A Meia-Noite, No Jadim Do Bem Do Mal

“Que não está morto aquilo que é capaz de eterno jazer, e ao longo de eras estranhas mesmo a morte pode morrer.”

Na obra “Estâncias” de Dzyan, em torno da qual toda “A Doutrina Secreta” se acha organizada como um comentário, Madame Blavatsky nos informa que cada homem é uma sombra ou centelha de uma divindade de sabedoria, poder e espiritualidade superlativos. Esses seres sensíveis são chamados de deuses ou essências universais por uma das autoridades em teurgia. Deuses esses que representam a ordem.

Mas antes que o Homem caminhasse por sobre a terra, dominavam os Grandes Antigos, que desde as eras mais remotas aguardavam, em outra dimensão, para retomar o que lhes pertence e exterminar a humanidade intrusa.

Os teosofistas fizeram conjecturas sobre a apavorante imensidão do ciclo cósmico, do qual nosso mundo e raça humana constituem meros incidentes transitórios. Eles aludiram a estranhas sobrevivências: “em tempos extremamente remotos criaturas do caos e monstros incríveis vindos de outros universos habitavam a terra.”

O mal descrito por Lovecraft é o mal em si, absoluto, evocando um mal ominoso; um mal se torna real e consistente, tanto quanto os deuses e hierarquias atuais, principalmente as judaicos-cristãos.

Os Grandes Antigos são deuses que não se curvaram, nem se submeteram aos deuses vencedores. São de igual porte. São a existência primordial, o Caos, antes da Ordem chegar. Invoca-los é apagar as leis e as ordens vigentes. Esta é a possibilidade mágica do Necronomicon: a re-ascenção dos Veneráveis Antigos e do Caos.

Keneth Grant faz um paralelo do culto de Crowley, com os deuses do Necronomicon. Então vamos avaliar um pouco Thelema. Declarar-se thelemita é aceitar o Líber Al Vel Legis, é entrar em sintonia com a corrente 93. Ao fazê-lo, certos centros psíquicos estarão sendo colocados em atividade, bem como estaremos nos preparando para enfrentar as ordálias do caminho.

Crowley cultuou o deus SET. A mais velha forma conhecida do Príncipe das Trevas, o arquétipo da Consciência de Si isolada, cujo sacerdócio remonta a épocas pré-dinásticas.

Imagens de Set têm sido datadas de antes de 3200 aEC (aEC = antes da era comum), com estimativas astronomicamente baseadas de inscrições datando do ano 5000 aEC.

A corrente 93 é claramente typhoniana e/ou draconiana. Ou seja, ligada a gnose tipo zhoteriana ( vudu, maat, zos kia, etc). Zother , a estrela Sirius , que se identifica com o monstro Thipon, a mãe de Seth.

Invocar forças mágicas, não é apenas invocar os anjinhos cabalísticos, das sephiroth porque os mesmos têm a sua contra-parte, as qlipoths; que segundo Dion Fortune, “são forças terríveis, havendo perigo até mesmo em pensar sobre elas”. O trabalho do magista, consiste em equilibrar as forças atuantes. No trabalho de invocação do Sagrado Anjo Guardião, baseado no Magia Sagrada de Abramalin, nos diz que : “uma vez que ele (SAG) tenha se manifestado será então necessário, primeiramente, fazer aparecer os Quatro Grandes Príncipes do Mal no Mundo, em seguida os dezesseis sub-príncipes, e finalmente, os trezentos e dezesseis servidores destes.”

No Necronomicon, toda a parte inicial invocatória inexiste. A convocação é imediata, direta e frontal, o que exige do magista um imenso poder, pois é presumível que ele se verá frente a frente com potências obscuras de aparência aterradora, sumamente perversas, detentoras de poder colossal e possivelmente pertencentes a esferas e hierarquias associadas a própria gênese da terra e a disputa da mesma.

Para os mais puritanos, muito antes do cristianismo, temos mitos antigos de mergulho nas trevas infernais. Com por exemplo Hades, irmão de Zeus, a quem coube comandar os mundos abissais, de mesmo nome Hades – o Inferno. Pesquisem o mito de Demeter.

O humor é necessário, até mesmo para prevenir a demência do mago, em suas invocações, e proteger o ego de inflar e explodir . Mas ao ler diversos opiniões nesta lista, percebo pessoas que consideram a magia uma brincadeira, que podem fazer e desfazer pactos; invocar anjinhos, etc. Que podem ser caoístas, thelemitas, maatianos e ao mesmo tempo gnosticos cristãos, carismáticos, new age, etc.

Muitos criticam Paulo Coelho – e não o estou defendendo – porém ele se aplicou as práticas mágicas, e teve de enfrentar forças invocadas ,que hoje ele considera mais, e isto é problema dele. Mas foi um praticante. O ponto é que muitos falam, e são magistas (não ousem se autodenominarem MAGOS), são magistas de cadeira. Lêem um pouco, participam de muitas listas, etc. Antes que venham com pedras e paus, perguntem a si mesmo, quantos fazem diariamente uma meditação ou o rito do Pentagrama Menor?, ou estudaram e praticaram o Liber KKK, por pelo menos um ano e um dia? Ou Liber Resh?

A descoberta de si mesmo, Self, é parte do trabalho mágico. Negar aquilo que está em nós nos sabota e cria traumas: A nossa sombra. O trabalho da corrente typhoniana envolve a assimilação da Sombra.

Quem procura o caminho da magia, vai se confrontar com caminhos desolados no reino das trevas. Talvez seja possível recusar o encontro ou adiá-lo . Ou se colocar no mesmo, enfrentando o seu inferno interior.

O mal o espreita, com aqueles olhos negros, vazios de qualquer sentimento, e você vai encará-lo de frente. Cultue Seth, e despose a sua noiva Nuit. O trabalho de descoberta das sombras é direto. Ao assentar dentro de seu interior, a entidade que trabalha, ocorre uma simbiose, descobrindo as próprias trevas interiores, como a própria entidade.

Estão prontas para as ordálias do caminho escolhido? Sabem realmente o caminho escolhido? Ora pois , a prática da meta-crença, do mote de que “Nada é verdadeiro, tudo é permitido“, confere uma liberdade horrorosa e uma responsabilidade horrorosa. Você, unicamente você, é responsável por todos os seus atos.

Não há deus senão o homem.

IAO! SABAO! AGLA IEOUOUR IOU OUR IATO IAEO IOOU ABRASAX!

IO PAN! IO CAOS!

Hélio

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-meia-noite-no-jadim-do-bem-do-mal/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-meia-noite-no-jadim-do-bem-do-mal/

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