crucial é que o Google possui parceiros comerciais. Estes parceiros utilizam os dados oferecidos pelo google para criar um perfil seu e cruzando com dados de pesquisas mercadológicas eles sabem sua idade, sua cidade e que você curte sexo anal. Dai todos aqueles anúncios e banners estranhos que parecem te perseguir. Além disso este perfil pode, e geralmente é, vendido para outras empresas e organizações. Como seguradoras, ongs, bancos e agências de crédito.

Além disso toda pesquisa feita no Google (assim como no Yahoo e qualquer outro mecanismo de busca) é salva e três coisas podem acabar acontecendo com você:

  1. Os dados podem ser tornados públicos pelo governo ou por uma intimação legal: http://www.readwriteweb.com/archives/googles_second_transparency_report_us_info_request.php
  2. Um funcionário mal intencionado pode usar estas informações para algum fim pouco nobre: http://gawker.com/5637234/
  3. O sistema pode ser hackeado: http://www.wired.com/threatlevel/2010/01/operation-aurora/

 

A Influência das Corporações

Negociado secretamente por um pequeno número de países ricos e por poderes corporativos, o Acta por exemplo pleiteia criar um novo órgão internacional para a regulamentação do fluxo de dados. Na prático isso vai dar poder as Multinacionais para policiarem tudo que fazemos online e inclusive impor penalidades com multas ou prisões ás infrações daquilo que for julgado ilegal.  A recente onda de sites dedicados ao compartilhamento de arquivos é testemunha o suficiente desta fragilidade.

Não se trata apenas de censurar a informação que você consome, mas até mesmo aquilo que você cria e produz. Policiar comentários e posts antes que eles sejam publicados faz parte da política interna de funcionamento do Facebook. Entretanto o sistema não é declarado ao usuário final senão por letras miudas. Dependendo do que voce postar pode se deparar com mensagens desagradáveis como esta ao lado. O mesmo algoritmo usado para filtrar seus emails e criar seu filtro Anti-Spam também é usado para ler e catalogar tudo o que você escreve no seu webmail ou nas redes sociais. E algumas coisas já começaram a ser apagadas.

Logo virá um tempo em que você para baixar uma música o vídeo ou quem sabe até um texto ou imagem você precisará da permissão destas corporações.A dez anos atrás você entrava em um site, baixava um programa e instalava o que queria. Hoje, temos a ‘Apple Store’ ou o ‘Google Store’, com todos os programas previamente aceitos e selecionados para você. A campanha “Copyright é Racismo. Diga NãO” promovida pelo do Morte Súbita inc  e parceiros é uma tentativa de expor estes fatos para os usuários em geral, então não vamos dedicar muito espaço para a questão aqui.

A Bolha de informação

De uns anos para cá especialistas vem trabalhando com o termo “filter bubble” – a bolha do filtro. Resumidamente a coisa funciona assim, o que é a internet para você? Provavelmente você responderá que ela é um lugar cheios de sites pelos quais você navega, esses sites podem ser redes sociais como o orkut ou o facebook, podem ser portais superfodas da informação proibida ao alcance de todos como a Morte Súbita Inc. ou podem ser blogs, sites de compra ou sites menores como a página que você montou para sua tia onde ela posta receitas de bolo. Você não errou, basicamente a internet é isso, mas como você faz para chegar nesses sites? Decora todos os endereços dos quais te falam? Anota em papeis os www da vida? Entra no google e procura “Bolos da Tia Suzana”?

Os mecanismos de busca tomaram um tamanho hoje que é praticamente impossível se navegar na internet sem eles. Isso todos sabemos. Agora esses mesmos mecanismos de busca filtram tudo o que você está tendo como resultado de uma busca sem você saber. Baseado no histórico das suas navegações, sites que costuma buscar, coisas que compra, nos “like” e “+” que você digita os mecanismos de busca mostram páginas específicas para você. Faça um novo teste, procure por “Obama” no google usando máquinas diferentes e veja quais as primeiras respostas que o Google te oferece.

Como vimos toda busca que você faz é salva e será usada para “refinar” a informação para você. Se você costuma entrar em sites comunistas e socialistas receberá uma respostas diferente de alguém que costuma entrar em sites de Direita, mesmo se ambos procurarem por “Verdade sobre a morte de Che Ghevara”, por exemplo. Ficou curioso? Dê uma olhada no seu histórico: https://www.google.com/history/

Além dos termos de buscas, também são salvos todos os cliques que você dá. A idéia por trás disso é que você clica em coisas que concorda e gosta. Mas o problema é que assim você vai, cada vez mais, receber o mesmo tipo de informação. Sempre mais do mesmo. Sempre mais daquilo que você já conhece e concorda. Paulo e Mari procuram por “Lula”, mas o primeiro lê notícias sobre escândalos e a segunda sobre o bom desempenho de sue governo.

Isso pode ser bom para confirmar tudo aquilo que você acredita, mas qualquer pessoa inteligente ao saber disso se questiona: O que será que não está sendo mostrado para mim? Tente procurar por aborto, casamento gay ou desarmamento. O que estas buscas realmente nos dizem é que foi construída uma bolha de informação, que promove aquilo que ela “acha” que você vai gostar e exclui todo o resto, filtrando assim a sua exposição a informação.

Isso tem dois efeitos divertidos. Primeiro a internet é que decide o que vai te mostrar. Segundo existe um porrilhão de informações por ai que estão anos luz do seu alcance, não porque sejam ruins ou falsas, mas simplesmente porque a internet acha que não valem nada para você. Quando o Google diz 3.000.000.000 de resultados encontrados, o quão fundo você mergulha no mar de “OOOOO” procurando sites lá do fim da lista?

Essa bolha de filtros é um dos responsáveis por você não achar mais aquela sujeira que gostava tanto na internet, mas ela não está sozinha. Imagine que você consiga se livrar dessa bolha usando mecanismos de busca que não filtram como o http://duckduckgo.com. Procure algo que você ache que te deixaria sem dormir (e não falo apenas de fotos de pessoas que sofrem de fungos ou de calcanhar de maracujá). Pense em crimes, em racismo, em sexo do mais bizarro, em informações secretas e cultos que de fato desejam permanecer em segredo.

Existem pessoas que desejam manter um contato, como um fórum, mas de fato não querem que ninguém saiba que existem – alguém mais pensou em necrofilia? Existem órgãos do governo que disponibilizam material para pessoas que precisam, mas você não é uma delas. E acredite isso tudo está na internet, mas você não consegue ver.

Então, se você procura um pouco de privacidade e dados reais, uma boa alternativa é buscar mecanismos de busca que se comprometem em não guardar nem filtrar a informação para você, como o https://duckduckgo.com por exemplo. Mas deixar a bolha de filtro para trás apenas vai colocar à sua disposição sites que estão na internet disponíveis para todos mas que não eram mostrados para você. Mas existem sites que não querem que ninguém os encontre e nenhum mecanismo de buscas sabe que eles existem.

O lado negro da internet possuiu muitos mais sites e muito mais material – fotos, vídeos, arquivos para download, textos e imformação do que a internet que você usa. Não é de se admirar que ele tenha uma reputação extremamente negativa, aqueles que o conhecem dizem que é um local perigoso  onde hackers, pedófilos, sociedades satânicas – nada de errado com isso – e os mais variados tipos de pessoas mal intencionadas e bizarras se reúnem para trocar informações entre si. Esse lado negro, como tudo na vida, tem inclusive um nome.

Você já ouviu falar da Deep Web?

Também conhecida como Deepnet, Darknet, Undernet, Invisible Web ou Hidden web, a Deep Web nada mais é do que todos os sites que existem por ai que não podem ser encontrados por mecanismos de buscas (Google, Yahoo, Bing, etc). Isso significa que para acessar um site da Deep Web, você precisa saber seu endereço, pois nunca irá chegar até ele através do resultado de uma busca no Google. Os motivos para esses sites não estarem indexados nos mecanismos de busca variam, podem ser punição por violação dos termos de indexação, ou mera opção do donos de sites; qualquer dono de site pode retirar seu sites dos buscadores e se tornar um Deep Web, isso é extremamente fácil de se fazer, o que é complicado é o que leva alguém a querer essa privacidade. Se por um lado, grupos de amigos, acadêmicos, empresas, escolas, universidades, e etc, podem optar por não serem incomodados por “curiosos”, tentando manter o o acesso a seus sites restrito a seu público limitado, por outro lado, existem aqueles que precisam da privacidade como escudo para proteger suas práticas ilegais, condenáveis e bizarras.

Mas de fato a reputação que conseguiu para si não é injusta. A Deep Web está repleta de hackers, cientistas, traficantes de drogas, astrônomos, assassinos, físicos, revolucionários, os funcionários do Governo, Polícia, Feds, terroristas, pervertidos, os mineiros de dados, seqüestradores, sociólogos, etc. Aparentemente todo mundo que achamos que são maus demais, loucos demais, ou irreais demais para usarem a internet.

Por isso nem é preciso dizer que é extremamente importante que você tenha muita, muita, MUITA cautela ao navegar pelas águas profundas do mundo www. Os riscos de se pegar um vírus, malware ou de acabar vendo coisas “desagradáveis” é incalculavelmente maior do que o de se navegar na internet comum. Arquivos .exe são praticamente um tabu, existem aos milhares mas não seria sábio brincar com eles. Você já ouviu falar do eschelon? Pois é. Brincadeira de criança perto do que acontece no lado escuro. Quando falamos sobre assassinos, sequestradores, pedfilos, etc., não estávamos brincando. Imagine o tipo de investigação constante nesta área da web por parte das equipes realmente sérias do governo. Navegar na DW pode ser uma maneira de se conseguir chamar a atenção de gente muito séria para você.

Para se ter idéia do tamanho daquilo que você não é capaz de enxergar:

  • A informação pública na Deep Web chega a ser 500 vezes maior do que a da internet visível.
  • A Deep Web contém cerca de 550 bilhões de documentos individuais em comparação com o 1.000.000.000 da Web comum.
  • Existem mais de 200.000 sites na Deep Web, se nos concentrarmos apenas nos 60 maiores, juntos possuem cerca de 40 vezes mais informaçnao do que toda a internet visível.
  • Sites Deep Web tendem a ser mais diretos, com conteúdo mais profundo do que sites da Web convencionais, fazendo o conteúdo de qualidade total ser de 1.000 a 2.000 vezes maior que a da Web que voce usa.
  • Um total 95% da Deep Web é informação acessível ao público – não sujeitos a taxas ou assinaturas.
  • O risco de baixar um arquivo contaminado é 5 vezes maior que na Internet comum.
  • Enquanto a internet que você navega tem 20.000.000.000 de páginas web, a Deep Web tem 600.000.000.000.

Sentiu a curiosidade cutucando atrás da sua orelha? Ótimo. Caso a Morte Súbita Inc. fosse apenas mais um desses sites de curiosidades, com certeza nosso artigo terminaria aqui, seria bem mais curto e você poderia dizer “UAU!”. Mas infelizmente a vida não é tão fácil, e nós não prestamos nem um pouco, por isso não vamos apenas falar da Deep Web, nós vamos ensinar você a acessar ela. Preparados para aprender a enxergar no escuro?

Mergulhando nas Trevas

Antes de mais nada não é preciso dizer que o seu browser não foi feito para mergulhar nas profundezas da internet. Para conseguir enxergar o invisível você vai precisar de novos olhos. Navegadores como o Chrome, Firefox, IE e etc, não são capazes de acessar a maioria dos sites da Deep Web, sem contar que eles não foram criados para preservar o seu anonimato. É então preciso baixar o navegador TOR (https://www.torproject.org). A maioria absoluta dos sites profundos são criptografados e somente o TOR é capaz de quebrar a criptografia, além de manter o usuário no anonimato – ao menos em muitos dos casos, mas não conte em ter se tornado invisível.

Com o seu navegador TOR instalado e ciente dos riscos que existem na zona do baixo meretrício virtual você está pronto para dar as suas primeiras braçadas onde a luz não existe mais. Uma das maiores dificuldades para os iniciantes na Deep Web é encontrar os sites que existem lá, por isso você precisa aprender a procurar pelas coisas da maneira correta.

O site de buscas mais popular no lado negro é o Hidden Wiki. Para acessá-lo basta digitar no seu TOR o endereço http://kpvz7ki2v5agwt35.onion/wiki/index.php/Main_Page e iniciar suas buscas. Ele indica links de acordo com os assuntos buscados e com certeza é nele que você vai encontrar as coias mais escrotas que existem na internet. Recentemente, para se ter idéia, sofreram ataques do Anonymous por compartilharem links de sites de pedofilia, mas também é possível se encontrar muitos sites de cunho cultural.

Caso você se interesse por enciclopédias, almanaques, mapas, biografias e material técnico do gênero, busque o Infoplease digitando o endereço http://www.infoplease.com/index.html no Tor.

Para aqueles familiarizados com a busca de imagens do Google, tente o http://www.incywincy.com/. Lembre-se, você está no mundo da escrotidão bizarra.

O DeepWebTech é composto por 5 mecanismos de buscas, cada um voltado para um tema específico da medicina, negócios e ciências http://www.deepwebtech.com/

Quer saber o que os gênios loucos andam fazendo hoje em dia? Como planejam dominar o mundo? O Scirus é voltado totalmente para o mundo científico. Encontre jornais, homepages dos cientistas,  material didático, pré-impressão de material de servidor, patentes e intranets institucionais. http://www.scirus.com/srsapp/

Se o que te dá tesão são números, vá atrás do TechXtra, um buscador voltado para Matemática, engenharia e computação, com  muitos dados e relatórios técnicos,  http://www.techxtra.ac.uk/index.html

E já que está navegando por ai mesmo, não deixe de procurar pela The WWW Virtual Library. Ela é mais antigo catálogo WEB e foi desenvolvida por alunos de Tim Berners-Lee, o cara que inventou a WEB. Para usar pode se inserir o termo na caixa de pesquisa ou simplesmente clicar no menu vertical. Endereço: http://vlib.org/

Agora lembre-se, se na internet comum já é possível se perder entre os milhões de toneladas de lixo virtual, imagine como será no lugar que é centenas de vezes maior do que o mundo que você conhece.

por Fnord Boy

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/internet-de-fachada-versus-internet-verdadeira/

O Caso de Ouro Preto – Quinze anos de Incompetência

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Em outubro de 2001, a jovem Aline Silveira Soares saiu de Guarapari, no interior do Espírito Santo para a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Com apenas a roupa do corpo e alguns trocados no bolso, seu objetivo não era visitar as esculturas de Aleijadinho ou passear pela arquitetura colonial considerada pela UNESCO como um dos patrimônios da humanidade. Além de ser o mais belo monumento ao ciclo do ouro colonial, Ouro Preto também é uma cidade universitária, sede da Universidade Federal de Ouro Preto e coalhada de repúblicas estudantis, muitas delas com décadas de existência e tradições. Uma dessas tradições é a Festa Do Doze, que em todo 12 de outubro reúne alunos e ex-alunos da UFOP para beber e curtir nas repúblicas e ruas da cidade. Era para essa festa que Aline seguia, acompanhada apenas de uma amiga, Liliane, e sua prima Camila Dolabella.

8 anos depois, em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella entrou na sala do júri do Fórum de Ouro Preto para ser interrogada. Após ter amargado quase um ano na prisão, em 2005, e ter visto dois habeas corpus serem negados, Camila finalmente estava sendo julgada pela acusação de homicídio qualificado. A vítima seria sua prima Aline, que segundo a promotoria, teria sido assassinada por Camila, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, todos os moradores da república Sonata, onde as jovens se hospedaram para a Festa. A causa do crime seria um jogo de RPG, que Aline teria perdido, sendo punida com a morte… mais especificamente uma morte ritual, de acordo com preceitos satânicos.

O Caso de Ouro Preto está fadado a fazer parte dos anais do direito no Brasil. Não só pela violência do assassinato: Aline Silveira foi descoberta na manhã de 14 de outubro morta, nua, sobre um túmulo no cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo. A causa da morte seria engorjamento, uma facada fatal no pescoço. Mas o que se destaca é a completa incompetência, ignorância, má fé e os abusos perpetrados por aqueles que deveriam ser os fiadores da justiça no caso: o Ministério Público e a polícia de Ouro Preto.

Desde o começo a marca da investigação em Ouro Preto foi a combinação de inépcia e sensacionalismo. O caso caiu nas mãos do delegado Adauto Corrêa, na época sendo investigado por atentado violento ao pudor e coerção no curso de processo. Corrêa, este exemplar da probidade administrativa, não demorou para arranjar suspeitos para o crime. Logo arrolou como acusados em seu inquérito a prima de Aline e três jovens estudantes da república onde ela tinha ficado temporariamente hospedada. Em uma inovação do procedimento policial normal, o principal elemento incriminatório apontado pelo delegado não era a arma do crime, mas sim livros e postêres encontrados na república Sonata. Incluindo aí livros de RPG.

O RPG, ou role-playing game, foi inventado em 1974, nos Estados Unidos. Uma evolução dos então populares jogos de estratégia de tabuleiro, o RPG basicamente consiste de um grupo de jogadores que, trabalhando em conjunto e usando regras de jogo pré-definidas, tenta superar desafios propostos por um Mestre, responsável por narrar a história e organizar cada sessão de jogo. Com sua popularização, o jogo passou dar cada vez maior ênfase a interpretação, diminuindo o foco na estratégia e privilegiando o desenvolvimento de personagens. Uma das características principais do RPG é seu caráter cooperativo: os jogadores e o Mestre devem trabalhar em conjunto para criar uma boa história e garantir a diversão de todos. RPG não é competitivo, o que o tornou um jogo ideal para ser aplicado em processos educacionais em todo mundo. RPG também não é um jogo possível de se “perder” (uma vez que não há competição) e tampouco possui laços com satanismo.

Nenhum desses fatos importou para o delegado Adauto Corrêa. Desconhecendo os fundamentos do jogo de RPG, movido por intolerância cega e, talvez pressionado para apresentar resultados o mais rápido e espalhafotosamente possível (afinal de contas, até outro dia o principal réu nas páginas policiais era ele próprio) Corrêa decidiu que Camila, Edson, Cassiano e Maicon eram os responsáveis pelo crime. Corrêa estava suficientemente seguro de sua conclusão para poder se dar ao luxo de passar por cima e deixar de lado toda uma série de evidências, investigações e exames que seriam necessários para propriamente determinar o responsável pelo assassinato de Aline.

Corrêa, por exemplo, não levou em consideração o fato de que Aline mal tinha tido contato com Edson, Maicon e Cassiano. Apesar de estar hospedada na república deles, todos testemunhos concordavam que ela só dormia por ali, passando a maior parte do tempo pela cidade ou em festas em outra república, a Necrotério. Lá, testemunhas afirmaram que Aline passou tempo, isso sim, aos beijos com Fabrício Gomes, na época mal-afamado na cidade por um suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mais ainda, Fabrício Gomes e Aline Silveira teriam sido vistos em frente ao cemitério onde a jovem seria encontrada assassinada na manhã seguinte. Quando Camila Dolabella alertou o delegado Adauto Corrêa sobre o ocorrido, adicionando que Fabrício teria sido visto no dia seguinte à morte de Aline vestindo uma camiseta manchada de sangue, a resposta não foi promissora. Corrêa simplesmente anunciou que não queria saber de mais detalhes, pois ele já sabia quem eram os culpados.

Aline Silveira Soares foi localizada nua, com os braços abertos e pernas cruzadas, ao lado de roupas cuidadosamente arrumadas no chão, entre elas uma blusa coberta de esperma. O corpo tinha sido propositadamente arranjado dessa forma, fato evidenciado por uma trilha de sangue no local. Analíses toxicológicas revelavam traços de maconha no sangue da vítima. A investigação sob o comando de Adauto Corrêa não encontrou digitais dos suspeitos no local ou na arma do crime, econtrada próxima ao corpo. Também não comparou o esperma encontrado em Aline com o dos acusados. Na verdade isso seria impossível, uma vez que os policiais negligenciaram a coleta de material genético antes que ele fosse contaminado ou se deteriorasse. Tampouco foram localizadas drogas na posse dos acusados ou na república Sonata. Mas nada disso importava ao delegado Adauto Corrêa. Ele podia se dar ao luxo de desprezar evidências materiais e os testemunhos que contradiziam sua teoria. Afinal de contas, seu faro investigativo encontrava provas contra os quatro acusados em vários elementos considerados corriqueiros por um olhar não treinado. O fato de que Maicon Cassiano chegara a república Sonata naquela noite sem camisa, era evidência clara de que ele estaria fantasiado como um personagem de RPG. E, logo, era assassino. Embora não houvesse nada que indicasse que os acusados tinham passado pelo cemitério das mercês naquela noite, objetos tinham sido encontrados no local que poderiam ter servido num ritual. E se tinha havido ritual, os acusados tinham participado, afinal, para o delegado, eram todos obviamente satanistas. Outro elemento contundente contra os réus foi o fato de que eles terem limpado a república durante o curso investigação. Ignore-se que isso ocorreu quase uma semana após o crime, e que a polícia não tinha dado nenhuma instrução para que nada fosse alterado no local, apesar dos réus terem perguntado já nas primeiras horas do desaparecimento de Aline se deveriam preservar tudo intocado na república. Mas esse era justamente um exemplo do elemento mais incriminador de todos: o interesse dos jovens em desvendar o assassinato e ajudar a polícia só podia ser outra prova gritante de sua culpa. Como o delegado Adauto Corrêa sabia, criminosos sempre tentam agir como inocentes para despistar a polícia. Como o comportamento de Camila, Edson, Maicon e Cassiano denunciava a mais completa inocência, eles só poderiam ser culpados. Todos os quatro, apesar de que o laudo técnico deixava claro que as facadas em Aline tinham sido feitas por uma única pessoa.

A lógica tortuosa, irresponsável e perversa de Adauto Corrêa não avançou sem problemas. Após concluída a investigação, que indiciava os quatro jovens pelo assassinato, o caso chegou às mãos do promotor Edvaldo Pereira Júnior, que reconheceu prontamente a impossibilidade de dar seguimento aquele processo. Baseado em suposições, preconceitos e tentativas descabidas de fazer os fatos se conformarem à teoria (das mais mirabolantes), Pereira Júnior condicionou o seguimento do caso à realização de 17 diligências, que providenciassem alguma prova cabal, ou ao menos aceitável, sobre a culpa dos réus ou a identidade do assassino de Aline. Adauto Corrêa não realizou nenhuma dessas diligências, dando o caso por encerrado. Pereira Júnior tentou recorrer à Secretaria de Segurança Pública para afastar o delegado de seu cargo. Enquanto isso políticos oportunistas aproveitavam o caso para se promover, agitando a opinião pública e alimentando a indignação com boas doses de desinformação e mentiras. Um vereador chamado Bentinho Duarte passou uma lei proibindo o RPG em Ouro Preto. O promotor Fernando Martins iniciou processo contra as editoras Devir Livraria e Daemon tentando proibir a publicação de livros citados na investigação do caso. A mídia convencional se absteve de realizar qualquer trabalho jornalístico digno do nome e, seguindo a linha Fordiana de que se o factoide é melhor que o fato publica-se o factoide, deu ampla publicidade à teoria barroca de Corrêa, ao mesmo tempo que desprezava as hipóteses contraditórias. Apesar de se referirem aos réus como “suspeitos” ao invés de “assassinos”, o esforço de “imparcialidade” dos jornalões nunca atacou diretamente as óbvias irregularidades da investigação do caso nem contestou o caráter delirante da acusação. Enquanto isso, os quatro réus tentavam levar suas vidas, marcados pelo estigma de serem suspeitos de homicídio. Edson foi ameaçado de morte e trancou a faculdade. Maicon e Cassiano permanecerem em Ouro Preto, apesar da constante antagonização e assédio por parte de moradores da cidade. Camila retornou para Guarapari, onde passou a ser hostilizada pela família. Órfã de mãe, ela contou apenas com o apoio do pai durante todo o processo.

Em 2004, após três anos em que o caso esteve parado, ele saiu das mãos de Edvaldo Pereira Júnior e passou para a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca. Diferente de Pereira Júnior, que tinha se recusado a denunciar um processo tão eivado de inconsistências e sandices, Trócilo da Fonseca decidiu dar continuidade ao caso. Em 2005, Camila Dolabella e Edson Poloni foram presos. Quatro anos tinham se passado desde a morte de Aline, e nenhum dos acusados tinha apresentado qualquer atitude desabonadora até então. Edson saiu da cadeia após seis dias, sob efeito de uma liminar, mas Camila passou a maior parte daquele ano na detenção. Foi só quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça que a pena de prisão dos réus foi considerada descabida e lhes foi dado o direito de aguardarem o julgamento me liberdade, apesar das alegações do Ministério Público mineiro de que se tratavam de “contumazes jogadores de RPG, em todas suas modalidades“. Note que, até então, continuavam inexistentes qualquer evidência concreta de responsabilidade dos réus no assassinato de Aline Silveira. Eles estavam sendo presos e acusados por que tinham lido livros.

O caso permaneceu fora da mídia por alguns anos. Enquanto os réus tocavam a vida, a promotoria construía o caso e se preparava para o julgamento. Em 2006 a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca encontrou tempo para mandar apreender todas as edições de número 09 da revista Observatório Social, que denunciava na capa o uso de trabalho infantil nas mineradoras de Ouro Preto. A promotora se preocupava que as fotos expunham as pobres crianças, e afetavam negativamente a boa imagem da região… Mas, enfim. Em 2008 foi decidido que o caso de Aline Silveira seria levado à júri popular. Em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Gracia e Maicon Fernandes foram finalmente julgados pela acusação de homicídio qualificado. Na falta de prova contundente contra eles, a acusação optou por lançar novo ineditismo jurídico no direito brasileiro, ao sustentar que “o álibi dos réus era fraco”. Ou seja, não cabia à promotoria provar que eles tinham matado Aline Silveira. Eram os quatro estudantes que deveriam mostrar que não tinham cometido assassinato, ou serem presos. Contra eles pesavam diversas evidências “incriminadoras”: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies. Em 5 de julho de 2009, o júri os declarou inocentes.

Não se tratou aqui apenas da óbvia falta de qualquer prova contra eles. O decisão final dos sete jurados foi de que, efetivamente, os quatro réus “não concorreram, de qualquer forma, para prática do crime”. Os jovens que tinham passado quase uma década sendo coagidos, assediados, ameaçados, difamados e perseguidos não eram os assassinos de Aline Silveira Soares.

Teorias sobre o que realmente aconteceu não faltam, e já circulavam desde os primeiros dias do caso. A mais verossímel é de que Aline teria se envolvido com uma negociação de drogas, durante a Festa dos Doze, e, sem dinheiro, teria concordado em manter relações sexuais como pagamento. Não há indícios de violência sexual em seu corpo, o que demonstra a consensualidade do ato, comprovado pela perícia necrológica. Como a primeira facada em Aline foi em suas costas, tudo indica de que ela foi atraiçoada pelo seu parceiro de negócios. Este permanece solto e impune.

Os interesses escusos, a ignorância e o preconceito é que são os verdadeiros criminosos no caso de Ouro Preto. Foram eles que permitiram que por uma década quatro jovens inocentes fossem perseguidos injustamente, sendo até mesmo privados de liberdade e forçados a fazer inúmeros e pesados sacrifícios pessoais. Foram eles que deram ao verdadeiro assassino de Aline Silveira, um homem brutal e cruel, um passe livre para permanecer à solta. Em uma sanha cega e irresponsável de achar um culpado a justiça de Ouro Preto falhou miseravelmente, e duas vezes: não puniu o culpado e vitimou mais inocentes. Esse tipo de atitude, ignorando procedimentos básicos do processo legal, atropelando direitos civis e apelando para o ódio e a intolerância como elementos de incriminação, não é compatível com o Estado de Direito. Eu não contei essa história aqui hoje para inocentar Camila, Edson, Cassiano e Máicon. Coube ao tribunal do júri fazer isso. Mas para tomar a atitude digna e necessária de todo cidadão: exigir a imediata investigação e punição dos responsáveis pelo caso do assassinato de Aline Silveira Soares. Sua irresponsabilidade e malícia, sua truculência e abuso de poder não podem, nem devem ser perdoadas, nem as sérias acusações de acobertamento dos verdadeiros responsáveis devem ser relevadas. Isso não pode ser permitido.

Os inocentes estão, enfim, livres. É mais que hora de punir os culpados.

Por Felipe de Amorim

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caso-de-ouro-preto-quinze-anos-de-incompet%C3%AAncia

Arquivo de Fontes Morte Súbita Inc.

Para fazer o download clique aqui (.zip)

Símbolos sempre fizeram parte do ocultismo, desde os primeiros alquimistas aos viciados em criptologia medieval. Línguas antigas ou estrangeiras, línguas criadas ou recebidas por ocultistas vitorianos, línguas mortas, línguas fictícias; aparentemente a cada geração alguém criava uma forma de complicar tudo.

Por anos esses símbolos e letras características eram exclusividade de livros, para ter acesso a elas era preciso gastar algum tempo estudando-as e aprendendo a desenhá-las, isso quando se tinha acesso a elas, já que livros eram objetos caros e as livrarias não possuíam uma diversidade deles. Com a internet isso mudou, o acesso a cópias deste material ficou mais fácil, mas a reprodução dele não, os símbolos ainda estavam na forma de páginas escaneadas muitas vezes com uma resolução baixa que deixava muito a desejar; até que algumas pessoas começaram a reproduzir tudo isto na forma de fontes, uma forma muito mais fácil de usar esses símbolos, inclusive para publicar materiais, criar amuletos, lamens e armas mágicas. Não era mais necessário gastar horas desenhando letras enoquianas ou gregas em um sigilo, tentando manter a fidelidade, agora bastava digitar, mesmo assim ainda era, e é, difícil, encontrar fontes específicas em um único lugar, e não é raro mais da metade dos sites onde elas estavam hospedadas estarem já fora do ar, a internet acaba se tornando um mar de links quebrados.

É por isso que a Morte Súbita Inc. reuniu em um arquivo mais de 25 tipos diferentes de fontes, e cada uma com algumas variantes. Agora basta fazer o download do arquivo e instalar as fontes que queira na máquina para conseguir incrementar textos e tratados, criar sigilos ou o que precisar. Além disso elas são muito úteis para pessoas que simplesmente gostem de fontes e simbolos diferentes assim como para jogadores de RPG que desejem criar um material com aparência mais real, antiga e maldita para suas sessões.

Mas nós não simplesmente juntamos fontes e largamos aqui para que você pegue e intale em sua máquina, vamos deixar um breve histórico sobre cada uma delas para servir como guia ou base de estudos também.

O Alfabeto Magi

Foi criado por Theophrastus Bombastus von Hohenheim – também conhecido como Paracelso – no século XVI. Ele usava estes caracteres para gravar o nome dos anjos em talismãs que eram usados para tratar doenças e trazer proteção para aquele que o usasse.

Ele provavelmente foi influenciado em sua criação pelos vários outros alfabetos mágicos que existiam na época e eram utilizados por outros pesquisadores e praticantes do ocultismo. Uma influência óbvia também é o alfabeto hebraico, já que muitos textos mágicos e grimórios, influenciados pelos cabalistas, traziam estudos e sigilos desenvolvidos com o alfabeto dos hebreus.

Símbolos Alquímicos

Há muito pouca coisa que se possa dizer sobre a alquimia que já não se tenha sido dito em algum lugar. Sua origem já foi associada com o Egito, com a China, com Atlântida e mesmo com extra-terrestres, mas como todo estudioso sabe a sua origem é apenas um fato alegórico, já que ela é uma arte prática e não simplesmente especulativa. Desde tratados como O Segredo da Flor de Ouro a compêndios medievais atribuídos a magos que haviam alcançado a imortalidade vemos a busca de homens não por riquezas ou poder, mas evolução pessoal – tanto mental quanto espiritual. A busca pela sabedoria que a natureza escondia em cada elemento que a constitui e dos processos de descobrir essas segredos ocultos, como transmutar elementos, como criar novos e mais importante como tudo se relaciona. É por isso que diferente de outras práticas mágicas a alquimia recebe o título de “proto ciência” já que não parava apenas no aspecto especulativo da vida e não se focava apenas na mente das pessoas mas combinava elementos da química, física, astrologia, arte, filosofia, metalurgia, medicina, ocultismo e religião.

Com o tempo aqueles atraídos por esta prática chegaram a uma espécie de consenso em como registrar seus trabalhos não apenas criando símbolos que agilizassem sua leitura – imagine escrever enxofre a cada vez que usasse este elemento, depois distinguindo os três, quatro tipos que surgissem e compare isso a simplesmente desenhar o símbolo deste elemento ou de uma de suas derivações – como também a esconde-se dos olhos profanos – lembre-se que eles não apenas buscavam um modo de tranformar metais inferiores em ouro, mas lidavam com ácidos, explosivos, materiais tóxicos… era uma forma de evitar que alguém resolvesse brincar com pólvora porque leu por acaso que isso era parte do processo de ficar imortal ou podre de rico.

A simbologia Alquímica se tornou tão rica que seria praticamente impossível se reproduzir cada símbolo já usado, mas aqui apresentamos uma compilação de alguns dos mais populares e usados e não apenas símbolos de elementos, mas processos alquímicos, aparatos e elementos.

Escrita Angelical

Foi criada por Heinrich Cornelius Agrippa, também durante o século XVI, também conhecido como alfabeto Celestial este foi dos dos vários alfabetos criados por este que foi um dos ocultistas mais conhecidos em sua época e até hoje influencia muitos dos praticantes da Arte.

Os alfabetos que Agrippa criou possuiam similaridades entre si em termos de formas e estilo, todos traziam serifas pouco comuns na forma de círculos e eram muito semelhantes aos caracteres gregos e hebraicos, mas apesar das semelhanças temos que nos contentar apenas com uma análise superficial entre os alfabetos de Agrippa e os já existentes já que não existe um material que descreva o processo usado para se criá-los.

Este alfabeto era usado para se comunicar com anjos.

Aramaico

Aramaico é a designação que recebem os diferentes dialetos de um idioma com alfabeto próprio e com uma história de mais de três mil anos, utilizado por povos que habitavam o Oriente Médio. Foi a língua administrativa e religiosa de diversos impérios da Antiguidade, além de ser o idioma original de muitas partes dos livros bíblicos de Daniel e Esdras, assim como do Talmude.

Pertencendo à família de línguas afro-asiáticas, é classificada no subgrupo das línguas semíticas, à qual também pertencem o árabe e o hebraico.

Muitos acreditam que o Aramaico foi a língua falada por Jesus e até os dias de hoje é falada por algumas comunidades no Oriente Médio principalmente no interior da Síria. Sua longevidade se deve ao fato de ser escrito e falado pelos aldeões que durante milênios habitavam as cidades ao norte de Damasco, capital da Síria, entre elas reconhecidamente os vilarejos de Maalula e Yabrud,  além dessas outras aldeias da Mesopotâmia como Tur’Abdin ao sul da Turquia.

No início do século passado, devido a perseguições políticas e religiosas, milhares de pessoas que tinham o Aramaico como língua nativa fugiram para o ocidente onde ainda hoje restam poucas centenas, vivendo nos Estados Unidos da América, na Europa e na América do Sul e que curiosamente falam e escrevem fluentemente o idioma.

A história do aramaico pode ser dividida em três períodos:

– Arcaico 1100 a.C.–200 D.C.), incluindo:
O aramaico bíblico, do hebraico.
O aramaico de Jesus.
O aramaico dos Targum.

– Aramaico Médio (200–1200), incluindo:
Língua siríaca literária.
O aramaico do Talmude e dos Midrashim.

– Aramaico moderno (1200–presente)

Símbolos Astrológicos

Hoje a astrologia é vista por muitos simplesmente como uma superstição ou a crença de que planetas podem reger a personalidade das pessoas ou prever o futuro mas isso está muito longe da verdade. A astrologia foi a primeira ciência a estudar os corpos celestes.

Os documentos mais antigos encontrados hoje sugerem que o estudo dos astros já acontecia três milênios antes da nossa era e já naquela época, mesmo sem a tecnologia que temos hoje, haviam mapas celestes surpreendentes, que registravam posições de planetas, mapeamento de estrelas e constelações, relações de fenômenos físicos como a ligação entre a maré e os ânimos das pessoas com os astros e o registro de cometas, o surgimento de super novas, etc.

A parte deste estudo que se popularizou foi o uso dele para tentar prever o futuro, o que não chega a ser algo absurdo, se levarmos em conta que cada planeta e estrela possuiu sua órbita, seus atributos como gravidade, luminosidade e todos estão relacionados, como uma grande engrenagem cósmica, tornando possível relacionar a posição da lua e de estrelas como Sírius como grandes secas ou cheias de rios, o avanço das marés, as estações do ano e as coisas relacionadas a elas como migração de animais, resultado de colheitas e não apenas da terra mas de outros astros como as estações do sol – relacionadas com as quandidades de manchas solares, a ligação com tempestades e muitas outras coisas. Relegar a astrologia à simples superstição é o mesmo que associar as ollimpíadas a uma simples entrega de medalhas para que os países celebrem quem tem o melhor saltador de vara. Para se ter uma idéia da influência desses estudos, fora do brasil muitos paises de lingua saxônica e espanhola ainda tem os dias da semana nomeados graças ao astro que estava relacionado a eles:

Segunda-Feira

em inglês: Monday
em espanhol: Lunes
em catalão: Dilluns
em norueguês: Mandag
em francês: Lundi
em Italiano: Lunedi
em japonês: 月曜日 (Getsuyôbi)
em alemão: Montag

todos esses querem dizer: dia da Lua, assim ocorrem com os outros dias, associados a planetas, estrelas ou deuses que tinham sua contraparte celeste.

Os símbolos astrológicos, assim como os alquímicos, serviam para que se pudesse ter acesso rápido a informações, ao invés de tabelas e mais tabelas com nomes encontramos símbolos que representam os planetas e o sol, as estações, os elementos, já que o Sol por exemplo não era apenas uma estrela, mas estava relacionado com estações do ano, com Deuses, com obrigações, com a hora do dia, etc. o símbolo trazia não apenas uma forma rápida de se registrar a informação, mas também uma forma de se condensá-la.

Temos aqui não apenas os símbolos astrológicos, mas também os símbolos associados ao zodíaco.

Cuneiforme Persa

Escrita cuneiforme foi desenvolvida pelos sumérios e é a designação geral dada a certos tipos de escrita feitas com auxílio de objetos em formato de cunha. É, juntamente com os hieróglifos egípcios, o mais antigo tipo conhecido de escrita, tendo sido criado pelos sumérios por volta de 3500 a.C. Inicialmente a escrita representava formas do mundo (pictogramas), mas por praticidade as formas foram se tornando mais simples e abstratas.

Os primeiros pictogramas eram gravados em tabuletas de argila, em sequências verticais de escrita, e com um estilete feito de cana que gravava traços verticais, horizontais e oblíquos. Então duas novidades tornaram o processo mais rápido e mais fácil: as pessoas começaram a escrever em sequências horizontais (rotacionando os pictogramas no processo), e um novo estilete em cunha inclinada passou a ser usado para empurrar o barro, enquanto produzia sinais em forma de cunha. Ajustando a posição relativa da tabuleta ao estilete, o escritor poderia usar uma única ferramenta para fazer uma grande variedade de signos.

A escrita cuneiforme foi adotada subsequentemente pelos acadianos, babilônicos, elamitas, hititas e assírios e adaptada para escrever em seus próprios idiomas; foi extensamente usada na Mesopotâmia durante aproximadamente 3 mil anos.

Nós escolhemos liberar a versão persa do alfabeto cuneiforme porque o primeiro registro escrito sobre os persas se encontra numa inscrição assíria de 834 a.C., que menciona tanto Parsua (“persas”) quanto Muddai (“medos”), este termo utilizado pelos assírios, Parsua, era uma designação especial utilizada para se referir às tribos iranianas do sudoeste (que referiam-se a si próprios como ‘arianos’), e vinha do persa antigo Pârsâ. Os gregos (que até então utilizavam nomes relacionados a Média e aos medos) começou, a partir do século V a.C., a utilizar adjetivos como Perses, Persica ou Persis para se referir ao império de Ciro, o Grande.

Enoquiano

O enoquiano foi uma línguagem divulgada pelo astrólogo e mago da corte victoriana Dr. John Dee, que junto com seu assistente Edward Kelley, a recebeu dos anjos no século XVI.

O Alfabeto é usado na prática da Magia Enoquiana e comunicação com os anjos.

Para se aprofundar na magia Enoquiana você pode visitar a nossa sessão dedicada ao assunto, clicando aqui. Este link contem uma sessão de downloads onde é possível conseguir o programa visual enochian, para PC’s, que permite trabalhar com as tabelas e chamadas enoquianas com caracteres enoquianos e latinos.

As versões do alfabeto enoquiano aqui trazem os mesmo caracteres com apenas algumas mudanças no estilo. Temos também duas versões deles que trazem os caracteres simples e a versão acentada dele que apaerecem no Loagaeth.

Etrusco

Os Etruscos eram um aglomerado de povos que viveram na península Itálica na região a sul do rio Arno e a norte do Tibre, então denominada Etrúria e mais ou menos equivalente à atual Toscana, com partes no Lácio e a Úmbria. Eram chamados Τυρσηνοί, tyrsenoi, ou Τυρρηνοί, tyrrhenoi, pelos gregos e tusci, ou depois etrusci, pelos romanos; eles auto-denominavam-se rasena ou rašna.

Até hoje a história dos Etruscos permanece uma colcha de especulações, não se sabe ao certo quando eles se instalaram na região, mas foi provavelmente entre os anos 1200 e 700 a.C.. Nos tempos antigos, o historiador Heródoto acreditava que os Etruscos eram originários da Ásia Menor, mas outros escritores posteriores consideram-nos italianos.

A Etrúria era composta por cerca de uma dúzia de cidades-estados (Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veio, Tarquinia, Fescênia, etc.), cidades muito civilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. A Fescênia, próxima a Roma, ficou conhecida como um local de devassidão. Versos populares licenciosos, na época muito cultivados entre os romanos, ficaram conhecidos como versos fesceninos (obscenos). Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos.

A sua língua, que utilizava um alfabeto semelhante ao grego, era diferente de todas as outras e ainda não foi decifrada, aparentemente não era aparentada com as línguas indo-européias. Sua fonética é completamente diferente da do grego ou do latim. O etrusco utilizava a variante calcídica do alfabeto grego, pelo qual pode ser lido sem dificuldade, embora não compreendido. Deste alfabeto grego básico, algumas das letras não eram utilizadas em etrusco e ademais acrescentavam um grafema para /f/ e a digamma grega utilizava-se para o fonema /v/ inexistente em grego.

As principais evidências da língua etrusca são epigráficas, que vão desde o século VII a.C. (diz-se que os etruscos começaram a escrever no século VII a.C., mas a sua gramática e seu vocabulário diferem de qualquer outro conhecido do mundo antigo) até princípios da era cristã. São conhecidas cerca de 10.000 destas inscrições, que são sobretudo breves e repetitivos epitáfios ou fórmulas votivas ou que assinalam o nome do proprietário de certos objetos. Além deste material, existem alguns outros testemunhos mais valiosos:

1. O Liber Linteus ou texto de Agram é o texto etrusco mais extenso com 281 linhas e mais de 1.300 palavras. Escrito num rolo de linho, posteriormente foi cortado a tiras e utilizado no Egito para envolver o cadáver mumificado de uma mulher nova; conserva-se atualmente no museu de Zagrebe (provavelmente quando isto sucedeu considerava-se que tinha mais valor o rolo de linho que o próprio texto, que paradoxalmente hoje é nosso melhor testemunho da língua; talvez se não tivesse sido conservado como envoltura nem sequer teria chegado até nós).

2. Alguns textos sobre materiais não perecíveis como uma tabela de argila encontrada perto de Cápua de cerca de 250 palavras, o cipo de Perugia (ver foto) escrito por duas caras e com 46 linhas e cerca de 125 palavras, um modelo de bronze de um fígado encontrado em Piacenza (cerca de 45 palavras).

3. Além destes testemunhos temos duas mais inscrições interessantíssimas: a primeira delas é a inscrição de Pyrgi, encontrada em 1964, sobre lâminas de ouro que apresenta a peculiaridade de ser um texto bilíngüe em etrusco e púnico-fenício e que ampliou consideravelmente nosso conhecimento da língua. A segunda das inscrições resulta algo intrigante, já que foi encontrada na ilha de Lenos (N. do mar Egeu, Grécia). Composta de 34 palavras, parece escrita num dialeto diferente dos encontrados na Itália, quer seja sintomático da presença de colônias etruscas em outros pontos do mediterrâneo, quer de uma língua irmã do etrusco, o lénio, embora se acredite que a presença de uma só inscrição não aclara grande coisa.

Seguramente a inscrição de Pyrgi é a única inscrição etrusca razoavelmente longa que podemos traduzir ou interpretar convenientemente graças a que o texto púnico, que parece ser uma tradução quase exata do texto etrusco, é perfeitamente traduzível. Quanto ao acesso às inscrições: a maioria de inscrições etruscas conhecidas e publicadas encontram-se recolhidas no corpus inscriptionum etruscarum (CIE).

Fenício

A Língua fenícia era falada originalmente na região do litoral do Mediterrâneo oriental conhecida como Fenícia pelos gregos e latinos, como Pūt pelos Egípcios antigos, como Canaan no próprio Fenício, em hebreu e em aramaico; é uma das Línguas semíticas Ocidentais, Centrais, do Noroeste, do subgrupo das Canaanitas; o Hebreu é, dentra as línguas vivas, a mais próxima ao fenício. A região onde se falava o fenício é aquela onde ficam hoje o Líbano, o litoral da Síria, o norte de Israel, Malta.

A Língua Fenícia foi sendo conhecida por inscrições encontradas no sarcófago de Ahiram (rei de Biblos), nos túmulos de Kilamuwa e de Yehawmilk em Biblos, também em notas ocasionais em obras escritas em outras línguas. Autores romanos como Salústio citam certos livros escritos em Púnico, mas nenhum dessas obras sobreviveu, exceto algumas poucas traduções (Ex, um tratado de Mago) ou em pequenos trechos (Ex. nas peças de Plauto). Na Estela Funerária dita de Melqart descoberta em 1694 havia inscrições em grego antigo e em Cartaginês (Púnica) e isso permitiu ao estudioso francês decifrar e reconstruir o alfabeto Cartaginês e as mais antigas inscrições conhecidas em Fenício vieram de Biblos e datam cerca de 1000 AC. Inscrições Púnicas e Fenícias foram encontradas no Líbano, Síria, Israel, Chipre, Sardenha, Tunísia, Marrocos, Argélia e até na Península Ibérica, até os primeiros séculos da Era Cristã.

Uma curiosidade para os Brasileiros que se relaciona com os fenícios é a Pedra da Gavea, no Rio de Janeiro. Entre os bairros da Barra da Tijuca e São Conrado, no Rio de Janeiro, e a 842 metros acima do nível do mar existe uma montanha com a face de um gigante desconhecido. Seu nome Gávea, remonta à época do descobrimento, quando os portugueses que aqui chegaram notaram que ela era um observatório perfeito das caravelas que chegavam. A face que vemos quando olhamos para ela parece uma figura esculpida e existem inscrições antigas em um de seus lados.

No século XIX algumas “marcas” na rocha chamaram a atenção do Imperador D. Pedro I, apesar de seu pai, D. João VI, rei de Portugal, já ter recebido um relatório de um padre falando sobre as marcas estranhas, as quais foram datadas de antes de 1500. Até 1839, pesquisas oficiais foram conduzidas e no dia 23 de março, em sua oitava seção extraordinária, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil decidiu que a Pedra da Gávea deveria ser extensamente analisada, ordenando então o estudo do local e suas inscrições. Uma pequena comissão foi formada para estudar a rocha. 130 anos mais tarde o jornal O Globo questionou tal comissão, querendo saber se eles realmente escalaram a rocha, ou se simplesmente estudaram-na usando binóculos. O relatório fornecido pelo grupo de pesquisa diz que eles “viram as inscrições e também algumas depressões feitas pela natureza.” No entanto, qualquer um que veja estas marcas de perto irá concordar que nenhum fenômeno natural poderia ser responsável por elas.

Após o primeiro relatório, ninguém voltou a falar oficialmente sobre a Pedra até 1931, quando um grupo de excursionistas formou uma expedição para achar a tumba de um rei fenício que subiu ao trono em 856 a.C. Algumas escavações amadoras foram feitas sem sucesso. Dois anos depois, em 1933, um grupo de escaladas do Rio de Janeiro organizou uma expedição gigantesca com 85 membros, o qual teve a participação do professor Alfredo dos Anjos, um historiador que deu uma palestra “in loco” sobre a “Cabeça do Imperador” e suas origens.

Em 20 de janeiro de 1937, este mesmo clube organizou outra expedição, desta vez com um número ainda maior de participantes, com o objetivo de explorar a face e os olhos da cabeça até o topo, usando cordas. Esta foi a primeira vez que alguém explorava aquela parte da rocha depois dos fenícios, se a lenda está correta.

Segundo um artigo escrito em 1956, em 1946 o Centro de Excursionismo Brasileiro conquistou a orelha direita da cabeça, a qual está localizada a uma inclinação de 80 graus do chão e em lugar muito difícil de chegar. Qualquer erro e seria uma queda fatal de 20 metros de altura para todos os exploradores. Esta primeira escalada no lado oeste, apesar de quase vertical, foi feita virtualmente a “unha”. Ali, na orelha, há a entrada para uma gruta que leva a uma longa e estreita caverna interna que vai até ao outro lado da pedra.

Em 1972, escaladores da Equipe Neblina escalaram o “Paredão do Escaravelho” – a parede do lado leste da cabeça – e cruzaram com as inscrições que estão a 30 metros abaixo do topo, em lugar de acesso muito difícil. Apesar do Rio ter uma taxa anual de chuvas muito alta, as inscrições ainda conservavam-se quase intactas.

Em 1963 um arqueólogo e professor de habilidade científica chamado Bernardo A. Silva Ramos traduziu-as como:

LAABHTEJBARRIZDABNAISINEOFRUZT

Que lidas ao contrário:

TZUR FOENISIAN BADZIR RAB JETHBAAL

Ou:

TIRO, FENÍCIA, BADEZIR PRIMOGÊNITO DE JETHBAAL

Além disso existem alguns outros fatos interessantes relacionados com a pedra:

– A grande cabeça com dois olhos (não muito profundos e sem ligação entre eles) e as orelhas;

– As enormes pedras no topo da cabeça a qual lembra um tipo de coroa ou adorno;

– Uma enorme cavidade na forma de um portal na parte nordeste da cabeça que tem 15 metros de altura e 7 metros de largura e 2 metros de profundidade;

– Um observatório na parte sudeste como um dolmen, contendo algumas marcas;

– Um ponto culminante como uma pequena pirâmide feita de um único bloco de pedra no topo da cabeça;

– As famosas e controversas inscrições no lado da rocha;

– Algumas outras inscrições lembrando cobras, raios-solares, etc, espalhados pelo topo da montanha;

– O local de um suposto nariz, que teria caído há muito tempo atrás

Roldão Pires Brandão, o presidente da Associação Brasileira de Espeleologia e Pesquisas Arqueológicas no Rio afirmou: “É uma esfinge gravada em granito pelos fenícios, a qual tem a face de um homem e o corpo de um animal deitado. A cauda deve ter caído por causa da ação do tempo. A rocha, vista de longe, tem a grandeza dos monumentos faraônicos e reproduz, em um de seus lados, a face severa de um patriarca”. (O GLOBO)

Hoje já se sabe que em 856 a.C., Badezir tomou o lugar de seu pai no trono real de Tiro, isso fez com que muitos acreditassem que a Pedra da Gávea poderia ser o túmulo deste rei.

Segundo consta, outros túmulos fenícios que foram encontrados em Niterói, Campos e Tijuca sugerem que esse povo realmente esteve aqui. Em uma ilha na costa do Estado da Paraíba, pedras ciclope e ruínas de um castelo antigo com quartos enormes e diversos corredores e passagens foi encontrado. De acordo com alguns especialistas, o castelo seria uma relíquia deixada pelos fenícios, apesar de haver pessoas que contextem essa teoria.

Alfabeto dos Gênios

Também conhecido como Alfabeto da Linguagem Celestial, Alfabeto dos Anjos ou Escrita Celestial.

Cada símbolo deste alfabeto está relacionado com um gênio específico. Os valores fonéticos de cada um deles é derivado do nome do gênio específico. Além disso cada um dos símbolos possui associação com os sinais utilizados na geomancia como vemos no gráfico abaixo:

os nomes dos símbolos são:

Agiel – Belah – Chemor – Din – Elim – Fabas – Graphiel – Hecadoth – Iah – Kne – Labed – Mehod – Nebak – Odonel – Paimel – Quedbaschemod – Relah – Schethalim – Tiriel – Vabam – Wasboga – Xoblah – Yshiel – Zelah

Gênio é a tradução usual em português para o termo árabe jinn, mas não é a forma aportuguesada da palavra árabe, como geralmente se pensa. A palavra em português vem do Latim genius, que significa uma espécie de espírito guardião ou tutelar do qual se pensava serem designados para cada pessoa quando do seu nascimento. A palavra latina tomou o lugar da palavra árabe, com a qual não está relacionada. O termo parece ter entrado em uso no português através das traduções francesas d’As Mil e Uma Noites, que usavam a palavra génie como tradução de jinni, visto que era similar ao termo árabe em som e significado, uso que acabou se estendendo também para o português.

Entre os arqueólogos lidando com antigas culturas do Oriente Médio, qualquer espírito mitológico inferior a um deus é freqüentemente referenciado como um “gênio”, especialmente quando descrevem relevos em pedra e outras formas de arte. Esta prática se inspira no sentido original do termo “gênio” como sendo simplesmente um espírito de algum tipo.

Fonte Grega

O alfabeto utilizado para escrever a língua grega teve o seu desenvolvimento por volta do século IX a.C. e é usado até os nossos dias. Anteriormente, o alfabeto grego foi escrito mediante um silabário, utilizado em Creta e zonas da Grécia continental como Micenas ou Pilos entre os séculos XVI a.C. e XII a.C. O Grego que reproduz parece uma versão primitiva dos dialectos Arcado-cipriota e Jónico-ático e é conhecido habitualmente como Micénico.

Crê-se que o alfabeto grego deriva duma variante do semítico, introduzido na Grécia por mercadores fenícios. Dado que o alfabeto semítico não necessita de notar as vogais, ao contrário da língua grega e outras da família indo-europeia, como o latim e em consequência o português, os gregos adaptaram alguns símbolos fenícios sem valor fonético em grego para representar as vogais. Este facto pode considerar-se fundamental e tornou possível a transcrição fonética satisfatória das línguas Europeias.

Por ter sido considerado durante séculos como uma língua culta muitos estudos filosóficos e mágicos foram feitos e registrados nesta língua, inclusive em séculos recentes como podemos ver em livros de Eliphas Levi, Francis Barret e outros.

Dentro da pasta de fontes gregas estamos disponibilizando também a fonte Apollonian, uma fonte baseada no grego que surgiu no período da baixa Idade Média e era tida pelos ocultistas como um alfabeto secreto criado por Apolônio de Tiana.

Fonte Hebraica

Enquanto o termo “hebreu”, refere-se a uma nacionalidade, ou seja especificamente aos antigos israelitas, a língua hebraica clássica, uma das mais antigas do mundo, pode ser considerada como abrangendo também os idiomas falados por povos vizinhos, como os fenícios e os cananeus. De facto, o hebraico e o moabita são considerados por muitos, dialectos da mesma língua.

O hebraico assemelha-se fortemente ao aramaico e, embora menos, ao árabe e seus diversos dialetos, partilhando muitas características linguísticas com eles.

O hebraico também mudou. A diferença entre o hebraico de hoje e o de três mil anos atrás é que o antigo era um abjad ou seja, não possuía vogais para formar sílabas. As vogais foram os sinais diacríticos inventados pelos rabinos para facilitar na pronúncia de textos muito antigos e posteriormente desativados, nos meios de comunicação atuais.

Não existe um estudioso ou praticante sério de magia que nunca tenha cruzado com o hebraico. Durante a idade média o estudo da cabala e o desenvolvimento mágico da cultura dos judeus influenciou praticamente todos os grandes magos dos quais já ouvimos falar. De livros que exaltam a grandiosidade de Deus a tratados que ensina a chamar demônios de forma que se manifestem e obedeçam ao operador o hebraico se tornou a base para a confecção de sêlos e sigilos mágicos, círculos de evocação, amuletos de proteção e muito mais.

É uma língua que se torna indispensável para o estudioso da magia medieval, da cabala e da demonologia. E com esta fonte se torna muito mais fácil se criar novos amuletos e sigilos sem a necessidade de um domínio completo da grafia original das letras.


Hieróglifos Egípcios

Hieróglifo ou Hieroglifo é cada um dos sinais da escrita de antigas civilizações, tais como os egípcios, os hititas, e os maias. Também se aplica, depreciativamente, a qualquer escrita de difícil interpretação, ou que seja enigmática. Originário duas palavras gregas: ἱερός (hierós) “sagrado”, e γλύφειν (glýphein) “escrita”. Apenas os sacerdotes, membros da realeza, altos cargos, e escribas conheciam a arte de ler e escrever esses sinais “sagrados”.

A escrita hieroglífica constitui provavelmente o mais antigo sistema organizado de escrita no mundo e era vocacionada principalmente para inscrições formais nas paredes de templos e túmulos. Com o tempo evoluiu para formas mais simplificadas, como o hierático, uma variante mais cursiva que se podia pintar em papiros ou placas de barro e, ainda mais tarde, com a influência grega crescente no Oriente Próximo a escrita evoluiu para o demótico, fase em que os hieróglifos iniciais ficaram bastante estilizados havendo mesmo a inclusão de alguns sinais gregos na escrita.

Os hieróglifos foram usados durante um período de 3500 anos para escrever a antiga língua do povo egípcio. Existem inscrições desde antes de 3000 a.C. até 24 de Agosto de 394, data aparente da última inscrição hieroglífica, numa parede no templo de Ilha de Filae. Constituíam uma escrita monumental e religiosa, já que eram usados nas paredes dos templos, túmulos, etc. havendo poucas evidências de outras utilizações. Durante os mais de três milênios em que foram usados, os egípcios inventaram cerca de 6900 sinais. Um texto escrito nas épocas dinásticas não continha mais do que 700 sinais, mas no final desta civilização já eram usados milhares de hieróglifos, o que complicava muito a leitura, sendo isso mais um dos fatores que tornavam impraticável o seu uso e levaram ao seu desaparecimento.

O arquivo que estamos disponibilizando traz os hieróglifos do chamado “alfabeto” egípcio. São estes os sinais hieroglíficos que mantiveram o seu valor fonético praticamente inalterado durante mais de 3000 anos, desde os tempos pré-dinásticos até ao século 5 d.C.

Alfabeto Kemético

Kemet era o nome do antigo egito, (kṃt), ou “terra negra” (de kem, “negro”). Como vimos, as formas mais antigas de hieróglifos era pictogramas mas com o tempo eles evoluiram para um sistema escrito muito similar ao chines, onde cada caracter representava tanto sílabas quanto palavras.

E assim se desenvolveu um alfabeto que apesar de se manter sofisticado como os pictogramas anteriores – por exemplo a letra que significava boca podia ser seguida por um determinativo (um tipo especial de caracter que servia para indicar o sentido de letras individuais) que determinasse se a boca estava relacionada com o ato de comer ou de conversar.

Com o passar do tempo este alfabeto evoluiu ainda mais, onde cada simbolo se
torna uma letra que indicava o primeiro som da palavra e se cria um sistema que indicava se o símbolo deveria ser interpretado como uma palavra completa ou apenas como uma letra.

As fontes apresentadas aqui não são simples transcrições do alfabeto latino, algumas letras não possuiam relações com as nossas modernas algumas faltavam, outras eram adições, e o sistema numérico está mais próximo do romano do que do árabe. Aqui temos duas versões desta fonta a cursiva e uma com ângulos que era a forma como ela era gravada em pedra, metais ou madeira.

Malachim

Outra das escritas criadas por Agrippa. Ela foi derivada também dos alfabetos grego e hebraico e até hoje é usada, em certo grau, por maçons modernos. Esta versão foi feita em cima da que aparece no Biblioteca Magna Rabbinica de Bartolozzi editado em 1675.

Travessia do Rio

Mais uma fonte de Agripa, também conhecida como Passage de Fleuve. Este alfabeto foi derivado do alfabeto hebraico. Este alfabeto era usado para se escrever de forma que aquilo registrado não pudesse ser compreendido e também em sigios e selos mágicos.

Runas

As runas são um conjunto de alfabetos relacionados que usam letras características (também chamadas de runas) e eram usadas para escrever as línguas germânicas, principalmente na Escandinávia e nas ilhas Britânicas.

Em todas as suas variedades, as runas podem ser consideradas como uma antiga forma de escrita da Europa do Norte.

As inscrições rúnicas mais antigas datam de cerca do ano 150, e o alfabeto foi substituído pelo alfabeto latino com a cristianização, por volta do século VI na Europa central e no século XI na Escandinávia.

Elas também eram usadas como oráculos, ou Runemal como era chamada a esta arte pelos iniciados.

Contam as lendas vikings que os deuses moravam em Asgard, um lugar localizado no topo de Yggdrasil, a Árvore que sustenta os nove mundos. Nesta árvore, o deus Odin conheceu a sua maior provação e descobriu o mistério da sabedoria: as Runas. Alguns versos do Edda Maior, um livro de poemas compostos entre os séculos IX e XIII, cantam esta aventura de Odin em algumas de suas estrofes:

“Sei que fiquei pendurado naquela árvore fustigada pelo vento,
Lá balancei por nove longas noites,
Ferido por minha própria lâmina, sacrificado a Odin,
Eu em oferenda a mim mesmo:
Amarrado à árvore
De raízes desconhecidas.

Ninguém me deu pão,
Ninguém me deu de beber.

Meus olhos se voltaram para as mais entranháveis profundezas,
Até que vi as Runas.

Com um grito ensurdecedor peguei-as,
E, então, tão fraco estava que caí.

Ganhei bem-estar
E sabedoria também.

Uma palavra, e depois a seguinte,
conduziram-me à terceira,
De um feito para outro feito.”

Esta é a criação mítica das Runas, na qual o sacrifício de Odin (que logo depois foi ressucitado por magia) trouxe para a humanidade essa escrita alfabética antiga, cujas letras possuiam nomes significativos e sons também significativos, e que eram utilizadas na poesia, nas inscrições e nas adivinhações, mas que nunca chegaram a ser uma língua falada.

Graças a estas crenças as runas sempre tiveram um significado que ia além da simples função de uma letra ou um simples alfabeto. E aqui disponibilizamos alguns tipos diferentes de runas:

Runas Futhark

A forma rúnica mais antiga usada pelas tribos germânicas, ela aparece em inscrições em artefatos como jóias, amuletos, ferramentas, armas e pedras. Mais tarde foi simplificada na Escandinávia e depois alterada pelos anglo-saxões e Frisões, mas diferente dessas novas versões que permanece em uso até os dias de hoje, a sabedoria do Futhark antigo foi perdida e apenas em 1865 pode ser novamente decifrada pelo estudioso noruegues Sophus Bugge.

Runas Germânicas

Uma outra versão das Runas Futhark

Runas Inglesas

Conhecidas como Futhorc, a versão desenvolvida pelos anglo saxões das 24 runas Futhark originais, que continha entre 26 e 33 caracteres. Teve seu uso iniciado no século V.

Runas de Cthulhu

Contém três tipos diferentes de caracteres, os hieroglifosde Cthulhu, pictogramas que trazem símbolos que fazem parte do universo lovecraftiano. As Runas de Cthulhu, caracteres desenvolvidos com o mesmo princípio das runas. O afabeto de Nug-Soth, como mostrado no necronomicon.

Apesar de apenas o alfabeto de Nug-Soth ter um valor “histórico” por aparecer em uma das primeiras versões do Necronomicon, os outros dois alfabetos se tornaram populares entre alguns praticantes de magia negra e magia do caos e são muito utilizados em trabalhos que envolvam o Mito Lovecraftiano ou belíssimas reproduções de novas versões (ou versões antigas, como preferir) do tomo escrito por Abdul Al-Hazred.

Sânscrito

A língua sânscrita, ou simplesmente sânscrito, (संस्कृत; em devanāgarī, pronuncia-se saṃskṛta) é uma língua da Índia, com uso litúrgico no Hinduísmo, Budismo, Jainismo. O sânscrito faz parte do conjunto das 23 línguas oficiais da Índia.

Com relação à sua origem, a língua sânscrita é uma das línguas indo-européias, pertencendo, portanto, ao mesmo tronco lingüístico de grande parte dos idiomas falados na Europa. Um dos sistemas de escrita tradicionais do sânscrito é o devanāgarī, uma escrita silábica cujo nome é um composto nominal formado pelas palavras deva (“deus”, “sacerdote”) e nāgarī (“urbano(a)”), que significa “[escrita] urbana dos deuses”. O sânscrito foi registrado ao longo de sua história sob diversas escritas, visto que cada região da Índia possui uma escrita e uma tradição cultural particularmente diferenciada. A escrita devanágari (seu nome, em português, é acentuado como proparoxítona) acabou-se tornando a mais conhecida devido a ser a mais utilizada em edições impressas de textos originais.

É uma das línguas mais antigas da família Indo-Européia. Sua posição nas culturas do sul e sudeste asiático é comparável ao latim e o grego na Europa e foi uma proto-língua, pois influenciou diversas outras línguas modernas. Ela aparece em forma pré-clássica como o sânscrito védico, sendo o idioma do Rigveda o seu estado mais antigo preservado, desenvolvido em torno de 1500 a.C.[1]; de fato, o sânscrito rigvédico é uma das mais antigas línguas indo-iranianas registradas, e um dos membros mais antigos registrados da família de línguas indo-européias[2]. O sânscrito é também o ancestral das linguagens praticadas da Índia, como o Pali e a Ardhamgadhi. Pesquisadores descobriram e preservam mais documentos em sânscrito do que documentos em latim e grego. Os textos védicos foram escritos em uma forma de sânscrito.

Alfabeto Tebano

As origens do alfabeto Tebano se perderam há muito tempo, ele é conhecido como as Runas de Honório – já que muitos atribuem sua criação a Honório de Thebas, mas durante a idade média ficou conhecido também como o alfabeto das bruxas.

Este alfabeto é notável por não possuir nenhuma correspondência com o alfabeto latino, à excessão das letras j e u (ou I e V). Ele surgiu a primeira vez na publicação Polygraphia de Johannes Trithemius, de 1518. Enquanto Trithemius o atribuia a Honório, seu estudante mais conhecido, Agrippa, o atribuiu a Pietro d’Abano.

Hoje em dia este alfabeto é muito usado por praticantes de Wicca e outras formas mais antigas de paganismo. Alguns o chamam também de Escrita Angélica(l) e é usada também como forma de comunicação com anjos já que muitos crêem que caso se queira pedir algo para um anjo a chance de ser agraciado com um resultado positivo é muito maior caso se use esta escrita.

Alfabeto das Adagas

Este alfabeto é uma cifra baseada no alfabeto latino e é usado para propósitos mágicos, como desenvolver imagens, selos ou mesmo textos inteiros. Existem inclusive cartas como as de taro e peças como as de dominó que usam esses símbolos como formas divinatórias, ele aparece a primeira vez no livro A Visão e A Voz de Aleister Crowley.


BÔNUS

Além das fontes de símbolos, nós coletamos algumas fontes desenvolvidas pela Howard Philips Lovecraft Historical Society para fins mais lúdicos. Inspirada pelos contos do autor essas fontes reproduzem os meios de comunicação de época de forma extremamente fiel. Estas fontes podem ser usadas por pessoas que desejem dar uma aparência antiga e real para documentos, tratados e mesmo panfletos e livros.

HPLHS-OldStyle1, PLHS-OldStyle Italic, HPLHS-OldStyle Small Caps,  são fontes digitalizadas diretamente do catálogo Linotype da década de 1930.

HPLHS-Blackletter é uma fonte texturizada e irregular que simula uma letra escrita à mão inspirada no engravador frances Charles Demengeot. É o tipo de letra usada para se escrever tomos de ocultismo que parecem ter sido escritos por monges loucos.

HPLHS-WW2Blackletter foi baseada em documentos alemães reais da década de 1930. Existe em duas versões: uma com ornamentos e outra sem.

HPLHS-Telegram é uma réplica detalhada das fontes usadas em telegramas reais da Western Union nas décadas de 1920 e 1930.

HPLHS-Headline One é uma réplica das letras usadas em cabeçalhos de jornais da época.

HPLHS-Headline Two é uma adaptação mais rústica da fonte Erbar, usada nas máquinas de linotipo usadas para o corpo das notícias em jornais das décadas de 1920 e 1930.

HPLHS-SlabSerif é um alfabeto condensado baseado nas letras esculpidas em madeira, era muito usado em subtítulos em notícias de jornais, posteres de procurados e outras coisas do tipo.

NOTA

É importante notar que todas as fontes aqui apresentadas tem como o objetivo complementar trabalhos mágicos. Muitas delas faziam partes de sistemas que possuem uma gramática própria enquanto outras eram apenas transliterações. Caso você não tenha conhecimento dos sistemas em que elas são utilizadas elas ainda servem como curiosidade. Mas as fontes e caracteres por sí próprios não possuem muito valor, é necessario um estudo para saber como utilizá-los da maneira correta.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/arquivo-de-fontes-morte-subita-inc/